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domingo, 24 de julho de 2016

Dilma, sobre o impeachment: ‘Quero acabar logo com essa agonia’



A presidente afastada reconhece que não há mais nenhuma chance de retornar ao cargo e quer que o processo de impeachment termine logo


Por Daniel Pereira Laryssa Borges
Colaborou Marcelo Sakate
Veja.com


CLIMA DESFAVORÁVEL - O desabafo de Dilma Rousseff foi relatado pelo senador Renan Calheiros
(Adriano Machado/Reuters)



Na terça-feira passada, Michel Temer ofereceu um jantar no Palácio do Jaburu aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia. Não havia uma pauta específica. O objetivo do presidente interino era mostrar à imprensa uma situação de harmonia entre os chefes do Executivo e do Legislativo, para contrastar com o clima beligerante no governo da presidente afastada Dilma Rousseff. Tudo correu conforme o planejado, com uma revelação inesperada. Renan Calheiros disse a Temer que a petista jogou a toalha e admitiu não ter mais chances de impedir a aprovação do impeachment no Senado. Segundo o relato do senador, Dilma desabafou nos seguintes termos: “Quero acabar logo com essa agonia”.


Calheiros é a expressão mais viva do que se pode chamar de “político de Brasília”. Isso significa que está sempre ao lado do poder. Há poucos meses, estava empenhado em desalojar Temer da poderosa presidência do PMDB e, se possível, deixá-lo distante da rampa do Palácio do Planalto. Foi um dos generais da batalha de Dilma para barrar o impeachment. Sendo um “político de Brasília”, Calheiros é um termômetro quase infalível para detectar a temperatura do poder. Se conversa em tom de confidência com Temer, por quem nunca nutriu grande simpatia, é sinal de que tem certeza de que Dilma não conseguirá recuperar o mandato.

A percepção do senador, no entanto, não é propriamente um privilégio. É difícil encontrar em Brasília, mesmo dentro do PT, alguém que acredite na volta de Dilma ao Palácio do Planalto, ainda que as pesquisas de opinião mostrem que mais de 60% do eleitorado prefere a convocação de novas eleições. A questão central é que Michel Temer, em apenas dois meses de interinidade, conseguiu plantar um clima de estabilidade na política e na economia, que favorece sua permanência no poder. Pelas contas do senador Romero Jucá (PMDB-RR), demitido do Planejamento por conspirar contra a La­va-Jato, 61 dos 81 senadores votarão a favor do impeachment. Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, aposta que o número pode chegar a 63 senadores, incluindo Calheiros.

É tamanha a confiança que Geddel Vieira Lima, o ministro encarregado de negociar com o Congresso, tirará nos próximos dias uma semana de férias. “A fatura está liquidada”, reza o mantra da hora no PMDB. Temer, por via das dúvidas, não descuida de usar a máquina pública para sacramentar sua vitória. De olho nas ruas, sancionou reajustes salariais para servidores públicos e anunciou a ampliação dos financiamentos da Caixa Econômica Federal para a compra de imóveis. Num aceno aos congressistas, vetou novos cortes no Orçamento da União e determinou que sejam no­mea­das imediatamente as pessoas indicadas por deputados e senadores de sua base de apoio para ocupar cargos públicos. Na quarta-feira, o ministro Geddel Vieira Lima recebeu Jovair Arantes (PTB-GO), relator da comissão do impeachment na Câmara, para sacramentar a distribuição de cargos federais em Goiás entre os parlamentares do estado.


22 jul 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Procuradoria denuncia Lula, Delcídio e mais 5 por obstrução à Justiça


Ex-presidente e ex-senador são acusados de tramarem contra a Operação Lava Jato para silenciar o ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró

Instituto Lula
Julia Affonso, Fausto Macedo
e Mateus Coutinho
Estadão


O Ministério Público Federal denunciou nesta quinta-feira (21), à Justiça de Brasília o ex-presidente Lula, seu amigo José Carlos Bumlai, o ex-senador Delcídio Amaral, o banqueiro André Santos Esteves, o ex-assessor de Delcídio, Diogo Ferreira Rodriguez, o advogado Edson Siqueira Ribeiro Filho, e o filho de Bumlai, Maurício Barros Bumlai. Todos são acusados de ‘agirem irregularmente para atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato’.

O caso já havia sido denunciado pelo Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot, em dezembro do ano passado. No entanto, em decorrência da perda de foro privilegiado do ex-senador envolvido, Delcídio do Amaral, e também pelo fato de o crime ter ocorrido em Brasília, a denúncia foi enviada à Justiça Federal do Distrito Federal. Com essa redistribuição, o Ministério Público Federal do Distrito Federal foi acionado para se manifestar sobre a ação penal e concluiu pela confirmação integral da denúncia prévia do PGR.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo da Lava Jato
Foto: Adriano Machado/Reuters

Além de confirmar os elementos apresentados, o procurador da República Ivan Cláudio Marx faz acréscimos à peça inicial, com o objetivo de ampliar a descrição dos fatos e as provas que envolvem os acusados. Os crimes apontados estão previstos nos artigos 2º, § 1º, da Lei nº 12.850/2013, art. 357 do CP e art. 355 do Código Penal.


COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA CONRADO DE ALMEIDA PRADO, QUE DEFENDE BUMLAI:

Para o advogado do pecuarista, a ratificação da denúncia já era esperada. Ele, afirma, contudo, que a defesa de Bumlai ainda não teve acesso nem a acusação nem ao aditamento apresentado pelo procurador Ivan Marx, que está em sigilo. “Nosso cliente nega veementemente que tenha dado qualquer quantia em dinheiro para a família de Nestor Cerveró para eventual compra de silêncio dele, até porque não havia nenhuma preocupação do Bumlai com algo que ele pudesse dizer”, afirma Conrado.

Ele lembra que na outra ação em que Bumlai é réu, envolvendo um empréstimo do Banco Schahin ao PT por intermédio do pecuarista, o próprio Cerveró admitiu que nunca tratou do assunto com ele. “Cerveró não teria nada a dizer que prejudicasse o Bumlai”, diz.

COM A PALAVRA O CRIMINALISTA DAMIAN VILUTIS, QUE DEFENDE MAURÍCIO BUMLAI:

O advogado também disse que ainda não teve acesso ao teor da denúncia e que por isso não pose de manifestar sobre a acusação. Ele, porém, negou que tenha havido a compra de silêncio de Nestor Cerveró.

