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sábado, 11 de outubro de 2014

O melhor programa da campanha de Aécio




Nesta noite em que Aécio recebe o apoio de Renata Campos, que aparece 17% à frente de Dilma e que o PT entra em desespero com ataques raivosos e caluniosos, Aécio Neves bota no ar o melhor programa da campanha.

Vale a pena assistir.

Passa a régua!

Aécio dispara e abre 17 pontos de vantagem sobre Dilma, mostra pesquisa Istoé/Sensus


Primeiro levantamento após divulgação de áudios da Petrobrás mostra que escândalo atingiu em cheio campanha da petista

Mário Simas FilhoISTOÉ



Primeira pesquisa ISTOÉ\Sensus realizada depois do primeiro turno da sucessão presidencial mostra o candidato Aécio Neves (PSDB) com 58,8% dos votos válidos e a petista Dilma Rousseff com 41,2%. Uma diferença de 17,6 pontos percentuais. O levantamento feito entre a quarta-feira 7 e o sábado 10 é o primeiro a captar parte dos efeitos provocados pelas revelações feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o detalhamento do esquema de corrupção na estatal.

“Além do crescimento da candidatura de Aécio Neves, observa-se um forte aumento na rejeição da presidenta Dilma Rousseff”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus.

Segundo a pesquisa, o índice de eleitores que afirmam não votar em Dilma de forma alguma é de 46,3%. A rejeição de Aécio Neves é de 29,2%. “O tamanho da rejeição à candidatura de Dilma, torna praticamente impossível a reeleição da presidenta”, diz Guedes.

A pesquisa também capta, segundo o diretor do Sensus, os apoios políticos que Aécio recebeu durante a semana, entre eles o do PSB, PV e PPS.


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As 2000 entrevistas feitas em 24 Estados e 136 municípios mostra que houve uma migração do eleitorado à candidatura tucana mais rápida do que as manifestações oficiais dos líderes políticos.

No levantamento sobre o total dos votos, Aécio soma 52,4%, Dilma 36,7% e os indecisos, brancos e nulos são 11%, tudo com margem de erro de 2,2% e índice de confiança de 95%.

Nos votos espontâneos, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Aécio soma 52,1%, Dilma fica 35,4% e os indecisos são 12,6%.

“A analise de todos esses dados permite afirmar que onda a favor de Aécio detectada nas duas semanas que antecederam o primeiro turno continua muito forte”, diz Guedes. O tucano, segundo a pesquisa ISTOÉ\Sensus, vence em todas as regiões do País, menos no Nordeste.

No PSDB, a expectativa é a de que a diferença a favor de Dilma no Nordeste caia nas próximas pesquisas, principalmente em Pernambuco, na Bahia e no Ceará. Em Pernambuco devido o engajamento da família de Eduardo Campos na campanha, oficializado na manhã do sábado 10.

Na Bahia em função da presença mais forte do prefeito de Salvador, ACM Neto, no palanque tucano. E, no Ceará, com a participação do senador eleito Tasso Jereissati.
Além da vantagem regional, Aécio, de acordo com o levantamento, supera Dilma em todas as categorias socioeconômicas, o que, segudo a análise de Guedes, indica que a estratégia petista de apostar na divisão do País entre pobres e ricos não tem dado resultado.

PESQUISA ISTOÉ|Sensus
Realização – Sensus
Registro na Justiça Eleitoral – BR-01076/2014
Entrevistas – 2.000, em cinco regiões, 24 Estados e 136 municípios do País
Metodologia – Cotas para sexo, idade, escolaridade, renda e urbano e rural
Campo – de 07 a 10 de Outubro de 2014
Margem de erro - +/- 2,2%
Confiança – 95%
11.Out.14

Aécio recebe o apoio da viúva e dos filhos de Eduardo Campos em Pernambuco


Tucano divulgou documento para garantir apoio de Marina Silva
Por Letícia Lins
O Globo

O candidato Aécio Neves (PSDB) recebe o apoio de Renata Campos e família
Hans von Manteuffel / Agência O Globo


RECIFE - O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, recebeu neste sábado o apoio da família do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto num acidente aéreo em 13 de agosto. Os filhos do ex-governador participaram de dois eventos ao lado do tucano, em Recife. No primeiro, compareceram para dar um abraço no presidenciável e, no segundo, João Campos leu uma carta da viúva de Campos, Renata, com quem Aécio se encontrou à tarde.

"Hoje temos duas possibilidades: continuarmos como estamos ou tentar o caminho das mudanças. O Brasil pede mudanças. O governo que está aí tornou-se incapaz de realizá-las", escreveu a viúva na carta.

O texto foi lido por João Campos durante encontro da Frente Popular no Clube Internacional do Recife. Foi ele quem marcou maior presença na campanha majoritária do PSB em Pernambuco: João participou de caminhadas e comícios em 41 municípios para reforçar a campanha do hoje governador eleito Paulo Câmara (PSB).

Na carta, a família reconhece "avanços", mas diz ser fundamental "arejar a casa". E envia um recado para o tucano: "Aécio, acredito na sua capacidade de diálogo, de gestão. Sei que não é a primeira vez que seu caminho se cruza com o de Eduardo".

Renata diz ter certeza que o tucano empunhará as mesmas bandeiras defendidas pelo seu marido:

"Penso, Aécio, que hoje é um dia muito importante na sua caminhada. Você vai levar a garra e a energia do nosso povo, que são fundamentais e essenciais para a construção do novo Brasil. Somos nordestinos e pernambucanos e queremos juntos um novo construir Brasil. Siga em frente, Aécio, e que Deus nos proteja".

Ao sair da casa da família Campos – onde almoçou com cerca de 40 lideranças políticas do estado – o candidato do PSDB afirmou que fechou em Pernambuco "não apenas um pacto eleitoral, mas um pacto de uma vida toda pela decência na vida pública brasileira". Renata acompanhou o tucano até o portão da residência ao lado dos filhos, mas não gravou entrevista. Aécio reagiu com um sorriso e silêncio, quando lhe indagaram se havia recebido algum telefonema de apoio da ex-candidata Marina da Silva (PSB).

- Hoje estou muito feliz. E vou começar de trás para a frente. Acabei mais uma vez de comer o almoço da Dona Renata, um peixe maravilhoso, uma carne de sol saborosa. Eu vim buscar energia. Energia na alma, para continuar essa travessia. Eu me emociono ao voltar aqui à casa de Eduardo, porque aqui conversamos muito sobre o Brasil, tendo a Renata e os filhos como testemunhas - afirmou. E acrescentou:

- Saio daqui com uma responsabilidade que, se já era grande, ainda é maior. Para mim, hoje não foi nenhuma visita política. Hoje foi uma visita pessoal do coração. Fiz questão de trazer a Gabriela, minha filha, para conhecer os filhos de Eduardo. O que estamos fazendo aqui não é uma aliança eleitoral. É um pacto por toda uma vida. Pela decência na vida pública brasileira - ressaltou ele, antes de partir para um comício na cidade de Sirinhaém, na Zona da Mata, onde Marina teve o seu maior percentual de votação do país (74,19%).
AÉCIO DIVULGA DOCUMENTO PARA GARANTIR APOIO DE MARINA

Em sua passagem pela capital pernambucana, Aécio divulgou documento afirmando que "a Federação está doente, enfraquecida e debilitada" por padecer do "centralismo excessivo na esfera federal" e prometeu promover "a revisão desse Estado de coisas", devolvendo a estados e municípios "meios de exercerem sua autonomia constitucional, habilitado-os a levar a solução do problema para perto de onde ele ocorre". O manifesto consolida pontos em comum entre os programas de Marina Silva (PSB) e de Aécio e é uma condição para que o tucano receba o apoio da ex-presidenciável.

Aécio disse ainda ser preciso "devolver o Estado à sociedade brasileira". E fez um apelo: "É urgente revirogar nossa federação, fortalecendo suas bases". Ele prometeu promover o debate sobre o pacto federativo, articulado com a temática do desenvolvimento regional. Aécio comparou-se ao ex-presidente Juscelino Kubistchek.

