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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Vejam quem está de novo na área! O ex-jornalista Franklin Martins! E ele só pensa naquilo: regular a mídia…





Por Reinaldo Azevedo

Quando ainda jornalista, Franklin Martins era um entusiasta da tese de que o mensalão nunca existiu.

Quando a sua luta com os fatos ficou escancarada, foi demitido da Globo.

Depois de uma passagem pela Band, encontrou o seu lugar: ministro da Comunicação Social de Lula.

Não se duvide de que foi eficiente para fazer aquilo que fez.

Centralizava a assessoria de imprensa, a rede oficial de notícias (Agência Brasil e LulaNews) e, sobretudo, a publicidade oficial, inclusive a das estatais.

É no seu mandarinato que ganha impulso essa modalidade exótica de subimprensa: sites, blogs e veículos financiados com dinheiro público para difamar os “inimigos do regime”.

Ele saiu, mas a prática continuou.

A linguagem ficou ainda mais violenta.

As baixarias se exacerbaram.

Franklin fazia a “luta” parecer um embate ideológico.

Sem a sua orientação, é lama pura.

Franklin voltou à cena, informa o Painel, da Folha. Os amigos de Lula o querem como porta-voz do ex. Mas ele esteve também com Dilma. O homem promete lutar no Congresso para aprovar o seu marco regulatório para a mídia. Será que Dilma não está mais convencida de que basta o controle remoto?

Pois é…

Franklin volta, ainda que informalmente?

Quem sabe seja didático em certos casos.

Havia gente por aí que parecia convencida de que existe diálogo entre a corda e o pescoço.

Eu acho que não há. Leiam as notas do Painel.
O especialista

Preocupados com o abalo na imagem de Luiz Inácio Lula da Silva em razão do Rosegate e do novo depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público, envolvendo o ex-presidente no mensalão e em outras acusações, amigos de Lula o aconselharam a contratar o ex-ministro Franklin Martins como seu porta-voz.

A avaliação de petistas é que os atuais assessores de Lula não têm experiência em comunicação e que ele precisa fazer uma declaração mais alentada sobre as acusações.

Na área
Franklin Martins se reuniu no Planalto com Dilma Rousseff há uma semana. Ele disse que irá trabalhar para aprovar o marco regulatório da imprensa no Congresso. Petistas voltaram levantar a bandeira de regulação da mídia após o julgamento do mensalão no STF.

12/12/2012


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

PT constrange partidos aliados a assinar nota de apelo golpista em favor de Lula e contra a imprensa, contra o STF e contra os fatos!




Circula por aí uma nota de espírito golpista — contra os fatos, contra a imprensa, contra o STF e, pois, contra a democracia — assinada por presidentes de seis partidos políticos

O líder, claro, é Rui Falcão, chefão do PT


 Leiam o texto. Volto em seguida.

Por Reinaldo Azevedo


À SOCIEDADE BRASILEIRA


O PT, PSB, PMDB, PCdoB, PDT e PRB, representados pelos seus presidentes nacionais, repudiam de forma veemente a ação de dirigentes do PSDB, DEM e PPS que, em nota, tentaram comprometer a honra e a dignidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Valendo-se de fantasiosa matéria veiculada pela Revista Veja, pretendem transformar em verdade o amontoado de invencionices colecionado a partir de fontes sem identificação.

As forças conservadoras revelam-se dispostas a qualquer aventura. Não hesitam em recorrer a práticas golpistas, à calúnia e à difamação, à denúncia sem prova.

O gesto é fruto do desespero diante das derrotas seguidamente infligidas a eles pelo eleitorado brasileiro. Impotentes, tentam fazer política à margem do processo eleitoral, base e fundamento da democracia representativa, que não hesitam em golpear sempre que seus interesses são contrariados.

Assim foi em 1954, quando inventaram um “mar de lama” para afastar Getúlio Vargas. Assim foi em 1964, quando derrubaram Jango para levar o País a 21 anos de ditadura. O que querem agora é barrar e reverter o processo de mudanças iniciado por Lula, que colocou o Brasil na rota do desenvolvimento com distribuição de renda, incorporando à cidadania milhões de brasileiros marginalizados, e buscou inserção soberana na cena global, após anos de submissão a interesses externos.

Os partidos da oposição tentam apenas confundir a opinião pública. Quando pressionam a mais alta Corte do País, o STF, estão preocupados em fazer da ação penal 470 um julgamento político, para golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula .

A mesquinharia será, mais uma vez, rejeitada pelo povo.


Rui Falcão, PT

Eduardo Campos, PSB

Valdir Raupp, PMDB

Renato Rabelo, PCdoB

Carlos Lupi, PDT

Marcos Pereira, PRB.


Brasília, 20 de setembro de 2012.


Voltei
Vamos ver. A maioria dos presidentes de partido foi constrangida a assinar a nota. Quem os mobilizou falou pessoalmente em nome de Lula. Ficou claro que era um favor de caráter pessoal.