COM A PALAVRA, A DEFESA DO BANQUEIRO ANDRÉ ESTEVES:

“A defesa de André Esteves reafirma que ele não cometeu nenhuma irregularidade”.

21 Julho 2016

domingo, 17 de julho de 2016

Mordomia: carros oficiais a serviço da família de Dilma


Reportagem de ISTOÉ flagra Paula Rousseff e Rafael Covolo, filha e genro da presidente afastada, utilizando veículos pagos pelo governo para cumprir compromissos pessoais



SÉRGIO PARDELLAS
ISTOÉ

Como tantas outras Paulas filhas deste País, Paula levanta cedo da cama com o tilintar do despertador. Não raro, o marido, Rafael, já está de olhos abertos. Pela manhã, ela mantém uma rotina nada estranha à maioria das pessoas de classe média. Vai ao cabelereiro, faz compras para abastecer a despensa de casa, reserva uns minutos para o pilates e uma ida rápida à clínica de estética, e, eventualmente, dá uma passadinha no pet shop. Depois de almoçar, leva o filho à escola. À tarde, dirige-se ao trabalho, obrigação já cumprida pelo marido de manhã. Como tantas outras Paulas filhas deste País, Paula seria apenas mais uma brasileira se não carregasse em sua assinatura o sobrenome Rousseff.




Porto Alegre, 12 de julho. 13h40 – O genro de Dilma Rousseff, Rafael Covolo, busca o filho na escola com carro oficial. A placa é fria para evitar identificação. Outro veículo também bancado pelo governo o escolta.

Perante à lei, filhos de presidente da República são iguais a todos. Ombreiam-se aos demais cidadãos. Não deveriam merecer distinção ou receber tratamento especial, salvo em alguns casos de excepcionalidade. Mas a filha de Dilma, que hoje se encontra afastada, ou seja, nem o mandato de presidente exerce mais, não se constrange em cultivar uma mordomia ilegal. Diariamente, Paula Rousseff Araújo desfruta de uma regalia. A máquina do Estado a serve, bem como ao seu marido e filhos. As atividades narradas acima, como uma frugal ida ao cabelereiro, ao pilates e ao pet shop, são realizadas a bordo de um carro oficial blindado com motorista e segurança. Em geral, um Ford Fusion. Acompanha-os invariavelmente como escolta um Ford Edge blindado com dois servidores em seu interior, um deles um agente de segurança armado. O mesmo se aplica ao genro de Dilma, Rafael Covolo, e aos dois netos. No total, oito carros e dezesseis pessoas integram o aparato responsável pela condução e proteção da família da presidente afastada. Trata-se de um serviço VIP.




Quem banca essa estrutura é o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Ou seja, o contribuinte. Nas últimas semanas, reportagem de ISTOÉ flagrou os carros oficiais entrando e saindo do condomínio Vila de Leon, zona sul de Porto Alegre, onde moram os familiares de Dilma, para levá-los a compromissos do dia a dia. A rotina dos Rousseff segue um padrão. O 6 de julho dos descendentes da presidente afastada não foi muito diferente dos dias anteriores. Às 18h30, uma quarta-feira, o Fusion blindado escoltado pelo Ford Edge também à prova de balas trouxe a família de volta ao lar, depois de transportá-la para uma série de atividades pessoais. No dia seguinte, às 9h da manhã, os mesmos carros já estavam de prontidão na porta da casa da filha de Dilma para mais uma jornada por Porto Alegre. No dia 12/07 às 13h40, Rafael Covolo, marido de Paula, foi buscar um dos filhos na escola. Como de praxe, com o carro oficial. Um automóvel pago com dinheiro público os escoltou até o retorno para casa. O Fusion levava a placa IVF – 3267 (normalmente é esta ou a IVG – 1376) e o Edge IUF – 3085. Se consultados nos registros do DETRAN, os prefixos figurarão como “inexistentes”. Sim, são placas frias ou vinculadas, inerentes aos chamados carros oficiais de representação.




7 de julho. 9h – Dois veículos oficiais, um para transporte e outro para escolta , buscam os familiares de Dilma no condomínio onde moram

Nos locais freqüentados por Paula Rousseff, em geral, há um alvoroço quando ela desembarca com o carro oficial e os seguranças em volta. Embora a filha da presidente afastada tente manter a discrição, não há como não reconhecê-la. O aparato em torno dela desperta a atenção dos funcionários. O atendente da unidade do “Bicho Pet Store”, localizada no bairro Menino de Deus, zona sul de Porto Alegre, diz que Paula é uma cliente assídua. Costuma levar para procedimentos de banho e tosa um cachorro de pequeno porte, semelhante a um shitzu. “A filha da presidente sempre vem ao petshop acompanhada de um monte de seguranças”. O mesmo serviço de transporte vip bancado pelo governo, composto por carro oficial e escolta, a conduz até o “Studio Martim Gomes Pilates”, na Vila Assunção. “Dona Paula vem aqui com freqüência. É nossa cliente”, atesta um funcionário da clínica. A equipe do salão Oikos Hair, também no bairro da Vila Assunção, é mais comedida ao falar de Paula. Questionada por ISTOÉ, uma secretária disse: “A Dilma já veio aqui também. Parou de vir faz tempo (…) Sobre a dona Paula …por razão de segurança não posso desmentir nem confirmar nada”.




6 de julho. 18h30 – Carros oficiais deixam os Rousseff em casa, um condomínio na zona sul de porto alegre

A mordomia de Paula Rousseff e Rafael Covolo, além de constituir inaceitável privilégio, é também uma benesse totalmente ilegal. A legislação é clara. Reza o artigo 3º do decreto 6.403 de março de 2008, baixado pelo ex-presidente Lula: os veículos oficiais de representação – como os que transportam a família de Dilma – são utilizados exclusivamente pelo presidente da República, pelo vice-presidente, pelos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e pelo Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e por ex-presidentes da República. A única exceção que permitira que filhos de presidente desfrutassem desse privilégio é se fossem usados os chamados carros oficiais de transporte institucional. Com um condicionante: “se razões de segurança o exigirem”. Não é o caso, definitivamente. Primeiro porque carro institucional não possui escolta armada nem placa vinculada ou fria, como os veículos que servem a família de Dilma. Ainda de acordo com instrução normativa do Contran, veículo institucional é identificado com a expressão “governo federal” na cor amarelo ouro e tarja azul marinho. Nenhum dos carros usados por Paula e Rafael Covolo exibe esta inscrição. Mesmo que eles utilizassem esse tipo de veículo, haveria uma outra barreira de cunho
legal.