O texto do documento divulgado por Aécio faz parte de uma carta divulgada pelo tucano, durante encontro com lideranças de movimentos sociais e a carta dos 21 partidos que integram a Frente Popular de Pernambuco, que é liderada pelo PSB. Aécio foi recebido em clima de festa, saudado com gritos de "Brasil pra frente, Aécio Presidente" e "País rico é país sem PT".
AÉCIO LEMBRA DE CAMPOS


O documento foi lançado no sábado no Recife, com pouco mais de 80 linhas. Ele assegurou que vai preservar "o legado e os sonhos" de Eduardo campos, mostrando que o documento é uma síntese do que querem as forças que agora o apóiam. Ele ressaltou que as urnas acusaram o desejo de mudança:

- A maioria do eleitorado, 60%, mostrou o desejo de mudança. Mudar significa tirar do poder os que o estão exercendo, mas significa, também, mudar para melhor, em primeiro e principal lugar visando a aprimorar práticas partidárias e eleitorais - afirmou.

Na carta, ele reiterou "o compromisso com valores democráticos, cuja efetivação depende de mantermos instituições virtuosas e de sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, dos conselhos, das audiências públicas sobre temas importantes não se choca com os compromissos da democracia representativa, que têm que ser preservados. Ao contrário, dá-lhes maior legitimidade". Aécio leu a carta no encontro com lideranças de movimentos sociais - negros, mulheres, pessoas com necessidades especiais e sindicalistas, - que ocorreu em um hotel, no bairro do Pina, na Zona Sul da capital.

Ele fez uma lista das conquistas do país durante as duas gestões presidenciais do PSDB. Segundo Aécio, o documento divulgado no Recife se baseia no tripé "juntos pela democracia, juntos pela inclusão social e juntos pelo desenvolvimento sustentável".

- O PSDB se orgulha de ter ajudado o Brasil a reencontrar o equilíbrio econômico. Não só fizemos a estabilização da moeda com o Plano Real, mas criamos instituições fundamentais para sua continuidade, sustentadas por políticas de transparência que infelizmente não vêm sendo seguidas pelo atual governo. O sistema de metas da inflação e autonomia operacional do Banco Central para fixar a taxa de juros e observar as livres oscilações de câmbio provaram ser ineficientes. Graças a essa base, inauguramos nova etapa de investimentos tanto internos quanto externos - disse Aécio.

Aécio Neves ao lado da filha, Gabriela (de vestido), e dos filhos de Eduardo Campos - / Agência O Globo

AÉCIO: TUCANOS INICIARAM ENTREGA GRATUITA DE MEDICAMENTOS

Ele ressaltou ainda políticas sociais criadas nas gestões tucana, a implantação do Sistema Único de Saúde e atribuiu aos tucanos o início da entrega gratuita de medicamentos aos mais pobres:

- Falta muito ainda, mas o governo do PT maltratou a saúde pública.

Aécio prometeu reajuste da tabela dos serviços do SUS e recuperação de instituições filantrópicas que prestam serviços de saúde. Ele falou também em retomar a reforma agrária "com seriedade e prioridade" e prometeu levar adiante "o resgate da dívida social brasileira".

- Vamos ampliar e aprimorar as políticas existentes, inclusive transformando o Bolsa Família em política de Estado e não de governo, justamente para que não sofra descontinuidade ou interrupção.

O tucano disse esperar a vitória no segundo turno:

- A democracia, tal como a concebemos, não se faz destruindo os órgãos do Estado ao sabor de interesses partidários e privados, como foi feito com as agências reguladoras, as empresas estatais, os fundos de pensão, e a própria administração federal.

Para Aécio, é preciso "devolver o Estado à sociedade brasileira".
'NÃO VOU ACEITAR O QUE ELES ESTÃO FAZENDO'

Depois de ler a carta, Aécio foi para o Clube Internacional, ao lado do governador eleito Paulo Câmara (PSB), do senador eleito Fernando Bezerra Coelho (PSB), e do prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB). O governador do Espírito Santo (PSB), Renato Casagrande, também compareceu ao encontro.

- Em solo sagrado de Pernambuco, digo que não sou mais candidato a presidente só do PSDB e dos partidos aliados. Sou o candidato que vai trazer as mudanças, reduzir as disparidades regionais, o que vai permitir que as populações mais desfavorecidas sejam aquelas mais atendidas pelo Estado. Não vou aceitar o que eles estão fazendo, dividindo o Brasil em dois, entre nós e eles, norte e sul. Quero ser o presidente da integração de todos os brasileiros. Essa integração se fará construindo pontes, construindo alianças - disse.

O presidenciável tucano lembrou Campos:

- Nós tínhamos certeza de que um dia estaríamos juntos, construindo um Brasil melhor, mais honrado, mais generoso - afirmou, dizendo que fez questão de trazer sua filha Gabriela a Pernambuco, para ela "conhecer a boa política que ainda se pratica no Brasil".
11/10/2014

O novo velho símbolo da corrupção do PT


João Vaccari Neto é o precursor dos esquemas de corrupção do PT. Sempre ao lado de Lula.

Por O EDITOR
Não, senhores e senhoras, este senhor aí da foto não foi o sucessor de Delúbio Soares. Ele foi o antecessor. O criador. O primeiro roubo que o PT cometeu foi na Bancoop, cooperativa dos bancários, criação de Ricardo Berzoini. O tesoureiro? João Vaccari Neto.

Ali foram desviados R$ 70 milhões, deixando três mil trabalhadores sem a casa própria. Em 2010, a juíza Patrícia Inigo Funes e Silva, da 5ª Vara Criminal de São Paulo, aceitou a denúncia contra Vaccari Neto por desvio de dinheiro da Bancoop. Com a decisão, o tesoureiro do PT tornou-se réu em processo criminal por estelionato e tentativa de estelionato, formação de quadrilha ou bando e falsidade ideológica.

Acham que o PT afastou o companheiro? Que nada! Continuou sendo conselheiro da Itaipu Binacional e, segundo Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, o operador do PT no propinoduto da Petrobras. Em depoimento à Justiça, Costa afirmou que o PT recebia 3% de propina. Ele afirma que a propina do PT era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que tratava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. João Vaccari Neto é o novo símbolo da corrupção do PT.

Ou o velho, pois ele foi o primeiro. Delúbio Soares? Apenas um mau aluno.

11.10.2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O que Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef revelaram à Justiça



As acusações contra o senador Lindberg Farias, as “atas da propina”, o dinheiro para o PMDB – e a ameaça de uma terceira delação no esquema que assombra o país

DIEGO ESCOSTEGUY E MARCELO ROCHA COM FLÁVIA TAVARES, FILIPE COUTINHO, LEANDRO LOYOLA E MURILO RAMOS
Revista Época


DETALHES DO ESQUEMA
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele confirmou o organograma da corrupção (Foto: Joel Rodrigues/Folhapress)

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef – os dois delatores mais famosos do Brasil – começaram a entregar um dos mais vastos, ricos e poderosos esquemas de corrupção já descobertos no país. Nos últimos meses, as provas reunidas pelos investigadores da Operação Lava Jato já revelavam fortes indícios da existência de uma organização criminosa, atuando a mando de patronos políticos do Brasil, nas obras mais caras da maior empresa do país. Eram extratos bancários, anotações apreendidas, e-mails, telefonemas interceptados, contas secretas em paraísos fiscais... Agora, encaixa-se a peça que faltava à investigação: a confissão dos dois principais operadores do esquema. Paulo Roberto e Youssef não só detalharam como funcionava o esquema. Denunciaram a existência de um cartel das maiores empreiteiras do Brasil, acusado de comprar diretores da Petrobras e de pagar propina a partidos como PT, PP e PMDB.

