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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

CPI da Vergonha – Petista redige um lixo moral e político para fazer a vontade de Lula e Dirceu e resolve atacar Gurgel e a VEJA




Lula, a exemplo de outros chefões de organizações similares que infelicitam a sociedade, deu o “salve”: “Vai lá e pega a oposição, o Gurgel e o Policarpo”


O Cunha meteu o revólver na cinta e saiu atirando


Por Reinaldo Azevedo

O deputado Odair Cunha (PT-MG) demonstra que, no petismo, quem sai aos seus sempre degenera. Ele até tentou, ao longo da CPI do Cachoeira, afetar um certo ar de seriedade, emprestando à missão o ar grave do homem de estado, preocupado com a moralidade pública e coisa e tal. Mas não resistiu e sucumbiu não propriamente à pressão, mas àquela que é a sua natureza. O deputado deve apresentar hoje o relatório da CPI da Vergonha. E é da vergonha” por quê?

Embora ele tenha decidido redigir um capítulo sobre a construtora Delta e peça o indiciamento do empresário Fernando Cavendish, todo mundo sabe que a empresa, hoje a segunda que mais recebe recursos federais, não foi investigada.

Ao contrário: quando o imbróglio apareceu, os petistas bateram em retirada. Citar a Delta e pedir o indiciamento de Cavendish é só uma das vezes em que esta triste figura – que já havia tentado uma firula para livrar a cara dos mensaleiros – recorre a uma falsa virtude para referendar o vício.

No capítulo final da CPI, o senhor Odair Cunha resolveu acertar os alvos que haviam sido inicialmente definidos por Lula: oposicionistas, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e a imprensa independente – representada, no caso, pelo jornalista Policarpo Júnior, da VEJA.

Sim, senhores! Odair Cunha, vejam que homem destemido!, sugere ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que investigue Gurgel e pede o indiciamento de Policarpo, um dos redatores-chefes da revista. Ao todo, o relator propõe o indiciamento de 46 pessoas.

Entre elas, estão ainda o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, e o prefeito de Palmas, o petista Raul Filho. Livrou, no entanto, a cara do graúdo Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal (PT).

O prefeito de Palmas é só mais uma homenagem da virtude ao vício. Pretende seduzir um trouxa ou outra com sua pretensa isenção: “Olhem, ele pediu o indiciamento até de um petista…”.

Cunha só não se envergonha do seu texto porque, nas plagas onde transita, não se cuida de coisas dessa natureza. Está cumprindo uma missão e tem a esperança de ser ungido o candidato do partido ao governo de Minas Gerais, nas mesmas águas da chamada “renovação”.

Ninguém ascende ou ambiciona ascender a posição tão importante se não prestar os devidos serviços à máquina de lavar e de sujar reputações em que se transformou o petismo. Se chegou a parecer, alguma vez, que Cunha tinha alguma independência e aspirava a um grão de seriedade, esse relatório desfaz completamente essa equivocada impressão.

Nada disso! Ele fez um texto que pode ser definido como uma tentativa de vingança de mensaleiros.

Não! Eu nunca esperei outra coisa. Isso não quer dizer que certas passagens não desafiem o estômago dos decentes. Ao longo de várias páginas, Cunha expõe a sua estupenda ignorância sobre a natureza do jornalismo e a relação de um profissional com as suas fontes e ainda se atreve a dar lições de moral, aproveitando para atacar toda a … “mídia”. “Mídia”, vocês sabem, é como aquela corja de bandidos, financiada por estatais, se refere à imprensa que ousa fazer o seu trabalho.

Tenta nos ensinar o mestre Odair Cunha:
“Não se pode confundir a exigência do exercício da responsabilidade ética com cerceio à liberdade de informar. Aliás, é oportuno dizer que, em nossos dias, existe uma profunda cisão entre a mensagem divulgada cotidianamente pela mídia, através dos diferentes meios de informação, e os valores éticos que a sociedade e a civilização ocidental alegam cultivar.”

É por isso que o PT está empenhado, mais uma vez, em “controlar a mídia”: para que ela se adapte àquilo que o partido diz ser a vontade do povo.

Nesse mundo ideal, os petistas são sempre inocentes, mesmo quando culpados, e seus adversários são sempre culpados, mesmo quando inocentes.

A cara de pau deste senhor é de tal sorte que uma reportagem de VEJA que causou profundo descontentamento na quadrilha de Cachoeira – aquela que evidencia que José Dirceu é que abriu as portas do governo federal para a Delta – é apresentada como parte de um suposto conluio entre o jornalista da revista e Cachoeira… Chega a ser asqueroso!

Ora, os diálogos transcritos pelo próprio Cunha evidenciam o óbvio: VEJA escreve o que apura, doa a quem doer.

O relator, no entanto, cita o caso apenas para ter mais uma oportunidade de defender … Dirceu! Sempre ele!

Raciocínio criminoso
A sanha de Cunha contra Policapo Júnior e a VEJA é de tal sorte que a série de reportagens sobre a roubalheira no Ministério dos Transportes, que resultou em mais de 20 demissões – FEITAS PELA PRESIDENTE DILMA, NÃO PELA REVISTA –, também é apresentada como mera armação de Cachoeira. Vocês entenderam direito: as reportagens que denunciaram um covil de ladrões são atacadas pelo petista.

Por quê?

Porque, entre as fontes, havia, sim, gente que transitava no mundo Cachoeira. E daí? Será que bandidos nunca têm informações relevantes? E as freiras?

Tenham paciência!

Cunha admite que as reportagens publicadas por VEJA fizeram um bem à sociedade, mas isso não o comove. Um petista, né? Leiam:
“Não estamos a discutir aqui os ganhos que a sociedade e o Erário tiveram com a possível descoberta de fraudes que seriam perpetradas na mencionada licitação.

O que estamos a ponderar é a relação que mantinha um dos jornalistas mais respeitados no País com os integrantes de uma organização mafiosa e a dedicação com que os interesses destes eram atendidos pela pessoa de Policarpo e sua equipe.”

O próprio relatório evidencia o contrário: a quadrilha frequentemente ficava furiosa com as reportagens publicadas pela revista – muito especialmente aquela que demonstrou que Dirceu abriu as portas do governo federal para Cavendish.

Um lixo
Lixo! Eis a palavra que define com mais propriedade o que produziu o deputado Odair Cunha, aquele que comandou a conspirata para que a Delta não fosse investigada. Trata-se apenas de uma tentativa de acerto de contas com “os inimigos de sempre”.

O deputado petista deve estar contente. Fraudou a verdade, mas ganhou pontos junto à hierarquia petista. Lula, a exemplo de outros chefões de organizações similares que infelicitam a sociedade, deu o “salve”: “Vai lá e pega a oposição, o Gurgel e o Policarpo”. O Cunha meteu o revólver na cinta e saiu atirando.

Trata-se apenas de mais um trabalho de intimidação da imprensa. Que vai dar errado, a exemplo de outros.

PS – Ah, sim: Cunha é um dos autores de um trabalho ridículo, que procurava demonstrar que não havia relação entre o voto dos mensaleiros e o dinheiro que recebiam da quadrilha chefiada por José Dirceu.

Fingiu não ter entendido que o crime já estava dado com o recebimento do dinheiro, como demonstrou o Supremo.

Não tem jeito! Ele tem uma natureza…

21/11/2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O enterro da CPI do Cachoeira confirma que quem esconde bandidos em casa não deve procurá-los no porão do vizinho





No peito de assassinos da verdade e da gramática também bate um coração, comprovou o SMS enviado ao governador Sérgio Cabral, em 17 de maio deste ano, pelo deputado federal Cândido Vaccarezza.

“Você é nosso e nós somos teu”, derramou-se o fecho do recado cafajeste, reproduzido e comentado na seção História em Imagens. Como as investigações da CPI do Cachoeira haviam topado com as ligações criminosas entre o quadrilheiro goiano e o empreiteiro Fernando Cavendish, dono da construtora Delta e o mais perdulário amigo de Sérgio Cabral, o deputado do PT paulista acionou o celular para livrar da insônia o governador do PMDB.

Virtualmente encerrada nesta quarta-feira, a comissão de pilantras e idiotas (leia o post na seção Vale Reprise) só serviu para confirmar uma advertência formulada pela coluna em maio passado: quem esconde bandidos em casa não deve procurá-los no porão do vizinho.

Foi o que fez o ex-presidente Lula ao conceber a CPI que serviria de armadilha para a captura dos inimigos Demóstenes Torres e Marconi Perillo.

De quebra, imaginou o estrategista trapalhão, o berreiro no Congresso evitaria que os holofotes se concentrassem no julgamento do mensalão.


Deu tudo errado: em parceria com José Dirceu, Lula acabou armando uma arapuca onde se enfiaram, além do senador do DEM e do governador do PSDB, também os companheiros Sérgio Cabral e Agnelo Queiroz, o empreiteiro Fernando Cavendish e outros fregueses da Delta.

Ao seguir o caminho traçado pelo estrategista trapalhão para alcançar o coração do poder em Goiás, a CPI desembocou na trilha que margeia o penhasco.