Quanto ao mérito, dizer o quê? “Fantasiosas” são as convicções democráticas dos que promoveram essa peça patética — mais um desdobramento da loucura que vai tomando conta de Lula.

Golpista é roubar dinheiro do Banco do Brasil para financiar um projeto de poder. Golpista é tentar montar um Congresso paralelo, sustentado por uma propinoduto. Golpista é tentar intimidar o Supremo. Golpista é tentar calar a imprensa livre.

Golpismo, no entanto, inútil. Pela maioria de suas vozes, o Supremo deixa claro que zela por sua independência. A imprensa independente, por sua vez, continuará a fazer o seu trabalho: retratar os fatos, zelar pela verdade e vigiar os Poderes da República, tendo como referência a Constituição.


Golpistas de 1954?

Golpistas de 1964?

Essa nota é assinada pelo PMDB, de que José Sarney, aliado dileto de Lula, é um dos capas-pretas?

Seria aquele mesmo Sarney que foi estrela da UDN, que fez oposição severa a Getúlio, e que presidiu depois o PDS (partido sucedâneo da Arena) e que comandou os votos governistas na rejeição da emenda das Diretas?

Trata-se de uma apreciação, também ela, fantasiosa e ridícula.

Os signatários que apenas fazem um favorzinho pessoal a Lula não se dão conta de que põem sua assinatura num documento que tenta, a um só tempo, constranger a imprensa e a Justiça.

Uma tentativa, acreditem vocês e os signatários, inútil.


20/09/2012



terça-feira, 24 de julho de 2012

A diferença entre o jornalismo e a pistolagem financiada com dinheiro público




Há muito tempo o governo federal e as estatais são a principal fonte de financiamento (em alguns casos, a única) de um troço parecido com jornalismo, mas que é outra coisa


E que coisa é essa?

Trata-se de uma central de difamação e de desqualificação de políticos da oposição, de figuras do Judiciário e da própria imprensa.

O dinheiro público é usado com o objetivo de atender aos interesses do governo, mas mais particularmente de um partido: o PT.


Participam dessa rede de difamação sites, blogs, jornais, revistas e, se querem saber, até uma emissora de televisão, que é uma concessão pública.

O PSDB pediu que a Procuradoria-Geral Eleitoral investigue o caso.

E a turma, alimentada com o capilé oficial, saiu gritando: “Censura!”

Censura uma ova!
Alguns espertalhões, apostando na idiotia de seus próprios leitores, tentaram se defender: “As estatais patrocinam também páginas que apoiam outros partidos”. Eles escolhem a chicana. Nós escolhemos os fatos. Vamos lá.

Em primeiríssimo lugar, há uma grande, gigantesca mesmo!, diferença entre expressar uma opinião, um ponto de vista, um conjunto de valores — de direita, de centro, de esquerda, alinhada apenas com a estrelas — e existir com o propósito único de difamar este ou aquele.

Era fatal que os mixurucas tentassem usar o meu blog como uma espécie de contraexemplo: “Vejam lá, de vez em quando, há anúncios de estatais no blog do Reinaldo Azevedo”.

Há, sim!

Só que não cuido disso e são anúncios da VEJA Online. Depois que fechei a revista Primeira Leitura, nunca mais falei com representantes da área de publicidade de empresas ou de agências.

Mas ainda que fossem anúncios exclusivos no meu blog, será que estaríamos falando da mesma coisa?

Faço análise política segundo um ponto de vista. Recorro à ironia, sim, mas não ao deboche sob encomenda. Sou muito duro na defesa de alguns pontos de vista, mas nunca vou além dos fatos; sou judicioso a respeito deles, o que é coisa bem distinta.

Argumento, argumento, argumento a mais não poder, de forma, às vezes, exaustiva.

Acabo de botar o ponto final no livro “O País dos Petralhas II”, uma seleção de textos deste blog. Trata-se de um livro sobre política. Não há xingamentos ali, como não há em “O País dos Petralhas I”.

“Ah, mas você só fala mal do governo”. Ainda que fosse absolutamente legítimo alguém “só falar mal do governo” (ou da oposição, diga-se), nem isso é verdade.

Elogiei há dois dias uma decisão da Advocacia Geral da União sobre as terras indígenas, que certamente contou com o apoio da presidente Dilma Rousseff.

Quando começou aquela onda bucéfala contra a construção de Belo Monte, não entrei na chacrinha — porque nem tudo o que não é PT me interessa.

Quando o Banco Central decidiu cortar a taxa de juros, fui dos poucos que aplaudiram a decisão — embora Guido Mantega não esteja entre as figuras públicas que excitam a minha imaginação (e, creio, a de ninguém).

No caso do Código Florestal, as minhas posições não se distinguiram muito das do Planalto. Escrevi ontem um texto sobre a greve dos professores das universidades federais.

Sou um crítico severo das escolhas feitas por Fernando Haddad.

Mas basta ler o que escrevi para deixar claro que não aderi à pauta dos grevistas só porque, afinal, o governo está numa situação difícil…

Eu não peço licença para gostar disso ou daquilo. E também não peço licença para não gostar.

