Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 23 de novembro de 2014

Líder do PT no Senado recebeu R$ 1 milhão de empreiteiras, diz ex-diretor da Petrobras



Senador Humberto Costa (PT-PE) durante sessão do Plenário que examina o processo de cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO)
(Antonio Cruz/ABr/VEJA)

VEJA


O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa acusou o líder do PT no Senado, Humberto Costa, de ter recebido 1 milhão de reais do esquema de propinas pagas por empreiteiras a partir de contratos da estatal. A acusação foi feita no âmbito da delação premiada, a que Paulo Roberto Costa aderiu. Segundo o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, que cumpre pena domicilar em seu apartamento no Rio, o petista teria utilzado o dinheiro em sua campanha ao Congresso Nacional, em 2010.

O nome do ex-ministro da Saúde do governo Lula se junta assim ao de outros políticos apontados por Paulo Roberto Costa como beneficiários do esquema, como o da ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que teria recebido 1 milhão de reais em um shopping center, por meio de intermediários, e os do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, e do ex-senador do PSDB Sérgio Guerra, ambos já mortos. A denúncia está na edição deste domingo do jornal O Estado de São Paulo.

Guerra teria usado o recurso obtido para abafar uma CPI sobre a Petrobras instaurada em 2009. E Gleisi e Campos, de acordo com Costa, teriam feito do propinoduto fonte de financiamento de campanha, da mesma forma que Humberto Costa. O ex-ministro de Lula teve como intermediário o empresário Mário Barbosa Beltrão, que é seu amigo de infância e presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (Assimpra). O dinheiro de Humberto Costa teria saído da cota de 1% do PP, partido aliado do PT no governo, que controlava a diretoria de abastecimento, da qual Paulo Roberto Costa era o nome principal.

O ex-diretor da Petrobras teria conhecido o senador petista quando ele ainda era ministro, cargo que exerceu entre 2003 e 2005, no primeiro mandado de Lula. De 2007 a 2010, ano em que se elegeu para o Senado, o petista foi secretário das Cidades de Pernambuco.

Paulo Roberto Costa foi apontado como homem-bomba capaz de detalhar os meandros de um esquema de corrupção que envolvia PT, PMDB e PP na Petrobras. Reportagem de VEJA revelou que, na delação que pode reduzir sua futura pena ou mesmo lhe render o perdão judicial, ele afirmou que políticos da base aliada da presidente Dilma Rousseff, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e governadores receberam dinheiro do esquema. De acordo com depoimento de Costa, o esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula e continuou na atual gestão de Dilma.

Em outro depoimento do ex-diretor à Justiça, também revelado por VEJA, Paulo Roberto Costa disse que a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff em 2010 pediu dinheiro ao esquema de corrupção que ele liderava na Petrobras.

22/11/2014

sábado, 22 de novembro de 2014

Dilma poderia ter parado o propinoduto, conforme e-mail enviado a ela por Paulo Roberto Costa. Dilma sabia e deixou rolar


A Veja que está chegando às bancas traz cópias de e-mails reveladores que podem redundar em abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff



Blog do Coronel
Veja

Antes de se revelar o pivô do petrolão, o maior escândalo de corrupção da história contemporânea brasileira, o engenheiro Paulo Roberto Costa era conhecido por uma característica marcante. Ele era controlador e centralizador compulsivo. À frente da diretoria de Abastecimento e Refino da Petrobras, nenhum negócio prosperava sem seu aval e supervisão direta. Como diz o ditado popular, ele parecia ser o dono dos bois, tamanha a dedicação. De certa forma, era o dono — ou, mais exatamente, um dos donos —, pois já se comprometeu a devolver aos cofres públicos 23 milhões de dólares dos não se sabe quantos milhões que enfiou no próprio bolso como o operador da rede de crimes que está sendo desvendada pela Operação Lava-Jato.

Foi com a atenção aguçada de quem cuida dos próprios interesses e dos seus sócios que, em 29 de setembro de 2009, Paulo Roberto Costa decidiu agir para impedir que secassem as principais fontes de dinheiro do esquema que ele comandava na Petrobras. Costa sentou-se diante de seu computador no 19º andar da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, abriu o programa de e-mail e pôs-se a compor uma mensagem que começava assim:


“Senhora ministra Dilma Vana Rousseff...”.


O que se segue não teria nenhum significado mais profundo caso fosse rotina um diretor da Petrobras se reportar à ministra-chefe da Casa Civil sobre assuntos da empresa. Não é rotina. Foi uma atitude inusitada. Uma ousadia. Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para advertir o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção e a modernização das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo.


Assim, como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que no ano de 2007 houve solução política para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.


Também não haveria por que levantar suspeitas se o ousado diretor da Petrobras que mandou mensagem para a então ministra Dilma Rousseff fosse um daqueles barnabés convictos, um “caxias”, como se dizia antes nas escolas e no Exército de alguém disposto a arriscar a própria pele em benefício da pátria. Em absoluto, não foi o caso.


Paulo Roberto Costa, conforme ele mesmo confessou à Justiça, foi colocado na Petrobras em 2004, portanto cinco anos antes de mandar a mensagem para Dilma, com o objetivo de montar um esquema de desvio de dinheiro para políticos dos partidos de sustentação do governo do PT. Ele estava ansioso e preo­cupado com a possibilidade de o dinheiro sujo parar de jorrar. É crível imaginar que em 29 de setembro de 2009 Paulo Roberto Costa, em uma transformação kafkiana às avessas, acordou um servidor impecável disposto a impedir a paralisação de obras cruciais para o progresso da nação brasileira? É verdade que às vezes a vida imita a arte, mas também não estamos diante de um caso de conversão de um corrupto em um homem honesto da noite para o dia.


22 de novembro de 2014

Duque, o milionário



Como o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, depois de descoberto por Silvinho Pereira e chancelado por José Dirceu, ascendeu da modesta gerência de contratos para o comando de obras faraônicas na estatal e conseguiu acumular riqueza

Claudio Dantas Sequeira, Josie Jeronimo, Rogério Daflon
ISTOÉ
A cobertura suntuosa em endereço nobre na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, foi decorada por um badalado escritório de arquitetura. Paredes e tetos receberam revestimentos de altíssimo nível. Cômodos foram preenchidos por móveis assinados e objetos de arte – algumas telas de jovens pintores em ascensão. Quando a reforma terminou, os amigos mais próximos improvisaram um trocadilho elogioso. “Duque, agora você tem o seu palácio!”. A ostentação incomodou os vizinhos, que tentaram embargar a obra diversas vezes, acusando-o de violar as leis do condomínio e da prefeitura. Renato Duque deu de ombros. “Sou dono do prédio”, disse. E não estava mentindo. O edifício onde mora foi ele mesmo que ergueu. Associou-se a uma desconhecida construtora chamada Fercon, executou a obra e depois cobriu parte do custo com a venda de um dos apartamentos. Outros dois ele doou para as filhas. Sua cobertura duplex vale hoje R$ 4,5 milhões, mas o preço vai subir quando chegar o metrô, que acoplará esse pedaço da Barra à zona sul carioca.

