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sábado, 3 de novembro de 2012

Gurgel pedirá que Polícia Federal vigie e proteja Marcos Valério para que ele não acabe como Celso Daniel



 

Por Jorge Serrão

O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza terá mesmo coragem de revelar qual foi o banco (não arrolado no processo do Mensalão) utilizado por um amigo pessoal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acertar as contas da chantagem feita pelo empresário Ronam Maria Pinto contra Lula e Gilberto Carvalho, para não envolvê-los no até hoje não resolvido sequestro, tortura e assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, bárbaro crime ocorrido em janeiro de 2002?

Será que Marcos Valério tem elementos comprobatórios para assegurar que não colaborou pessoalmente com a operação de arranjar dinheiro para supostamente financiar o “silêncio” do empresário Ronan Pinto – que era dono de empresas de ônibus e de uma empresa de coleta de lixo suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção, para arrecadação ilegal de dinheiro para campanha eleitoral, que acabaram redundando na morte do prefeito petista de Santo André?

Caso Marcos Valério faça tais revelações, ele realmente terá provas objetivas do que supostamente revelará à Procuradoria Geral da República, em troca de ingressar em no Sistema Nacional de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, podendo mudar de cidade e trocar de nome?

Será que Valério tem mesmo detalhes para narrar uma reunião entre Ronan Maria Pinto e Silvio Pereira, ex-homem forte do partido e que se livrou do processo do Mensalão pela via da delação premiada?

Será que o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, atenderá ao pedido da defesa de Marcos Valério – um arquivo-vivo que ainda responde a mais responde a pelo menos outras dez ações criminais, além da Ação Penal 470 do STF (que mexe com a cúpula petista) e do chamado “Mensalão Mineiro” (que envolve dirigentes do PSDB, como o ex-governador Eduardo Azeredo)?

Diantes de tantas perguntas com respostas complexas, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, já declarou ontem que está na hora de o operador do mensalão "desembuchar, não falar em doses homeopáticas".

Marco Aurélio defendeu que Estado "proporcione aparato de segurança" a quem "se mostrar disposto a colaborar".

O ministro detonou: "Depois da porta arrombada, não adianta colocar cadeado. Na área da delinquência, falo de forma geral, o jogo é pesado."

Diante da repercussão midiática de que Valério corre risco de vida – e já teria sofrido ameaças concretas, como a de semana passada, em Belo Horizonte, revelada ontem nesta Alerta Total -, o mais provável é que, de imediato, o Procurador-Geral da República solicite uma proteção especial para Valério.

A missão de vigiar e resguardar o “arquivo-vivo” seria da Polícia Federal.

Mas pode acabar nas mãos da Agência Brasileira de Inteligência ou, em último caso, de oficiais experientes da área de inteligência do Exército.

Fato objetivo é que, ao meter o caso Celso Daniel no meio, Valério mexeu com o único escândalo que realmente apavora a cúpula petista.


Celso Daniel é um cadáver politicamente insepulto.


Até hoje, está impune o empresário Sérgio Sombra, “amigo” dele e principal suspeito de comandar o crime.

Fora da esfera judicial, o escândalo também envolve outro amigo de Daniel, o atual secretário Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que saberia de todo o esquema de corrupção em Santo André – de acordo com versão do irmão da vítima, Bruno Daniel.

Marcos Valério voltou a desenterrar o cadáver politicamente insepulto do PT.

Resta aguardar para ver se ele vai mesmo ter condições de falar, ou se o caso, como de costume, será providencialmente abafado.

Os petistas sempre defendem a absurda tese de que a morte de Daniel foi um crime comum.

O Ministério Público sustenta que o crime, além de incomum, envolve corrupção.

Daniel teria sido morto pelo grupo que beneficiava-se dum esquema irregular de propina na prefeitura.

O problema é sempre chegar ao verdadeiro chefe da máfia..

3 de novembro de 2012

Um cadáver volta a assombrar a República petista: o de Celso Daniel. Partido decide adiar seu manifesto contra o STF e a “mídia golpista”



Por Reinaldo Azevedo

Sempre que está acuado, não importa o assunto – uma disputa eleitoral ou uma investigação policial –, o PT parte para o ataque.
Infelizmente – para o país e para a ordem dos fatos –, costuma ser bem-sucedido.

Vimos isso recentemente, na disputa eleitoral em São Paulo.

Desde que Lula decidiu que o candidato seria mesmo Fernando Haddad, o partido iniciou uma intensa campanha acusando forças supostamente obscurantistas e a oposição de explorar a questão do kit gay.

Quem quer que faça uma pesquisa vai constatar que os adversários do partido mal tocavam no assunto.

Era só uma reação preventiva para conquistar, como conquistou, a imprensa.

Tocar no tema passou a ser visto como coisa reacionária, conservadora, religiosa.

Mais ainda: inverteu-se o ônus do tema.

O tucano José Serra é que passou a ser literalmente perseguido por jornalistas para se posicionar a respeito, sendo acusado de explorar um tema que não diria respeito à cidade – o que, de resto, é falso porque há milhares de alunos da rede municipal de ensino.
Muito bem!

Qual foi a consequência?

O kit gay ficou longe da campanha.

O tema não foi levado ao horário eleitoral gratuito ou aos debates na TV.

A questão ficou circunscrita aos jornais, que atingem uma fatia mínima do eleitorado, e mal chegou às rádios.

O PT conseguiu, assim, com o barulho que fez junto aos chamados “setores formadores de opinião”, blindar Fernando Haddad, preservando-o de sua própria obra.

O ministro que autorizou a produção de um material – destinado a alunos a partir de 11 anos – que sustentava a superioridade da bissexualidade no cotejo com a heterossexualidade e que estimulava o debate sobre pessoas insatisfeitas com seu órgão genital não teve de responder por suas escolhas.

O mais impressionante: Serra, que não tocou no assunto, foi acusado de estimular o preconceito.

Um sedizente “cientista social” afirmou que sua campanha estaria contaminada pelo “ódio”.

O PT, em suma, fez um movimento preventivo e se deu bem.

Até alguns tucanos de alta plumagem, para não variar, falaram besteira a respeito, apontando o erro de uma suposta campanha contaminada pela religião.
O caso da CPI do Cachoeira
Enquanto o ministro Ricardo Lewandowski permanecia sentado sobre a revisão do processo do mensalão – Lula havia prometido aos seus e a Marcos Valério que o julgamento jamais ocorreria; talvez “em 2050”, ele profetizou –, o próprio Apedeuta e José Dirceu urdiram pelas costas até da presidente Dilma a CPI do Cachoeira.

Alguém buzinou informações erradas ao ouvido dos dois patriotas, sustentando que a Operação Monte Carlo tinha potencial para liquidar com a oposição, com a imprensa independente, com o procurador-geral da República e até com ministros do Supremo.

No dizer de Rui Falcão, presidente do PT e pensador refinado, a bancada do PT na Câmara e no Senado defendia uma CPI “para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”. Tudo parecia caminhar bem até que surgiu na mesa os nomes de Fernando Cavendish e Sérgio Cabral.

Aí os petistas precisaram correr com o rabo enfiado entre as pernas. Afinal, ficou claro, Carlinhos Cachoeira era só um peixe pequeno de um escândalo gigantesco, que iria estourar no Palácio do Planalto.

Mas, como resta evidente, houve, sim, a tentativa de usar a CPI para melar o julgamento. Parte da imprensa aderiu inicialmente à farsa.
Depois da condenação…
Condenado Marcos Valério, o PT passou a viver o pânico da concessão do benefício da delação premiada ao empresário.

