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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Marconi Perillo é o Eduardo Azeredo da vez






Em 4 de novembro de 2009, foi publicado neste espaço o texto que se segue.

Volto depois do ponto final.




Os primeiros barulhos do escândalo do mensalão, em maio de 2005, jogaram no colo do PSDB o personagem com que sonham todos os atores políticos. Foi bem no papel de mocinho da história até o depoimento do publicitário Duda Mendonça, atulhado de revelações que transformaram o presidente Lula em forte candidato ao impeachment. Em vez do confronto imposto pela coerência, o partido resolveu poupar o principal adversário, para arrastar até novembro de 2006 um chefe de governo com lama pela cintura e destroçar nas urnas o sonho do segundo mandato.

A opção equivocada deixou Lula fora do pântano onde nadavam de braçada ─ em meio a alevinos adquiridos nos criadouros da base alugada ─ os delúbios, silvinhos, genoínos e dirceus. Os líderes tucanos e os aliados do PFL acharam o cardume de peixes graúdos suficientemente impressionante para dispensar a incorporação da baleia branca. Em agosto, celebravam a estratégia prodigiosa quando foi descoberto o encanamento clandestino construído em Minas Gerais para despejar dinheiro sujo na campanha de 1998.

Planejado por Walfrido Mares Guia, depois recrutado por Lula para fazer o serviço no Ministério do Turismo, o duto construído na gestão do governador Eduardo Azeredo, candidato ao segundo mandato, foi patrocinado por um aprendiz de corrupto bastante promissor chamado Marcos Valério. A DNA, uma das agências de Valério, conseguiu um empréstimo de R$ 11,7 milhões no Banco Rural, oferecendo como garantia contratos de publicidade com secretarias estaduais. Repassada ao QG da coligação liderada por Azeredo, a bolada irrigou tanto a campanha do governador quanto a de 70 candidatos à Câmara dos Deputados.

Terminada a campanha, Marcos Valério estava pronto para a montagem do esquema do mensalão, completado em parceria com Delúbio Soares, tesoureiro do PT, professor de matemática e mestre em ladroagem. Derrotado, Azeredo elegeu-se senador em 2003 e presidente do PSDB. Em agosto de 2005, alvejado pela bala perdida, subiu à tribuna com o lodo pelas canelas. Desceu só com a cabeça à tona.

Os constrangidos tapinhas nas costas dos correligionários contrastaram com o sorriso coletivo da companheirada. Caíra no pântano um tucano dos grandes. Era tudo o que queria o bando qualificado pelo procurador-geral Antônio Fernando Souza de ”organização criminosa sofisticada”, liderada por José Dirceu. Amparados no caso de Azeredo, os companheiros intensificaram a ladainha destinada a convencer o eleitorado de que o PT fez o que todos fizeram. Como já haviam caído na vida, as vestais de araque se dispensaram de explicar por que fizeram o contrário do prometido desde a fundação da sigla em 1980.

“Os autores das acusações querem me dar o abraço do afogado”, fantasiou Azeredo no discurso. Quem deu esse abraço foi o PSDB, que entrou no pântano agarrado ao senador delinquente, tenho repetido desde aquele agosto. Para não perder o amigo, o partido que não costuma perder uma chance de errar perdeu a bandeira do combate à corrupção em geral e, em particular, aos 40 do mensalão. Há quatro anos, o PSDB deveria ter providenciado o despejo do culpado. Preferiu endossar o falatório tão verossímil quanto um diploma de doutora na parede da sala de Dilma Rousseff.

Em 2007, perdeu outra chance de hastear a bandeira arriada ao fazer de conta que não soube da denúncia encaminhada pelo procurador-geral da República ao Supremo Tribunal Federal. Nesta quarta-feira, depois da sessão em que o ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, pediu a abertura de uma ação penal contra o senador mineiro, a esperança de salvação se ofereceu de novo aos titubeantes vocacionais.

Caso se livre de Azeredo, o PSDB estará autorizado a afirmar que, diferentemente do PT, não se transformou por vontade própria em esconderijo de bandidos. Ou faz isso ou se proíbe de abrir a boca sobre os fora-da-lei homiziados em outras siglas. A oposição oficial ainda não aprendeu que a legenda não anula o prontuário. É a folha corrida que prevalece sobre a sigla. O Brasil honesto exige mais que o enquadramento dos que enriquecem na grande quadrilha federal. Exige a aplicação da lei a todos os culpados. Exige o fim da Era da Impunidade.

