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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Dilma, a gerente omissa



Tão assustadora quanto a bandalheira no Ministério do Esporte é a demora da presidente Dilma Rousseff em pegar a vassoura, mais uma vez, para avançar na limpeza da administração



POR ROLF KUNTZ
O Estado de S.Paulo
Se quisesse, teria tido excelentes motivos para demitir o ministro Orlando Silva há muito tempo.

Errou ao mantê-lo, e erra de novo, agora, ao tratar o escândalo da semana como conflito entre um acusador, o policial João Dias Ferreira, e o ministro.

Esse confronto é só um episódio a mais de uma longa história de irregularidades, iniciada na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As denúncias divulgadas no fim de semana pela revista Veja acrescentaram detalhes importantes àquela história, mas não surpreenderam.

A presidente deveria ser mais cuidadosa ao adotar o discurso da presunção da inocência, recitado numa entrevista na África do Sul.

Em primeiro lugar, critérios desse tipo nunca foram valorizados pelos petistas, quando estavam na oposição.

Acusar sem prova era parte de sua rotina.


No poder, acrescentaram a essa especialidade a elaboração de dossiês falsos.


Em segundo lugar, e este é o ponto mais importante, sobram evidências, há muito tempo, de graves desmandos na área do Ministério.

Não está claro se a presidente ignorava esses fatos ou se os considera irrelevantes.


Qualquer dessas possibilidades é inquietante.

A primeira seria um indício de inaceitável desatenção.

Como chefe da Casa Civil, no governo anterior, e como presidente, a partir de janeiro de 2011, ela deveria ser sempre atenta aos sinais de problemas na administração.

Antes de ser nomeada madrinha do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, a ministra Rousseff já era apresentada como a grande gerente dos investimentos federais.

A partir de 2007, quando o Brasil assumiu a tarefa de preparar a Copa do Mundo, ela deveria ter acompanhado de perto o Ministério do Esporte.

Na Presidência, teria acertado se levasse em conta novos indícios, muito fortes, de falcatruas com dinheiro manejado pelo ministro Orlando Silva.


O Estado publicou neste ano várias denúncias de irregularidades com verbas fornecidas a entidades vinculadas ao PC do B. O material saiu nas edições de 20, 21 e 23 de fevereiro, 15 de abril e 31 de agosto. Um resumo das histórias apareceu no jornal nesta terça-feira. As matérias mostram fornecimento de verbas a entidades fantasmas e financiamentos destinados a ações nunca realizadas. Ou a presidente não lê jornais, ou o clipping destinado a seu gabinete é censurado, ou talvez ela tenha preferido olhar para outro lado.

Órgãos federais de controle, no entanto, ocuparam-se das irregularidades. Em 15 de abril, o Estado noticiou a promessa do Tribunal de Contas da União (TCU) de investigar os convênios firmados com a ONG Bola pra Frente.

A Controladoria-Geral da União (CGU) também se envolveu. De 2006 ao primeiro semestre deste ano, a CGU determinou a devolução de R$ 26,5 milhões aplicados em 67 convênios com problemas, segundo noticiou nessa terça-feira a Folha de S.Paulo.

De acordo com nota do Ministério, os pedidos de devolução refletem o trabalho constante de vigilância e a atenção à lei. Só essa piada bastaria para justificar a demissão do ministro e de sua equipe.

Que vigilância, quando os órgãos de controle apontam irregularidades em 67 convênios?

A preferência a entidades vinculadas a um partido - no caso, o PC do B - já deveria escandalizar qualquer pessoa com algum senso de decência - ou, no mínimo, habituada às boas maneiras. Esses convênios foram expostos em matérias do Estado e na reportagem da Veja.



Além disso, exemplos foram levantados pela organização Contas Abertas, especializada em finanças públicas. De 2006 a 2011, o Instituto de Cultura Ambiental recebeu R$ 5,5 milhões do programa Segundo Tempo.

Seu primeiro tesoureiro é filiado ao partido, assim como o presidente do Instituto Contato, contemplado com "mais de R$ 20 milhões" entre 2007 e 2011.

Já seria notável a existência de tantas ONGs especializadas em educação e, de modo especial, em assistência, por meio do esporte, a crianças carentes.

Mas notável, mesmo, é o número de entidades especializadas em assistência por meio do esporte e vinculadas ao PC do B.

