terça-feira, 16 de setembro de 2014

TSE determina retirada do ar de site de apoio a Dilma comandado pelo ex-ministro Franklin Martins



Site Muda Mais, comandado pelo ex-ministro Franklin Martins, tem feito o papel de liderar os ataques à candidatura de Marina Silva na internet
Laryssa Borges, de Brasília
Veja.com
O ex-ministro Franklin Martins: site Muda Mais foi barrado pela Justiça Eleitoral
(André Dusek/Agência Estado/VEJA)

O ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta terça-feira a retirada do ar do site Muda Mais (www.mudamais.com.br), criado pelo PT e comandado pelo ex-ministro Franklin Martins. A página é uma das principais linhas de bombardeio na internet da campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) contra Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). Na reta final das eleições, a candidata do PSB é o alvo principal das críticas.

Nesta terça-feira, o site Muda Mais criticou Marina por ter contratado o cineasta Fernando Meirelles para atuar em sua campanha após ela própria, como candidata, ter criticado, em seu programa eleitoral, um “Brasil cinematográfico” apresentado por Dilma na TV. Originalmente, a campanha de Dilma tinha dois endereços eletrônicos – o Muda Mais e o dilma.com.br. Porém, por causa de divergências com alguns posicionamentos divulgados pela equipe de Franklin, a campanha de Dilma passou a afirmar que desvinculou-se do Muda Mais. A empresa Digital Polis, que detém o registro da página oficial de Dilma, é vinculada à Polis Propaganda & Marketing, em cujo nome está o site Muda Mais.

Em decisão liminar, o ministro do TSE afirmou que, de acordo com a Lei das Eleições, páginas eletrônicas não podem veicular propaganda política, ainda que gratuitamente. Ele determinou a aplicação de multa diária de 50.000 reais em caso de descumprimento da decisão judicial. Para o magistrado, a manutenção da página, por conter forte conteúdo eleitoral favorável à Dilma, poderia provocar desequilíbrio na disputa eleitoral.

“Entendo que o sítio www.mudamais.com transgride a proibição [da Lei Eleitoral] pois, apesar de estar desvinculado da campanha da candidata Dilma Rousseff e registrado em nome de pessoa jurídica (Polis Propaganda & Marketing Ltda.), continua veiculando propaganda eleitoral irregular em favor daquela”, disse o ministro.

Procurada, a campanha de Dilma Rousseff não respondeu à reportagem.



O risco de Lula se perder a eleição


Ex-presidente Lula discursa para sindicalistas em comício no centro do Rio


ALOÍSIO DE TOLEDO CÉSAR

O ESTADO DE S.PAULO


É muito provável que o ex-presidente Lula esteja vivendo o mais tormentoso período de sua vida política, porque pela primeira vez, desde que assumiu a Presidência da República, 12 anos atrás, percebe que o plano de perpetuação no poder existente nas raízes de seu partido ameaça ir por água abaixo.

Realmente, nunca Lula e o seu partido viveram antes incerteza igual à que se instalou no quadro político brasileiro com a morte do candidato Eduardo Campos e o conseqüente crescimento de Marina Silva. As coisas sempre transcorreram suaves para o Partido dos Trabalhadores desde que ganhou a primeira eleição que o levou ao Palácio do Planalto.

Houve um momento de risco, quando Lula disputava o segundo mandato, e se deu mal, muito mal, num debate pela televisão com outros candidatos. Naquela ocasião, amaldiçoou ele os assessores, em quem pôs a culpa, e permaneceu em estado de insegurança, mas não tão acentuada como a dos dias presentes.

Agora, é curioso perceber que a sua sucessora, a quem ele atribuía enorme competência, vem mostrando um despreparo de assustar, pois desde que assumiu o cargo atua de forma tão desastrosa que coloca o País no plano inclinado, ladeira abaixo. No exterior, principalmente, percebe-se que o Brasil encolhe de tamanho e perde credibilidade, sobretudo em face de dever muito mais do que dispõe nas reservas e de viver inflação alta com baixíssimo crescimento econômico.

É possível admitir que Lula realmente acreditasse na competência de Dilma Rousseff, mas agora, vendo suas atrapalhadas, talvez esteja arrependido da escolha feita quatro anos atrás. O pior é que não pode deixar transparecer isso, sob pena de fortalecer ainda mais os dois candidatos concorrentes.

Vê-se obrigado, enfim, a jogar todas as suas fichas em Dilma, porque essa é a única forma de salvar a própria pele. Ele sabe que eventual derrota dela poderá significar o ocaso da carreira política de ambos, bem como o encolhimento do Partido dos Trabalhadores e do sonho de perpetuação no poder, cujo objetivo final sempre pareceu ser fazer do Brasil uma enorme Cuba.

Não há exagero quando se afirma que o propósito dos petistas sempre foi realmente nos impor uma República popular e sindical governada pelo partido. Na visão petista, quem tem de mandar é o partido, e não "a elite branca e reacionária". Como parte principal do programa está a necessidade de disciplinar a imprensa, ou seja, torná-la dócil e obediente como a imprensa cubana.

Em Cuba há mais de 20 jornais de maior importância, porém em nenhum deles se lê notícia alguma sobre descontentamento dos seus habitantes. Tudo naquela ilha está uma maravilha e o que não está bom é culpa dos Estados Unidos. Lá foi totalmente sufocada a "elite branca e reacionária", aquela que no linguajar petista não aceita a participação do povo na missão de governar. Quem manda é o partido - e por isso mesmo a ilha, tão bonita, ficou pobre e sem nenhuma perspectiva de desenvolvimento.

A elite incômoda, segundo os adeptos de Lula, precisará se submeter a necessárias modificações nas leis que regulamentam o exercício das atividades de comunicações no País. Sim, seria necessário fazer que obedeçam ao poder central e passem a divulgar o que interessa ao partido que está no poder, como ocorre em Cuba.

A pressão por tais mudanças transcorria nessa direção - inclusive com o estímulo de exemplos de sufocação de jornais na Venezuela, na Argentina e no Equador - até que a própria imprensa brasileira, a "elite branca e reacionária", passou a denunciar e a ridicularizar o plano.

Num país onde a imprensa é livre as forças totalitárias não conseguirão jamais manter-se no poder. Isso porque as injustiças e os desmandos, quando perpetrados, são denunciados para o grande público, o que provoca revolta e faz ampliar os ressentimentos contra os governantes.

Exemplo claro disso está na circunstância de o Partido dos Trabalhadores haver transformado a Petrobrás, a maior empresa do Brasil e uma das maiores do mundo, num cabidão de empregos e de negócios sujos. Ali, atividades que deveriam ser exercidas unicamente por pessoas comprovadamente habilitadas acabaram delegadas a apaniguados políticos, com vôo livre para atos de corrupção e de enriquecimento pessoal.

Isso teve começo quando Lula era presidente da República, mas Dilma Rousseff estava lá e agora procura figurar como inocente ou desinformada, circunstância que faz lembrar o milenar princípio jurídico, insculpido em nosso Código Penal, de que existe crime tanto por ação como por omissão.

Algumas pessoas conseguem escapar da penalidade por omissão, como o próprio Lula no caso do mensalão, em que autorizou pelo consentimento tácito o avanço no dinheiro público para seduzir os congressistas e fazê-los aprovar as leis de interesse do programa político petista de perpetuação no poder.

Dilma também está escapando, mas tão somente quanto ao aspecto penal. Do ponto de vista político e eleitoral tornou-se evidente que os exemplos de corrupção na Petrobrás a atingem em cheio, sobretudo agora, quando é candidata de si mesmo e tem de contar com as próprias pernas. Na eleição anterior Dilma era tão somente a figura feminina de Lula e ganhou a eleição sem fazer nenhum esforço.

No momento presente o quadro é outro e para sair vitoriosa a candidata à reeleição precisa demonstrar melhor preparo do que seus dois principais concorrentes - e isso não está nada fácil, pois o que a atrapalha é o seu próprio despreparo.

Não há como esconder que a sua gestão na Presidência da República está afundando o Brasil. Nós hoje somos muito menores e menos importantes do que dez anos atrás.



*Aloísio de Toledo César é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo.


