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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Dilma pede licença para matar. Ou: Petista promete mais quatro anos iguais aos últimos quatro se reeleita! Ou: Destruir para conquistar; conquistar para destruir


“Destruir para conquistar;
conquistar para destruir”

Por Reinaldo Azevedo 


A presidente-candidata Dilma Rousseff não quer saber de “coitadinhos” disputando a Presidência da República. Deixou isso muito claro numa entrevista coletiva concedida ontem, no Palácio da Alvorada, enquanto mordomos invisíveis, pagos por nós, administravam-lhe a casa. A rigor, vamos ser claros, a presidente nunca acreditou nem em “coitados” nem na inocência. Ou não teria pertencido a três organizações terroristas que mataram… inocentes!

A propósito, antes que chiem os idiotas: isso que escrevo é
a: ( ) verdade;
b: ( ) mentira.

Quem decidir marcar a alternativa “b” já pode se despedir do texto porque não é só um desinformado; é também um idiota — e não há razão para perder o seu tempo com este blog. Para registro: ela cerrou fileiras com o Polop, Colina e VAR-Palmares. Sigamos.

Na quinta-feira passada, informou a Folha, ao se referir aos ataques que vem recebendo do PT, Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, chorou. Os petistas não abrem mão de desconstruir a imagem da ex-senadora e de triturar a adversária, mas temem que ela se transforme numa vítima e acabe granjeando simpatias. Na entrevista deste domingo, Dilma tratou, ainda que de modo oblíquo, tanto da campanha negativa que o PT vem promovendo contra a peessebista como das lágrimas da adversária. Afirmou:

“A vida como presidente da República é aguentar crítica sistematicamente e aguentar pressão. Duas coisas que acontecem com quem é presidente da República: pressão e crítica. Quem levar para campo pessoal não vai ser uma boa presidente porque não segura uma crítica. Tem de segurar a crítica, sim. O twitter é o de menos. O problema são pressões de outra envergadura que aparecem e que, se você não tem coluna vertebral, você não segura. Não tem coitadinho na Presidência. Quem vai para a Presidência não é coitadinho porque, se se sente coitadinho, não pode chegar lá”.

Entenderam? Dilma está dizendo que a brutalidade é mesmo da natureza do jogo, avaliação que, em larga medida, remete a personagem de agora àquela militante do passado, quando grupos terroristas se organizaram contra a ditadura militar. Ou por outra: não havia, de fato, “coitadinhos” naquele embate. Eu sempre soube disso — e já o afirmava mesmo quando na esquerda. É por isso que a indústria de reparações — exceção feita aos casos em que pessoas já rendidas foram torturadas ou mortas pelo Estado — é uma vigarice intelectual, política e moral.

Dilma, obviamente, sabe que o PT faz campanha suja ao associar a independência do Banco Central à falta de comida na mesa dos brasileiros. Dilma sabe que se trata de uma mentira escandalosa a afirmação de que o programa de Marina tiraria R$ 1,3 trilhão da educação. Em primeiro lugar, porque não se pode tirar o que não existe; em segundo, porque Marina, se eleita, não conseguiria pôr fim à exploração do pré-sal ainda que quisesse.

E que se note: a presidente-candidata, que não apresentou ainda um programa final, deixou claro que considera desnecessário fazê-lo e, a levar a sério o que disse, aguardem mais quatro anos do mesmo caso ela vença a disputa. Leiam o que disse:

“O meu programa tem quatro anos que está nas ruas. Mais do que nas ruas, está sendo feito. Hoje estou aqui prestando contas de uma parte do meu programa. Eu não preciso dizer que vou fazer o Ciência sem Fronteiras 2.0, a segunda versão. Eu não preciso assumir a promessa, porque fiz o primeiro. A mim tem todo um vasto território para me criticar. Tudo o que eu fiz no governo está aí para ser criticado todo o santo dia, como, aliás, é. Todas as minhas propostas estão muito claras e muito manifestas”.

A presidente, sem dúvida, pôs os pingos nos is. Se ela ganhar mais quatro anos, teremos um futuro governo igualzinho a esse que aí está. Afinal, segundo diz, o seu programa já está nas ruas, já está sendo feito. O recado parece claro: nada vai mudar.