Sabe que os 40 anos de cadeia não são coisa trivial e que seu antigo aliado está injuriado.

Alguém na sua situação pode, sim, decidir se safar contando o que sabe.

Então o PT resolveu correr de novo para a galera. Passou a acusar nada menos do que o próprio STF de se comportar como tribunal de exceção.

De quebra, promete levar adiante a luta pela “regulamentação da mídia golpista” e discutir o financiamento público de campanha.

O partido havia prometido um manifesto para quinta-feira, mas parece ter adiado em face das notícias que começaram a circular sobre o depoimento de Valério.
Agora ao ponto
Recuperem o noticiário de janeiro de 2002, por ocasião do assassinato do prefeito Celso Daniel.

Antes que qualquer pessoa aventasse publicamente a possibilidade de que o PT pudesse ter algum envolvimento com a morte, os petistas botaram a boca no trombone e saíram acusando a suposta tentativa de incriminar o partido, exigindo, em tom enérgico, que a polícia fizesse alguma coisa.

Montou-se uma verdadeira operação de guerra para controlar o noticiário.

No arquivo do blog, vocês encontram alguns textos a respeito.

Celso foi o primeiro de uma impressionante fila de oito cadáveres relacionados ao caso.


O prefeito morto era já o coordenador do programa de governo do então pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva.

O partido seria o primeiro a ter motivos para desconfiar de alguma motivação política para o sequestro e imediato assassinato.

Deu-se, no entanto, o contrário: o partido praticamente exigia que a polícia declarasse que tudo não havia passado de crime comum.
O último morto, por causa desconhecida (!), foi o legista Carlos Delmonte Printes, que assegurou que Celso fora barbaramente torturado antes de ser assassinado.

Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do PT que acompanhou o caso em nome do partido e teve acesso ao cadáver, assegurou à família de Celso, no entanto, que não havia sinais de tortura.

O fato é conhecido porque foi denunciado pela família do prefeito.
Gilberto Carvalho, braço direito de Celso na Prefeitura, movimentou-se freneticamente logo após a morte do “amigo” para que prevalecesse a versão do partido: crime comum.

O esforço deixou um rastro de conversas gravadas que vieram a público.

Tudo muito impressionante.

Leiam, por exemplo, este diálogo em que Sérgio Sombra, acusado de ser ao assassino de Celso, entra em pânico e pede para falar com Carvalho.

Alguém garante que está sendo montado “um esquema”. S

ombra, no diálogo abaixo, é o “personagem A”.
A – Ô Dias!
B – Oi chefe!

A – Onde é que você está cara?

B – Tô na avenida (…). Eu tô saindo, to indo praí.

A – (…) Fala prá ligá nesse instante (…) Pará de fazer o que está fazendo.

B – Peraí, Peraí, Perai. Ei! Oi! Escuta o (…) Já está aí onde está todo mundo (…) Alô!

A – Ô meu irmão!

B – Cara cê está no sétimo?

A – Ô meu! O cara da Rede TV está me escrachando, meu chapa! Tá falando que… Tá falando que é tudo mentira, que o carro tá pegando, que não destrava a porta, que sou o principal suspeito.

B – Ô cara! Deixa eu te falar. O que hoje tá pegando contra você é esse negócio do carro. Nós temos que fazer é armar um esquema aí: “porque as empresas de (…) junto com a Mitsubishi, por razões óbvias de mercado, se juntaram para dizer que você está mentindo, que o câmbio está funcionando”…
Entendeu? Então é o seguinte…

A – Peraí. Perai, péra um pouquinho.

B – (…) Pô! Pegá o que Porra?

A – Chama o Gilberto aí! Chama o Gilberto! Tem que armar alguma coisa!

B – Calma!

A- Eu tô calmo. Quero é que as coisas sejam resolvidas.


Outro diálogo: “Puta! Tá dez!”
Há outro diálogo bastante interessante. Alguém liga para Ivone, tornada pelo partido a “viúva oficial” de Celso — consta que era sua “namorada” à época… E lhe dá nota dez por sua performance como “viúva” numa entrevista. Vocês entenderam direito. Leiam. Ivone é a personagem B.
A – Oi!
B – Oi meu amor. O Xande quer falar com você. Tá bom?

A – Ok.

B – Tchau.

C – Como vai minha querida?

A – Vou assim. Arrastando.

C – Ótima a sua entrevista! Viu?

A – Você gostou Xande?

C – Eu gostei muito mesmo.

A – É importante a sua opinião pra mim porque estou totalmente sem referência. Né?

C – Eu achei muita boa. Entendeu. Tá super. Tem coisas… tá perfeito!

(…)

B – Hoje tem uma coisa. Programa pra ir na Hebe.

A – É. Porque vai a mulher… a viúva do Toninho.

B – Sabe que o Genoino quer. E é uma merda né. Uma merda.

A – Olha. Se você falar o que falou ai está 10. Puta! Tá 10, não parece estrela, a dor de uma viúva. Tá dez!


Como se nota, a morte do “companheiro” havia se transformado apenas numa questão de marketing e de guerra para ganhar a “mídia”.

Com direito a nota pela performance da, sei lá como chamar, “atriz” talvez.


Retomo
Já lhes contei aqui. Mesmo a ala petista da família Daniel rompeu com o PT. Um dos irmãos, Bruno, teve de se exilar na França com mulher e filhos. Estavam sendo ameaçados de morte no Brasil. Outro irmão relatou que Celso havia lhe contando que Carvalho era o portador de malas de dinheiro de um propinoduto de Santo André para o então presidente do PT, José Dirceu. Os dois negam.
Vale a pena, reitero, por curiosidade quase científica, voltar ao noticiário daqueles dias para constatar a frenética movimentação preventiva do partido, certo de que poderia conduzir para onde quisesse a opinião pública.

Passada uma semana, quem estava na defensiva era a polícia paulista…

Agora, Marcos Valério denuncia ao Ministério Público que o PT tentou fazê-lo participar de uma esquema para silenciar, com dinheiro, pessoas que estariam chantageando Lula e Carvalho, podendo implicá-los no assassinato de Celso.

Valério diz que não participou, mas dá a entender que tem mais detalhes da operação, que teria sido realizada. Diz que sabe até que banco foi usado na operação.
Vamos ver. Uma coisa é certa: o cadáver de Celso Daniel volta a se agitar no armário.

E o PT decidiu adiar o seu manifesto contra o STF e a “mídia golpista”.
*
PS – Reitero: a vida de Marcos Valério vale mais a cada dia.

E, por isso mesmo, também vale menos…

Se o STF não tomar as devidas precauções, o óbvio acontece.

Porque o óbvio sempre acontece.


03/11/2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A polícia de SP não deixará de enfrentar bandidos nem que o PT, um dia, chegue ao governo e ainda que seja essa a vontade de certa imprensa. Não vai porque é contra a sua natureza



Se algum governante mandar condescender com o crime, não será obedecido.

Ainda bem!

                    
                      Por Reinaldo Azevedo


Vamos lá, queridos. Resolvi passear um pouco com Dona Reinalda. Mas sabem como é este velho coração dividido, hehe… Não posso fica longe de vocês. Podem me procurar aqui no feriado prolongado, que vocês vão me achar. Talvez não com a presença obsessiva de sempre. Mas sempre aqui.

Adiante.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um dos “porquinhos” da presidente Dilma, exagerou na dose. Quem quer que lhe tenha encomendando a tarefa de acrescentar confusão ao cenário de recrudescimento da violência em São Paulo esqueceu de lhe recomendar que estudasse um pouco da mimese aristotélica.

