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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Em bilhete apreendido pela PF, Cachoeira escreve que Dirceu é “consultor da Delta” e pergunta por que petista não está preso


 
Por Fernando Mello
Folha
Em um bilhete apreendido pela Polícia Federal, o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, se compara a José Dirceu e diz que fez o mesmo que o ex-ministro.

O papel estava na casa da mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça. Nele, Cachoeira chama Dirceu de “consultor” da empreiteira Delta e questiona por qual motivo o ex-ministro não está preso.

O documento foi apreendido em julho, quando, a pedido do Ministério Público Federal, a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão na casa de Andressa.

“Se eu sou um consultor da Delta e estou preso, e o Zé Dirceu que é um consultor da Delta?

Qual a diferença entre nós?”
, diz o texto.



A PF não investigou nenhuma relação de Dirceu com a Delta.

Naquele momento, o ex-ministro ainda não havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal, no processo do mensalão.

O papel chamou a atenção de investigadores e pessoas com acesso aos processos envolvendo Cachoeira.

Apesar de não haver relevância criminal para servir como prova, o bilhete foi visto como um recado ao PT.

O advogado de José Dirceu, Jose Luis de Oliveira, disse que o bilhete é “irrelevante”.

O advogado de Carlos Cachoeira, Nabor Bulhões, disse não ter conhecimento da existência do papel.

Durante a Operação Monte Carlo, deflagrada em 29 de fevereiro, a PF investigou as relações entre Cachoeira e a Delta, especialmente no Centro-Oeste.

A PF chegou a apontar Cachoeira como sócio oculto da Delta.

Laudos da polícia indicaram que verbas da empreiteira abasteceram empresas de fachada ligadas a Cachoeira.
(…)


26/11/2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O enterro da CPI do Cachoeira confirma que quem esconde bandidos em casa não deve procurá-los no porão do vizinho





No peito de assassinos da verdade e da gramática também bate um coração, comprovou o SMS enviado ao governador Sérgio Cabral, em 17 de maio deste ano, pelo deputado federal Cândido Vaccarezza.

“Você é nosso e nós somos teu”, derramou-se o fecho do recado cafajeste, reproduzido e comentado na seção História em Imagens. Como as investigações da CPI do Cachoeira haviam topado com as ligações criminosas entre o quadrilheiro goiano e o empreiteiro Fernando Cavendish, dono da construtora Delta e o mais perdulário amigo de Sérgio Cabral, o deputado do PT paulista acionou o celular para livrar da insônia o governador do PMDB.

Virtualmente encerrada nesta quarta-feira, a comissão de pilantras e idiotas (leia o post na seção Vale Reprise) só serviu para confirmar uma advertência formulada pela coluna em maio passado: quem esconde bandidos em casa não deve procurá-los no porão do vizinho.

Foi o que fez o ex-presidente Lula ao conceber a CPI que serviria de armadilha para a captura dos inimigos Demóstenes Torres e Marconi Perillo.

De quebra, imaginou o estrategista trapalhão, o berreiro no Congresso evitaria que os holofotes se concentrassem no julgamento do mensalão.


Deu tudo errado: em parceria com José Dirceu, Lula acabou armando uma arapuca onde se enfiaram, além do senador do DEM e do governador do PSDB, também os companheiros Sérgio Cabral e Agnelo Queiroz, o empreiteiro Fernando Cavendish e outros fregueses da Delta.

Ao seguir o caminho traçado pelo estrategista trapalhão para alcançar o coração do poder em Goiás, a CPI desembocou na trilha que margeia o penhasco.

A solução encontrada pelos comandantes da tropa lulopetista foi enterrar o aleijão em cova rasa, declarar vitória e bater em retirada.

01/11/2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O gerente da usina de habeas corpus bancada por Cachoeira reassumiu a chefia do exército de bacharéis do mensalão


 Direto ao Ponto




Tão loquaz quando deveria calar-se, Márcio Thomaz Bastos não deu um pio sobre as ameaças de morte que afastaram do caso o juiz Paulo Augusto Moreira Lima, que autorizou as escutas telefônicas feitas pela Operação Monte Carlo e, depois, determinou a prisão de Carlinhos Cachoeira e seus asseclas mais graduados
 
Sempre caprichando na cara de paisagem, o doutor preferido da bandidagem dolarizada fingiu nem ter notado o incidente.
E prosseguiu na ofensiva destinada a tirar da cadeia o cliente de R$ 15 milhões ─ e permitir que use a liberdade para intimidar magistrados pessoalmente.

Nesta terça-feira, ao informar que deixou de ser advogado do quadrilheiro goiano, Márcio estimulou a difusão de rumores segundo os quais abandonou o caso por não admitir o que fez com o juiz Alderico Rocha Santos a chantagista aprendiz Andressa Mendonça, mulher e comparsa do chefão.

A versão não combina com a folha corrida.


Se contemplou com obscena indiferença as pressões criminosas exercidas sobre Moreira Lima, por que haveria de espantar-se com a tentativa de compra da boa vontade de Rocha Santos dando em pagamento um dossiê imaginário?

A conversa fiada tropeça na evidência de que Márcio caiu fora do caso Cachoeira para voltar a dedicar-se em tempo integral ao comando do exército de bacharéis a serviço dos mensaleiros.

Ele assumiu o posto em junho de 2005, quando começou a drenagem do pântano que ocultava os delinquentes federais. Para cumprir a missão que Lula lhe confiara ─ montar uma linha de defesa para os bandidos de estimação ─, Márcio suspendeu as atividades de ministro da Justiça e reincorporou o criminalista especializado na absolvição de culpados.

Na Esplanada dos Ministérios desde janeiro de 2003, ele era apenas o mais bem vestido na multidão de ineptos aglomerada no primeiro escalão.

Não concluíra nenhum dos presídios prometidos mais de dois anos antes. Não conseguira sequer esboçar uma política de segurança pública capaz de reduzir a insônia dos moradores das grandes cidades.

Pouco fizera para neutralizar o crime organizado ou o avanço do narcotráfico. Freguês do doutor e chefe do ministro, o presidente sabia que o primeiro era bem melhor que o segundo.

O doutor precisou de algumas horas para mostrar que tinha de sobra a inventividade que faltava ao ministro.

Foi ele quem tentou reduzir a “crimes eleitorais” as gatunagens dos delúbios, valérios, genoinos, silvinhos e dirceus.


Foi ele quem debitou na conta do caixa dois dinheiro tungado dos cofres públicos.

Foi ele quem procurou rebaixar a maior roubalheira da história do Brasil a uma pequena farra com
“recursos não contabilizados”.
No momento, faz o que pode para interditar, obstruir ou, se possível, dinamitar os caminhos por onde o processo tenta avançar há cinco anos.

Como lembra o post reproduzido na seção Vale Reprise, o ex-ministro que apostou na lentidão da Justiça e na amnésia nacional agora aposta na “falta de provas” e na gratidão dos ministros cuja indicação chancelou.

A sabatina no Senado sempre foi um chá de senhoras. O que valia era a conversa a dois com MTB, e ele vive lembrando aos indicados que espera ver retribuído o parecer favorável. Tomara que os ministros ensinem ao advogado que ainda há juízes no Brasil.
A maioria deles parece saber que, se o Supremo engolir a intragável teoria de que o mensalão não existiu, terá optado pelo suicídio.

Se os figurões do bando acabarem absolvidos “por falta de provas”, o Judiciário deixará de existir como poder independente.

Para Márcio, tanto faz.

O importante é ganhar o jogo.

Liberado da gerência da fábrica de habeas corpus financiada por Carlinhos Cachoeira, o general da tropa de doutores agora mantém em funcionamento, 24 horas por dia, a usina de recursos espertos e chicanas em geral, forjadas para adiar o desfecho do processo até o fim dos tempos.



Como é improvável que as sessões se estendam além de setembro, já em outubro ─ seja qual for o resultado do julgamento ─ Márcio Thomaz Bastos estará à disposição de qualquer meliante capaz de desembolsar os honorários que cobra.

