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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Lula está protegendo Dilma ou abandonando-a à a própria sorte?

Está na imprensa. O presidente Lula desafiou a ex-secretária da Receita Federal a exibir sua agenda e, assim, provar que teve um encontro com a ministra Dilma Rousseff.

Agora a pergunta: ao tomar esta atitude, o presidente está protegendo Dilma ou abandonando-a à a própria sorte?

Lula sabe, muito mais do que nós todos, que existem encontros que constam da agenda e encontros "fora da agenda".

Uma autoridade recebe alguém fora da agenda quando se trata de uma emergência, um evento de última hora que não tinha sido agendado.

Ou quando a autoridade não quer que o encontro seja divulgado. Trata-se de um recurso absolutamente banal no exercício do poder.

Imaginem se na agenda de Winston Churchill constava, por exemplo, em 2 de junho de 1944: "Reunião com o general Eisenhower para marcar a data da invasão da Normandia". Passa pela cabeça de alguém que esta reunião, se é que aconteceu, constaria da agenda do primeiro-ministro? Ou da agenda do general? Pois é.

O presidente Lula mesmo é useiro e vezeiro na utilização do recurso "fora da agenda".

Recentemente, recebeu à noitinha, o sendor Fernando Collor. Foi no mesmo dia em que, completamente transtornado, Fernando Collor deu aquele triste espetáculo no plenário do Senado, agredindo violentamente o senador Pedro Simon.

Lula agradeceu a Collor a defesa do senador José Sarney. Mas o encontro não constava da agenda. Nem Lula permitiu fotografias. O presidente é esperto e sabe que uma foto ali seria desastrosa.

Mas a imprensa descobriu o encontro. O Planalto não teve como desmentir.

Outro exemplo. Desde que foi cassado e se tornou réu no processo do mensalão, José Dirceu não deixou de manter encontros frequentes com o presidente Lula. A imprensa sempre noticia. E nada é desmentido.

Pois aposto que nenhum desses encontros consta da agenda do presidente Lula. Fotografia juntos, então, nem pensar.

Lula sabe perfeitamente que uma foto ao lado de Dirceu, réu no STF como chefe da quadrilha do mensalão, pode ter efeitos de uma hecatombe.

(Ah, todo mundo sabe que Lula beijou as mãos de Jader Barbalho. Muita gente viu e comentou. Pois não há fotos.)

No caso da ex-secretária Lina Vieira, o encontro com a ministra Dilma pode muito bem ter acontecido e não haver registro nem na agenda da secretária nem na da ministra.

O que não prova se o encontro aconteceu ou não. Sem os registros de entrada e saída no Palácio do Planalto, fica difícil.

O que só piora a situação da ministra, se a ex-secretária confirmar o encontro no depoimento daqui a pouco no Senado. Dado o retrospecto de Dilma Rousseff, apanhada faltando com a verdade em outros episódios, não se sabe o que pode acontecer.

Por isso, quando o presidente Lula desafia a ex-secretária a exibir sua agenda, fica a dúvida se ele está ajudando ou prejudicando a ministra.


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