À diferença do que dizem os promotores da esgotosfera — afinal, eu sou um dos seus alvos permanentes, como fica claro mais uma vez —, a área de comentários do meu blog não se confunde com a baixaria que eles promovem.

Os leitores expressam, sim, o seu ponto de vista com muita clareza, mas os excessos são cortados. Se escapam uma inconveniência ou outra — é muita gente opinando —, advertido pelos próprios leitores, eu as excluo. Vocês sabem, no entanto, do que eles são capazes os leitores “deles”.

Não têm limites!

Patrocinados com dinheiro público, os responsáveis por aquelas páginas deixam que prosperem a calúnia, a injúria, a difamação, o deboche, o achincalhe puro e simples.

Acima, escrevo alguns parágrafos fazendo a distinção entre a sujeira e um trabalho de análise política, pautada por um conjunto de valores.

É importante porque, reitero, o joio tenta se fazer trigo para igualar o vicioso ao virtuoso.

Mas ainda falta uma questão essencial, definidora mesmo do que é o quê e de quem é quem.

E começo a tratar dela com um princípio, um fundamento. Fosse pelo meu gosto, não haveria estatais no Brasil — nos EUA, por exemplo, esse debate seria impossível —, a não ser um ente ou outro ligados à segurança do estado e da sociedade, que dispensariam a propaganda.

Nos EUA, por exemplo, esse debate seria ocioso. Também pelo meu gosto, o governo federal — neste governo ou em qualquer outro — jamais seria o maior anunciante do país, o que é uma distorção da democracia brasileira. Isso tudo, no entanto, existe.

Sendo assim, o centro do debate é outro. EXISTEM VEÍCULOS QUE TÊM ESTATAIS EM SUA CARTEIRA DE ANUNCIANTES. DADAS AS LEIS BRASILEIRAS, NÃO HÁ NADA DE ERRADO NISSO. POR QUE RENUNCIARIAM A UMA RECEITA QUE ESTÁ DISPONÍVEL E QUE É DISPUTADA POR MUITOS?

Isso é da natureza do jogo. Como não dependem do governo federal ou das estatais para existir, esses veículos podem, então, fazer um jornalismo independente, que não se subordina à vontade desse ou daquele.

Suas reportagens, análises e opiniões são pautadas, pelo interesse público e, claro!, pela linha editorial que adotam e pelo público com o qual querem manter o diálogo mais estreito.

Dediquem-se à economia, à política, à cultura ou ao entretenimento, disputam o que chamo mercado de ideias, e ninguém lhe impõe a pauta.

Quantas vezes vocês já leram na VEJA e nos demais veículos da grande imprensa críticas aos bancos ou à indústria automobilística, embora se possam ver em suas páginas anúncios dos bancos e da indústria automobilística?

Esse é o mundo livre!

Mas há aqueles — e é disso que se cuida aqui — QUE SÓ EXISTEM PORQUE SÃO FINANCIADOS PELO DINHEIRO PÚBLICO.

Sem a grana oficial ou sem o emprego numa estatal, não existiriam, não teriam como se financiar.

SÃO, EM SUMA, DEPENDENTES DE QUEM OS FINANCIA E PASSAM A EXERCER, POIS, UM TRABALHO A SOLDO, SOB MANDO, SOB ENCOMENDA.

“Ah, Reinaldo, isso não pode ser feito também com empresas privadas? Não existem pistoleiros que estão a serviço de seus financiadores privados?”

Claro que sim! E o fato é igualmente lamentável no que concerne à ética jornalística, mas mesmo aqui se note uma diferença: não estão lidando com dinheiro público.

A verba de anúncio de governos e de estatais, meus caros, em última instância, pertence a todos os brasileiros — àqueles que apoiam e àqueles que não apoiam o governo; àqueles que votaram e àqueles que não votaram no PT.

Eis o caráter deletério dessa gente. Quando o governo federal e as estatais financiam páginas ou revistas que só existem em razão do dinheiro oficial; quando o governo federal e as estatais financiam páginas ou revistas que se dedicam à difamação de figuras da oposição, do Judiciário e da própria imprensa; quando o governo federal e as estatais sustentam essas redes de desqualificação, é evidente que assistimos a uma forma de privatização do estado, a serviço de um grupo.

Alguns oportunistas gritam agora: “Censura! Censura! Fulano quer censura!”

É a tática de sempre! Recorrem às Santas Escrituras da liberdade de imprensa para defender o Asmodeus de todos os vícios, de todas as licenciosidades, de todas as baixarias.

Há, em suma, uma diferença entre os veículos que contam TAMBÉM com governos e estatais na sua carteira de anunciantes e aqueles que SÓ existem porque financiados por governos e estatais.

Os anunciantes, minhas caras, meus caros, são o esteio da opinião livre. Sem eles, ficaríamos todos reféns do estado e de seus entes.
Quanto mais, melhor!

A liberdade de imprensa deve, sim, depender de todos os anunciantes para que não precise depender de nenhum em particular.

É o segredo dos países livres.

