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segunda-feira, 30 de março de 2015

O poste é inseparável do fabricante: Dilma será para Lula o que Pitta foi para Maluf

 
Por Augusto Nunes

Como um punguista de antigamente depois de afanada a carteira da vítima, Lula tenta afastar-se de Dilma Rousseff com cara de paisagem, assoviando um sambinha enquanto caminha nem tão depressa que pareça medo nem tão devagar que pareça provocação. A malandragem deu certo no escândalo do mensalão. O chefão caiu fora da cena do crime e a patente de comandante do bando acabou enfeitando os ombros do subchefe José Dirceu.

Mas não se pode terceirizar o que é pessoal e intransferível: como Rose Noronha, Fernando Haddad e a refinaria Abreu e Lima, por exemplo, a presidente reeleita é coisa de Lula. Lula logo aprenderá que um poste é inseparável de quem o inventou — e um produto de péssima qualidade pode levar seu fabricante à falência política. Dilma Rousseff será para Lula o que Celso Pitta foi para Paulo Maluf.

Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação reiterados pelas usinas de pesquisas, o prefeito Maluf em 1995 e o presidente Lula em 2007 resolveram mostrar que conseguiriam transformar qualquer nulidade em ocupante provisório do trono. Para que os escolhidos cumprissem sem resmungos a missão de guardar o lugar até que o chefe voltasse, constatou um post aqui publicado em 2010, o marajá de São Paulo e o reizinho do Brasil optaram por figuras sem autonomia de voo nem luz própria.

O primeiro pinçou na Secretaria de Finanças do município um negro economista. Ao apresentar o sucessor, repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo. Mas quem arranjou o dinheiro, revelou, foi aquele gênio da raça chamado Celso Pitta. O segundo pinçou na Casa Civil uma mulher economista. Ao apresentar a sucessora, reiterou que foi Lula quem pariu o Brasil Maravilha. Mas quem amamentou o colosso, ressalvou, foi aquela sumidade político-administrativa promovida ao posto de Mãe do PAC.

Obediente a Maluf e monitorado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando platitudes e louvando o criador de meia em meia hora. Como herdaria uma cidade sem problemas, sua missão seria torná-la mais que perfeita com espantos de matar de inveja a rainha da Inglaterra. Grávido de orgulho, o padrinho ordenou aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado fracassasse.

Tutelada pelo marqueteiro João Santana, Dilma percorreu o atallho para o Planalto desconversando em debates e entrevistas, gaguejando frases descartáveis e bajulando o criador a cada 15 minutos. Como lhe cairia no colo um país pronto, caberia à herdeira tocar em frente o pouco que faltava para torná-lo uma espécie de Noruega com praia, mulher bonita e carnaval. Grávido de confiança, o padrinho comunicou ao eleitorado que ele e ela eram a mesma coisa. Votar em Dilma seria a mesma coisa que votar no maior dos governantes desde o Descobrimento.

São Paulo demorou três anos para entender que estava nas mãos do pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, milhões de iludidos escorraçaram Pitta do emprego e atenderam à vontade do seu inventor: nunca mais Paulo Maluf foi eleito para qualquer cargo executivo. O Brasil demorou quatro anos para compreender que, ao conferir um segundo mandato a Dilma Rousseff, ratificara a mais desastrosa opção presidencial de todos os tempos.

Pena que as multidões não tenham acordado algumas semanas mais cedo. Mas enfim despertaram — e despertaram de vez, berra o desmoralizante isolamento do único líder de massas do mundo que só discursa para plateias amestradas. Antes do naufrágio de Alexandre Padilha nas urnas de outubro, Lula caprichou na ironia presunçosa: “De poste em poste estou iluminando o Brasil”.

Padilha afundou a muitas léguas de distância do governo paulista. Fernando Haddad já está com a água pelos cabelos. Dilma Rousseff agita os braços milímetros acima da superfície. Lula não vai escapar do abraço de afogado.

30/03/2015


sexta-feira, 9 de maio de 2014

As pesquisas reforçam a advertência: Dilma Rousseff é o Celso Pitta do Lula

Por Augusto Nunes

dilmapitta
Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação registrados nas pesquisas de popularidade, o prefeito Paulo Maluf em 1995 e o presidente Lula em 2007 resolveram mostrar-se capazes de instalar qualquer nulidade no cargo que ocupavam.

Para que cumprissem sem resmungos a missão de guardar o lugar do chefe, como registrou um post publicado em julho de 2010, os escolhidos deveriam ser desprovidos de autonomia de voo e luz própria.

Quanto mais medíocre, melhor.

Maluf pinçou no secretariado municipal um negro economista. Lula pinçou no primeiro escalão federal uma mulher economista. Ao apresentar o sucessor, o prefeito repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo. Mas quem arranjou o dinheiro foi um gênio da raça chamado Celso Pitta, secretário de Finanças. Ao apresentar a sucessora, o presidente reiterou que foi Lula quem pariu o Brasil Maravilha. Mas quem amamentou o colosso foi uma supergerente chamada Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e Mãe do PAC.

Obediente ao criador e guiado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando platitudes e louvando o chefe de meia em meia hora. Como herdara uma cidade mais que perfeita, restou-lhe embelezá-la com espantos de matar alemão de inveja. Nenhum fez mais sucesso nos programas na TV do que o Fura-Fila, um veículo leve sobre trilhos instalados em viadutos. Grávido de orgulho com o desempenho do poste que fabricara, o padrinho ordenou aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado fracassasse.