Nenhum desses fatos extraordinários terá jamais feito brilhar uma luz diante dos olhos da presidente Dilma Rousseff?

A briga entre o policial João Dias Ferreira e o ministro Orlando Silva, é bom repetir, é só um dado a mais numa epopeia bandalha.

Se a presidente não agiu há mais tempo, foi porque não quis, porque não se escandalizou ou por uma desinformação digna do Guinness.

Se não se cuidar, será tragada por esse pântano longamente preparado por seu antecessor.

Todas as preocupações de hoje em relação ao custo da Copa do Mundo parecerão ridiculamente pequenas.

 19/10/11

Demissão já!




Por O EDITOR
CoroneLeaks


Há motivos de sobra para demitir o ministro Orlando Silva sem vacilação

Vamos aos motivos?
  1. A Controladoria Geral da União, CGU, está cobrando R$ 49 milhões que foram fraudados do Programa Segundo Tempo. Desde que ele começou, nas mãos do PT, ainda antes do Mensalão, já havia uma imensidão de falcatruas. O ministro não fez nada, absolutamente nada, para corrigir os malfeitos.
  2. ONGS vetadas por fraudes e convênios continuaram sendo beneficiadas. E estas ONGs são ligadas intimamente com políticos e militantes do PCdoB. Basta olhar o Instituto Contato, de Santa Catarina, comandado pelos dirigentes do partido no estado e que teve origem com João Ghizoni, ex-secretário de esportes do ministério, que concorreu ao senado pelo PCdoB nas últimas eleições. Basta olhar a ONG da jogadora Karina, que montou uma máfia em São Paulo, usando laranjas e apoiando prefeituras e candidatos comunistas em eleições.
  3. Entidades que nada tem a ver com esporte para crianças, em turno oposto, que é o foco do Programa Segundo Tempo, receberam caminhões de dinheiro público, não executando os projetos e embolsando o dinheiro. Associações de criadores de cavalo, associações de funcionários de órgãos públicos, clubes de tiro, o que demonstra má gestão, descontrole e irresponsabilidade com dinheiro público.
  4. Houve uma operação da Polícia Federal que mostrou verdadeiros absurdos, envolvendo autoridades, mas o Ministro do Esporte não paralisou o Programa Segundo Tempo. Ao contrário,continuou liberando verbas para entidades sob suspeita e sob investigação, como se nada tivesse ocorrido.
  5. O ministro aparece em vídeos dando apoio a entidades dirigidas por comunistas, membros do seu partido, mesmo depois que elas passaram a estar sob investigação. Dá o seu aval pessoal a caloteiros, fraudadores, ladrões, corruptos, como se não soubesse dos fatos.
Não está provado que o ministro Orlando Silva roubou dos cofres públicos.

No entanto, deixou roubar.

Fechou um olho.

Fez de conta que não sabia.

Permitiu rolar a bandalheira.

Deve ser demitido sem consideração alguma.

No mínimo, por incompetência, desleixo e incapacidade técnica para exercer o cargo.

Os fatos são contundentes.

Como é que este incompetente vai gerir uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, se não consegue controlar meia dúzia de convênios na sua pasta?

Demissão já!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Charge



se sobrar um pouco


Policial vai apresentar provas contra ministro do Esporte






PM diz que gravou conversa
com Orlando Silva
"na calada da noite"




PM que denunciou ministro diz que apresentará provas à Polícia Federal, nesta quinta-feira


Camila Campanerut
e Maurício Savarese
UOL - Em Brasília


Líderes da oposição fizeram uma longa reunião com o PM João Dias Ferreira, que denunciou corrupção no Ministério do Esporte, dirigido por Orlando Silva. Em um trecho de sua conversa, Dias Ferreira também se defendeu:

"Não sou bandido, sou polícia", disse o PM.

João Dias disse que apresentará provas contra o ministro Orlando Silva nesta quinta-feira (20/10),durante depoimento na Polícia Federal.

"Falei agora por uma questão de midia. As denúncias feitas agora têm impacto devido à Copa do Mundo. Foi estratégico, isso", explicou o PM.

"Tenho gravação de uma conversa mantida em reunião, em 2008, na calada da noite. no sétimo andar. O encontro foi entre 21 e 23 horas", revelou o PM.