7 de julho. 17h – veículos bancados pelo governo buscam o neto de Dilma na escola. no trajeto, o Ford Edge (acima) escolta o Ford Fusion blindado

Os Rousseff só poderiam ser enquadrados nessa situação totalmente excepcional se: 1) Comprovassem a existência de riscos à sua integridade física e 2) Fossem familiares de presidentes em exercício. Quer dizer, hoje o deslocamento da filha, genro e netos de Dilma a bordo de veículos oficiais compõe um mosaico de irregularidades. Se a mamata já seria desnecessária e ilegal com a presidente Dilma no pleno exercício do cargo, em se tratando da chefe do Executivo federal afastada a regalia ofertada à Paula Rousseff, Rafael Covolo e filhos afronta sobejamente a legislação em vigor. Por ironia, o decreto que estabelece regras para a utilização dos carros de governo foi reeditado com pequenas alterações por Dilma em outubro do ano passado, com o objetivo, segundo ela, de “racionalizar o gasto público no uso de veículos oficiais”. A racionalização, claro, não alcançou sua família, como se nota.




14 de julho. 11h30 – O Ford Fusion oficial aguarda um dos filhos de Paula Rousseff em frente à escola

Os serviços de transporte e segurança dos Rousseff em Porto Alegre estão a cargo de uma empresa terceirizada contratada pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República: a Prime Consultoria e Assessoria Empresarial, conforme documentos aos quais ISTOÉ teve acesso. Todo mês, a Prime encaminha ao Palácio do Planalto um relatório de abastecimento dos veículos. A última nota foi emitida no dia 1º de julho. Na prestação de contas estão listados os veículos, suas especificações, bem como as respectivas placas vinculadas, sem registro no DETRAN, e os motoristas responsáveis por atender aos familiares da presidente afastada na capital gaúcha. Em junho, por exemplo, foram gastos só com combustível R$ 13,8 mil. Os familiares de Dilma não precisariam de carros oficiais para o cumprimento de suas tarefas diárias. Paula Rousseff é procuradora do trabalho no Rio Grande do Sul. Entrou no Ministério Público do Trabalho em 2003 por meio de concurso público. Atualmente, recebe salário de R$ 25.260,20. Para quê a mordomia com dinheiro público? Por que o genro de uma presidente afastada precisa usar carro oficial para a execução dos afazeres cotidianos?




TUDO EM CASA Dilma com a filha e o neto, durante evento no Planalto

Na política, se não forem estabelecidos limites, necessários à liturgia do cargo, a família tem grande potencial para gerar constrangimentos. Sobretudo porque eventuais privilégios desfrutados por filhos dizem mais sobre os pais do que os próprios herdeiros. No Brasil, um País de oportunidades desiguais, regalias a parentes de políticos chamam muita atenção e, em geral, são consideradas inaceitáveis e despertam indignação e sensação de injustiça na população. Quando a prática é ilegal, a situação se agrava. Por constituir vantagem ilícita a terceiros e atentar contra os princípios da administração pública, o episódio em questão pode até render um processo contra Dilma por improbidade.




Procurado por ISTOÉ, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência afirmou que “permanece realizando a segurança da Presidenta Dilma e de seus familiares, de acordo com o disposto no inciso VII do Art 6º da Lei Nr 10.683, de 28 de maio de 2003”. O problema é que o referido “amparo legal” não prevê o uso de carros oficiais para fazer o transporte da família da presidente afastada. Em tese, apenas a escolta para segurança seria permitida.

Diz o inciso VII do Art 6º da Lei Nr 10.683: ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República compete zelar, assegurado o exercício do poder de polícia, pela segurança pessoal do Presidente da República, do Vice-Presidente da República e respectivos familiares, dos titulares dos órgãos essenciais da Presidência da República e de outras autoridades ou personalidades, quando determinado pelo Presidente da República, bem como pela segurança dos palácios presidenciais e das residências do Presidente da República e do Vice-Presidente da República.

Três dias antes de deixar a Presidência, em 2010, Lula fez questão de assegurar aos seus filhos a dispensável regalia do passaporte diplomático. Revelada pela imprensa, a esperteza engoliu o dono. Em novembro de 2013, a Justiça determinou a apreensão dos passaportes e o recolhimento dos mesmos pelo Itamaraty. Depois do impeachment de Dilma, o tema voltou à baila com a apimentada discussão sobre eventuais mordomias a que a presidente teria direito afastada do cargo. Uma ação civil pública questionou o uso por Dilma de aviões da FAB. A Justiça até permitiu o deslocamento com os jatos da Força Aérea Brasileira, desde que custeados pela própria mandatária afastada. Recentemente, apoiadores do PT se cotizaram para bancar as viagens. Pela trilha da carruagem, hoje já abóbora, haja crowdfunding militante (a popular vaquinha) para sustentar os privilégios de petistas e congêneres que ainda insistem em se refestelar com as benesses do Estado.


“É ilegal, mas eles usam mesmo assim”

Na quinta-feira 14, ISTOÉ conseguiu fazer contato com um dos responsáveis pela frota de carros oficiais que serve a família da presidente Dilma Rousseff em Porto Alegre. Com medo de retaliação, ele pediu para não ser identificado




ISTOÉ – Quantos carros oficiais a família de Dilma tem à disposição?

São oito carros blindados de fábrica. Quatro para o transporte e mais quatro que fazem a escolta armada. É um serviço VIP. No carro oficial e no veículo de escolta há um motorista e um segurança. No total, são quatro pessoas envolvidas para cada dupla de carros.

ISTOÉ – Desde quando a filha, o genro e os netos da presidente afastada contam com o serviço de transporte e segurança pago pelo governo?

Há pelo menos cinco anos. São carros de representação com placa vinculada ou placa fria para não serem identificados. Se você consultar no DETRAN, aparece como placa inexistente.