Obediente ao criador e tutelada pelo marqueteiro João Santana, Dilma percorreu o circuito eleitoral driblando debates e entrevistas, gaguejando frases descartáveis e bajulando o chefe a cada 15 minutos. Como herdara um país pronto, restou-lhe acrescentar refinamentos que fariam do País do Carnaval uma Noruega com praia, samba e futebol. A campanha eleitoral nem começara quando os primeiros apitos do trem-bala anunciaram a chegada do Fura-Fila de Dilma. Grávido de confiança no poste que esculpira, o padrinho deixou claro que disputava o terceiro mandato disfarçado de Dilma, já conhecida nas lonjuras da nação como a “mulher do Lula”.

São Paulo demorou três anos para descobrir que era governada pelo pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, os iludidos escorraçaram Pitta do emprego e Maluf nunca mais foi eleito para qualquer cargo executivo. Milhões de brasileiros já constataram que a nação é presidida por uma fraude. Os eleitores que ainda não enxergaram a vigarice são suficientemente numerosos para que a pior governante desde o Descobrimento continue a sonhar com um segundo mandato. Mas também sobram motivos para que a oposição acredite – e a última pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira deixa ainda mais evidente – que uma era pode estar chegando ao fim.

“Volta, Lula!” não é uma palavra de ordem. É um grito de medo.

Não é a senha para a ofensiva.

É um pedido de socorro inútil.

Se a afilhada naufragar, o padrinho não escapará do abraço de afogado.

Dilma Rousseff é o Celso Pitta de Lula.


09/05/2014

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Oba! Maluf vai se juntar a Padilha. Podemos esperar uma nova teoria de Marilena Chaui




Por Reinaldo Azevedo

Esta foto, convenham, é inesquecível.

Lula e Fernando Haddad se encontram com Paulo Maluf nos jardins da mansão do ex-prefeito e ex-governador de São Paulo. Não se tratava, como fica claro agora, de uma aliança episódica; é coisa mais profunda, de pele mesmo. Marina Dias informa na Folha desta terça que o PP malufista “trocou Alckmin por Padilha”.

Reproduzo trecho:
“O PP do deputado federal Paulo Maluf (SP) deixou o cargo que ocupava no governo de São Paulo em um movimento de aceno ao PT no Estado, que no ano que vem irá lançar a candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. No último dia 19, Antônio Carlos do Amaral Filho, presidente da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), anunciou seu desligamento da companhia após um embate interno com o secretário-geral do PP, Jesse Ribeiro. A ação foi interpretada por aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB) como um sinal do desembarque dos pepistas da gestão tucana e do alinhamento da sigla ao PT. A pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Padilha tem se empenhado pessoalmente nas negociações com os partidos que podem integrar sua chapa. O ministro já se reuniu em Brasília com o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, para acertar os detalhes do apoio.”

Os petistas, como sabemos, consideram o governador Geraldo Alckmin um conservador, né? Os petralhas arriscam até um “direitista”, certo? Progressista é o PT. Por isso mesmo, deve se aliar a Maluf também na esfera estadual. Aí o petralhinha tira os membros dianteiros do chão e tenta raciocinar com a coluna ereta: “E se Maluf estivesse com Alckmin? Aí ele seria bacana?”. Bem, não nesta página. Nunca foi. O homem até já me processou. E perdeu. Quem transforma aliados em heróis, quaisquer que sejam eles, e adversários em bandidos, quaisquer que sejam eles, é o PT, não eu. É no petismo que vale a máxima de que os amigos são sempre inocentes, mesmo quando culpados (não é, mensaleiros?), e os inimigos são sempre culpados, mesmo quando inocentes.

Quem sai por aí pespegando a pecha de “direitista” em adversários são os patriotas petistas. Eles são sempre progressistas, mesmo quando aliados a Maluf. Esse estranho modo de pensar tem até um dos lances mais patéticos, creio, jamais produzidos por uma “sedizente” intelectual. Durante a campanha eleitoral para a Prefeitura, em 2012, Dona Chaui participou de um evento em favor de uma candidata a vereadora do PT e produziu a seguinte pérola:
“Os candidatos Celso Russomanno (PRB) e José Serra (PSDB) representam duas vertentes da direita paulista igualmente prejudiciais à democracia, à inclusão e à cidadania”.

Ah, tá! Bem… Se eles prejudicavam a democracia, deveriam ser banidos, então, da política, né? Mas e Paulo Maluf, aquele que esta lá no alto trocando afagos com Lula e Haddad? O site petista que dava a notícia explicou o pensamento de Marilena. Leiam (em vermelho):

“Para Marilena, o ex-governador Paulo Maluf, cujo partido (PP) está aliado ao PT não eleições paulistanas, não se enquadra na tradição política representada por Russomanno, mas na do ‘grande administrador’, que ela identifica com Prestes Maia (prefeito de São Paulo de maio de 1938 a novembro de 1945) e Faria Lima (prefeito de 1965 a 1969).”

E Marilena mandou bala naquele encontro:
“Afinal, Maluf sempre se apresentou como um engenheiro”.
Entenderam? Se o capeta se juntar ao PT, Marilena começará a chamá-lo de anjo incompreendido…

O tempo na TV
Se Alckmin mantiver o apoio do DEM, do PSB, do SDD, do PPS e do PRB, terá 4min35 segundos na TV. Com 1min18s do PP, teria 5min53s. Antes do PP, Padilha contava com as adesões de PR, PDT, PCdoB e PROS, o que somava 5min3s. Acontece que o PP mudou de lado, e Padilha tem agora 6min21s. Entenderam? A segunda começou, e o tucano tinha 50 segundos a mais do que o petista. O dia terminou, e o petista tem 1min46s a mais do que o tucano.