Ainda que, na representação dramática, a farsa possa apelar à caricatura, o papel desempenhado pelo caricato tem de ser ao menos verossímil. 

Cardozo encarnando a personagem que sabe resolver problemas relacionados ao crime organizado não convence nem suas admiradoras…
O jornalismo, com algumas exceções, ignora o sentido das palavras. E também não se ocupa minimamente da coerência – própria ou alheia. Por que digo isso?
A presidente Dilma Rousseff telefonou ontem para o governador Geraldo Alckmin para oferecer colaboração no combate ao crime organizado em São Paulo.

O governo federal dá, assim, a primeira resposta oficial a um documento encaminhado por São Paulo ao Ministério da Justiça em 29 de junho.

Antes disso, só se conhecia aquele texto redigido no joelho por Cardozo, datado a mão (30 de outubro de… 2012!!!), eivado de coisas malcriadas, entregue primeiro à Rede Globo e só depois ao Palácio dos Bandeirantes.
O governador e a presidente combinaram uma ação conjunta que ainda vai ser definida. Eis aí: as palavras fazem sentido. O governo federal não tinha e não tem, por óbvio, plano nenhum. Por intermédio de Cardozo, resolveu atuar para emparedar o governo de São Paulo, acusando-o indiretamente de perda de controle da situação.

Que ajuda será essa?

Veremos.
Não houvesse mais nada – e há -, em uma coisa ao menos São Paulo é muito melhor do que a federação: combate à violência. Mesmo assim, claro!, a ajuda, havendo, é bem-vinda. O que Dilma pretende? Combater o crime organizado ou fazer propaganda? Infelizmente, a segunda alternativa é insofismavelmente a correta. E por que é?
Porque a violência, em São Paulo – que passa, sim, por um surto preocupante –, está entre as menores  do país. O que Cardozo tem feito efetivamente para tentar diminuir o escandaloso número de 50 mil homicídios por ano no Brasil???

Querem alguns delinquentes intelectuais que a “estratégia do enfrentamento (com os bandidos)”, que São Paulo realmente aplica, não seja a melhor. Não? Então qual seria? Quem não enfrenta acomoda – é assim na linguagem e na vida.

O que querem os patriotas? Um acordo com marginais; a celebração da pax com a bandidagem, o reconhecimento do crime como “força beligerante” – tese que Marco Aurélio Garcia, assessor de Dilma, defendia para os narcoterroristas das Farc???
Dilma quer ocupar Paraisópolis com o Exército e a Força Nacional de Segurança porque pretende emprestar ao estado do país que menos mata a mácula da desordem e da falta de controle. E conta com o apoio quase unânime da imprensa petista por convicção ou petistófila por conveniência. Na Folha de hoje,  Wálter Maierovitch, colunista da revista petista Carta Capital, concede esta pequena entrevista:

Folha – O que o senhor acha da proposta?
Wálter Maierovitch
– É preciso fazer a pacificação, a retomada do controle dos territórios. O sucesso das UPPs do Rio de Janeiro parte da retomada dos controles territorial e social.

Para se ter esse controle, há necessidade de se ter uma polícia comunitária, que retome a confiança do cidadão, que faça com que se encerre esse medo difuso do crime organizado e que volte a implantar a cidadania.

E não adianta manter a Polícia Militar?
O que o governo federal propõe com a instalação de uma unidade pacificadora é o contrário da política de São Paulo, que tem uma polícia que vai para o confronto.

Deixar a PM é fazer uma UPP capenga, militarizada. Essa política de enfrentamento vem colhendo maus resultados.

Voltei
Trata-se de uma soma fabulosa de estultices ideologicamente orientadas. Ah, sim: o jornal o chama de “jurista” – o que só pode ser humor involuntário. A comparação com o Rio é um cretinismo, já escrevi aqui, porque Paraisópolis já conta com polícia comunitária. Atenção: NÃO HÁ FAVELA “PACIFICADA” NO RIO QUE TENHA A PRESENÇA DO PODER PÚBLICO QUE TEM A FAVELA DE SÃO PAULO. Talvez o estado não seja assim tão bom no marketing…
Vejam ali: este impressionante Maierovitch não quer uma polícia que “vá para o confronto” com os bandidos. Fica implícita a ideia – e é a única verdade de sua fala – de que as UPPs não existem mesmo para enfrentar bandidos. Certo! Então elas pacificam quem? Vai ver pacificam os já pacificados…
Estamos diante do casamento de uma ação partidariamente orientada com uma doxa que tomou conta de influentes veículos de comunicação do país.

A ação partidária, obviamente, é a do PT, que já está em franca campanha eleitoral. Dilma e Cardozo querem o Exército e a Força Nacional de Segurança desfilando em São Paulo para ter boas imagens na campanha eleitoral de 2014. A doxa diz respeito às tais UPPs: ora, elas significaram, no Rio, a chegada de algum poder público a áreas que eram governadas pelo narcotráfico. Aliás, nas mais de 1.200 favelas (em cabralês castiço, é obrigatório usar o termo “comunidade”) ainda sem “polícia pacificadora”, o crime organizado ou as milícias dão as cartas. E só é possível ir e vir com a autorização da bandidagem – muitos dos meliantes são oriundos das áreas a que chegaram as UPPs.
O não enfentamento, como quer Maierovitch, compreende não prender ninguém. Bandido bom é bandido solto? Em São Paulo, inexistem áreas assim, o que não quer dizer, claro!, que inexista o crime organizado – que continua a ditar a, vamos dizer, “rotina administrativa” das “comunidades pacificadas” do Rio. A notícia não vai parar na TV porque não pegaria bem à tese, mas é fato: os traficantes dominam, por exemplo, todos os aparelhos públicos levados às favelas pelo PAC. Ou esse controle se dá diretamente ou por intermédio de associações de moradores, controladas por eles.

A genial política de Sérgio Cabral e de José Mariano Beltrame, à medida que não prende ninguém e que, na prática, proíbe os policiais de “entrar em confronto com a população” (bandido vira “população”), dá ao narcotráfico mais infraestrutura do que tinha antes. Não só: como a polícia está lá e não pode “enfrentar” bandidos, os manda-chuvas ficam felizes: estão livres do assédio de forças rivais e das milícias.
É o que Dilma quer para São Paulo. É o que esses setores da imprensa querem para São Paulo. As corporações têm sua história e sua tradição. A polícia deste estado não deixará de enfrentar bandidos nem que o PT, um dia, chegue ao governo e ainda que seja essa a vontade de certa imprensa. Não vai porque é contra a sua natureza. Se algum governante mandar condescender com o crime, não será, na prática, obedecido. Ainda bem!

Concluindo
Conforme antevi aqui, os mais serenos decretam uma espécie de empate. Dilma tomou a iniciativa de ligar para Alckmin.