ISTOÉ – Além de se tratar de uma mordomia, a utilização de carros de representação por familiares de presidente da República é ilegal.

Sim. É ilegal. Mas eles usam mesmo assim. Eles até poderiam usar uma escolta. Não sou PMDB nem nada. Mas, por exemplo, a Marcela Temer (atual primeira-dama) usa a escolta para segurança. É normal. Mas sabemos que, quando morava sozinha em São Paulo, ela ia para compromissos pessoais com o carro dela. Não com carro oficial. Isso que a família de Dilma faz contraria a lei.

ISTOÉ – Nossa reportagem apurou que a filha de Dilma leva o filho à escola, vai para o pilates, pet shop, clínica de estética e até ao cabelereiro com os veículos pagos pelo governo. O genro também usa os carros oficiais para atividades semelhantes. O sr. confirma essa informação?

Confirmo. Os carros oficiais os levam para atividades do dia a dia.


Colaborou Pedro Marcondes de Moura
*Com fotos de Lucas Uebel e Itamar Aguiar

15.07.16





O ocaso de Lula: desprestígio, abandono e suspeitas


Seis anos depois de deixar o poder, petista convive com o descrédito político, o sumiço dos amigos e os inquéritos da Lava Jato


Por Thiago Bronzatto, de Caruaru,
e Daniel Pereira
Veja.com

 


ENTREATOS - Lula com militantes sem-terra em Pernambuco, na semana passada: maior inclinação para reminiscências
(Cristiano Mariz/O ocaso de Lula: desprestígio, abandono e suspeitas)


Às 7h50 da última quarta-feira, um segurança do ex-presidente Lula chegou ao Aeroporto Oscar Laranjeira, em Caruaru, no agreste de Pernambuco. Diligente, comunicou que um Gulfstream G200, avião executivo de luxo e alta performance, estava a caminho da cidade. Minutos depois, dois representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o vice-prefeito Jorge Gomes (PSB) estacionaram seus carros no local. Estavam apreensivos, porque não havia militantes para oferecer uma recepção calorosa a Lula. “Eles vão chegar. Pode ficar tranquilo”, disse um dos líderes do MST ao segurança, tentando amenizar a tensão. Uma hora mais tarde, só oito pessoas aguardavam o ex-presidente. “Vamos partir para o plano B. Acho melhor receber o Lula no hotel. Manda o pessoal para lá”, ordenou o guarda-costas. Em seguida, ele trancou a porta de entrada do saguão do aeroporto, que é público, para evitar que alguém fotografasse o deserto que aguardava Lula, aquele que já foi um dos políticos mais populares do mundo. “O cara”, como disse o presidente americano Barack Obama, numa ocasião em que se encontraram.


Lula desembarcou às 9h13 acompanhado do senador Humberto Costa (PT-PE). Driblou as poucas pessoas curiosas que o aguardavam e deixou o aeroporto pelos fundos. “Pensei que ele fosse ao menos pegar na minha mão e me cumprimentar”, reclamou Augusto Feitosa, funcionário do aeroporto. Os tempos são outros. A popularidade e o prestígio de Lula também. Caruaru é testemunha dessa transformação. Em 27 de agosto de 2010, o então presidente desembarcou no mesmo Oscar Laranjeira ao som de uma orquestra formada por estudantes de uma escola pública. O saguão estava lotado. Sorridente, Lula abraçou eleitores e posou para fotos ao lado de autoridades como Fernando Haddad, então ministro da Educação, hoje prefeito de São Paulo, e a então primeira-­dama do Estado de Pernambuco, Renata Campos. Em seu último ano de mandato, Lula beneficiava-se do crescimento econômico, que atingiu 7,5% em 2010. Nem o céu parecia lhe servir de limite. “Se a gente continuar mais dez anos do jeito que está, daqui a pouco chega a Caruaru e pensa que está em Paris, em Madri, de tão chique.”

Caruaru continua Caruaru. Figura entre as doze piores cidades para viver no Brasil. E Lula deixou de ser Lula. Lidera no quesito rejeição entre os nomes cotados para disputar a Presidência em 2018. Na quarta-feira passada, Lula discursou em Caruaru num auditório com capacidade para setenta pessoas. A plateia era formada por militantes do MST e da CUT, que preferiram tomar o café da manhã do hotel a esperar o petista no aeroporto. A programação previa uma coletiva de imprensa. Não ocorreu. Só Lula e áulicos falaram. Mas o ex-presidente mantém um fotógrafo e uma equipe de documentaristas, sempre a postos para captar as melhores cenas. Enquanto estava no hotel, um militante rompeu o cerco de seguranças e tirou uma foto com Lula, mas a equipe do ex-presidente o obrigou a apagá-la. A imagem mostrava uma garrafa de uísque ao fundo. Não pegaria bem nas redes sociais, foi a justificativa apresentada.

Depois do evento, Lula saiu pela garagem, num carro com os vidros fechados, e percorreu um trajeto de apenas 400 metros até o trio elétrico que o esperava para um novo discurso. “Ele parece estar meio distante do povo, com um olhar desconfiado”, observou a funcionária pública Conceissão Pessoa. Em cima do trio elétrico Pantera Fashion, Lula discursou para 2.000 pessoas. Cinco ônibus, com capacidade para cinquenta passageiros, foram fretados por 1.000 reais cada um, pagos em dinheiro vivo, para postar a claque diante da estrela petista. A programação da semana passada, por exemplo, previa uma passagem pela cidade do Crato, no Ceará, onde ele receberia o título de doutor honoris causa da Universidade Regional do Cariri. A segurança fora informada de que estava sendo organizado um protesto de alunos contra a concessão da honraria. A visita foi cancelada.

Em Caruaru, Lula foi ainda a um assentamento agrário do MST. Uma banda de pífanos, também contratada por cerca de 1.000 reais, animou a festa. À mesa, famílias convidadas puderam se servir de macaxeira, jerimum, cuscuz, carne guisada e suco de acerola. Lula bebia cachaça e água. Estendia o braço direito para o alto, com o punho cerrado, e discursava contra o “golpe” que derrubou Dilma. No fim da tarde, às 17 horas, o ex-presidente partiu para o Recife no avião de prefixo PR-WTR, o mesmo que as empreiteiras Odebrecht e OAS usavam para transportá-lo ao exterior. À noite, na capital pernambucana, num evento em praça pública, Lula criticou o presidente interino Michel Temer e o juiz Sergio Moro, que em breve julgará um pedido de prisão contra ele. Falou à plateia e também à equipe que produz um documentário sobre o “golpe”. Com a chuva, os militantes começaram a se dispersar, e Lula teve de encerrar o espetáculo.