>> “2% da propina ia para o PT”, diz Paulo Roberto Costa

Paulo Roberto disse que, na raiz do esquema, está a mesma prática que levou o país ao trauma do mensalão: o aparelhamento político da máquina pública. A Petrobras, como maior empresa do Brasil, era o principal objeto do desejo do enxame de políticos que acossam o Planalto. Antes do mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu relutavam em dar aos partidos o que eles queriam na Petrobras. Paulo Roberto assumiu o cargo em 2004, por indicação do PP e com a bênção do PT, mas apenas após muita pressão. “Para que Paulo Roberto assumisse a cadeira de diretor, esses agentes políticos trancaram a pauta no Congresso durante 90 dias. Luiz Inácio Lula da Silva, ele ficou louco e teve de ceder”, disse Youssef.


“Na Petrobras, desde que me conheço como Petrobras, as diretorias e a presidência foram sempre por indicação política. Ninguém chega a general se não for indicado nas Forças Armadas. Então, as diretorias da Petrobras nos governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, quer seja nos governos do presidente Lula, foram sempre por indicação política. E fui indicado pelo PP para essa diretoria”, disse Paulo Roberto no depoimento. “Foi dito que o partido (PP) tinha interesses. É óbvio que nenhum partido indicou algum diretor só pela capacidade técnica dele.” Segundo Paulo Roberto e Youssef, os verdadeiros chefes da organização criminosa eram os donos dos partidos – PT, PMDB e PP – que afiançavam as nomeações na Petrobras. Acima deles, o Palácio do Planalto de Lula, de onde partiam as ordens para nomear os afilhados dos partidos.


>> Na delação premiada, Paulo Roberto Costa revela que os contratos da Petrobras eram superfaturados entre 18% e 20%


Paulo Roberto passou a operar com mais liberdade somente após o mensalão, em 2005, à medida que a Petrobras se tornava a principal fonte de renda dos políticos. O jogo estava combinado. O conjunto de esquemas na Petrobras, que agora se convencionou chamar de petrolão, é o irmão maior do mensalão. Não é fortuito que o primeiro patrono de Paulo Roberto – o deputado e líder do PP José Janene, morto em 2010 – tenha participado tão decisivamente dos dois esquemas. Youssef também foi envolvido no mensalão, como doleiro responsável por lavar dinheiro do operador Marcos Valério. Até o operador João Cláudio Genu, lugar-tenente de Janene e condenado no julgamento do mensalão, participou dos dois esquemas. No segundo mandato de Lula, enquanto o MP e o Supremo trabalhavam no julgamento do mensalão, parte dos acusados continuava a fazer miséria com dinheiro público. Haviam apenas mudado de praça. E estavam mais ricos.

>> Por que Paulo Roberto Costa decidiu abrir o jogo

"NOTA FISCAL"
O doleiro Alberto Youssef. Ele preparava registros da propina
(Foto: Joedson Alves/Estadão Conteúdo)
A prosperidade veio com o início da construção de refinarias, no segundo mandato de Lula. Havia anos a Petrobras não investia na área. Subitamente, resolveu erguer muitas: Abreu e Lima, Comperj, Premium I, Premium II. Todas, obras de bilhões. Também comprou a infame refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Segundo Paulo Roberto, foi nesse momento que as grandes empreiteiras se uniram, segundo ele num “cartel”, para fazer negócios na área de Abastecimento – encarregada de tocar essas obras (leia o quadro no final da página). “Existia, claramente, isso foi dito pelos presidentes das companhias, de forma muito clara, que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Ocorreu de eu ter reuniões dentro da companhia, às vezes até reuniões com representante de grupo político, para a inclusão de empresas nas licitações”, disse. Paulo Roberto e Youssef afirmaram que a propina, no caso das refinarias, era de 3% do valor do contrato. “Me foi colocado pelas empresas e também pelo partido (PP) que, dessa média de 3%, o que fosse da Diretoria de Abastecimento, 1% seria repassado para o PP, e os 2% restantes ficariam para o PT dentro da diretoria que prestava esse serviço, que era a Diretoria de Serviços. Isso me foi dito com toda a clareza. A Diretoria Internacional tinha indicação do PMDB, então, havia recursos que eram repassados também para o PMDB.”


Segundo os dois delatores, o então diretor de Serviços, Renato Duque, indicado pelo PT e capitaneado pelo tesoureiro informal do partido, João Vaccari, era cúmplice no esquema. Youssef afirmou ter estado duas vezes com Vaccari para “tratar de Petrobras”. Disse, ainda, que cada partido tinha seus operadores e meios de repasse de dinheiro. Respeitavam-se os espaços, para não haver brigas, como a que expôs o mensalão. Nas demais diretorias comandadas pelo PT, Paulo Roberto disse que a propina de 3% também era aplicada, mas o valor não era dividido com mais ninguém. “Não operei em outra diretoria. Mas sei que existiam os mesmos moldes nas outras diretorias. Sei porque os próprios empreiteiros, operadores, eles falavam”, disse Youssef.


No depoimento desta semana passada, Paulo Roberto contou que foi abordado no começo do ano por um candidato ao governo do Rio de Janeiro. Nesse depoimento, ele não mencionou o nome do candidato. Na delação que fez ao procurador-geral da República, contou que se tratava do senador Lindberg Farias, do PT. Dois lobistas que trabalhavam com Paulo Roberto confirmaram a ÉPOCA a proximidade dele com Lindberg. “O objetivo é que eu preparasse para ele um programa de energia e infraestrutura de maneira geral. E participei de umas três reuniões com esse candidato lá no Rio de Janeiro, assim como outras pessoas participaram. Foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir para o cargo político a que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura do Rio de Janeiro. Listou uma série de empresas com que eu tinha contatos. Outras não. Hope, não conheço. Mendes Júnior, conheço. UTC, conheço. Constran, não. Engevix, conheço. Iesa, conheço. Toyo Setal, conheço. E foi solicitado que houvesse a possibilidade de as empresas participarem da campanha. E me foi dito pelo candidato.” Aos procuradores, Paulo Roberto afirmou ter pedido as contribuições de campanha, mas disse não saber se houve pagamentos.


No depoimento, Youssef afirmou que as reuniões para tratar da propina repassada a políticos e a outros agentes públicos eram registradas em atas. Desses encontros, disse Youssef ao juiz Sérgio Moro, participavam ele, Paulo Roberto e Genu. Ele disse ainda, durante a audiência, que as reuniões eram feitas com as empreiteiras individualmente. Serviam para discutir valores, andamento das obras e, naturalmente, o pagamento da propina. Youssef afirmou que entregará esses documentos para ser anexados ao processo.


Youssef tem em seu poder 12 ou 13 atas manuscritas em papel no formato A4, sobre reuniões que ocorriam em escritórios, hotéis e restaurantes. Delas participavam políticos e executivos das empreiteiras envolvidas nas principais e mais caras contratações da estatal. Com minúcia de detalhes, as atas ajudam a esclarecer como eram partilhados os contratos superfaturados e o caminho da propina. Uma dessas atas traz até o carimbo de uma das empresas investigadas no escândalo. Existem também anotações sobre os partidos beneficiados pelo desvio de recursos – PT, PP e PMDB.
O conjunto de provas de Youssef vai além das atas. Ele dispõe de uma série de notas fiscais, emitidas contra as empreiteiras participantes do esquema com anotações sobre o valor líquido – a propina – a dividir entre os operadores e os chefes de esquema de corrupção. Além disso, ele garantiu aos investigadores acesso a aparelhos telefônicos ponto a ponto, usados somente entre duas pessoas, usados por integrantes do esquema. São pelo menos dez canais exclusivos de comunicação.