Ele, claro, aceitou a oferta de colaboração – seja ela qual for. Chamei aqui a atenção para o fato de que aquele documento encaminhado à Globo (ah, sim, até Alckmin o recebeu) continha uma única proposta: receber alguns detentos em presídios federais, mas bem poucos…
Faz de conta, então, que Cardozo não plantou fofoca em jornal. Faz de conta, então, que Cardozo tinha alguma prova do que dizia. Faz de conta que Cardozo não demorou quatro meses para responder a um ofício de São Paulo – e o fez, ainda, em termos deseducados, tratando o estado que responde por mais de um terço do PIB como um pedinte sem honra. Decretou-se o empate entre a mentira e a verdade.
Procurem nos primórdios do blog ou lá nos tempos ancestrais do Primeira Leitura: eu sou favorável à presença das Forças Armadas em favelas dominadas pelo narcotráfico desde sempre – no Rio, em São Paulo e em qualquer lugar. Mas tem de estar lá para fazer o contrário do que recomenda o colunista da Carta Capital e sedizente jurista. Tem de estar lá para confrontar o crime, sim. A MENOS QUE SE QUEIRAM SOLDADOS UNIFORMIZADOS COMO SEGURANÇAS DO NARCOTRÁFICO.
Na era do “outro-ladismo” jornalístico, alguém pode sustentar que dois mais dois são quatro. Mas é preciso ouvir os que acham que são cinco. Quem está com a verdade? Ora, a tarefa da imprensa é dar todos os ângulos de uma questão e todas as opiniões, não é? Se a turma do cinco se mostra mais influentes e convincente; se é composta de pessoas que tocam mais fundo na afetividade ideológica (!!!) dos jornalistas; se é formada, em suma, de “progressistas” a serviço de uma boa causa, então dois mais dois passam a ser cinco.
Dilma e Cardozo poderiam ter feito uma oferta politicamente honesta a São Paulo, em benefício dos paulistas. Mas há erros que  nunca cometi na vida: jamais aposto que as pessoas possam ir contra a sua natureza.

02/11/2012

O enterro da CPI do Cachoeira confirma que quem esconde bandidos em casa não deve procurá-los no porão do vizinho





No peito de assassinos da verdade e da gramática também bate um coração, comprovou o SMS enviado ao governador Sérgio Cabral, em 17 de maio deste ano, pelo deputado federal Cândido Vaccarezza.

“Você é nosso e nós somos teu”, derramou-se o fecho do recado cafajeste, reproduzido e comentado na seção História em Imagens. Como as investigações da CPI do Cachoeira haviam topado com as ligações criminosas entre o quadrilheiro goiano e o empreiteiro Fernando Cavendish, dono da construtora Delta e o mais perdulário amigo de Sérgio Cabral, o deputado do PT paulista acionou o celular para livrar da insônia o governador do PMDB.

Virtualmente encerrada nesta quarta-feira, a comissão de pilantras e idiotas (leia o post na seção Vale Reprise) só serviu para confirmar uma advertência formulada pela coluna em maio passado: quem esconde bandidos em casa não deve procurá-los no porão do vizinho.

Foi o que fez o ex-presidente Lula ao conceber a CPI que serviria de armadilha para a captura dos inimigos Demóstenes Torres e Marconi Perillo.

De quebra, imaginou o estrategista trapalhão, o berreiro no Congresso evitaria que os holofotes se concentrassem no julgamento do mensalão.


Deu tudo errado: em parceria com José Dirceu, Lula acabou armando uma arapuca onde se enfiaram, além do senador do DEM e do governador do PSDB, também os companheiros Sérgio Cabral e Agnelo Queiroz, o empreiteiro Fernando Cavendish e outros fregueses da Delta.

Ao seguir o caminho traçado pelo estrategista trapalhão para alcançar o coração do poder em Goiás, a CPI desembocou na trilha que margeia o penhasco.

A solução encontrada pelos comandantes da tropa lulopetista foi enterrar o aleijão em cova rasa, declarar vitória e bater em retirada.

01/11/2012

O que Valério contou ao MP, e o que ainda resta contar

Reportagem de VEJA desta semana mostra que o operador financeiro do mensalão já começou a falar o que sabe ao Ministério Público. Ele tratou do caso Celso Daniel e avisou que há mais o que contar

NO INFERNO - O empresário Marcos Valério, na porta da escola do filho, em Belo Horizonte, na última quarta-feira: revelações sobre o escândalo
Valério contou ao MP detalhes envolvendo o assassinato de Celso Daniel                      (CRISTIANO MARIZ)

Em setembro, VEJA trouxe à tona alguns dos segredos guardados por Marcos Valério, operador financeiro do mensalão.

Entre eles, a informação de que o ex-presidente Lula teve papel de protagonista no esquema.

Pouco depois, o empresário informou o STF, por meio de um fax, que estava disposto a contar o que sabe.

Ele também foi ouvido pelo Ministério Público.

Reportagem da revista que chega às bancas nesta sexta-feira revela o que Valério disse ao MP, na tentatira de obter um acordo de delação premiada – um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios.

À procuradoria o empresário informou, pela primeira vez, ter detalhes sobre outro caso escabroso envolvendo o PT: o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.


O relato do publicitário é de que Lula e seu braço-direito, Gilberto Carvalho (atual secretário Geral da Presidência) estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime de Santo André – em especial, o empresário Ronan Maria Pinto, apontado pelo Ministério Público como integrante de um esquema de cobrança de propina na prefeitura.

Procurado pelos petistas para dar aos achacadores o dinheiro que eles buscavam, Valério recusou: "Nisso aí, eu não me meto", disse ele em um encontro com Sílvio Pereira, então secretário-geral do PT, e Ronan.

Quem relata é o próprio publicitário.



O operador do mensalão afirma que não aceitou entrar no jogo, mas sabe quem acertou as contas com Ronan: um amigo pessoal de Lula, utilizando-se de um banco não citado no esquema do mensalão.


Mais "bombas" – As declarações são apenas parte do arsenal de Valério.

Como VEJA havia mostrado já em setembro, o publicitário, que diz temer por sua vida, cogita trazer à luz detalhes sobre o envolvimento de Lula no esquema do mensalão.

Mais do que isso: diz ser capaz de desvendar o mistério sobre a origem do 1,7 milhão de reais apreendidos pela Polícia Federal no escândalo do dossiê dos aloprados, em 2006.

E de dar detalhes comprometedores sobre a participação do ex-ministro Antonio Palocci na arrecadação de recursos para o caixa do PT.


Valério foi condenado a 40 anos de prisão. É provável que sua delação tardia não tenha grandes efeitos sobre a pena que terá de cumprir.

Mas pode ajudar o país a resolver questões que ficaram sem resposta nos últimos anos.

O FÍGADO EM RECESSO




Por Sandro Vaia

Salvo melhor juízo, o PT resolveu criar juízo, pelo menos provisoriamente, e adiar para Deus sabe quando, a divulgação do seu manifesto contra o STF criticando a condenação de algumas de suas eminências pardas no julgamento do mensalão.

Depois de conquistar a joia da coroa-a prefeitura de São Paulo- numa eleição enfraquecida pela falta de entusia
smo dos eleitores, e de contrabalançar vitórias e derrotas em outros pontos importantes do País, o PT estava prestes a dar um sinal de inaudita arrogância, preparando um manifesto destinado a criticar a mais alta corte de Justiça pela condenação de alguns de seus membros mais históricos e eminentes.

Matéria publicada pela “Folha de São Paulo” de quarta-feira,1 de novembro, explica a decisão de adiar o manifesto atribuindo a um ministro petista a avaliação de que “a ordem é agir com mais cérebro e menos fígado”.

Na verdade, toda vez que o partido se entusiasma com a falsa ilusão de que finalmente conseguiu a hegemonia política completa no país, a sua direção nacional mexe no embornal de ameaças e acena com manifestos como esse, ou com a iminência de um “controle social da mídia”, eterno sonho de uma noite de verão de uma ala do partido que ainda não aprendeu como é a convivência madura com a democracia.
Para não sair do terreno da própria esquerda e não correr o risco de ser linchado como um neoliberal- o verdadeiro monstro dos tempos modernos- vou buscar no ensaísta gramsciano Luiz Sergio Henriques, em artigo publicado no reacionário Estadão, um conselho sobre o qual os petistas mais ilustrados e letrados poderiam muito bem meditar:

“A esquerda não deveria “sofrer” a democracia como se fosse concessão penosa e temporária aos “inimigos do povo”, mas promovê-la, ao lado de outras tendências, inclusive moderadas e conservadoras, como conquista da civilização”.