A subimprensa, a rede suja, não é nem quer ser livre.

Existe para prestar serviço a quem paga as contas.

Ocorre que estamos falando de dinheiro público.

Vamos ver o que vai dizer o Ministério Público Eleitoral.

Se não vir nada demais do que está em curso, então tudo é permitido.
24/07/2012




sábado, 5 de maio de 2012

SIM, O JORNALISMO PRECISA TOMAR CUIDADO PARA NÃO SERVIR AO CRIME ORGANIZADO E ÀQUELES QUE QUEREM DESMORALIZAR A DEMOCRACIA



Uma coisa vocês não podem negar a este escriba, não é?

Desde o primeiro dia, apontei a ação dos petistas — encabeçados por Lula, José Dirceu e Rui Falcão — para usar as tramoias de Carlinhos Cachoeira e seu grupo para tentar melar o processo do mensalão e para intimidar a imprensa.

A coisa agora é escancarada!

Ontem, Rui Falcão (ver posts abaixo) perdeu qualquer restinho de pudor e declarou que a “mídia” será o próximo alvo do governo.

Tudo indica que falou apenas em nome da banda heavy metal do PT, não do Planalto.

Trato do assunto em outro post.

Muito bem.

“Melar” o mensalão compreende, entre outras coisas, um esforço para desmoralizar ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

                                           Por Reinaldo Azevedo

A imprensa independente — aquela que não é financiada com dinheiro público nem é subordinada a uma rede criminosa montada na Internet (isso ainda vai dar o que falar, anotem aí) — tem de tomar cuidado para não fazer, involuntariamente, o serviço da bandidagem. Infelizmente, aqui e ali, isso está acontecendo. Dado o pano de fundo, exporei aqui um caso emblemático. Antes de fazê-lo, no entanto, é preciso proceder a uma digressão para esclarecer algumas coisas.


Começa a digressão


Já escrevi aqui — e Eurípedes Alcântara, diretor de Redação da VEJA, divulgou uma Carta de Princípios a respeito da ética no jornalismo — que a qualidade moral da fonte não faz a qualidade da informação. Uma pessoa decente e muito bem-intencionada pode induzir um repórter ao erro. Um bandido pode dar uma informação relevante. O importante é o jornalista saber para quem está trabalhando. Não tenho receio nenhum de debater abertamente o que alguns vagabundos andam dizendo sobre VEJA. O inquérito que veio a público demonstra que o profissional da revista trabalhava a serviço da verdade e do interesse público. Quanto mais isso fica evidente, mais a corja radicaliza na retórica.

 A reportagem recebeu informações de Cachoeira? Também dele, a exemplo de uma penca de jornalistas. Ou algum repórter investigativo de Brasília se oregulha se só falar com beartos e beatas??? Matérias foram feitas só com informações do dito-cujo? Isso é uma piada, uma fantasia! Tanto as reportagens de VEJA eram fundamentadas, com dados inquestionáveis, que muitas delas estão, sim, na raiz da demissão de ministros e servidores.

Mas atenção!

Quem demite é a presidente Dilma Rousseff. VEJA não tem esse poder. Se a primeira mandatária tomou tal decisão, encontrou certamente razões muito fortes para tanto.
Não deve ter sido só para não deixar chateada a equipe da revista, certo?


Jornalista não tem de fazer um tribunal de moral e cívica antes de falar com a fonte. Tem é de ter a certeza de que não trabalha para ela, mas para o interesse público. E tem de apurar muito bem os fatos, reitero, para não servir a bandidos, como fizeram, querendo ou não, os que sustentavam a veracidade do Dossiê Cayman. Naquele caso, sim, em vez de apuração, decidiu-se dar crédito à conversa de vigaristas. Tentaram, por exemplo, fazer de Luiz Antonio Pagot uma pobre vítima do inexistente complô VEJA-Cachoeira.

Gravações que vieram a público, conforme demonstrei aqui, mostram o ex-chefão do Dnit se entendendo com a turma de Cachoeira. Vale dizer: aquela acusação era só uma vingança dos ressentidos com VEJA. Ressentidos por quê? Alguns porque perderam a boquinha. Outros porque não se conformam com o fato de o Brasil ser uma democracia — não é mesmo, Rui Falcão?


Vale dizer: o que dizem Cachoeira e seus rapazes — ou os seres mais impolutos — não pode ir parar nos sites, revistas e jornais sem que se verifique a veracidade das acusações. Ou se corre o risco de, sob o pretexto de combater a bandidagem, agredir instâncias do estado de direito. Como quer José Dirceu. Como quer Lula, Como quer Rui Falcão. Fim da digressão.