Nos depoimentos, Paulo Roberto e Youssef confirmaram que o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, era o operador do esquema com o PMDB, conforme revelou ÉPOCA. O envolvimento do PMDB no esquema, dizem os delatores, é vasto. Segundo Paulo Roberto, o senador Renan Calheiros era beneficiado pelos desvios na Transpetro. Um dos episódios contados por ele envolve o deputado Aníbal Gomes, do PMDB do Ceará. Gomes, segundo o relato, levou um empresário amigo a Paulo Roberto, para que ele o ajudasse a resolver uma pendência judicial na Petrobras. Gomes, disse Paulo Roberto, usou o nome de Renan. Procurado, Gomes confirmou as visitas a Paulo Roberto. “Paulo Roberto é meu amigo. É meu conhecido há 12 anos. Sempre foi uma pessoa muito decente e educada. Era um marqueteiro da Petrobras. Um vibrador (sic) pela empresa.” Gomes diz que “pode ter acompanhado empresários” em visitas a Paulo Roberto. “Mas não consigo lembrar quem”, diz. Ele afirma que às vezes alguns pediam para agilizar uma audiência com Paulo Roberto. E Paulo Roberto, segundo ele, pedia para formalizar o pedido. “Ele era uma pessoa que todo empresário gostaria de conhecer, por causa da força que tinha.” Gomes afirma jamais ter usado o nome de Renan nas conversas com Paulo Roberto nem ter atendido a alguma solicitação de Renan relativa à Petrobras. Ele afirma, ainda, que nunca teve relação comercial com Paulo Roberto. Renan também nega relações com Paulo Roberto.


Por meio de amigos, Fernando Baiano, que está na Europa e foi orientado a não voltar por enquanto ao Brasil, mandou recados às empreiteiras, à família de Paulo Roberto e aos políticos do PMDB. Diz que guardou provas sobre alguns dos principais envolvidos no esquema. Baiano assegura que mantém evidências dos pagamentos feitos a ele por empreiteiras, como Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez. Também diz ter guardado provas de quanto repassou a Paulo Roberto – em dinheiro vivo e em contas secretas no exterior. Contas que, segundo Baiano, Paulo Roberto escondeu até agora das autoridades. O mesmo tipo de prova incrimina, segundo o relato de Baiano, deputados e senadores do PMDB, assim como as campanhas do partido em 2010. A interlocutores, Baiano garantiu ter repassado o equivalente a US$ 8 milhões às campanhas do PMDB em 2010. Parlamentares e operadores do PMDB confirmaram a ÉPOCA o papel desempenhado por Baiano, embora não soubessem precisar o montante repassado por ele. Baiano diz que entregará as provas, no momento certo, aos investigadores. Pretende negociar uma delação premiada. Pode estar blefando, mas as evidências colhidas até agora pela PF, pelo MP e pela reportagem sobre o papel de Baiano – e reveladas por ÉPOCA nos últimos meses – conferem verossimilhança a seus relatos.


O PT, em nota, repudiou “com veemência e indignação as declarações caluniosas do réu Paulo Roberto Costa”. “O PT desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras”, segue o comunicado. O secretário de Finanças do partido, João Vaccari, diz, também por meio de sua assessoria, que “nunca tratou sobre contribuições financeiras do partido, ou de qualquer outro assunto, com o senhor Paulo Roberto Costa”. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu negou ter tido qualquer responsabilidade na indicação do ex-diretor de Serviços Renato Duque.


O Partido Progressista informa que desconhece as denúncias. Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, negou as acusações e afirmou que entrará com uma ação penal por crime contra a honra contra Paulo Roberto. O advogado de Cerveró, ex-diretor da área Internacional, não respondeu às ligações de ÉPOCA. Por meio de nota, Sérgio Machado, presidente da Transpetro, negou as afirmações feitas a seu respeito por Paulo Roberto. Fernando Baiano não respondeu as ligações. Genu não foi localizado. O senador Lindberg Farias enviou nota a ÉPOCA. “Em janeiro de 2014, Paulo Roberto Costa esteve em três reuniões de preparação do programa de governo de Lindberg. Nessas ocasiões, o ex-diretor da Petrobras tão somente discutiu com especialistas propostas para a área em que detinha conhecimento, a de óleo e gás. Ele não participou de nenhuma forma da captação de doações eleitorais. Não se pode confundir isso com as atividades ilícitas do ex-diretor, posteriormente reveladas pela chamada Operação Lava Jato.”


A Camargo Corrêa informou, por meio de nota, que repudia as acusações contidas no depoimento. O consórcio CNCC, da qual a Camargo faz parte, informou que “reafirma que não realizou nenhum pagamento a Alberto Youssef nem a qualquer de suas empresas e não pode responder por pagamento de terceiros”. A Odebrecht também nega as irregularidades e “repudia especialmente insinuações feitas a partir de menções a nomes de seus integrantes como sendo ‘contatos’ do ex-diretor da Petrobras para supostas operações ilegais”. A Odebrecht afirma que “os executivos citados pelo réu confesso tiveram, sim, contatos com ele, com diretores, ex-diretores e também com membros do corpo técnico da Petrobras, mas apenas para tratar de assuntos estritamente profissionais, relacionados à execução de projetos para os quais a empresa foi contratada pela estatal”.


A Andrade Gutierrez informou “que as duas citações feitas à empresa nos depoimentos deixam claro que não há qualquer envolvimento da companhia com os assuntos relacionados às investigações”. A Iesa declarou que firmou contrato com a empresa Costa Global para serviços de consultoria e assessoria no desenvolvimento de negócios, tendo pagado, em 2013, R$ 300 mil. A Engevix informou que se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A Queiroz Galvão informa que desconhece o teor dos depoimentos. A UTC afirmou jamais ter pagado qualquer valor a Paulo Roberto. A Mendes Júnior informou que não se pronuncia sobre inquéritos e processos em andamento. A Sanko Sider diz que os depoimentos corroboram sua versão de que foram equivocadamente acusados. A OAS, a Toyo Setal e a Galvão Engenharia não responderam aos telefonemas de ÉPOCA.


10/10/2014

Quem ainda acredita em Macunaíma?


Lula é possivelmente o homem mais mentiroso desse país.

Não obstante, muitos (cada vez menos) ainda levam a sério as mentiras propagadas por seu PT.

Por Rodrigo Constantino

Agora, em época de eleição e com risco razoável de derrota, o desespero faz com que os petistas intensifiquem o esforço na arte da mentira. Vejam, então, o que o próprio Macunaína, nosso “herói” sem caráter, confessa:

 
 
É assim que sempre funcionou o PT: na base da preguiça, inventando dados de suas cabeças ocas e adotando um discurso prepotente e arrogante. Lula é apenas o ícone máximo de um método partidário. O PT chuta números sem compromisso algum com a realidade. Não estuda de verdade, não faz análises trabalhosas, pois é um partido formado por preguiçosos como seu líder, na maioria dos casos.

O Partido dos Trabalhadores que não trabalham e dos intelectuais que não pensam, eis a definição mais adequada para o PT. Resta apenas perguntar: alguém ainda acredita em uma só palavra de petista? É preciso ser muito alienado mesmo…

10.10.2014

Lula faz um discurso indecente em plenária do PT. Diante da corrupção, quer “cabeça erguida”. Ou: Uma fala cheia de ódio, que estimula a lambança. Querem saber? Faz sentido!


O ex-presidente Lula durante comício em Campo Limpo Paulista, em São Paulo, antes do primeiro turno
(Ivan Pacheco/VEJA.com)



Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Lula da Silva afirmou estar com o saco cheio. Imaginem, então, como está o nosso — nós, que somos as vítimas de um tipo de política de que ele é o grande chefe. Ontem, dados os absurdos e descalabros que emanavam dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, o Babalorixá de Banânia não quis falar. Deixou para vociferar na plenária do PT, a primeira depois da eleição do dia 5, realizada no Sindicato dos Bancários. E, aí sim, bufou, vociferou cheio de ódio, vermelho como um pimentão. As sobrancelhas estavam arqueadas. Havia ódio em seu rosto. Sabem o que recomendou aos militantes? “Não abaixar a cabeça.” Sim, Lula quer que eles se sintam orgulhosos.