AMBICIOSO
O estilo de Renato Duque à frente da diretoria de Serviços da Petrobras
agradou a seus padrinhos políticos, para quem obras caras eram sinônimo de gordas propinas

O crescimento patrimonial de Duque se estende à família. O filho comprou recentemente um imóvel ao lado e nem precisou vender o que havia ganho do pai no Canal de Marapendi, a uns seis quilômetros dali. O ex-diretor da Petrobras também não se desfez do apartamento em que morava na Tijuca, bairro de classe média. Adquiriu duas lojas comerciais de alto padrão e construiu uma casa de veraneio em Penedo, cidade turística de colonização finlandesa. Também investiu na compra de dólares e joias. Tudo isso, somado aos R$ 3,2 milhões bloqueados pelo Banco Central em suas contas bancárias indicaria que o patrimônio de Duque hoje superaria facilmente os R$ 15 milhões. Sem contar as somas oriundas de propinas recebidas de contratos da Petrobras que teriam sido depositadas em contas na Suíça. Os delegados da PF ensaiam um raciocínio que encontra respaldo na lógica financeira do crime: se o gerente abaixo de Duque, Pedro Barusco, se comprometeu a devolver R$ 250 milhões, imagina quanto o chefe dele conseguiu acumular. “O Duque não vai poder se calar porque vai ter que explicar a riqueza que ele amealhou”, disse o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato.

Renato de Souza Duque era um homem maduro, na casa dos 48 anos, quando o PT chegou ao governo, em 2003. Natural de Cruzeiro (SP), fez a vida no Rio de Janeiro. Formou-se engenheiro pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e entrou para os quadros da Petrobras em 1978. Foi gerente de plataformas flutuantes, depois superintendente de perfurações na Bacia de Campos, gerente de contratos de perfuração e ainda de recursos humanos da área de exploração e produção. Também gerenciou a divisão de engenharia e tecnologia de poços, retornando em seguida para a gerência de contratos.

IMAGINA O CHEFE
Pedro Barusco, gerente subordinado a Duque, se comprometeu a devolver R$ 250 milhões

Em 2003, já era engenheiro sênior da companhia quando foi descoberto pelo então secretário-geral do PT Silvio Pereira. “Silvinho Land Rover” fora escalado pelo então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, para encontrar um funcionário de carreira “inteligente e discreto”, e acima de tudo fiel, capaz de assumir a mais estratégica diretoria da estatal. Duque se enquandrava no perfil. Pai de família, homem de poucas palavras, metódico, ambicioso e com enorme capacidade de trabalho. Afinal, a Diretoria de Serviços era composta por seis áreas, respondendo tanto pela assistência médica dos empregados e por rodar a folha de pagamento como pelas pesquisas, toda a área de tecnologia da informação e telecomunicações, assim como pelo cadastramento de fornecedores, a compra de equipamentos e a condução de grandes empreendimentos da companhia, sejam plataformas, sejam refinarias ou gasodutos.

Os colegas da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), entidade de classe que frequentava, se surpreenderam com a ascensão de Duque. Da modesta gerência de contratos ele saltou para o comando de obras faraônicas, com o poder de fechar e pagar contratos e negociar diretamente com executivos de grandes empreiteiras. E nunca se fez tanta obra e se fechou tanto contrato bilionário. O crescimento da demanda por energia e de materiais refinados levou a Petrobras a redesenhar sua estratégia de produção, colocando em prática um amplo plano de investimentos. Duque era o cara certo, no lugar certo, na hora perfeita.

PATRIMÔNIO
A cobertura duplex de Renato Duque na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro,
está orçada hoje em R$ 4,5 milhões

Ainda em 2003, ele tentou emplacar, a pedido da Odebrecht, obra de um gasoduto para levar a produção do Rio de Janeiro para Ilhabela (SP). O empreendimento orçado em R$ 5 bilhões foi vetado, pois a utilização de navios para transportar a produção era menos onerosa. Mas o estilo ambicioso de Duque agradou a seus padrinhos políticos, para quem obras caras eram sinônimo de gordas propinas ou “comissões”, como eles gostam de dizer. Assim, em pouco tempo, ele se tornou, nas palavras de companheiros de firma, o “arrecadador mor” do PT no esquema da Petrobras.

A atuação de Duque na companhia ganhou cores novas com a parceria de Pedro Barusco. Diferentemente do diretor, que nessa época ainda não pensava em morar na Barra e cultivava o futsal com amigos num clube de Laranjeiras, Barusco era espalhafatoso e adorava ostentar, mesmo que sua conta bancária ainda não sustentasse o estilo de vida de xeique árabe. Colegas contam que o recém-nomeado gerente de Engenharia, morador de Joatinga, um minúsculo e valorizadíssimo bairro carioca, entre São Conrado e Barra da Tijuca, levava tacos de golfe para as reuniões de trabalho na estatal. Entre uma planilha e outra, exibia-se contando quanto havia custado o novo passatempo. Mas o jeito, digamos assim, mais extrovertido de Barusco harmonizava bem com a seriedade de Duque, numa estratégia eficaz para cultivar sócios e abrir novas frentes de negócios. O gerente era o “relações-públicas” da parte que cabia ao PT no esquema e Duque o responsável por criar métodos de arrecadação sem despertar grandes suspeitas.


Tinham contato diário, pessoalmente ou por telefone. Viajavam para o o exterior para visitar obras ou estaleiros em Cingapura, Coreia do Sul, Japão, China. Tornaram-se unha e carne. Apesar da relação estreita, Duque e Barusco mantinham a relação no estrito campo profissional. Não se frequentavam socialmente. Por outro lado, Duque tornou-se grande amigo de João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT. “Tivemos uma empatia”, disse à PF. Passaram a jantar em restaurantes chiques de São Paulo e do Rio de Janeiro. Vaccari abriu os olhos do diretor para os prazeres efêmeros da vida.

O divisor de águas apontado por gerentes da Petrobras na estratégia de onerar obras e transformar aditivos em propina foi a modificação do método de seleção das empreiteiras. Antes, a companhia formulava os projetos básicos das obras que lançaria em editais. Assim, as empresas só poderiam apresentar propostas com preços unitários para concorrer. Duque reformulou o procedimento. Entregou às empreiteiras o direito de apresentar o projeto que melhor caberia, só após a seleção. Com isso, abriu a porta para bilhões em aditivos. A satisfação do PT com os serviços prestados por Duque era tamanha que em março de 2010 o deputado estadual Gilberto Palmares (PT-RJ) decidiu fazer uma homenagem formal ao diretor. Usou sua influência de parlamentar para encaminhar uma honraria a Duque. Concedeu ao engenheiro o título de cidadão do Rio de Janeiro, em solenidade na Assembleia Legislativa do Estado.


O reinado durou até fevereiro de 2012, quando Graça Foster assumiu a presidência da companhia. Ele aproveitou a oportunidade para deixar a estatal. Os padrinhos de Duque ainda tentaram emplacar um sucessor, mas a nova presidente insistiu em escolher o substituto. Richard Olm foi o escolhido. Barusco saiu antes, em 2011, para integrar a direção da Sete Brasil ao lado de João Carlos Ferraz, gerente financeiro da Petrobras e homem de confiança de Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras. A Sete foi a primeira empresa brasileira dona de sondas de exploração capazes de operar no pré-sal e as alugava para a Petrobras.
Duque abriu sua consultoria e entrou para a lista de investigados do esquema desbaratado pela Lava Jato após o depoimento de delação premiada de um ex-colega, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. O delator afirmou que Duque recebia propinas de empreiteiras, para facilitar contratos. A versão foi detalhada pelos executivos da Toyo Julio Camargo e Augusto Mendonça, que denunciaram o pagamento de R$ 50 milhões em propina a Duque na compra de sondas, na obra da Repav, de Cabiúnas 2, da Repar, do Comperj e até do gasoduto Urucu-Manaus. Do total, R$ 12 milhões teriam sido depositados numa conta chamada Drenos, no banco Cramer, na Suíça. À PF, Duque rejeitou todas as acusações. Disse não possuir contas no exterior e negou a existência de um cartel de empreiteiras que acertavam contratos superfaturados com a Petrobras. Admitiu, porém, ter recebido R$ 1,6 milhão da UTC por serviços de consultoria prestados à empreiteira. Ele recebeu o dinheiro na conta da 3DTM Consultoria, empresa que abriu dois dias antes de pedir exoneração da Petrobras em 25 de abril de 2012.


