quinta-feira, 19 de julho de 2012

Afinal o que você entende por ideologia?







Por Rivadavia Rosa


O que prevalece com relação à ideologia é uma confusão semântica instaurada em nosso mundão midiático. Somente as ideologias totalitárias tem uma solução pronta e acabada de tudo. Apenas para ilustrar as boas ideias formuladas pelo Sr. GERHARD ERICH BOEHME agrego:

Ideologia – ideologiepalavra formada na França na virada do século XVIII para o século XIX, como denominação da teoria do surgimento das ideias das experiências dos sentidos, hoje é tão vaga quanto controvertida.


Na linguagem cotidiana, i.é., em grande parte, sinônimo de “visão de mundo”, “filosofia”, “teoria” e semelhantes, quase sempre com uma conotação negativa, que não se refere apenas à suposta falta de provas de conteúdos afiançados, mas também ao modo como são feitas essas afirmações, que não raro têm traços de intolerância, de fanatismo ou da carência de autocrítica. Com efeito, a problemática de valorização e isenção de valor é central na interpretação do conceito e da causa da ideologia, o que se pode demonstrar nas principais posições filosóficas da compreensão da ideologia.

HISTORICAMENTE
– foi utilizada pela primeira vez na obra Eléments d’Idéologie (1801), de Destutt de Tracy que a define como o estudo científico das ideias, e estas representam o resultado da interação entre o organismo e o meio ambiente. Essa obra trata da formação das ideias por meio dos sentidos, da percepção sensorial.
Uma breve lista das definições de ideologia atualmente em circulação no mercado de ideias:
a) o processo de produção de significados, signos e valores na vida social;

b) um corpo de idias característico de um determinado grupo ou classe social;

c) idéias que ajudam a legitimar um poder político dominante;

d) idéias falsas que ajudam a legitimar um poder político dominante;
e) comunicação sistematicamente distorcida;

f) aquilo que confere uma certa posição a um sujeito;

g) formas de pensamento motivadas por interesses sociais;

h) pensamento de identidade;

i) ilusão socialmente necessária;

j) a conjuntura de de discurso e poder;

k) o veículo pelo qual atores sociais conscientes entendem o seu mundo;

l) conjunto de crenças orientadas para a ação;

m) confusão entre realidade lingüística e realidade fenomenal;

n) oclusão semiótica;
o) o meio pelo qual os indivíduos vivenciam suas relações com uma estrutura social;

p) o processo pelo qual a vida social é convertida em uma realidade natural. [1 – Para um resumo útil dos vários significados de ideologia, ver A. Naess et. al., Democracy, Ideology and Objectivity, Oslo, 1956, p. 143 ss. Ver também Norman Birnbaum, “The Sociological Study of Ideology 1940-1960”, Current Sociology, v. 9, 1960, para um apanhado de teorias da ideologia, de Marx aos dias modernos, e uma excelente biografia.]

Para DURKHEIM (Les régles de la méthode sociologique – 1895) – ideológico é todo conhecimento pré-científico, subjetivista, que não respeita os critérios de objetividade na produção do conhecimento.

Porém, no âmbito do totalitarismo a coisa muda de concepção e objetivo:
Em Marx – o conceito de ideologia é empregado, principalmente, com o sentido de uma falsa consciência da realidade social produzida pelas condições históricas das relações sociais. Em Marx e Engels a ideologia possui dois elementos fundamentais: a) a caracterização de falsidade da ideologia; b) origem social da ideologia e, consequentemente, a determinação social do pensamento por ela produzido.

O conceito de ideologia no pensamento de Marx está relacionado ao papel que a ideologia desempenha nas relações de poder historicamente determinadas, ou seja, a ideologia é um instrumento de dominação no contexto social da luta de classes, utilizado pela classe dominante para produzir uma falsa consciência: a de que os interesses da classe dominante são os interesses de toda a sociedade.


A ideologia, em um sentido mais preciso, é uma distorção na leitura do mundo social relacionada com o ocultamento de uma realidade contraditória e invertida, neste sentido a ideologia mascara as contradições internas da sociedade capitalista, o antagonismo entre as classes, e cria a falsa imagem de que as instituições públicas (o Estado com seus órgãos) representam os interesses da sociedade como um todo.

Marx morto, mas Lênin fundador do totalitarismo soviético amplia parcialmente a linha marxista – definindo a ideologia como concepções da realidade política e social, atreladas aos interesses das classes sociais. Nesse sentido, Lênin defende a ideia da existência de uma ideologia da classe burguesa e uma ideologia da classe dos proletariados. Aqui o conceito de ideologia aparece como um sinal positivo, diferentemente da visão de Marx, cuja característica central da ideologia é a falsidade que ela produz na interpretação do mundo social.

Aí naturalmente com o predomínio do proletariado – temos a “ditadura do proletariado” ou a ditadura “sobre o proletariado”.

Já em Gramsci – influenciado por Lênin também adotou um sentido instrumental para o conceito, buscando a dominação das massas. A ideologia então tem um papel fundamental na construção da hegemonia, ou seja, na produção de uma consciência que assegure a adesão e o consentimento das grandes massas.