Se Cachoeira continuar interessados, ele estudará com muito carinho um segundo convite para juntar-se a um canalha que ameaça e chantageia juízes.

Com Andressa incluída, a conta vai subir para 30 milhões.

31/07/2012

terça-feira, 31 de julho de 2012

Saída oficial de Bastos do caso Cachoeira não deixa de colaborar com mensaleiros





Os mensaleiros certamente se sentiram um tantinho mais aliviados com a saída, oficial ao menos, de Márcio Thomaz Bastos do caso Cachoeira.

Por quê?

Por Reinaldo Azevedo

O ex-ministro da Justiça, petista de quatro costados, é, assim, o Grande Espírito que anima os defensores dos réus, certo?

Oficialmente ao menos, foi ele quem inventou a tese de que tudo é crime eleitoral, como se a destinação do dinheiro — o “depois” — alterasse a natureza dos crimes cometidos para conseguir a grana — o “antes”. E os crimes que importam (e dos quais os réus são acusados) são aqueles cometidos no “antes”, certo?

Imaginem Bastos como o grande espírito da Defesa dos mensaleiros, a fazer a sua sustentação oral no Supremo, à qual se dará grande importância, com a audiência sabendo que advoga também para Cachoeira, hoje a Geni do Brasil. O cérebro humano é, às vezes, simples e objetivo: “Os mensaleiros são tão inocentes quanto Cachoeira…”

Assim, temos um Bastos que, ao abandonar o cliente, vê crescer a sua fama de advogado ético, o que pode colaborar para a causa mais importante: a dos mensaleiros. Nota à margem: a tese do crime eleitoral, na origem, não é de Bastos, não, mas de outro advogado, que também atua no caso. O autor não quer saber de reivindicar a paternidade, o que Bastos faz sem problema.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Andressa Mendonça, tem 20 milhões de reais resumidos em uma fazenda






1,5 milhão num terreno


Por Lauro Jardim

Na lista das fortunas em nome de integrantes do bando do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o que chama atenção é o patrimônio “franciscano” do próprio bicheiro: 1,5 milhão de reais resumido em um terreno em Goiânia.

A ex-mulher de Cachoeira Andrea Aprigio tem 16,3 milhões de reais em patrimônios, e a atual mulher, Andressa Mendonça, tem 20 milhões de reais resumidos em uma fazenda. Já os três irmãos “Almeida Ramos” de Cachoeira, tem fortunas distribuídas em quantias bem diferentes: Paulo (8,1 milhões de reais), Marco Antonio (2,7 milhões de reais) e Reginaldo (17,1 milhões de reais).

Adriano Aprigio, ex-cunhado de Cachoeira fecha a lista das maiores fortunas com 9,4 milhões de reais.

O patrimônio completo do bando de Cachoeira, segundo a PF apurou, envolve 36 fazendas e chácaras, 58 apartamentos, treze casas, dezoito prédios e salas comerciais, 74 terrenos, 51 veículos de passeio, 32 motos, quatro caminhões, 21 empresas e 3 415 cabeças de gado. O valor estimado de todos esses bens somados é de cerca de 167 milhões de reais.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Marconi Perillo é o Eduardo Azeredo da vez






Em 4 de novembro de 2009, foi publicado neste espaço o texto que se segue.

Volto depois do ponto final.




Os primeiros barulhos do escândalo do mensalão, em maio de 2005, jogaram no colo do PSDB o personagem com que sonham todos os atores políticos. Foi bem no papel de mocinho da história até o depoimento do publicitário Duda Mendonça, atulhado de revelações que transformaram o presidente Lula em forte candidato ao impeachment. Em vez do confronto imposto pela coerência, o partido resolveu poupar o principal adversário, para arrastar até novembro de 2006 um chefe de governo com lama pela cintura e destroçar nas urnas o sonho do segundo mandato.

A opção equivocada deixou Lula fora do pântano onde nadavam de braçada ─ em meio a alevinos adquiridos nos criadouros da base alugada ─ os delúbios, silvinhos, genoínos e dirceus. Os líderes tucanos e os aliados do PFL acharam o cardume de peixes graúdos suficientemente impressionante para dispensar a incorporação da baleia branca. Em agosto, celebravam a estratégia prodigiosa quando foi descoberto o encanamento clandestino construído em Minas Gerais para despejar dinheiro sujo na campanha de 1998.

Planejado por Walfrido Mares Guia, depois recrutado por Lula para fazer o serviço no Ministério do Turismo, o duto construído na gestão do governador Eduardo Azeredo, candidato ao segundo mandato, foi patrocinado por um aprendiz de corrupto bastante promissor chamado Marcos Valério. A DNA, uma das agências de Valério, conseguiu um empréstimo de R$ 11,7 milhões no Banco Rural, oferecendo como garantia contratos de publicidade com secretarias estaduais. Repassada ao QG da coligação liderada por Azeredo, a bolada irrigou tanto a campanha do governador quanto a de 70 candidatos à Câmara dos Deputados.

Terminada a campanha, Marcos Valério estava pronto para a montagem do esquema do mensalão, completado em parceria com Delúbio Soares, tesoureiro do PT, professor de matemática e mestre em ladroagem. Derrotado, Azeredo elegeu-se senador em 2003 e presidente do PSDB. Em agosto de 2005, alvejado pela bala perdida, subiu à tribuna com o lodo pelas canelas. Desceu só com a cabeça à tona.

Os constrangidos tapinhas nas costas dos correligionários contrastaram com o sorriso coletivo da companheirada. Caíra no pântano um tucano dos grandes. Era tudo o que queria o bando qualificado pelo procurador-geral Antônio Fernando Souza de ”organização criminosa sofisticada”, liderada por José Dirceu. Amparados no caso de Azeredo, os companheiros intensificaram a ladainha destinada a convencer o eleitorado de que o PT fez o que todos fizeram. Como já haviam caído na vida, as vestais de araque se dispensaram de explicar por que fizeram o contrário do prometido desde a fundação da sigla em 1980.

“Os autores das acusações querem me dar o abraço do afogado”, fantasiou Azeredo no discurso. Quem deu esse abraço foi o PSDB, que entrou no pântano agarrado ao senador delinquente, tenho repetido desde aquele agosto. Para não perder o amigo, o partido que não costuma perder uma chance de errar perdeu a bandeira do combate à corrupção em geral e, em particular, aos 40 do mensalão. Há quatro anos, o PSDB deveria ter providenciado o despejo do culpado. Preferiu endossar o falatório tão verossímil quanto um diploma de doutora na parede da sala de Dilma Rousseff.

Em 2007, perdeu outra chance de hastear a bandeira arriada ao fazer de conta que não soube da denúncia encaminhada pelo procurador-geral da República ao Supremo Tribunal Federal. Nesta quarta-feira, depois da sessão em que o ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, pediu a abertura de uma ação penal contra o senador mineiro, a esperança de salvação se ofereceu de novo aos titubeantes vocacionais.

Caso se livre de Azeredo, o PSDB estará autorizado a afirmar que, diferentemente do PT, não se transformou por vontade própria em esconderijo de bandidos. Ou faz isso ou se proíbe de abrir a boca sobre os fora-da-lei homiziados em outras siglas. A oposição oficial ainda não aprendeu que a legenda não anula o prontuário. É a folha corrida que prevalece sobre a sigla. O Brasil honesto exige mais que o enquadramento dos que enriquecem na grande quadrilha federal. Exige a aplicação da lei a todos os culpados. Exige o fim da Era da Impunidade.

Seja qual for a filiação partidária, sejam quais forem os cargos que ocupou, todo corrupto merece cadeia.

Basta trocar o nome para constatar que Marconi Perillo é o Eduardo Azeredo da vez.

Diante das evidências de que o governador de Goiás foi longe demais na parceria com Carlinhos Cachoeira ─ financiada pela onipresente construtora Delta ─, o PSDB terá de escolher, de novo, entre a decência e a malandragem.

Caso não tenha explicações convincentes a oferecer, Perillo deve ser expulso já.

