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terça-feira, 30 de outubro de 2012

ELEIÇÕES: Secretário do Planejamento da Bahia faz vergonhosas ameaças ao prefeito eleito de Salvador, ACM Neto (DEM), se não se submeter “à liderança” e “condução” do governo petista


 

José Sergio Gabrielli, Secretário do Planejamento do Estado da Bahia (Foto: AE)


Por Ricardo Setti
Amigas e amigos do blog, o secretário do Planejamento da Bahia, José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e candidato à sucessão do governador petista Jaques Wagner, publicou no Facebook um texto com claras ameaças de retaliação financeira — para dizer o menos — contra o futuro prefeito de Salvador, ACM Neto, do oposicionista DEM.

Em alguns países civilizados, o texto de Gabrielli daria processo e, talvez, cadeia.

Aqui, é claro, fica tudo por isso mesmo. Leiam vocês mesmos e julgem o texto, cujo título vai em negrito, abaixo:

Algumas reflexões sobre o dia seguinte a vitória de ACM Neto em Salvador

Os eleitores de Salvador elegeram ACM Neto prefeito. Até aí uma vitória da democracia, pela escolha livre os dirigentes municipais.

E agora?

A Prefeitura Municipal de Salvador tem um orçamento de pouco mais de 4 bilhões e não tem capacidade de financiamento por falta de condições financeiras.

Uma Prefeitura que precisa de obras estruturantes no que se refere a mobilidade urbana, a recuperação da Orla Atlântica e Orla do interior da Baia de Todos os Santos, no Centro Antigo da Cidade, nos bairros mais populosos com a necessidade de expansão de rede de assistência básica a saúde e ampliação da rede municipal de educação.

Uma Prefeitura que precisa ampliar o ordenamento urbano com obras de desafogo dos gargalos do trânsito.

Uma cidade que precisa tratar bem as suas diversas populações e incluir milhares de pessoas nos serviços básicos da cidade.

Uma Prefeitura que precisa dos governos do Estado e da União para realizar parte dessas obras.

Mas os eleitores de Salvador escolheram ACM Neto com os partidos DEM, PSDB, PMDB, PPS e PV, partidos que são ferozes opositores ao governo no plano estadual e federal ou em ambos.

Para implementar os projetos necessários para enfrentar as necessidades de Salvador há de haver uma ação harmônica e equilibrada entre a Prefeitura e os governos do Estado e federal.

Como fazer a integração da Linha 1 do Metro com a Linha Dois que vai até Lauro de Freitas, sem o acordo entre os dois governos?

Como fazer os viadutos e passarelas para melhorar o trânsito da cidade sem a cooperação entre as duas esferas de governo?

Como articular as concessões das novas linhas de ônibus com a alimentação das estações de alimentação do Metro sem que haja um trabalho conjunto entre a PMS e o Governo Estadual?

Como fazer as grandes intervenções programadas no Centro Antigo de Salvador sem a equilibrada cooperação da PMS e governo do Estado?

A questão não é de perseguição ou comportamento não republicano de retaliação ao opositor que ganhou as eleições em um determinado município.

A questão é a realidade difícil de diálogo entre um conjunto de partidos que deliberadamente são de oposição ao governo do Estado, e buscam se legitimar no combate a esse governo, com a necessidade desse governo municipal de aceitar a liderança e condução desses projetos pelo governo estadual, que é o único que tem capacidades financeira e gerencial de gerir as ações desses programas.

Some-se a isso a reação dos movimentos sociais que vão exigir da Prefeitura Municipal de Salvador a aceleração dos benefícios prometidos em campanha e a diversificação das atuações do governo municipal, ameaçando ainda mais a combalida posição financeira do município.

Por cima disso, a nova Câmara de Vereadores pode ser mais um campo de batalha entre o Executivo de Salvador e seu legislativo, com vários temas conflitantes na agenda legislativa.

Frente a esse quadro, os partidos que apoiaram Pelegrino [Nelson Pellegrino, candidato derrotado do PT a prefeito] não dispõem de muita alternativa: só resta a oposição ao novo governo.