22.Nov.14


Dinheiro desviado abasteceu "caixa 1" das campanhas de PT, PMDB, PP e PTB



Delegados e procuradores da operação Lava Jato concluem que os partidos foram usados como lavanderias do esquema de corrupção instalado na Petrobras e farão uma devassa na prestação de contas da campanha eleitoral


Claudio Dantas Sequeira, de Curitiba (PR)

e Mário Simas Filho
ISTOÉ

Não é novidade que recursos públicos surrupiados por intermédio de obras superfaturadas, empresas de fachada e outras modalidades de corrupção acabem abastecendo o chamado caixa 2 das campanhas políticas. Essa é uma prática condenável e recorrente no Brasil. Agora, o que a Operação Lava Jato descobriu é que PT, PMDB, PP e PTB usaram a contabilidade oficial, o caixa 1 das campanhas eleitorais, para receber milhões de reais desviados da Petrobras. Para chegar a essa conclusão, os delegados e procuradores que participam das investigações tomaram conhecimento de centenas de movimentações bancárias no Brasil e no exterior, analisaram documentos que veem sendo apreendidos desde março e ouviram os depoimentos de empreiteiros, ex-diretores e ex-funcionários da estatal.


Os operadores Fernando Soares, Vaccari Neto e Youssef (da esq. para a dir.): os interlocutores dos partidos aliados junto aos empreteiros

“Estamos diante de um crime gravíssimo, que transforma os partidos políticos em autênticas lavanderias de dinheiro ilegal”, disse à ISTOÉ, na tarde da terça-feira 18, uma das autoridades com acesso a toda investigação. “A situação (investigação) coloca em xeque inclusive as doações eleitorais legalmente registradas, que podem indicar uma forma estruturada de lavagem de dinheiro”, atesta um relatório analítico da Polícia Federal, elaborado pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros ao qual ISTOÉ teve acesso. Com essa descoberta, a Operação Lava Jato irá abrir mais uma frente de investigação e promover uma devassa nos cofres dos partidos envolvidos. É essa futura investigação a responsável por elevar às alturas a temperatura no Palácio do Planalto e no comando dos partidos aliados na última semana.





A força-tarefa montada pela Lava Jato tem como fazer uma apuração nas contas de campanhas muito mais aprofundada do que rotineiramente é feito pelo Tribunal Superior Eleitoral. De acordo com os delegados e procuradores, a estratégia de usar o cofre oficial dos partidos para colocar nas campanhas o dinheiro desviado de estatais teve início depois de revelado o escândalo do mensalão e ganhou força nas disputas eleitorais de 2010 e 2014. Os relatos feitos por diretores de empreiteiras presos na semana passada indicaram que as doações para as campanhas eram feitas diretamente pelos tesoureiros ou operadores dos partidos, que tinham acesso ao doleiro Alberto Youssef e a contas mantidas no exterior, particularmente na Suíça e na Holanda. Os recursos eram sempre remetidos às legendas e nunca para candidatos pré-estabelecidos. Dessa forma fica mais difícil o rastreamento desse dinheiro. Às empreiteiras apenas era informado o valor que deveriam declarar como doação oficial a ser registrada no TSE. “O dinheiro do sobrepreço pago pela Petrobras já estava depositado em contas indicadas pelos operadores dos partidos e não tínhamos acesso a esses recursos. Eles apenas diziam quanto teríamos que declarar à Justiça Eleitoral”, disse aos delegados o diretor da divisão de engenharia da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, na tarde da segunda-feira 17. Discurso semelhante foi feito por Idelfonso Colares Filho, ex-diretor da Queiroz Galvão. No mesmo dia, Othon Zanoide de Morais, diretor da Vital Engenharia – empresa do grupo Queiroz Galvão –, repetiu a versão apresentada por Fonseca e Medeiros. Os três também confirmaram doações feitas para o PT, PMDB e PP, através de João Vaccari Neto, o tesoureiro petista; Fernando Soares, que falava em nome do PMDB, e Youseff, que depois da morte do deputado José Janene passou a atuar pelo PP. Sobre o PTB, dois delegados afirmaram à ISTOÉ que a operação é semelhante, mas os nomes denunciados ainda são mantidos sob sigilo. Na quarta-feira 19, Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC, também admitiu ter assumido o repasse oficial de recursos para PMDB, PP e PT.




Os depoimentos colhidos na última semana reforçam, segundo a PF, o que já fora dito em delação premiada pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e descrito em um relatório de análise da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado a respeito das investigações promovidas sobre empresas do grupo OAS e suas relações com o doleiro Alberto Youssef. “A empresa abriga em seus quadros funcionários envolvidos com o desvio de recursos para enriquecimento ilícito próprio e pagamento de despesas com campanhas eleitorais de partidos políticos”, diz o documento. Há, ainda, documentos apreendidos pela Operação Lava Jato que, segundo os relatórios produzidos pela Polícia Federal, confirmam o uso do dinheiro desviado da Petrobras para alimentar o caixa oficial das campanhas. Na casa de Costa, a Polícia apreendeu uma agenda contendo uma planilha que relaciona o nome de empreiteiras, o contato dentro da empresa e, em uma terceira coluna, a situação da empresa. No relatório redigido pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, que investigou a agenda do ex-diretor da Petrobras, os delegados concluem que: “Embora não seja possível precisar a qual campanha se refira o documento, é possível estabelecer que o grupo atuasse também ocultando repasse de valores por meio de doações legais de campanha”. Essa semana, parte dos policiais envolvidos na Operação começaram a fazer o confronto de rastreamentos bancários recebidos do exterior com as doações oficiais feitas para as campanhas políticas. É muito dinheiro para ser seguido (leia quadro na pág. 37). Desde o início da Operação, a PF e o Ministério Público têm monitorado as doações feitas por Camargo Corrêa, UTC e Mendes Júnior, dentre outras.




Se a devassa a ser promovida nos cofres partidários confirmarem as conclusões a que já chegaram os delegados e procuradores que comandam a Operação Lava Jato, legendas gigantes como PT e PMDB poderão, dentre outras coisas, perder o acesso aos milionários recursos do Fundo Partidário. Mais que isso, se as investigações forem concluídas até o fim do ano – o que delegados e procuradores consideram praticamente impossível – não se pode descartar a possibilidade de o TSE vir a impedir a diplomação da presidente reeleita. Por essa razão, o Palácio do Planalto não esconde a insatisfação com o ministro Dias Toffoli, presidente do TSE. Os principais líderes petistas sustentam que Toffoli nada fez para impedir que as contas da campanha da presidente Dilma Rousseff fossem examinadas pelo ministro Gilmar Mendes, tido como desafeto do PT.




