Política & CiaO palanque da vitória de Haddad (ao microfone): olha o Maluf ali, gente! À esquerda da foto, meio escondidinho -- mas firme com o aliado. Até o Eymael (atrás da mulher de bolsa, casaco bordô e camiseta vermelha) foi papagaio-de-pirata. Estava todo mundo lá
(Foto: Reinaldo Marques)
Por Ricardo Setti
Amigas e amigos do blog, o texto de comentário enviado há pouco pelo amigo do blog Reynaldo-BH é tão primoroso e ao ponto, e expressa em tão bom grau muito do que penso, que decidi compartilhá-lo aqui na coluna.
Então, além de publicá-lo como Post do Leitor, digo também que o plural que o Reynaldo utilizou no título e no início do texto me inclui. Confiram:
Por Reynaldo-BH
Aos que acham que a nossa determinação de se opor ao projeto hegemônico do PT, más notícias: ainda estamos aqui. E vamos continuar.
Algumas notas que chamaram atenção, hoje.
1 – Maluf na festa de anúncio da vitória de Haddad. Todo livre, leve e solto (porque está no Brasil. Se fosse fora, estaria preso pela Interpol).
2 – A imensa curiosidade sobre quais serão os argumentos de defesa do PT para o atual prefeito, Geraldo Kassab, o próximo ministro dos Transportes de Dilma (conforme se le hoje nos jornais)? Quem não serve – segundo o PT – para ser prefeito de uma cidade, está apto para ser executivo em plano nacional?
3 – O agradecimento de Haddad a Lula ANTES de a Dilma. Quebrou o protocolo. Mas expôs a verdade.
4 – Artur Virgílio, em Manaus, e ACM Neto, em Salvador. Dois inimigos (e não adversários) eleitos por Lula como alvo preferencial. O que houve com o gênio estrategista?
5 – Diadema não é mais PT.
6 – Poste por poste, o de Campinas dançou…
7 – No palanque de Haddad, hoje, tínhamos: Marta, Mercadante e Suplicy. Qual será o neo-poste para 2014, em SP, que Lula vai colocar para ser candidato?
Alexandre Padilha?
Até quando o PT ficará cordato com o caudilho?
8 – Quer dizer que Dirceu está absolvido pela vitória de Haddad? É melhor avisar ao quadrilheiro corrupto: ele já está em processo de escolha da nova residência, com grades na janela.
9 – Urna não absolve ninguém. E diz outro: também não condena. De pleno acordo: quem condena é a Justiça.
10 – 32% do eleitorado de SP não votou. Anulou, votou em branco ou não compareceu. É para pensar.
TODOS, sem exceção.
11 — E por fim, qual será o tutor de Haddad (poste admitido) já que o criador está mais interessado na criatura presencial?
Quem vai mandar em Haddad?
Lula vai conseguir ser, simultaneamente, co-presidente e co-prefeito?
Ou vai delegar?
A quem?
Afinal, poste pode até iluminar, mas por si só não serve para nada além que suportar algo que possua luz.
No mais, sorry SP, a coleção aumenta: Maluf, Erundina. Martaxa, Pitta…
Alguma novidade?
(OBS: exceção à Pitta que já não está aqui, TODOS os outros desastres apoiaram o poste. Haverá de ter alguma lógica. Na verdade, TEM!)
29/10/2012
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segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Post do Leitor: “Aos que acham que nossa determinação de se opor ao projeto do PT, más notícias: ainda estamos aqui — e vamos continuar”
terça-feira, 19 de junho de 2012
Luiza Erundina oficializa saída da chapa de Haddad
Em reunião com o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), deputada mantém a posição que antecipou ao site de VEJA, de que não aceita dividir palanque com Paulo Maluf
A deputada federal Luiza Erundina, do PSB, confirmou sua desistência de concorrer como candidata a vice na chapa do candidato do PT, Fernando Haddad.
A decisão foi comunicada ao presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), em reunião em Brasília.
Na útlima segunda, Erundina havia antecipado ao site de VEJA que não aceitaria fazer campanha ao lado do deputado federal Paulo Maluf, presidente estadual do PP, que havia anunciado aliança com o PT.
Erundina e Maluf são inimigos históricos.
A informação foi confirmada pelo presidente estadual da legenda em São Paulo, deputado federal Márcio França.
"Ela disse que não tinha condições de continuar na disputa com essa aliança", afirmou o deputado.
Com a desistência de Erundina, o PSB não pretende indicar um substituto.
Com isso, a vaga de vice na chapa de Haddad ficou vaga, o que aumenta as chances de o PCdoB entrar na aliança.
Assim que soube que Erundina não abriria mão de seus princípios para fazer campanha ao lado de Maluf, Fernando Haddad ligou para os comunistas para avisar da mudança de cenário.
O interlocutor escolhido foi o ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva.
O PCdoB pretendia lançar candidatura própria, com o vereador Netinho de Paula, mas deve desistir para se aliar ao PT.