Email: aloisio.parana@gmail.com

Lula e Stedile depredam instituições na Petrobras, e vagabundos disfarçados de militantes depredam a ordem em SP; estes são apenas braços operacionais daqueles





Por Reinaldo Azevedo
Nada acontece no vácuo. Os eventos históricos se dão num determinado tempo e obedecem a seu espírito. Coisas que antes nos pareciam impensáveis acabam se naturalizando e sendo tomadas como normais. E nós vivemos dias em que vândalos, bandidos, assaltantes da democracia reivindicam o suposto direito de nos assombrar com a sua violência.

Pior: a Justiça, os políticos e, sobretudo, a imprensa acabam sendo tolerantes com os criminosos, confundindo a atuação de marginais da democracia com atos de resistência. Não aqui. Não aqui! Aqui, bandido é chamado de “bandido”; vagabundo é chamado de “vagabundo”; safado é chamado de “safado”.

Algumas horas apenas — na verdade, uma noite! — separam o ato liderado por Lula e João Pedro Stedile, em frente à Petrobras, no Rio, do caos promovido, nesta manhã, no Centro de São Paulo por supostos sem-teto, durante uma ação de reintegração de posse. O que uma coisa tem a ver com a outra?

O caso é o seguinte: a Polícia Militar tentava executar, nesta manhã, pela terceira vez — a primeira se deu em junho — a reintegração de posse de um hotel, situado na Avenida São João, invadido por uma tal Frente de Luta por Moradia, a FLM.

Esse grupo se intitula um dos muitos “coletivos”, como se diz em “esquerdês”, que reúnem invasores de propriedades públicas e privadas. Trata-se de um dos muitos agrupamentos formados por militantes políticos de esquerda e extrema esquerda que instrumentalizam a pobreza e a ignorância para fazer política.

A Polícia Militar tentou dialogar. Observem: desocupar o prédio era uma determinação judicial. A PM não poderia deixar de cumprir a ordem ainda que quisesse. Os líderes do movimento avaliaram que não havia caminhões em número suficiente para transportar os pertences dos invasores, e teve início, então, o ataque aos PMs.

Do alto do edifício, objetos pesados os mais diversos eram lançados contra os policiais. E a corporação cumpriu, então, o seu dever, que é o dever da democracia quando veste farda: reagir e conter os atos de vandalismo. O prédio foi ocupado pelos policiais, houve conflitos, bombas de gás lacrimogêneo tiveram de ser usadas.

Foi o que bastou. Profissionais da desordem espalharam o caos pelo centro da cidade. Houve confrontos e depredações nas ruas Barão de Itapetininga, Ipiranga, 24 de Maio e nas áreas próximas à Praça da República. Na rua Xavier de Toledo, um ônibus biarticulado foi incendiado. Uma loja da Claro e outra da Oi foram saqueadas. Três pessoas foram presas em razão de atos de vandalismo, e 70 invasores foram encaminhados à Polícia para serem liberados em seguida.

Muito bem, leitores. Isso é luta por moradia? Não! O nome disso é banditismo, crime organizado, violência planejada. Note-se à margem que, na raiz do caos, já há uma decisão escandalosa da Justiça: houve a ordem de reintegração de posse, sim. Mas sabem a quem cabia a obrigação de enviar os caminhões para transportar os pertences dos invasores? Ao dono do imóvel. É estupefaciente! O proprietário tem esbulhado o seu direito, e a Justiça ainda lhe atribui uma obrigação.

Agora volto a Lula. Agora volto a João Pedro Stedile. O chefão do MST afirmou ontem, em frente à sede da Petrobras, que promoverá protestos diários caso Marina Silva vença a eleição. Lula tentou reunir milhares de pessoas — e conseguiu, no máximo, alguns gatos-pingados — para, na prática, anunciar a mesma coisa: não aceita outro resultado das urnas que não a vitória de seu partido. Esses movimentos de invasão de propriedades, no campo e nas cidades, lembrem-se, sempre operaram como braços do PT. Os grupos ditos de sem-teto constituíram, por exemplo, a linha de frente da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura.

Esses criminosos disfarçados de líderes de movimentos sociais são, de fato, os braços operacionais de alguns chefões políticos que foram chamados de “marginais do poder” pelo ministro Celso de Mello, do STF, durante o julgamento do mensalão. Esses marginais do poder transitam em palácios e nas altas esferas, sempre ligados a negociatas bilionárias; aqueles outros, os que partem para a briga, são seus soldados informais, seus jagunços, seus mercenários.

Quando a tropa de choque chegou — e isso vocês dificilmente lerão ou ouvirão na imprensa —, a população aplaudiu. E aplaudiu porque quer ordem, disciplina, lei. E as quer para poder trabalhar, organizar a vida, ganhar o sustento com o seu trabalho.

O conflito que se viu nas ruas, leitores, não era entre polícia e sem-teto. Mas entre os que lutam para ganhar a vida, recolhendo impostos aos cofres públicos — mesmo recebendo em troca serviços de péssima qualidade — e os profissionais da desordem, que, embora não trabalhem e não produzam, exigem que a sociedade lhes dê tudo de mão beijada. Trata-se, em suma, da luta entre a população ordeira, que se reconhecia no uniforme da PM — e por isso a aplaudiu —, e a canalha que se vê representada pelas bandeiras vermelhas de baderneiros e aproveitadores.

A exemplo de qualquer trabalhador honesto, também aplaudo a PM.

16/09/2014



Stedile, o maior pelego do Brasil, e Lula, o Mussolini de São Bernardo, querem golpear a democracia



Por Reinaldo Azevedo
 

Mussolini (centro) na “Marcha Sobre Roma”, em 1922, que marca o golpe fascista

João Pedro Stedile, o dono do MST, esteve naquela patuscada promovida por Lula em frente à sede da Petrobras no Rio. E demonstrou que é mesmo o que sempre afirmei: mero esbirro do PT. No seu discurso, ameaçou: “Vamos estar todos os dias aqui em protesto [se Marina ganhar]”.

Cabe a pergunta: por quê? Por razões óbvias, ele não conhece as medidas de Marina na área do pré-sal pela simples razão de que ela ainda não venceu a eleição, ora essa. Não tendo vencido, não tomou posse. Não tendo tomado posse, ainda não governou.

Stedile, em companhia de Lula, deixa claro, assim, que não reconhece as instituições do regime democrático, coisa que, diga-se, eu também sempre soube. Gente como ele — a exemplo de Guilherme Boulos, o líder do MTST — só existe porque a democracia costuma ser tolerante com elementos que buscam solapar seus fundamentos.

O dito líder do MST é o maior pelego do Brasil. Dilma, na comparação com Lula e FHC, é a presidente que menos assentamentos fez. E nem acho que isso seja um problema em si, já que os sem-terra, de fato, não existem. O que existe é o MST, um aparelho que vive do dinheiro público. A grana que financia o movimento, na prática, tem origem nos recursos destinados à agricultura familiar.

A declaração de Stedile, para a surpresa de ninguém, tangencia o terrorismo político. Observem que ele nem mesmo diz que promoverá protestos ligados à sua área de atuação. Nada disso! Agora, o capa-preta do MST pretende também dar ultimatos no setor energético.

O que Lula e este senhor fizeram, nesta segunda, foi ameaçar o país. O Poderoso Chefão do PT está tentando alimentar temores que muita gente já expressou aqui e ali: se os petistas forem derrotados, o país se tornará ingovernável porque eles botarão a tropa na rua. Se, agora, diante do nada, brandindo um fantasma, uma invenção, uma fantasia, fazem esse escarcéu, imagine-se o que não fariam se, num eventual novo governo, tivessem seus interesses contrariados.

Lula está ameaçando o Brasil com uma “Marcha Sobre Roma” se o seu partido for apeado do poder, se o eleitor insistir em fazer o que ele não quer. O ato desta segunda foi a manifestação explícita e arreganhada de quem não tem a democracia como um valor universal. Para os petistas, uma eleição presidencial é aquele processo que só admite um resultado: a vitória.