Afirmou sobre a roubalheira na Petrobras: “Todo ano é a mesma coisa. É sempre o mesmo cenário: eles começam a levantar as denúncias, que não precisam ser provadas. É só insinuar que a imprensa já dá destaque. Eu quero dizer para vocês que eu já estou de saco cheio”. Assim seria se assim fosse: a operação Lava Jato não foi deflagrada pela imprensa, senhor Lula, mas pela Polícia Federal — por aquela parte dela que investiga sem perguntar a filiação partidária do investigado. A imprensa também não atuou como Ministério Público nem como Justiça. Tampouco propôs o acordo de delação premiada.

Como? “Levantar denúncias”? Desta vez, Lula, o PT se encalacrou. Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef admitem terem cometido os crimes. Alguém acha mesmo que eles atuariam sem a proteção de um esquema político? Lula está bravo porque foi ele próprio quem nomeou Paulo Roberto. E foi adiante com a retórica elegante de sempre: “Daqui a pouco, eles estarão investigando como nós nos portávamos dentro do ventre da nossa mãe”. Deus me livre! Pouco me interessa como o homem se portava no ventre daquela senhora. Mas as sem-vergonhices havidas na Petrobras, ah, isso é assunto meu, seu, de todos nós. O poderoso chefão petista parece não se conformar com isso. Entendo. Ele se acostumou com a ideia de que é dono do Brasil.

Referindo-se ao PSDB, afirmou: “Nós não podemos admitir que um partido bicudo venha nos chamar de corruptos”. Epa! Não é um partido bicudo, Lula! Os parceiros do petismo é que decidiram confessar.

O ex-presidente, gostemos ou não, é um líder político. Essa sua fala é desastrosa para a moralidade pública. Ela serve de sinal verde para a lambança. Sua cara de pau não tem limites. Continua a negar que o mensalão tenha existido, apesar das provas e das confissões de Marcos Valério. Parece que decidiu, agora, fazer o mesmo no caso da Petrobras. Estranha essa reação. Estaria Lula aplicando uma espécie de vacina contra o que virá, numa reação preventiva?

Ah, sim: na plenária, ele disse não entender o resultado pífio do PT em São Paulo. Falou isso ladeado por Alexandre Padilha, Fernando Haddad e Eduardo Suplicy, entre outros… E ele ainda não entendeu? Lula já foi mais inteligente.

10/10/2014



Parecer aponta superfaturamento de R$ 613 milhões em obras de Abreu e Lima



Engenheiro do Ministério Público Federal cita sobrepreço de 16% sobre valor do contrato

Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo
e Mateus Coutinho
Estadão

Parecer técnico do Ministério Público Federal (MPF) aponta superfaturamento de R$ 613,3 milhões nas obras da Unidade de Coqueamento Retardado (UCR) da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, alvo da Operação Lava Jato.

A obra foi executada pelo Consórcio CNCC, controlado pela Camargo Corrêa, no valor de R$ 3,4 bilhões. Segundo o documento, o superfaturamento alcançou 16% do valor final do contrato.”Diante da possibilidade de um superfaturamento dessa monta, não se pode cogitar que toda a rentabilidade do CNCC se restringe ao lucro de 9,96% explicitados na proposta comercial”, observa o parecer em referência à estimativa de lucro apresentada pela CNCC durante a licitação.


Coqueamento retardado é um processo térmico utilizado em refinarias de petróleo. O processo é importante especialmente para óleos pesados. As obras da Abreu e Lima são alvo cental da Lava Jato, que desvendou grande esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobrás.

“A relação entre a receita e os custos (rentabilidade) pode alcançar um patamar de quase 26%, dos quais 16% de forma irregular”, assinala o engenheiro Rafael Martins, assistente técnico do Ministério Público Federal.

Martins emitiu parecer técnico sobre laudo de perícia criminal da Polícia Federal. O documento faz parte dos autos da Operação Lava Jato.

“Valendo-se de metodologias consolidadas da engenharia de custos e de atuações técnicas do Tribunal de Contas da União (TCU), vislumbrou-se um superfaturamento de até R$ 613,25 milhões, 16% do valor final do contrato”, cravou o engenheiro do MPF.

O assistente técnico anota que “o valor estimado de superfaturamento nessa obra específica era inferior e já fazia menção ao pagamento não justificado de R$ 38 milhões para a Sanko-Sider e Sanko Serviços”.

VEJA A ÍNTEGRA DO PARECER

As empresas do Grupo Sanko são fornecedoras de tubos e serviços para o consórcio, que, segundo o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, serviu para alimentar as propinas pagas a políticos do PT, PMDB e PP.

Na quarta-feira, 8, em depoimento a Justiça Federal, em Curitiba, o ex-diretor da Petrobrás e o doleiro confessaram que operavam um esquema de superfaturamento de contratos, pagamento de propina por empresas que em cartel dividiam os pagamentos e serviços da estatal, lavagem de dinheiro e caixa 2 nas obras da Refinaria Abreu e Lima.

Segundo eles, no caso do Consórcio CNCC, o contrato de R$ 3,4 bilhões rendia R$ 34 milhões em propina ao PP, segundo contou Youssef em detalhes. As propinas eram pagas também nos contratos de outras diretorias. Ao todo, a lavanderia alvo da Lava Jato movimentou mais de R$ 10 bilhões em recursos.

A reportagem entrou em contato com o consórcio CNCC na noite desta quinta, mas foi informada que, devido ao horário, a empresa só conseguiria responder à soliticação nesta sexta.

COM A PALAVRA, O GRUPO SANKO SIDER

O Grupo Sanko Sider assinala que “é uma empresa conceituada, regularmente constituída há 18 anos”. “Vende tubos de aço, flanges e conexões de alta qualidade a todos os segmentos do mercado, notadamente os especializados em óleo e gás. Todas as suas vendas se dão por meio de contratos legítimos; os pagamentos ocorrem pelo sistema bancário, contra notas fiscais devidamente contabilizadas e tributadas. Nossas normas de conduta sempre determinaram comportamento de respeito estrito às leis.”

O Grupo Sanko Sider protesta com veemência porque alega que tem sido “fortemente prejudicado, equivocadamente acusado, vítima de ilações, acusações e afirmações levianas”.

10 outubro 2014


EXCLUSIVO: O primeiro boletim do DataNunes informa: Aécio já está 6 pontos percentuais acima de Dilma







Por Augusto Nunes

Nas pesquisas divulgadas nesta quinta-feira, tanto o Ibope quanto o Datafolha atribuíram 46% das intenções de voto a Aécio Neves e 44% a Dilma Rousseff. Considerados apenas os votos válidos, os índices sobem para 51% e 49%. Quer dizer que Aécio tem uma vantagem de 2 pontos percentuais? Não necessariamente. Como a margem de erro, para cima ou para baixo, é também de 2 pontos, pode ser que Dilma esteja à frente de Aécio. Tudo somado, os dois institutos informam que a situação é de “empate técnico”.

Naufragaram de novo, constatou há poucos minutos o DataNunes. Criado para antecipar-se à desmoralização imposta pelas urnas aos profetas sem rumo, o DataNunes não faz pesquisas; faz constatações. Para calcular a posição de cada candidato e a diferença que os separa, baseia-se na direção e força dos ventos e na temperatura política, aferidas pelos critérios do bom senso e do apreço à verdade. A margem de erro é inferior a zero e o índice de confiabilidade passa de 100%. Sempre que o Ibope e o Datafolha concluírem alguma pesquisa, o DataNunes divulgará um novo boletim.

O primeiro ficou pronto há meia hora. Aécio está com 53% dos votos válidos e Dilma com 47%. O candidato tucano tem uma vantagem de 6 pontos percentuais. E continua subindo.