Só se agirem assim os líderes do PSDB poderão exigir, em nome do país que presta, a pronta apuração das incontáveis bandalheiras que juntam no mesmo balaio figurões do PT e da base alugada, Cachoeira e Fernando Cavendish.


O tempo perdido com manifestações de solidariedade ao tucano em perigo deve ser usado em cobranças mais relevantes e urgentes.

O que espera a CPI para investigar os favores bilionários trocados por Sérgio Cabral e Cavendish?


E o tamanho da roubalheira da Delta nos canteiros de obras do PAC?

E as maracutaias colecionadas por Agnelo Queiroz?

E os tantos outros escândalos registrados depois da institucionalização da ladroagem sem risco de cadeia?


Se reincidir no abraço de afogado, o maior partido da oposição oficial descobrirá tarde demais que se meteu na areia movediça.

Nessa hipótese, serão inúteis os pedidos de socorro aos oposicionistas de verdade.

Vai afundar sozinho.


17/07/2012

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Senado decide nesta quarta se cassa mandato de Demóstenes





Sessão está marcada para começar às 10h e deve se estender pela tarde
Para perda do cargo, são necessários votos de 41 dos 81 senadores


Iara Lemos e Renan Ramalho
Do G1, em Brasília

Está marcada para as 10h desta quarta-feira (11) o início da sessão do Senado que decidirá sobre a manutenção ou perda do mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A votação no plenário da Casa é a etapa final do processo disciplinar aberto em maio no Conselho de Ética, que recomendou a cassação por unanimidade, sob o entendimento de que o senador quebrou o decoro parlamentar ao tentar beneficiar o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Desde o início das denúncias, Demóstenes alega que sua relação com Cachoeira, revelada em gravações da Polícia Federal, se limitaria à amizade e que não sabia de qualquer atividade ilegal. Cachoeira foi preso em fevereiro, sob acusação de comandar uma rede de casas com máquinas caça níqueis em Goiás e de corromper agentes públicos.


Demóstenes fala para plenário vazio no último dia 2; foi o primeiro de sete discursos para se defender antes da votação desta quarta, que define seu futuro político (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Caso tenha a cassação aprovada, Demóstenes Torres terá seus direitos políticos suspensos por oito anos a contar do fim de seu mandato parlamentar, que encerraria em 2019. Se isto ocorrer, Demóstenes só poderá voltar a disputar eleições a partir de 2027, quando tiver 66 anos.

Outra consequência é que, sem o mandato de senador, ele deixa de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Como é procurador de Justiça do Ministério Público de Goiás, Demóstenes teria como foro o Tribunal de Justiça de Goiás.


Sessão

Para que a cassação seja aprovada, é preciso o voto favorável de 41 dos 81 senadores.
A votação é secreta, mas vários senadores já manifestaram a intenção de revelar verbalmente suas posições.

O Senado registrará apenas o placar, mas o voto de cada permanecerá oculto.

Antes da votação, porém, todos os senadores da Casa presentes terão direito de falar na sessão, que será presidida por José Sarney (PMDB-AP). O primeiro falar será o relator do processo no Conselho de Ética, Humberto Costa (PT-PE), que terá 10 minutos para falar.

Nesta terça, Costa afirmou que vai fazer um "discurso de improviso", mas está confiante na cassação do colega. Em seu relatório, que considera "equilibrado", ele conclui que Demóstenes percebeu "vantagens indevidas" e "praticou irregularidades graves no desempenho do mandato".
"Tenho a convicção que a maioria dos senadores vai votar pela cassação. Esta decisão não deixa ninguém feliz, mas é uma satisfação que precisa ser dada", disse Costa nesta terça.

Depois de Costa, subirá à tribuna o senador Pedro Taques (PDT-MT), relator do processo na Comissão de Constituição e Justiça. Pelo tempo de 10 minutos, ele defenderá a tramitação do processo contra Demóstenes.

Em seu parecer, ele considerou o rito correto, com direito a ampla defesa, direito de produzir provas, assistência de advogados e notificação de todas as etapas.

Para o pedetista, a situação do senador piorou depois de um discurso em que disse não ter favorecido Cachoeira. "As falas dele [Demóstenes] pioraram a situação. Esta história de que mentir na tribuna é coisa de consciência e não quebra de decoro eu não concordo. Acho que ele vai ter, no máximo, uns 15 a 20 votos a favor dele", afirmou o senador nesta terça.

Após a manifestações dos relatores, cada um dos senadores presentes em plenário poderá pedir a falta por até 10 minutos. A expectativa é que, com isso, a sessão avance pela tarde.

Em seguida, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), representando o partido que fez a representação contra Demóstenes, terá 20 minutos, prorrogáveis por mais 10, para defender a cassação.

Ele disse nesta terça não ver possibilidade que não a cassação. "Será um momento desconfortável para o Senado, mas necessário para a República".

Demóstenes será o último a se manifestar, por um prazo de até 30 minutos. Segundo o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa o senador, Demóstenes irá se defender sozinho na tribuna.

"O Demóstenes tem recebido apoio da família. A família tem estado com ele",
disse o advogado.

A sessão será aberta, e poderá ser acompanhada pelo público, nas galerias. Para evitar tumulto, a Secretaria da Mesa distribuiu cem senhas, que foram divididas entre os partidos com representação na Casa.

Histórico

Antes de Demóstenes, apenas um senador teve o mandato cassado: Luiz Estevão, então no PMDB-DF, perdeu o mandato sob a acusação de ter mentido no Senado ao negar envolvimento no desvio de R$ 169 milhões nas obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo.

A cassação ocorreu no dia 28 de junho de 2000, com 52 votos a favor da cassação, 18 contra e dez abstenções. Além do mandato, Luiz Estevão perdeu os direitos políticos até 2014.

No ano seguinte, Antonio Carlos Magalhães, então no PFL-BA, renunciaria ao mandato antes da votação de um processo de cassação, motivado pela revelação de que obteve a relação dos votos da cassação de Luiz Estevão.

O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, então no PSDB-DF e líder do governo, também renunciou, sob suspeita de ter fornecido a lista.

Ambos foram eleitos novamente em 2002, ACM para o Senado e Arruda para a Câmara.

Ainda em 2001, Jader Barbalho (PMDB-PA) renunciou, também para evitar a perda de direitos políticos.

Na época, ele presidia o Senado e era acusado de desvios no Banco do Estado do Pará, fraudes na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e venda de títulos da dívida agrária.

O processo mais recente de ameaça de cassação ocorreu em 2007, quando o então presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) revelação de que tinha contas pessoais pagas por um lobista.

Na época, ele renunciou à presidência do Senado e escapou da cassação.

11/07/2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O advogado mais caro do Brasil e um bandido barato ameaçam o Estado de Direito






Por Augusto Nunes

Carlinhos Cachoeira começou a captura do Poder Executivo com a compra de governadores.

Prosseguiu a ofensiva com a contratação de Márcio Thomaz Bastos, um advogado disposto a tudo para livrar de castigos o chefe da quadrilha desbaratada pela Polícia Federal que vivia elogiando nos tempos de ministro da Justiça do governo Lula.

E completou o serviço quando o Planalto ordenou à maioria governista que transformasse a CPI batizada com o apelido do delinquente goiano em mais um monumento à impunidade.

Carlinhos Cachoeira começou a captura do Poder Legislativo com o arrendamento de parlamentares, entre os quais o senador Demóstenes Torres ─ hoje reduzido a uma caricatura carnavalesca do personagem de ficção que funde Dr. Jekyll e Mr. Hyde.

A ofensiva prosseguiu na CPI, com a debochada performance produzida e dirigida pelo doutor em truques de tribunal.

E será consumada com o naufrágio anunciado de uma comissão de inquérito administrada por cúmplices dos investigados.

Carlinhos Cachoeira começou a captura do Poder Judiciário com o aluguel de comparsas disfarçados de juízes.

A ofensiva prosseguiu com a mobilização de desembargadores decididos a condenar os xerifes, libertar os bandidos e enterrar no mausoléu dos absurdos jurídicos o colosso de provas colhidas pelos detetives.