O receio fez com que o Planalto estimulasse o Ministério Público Eleitoral para questionar a permanência de Mendes na fiscalização das finanças eleitorais do PT. A movimentação no TSE que tanto preocupa o Planalto teve início na quinta-feira 13, com o fim do mandato do ministro Henrique Neves. Era ele o relator do processo sobre as contas da campanha de Dilma Rousseff deste ano, mas deixou a Corte antes de iniciar a análise do caso. No mesmo dia, houve um novo sorteio de relator e Gilmar Mendes assumiu o processo. Horas depois de assumir como relator, o ministro determinou que sua assessoria examinasse as contas apresentadas pela campanha. A disposição de Mendes inicia uma nova fase da Justiça Eleitoral. Em anos anteriores, as contas dos candidatos eleitos eram analisadas por amostragem e em tempo curto demais, que duravam, no máximo, uma semana.



Emissário do PP Othon Zanoide, da Vital Engenharia, disse que Youssef passou a operar em nome do partido depois da morte do deputado Janene


Pela lei, as contas devem ser analisadas até o dia 17 de dezembro do ano da eleição. Se irregularidades graves forem encontradas, os ministros podem impedir a diplomação do eleito no dia 18. Segundo técnicos da Corte ouvidos por ISTOÉ, tradicionalmente a análise da prestação de contas da campanha presidencial é feita tão rapidamente que inviabiliza a consolidação de provas sobre irregularidades que venham a ser encontradas. Em 2010, apesar do prazo curto, os técnicos detectaram irregularidades na prestação de contas da então candidata eleita Dilma Rousseff, como empresas doadoras abertas no ano eleitoral e pessoas físicas doando acima do limite permitido. Na época, o ministro Marco Aurélio Mello ressaltou a falta de tempo para analisar as notas fiscais da campanha e sugeriu o adiamento da votação sobre as contas. Os ministros alegaram que poderia ocorrer instabilidade jurídica e decidiram aprová-las, apesar das ressalvas sobre as irregularidades. Agora, o temor dos petistas é que Mendes faça uma parceria com os delegados e procuradores da Operação Lava Jato e possa, assim, rapidamente esquadrinhar as entranhas da contabilidade eleitoral do partido. Na quinta-feira 20, o ministro pediu ajuda de técnicos do TCU, da Receita Federal e do Banco Central para analisar as contas de campanha de Dilma.




Este ano, Gilmar Mendes pretende evitar que a votação ocorra sem tempo para a devida análise pelos ministros do teor das prestações de contas. Por isso, colocou a própria equipe do gabinete para analisar quem são os doadores da campanha da presidente. De acordo com técnicos, a orientação do ministro é para que qualquer irregularidade seja detalhada e comprovada em pareceres consistentes, distribuídos aos ministros dias antes da votação em plenário. O ministro já admitiu que sua equipe vai se debruçar especialmente nas doações realizadas por empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, que abasteceram as campanhas eleitorais. As empresas investigadas doaram R$ 60,4 milhões aos candidatos presidenciáveis na última eleição, sendo que R$ 47,8 milhões foram entregues para a campanha de Dilma. A arrecadação da campanha da petista registra ainda que 20% do total recebido partiu diretamente das empreiteiras OAS e UTC Engenharia, que doaram R$ 20 milhões e R$ 5 milhões, respectivamente, e cujos dirigentes que autorizaram os repasses estão na cadeia. Independentemente de qualquer parceria com a Operação Lava Jato, a equipe de Gilmar Mendes se dedica a levantar os números das doações e os detalhes dos contratos que essas empresas ainda mantêm com o governo. Somente neste ano, R$ 2,3 bilhões estão previstos para serem repassados a essas construtoras. Em contrapartida, as doações realizadas pelas nove empresas investigadas somaram mais de R$ 218 milhões somente nesta eleição.







Presidente do clube Pessoa, da UTC, se apresentava como líder do cartel das empreiteiras e diz ter contribuído para PMDB, PT e PP

Fotos: Montagem sobre fotos, Adriano Machado/Istoé, Márcia Foletto/Agência O Globo; MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS


21.Nov.14

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A reportagem de capa de VEJA reafirma que, no Brasil, sábado é o mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório








Sábado é mesmo o mais cruel dos dias para gente com culpa no cartório, reafirma a edição de VEJA que logo estará nas mãos dos assinantes e leitores. Desta vez, o sono dos pecadores será perturbado por informações que começam pela mensagem eletrônica enviada por Paulo Roberto Costa a Dilma Rousseff e se estendem por todas as páginas da reportagem de capa. As revelações atestam que Dilma e Lula ignoraram todos os sinais de que havia algo de podre no reino da Petrobras. A omissão dos governantes liberou o bando criminoso para o prosseguimento do saque.

Outro email divulgado por VEJA escancara o plano concebido para materializar um dos sonhos do governo lulopetista: assassinar a independência do Tribunal de Contas da União com a nomeação de ministros obedientes aos interesses e caprichos do Planalto. Gente como Erenice Guerra, por exemplo. A melhor amiga de Dilma só não foi transferida para o TCU por ter tropeçado num caso de polícia no meio do caminho. Descobriu-se que Erenice chefiava, simultaneamente, a Casa Civil e uma quadrilha de traficantes de influência.

Tudo somado, conclui-se que o Petrolão foi uma ignomínia de tal forma superlativa superlativa que agora começou a subverter a Bíblia. Os cavaleiros do apocalipse brasileiro, por exemplo, não se limitam a quatro. São incontáveis, têm sido vistos com frequência e se tornam especialmente perturbadores quando aparecem num sábado.


21/11/2014



Veja mostra e-mail de Paulo Costa, 2009, para Dilma, com a revelação dos crimes do Petrolão





Começou.


Era inevitável o vazamento de documentação e delações atingindo diretamente Lula, Dilma e mais dirigentes, parlamentares e políticos do PT e dos Partidos da base aliada, todos com ou sem foro privilegiado, portanto só passíveis de investigações e julgamentos no Supremo Tribunal Federal.

A garantia de foro privilegiado não impede em momento algum que material relacionado com os políticos surjam até espontâneamente.

O juiz Sérgio Moro, os delegados da PF e os procuradores do MPF que trabalham em Curitiba na Operação Lava Jato, estão impedidos de levar adiante as investigações nos casos apontados acima pelo editor, já que o foro privilegiado garante exclusividade ao STF. Esta é uma das razões pelas quais a sétima fase da Lava Jato, a do Juizo Final, precede a última, a dos políticos.

. Pois muito perto da fase final dos políticos, começam a vazar petardos que atingem diretamente a presidente Dilma Roussef.

. É o que deixa ver a capa de Veja deste final de semana, já em circulação.

. Ela sabia de tudo, sim, e por isto terá que pagar pelo que aconteceu no Petrolão, inclusive através do seu julgamento político pelo Congresso.

. O material mostrado por Veja, confirma matéria que o leitor pode ler logo abaixo, no qual a contadora de Alberto Youssef garante que "Paulinho poderá derrubar Dilma". O e-mail transcrito pela capa de Veja, é justamente de Paulinho para Dilma.

. Há muito mais.

. Dilma, Lula e o PT não estão acabrunhados, temerosos, encolhidos, por nada.