A solução encontrada pelos comandantes da tropa lulopetista foi enterrar o aleijão em cova rasa, declarar vitória e bater em retirada.

01/11/2012

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Dança dos Sete Lenços é uma boa imagem para simbolizar o que o PT fez com a CPI do Cachoeira — Ou: A Grande Vergonha


Sérgio Côrtes, secretário da Saúde, e Carlos Wilson, secretário de governo, fazem papel ridículo em Paris ao lado de Cavendish, aquele já com a fralda (a da camisa) fora da calça
Por Reinaldo Azevedo

A CPI do Cachoeira (ver post anterior) vai chegando ao fim como começou: uma farsa! Nunca foi para valer. E é assim por vontade dos governistas. Lula e José Dirceu, a partir de informações fragmentadas e falsas, acreditavam que poderiam destruir a “mídia” — que é como eles chamam a imprensa independente — e a oposição. Num primeiro momento, a imprensa surfou também na onda (os arquivos não me deixam mentir) e simplesmente ignorava o óbvio: a empresa que estava no centro do escândalo chamava-se… DELTA!

Demóstenes Torres, justamente punido, era apenas a personagem vistosa que desviava o escândalo do seu centro. Escrevi um post a respeito no dia 8 de abril de 2012.

Reproduzo um trecho.

*
A memória seletiva de certos setores da imprensa faz lembrar, às vezes, a seletividade dos que estão vazando informações sobre a Operação Monte Carlo. A construtora Delta, a empresa que mais toca obras do PAC, aparece, segundo relatório da Polícia Federal, atuando para o esquema de Carlinhos Cachoeira.

Delta, Delta, Delta… Esse nome não nos é estranho, certo?

Como lembrei aqui no dia 2 de dezembro do ano passado, o dono da empresa, Fernando Cavendish, é um homem que tem amigos poderosos. Dois dos mais destacados são Sérgio Cabral, governador do Rio, e José Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR). No Rio, a Delta toca obras de R$ 600 milhões. Pelo menos R$ 164 milhões desse total foram contratados sem licitação. Naquele trágico fim de semana de junho, em que um acidente de helicóptero matou sete pessoas no litoral baiano, incluindo a nora de Cabral, o governador integrava o grupo que estava na Bahia para comemorar o aniversário de Cavendish. Cabral viajou àquele estado no avião particular de outro potentado do setor privado: Eike Batista (se quiser mais sobre o mundo cabralino, clique aqui). Adiante.

Cavendish cresceu muito durante o governo petista. Teve um “consultor” de peso: Dirceu. No começo de maio do ano passado, VEJA publicou uma reportagem sobre a meteórica ascensão de Cavendish.

(…)


Voltei
Pois é, caras e caros! Os mais de quatro milhões de acessos a este blog neste mês de outubro fazem sentido, né? Não dá pra negar que este bloguinho costuma ver com mais aguda vista, como diria Padre Vieira, a natureza do jogo.

Quando escrevi o post acima, a Delta era tratada como uma personagem lateral do imbróglio. Afinal, o objetivo de Lula e Dirceu, que forçaram a mão para criar a CPI, era pegar a imprensa, a oposição e o então senador Demóstenes Torres — que foi justamente cassado à esteira da lambança.
Foi justamente cassado, mas que se reitere: era um homem de Cachoeira numa das atividades do contraventor: o jogo do bicho e seus derivados, que só às vezes se cruzavam com o imbróglio Delta. Esse era outro departamento. Cachoeira era o representante da empreiteira no Centro-Oeste.

A empresa tinha outros braços, bem mais produtivos e ricos. Ficou, desde sempre, no ar a pergunta: quem era o Cachoeira de Cavendish no Rio de Janeiro, por exemplo?

Vejam lá o meu texto de 8 de abril. Ali eu já lembrava parte das folias de Cabral com Cavensih, e a dança dos Sete Lenços em Paris ainda não havia se tornado pública.

Também havia certo esforço para ignorar o óbvio: Cavendish era, por excelência, o “homem do PAC”…

Com o apoio da Al Qaeda eletrônica, o PT fez o diabo para ignorar Cavendish. Queria era levar a imprensa para o banco dos réus.

Não conseguiu.

Mas os que se organizaram para investigar efetivamente o escândalo também não lograram sucesso.

Termina como farsa

O que começou como farsa como farsa termina. É espantoso que essa comissão chegue ao fim sem investigar a Delta e seu laranjal. Cavendish fez aparição relâmpago na CPI munido de habeas corpus para não se incriminar, é verdade, mas isso não impediria a comissão, se quisesse, de apurar a lambanças de sua empresa.

O problema é que ninguém queria investigar nada. Como ficou claro desde o início, o objetivo era jogar na fogueira a imprensa independente e a oposição.

O alvo?

Ora, deixemos que Rui Falcão, este notável pensador, o revele. Transcrevo trecho de sua fala num vídeo tornado público no dia 11 de abril:

“A bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão. É preciso que a sociedade organizada, movimentos populares, partidos políticos comprometidos com a luta contra a corrupção como é o PT, se mobilizem para impedir a operação abafa e para desvendar todo o esquema montado por esses criminosos, falsos moralistas que se diziam defensores da moral e dos bons costumes”.

Viram só?

Ele deixava claro que o objetivo da CPI era, na verdade, criar uma onda que embaralhasse o julgamento do mensalão no Supremo. Não se esqueçam de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, era outro dos alvos do petismo.

E vejam ali a asquerosa convocação aos “movimentos populares” e à “sociedade organizada” para impedir o que ela chamava de “operação abafa”.

A CPI do Cachoeira sempre teve uma esmagadora maioria de governistas. Como poderia a minoria organizar a “operação abafa”?

A fala de Falcão era, obviamente, uma farsa. O PT e os partidos aliados comandam, agora, o enterro da CPI sem investigar Cavendish, sem investigar a Delta, sem investigar a atuação da empreiteira no Rio, sem investigar a atuação da empreiteira no próprio governo federal.

De quebra, ainda assistimos, no meio do caminho, à frenética movimentação de setores do governo para tentar vender a empreiteira-problema ao grupo JBS — de que, ora, ora, é sócio o BNDES. O troço só não prosperou porque começou a beirar a pornografia.

Não que eles repudiem esse estágio da degradação. É que tudo ficou muito na vista, e, como escreveu Camões, o dano poderia ser maior do que o perigo.

Eis aí… Cachoeira tem de pagar pelos seus crimes, é claro! Já está pagando. Mas ele, é evidente, era apenas um peixe de médio porte.

Os petistas deram um jeito de acabar com a CPI para preservar os tubarões, a si mesmos e a seus aliados.

É evidente que deveria ser oferecido ao bicheiro o benefício da delação premiada.

Não sei se ele toparia.

Ele tem motivos para ter medo.

A turma não brinca em serviço.

31/10/2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O presidente da CPI, Vital do Rego, e a grande inverdade. Ou: Fala de senador demonstra que CPI assa a grande pizza do governismo e que esquema de corrupção não será investigado



O presidente da CPI, Vital do Rego (PB), que vinha se comportando com discrição até agora, mudou de postura para anunciar uma inverdade escandalosa
 
Por Reinaldo Azevedo


As coisas começam a assumir um péssimo rumo.

Leiam o que informa Ricardo Brito, no Estadão Online. Volto depois.

Presidente da CPI diz que ‘quadrilha’ está em Goiás

O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou que a disputa entre tucanos e petistas não vai atrapalhar os trabalhos da comissão parlamentar. “Não pode e não vai inviabilizar os trabalhos”, disse, ao fazer um balanço dos trabalhos da CPI. Vital não quis opinar se a comissão deveria reconvocar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), para explicar as novas acusações de que teria firmado um compromisso com a Delta Construções, intermediado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, quando negociou a venda de uma mansão, em Goiânia.

O presidente da CPI disse que o “núcleo da quadrilha” está em Goiás. “Não sou eu que estou dizendo, qualquer criancinha sabe disso, ela nasceu lá”, afirmou. Mas ele ressalvou que esse fato não é “fator determinante” para Perillo voltar ou não à CPI. “Não tenho convicção disso, até porque espero o que a CPI vai analisar”. Requerimento do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) pediu a reconvocação de Perillo. O PT, ao contrário, defende o impeachment do governador, sem nova passagem pela CPI. Questionado se é recomendável que o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), defenda o indiciamento de Perillo, Vital respondeu: “O Paulo me afirmou que fez um comentário como membro da CPI, não como vice-presidente”.

Vital também se recusou a comentar o pedido de convocação de Wilder Morais (DEM-GO), o suplente do senador cassado Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO). Grampos feitos pela Polícia Federal revelaram que Wilder deveria a suplência de Demóstenes a Cachoeira. “A presidência não versa sobre conceitos isolados de requerimentos, a presidência se pronuncia depois de requerimentos aprovados”, afirmou. O senador afirmou ainda que o assassinato nessa terça-feira, 17, em um cemitério em Brasília de Wilton Tapajós Macedo, agente da Polícia Federal que participou das investigações da Operação Monte Carlo, não vai intimidar os trabalhos da comissão parlamentar. “Não há nenhuma ameaça, não há nenhuma intimidação”.
(…)

Voltei
Com a devida vênia, caro senador, só as criancinhas meio bobas acreditam nisso. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) já fez a devida distinção na própria comissão e lançou uma proposta muito objetiva: a criação de duas subcomissões. Uma cuidaria do esquema de contravenção de Cachoeira; outra cuidaria do caso Delta!