Em reunião com lideres da oposição no Senado, o PM João Dias afirmou que "está sendo ameaçado e perseguido".

Em outro trecho de sua conversa com os deputados e senadores de oposição, o PM pediu para “que o ministro evite continuar mentindo".

" Não estou aqui para enfrentar oministro. Ele tem liberdade para fazer o que está fazendo...Só não tem o direito de atacar as pessoas. Eu não sou bandido. Sou polícia", disse o denunciante.



Presente à reunião com Joã Dias, o líder do Democratas na Câmara, o deputado ACM Neto (BA), disse que o denunciante "tem provas materias contra o ministro e sua gestão à frente do ME".

O deputado não deu mais detalhes sobre os documentos que o denunciante teria contra o ministro.

A oposição quer que o policial, que já está envolvido em processo de emissão de notas fiscais frias e foi preso na Operação Shaolin, seja convidado a depor na Câmara. Mas os governistas derrubaram o primeiro pedido em uma das comissões da Casa.


ACM Neto disse que Orlando Silva "está jogando para a plateia ao se apresentar a duas comissões da Câmara".

"Nós queremos que o denunciante mostre ao Brasil o que mostrou aos quatro partidos de oposição"
, disse o deputado democrata, sem detalhar as supostas provas da denúncia.

Questionado sobre o fato de ainda não ter apresentado publicamente as provas contra o ministro, João Dias disse: "eu não vivo de política. Preciso me resguardar".

Diante da suposta ameaça, o PSDB encaminhou pedido ao Ministério da Justiça, solicitando proteção policial ao denunciante.

Na época da conversa entre João Dias e Orlando Silva, o ministro do Esporte era o atual governador do DF, Agnelo Queiroz. Orlando era secretário executivo de Queiroz.

Na opinião do líder do governo, Cândido Vacarezza (PT/SP), o depoimento de Orlando Silva "foi sólido e esclarecedor".

Vacarezza disse também que a presidente Dilma Rousseff foi informada da reunião entre os deputados e o ministro do Esporte. " A presidente mantém total confiança no ministro Orlando Silva", disse o deputado.

O ministro Orlando Silva estará no Senado nesta quarta-feira (19/10) em mais uma sessão de defesa contra as mesmas denúncias de corrupção em seu ministério.




 18 de Outubro de 2011

Denúncia contra Orlando Silva


A reportagem foi exibida no "Fantástico" deste domingo (16).


ONG de ex-atleta e vereadora do PCdoB é suspeita de fraudar


De: talesfaria1 

18/10/2011  

PM apresentou provas materiais contra ministro, afirma líder do DEM



Agência Câmara

O líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), afirmou que o policial militar do Distrito Federal João Dias Ferreira, que acusou o ministro do Esporte, Orlando Silva , de cometer irregularidades à frente da pasta, fez há pouco um "depoimento estarrecedor". ACM Neto participou de uma reunião com Ferreira e outros deputados da oposição, mas não entrou em detalhes sobre as acusações contra o ministro.

"Acabamos de encerrar uma audiência com o denunciante.

Eu diria que o depoimento dele é absolutamente estarrecedor, traz detalhes e informações que não constam na imprensa, demonstra a existência de provas materiais inegáveis sobre as denúncias feitas contra o ministro e todo o seu ministério.

Eu entendo que o depoimento dele tem que ser de conhecimento do Brasil, e não de propriedade apenas dos partidos de oposição",
declarou.

ACM Neto pediu a aprovação, por consenso, de um requerimento para ouvir João Dias Ferreira o mais rápido possível e o presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, deputado Sérgio Brito (PSC-BA), anunciou que colocará o requerimento em votação na reunião ordinária de amanhã.

O líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), fez declarações semelhantes às de ACM Neto e anunciou que João Dias Ferreira se dispôs a comparecer à Câmara amanhã para prestar seu depoimento se forem cumpridos os ritos regimentais. Nogueira chegou a afirmar que o policial "teme pela sua vida", declaração que foi ironizada por alguns parlamentares.

A audiência com o ministro Orlando Silva prossegue no Plenário 3.


Já dei um conselho para Landinho e Agnelo:


Baixem a bola que o chumbo é de grosso calibre.
Tem fitas, vídeos e áudios além de um catatau de documentos.