09/10/2014

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Aécio Neves: 'O castelo de cartas do PT está desabando'


No Rio, o candidato do PSDB afirmou que depoimentos de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa mostram que corrupção na Petrobras é institucionalizada

Pollyane Lima e Silva, do Rio de Janeiro


O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, durante coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (09), no Rio de Janeiro
(Ricardo Moraes/Reuters)

A campanha do PSDB está pronta para explorar maciçamente cada novo capítulo do esquema de corrupção da Petrobras. Quando chegou a seu comitê de campanha no Rio de Janeiro, para onde convocou uma entrevista coletiva no fim da tarde desta quinta-feira, Aécio Neves pediu aos jornalistas para fazer uma introdução antes de responder a perguntas. Em pauta, o principal assunto do dia: os depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor Paulo Roberto Costa, afirmando que a propina abastecia o partido da presidente Dilma Rousseff. A crítica do candidato foi firme: "Chego à conclusão de que esse esquema é algo institucionalizado pelo PT. Não é a oposição que está falando, são duas pessoas envolvidas na organização criminosa. Em qualquer país do mundo, seria o maior escândalo da história. O Brasil não pode se acostumar com isso".

Considerando o assunto "extremamente grave", Aécio pediu que todas as informações sobre o caso cheguem aos brasileiros e prometeu, se eleito, qualificar a gestão pública do país. "Meu compromisso será com os resultados, não com a companheirada”, afirmou, em referência ao termo usado pelos petistas para definir os correligionários.

Confiante com a vitória e ironizando os institutos de pesquisas de intenções de votos que não identificaram sua passagem para o segundo turno com facilidade, o peessedebista disse que os ataques que já vem sofrendo de Dilma mostram o "desespero" de uma presidente que caminha para ser derrotada.

"O que eu vejo é que esse castelo de cartas no que se transformou o governo do PT está desabando. E nós estamos prontos para colocar, no lugar, uma edificação sólida", afirmou.
09/10/2014



Marina quer transformar sua derrota em vitória e faz política do fato consumado. Aí, não dá!






 Por Reinaldo Azevedo


Estava previsto que Marina Silva anunciasse nesta quinta seu apoio ao tucano Aécio Neves. Ela o faria depois de reunião com os partidos que sustentaram a sua candidatura. No começo da madrugada, ela recuou e decidiu não participar do encontro. Em vez disso, juntou-se a um grupo da Rede e elaborou uma carta com exigências ao candidato tucano. Depois de ela própria ter dito que mais de 60% do eleitorado cobram mudança, sinalizando adesão a Aécio e de esse comportamento ter sido saudado por muita gente, ela deu vários passos para trás.

Agora Marina quer que o candidato tucano se comprometa a não dar apoio a um projeto de seu vice, Aloysio Nunes Ferreira, que permite que, em casos excepcionais, menores possam ser responsabilizados por crimes hediondos. Ela também exige que o candidato se comprometa a combater um projeto de lei que transfere para o Congresso a responsabilidade sobre demarcação de terras indígenas. E quer ainda que ele se comprometa com metas de reforma agrária propostas pelo MST. E, claro!, que adote o tal crescimento com sustentabilidade.

Líderes da Rede estão dizendo nos bastidores que a urgência não é de Marina, mas de Aécio. O texto ainda vai adiante: afirma que o desejo de mudança “foi tragado para dentro da velha polarização PT x PSDB” e que, “nessa encruzilhada, nenhum dos caminhos aponta para uma saída política de profundidade, capaz de reduzir as desigualdades sociais promovendo a plena cidadania”.

Não dá!
Bem, não sei o que vai fazer Aécio, mas acho que Marina Silva deveria se lembrar que ela obteve 22.176.619 votos, e Aécio, 34.897.211. Na prática, a candidata pretende que o programa que foi derrotado nas urnas se sobreponha ao que chegou à frente. Mais: as pesquisas eleitorais apontam hoje que, com ou sem Marina, Aécio venceria a disputa.

Eis Marina: é uma liderança política que, tudo indica, pretende chegar sozinha ao poder. O que ela quer? Ganhar no tapetão? Impor o seu programa por intermédio da vitória de outro? Isso não é negociação, mas política do fato consumado.

Esse negócio de Marina ter pouco apreço à palavra empenhada em nome da coerência conduz a uma contradição sem saída. Noto que Aécio Neves, para o seu próprio bem, jamais avançou o sinal e nunca pediu apoio a Marina. Ela é que decidiu se antecipar, para recuar em seguida.

Em 2010, ela já foi por aí e declarou a sua neutralidade. Não sei se Serra teria vencido com o seu apoio e não especulo. Uma coisa é certa: tivesse dependido dela, não teria conseguido do mesmo jeito. Marina só aceita fazer acordos políticos desde que o outro ceda. Isso explica muita coisa.

De resto, como esquecer: o MST é aquele movimento presidido por João Pedro Stédile, que subiu no palanque para demonizá-la, prometendo manifestações diárias caso ela se elegesse.




09/10/2014




Propina podia chegar a 5% dos contratos, diz Youssef



Doleiro revela à Justiça Federal que empresas se reuniam para combinar quem venceria contratos; propinas também abasteceram caixa dois de PP, PMDB e PT

Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo
e Mateus Coutinho

Estadão

O doleiro Alberto Youssef listou treze grandes construtoras do País como integrantes de um “cartel” montado para fraudar as licitações da Petrobrás por intermédio do ex-diretor da área de Abastecimento Paulo Roberta Costa e pagar propina a políticos do PT, PMDB e do PP. Afirmou ainda que diretores das empresas tinham comissionamento sobre o esquema que poderia chegar a 5% nos termos de aditivos de contratos.

“Era entregue uma lista que iam participar no certame (licitação) e já era dito quem ia ser o vencedor. Era uma lista repassada pelo Paulo Roberto Costa. Logo que iam existir os convites era passada a lista”, explicou o doleiro a um dos procuradores da Operação Lava Jato, ontem em depoimento à Justiça Federal.

As empresas citadas foram a: Camargo Corrêa, a OAS, a UTC, a Odebrecht, a Queiroz Galvão, a Toyo Setal, a Galvão Engenharia, a Andrade Gutierrez, a Mendes Júnior, a Engevix, a Tomé Engenharia, Jaraguá Equipamentos, Tomé Engenharia e Engesa.

Todas elas pagam 1% nos contratos feitos com a diretoria de Abastecimento e de 2% a 5% nos termos aditivos de contratos.

“Era maior podia chegar de 2% a 5%, a proporção era a mesma dos repasses”. Ele explicou como era feita a partilha do caixa-2: “Eram 1% de todos contratos: 30% para doutor Paulo Roberto, 60% para agentes políticos, 5% para mim e 5% era para João Claudio Genu (ex-assessor do PP e do deputado José Janene, morto em 2010)”, detalhou Youssef. Antes de Genu, era Janene quem recebia a parte do PP. Ambos já tinham sido condenados no Mensalão.

Youssef acusou especificamente a Odebrecht e a Toyo por pagamentos de comissão feitos no exterior. Ele apontou ainda o vice-presidente da Camargo Correa e um diretor por receberem comissão também pelos contratos fraudados.

As empresas citadas já negaram anteriormente qualquer relação comercial com Youssef e negam irregularidades nos contratos.

Caixa dois.
O doleiro Alberto Youssef afirmou que a propina controlada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que era cota do PP, também serviu para pagar caixa-2 ao PMDB e ao PT. Em seu depoimento já sob os termos da delação premiada no processo da Lava Jato sobre fraudes em licitação, desvio de verba pública e lavagem de dinheiro nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, ele detalhou como era o esquema operacionalizado por ele e repetido em outras diretoras.

“Paulo Roberto fatiava um pouco os recebimentos de obras porque também tinha que atender o PMDB ou o PT”, afirmou Youssef ao ser inquerido pelo juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba. Segundo ele, na área de Abastecimento, controlado por Costa e operacionalizada por ele, para desvios de recursos para o PP, as empresas tinham que pagar 1% do contrato. A Camargo Corrêa, citada por ele num consórcio que fez obras na refinaria, fechou contrato de R$ 3 bilhões.