Eis aí o peso da máquina federal. Padilha, com um latifúndio na TV, tem hoje apenas 4% das intenções de voto, segundo a pesquisa Datafolha. Com 43%, Alckmin tem menos tempo.

Fiquem atentos

Há dois outros candidatos. Paulo Skaf (PMDB), garoto-propaganda eleitoral da Fiesp, tem 2min28s. Não está coligado a ninguém. Gilberto Kassab tem 1min53s. Há quem aposte que o ex-prefeito, que sabe não ter chances para o governo, possa se juntar ao peemedebista, disputando o Senado. A união daria a Skaf 4min21s — quase o mesmo tempo do candidato tucano.

A vida de Alckmin não será fácil. Ele será o alvo dos demais candidatos, sejam dois ou três. E sabe que todos eles estarão unidos num eventual segundo turno. Se depender dos “marineieros” — que, em São Paulo, objetivamente, fazem o jogo do PT —, Alckmin não terá também os 58 segundos do PSB.

É uma gente que não brinca em serviço.




03/12/2013

domingo, 18 de novembro de 2012

Maluf, o assalto aos cofres públicos, à língua portuguesa e à lógica. Ou: Eis uns dos guias morais da “nova” Prefeitura de São Paulo…




A Justiça de Jersey condenou o ex-prefeito Paulo Maluf, um dos principais aliados do prefeito eleito Fernando Haddad (PT), a devolver R$ 22 milhões aos cofres da Prefeitura de São Paulo


Por Reinaldo Azevedo

Haddad ainda não decidiu que pedaço da administração será entregue aos cuidados de seu novo “companheiro” para que ele continue a zelar pelo bem público com a dedicação conhecida.  Abaixo, segue o texto publicado na VEJA.com.

Se Maluf, segundo a Justiça de Jersey, saqueou os cofres da Prefeitura, sua assessoria decidiu saquear a língua portuguesa. Leiam. Volto depois para tratar do Maluf quântico.
*
A Corte de Jersey anunciou sua sentença final em relação ao processo do deputado federal e ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) e concluiu que o político desviou pelo menos 22 milhões de dólares dos cofres públicos de São Paulo. A Justiça da ilha também ordenou que o dinheiro, atualmente depositado em contas, em Jersey seja devolvido à prefeitura de São Paulo.
A decisão foi anunciada em uma audiência nesta sexta-feira, em Jersey, e estabeleceu que Maluf foi “parte da fraude” cometida nas obras da Avenida Água Espraiada no final dos anos 90. A Corte entendeu ainda que Flávio Maluf, filho do ex-prefeito, esteve envolvido na gestão desses recursos desviados.
Os juízes de Jersey aceitaram a argumentação dos advogados da prefeitura de São Paulo de que duas empresas offshore eram usadas como instrumento de lavagem de dinheiro, em uma rota dos recursos que envolvia empresas brasileiras de construção, contas em Nova York e o depósito final no Deutsche Bank de Jersey.
Os advogados das empresas offshore ainda podem recorrer da decisão. Porém, tradicionalmente, em Jersey a decisão da Corte Real é mantida pelos instâncias de apelação.

Defesa

Em nota, o deputado Paulo Maluf se defendeu na tarde desta sexta-feira. Ele alega que não era mais prefeito de São Paulo em 1998, período em que os desvios aconteceram. Ele ainda diz que a verdadeira culpada seria a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), responsável pela obra. Maluf contesta o fato do processo ser julgado por uma corte internacional.
Nota na íntegra
1 – A sentença mostra claramente que Paulo Maluf não é réu na Ilha de Jersey.
2 – A sentença mostra claramente, o que temos afirmado à exaustão, que Paulo Maluf não têm conta na Ilha de Jersey.
3 – A sentença mostra claramente que os eventuais recursos citados na ação teriam sido movimentados em janeiro e fevereiro de 1998, quando Paulo Maluf não era mais prefeito de São Paulo, já que seu mandato acabou em dezembro de 1996. Portanto já havia saído da Prefeitura a mais de um ano.
4 – A ação não tem embasamento legal já que a obra não foi feita pela Prefeitura, mas sim pela Emurb, sendo, portanto, a Prefeitura parte ilegítima na questão.
5 – A ação não tem embasamento legal pois qualquer obra realizada em território brasileiro, si feita de forma irregular, o que não é o caso dessa, terá de ser julgada pela Justiça brasileira.
6 – À decisão cabe recurso.
Adilson Laranjeira
Assessor de Imprensa de Paulo Maluf
Voltei

Ai, ai… Aquele “têm” do item 2 não tem, por óbvio, circunflexo porque o sujeito está no singular: o sujeito, como sempre, é “Paulo Maluf.
Aquele “a” na última linha não é artigo ou preposição, mas verbo: indica tempo decorrido.

Provavelmente, o redator tentou escrever “há” – e estaria errado ainda assim, já que se trata de um tempo decorrido no passado anterior; portanto, “havia”.
“Si”, em português, é pronome oblíquo; no caso, o redator tentou escrever a conjunção condicional “se”.
Adilson Laranjeira, que assina a nota, pode trabalhar em favor de uma causa ruim, mas sabe escrever. Provavelmente, coitado!, ditou a nota de algum lugar distante.

Vai ver também está, a exemplo deste escriba, com dificuldades para estabelecer a conexão 3G, que merece ganhar o Prêmio Jabuti de melhor obra de ficção do Brasil.

Agora o conteúdo

Maluf, há muitos anos – e já o entrevistei no Roda Viva a propósito dessa lambança –, descobriu o que chamo desculpa quântico-esfarrapada. É aquela que lhe garante dizer, a um só tempo, que o dinheiro existe e não existe, que é seu e não é.
Vejam que maravilha. O item 2 diz que “Maluf não têm (sic) conta” em Jersey. Bem, se é assim, então cessa tudo o que a antiga musa canta, certo?