15 jul 2016

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Presidente pede que turcos saiam às ruas para resistir a golpe militar


Militares dizem ter tomado poder no país; aeroporto de Istambul foi fechado, diz TV estatal

Por O Globo / Agências Internacionais

Policiais fazem patrulha perto de sede militar em Ancara - TUMAY BERKIN / REUTERS

ANCARA — O primeiro-ministro da Turquia disse nesta sexta-feira que um grupo realiza uma tentativa de golpe militar para derrubar o governo. Os militares turcos afirmam que tomaram o poder no país para proteger a ordem democrática e a manutenção dos direitos humanos. Em um pronunciamento pela TV estatal, o Exército anunciou um toque de recolher e a aplicação da lei marcial.

Todos os voos que partem do aeroporto de Ataturk em Istambul foram cancelados. Segundo a TV estatal turca TRT, o terminal aéreo já foi fechado. As transmissões dos canais de televisão foram suspensas no país, além do Facebook, Twitter e Youtube. Enquanto isso, os militares fizeram um pronunciamento pela TV estatal em que anunciaram um toque de recolher e a aplicação da lei marcial.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que a tentativa de golpe é um trabalho de uma minoria dentro do Exército.

— Nós vamos superar isso — disse o presidente, que pediu que as pessoas saíssem às ruas para resistir. — A cadeia de comando foi violada mas nós vamos lutar contra esta tentativa. Eu peço que a minha nação preserve suas crenças.

Já há imagens de ruas lotadas por pessoas que deixam as suas casas para reagir à tentativa de golpe militar na Turquia.

Forças de segurança turcas fecharam parcialmente duas pontes que cruzam o Estreito de Bósforo em Istambul. Já em Ancara, há relatos de aviões militares que sobrevoam a cidade a baixa altitude, segundo a imprensa local.

— Algumas pessoas ilegalmente realizaram uma ação ilegal fora da cadeia de comando — disse o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, nesta sexta-feira. — O governo eleito pela população continua no poder. Este governo só sairá quando as pessoas disserem isso.

Sem oferecer muitos detalhes, Yildirim afirmou que a Turquia jamais permitiria que uma iniciativa interrompesse a democracia. Ele afirmou que os envolvidos na tentativa de golpe pagariam um alto preço.

No entanto, o chefe de Estado Maior seria uma das pessoas mantidas reféns na sede das Forças Armadas. Os militares dizem que tomaram conta do país e que cercaram a sede de governo - informação negada pelo premier, segundo o qual as forças de segurança foram chamadas para tomar as atitudes necessárias.
 Militares fecham ponte sobre Bósforo - AFP

Em um comunicado enviado por email e relatado pelos canais de TV turcos, os militares disseram que todas as relações exteriores do país seriam mantidas e o Estado de Direito seria uma prioridade. Pela TV estatal, o Exército anunciou um toque de recolher e a aplicação da lei marcial.

"As Forças Armadas da Turquia tomaram completamente a administração do país para reestabelecer a ordem constitucional, os direitos humanos, as liberdades, o Estado de Direito e a segurança geral que foi danificada", diz o comunicado.

Uma autoridade turca, que não quis se identificar, disse que soldados foram enviados a outras cidades turcas, mas não especificou quais. Há relatos de que os soldados estão dentro dos prédios da televisão estatal turca TRT EM Ancara, segundo a agência Reuters. A CNN da Turquia relata que há uma mobilização extraordinária diante da sede do Estado Maior do Exército.

Testemunhas relataram que houve um tiroteio nesta sexta-feira em Ancara, além de aviões militares e helicópteros que sobrevoam a cidade. Uma televisão local mostra imagens de tanques na entrada do aeroporto de Istambul.

A Turquia tem um histórico de tentativas de golpe. O último episódio do gênero aconteceu em 1977 e forçou a renúncia do então-premier Nemettin Erbakan.

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse nesta sexta-feira que está acompanhando os eventos na Turquia. Ele disse que, independente do desenrolar dos acontecimentos, ele espera que o país possa resolver a crise preservando a paz, a estabilidade e o respeito pela continuidade.

Já o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, pediu que se evite qualquer confronto sangrento.

15/07/2016 
 
 

Horror em Nice



Esta nova infâmia confirma que a França é o objeto de um ódio particular dos jihadistas


Gilles Lapouge
Estadão

PARIS - Pela terceira vez em um ano e meio, a França foi atingida pelos jihadistas. Em janeiro de 2015, houve o assassinato de toda a redação do jornal Charlie Hebdo; em novembro, atentados diversos em Paris, "a morte por atacado", e na quinta-feira, na sublime cidade de Nice, às margens do Mediterrâneo, um caminhão se jogou sobre a multidão, matando 84 pessoas que admiravam os fogos de artifício da Festa Nacional de 14 de Julho.

Esta nova infâmia confirma que a França é o objeto de um ódio particular dos jihadistas. Não há nenhuma dúvida, porque é ela que, no Mali e no Oriente Médio, é um dos países que mais duramente atacam os terroristas.


Foto: AP Photo/Claude Paris
Peritos analisam caminhão usado no ataque em Nice

Outra lição: nas terras onde se instalaram, os membros do Estado Islâmico sofrem pesados danos, enquanto seus chefes recuam sob os golpes dos EUA, da Grã-Bretanha, da França e da Rússia. Além disso, para compensar seus prejuízos no Iraque, na Síria e na Líbia, os assassinos atingem alvos ocidentais diretamente na Europa.

O massacre de Nice ainda não foi reivindicado pela Al-Qaeda ou pelo EI. Indubitavelmente, foi obra de um desses "lobos solitários" que montam suas operações sozinhos, e com meios rudimentares, mas igualmente ignóbeis. No caso de Nice, um caminhão foi usado para esmagar adultos e crianças sob suas rodas gigantescas.
TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA


15 Julho 2016

Governo vai revisar plano de segurança para a Olimpíada


Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sergio Etchegoyen, informou que, após ataque na França, haverá "trabalho intenso"

Por Da redação
Veja.com

Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sergio Etchegoyen (José Cruz/Agência Brasil)

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Sergio Etchegoyen, disse nesta sexta-feira que o governo vai revisar as medidas de segurança no país para a Olimpíada após o atentado em Nice, na França, que deixou ao menos 84 mortos e 100 feridos nesta quinta-feira.