É coisa de fascistas. Lula está pensando que o Brasil de 2014 é a Itália de 1922 e que ele é Mussolini.
16/09/2014


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Lula não tem ódio a Marina; tem ódio é à democracia. Ou: Pantomima de chefão petista “em defesa do pré-sal e da Petrobras” vira um grande mico






Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Lula da Silva, ou simplesmente Lula, já foi um líder sindical de respeito. Depois, ele se tornou um político e subordinou os interesses dos trabalhadores, que então representava, a seus objetivos pessoais. Quem saiu ganhando? Ele e seu partido. Os direitos trabalhistas hoje vigentes, comparem, não são muito distintos dos que havia na década de 70, quando este senhor despontou para a celebridade.

Já o homem se tornou o dono de uma legenda — cujos tentáculos se espalham em todas as esferas do estado brasileiro, nas estatais e nos fundos de pensão —, elegeu-se presidente da República duas vezes e fez a sua sucessora.

Os trabalhadores não têm muito mais poder do que tinham antes. Lula, no entanto, fez-se o político mais poderoso do Brasil.

Nesta segunda, este senhor decidiu se comportar como um arruaceiro, como um vândalo da democracia, como um prosélito vulgar.

E deu com os burros n’água.


O petista reuniu seus bate-paus no sindicalismo e nos movimentos sociais para fazer um ato em defesa da Petrobras e do pré-sal em frente à sede da empresa, no Rio. Queria juntar milhares de pessoas. Ocorre que esse tempo não existe mais. Mesmo com o poderoso chefão do petismo presente, o ato não chegou a juntar mil pessoas — segundo a PM, havia umas 600 no auge da concentração. Só compareceram representantes de aparelhos políticos e sindicais.

O povo faltou à convocação.


Ato em defesa da Petrobras e do pré-sal? Eles estão sendo ameaçados? Estão, sim! Mas não é por Marina Silva. Não é por Aécio Neves. Quem ameaça o patrimônio público é a roubalheira. Quem estava sangrando os cofres da Petrobras era uma quadrilha que lá estava instalada, servindo aos interesses de partidos políticos, inclusive aos do PT. Quem lesou a maior empresa brasileira foram os que promoveram a compra de Pasadena, por exemplo. Segundo o TCU, houve um prejuízo de US$ 792 milhões.

Ao ato convocado pelo chefão compareceram os chefinhos da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). João Pedro Stedile, que comanda o MST, também estava lá. Todos fizeram discursos enraivecidos contra Marina Silva. Distribuía-se aos montes um adesivo em que se podia ler: “Fora Marina e leve o Itaú junto”. Lindbergh Farias, candidato do PT que amarga o quarto lugar na disputa pelo governo do Rio, escoltava Lula.

Era a reunião dos burgueses do capital alheio. Era a reunião dos burgueses do capital estatal. Era a reunião dos burgueses do que não lhes pertence. Todos esses caras têm um medo pânico de que haja uma troca de guarda no governo porque não querem perder seus privilégios. Vai que sejam obrigados a voltar a trabalhar. Isso, afinal de contas, não pega bem no Partido dos Trabalhadores.

Eis aí o sr. Luiz Inácio Lula da Silva: um simples baderneiro e o maior reacionário da República. Ele não quer a alternância de poder. Ele criminaliza a ação dos adversários. Ele move seus sicários de reputações do sindicalismo e dos movimentos sociais para manter o poder nas mãos de seu grupo.

Lula estava vestindo a jaqueta laranja da Petrobras, como se estivesse lá para defender a empresa. Sob aquele manto, larápios e incompetentes se juntaram para promover o maior assalto à estatal de que se tem notícia. Ele não estava lá para defender uma causa. Querendo ou não, estava lá para tentar varrer uma penca de crimes para baixo do tapete e para, uma vez mais, ameaçar os brasileiros com um fantasma.

Ninguém queria acabar com a Petrobras em 2002. Ninguém queria acabar com a Petrobras em 2006. Ninguém queria acabar com a Petrobras em 2010. Ninguém quer acabar com a Petrobras em 2014. É a quarta vez que o PT recorre a essa mentira com o propósito único de vencer a eleição. Nas outras três, deu certo. O resultado é a roubalheira que vemos.

Para encerrar: não pensem que o PT estaria se portando de modo diferente se o tucano Aécio Neves estivesse em segundo lugar. O partido não tem ódio a Marina em particular. Esse tipo de manifestação é ódio à democracia.
15/09/2014

 

Tortuosos trajetos do dilmês





Editorial do Estadão

Se algo ficou evidente nos anos de governo Dilma foi a incrível batalha que ela mantém com a língua portuguesa e com o próximo - seja ele quem for. Nestes anos, o País pôde conhecer em detalhes o dilmês, um modo único de falar, que expressa não apenas ideias desconexas, mas evidencia um jeito conflituoso de se relacionar com o interlocutor.

Talvez isso explique o fato de, apesar da sua longa vivência política, até 2010 Dilma Rousseff nunca ter disputado nenhuma eleição. Para ela, a comunicação em público e com o público deve ser um tormento. Mas o dilmês não é apenas uma maneira de falar. É também um comportamento que tem caracterizado a sua administração, marcada pelo convívio difícil, se não rude, com seus auxiliares, ações descoordenadas e falhas de harmonia.


Ao ver o projeto de reeleição cada vez mais distante do seu horizonte, e sob a orientação do chefe Lula - que, não de hoje, lhe vem sugerindo para deixar de lado eventuais escrúpulos e afirmar que o seu eventual segundo governo não terá nada a ver com o que se acaba, especialmente em relação à economia -, Dilma na semana passada começou a ceder e disse que, caso a população lhe dê um novo mandato, formará uma outra equipe. "Obviamente, novo governo, novas e necessariamente (sic) atualização das políticas e das equipes." No dia seguinte, surgiu nova oportunidade para seguir a recomendação do chefe Lula e, questionada sobre a permanência do ministro Guido Mantega no Ministério da Fazenda, ela respondeu: "Eleição nova, governo novo, equipe nova, agora só não faço uma coisa, não nomeio ministro em segundo mandato".

Para todos, inclusive para o principal interessado, ficou certo que Guido Mantega deve continuar à frente do Ministério da Fazenda num eventual segundo mandato.

Naturalmente, Mantega - que é o ministro da Fazenda mais longevo da história recente do País - não ficou lá muito satisfeito com as declarações da presidente. Logo ele, que, sem se preocupar com a imagem pública e muito menos em demonstrar a consistência de seus conhecimentos de economia, leal e submisso, acompanhou Dilma pelos tortuosos caminhos que ela quis trilhar.



Diante do mal-estar criado, a presidente sentiu que era necessário socorrer o seu fiel escudeiro. E então novamente entrou em ação o dilmês. Tratou de explicar que o que havia dito - e todos haviam entendido - não era bem aquilo. Começou com o seu habitual "meu querido" - palavras gentis que, no entanto, significam que a presidente está se paramentando para a batalha e partindo para o ataque. "Meu querido, eu farei uma nova equipe, alguns (ministros) poderão ficar, outros serão renovados." E prosseguiu: "Um governo novo fará uma equipe nova. As pessoas que vão compor essa equipe podem vir do governo anterior, mas é uma nova equipe". Alguma dúvida sobre o que ela quer agora dizer?



Dias depois, Dilma voltou ao tema - a recorrência é uma prática habitual do dilmês - para dizer que Mantega sairá, mas não por causa de uma mudança nos rumos da economia. Simplesmente "por questões eminentemente pessoais".


Não é de todo estranho que Lula, velha raposa da comunicação, de vez em quando confidencie - não muito confidencialmente - seu arrependimento por ter escolhido Dilma como sua sucessora. De forma não indolor, ele prova agora o mesmo que a população brasileira provou nestes últimos quatro anos: um governo tão confuso quanto a fala de Dilma - aquela confusão que, no início de agosto, a fez assim explicar o porquê das atuais dificuldades do setor energético. "Temos regime hidrológico muito sensível à água."


O trajeto do dilmês não é linear. E os resultados, tampouco. Dilma queria comunicar algo em princípio simples: novo governo, novos rumos para a economia.

Mas o fez de forma atabalhoada e sem se preocupar em ferir os sentimentos de Mantega. Muito menos considerou que a demissão extemporânea do ministro da Fazenda provocaria reações entre os agentes econômicos, corroeria ainda mais a credibilidade da duramente criticada política econômica do governo e poderia prejudicar a já abalada economia nacional.