Agora o caso

Ontem, o Estadão Online publicou um texto de Ricardo Brito, da Agência Estado, cujo título era: “Grupo de Cachoeira tentou interferir em habeas corpus”. O busílis era o seguinte: o prefeito de Piraquê (TO), Olavo Júlio Macedo, estava preso, e a turma o queria solto. Gleyb e Eney, dois homens do esquema do contraventor, conversam a respeito do caso e dizem que será julgado o habeas corpus. Muito bem. Transcrevo em vermelho um parágrafo da reportagem. Leiam com atenção. Volto em seguida:


Às 15h30 daquele dia, Gleyb disse, em telefonema a um interlocutor não identificado pela PF, que estava no Senado para se encontrar com Demóstenes Torres (sem partido-GO), suspeito de envolvimento com Cachoeira. Às 16h44, o integrante do grupo de Cachoeira afirmou, em nova ligação, que iria passar em um ministério e no Supremo.

Um minuto depois, Gleyb pergunta, numa ligação para Eney, se há “mais alguma coisa” para conversar. O advogado responde que é preciso manter contato no Supremo, visando liberar o prefeito cujo habeas corpus estava com Gilmar Mendes.


Voltei

O que o trecho sugere? O óbvio! Que Demóstenes e o tal Geyb foram falar com Gilmar Mendes em favor do prefeito. Isso se deu no dia 9 de junho do ano passado. O senador ainda era uma referência de severidade e correção até para seus adversários. Ouvido, o ministro diz que ninguém foi procurá-lo. MAS ATENÇÃO! SE ALGUÉM O PROCUROU OU NÃO, ISSO É IRRELEVANTE. O RELEVANTE VEM AGORA!!!
GILMAR MENDES NEGOU DUAS VEZES A CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS AO TAL PREFEITO!  No dia  29 de junho e no dia 5 de dezembro de 2011. Muito bem! Agora faço a pergunta essencial para que avaliemos os riscos que estamos correndo com certo tipo de apuração e reportagens que andam na praça — mesmo na imprensa que tem compromisso com a seriedade. 

Lá vai:

E SE GILMAR MENDES TIVESSE RECONHECIDO MOTIVOS TÉCNICOS, JURÍDICOS, PARA CONCEDER O HABEAS CORPUS?

Agora o ministro estaria lascado, e aquela fala serviria como evidência de que ele estaria trabalhando para o grupo de Carlinhos Cachoeira. Por sorte, ele entendeu duas vezes que o pedido de habeas corpus era descabido.


Entenderam?


Vocês entenderam a natureza da questão? Uma coisa é o que a gangue diz entre si, suas bravatas, suas demonstrações de influência. Outra, distinta, são os fatos. O repórter afirma: “Esta é a segunda vez que pessoas ligadas a Cachoeira aparecem em grampos telefônicos comentando casos que estão nas mãos Mendes.” Incrível! Mesmo com a evidência de que a decisão do ministro não atendeu às expectativas da turma, mantém-se a sombra da suspeita. Na primeira vez, num caso envolvendo uma estatal de Goiás, Demóstenes faz referência a um procedimento regular de Mendes, que não teve mérito ainda decidido. Revela apenas a sua expectativa. Mesmo assim, o senador apresenta a coisa como decorrência de sua influência.

Ora, ministros do Supremo, agora, não são mais livres para decidir segundo a lei. Habeas corpus? O jeito vai ser dizer sempre “não”! Vai que surja uma conversa de alguém: “Ah, já falei com o ministro X, está tudo certo!” Cada membro do Supremo teria de ter o seu próprio sistema “Guardião” e grampear o país inteiro. Só assim teriam a certeza de que sua decisão estaria a salvo de ilações.


O mal que Demóstenes fez

Um episódio como esse dá conta do mal que Demóstenes fez à política — muito maior do que ele imagina, acho. Ele era um medalhão do Senado. Um senador manter conversar com ministros do Supremo, do STJ, ministros de estado, autoridades etc. é parte do jogo. Quem lhe recusaria, em princípio, uma audiência? Que diabos, no entanto, ele dizia a seus interlocutores sobre esses encontros? Num outro pleito seu, já nem me lembro sobre qual assunto, não diz ele que mantinha boa conversa com a ministra do Meio Ambiente? Não se relacionou, também, com autoridades dos ministérios da Educação e da Saúde?


Este caso em que o nome de Mendes é citado deveria servir de alerta para os jornalistas que lidam com o material que foi vazado sobre o inquérito — a propósito: suponho que os vazadores sejam as carmelitas descalças, né? O ministro poderia ter concedido o habeas corpus de boníssima-fé. E estaria agora encalacrado.

Não estão por aí os criminosos da Internet a sustentar que as fitas que traziam imagens do “governo paralelo” de Dirceu — fitas do circuito interno do hotel, reitere-se — foram passadas à VEJA por Cachoeira em troca de uma reportagem favorável a bingos eletrônicos? Cadê a reportagem? Se alguém a encontrar, nunca mais escrevo uma linha!


É bom botar essa bola no chão. Jornalistas decentes só querem a verdade. E têm de ter claro que há vigaristas querendo apenas as instituições — para destruí-las.
05/05/2012

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

LULA E O SUS: VAMOS PÔR A COISA NO SEU DEVIDO LUGAR. CONTRA A VONTADE DOS TOLOS








O texto ficou um tantinho longo. Leiam até o fim. Acho que vale a pena.Assistam a este vídeo. Volto em seguida.