Em palavras menos acadêmicas, se quisermos usar um pouco de irreverência realista, o que o ensaísta está tentando dizer a seus companheiros de esquerda do PT é “menos, rapaziada”.

Sim, o PT ganhou a Prefeitura que mais lhe interessava –é bem verdade que com um pouco mais de 39% dos votos das pessoas aptas a votar, e menos por grandes méritos seus do que por inadequação plena do adversário- mas perdeu outras em que seu líder máximo empenhou seus bigodes, como BH, Manaus, Recife, Campinas, Salvador (para só citar algumas) e na redistribuição de poder nacional o consórcio progressista/conservador que governa o País ficou mais ou menos do mesmo tamanho.

Nada que justifique ou sustente atos, gestos e bravatas de desprezo à democracia.

Lula no seu labirinto





O julgamento do mensalão, que se encaminha para seu fim com a definição das penas dos condenados após o STF ter decidido que houve, sim, desvio de verba pública para compra de apoios políticos, clareou o cenário para a discussão sobre se o ex-presidente Lula sabia ou não do que ocorria “entre quatro paredes” no Palácio do Planalto, o aspecto mais delicado politicamente desse processo
Por Merval Pereira
O Globo

Desde que estourou o escândalo do mensalão, em 2005, muitas vezes surgiu a insinuação de que o então presidente Lula sabia de toda a trama, como quando se atribuiu ao próprio José Dirceu a afirmação, jamais desmentida, de que não fazia nada sem que Lula não autorizasse.

Nos últimos dias, entrevistas, declarações diretas ou atribuídas a participantes do esquema revelam novos detalhes, todos convergindo no sentido de afirmar que o ex-presidente foi parte ativa do esquema do mensalão.

O publicitário Marcos Valério, em depoimento ao Ministério Público, acusou Lula de ser o responsável pelo esquema do mensalão e acrescentou no rol dos envolvidos não julgados neste processo do STF o ex-ministro Antonio Palocci.

Valério pede os benefícios da delação premiada, diz-se ameaçado de morte e está pedindo sua inclusão no serviço de proteção às testemunhas.

Ex-mulher de Dirceu, Clara Becker disse à repórter do “Estadão” Débora Bergamasco que tanto ele quanto José Genoino “estão pagando pelo Lula”. E lançou a pergunta que está no ar há sete anos: “Ou você acha que o Lula não sabia das coisas, se é que houve alguma coisa errada? Eles assumiram os compromissos e estão se sacrificando.”

Difícil crer que a mulher que viveu com Carlos Henrique, a persona vivida por Dirceu no interior do Paraná, sua amiga até hoje, mãe do deputado federal Zeca Dirceu, declare isso sem conhecimento de causa e, sobretudo, sem a autorização do próprio.

A revista “Veja” tem em seu poder entrevista gravada em que Marcos Valério diz que Lula é o verdadeiro chefe por trás do esquema do mensalão.

Nessa entrevista, cujos detalhes mais importantes a revista publicou atribuindo a comentários de Valério com seus amigos, o publicitário fala da morte do prefeito Celso Daniel, episódio que também teria abordado no seu depoimento ao Ministério Público Federal (MPF).

Essa parte, a revista ainda não revelou, pois considerou que se tratava de assunto de que Valério não participou diretamente, sendo suas denúncias fruto do que ouviu dizer.

No próprio julgamento, o advogado Luiz Francisco Barbosa, que defende Roberto Jefferson, acusou o ex-presidente Lula de ser o verdadeiro mandante dos crimes. Ele se baseou na tese do “domínio do fato”, que levou o procurador-geral a acusar o ex-ministro José Dirceu como o “chefe da quadrilha”, e garantiu que os ministros envolvidos “eram apenas agentes de Lula”.
A repercussão dessa denúncia só foi neutralizada devido à posição dúbia de Roberto Jefferson, que acusou e defendeu Lula ao longo destes sete anos.

Da mesma forma, o advogado Marcelo Leonardo, que defende Valério, apresentou um memorial afirmando que seu cliente foi o bode expiatório de um esquema que tinha outros líderes, insinuando que entre eles estava o ex-presidente Lula.

Com o depoimento de Valério ao MPF, abre-se a perspectiva de uma investigação sobre a participação de Lula nos episódios. Os partidos de oposição anunciaram uma representação na Procuradoria pedindo essa investigação, pois Lula, tendo sido o principal beneficiário do esquema criminoso, pode estar envolvido, e “todos os brasileiros querem saber se ele teria sido o seu mandante também. Essa pergunta precisa de resposta”, na afirmação do presidente do PPS, Roberto Freire.

O tema saiu da redoma que o protegia há sete anos e está colocado publicamente. Seria bom se Lula viesse a público dar a sua versão dos fatos, em vez de querer negá-los.

Mas teria que ser uma versão definitiva, com começo, meio e fim, e não as versões desencontradas que vem dando ao longo desse tempo, quando já vestiu a roupa de traído, já pediu desculpas “pelos graves erros cometidos”, já disse que se tratava de caixa dois e, por fim, prometeu provar que tudo não passara de uma “farsa” cujo objetivo final seria a sua deposição.

02.11.2012



Na democracia, bom é mandar




EDITORIAL

O Estado de S.Paulo  
  

Notícia

A condenação de seus principais dirigentes - o chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, o presidente nacional José Genoino, o presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha e o tesoureiro Delúbio Soares, entre outros -, por corrupção ativa e formação de quadrilha, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não foi digerida pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O atual presidente nacional petista, Rui Falcão, já descartou publicamente a expulsão dos afiliados condenados pelo Supremo dos quadros partidários, embora a punição seja prevista no estatuto do partido para quem cometer "crimes infamantes" ou "práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado". Na festa do lançamento da edição n.º 5 mil do jornal do partido, Falcão decretou: "Nenhum deles está incluído. Não houve desvio administrativo. Quem aplica o estatuto somos nós. Nós interpretamos o estatuto". E mais: o PT faz questão de que Genoino assuma uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2013. Ele não foi eleito, mas ocupa a primeira suplência e um dos membros da bancada petista de São Paulo na Câmara, Carlinhos Almeida, foi eleito e será empossado prefeito de São José dos Campos, abrindo a vaga. "Ele tem o direito de assumir o mandato", pontificou o dirigente.

Genoino já foi condenado, mas o julgamento do mensalão no STF ainda não foi concluído. O Supremo ainda não decidiu se os parlamentares condenados perderão seus mandatos automaticamente ou se deverão ser julgados pelos pares. Além de contrariar a iniciativa do réu de demitir-se do cargo de assessor especial do Ministério da Defesa para evitar constrangimentos para si próprio, colegas e chefes, a decisão de tornar a posse de Genoino fato consumado antes da decisão do Judiciário desafiaria o Estado Democrático de Direito, que o partido garante defender e jura proteger.

