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segunda-feira, 30 de março de 2015

O poste é inseparável do fabricante: Dilma será para Lula o que Pitta foi para Maluf

 
Por Augusto Nunes

Como um punguista de antigamente depois de afanada a carteira da vítima, Lula tenta afastar-se de Dilma Rousseff com cara de paisagem, assoviando um sambinha enquanto caminha nem tão depressa que pareça medo nem tão devagar que pareça provocação. A malandragem deu certo no escândalo do mensalão. O chefão caiu fora da cena do crime e a patente de comandante do bando acabou enfeitando os ombros do subchefe José Dirceu.

Mas não se pode terceirizar o que é pessoal e intransferível: como Rose Noronha, Fernando Haddad e a refinaria Abreu e Lima, por exemplo, a presidente reeleita é coisa de Lula. Lula logo aprenderá que um poste é inseparável de quem o inventou — e um produto de péssima qualidade pode levar seu fabricante à falência política. Dilma Rousseff será para Lula o que Celso Pitta foi para Paulo Maluf.

Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação reiterados pelas usinas de pesquisas, o prefeito Maluf em 1995 e o presidente Lula em 2007 resolveram mostrar que conseguiriam transformar qualquer nulidade em ocupante provisório do trono. Para que os escolhidos cumprissem sem resmungos a missão de guardar o lugar até que o chefe voltasse, constatou um post aqui publicado em 2010, o marajá de São Paulo e o reizinho do Brasil optaram por figuras sem autonomia de voo nem luz própria.

O primeiro pinçou na Secretaria de Finanças do município um negro economista. Ao apresentar o sucessor, repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo. Mas quem arranjou o dinheiro, revelou, foi aquele gênio da raça chamado Celso Pitta. O segundo pinçou na Casa Civil uma mulher economista. Ao apresentar a sucessora, reiterou que foi Lula quem pariu o Brasil Maravilha. Mas quem amamentou o colosso, ressalvou, foi aquela sumidade político-administrativa promovida ao posto de Mãe do PAC.

Obediente a Maluf e monitorado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando platitudes e louvando o criador de meia em meia hora. Como herdaria uma cidade sem problemas, sua missão seria torná-la mais que perfeita com espantos de matar de inveja a rainha da Inglaterra. Grávido de orgulho, o padrinho ordenou aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado fracassasse.

Tutelada pelo marqueteiro João Santana, Dilma percorreu o atallho para o Planalto desconversando em debates e entrevistas, gaguejando frases descartáveis e bajulando o criador a cada 15 minutos. Como lhe cairia no colo um país pronto, caberia à herdeira tocar em frente o pouco que faltava para torná-lo uma espécie de Noruega com praia, mulher bonita e carnaval. Grávido de confiança, o padrinho comunicou ao eleitorado que ele e ela eram a mesma coisa. Votar em Dilma seria a mesma coisa que votar no maior dos governantes desde o Descobrimento.

São Paulo demorou três anos para entender que estava nas mãos do pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, milhões de iludidos escorraçaram Pitta do emprego e atenderam à vontade do seu inventor: nunca mais Paulo Maluf foi eleito para qualquer cargo executivo. O Brasil demorou quatro anos para compreender que, ao conferir um segundo mandato a Dilma Rousseff, ratificara a mais desastrosa opção presidencial de todos os tempos.

Pena que as multidões não tenham acordado algumas semanas mais cedo. Mas enfim despertaram — e despertaram de vez, berra o desmoralizante isolamento do único líder de massas do mundo que só discursa para plateias amestradas. Antes do naufrágio de Alexandre Padilha nas urnas de outubro, Lula caprichou na ironia presunçosa: “De poste em poste estou iluminando o Brasil”.

Padilha afundou a muitas léguas de distância do governo paulista. Fernando Haddad já está com a água pelos cabelos. Dilma Rousseff agita os braços milímetros acima da superfície. Lula não vai escapar do abraço de afogado.

30/03/2015


sexta-feira, 9 de maio de 2014

As pesquisas reforçam a advertência: Dilma Rousseff é o Celso Pitta do Lula

Por Augusto Nunes

dilmapitta
Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação registrados nas pesquisas de popularidade, o prefeito Paulo Maluf em 1995 e o presidente Lula em 2007 resolveram mostrar-se capazes de instalar qualquer nulidade no cargo que ocupavam.

Para que cumprissem sem resmungos a missão de guardar o lugar do chefe, como registrou um post publicado em julho de 2010, os escolhidos deveriam ser desprovidos de autonomia de voo e luz própria.

Quanto mais medíocre, melhor.

Maluf pinçou no secretariado municipal um negro economista. Lula pinçou no primeiro escalão federal uma mulher economista. Ao apresentar o sucessor, o prefeito repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo. Mas quem arranjou o dinheiro foi um gênio da raça chamado Celso Pitta, secretário de Finanças. Ao apresentar a sucessora, o presidente reiterou que foi Lula quem pariu o Brasil Maravilha. Mas quem amamentou o colosso foi uma supergerente chamada Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e Mãe do PAC.

Obediente ao criador e guiado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando platitudes e louvando o chefe de meia em meia hora. Como herdara uma cidade mais que perfeita, restou-lhe embelezá-la com espantos de matar alemão de inveja. Nenhum fez mais sucesso nos programas na TV do que o Fura-Fila, um veículo leve sobre trilhos instalados em viadutos. Grávido de orgulho com o desempenho do poste que fabricara, o padrinho ordenou aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado fracassasse.