Para ele, a ideologia orgânica é uma concepção de mundo presente no direito, na atividade econômica, na arte, cultura em geral ou seja, nas mais variadas formas de manifestação da vida individual e coletiva. Mas a ideologia não é apenas uma concepção de mundo, ela é, também, um fator de motivação de atitudes concretas orientada para a ação.

A ideologia é o solo sobre o qual os indivíduos tomam consciência de sua posição (de classe) e lutam pela hegemonia, resultando, obviamente num vencedor.

Assim, a ideologia em Gramsci deve ser analisada no contexto de seu pensamento. Segundo esse autor, teórico da filosofia da praxis, há uma íntima relação do indivíduo com a natureza e com a história. A liberdade é apresentada como fundamento do momento catártico da praxis e está indissociavelmente ligada à tomada de consciência.


Segundo Gramsci, o Estado é composto por aparelhos dominantes repressivos, tendo em vista que esta instituição política é detentora de forças coercitivas como o exército, a polícia, a magistratura e de uma estrutura burocrática que elabora a legislação e garante sua aplicação. Essas instituições estatais, juntamente com as escolas, igrejas, partidos políticos, meios de comunicação, etc. (denominados aparelhos ideológicos), asseguram o exercício da hegemonia de uma classe social.

Nesse contexto, a luta ideológica enquanto uma das dimensões da filosofia da praxis, pensada estrategicamente pelos intelectuais da classe operária, é o caminho para quebrar o bloco ideológico da burguesia e constituir um novo bloco histórico. E, assim dominar não só o Estado, mas também toda a sociedade, de modo que “democraticamente” implanta-se a ditadura do proletariado.

Nesse desiderato criminoso e insensato as ideologias totalitárias fracassaram (comunismo e nazi-fascismo).

Na realidade, a verdadeira divisão ideológica em nosso glorioso tempo está na LIBERDADE INDIVIDUAL e não nos que a negam, como se o Estado fosse mais importante que o cidadão. A humanidade é o ser humano.

Os que negam a LIBERDADE INDIVIDUAL são os coletivistas, socialistas, comunistas, nacional-socialista (nazi-fascitas); propalam o que chamam de justiça ‘social’, como se a justiça pudesse ser coletiva e não individual; ‘defendem’ a liberdade do povo, a solidariedade, mas somente a partir da ‘liberalidade’ do Estado; crêem que o Partido-Estado (único) é mais importante que o indivíduo; proclamam que somente eles tem sensibilidade, solidariedade ‘social’, decifram, traduzem e ouvem as ‘vozes do povo’ (talvez FREUD, explique); como ‘apóstolos’ de teologia aberrante apregoam a igualdade, antes da liberdade, a (re) distribuição de riqueza sem sua produção, desde que eles sejam os ‘igualadores’ e fiquem com a melhor parte do butim.

Os que se dizem de centro – para serem ‘diferentes’ enveredam para a bipolaridade, como se fosse possível ser parcialmente a favor da PROPRIEDADE PRIVADA.

O coletivista de forma alguma defende a propriedade privada porque é um direito individual; a liberdade natural que têm os indivíduos de ter mais ou menos riqueza que produzem e que é somente dele (depois de extraída a parte do ‘leão’). Quem defende o coletivismo concebe a propriedade como sendo de todos – a chamada propriedade coletiva, que na realidade passa ser do ESTADO-PARTIDO abstratamente e, fisicamente da ‘nomenklatura’.

Os coletivistas com a queda do Muro de Berlim – e colapso do totalitarismo soviético ficaram sem rumo, porém agarrados à tábua da ideologia neo-regressiva totalitária. Os congressos ideológicos socialista na Itália, terminaram sem nenhuma conclusão; tentou-se até a chamada ‘terceira via’, sem sucesso...

Porém, mantiveram a estratégia da fraude ou da ‘lógica’ da ação esquerdista, no rincão latino americano sob a ‘direção do famigerado Foro de São Paulo’:

- evitam questionar-se sobre princípios, valores e fundamentos morais, posto que inspirados no dogma ‘os fins justificam os meios’, e na ideologia ‘professada’ que é essencialmente aética e (a) (i) moral; descaradamente aplicam o ‘princípio da corrupção sistêmica’ instituído pelos ‘pais fundadores do totalitarismo soviético’ (bolchevismo mafioso).

- a luta armada, a guerrilha – mudou apenas de métodos e armas – agora os ‘males’ são o capitalismo, o mercado, a globalização, o que denominam de ‘neoliberalismo’ e, até ademocracia (em minúscula – tal como a concebem e usam, nas ‘democracias populares’).

A ‘democracia’, na visão socialista-comunista não persegue outro fim senão eliminar os obstáculos, conforme proclama o ‘profeta’ Friedrich Engels:

“A democracia seria inteiramente inútil ao proletariado se não fosse imediatamente empregada como meio para obter toda uma série de medidas que ataquem diretamente a propriedade privada e assegurem a existência do proletariado.” (in Princípios do Comunismo)

Abs RR

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