As ameaças de morte que afastaram do caso o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, responsável pela prisão do comandante da quadrilha e seus generais, informam que Cachoeira está pronto para completar a desmoralização da Justiça.

“Não é o juiz quem tem de se afastar em nome de sua segurança, mas o Estado que precisa lhe garantir a vida, prender os autores das ameaças e assegurar condições para o desbaratamento dessa máfia”, adverte a jornalista Dora Kramer no artigo reproduzido na seção Feira Livre.

“Qualquer coisa diferente disso equivale a transferir aos bandidos um poder de decisão que não lhes pertence e pôr de antemão o juiz (ou juíza) substituto sob suspeita ou risco de morte”.

A operação concebida por Cachoeira (e aperfeiçoada por um ex-ministro da Justiça) para a captura dos três Poderes tem de ser neutralizada já. Ou as instituições cumprem seu dever sem delongas ou ou formalizam publicamente a rendição vergonhosa. Nada justifica a libertação prematura dos quadrilheiros. Não se pode conceder o direito de ir e vir a quem pretende usá-lo para obstruir investigações, destruir provas, silenciar testemunhas, submeter desembargadores e intimidar magistrados.

Os integrantes da organização criminosa têm de aguardar engaiolados a merecidíssima condenação a longas temporadas na cadeia.

Se ocorrer o contrário, como constata o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, o Estado Democrático de Direito terá sido algemado pela parceria que juntou o advogado mais caro do Brasil e um bandido barato, mas com dinheiro de sobra para pagar o que for preciso para continuar em ação.

Os R$ 15 milhões que estimulam a inventividade de Márcio Thomaz Bastos, por exemplo. Ou propinas que amansam figurões do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.
 


22/06/2012



Banho de sol e visita íntima






Por Lauro Jardim


Veja como anda movimentada a vida do bicheiro Carlinhos Cachoeira atrás das grades.

Depois de conseguir um habeas corpus revogando sua prisão federal, na semana passada, Cachoeira passou a ser considerado um preso da Justiça do Distrito Federal (que também havia pedido sua prisão) e por isso teve que ser transferido da ala federal do Complexo Penitenciário da Papuda para a ala de presos comuns.

Ontem à noite, ao fazer o exame de corpo de delito para a transição, o bicheiro acabou afrontando um agente penitenciário federal, o que lhe rendeu mais problemas: ele passa a responder a um processo na Justiça por desacato à autoridade.

A notícia boa
para Cachoeira é que, uma vez transferido para a ala dos presos comuns, ele teria direito a dois grandes privilégios da vida de detento: banho de sol e visita íntima.

A notícia ruim
– para Cachoeira, claro – é que o STJ revogou o habeas corpus e ele poderá voltar a qualquer momento para a ala federal da Papuda.

                                                           22.06.2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sobral Pinto ensina ao defensor de Cachoeira que um advogado é o juiz inicial da causa. Não pode agir como comparsa


"sempre que Márcio Thomaz Bastos triunfa num tribunal, a Justiça é derrotada e a verdade morre outra vez"

Direto ao Ponto

                                    Por Augusto Nunes

“Serei eu o juiz do meu cliente?”, pergunta Márcio Thomaz Bastos no título do artigo publicado na Folha desta quinta-feira.

O cliente em questão é, segundo o doutor, “Carlos Augusto Ramos, chamado Cachoeira”, que contratou em março os serviços do ex-ministro da Justiça capaz de enxergar inocentes até em serial killers americanos.

“Não o conhecia, embora tivesse ouvido falar dele”, informa no quinto parágrafo. Ouvira o suficiente para cobrar R$15 milhões pela missão de garantir que envelheça em liberdade.

Depois de consumir dezenas de linhas na descrição do calvário imposto a um cidadão sem culpas por policiais perversos, promotores desalmados e juízes sem coração, o doutor enfim se anima a responder à pergunta do título.

“Serei eu então juiz de meu cliente?”, repete.

“Por princípio, creio que não.

Sou advogado constituído num processo criminal.

Como tantos, procuro defender com lealdade e vigor quem confiou a mim tal responsabilidade”.

Conversa fiada, demonstrou o grande Heráclito Fontoura Sobral Pinto num trecho de numa carta escrita em outubro de 1944 (veja post na seção Vale Reprise):

“O primeiro e mais fundamental dever do advogado é ser o juiz inicial da causa que lhe levam para patrocinar.

Incumbe-lhe, antes de tudo, examinar minuciosamente a hipótese para ver se ela é realmente defensável em face dos preceitos da justiça.

Só depois de que eu me convenço de que a justiça está com a parte que me procura é que me ponho à sua disposição”.


No artigo, Márcio Thomaz Bastos sustenta que todos os clientes e causas merecem o mesmo tratamento.

Assim, vale tudo para absolver tanto um ladrocida compulsivo quanto de um sacristão engaiolado por ter bebido o vinho do padre.

“Não há exagero na velha máxima: o acusado é sempre um oprimido”,
afirma.

“Ao zelar pela independência da defesa técnica, cumprimos não só um dever de consciência, mas princípios que garantem a dignidade do ser humano no processo.

Assim nos mantemos fiéis aos valores que, ao longo da vida, professamos defender.

Cremos ser a melhor maneira de servir ao povo brasileiro e à Constituição livre e democrática de nosso país”.


Quem colocou o gabinete de ministro da Justiça a serviço da quadrilha do mensalão não pode disfarçar-se de guardião do Estado de Direito.

Quem procura enterrar em cova rasa as provas contra Cachoeira, colhidas pela Polícia Federal que chefiou, está convidado a dispensar-se de declarações de amor à democracia.

Sem imaginar como seria o Brasil da segunda década do século seguinte, Sobral Pinto desmoralizou as falácias desfiadas por Márcio:

“A advocacia não se destina à defesa de quaisquer interesses.

Não basta a amizade ou honorários de vulto para que um advogado se sinta justificado diante de sua consciência pelo patrocínio de uma causa.

O advogado não é, assim, um técnico às ordens desta ou daquela pessoa que se dispõe a comparecer à Justiça.

O advogado é, necessariamente, uma consciência escrupulosa ao serviço tão só dos interesses da justiça, incumbindo-lhe, por isto, aconselhar àquelas partes que o procuram a que não discutam aqueles casos nos quais não lhes assiste nenhuma razão”.


Na Folha, o advogado de Cachoeira tortura a verdade: “Aconteceu o mais amplo e sistemático vazamento de escutas confidenciais”, fantasia.

“A pródiga história brasileira dos abusos de poder jamais conheceu publicidade tão opressiva.

Estranhamente, a violação de sigilo não causou indignação.

Dia após dia, apareceram diálogos descontextualizados, compondo um quadro que lançou Carlos Augusto na fogueira do ódio generalizado.

Trocou-se o valor constitucional da presunção de inocência pela intolerância do apedrejamento moral”.

Tradução da discurseira em juridiquês: a culpa é da imprensa, responsável pelo que o articulista define como “publicidade opressiva”.
A expressão foi inaugurada na entrevista à Band em que o doutor acusou a imprensa de ter tomado partido no caso do mensalão.

O bando liderado por José Dirceu nada fez de errado, explicou o entrevistado. Só será punida se os ministros do STF cederem à “publicidade opressiva” produzida por jornalistas que insistem em ver as coisas como as coisas são.
Na carta, o jurista admirável coloca em frangalhos, com quase 70 anos de antecedência, a tese forjada para justificar a parceria entre márcios e cachoeiras:

“É indispensável que os clientes procurem o advogado de suas preferências como um homem de bem a quem se vai pedir conselho.

Orientada neste sentido, a advocacia é, nos países moralizados, um elemento de ordem e um dos mais eficientes instrumentos de realização do bem comum da sociedade”.


Desde 2005, quando o mensalão o induziu a excluir valores éticos dos critérios que determinam a aceitação de uma causa, o espetáculo tristonho se repete: sempre que Márcio Thomaz Bastos triunfa num tribunal, a Justiça é derrotada e a verdade morre outra vez.