Obediente ao criador e tutelada pelo marqueteiro João Santana, Dilma percorreu o circuito eleitoral driblando debates e entrevistas, gaguejando frases descartáveis e bajulando o chefe a cada 15 minutos. Como herdara um país pronto, restou-lhe acrescentar refinamentos que fariam do País do Carnaval uma Noruega com praia, samba e futebol. A campanha eleitoral nem começara quando os primeiros apitos do trem-bala anunciaram a chegada do Fura-Fila de Dilma. Grávido de confiança no poste que esculpira, o padrinho deixou claro que disputava o terceiro mandato disfarçado de Dilma, já conhecida nas lonjuras da nação como a “mulher do Lula”.

São Paulo demorou três anos para descobrir que era governada pelo pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, os iludidos escorraçaram Pitta do emprego e Maluf nunca mais foi eleito para qualquer cargo executivo. Milhões de brasileiros já constataram que a nação é presidida por uma fraude. Os eleitores que ainda não enxergaram a vigarice são suficientemente numerosos para que a pior governante desde o Descobrimento continue a sonhar com um segundo mandato. Mas também sobram motivos para que a oposição acredite – e a última pesquisa Datafolha publicada nesta sexta-feira deixa ainda mais evidente – que uma era pode estar chegando ao fim.

“Volta, Lula!” não é uma palavra de ordem. É um grito de medo.

Não é a senha para a ofensiva.

É um pedido de socorro inútil.

Se a afilhada naufragar, o padrinho não escapará do abraço de afogado.

Dilma Rousseff é o Celso Pitta de Lula.


09/05/2014

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Post do Leitor: “Aos que acham que nossa determinação de se opor ao projeto do PT, más notícias: ainda estamos aqui — e vamos continuar”


Política & Cia



O palanque da vitória de Haddad (ao microfone): olha o Maluf ali, gente! À esquerda da foto, meio escondidinho -- mas firme com o aliado. Até o Eymael (atrás da mulher de bolsa, casaco bordô e camiseta vermelha) foi papagaio-de-pirata. Estava todo mundo lá

(Foto: Reinaldo Marques)

                                      Por Ricardo Setti

Amigas e amigos do blog, o texto de comentário enviado há pouco pelo amigo do blog Reynaldo-BH é tão primoroso e ao ponto, e expressa em tão bom grau muito do que penso, que decidi compartilhá-lo aqui na coluna.

Então, além de publicá-lo como Post do Leitor, digo também que o plural que o Reynaldo utilizou no título e no início do texto me inclui. Confiram:

 Por Reynaldo-BH

Aos que acham que a nossa determinação de se opor ao projeto hegemônico do PT, más notícias: ainda estamos aqui. E vamos continuar.

Algumas notas que chamaram atenção, hoje.

1 – Maluf na festa de anúncio da vitória de Haddad.
Todo livre, leve e solto (porque está no Brasil. Se fosse fora, estaria preso pela Interpol).


2 – A imensa curiosidade sobre quais serão os argumentos de defesa do PT para o atual prefeito, Geraldo Kassab
, o próximo ministro dos Transportes de Dilma (conforme se le hoje nos jornais)? Quem não serve – segundo o PT – para ser prefeito de uma cidade, está apto para ser executivo em plano nacional?


3 – O agradecimento de Haddad a Lula ANTES de a Dilma.
Quebrou o protocolo. Mas expôs a verdade.


4 – Artur Virgílio, em Manaus, e ACM Neto, em Salvador. Dois inimigos (e não adversários) eleitos por Lula como alvo preferencial. O que houve com o gênio estrategista?


5 – Diadema não é mais PT.


6 – Poste por poste, o de Campinas dançou…


7 – No palanque de Haddad, hoje, tínhamos: Marta, Mercadante e Suplicy. Qual será o neo-poste para 2014, em SP, que Lula vai colocar para ser candidato?

Alexandre Padilha?
Até quando o PT ficará cordato com o caudilho?

8 – Quer dizer que Dirceu está absolvido pela vitória de Haddad? É melhor avisar ao quadrilheiro corrupto: ele já está em processo de escolha da nova residência, com grades na janela.


9 – Urna não absolve ninguém. E diz outro: também não condena. De pleno acordo: quem condena é a Justiça.


10 – 32% do eleitorado de SP não votou. Anulou, votou em branco ou não compareceu. É para pensar.

TODOS, sem exceção.

11 — E por fim, qual será o tutor de Haddad (poste admitido) já que o criador está mais interessado na criatura presencial?

Quem vai mandar em Haddad?
Lula vai conseguir ser, simultaneamente, co-presidente e co-prefeito?
Ou vai delegar?
A quem?
Afinal, poste pode até iluminar, mas por si só não serve para nada além que suportar algo que possua luz.
No mais, sorry SP, a coleção aumenta: Maluf, Erundina. Martaxa, Pitta…
Alguma novidade?

(OBS: exceção à Pitta que já não está aqui, TODOS os outros desastres apoiaram o poste. Haverá de ter alguma lógica. Na verdade, TEM!)

                      
                         29/10/2012