Esquema centrado em Goiás?

É piada!

A Delta é nacional!

Cachoeira, é evidente, é apenas o braço regional da empresa de Fernando Cavendish.


Quando a construtora quis encontrar alguém influente na região Centro-Oeste, recorreu ao esquema do contraventor.

Ora, faça-se a pergunta óbvia: o que ele tem a ver, por exemplo, com os contratos celebrados entre a Delta o governo do Rio, parte significativa sem licitação?

Uma parcela das obras do Dnit, por exemplo, estavam sob a influência do esquema, mas a maior parte não passou nem perto do esquema Cachoeira.

O contraventor tinha, como já está demonstrado, o seu próprio laranjal. Mas este independia do laranjal da Delta, que atendia a outros propósitos. Vejamos: o maior ciente da construtora é o governo federal; depois dele, o do Rio; em seguida, o de Pernambuco — estado de origem da empresa. E Vital do Rego vem dizer que o centro é Goiás?

O estado pode ser, sim, o centro do esquema de contravenção liderado por Cachoeira. Mas isso é pinto (o que não quer dizer que não mereça punição) perto do que representa a Delta. Ele era apenas o operador local da rede nacional. Quem é o Cachoeira do Rio?

Quem é o Cachoeira de Pernambuco?

Quantos são os cachoeiras espalhados Brasil afora? O que Vital do Rego está dizendo é que a CPI pretende encerrar os seus trabalhos sem investigar, por exemplo, desembolsos feitos pelo governo federal à construtora em ano eleitoral e a atuação da empresa no financiamento de campanhas. Vale dizer: não se vai investigar o essencial.

A CPI pode se estender até novembro. A que veio agora a intervenção de Vital do Rego? Até havia pouco, as chicanas contra a oposição e contra a investigação eram quase exclusividade do petismo. Parece que o PMDB entrou numa fase de demonstrar sua fidelidade à aliança.

Reparem que o petista Raul Filho (PT), prefeito de Palmas, Tocantins, sumiu do noticiário. Se alguém fez promessas a Cachoeira em troca de financiamento ilegal de campanha — e sem qualquer subterfúgio ou linguagem figurada —, esse alguém é o prefeito petista. E a Delta foi, efetivamente contratada sem licitação. Aliás, até agora, estrelando filmes mesmo, em negociação com o contraventor, só há petistas: além de Filho, o deputado Rubens Otoni (GO).

Então ficamos assim: o presidente da CPI dá pistas de que a Delta não será investigada, e os petistas da comissão deixam claro que sua missão é perseguir tucanos e proteger petistas e governistas.

Confirmado: CPI virou tribunal de exceção!

18/07/2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

É evidente que o PT e os petralhas transformaram a CPI num pelotão de fuzilamento de oposicionistas.


Se me perguntarem se acho que a venda da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo, está devidamente explicada, a resposta, obviamente, é “não”.

Parece haver gente demais da operação. E a tarefa de dirimir as dúvidas é de Perillo, com o apoio do seu partido, o PSDB.

r Mista de Inquérito — do Congresso Nacional, pois — estivesse disposta a investigar a fundo as lambanças que o esquema Cachoeira trouxe à tona. Como todos sabemos, o contraventor era apenas o braço regional de uma esquema muito maior, que atende pelo nome de “Delta”.

Ocorre que a CPI se transformou num pelotão de fuzilamento a serviço do PT.

E ponto final.


Digamos, falo por hipótese, que se faça justiça caso Perillo venha a ser de algum modo punido — além da punição já em curso, que atinge a sua reputação.

E os outros?

Será que o PT está mesmo disposto a investigar?

Um episódio, mais do que qualquer outro, ilustra a disposição da comissão: no dia 5 de julho — eu estava de férias e, por isso, não escrevi sobre o assunto — a comissão aprovou a convocação de algumas personagens, entre eles Fernando Cavendish, dono da Delta; Luiz Antonio Pagot, ex-presidente do Dnit, e Paulo Viera de Souza, ex-presidente da Dersa.

Muito bem!

Motivos óbvios explicam a convocação de Cavendish. Aliás, a demora em fazê-lo é que é, por si, um escândalo. Pagot dirigia o órgão que mais negociava com a Delta e caiu à esteira de uma pletora de escândalos no Ministério do Transportes.

Mas e Paulo Vieira de Souza, que parte da imprensa chama “Paulo Preto”? Ora, é evidente que se trata de uma tentativa de jogar São Paulo no escândalo — afinal, a grande batalha eleitoral do petismo se trava mesmo é na capital paulista.

Além do ânimo persecutório, o que justifica a convocação de Souza?

Numa de suas entrevistas, Pagot afirmou que ele fez pressão pela liberação de recursos do Dnit para o Rodoanel, em São Paulo, e que o objetivo seria fazer caixa de campanha.

Certo!

Então que se convoque.


OCORRE QUE, na mesma entrevista, ele afirmou que José Fillipi Jr., tesoureiro da campanha de Dilma em 2010, arrecadou dinheiro das empreiteiras que tinham contrato com o Dnit.

Souza foi convocado, mas Fillipi Jr. não!

Segundo o petista Odair Cunha (MG), relator da CPI, nada há contra o ex-tesoureiro de Dilma.

E contra Souza, deputado, há exatamente o quê?


É claro que vai haver um vagabundo ou outro que sairão a proclamar: “Olhem o Reinaldo tentando defender os tucanos!”

Dizem coisa pior do que isso.

O papel de vagabundos a soldo é fazer, afinal, vagabundices.

O ponto, evidentemente, é outro. Bruno Araújo (PE), líder do PT na Câmara, lembra alguns números que são, sim, eloquentes: o PSDB governa metade do PIB brasileiro e celebrou apenas 6% do montante de contratos da Delta com o poder público.

Os outros 94% estão nas mãos do PT (incluindo o governo federal), do PMDB e do PR.

E os tucanos é que vão parar no paredão?

“Ué, se cometeram irregularidades, eles que se vierem…”

Claro, claro!

O laranjal criado pela Delta, por exemplo, servia a quem?

Ao governador de Goiás?

É evidente que a investigação é seletiva, tem alvo — e isso é coisa de tribunal de exceção.

Para os representantes da oposição, há um critério; para os do governismo, outro.

Querem outro exemplo?

Um dos elementos destacados com ênfase pelos governistas no depoimento de Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, foram as gravações em que Cachoeira e sua turma expressavam o seu descontentamento com decisões tomadas por Agnelo.

As falas foram vistas como evidência de que o contraventor tentava, sem sucesso, induzir as ações do governador.

Na gravação que veio a público recentemente, Cachoeira solta os cachorros contra Perillo porque não consegue fazer as nomeações que pretendia fazer. Pergunto: quando o esquema criminoso reclamava da resistência de Agnelo, aquilo servia de evidência do bom comportamento do petista, mas, quando reclama de Perillo, isso deve ser visto como prova contra o tucano?

Há algo de estranho aí.

Qual é?

Esta CPI será encerrada sem que se investiguem as relações da Delta com o governo federal e com o governo do Rio de Janeiro?

De quebra, ainda estão tentando jogar São Paulo no imbróglio para ver se conseguem tirar Fernando Haddad do pântano eleitoral?

Os governistas, liderados pelo PT, estão usando a maioria que têm na CPI para transformar a comissão num tribunal de exceção.

Atenção, “espadachins da reputação alheia” (a expressão de Balzac; eu os chamo mesmo é de “vagabundos”): o que caracteriza um tribunal de exceção não é apenas a punição injusta; também é discricionário o tribunal que pune os inimigos, ainda que merecidamente, e preserva os amigos de modo desmerecido.
Para encerrar: é evidente que os deputados Odair Cunha (PT-MG) e Paulo Teixeira (PT-SP) perderam, no ponto de vista ético, a condição de ser, respectivamente, relator e vice-presidente da CPI.
Os dois já se comportaram como prosélitos da condenação de Perillo e da defesa de petistas e outros governistas.

Nunca antes na história destepaiz se viu isso numa CPI.
Também, convenham: esta é a primeira comissão da história das democracias — não só da brasileira — em que a maioria forma um comitê de investigação parlamentar para perseguir a minoria.

Boa parte dos meus coleguinhas se contenta com a “justiça seletiva”?

Eu não me contento.

Digamos que Perillo seja mesmo culpado e que o PT estivesse no seu encalço por apreço à ética.

As coisas estariam institucionalmente no seu devido lugar.

Ocorre que, para os petistas, pouco importa se o governador é culpado ou inocente: o que importa é que ele é tucano — e isso quer dizer “culpado”.