Mas, felizmente, o PT está dividido. A Folha de S.Paulo (pág. A4, 1/11/2012) noticiou que uma divisão interna do partido da presidente Dilma Rousseff forçou o adiamento da divulgação de um manifesto do PT contra a atuação do STF no julgamento do mensalão. A divulgação do texto, que, de acordo com a notícia, atacaria a condenação dos petistas, foi postergada para depois da fixação das penas porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora, Dilma Rousseff, não querem que em 2013 PT e governo travem uma batalha campal contra o Supremo. Nem que o partido assuma o ônus de uma eventual mobilização do gênero.

Em 20 de setembro passado, por iniciativa do presidente nacional do PT e com adesão constrangida de dirigentes de bancadas da base aliada, foi divulgado um manifesto em que o julgamento foi descrito como resultado da ação de inimigos do partido: "As forças conservadores não hesitam em recorrer a práticas golpistas, (...) à denúncia sem provas".

A chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, contudo, se opôs à atitude hostil dos petistas ao Supremo e defendeu o respeito à sua decisão. "Nós podemos gostar ou não de como as coisas se dão, mas nós temos de respeitar resultados e instituições", disse.

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, publicou artigo na rede mundial de computadores qualificando o julgamento de "devido e legal" e seu resultado como "legítimo", de vez que os acusados tiveram amplo direito de defesa.

Se, de fato, mesmo se solidarizando com os condenados e atacando a "politização" do julgamento, o PT não fizer campanha permanente por eles para não dar impressão de revanchismo, fica patente que o partido de Lula, Dirceu e Dilma ainda não se definiu sobre seu papel na chamada "democracia burguesa".

Não há clima para mobilizar a militância contra o Judiciário e Genro tem razão ao afirmar que isso seria inócuo, na prática.

De qualquer maneira, o partido só se une para usufruir benefícios, pompas e glórias do governo no Estado Democrático de Direito, mas ainda abriga revolucionários recalcitrantes que se dispõem a chegar às últimas consequências de uma crise indesejável sob todos os aspectos entre os Poderes da República para satisfazer ambições de mando unívoco e total acima das regras democráticas da impessoalidade da gestão pública e da alternância no poder político.

02 de novembro de 2012

Para PT, oferta de cooperação de Valério não merece crédito


A cúpula do PT procurou ontem desqualificar o novo depoimento que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por sua atuação como operador do mensalão, teria prestado à Procuradoria-Geral da República sobre o esquema

DE BRASÍLIA
FOLHA DE SÃO PAULO

Saindo em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alvo principal de um novo pedido de investigação de partidos de oposição, os petistas disseram que Valério está tentando se livrar da pena imposta pelo STF e por isso não merece credibilidade.



Marcelo Prates -2.dez.2012/Hoje em Dia/Folhapress
Marcos Valério, condenado no processo do mensalão

Ontem, o jornal "O Estado de S. Paulo" informou que Valério prestou novo depoimento ao Ministério Público em setembro. Os detalhes são mantidos em sigilo, mas, segundo o jornal, o empresário citou Lula e o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, disse duvidar que Valério tenha algo a acrescentar ao que já foi dito no julgamento do mensalão e ironizou o novo depoimento: "Se eu fosse condenado a 40 anos de prisão também estaria me mexendo".

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, foi na mesma linha. "Não temos nada a temer", afirmou, num intervalo da reunião que a Executiva Nacional do partido fez ontem. "Tudo que ele poderia ter falado falou no processo."

Apontado como o operador do mensalão, Valério foi condenado pelo STF por corrupção ativa, peculato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Suas penas somam mais de 40 anos de prisão, mas ainda poderão ser revistas pelo STF.

Segundo "O Estado de S. Paulo", o empresário mencionou no depoimento outras remessas de recursos do mensalão ao exterior além das que foram feitas para o publicitário Duda Mendonça, que trabalhou na campanha de Lula em 2002 e foi absolvido.

De acordo com a reportagem, Valério também disse no depoimento que foi ameaçado de morte e mencionou o assassinato do prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, morto em 2002.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que não se pronunciará sobre o assunto. O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, disse não ter "nada a declarar".

Valério enviou em setembro um fax ao Supremo dizendo-se disposto a depor novamente e pedindo proteção das autoridades, alegando que corre risco de vida.

Ministros do STF disseram à Folha que Valério quer entrar no programa federal de proteção a testemunhas para garantir tratamento especial na cadeia ou ser enviado a um lugar não identificado, evitando assim a prisão.

Ontem, o DEM e o PSDB recuaram da decisão de pedir ao Ministério Público Federal a abertura de inquérito para apurar se Lula participou do esquema do mensalão após serem informados do novo depoimento de Marcos Valério. O PPS afirma que vai entrar com o pedido, mesmo sem o apoio do DEM e PSDB. "Isso é problema deles, nós vamos protocolar a ação na terça-feira", disse o presidente do PPS, Roberto Freire (SP).

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), considerou "lamentável" a tentativa de vincular Lula ao mensalão: "Depois do julgamento, depois de todas as análises feitas, de todas as investigações feitas, eu diria que não cabe mais nenhum tipo de ilação sobre esse tema". O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), disse que Valério "é uma pessoa desqualificada".

O PT decidiu adiar a publicação de um manifesto com críticas aos ministros do STF para depois que forem definidas as penas de todos os 25 condenados. O julgamento será retomado na quarta.

02/11/2012

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O rompimento do Valerioduto



 

Sobrou só Marco Maia no PT para atacar Valério? Entendo. O nome “Celso Daniel” provoca calafrios



O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) anda mesmo lerdo das ideias ou só está fingindo?

Por Reinaldo Azevedo

Pode ser qualquer ponto entre uma coisa e outra. Ele agora deu pra ser juiz do depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público Federal.

Leiam o que informa a Folha, com texto do “Valor”.

Volto em seguida.

Marco Maia considera lamentável depoimento de Valério que cita Lula

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), classificou nesta quinta-feira (1º) como lamentável o depoimento do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza à Procuradoria, em que ele faria novas revelações sobre o esquema do mensalão envolvendo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Antonio Palocci.

Valério prestou novo depoimento ao Ministério Público Federal no fim de setembro e citou o ex-presidente e o ex-ministro, de acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”.

O empresário é apontado como o operador do mensalão e foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“Eu colocaria essas afirmações e esse suposto novo depoimento do Marcos Valério no que nós chamamos de ‘jus sperniandi’. Depois do julgamento, de todas as análises feitas, todas as investigações feitas, eu diria que não cabe mais nenhum tipo de ilação sobre esse tema e principalmente, com essa intenção de envolver o presidente Lula nessa investigação”
, afirmou o presidente da Câmara, acrescentando que a possível participação de Lula no caso já foi exaustivamente investigada.

Na avaliação do presidente da Câmara, o depoimento não deve preocupar o PT. “Isso já foi exaustivamente investigado, teve duas CPIs na Câmara dos Deputados que trataram desse tema, já foi investigado pelo Ministério Público, pelo próprio Supremo Tribunal Federal”, declarou.
(…)

Voltei
O PT ficou de lançar hoje um manifesto à nação contra o Supremo Tribunal Federal e a “mídia golpista”. Mal posso esperar. Deve ser mesmo encantador. Em matéria de “jus sperneandi”, convenham, ninguém supera a gritaria bucéfala e obscurantista que o partido vem promovendo contra a democracia.

Quanto ao mensalão, dizer o quê? Ou é lerdo das ideias ou está mal informado — ou algo entre um ponto e outro.

O mensalao não acabou. Se a Justiça de primeiro grau se levar a sério — e as instâncias seguintes, eu diria que mal começou. Marcos Valério, tudo indica, fez novas revelações. Ao Ministério Público, havendo indícios robustos, cabe a apuração preliminar e, se for o caso, o oferecimento de denúncia.