Pergunta-se:

a) se ele não tem, que diferença faz a data em que a conta foi movimentada (questão tratada no item 3)? O dinheiro não era dele mesmo, certo?;

b) se ele não tem, que sentido faz discutir a legitimidade da Prefeitura para mover o processo?;

c) se  ele não tem, por que contestar a competência de Jersey na questão?;

d) se ele não tem, por que falar em recurso? MALUF, POR ACASO, VAI RECORRER CONTRA A DECISÃO PARA QUE DEVOLVA UM DINHEIRO QUE NÃO EXISTE?
Vai ver foi assim que Maluf convenceu Haddad de que ele teria uma contribuição ética a dar ao PT.

Se bem que, tudo somado e subtraído, isso não deixa de ser verdade. Sempre considerei o petismo a profissionalização do malufismo.

                  16/11/2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A foto do beija-mão ajudou a Interpol



Por Augusto Nunes



Já não se fazem cavalheiros dessa estirpe, murmura a expressão derretida de Dilma Rousseff enquanto contempla o homem que se inclina para beijar-lhe a mão. No rosto da presidente, não há vestígios da rabugenta vocacional.

A carranca exibida desde o berço foi subitamente demitida para abrir espaço aos sinais emitidos por corações em descompasso: os olhos semicerrados, os lábios comprimidos de quem ensaia um selinho, ou o queixo que se projeta para testemunhar de perto o encontro da boca de gentleman de filme antigo com a pele de uma dama adestrada em colégio de freiras.

Tanta doçura torna quase irreconhecível a mulher fotografada de frente. O homem fotografado por trás, e só do pescoço para cima, esse todos sabem quem é: Paulo Maluf, claro.

A festinha no jardim da mansão anunciou que Maluf é o mais recente amigo de infância de Lula.

O beijo na mão acaba de avisar que o antigo satã do PT sente pela afilhada o mesmo afeto desinteressado que devota ao padrinho.

Para justificar a aliança pornográfica com o chefão do PP (e dono de cobiçadíssimos 95 segundos no horário eleitoral gratuito), Fernando Haddad explicou que o novo e o velho se acasalaram em decorrência de afinidades ideológicas.

“É natural que os partidos que apoiam o projeto do governo estejam comigo”,
recitou.

Maluf nunca soube que projeto é esse.

Bastou-lhe saber o tamanho do cofre da secretaria do Ministério das Cidades que ganhou de presente.
Por embutir uma relevante informação adicional, a Interpol certamente já distribuiu cópias da foto do beija-mão entre os agentes espalhados por 180 países prontos para extraditar para os Estados Unidos o brasileiro caçado pela Justiça americana.

A polícia internacional sabe faz tempo como Maluf é de frente e de perfil.

Agora já sabe como é por trás.


05/07/2012

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O que move LULA? Não existe outra explicação que não o ódio, inveja e sentimento de menos-valia. Doentio.







REYNALDO ROCHA

De que barro é feito Lula? O que o motiva a viver? O que deseja deixar como legado, ao país e aos descendentes?

Assusta-me menos o fato político do que a sociopatia de Lula da Silva.

O PT aliar-se a Maluf (o próximo será Chalita), impor Humberto Costa no Recife, impedir legítimos candidatos no RJ e ser garçon em Belo Horizonte não é mais novidade. A rigor, é mais do mesmo. Um partido que obedece fielmente à voz de comando do dono, como cão amestrado. Que me desculpem os cães…

O PT que nasceu como alternativa à política tradicional, agregando Igrejas, intelectualidade, operariado e estudantes conseguiu o impensável: contaminar TODOS esses segmentos sociais.

As Igrejas (de diversas denominações) descobrem que o caminho das pedras no mar de lama é ter o profeta Lula como guia. E dá-lhe concessões de TV, propagandas oficiais e acordos feitos em templos.

Os intelectuais lutam para defender o indefensável. Torturam argumentos, abusam de uma reputação que já não têm na área acadêmica, se encastelam em Universidades públicas transformadas em púlpitos para discursos sonolentos e embolorados.

O operariado renunciou às lutas – e greves – para disputar cargos com as facas nos dentes. Repartem o butim de impostos sindicais. Criam sindicatos fantasmas como um imenso laranjal.

A UNE (ou UNEA) vive de roubos identificados pelo Ministério Público – com projetos inexistentes na execução e reais no aporte de dinheiro público – e da venda de carteiras de estudantes.

E ainda se multiplicam as ONGS, instrumentos de roubos (não todas, claro) sequer imaginadas pelos aliados de Lula, Sarney e Collor. Se pudessem prever o que arrecadariam essas “organizações”, certamente teriam criado um sem número delas.

O que move LULA?

Não existe outra explicação que não o ódio, inveja e sentimento de menos-valia. Doentio.

Acossado por delírios persecutórios, elege como alvos Arthur Virgílio, Tasso Jeiressati, Marconi Perrillo (mesmo tendo que mandar ao inferno o tatibitate do companheiro Agnelo), FHC e José Serra.

Reduz as eleições de 2012 (que ocorrem em 5.507 municípios!) a uma disputa paroquial na maior metrópole brasileira. Com o objetivo único de derrotar José Serra e “desalojar os tucanos” de São Paulo. Fica claro que não conseguirão.

Insisto: isto é menor frente ao que Lula faz e como se mostra sem disfarces.

Está aliado aos mesmos que definiu – corretamente – como ladrões e corruptos.