Ou os mesmos gigantes da ética não se ocupariam de, a um só tempo, fuzilar Perillo e defender os Dirceus, Delúbios e Genoinos.

Também nesse caso, pouco importa se são culpados ou inocentes; o que importa é que eles são petistas — e isso quer dizer “inocentes”.

Esses professores de ética seguem uma máxima: os adversários são sempre culpados, mesmo quando inocentes; os aliados são sempre inocentes, mesmo quando culpados.

18/07/2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A cara de palerma apaixonado confirma que a CPI é uma Confraria de Pilantras e Idiotas


 
Por Augusto Nunes

Confraria de Pilantras
e Idiotas

O que será que ele está vendo?, intrigaram-se nesta quinta-feira incontáveis leitores da Folha confrontados com a foto na primeira página.

A expressão superlativamente embevecida do deputado federal Jilmar Tatto grita que o líder da bancada do PT está cruzando, a bordo de um floco de nuvens multicoloridas, a difusa fronteira que separa o deslumbramento do êxtase.

O que faz bater em descompasso o coração do companheiro?

Os olhos rútilos e os lábios trêmulos, na grande imagem de Nelson Rodrigues, avisam que Jilmar está grávido de admiração, orgulho e felicidade.

O que estará acontecendo?

O grupo de candidatas a miss em visita a seu gabinete resolveu homenageá-lo com um striptease coletivo?

A ex-primeira dama Carla Bruni irrompeu no plenário para sussurrar-lhe que topa trocar Paris por Brasília?

Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, apareceu de repente para comunicar que só aceitará depor na CPI se tiver a seu lado, e de mãos dadas, aquele parlamentar tão sensível?

Nada disso.

Jilmar ficou assim sem que fosse apresentado a alguma singularidade assombrosa.

Para exibir essa cara de palerma apaixonado, bastou-lhe testemunhar, sentado na fila do gargarejo da CPI, o momento em que o governador Agnelo Queiroz propôs a quebra do sigilo telefônico, bancário e fiscal já quebrado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Você é nosso e nós somos teu”,
parece murmurar a fisionomia do líder do PT.

O recado endereçado a Sérgio Cabral pelo torturador gramatical Cândido Vaccarezza é a mais perfeita tradução da CPI de araque.

Reveja a foto no alto da página. Contemple sem pressa a imagem que levou Jilmar Tatto a flutuar na estratosfera.

Fica mais fácil entender por que a CPI do Cachoeira virou uma chanchada pornopolítica que finge investigar coadjuvantes para manter longe da cadeia os protagonistas de outro escândalo calculado em bilhões de reais.

O deputado Miro Teixeira tem razão: abstraídos os raríssimos homens honrados, o que se vê é um duelo travado por tropas do cheque tão patéticas e desprezíveis quanto as velhas tropas de choque.

Governistas e oposicionistas aplaudem os bandidos de estimação e fazem de conta que estão bravos com os meliantes do lado de lá.

A simulação ficou perigosa depois que a cachoeira desaguou na Delta.

Nesta quinta-feira, o PT e a base alugada se juntaram para conjurar o perigo e excluíram Fernando Cavendish da lista de depoentes.

Melhor encerrar os trabalhos antes que o Brasil inteiro enxergue na CPI o que ela é:

uma Confraria de Pilantras e Idiotas.

15/06/2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Odair Cunha, relator, ausenta-se da Mesa, toma bronca do PT e volta para mostrar as garras e tentar tumultuar a CPI





Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI, deixou a mesa por algum tempo Levou uma carraspana de petistas dos bastidores por sua postura supostamente cordata com o governador Marconi Perillo


Como escrevi nesta manhã, a ala heavy metal do PT, comandada por Lula e José Dirceu, quer a cabeça de Perillo para exibi-la na campanha eleitoral e para fazer frente ao noticiário do mensalão.

Muito bem, ao reassumir seu lugar na mesa, Cunha se atrapalhou todo no papel de falcão — ou de “Falcão”.

Meteu os pés pelas mãos, defendeu a quebra de todos os sigilos do governador e, quase aos berros, afirmou que Perillo estava ali como “investigado”.

Não estava!

A questão não é política; é jurídica também: o governador de Goiás falava à comissão como testemunha.

Os oposicionistas, obviamente, levantaram-se da cadeira também aos berros, com o dedo em riste, para acusar a parcialidade do relator e seu papel como procurador dos interesses do petismo.

O senador Vital do Rego, presidente da comissão, teve de restabelecer os fatos.

12/06/2012

Perillo sai sem arranhões da CPI; Comissão tem de encontrar o seu objeto ou se desmoraliza


O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), está depondo há praticamente cinco horas

Até agora, é fato, sai melhor do que entrou

 Por Reinaldo Azevedo

Não caiu em contradição, não cedeu a provocações, demonstrou respeito à CPI, levou os tais cheques da compra da casa etc.

Admitiu mesmo que há nomeados em seu governo indicados por pessoas que mantêm relação com Carlinhos Cachoeira.

A CPI não tem, em suma, uma prova a esfregar na cara de Perillo. A postura cordata do governador desmonta os espíritos mais beligerantes.

Não creio que será muito diferente com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que conta ainda com um benefício adicional: a maioria esmagadora da CPI é governista.

Embora os petistas tenham tentando “apertar” Marconi, não se assistiu à tentativa de um massacre.

É provável que o PSDB também baixe o tom.

Volto à questão que abordei nesta manhã: sem prejuízo de que se investiguem as eventuais relações de Perillo e Queiroz com o esquema Cachoeira, a CPI estará se desviando do essencial enquanto se mantiver longe da Delta.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) exibiu sinais de irritação com as afirmações de que a comissão caminha para uma farsa — a exemplo do que escrevi aqui de manhã.

Acho que cabe um esclarecimento, até como reconhecimento ao trabalho de Taques e outros, que se mostram sinceramente empenhados na investigação.

Desde a primeira semana de funcionamento, a CPI deveria ter optado por subcomissões.

Uma delas deveria estar encarregada de investigar as atividades de Cachoeira no jogo ilegal e sua relação com agentes públicos nos Três Poderes.

Essa é uma face da atuação do bicheiro. A outra é como uma espécie de gerente da Delta no Centro-Oeste — e, nessa subcomissão, a construtora é que deveria estar sendo investigada.

Se Cachoeira é um peixe graúdo no jogo, é peixe miúdo no esquema Delta.

Reitero o que escrevi de manhã: o capítulo dos governadores só está contribuindo para afastar a CPI do principal objeto.

E o nome do objeto é Delta!

Sem isso, acabará desmoralizada, a despeito dos bons propósitos de muitos ali.

Se PT e PMDB mantiverem a disposição de não investigar a construtora, a comissão estará produzindo só diversionismo.
12/06/2012

Perillo na CPI. Vamos ver se hoje será o primeiro dia do resto de uma farsa



Qual era o segredo de Cavendish?

Se a Delta ficar fora do alcance da CPI, a investigação poderá e deverá ser chamada, sem qualquer exagero, de farsa



Vamos ver. Esta terça tem tudo para ser o primeiro dia do resto dos descaminhos da CPI do Cachoeira.

Por que afirmo isso?

Hoje depõe o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que era um dos alvos daquilo que chamei os “Protocolos dos Sábios do PT”.

Os outros eram o ministro Gilmar Mendes (tiro n’água), o procurador-geral da República (tiro n’água) e a imprensa (chuááá).

Desde quando se ofereceu para depor, o noticiário contra o tucano avolumou-se de forma exponencial — e ninguém precisa ser muito bidu para saber a origem.

Curiosamente, aquele setor do jornalismo que tenta se especializar em investigar fontes alheias não se interessa pelas fontes que vazam ou plantam notícias contra oposicionistas.

Notem bem, hein?

Não estou aqui a dizer que Perillo é inocente disso ou daquilo, não!

A história da venda de sua casa está enroladíssima. Duvido que ele próprio saiba de cabeça as versões que já foram relatadas na CPI.

Também cresceu, mas muito menos, o noticiário contra Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal, que é do PT. Os petistas querem pegar Perillo; os tucanos estão de olho em Agnelo.

Enquanto isso…

“Enquanto isso, o quê, Reinaldo?”

Ora, enquanto isso, a CPI vai se desviando doce e suavemente do centro nervoso da investigação. Notem que o nome Delta, que demorou a entrar no noticiário — como adverti aqui desde os primeiros dias —, voltou a sumir dos jornais, dos sites, dos blogs…

Isso obedece a uma estratégia.

Antes que fale um pouco dela, reitero: não estou aqui a dizer que as acusações que pesam contra Perillo e Agnelo não devam ser investigadas.

Devem, sim!

Mas é evidente que elas não podem servir como cortina de fumaça para esconder o principal.

Ora, ora, ora… Como revelou Lauro Jardim, na coluna Radar, na VEJA desta semana, as duas empreiteiras que lideram o consórcio que venceu a licitação para o aeroporto de Viracopos, por exemplo, estão no laranjal da Delta. A lista do Coaf com movimentação suspeita de dinheiro é impressionante. Investigar a eventual infiltração do esquema criminoso de Cachoeira nos governos de Goiás e do Distrito Federal não impede que se apurem as lambanças do megaesquema da construtora. E isso é tudo o que o PT e o PMDB não querem.