Gente com culpa no cartório escapa da cadeia, cresce a multidão de brasileiros convencidos de que aqui o crime compensa e ganha consistência a suspeita de que lutar pela aplicação rigorosa da lei é a luta mais vã.

É o que ocorrerá, por exemplo, se os argumentos invocados pelo ex-ministro forem acolhidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que designou três desembargadores para julgarem o pedido de habeas corpus impetrado em favor de Cachoeira.

O relator Tourinho Neto já encampou as reivindicações de Márcio.


Votou pela soltura do meliante, preso desde 29 de fevereiro, e considerou ilegal a escuta telefônica feita por agentes da Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo.

Falta apenas um voto para a consumação da ignomínia.


Todo acusado, insista-se, tem direito a um advogado de defesa.

Mas doutor nenhum tem o direito de mentir para livrar de punições o acusado de crimes que comprovadamente cometeu.

O advogado, resumiu Sobral Pinto, é o juiz inicial da causa.


Não pode agir como comparsa.

                       15/06/2012





quarta-feira, 23 de maio de 2012

Cachoeira emudeceu na CPI por ordem de um ex-ministro da Justiça especializado em impedir que se faça justiça





Por Augusto Nunes


Vários integrantes da CPI do Cachoeira pareceram à beira de um ataque de nervos com a estratégia do silêncio adotada pelo pivô do escândalo da vez.

Por ter recorrido ao direito constitucional de permanecer calado para não produzir provas que possam incriminá-lo, o delinquente Carlos Augusto Ramos foi acusado de insultar o Congresso e debochar dos representantes do povo.

Como pode um chefe de quadrilha tratar parlamentares com tamanho atrevimento?, ergueram a voz inquisidores coléricos.

Todos os parlamentares sabem que o cliente de Márcio Thomaz Bastos emudeceu por ordem do advogado a seu lado.

Carlinhos Cachoeira fez exatamente o que fizeram na CPI dos Correios, também por determinação do ministro da Justiça reduzido a chefe do serviço de socorro jurídico aos mensaleiros, os depoentes Delúbio Soares, Marcos Valério, Sílvio Pereira e outros protagonistas do escândalo descoberto em 2005.

Mas ninguém ousou perguntar ao doutor, na sessão desta tarde, até quando pretende afrontar os brasileiros honestos com reedições do espetáculo da mudez malandra.

Como registrou o post agora republicado na seção Vale Reprise, o anjo-da-guarda da bandidagem federal mostra a falta que faz um Sobral Pinto.

Em vez de cobranças, Márcio Thomaz Bastos foi contemplado por deputados e senadores por um buquê de cumprimentos reverentes e elogios derramados.

Enquanto se cria uma comissão da verdade para apurar crimes do passado, o presente é deformado por mentiras e trapaças patrocinadas por um ex-ministro da Justiça que se especializou em impedir que se faça justiça.


22/05/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Chega de conversa mole! Matando a charada: “Carlinhos” é só um dos “Cachoeiras” da Delta.





Pergunto:

“Quem é o ‘Cachoeira’ do Rio, por exemplo?”
Os fragmentos de narrativa e de conversas que vão vazando das escutas feitas pela PF nas operações Vegas e Monte Carlo vão nos fazendo perder a noção do todo. Aos poucos, os vários pedaços da verdade vão contribuindo para construir o que tem tudo para ser uma grande mentira e um elogio à impunidade.

Pensemos.
“Será que Fernando Cavendish, o dono da Delta, está envolvido com jogo do bicho, caça-níqueis, essas coisas?” Não há, até agora, nenhum sinal, certo? Não existem evidências, pois, de que Cavendish seja sócio de Cachoeira na contravenção, mas há indícios de sobra de que este era parceiro daquele em alguns empreendimentos.

Estão acompanhando?
Outra questão relevante. Ainda que não existisse uma Delta, Cachoeira seria quem é no mundo da contravenção. Essa sua atividade específica independe de contratos com o governo, licitações, obras públicas etc.

Assim, ele tem de ser investigado e, dado o que já se sabe, punido por suas ações no jogo. Atenção para isto: o contraventor já existia antes de a Delta ser o que é. Haveria a obrigação de investigá-lo ainda que ele não tivesse contato com construtora nenhuma.
O que estou querendo dizer é que a investigação tem de ser dividida em dois grupos: num deles, encontramos Cachoeira, os caça-níqueis, a exploração do jogo etc.

É coisa séria, que merece atenção?

É, sim! Afinal, ele contava até com parlamentares que atuavam como despachantes de seus interesses, a exemplo do que se depreende de seus diálogos com o senador Demóstenes Torres.

Restringir, no entanto, a investigação a Cachoeira, como quer o PT — defendeu essa posição até numa resolução nacional —, corresponde a fraudar de forma espetacular a verdade.

Quem é Cachoeira mesmo?


Cachoeira é um contraventor que tem de ser punido na forma da lei, independentemente de seus vínculos com Cavendish. MAS ELE TAMBÉM ERA O HOMEM DA DELTA NA REGIÃO CENTRO-OESTE.


E agora chegamos ao ponto: Cavendish não aparece nas conversas de Cachoeira sobre jogo porque, de fato, não tem nada com isso!

O bicheiro era o seu operador e intermediário em assuntos no Centro-Oeste. Seu raio de ação não ia muito além dessa região, especialmente Goiás e o Distrito Federal.

Assim, insisto: duas investigações precisam ser feitas:


a)
a que envolve as ações ilegais do bicheiro como bicheiro;


b)
a que envolve as ações do bicheiro como parceiro da Delta.

E é nesse ponto que a coisa fica interessante: Cachoeira era apenas um dos, digamos, “escritórios” que cuidavam do interesse da empresa.

Cavendish, que já declarou ser possível comprar um senador por R$ 6 milhões, ESTABELECEU UMA PARCERIA COM ELE EM ASSUNTOS LOCAIS. Mas certamente não era o bicheiro que atuava como procurador da Delta no Rio, por exemplo.
Quando Cândido Vaccarezza mandou aquele torpedo amoroso para o governador Sérgio Cabral (PMDB), já sabia que o nome do governador do Rio não frequenta as conversas do bicheiro com sua turma.
ORA, NEM PODERIA!

Tanto no jogo ilegal como no assalto ao erário, a região de Cachoeira, insisto, é o Centro-Oeste.
O leitor esperto já se tocou, não?


Cumpre perguntar: quem é o braço operativo de Cavendish no Rio, por exemplo?

O bicheiro pode ser hábil, poderoso e tal, mas aquela não era uma área que ele dominasse. Podem virar do avesso os contratos de R$ 1,1 bilhão do estado do Rio com a Delta, e duvido que se encontre por ali o dedo de Cachoeira. A construtora, está claro como a luz do dia, tinha operadores regionais.

No Centro-Oeste, ficamos todos sabendo, parece difícil fazer um negócio sem se molhar na fonte do contraventor, mas não fora dali.

Tendo a achar que isso explica aquele rasgo vaccarezzo-shakespeariano.

O petista dirceuzista estava dando garantias a Cabral de que a CPI vai se limitar ao Centro-Oeste e não quer saber dos outros “Cachoeiras” espalhados Brasil afora.
Quem não se lembra?


A Polícia Federal e a Controladoria Geral da União (CGU) acusaram maracutaias da Delta no Ceará, em 2010!!!

A operação Mão Dupla identificou de tudo por lá: propina, fraudes em licitações, desvio de verbas, superfaturamento, pagamentos irregulares e emprego de material de qualidade inferior ao contratado em obras comandadas pelo Dnit.

Um diretor local da Delta, Aluizio Alves de Souza, e o superintendente no Dnit no Estado, Joaquim Guedes Martins de Neto, foram presos.

Mesmo assim, o governo celebrou com a construtora outros 31 contratos, no valor de quase R$ 800 milhões.

Pergunto: o Ceará estava sob a jurisdição de Cachoeira??? Não! O “homem” da construtora no Estado era outro.
Pergunto outra vez: “Quem será, hein, o ‘Cachoeira’ de Cavendish no Rio?