Dilma voltou a falar sobre a independência do Banco Central, fazendo a distinção entre “autonomia” — que haveria hoje (na verdade, não há) e “independência”, conforme defende Marina. Segundo a petista, a proposta de Marina criaria um Poder acima dos demais.

Vamos lá: discordar sobre a natureza do Banco Central é, de fato, próprio da política. E seria muito bom que o país fizesse um debate maduro a respeito. Mas, obviamente, não é isso o que faz o PT. Ao contrário: o partido aposta no terror e no obscurantismo. Pretende mobilizar o voto do medo e da ignorância. Quanto ao pré-sal, destaque-se igualmente: seria positivo se candidatos à Presidência levassem adiante um confronto de ideias sobre matrizes energéticas. Mas quê… De novo, os petistas investem apenas no benefício que lhes pode render a ignorância.

Dilma segue sendo, essencialmente, a mesma, agora numa nova moldura: “o mundo não é para coitados, não é para os fracos”. E, para demonstrar força, se preciso, servem a mentira e o terror. Hoje como antes. O PT também segue sendo o mesmo: quando estava na oposição, transformava o governo de turno na sede de todos os males e de todos os equívocos. No poder há 12 anos, agora o mal verdadeiro está com a oposição. Seu lema poderia ser “Destruir para conquistar; conquistar para destruir”.

Dilma pede licença para matar. Nem que seja uma reputação.
15/09/2014 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A aliança de Marina e Campos é tão virtuosa ou tão viciosa quanto qualquer outra! Não me venham com histórias!


 
Por Reinaldo Azevedo
É claro que eu gostei de ver a estratégia de Luiz Inácio Lula da Silva dar com os burros n’água.

Não acho que o TSE disse “não” ao partido de Marina Silva em razão de alguma conspiração petista — disse “não” porque o pleito da Rede era, a meu ver, sem trocadilho, insustentável. Mas é certo que o ex-presidente jogou tudo para ter um segundo turno no primeiro.

Não terá.

Alegro-me.

Mas vamos com calma aí!

Leio aqui, ali e acolá que a aliança da “redista” Marina Silva com o peessebista (nego-me a chamar de “socialista” por respeito ao conteúdo das palavras) Eduardo Campos seria dotada de virtudes superiores e alcance, sei lá, verdadeiramente poético, que faltaria a todas as outras uniões que se possam fazer e se fazem na República.

Aí não dá!

Aí meu senso de realidade me obriga a reagir. Se eu fosse outro, não escreveria este texto. Se pensasse com o fígado, como querem os que me detestam — e, por me detestarem, não me entendem, hehe… —, deixaria a coisa pra lá; bastar-me-ia, então, ver a estratégia petista naufragar e aplaudir.

Mas sou quem sou. Meu único compromisso nesta página é escrever o que penso. E penso que a aliança de Marina com Campos é tão natural e tão artificial quanto qualquer outra da República.

Por natural, dado o quadro de fragmentação partidária no Brasil, deve-se considerar que partidos precisam mesmo se constituir em frentes. Nem o PT, com toda a sua força e com o escandaloso aparelhamento do estado e dos movimentos sociais, consegue governar sozinho.

Por artificial, é claro que que se trata de um arranjo ditado pela oportunidade e pelas circunstâncias.

Quando se votou o Código Florestal, por exemplo, o PSB tinha 27 deputados. Só três se opuseram. Os outros 24 votaram a favor — no que fizeram, diga-se, muito bem. Na Rede, ter endossado o texto era considerado fator de exclusão.

Vale dizer: quem apoiou o código aprovado estava proibido de pertencer à Igreja dos Santos de Marina de Últimos Dias. Cheguei a perguntar à época se um mea-culpa, um arrependimento, uma penitência, poderia livrar o vivente.

Disseram-me que não, o que me levou a concluir que Deus pode perdoar, mas Marina não! Eu estou enganado, ou o “socialista” Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia, vice-presidente do PSB, já classificou o partido Rede de “preconceituoso, fundamentalista e religioso”?