 


Voltei

Não vou tratar do vídeo agora. Voltarei a ele mais tarde. Preciso fazer antes algumas considerações.

O cidadão Luiz Inácio Lula da Silva tem condições de ter o melhor plano de saúde que o dinheiro pode comprar.

Não está, entendo, moralmente obrigado a se tratar no SUS.

Esse é apenas um dos motivos. Há outros e já os expus aqui.
Tentar impedir, no entanto, que as pessoas lhe façam essa cobrança, tachando-as de “agressivas” por isso, e se manifestem segundo a linguagem que o próprio Lula sempre empregou em sua militância, aí, meus caros, estamos diante de uma patrulha asquerosa, antidemocrática.

Os ai-ai-ais e ui-ui-uis se espalham por todo lugar. A rede petralha e os ex-jornalistas a soldo fazem o de sempre: desqualificam quem não é da turma.

O PT deliberou, não faz tempo, que criaria grupos para patrulhar a Internet.

Pelo visto, já estão em ação.

Lamentável é que ecos em favor de uma censura informal, de matriz supostamente moral, tenham chegado também à grande imprensa — aquela que os petistas costumam acusar de “golpista”.

Encerro este parágrafo com indagações, que serão retomadas a partir do próximo.

Que político brasileiro dividiu o país em dois grupos: “nós” e “eles”?

Que político brasileiro dividiu o país entre o povo e a Dona Zelite?

Que político brasileiro expropriou dos adversários a sua história, o seu passado e as suas conquistas para se pôr como o marco inaugural de uma civilização?

Seu nome é Luiz Inácio Lula da Silva.


Foi ele quem estabeleceu que os que são seus aliados ou a ele se subordinam politicamente merecem a chancela de “povo” — e os adversários seriam a execrável Dona Zelite, inimiga das massas.

No vídeo gravado ontem, sobre o qual escrevi, em que mistura miseravelmente a sua doença com o proselitismo político, vê-se, uma vez mais, a desqualificação dos opositores.

Só há um jeito de torcer pelo Brasil: apoiar Dilma.

Ora, o que aquele discurso tem a ver com o seu câncer?

O pior é que ele não é neófito nessa prática.

Já chego lá.

É Lula, pois, quem faz uma aposta permanente na divisão do Brasil, REIVINDICANDO PERMANENTEMENTE PARA SI A CONDIÇÃO DE HOMEM E DE REPRESENTANTE DO POVO — ELITES SÃO SEMPRE OS OUTROS.


E o que é que milhares de pessoas estão lembrando de modo claro — e isso está sendo chamado de “ataque” por alguns babacas?

Ora, povo, meu caro Lula, se trata no SUS, não no Sírio-Libanês!

Alguém pode me dizer o que há de mentira nisso?

A pergunta que segue agora não é dirigida aos que são pagos para me xingar.

Esses estão trabalhando, ainda que um trabalhinho sujo.

Pergunto aos idiotas que me xingam de graça: SUGERIR O SUS É UMA OFENSA PORQUE AQUELE É LUGAR DE POVO, É ISSO?

Qual é, afinal, o lugar de Lula no discurso?

Então os leitores/eleitores estão proibidos de confrontá-lo com as suas próprias palavras simplesmente porque ele é quem é?


Lula e Obama
Os candidatos a censores da opinião alheia hão de me perdoar — e, se não o fizeram, não dou a mínima —, mas é absolutamente legítimo, ainda que eu não concorde, que um cidadão brasileiro lhe sugira que recorra ao SUS porque ele próprio declarou o sistema “perto da perfeição”.

Em novembro de 2009, ao abrir o 9º Congresso Brasileiro de Saúde Pública, em Olinda (PE), anunciou que, quando falasse com o presidente dos EUA, Barack Obama, iria lhe dar um conselho: “Obama, faça um SUS. Custa mais barato, é de qualidade e é universal.”

Fazer o quê?

Lula é assim mesmo, não?

Hiperbólico quando se trata de exaltar qualidades que acredita ter.

E implacável com eventuais conquistas de adversários, das quais faz tabula rasa.

O molde é sempre o mesmo: “nós X eles”, “povo X elite”.

Será que os que agora, de modo um tanto irônico, sugerem que procure o SUS estão mesmo lhe fazendo um “ataque”?

Há, a propósito, esta dimensão que está sendo ignorada: trata-se de… ironia!

Nada além!
Todos sabem que ele não aceitará a sugestão.
Agora o vídeo e as promessas criminosas das UPAs

Então vamos voltar ao vídeo que abre o post. Diz Lula:

Eu tava visitando a UPA, e eu tava dizendo que ela tá tão bem organizada, ela tá tão bem estruturada, que dá até vontade de a gente ficar doente para ser atendido aqui”.
Essa fala está correndo na Internet. Em uma reportagem, a Folha de ontem a tomou como exemplo dos “ataques” que Lula vem sofrendo.

Ataque?

Por quê?

Cumpre lembrar as circunstâncias.