Assim como, no Centro-Oeste, foi preciso recorrer ao estado paralelo cachoeirístico para viabilizar negócios, quem terá, nas terras fluminenses, feito pela Delta o que fazia Cachoeira na região central do Brasil?

Entenderam o busílis?

Uma coisa é apurar a infiltração da contravenção no estado etc. e tal…

É grave?

É grave!

Mas isso, convenham, para os cofres públicos, beira a irrelevância quando se pensa, só para ficar nas obras do PAC, em R$ 4 bilhões!


A INVESTIGAÇÃO QUE MAIS INTERESSA É OUTRA: QUAIS SÃO OS BRAÇOS QUE OPERAM O ESQUEMA DELTA NO BRASIL?


Esse é o ovo de Colombo.


E parece que é isso o que a CPI quer esconder.


O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que deixou por um tempos a militância em favor da descriminação da maconha para cuidar de outros baratos na CPI, chama a possibilidade de investigar a Delta em escala nacional de “devassa”!!! E

sse é um dos que preferem perseguir a imprensa a ficar no encalço de larápios, que roubam os cofres públicos.
Agora, sim!


Agora, sim!, as coisas parecem mais claras.

Misturar no mesmo imbróglio a jogatina — que tem de ser investigada e punida! — e o esquema Delta corresponde a mentir de forma asquerosa para os brasileiros.

No Centro-Oeste, em razão das atividades preexistentes de Cachoeira, essas duas coisas se cruzaram. Cachoeira ainda é um contraventor local, com aspirações de estender nacionalmente a sua influência. A Delta, nesse sentido, lhe era um canal e tanto.

A teia verdadeiramente nacional é outra: chama-se Delta.

E é preciso saber o nome dos outros “cachoeiras”. PARA QUE TODOS SEJAM PUNIDOS POR SEUS EVENTUAIS CRIMES.
Punir apenas Carlinhos Cachoeira, Demóstenes e mais um, dois ou três não é injusto, não, no que diz respeito à turma e às suas ações. Punir apenas essa gente é injusto com o Brasil! E se trata de mais uma aposta na impunidade, que está na raiz de toda essa lambança.
Se a CPI não investigar para valer a Delta no Brasil inteiro, estará mandando um recado aos demais “Cachoeiras” do esquema:

“Vocês são nossos, nós somos seus, e o Brasil e os brasileiros que se danem”
.


21.05.2012


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dirceu está hoje empenhado em contaminar, com a sua biografia pessoal, o governo Dilma, e Lula quer deixá-lo do tamanho do seu ódio.





E uma exortação a Lewandowski


O lobo troca de pelo, mas não de vício.

José Dirceu já mudou de cara, mas não de espírito.


Quando na oposição, tentava inviabilizar governos eleitos democraticamente. Quando no governo, tentou — e tenta ainda — inviabilizar a democracia.

Sob sua inspiração e com o apoio de Luiz Inácio Apedeuta da Silva, a Executiva Nacional do PT aprovou ontem um documento em que acusa a associação de setores da imprensa com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e pede “marco regulatório” para a mídia — entenda-se: censura à imprensa.


Eles nunca desistiram desse propósito.
A ameaça estava no Plano Nacional dos Direitos Humanos e jamais deixou de frequentar as ilusões dos petistas. Repudiada pela sociedade, a proposta é agora ressuscitada, com o apoio de Lula, o frenético trabalho daquele que o Procurador Geral da República chama “chefe de quadrilha” e a propaganda da rede na Internet financiada com dinheiro público. É a formação de quadrilha contra a liberdade de imprensa.

Podem espernear à vontade. Não deixaremos que cobrem propina por aquilo que a Constituição nos dá de graça: a liberdade de expressão, a liberdade de opinião, a liberdade de informação. De graça hoje! Mas essas conquistas custaram o esforço de gerações de brasileiros que lutaram pela democracia. Não é o caso de Dirceu! Não é o caso de alguns de seus companheiros. Sonhavam e sonham com a ditadura do partido único, com um país tutelado pelos companheiros, com um regime infenso aos controles que só a democracia proporciona, com uma Justiça independente e uma imprensa vigilante.

Pouco antes de deixar o poder, Lula anunciou que se dedicaria à tarefa de demonstrar que o mensalão tinha sido uma invenção da oposição para desestabilizar o seu governo — a velha tese do “golpe”, criada por intelectuais do PT, vigaristas em essência. Intelectual da academia que tem partido é como juiz de futebol que torce por um dos times em jogo; é um farsante. Adiante. Eis aí. O caso Cachoeira, tudo indica, estava sendo gestado de longa data — tanto é assim que o senador Demóstenes Torres vinha sendo monitorado havia muito tempo. Mas eis que surge um bom momento para detonar a crise.

Ocorre que ela pega em cheio algumas figuras graúdas do PT, como o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz — já defendido por Dirceu do modo como Dirceu sabe defender as suas causas: com unhas e dentes. Tenho pra mim que, a esta altura, Lula está disposto, se preciso, a entregar Agnelo na bandeja se achar que pode ganhar a guerra da opinião pública e fazer com que se volte contra o que resta de oposição no país. É parte, em suma, do trabalho de construção do Partido Único. Se tiver que ceder um peão, para usar a linguagem do Apedeuta (e de Hitler… Que coincidência!), tudo bem!

Na guerra suja, vale tudo. Não é por acaso que um dos alvos seja a imprensa. Não chega nem sequer a ser original. Neste momento, estão empenhados nessa mesma luta os governos da Venezuela, do Equador, da Bolívia, da Argentina, da Nicarágua… Todos eles, com mais ou menos ênfase orbitando em torno dos mesmos valores, cuja síntese pode ser esta: em vez de uma sociedade que controle o estado, como é próprio das democracias, um estado que controle a sociedade, como é próprio das ditaduras.
Mas, afinal de contas, o que quer essa gente? É simples! Roubar dinheiro público sem ser incomodada por ninguém. E só me resta assegurar: continuarão a ser incomodados enquanto o Brasil for uma democracia!

Foi Roberto Jefferson, então uma das cabeças coroadas da base governista, quem denunciou o mensalão, em junho de 2005. A partir de algumas informações que ele forneceu em entrevista à Folha, a imprensa deu início a um trabalho de investigação, também empreendido pela ala honesta da CPI. O que se revelou foi a maior teia criminosa jamais montada no país para assaltar os cofres, mas também, atenção!, para fraudar os fundamentos do estado de direito. Nem o dinheiro que pagou o marqueteiro de Lula era limpo, é bom lembrar!

Esses patriotas não se conformam que suas tramoias para fabricar dossiês sejam denunciadas; que o bunker montado por Erenice Guerra na Casa Civil tenha sido violado; que as consultorias de Antonio Palocci tenham sido trazidas à luz; que a roubalheira no Ministério dos Transportes tenha sido evidenciada; que as lambanças no Ministério do Esporte tenham sido detalhadas; que a rataiada entocada no Ministério da Agricultura tenha sido encontrada; que os descalabros no Ministério do Trabalho tenham sido escancarados; que a governo paralelo do “chefe de quadrilha” que se esgueira em hotéis, numa espécie de exploração do lenocínio político, tenha sido desmascarado.

Imaginem quanto dinheiro público a imprensa ajudou a preservar da fúria desses rapaces rapazes… O jornalismo independente prejudica seus negócios, cria óbices a suas vigarices, obriga-os a ter cuidados redobrados, deixa-os tensos! É preciso pôr um freio na liberdade de imprensa para que os larápios possam, então, roubar sem freios.


                    O “paradoxo” da popularidade de Dilma


O PT, é bem verdade, na “hora h”, sempre se junta.

É perda de tempo apostar num racha importante do partido enquanto Lula estiver dando as cartas. Mas isso não quer dizer que não exista guerra interna, de posições; isso não quer dizer que os vários grupos abrigados no partido não tenham suas dissensões e não lutem para garantir seu espaço na legenda — e isso significa poder; poder de fato mesmo: grana!