21 de novembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Para apressar o fim da era lulopetista, a oposição precisa percorrer sem medo o caminho desbravado pelo Petrolão





Por Augusto Nunes

O que há com a oposição brasileira ressuscitada por 51 milhões de eleitores que a impede de avançar pelo caminho mais curto para o Planalto, desbravado pela Polícia Federal, balizado pelo Ministério Público e pavimentado pela Justiça Federal?

O que falta para os engajados nos protestos de rua entenderem que o escândalo da Petrobras, mais que qualquer outro caso político-policial da era lulopetista, tira o sono do governo e expõe a presidente Dilma Rousseff ao enquadramento judicial que tornará inevitável o pedido de impeachment?

“Nosso foco tem que ser o Petrolão”, afirmou o senador paulista Aloysio Nunes na tarde de 15 de novembro, enquanto aguardava na Avenida Paulista o início da manifestação convocada para aquele sábado. “Precisamos exigir a apuração das denúncias que envolvem a Petrobras e a punição dos responsáveis pelo esquema de corrupção.

O impeachment é questão a ser examinada quando houver provas que confirmem a participação da presidente em fatos criminosos”, resumiu o candidato a vice-presidente de Aécio Neves, um dos raros tucanos que usam frequentemente a tribuna para fustigar sem clemência o governo que pariu e amamentou o Petrolão.

Por enquanto, é diminuta a bancada de parlamentares que, como Aloysio, compreenderam que a Operação Lava Jato depositou no colo da oposição a bandeira agregadora com que sonha todo partido ou movimento político. A maioria dos congressistas contempla com placidez a procissão de ineditismos, recordes e cifras de espantar banqueiro americano.

Pelo menos 10 bilhões de dólares saíram pelo ralo das propinas. A quadrilha juntou diretores da Petrobras, grandes empreiteiros, figurões do PT e de outros partidos governistas, especialistas em lavagem de dinheiro, deputados, senadores, ministros de Estado, governadores, policiais delinquentes.

As propinas eram calculadas em milhões de dólares. Um bilhão de reais virou unidade monetária. Nunca antes neste país uma empresa subordinada ao governo foi saqueada com tanta gula, por tanto tempo e com tanta desfaçatez. Nunca antes neste planeta se roubou tanto dinheiro.

Sobram evidências de que Lula e Dilma Rousseff sabiam do que se passava nas catacumbas da Petrobras. Tanto o padrinho quanto a afilhada ignoraram advertências do Tribunal de Contas da União e mantiveram abertas as porteiras pelas quais passaram incontáveis contratos aditivados e contas superfaturadas.

A sorte do Brasil decente é que o bando de larápios cinco estrelas topou com homens da lei decididos a impedir que, como sempre ocorre no faroeste à brasileira, a história terminasse com o triunfo do vilão. A performance dos xerifes superou em competência e audácia o desempenho da bandidagem.

Nenhuma operação da PF foi tão ágil e precisa quanto a Lava Jato. Os representantes do Ministério Público fizeram as perguntas certas e extraíram dos depoentes informações que completaram o quebra-cabeças. E o juiz federal Sérgio Moro é o homem certo no lugar certo.

Desde o começo do caso, Moro tem aplicado exemplarmente o principio constitucional segundo o qual todos são iguais perante a lei. Ninguém é mais igual que os outros, acabam de aprender os quadrilheiros que tiveram a prisão temporária transformada em prisão preventiva.

Confrontados com um magistrado sem medo, delinquentes de fina estampa acharam mais sensato devolver as fortunas tungadas e contar o que sabiam em troca de penas menos severas. Pela primeira vez desde o Descobrimento, ricaços inimputáveis foram transferidos sem escalas do topo da pirâmide social para uma cela em Curitiba.

Empreiteiros que vão de jatinho até ao clube ali na esquina estão dormindo na cadeia. Compreensivelmente, a fila de candidatos à delação premiada é de dar inveja ao INSS ─ e vai crescer muitos metros com a iminente entrada em cena do bloco dos políticos.

Lula perdeu a voz e sumiu, como sempre faz quando sobram culpas e faltam álibis. Dilma ainda convalesce da viagem que começou na Austrália e terminou no olho do furacão.

Graça Foster faz o que pode para escapar do desemprego. Advogados pagos em dólares por minuto recorrem a palavrórios de rábula para explicar o inexplicável.


Os balidos do rebanho sem pastores repetem que a corrupção nasceu já no Dia da Criação. Fingem ignorar que foi elevada à categoria de arte pelo PT, e com tamanho atrevimento que até o Departamento de Justiça dos EUA e o governo holandês resolveram entrar no saloon dominado pelos pistoleiros.

Os vencedores da eleição estão nas cordas ─ e grogues. Antes que tentem debitar também o Petrolão na conta de FHC, os oposicionistas têm o dever de lutar pela punição dos autores do crime.

A decomposição financeira e moral da Petrobras é a mais recente e repulsiva obra da seita cujo primeiro mandamento ensina que os fins justificam os meios. O aparelhamento amoral, a revogação da meritocracia, a remoção da fronteira que separa o público e o privado, a subordinação dos interesses nacionais a afinidades ideológicas, o assassinato da ética, a compulsão liberticida, a corrupção institucionalizada, a inépcia paralisante ─ todos os tumores que infestam o PT desde o nascimento se conjugaram para levar ao estado de coma o que já foi uma potência mundialmente respeitada.

O Petrolão avisa aos berros que chegou a hora de forçar o recuo dos celebrantes de missa negra. Para tanto, a oposição democrática só precisa avançar sem hesitação pelo caminho que devassa as catacumbas da Petrobras antes de chegar à Praça dos Três Poderes.


20/11/2014



UTC diz ter pago R$ 2,2 milhões a afilhado de Dirceu


Segundo Ricardo Pessoa, valor foi remuneração por consultoria.

Ele também disse que repassou dinheiro em espécie a Youssef para pagar ex-amante
Daniel Haidar, de Curitiba

O ELO – Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, que cobrava 3% de propina para o PT: preso depois que a Polícia Federal descobriu que ele tinha contas secretas no exterior
(Márcia Poletto/Agência o Globo)


O presidente e sócio-majoritário da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em depoimento à Polícia Federal que pagou um total de 2,2 milhões de reais ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, indicado ao cargo pelo mensaleiro José Dirceu.
De acordo com o empresário, os valores foram pagos por serviços de consultoria mediante dois contratos entre a UTC e a D3TM, uma das empresas de Duque. Os investigadores apuram se a remuneração era uma tentativa de disfarçar o pagamento de propina pela assinatura de contratos com a Petrobras.

No interrogatório tomado pelo delegado Eduardo Mauat, o empresário também confirmou ter feito pagamentos ao doleiro Alberto Youssef. Nesse caso, a polícia suspeita que os valores eram comissões distribuídas a políticos e agentes públicos pelo doleiro. Mas o presidente da UTC alegou que nenhum dos desembolsos tinha ligação com contratos da Petrobras.

Ele disse que emprestava dinheiro ao doleiro e que contou com a ajuda dele em um problema pessoal. Segundo o empresário, Youssef ficou responsável por repassar dinheiro a uma ex-amante por quem Pessoa disse ter sido chantageado.


No depoimento, Pessoa disse que pagou cerca de 800.000 reais para a ex-amante, sem esclarecer se todo esse montante foi repassado pelo doleiro.

"Parte do dinheiro em espécie entregue a Youssef foi levado para pagar uma chantagem por parte de mulher de nome Mônica Santos com quem teve um breve relacionamento há cerca de 22 anos, a qual passou a lhe importunar a partir de meados de 2012", diz o depoimento.