No ministério, ele defendeu que o Brasil dominasse todo o ciclo tecnológico de produção da bomba atômica. Até acho discutível se isso é ou não aceitável. Para a turma da Rede, com certeza, não é.

Então fiquemos assim.

Como não fez direito a lição de casa, a Rede não conseguiu se viabilizar. Marina até tentou ficar fora da disputa, mas seus aliados, em especial os do mundo empresarial, que apostaram suas fichas na Rede, reagiram muito mal. Também os representantes egressos do que ela chama de “velha política” não gostaram. Aí ela teve de entrar no jogo.

Escolheu o PSB, decisão que é, sim, de seu interesse, mas também do interesse de Eduardo Campos. Ele tenta ganhar densidade com a nova aliada, embora continue encalacrado com a questão do tempo de TV. Ela ganha uma estrutura para influir na disputa de 2014. E ambos ficam com mais espaço de manobra. Por quê? Se Campos perceber que não se viabiliza de jeito nenhum, sempre pode, num gesto que será aplaudido, abrir mão em favor de Marina. A história de que já está definido que ele será o candidato, e ela, vice é conversa para boi dormir. Os institutos de pesquisa farão o óbvio e o certo: testar o nome dele e o dela nas simulações. Com Marina, Campos pode, se quiser, desistir sem desonra. Com Campos, Marina pode se tornar candidata com uma estrutura e uma grana de campanha que não teria pela Rede. Os dois, pois, têm agora opções que antes não tinham.

Ainda que muitos sejam tentados a ver em Marina não mais do que um ser etéreo, que se alimenta de luz e aspargos, a verdade é que ela é uma política. Sua aliança com Campos não confere nem mais nem menos grandeza à atividade. É, a exemplo de qualquer outra, ditada por oportunidades e interesses. E não custa notar: a Rede já é um saco de gatos no que concerne à ideologia. Há de tudo lá: de neoliberais a socialistas. O que os une é o papo-clorofila, este, sim, considerado inegociável. E é justamente nesse ponto que a coisa pode desandar na conversa com o PSB. Nos estados, digam aí, quem é que vai querer celebrar uma união com o PSB, dando eventualmente um palanque a Campos, mas tendo a turma de Marina a lhe picar o calcanhar? Vale a pena? Vamos ver. O acordo com o governador de Pernambuco foi um lance do lado pragmático de Marina Silva e sua turma. O problema é o lado sonhático.

As dificuldades começam agora. E só estão aí porque a aliança de Marina e Campos segue o padrão das outras. A rigor, caso se leve a sério sua conversa sobre a “velha política”, é menos programática do que qualquer outra.

08/10/2013

terça-feira, 19 de junho de 2012

Luiza Erundina oficializa saída da chapa de Haddad



Em reunião com o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), deputada mantém a posição que antecipou ao site de VEJA, de que não aceita dividir palanque com Paulo Maluf

A deputada federal Luiza Erundina, do PSB, confirmou sua desistência de concorrer como candidata a vice na chapa do candidato do PT, Fernando Haddad.

A decisão foi comunicada ao presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), em reunião em Brasília.

Na útlima segunda, Erundina havia antecipado ao site de VEJA que não aceitaria fazer campanha ao lado do deputado federal Paulo Maluf, presidente estadual do PP, que havia anunciado aliança com o PT.

Erundina e Maluf são inimigos históricos.

A informação foi confirmada pelo presidente estadual da legenda em São Paulo, deputado federal Márcio França.

"Ela disse que não tinha condições de continuar na disputa com essa aliança", afirmou o deputado.

Com a desistência de Erundina, o PSB não pretende indicar um substituto.

Com isso, a vaga de vice na chapa de Haddad ficou vaga, o que aumenta as chances de o PCdoB entrar na aliança.

Assim que soube que Erundina não abriria mão de seus princípios para fazer campanha ao lado de Maluf, Fernando Haddad ligou para os comunistas para avisar da mudança de cenário.

O interlocutor escolhido foi o ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva.

O PCdoB pretendia lançar candidatura própria, com o vereador Netinho de Paula, mas deve desistir para se aliar ao PT.