Dilma não governa o país no melhor momento do crescimento econômico. Não se pode dizer, como cochicham os próprios petistas, que seja um governo realizador. Não obstante, a popularidade da presidente está em alta — PARA DESESPERO, ATENTEM PARA ISTO!, DE SETORES DO PRÓPRIO PETISMO, ESPECIALMENTE AQUELES QUE SONHAVAM COM A VOLTA DE LULA.

A que se deve?

As dificuldades da economia ainda não chegaram na ponta, nos mais pobres, e a presidente soube construir a imagem de austera, de intolerante com a corrupção — que ela chamou de “malfeito”. Já escrevi isto aqui e repito: quem lhe deu essa agenda (afinal, que outra?) foi a grande imprensa, esta que Lula e Dirceu querem censurar.

Tivesse a presidente seguido o conselho do Apedeuta e de alguns setores do PT, teria agasalhado todos os corruptos, acolhido publicamente o “malfeito” (como Lula fazia…) e visto, creio, a sua popularidade em curva descendente. Uma clareza ao menos Dilma sempre teve: ela não é ele. O trabalho da imprensa livre, para melancolia moral (não a do bolso, claro!) do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista), fez mais bem do que mal à presidente. Ainda que ela reclame, por dever de ofício, da expressão “faxina ética”, sabe que  funcionou como marketing positivo.
Não que fosse este o propósito — porque a imprensa livre não tem propósito nenhum no que concerne à conquista ou manutenção do poder —, mas o fato é que essa imprensa que o PT quer, mais uma vez, censurar ajudou a plasmar a imagem de Dilma Rousseff. Tanto é assim, podem fazer uma pesquisa nos arquivos, que os lulistas foram os primeiros a reclamar da tal “faxina”. Dava a entender, alegavam, que havia sujeira no governo Lula. É mesmo, é?

Seria o ódio do PT o ódio do governo?

O ódio que esses setores do petismo devotam o jornalismo — de que foram as principais fontes quando o partido estava na oposição —, intuo, não é compartilhado pelo governo. Pela simples e óbvia razão, falo com base na lógica elementar, de que não há motivos para isso. Ao contrário: Dilma pode ser politicamente inexperiente, mas não é burra. No geral, as medidas adotadas pelo governo têm encontrado uma recepção positiva na imprensa.

Dirceu e sua turma não se conformam com isso.

O “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) luta bravamente para sujar, com a sua biografia pessoal, o governo Dilma. É ele quem está em guerra com a imprensa. Lula, por sua vez, aposta todas as fichas num trabalho de, se me permitem, “inocentação” em massa no STF porque entende que uma condenação será uma mácula em seu governo.

Só por isso assoberbou-se e atropelou as próprias lideranças do governo, num esforço frenético para ver instalada a “CPI do Cachoeira”, com a qual, está certo, vai aniquilar a oposição, manchar a reputação da imprensa e tornar verossímil a mentira de que o mensalão nunca passou de uma tramoia da oposição. Comissões de inquérito costumam parar o Congresso. A realidade política passa a girar em torno de suas descobertas, de depoimentos, dos documentos que sempre acabam vazando, das chantagens trocadas…
Num conto do vigário — até agora ao menos! — a imprensa não caiu, e só por isso Rui Gobbels Falcão resolveu dar o seu grito de guerra: o caso Cachoeira não é um problema só da oposição. Por enquanto, Demóstenes à parte, Agnelo é o homem público que passou o maior vexame: em menos de 24 horas teve de se desmentir. Anteontem, anunciou no Jornal Nacional que jamais estivera com Carlinhos Cachoeira. Ontem, mandou um estafeta dizer que não era bem assim: havia se encontrado uma vez, uma vezinha só! Novas gravações vindas a público trazem membros da gangue do bicheiro tratando abertamente de contribuições ilegais de campanha que teriam sido feitas pela construtora Delta para a campanha de Agnelo.

Dirceu com sua biografia e Lula com seu ódio tentam arrastar o governo Dilma para uma briga na lama. Atenção! Poucas pessoas perceberam que isso a que assistimos é, sim, expressão da luta do PT para a aniquilar as oposições, mas é também um guerra interna. Lula e Dirceu tentam amarrar o governo a suas respectivas agendas — o que é, evidentemente, ruim para ela e bom para eles.
Encerrando com Lewandowski
Acredito haver, sim, motivos suficientes para uma CPI. Só que ela tem a obrigação de apurar o tamanho da rede de influências de Cachoeira no Congresso, no governo federal e em governos estaduais. Dirceu e Lula têm outra intenção: querem um atestado de inocência para os mensaleiros. O que uma coisa tem a ver com outra?

Nada!

Quem pode contribuir para diminuir o vale-tudo é o ministro Ricardo Lewandowski, o relator do processo do mensalão.

Ninguém hoje em dia vê motivos razoáveis para que ele não entregue o seu trabalho e permita, então, o início do julgamento.

Se os juízes entenderem que o “formador de quadrilha” (segundo a PGR) José Dirceu e a sua, bem…, quadrilha são inocentes, muito bem!

Se avaliarem que são culpados, que cumpram a pena que for estabelecida.


O esforço de defesa de José Dirceu não pode parar o pais nem criar obstáculos à punição de outros larápios.


O PT quer o controle da mídia porque quer controlar a sociedade.

Chegou a hora de pôr esses aloprados sob o controle da democracia e do estado de direito.

Como posso encerrar? 

Assim: NÃO PASSARÃO!!!


                                 13/04/2012


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Lula entra na articulação da CPI e deixa claro que o objetivo não é punir corruptos, mas pegar a oposição.




É mais uma contribuição sua para a miséria institucional brasileira



Existem muitos bons motivos para se instalar uma CPMI do caso Cachoeira.

Os dados que vazaram até agora sobre a investigação evidenciam que o bicheiro mantém uma rede de influência no Congresso, no governo federal e em governos estaduais.

Até onde vai?

Quem são seus operadores?

Em quais negócios atua?

Influenciou quais decisões do Congresso ou mesmo do Executivo?


Por tudo isso, a CPI é, em si, necessária.

Mas qual CPI se vai fazer e com que propósito?

A Folha desta quarta informa que a “ordem” para o PT aderir de vez à formação da comissão partiu de Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora nomes de petistas apareçam no esquema do bicheiro — ontem à noite, caiu o chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, do DF — e a construtora Delta seja íntima do PT, o chefão do partido quer vingança.

Acha que é hora de ir à forra e, às vésperas do julgamento do mensalão e em ano eleitoral, pegar mais algum figurão de um partido de oposição.

Paulo Okamoto, dirigente do Instituto Lula, falou pelo chefe ontem, informa a Folha:

“A princípio, Lula é a favor de que haja CPI.

O que ouvi ele dizer é que está com os poucos cabelos que tem em pé com tudo que há sobre o caso.

Se for verdade o que a imprensa está dizendo, Marconi entregou o Estado para Cachoeira”.


Segundo os dados até agora disponíveis, não há por que desconfiar mais de Perillo do que de Agnelo.

Que se apurem as responsabilidades de todos!

Mas que é um despropósito Okamotto, atuando como porta-voz de um ex-presidente da Repúbica, referir-se desse modo a um governador de Estado — e de oposição —, ah, isso é.

Especialmente quando não se tem ainda formalizada a acusação.

Imaginem se caberia a FHC comentar: “Os meus muitos cabelos estão em pé com o que ouço sobre o governo Agnelo…”

Como conheço a natureza desses patriotas petistas, escrevi ontem à tarde sobre a CPMI:


“Eis um sinal claro de que, caso se instale uma CPI, dada a folgadíssima maioria de que dispõe o governo, ela pode funcionar apenas como mais um instrumento do PT para massacrar a oposição.

Já está mais do que evidente que os petistas decidiram se organizar para defender os seus próprios criminosos. (…)”

Sem trocadinho, “Bingo!”

Eis Lula em ação!

A oposição se prepare muito bem para o embate.