Pegar Perillo e encerrar logo
A CPI, os petistas já perceberam, não serve mais aos propósitos iniciais.


A tramoia para tentar desmoralizar os adversários dos mensaleiros deu com os burros n’água.

Os vingadores de Lula e Dirceu se concentram agora em tentar usar a maioria que têm na CPI para fazer ao menos uma vítima graúda: Perillo. Caso o governador se enrosque para valer na comissão, terão ao menos uma cabeça vistosa para exibir em praça pública, especialmente num momento em que os crimes do mensalão voltarão ao noticiário.

A CPI, em si, nada pode fazer contra Perillo.

Um processo criminal só poder ser movido pelo STJ, e o político, só pela Assembleia Legislativa.


Não é com isso que conta a petezada: a turma quer que a comissão produza ao menos um Judas da oposição para ser malhado.

Insisto: se Perillo ou Agnelo se envolveram com a quadrilha de Cachoeira, que paguem por isso.

Mas é uma obscenidade política deixar de investigar a Delta e seu controlador, Fernando Cavendish.

O esquema de Cachoeira, no que diz respeito à construtora, era só o braço da rede no Centro-Oeste.

E os demais?

E o Rio de Janeiro de Sérgio Cabral?

Mesmo depois de flagrada numa operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, a empresa recebeu R$ 139 milhões a juros camaradas do BNDES.

Qual era o segredo de Cavendish?

Se a Delta ficar fora do alcance da CPI, a investigação poderá e deverá ser chamada, sem qualquer exagero, de farsa.



12/06/2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

INACREDITÁVEL! UOL dá visibilidade a um sujeito que maneja uma máquina mágica, que estaria acusando que Mendes mentiu! Huuummm…


                                                

 O Portal só se esqueceu de dizer quem é o cara e o que andou afirmando em 2005 sobre o mensalão!

É fim da picada!É espantoso! Chega a ser inacreditável!

Afinal, a, por assim dizer, notícia está publicada no UOL, o maior portal do país.

Um sujeito chamado Mauro Nadvorny, que maneja uma engenhoca que seria uma espécie de “detector de mentiras”, teria apontado “trechos fraudulentos” numa entrevista concedida por Gilmar Mendes à GloboNews.
                                        

                                             Por Reinaldo Azevedo


E quando o ministro teria mentido, segundo a máquina mágica de Nadvorny? Justamente quando o Mendes afirma que o mensalão fez parte da conversa, que Lula se referiu várias vezes à CPI e que ele, Mendes, não tem relação com Demóstenes.

Entenderam?

A máquina da verdade de Nadvorny parece falar tudo aquilo que os petistas gostam de ouvir.
Esse cara é novo nessa ramo?

Nãããooo!!!

É até bem antigo. Não só é propagandista de sua engenhoca — que não é reconhecida em tribunal nenhum do mundo — como tem veleidades de pensador político, conforme se lê num, bem…, artigo publicado em seu blog em 30 de agosto de 2005.

Já tirei cópia da página e fiz PDF, para ficar tudo documentado.
Quem ler aquela glossolalia vai ver um Nadvorny indignado com as denúncias do mensalão. Já naquele tempo, a gente nota que ele acha que é tudo uma conspiração contra Lula.

Para esse grande pensador, a coisa toda não passava de uma “alucinação coletiva”. Reproduzo um trecho, que segue na língua original:


“Estamos vivendo um momento único. Não, não é o fato de termos descoberto que até o PT seria capaz de fazer o que os outros partidos sempre fizeram. Refiro-me ao fato de que estamos diante de uma das maiores lavagens cerebrais nunca jamais vistas. Estamos diante de uma alucinação coletiva. Todos falam de supostos acontecimentos como se eles tivessem ocorrido e aguardam a punição dos culpados, como se culpados houvessem de algo que sequer foi provado sua ocorrência.”
Nadvorny, como vocês verão abaixo, faz com a sua maquininha o que bem entende. Ela confessa tudo aquilo em que ele próprio acredita. Quando Roberto Jefferson denunciou o mensalão, ele submeteu a fala do então deputado à sua engenhoca. Leiam:
“Analisei as palavras de Roberto Jefferson com a Tecnologia de Análise de Voz israelense com a qual trabalho. Ele realmente acreditava no que dizia (na verdade no que o ex-presidente do PTB, José Carlos Martinez havia contado a ele), mas isto não prova que o PT pagava as bancadas do PP e do PL mesadas de qualquer tipo. É mais ou menos como analisar um sujeito que diz ter sido abduzido por um disco voador. A análise pode comprovar que ele está dizendo a verdade. Isto prova que ele realmente acredita ter estado num disco voador, mas de maneira alguma prova a existência deles.”
Compreenderam?

Este grande analista concluiu que Jefferson falava a verdade — vale dizer, aquilo que ele, segundo Nadvorny, pensava ser a verdade! Santo Deus!

O pensador das engenhoca explica por que estava tão indignado com as acusações do mensalão:


“A vitória de um trabalhador para a presidência do Brasil não foi suportada por muita gente. Nem de longe somos um país de maioria socialista, sequer de esquerda. Lula chegou lá por seu mérito, muito mais do que pelo de seu partido. Tanto assim que não fez maioria absoluta no Congresso e alianças com outros partidos foram à única forma de poder governar. Simples e pragmático. Qualquer coisa diferente disso seria o mesmo que entregar a presidência ao segundo colocado.”
Encerrando

Acho que já está de bom tamanho, não é mesmo?

É um sujeito com essa qualificação e com esse histórico que está no UOL, o maior portal do país, se atrevendo a dizer que um ministro do Supremo mentiu, alegando que chegou a essa conclusão com dados técnicos tirados de uma máquina mágica.
Que tempos!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Não há sentido em continuar com a sessão. Os parlamentares deveriam se dispensar de fazer o trabalho que cabe à caríssima banca de Bastos. Ela que tente descobrir de que elementos dispõem os membros da CPI.




Parlamentares estão se comportando, literalmente, como bobos da corte e trabalhando, sem querer, para Márcio Thomaz Bastos

Ponham fim à sessão, por favor!



A sessão da CPI está em curso, e Carlinhos Cachoeira, ao lado de seu advogado, Márcio Thomaz Bastos, segue, monocórdio, usando o seu direito de permanecer calado.

“Eu vou me reservar o direito de permanecer em silêncio…” E Bastos ali do lado, a consciência jurídica mais cara da nação!

Não estou criticando, não, o direito que Cachoeira tem de não se autoincriminar.

É um fundamento das democracias.

É que há um limite até para a inutilidade.

Já está claro que ele não vai falar nada — ou só vai dizer o que eventualmente sirva à sua defesa.

Pra que perder tempo?

Ora, se Cachoeira não vai responder e se os parlamentares insistirem em fazer suas perguntas, estarão trabalhando, sem querer, para Márcio Thomaz Bastos, que terá, então, o roteiro completo de suas indagações. Para orientar a defesa, é um espetáculo.

Há pouco, o deputado tucano Fernando Francischini (PSDB-PR) fez uma bela e enfática defesa da importância da CPI e lembrou que ela atende aos reclamos por moralidade da sociedade brasileira. É verdade. “E daí?”, perguntaria Bastos.

A sessão está servindo para que falem os parlamentares. Os governistas vão tentar implicar no rolo representantes da oposição; a oposição tentará fazer o contrário. Daqui a pouco, a banda podre começará a atacar a “mídia”. E assim vai.

Não há sentido em continuar com a sessão. Os parlamentares deveriam se dispensar de fazer o trabalho que cabe à caríssima banca de Bastos. Ela que tente descobrir de que elementos dispõem os membros da CPI.

Entregá-los, assim, de mao beijada é bobagem.

22/05/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Chega de conversa mole! Matando a charada: “Carlinhos” é só um dos “Cachoeiras” da Delta.





Pergunto:

“Quem é o ‘Cachoeira’ do Rio, por exemplo?”
Os fragmentos de narrativa e de conversas que vão vazando das escutas feitas pela PF nas operações Vegas e Monte Carlo vão nos fazendo perder a noção do todo. Aos poucos, os vários pedaços da verdade vão contribuindo para construir o que tem tudo para ser uma grande mentira e um elogio à impunidade.

Pensemos.
“Será que Fernando Cavendish, o dono da Delta, está envolvido com jogo do bicho, caça-níqueis, essas coisas?” Não há, até agora, nenhum sinal, certo? Não existem evidências, pois, de que Cavendish seja sócio de Cachoeira na contravenção, mas há indícios de sobra de que este era parceiro daquele em alguns empreendimentos.

Estão acompanhando?
Outra questão relevante. Ainda que não existisse uma Delta, Cachoeira seria quem é no mundo da contravenção. Essa sua atividade específica independe de contratos com o governo, licitações, obras públicas etc.

