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sábado, 29 de outubro de 2011

Agnelo na mira


Uma investigação da polícia mostra que o governador de Brasília ajudou um PM a fraudar provas para se defender de denúncias de desvio de recursos

POR ANDREI MEIRELES,
MARCELO ROCHA
E MURILO RAMOS
ÉPOCA


agora é ele O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Diálogos gravados pela polícia (acima) sugerem que ele ajudou João Dias a forjar provas para acobertar desvios no Ministério do Esporte (Foto: Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press)

AGORA É ELE
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Diálogos gravados pela polícia (acima) sugerem que ele ajudou João Dias a forjar provas para acobertar desvios no Ministério do Esporte

(Foto: Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press)
 
Orlando Silva perdeu o cargo de ministro do Esporte, na semana passada, abalado por denúncias de desvio de dinheiro.

Seu substituto, Aldo Rebelo, também do PCdoB, recebeu do Palácio do Planalto a missão de moralizar a pasta. Para a Justiça, no entanto, a questão é outra.

Nos próximos dias, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) receberá um processo com nove volumes e quatro apensos, que corre na 10ª Vara Federal, em Brasília.

As informações, a que ÉPOCA teve acesso, mostram que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), antecessor de Silva, é suspeito de ter se beneficiado das fraudes.
O conjunto contém gravações, dados fiscais e bancários, perícias contábeis e relatórios de investigação. As peças da ação penal vistas por ÉPOCA incluem o relatório nº 45/2010, que contém os diálogos captados em interceptações telefônicas, com autorização judicial, feitas entre 25 de fevereiro e 11 de março do ano passado.

As conversas mostram uma frenética movimentação de Agnelo Queiroz e do policial militar João Dias para se defender em um processo. Diretor de duas ONGs, Dias obteve R$ 2,9 milhões do programa Segundo Tempo para ministrar atividades esportivas a alunos de escolas públicas. Nas conversas, Dias quer ajuda para acobertar desvios de conduta e de dinheiro público.

Ele busca documentos e notas fiscais para compor sua defesa em uma ação cível pública movida pelo Ministério Público Federal. O MPF cobra de Dias a devolução aos cofres públicos de R$ 3,2 milhões, em valores atualizados, desviados do Ministério do Esporte.

COOPERAÇãO O professor Roldão  de Lima (acima)  é acusado de  ter fornecido documentos para a defesa de João Dias (ao lado, à esq.). O encontro entre eles foi filmado pela polícia. Ao lado, carros pertencentes ao policial militar. Entre eles está um Camar (Foto: Igo estrela/ÉPOCA e Dida Sampaio/AE (2))

SOCORRO
Em outro diálogo (no topo, à esq), João Dias deixa recado para Agnelo: o prazo para arrumar documentos para sua defesa estava no final


COOPERAÇÃO

O professor Roldão de Lima (foto maior) é acusado de ter fornecido documentos para a defesa de João Dias (acima, à esq.). O encontro entre eles foi filmado pela polícia. Acima, à direita, carros pertencentes ao policial militar. Entre eles está um Camar
(Foto: Igo estrela/ÉPOCA e Dida Sampaio/AE (2))
 
Personagem da crônica política de Brasília, João Dias ajudou, com suas declarações, a derrubar Orlando Silva na semana passada. Dias nem precisou apresentar provas de que Silva teria recebido pacotes de dinheiro na garagem do ministério. Suas acusações levaram à sexta baixa no primeiro escalão da equipe da presidente Dilma Rousseff.

O pretexto para a demissão foi a abertura, na terça-feira, de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a acusação de Dias e denúncias de que o Ministério do Esporte se transformara num centro de arrecadação de dinheiro para o PCdoB. Com a queda de Orlando Silva, o foco se transfere para o governador Agnelo Queiroz, contra quem existem suspeitas ainda mais consistentes.

Os principais interlocutores nas conversas gravadas pela polícia são João Dias, Agnelo Queiroz, o advogado Michael de Farias (defensor do policial) e o professor Roldão Sales de Lima, então diretor da regional de ensino de Sobradinho – cidade-satélite de Brasília onde atuavam as duas ONGs de João Dias. Era com Lima que Dias tratava do cadastro das crianças carentes que deveriam ser beneficiadas pelo programa Segundo Tempo.

Na ação cível há um dado impressionante: as ONGs de João Dias receberam recursos para fornecer lanches para 10 mil crianças. Mas só atenderam, de forma precária, 160.
O inquérito foi uma tentativa de produzir um dossiê para inviabilizar a minha candidatura  "
Agnelo Queiroz, governador do DF

Pressionado pelo Ministério Público, Dias foi à luta para amealhar elementos capazes de justificar tamanho disparate.

Às 12h36 do dia 4 de março de 2010, ele telefonou para Agnelo Queiroz, então diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dias pediu a Agnelo para “dar um toque” em Lima e reforçar seu pedido de ajuda ao professor. Dias queria que Lima fornecesse documentos para sua defesa.

Na gravação, ele avisa que vai marcar um encontro entre Agnelo e Lima, para que esse pedido seja feito pessoalmente. Menos de uma hora depois, Dias, que estava num restaurante com Lima, telefonou novamente a Agnelo. Entregou o celular para Lima falar com ele.

De acordo com a transcrição dos diálogos, feita por peritos do Instituto de Criminalística do Distrito Federal, Agnelo diz a Lima que precisa de sua ajuda. Afirma que vai combinar com João Dias para os três conversarem, porque Roldão (Lima) “é peça-chave neste projeto”.

Qual seria o projeto?

Segundo a investigação da polícia, trata-se de apresentar uma defesa à Justiça Federal capaz de livrar Dias da cobrança milionária.

Pouco antes das 13 horas do dia 9 de março, o advogado Michael de Farias disse a Dias para ficar tranquilo, que tudo estaria pronto para ser entregue à Justiça três dias depois.

Só faltaria, disse Michael, “agilizar a questão do Roldão (Lima)”.


Na gravação, Michael afirma que eles “já vão confeccionar os documentos só para o Roldão assinar, já vai tudo pronto”.

Dias diz que dessa forma fica melhor e, em seguida, liga para Agnelo e marca um encontro para uma conversa rápida e urgente. Cerca de duas horas depois, Dias volta a telefonar a Agnelo e adia o encontro.

Dos cofres públicos para o bolso (Foto: reprodução)


No final da tarde do dia 9, Dias falou com Lima. O professor Lima disse que ficou até de madrugada numa reunião em que foram fechadas “as planilhas, os projetos”.

De acordo com a polícia, Lima estava no escritório do advogado Michael. No dia seguinte à tarde, Michael disse a Dias que já havia “confeccionado a defesa e as cartas de Roldão (Lima)”.
Até aquele momento, Lima não assinara nada. À noite, Dias ligou para dois celulares de Agnelo e deixou o mesmo recado nas secretárias eletrônicas: “O prazo máximo para apresentar a defesa é sexta-feira, preciso muito de sua ajuda”. Às 20h22, Dias finalmente consegue falar com Agnelo e avisa “que sexta-feira tem de apresentar o negócio lá”.
A polícia descobriu, pelas conversas grampeadas, onde Lima se encontraria com Dias para entregar os documentos a ser incorporados a sua defesa.