Não uma oposição por oposição, mas uma ação que busque ampliar as pressões referentes aos interesses de importantes segmentos da sociedade soteropolitana que não estarão representados na coalizão vencedora, que exija um reconhecimento do papel do governo do Estado na execução e liderança desses importantes projetos para a cidade e uma plataforma de reverberação para as demandas do movimento social que tenderão a estar limitadas pelo ideário dos partidos que ganharam a eleição.

Nesse movimento de conflito e tensão, o governo estadual é o único que tem as condições de implementar vários dos programas previstos.

O novo prefeito precisa levar em conta essa realidade de que o Estado é o principal condutor de muitas da soluções dos problemas para o povo da cidade. Não é do feitio da coligação vencedora com tradição oligárquica e autoritária admitir que tem que reconhecerr a importância e tamanho dos seus adversários.

Espero que o povo de Salvador não sofra por sua escolha!


30/10/2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Post do Leitor: “Aos que acham que nossa determinação de se opor ao projeto do PT, más notícias: ainda estamos aqui — e vamos continuar”


Política & Cia



O palanque da vitória de Haddad (ao microfone): olha o Maluf ali, gente! À esquerda da foto, meio escondidinho -- mas firme com o aliado. Até o Eymael (atrás da mulher de bolsa, casaco bordô e camiseta vermelha) foi papagaio-de-pirata. Estava todo mundo lá

(Foto: Reinaldo Marques)

                                      Por Ricardo Setti

Amigas e amigos do blog, o texto de comentário enviado há pouco pelo amigo do blog Reynaldo-BH é tão primoroso e ao ponto, e expressa em tão bom grau muito do que penso, que decidi compartilhá-lo aqui na coluna.

Então, além de publicá-lo como Post do Leitor, digo também que o plural que o Reynaldo utilizou no título e no início do texto me inclui. Confiram:

 Por Reynaldo-BH

Aos que acham que a nossa determinação de se opor ao projeto hegemônico do PT, más notícias: ainda estamos aqui. E vamos continuar.

Algumas notas que chamaram atenção, hoje.

1 – Maluf na festa de anúncio da vitória de Haddad.
Todo livre, leve e solto (porque está no Brasil. Se fosse fora, estaria preso pela Interpol).


2 – A imensa curiosidade sobre quais serão os argumentos de defesa do PT para o atual prefeito, Geraldo Kassab
, o próximo ministro dos Transportes de Dilma (conforme se le hoje nos jornais)? Quem não serve – segundo o PT – para ser prefeito de uma cidade, está apto para ser executivo em plano nacional?


3 – O agradecimento de Haddad a Lula ANTES de a Dilma.
Quebrou o protocolo. Mas expôs a verdade.


4 – Artur Virgílio, em Manaus, e ACM Neto, em Salvador. Dois inimigos (e não adversários) eleitos por Lula como alvo preferencial. O que houve com o gênio estrategista?


5 – Diadema não é mais PT.


6 – Poste por poste, o de Campinas dançou…


7 – No palanque de Haddad, hoje, tínhamos: Marta, Mercadante e Suplicy. Qual será o neo-poste para 2014, em SP, que Lula vai colocar para ser candidato?

Alexandre Padilha?
Até quando o PT ficará cordato com o caudilho?

8 – Quer dizer que Dirceu está absolvido pela vitória de Haddad? É melhor avisar ao quadrilheiro corrupto: ele já está em processo de escolha da nova residência, com grades na janela.


9 – Urna não absolve ninguém. E diz outro: também não condena. De pleno acordo: quem condena é a Justiça.


10 – 32% do eleitorado de SP não votou. Anulou, votou em branco ou não compareceu. É para pensar.

TODOS, sem exceção.

11 — E por fim, qual será o tutor de Haddad (poste admitido) já que o criador está mais interessado na criatura presencial?

Quem vai mandar em Haddad?
Lula vai conseguir ser, simultaneamente, co-presidente e co-prefeito?
Ou vai delegar?
A quem?
Afinal, poste pode até iluminar, mas por si só não serve para nada além que suportar algo que possua luz.
No mais, sorry SP, a coleção aumenta: Maluf, Erundina. Martaxa, Pitta…
Alguma novidade?

(OBS: exceção à Pitta que já não está aqui, TODOS os outros desastres apoiaram o poste. Haverá de ter alguma lógica. Na verdade, TEM!)

                      
                         29/10/2012