É bom lembrar que o caso do BMG, aquele que concentra a maior quantidade de atos de ofício — desta feita, ASSINADOS — por centímetro quadrado de processo, ainda pode chamar para o centro da dança ninguém menos do que o Apedeuta-chefe.

E essa é a razão da gritaria.


Encerro indagando: não sobrou ninguém mais graduado no PT para tentar desmoralizar Marcos Valério? É, parece que os companheiros ficaram meio assustados.

Eu entendo.

O nome “Celso Daniel” provoca calafrios e pesadelos em certas áreas do partido.

01/11/2012


Fala, Valério!



Marcos Valério quer falar o que sabe sobre o mensalão.

É certo que ainda há muito a revelar para esclarecer a fundo o maior escândalo de corrupção da história política do país. Não passa um dia sem que novas ramificações surjam.

Até por esta razão, as autoridades deveriam voltar a ouvir o principal operador do esquema; ele deve ter muita coisa para contar e o PT muita coisa a temer.
O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou que, em setembro, Valério propôs a chamada delação premiada, ou seja, a possibilidade de colaborar com a Justiça em troca de benefícios, conforme revelara a revista Veja neste fim de semana.

O operador do mensalão também pediu inclusão no programa de proteção a testemunhas, por se considerar sob risco de morte. Deveria ter suas solicitações acatadas.

Valério agora falaria como quem já foi condenado pelo Supremo a 40 anos, um mês e seis dias de cadeia por crimes como corrupção, peculato e formação de quadrilha.

Isso significa que, provavelmente, não teria mais nada a perder e poderia abrir a boca que acertos de outrora com o PT mantiveram convenientemente fechada até agora.

Quem deve estar mais apreensivo é Luiz Inácio Lula da Silva.

Em setembro, a Veja publicou que Valério teria dito que seu silêncio poupara o ex-presidente do desgosto de ter que se sentar no banco dos réus da mais alta corte de Justiça do país.

Ele também teria revelado que o mensalão movimentou cifra bem maior do que a conhecida até agora: R$ 350 milhões ou quase três vezes mais do que já se provou até aqui.

Não é só Valério que diz que está faltando Lula na lista dos processados pela Procuradoria-Geral da República e condenados pelo STF.

Até a ex-mulher do mensaleiro-mor, José Dirceu, não tem a menor dúvida disso: "Eles estão pagando pelo Lula. Ou você acha que o Lula não sabia das coisas?", afirma Clara Becker em entrevista publicada hoje por O Estado de S.Paulo.

Lula já classificou estas insinuações como "golpe", sem explicar, porém, como alguém que já não ocupa qualquer cargo público pode ser alvo de destituições de qualquer natureza.

O que se sabe é que o que ainda não foi revelado teria, isto sim, sido capaz de implodir o governo do petista.

Vindo à luz agora, poderia pelo menos ajudar a passar a limpo este nefasto capítulo da história do país.
Deve ser por isso que o PT tem se apressado em tentar varrer, o mais rápido possível, a sujeira do mensalão para debaixo do tapete.

O partido dos mensaleiros faz isso de maneiras mais ou menos ofensivas.

Algumas delas são seus panfletários e ocos manifestos, que, com suas teses conspiratórias, só servem para insuflar a militância e tornar ainda mais ridículo o petismo - promete-se a divulgação de mais um papelucho nesta quinta-feira...

Mas há ações objetivas e de maior gravidade, sempre no sentido de reforçar a conivência do PT com os malfeitos.

O partido dos mensaleiros informou ontem que não irá expulsar seus filiados condenados pelo STF, contrariando o que prevê seu estatuto. Mais que isso, também irá dar carta branca para que um deles, José Genoino, considerado culpado por corrupção e formação de quadrilha, tome posse como suplente na Câmara dos Deputados. É a velha leniência de sempre.

Mas, enquanto o PT se omite, os órgãos competentes seguem fazendo sua parte, ampliando as investigações e buscando as ramificações do mensalão.

A Folha de S.Paulo revela hoje que ex-dirigentes do Banco do Brasil e da Visanet tiveram a quebra de sigilo bancário determinada pela Justiça.

É dali que saiu a grossa dinheirama desviada dos cofres públicos pelo PT para irrigar o bolso de parlamentares comprados no Congresso.

Por conta destas tenebrosas transações, Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do BB, já foi condenado pelo Supremo.

É fácil perceber que ainda há muito do escândalo do mensalão a ser investigado e punido. O julgamento não pode parar na imputação das penas aos condenados pelo Supremo Tribunal Federal.

Todas as evidências sugerem que gente graúda acabou fora das investigações, mas a cada dia surgem novas revelações a recomendar novas apurações.

Ouçamos o que Marcos Valério tem a dizer.

Só quem deve teme.


Fonte: Instituto Teotônio Vilela
31/10/2012



Valério cita Lula e Palocci em novo depoimento ao MPF sobre o mensalão



Empresário formaliza pedido para sua inclusão no programa de testemunhas enviando fax ao STF

Ricardo Brito e Fausto Macedo
O Estado de S.Paulo

Empresário condenado como o operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza prestou depoimento ao Ministério Público Federal no fim de setembro. Espontaneamente, marcou uma audiência com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Fez relatos novos e afirmou que, se for incluído no programa de proteção à testemunha - o que o livraria da cadeia -, poderá dar mais detalhes das acusações.


Dida Sampaio/AE
Valério formalizou o pedido para sua inclusão no programa de testemunhas enviando um fax ao Supremo

Dias depois do novo depoimento, Valério formalizou o pedido para sua inclusão no programa de testemunhas enviando um fax ao Supremo Tribunal Federal. O depoimento é mantido sob sigilo. Segundo investigadores, há menção ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-ministro Antonio Palocci e a outras remessas de recursos para o exterior além da julgada pelo Supremo no mensalão - o tribunal analisou o caso do dinheiro enviado a Duda Mendonça em Miami e acabou absolvendo o publicitário.

Ainda no recente depoimento à Procuradoria, Valério disse já ter sido ameaçado de morte e falou sobre um assunto com o qual parecia não ter intimidade: o assassinato em 2002 do então prefeito de Santo André, Celso Daniel.

A "troca" proposta pelo empresário mineiro, se concretizada, poderá livrá-lo da prisão porque as testemunhas incluídas no programa de proteção acabam mudando de nome e passam a viver em local sigiloso tentando ter uma vida normal. No caso da condenação do mensalão, Valério será punido com regime fechado de detenção. A pena ultrapassou 40 anos - o tempo da punição ainda poderá sofrer alterações no processo de dosimetria. O empresário ainda responde a pelo menos outras dez ações criminais, entre elas a do mensalão mineiro.

Ressalvas. Os detalhes do depoimento, assinado por Valério e pelo criminalista Marcelo Leonardo, seu advogado, são tratados com reserva pelo Ministério Público. O empresário sempre foi visto por procuradores da República como um "jogador". Anteriormente, chegou a propor um acordo de delação perante o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza - autor da denúncia contra o mensalão -, mas, sem apresentar novidades, o pedido foi recusado.

O novo depoimento pode ser, na avaliação de procuradores, mais uma manobra estratégica a fim de ele tentar se livrar da severa punição imposta pelo STF.

Por isso, as informações e novas acusações estão sob segredo.

O Ministério Público analisará se abre ou não novo processo para investigar a veracidade dos dados. Gurgel ainda avalia se aceita ou não incluir Valério no programa de proteção a testemunhas.