O encontro ocorreu no Eixo Rodoviário Norte, uma das principais avenidas de Brasília, no começo da tarde da sexta-feira 12 de março. Dias parou seu Ford Fusion e ligou o pisca-alerta.

Em seguida, Lima parou seu Fiat Strada atrás e entrou no automóvel de Dias. Eles não sabiam, mas tudo era fotografado por agentes da Divisão de Combate ao Crime Organizado da Polícia Civil do Distrito Federal.


As imagens mostram que Lima carregava uma pasta laranja ao entrar no carro de Dias. Saiu do veículo sem ela. Três horas depois, os advogados de Dias entregaram sua defesa na Justiça Federal.
De nada adiantou todo esse esforço. Um laudo da PF constatou que havia documentos “inidôneos” na papelada apresentada pela defesa de Dias.

Três semanas depois, ele e outras quatro pessoas foram presas por causa de fraudes e desvio de dinheiro público no Ministério do Esporte.
Mesmo com todas as evidências registradas nas gravações de suas conversas, Dias nega ter recorrido a Agnelo para ajudá-lo em sua defesa. O professor Lima afirma que, nas conversas por telefone e nos encontros com Dias, só falava de política. Mas admite que, “num dos encontros, João Dias me passou o telefone para conversar com Agnelo”. Lima afirma não se lembrar da pasta laranja entregue no encontro.
As gravações telefônicas revelam também uma intimidade entre Agnelo Queiroz e João Dias, que os dois hoje insistem em esconder.

A relação entre os dois envolveu a intensa participação do PM na campanha de Agnelo para o governo do Distrito Federal no ano passado. Eles afirmam que estiveram juntos apenas nas eleições de 2006, quando Agnelo concorreu ao Senado, e Dias a uma cadeira na Câmara Legislativa – ambos pelo PCdoB.

Os diálogos em poder da Justiça mostram outra realidade.

No dia 4 de março de 2010, Dias perguntou a Agnelo como estavam os preparativos para o dia 21 de março, data em que o PT de Brasília escolheria seu candidato ao governo.

Agnelo disse que estavam bem, seus adversários estavam desesperados.

Em resposta, Dias afirmou que ele e o major da PM Cirlândio Martins dos Santos trabalhavam para sua candidatura nas prévias do PT em várias cidades-satélite de Brasília.

Na disputa, Agnelo derrotou Geraldo Magela, hoje secretário de Habitação do Distrito Federal.
Em um encontro filmado pela polícia, João Dias recebeu uma pasta do professor Lima.

Logo depois, entregou sua defesa 
Em outra gravação, Dias informa Agnelo sobre o resultado de uma pesquisa eleitoral em que ele ultrapassara o ex-governador Joaquim Roriz.

ÉPOCA ouviu de integrantes da campanha de Agnelo que, mesmo depois de sua prisão, Dias teve papel importante nas eleições. A campanha de Weslian Roriz – mulher de Roriz, que o substituiu na disputa – mostrou na TV um dos delatores do envolvimento de Agnelo nas fraudes no Ministério do Esporte. Isso teve impacto na campanha do ex-ministro.

Quem deu a solução foi Dias: com poder de persuasão, ele convenceu uma tia da testemunha a desqualificar seu depoimento na televisão. Mais tarde, a tia foi agraciada com um emprego no governo.

No novo governo, Dias foi beneficiado. Indicou seu melhor amigo, Manoel Tavares, para a presidência da Corretora BRB, o banco do governo do Distrito Federal.

O governador e ex-ministro Agnelo Queiroz respondeu por escrito a 13 perguntas feitas por ÉPOCA.

Ele afirma que o inquérito da Polícia Civil é montado. “O inquérito foi uma tentativa de produção de um dossiê para inviabilizar a (minha) candidatura”, diz Agnelo.

“A origem do inquérito infelizmente foi direcionada por uma parte da Polícia Civil, ainda contaminada pelas forças políticas do passado. Uma farsa.”

Agnelo diz que ele e João Dias eram “militantes da mesma agremiação partidária, ambiente em que surge o conhecimento” e que é “fantasiosa” a afirmação de que acolheu “indicação de João Dias para cargos no governo”.
MAIS FAXINA O ex-ministro do Esporte Orlando Silva (no alto), do PCdoB, no Palácio do Planalto, após sua demissão, na semana passada. Ele foi substituído pelo colega de partido Aldo Rebelo (acima), que recebeu a missão de moralizar a pasta (Foto: Sérgio Lima/Folhapress e Lula Marques/Folhapress)


O ex-ministro do Esporte Orlando Silva (no alto), do PCdoB, no Palácio do Planalto, após sua demissão, na semana passada. Ele foi substituído pelo colega de partido Aldo Rebelo (acima), que recebeu a missão de moralizar a pasta
(Foto: Sérgio Lima/Folhapress e Lula Marques/Folhapress)

Apesar de continuar na Polícia Militar, Dias tornou-se um próspero empresário. Em outro relatório da polícia em poder da Justiça Federal, de número 022/2010, gravações telefônicas mostram que Dias é o verdadeiro dono de academias de ginástica registradas em nome de laranjas.
“Tal fato é um forte indício de que João Dias está utilizando as academias para ‘lavar’ o dinheiro oriundo de supostos desvios de verbas públicas”, diz o relatório policial. Dias tem quatro carros importados.
O mais vistoso é um Camaro laranja, 2011, importado do Canadá em julho. Em entrevista a ÉPOCA, ele afirmou que adquiriu o Camaro numa transação comercial. O veículo está registrado em nome do motorista Célio Soares Pereira. Célio é o empregado de Dias que diz ter entregado dinheiro no carro do então ministro Orlando Silva na garagem do Ministério do Esporte.
Em depoimento à Polícia Federal, Dias mudou sua versão sobre a entrega de dinheiro a Silva. Ele disse que era “muito pouco provável que o ministro (Orlando Silva) não tivesse visto a entrega dos malotes (de dinheiro)”.

Diferentemente de Dias, Geraldo Nascimento de Andrade – principal testemunha de acusação contra Agnelo Queiroz sobre desvio de dinheiro do Ministério do Esporte – confirmou, em todos os depoimentos, ter pessoalmente entregado R$ 256 mil a Agnelo.

Em um vídeo a que ÉPOCA teve acesso, Andrade descreve com detalhes como fez dois saques no Banco de Brasília, transportou e entregou o dinheiro ao atual governador.
Andrade sabe mais. Na gravação, ele liga as fraudes no Esporte ao Ministério do Trabalho. Andrade afirma que notas frias foram usadas para justificar despesas fictícias em convênios do programa Primeiro Emprego.

O maior convênio apontado por Andrade, de R$ 8,2 milhões, foi firmado com a Fundação Oscar Rudge, do Rio de Janeiro. Andrade, que morava em Brasília, afirma ter ido ao Rio de Janeiro para sacar dinheiro da conta de um fornecedor da fundação, uma empresa chamada JG. Ele diz que passava os valores para representantes da entidade.