15 de setembro de 2014

Dilma pede licença para matar. Ou: Petista promete mais quatro anos iguais aos últimos quatro se reeleita! Ou: Destruir para conquistar; conquistar para destruir


“Destruir para conquistar;
conquistar para destruir”

Por Reinaldo Azevedo 


A presidente-candidata Dilma Rousseff não quer saber de “coitadinhos” disputando a Presidência da República. Deixou isso muito claro numa entrevista coletiva concedida ontem, no Palácio da Alvorada, enquanto mordomos invisíveis, pagos por nós, administravam-lhe a casa. A rigor, vamos ser claros, a presidente nunca acreditou nem em “coitados” nem na inocência. Ou não teria pertencido a três organizações terroristas que mataram… inocentes!

A propósito, antes que chiem os idiotas: isso que escrevo é
a: ( ) verdade;
b: ( ) mentira.

Quem decidir marcar a alternativa “b” já pode se despedir do texto porque não é só um desinformado; é também um idiota — e não há razão para perder o seu tempo com este blog. Para registro: ela cerrou fileiras com o Polop, Colina e VAR-Palmares. Sigamos.

Na quinta-feira passada, informou a Folha, ao se referir aos ataques que vem recebendo do PT, Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, chorou. Os petistas não abrem mão de desconstruir a imagem da ex-senadora e de triturar a adversária, mas temem que ela se transforme numa vítima e acabe granjeando simpatias. Na entrevista deste domingo, Dilma tratou, ainda que de modo oblíquo, tanto da campanha negativa que o PT vem promovendo contra a peessebista como das lágrimas da adversária. Afirmou:

“A vida como presidente da República é aguentar crítica sistematicamente e aguentar pressão. Duas coisas que acontecem com quem é presidente da República: pressão e crítica. Quem levar para campo pessoal não vai ser uma boa presidente porque não segura uma crítica. Tem de segurar a crítica, sim. O twitter é o de menos. O problema são pressões de outra envergadura que aparecem e que, se você não tem coluna vertebral, você não segura. Não tem coitadinho na Presidência. Quem vai para a Presidência não é coitadinho porque, se se sente coitadinho, não pode chegar lá”.

Entenderam? Dilma está dizendo que a brutalidade é mesmo da natureza do jogo, avaliação que, em larga medida, remete a personagem de agora àquela militante do passado, quando grupos terroristas se organizaram contra a ditadura militar. Ou por outra: não havia, de fato, “coitadinhos” naquele embate. Eu sempre soube disso — e já o afirmava mesmo quando na esquerda. É por isso que a indústria de reparações — exceção feita aos casos em que pessoas já rendidas foram torturadas ou mortas pelo Estado — é uma vigarice intelectual, política e moral.

Dilma, obviamente, sabe que o PT faz campanha suja ao associar a independência do Banco Central à falta de comida na mesa dos brasileiros. Dilma sabe que se trata de uma mentira escandalosa a afirmação de que o programa de Marina tiraria R$ 1,3 trilhão da educação. Em primeiro lugar, porque não se pode tirar o que não existe; em segundo, porque Marina, se eleita, não conseguiria pôr fim à exploração do pré-sal ainda que quisesse.

E que se note: a presidente-candidata, que não apresentou ainda um programa final, deixou claro que considera desnecessário fazê-lo e, a levar a sério o que disse, aguardem mais quatro anos do mesmo caso ela vença a disputa. Leiam o que disse:

“O meu programa tem quatro anos que está nas ruas. Mais do que nas ruas, está sendo feito. Hoje estou aqui prestando contas de uma parte do meu programa. Eu não preciso dizer que vou fazer o Ciência sem Fronteiras 2.0, a segunda versão. Eu não preciso assumir a promessa, porque fiz o primeiro. A mim tem todo um vasto território para me criticar. Tudo o que eu fiz no governo está aí para ser criticado todo o santo dia, como, aliás, é. Todas as minhas propostas estão muito claras e muito manifestas”.

A presidente, sem dúvida, pôs os pingos nos is. Se ela ganhar mais quatro anos, teremos um futuro governo igualzinho a esse que aí está. Afinal, segundo diz, o seu programa já está nas ruas, já está sendo feito. O recado parece claro: nada vai mudar.

Dilma voltou a falar sobre a independência do Banco Central, fazendo a distinção entre “autonomia” — que haveria hoje (na verdade, não há) e “independência”, conforme defende Marina. Segundo a petista, a proposta de Marina criaria um Poder acima dos demais.

Vamos lá: discordar sobre a natureza do Banco Central é, de fato, próprio da política. E seria muito bom que o país fizesse um debate maduro a respeito. Mas, obviamente, não é isso o que faz o PT. Ao contrário: o partido aposta no terror e no obscurantismo. Pretende mobilizar o voto do medo e da ignorância. Quanto ao pré-sal, destaque-se igualmente: seria positivo se candidatos à Presidência levassem adiante um confronto de ideias sobre matrizes energéticas. Mas quê… De novo, os petistas investem apenas no benefício que lhes pode render a ignorância.

Dilma segue sendo, essencialmente, a mesma, agora numa nova moldura: “o mundo não é para coitados, não é para os fracos”. E, para demonstrar força, se preciso, servem a mentira e o terror. Hoje como antes. O PT também segue sendo o mesmo: quando estava na oposição, transformava o governo de turno na sede de todos os males e de todos os equívocos. No poder há 12 anos, agora o mal verdadeiro está com a oposição. Seu lema poderia ser “Destruir para conquistar; conquistar para destruir”.

Dilma pede licença para matar. Nem que seja uma reputação.
15/09/2014 

sábado, 13 de setembro de 2014

Um depoimento exclusivo revela o elo entre os escândalos do mensalão e da Petrobras



Empresário conta à polícia como o ex-deputado José Janene, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef levaram para a estatal parte do esquema do mensalão



HUDSON CORREA E RAPHAEL GOMIDE
Revista Época

Os dois períodos de Lula na Presidência foram marcados por crescimento econômico, disseminação de programas sociais – e também por dois grandes escândalos de corrupção. No primeiro mandato, reinou o mensalão. Ele acabou na prisão de seus principais operadores e articuladores, depois de julgados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No segundo mandato – soube-se nos últimos meses, por meio de investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) –, floresceu um esquema de pagamento de propina em troca de contratos bilionários com a Petrobras (leia detalhes na reportagem da página 36), esquema que continuou durante o governo de Dilma Rousseff.

Neste momento, as autoridades investigam a conexão entre os dois escândalos. Já se sabia que parte da estrutura financeira do mensalão fora usada no esquema da Petrobras. As últimas investigações vão além da questão financeira e se debruçam sobre os personagens comuns aos dois enredos. O ex-deputado federal José Janene (que morreu em 2010), o doleiro Alberto Youssef e o executivo Paulo Roberto Costa aparecem no mensalão e no esquema da Petrobras.
ELO O ex-deputado José Janene, que morreu em 2010.  Em depoimento,  o empresário Hermes Magnus afirma que  o esquema de propina da Petrobras foi  uma “extensão  do mensalão” (Foto: Montagem sobre foto de Lula Marques/Folhapress)

 

Um depoimento dado no dia 22 de julho deste ano – revelado por ÉPOCA em primeira mão e disponível em vídeo em epoca.com.br –, ajuda a detalhar o papel dos atores que participaram dos dois esquemas. O autor do depoimento é o empresário Hermes Freitas Magnus, de 43 anos. Ele reafirma a participação do mensaleiro Janene – deputado do PP que, em troca de apoio político, embolsou R$ 4,1 milhões do mensalão petista – como figura central que liga os dois escândalos. Magnus foi sócio de Janene – e, segundo diz no depoimento, frequentava sua casa e ouvia confidências dele. Segundo Magnus, o esquema da Petrobras “era a extensão do mensalão, um cala-boca para que (Janene) permanecesse quieto”. Janene sempre dizia, segundo o depoimento de Magnus, que poderia “derrubar Lula”, porque sabia do esquema do PT tanto quanto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado por corrupção (assista ao trecho no vídeo abaixo).