A advogada Carla Domênico, que defende o presidente da UTC, afirmou que vão ser apresentados documentos à Justiça para comprovar a prestação de serviços de consultoria pelo ex-diretor da Petrobras Renato Duque e a extorsão sofrida pelo empresário. "Temos documentação de tudo. Alberto Youssef resolveu um problema pessoal do doutor Ricardo. O dinheiro entregue ao doleiro não tem nenhuma ligação com qualquer obra pública", afirmou a advogada ao site de VEJA.

'Clube do Bilhão' – No depoimento, Pessoa também negou ser o coordenador do "Clube do Bilhão", o cartel formado por empreiteiras para fraudar contratos da Petrobras. De acordo com depoimentos do lobista Júlio Camargo e do empresário Augusto Mendonça Neto, o presidente da UTC desempenhava a função de chefe de cartel.

Pessoa confirmou, entretanto, ter pago cerca de 40 milhões de reais ao lobista Júlio Camargo, representante do grupo Toyo Setal, como remuneração para "elaboração de projetos" e por tratativas da UTC com a empresa Sembawang Corporation, de Singapura. Em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, Camargo disse que repassava pagamentos de empreiteiras para políticos e executivos da Petrobras, exigidos para que as empresas assinassem contratos com a estatal.

O sócio-majoritário da UTC disse ainda que tem "contato mais próximo" com João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, que lhe solicitava recursos para o partido, mas também afirmou manter contato com "Dr. Freitas" que seria representante do PSDB.

Por intervenção do advogado Alberto Toron, Pessoa não comentou a atuação de Youssef junto ao governo do Maranhão para que a Constran, uma das empresas do grupo UTC, recebesse um pagamento milionário de um precatório, cuja dívida estava acumulada havia mais de 20 anos. Pelo precatório, a UTC recebeu cerca de 14 milhões de reais. A polícia suspeita que o doleiro pagou propina a representantes do governo maranhense para resolver o imbróglio. O advogado Toron argumentou que o assunto está sob análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que não seria "pertinente" tratá-lo nesta instância. O argumento foi aceito pelo delegado.
19/11/2014


Os nomes para a Fazenda: “Ô Dilma, liga pra mim; não, não liga para ele!”




Por Reinaldo Azevedo

Fico realmente tão impressionado ao saber que Dilma Rousseff se reuniu com Luiz Inácio Lula da Silva na terça à noite para definir nomes de seu futuro ministério e debater a crise da Lava Jato. Por que ela se encontrou com ele? Ele é presidente do PT? É autoridade na República? Tem ainda algum poder institucional. Por quê?

Não há resposta a não ser o Brasil patrimonialista, patriarcal e, sim, senhores!, machista, que remanesce e de que o PT é a perfeita expressão contemporânea. Nessas horas, as feministas oficiais do PT ficam de boca bem fechada, não é? Eis aí um bom momento para queimar sutiãs metafóricos. Vocês acham que um macho petista se submeteria à supervisão de uma mulher se a sequência fosse invertida, e Lula fosse o sucessor de Dilma? Uma ova! E não apenas porque, afinal, o Poderoso Chefão é ele, mas porque Lula sempre a tratou como uma café-com-leite. Vejam as vezes em que ele já a chamou, em comícios, docemente, de “a Bichinha”…

A ele falta pudor. A ela falta decoro. A ele falta simancol. A ela falta a solenidade do cargo. A ele falta senso de ridículo. A ela falta… senso de ridículo. Se o Brasil fosse uma empresa, você confiaria num presidente incapaz de escolher seus próprios subordinados? “Ah, mas o Brasil não é uma empresa…” Ainda bem, se é que me entendem!

Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil, e Rui Falcão participaram do encontro, o que ajudou a tornar tudo mais cinzento. Fico cá a pensar: Deus do céu! Nem a “Bichinha” merece esse destino. Mercadante foi aquele senhor que sugeriu que os ministros pedissem demissão coletiva quando a presidente ainda não tinha alternativas. Gênio mesmo!

A turma de Lula não dá muita bola para a presidente e vaza que Lula preferiria mesmo Henrique Meirelles, ex-presidente do BC. Mas Dilma acha que ele é “mercado demais”, entendem? Os dois concordariam com o nome de Luiz Carlos Trabuco, presidente-executivo do Bradesco, mas parece que é Trabuco quem não está disposto a virar alvo de ansiedades coletivas. Alexandre Tombini, atual presidente do BC, estaria entre as opções, o que me parece piada. Se ele não conseguiu a confiança dos agentes econômicos como presidente do BC, por que deveria assumir a Fazenda. Vai saber com quais critérios lida essa gente. Também teria entrado na lista Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro no Governo Lula e hoje presidente da Bradesco Asset Management, o braço de fundos de investimento do Bradesco. E há ainda a hipótese Nelson Barbosa, ex-secretário-geral da Fazenda.

O único com perfil para a Fazenda aí, que tem alguma intimidade com formulação de política econômica — e se é ministro da Fazenda para isso, não apenas para cuidar da política monetária —, é Barbosa. E isso nada tem a ver com a competência dos demais. Acho que o Brasil sai ganhando se Trabuco continuar no Bradesco, um banco importante. E ganhará muito menos se ele for para a Fazenda.

Dilma deveria me ouvir e parar com soluções extravagantes. Chame Murilo Portugal, atual presidente da Febraban. Ele é bom. Sabe das coisas e tem uma visão abrangente de economia. É tecnicamente capaz e tem o tal respeito dos mercados.

Presidente, liga pra mim; não, não liga pra ele!

19/11/2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O regime petista prometeu conduzir a Petrobras à glória. O regime petista quebrou a Petrobras. E tem de pagar por isso nos tribunais e nas urnas




Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu a sua promessa: “Nunca antes na história ‘destepaiz’”.

O PT cumpriu a sua promessa: “Nunca antes na história ‘destepaiz’”.

Os mistificadores cumpriram a sua promessa: “Nunca antes na história ‘destepaiz’”.

Nunca antes na história deste país, com efeito, se produziu tamanho desastre numa única estatal, com graves repercussões, ainda a serem devidamente apuradas, nas contas públicas.

Segundo cálculos preliminares do banco americano Morgan Stanley, as perdas na Petrobras, em razão da quadrilha que assaltou a empresa, podem chegar a R$ 21 bilhões. A perspectiva mais otimista, o número mais magrinho e improvável, pasmem!, é R$ 5 bilhões.

Nunca antes um outro governo foi capaz de produzir esse resultado. Nunca antes uma outra gestão chegou tão longe. Nunca antes um outro grupo foi tão ousado. Nunca antes uma outra quadrilha foi tão imodesta.

A questão é saber: tudo isso se deu sob as barbas de Lula? Tudo isso se deu nas sinuosidades robustas dos tailleurs vermelhos de Dilma Rouseff? Segundo Alberto Youssef, eles sabiam de tudo. E, se sabiam, cometeram crime de responsabilidade, além de outros crimes. E, se isso ficar comprovado, Dilma vai cair não porque será vítima de um golpe, mas porque será colhida pela lei. Golpismo seria o país continuar com uma presidente da República que permite o assalto aos cofres públicos.