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domingo, 17 de junho de 2012
Para eleger o novo, Lula junta no palanque do PT a ex-prefeita que expulsou no século passado e um velho conhecido da Interpol
“Luiz Inácio Lula da Silva tem como princípio não ter princípio, tanto moral, ético ou político”, começa o brilhante artigo de Marco Antonio Villa reproduzido na seção Feira Livre.
Homens assim não têm compromisso com o que dizem, berram as estrondosas colisões entre a prática e o discurso da metamorfose malandra. Tem sido assim desde 1975, prova o texto de Villa. Não poderia ser diferente na temporada eleitoral deste ano.
No Programa do Ratinho, por exemplo, Lula invocou no critério da certidão de nascimento para justificar a escolha do candidato do PT à prefeitura de São Paulo.
“Por que o Fernando Haddad?”, levantou a bola o apresentador.
Decidido a acentuar a suposta vantagem dos 51 anos do ex-ministro da Educação sobre os 70 do adversário tucano José Serra, o palanqueiro oportunista aposentou sem anestesia a companheira Marta Suplicy.
“Convivi com a Marta durante trinta anos”, informou. “Era o momento da gente apresentá uma coisa nova pra São Paulo. A população votará no novo porque quer mudança em São Paulo”.
Convidado a subir ao palco pelo apresentador, o candidato recitou com muita aplicação o palavrório ditado pelo principal slogan da campanha: “Um homem novo para um tempo novo”.
E concordou com o chefe: o eleitorado de São Paulo quer ver pelas costas quem já administrou a cidade.
Nesta sexta-feira, Haddad fingiu que nunca esteve no Programa de Ratinho, nem sabe quem é o marqueteiro da campanha, para comunicar oficialmente (sem ficar ruborizado) que a candidata a vice é a deputada federal Luiza Erundina.
Indicada pelo PSB, Erundina foi prefeita de 1989 a 1992. Vai completar 78 anos em novembro.
E ambos se enfiaram na mesma saia justa quando os jornalistas perguntaram se a dupla está satisfeita com a iminente subida ao palanque de Paulo Maluf.
Aos 80 anos, Maluf foi prefeito entre 1969 e 1971, nomeado pelo governo militar, e voltou a ocupar o cargo entre de 1993 a 1996.
Escolheu Celso Pitta para completar a obra e nunca mais conseguiu vencer uma disputa majoritária.
Em troca do apoio a Haddad e Erundina, ganhou um cofre no Ministério das Cidades.
Terá de gastar tudo por aqui: o nome de Maluf figura na lista dos procurados pela Interpol em 188 países.
Como só sabe falar do novo, Haddad perturbou-se quando instado a explicar o súbito apreço pelo aliado octogenário.
Um repórter quis saber como se sentirá ao lado de Maluf.
Resposta transcrita do vídeo gravado pelo UOL: “Olha…veja bem…quando você faz uma composição política, você tem que ter o princípio.
Se você olhar cada partido individualmente, você vai fazer…é…a tua avaliação sobre… é… A, B, ou C”.
Nem Dilma Rousseff chegou a tanto.
Lula não compareceu à festa que juntou duas gerações do PT.
Uma é que expulsou Erundina porque aceitou ser ministra do presidente Itamar Franco.
Outra é que topa qualquer negócio, até com Maluf.
O partido virou rebanho.
Lula continua o mesmo.
O repertório de vigarices é cada vez maior.
Quando não sabe o que dizer, ele agora se recolhe ao Sírio Libanês, perde a voz por dois dias e reaparece com cara de quem não tem nada com isso.
Nunca teve.
16/06/2012
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domingo, 8 de agosto de 2010
Nenhum homem culto prefere ser ignorante, nenhum homem educado sonha com a grosseria, gente honrada não quer conversa com delinquentes.
Por Augusto Nunes
Entre uma lágrima e outra pela perda iminente do empregão, o presidente Lula resolveu queixar-se do Senado que, sob o comando do amigo de infância José Sarney, vêm há anos consumando, com zelo de vassalo interesseiro, todos os serviços sujos encomendados pelo Planalto. E continua criticando obsessivamente Fernando Henrique Cardoso.
Dilma Rousseff, entre uma frase sem final e outra sem começo, tenta dizer que oposição “quer baixar o nível da campanha”.
E desafia José Serra a discutir o passado.
O que espera a oposição para aproveitar essas bolas levantadas pela dupla e partir para a goleada?
A viagem pelo tempo poderia começar em 1969.
O Brasil saberia que Dilma Rousseff jamais renegou a opção pelo stalinismo farofeiro feita na juventude, trocou o PDT de Leonel Brizola (que a qualificou de “traidora”) pelo PT para continuar no secretariado gaúcho e — fora o resto — não tem uma única foto que a mostre numa das incontáveis manifestações em defesa da democracia.