   


Segundo Magnus, na hierarquia dos dois esquemas, Janene estava acima do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. De acordo com o depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa, advogado de Youssef – revelado com exclusividade na última terça-feira por epoca.com.br –, foi Janene quem apresentou Youssef a Paulo Roberto. O trio operou junto em dois momentos. Youssef ajudou Janene a lavar o dinheiro do mensalão. Ainda no primeiro mandato de Lula, Janene indicou Paulo Roberto à Diretoria de Abastecimento da Petrobras. No segundo mandato de Lula, os três operaram juntos no esquema da Petrobras. Investigações da Operação Lava Jato revelam que Youssef intermediava pagamento de propina na estatal. Por meio de empresas de fachada, Youssef recebia dinheiro de empreiteiras interessadas em assinar contratos com a Petrobras. Usando um emaranhado de depósitos bancários feitos por laranjas, fazia o suborno chegar a Paulo Roberto, o homem que tinha a caneta para fazer as contratações – e, agora preso, começa a entregar os participantes do esquema. Enquanto isso, Janene, por ser guardião dos segredos do PT, ganhava espaço na Petrobras. Ele continuou como deputado apenas no início do segundo governo Lula. Por causa de uma doença no coração, Janene arrancou em 2007 uma aposentadoria por invalidez na Câmara dos Deputados, embora já respondesse à acusação de receber dinheiro do mensalão. Continuou ativo na política, agindo nos bastidores.



O relato que Magnus fez à Justiça Federal revela o grau de influência dele na Petrobras. “Lá, mando eu”, costumava dizer Janene, conforme o relato de Magnus – embora houvesse outros partidos e esquemas na Petrobras. “Alguns deputados federais queriam falar com diretores da Petrobras sem a intervenção de José Janene, e não conseguiam. Então, entravam em contato com Janene pelo telefone”, afirmou Magnus. Ele disse ainda que presenciou uma performance debochada de Janene ao telefone. Ele ironizava um parlamentar que tentara contato sem sua ajuda. “E aí, a espera tá grande?” Segundo Magnus, Janene tinha “acesso livre” e intermediava negócios entre a Petrobras e empresas de grande porte, como as construtoras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Ele não deu detalhes que possam identificar que tipos de contrato seriam ou se houve algum tipo de ilegalidade. Procurada, a construtora Queiroz Galvão afirmou que não há “irregularidades nem ilegalidades” em seus contratos, que são negociados “dentro das regras estabelecidas pela legislação e sem a intermediação de terceiros”. A Camargo Corrêa disse que só presta serviços à Petrobras por meio de licitações públicas. 


SEGUNDO ESCALÃO O doleiro Alberto Youssef. De acordo com Hermes Magnus, ele estava um degrau abaixo  de Janene na hierarquia  do esquema  (Foto: Joedson Alves/Estadão Conteúdo)


Magnus começou a contar o que sabia à Polícia Federal ainda em 2009, quando o escândalo de corrupção na Petrobras ainda era desconhecido. Concluiu a história com riqueza de detalhes no depoimento de julho passado. Ele parece ter credenciais para falar. A Operação Lava Jato teve início justamente a partir da investigação sobre um negócio de Magnus com Janene. De acordo com o MPF, Janene lavou dinheiro do mensalão ao investir parte da quantia recebida na Dunel Indústria e Comércio, fabricante de componentes eletrônicos que pertencia a Magnus.

Janene usou a empresa de fachada CSA Project Finance, uma sociedade mantida pelo doleiro Youssef, para aplicar R$ 1,16 milhão dos R$ 4,1 milhões que ganhara no mensalão na Dunel. Isso ocorreu em julho de 2008.

Era mais um golpe aparentemente perfeito idealizado por Janene. Magnus tinha as características de vítima ideal para operadores experientes do mercado negro. Sua firma de eletrônicos automotores precisava de dinheiro para crescer, e ele buscava um investidor. Janene e Youssef estavam atrás de uma oportunidade para esquentar dinheiro frio de corrupção. O primeiro encontro com Magnus foi em junho de 2008, na sede da CSA, em bairro nobre de São Paulo.

Acompanhado de Youssef, o afável Janene – já ex-deputado – chegou abraçando afetuosamente o futuro sócio, ou melhor, a futura vítima. O doleiro e o mensaleiro traziam soluções rápidas e práticas, quase um sonho para quem precisava de uma injeção de capital.  “Olha, podemos viabilizar seu negócio: se quiser dinheiro do Estado do Espírito Santo para cima, tenho a opção do Banco do Nordeste. Se não quiser se meter com banco, temos uma solução mais tranquila, um recurso nosso. Se quiserem, coloco 1 milhão de início”, disse Janene.

As imagens do depoimento obtidas por ÉPOCA mostram que, no momento em que Magnus conta essa história, Youssef senta-se ao lado do advogado dele e, apontando para Magnus, reclama: “Ele está mentindo, ele é mentiroso”. O juiz Sérgio Moro, que ouvia Magnus, interrompe Youssef. Ele só se cala quando é ameaçado por Moro de ser retirado da sala. Em pouco tempo, Magnus foi alijado da Dunel e virou, como ele mesmo se definiu, uma espécie de zumbi na firma.

Os equipamentos encomendados não chegavam, e a produção emperrava. Ao consultar um advogado, Magnus descobriu que estava  no meio de uma trama de lavagem de dinheiro. Resolveu procurar a PF para contar o que sabia. Afirma que Janene o ameaçou de morte e que, na época, um incêndio misterioso destruiu uma casa dele.

Youssef, mais uma vez, se deu bem. Lavou o dinheiro para Janene e, ainda naquele ano de 2008, estreitou relações com Paulo Roberto, o executivo dos grandes contratos da Petrobras. Mal se livrara de uma condenação a sete anos de reclusão graças a uma delação premiada, Youssef reincidia em sua especialidade, a lavagem de dinheiro. Tinha o amigo e sócio Janene como cliente. Juntos, tinham um hotel, uma agência de viagens em Londrina e uma locadora de automóveis. A proximidade da dupla ia além dos negócios. Os dois se visitavam e se tratavam pelos títulos de compadre e padrinho.

“Youssef chegava à casa de Janene e era padrinho pra cá, padrinho pra lá... Compadre pra cá, compadre pra lá. E era muito íntimo na lida das coisas”, afirmou Magnus à Justiça Federal. Numa dessas reuniões, Janene prometeu pagar o que chamou de “lua de mel” na Europa para Youssef e a mulher. Em seguida, explicou a ele o motivo da generosidade: “Ela só não pode pensar que você vai fazer aqueles câmbios para mim na França. Não deixe ela sonhar que você está fazendo isso”.

 

DEBOCHE O empresário Hermes Magnus. Segundo ele, Janene zombava de deputados que procuravam diretores da Petrobras sem sua intermediação (Foto: Reprodução)



Os desvios de dinheiro por meio de contratos superfaturados na Petrobras identificados até agora ocorreram de 2009 a 2014. A morte de Janene por infarto, na fila do transplante de coração, em 2010, não interrompeu a afinada e conveniente parceria entre Youssef e Paulo Roberto. Ao contrário, os laços ficaram ainda mais estreitos. Durante a Operação Lava Jato, a PF interceptou e-mails recebidos por Youssef.

Uma das mensagens veio de um ressentido João Claudio Genu, ex-chefe de gabinete de Janene e um dos condenados do mensalão. Genu expressava seu “inconformismo” com a aproximação de Youssef e Paulo Roberto. Aparentemente, àquela altura, o doleiro e o diretor da Petrobras tinham estabelecido uma linha direta, sem intermediários, e Genu perdera seu quinhão no esquema. Paulo Roberto se tornara milionário. A Justiça descobriu que ele mantinha R$ 51,3 milhões em 12 contas secretas na Suíça.

O depoimento de Magnus reitera uma conclusão: o mensalão e o escândalo da Petrobras são dois esquemas distintos, mas com métodos, causas e consequências semelhantes. A causa é o fisiologismo: garantir apoio no Congresso usando cargos que deveriam ser preenchidos por critérios estritamente técnicos. O método: desvio de dinheiro público para financiar campanhas ou enriquecer os políticos envolvidos. A consequência: corrupção.

Com a descoberta do mensalão, em 2005, quando o primeiro mandato de Lula se aproximava do fim, foi preciso assegurar a fidelidade dos mesmos partidos – e dos mesmos políticos – ao governo do PT. Com a reeleição de Lula, o governo continuaria a precisar de apoio no Congresso. E o Congresso não mudara. As regras de Brasília também não. Lula e o PT acomodaram-se às práticas políticas de sempre. E distribuíram aos partidos da base os cargos que os políticos tanto queriam.