O advogado de Valério não quis comentar o assunto num primeiro momento. Depois, disse: "Se essa matéria for publicada e o meu cliente for assassinado terei que dizer que ele foi assassinado por causa dessa matéria. Não tenho outra opção".

O envio do fax ao STF com o pedido de proteção foi confirmado na terça-feira passada, pelo presidente da Corte, ministro Carlos Ayres Britto. "Chegou um fax. Não posso dizer o conteúdo porque está sob sigilo."

O pedido foi destinado ao gabinete do relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, e encaminhado para análise da Procuradoria-Geral.

Os novos relatos feitos por Valério não terão efeito imediato na ação do mensalão. As penas continuarão a ser aplicadas. Eventualmente, caso haja um acordo de delação premiada num novo processo, o cumprimento da pena pode ser revisto e até diminuído, a depender da Justiça.
01 de novembro de 2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Dança dos Sete Lenços é uma boa imagem para simbolizar o que o PT fez com a CPI do Cachoeira — Ou: A Grande Vergonha


Sérgio Côrtes, secretário da Saúde, e Carlos Wilson, secretário de governo, fazem papel ridículo em Paris ao lado de Cavendish, aquele já com a fralda (a da camisa) fora da calça
Por Reinaldo Azevedo

A CPI do Cachoeira (ver post anterior) vai chegando ao fim como começou: uma farsa! Nunca foi para valer. E é assim por vontade dos governistas. Lula e José Dirceu, a partir de informações fragmentadas e falsas, acreditavam que poderiam destruir a “mídia” — que é como eles chamam a imprensa independente — e a oposição. Num primeiro momento, a imprensa surfou também na onda (os arquivos não me deixam mentir) e simplesmente ignorava o óbvio: a empresa que estava no centro do escândalo chamava-se… DELTA!

Demóstenes Torres, justamente punido, era apenas a personagem vistosa que desviava o escândalo do seu centro. Escrevi um post a respeito no dia 8 de abril de 2012.

Reproduzo um trecho.

*
A memória seletiva de certos setores da imprensa faz lembrar, às vezes, a seletividade dos que estão vazando informações sobre a Operação Monte Carlo. A construtora Delta, a empresa que mais toca obras do PAC, aparece, segundo relatório da Polícia Federal, atuando para o esquema de Carlinhos Cachoeira.

Delta, Delta, Delta… Esse nome não nos é estranho, certo?

Como lembrei aqui no dia 2 de dezembro do ano passado, o dono da empresa, Fernando Cavendish, é um homem que tem amigos poderosos. Dois dos mais destacados são Sérgio Cabral, governador do Rio, e José Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR). No Rio, a Delta toca obras de R$ 600 milhões. Pelo menos R$ 164 milhões desse total foram contratados sem licitação. Naquele trágico fim de semana de junho, em que um acidente de helicóptero matou sete pessoas no litoral baiano, incluindo a nora de Cabral, o governador integrava o grupo que estava na Bahia para comemorar o aniversário de Cavendish. Cabral viajou àquele estado no avião particular de outro potentado do setor privado: Eike Batista (se quiser mais sobre o mundo cabralino, clique aqui). Adiante.

Cavendish cresceu muito durante o governo petista. Teve um “consultor” de peso: Dirceu. No começo de maio do ano passado, VEJA publicou uma reportagem sobre a meteórica ascensão de Cavendish.

(…)


Voltei
Pois é, caras e caros! Os mais de quatro milhões de acessos a este blog neste mês de outubro fazem sentido, né? Não dá pra negar que este bloguinho costuma ver com mais aguda vista, como diria Padre Vieira, a natureza do jogo.

Quando escrevi o post acima, a Delta era tratada como uma personagem lateral do imbróglio. Afinal, o objetivo de Lula e Dirceu, que forçaram a mão para criar a CPI, era pegar a imprensa, a oposição e o então senador Demóstenes Torres — que foi justamente cassado à esteira da lambança.
Foi justamente cassado, mas que se reitere: era um homem de Cachoeira numa das atividades do contraventor: o jogo do bicho e seus derivados, que só às vezes se cruzavam com o imbróglio Delta. Esse era outro departamento. Cachoeira era o representante da empreiteira no Centro-Oeste.

A empresa tinha outros braços, bem mais produtivos e ricos. Ficou, desde sempre, no ar a pergunta: quem era o Cachoeira de Cavendish no Rio de Janeiro, por exemplo?

Vejam lá o meu texto de 8 de abril. Ali eu já lembrava parte das folias de Cabral com Cavensih, e a dança dos Sete Lenços em Paris ainda não havia se tornado pública.

Também havia certo esforço para ignorar o óbvio: Cavendish era, por excelência, o “homem do PAC”…

Com o apoio da Al Qaeda eletrônica, o PT fez o diabo para ignorar Cavendish. Queria era levar a imprensa para o banco dos réus.

Não conseguiu.

Mas os que se organizaram para investigar efetivamente o escândalo também não lograram sucesso.

Termina como farsa

O que começou como farsa como farsa termina. É espantoso que essa comissão chegue ao fim sem investigar a Delta e seu laranjal. Cavendish fez aparição relâmpago na CPI munido de habeas corpus para não se incriminar, é verdade, mas isso não impediria a comissão, se quisesse, de apurar a lambanças de sua empresa.

O problema é que ninguém queria investigar nada. Como ficou claro desde o início, o objetivo era jogar na fogueira a imprensa independente e a oposição.

O alvo?

Ora, deixemos que Rui Falcão, este notável pensador, o revele. Transcrevo trecho de sua fala num vídeo tornado público no dia 11 de abril:

“A bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão. É preciso que a sociedade organizada, movimentos populares, partidos políticos comprometidos com a luta contra a corrupção como é o PT, se mobilizem para impedir a operação abafa e para desvendar todo o esquema montado por esses criminosos, falsos moralistas que se diziam defensores da moral e dos bons costumes”.

Viram só?

Ele deixava claro que o objetivo da CPI era, na verdade, criar uma onda que embaralhasse o julgamento do mensalão no Supremo. Não se esqueçam de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, era outro dos alvos do petismo.

E vejam ali a asquerosa convocação aos “movimentos populares” e à “sociedade organizada” para impedir o que ela chamava de “operação abafa”.

A CPI do Cachoeira sempre teve uma esmagadora maioria de governistas. Como poderia a minoria organizar a “operação abafa”?

A fala de Falcão era, obviamente, uma farsa. O PT e os partidos aliados comandam, agora, o enterro da CPI sem investigar Cavendish, sem investigar a Delta, sem investigar a atuação da empreiteira no Rio, sem investigar a atuação da empreiteira no próprio governo federal.

De quebra, ainda assistimos, no meio do caminho, à frenética movimentação de setores do governo para tentar vender a empreiteira-problema ao grupo JBS — de que, ora, ora, é sócio o BNDES. O troço só não prosperou porque começou a beirar a pornografia.

Não que eles repudiem esse estágio da degradação. É que tudo ficou muito na vista, e, como escreveu Camões, o dano poderia ser maior do que o perigo.

Eis aí… Cachoeira tem de pagar pelos seus crimes, é claro! Já está pagando. Mas ele, é evidente, era apenas um peixe de médio porte.

Os petistas deram um jeito de acabar com a CPI para preservar os tubarões, a si mesmos e a seus aliados.

É evidente que deveria ser oferecido ao bicheiro o benefício da delação premiada.

Não sei se ele toparia.

Ele tem motivos para ter medo.

A turma não brinca em serviço.

31/10/2012