“Estamos ainda sob o efeito do choque da tragédia que atingiu a França. Desde aquele momento, o Ministério da Justiça, Ministério da Defesa e o Gabinete de Segurança Institucional estão trabalhando para que se possa garantir que continuemos no mesmo nível de segurança para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Isso exige uma série de revisões, de novas providências e trabalho intenso daqui para a frente para que mantenhamos o nível de segurança. Obviamente, nossas preocupações subiram de patamar”, disse Etchegoyen, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

Segundo Etchegoyen, os ministros da área de segurança e defesa estão revisando todo o dispositivo de segurança para identificar eventuais lacunas. Com essa revisão, haverá incremento de algumas medidas, como mais postos de controle e barreiras, além de interdições no trânsito.

“É importante que a população entenda que vai trocar um pouco de conforto por muita segurança. Estamos prontos para os Jogos 2016, apenas vamos revisar nossos procedimentos. Temos o dever, a partir do que aconteceu [atentado na França], de revisar todos os nossos procedimentos para checar se há lacunas. Necessitamos fazer uma auditoria sobre nosso planejamento para ver se sobra alguma lacuna que tenhamos, por alguma razão, negligenciado”, acrescentou.

Etchegoyen informou que o presidente interino Michel Temer vai coordenar hoje, às 16 horas, no Palácio do Planalto, reunião com os ministros da Defesa, da Justiça e do GSI para tratar da segurança na Olimpíada após o atentado na França.

(Com Agência Brasil)
 15 jul 2016

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Charge





Miguel Falcão


Rodrigo Maia (DEM-RJ) é o novo presidente da Câmara dos Deputados


Deputado do Rio recebeu 285 votos no segundo turno
Por O Globo

Rodrigo Maia (DEM-RJ) é o novo presidente da Câmara dos Deputados
Ailton de Freitas / Agência O Globo

BRASÍLIA - O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) é o novo presidente da Câmara. Ele foi eleito no segundo turno da votação com 285 votos, derrotando o candidato do PSD, Rogério Rosso (DF), que recebeu 170. Maia também venceu o primeiro turno com 120 votos contra 106 de Rosso. Ele será o segundo na linha sucessória da Presidência da República e poderá assumir o cargo em caso de viagem do presidente interino Michel Temer.

Antes mesmo da votação, o candidato do PSD reconheceu que estava em desvantagem e previu uma derrota por 30 a 40 votos, apesar de ter recebido o apoio do PP.

Além de PSDB, DEM, PSB e PPS, o candidato do DEM recebeu o apoio no segundo turno do PR, que tem 43 deputados, PCdoB, PDT e PTN, além das bancadas do PMDB do Rio de Janeiro e de Minas Gerais e do candidato derrotado do partido, Marcelo Castro, que recebeu 70 votos.

O PMDB, maior partido na Câmara, decidiu liberar a bancada. O PT, que tem 58 parlamentares, também. A legenda apostava na vitória de Castro, ex-ministro do governo Dilma Rousseff.

Ex-líder do PFL e ex-presidente do DEM, Maia fez oposição ferrenha aos governos Lula e Dilma e não tinha trânsito na Câmara nas gestões petistas. Cotado para ser líder do governo Temer na Câmara, ele acabou preterido por André Moura (PSC-SE), que teve o apoio de Cunha e dos partidos do centrão.Filho do ex-prefeito do Rio Cesar Maia, ele é casado com Patrícia Vasconcelos, enteada de Moreira Franco, assessor especial de privatizações do governo Temer.

No discurso antes da votação no segundo turno, o deputado do DEM foi aplaudido ao defender que, caso eleito, governará junto com os outros 512 parlamentares:

- Podem ter certeza: se eu sentar naquela cadeira, serei um de 513. Vamos governar essa casa juntos.

Maia defendeu também o fim do "império dos líderes" e que se dê mais espaço aos demais parlamentares.

- Nós vamos devolver o plenário à sua soberania. Nosso voto hoje tem veto, porque poucos decidem pela gente. É melhor votar com calma, mas votar a matéria de forma correta. É o que cada um de nós quer, e vamos trabalhar para acabar com o império dos líderes. Eles são fundamentais, mas não são os únicos com direito a palavra.

Deputados fazem fila para votar para presidente da Câmara
Jorge William / Agência O Globo




Ele disse ainda que quer fazer com que os deputados voltem a se orgulhar da profissão que escolheram, e que, para isso, é preciso uma Câmara forte:

- Está faltando uma Câmara dos Deputados forte, que nos orgulhemos de usar esse broche, que passamos a ter vergonha para não sermos vaiados na rua.

Maia disse que foi criticado por ter interlocução com os partidos de esquerda, mas defendeu uma oposição forte para fiscalizar o governo que apoia:

- Quem quer calar a oposição não quer democracia. Queremos uma oposição forte ao nosso governo, que vai nos ajudar a enxergar os nossos erros - afirmou.

O deputado citou nomes que disse admirar ao chegar à Câmara. Um deles foi o do ex-deputado José Genoino, condenado no mensalão.

Em seguida, Rogério Rosso (PSD-DF) iniciou seu discurso pedindo que o adversário subisse à tribuna para abraçá-lo.

- Rodrigo, quero te dar um abraço para que qualquer um que for eleito, a gente possa recomeçar - disse Rosso.

Visivelmente constrangido, Rodrigo Maia subiu e abraçou o adversário.