A presidente da fundação, Clemilce Carvalho, diz que a JG foi contratada por pregão e prestou os serviços. Filiada ao PDT, mesmo partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ela foi candidata a deputada federal em 2006. Lupi está ameaçado de perder o emprego na reforma ministerial, planejada para o início de 2012.

Os ministérios do Esporte e do Trabalho têm, em comum, o fato de serem administrados há anos pelos mesmos partidos da base de apoio ao governo federal.

O modelo dá sinais de que começa a ruir.



28/10/2011


Charges






Ambientalistas ou criminosos?



"O relatório "O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo", feito pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) em parceria com o Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura e com o Programa Alimentar Mundial e recentemente divulgado, é categórico: os preços dos alimentos devem permanecer elevados e voláteis ao longo dos próximos anos em face da crescente demanda e do impacto cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos e da indústria de biocombustível.

Por O EDITOR
Blog do Coronel

E a recomendação inapelável é esta: "Os governos devem garantir um ambiente regulatório transparente e confiável que promova o investimento privado e o aumento da produtividade agrícola". 



Não há, quanto a isso, nenhuma novidade. Há, porém, uma oportuna coincidência de tal revelação vir à tona na ocasião em que o Senado brasileiro discute o Código Florestal

O que temos defendido está em perfeita sintonia com o que recomenda o relatório:
"Diminuir as perdas nos países em desenvolvimento com investimentos em toda a cadeia de valores (...); e gestão sustentável dos recursos naturais, das florestas e dos sistemas de pesca, crucial para as populações pobres".  A rigor, o que postulamos está abaixo do que é sugerido: aumento da área plantada para aumento da produtividade.

O que propomos é tão somente a manutenção da área plantada. Nenhum país tem a área preservada que o Brasil -segundo produtor mundial de alimentos- exibe. Nada menos que 61% de nosso território está como Cabral o encontrou, há 511 anos.
Na Europa, por exemplo, essa reserva é de cerca de 0,2%; nos Estados Unidos, de 26%. 



O Brasil, todos sabem, é a maior extensão contínua de terras agricultáveis do planeta. Utiliza apenas 27,7% de seu território para a agricultura e a pecuária e obedece a preceitos inexistentes nos demais países, como as áreas de proteção permanente (APPs) e de reserva legal. Mesmo assim, figura, no discurso de influentes ONGs estrangeiras, como predador ambiental, gerando internamente ambiente conflitivo artificial que atribui o papel de vilão aos produtores.

Um exemplo: estudo recente de uma ONG internacional, encomendado para provar que a legislação ambiental brasileira não é a mais restritiva do mundo e que não tínhamos a maior cobertura vegetal nativa, não provou nem uma coisa nem outra.

E por uma única razão: não há legislação no mundo que imponha áreas intocadas nas propriedades rurais, sem nenhuma contrapartida. Nos países apontados, a cobertura vegetal não é nativa; trata-se de florestas plantadas, graças ao financiamento de governos e de instituições.



O Código Florestal que o Senado discute -aprovado por grande maioria na Câmara- é moderado nas alterações que propõe. Admite a reserva legal, mesmo sabendo-a uma jabuticaba jurídica. Chancela as APPs, mas propõe sua flexibilização quanto a culturas que há décadas -algumas há séculos- estão fora dos padrões atuais, sem causar danos ambientais.
A singularidade que nos impõem leva a outra preocupação: estamos mantendo as APPs às margens dos rios para preservar nossa água. Mas a escassez desse recurso, aqui e no resto do mundo, vem sendo sistematicamente apontada pelas agências da ONU -FAO inclusive- como problema de um futuro não muito distante. Será que só nós temos essa preocupação? Será que a água só é importante aqui?



O que a Câmara dos Deputados constatou -e o Senado há de confirmar- é o mesmo que o relatório da FAO informa: o Brasil foi um dos poucos países em que a segurança alimentar -que também depende de água- continuou a melhorar, passando incólume pela turbulência econômica recente.

O que os adversários do Código Florestal propõem -redução da área de plantio- está na contramão da realidade.

Lutam pelo agravamento da crise exposta no relatório.

Não são movidos pelo bom-senso, mas pela ideologia e pela guerra comercial.

O que propõem configura crime de lesa-humanidade. Nada menos."
 


Artigo intitulado "Crime de lesa-humanidade", escrito por KÁTIA ABREU, 49, senadora (PSD-TO) e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que escreve aos sábados, a cada 14 dias, na Folha de São Paulo.

29 de outubro de 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

FHC: Os partidos não conseguirão manipular as redes sociais




Fernando Henrique Cardoso
comenta os 90 dias do Observador Político e fala também que a tentativa de aparelhamento de redes sociais pelos partidos não terá sucesso.


Enviado por observadorpoliticotv


em 21/10/2011

Carlos ‘Bola da Vez’ Lupi: ‘Eu estou até forte demais’




Carlos ‘Bola da Vez’ Lupi:
‘Eu estou até forte demais’
Na avaliação de um ministério, o primeiro elemento levado em conta é a fachada.

Pelo jeitão, pode-se intuir se a coisa vai bem ou não.

Tomado pelas palavras, o ministro pedetê Carlos Lupi (Trabalho) enxerga no espelho uma cara robusta:

“Eu estou até forte demais, estou pesado, estou precisando até emagrecer.

O pemedebê Wagner Rossi, penúltima vítima da Esplanada, declarou-se “firme como uma rocha” horas antes de cair.

O pecedobê Orlando Silva, última cabeça levada à bandeja, considerava-se “indestrutível”.
27.10.2011

A mentalidade da servidão




Caminharemos para a servidão, como dizia Tocqueville “até que cada nação seja reduzida a nada além de um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, cujo pastor é o governo”?




Por Leonardo Bruno
Movimento Revolucionário
Mídia Sem Máscara

Um colóquio me fez refletir a respeito dos estereótipos mais comuns de várias opiniões deste país.

Uma amiga minha muito inteligente, e, como ninguém é perfeito, crédula nos princípios socialistas, ficou particularmente furiosa com minha provocação.

Eu fiz a seguinte pergunta: “ Sabe qual a diferença entre um coronel nordestino e Fidel Castro?”

Resposta: “Fidel Castro tem muito mais poder!”

Pronto!

Minha doce a sábia criatura me fuzilou com aquele olhar inquisidor digno dos expurgos soviéticos.

O curioso foi a justificativa de minha amiga, como, aliás, sempre ouço dos meus amigos socialistas, que é o cânone da mania cubana: o governo cubano “dá” educação, alimentação, saúde, segurança, entre outras maravilhas do Éden caribenho.

E ela finalizou, entre o sereno e patético, tal como uma filha que fala de um pai: “Fidel sabe o que faz!”.

Se os intelectuais do século XVIII inventaram o mito do “bom selvagem”, o século vinte inventou o mito do “bom ditador”.