Não estou sugerindo, inferindo ou insinuando nada, mas é bom lembrar que o advogado de Cachoeira é Márcio Thomaz Bastos, petista de quatro costados e íntimo de Lula, de quem é uma espécie de conselheiro.

Quem cobra R$ 15 milhões por uma defesa é mais do que um advogado; é também um estrategista.

Okamoto se refere a “tudo o que há sobre o caso”.

Saberá Lula o que ainda não sabemos?

Como?


É evidente que essa história não poderia ter vazado em momento mais apropriado para o PT e para os mensaleiros, mesmo havendo petistas no rolo.

Caso se instale a CPI, o governismo terá uma folgada maioria na comissão.

Se quiser, convoca para depor apenas figuras da oposição.

Lula está certo de que essa maioria e a natural disposição dos petistas para dar guarida a seus criminosos vão proteger o partido e destroçar o que resta de oposição
.
Mensalão

Denunciei aqui no dia 1º de abril (em homenagem aos vigaristas dos quais eu falava, viciados em mentira), a tentativa de usar o caso Cachoeira para livrar a cara dos mensaleiros.

O texto está aqui.

Dito e feito!

José Dirceu, essa alma cândida, e os outros 36 teriam sido apenas vítimas de uma grande tramoia, de que o agora cliente de Bastos seria parte.


Sim, a CPMI é uma necessidade. Mas os petistas já decidiram desmoralizá-la antes mesmo de sua instalação. Paulo Okamoto, falando em nome de Lula, deixa claro que o PT tentará usar a maioria governista na comissão para fazer guerra político-partidária.

Quem sabe um dia, mas não é fatal que aconteça, historiadores relatem a miséria institucional a que o lulo-petismo tentou conduzir o país.

Devemos a essa gente a criação de uma categoria nova da vida pública: os corruptos do bem. Ou como explicar o que afirmou Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, sobre o filme em que o petista Rubens Otoni aparece acertando com Cachoeira o recebimento de R$ 200 mil “por fora”? Segundo o líder,
“trata-se de filmes de 2004.

Desde então, ele [Otoni|] vem sendo chantageado pelo Cachoeira.

E aquilo é um caso de caixa 2, que já prescreveu”.


As afirmações de Tatto e de Okamoto indicam que a CPMI tem tudo para ser um tribunal de exceção governista, comandado pelo PT.

A proposta não é punir e eliminar corruptos da vida pública, estejam onde estiverem, mas dar mais um passo para aniquilar a oposição.


A história e alguns exemplos da América Latina demonstram que um país sem oposição fica entregue… aos corruptos
!


                            

                                 11/04/2012



terça-feira, 10 de abril de 2012

A fala de Falcão, a oportunidade da CPI e duas estrelas do petismo na defesa de dois alvos do PT


Eis uma, e há muitas, diferença importante entre o PT e os demais partidos:
a legenda defende os seus próprios enrolados, enquanto as oposições tentam se desligar dos seus respectivos

É claro que a segunda atitude é a mais decente.

A julgar, no entanto, pelo poder de uns e de outros, talvez a defesa do crime seja o mais inteligente, não é mesmo?

É bem verdade que os petistas contam com a proteção de amplos setores do jornalismo, como demonstro no post anterior.

Não fosse assim, Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, estaria agora obrigado a explicar a declaração dada ao Estadão (ver post abaixo), em que trata como herói um deputado flagrado acertando grana com Cachoeira.

Mas quê…

Em vez disso, Tatto é destaque porque está falando mal de… Serra!!!

E não é só ele, não!

No Globo, Rui Falcão, presidente do PT, aparece na defesa de outro petista.

Leiam.

Volto em seguida.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, minimizou nesta terça-feira a suposta ligação do subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais do governo federal, Olavo Noleto, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e afirmou que o partido continua favorável à instalação de uma CPI para investigar o contraventor.
“O que eu vi no jornal são telefonemas do Wladimir Garcez (um dos principais operadores de Cachoeira) para o Noleto”, disse o presidente petista.

Para Falcão, as investigações devem atingir também eventualmente os petistas.


“Ainda que qualquer pessoa do PT possa ter qualquer ligação, telefonema (para pessoas ligadas a Cachoeria), queremos ver tudo apurado. Até para que não pese suspeitas indevidas sobre gente do PT.”
(…)

Questionado sobre as suspeitas de ligação de integrantes do governo do petista Agnelo Queiroz no Distrito Federal com o grupo de Cachoeira, o presidente do PT respondeu: “Tem suspeita sobre o (governador de Goiás) Marconi Perillho (PSDB) também. Queremos ver tudo apurado.

Falcão disse que o partido prefere uma CPI mista, para permitir que os senadores também participem das investigações.

“Estamos recolhendo assinaturas para a CPI mista.”


Voltei

O próprio Planalto já saiu em defesa de Noleto.

Não sei se a CPI será criada ou não.

Para os petitas, convenham, o estrago feito até agora num partido de oposição já está de bom tamanho.

O episódio, COMO ANTECIPEI AQUI, está sendo usado pelo partido e pela canalha subjornalística a soldo que lhe presta serviços para sustentar que até o mensalão teria sido uma tramoia de Carlinhos Cachoeira…

Não diz como “A” teria levado a “B”.

Isso não faz diferença.

Os idiotas que caem na conversa não querem fatos; precisam apenas de uma desculpa.

Petistas, como escrevo no post anterior, já aprenderam a desmoralizar CPIs ou a fazer delas meros instrumentos para agredir a oposição.

Assim, ainda que se instale uma comissão, a chance de que as estrelas do partido envolvidas com safadezas mereçam o devido tratamento é mínima. Mas algum perigo sempre existe; alguma evidência sempre pode vazar.

A depender do risco que Cachoeira corra, ele pode falar ou não falar inconveniências.
Os advogados

É bem verdade que Cachoeira tem um advogado astuto — e caro!

Ninguém menos do que Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, ainda conselheiro de Lula e, se vocês fizerem uma pesquisa, o homem que criou essa Polícia Federal, como direi?, muito ativa…
Alguém que cobra R$ 15 milhões por uma causa é mais do que um conhecedor do Código Penal, dos ritos processuais e dos poderosos de Brasília.

É também um conselheiro.

Bastos é muito bom no que faz, mas é também um príncipe do PT.

Não creio que dará a seu cliente orientações que pudessem pôr o partido em dificuldades.

Há coisas, diga-se, curiosas, que só o surrealismo brasileiro explica.

E não vi ninguém até agora a estranhar ocorrências que seriam estranháveis em qualquer outro lugar do planeta.

O outro grande protagonista (ou “antagonista”, a depender do ponto de vista) desse imbróglio é, evidentemente, Demóstenes Torres.

O advogado do senador que se notabilizou por fazer uma firme oposição ao governo e ao PT é ninguém menos do que Antônio Carlos de Almeida Castro, o coruscante Kakay, um dos amigões de José Dirceu.

Atenção, hein!?

Não estou aqui a afirmar que advogados criminalistas se comprometam, necessariamente, com a ação dos seus clientes.

Todos têm direito a defesa.

Estou apenas chamando a atenção para a presença de duas estrelas do petismo (se Kakay é filiado ou não, pouco importa) na defesa de nomes que o partido tem usado para tentar desmoralizar a oposição.

O caso de Bastos, então, é interessantíssimo.

As franjas a soldo do partido na Internet inventaram a mentira estúpida de que o mensalão era uma tramoia de Carlinhos Cachoeira, em associação com a imprensa.

Quem arrumou a saída para os petistas naquele episódio foi justamente Bastos, então ministro da Justiça: seria tudo caixa dois, um crime menor, de prescrição curta.

Em parte ao menos, a sua tese triunfou.

Qual é a tese da quadrilha que atua na Internet?

Um petista “versão diamante”, como Bastos, estaria defendendo justamente o suposto homem que teria inventado o mensalão?


Essa gente não se envergonha?

Não tem noção do ridículo?

Não!

Mas a sua falta de vergonha tem preço, é evidente!

E quem paga é você, leitor amigo, por meio dos anúncios oficiais e de estatais que sustentam essa bandidagem.

10/04/2012