O sujeito não é nenhum bobinho.

Por Manoel Santos 
Ter, 18 de Outubro de 2011  

Fidel e o golpe da revolução operada por outros meios

 
"A mitologia da resistência é uma trapaça ideológica
a emprestar a homicidas compulsivos a dignidade
de utopistas.
 
Hoje, os nossos ‘cubanófilos’ estão empenhados é em assaltar os cofres.

E é bom lembrar:
os ladrões vulgares não desistiram de solapar a democracia"

Artigo: Reinaldo Azevedo


A semente do mensalão está na pistola com que Che Guevara executou um guerrilheiro que roubara um pedaço de pão.

O dossiê dos aloprados foi planejado em Sierra Maestra.

O aparelhamento do estado e a farra dos cartões desfilaram com Fidel Castro em Havana, em 1959. Isso é história de mentalidades, não de nexos pobremente causais.

O assalto ao Erário, à ordem legal e à administração do estado seria apenas a revolução operada por outros meios. Os criminosos precisam dessa mitologia para reivindicar seu exclusivismo moral. É coerente que propagandistas do PT como o arquiteto Oscar Niemeyer, o cantor Chico Buarque e Frei Betto sejam também embaixadores (i)morais da ditadura cubana.

Fidel, vê-se, é uma figura marcante na história do Brasil. A justificativa nada improcedente do golpe militar de 1964 foi impedir a "cubanização" do país. Figuras que transitam neste governo têm sua folha corrida ou sua lenda pessoal ligadas à trajetória do "comandante". José Dirceu, por exemplo, ganhou seu caráter e uma de suas caras treinando guerrilha na Cuba revolucionária.

Há quem jure que nunca deu um tiro.

O sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, que estreou no anticomunismo, aproximou-se do castrismo por razões, acredite!, pragmáticas. Derrotados de 64 forneceram ao dito então "novo sindicalismo" a vértebra política que ele não tinha e lhe emprestaram aquela mitologia da "resistência".

Na versão mítica, os derrotados do comunismo que voltaram do exílio tentariam construir o socialismo recorrendo aos instrumentos que a própria "burguesia" lhes forneceria.

Padres de passeata aspergiram na mistura um pouco da pervertida água benta anticapitalista, e pronto!

Estava criado o PT.

Para quê?

As esquerdas, diz um amigo, não têm uma teologia, só uma demonologia.

Ainda não definiram as virtudes pelas quais lutam, mas têm claros os valores contra os quais conspiram, e o mais importante de seus alvos é a liberdade. O alemão Karl Marx (1818-1883), pai intelectual dos comunistas, tinha certa atração pelo demônio – o próprio filho o chamava de "diabo"; devia ter lá seus motivos.

Em Marx e acólitos, o novo homem se faz da destruição do patrimônio cultural que herdamos, não de uma nova resposta às demandas geradas por essa herança. Por isso o marxismo tentou apagar no "cérebro dos vivos" o "pesadelo das gerações mortas".
Eliminar a memória é condição essencial do totalitarismo.

As revoluções e golpes comunistas sempre foram exímios na destruição de sistemas, mas incapazes de criar alternativas: caracterizam-se por longos processos de depuração, expurgos, retratações e purgações inquisitoriais. Como diria o cubanófilo Chico Buarque, inventaram o pecado, mas não o perdão.

Num ambiente em que se articulam "teologia", "demonologia" e "esquerdas", uma voz autorizada é a de Frei Betto, o mais pio dos nossos "cubanos", eventualmente ímpio, já que é um religioso.

O homem é de uma coragem moral admirável na amizade que mantém com Fidel.

Em seu convicto repúdio ao inferno capitalista, jamais se deixou impressionar por execuções sumárias.

Como diria Padre Vieira (1608-1697), a coragem moral é de Betto, mas o risco é dos outros. Ele já tem seu veredicto: "Não há nenhum sintoma em Cuba de que o país possa retornar ao capitalismo".

Betto esconjura o demônio.

Trata-se da reza macabra habitual: justificar ou ignorar crimes, sejam fuzilamentos ou mensalões, em nome de amanhãs sorridentes.

É o que tem feito outro renitente apologista do comunismo, Oscar Niemeyer, com o peso dos seus 100 anos – a União Soviética não resistiu mais do que 74...