Rogério Rosso chama Rodrigo Maia para abraça-lo na tribuna da Câmara antes da votação
Jorge William / Agência O Globo


14/07/2016


Maia e Rosso disputam segundo turno da eleição na Câmara

Deputado do DEM recebeu 120 votos, enquanto líder do PSD obteve 106. Ex-ministro de Dilma, Marcelo Castro (PMDB-PI) ficou de fora
Por Da Redação

Os deputados Rodrigo Maia e Rogério Rosso (Ueslei Marceino/Reuters - Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Os deputados federais Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Rogério Rosso (PSD-DF) vão disputar o segundo turno da eleição para a presidência da Câmara. Nenhum dos candidatos obteve maioria absoluta dos votos. Maia recebeu 120 votos no primeiro turno da disputa para a escolha do sucessor de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Rosso ficou em segundo, com 106 votos. Em uma derrota para o PT, o peemedebista Marcelo Castro, ex-ministro de Dilma Rousseff e apoiado pelo partido, ficou de fora, tendo recebido apenas 70 votos.

Filho do ex-governador do Rio de Janeiro César Maia, o deputado Rodrigo Maia tem o apoio de PSDB, PPS, DEM e PSB para chegar ao comando da Casa. Ligado a Cunha, Rosso integra o bloco de partidos do chamado “centrão”.

Próximos passos – Depois de um intervalo de cerca de uma hora, os dois candidatos que seguem na disputa vão discursar na tribuna da Câmara. Em seguida, será realizada a votação do segundo turno.

Confira o placar do primeiro turno:
Rodrigo Maia (DEM-RJ): 120
Rogério Rosso (PSD-DF): 106
Marcelo Castro (PMDB-PI): 70
Giacobo (PR-PR): 59
Esperidião Amin (PP-SC): 36
Luiza Erundina (Psol-SP): 22
Fábio Ramalho (PMDB-MG): 18
Orlando Silva (PCdoB-SP): 16
Cristiane Brasil (PTB-RJ): 13
Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO): 13
Carlos Manato (SD-ES): 10
Miro Teixeira (Rede-RJ): 6
Evair Vieira de Melo (PV-ES): 5


O deputado Rodrigo Maia ( DEM-RJ), discursa durante sessão de eleição do novo presidente da Casa - 13/07/2016 (Ueslei Marcelino/Reuters)

Sessão extraordinária para eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados - 13/07/2016 (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Sessão extraordinária para eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados - 13/07/2016 (Ueslei Marcelino/Reuters)

13 jul 2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Perícia do TSE evidencia que a campanha de Dilma lavou dinheiro do Petrolão


Durante auditoria realizada pelo Tribunal Eleitoral, as gráficas VTPB, Focal e Red Seg, que receberam R$ 52 milhões da campanha da presidente afastada, em 2014, não comprovam que prestaram os serviços declarados

Débora Bergamasco
IstoÉ

CAMPANHA EM XEQUE

Esquema envolvendo a Focal, a VTPB e a Red Seg movimentou R$ 52 milhões em 2014 (Crédito:AP Photo/Eraldo Peres)


No dia 20 de abril, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, corregedora-geral da Justiça Eleitoral, autorizou a apuração das suspeitas de que a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, em 2014, havia utilizado gráficas para lavar dinheiro do Petrolão. Na última semana, o relatório entrou em fase final de redação e uma perícia deverá ser oficialmente divulgada no próximo mês. ISTOÉ apurou que as evidências de lavagem de recursos desviados da Petrobras se confirmaram. As empresas VTPB, Focal e Red Seg não conseguiram comprovar que prestaram os serviços declarados durante as últimas eleições, o que reforçam os indícios de que eram mesmo de fachada e serviram de ponte para o pagamento de propinas do Petrolão. Juntas, elas receberam uma fábula da campanha de Dilma em 2014: R$ 52 milhões.


A Focal foi a segunda que mais recebeu recursos do PT, só ficando atrás do marqueteiro João Santana. Um total de R$ 24 milhões. Mas a gráfica, assim como a VTPB e a Red Seg, simplesmente não apresentou notas fiscais, comprovantes de pagamento, ordens de serviço, contratos trabalhistas ou de subcontratação de terceiros, além de extratos de transferências bancárias que justificassem as atividades exercidas para a campanha de Dilma a um custo milionário. Esses documentos eram fundamentais para provar que as gráficas não foram usadas como laranjas pelo PT para esquentar dinheiro ilegal. A ausência da papelada compromete a campanha de Dilma e incrementa o caldo político que pode levar ao seu afastamento definitivo em agosto, no derradeiro julgamento do impeachment. “A ausência da devida comprovação de gastos eleitorais, principalmente quando envolver altos valores, pode indicar a ocorrência de graves fraudes e até lavagem de dinheiro, com sérias consequências”, afirmou o presidente do TSE, Gilmar Mendes.


ILÍCITO

Para o presidente do TSE, Gilmar Mendes, a ausência de comprovação dos gastos eleitorais indica a existência de fraudes graves
(Crédito:Ailton de Freitas/Agência O Globo)


Os peritos do TSE visitaram as três gráficas entre maio e junho. Seus donos contaram histórias mirabolantes na tentativa de atestar que colocaram seu maquinário a serviço da petista em 2014. Por isso, teriam sido aquinhoadas com os R$ 52 milhões declarados pela campanha de Dilma. As versões, repetidas também à ISTOÉ, não param em pé. Para comprová-las, as empresas tinham até o dia 24 de junho para entregar a farta documentação exigida pela Justiça Eleitoral. O não fornecimento das provas exigidas pela Justiça Eleitoral torna muito difícil a absolvição das gráficas pela perícia do TSE.


Quem for hoje às dependências da Focal vai se deparar com uma estrutura ínfima. A empresa de Carlos Cortegoso, ex-garçom de Lula, fica localizada em São Paulo e exibe uma portinha que seria incompatível com o volume de produtos que ela declarou ter fornecido à campanha de Dilma em 2014. Dividida em dois pisos de cerca de 40 metros quadrados cada um, a empresa conta com apenas duas impressoras e só três funcionários trabalham por lá. Os proprietários argumentam que, durante o período da campanha, a empresa chegou a ter 200 funcionários, quando ainda estava sediada em São Bernardo do Campo, cidade vizinha à capital paulista, em um espaço bem maior. Entretanto, não foram apresentados ao TSE contratos de trabalho desses colaboradores. Como desculpa, argumentaram que eram prestados serviços semanais, sem vínculo trabalhista. Alegaram ainda que os equipamentos de offset utilizados para atender ao PT estariam acondicionados em outro imóvel de Cortegoso. Todavia, o empresário não apresentou as notas fiscais das máquinas, nem comprovou ainda que a tralha estava registrada nos ativos da companhia em 2014. “Existem algumas pequenas irregularidades no sentido fiscal, mas no sentido de criminal não tem nada”, jurou Cortegoso, abordado pela reportagem da revista. Carece de explicação ainda como uma gráfica, sediada em São Bernardo, poderia ter erguido palanques para a campanha à reeleição de Dilma Rousseff Brasil afora, conforme declarou ao TSE. Até a última semana, porém, mais essa atividade suspeita não havia sido justificada aos peritos do tribunal.