Pensávamos, à época, que era por nojo ou desejo de mudanças. Não era. Era somente inveja: ele ainda não dispunha de poderes para controlar cofres, iludir eleitores e ser também um cínico de sucesso.

Já é.

Os fatos é que dizem.

É capaz de abraçar a quem o acusou de tentar matar a própria filha, obrigando a ex-companheira a fazer um aborto. Não só apertar-lhe a mão, mas solicitar apoio em nome da própria popularidade.

Agora aperta a mão ágil do mestre em usá-la para roubar o dinheiro público. Notadamente em território paulistano, onde Lula pretende que o apoio do parceiro faça a diferença em favor do candidato ungido pelo Imperador de São Bernardo.

E o faz sem sequer tapar o nariz. Não se importa com o mau cheiro.

Humilha-se a ponto de puxar uma comitiva em busca de apoio na residência do procurado pela polícia em todo o mundo. Com mandado de prisão ainda válido.

E deixa-se fotografar ao lado do meliante, que ainda encontra espaço para fazer um sinal de positivo, selando a rendição do lulopetismo sem direito a apelações.

Maluf merece o PT. E este merece Maluf. São feitos do mesmo barro.

Daqueles que são encontrados nos fundos das fossas sanitárias em meio a excrementos.

Barro fétido e de nenhuma utilidade. Contaminado. Não reciclável. Poluído. Podre.

Ao perder a vergonha e promover acordos espúrios à luz do dia, no covil do ladrão e aos olhos da imprensa, Lula atingiu o ápice. Da decadência.

Demonstrou o desprezo absoluto que devota aos brasileiros com vergonha na cara e aos valores que defendem.

Drummond dizia que a Itabira em que nasceu era somente uma foto na parede. E doía.

Esta foto sequer serve para prontuário policial. Maluf já tem a própria nos arquivos da Interpol.

Serve, quando muito, para que lulopetistas e milicianos sejam acionados para defender o indefensável.

Estes ao menos não renegam ideias anteriores. Nunca tiveram.

E demonstra que as que Lula dizia representar não passavam de mentiras oportunistas de quem jamais teve apreço real pela ética.

Não é uma foto. É um quadro de horror. E nojo.


19/06/2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

A foto mostra a cara de um Brasil que não sabe o que é honra e perdeu a vergonha




“O símbolo da pouca vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente.

Daremos a nossa vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente.”

(LULA, junho de 1984)


“Como Maluf pode prometer acabar com ladrão na rua enquanto ele continua solto?”

(LULA, setembro de 1986)


“Os administradores do PT são como nuvens de gafanhotos.”

(PAULO MALUF, março de 1993)

“Maluf esquece de seu passado de ave de rapina. O que ameaça o Brasil não são nuvens de gafanhotos, mas nuvens de ladrões. Maluf não passa de um bobo alegre, um bobo da corte, um bufão que fica querendo assustar as elites acenando com o perigo do PT. Maluf é igualzinho ao Collor, só que mais velho e mais profissional. Por isso é mais perigoso.”

(LULA, março de 1993)


“Ave de rapina é o Lula, que não trabalha há 15 anos e não explica como vive. Ave de rapina é o PT, que rouba 30% de seus filiados que ocupam cargos de confiança na administração. Se o Lula acha que há ladrões à solta, que os procure no PT, principalmente os que patrocinaram a municipalização do transporte coletivo de São Paulo”.

(MALUF, março de 1993)


A foto abaixo informa que, em 18 de junho de 2012, os dois velhos inimigos se juntaram para vender ao eleitorado paulistano a criatura que Lula contempla com o olhar orgulhoso de criador e Maluf acaricia com o olhar guloso de quem vê mais um filão a explorar.

À esquerda, o risonho Rui Falcão confraterniza com o que há de pior na direita.

À direita, o vereador Wadih Mutran avalia minuciosamente quanto vale um Fernando Haddad fantasiado de nova esquerda.


É uma foto que merece ser guardada.

Desnuda a cara de um Brasil que não sabe o que é honra nem tem vergonha de nada.

E resume exemplarmente a Era da Impunidade.



19/06/2012

Luiza Erundina oficializa saída da chapa de Haddad



Em reunião com o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), deputada mantém a posição que antecipou ao site de VEJA, de que não aceita dividir palanque com Paulo Maluf

A deputada federal Luiza Erundina, do PSB, confirmou sua desistência de concorrer como candidata a vice na chapa do candidato do PT, Fernando Haddad.

A decisão foi comunicada ao presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), em reunião em Brasília.

Na útlima segunda, Erundina havia antecipado ao site de VEJA que não aceitaria fazer campanha ao lado do deputado federal Paulo Maluf, presidente estadual do PP, que havia anunciado aliança com o PT.

Erundina e Maluf são inimigos históricos.

A informação foi confirmada pelo presidente estadual da legenda em São Paulo, deputado federal Márcio França.

"Ela disse que não tinha condições de continuar na disputa com essa aliança", afirmou o deputado.

Com a desistência de Erundina, o PSB não pretende indicar um substituto.

Com isso, a vaga de vice na chapa de Haddad ficou vaga, o que aumenta as chances de o PCdoB entrar na aliança.

Assim que soube que Erundina não abriria mão de seus princípios para fazer campanha ao lado de Maluf, Fernando Haddad ligou para os comunistas para avisar da mudança de cenário.

O interlocutor escolhido foi o ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva.

O PCdoB pretendia lançar candidatura própria, com o vereador Netinho de Paula, mas deve desistir para se aliar ao PT.

“Pragmáticos” do PT estão torcendo para Erundina realmente cair fora.





A marquetagem acha que ela vai dar trabalho; Lula foi alertado para risco de curto-circuito.