Na carta de renúncia, Fidel citou o arquiteto, afirmando que é preciso "ser conseqüente até o final".

Até o fim de quem?


Ocorrem-me, diante de Niemeyer, as palavras do poeta português Antero de Quental (1842-1891) ao responder a um adversário intelectual: "Levanto-me quando os cabelos brancos de V. Exa. passam diante de mim.

Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas coisas que saem dele, confesso, não me merecem nem admiração nem respeito, nem ainda estima.

A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V. Exa. precisa menos cinqüenta anos de idade, ou então mais cinqüenta de reflexão".

E há Chico Buarque, o terror da propriedade e dos casamentos privados do Leblon.

Sim, a nossa Palas Athena da MPB tem até um retrato no Museu da Revolução de Cuba, tal é a admiração que lhe devota o "comandante".

O povo prefere Nelson Ned e a novela Escrava Isaura.

Entendo: deve identificar o dono da ilha com Leôncio, o bandidão senhor de escravos.

"Chico", essa entidade acima da moral e, quiçá, dos bons costumes, faz lirismo voluntário com o sangue involuntário das vítimas de Fidel. Um talentoso idiota moral.

Boa parte da imprensa não fugiu a esse clima de leniência (ou "leninência": não resisti ao trocadilho, perdoe-me) com o "comandante".

Sua renúncia assanhou as células do ódio à democracia e à economia de mercado. Sob o pretexto da isenção, atribuíram ao facínora uma herança "ambígua".

Num rasgo de covardia intelectual, decretou-se: "Só a história poderá julgá-lo".

Fidel mandou matar em julgamentos sumários 9 479 pessoas. Estima-se que os mortos do regime cheguem a 17 000. Dois milhões de pessoas fugiram do país – 15% dos 13 milhões de cubanos.

Isso corresponderia a 27 milhões de brasileiros no exílio. Ele matou 130,76 indiví-duos por 100 000 habitantes; Pinochet, o facínora chileno, "apenas" 24; a ditadura brasileira, "só" 0,3.

O comandante é 435,86 vezes mais assassino do que os generais brasileiros, que encheram de metáforas humanistas a conta bancária de Chico Buarque.

A história dirá quem foi Fidel?

Já disse!


Permaneceu 49 anos no poder; no período, passaram pela Casa Branca, lá no "Império" detestado por Niemeyer, dez presidentes!

Cadê a ambigüidade?

A mitologia da resistência é uma trapaça ideológica a emprestar a homicidas compulsivos a dignidade de utopistas. Hoje, os nossos "cubanófilos" estão empenhados é em assaltar os cofres.

O problema não está nas duas caras que eles têm, mas na moral que eles não têm. E é bom lembrar: os ladrões vulgares não desistiram de solapar a democracia.

19 de fevereiro de 2011



Governo socorre ministro em perigo com a tese do doutor em bandalheiras sem castigo

  Direto ao Ponto


Único doutor do mundo que não sabe escrever e jamais leu um livro, Lula é também o primeiro da história que só apresentou a tese de doutorado depois de já ter virado doutor.

A Teoria do Casco Duro, concebida para provar a inexistência da figura do suspeito, foi apresentada em 20 de setembro, quando o ex-presidente recebeu na Universidade Federal da Bahia o quinto diploma do gênero.

Depois de examinar a onda de despejos no ministério de Dilma Rousseff, o cérebro baldio concluiu que Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais só perderam o emprego por ignorarem que não há suspeitos no Brasil Maravilha registrado em cartório.

Existem apenas culpados e inocentes.

Culpados são os outros.

Os companheiros são inocentes até a condenação em última instância.

Dependendo da patente, nem depois disso são culpados.


Segundo a tese do doutor em bandalheiras sem castigo, “um político tem que ter casco duro”, sobretudo quando enfiado até o pescoço em ladroagens de grosso calibre.

“Se o político tremer cada vez que alguém disser uma coisa errada sobre ele e não enfrentar a briga para dizer que está certo, acaba saindo mesmo”.

Nessa linha de raciocínio, os quatro despejados voltaram à planície por insuficiência de cinismo.

Deveriam ter persistido na pose de vítima, nas juras de inocência e nas acusações ao acusador.