As dependências da empresa VTPB são ainda mais inacreditáveis, em termos de estrutura física. É uma gráfica muito engraçada, não tem impressora, não tem nada. Nem scanner, sequer máquina de xerox. O endereço fiscal fica registrado em uma kitnet no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo. Os donos da empresa dizem sem corar a face que a estrutura micro não é conflitante com os R$ 22,9 milhões repassados pela campanha da presidente afastada nas últimas eleições. A empresa, segundo suas explicações, trabalha fazendo a intermediação entre os políticos que precisam de santinhos, por exemplo, e as gráficas que os produzem. Contudo, não foram apresentadas notas fiscais ou contratos que comprovem essas subcontratações. Tampouco comprovantes de pagamentos ou ordens de serviço.

Infográfico: Rica Ramos

Mas quem lacrou mesmo foi a Rede Seg. Abastecida com R$ 6,15 milhões da campanha de Dilma, a gráfica sequer entregou cópias ou originais do livro contábil, porque ele simplesmente não existe. A gráfica – 8ª maior beneficiária de dinheiro da campanha que reelegeu a presidente da República em 2014 – não faz contabilidade escriturada da empresa. Isto, por si só, já configuraria, no mínimo, um “ilícito fiscal”, segundo advogados ouvidos pela ISTOÉ. A Red Seg também está lotada em um imóvel que abriga somente uma guilhotina de papel e uma impressora, que também é filha única. Os documentos do estabelecimento apontam como proprietário Vivaldo Dias da Silva. Um ano antes da campanha, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, ele era motorista e ganhava salário de R$ 1.490.

As suspeitas de que o montante repassado à Focal, VTPB e Red Seg era oriundo do esquema do Petrolão foram levantadas a partir da delação premiada de donos de empreiteiras presos em decorrência dos desdobramentos da operação Lava Jato. O mandatário da UTC, Ricardo Pessoa, que assinou a colaboração com o Ministério Público, afirmou que repassou R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma Rousseff (PT). E que o dinheiro teve origem no Petrolão. O mesmo empresário contou que realizou três repasses de R$ 2,5 milhões. Ao que tudo indica, uma dessas parcelas serviu para saldar notas fiscais da VTPB e Focal. O repasse ocorreu em 27 de agosto ao tesoureiro Edinho Silva, ex-ministro das Comunicações, que realizou quatro depósitos na conta da VTPB no total de R$ 1,7 milhão. Outros R$ 672,6 mil irrigaram os cofres da Focal. Aproximadamente R$ 1,8 milhão teve como destino a gráfica Red Seg. Esses não foram os únicos repasses feitos pela campanha de Dilma às fornecedoras suspeitas de lavagem de dinheiro. Os maiores montantes destinados à Focal e à VTPB também são de 2014 e da ordem de R$ 24 milhões e R$ 23 milhões, respectivamente.


MOVIMENTAÇÕES IRREGULARES

O COAF já apontava para a ocorrência de lavagem de dinheiro pela gráfica VTPB (foto) durante a campanha à reeleição de Dilma
Chamou a atenção do TSE o volume gasto pelo comitê eleitoral de Dilma com serviços de confecção de faixas e santinhos. No dia 29 de julho do ano passado, o ministro Gilmar Mendes, que ocupava a cadeira de vice-presidente da corte eleitoral, pediu à Polícia Federal que investigasse as três empresas. No documento, Mendes recomendou que os agentes concentrassem as atenções na empresa Focal. A PF aproveitou e relacionou a VTPB no bojo da apuração. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) já apontava para a existência de crime de lavagem de dinheiro praticado pela VTPB uma vez que havia a comunicação de movimentação atípica nas contas da empresa.

Outro indício de que as empresas fornecedoras possam fazer parte do esquema de lavagem de dinheiro, por meio de serviços gráficos, refere-se à prestação de contas da campanha da petista. Há centenas de recibos eleitorais de doações de materiais e serviços. Parte deles está em nome dos mesmos financiadores diretos da campanha. Ou seja, o “produto” doado é produzido pelas mesmas empresas suspeitas, mas leva o carimbo de outra campanha. É o caso do deputado Vicentinho. Ele encomendou à Focal Comunicação a produção de centenas de faixas para a campanha da presidente. O que intriga a investigação é que o petista, que arrecadou pouco mais de R$ 1,4 milhão, tenha ainda contribuído materialmente para a reeleição de Dilma com R$ 350 milhões.


TRIANGULAÇÃO
Repasse a Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma, feito pela UTC serviu para saldar “notas frias” da VTPB
(Crédito:Eliaria Andrade/Agência O Globo)


Também intrigou os técnicos do TSE o fato de valores declarados nos recibos de doação de materiais serem muitas vezes bem abaixo do valor praticado no mercado. Do total da produção de santinhos pela Axis Grafica, de São Caetano do Sul (RS), o Comitê Financeiro do PT doou para a campanha de Dilma 6,5% de um total de 30 mil, ou 1.950 itens. O valor declarado pela campanha foi de apenas R$ 14,62. Mas uma no mercado gráfico o valor médio é de R$ 1,8 mil para a quantidade total encomendada e de R$ 121 equivalente ao percentual doado.


A ministra Maria Thereza, relatora do pedido de cassação de Dilma no TSE, ainda está pedindo o compartilhamento de provas e informações obtidas pelas investigações da PF. À ISTOÉ, o ministro Gilmar Mendes ponderou que “nem todas as diligências foram cumpridas pelo TSE e há outras em curso, de modo que há de se aguardar uma maior quantidade de elementos para elaboração do relatório final da perícia”. O prazo é de 90 dias, que alcançará meados de agosto. Até lá, é possível que o afastamento definitivo de Dilma Rousseff já tenha sido julgado pelo Senado.


Colaborou Ary Filgueira

08.07.16