O então presidente inaugurava, em Recife, no dia 27 de janeiro de 2010, uma das poucas Unidades de Pronto Atendimento que fez em seu governo e falou aquela batatada.

Ocorre que, logo depois, passou mal, teve uma crise hipertensiva e foi internado no Hospital Português, considerado o melhor de Recife e um dos melhores do Brasil.

Sim, este escriba que lhes fala escreveu a respeito.

O post está aqui. Vamos ver se Tio Rei é coerente. Permitam-me transcrever um trechinho em azul:

Tenho horror ao populismo. Digo com todas as letras: não acho que um presidente da República ou governador do Estado devam se tratar em unidades públicas de emergência, que não podem mesmo contar com todos os recursos que a medicina pode oferecer. Não porque eles “não sejam homens comuns” (como disse Lula a respeito de Sarney), mas porque uma doença grave de um governante ou mesmo a sua morte podem ter repercussão negativa na vida de milhões de pessoas.

Assim, é correto que o mandatário tenha à disposição o que há de melhor no setor. E é uma tarefa sua, indeclinável, fazer o possível para elevar as condições de atendimento na saúde pública - QUE VIVE UM CAOS NO BRASIL. Ponto parágrafo. É preciso parar de tratar o povo como idiota ou como tutelado. A UPA, se e quando funcionar bem, será um benefício para os pobres. E Lula nunca botará os pés ali como paciente.

“Ah, Reinaldo, ele estava brincando…” É? Sem essa! Nos palanques, Lula divide o país entre “eles” (as elites) e “nós” (o povo). Chama “elite” a seus inimigos, ainda que mais pobres e menos poderosos do que ele próprio; chama “povo” a seus amigos, ainda que sejam alguns potentados da economia - muitos mamando nos subsídios e desonerações fiscais.

Ele pode perfeitamente bem inaugurar uma unidade popular de saúde sem o apelo barato de que gostaria de ser atendido ali. Porque ele pertence à categoria dos que jamais serão atendidos ali. Quem recorre a essa linguagem não fala com o povo, mas com a platéia.


Volto a hoje

E então?

O que lhe parece?



Leia mais aqui.

02/11/2011

domingo, 4 de setembro de 2011

Os fascistas saem da toca!



É sob pressão que pessoas, partidos e até instituições revelam a sua real natureza.

Os cemitérios tendem a ser iguais nas ditaduras e nas democracias.

A grande diferença se dá mesmo no mundo dos vivos.



 O 4º Congresso do PT, que começou ontem e termina hoje, está prestando um grande serviço ao país e à política.

Os petistas revelam que não aprenderam nada nem esqueceram nada depois de nove anos de poder.

Continuam os autoritários de sempre, decididos a substituir a sociedade pelo partido, conforme seu projeto original.

Quem presta um pouco de atenção à história das idéias não está surpreso.


O petismo é um descendente do bolchevismo no que concerne à organização da sociedade, entendendo que a nação deva ser conduzida por um ente que decide em lugar dos cidadãos, porém adaptado — e como! — aos tempos modernos.

Para o modelo, que ainda está em construção, pouco importa se os petistas estão ou não oficialmente no poder: eles sempre estarão por intermédio dos fundos de pensão, dos sindicatos, do aparelhamento das estatais. O petismo é um fascismo de esquerda.


No que concerne à ordem econômica, tudo vai muito bem para os companheiros, até porque têm como seu principal aliado o capital financeiro, que não quer saber a cor dos gatos desde que eles cacem ratos.

O curioso embate que se dá no Brasil é entre a esquerda financeira, financista e rentista, com a qual os petistas compuseram, e a direita assalariada, que trabalha.

Chamo de “direita” aqui, para deixar claro, as pessoas que ainda se ocupam de alguns dos velhos (!) e bons fundamentos das sociedades liberais: liberdade individual, igualdade perante a lei, incentivo ao empreendedorismo, estado enxuto, tudo o que parece hoje fora de moda.

Os petistas não querem mexer no “sistema”.

Ao contrário: pretendem reforçá-lo por meio, por exemplo, de uma reforma política estúpida, que extrema todos os males do modelo vigente.


Só uma coisa incomoda o PT: o regime de liberdades públicas que se respira no país. Isso eles não podem suportar. Então um partido ganha uma eleição — ou três… ou dez —, e ainda há gente na imprensa que se atreve a criticá-lo, que não concorda com suas ilegalidades, que resiste às suas tentações e práticas totalitárias, que não se submete a seus desejos e vontades?
“Mas a gente não conquistou nas urnas o direito de fazer o que bem entende?”, eles se perguntam espantados.

E a resposta, evidentemente, é “Não!”

Eles conquistaram nas urnas A OBRIGAÇÃO de seguir as regras do estado de direito, de se submeter à lei, de nos servir por intermédio de um mandato, que pode ser revogado numa nova eleição ou mesmo num processo de impedimento.


Com a reportagem que revelou as lambanças de José Dirceu em Brasília, VEJA denunciou mais do que as lambanças do “consultor de empresas privadas” — poderoso chefão de um “governo paralelo” e sua mímica asquerosa de chefe de máfia —; a revista denunciou um método.