Assim, ele tem de ser investigado e, dado o que já se sabe, punido por suas ações no jogo. Atenção para isto: o contraventor já existia antes de a Delta ser o que é. Haveria a obrigação de investigá-lo ainda que ele não tivesse contato com construtora nenhuma.
O que estou querendo dizer é que a investigação tem de ser dividida em dois grupos: num deles, encontramos Cachoeira, os caça-níqueis, a exploração do jogo etc.

É coisa séria, que merece atenção?

É, sim! Afinal, ele contava até com parlamentares que atuavam como despachantes de seus interesses, a exemplo do que se depreende de seus diálogos com o senador Demóstenes Torres.

Restringir, no entanto, a investigação a Cachoeira, como quer o PT — defendeu essa posição até numa resolução nacional —, corresponde a fraudar de forma espetacular a verdade.

Quem é Cachoeira mesmo?


Cachoeira é um contraventor que tem de ser punido na forma da lei, independentemente de seus vínculos com Cavendish. MAS ELE TAMBÉM ERA O HOMEM DA DELTA NA REGIÃO CENTRO-OESTE.


E agora chegamos ao ponto: Cavendish não aparece nas conversas de Cachoeira sobre jogo porque, de fato, não tem nada com isso!

O bicheiro era o seu operador e intermediário em assuntos no Centro-Oeste. Seu raio de ação não ia muito além dessa região, especialmente Goiás e o Distrito Federal.

Assim, insisto: duas investigações precisam ser feitas:


a)
a que envolve as ações ilegais do bicheiro como bicheiro;


b)
a que envolve as ações do bicheiro como parceiro da Delta.

E é nesse ponto que a coisa fica interessante: Cachoeira era apenas um dos, digamos, “escritórios” que cuidavam do interesse da empresa.

Cavendish, que já declarou ser possível comprar um senador por R$ 6 milhões, ESTABELECEU UMA PARCERIA COM ELE EM ASSUNTOS LOCAIS. Mas certamente não era o bicheiro que atuava como procurador da Delta no Rio, por exemplo.
Quando Cândido Vaccarezza mandou aquele torpedo amoroso para o governador Sérgio Cabral (PMDB), já sabia que o nome do governador do Rio não frequenta as conversas do bicheiro com sua turma.
ORA, NEM PODERIA!

Tanto no jogo ilegal como no assalto ao erário, a região de Cachoeira, insisto, é o Centro-Oeste.
O leitor esperto já se tocou, não?


Cumpre perguntar: quem é o braço operativo de Cavendish no Rio, por exemplo?

O bicheiro pode ser hábil, poderoso e tal, mas aquela não era uma área que ele dominasse. Podem virar do avesso os contratos de R$ 1,1 bilhão do estado do Rio com a Delta, e duvido que se encontre por ali o dedo de Cachoeira. A construtora, está claro como a luz do dia, tinha operadores regionais.

No Centro-Oeste, ficamos todos sabendo, parece difícil fazer um negócio sem se molhar na fonte do contraventor, mas não fora dali.

Tendo a achar que isso explica aquele rasgo vaccarezzo-shakespeariano.

O petista dirceuzista estava dando garantias a Cabral de que a CPI vai se limitar ao Centro-Oeste e não quer saber dos outros “Cachoeiras” espalhados Brasil afora.
Quem não se lembra?


A Polícia Federal e a Controladoria Geral da União (CGU) acusaram maracutaias da Delta no Ceará, em 2010!!!

A operação Mão Dupla identificou de tudo por lá: propina, fraudes em licitações, desvio de verbas, superfaturamento, pagamentos irregulares e emprego de material de qualidade inferior ao contratado em obras comandadas pelo Dnit.

Um diretor local da Delta, Aluizio Alves de Souza, e o superintendente no Dnit no Estado, Joaquim Guedes Martins de Neto, foram presos.

Mesmo assim, o governo celebrou com a construtora outros 31 contratos, no valor de quase R$ 800 milhões.

Pergunto: o Ceará estava sob a jurisdição de Cachoeira??? Não! O “homem” da construtora no Estado era outro.
Pergunto outra vez: “Quem será, hein, o ‘Cachoeira’ de Cavendish no Rio?


Assim como, no Centro-Oeste, foi preciso recorrer ao estado paralelo cachoeirístico para viabilizar negócios, quem terá, nas terras fluminenses, feito pela Delta o que fazia Cachoeira na região central do Brasil?

Entenderam o busílis?

Uma coisa é apurar a infiltração da contravenção no estado etc. e tal…

É grave?

É grave!

Mas isso, convenham, para os cofres públicos, beira a irrelevância quando se pensa, só para ficar nas obras do PAC, em R$ 4 bilhões!


A INVESTIGAÇÃO QUE MAIS INTERESSA É OUTRA: QUAIS SÃO OS BRAÇOS QUE OPERAM O ESQUEMA DELTA NO BRASIL?


Esse é o ovo de Colombo.


E parece que é isso o que a CPI quer esconder.


O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que deixou por um tempos a militância em favor da descriminação da maconha para cuidar de outros baratos na CPI, chama a possibilidade de investigar a Delta em escala nacional de “devassa”!!! E

sse é um dos que preferem perseguir a imprensa a ficar no encalço de larápios, que roubam os cofres públicos.
Agora, sim!


Agora, sim!, as coisas parecem mais claras.

Misturar no mesmo imbróglio a jogatina — que tem de ser investigada e punida! — e o esquema Delta corresponde a mentir de forma asquerosa para os brasileiros.

No Centro-Oeste, em razão das atividades preexistentes de Cachoeira, essas duas coisas se cruzaram. Cachoeira ainda é um contraventor local, com aspirações de estender nacionalmente a sua influência. A Delta, nesse sentido, lhe era um canal e tanto.

A teia verdadeiramente nacional é outra: chama-se Delta.

E é preciso saber o nome dos outros “cachoeiras”. PARA QUE TODOS SEJAM PUNIDOS POR SEUS EVENTUAIS CRIMES.
Punir apenas Carlinhos Cachoeira, Demóstenes e mais um, dois ou três não é injusto, não, no que diz respeito à turma e às suas ações. Punir apenas essa gente é injusto com o Brasil! E se trata de mais uma aposta na impunidade, que está na raiz de toda essa lambança.
Se a CPI não investigar para valer a Delta no Brasil inteiro, estará mandando um recado aos demais “Cachoeiras” do esquema:

“Vocês são nossos, nós somos seus, e o Brasil e os brasileiros que se danem”
.


21.05.2012


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Edir Macedo, que frauda o sentido da Bíblia ela-mesma, não será o autor de uma bíblia do jornalismo ético




Vamos lá.

Não deixo de achar certa graça, embora haja no mundo milhares de coisas mais interessantes e engraçadas, do que a tentativa de invasão do blog pela súcia organizada para defender mensaleiros e atacar a VEJA

Não!

Aqui a canalha não vai botar as suas patas sujas

Por Reinaldo Azevedo


Já faço blog há algum tempo. Sei como manter o espaço higienizado. O “instrumento de luta” da hora é uma peça de ficção levada ao ar pela TV Record, aquela do autointitulado “bispo Macedo”, com base em outra peça de ficção da Carta Capital, a revista que oferecia, até outro dia, assinatura com desconto para pessoas filiadas ao PT.

Isso é que é prova de independência!

Faz sentido?

No universo moral deles, todo sentido!

Se a publicação só existe porque conta com a generosidade dos anúncios públicos e de estatais, é preciso oferecer a contrapartida. É dando que se recebe. A profissão é antiga, vem dos tempos bíblicos.
“Ah, tá falando isso porque seu blog está hospedado na VEJA”. Pois é… Não haveria nada de errado se assim fosse, mas não é. Muito antes de meu blog estar aqui, estive em outros lugares e fiz outras revistas.

Todos sabem o que penso dessa gente há muito tempo.
Antes de Mino Carta servir ao petismo, serviu a Orestes Quércia, por exemplo.

Quando este começou a viver o seu ocaso, decidiu se virar nos 30…

Nos primórdios de 2002, namorou com Ciro Gomes.

Mas pertence à espécie dos que têm bom faro.

Percebeu que o petismo lhe oferecia melhores condições de trabalho e se tornou um entusiasta da causa, sempre com aquele arzinho de desdém que devota aos brasileiros, por ele tratados como “os nativos”.

Mino se considera membro de uma certa aristocracia do espírito, que, eventualmente, precisa do aporte de gente menos espiritualizada para se manter. O ódio que tem da VEJA é proverbial e conhecido.
A “reportagem” da Carta Capital que serve de base para a “reportagem” da Record não passa de um apanhado de ilações ridículos e sem amparo nos fatos.

As gravações exibidas como “provas” provam apenas que um jornalista da VEJA tinha, entre suas fontes, Cachoeira e seus serviçais.

E daí?

Tentar transformar isso em crime é uma tentativa de criminalizar o próprio jornalismo investigativo.

Pergunto: o jornalista da revista usou aquelas informações para ganhar dinheiro?