Essa última argumentação saída de sua boca lembrou-me um trecho de uma das obras de Alexis de Tocqueville, A Democracia na América.

Eis o que para mim tornou-se profético:





“Após ter agarrado cada membro da comunidade e tê-los moldado conforme a sua vontade, o poder supremo estende seus braços por sobre toda comunidade.

Ele cobre a superfície da sociedade com uma teia de normas complicadas, diminutas e uniformes, através das quais as mentes mais brilhantes e as personalidades mais fortes não podem penetrar, para sobressaírem no meio da multidão.

A vontade do homem não é destruída, mas amolecida, dobrada e guiada; os homens raramente são forçados a agir, mas constantemente impedidos de atuar; tal poder não destrói, mas previne a existência; ela não tiraniza, mas comprime, enerva, ofusca e estupefaz um povo, até que cada nação seja reduzida a nada além de um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, cujo pastor é o governo”.

Quando vejo pessoas afirmarem tais questões a respeito da ditadura cubana, ou de qualquer outro regime despótico, nada me impressiona tanto como a falta de autoestima daqueles que não valorizam algo tão sagrado como a liberdade.

Como bem previra este grande visionário francês do século XIX, as pessoas são capazes de abdicar da liberdade por pequenas coisas.



 Se um reles ditador como Fidel Castro não passa de um velho coronel nordestino todo poderoso, seus admiradores não passam de reles camponeses e capangas, obedientes a um pai onipresente, ainda que com a pretensa pecha de “intelectuais”.

Não vou longe.

Uma coisa que ninguém se pergunta, quando repete a cantilena da “educação”, “saúde”. “segurança”, é o preço que um governo tirano cobra para oferecer o que não passa de farelos.
Quase todos os regimes autoritários e totalitários do século XX, dos nazistas, fascistas aos comunistas, utilizaram-se dos chamados “direitos sociais” para reduzirem a população em uma nova casta de servos do governo.

Em outras palavras, o Estado “dá” educação, mas ele decide o que o cidadão pensa.

Ele “dá” saúde, como se fosse um deus que tivesse o poder de vida e morte sobre as pessoas. Ele “dá” alimentação, embora escolha o que o cidadão come.

Ele “dá” segurança, apesar de ser o fator motriz da insegurança, visto que é um poder arbitrário e onipotente.

De fato, o poder monopoliza tudo, inclusive o direito de violência.

O que sobra de uma sociedade como esta nada mais é do que um rebanho de ovelhas tímidas e adestradas.

Ela tem os elementos mais odiosos de um antigo autoritarismo, mesclados como novos métodos de poder, controle e coerção.


O pior, todavia, é que tais ideais não são partilhados por pessoas tolas, e sim, por gente esclarecida, pretensamente culta e letrada.

Talvez seja o sonho dessa turma alienada, avoada, ou mesmo inconseqüente, a falsa crença da segurança, numa suposta idéia de proteção onipresente de um ente superior.

Parte-se de uma idéia ingênua da mitificação do poder, de uma autoridade moral paternal do Estado.



Mais ingênuo ainda é afirmar que o Estado “dá” alguma coisa, mal sabendo que quando o Estado administra é justamente os bens alheios, que muitas vezes não lhe dizem respeito.

Malgrado essa gritante tolice, é mais tolo ouvir de certas pessoas que o Estado oferece serviços “gratuitos”.

Realmente, até parece que os “virtuosos” funcionários públicos trabalham de graça, por algum dever cívico.

Claro, não ocorre nas cabeças desses mentecaptos estatólatras, algo como servidores fazerem greves, abandonarem a população ao “Deus dará”, criarem gastos supérfluos e privilégios obtusos e sufocantes com o dinheiro dos outros.

Além das panelinhas e castas de eleitos pelo poder público, por regalias que um trabalhador privado nem sonha ter, porém, que paga pelos outros através dos impostos.

Ademais, para certas pessoas, o Estado não vive do que a sociedade trabalha, é um fim em si mesmo, auto-gerador.

E o mais cômico: ainda escuto essa história de “gratuidade” na boca de muitos economistas!


O mais terrível dentro desta mentalidade servil é que tal pensamento não rouba somente o direito de escolha, em qualquer âmbito da vida social.

Simplesmente rouba a alma das pessoas e a capacidade de terem vontade própria.

Cada pessoa é reflexo de um grupo, de um rebanho domesticado, cada sujeito não age por si mesmo, e sim segue pelo instinto da massa, tal qual maria-vai-com-as-outras, sob a égide de um obtuso poder centralizado.

A espiritualidade livre, independente, é substituída pela cultura do unanimismo, da uniformidade dos espíritos, pela esterilidade do discurso repetido do chavão.


De fato, este país está sofrendo uma crise letárgica de espiritualidade servil, uma anti-espiritualidade, uma anti-pessoa.

Malgrado os horrores do século XX, a tentação totalitária ainda domina certos espíritos.

Caminharemos para a servidão, como dizia Tocqueville “até que cada nação seja reduzida a nada além de um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, cujo pastor é o governo”?

Se as almas destes homens “cultos” desta nação são capazes de abdicar da liberdade pelo mito da proteção de um governo déspota, tudo leva a crer que sim.

Que o digam os amantes da ilusória segurança dos “direitos sociais” da vida, do Pai Terrível Estado, acima dos direitos individuais sagrados da liberdade.

Abdicam da liberdade pela segurança, porque antes que eles convençam a sociedade a renunciar a liberdade, eles mesmos já a renunciaram.

Como diria um outro pai, não um pai terrível, porém, o grande pai da pátria norte-americana, o estadista Benjamim Franklin:

“Aqueles que se dispõem a renunciar a liberdade essencial em troca de uma pequena segurança temporária não merecem liberdade nem segurança”.


22 Outubro 2011

Charge

só travessuras !

www.sponholz.arq.br




Alta rotatividade

Um ministério de alta rotatividade:
seis da foto acima já dançaram

Desde que Antonio Palocci tombou, a média demissões no ministério Dilma foi de um ministro a cada 23 dias.

A continuar neste ritmo, ainda dá tempo de cair mais três ministros este ano.
27 de outubro de 2011

O naufrágio surpreendeu Lula ainda no porão





“Você tem que resistir”, ordenou Lula ao ainda ministro Orlando Silva. Em seguida, o Padroeiro dos Pecadores determinou a Dilma Rousseff que brigasse com os fatos.

“Não vou decidir as coisas a reboque da imprensa”, obedeceu a afilhada ─ que, a reboque do padrinho, imaginou que a absolvição simbólica do culpado encerraria o assunto.

Como advertiu um post aqui publicado, só conseguiu adiar por alguns dias o velório inevitável.

Em Manaus, Lula pressentiu o naufrágio iminente. “Esse pessoal do PCdoB nunca me conta tudo”, começou a desconversar o oportunista sem pudores.

“Fico sabendo do que está acontecendo pelos jornais”, fantasiou o leitor que sucumbe à azia na segunda linha.

Dado o recado, decolou rumo ao México para continuar a discurseira iniciada em 1978.

Foi um erro de cálculo.