E os petistas estão infelizes.

Em outros tempos, eles mandariam empastelar a publicação, fariam quebra-quebra, perseguiriam os profissionais, exigiriam a demissão desse ou daquele, lotariam os porões do regime com essa gente recalcitrante…

Hoje eles se civilizaram; pretendem perseguir seus desafetos por meio de instrumentos legais.


O texto do PT que volta a pregar o controle da “mídia” expõe como nunca a natureza do jogo.

Eles até se mostravam dispostos a condescender com a democracia desde que nós não fizéssemos uso efetivo dela.

Era como se dissessem: “Nós garantimos a sua liberdade, mas a condição é que não nos incomodem”.

Tanto é assim que, não faz tempo, a Executiva Nacional do partido aprovou um documento em que abandonava essa estupidez.

Mudou radicalmente de idéia. VEJA decidiu demonstrar que liberdade de imprensa não é uma licença que se pede no cartório partidário, mas um direito garantido pela Constituição, um fundamento das sociedades livres.

Nos limites da lei, não pede licença nem pede desculpas.


Aí não dá!

Figurões do partido como Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, defenderam ontem a “regulamentação da mídia”.

Não custa notar que, durante a campanha — e mesmo depois de eleita —, Dilma Rousseff repudiou qualquer forma de controle.

Ministros exercem cargos de confiança e falam pela presidente.

Chegou a hora de enquadrá-los ou de confessar um estelionato.


Os fascistas de esquerda descobriram o gosto pelo capitalismo, mas não viram graça nenhuma na liberdade, que será sempre a liberdade de quem discorda de nós.

Mas vão perder
.


É crescente o número das pessoas que lhes dizem:

“Não, vocês não podem.

Não podem porque estamos aqui”.






quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Personalidades lançam manifesto em defesa da democracia


RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA

Personalidades lançam manifesto em defesa da democracia, do estado de direito e da liberdade de imprensa

Brasileiros das mais diversas áreas lançam nesta quarta, às 12h, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, um manifesto em defesa da democracia, do estado de direito, da liberdade de imprensa e dos direitos individuais.

Trata-se de um movimento apartidário.


Entre os signatários iniciais do documento estão o jurista Helio Bicudo, o historiador Marco Antonio Villa, o poeta Ferreira Gullar, os atores Carlos Vereza e Mauro Mendonça, os professores José Arthur Gianotti e Leôncio Martins Rodrigues e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso.


Abaixo, segue a íntegra do documento. Um bom exercício é confrontar o seu conteúdo com o manifesto que o PT e sindicalistas estão divulgando contra a liberdade de imprensa. De um lado, a civilização democrática; de outro, o flerte bom a barbárie ditatorial.


Leiam e divulgue.


Creio que o documento será tornado público para receber adesões:


MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.


Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.


Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.


É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.


É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.


É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.


É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.


É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado.


É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura.


Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.


É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.


É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.


É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.


Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las.


É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.


Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.


Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.



Personalidades que já são signatárias do manifesto em defesa da democracia

01. Hélio Bicudo
02. D. Paulo Evaristo Arns
03. Carlos Velloso
04. René Ariel Dotti
05. Therezinha de Jesus Zerbini
06. Celso Lafer
07. Adilson Dallari
08. Miguel Reali Jr.
09. Ricardo Dalla
10. José Carlos Dias
11. Maílson da Nóbrega
12. Ferreira Gullar
13. Carlos Vereza
14. Zelito Viana
15. Everardo Maciel
16. Marco Antonio Villa
17. Haroldo Costa
18. Terezinha Sodré
19. Mauro Mendonça
20. Rosamaria Murtinho
21. Marta Grostein
22. Marcelo Cerqueira
23. Boris Fausto
24. José Alvaro Moisés
25. Leôncio Martins Rodrigues
26. José A. Gianotti
27. Lurdes Solla
28. Gilda Portugal Gouvea
29. Regina Meyer
30. Jorge Hilário Gouvea Vieira
31. Omar Carneiro da Cunha
32. Rodrigo Paulo de Pádua Lopes
33. Leonel Kaz
34. Jacob Kligerman
35. Ana Maria Tornaghi
36. Alice Tamborindeguy
37. Tereza Mascarenhas
38. Carlos Leal
39. Maristela Kubitschek
40. Verônica Nieckele
41. Cláudio Botelho
42. Jorge Ramos
43. Fábio Cuiabano
44. Luiz Alberto Py
45. Gabriela Camarão
46. Romeu Cortes
47. Maria Amélia de Andrade Pinto
48. Geraldo Guimarães
49. Martha Maria Kubitschek
50. Gilza Maria Villela
51. Mary Costa
52. Silvia Maria Melo Franco Cristóvão
53. Glória de Castro
54. Risoleta Medrado Cruz
55. Gracinda Garcez
56. Josier Vilar
57. Jussarah Kubitschek
58. Luiz Eduardo da Costa Carvalho
59. Tereza Maria de Britto Pereira
21/09/2010