Usou aquelas informações para fazer negócios em seu nome ou da revista?

Usou aquelas informações para obter algum benefício?

Não!

Com elas — e recorrendo sempre a outras fontes que ajudaram a desvendar a infiltração de criminosos no governo —, colaborou para desbaratar quadrilhas que estavam infiltradas no Estado. Dilma não se livrou de seis ministros-problema para ficar de bem com a VEJA. Ela se livrou de seis ministros-problema — e mais a camarilha que estava no Dnit — porque constatou, quando menos, evidências de lambança.

Na reportagem da Carta Capital e da Record, não por acaso, ignoram-se os dados levantados pela Corregedoria Geral da União. Eles demonstravam a lisura de procedimentos? Não! Eles demonstravam a roubalheira.
Aquilo que a “reportagem” da Record apresenta como evidências contra a VEJA é uma fraude montada a partir de fragmentos de conversas que mal esconde o intento — é uma exigência! — de transformar, sempre ele, José Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a Procuradoria Geral da República), em uma pobre vítima das armações de Cachoeira.

Vítima?

Dirceu organizava um governo paralelo num quarto de hotel, no momento em que o chefe da Casa Civil era defenestrado, o que foi denunciado por VEJA, e essa gente fala em investigar a revista?
Ora…
   Quem frauda a Bíblia frauda os fatos
  

O papel da Carta Capital e assemelhados e da Rede Record nesse imbróglio não é novo. Edir Macedo é dono de uma igreja — e deixo claro que os fiéis não têm nada a ver com suas lambanças; estão lá de boa-fé — e de um partido político, o PRB, que ganhou há dias o Ministério da Pesca. Seu titular, Marcelo Crivella, é sobrinho do chefão da organização. Sua primeira declaração ao ser nomeado exibia a sua intimidade com a pasta: “Vou aprender a pôr minhoca no anzol”.

Caso se reconstitua a trajetória de Macedo e se tente entender como amealhou recursos para se tornar empresário de comunicação, vai-se concluir o óbvio: o dinheiro, originalmente, saiu da igreja, da doção feita pelos fiéis.

Problema: trata-se de uma atividade não-tributada constituindo fundos para organizar uma empresa privada. Ainda hoje, boa parte da receita da emissora sai dos cofres da Universal. Como a simples transferência de recursos é proibida, usa-se um artifício: a Igreja “compra” tempo na Record e paga por ele um preço que ninguém mais pagaria.
Macedo impõe ao jornalismo o mesmo padrão e rigor teórico com que leva adiante em sua teologia. Este é aquele senhor que recorre a uma passagem do Eclesiastes para justificar o aborto, por exemplo.

Também é aquele líder religioso que aparece num vídeo, com um chicote na mão, para expulsar o demônio do corpo de um homossexual.

Se faz isso com a religião, por que faria diferente no jornalismo?

“Ah, o Reinaldo está recorrendo a coisas que não têm nada a ver com o caso…”

Ah, tem, sim!

Quando se evoca o Eclesiastes para justificar o aborto, estamos diante de uma fraude teológica!

Quando se recorre ao chicote contra um homossexual para que ele mude sua orientação, estamos diante de uma fraude em qualquer sentido que se queira: psicológica, religiosa, ética.

Quando se leva ao ar aquela montagem asquerosa tentando incriminar o jornalista da VEJA — que só fazia o seu trabalho —, estamos diante de uma fraude jornalística. Porque a tudo isso preside o mesmo padrão moral.
                   Nada de errado


Qualquer jornalista responsável, de posse das mesmas informações que tinha o jornalista da VEJA, faria o que ele fez: reportagens! Se Cachoeira e outros tantos gostavam ou não dela, isso é irrelevante.

ESSA PATACOADA SÓ ESTÁ NO AR AGORA PORQUE ALGUMAS DAS REPORTAGENS QUE TENTAM DEMONIZAR CONTRARIARAM O INTERESSE DE QUADRILHAS INFLUENTES.


Alguém se interessou em saber a origem das fitas que resultaram no “escândalo das privatizações” — “escândalo” que, sabe-se agora, depois de muitas investigações, nunca existiu?

Alguma vez os petistas se lembraram de pôr a bola no chão para ponderar: “Pô, gente, vamos com calma! Esses que querem derrubar a cúpula do BNDES e do Ministério das Comunicações são todos bandidos…”

Não!

Não se disse uma vírgula a respeito. Ao contrário: defendia-se o uso aberto de fitas gravadas sem qualquer autorização judicial porque se sustentava: “O que importa é o crime que está sendo denunciado”.

Crime que, reitero, nunca existiu. Mas, vocês sabem, como era coisa contra tucanos, tudo bem! Caso semelhante a este de que trato? Não! As reportagens da VEJA trouxeram à luz corrupção comprovada, escancarada. A “privataria” era uma farsa.

Alguém se interessou — antes que a própria polícia o fizesse — em saber qual era a fonte que alimentava a imprensa com o tal Dossiê Cayman?

Por mais que os tucanos negassem qualquer envolvimento com o caso e afirmassem que tudo não passava de loucura e de armação, jamais se levantou a questão das “fontes”.

Os jornalistas que deram curso àquela mentirada desfilam por aí, lépidos, como se nada tivesse acontecido.

Caso semelhante a este de que trato?

Não!

As reportagens da VEJA trouxeram à luz corrupção comprovada, escancarada. O Dossiê Cayman era uma farsa.

No caso da suposta compra de votos da reeleição — em que se armou uma escuta —, alguém se preocupou em saber qual era a fonte e quem estava por trás da tramoia? Também nesse caso, os alvos eram tucanos — e, se é assim, então nada se pergunta. Por que essa gritaria agora?


                     A resposta é simples


Porque uma das especialidades de uma banda do PT e outros a ela associados é inverter a lógica dos fatos e o sentido moral dos eventos históricos.

Tentam transformar a ação virtuosa da reportagem de VEJA, QUE DENUNCIOU A AÇÃO DE LARÁPIOS NO GOVERNO — E FOI DILMA QUEM OS BOTOU PRA FORA, NÃO A REVISTA — em crime. E, POR ÓBVIO, TENTAM TRANSFORMAR CRIMINOSOS EM VÍTIMAS.

Na peça de ficção da Record, fica parecendo que José Dirceu brincava de amarelinha em reunião clandestina com o presidente da Petrobras, o ministro do Desenvolvimento Industrial, o líder do governo na Câmara, entre outros.

Os repórteres investigativos — e existe até uma associação no Brasil que os junta — devem se reunir, a partir de agora, e estabelecer um código de ética próprio: “Só falaremos, daqui para a frente, com pessoas de reputação ilibada. Descobriremos as safadezas da República conversando com acadêmicos, teólogos, filósofos etc. Antes de saber se alguém pode ser uma fonte, vamos pedir atestado de bons antecedentes…”
Imaginem se a Polícia Federal vazar todas as conversas que certamente tem lá guardadas de repórteres com suas fontes — claro,claro, os grampeados não eram os jornalistas, mas as fontes… A propósito: quem organiza os vazamentos das gravações? Notaram que todos os que as tornam públicas fazem questão de frisar: “Conversas gravadas com autorização judicial..” Verdade! E o vazamento? Também tem autorização judicial ou, na origem, é um crime? 


Respondo: na origem, é um crime. 

Repórteres estão ou não utilizando um material decorrente de um crime, já que ele estaria resguardado por sigilo de Justiça?

Estão!

Mas não estou aqui a defender restrições para o jornalismo, não!

Se vazou, vazou!

Papel de jornalista não é assegurar sigilo de coisa nenhuma.
Mas não vale fazer de conta que foi um grande professor de ética que passou o troço adiante.

Concluindo

E que fique claro a essa gente que atua como ordem unida, que obedece a um comando, que escreve o que interessa a seus financiadores. Este texto é meu, publicado no meu blog, que está hospedado na VEJA Online.

Não é um texto “da VEJA”.

Os princípios que norteiam a revista já foram tornados públicos por Eurípedes Alcântara, diretor de Redação da revista. Não falo pela publicação. Falo o que penso.

Sei que alguns chegam a ficar constrangidos que assim seja, porque contrastam a minha independência com a sua sujeição, mas o fato é que escrevo o que quero, com a opinião que tenho — e nem sempre coincidente com escolhas editoriais da VEJA.

Pluralidade não é alegoria de mão de desfile carnavalesco.

É um fundamento da democracia.

No próximo post, apresento três evidências do rigor teológico de Edir Macedo.

O mesmo rigor que ele levou para o jornalismo.

O PT começou citando Karl Marx e terminou no colo do “bispo”.

E, no entanto, asseguro: o jornalismo independente vai sobreviver ao ódio de uns e à vigarice de outros.

07/05/2012


sábado, 5 de maio de 2012

SIM, O JORNALISMO PRECISA TOMAR CUIDADO PARA NÃO SERVIR AO CRIME ORGANIZADO E ÀQUELES QUE QUEREM DESMORALIZAR A DEMOCRACIA



Uma coisa vocês não podem negar a este escriba, não é?