Esse valor era divido: 60% para políticos, 30% para costa, 5% para Youssef e 5% para José Genu, do PP. Ele explicou desconhecer que na área de Serviços e Engenharia o percentual cobrado era de 2% a 3%, conforme revelou horas antes em depoimento, o ex-diretor da estatal. Costa afirmou que o esquema operacionalizado na área pelo tesoureiro do PT João Vaccari, era maior. “Desconhecia que percentual da propina em outras diretorias da Petrobras era maior que 1%”.

Segundo ele, havia pelo menos outros quatro operadores, que atuavam em outras áreas da Petrobras, como Internacional, Embarcações, em esquema igual de desvios, lavagem e pagamento de propina e caixa 2 de campanha.

Youssef confirmou que listas apreendidas em seu computador pela Polícia Federal são a contabilidade das propinas pagas pela construtora Camargo Corrêa, via fornecedora de tubos Sanko Sider e pelas firmas de fachada abertas por ele (MO Consultoria e GDF). Nela há os valores movimentados, e “as comissões” e os “repasses” pagos no esquema. Segundo ele, os diretores da Camargo Corrêa recebia valores pelos contratos alvos de fraude e ainda iam retiraram em moeda em seu escritório em São Paulo.

“Os valores são nominados repasses e comissionamento. O que é comissionamento é comissionamento de venda, o que é repasse foram para agentes públicos e para o Paulo Roberto Costa”, explicou Youssef.

09 outubro 2014


Ex-diretor da Petrobrás aponta nomes de executivos de empreiteiras no esquema


Paulo Roberto Costa citou nomes da Odebrecht, Camargo Corrêa, UTC, Andrade Gutierrez, Iesa, Engevix, Mendes Jr.

Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho
PAULO ROBERTO COSTA/CPMI

O ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa afirmou à Justiça Federal que os desvios de recursos na estatal ocorreram em um processo de “cartelização das grandes empresas do Brasil”. Ele disse que existia no âmbito das grandes obras da Petrobrás “um acordo prévio” entre as empreiteiras.

“Na área de petróleo e gás essas empresas, normalmente entre os custos indiretos e o seu lucro, o chamado BDI, elas colocam algo entre 10% a 20% dependendo da obra, dos riscos, da condição do projeto. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobrás, o BDI era 15%, por exemplo, então se colocava 3% a mais alocado para agentes políticos.”

Paulo Roberto Costa apontou os nomes de todos os principais executivos das empreiteiras que, segundo ele, participaram do cartel na Petrobrás.

Segundo ele, o dinheiro da propina “passava direto das empresas para os agentes políticos”. O juiz Sérgio Moro perguntou ao ex-diretor da Petrobrás quais empresas participavam do cartel.

Ele citou, inicialmente, sete gigantes da construção, pela ordem: “Odebrecht, Camargo Correa, UTC, Andrade Gutierrez, Iesa, Engevix, Mendes Jr.”

O sr. tratava com os diretores e presidentes das empresas?, indagou o juiz federal Sérgio Moro
“Perfeito.”

Eles tinham conhecimento dessa remuneração?
“Sim.”

O juiz insistiu. “Por exemplo, da Camargo Corrêa, com quem o sr tratava?”

“Na Camargo Corrêa tratava-se com o Eduardo Leite.”

“OAS também participava?, perguntou o juiz.

“OAS também participava”

“Com quem o sr tratava?

“Leo Pinheiro.”

A UTC?

“Ricardo Pessoa.”

Na Odebrecht?

“Rogério Araújo e Marcio Faria.”

Queiroz Galvão?

“Hildefonso Colares.”

Toyo Setal?

“Júlio Camargo, Toyo participava também do processo de cartelização.”

Galvão Engenharia?

“Herton.”

Andrade Gutierrez?

“Inicialmente era…não lembro o nome, depois Paulo Dalmaso.

Iesa também? Lembra o nome?
“Não estou lembrando, está no depoimento do Ministério Público (Federal).”

Engevix?

“Gérson Almada.”

O juiz perguntou a Paulo Roberto Costa se o cartel das empreiteiras atuava nas outras diretorias da Petrobrás. “Sim, perfeito”, respondeu.

O juiz perguntou se ele tem conhecimento de outros diretores que recebiam valores. “Na área de serviços foi o diretor (Renato) Duque, que foi indicado na época pelo ministro da Casa Civil José Dirceu. Ele tinha essa ligação com o João Vaccari dentro desse processo do PT.”

Falou de Nestor Cerveró, então da diretoria Internacional. “O Cerveró foi indicado por um político e tinha uma ligação muito forte com o PMDB.”

O juiz perguntou se Duque e Cerveró também recebiam valores.

“Claro que sim, a resposta é sim.”

O juiz quis saber se o montante destinado aos outros diretores da Petrobrás era de 3% sobre o valor dos contratos. “Correto.”

Poucas empresas. Em seu depoimento à Justiça, Costa também afirmou que existe uma cartelização entre as grandes empresas do País para fazer obras, não só na Petrobrás, mas também de “ferrovias, portos e aeroportos”. “O Brasil fica restrito a essas poucas empresas”, afirmou.

“Quando começou essa atividade (da refinaria de Abreu e Lima), ficou claro para mim a existência desse ‘acordo prévio’ entre as companhias em relação às obras. Ou seja existia claramente, isso me foi dito por algumas empresas e presidentes de suas companhias de forma muito clara, que havia uma escolha de obras dentro da Petrobrás e fora da Petrobrás”, disse. “Por exemplo (se tem umm projeto de) usina hidrelétrica de tal lugar, nesse momento qual empresa está disponível para fazer? E essa cartelização obviamente que resulta num ‘delta preço’ excedente”, continuou.

Camargo Corrêa. No depoimento de Paulo Roberto Costa, o procurador da República que participou da audiência abordou o capítulo que ele próprio denominou expressamente de “Consórcio Nacional Camargo Corrêa” nas obras da refinaria Abreu e Lima.

“Especificamente, sobre o Consórcio Nacional Camargo Corrêa da refinaria Abreu e Lima o senhor pode mencionar que a Camargo Corrêa participou desse cartel e efetuou esses repasses?”, perguntou o representante do Ministério Público Federal.

“Sim”, declarou Paulo Roberto Costa.

O procurador questionou Costa sobre uma planilha apreendida no escritório da Costa Global Consultoria, de propriedade do ex-diretor da Petrobrás. O documento faz citação a um contrato da Costa Global com a Construtora Camargo Corrêa no valor de R$ 100 mil mensais, por 30 meses, somando R$ 3 milhões.

“Esse contrato é relativo ao recebimento de propinas?”, perguntou o procurador. “Foi um contrato que visou recebimento de propinas pelo senhor após a saída da diretoria de Abastecimento?”

“Sim. Com exceção de uma consultoria que prestei à Camargo Corrêa alguma coisa de R$ 100 mil. O restante a resposta é sim.”

O procurador quis saber se os R$ 3 milhões são oriundos apenas das obras da refinaria Abreu e Lima.
“Não posso garantir se só da Abreu e Lima. A Camargo Corrêa prestou vários outros serviços para a Petrobrás.”

09 de outubro de 2014

Políticos trancaram pauta do Congresso para obrigar Lula a nomear Costa, diz doleiro


Youssef relata reuniões diárias com agente político que comandava esquema de desvios e lavagem em obra da Petrobrás em Pernambuco

Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo
e Mateus Coutinho
Estadão

lulaestadao

O doleiro Alberto Youssef afirmou que os políticos envolvidos na nomeação de Paulo Roberto Costa para diretor de abastecimento da Petrobrás trancaram a pauta do Congresso por 90 dias, obrigando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nomeá-lo ao cargo. A assessoria de imprensa do ex-presidente informou que ele não vai se manifestar sobre “vazamentos parciais de um processo em andamento”.