Deveria ter ficado no Brasil para avisar com todas as letras que caíra fora do barco em perigo.


O naufrágio consumado no fim da tarde desta quarta-feira surpreendeu Dilma Rousseff pendurada no leme, Orlando Silva zanzando pelo convés da segunda classe e Lula fazendo as malas no porão.

Foi o segundo fiasco de bom tamanho em meio ano.

Depois de comandar a malograda operação de socorro a Antonio Palocci, o presidente em terceiro mandato voltou à luta para fracassar na resistência no Ministério do Esporte.

A ideia desastrada ampliou as evidências contundentes de que ─ Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais (além de Nelson Jobim, demitido por alucinação) ─ também Orlando Silva é um genuíno filhote de Lula.

E o desfecho da história comprovou que o campeão de popularidade pode muito, mas não pode tudo.

Não pode, por exemplo, transformar mentira em verdade, bandido em mocinho, quadrilha em entidade beneficente.

Se pudesse, não teria estabelecido outro recorde infame: nenhum governante do mundo engoliu tantos despejos de ministros enfiados até o pescoço no pântano da corrupção.

26/10/2011

Aldo Rebelo é o novo ministro do Esporte


Mudança
 Relator do Código Florestal na Câmara foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para ocupar vaga deixada por Orlando Silva; ministro do Esporte caiu após revelação, feita por VEJA, de seu envolvimento em esquema de corrupção

Luciana Marques e Adriana Caitano

Relator do projeto do Código Florestal, deputado Aldo Rebelo, é novo ministro do Esporte (Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi confirmado como substituto do ministro do Esporte, Orlando Silva, afastado do cargo após envolvimento em esquema de corrupção revelado por VEJA. O anúncio oficial foi feito após reunião da presidente Dilma Rousseff com o próprio Aldo e o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, no Palácio da Alvorada.

A nomeação será publicada na edição desta sexta do Diário Oficial da União (DOU). A posse será na segunda-feira.

Em rápida entrevista coletiva, Aldo Rebelo disse que agradeceu à presidente a confiança depositada nele e que tentará cumprir os desafios da pasta, diante da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. "Disse que aceitava o desafio e que procuraria me desincumbir da tarefa da melhor maneira possível”, afirmou.

Rebelo não quis comentar as acusações de corrupção que envolvem servidores da pasta, como o ex-ministro Orlando Silva, e disse que tomaria conhecimento da estrutura do ministério, para depois conceder uma nova coletiva à tarde.

O presidente do PCdoB disse que está satisfeito com a decisão da presidente Dilma, apesar de ter defendido com veemência o antecessor no cargo. “Acho que Aldo Rebelo vai dar uma grande contribuição ao ministério”.


Como
informou a coluna Radar on-line, a presidente Dilma Rousseff queria que o PCdoB encaminhasse uma lista tríplice para que ela batesse o martelo. O pedido não foi atendido.

Negociação - Também participou do encontro o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Nos últimos dias, coube a Carvalho as negociações com o PC do B para definir a demissão de Orlando Silva, que deixou o cargo onze dias depois que VEJA revelou sua participação em um esquema de pagamento de propina na pasta.

A exoneração do ministro foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União. Por enquanto, o ministério está a cargo do secretário-executivo da pasta, Waldemar Manoel Silva de Souza, que também é do PCdoB.

Perfil - O comunista nasceu em Alagoas, tem 55 anos e é jornalista. Além de ser do mesmo partido para o qual a verba da pasta era desviada, Rebelo teve um início de vida política parecido com o do ministro que deixou a vaga.

Ambos foram líderes estudantis e presidiram a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União da Juventude Socialista (UJS), mais um sinal de que a troca não garante que as coisas vão mudar.

Aldo Rebelo foi vereador de São Paulo e está em seu quinto mandato como deputado federal.

Apesar da discrição ao evitar discursos e entrevistas, é considerado um dos parlamentares mais influentes do Congresso, graças a seu poder de articulação.

A habilidade em atuar nos bastidores rendeu-lhe rápida ascensão durante o mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: passou de líder do PCdoB a líder do governo, foi eleito presidente da Câmara e depois tornou-se ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Como parlamentar, ganhou maior destaque ao ser escolhido relator do projeto que altera o Código Florestal brasileiro. Já no mandato de Dilma, seu relatório provocou debates ideológicos entre ruralistas e ambientalistas e chegou a irritar o próprio governo, que defendia pontos não inseridos na proposta, aprovada na Câmara em maio. No entanto, por causa do trabalho na reformulação do Código, recebeu, nesta semana, homenagem durante o Congresso Nacional de Avicultura, com direito a elogios inflamados do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), e do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).

Em setembro, passou perto de ser escolhido ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), mas perdeu a vaga para a deputada federal Ana Arraes (PSB-PE), que assume o cargo nesta quarta. Rebelo era favorito do governo, mas perdeu apoio quando Lula decidiu fazer campanha em favor da candidata do PSB. Apesar de não tomar posição pública, o Planalto defendia a escolha do comunista, para afastá-lo da Câmara e facilitar a votação do Código Florestal na casa quando o texto retornasse do Senado.

Solução - Orlando Silva deixou nesta quarta-feira o cargo de ministro do Esporte do governo Dilma Rousseff. Ele é o sexto ministro de Dilma Rousseff a deixar a equipe desde o início do mandato da presidente, em janeiro – e o quinto a cair por envolvimento em um esquema de corrupção. O anúncio oficial foi feito à noite pelo próprio Orlando Silva após reunião dele com a presidente Dilma e com o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, no Palácio do Planalto. "Fato nenhum houve que possa comprometer a minha honra e minha conduta ética", afirmou o agora ex-ministro.

O comunista voltou a dizer que não há provas contra ele e tachou as denúncias feitas pelo policial militar João Dias como um "ataque baixo" e uma "agressão vil", mas admitiu o acirramento da crise política por causa das denúncias. "Decidimos que a melhor solução seria sair do governo para defender a minha honra", disse. "Saio com o sentimento do dever cumprido".

"Nós defendemos desde o primeiro momento nosso ministro porque ele é honesto, sincero e um jovem com grande capacidade", disse Renato Rabelo, durante a entrevista coletiva. A decisão de tirar Orlando Silva do governo já estava tomada desde a manhã desta quarta.

Conforme noticiou a coluna Radar on-line, Orlando Silva era considerado desde cedo pelos colegas de partido e pelo governo um "cabra marcado para morrer".
Às 18 horas o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, confirmou que a demissão era inevitável.

Projeto fantasma para a Copa já custou R$ 6,2 mi ao Brasil



Ministério do Esporte contratou, sem licitação, sindicato liderado pelo ex-presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, para projeto que não saiu do papel

Orlando Silva, ministro do Esporte
(Valter Campanato/ABr)


A pouco menos de três anos para a Copa do Mundo de 2014, começam a surgir os primeiros indícios de corrupção envolvendo as obras para o Mundial, que vai ocorrer no Brasil.

O governo federal repassou 6,2 milhões de reais a um sindicato de cartolas do futebol para um projeto da Copa que nunca saiu do papel.