Desde o primeiro dia, apontei a ação dos petistas — encabeçados por Lula, José Dirceu e Rui Falcão — para usar as tramoias de Carlinhos Cachoeira e seu grupo para tentar melar o processo do mensalão e para intimidar a imprensa.

A coisa agora é escancarada!

Ontem, Rui Falcão (ver posts abaixo) perdeu qualquer restinho de pudor e declarou que a “mídia” será o próximo alvo do governo.

Tudo indica que falou apenas em nome da banda heavy metal do PT, não do Planalto.

Trato do assunto em outro post.

Muito bem.

“Melar” o mensalão compreende, entre outras coisas, um esforço para desmoralizar ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

                                           Por Reinaldo Azevedo

A imprensa independente — aquela que não é financiada com dinheiro público nem é subordinada a uma rede criminosa montada na Internet (isso ainda vai dar o que falar, anotem aí) — tem de tomar cuidado para não fazer, involuntariamente, o serviço da bandidagem. Infelizmente, aqui e ali, isso está acontecendo. Dado o pano de fundo, exporei aqui um caso emblemático. Antes de fazê-lo, no entanto, é preciso proceder a uma digressão para esclarecer algumas coisas.


Começa a digressão


Já escrevi aqui — e Eurípedes Alcântara, diretor de Redação da VEJA, divulgou uma Carta de Princípios a respeito da ética no jornalismo — que a qualidade moral da fonte não faz a qualidade da informação. Uma pessoa decente e muito bem-intencionada pode induzir um repórter ao erro. Um bandido pode dar uma informação relevante. O importante é o jornalista saber para quem está trabalhando. Não tenho receio nenhum de debater abertamente o que alguns vagabundos andam dizendo sobre VEJA. O inquérito que veio a público demonstra que o profissional da revista trabalhava a serviço da verdade e do interesse público. Quanto mais isso fica evidente, mais a corja radicaliza na retórica.

 A reportagem recebeu informações de Cachoeira? Também dele, a exemplo de uma penca de jornalistas. Ou algum repórter investigativo de Brasília se oregulha se só falar com beartos e beatas??? Matérias foram feitas só com informações do dito-cujo? Isso é uma piada, uma fantasia! Tanto as reportagens de VEJA eram fundamentadas, com dados inquestionáveis, que muitas delas estão, sim, na raiz da demissão de ministros e servidores.

Mas atenção!

Quem demite é a presidente Dilma Rousseff. VEJA não tem esse poder. Se a primeira mandatária tomou tal decisão, encontrou certamente razões muito fortes para tanto.
Não deve ter sido só para não deixar chateada a equipe da revista, certo?


Jornalista não tem de fazer um tribunal de moral e cívica antes de falar com a fonte. Tem é de ter a certeza de que não trabalha para ela, mas para o interesse público. E tem de apurar muito bem os fatos, reitero, para não servir a bandidos, como fizeram, querendo ou não, os que sustentavam a veracidade do Dossiê Cayman. Naquele caso, sim, em vez de apuração, decidiu-se dar crédito à conversa de vigaristas. Tentaram, por exemplo, fazer de Luiz Antonio Pagot uma pobre vítima do inexistente complô VEJA-Cachoeira.

Gravações que vieram a público, conforme demonstrei aqui, mostram o ex-chefão do Dnit se entendendo com a turma de Cachoeira. Vale dizer: aquela acusação era só uma vingança dos ressentidos com VEJA. Ressentidos por quê? Alguns porque perderam a boquinha. Outros porque não se conformam com o fato de o Brasil ser uma democracia — não é mesmo, Rui Falcão?


Vale dizer: o que dizem Cachoeira e seus rapazes — ou os seres mais impolutos — não pode ir parar nos sites, revistas e jornais sem que se verifique a veracidade das acusações. Ou se corre o risco de, sob o pretexto de combater a bandidagem, agredir instâncias do estado de direito. Como quer José Dirceu. Como quer Lula, Como quer Rui Falcão. Fim da digressão.


Agora o caso

Ontem, o Estadão Online publicou um texto de Ricardo Brito, da Agência Estado, cujo título era: “Grupo de Cachoeira tentou interferir em habeas corpus”. O busílis era o seguinte: o prefeito de Piraquê (TO), Olavo Júlio Macedo, estava preso, e a turma o queria solto. Gleyb e Eney, dois homens do esquema do contraventor, conversam a respeito do caso e dizem que será julgado o habeas corpus. Muito bem. Transcrevo em vermelho um parágrafo da reportagem. Leiam com atenção. Volto em seguida:


Às 15h30 daquele dia, Gleyb disse, em telefonema a um interlocutor não identificado pela PF, que estava no Senado para se encontrar com Demóstenes Torres (sem partido-GO), suspeito de envolvimento com Cachoeira. Às 16h44, o integrante do grupo de Cachoeira afirmou, em nova ligação, que iria passar em um ministério e no Supremo.

Um minuto depois, Gleyb pergunta, numa ligação para Eney, se há “mais alguma coisa” para conversar. O advogado responde que é preciso manter contato no Supremo, visando liberar o prefeito cujo habeas corpus estava com Gilmar Mendes.


Voltei

O que o trecho sugere? O óbvio! Que Demóstenes e o tal Geyb foram falar com Gilmar Mendes em favor do prefeito. Isso se deu no dia 9 de junho do ano passado. O senador ainda era uma referência de severidade e correção até para seus adversários. Ouvido, o ministro diz que ninguém foi procurá-lo. MAS ATENÇÃO! SE ALGUÉM O PROCUROU OU NÃO, ISSO É IRRELEVANTE. O RELEVANTE VEM AGORA!!!
GILMAR MENDES NEGOU DUAS VEZES A CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS AO TAL PREFEITO!  No dia  29 de junho e no dia 5 de dezembro de 2011. Muito bem! Agora faço a pergunta essencial para que avaliemos os riscos que estamos correndo com certo tipo de apuração e reportagens que andam na praça — mesmo na imprensa que tem compromisso com a seriedade. 

Lá vai:

E SE GILMAR MENDES TIVESSE RECONHECIDO MOTIVOS TÉCNICOS, JURÍDICOS, PARA CONCEDER O HABEAS CORPUS?

Agora o ministro estaria lascado, e aquela fala serviria como evidência de que ele estaria trabalhando para o grupo de Carlinhos Cachoeira. Por sorte, ele entendeu duas vezes que o pedido de habeas corpus era descabido.


Entenderam?


Vocês entenderam a natureza da questão? Uma coisa é o que a gangue diz entre si, suas bravatas, suas demonstrações de influência. Outra, distinta, são os fatos. O repórter afirma: “Esta é a segunda vez que pessoas ligadas a Cachoeira aparecem em grampos telefônicos comentando casos que estão nas mãos Mendes.” Incrível! Mesmo com a evidência de que a decisão do ministro não atendeu às expectativas da turma, mantém-se a sombra da suspeita. Na primeira vez, num caso envolvendo uma estatal de Goiás, Demóstenes faz referência a um procedimento regular de Mendes, que não teve mérito ainda decidido. Revela apenas a sua expectativa. Mesmo assim, o senador apresenta a coisa como decorrência de sua influência.

Ora, ministros do Supremo, agora, não são mais livres para decidir segundo a lei. Habeas corpus? O jeito vai ser dizer sempre “não”! Vai que surja uma conversa de alguém: “Ah, já falei com o ministro X, está tudo certo!” Cada membro do Supremo teria de ter o seu próprio sistema “Guardião” e grampear o país inteiro. Só assim teriam a certeza de que sua decisão estaria a salvo de ilações.


O mal que Demóstenes fez

Um episódio como esse dá conta do mal que Demóstenes fez à política — muito maior do que ele imagina, acho. Ele era um medalhão do Senado. Um senador manter conversar com ministros do Supremo, do STJ, ministros de estado, autoridades etc. é parte do jogo. Quem lhe recusaria, em princípio, uma audiência? Que diabos, no entanto, ele dizia a seus interlocutores sobre esses encontros? Num outro pleito seu, já nem me lembro sobre qual assunto, não diz ele que mantinha boa conversa com a ministra do Meio Ambiente? Não se relacionou, também, com autoridades dos ministérios da Educação e da Saúde?


Este caso em que o nome de Mendes é citado deveria servir de alerta para os jornalistas que lidam com o material que foi vazado sobre o inquérito — a propósito: suponho que os vazadores sejam as carmelitas descalças, né? O ministro poderia ter concedido o habeas corpus de boníssima-fé. E estaria agora encalacrado.

Não estão por aí os criminosos da Internet a sustentar que as fitas que traziam imagens do “governo paralelo” de Dirceu — fitas do circuito interno do hotel, reitere-se — foram passadas à VEJA por Cachoeira em troca de uma reportagem favorável a bingos eletrônicos? Cadê a reportagem? Se alguém a encontrar, nunca mais escrevo uma linha!


É bom botar essa bola no chão. Jornalistas decentes só querem a verdade. E têm de ter claro que há vigaristas querendo apenas as instituições — para destruí-las.
05/05/2012