São aqueles que servem tão somente para gerar favores e dinheiro, seja para campanhas, seja para o bolso de quem está no esquema. Nenhum cargo era tão desejado pelos políticos quanto uma diretoria na Petrobras, a mais rica e poderosa empresa do país. No segundo mandato de Lula, a Petrobras, mais que qualquer outra estatal, ocupou o vácuo deixado pelo mensalão.

Janene está morto, não pode mais ameaçar nem delatar ninguém. Parentes seus são réus com Youssef na ação penal sobre a lavagem de dinheiro do mensalão. Um deles é Meheidin Jenani, primo de Janene. Magnus, o ex-sócio de Janene, afirma que Meheidin é especialista em assar carneiros e ia constantemente do Paraná a Brasília para preparar carneiros para a então ministra da Casa Civil, e hoje presidente Dilma Rousseff.

Procurado por ÉPOCA, Meheidin desconversou. Procurada por ÉPOCA, a assessoria do Planalto disse que Dilma Rousseff não conhece Meheidin, muito menos era fã de carneiros preparados por ele.



12/09/2014

PT pagou para evitar que Lula fosse arrastado ao centro do caso Petrobras

O PT sob chantagem


Partido foi chantageado por criminosos que detêm documentos que revelam desfalque milionário nos cofres da estatal — e elo entre o mensalão e o petrolão

Para evitar que o partido e suas principais lideranças sejam arrastados ao epicentro do escândalo da Petrobras às vésperas da eleição, a legenda comprou o silêncio de um grupo de criminosos — e pagou em dólar
Robson Bonin
Veja.com

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula 

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula
(Montagem com fotos de Ailton de Freitas-Ag. O Globo/Joel Rodrigues-Folhapress/Rodolfo Buhrer-Estadão Conteúdo/Jeferson Coppola/VEJA)


Desde que estourou o escândalo da Petrobras, o PT é vítima de uma chantagem. De posse de um documento e informações que comprovam a participação dos principais líderes petistas num desfalque milionário nos cofres da estatal, chantagistas procuraram a direção do PT e ameaçaram contar o que sabiam sobre o golpe caso não fossem devidamente remunerados.

Às vésperas da corrida presidencial, essas revelações levariam nomes importantes do partido para o epicentro do escândalo, entre eles o ex-presidente Lula e o ministro Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, e ressuscitariam velhos fantasmas do mensalão. No cenário menos otimista, os segredos dos criminosos, se revelados, prenunciariam uma tragédia eleitoral. Tudo o que o PT quer evitar. Dirigentes do partido avaliaram os riscos e decidiram que o melhor era ceder aos chantagistas — e assim foi feito, com uma pilha de dólares.

O PT conhece como poucos o que o dinheiro sujo é capaz de comprar. Com ele, subornou parlamentares no primeiro mandato de Lula e, quando descoberto o mensalão, tentou comprar o silêncio do operador do esquema, Marcos Valério. Ao pressentir a sua condenação à prisão, o próprio Valério deu mais detalhes dessa relação de fidelidade entre o partido e os recursos surrupiados dos contribuintes.

Em depoimento ao Ministério Público, ele afirmou que o PT usou a Petrobras para levantar 6 milhões de reais e pagar um empresário que ameaçava envolver Lula, Gilberto Carvalho e o mensaleiro preso José Dirceu na teia criminosa que resultou no assassinato, em 2001, do petista Celso Daniel, então prefeito de Santo André. A denúncia de Valério não prosperou. Faltavam provas a ela. Não faltam mais.

Os dólares serviram para silenciar o chantagista Enivaldo Quadrado, ele próprio participante da engenharia financeira do golpe contra os cofres da maior estatal brasileira — e agora o personagem principal de mais uma trama que envolve poder e dinheiro.

Quadrado deu um ultimato ao tesoureiro do PT, João Vacari Neto: ou era devidamente remunerado ou daria à polícia os detalhes de documento apreendido no escritório do doleiro Alberto Youssef. O documento era um contrato de empréstimo entre a 2 S Participações, de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto.

O valor desse contrato é de 6 milhões de reais, exatamente a quantia que Valério dissera ao MP que o PT levantara na Petrobras para abafar o escândalo em Santo André. É esse o contrato que prova a denúncia de Valério. É esse o contrato que, em posse de Quadrado, permitia ao chantagista deitar e rolar sobre os petistas.


                  13 de setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Forbes: 5 razões para não reeleger Dilma





Por O EDITOR
Blog do Coronel

Sob o comando da presidente Dilma Rousseff, o "Brasil passou da efervescência para a melancolia". Essa é a opinião de Anderson Antunes, colunista da revista Forbes, que elencou cinco motivos para os brasileiros não reelegeram a petista para a Presidência da República nas eleições de 5 de outubro.
De acordo com a artigo, o Brasil, nos últimos 20 anos, passou por uma "transformação social e econômica" que tirou "dezenas de milhares de pessoas da extrema pobreza", além de alcançar o sétimo lugar entre as maiores economias do mundo. Entretanto, essas conquistas se devem aos governos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva, antecessores de Dilma que conseguiram se reeleger.


A recessão técnica da economia, após duas quedas consecutivas do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiro e segundo trimestres deste ano -, a inflação que persiste em se manter ao redor do teto da meta do Banco Central e escândalos da Petrobras são alguns dos motivos que, segundo Anderson Antunes, fazem o governo Dilma Rousseff não ser mais o ideal para o País.


Confira os cinco motivos do colunista da Forbes para que Dilma Rousseff não seja reeleita:



1. O Brasil não cresceu como poderia e deveria durante o governo Dilma Segundo o colunista, a economia do País cresceu 7,5% em 2010, último ano de Lula na presidência, com o Brasil sendo um dos maiores exportadores de produtos manufaturados e agrícolas, além de minério de ferro. Desde então, esse cenário não se repetiu, e a economia entrou em recessão técnica neste ano.

"É a primeira vez em cinco anos que a economia retraiu", escreveu o colunista. "Até o fim de seu mandato neste ano, o crescimento do Brasil sob Rousseff esperado é de dois pontos percentuais menor do que o crescimento médio da América Latina entre 2010 e 2014. É a primeira vez em 20 anos que o Brasil é deixado para trás comendo a poeira de seus vizinhos."


2. Maior empresa do País, a Petrobras está sendo seriamente danificada Em 1997, a Petrobras ganhou uma nova força quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acabou com o monopólio estatal e abriu o capital da empresa para investimento privado, diz Antunes. Dez anos depois, a petroleiro descobriu o pré-sal, o que seria uma prova de que "Deus é realmente brasileiro", citando uma afirmação do ex-presidente Lula.

Sob o governo petista, a estatal tem enfrentado diversos escândalos. Além das investigações, o valor de mercado da companhia caiu de US$ 190 bilhões para US$ 119 bilhões em quatro anos. O colunista também critica o fato de a Petrobras ser utilizada para controlar a inflação, segurando reajustes nos preços de combustíveis e agregados.


3. Abordagem de Dilma para manter a inflação alta a fim de manter empregos é questionável Um consenso dos analistas é que inflação e desemprego baixo funcionam quando há crescimento econômico, diz o colunista. No Brasil, a inflação tem piorado pelo fato de que nos últimos anos os salários têm aumentado em um ritmo constante, enquanto o lucro das empresas tem declinado.

"Para Rousseff, a solução seria elevar os juros, apertar a política fiscal e permitir que os preços se ajustem, acelerando a inflação antes que a situação se normalize. Isso não é uma tarefa fácil, já que o consumo representa a maior parte da economia do País - 63%." Antunes acredita, no entanto, que Dilma não tomará essas medidas, já que seria atípico para um "governo populista".


4. Dívida Pública do Brasil continua crescendo, e as economias nacionais ainda são baixas Antunes diz que, apesar de a dívida pública do País ser relativamente baixa - cerca de 35% do PIB -, esse percentual tem crescido. "O orçamento federal está constantemente em déficit, e Rousseff se comprometeu a cumprir uma meta de superávit primário de 1,9% do PIB neste ano e 2% no próximo ano", se reeleita.