A Petrobras está em palpos de aranha. Realizando ou não imediatamente o prejuízo monstruoso causado pela quadrilha, a empresa terá dificuldades de se financiar no mercado. Os empréstimos para ela serão mais caros; os investidores vão se distanciar da empresa; os pesados investimentos que lhe foram impostos pelas regras — de resto, estúpidas — de exploração do pré-sal acarretarão encargos com os quais ela não poderá arcar.

E pensar que o PT ganhou as eleições de 2002, 2006 e 2010 mentindo que os tucanos pretendiam privatizar a Petrobras. Nunca pretenderam! Mas o que fez o petismo? A privatização, ao menos, acarreta a entrada de dinheiro nos cofres do Tesouro. Privatizar uma estatal significa trocar um ativo por dinheiro. O que aconteceu com a maior empresa brasileira foi, de fato, algo diferente: um pedaço do seu patrimônio lhe foi roubado, lhe foi arrancado, lhe foi amputado em benefício de vagabundos, de pilantras, de bandidos.

E há, reitero, um enigma nessa história toda: quem é Pedro Barusco, o engenheirozinho de meia-tigela que aceita devolver R$ 252 milhões aos cofres públicos — ou US$ 97 milhões? Como é que um mero estafeta de Renato Duque, o petista que era o chefão da Diretoria de Serviços, tinha todo esse dinheiro disponível em contas secretas, pronto para ser movimentado? Por que não o pulverizou como costumam fazer os bandidos comuns? Por que não o transformou em patrimônio? Por que não pôs em nome de terceiros?

Eu me dou o direito de desconfiar: será que esse dinheiro era mesmo seu? Não estaria este senhor a serviço da máquina verdadeiramente criminosa que se esconde por trás da roubalheira na Petrobras? Não seria ele mero laranja de uma organização muito maior e muito mais poderosa?

Sim, uma penca de crimes comuns e financeiros foi cometida no assalto organizado à Petrobras. Mas o maior de todos os crimes foi mesmo o político.

O regime petista prometeu conduzir a Petrobras à glória. O regime petista quebrou a Petrobras. E tem de pagar por isso nos tribunais e nas urnas.


19/11/2014


Oliver: ‘O bosque’


O cheiro pútrido invade as narinas da nação e nem assim se faz justiça. Escândalo mesmo é isso.
Augusto Nunes
VLADY OLIVER


Com cheiro de bosque, cor de bosque, cara de bosque, consistência de bosque. E a justiça que fingiu que não viu a quadrilha aboletada no poder é obrigada agora a engolir um mar de lama se aproximando inexoravelmente da coisona pública toda.

Não sei se vou adquirir essa fleugma segura de quem conhece estes escaninhos políticos – como o mestre Augusto Nunes – ou nunca passarei de um tremendo indignado com tudo o que vejo desfilar em minha frente. A coisa está irremediavelmente podre. Tem cheiro de coisa podre e atributos de coisa podre, mas sua essência nauseabunda nem sempre é corretamente identificada pelos narizes incautos desta república de bananas da terra.


Enquanto saudamos a primeira vez que alguns tubarões entram no cercadinho da Polícia Federal, também sabemos que a lista de “otoridades” envolvidas na roubalheira ainda é um solene segredo, correto? Vi minha sobrinha tentar enganar o próprio pai estes dias, tentando convencê-lo de que o mundialmente famoso discurso do “cachorro atrás de cada criancinha brazuca” nada mais é que um efeito especial parido pelo golpistas da revista VEJA, aquela que é queimada em salas de aula de universidades públicas que são verdadeiras privadas ideológicas.

Que tempos estes, não?

Você apresenta as provas do crime, o criminoso confessa sua participação, negocia um abrandamento da pena, denuncia o esquema criminoso e nada disso é avassalador o suficiente para a desgraça fossa admitir que é uma anta disfarçada de caveira.


Eu duvido de muita coisa por aqui, menos da ousadia desmesurada dessa gente tosca. Tudo leva a crer que a quadrilha no poder se move como quadrilha, se defende como quadrilha, se junta como quadrilha e nem assim o STF consegue ver sua verdadeira natureza. Tungar a sociedade agora é uma questão de honra avessa dessa gente manca. Mentir, dissimular e negar até o fim dos seus propósitos pilantras será a palavra de ordem, repetida como um mantra, dessa camarilha financiada com o nosso lombo combalido. Acho que vamos precisar de algo mais que simples burocracia tupi-guaraná para apear essa gente do dorso dos pagantes, meus caros.

Por este prisma, o impeachment é sim de uma urgência urgentíssima, clamando para que a classe política finalmente tome vergonha na cara parva e comece a fazer a vontade soberana do povo que paga a conta.

O país parou. Estacionou fragorosamente sua embarcação à deriva para exigir ser tratado com um pingo de respeito por toda essa laia, que finge não ver as manifestações país afora, aceita passivamente o resultado de uma eleição fraudada por todos os lados e permite que milícias vagabundas sejam financiadas com o NOSSO DINHEIRO PÚBLICO para ficarem diuturna e noturnamente achincalhando, constrangendo e ameaçando pobres pagadores dos impostos mais vergonhosos do planeta.


Não sei até quando a corda não rói os pescoços, meus caros, mas os olhos fora das órbitas de Khadafi, que tudo vêem, já estão vendo a pororoca assoreando as margens da decência. Há um plano por trás de tudo isso. Uma tal de Pátria Grande, que é o sonho de consumo e sadismo de dez em cada dez candidatos a ditadores picaretas dessa América prostrada na latrina.

A seita vagabunda se move pela causa. Sabe que os “meninos do Brasil” não são mais peça de ficção, mas a gangue da qual a camorra deve sua eleição este ano ameaçador. Ninguém foi atrás da Smartmatic até o momento. Ninguém quis saber o que fazia por aqui aquele “ministro da agitação” bolivariano e sua babá de garrucha na lancheira. Ninguém foi perguntar para os pobres nordestinos sob que pressões tiveram que votar na Máfia da petralharia.


E depois querem me fazer acreditar nessa oposiçãozinha bamba, nos jornalistas cheios de moscas cobrindo as manifestações para ninguém ver e nos nobres togados que não enxergam uma quadrilha onde já há um exército. É nesse caldo que o bosque prolifera, meus caros. O cheiro pútrido invade as narinas da nação e nem assim se faz justiça. Escândalo mesmo é isso.


19/11/2014


O potencial explosivo de Fernando Baiano, que se entregou à polícia



Por Reinaldo Azevedo


Mario de Oliveira Filho, advogado do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, parece ter mudado de ideia. Ele havia dito que seu cliente não se entregaria de jeito nenhum. Acusava ilegalidade na prisão e dizia esperar o resultado de um pedido de habeas corpus. Inútil. Fernando Baiano, acusado de ser o homem do PMDB na negociação com as empreiteiras, se entregou nesta terça. Parece ser o caminho mais prudente. Multiplicam-se as delações premiadas, e empreiteiras já buscam a Controladoria-Geral da União para acordos de leniência.


Fernando Baiano é apontado por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef como o negociador do PMDB. Ele é que receberia a propina destinada ao partido, repassando depois os valores a quadros da legenda. Duas outras personagens que fizeram acordos de delação premiada o comprometem com o esquema. Segundo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Camargo, da Toyo Setal, Baiano recebeu US$ 40 milhões da empresa para facilitar o fechamento de contratos com a Petrobras.