Sem licitação, o Ministério do Esporte contratou o Sindicato das Associações de Futebol (Sindafebol), presidido pelo ex-presidente do Palmeiras Mustafá Contursi, para fazer o cadastramento das torcidas organizadas dentro dos preparativos para o Mundial.

O contrato foi assinado no dia 31 de dezembro de 2010 e todo o dinheiro liberado, de uma vez só, em 11 de abril deste ano.

O projeto, porém, jamais andou.


O Ministério do Esporte foi célere em aprovar o convênio, entre novembro e dezembro de 2010, com base em orçamentos e atestados de capacidade técnica apresentados pelo sindicato.

O jornal O Estado de S. Paulo obteve os documentos.

O negócio rápido e milionário teve um empurrão oficial de Alcino Reis, assessor especial de futebol do ministério e homem de confiança do ministro Orlando Silva (PC do B) - de quem é correligionário no PC do B.

O convênio, que faz parte do projeto Torcida Legal, foi assinado por Reis e pelo secretário executivo do ministério, Waldemar Manoel Silva de Souza.

As empresas que aparecem como responsáveis pelos serviços do projeto nunca foram contratadas pela entidade dos cartolas, dirigentes de clubes, que leva o nome oficial de Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional e suas Entidades Estaduais de Administração e Ligas (Sindafebol).

Os atestados de capacidade técnica entregues ao governo, por exemplo, foram feitos pelo próprio sindicato.

Na terça-feira, questionado pela reportagem do jornal, o presidente do Sindafebol admitiu que a entidade não tem estrutura para tocar o convênio.

"Dissemos ao ministério que nunca tínhamos feito isso. O sindicato não tinha experiência, e se colocou à disposição do ministério", disse Contursi, ao justificar a paralisia do projeto.

Os 6,2 milhões de reais recebidos, afirmou, estão parados numa conta bancária controlada por ele próprio.

O cartola admitiu que, diante das dificuldades do sindicato em cumprir as metas, a execução do contrato poderá ser "reavaliada", contrariando o discurso do governo de que tudo está dentro do planejado.

O Ministério do Esporte alega que escolheu o Sindafebol, sem licitação, por ser mais "adequado" para tocar o projeto.

O convênio foi assinado em 31 de dezembro com vigência até o fim do ano. Em maio, porém, foi prorrogado até março de 2012.

Empresa

No processo do convênio assinado com o Esporte, o qual o Estado teve acesso, o sindicato informou que subcontrataria, por 3,3 milhões de reais, a empresa Mowa Sports para desenvolver o software do cadastramento, locação de equipamentos eletrônicos, entre outras coisas.

Procurada pelo jornal, a empresa afirmou que não assinou contrato com o sindicato.


"A Mowa Sports esclarece que não emitiu nenhuma nota fiscal nem recebeu nenhum pagamento relacionado ao assunto em referência. A Mowa Sports tinha todo o interesse em participar do projeto Torcida Legal e desenvolver ações de mobilidade digital, porém deixou de ser procurada meses atrás pelos responsáveis", diz nota da empresa.

Esporte

O presidente do Sindafebol, Mustafá Contursi, disse que a entidade está analisando se poderá executar todo o projeto do Ministério do Esporte até o fim do prazo do contrato (março de 2012).

Os esclarecimentos do sindicato sobre o tema contrastam com os argumentos do Ministério do Esporte para a celebração do convênio.

O ministério não acusa atraso nos trabalhos.

"O convênio com o Sindicato do Futebol foi considerado mais adequado, pois aproxima o poder público dos clubes e das torcidas", justificou.


O assessor especial de futebol do Ministério do Esporte, Alcino Reis, não respondeu à reportagem do jornal.

Ele teria sido um dos principais interlocutores de Contursi nas negociações prévias à apresentação da proposta de cadastramento dos torcedores.

Reis foi avalista da capacidade técnica.

(Com Agência Estado)

Charge



Chico Caruso

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Como o “risco Agnelo” selou a sorte de Orlando: PT quer tirar do STF inquérito que envolve governador do Distrito Federal


“Pobre Brasília!
Tão longe de Deus,
tão perto do PT”



Vejam vocês como são as coisas!


O grande medo do PT nessa história toda do Ministério do Esporte é que Agnelo Queiroz, antecessor de Orlando Silva e governador do Distrito Federal, hoje um peixão do partido, seja arrastado de roldão.

Até os gramados de Brasília sabem que Silva não inventou nada, mas herdou um esquema, um método, um procedimento.

Ele não o alterou, claro!, e é até possível que o tenha tornado mais azeitado.

Um evento traumático que colhesse o governador seria péssimo para a reputação do PT, depois de tudo.

O Distrito Federal se tornou um símbolo da politicalha, da roubalheira, da falta de escrúpulos.

Um sábio ancião da cidade, com quem converso de vez em quando, diante da iminente vitória de Agnelo no ano passado, refletiu em conversa com este escriba: “Pobre Brasília! Tão longe de Deus, tão perto do PT”.

Fazia uma paródia de uma frase famosa do presidente mexicano Lázaro Cárdenas (1934-1940) sobre seu país: “Pobre México! Tão longe de Deus, tão perto dos EUA!”

Muito bem!

Como ministro de Estado, Orlando Silva só pode ser processado pelo STF em razão da prerrogativa de foro.

Como Agnelo Queiroz é investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) também por causa da lambança no programa Segundo Tempo, a ministra Carmen Lúcia requisitou que os autos fossem para o Supremo.

Aí se acendeu a luz vermelha no PT!

Atenção!

Demitido, Orlando não pode mais ser processado pelo STF.

O que isso implica?

Sem a razão motivadora para juntar os dois inquéritos num só, o de Agnelo volta para o STJ, onde tinha como relator o ministro Cesar Asfor Rocha.

Lá ele corria não exatamente na surdina, mas sem nenhuma visibilidade.

E Orlando?

Vamos ver a tecnicalidade, mas ou ele também passa a ser investigado pelo STJ, junto com o antecessor, ou vai para a Justiça comum, onde, atenção!, as coisas podem ser muito, mas muito lentas.

Uma coisa é certa e é o que queria o PT: o inquérito que diz respeito a Agnelo sai do STF.



26/10/2011



Governo confirma saída de Orlando Silva




Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, confirmou a informação nesta tarde; segundo ele, decisão do STF de abrir inquérito foi decisiva

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, confirmou há pouco que o ministro do Esporte, Orlando Silva, vai mesmo deixar o governo.

Ele disse que a forma como se dará a saída de Orlando será definida na reunião a ser realizada no início da noite desta quarta-feira, 26, com a presidente Dilma Rousseff.

"A abertura de inquérito pelo Supremo (Supremo Tribunal Federal) foi fator determinante para a mudança da situação",
disse Carvalho.

Segundo Carvalho, o mais provável é que haja uma interinidade na Pasta.

"É o mais provável".

Ele disse ainda que a tendência é de que o cargo continue nas mãos do PCdoB.