Antunes ressalta que, nos primeiros seis meses do ano, o superávit primário - espécie de economia para pagar os juros da dívida - atingiu R$ 29,4 bilhões, o menor valor da história.


5. Dilma não promoveu as reformas necessárias para tornar a vida das pessoas, especialmente dos pobres, melhor O PT se autoproclama como o partido que tem a missão de defender os pobres e os socialmente excluídos. As reformas necessárias para isso, no entanto, não têm acontecido no governo Dilma, afirma o colunista. Ele diz que o Brasil, além de não estar mais crescendo como deveria, reduziu sua distribuição de renda.


                            12.09.2014



Youssef ofereceu comissões a PMDB e PT por negócio, diz contadora

Meire Poza confirmou à PF o que disse a VEJA: doleiro se reuniu com presidente do Senado, Renan Calheiros, em busca de apoio para negócios com fundos de pensão

Meire Poza – "O Beto (Youssef) lavava o dinheiro para as empreiteiras e repassava depois aos políticos e aos partidos.
Era mala de dinheiro pra lá e pra cá o tempo todo."
(Jefferson Coppola/VEJA)


Em depoimento à Polícia Federal, a contadora Meire Poza detalhou as negociações - reveladas por ela em entrevista a VEJA - entre o doleiro Alberto Youssef, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o deputado André Vargas (sem partido-SP) para obtenção de apoio político para que o doleiro pudesse fazer negócios com os fundos de pensão dos Correios e da Caixa Econômica Federal.

Youssef, pivô do bilionário esquema de lavagem de dinheiro desarticulado pela Operação Lava-Jato, queria que os fundos das estatais injetassem 50 milhões de reais em uma de suas empresas e, segundo Meire, tratou pessoalmente com Renan do aval do PMDB para a negociação.



Meire é considerada testemunha-chave da Operação Lava-Jato da PF, que levou Youssef à prisão em março. Em entrevista a VEJA, ela contou um pouco do que presenciou durante os mais de três anos em que prestou serviços ao doleiro. Meire era responsável por manusear notas fiscais frias, assinar contratos de serviços que jamais foram feitos e montar empresas de fachada destinadas à lavagem de dinheiro.

Nesse período, ela viu malas de dinheiro saindo da sede de grandes empreiteiras e chegando às mãos de notórios políticos. À PF, Meire detalhou que o doleiro ofereceu em contrapartida a Vargas e Renan repasse de comissões a integrantes do PMDB e PT, partido ao qual pertencia o deputado, segundo reportagem do jornal O Globo.


A contadora afirmou à PF que o negócio entre Youssef e os parlamentares só não se concretizou porque o doleiro foi preso. Cinco dias antes de ser capturado pela PF no Maranhão, Youssef reuniu-se em 12 de março com Renan para, segundo Meire, fechar um acordo verbal para ser beneficiado com 50 milhões de reais do Postalis (fundo dos Correios) e Funcef (fundo da Caixa).

Vargas teria ajudado na articulação com a ala petista dos fundos de pensão. Ainda segundo a contadora, o negócio renderia uma comissão de 10% aos "corretores" - pessoas responsáveis por repassar o dinheiro aos partidos. Não se sabe qual porcentual do montante seria repassado aos políticos.


Investigadores do caso ouvidos pelo jornal explicam que o doleiro precisava de dinheiro e tentou convencer Postalis e Funcef a investirem 50 milhões de reais em uma de suas empresas, a Marsans Brasil. Como encontrou resistência de dirigentes vinculados ao PMDB, decidiu procurar Renan.

Meire conta que, dois dias depois do encontro, ele afirmou a ela, em tom de comemoração, que havia conseguido os 50 milhões de reais para a Marsans. Pelo acerto, Postalis e Funcef fariam aportes de 25 milhões de reais cada na empresa. Ouvidos pelo jornal, Renan e Vargas negam qualquer relação com o negócio.


O nome de Vargas e de Renan já foram citado a VEJA por Meire Poza, que listou ainda o senador Fernando Collor (PTB-AL), o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) e o ex-ministro e atual conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia Mário Negromonte, filiado ao PP.

Os depoimentos da contadora foram decisivos para estabelecer o elo entre os dois lados do crime — principalmente no setor tido como o grande filão do grupo: a Petrobras. As empreiteiras que tinham negócios com a estatal forjavam a contratação de serviços para passar dinheiro ao doleiro.



12/09/2014

PT não fala mais em privatização da Petrobras porque privatizada ela já está: pelo PT, PMDB e PP. A mentira da hora diz respeito ao pré-sal






O gosto de um povo costuma ser o seu destino

Por Reinaldo Azevedo

Em 2002, 2006 e 2010, o PT inventou que os tucanos haviam querido — e quereriam ainda — privatizar a Petrobras. Alguma evidência, algum documento, alguma fala oficial de governo, alguma proposta que apontasse para isso? Nada! Nem um miserável papel.

A maior evidência de que dispunham era um estudo encomendado para mudar o nome da empresa para Petrobrax. Uma burrice? Sem dúvida! Privatização? É piada! Tratava-se apenas de uma mentira de cunho terrorista — já que o partido sabia que a população brasileira, na sua maioria, infelizmente, se oporia à ideia.

Este nosso povo bom prefere uma estatal lotada de larápios, roubando dinheiro para si e para seus respectivos partidos, a uma empresa privada que funcione bem, sem assaltar o nosso bolso. O gosto de um povo costuma ser o seu destino.

Lembro, só para ilustrar, que, às vésperas do segundo turno da eleição de 2010, José Sérgio Gabrielli — um dos principais responsáveis pela compra desastrada da refinaria de Pasadena —, então presidente da estatal, concedeu uma entrevista à Folha em que afirmou que o governo FHC havia tomado medidas em favor da privatização.

Não apresentou uma só evidência, é claro!, porque se tratava apenas de uma mentira. Privatizada, como vimos, de fato, a Petrobras já está, o que não é segredo para ninguém. As evidências que vêm à luz a cada dia ilustram o descalabro.

Pois bem! Neste 2014, falar que estão querendo privatizar a Petrobras não chega a ser uma coisa exatamente popular. A empresa está mais nas páginas de polícia do que nas de economia, não é mesmo? Privatizada, ela já está. Como vimos, boa parte de sua operação pertence a companheiros do PT, do PMDB e do PP. Uma gangue agia dentro da empresa, em conexão com outra que, segundo Paulo Roberto Costa, atuava do lado de fora. Fica difícil convocar a população para a guerra santa em defesa de um nome que, infelizmente, acabou tão manchado.

Como é que o PT vai fazer, então? O partido não sabe fazer campanha eleitoral sem transformar seus adversários em satãs. Os petistas não conseguem entender o jogo político senão pela eliminação do outro. Não lhes basta simplesmente vencê-lo. Sem encontrar, antes como agora, verdades fortes o bastante em favor de si mesmos, então recorrem a mentiras contra seus oponentes.

Assim é com essa história absurda de que, se eleita, Marina vai tirar R$ 1,3 trilhão — sim, os desmandos da turma já atingiram a casa dos bilhões, e as mentiras, dos trilhões — da educação em razão da não exploração do pré-sal. Esse é o terrorismo da vez.

Moralistas como são, advertidos até internamente de que isso é forçar a barra, os chefões não se intimidaram. Como Dilma deu uma pequena reagida, e Marina, uma esmorecida, chegaram à conclusão de que esse é mesmo um bom caminho. Se eles não podem vencer com a verdade, indagam sem hesitação: “Por que não a mentira?”.

Nesta quinta, em entrevista à Rede TV, Dilma culpou Marina, quando ministra do Meio Ambiente, pela demora nas licenças ambientais para obras de infraestrutura. É mesmo? Eu posso criticar algumas questões que a então ministra levantou ao longo do tempo sobre esta ou aquela obras, Dilma não! Ora, se ela criava dificuldades tecnicamente injustificadas e artificiais, por que não foi posta, então, fora do governo? Por que não se fez, então, o devido debate público? É que Lula gostava — e precisava — da “simbologia Marina”.

No horário eleitoral gratuito, o PT demoniza empresários e banqueiros, apresentados como um bando de salafrários que se regozijam quando supostos inimigos do povo — sim, Marina é o alvo principal — aparecem combinando tramoias. É grotesco que, nestes dias, quando conhecemos a casa de horrores em que se transformou a Petrobras, o PT venha a público para atacar o setor privado.