Entre Erundina e Maluf, escolheu Maluf



Acabo de saber de um troço asqueroso. Há petistas vibrando com a hipótese de Erundina realmente cair fora da aliança. Antes que trate disso, uma pequena nota à margem.

Não, queridos, eu não concordo com a tese de que o PT, em processo de degradação, acabou no colo de Maluf em São Paulo, como se o partido tivesse tido algum dia alguma moralidade muito superior a essa.

Eu estou entre aqueles que consideram que Maluf, em muitos aspectos, é até menos nefasto do que o PT. No encontro dos dois, quem tem mais reputação a perder, por incrível que possa parecer, ainda é o ex-governador.

Já expliquei por quê.

O seu método de fazer “aquelas coisas” vai morrer com ele. Já o método petista se transformou numa doença que tomou o sistema.

Maluf, por si, é um mal de curta duração. O outro ficará entranhado na política por décadas e é uma condenação ao atraso. Adiante.

A ala que se quer “pragmática” no PT esta torcendo para Luiza Erundina não voltar atrás e realmente recusar a vaga de vice no partido.

Acham que ela mais tira do que dá votos. Houve grande insatisfação com suas entrevistas no fim de semana.

Acham que ela conferiu um corte ideológico à chapa, mais identificado com a esquerda, que atrapalha a construção da imagem de Haddad.

Sim, senhores!

Os feiticeiros petistas da “marquetologia” consideram o nome de Erundina um erro.

Avaliam que ela traz consigo a memória de um PT excludente, avesso à classe média.

Assim, o comando do petismo sabia que havia o risco de ela estrilar com os salamaleques todos feitos a Paulo Maluf.

Na verdade, contavam com isso.

O petismo já havia feito chegar a Erundina a sua insatisfação com aquele discurso no dia em que aceitou ser vice.

Ela não gostou da abordagem, mas ainda tentou conciliar.



Sim, senhores!
Esses grandes pensadores do “socialismo” estavam e estão inconformados com a presença da “socialista” Erundina na chapa.

Lula foi alertado para o risco de curto-circuito e fez uma escolha: Maluf!


18/06/2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sarney merecia ser padrinho do casamento celebrado na visita de Lula à casa de Maluf




Em setembro de 1987, num discurso em Aracaju, o deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva, fundador e dono do PT, juntou no mesmo balaio da gatunagem o então presidente José Sarney e os ex-governadores paulistas Adhemar de Barros e Paulo Maluf

Por Augusto Nunes


Trecho:

“E a Nova República é pior do que a velha, porque antigamente na Velha República era o militar que vinha na televisão e falava, e hoje o militar não precisa mais falar porque o Sarney fala pelos militares ou os militares falam pelo Sarney.

Nós sabemos que antigamente ─ os mais jovens não conhecem ─, mas antigamente se dizia que o Ademar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão; pois bem: Ademar de Barros e Maluf poderiam ser ladrão, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da nova República, perto dos assaltos que se faz”.

Nesta segunda-feira, Lula levou Fernando Haddad à mansão de Maluf para a pajelança que celebrou a troca de alianças entre o PT e o PP controlado pelo homem que considerava um ícone da ladroagem.

“Não há contradição”, gaguejou Haddad. “A cidade de São Paulo deve ficar acima de possíveis divergências ideológicas entre as duas siglas”.
Feliz com os salamaleques dos visitantes, o anfitrião fez de conta que também achou muito natural a barganha que juntou o “homem novo” (segundo o Lula de 2012) e o velho inimigo que o Lula de 1987 chamava de ladrão.

“Não adianta olhar pelo retrovisor”, ensinou Maluf. “Temos que olhar para o para-brisa”.

Previsivelmente, Lula não quis fazer declarações. Ordem médica, alegou.

Conversa fiada.

Ele não tem o que dizer.

Falaram por ele os sorrisos e o aperto de mãos que trocou com o dono da casa que visitou pela primeira vez.

De 1987 para cá, Maluf incorporou ao prontuário façanhas tão extraordinárias que acabou entrando no ranking dos mais procurados pela Interpol.

Como o encontro revogou oficialmente a discurseira do passado, o ex-presidente perdeu uma boa chance de redimir-se por inteiro dos pecados de Aracaju.

José Sarney merecia ser padrinho do casamento obsceno.

Ao lado de Maluf, hoje é ele quem parece trombadinha.

18/06/2012

domingo, 17 de junho de 2012

Para eleger o novo, Lula junta no palanque do PT a ex-prefeita que expulsou no século passado e um velho conhecido da Interpol





 
“Luiz Inácio Lula da Silva tem como princípio não ter princípio, tanto moral, ético ou político”, começa o brilhante artigo de Marco Antonio Villa reproduzido na seção Feira Livre.


Homens assim não têm compromisso com o que dizem, berram as estrondosas colisões entre a prática e o discurso da metamorfose malandra. Tem sido assim desde 1975, prova o texto de Villa. Não poderia ser diferente na temporada eleitoral deste ano.


No Programa do Ratinho, por exemplo, Lula invocou no critério da certidão de nascimento para justificar a escolha do candidato do PT à prefeitura de São Paulo.

“Por que o Fernando Haddad?”, levantou a bola o apresentador.


Decidido a acentuar a suposta vantagem dos 51 anos do ex-ministro da Educação sobre os 70 do adversário tucano José Serra, o palanqueiro oportunista aposentou sem anestesia a companheira Marta Suplicy.


“Convivi com a Marta durante trinta anos”, informou. “Era o momento da gente apresentá uma coisa nova pra São Paulo. A população votará no novo porque quer mudança em São Paulo”.