O advogado de Baiano se mostrava inconformado com a decretação de prisão. Referindo-se a seu cliente, afirmou: “Ele vinha colaborando, estava intimado, se apresentou espontaneamente duas vezes por petição, forneceu o endereço, aceitou intimação por telefone, o que não existe, abriu mão da carta precatória para ser ouvido no Rio de Janeiro, marcou audiência para amanhã e mandaram prendê-lo. Não tem sentido”, afirmou.

Michel Temer, vice-presidente da República, já negou que o lobista tenha qualquer relação com o seu partido: “Repudio essas insinuações. Repudio a tentativa de envolver o PMDB nesse caso. O senhor Fernando Soares não é interlocutor do PMDB. Nós queremos uma apuração rigorosíssima dos fatos ‘duela a quem duela’”, disse há uma semana, repetindo expressão empregada pelo então presidente Fernando Collor, em 1992, pouco antes de ter de deixar a Presidência.

Vamos ver agora o que Fernando Baiano conta à polícia. O potencial é explosivo. Afinal, o PMDB é apenas o segundo maior partido da aliança que está no poder. O primeiro é o PT, enrolado nessa tramoia até o pescoço.



18/11/2014


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Oposição cobra explicação de Graça Foster por mentir à CPI da Petrobras


A presidente da Petrobras, Graça Foster, durante audiência conjunta no Senado em Brasília, para prestar esclarecimentos sobre denúncias envolvendo a estatal
(Fernando Bizerra Jr/EFE/VEJA)


Maquiavel
VEJA

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) quer que a CPI da Petrobras interpele judicialmente a presidente da estatal, Graça Foster, por ter omitido dos parlamentares uma informação crucial que já possuía, no mínimo, desde maio: a holandesa SBM Offshore pagou propina a funcionários da estatal.

Graça Foster fez a confissão publicamente nesta segunda-feira. Em 11 de junho deste ano, a companhia estava tão ciente do caso que já havia eliminado a SBM Offshore das licitações dos campos de Libra e Tartaruga Verde, segundo admitiu a própria Graça Foster.

Mas, quando depôs naquela data à CPI, a presidente da Petrobras se apegou a uma notícia velha para esconder a revelação.

"A Comissão de Apuração Interna não identificou, na sua esfera de atuação, dentro das atribuições que tinha e que tem, pagamento de qualquer vantagem a qualquer um dos nossos empregados", afirmou.

Lorenzoni protesta: "Isso é muito grave, porque ela mentiu na condição de testemunha em uma CPI. No que mais a senhora Graça Foster mente?"

(Gabriel Castro, de Brasília)

"A Petrobras virou bodega", diz Reinaldo Azevedo



Acusado de receber ‘comissões’, Cosenza autorizou contratos de R$ 2,6 bi com empresas do cartel





Atual diretor de Abastecimento foi acusado por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef de receber dinheiro de empresas contratadas pela Petrobras

Por Eduardo Bresciani
O Globo


BRASÍLIA - Acusado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef de ter recebido "comissões" de empreiteiras contratadas pela estatal, o atual diretor de Abastecimento José Carlos Cosenza autorizou a assinatura de pelo menos sete contratos de R$ 2,6 bilhões com empresas citadas na Operação Lava-Jato como integrantes do cartel de fornecedores da companhia, chamado de "clube". Em nota, Cosenza nega o recebimento de comissões e diz que os contratos foram aprovados pela diretoria executiva da Petrobras.

Documento enviado pelo próprio diretor à CPI mista da Petrobras revela a assinatura dos contratos, que são para obras na refinaria Abreu e Lima, a Rnest, e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Cosenza foi indicado pela presidente da Petrobras, Graça Foster, para ser o responsável pela comissão interna criada para apurar suspeitas de irregularidades nestes dois empreendimentos.

Segundo a Petrobras, os serviços medidos e pagos representam cerca de 40% desses contratos. A empresa ressaltou que todos eles tiveram a aprovação da diretoria executiva.

O maior deles foi celebrado em maio de 2013 com a Toyo Setal no valor de R$ 1,1 bilhão para o fornecimento de bens e serviços relativos às unidades de geração de hidrogênio no Comperj. Foram representantes desta empresa, Julio Gerin Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça, que contaram em suas delações premiadas como funcionava o esquema. Eles disseram que a regra era o pagamento de 3% de propina nos contratos das empresas do “clube”, como o cartel era chamado.

Há na lista enviada pelo diretor contratos com a Queiroz Galvão, Galvão Engenharia e OAS, que têm executivos presos em Curitiba. Constam ainda da lista a GDK e o Consórcio Conest, liderado pela Odebrecht, empresas também citadas em delações premiadas como participantes do cartel. O último desses contratos autorizados pelo atual direto foi firmado em fevereiro deste ano, antes da deflagração da primeira fase da Operação Lava-Jato e da prisão de Costa, fatos ocorridos em março.

A acusação feita pelos delatores Costa e Youssef contra o atual diretor de Abastecimento foi revelada em perguntas feitas pelos delegados da Polícia Federal Agnaldo Mendonça Alves e Felipe Eduardo Hideo Hayashi no interrogatório de nove executivos de empreiteiras presos.

“Paulo Roberto e Alberto Youssef mencionaram o pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras para si, para os diretores Duque, Cerveró e Cosenza e para agentes políticos, confirma?”, indagaram os delegados.

A pergunta foi feita pela primeira vez no último sábado a Othon Zanoide de Moraes Filho, da Queiroz Galvão. O executivo disse desconhecer o pagamento de comissões. Othon afirmou conhecer Cosenza da época em que o hoje diretor trabalhava como subordinado de Costa em uma das gerências na área de Abastecimento. O executivo afirmou que Cosenza participou de “quase todas” as reuniões que teve com Costa. Perguntado se algum diretor exigiu dele pagamento de propina, Othon negou.

Publicidade

O ex-presidente da Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho disse que esteve com Cosenza apenas uma vez, quando ele já era diretor, para “tratar de assuntos referentes aos contratos em andamento”. Negou ter pago propina ou comissão. O executivo da Engevix Newton Prado Júnior disse conhecer Cosenza apenas “de vista” e não saber de qualquer repasse. Carlos Eduardo Strauch Albero, também da Engevix, respondeu apenas que não conhecia o diretor. Cinco executivos da OAS se negaram a responder às perguntas da PF.

Cosenza, que substituiu Costa na diretoria em abril de 2012, rebateu a acusação por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa da Petrobras. “O diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, nega e repudia, veementemente, qualquer imputação que lhe seja feita de recebimento de ‘comissões’ ou favorecimento de quaisquer empresas ou pessoas”, disse a assessoria. Ainda segundo a nota, Cosenza afirmou desconhecer Youssef e que “todo contato mantido com representantes de empresas visam, estritamente, o acompanhamento dos empreendimentos contratados”.

A defesa do ex-diretor de Serviços de Engenharia da Petrobras Renato Duque, que está preso em Curitiba, disse que “as notícias sobre ilícitos cometidos na Petrobras envolvendo o engenheiro são decorrentes de falsas delações premiadas e, até o momento, sem nenhuma prova”. O advogado Edson Ribeiro, que defende o ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró destacou que ele deixou a diretoria em 2008 e que as contratações das obras da refinaria de Abreu e Lima, principal foco da operação, aconteceram depois disso. Disse que seu cliente desconhece Youssef e questionou “delações premiadas feitas por pessoas que estão presas e com a família ameaçada”.


18/11/2014