Encerro com um dado: até há cinco dias, Dilma, a que aparece como a adversária de empresários cúpidos, havia arrecadado mais do que o dobro da soma de Aécio e Marina: R$ 123,3 milhões entre julho e agosto, contra R$ 42,3 milhões do tucano e R$ 19,5 milhões de Marina.

Essa é a cara deles. Essa é a moralidade deles.


12/09/2014


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Marina diz que PT colocou diretor para 'assaltar' cofres da Petrobras


Candidata do PSB participou de sabatina do jornal 'O Globo', no Rio.
Ela também comentou denúncias contra Eduardo Campos.

Lucas Salomão e Henrique Coelho
Do G1, em Brasília e do G1 RJ
A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, durante sabatina promovida pelo jornal O Globo, realizada no Museu de Arte do Rio (MAR), no centro do Rio de Janeiro (Foto: MÁRCIO CASSOL/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)
A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, durante sabatina promovida pelo jornal O Globo, realizada no Museu de Arte do Rio (MAR), no centro do Rio de Janeiro (Foto: Márcio Cassol/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo)

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, disse nesta quinta-feira (11), durante sabatina do jornal "O Globo", que as pessoas não confiam em um partido que colocou um diretor na Petrobras para "assaltar os cofres" da estatal. Ela fez referência a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa, preso  pela operação Lava Jato por suspeita de participar de esquema de corrupção em contratos da Petrobras.

A candidata deu a declaração enquanto avaliava o atual momento dos partidos no país. Para ela, "os partidos perderam o vínculo com a sociedade".
"Não consigo imaginar que as pessoas possam confiar em um partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres das Petrobras. É isso que estão reivindicando? Que os partidos continuem fazendo do mesmo jeito? Eu espero que as pessoas virtuosas possam renovar seu partidos, para que ele voltem a se interessar pelo que são as demandas das pessoas", afirmou a candidata.


 
Marina disse ainda que o país vive "um profundo atraso em vários aspectos da política" . Ela afirmou que espera que o Congresso Nacional seja renovado nestas eleições e que os parlamentares que cuidam apenas de seus próprios interesses sejam "aposentados".
"Eu espero que o Congresso seja renovado. Que a gente  aposente de vez aqueles que vão para lá para cuidar dos seus próprios  interesses. Essas eleições não serão ganhas pelas estruturas, vão ser  ganhas por uma nova postura da sociedade", disse.


Denúncias contra Eduardo Campos
Durante a sabatina, Marina teve de responder sobre as denúncias de que empresas fantasmas pagaram a companhia dona do avião em que morreu, no dia 13 de agosto, o então candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos. Ela também comentou sobre o nome de Campos ter sido supostamente citado no depoimento do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa à Polícia Federal como um dos políticos beneficiados por pagamentos de propinas oriundas de contratos com fornecedores da estatal.

A candidata afirmou querer a verdade "doa a quem doer". Ela também disse que, em um primeiro momento, não está "condenando" e nem dizendo que as denúncias contra Campos não devam ser investigadas.

"Seja o que for, doa a quem doer, nós queremos a verdade. Agora, a verdade das investigações. O que não queremos é que antecipadamente ele seja julgado e morto duas vezes. Não por uma fatalidade, mas por qualquer forma de leviandade. Eu não estou, a priori, nem condenando, e muito menos dizendo que não deva ser investigado. Devemos ter uma postura de compromisso com a verdade [...] Nós não temos como esclarecer aquilo que era responsabilidade dos empresários. O Eduardo buscou um serviço, e esse serviço foi prestado", comentou Marina Silva.

A ex-senadora também criticou o que ela chamou de "movimento" para "impor uma segunda morte" a Eduardo Campos. Segundo Marina, muitas pessoas que estavam combatendo Campos em vida estavamo no velório "chorando e comovidos".
"Agora eu vejo um outro movimento, os mesmo que choraram, agora riem entre os dentes tentando impor uma segunda morte", completou.


Pré-sal
A candidata também respondeu a uma crítica que tem sido feita pela campanha da presidente Dilma Rousseff, segundo a qual Marina não vai investir na exploração do petróleo do pré-sal. Na sabatina, Marina afirmou que "a distorção e o boato" tem sido características fortes da campanha. Disse ainda que, em seu eventual governo, os recursos do pré-sal vão para a educação e para a saúde, e não para a corrupção, numa crítica ao atual governo.

"Nós vamos explorar os recursos do pré-sal. Vamos utilizar o dinheiro destinado à suade e à educação para investir de fato em saúde e educação, e não em corrupção, como a sociedade brasileira tem medo", afirmou a candidata.

Ela também criticou a atual gestão da Petrobras, que segundo a candidata aumentou a dívida e reduziu o valor de mercado da empresa. Para Marina, foi criada uma "cortina de fumaça" para desviar o debate sobre os problemas na estatal.
"É preciso entender que o que está ameaçando o pré-sal é o que está sendo feito pela Petrobras. Uma empresa que hoje vale metade do que valia quando Dilma assumiu e que está quatro vezes mais endivida em relação à dívida que tinha. É isso que está ameaçando o pré-sal", acusou.


Estado laico
Marina respondeu também a perguntas sobre sua posição a respeito de religião. Ela disse que é evangélica desde 1997 e que entende que um presidente da República "comprometido com o Estado laico" não precisa negar sua fé. Ela ainda afirmou que as perguntas sobre sua religião ocorrem porque ela é evangélica e que candidatos católicos não são questionados sobre fé.

"Eu não imagino que um presidente da  República que é comprometido com um Estado laico tenha que negar a sua fé.  Estado laico é para defender o direito de todas as pessoas. Verifiquem  onde eu usei meu espaço público como senadora para promover qualquer coisa contrária ao Estado laico", afirmou.

"Eu não vejo as  pessoas católicas sendo perguntadas sobre o estado laico. Eu não faço  perguntas aos meus adversários do ponto de vista religioso. Eu não as faço  porque isso não é honesto. O Estado nem é para impor a vontade da maioria  à minoria e nem para impor a vontada de minoria à maioria. O Estado tem  que aprender a respeitar os direitos", concluiu.


'Marolinha' x 'Tsunami'
A candidata comentou sobre a crise financeira mundial e ironizou o termo "marolinha", usado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para explicar o efeito que a crise teria no Brasil. Marina afirmou que agora o país está sendo engolido pela "tsunami".

"No momento em que os Estados Unidos, que foi o país em que a crise se iniciou, está se recuperando num crescimento, me parece, de 4%, o Brasil, que dizia que era apenas uma marolinha, agora está sendo engolido pelo tsunami. Porque não foi capaz de ter a humildade de reconhecer a gravidade do problema", afirmou a candidata.


'Vergonha alheia'
Logo no início da entrevista, a ex-senadora criticou diretamente o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, dizendo que ele dá "vergonha alheia quando começa a falar sobre energia". A afirmação foi dada quando Marina Silva foi questionada sobre o discurso que tem sido adotado por ela de "governar com os melhores".

O G1 procurou a assessoria da pasta e não obteve resposta até a última atualização da reportagem.

"Quando eu digo que quero governar com os melhores, sou interpelada como se estivesse dizendo uma aberração. Eu parto do princípio de que qualquer pessoa que quer assumir a função mais elevada de um país deve estar comprometida a governar com os melhores. Fazer essa escolha de governar com os melhores é também uma forma nova de encarar a política [...] No caso do Brasil, você tem um ministro de Minas e Eenergia que não entende de energia. Você tem um ministro que é vergonha alheia quando começa a falar sobre energia", afirmou.


Reeleição
A candidata voltou a dizer, assim como tem feito em seus atos de campanha, que é contra a reeleição e que, caso seja eleita, se compromete a governar por apenas um mandato de quatro anos. Ela chegou a dizer que ser candidata é um "direito individual" e que o partido não pode obrigá-la a ser candidata novamente.

"Quatro anos [de governo] para mim e cinco anos para o próximo, porque não pode mudar a regra do jogo durante o jogo. O ato de sair candidata é um direito individual. O partido não pode me obrigar a ser candidata. Esse é o meu compromisso", disse Marina.


  11/09/2014
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