Convidado a subir ao palco pelo apresentador, o candidato recitou com muita aplicação o palavrório ditado pelo principal slogan da campanha: “Um homem novo para um tempo novo”.

E concordou com o chefe: o eleitorado de São Paulo quer ver pelas costas quem já administrou a cidade.


Nesta sexta-feira, Haddad fingiu que nunca esteve no Programa de Ratinho, nem sabe quem é o marqueteiro da campanha, para comunicar oficialmente (sem ficar ruborizado) que a candidata a vice é a deputada federal Luiza Erundina.
Indicada pelo PSB, Erundina foi prefeita de 1989 a 1992. Vai completar 78 anos em novembro.

E ambos se enfiaram na mesma saia justa quando os jornalistas perguntaram se a dupla está satisfeita com a iminente subida ao palanque de Paulo Maluf.


Aos 80 anos, Maluf foi prefeito entre 1969 e 1971, nomeado pelo governo militar, e voltou a ocupar o cargo entre de 1993 a 1996.

Escolheu Celso Pitta para completar a obra e nunca mais conseguiu vencer uma disputa majoritária.

Em troca do apoio a Haddad e Erundina, ganhou um cofre no Ministério das Cidades.

Terá de gastar tudo por aqui: o nome de Maluf figura na lista dos procurados pela Interpol em 188 países.


Como só sabe falar do novo, Haddad perturbou-se quando instado a explicar o súbito apreço pelo aliado octogenário.

Um repórter quis saber como se sentirá ao lado de Maluf.

Resposta transcrita do vídeo gravado pelo UOL: “Olha…veja bem…quando você faz uma composição política, você tem que ter o princípio.

Se você olhar cada partido individualmente, você vai fazer…é…a tua avaliação sobre… é… A, B, ou C”.


Nem Dilma Rousseff chegou a tanto.


Lula não compareceu à festa que juntou duas gerações do PT.

Uma é que expulsou Erundina porque aceitou ser ministra do presidente Itamar Franco.

Outra é que topa qualquer negócio, até com Maluf.


O partido virou rebanho.

Lula continua o mesmo.

O repertório de vigarices é cada vez maior.

Quando não sabe o que dizer, ele agora se recolhe ao Sírio Libanês, perde a voz por dois dias e reaparece com cara de quem não tem nada com isso.

Nunca teve.

16/06/2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Maluf disfarçado de Jesus…




Por Reinaldo Azevedo

Dilma deu a Paulo Maluf o cargo que ele queria no Ministério das Cidades (já trato do assunto) na esperança de que o PP apoie Fernando Haddad em São Paulo.

Os petistas, claro!, estão doidos para chamar Maluf de “companheiro”.

Já lavaram a reputação de gente até pior.

“Arbustus”, no Twitter, saiu-se com esta:

“As vezes, Jesus se disfarça de Maluf só para testar a fé da militância.”

É uma excelente sacada!

O diabo faz a mesma coisa!

Finge-se de anjo só para ver se o petismo é tentado mudar de vida.

Mas jamais se decepcionou, se é que vocês me entendem.

15/06/2012

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O bando de testemunhas de defesa merece ser incluído entre as provas contra Palocci

Emudecido pela descoberta do milagre da multiplicação do patrimônio, que fez de um médico sanitarista o mais próspero especialista em operações de emergência, Antonio Palocci está completando nesta segunda-feira oito dias de estrepitoso silêncio. Não precisou dar um pio para ser absolvido pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Bastaram explicações por escrito. Não precisou sequer telefonar para congressistas para conseguir a solidariedade da base alugada (e de oposicionistas estrelados). Bastou o recado do assessor Thomaz Traumann lembrando que o chefe fez o que meio mundo faz.

A cada 15 anos, o Brasil esquece o que aconteceu nos 15 anos anteriores, constatou o jornalista Ivan Lessa. Esse prazo valia para o século passado. Neste, ficou bem mais curto. As coisas andam mais velozes. Falta espaço no noticiário e na memória dos brasileiros para armazenar por muito tempo tantos escândalos, roubalheiras, pilantragens e sem-vergonhices envolvendo corruptos poderosos. Hoje, nos cálculos do governo, o país esquece a cada 15 dias o que aconteceu nos 15 dias anteriores.

Foi esse o prazo estabelecido pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para que o chefe da Casa Civil apresente as explicações solicitadas pelo DEM e pelo PPS. Ambos estão justificadamente intrigados com o assombroso surto de enriquecimento que acometeu o ministro, e que se tornou especialmente agudo depois da vitória de Dilma Rousseff. Até aí, nada demais, apressou-se a esclarecer Gurgel antes mesmo de repassar a Palocci as interrogações formuladas pelos partidos. “Exercício de consultoria não é crime”, pontificou. (Em princípio, não é crime exercer ofício nenhum, desde que o profissional não se valha dos instrumentos de trabalho para cometer delinquências).

“O procurador-geral só atua nas encrencas mesmo, só atua quando há crime”, enfatizou. “A prestação de consultoria pode ser reprovável em aspectos éticos, mas, em princípio, não constitui crime e, se não constitui crime, não justifica a atuação do Ministério Público”. Não é conversa de quem espera explicações para decidir o que fará, com a seriedade que se exige do chefe de uma das raras instituições respeitáveis do país. É conversa de quem espera que passem com mais rapidez as duas semanas que precedem o esquecimento.