Só aquela em que se fantasiou e Norma Bengell.
E o que espera Serra para uma esclarecedora mirada no retrovisor?
Tanto Lula quanto Dilma precisam ser urgentemente confrontados com os incontáveis momentos vergonhosos que escurecem a trajetória do PT.
Foram resumidos no post publicado em novembro de 2009 sob o título Anotações para uma Reedição da História Universal da Infâmia, que republico sem retoques.
Em novembro de 1984, por não enxergar diferenças entre Paulo Maluf e Tancredo Neves, o Partido dos Trabalhadores optou pela abstenção no Colégio Eleitoral que escolheria o primeiro presidente civil depois do ciclo dos generais.
Em janeiro de 1985, por entenderem que não se tratava de um confronto entre iguais, três parlamentares do PT ─ Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes ─ votaram em Tancredo.
Foram expulsos pela direção.
Em 1988, num discurso em Aracaju, o deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva qualificou o presidente José Sarney de “o grande ladrão da Nova República”.
No mesmo ano, a bancada do PT na Constituinte rejeitou o texto da nova Constituição.
Em 1989, derrotados no primeiro turno da eleição presidencial, Ulysses Guimarães, candidato do PMDB, e Mário Covas, do PSDB, declararam que ficariam ao lado de Lula na batalha final contra Fernando Collor.
Rechaçado de imediato, o apoio acabou aceito por insistência dos parceiros repudiados.
Num comício em frente do estádio do Pacaembu, Ulysses e Covas apareceram no palanque ao lado do candidato do PT.
Foram vaiados pela plateia companheira.
Em 1993, a ex-prefeita Luiza Erundina, uma das fundadoras do partido, aceitou o convite do presidente Itamar Franco para assumir o comando de um ministério.
Foi suspensa e acabou empurrada para fora do PT.
Em 1994, ainda no governo de Itamar Franco, os parlamentares petistas lutaram com ferocidade para impedir a aprovação do Plano Real.
No mesmo ano,transformaram a revogação da providencial mudança de rota na economia, que erradicou a praga da inflação, numa das bandeiras da campanha presidencial.
Entre o começo de janeiro de 1995 e o fim de dezembro de 2002, a bancada do PT votou contra todos os projetos, medidas e ideias encaminhados ao Legislativo pelo governo Fernando Henrique Cardoso.
Todos, sem exceção.
Uma das propostas mais intensamente combatidas foi a que instituiu a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Em janeiro de 1999, mal iniciado o segundo mandato de Fernando Henrique, o deputado Tarso Genro, em nome do PT, propôs a deposição do presidente reeleito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. O lançamento da campanha com o mote “Fora FHC!” foi justificado por acusações, desacompanhadas de provas, que Tarso enfeixou num artigo publicado pela Folha de S. Paulo.
Trecho: Hoje, acrescento que o presidente está pessoalmente responsabilizado por amparar um grupo fora da lei, que controla as finanças do Estado e subordina o trabalho e o capital do país ao enriquecimento ilegítimo de uns poucos.
Alguns bancos lucraram em janeiro (evidentemente, por ter informações privilegiadas) US$ 1,3 bilhão, valor que não lucraram em todo o ano passado!
O que diriam Tarso, Lula e o resto da companheirada se tal acusação, perfeitamente aplicável ao atual chefe de governo, fosse subscrita por alguém do PSDB, do DEM ou do PPS?
Coisa de traidor da pátria, inimigo da nação, gente que aposta no quanto pior, melhor, estariam berrando todos.
“Tem gente que torce pra que tudo dê errado”, retomaria Lula a ladainha entoada há sete anos.
Faz sentido.
Desde a ressurreição da democracia brasileira, a ação do PT oposicionista foi permanentemente orientada por sentimentos menores, miúdos, mesquinhos.
É compreensível que os Altos Companheiros acreditem que todos os políticos são movidos pelo mesmo combustível de baixíssima qualidade.
Desfigurado pela metamorfose nauseante, o chefe de governo não teria sossego se o intratável chefe da oposição ainda existisse.
O condutor do rebanho não tem semelhanças com o Lula do século passado, mas continua ouvindo o som dos balidos aprovadores.
O caçador de gatunos hoje é padroeiro da quadrilha federal.
O parlamentar que recusou a conciliação proposta por Tancredo é o presidente que se reconcilia com qualquer abjeção desfrutável.
O moralizador da República presidiu e abafou o escândalo incomparável do mensalão.
Mas não admite sequer criticas formuladas sem aspereza pelo antecessor que atacava com virulência.
É inveja, grita Lula.
O espelho reflete o contrário.
Nenhum homem culto prefere ser ignorante, nenhum homem educado sonha com a grosseria, gente honrada não quer conversa com delinquentes.
Lula jamais esquecerá que foi derrotado por FHC duas vezes, ambas no primeiro turno.
E sabe que o vencedor nunca inveja o vencido.
08.08.2010
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