Carvalho não quis falar em nomes e elogiou o ministro Orlando Silva.

"Orlando teve uma atitude madura. Eu respeito e louvo a atitude do PCdoB", disse o ministro relatando a conversa que teve na manhã de desta quarta com Orlando Silva e com o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.


O encontro de Dilma com o ministro do Esporte será realizado logo mais, no Palácio do Planalto, após o encontro da presidente com representantes do grupo PSA Peugeot Citröen.


Dia de expectativa.

Mais cedo, após reunião para definir um posicionamento do partido, Rabelo afirmou que o PCdo B está tranquilo e que Orlando Silva foi atacado injustamente.

"É um ministro jovem, com grande êxito no Ministério, foi atacado de forma injusta em uma tentativa de expô-lo", afirmou.

"Vamos tratar a questão politicamente. Já enfrentamos desafios, embates muito mais complicados do que esse", disse.


Na manhã desta quarta, Orlando Silva ficou reunido por quase duas horas com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, no Palácio do Planalto.

“Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Orlando é um ministro que está saindo desde ontem”, resumiu ao Estado um assessor da Presidência.

A ministra Carmem Lúcia do STF, atendendo o pedido feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mandou nesta terça-feira, 25, abrir inquérito para investigar Orlando Silva.

Participaram também da reunião desta manhã o presidente do PC do B (partido do ministro), Renato Rabelo, e os líderes do partido na Câmara, Osmar Júnior (PI) e no Senado, Inácio Arruda (CE).

Desde a tarde desta terça, Carvalho discutia com o PC do B o destino de Orlando Silva.

O próprio Carvalho admitiu que a presidente Dilma Rousseff acompanhava atentamente as denúncias contra Orlando, e manifestou preocupação com a avalanche de acusações.

"O quadro é de observância justa e preocupada", disse Carvalho.

Entre os nomes considerados para assumir a pasta estariam o da ex-prefeita de Olinda (PE), a deputada Luciana Santos, e o deputado Aldo Rebelo, ambos do PCdoB.


Dilma demite. A decisão da direção do PC do B era de que Orlando fosse demitido pela presidente, para deixar claro que ele não se demitiu e não assume responsabilidade por participação no esquema de desvio de verba pública envolvendo os programas do Ministério do Esporte, principalmente o Segundo Tempo e Pintando a Cidadania.


Com a saída de Orlando Silva, são seis os ministros que deixaram o governo Dilma. Nos dez primeiros meses do primeiro ano do mandato da presidente Dilma, cinco ministros entregaram o cargo, quatro deles envolvidos em denúncias de corrupção.


26 de outubro de 2011


Limpeza no governo:
seis ministros caem em apenas quatro meses


Num período de apenas quatro meses, o governo Dilma Rousseff já contabilizou a queda de seis ministros - cinco deles por suspeitas de corrupção.

O primeiro foi o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, que pediu demissão dia 7 de junho.

Depois caíram Alfredo Nascimento (Transportes),

Nelson Jobim (Defesa),

Wagner Rossi (Agricultura),

Pedro Novais (Turismo)

e agora Orlando Silva (Esporte).


Destes, só Jobim foi forçado a sair por incompatibilidade ideologica e programática com o governo.

Os outros foram ou tiveram suas pastas alvo de denúncias de improbidade e desvio de verbas públicas. Dilma ainda teve que trocar o ministro das Relações Institucionais.

Tirou de lá Luiz Sérgio e o mandou para a Pesca, de onde puxou Ideli para o cargo no Planalto.

Claudio Humberto

Um cavalheiro não se curva tanto, e exageradamente subserviente.



Bajulação de Lupi constrange Dilma

Orlando Brito
DILMA E SUA OJERIZA DIANTE DA CURVATURA SUBSERVIENTE DE LUPI, O MINISTRO QUE ELA ESTÁ LOUCA PARA DEMITIR

Considerado um dos ministros mais inúteis da Esplanada dos Ministérios, e por isso com data marcada para ser demitido, Carlos Lupi (Trabalho) provocou grande constrangimento a presidenta Dilma, nesta quarta-feira, durante solenidade no Palácio do Planalto, ao beijar-lhe a mão de maneira pouco elegante, porque um cavalheiro não se curva tanto, e exageradamente subserviente.

O gesto deixou constrangida também a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que assistiu a cena e conhece como poucos a ojeriza de Dilma pelo ainda ministro do Trabalho.

Ojeriza que a presidenta expôs em sua face, num misto de asco e impaciência diante da curvatura espinhal do ministro bajulador.

Claudio Humberto

Porque as pessoas acreditam em tiranos que pregam a igualdade na terra?





“Confira as principais mudanças implantadas em Cuba:

1) Compra e venda de casas
Como é hoje: Ninguém está autorizado a comercializar casas. Com isso, várias gerações de uma mesma família se amontoam em uma única residência por anos. A única transação possível é a troca – o que mascara, muitas vezes, transações de compra e venda ilegais +-que podem levar ao confisco do bem pelo estado. Imóveis são como moedas de troca do mundo político cubano. Quando toma uma casa, geralmente o governo a entrega de presente a aliados.

Como vai ficar: A compra e venda de casas será permitida até o fim do ano. Contudo, ainda não está claro quando a lei que regularizará essas transações será promulgada, se haverá programas de empréstimo ou se quem quiser deixar o país poderá vender seu imóvel ou terá de entregá-lo ao estado – como acontece hoje em dia.


2) Compra e venda de automóveis

Como é hoje:
Só é permitido comercializar automóveis fabricados antes de 1959. Há carros novos importados no país, mas a maioria pertence ao governo. Também existem pessoas “de confiança” que têm veículos novos, como altos funcionários, artistas e esportistas que viajam para fora do país – mas que também não podem vendê-los.

Como vai ficar: O governo promete autorizar a compra e a venda de automóveis até o fim do ano. Entretanto, nada foi legislado a respeito ainda e não foram adiantadas quais serão as regras de importação e/ou fabricação de veículos para abastecer o novo mercado.

3) Viagens internacionais

Como é hoje:
Para viajar ao exterior, todo cubano precisa passar por um processo longo, burocrático e caro. As taxas para obter o passaporte e a “autorização de saída” do governo são exorbitantes, principalmente se comparadas ao salário médio de um cidadão. Só é permitido deixar o país mediante convite formal de alguém do exterior que deve ser repassado à embaixada. O processo todo pode durar até um ano. Opositores do governo têm suas saídas seguidamente negadas.

Como vai ficar: As viagens ao exterior devem ser facilitadas, e as restrições, reduzidas. Ainda não há data definida para a mudança, nem explicações de como será o novo processo para autorização de saída – e muito menos se esses benefícios serão válidos também para inimigos políticos do Partido Comunista.

4) Lista de racionamento

Como é hoje:
Todo cubano, sem exceções, recebe uma espécie de cesta básica em casa mensalmente. Esse kit de alimentos inclui itens da chamada “libreta de abastecimento” (o livro de racionamento), no qual o consumo de cada família – que tem limite mensal de produtos – é registrado.