Seja qual for a filiação partidária, sejam quais forem os cargos que ocupou, todo corrupto merece cadeia.

Basta trocar o nome para constatar que Marconi Perillo é o Eduardo Azeredo da vez.

Diante das evidências de que o governador de Goiás foi longe demais na parceria com Carlinhos Cachoeira ─ financiada pela onipresente construtora Delta ─, o PSDB terá de escolher, de novo, entre a decência e a malandragem.

Caso não tenha explicações convincentes a oferecer, Perillo deve ser expulso já.

Só se agirem assim os líderes do PSDB poderão exigir, em nome do país que presta, a pronta apuração das incontáveis bandalheiras que juntam no mesmo balaio figurões do PT e da base alugada, Cachoeira e Fernando Cavendish.


O tempo perdido com manifestações de solidariedade ao tucano em perigo deve ser usado em cobranças mais relevantes e urgentes.

O que espera a CPI para investigar os favores bilionários trocados por Sérgio Cabral e Cavendish?


E o tamanho da roubalheira da Delta nos canteiros de obras do PAC?

E as maracutaias colecionadas por Agnelo Queiroz?

E os tantos outros escândalos registrados depois da institucionalização da ladroagem sem risco de cadeia?


Se reincidir no abraço de afogado, o maior partido da oposição oficial descobrirá tarde demais que se meteu na areia movediça.

Nessa hipótese, serão inúteis os pedidos de socorro aos oposicionistas de verdade.

Vai afundar sozinho.


17/07/2012

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O truque das milícias a serviço dos companheiros corruptos


“VOCÊ NÃO VAI ESCREVER NADA SOBRE O KASSAB!!!??”, berram as letras maiúsculas, os três pontos de exclamação e a dupla interrogação nas mensagens fabricadas em escala industrial pelas mesmas milícias companheiras que desde 2005 cobram artigos sobre o senador Eduardo Azeredo e, desde o fim do ano, comentários a respeito do governador José Roberto Arruda.

A resposta cabe em duas linhas: denúncias devem ser investigadas e culpados devem ser punidos, seja qual for a filiação partidária.

Como o PSDB não providenciou o despejo de Azeredo, como o DEM perdeu a chance de botar para fora Arruda e todos os comparsas, como as duas siglas ainda não pediram explicações ao prefeito Gilberto Kassab, cobranças do gênero até fariam sentido se endereçadas aos líderes da oposição formal. Mas subscritas por brasileiros decentes, nunca por milicianos a serviço dos companheiros corruptos.

Se enviassem as cobranças aos líderes dos dois partidos, os remetentes seriam apenas malandros metidos a espertos. Encaminhá-las ao colunista ou aos comentaristas independentes é sintoma de idiotia.

Aqui o truque não funciona.

Aqui não podem abrir a boca sobre mensalões os coiteiros dos dirceus, genoínos, delúbios, janenes, joões paulos, mentores, valérios, pedros henrys, waldemares costas, professores luizinhos e demais oficiais ou soldados rasos da organização criminosa sofisticada.


Não pode pedir punição para ninguém a seita que garante a liberdade dos aloprados de Mercadante, dos sanguessugas homicidas, das mulas com cuecas dolarizadas, dos sindicalistas pilantras de Paulinho da Força.

Não pode criticar nenhuma aliança política quem engole sem engasgos collors, renans, sarneys, jucás, paulos duques, severinos, malufs e outras abjeções absolvidas pelo chefe.

Não merece dois segundos de atenção a gritaria de gente que finge ter esquecido os assassinatos dos prefeitos Toninho do PT e Celso Daniel.

Só quem não tem prontuário pode exigir cadeia para todos ─ a começar pelos mensaleiros do PT: merecem prioridade porque protagonizaram o maior escândalo da história política do Brasil e porque escancararam o bordel onde as vestais de araque enriqueciam.

Só quem não tem culpa no cartório pode tratar de delinquências e delinquentes. Nós podemos. Os milicianos, não. Quem segue caminhos traçados pelos pastores da bandidagem é bandido também.


22 de fevereiro de 2010