“Tenho conhecimento que para que Paulo Roberto Costa assumisse a cadeira de diretor de Abastecimento esses agentes políticos trancaram a pauta no Congresso durante 90 dias. Na época era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco, teve que ceder e realmente empossar o Paulo Roberto diretoria de Abastecimento”, revelou ele formalmente ao juiz Sérgio Moro, no processo de desvios e lavagem de dinheiro nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – iniciada em 2008, com superfaturamento constatado e ainda não conclusa.

Segundo ele, eram feitas reuniões na casa de políticos onde eram feitas atas sobre o esquema de caixa-2 que irrigou campanhas de 2010 e partidos, entre eles o PT, o PMDB e o PP. “Fazíamos reuniões em hotéis, no Rio ou em São Paulo ou na própria casa dos agente político que primeiramente comandava esse assunto na área de Abastecimento. Nessas reuniões eram feitas atas de discusão”, revelou Youssef.

O doleiro afirmou que diariamente se reunia com Costa e com os agentes políticos. “Eu não fui o criador dessa organização. Eu apenas fui a engrenagem para que se pudesse haver o recebimento e os pagamentos ao agentes públicos”.

OUÇA O ÁUDIO NO QUAL YOUSSEF RELATA A PRESSÃO PARA A NOMEAÇÃO DE COSTA A PARTIR DE 2 MIN (A PEDIDO DOS ADVOGADOS, YOUSSEF NÃO FOI FILMADO):

                           
Ouça a primeira parte do depoimento de Youssef à Justiça Federal


Parte 1



Parte 2






Parte 3



9 de outubro de 2014


Tesoureiro do PT operava propina da Petrobras, diz Costa


A divisão do dinheiro arrecadado nas diretorias da Petrobras era repassada ao PT, PMDB e PP. O PT, no entanto, sempre levava mais


Rodrigo Rangel e Hugo Marques, de Brasília
Veja.com

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014
(Ueslei Marcelino/Reuters)


No depoimento que prestou nesta quarta-feira à Justiça, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deu o nome dos operadores dos partidos que recebiam e administravam o dinheiro desviado da estatal. Ele afirma que a propina do PT era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que tratava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. O operador da propina que cabia ao PMDB era o lobista Fernando Soares, também conhecido como Fernando Baiano. “Dentro do PT a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele. Do PMDB, da Diretoria Internacional (comandada por Nestor Cerveró), o nome que fazia essa articulação toda chama Fernando Soares.”


O esquema operando em 2014 - A pedido do Ministério Público, Paulo Roberto deu explicações sobre uma planilha apreendida pela Polícia Federal em que aparecia uma lista de empreiteiras que, por meio dele, ajudariam nas eleições. Ele diz que a planilha se referia, especificamente, a empresas que poderiam fazer doações para a campanha de um candidato ao governo do Rio de Janeiro nas eleições deste ano. O nome do candidato não foi citado.


“Teve um candidato ao governo do Rio de Janeiro que me procurou, eu já tinha saído da Petrobras. Foi no início de 2014 e o objetivo era que eu preparasse pra ele um programa de governo na área de energia e infraestrutura de um modo geral. Participei de umas três reuniões com esse candidato e foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir com a campanha que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura de modo geral. Listou uma série de empresas. Algumas que eu tinha contato e outras, não. Hope RH não conheço. Mendes Júnior conheço, UTC conheço, Constran nunca tive contato, Engevix conheço, IESA conheço e Toyo Setal conheço. Foi solicitado que houvesse a possibilidade de essas empresas participarem da campanha (...) Era uma candidatura para o Rio de Janeiro.”


Transpetro - O ex-diretor afirma que o esquema também funcionava em pelo menos uma das subsidiárias da Petrobras, a Transpetro, cujo presidente, Sergio Machado, é indicado do PMDB. Paulo Roberto diz ter recebido das mãos do próprio Sergio Machado 500 mil reais, a título de propina pela contratação de navios – ele diz que recebeu porque se tratava de um negócio que precisava também do aval de sua diretoria. Sergio Machado presidente a Transpetro até hoje. “A Transpetro tem alguns casos de repasse para políticos (...) Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi, se eu não me engano, 500.000 reais. (Quem pagou) foi o presidente da Transpetro, Sergio Machado (...) Foi devido à contratação de alguns navios e essa contratação depois tinha que passar pela Diretoria de Abastecimento (...) Esse valor me foi entregue diretamente por ele (Sérgio Machado) no apartamento dele, no Rio de Janeiro.”


Rateio da propina - Costa também afirmou que a maior parte da propina cobrada na Diretoria de Abastecimento era dividida entre o PP e o PT. Ela afirma que dos 3% pagos pelas grandes empreiteiras por contratos fechadas com a Diretoria de Abastecimento, 1% ia para o PP e 2% iam para o PT. O ex-diretor revelou que a parcela que cabia ao caixa petista era administrada pela Diretoria de Serviços, encarregada de organizar as principais licitações da Petrobras, e comandada por Renato Duque, indicado do PT, que tinha como padrinho o mensaleiro José Dirceu.


“Dos contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender o PT através da diretoria de serviço. Outras diretorias, como Gás e Energia e como Exploração e Produção, também eram (do) PT. Então se tinha PT na Exploração e Produção, PT na Diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviços. O comentário que pautava lá dentro da companhia é que nesse caso os 3% ficavam diretamente para o PT. O que rezava dentro da companhia é que esse valor seria integral para o PT. A Diretoria Internacional tinha indicação do PMDB. Então tinha recursos que eram repassados para o PMDB na diretoria Internacional.”


Cartel de empreiteiras - O ex-diretor informou ainda que a organização criminosa que operava na estatal era muito mais sofisticada do que parecia. Segundo ele, havia um cartel de grandes empreiteiras que escolhia as obras, decidia quem as executaria e fixava os preços. Era como se a companhia tivesse uma administração paraestatal.


Costa listou oito empreiteiras envolvidas no cartel: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Iesa, Engevix, Mendes Junior e UTC – e os nomes de seus interlocutores em cada uma delas. As empreiteiras superfaturavam os custos e repassavam até 3% do valor dos contratos para os “agentes políticos”. No caso da diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa,o dinheiro desviado era dividido entre o PT, o PMDB e o PP. “Na realidade o que acontecia dentro da Petrobras, principalmente a partir de 2006 para frente, era um processo de cartelização", afirmou.


“Ficou claro para mim esse, entre aspas, acordo prévio entre as companhias em relação às obras. Existia claramente e isso me foi dito pelas empresas que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Por exemplo, usina hidrelétrica de tal lugar, neste momento qual empresa está mais disponível para fazer? E essa cartelização obviamente resulta num delta preço (diferença de preço) excedente", prosseguiu. “Na área de petróleo e gás, essas empresas, normalmente, entre os custos indiretos e seu lucro, o chamado BDI, elas normalmente colocam algo entre 10 e 20%. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era 15%? Então se colocava em média 3% a mais. E esses 3% eram alocados para agentes políticos. Em média, 3% de ajuste político.”


Esquema financiou 'várias' campanhas em 2010 - Segundo Paulo Roberto, as “empresas do cartel” tinham pleno conhecimento de que a propina servia para abastecer políticos e campanhas eleitorais. O ex-diretor da Petrobras afirmou que, nas eleições de 2010, o esquema financiou “várias” campanhas. Por impedimento legal, o ex-diretor não pode revelar quais.


A propina do PP - Indicado pelo PP para a diretoria de Abastecimento, Paulo Roberto ficou milionário. Em apenas uma de suas contas no exterior foram encontrados 26 milhões de dólares. Ele e o doleiro Alberto Youssef ficavam com um pedaço da cota de propina destina ao partido. “Do 1% que era para o PP, em média, obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais um pouco menos, 60% iam para o partido, 20% era para despesas, nota fiscal, envio, etc., e os 20% restantes eram repassados 70% pra mim e 30% para Janene ou Alberto Youssef (...)

Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa ou no shopping, ou no escritório depois que eu abri a companhia minha de consultoria (...)

Normalmente (quem entregava era) ou Alberto Youssef ou Janene.”


09.10.2014