Se agissem assim, o resto do serviço seria feito por jornalistas estatizados, encarregados de desqualificar o autor das denúncias, e pelos chefes da seita ─ começando pelo presidente da República ─ escalados para a evocação do mantra: ninguém é culpado até o engavetamento do derradeiro recurso.
O comportamento de Orlando Silva tem reafirmado que o ainda ministro assimilou a tese do mestre.
Dilma Rousseff também, atesta o falatório da faxineira de araque em visita à África do Sul.

“Nós não só presumimos a inocência do ministro, como ele tem se manifestado com muita indignação sobre as acusações feitas”, disse a presidente em dilmês castiço.

Depois de ressalvar que “o governo vai continuar acompanhando qualquer denúncia que apareça”, estendeu a Orlando Silva o braço solidário: “Aliás, o ministro pediu investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre as acusações feitas a ele, que considera injustas. Além disso, o ministro se dispôs a ir ao Congresso Nacional, se não me engano, nesta terça-feira, para fazer todos os esclarecimentos que os senhores deputados e senadores quiserem a respeito do assunto”.
É esse o ritual recomendado pelo pai da Teoria do Casco Duro.

O culpado nega os fatos, é afagado pelo voto de confiança da chefe, dispõe-se a abrir o sigilo de contas bancárias que não registram a movimentação de caixas de dinheiro vivo, vai ao Congresso para um sarau com parlamentares cúmplices, é acariciado por elogios dos parceiros do primeiro escalão, repete que é vítima de tramas políticas e que vai aguardar o resultado de sindicâncias feitas pelos amigos do Planalto.

O problema é a que a enxurrada de revelações não para, cresce a náusea dos brasileiros informados e o criminoso acaba devolvendo o cargo. É sempre menos doloroso que devolver o produto do roubo.

No caso de Orlando Silva, é improvável que o espetáculo da desfaçatez se arraste por muitos dias.

Há um himalaia de patifarias a contemplar e histórias mal contadas a esclarecer.

O ministro já está submerso no pântano das pilantragens comprovadas e existem pelo menos duas testemunhas prontas para contar o que sabem.

E nem o maior dos governantes desde Tomé de Souza tem poderes para erradicar em definitivo a figura do suspeito, que sobrevive em todos os dicionários acompanhada de definições que até Lula e Dilma conseguem entender.

Suspeito é aquele que inspira suspeitas, desconfiança; de que não se tem certeza; que suscita dúvidas; duvidoso; de cujas boas qualidades se duvida; que parece esconder defeitos ou vícios; que se deve evitar. A soma desses significados desenha o retrato dos orlandos silvas.

Manter alguém assim no ministério é um tapa na cara do país exaurido pela corrupção endêmica.

A Teoria do Casco Duro é apenas um filhote da impunidade institucionalizada.

E a discurseira em torno da sentença transitada em julgado é implodida pelas seguintes observações do comentarista Franz:

“Não se pode exigir do Poder Executivo a aplicação dos mesmos princípios que regem o Poder Judiciário. Aos gerentes da coisa pública não cabe ‘presumir inocência’, e sim agir e reagir em nome do interesse imediato do estado, diante da constatação e evidência dos fatos. Se cometerem erros, o Judiciário tratará de corrigi-los. Segundo a lei, ministros são demissíveis em qualquer circunstância, mesmo sem prévio processo administrativo. Confrontada com indícios, a presidente pode e deve agir, como faz um dirigente de qualquer empresa privada. Quando a presidente afirma que presume a inocência do ministro, fala como magistrada do Judiciário que não é”.

Franz oferece uma explicação para o palavrório da presidente.

Pode ser uma maneira disfarçada de estar varrendo a sujeira para debaixo do tapete simulando a prática de um ato nobre“.

É isso.


18/10/2011


COMENTÁRIO
E em última análise, penso eu, bem lá no fundo, "além das vistas", o que dá sustentação a esse governo que já deveria ter sido impichado é o poder de chantagem do pinguço.

O sonho democrático foi sequestrado e não estamos dispostos a resgatá-lo, para preservar a vida da vítima.

Mas falta pouco para o convencimento geral de que o jeito é partir para o racha.

Por Ari

Ministro dos Esportes comprou à vista terreno que fica sobre duto da Petrobrás


Se a reportagem de capa da revista Veja desta semana não conseguiu derrubar o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, com certeza esta devastadora investigação da Folha de São Paulo era a pá de cal que faltava para enterrar o ministro do PCdoB.