Como vai ficar:
A “libreta de abastecimento” vai acabar e receberão cesta básica mensal apenas as famílias de baixa renda.

5) Profissões autônomas

Como é hoje:
Por muitos anos, era proibido prestar serviços que não fossem ligados a empresas estatais. Há pouco tempo, alguns profissionais começaram a ganhar autorização para fazer trabalhos autônomos. Hoje, 201 categorias estão autorizadas a trabalhar por conta própria, a maioria associada a serviços e à produção de alimentos.

Como vai ficar:
O governo quer aumentar o número de profissionais autônomos e pequenos negócios privados. Mas os impostos cobrados são muito caros, o que dificulta essas iniciativas. Os trabalhadores também enfrentam restrições para importar matéria-prima para suas produções.

6) Iniciativas privadas

Como é hoje:
O governo controla a grande maioria das empresas e serviços no país.

Como vai ficar:
O Partido Comunista promete converter, a partir de outubro, negócios do governo em entidades privadas, como sapatarias e cafeterias. Também permitirá a existência de cooperativas, que funcionarão como empresas privadas de médio porte. Analistas acreditam que será permitida a obtenção de lucro nesses empreendimentos. O plano, a longo prazo, é demitir funcionários estatais em larga escala e fazer com que eles sejam absorvidos pelo setor privado. “Cuba está criando seu próprio modelo, mas sua abertura lembra bastante a chinesa, se considerarmos que Havana também percebeu que seu papel na economia era grande demais, além de ineficiente”, comenta Philip Peters, o especialista em políticas cubanas do think tank americano Instituto Lexington. “Está claro que eles precisam recuperar a economia alimentando um setor privado mais forte.”

7) Liberdade


Essa será uma consequência da qual o governo dificilmente poderá escapar, à medida que essas mudanças comecem a ser implementadas no país. A partir do momento em que os cubanos tiverem o direito de lucrar, trabalhar por conta própria, ter posses e contato com a realidade de outros países, vão exigir novas liberdades sociais e até políticas. “Se o governo permitir tudo o que promete, haverá pressão por muitas outras mudanças”, enfatiza Theodore Henken, autor de Cuba: A Global Studies Handbook (Cuba: Um Manual de Estudos Global, ABC-CLIO). “Resta saber: até onde o governo estará disposto a ir?”

Prédios residenciais de Havana são exemplo da adaptação cubana: impossibilitadas de comprar casas, várias gerações familiares convivem no mesmo espaço, que cresce verticalmente.

Sem o estímulo de um mercado de construção civil, muitos prédios caem no descaso e se deterioram em Havana (Javier Galeano/AFP)”.


A alma militante: todos contra um



Quem os doutrinou para crer que qualquer desafio às suas convicções é crime e não pode ser tolerado nem por um minuto?


Mídia Sem Máscara
Artigos - Cultura

Saudosos tempos aqueles em que os jovens esquerdistas investiam galhardamente contra cavalarianos armados de sabres!

Atualmente eles se reúnem às centenas para intimidar um homem só, minoria absoluta no Congresso, e se acham uns heroizinhos por isso.

Ou, montados no apoio do Estado e de ONGs bilionárias, se articulam maquiavelicamente para cortar os meios de subsistência de um pai de família que, perseguido e acuado em sua terra, vaga de país em país com a mulher e quatro filhos, rejeitado e humilhado por toda parte, sem ter onde cair morto.


Quem quiser conhecer a alma da juventude militante hoje em dia, dê uma espiada nestes sites

Em ambos os casos, os ativistas imaginam, sentem e acreditam, no interior do seu teatrinho mental, que são ousados combatentes pela liberdade lutando contra o centro mesmo do poder opressor, quando na realidade são eles próprios o braço do maior esquema de poder que já se viu no mundo, a aliança do Estado com os organismos internacionais, as grandes fortunas globalistas e a mídia em peso, todos juntos contra focos isolados de resistência, ingênuos e desamparados idealistas que, certos ou errados, nada ganham e tudo arriscam para permanecer fiéis a seus valores.

É a caricatura grotesca, a inversão total da coragem cívica, a perda radical do senso da equivalência de forças, das leis do combate honroso que um dia prevaleceram até em brigas de rua, entre malandros, e hoje desapareceram por completo nos corações daqueles que, para cúmulo de ironia, continuam se achando a parcela mais esclarecida da população.

Quem os ensinou a ser assim?

Quem arrancou de suas almas o sentimento mais elementar de justiça, de honra, de amor ao próximo e até mesmo daquela tolerância que tanto exaltam da boca para fora, substituindo-o pelo ódio projetivo, insano, misto de terror, que só enxerga no rosto do oponente a imagem do demônio que os intimida por dentro e os leva a sentir-se ameaçados quando ameaçam, perseguidos quando perseguem, oprimidos quando oprimem, odiados quando odeiam?


Quem os ensinou a temer a tal ponto os argumentos vindos de uma voz solitária que, ao menor risco de ouvi-la, sentem a necessidade de sufocá-la com gritos e ameaças, e acreditam ser isso a apoteose da democracia, da liberdade e dos direitos humanos?

Quem os doutrinou para crer que qualquer desafio às suas convicções é crime e não pode ser tolerado nem por um minuto?


Quem os ensinou a imaginar a estrutura do poder de cabeça para baixo, com dois ou três cidadãos isolados e sem recursos no topo, e o conjunto das forças internacionais bilionárias em baixo, gemendo sob o jugo implacável de algum Jair Bolsonaro, Julio Severo ou Padre Lodi?


Quem os ensinou a enxergar "crimes de ódio", imputáveis à consciência religiosa, em cada assassinato de homossexuais praticado por garotos de programa, com toda a evidência homossexuais eles próprios, e desprovidos, é claro, de qualquer vestígio de escrúpulos religiosos?

Quem os ensinou a proclamar, diante desses assassinatos, que "a Igreja tem as mãos sujas de sangue", quando o próprio Movimento Gay da Bahia confessa ser a maior parte deles cometida por profissionais do sexo e até hoje não se exibiu nem um único caso de homicídio cometido contra homossexuais por motivo de crença religiosa ou sentimentos conservadores?


Quem os ensinou a desprezar a tal ponto a realidade e apegar-se a lendas insanas, carregadas de ódio injusto contra inocentes que nunca lhes fizeram mal algum, além de discordar de suas opiniões, e que não têm aliás o mais mínimo meio de defesa contra os ataques multitudinários e bem subsidiados que se movem contra eles?

Posso explorar essas perguntas em artigos vindouros, mas nenhuma resposta vai jamais atenuar a estranheza de um fenômeno deprimente, abjeto, moralmente inaceitável: a perda do sentimento de justiça e de honra por toda uma geração de brasileiros.

Eu mesmo, quando escrevi imbecil juvenil em 1998
, não esperava que o mecanismo sociológico ali descrito se tornasse, por assim dizer, oficializado, consagrando como virtudes cívicas a covardia, o servilismo grupal e o assalto coletivo a bodes expiatórios desproporcionalmente mais fracos.

Publicado no Diário do Comércio.