A montanha de indícios veementes berra que Gurgel só não vê nada de estranho porque foi contaminado pela miopia conveniente que grassa no Planalto. Em 2006, o governo enxergou uma “movimentação financeira atípica” num depósito de R$ 35 mil na conta do caseiro Francenildo Costa. Em novembro e dezembro de 2010, Palocci movimentou pelo menos R$ 10 milhões ─ 285 vezes mais que Francenildo. O dinheiro que o consultor embolsou equivale a 18.348 salários mínimos. É suficiente para comprar 416 carros populares.O que fez Palocci em troca dessas quantias de espantar banqueiro americano? As autoridades financeiras taparam as narinas para o fortíssimo odor de tráfico de influência. E o procurador-geral não avistou nenhum sinal de “encrenca mesmo”.

Em países sérios, aliás, o Ministério Público nem precisaria dessas cifras estarrecedoras para entrar em ação. Bastaria a contemplação do cortejo de aliados dispostos a atestar “a lisura”, “o excelente caráter” ou “a integridade” do suspeito. Entre outros destaques, desfilaram em homenagem a Palocci figuras como Paulo Maluf, José Sarney, Romero Jucá, Renan Calheiros, Luiz Gushiken, Miriam Belchior, Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho, Rui Falcão, Cândido Vaccarezza e Edison Lobão. Caso a história acabasse num tribunal, todos poderiam ser arrolados como testemunhas de defesa. Se comparecessem juntos à mesma audiência e tropeçassem num homem da lei, dificilmente escapariam de um processo por formação de quadrilha ou bando. Quem é absolvido por uma turma dessas fez mais que o suficiente para ser condenado.

O governo acredita que faltam seis dias para que expire o prazo de validade do escândalo. Pode descobrir que o país ficou menos desmemoriado e que os descontentes são mais numerosos do que imagina. É improvável que Palocci consiga escapar pelo atalho da mudez. A hora das explicações chegará. Se for convincente, merece o Ministério da Fazenda: esse é o lugar de quem consegue ficar milionário em quatro anos com uma empresa de um homem só. Se continuar mentindo, será devolvido à planície de onde nunca deveria ter saído.

23/05/2011

terça-feira, 18 de maio de 2010

A primeira-dama das cavalariças - Augusto Nunes

A primeira-dama das cavalariças



“Candidato Kassab: por que você tem vergonha de dizer que anda com o Maluf e com o Pitta?”, pôs as mãos nas cadeiras Marta Suplicy no meio do debate na TV.

“Eu ando com o Lula”, prosseguiu, com cara de debutante contrariada, a edição vespertina da colegial do Sion.

“E tenho muito orgulho das pessoas com quem ando”, encerrou acionando o pisca-pisca das pestanas.


Naquela noite de 2008, o prefeito Gilberto Kassab limitou-se a reiterar o arrependimento que sente por ter chefiado a secretaria municipal de Finanças na administração Celso Pitta. E só registrou de passagem que Mônica Valente, a mulher de Delúbio Soares, era a assessora de estimação da candidata do PT. Um adversário menos clemente iria bem mais longe.

Teria perguntado, por exemplo, se Marta ainda é a melhor amiga de Delúbio, e se continua andando com o companheiro gatuno que, em 2003 e 2004, festejou a seu lado a passagem do ano. Também perguntaria se tem saudade das temporadas em que Delúbio e Mônica Valente se hospedaram na casa alugada no Guarujá por Marta e Luis Favre.


A pose de quatrocentona sempre contracenou sem remorsos com mensaleiros, sanguessugas, aloprados, estelionatários companheiros, punguistas da base alugada ─ todas as vertentes da bandidagem com imunidade têm espaço garantido no palanque de Marta Suplicy. Sempre fez de conta que as vestais com himen complacente não caíram na vida, e portanto merecem conviver com Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy.

Antes do debate em que censurou o adversário por equívocos passados, a favorita da delinquência presente expediu a instrução famosa aos flagelados do apagão aéreo: relaxem e gozem. Dias depois do confronto na televisão, ordenou aos eleitores paulistanos que perguntassem ao prefeito por que não era casado e não tinha filhos. Certos filhos, melhor evitá-los, e qualquer solidão é preferível à companhia de um argentino fantasiado de francês, deixou de responder Kassab. As urnas responderam por ele.

Quanto mais idosa fica, menos ajuizada Marta é, comprova a declaração em que absolveu Dilma Rousseff, acusou Fernando Gabeira e condenou-se, de novo, a explicar o inexplicável.

Até os bebês de colo e os doidos de pedra sabem de que lado estão os malfeitores em geral, os corruptos em particular e todos os milicianos da esquerda psicótica.

Estão com Marta, que ainda assim resolveu responsabilizar pelo sequestro e quase morte do embaixador Charles Elbrick o único que se penitenciou publicamente pelo equívoco histórico.

É muito cinismo.



Somada à infamante comparação entre Dilma Rousseff e Nelson Mandela, a derrapada moral e política que Marta protagonizou escancara o fantasma que assombra o palanque de filme de terror: o prontuário da sucessora que Lula inventou está recheado de assaltos a bancos dos quais jamais se arrependeu.

A cafajestagem com Gabeira reafirmou, também, que os milicianos seguem tentando institucionalizar o avesso das coisas.

No Brasil da Era Lula, o errado repreende o certo, os honestos são condenados à danação eterna por pecadores juramentados e muitos já desistiram da apresentação de recursos à Divina Providência:

pelo que anda dizendo e fazendo, Lula virou conselheiro de Deus.



Nada tem de espantoso o orgulho que Marta sente dos parceiros que, se a Justiça brasileira funcionasse, só conseguiria ver de perto em visitas dominicais à cadeia.

A granfina arrogante namora há alguns meses o presidente do Jockey Club de São Paulo. Já há alguns anos está pronta para o posto de primeira-dama das cavalariças.


17 de maio de 2010