. Reportagem ou notícia de jornal ou TV que faz a denúncia e mostra as provas materiais e testemunhais, é mais do que arma letal.

. A Folha de São Paulo chegou ao requinte de disponibilizar o mapa da área onde se encontra o terreno que o Ministro Orlando Silva comprou no ano passado por R$ 370 mil e que "coincidentemente" poderá ser desapropriado pela Petrobrás, porque por ali passa um gasoduto.

Terrenos vizinhos já foram desapropriados e existem notícias de que a Petrobrás irá adiante.

O Plano Diretor de Dutos da Petrobrás inclui o terreno na alça de mira da companhia.

O ex-proprietário, um casal belga, tinha começado a conversar com a Petrobrás. A compra foi feita em dinheiro vivo (petistas e comunistas não gostam de usar cheque).


. Ligadíssimo à Petrobrás é outro velho companheiro do Ministro na área, mais especificamente no Conselho Nacional do Petróleo, o histórico comunista baiano Haroldo Lima.

O lugar-tenente de Lima, é o ex-deputado do PCdoB do RS e ex-secretário da Smic (Tarso) denunciado num escândalo sobre advocacia administrativa do qual não se fala mais nada.


. Aliás, a Petrobrás enfiou R$ 30 milhões no programa Esporte & Cidadania, do Ministério dos Esportes.


. O Ministro dos Esportes comprou o terreno em seu nome e da mulher, a atriz Ana Cristina Petta. Petta integra a Companhia do Latão, grupo teatral patrocinado pela Petrobrás.


CLIQUE AQUI
para ler a reportagem completa da Folha de São Paulo, inclusive fotos, mapas e fac similes de documentos.

CLIQUE na foto acima para examinar melhor o local onde fica o terreno do Ministro.

18 de outubro de 2011

Oposições atuam para esvaziar depoimento de Orlando Silva na Câmara e ouvir, no mesmo horário, policial que denunciou esquema. É o certo!

Por Reinaldo Azevedo
Como afirmei ontem, a ida de autoridades ao Congresso para prestar esclarecimentos se transformou em mero ritual do oficialismo.

Já foi o tempo em que mesmo um parlamentar governista obedecia a certas regras do decoro.

Afinal, embora alinhado com o governo, cabe-lhe exercer prerrogativas que são de um Poder da República.

Com o petismo, isso acabou.

O símbolo da subordinação do Legislativo ao Executivo era a agora ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) quando senadora.

Ela participava de CPIs, por exemplo, para desmoralizá-las.

Atuava com a intenção deliberada de nada apurar.

Por isso defendi ontem que os oposicionistas esvaziassem o depoimento do ministro Orlando Silva na Câmara, marcado para a tarde desta terça, para ouvir, no mesmo horário, João Dias Ferreira, o policial que o acusa.

Os líderes da oposição decidiram que o caminho é esse mesmo.

Referindo-se ao depoimento do ministro, afirma Duarte Nogueira (SP), líder do PSDB: “Vai ser um circo armado para abafar o ministro e as acusações que sobre ele pairam”.

Os líderes da oposição se reuniram nesta terça e decidiram recorrer a todos os órgãos de controle e apuração: Procuradoria Geral da República, Comissão de Ética Pública, Controladoria Geral da União, TCU e Polícia Federal.

Parece um bom caminho.


18/10/2011

O ministro tem de sair

Imagem: Abobado

EDITORIAL

O Estado de S.Paulo

Por sua extrema gravidade, não basta que se investigue a fundo a denúncia de que o ministro do Esporte, Orlando Silva, do PC do B, se beneficiou pessoalmente do desvio de recursos do programa Segundo Tempo, criado para promover atividades esportivas com crianças e adolescentes pobres.

O programa foi terceirizado para organizações não governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta - e, claro, dirigidas por gente do partido do ministro.

A acusação, divulgada no fim da semana pela revista Veja, deixou Orlando Silva sem condições de continuar no cargo.
Ele pediu à Polícia Federal que investigue o caso, que certamente acabará nos tribunais. Mas, no âmbito da política, o princípio da presunção de inocência não se aplica nem se pode esperar que sentenças transitem em julgado.

O ministro precisa sair não apenas para não ter a sua autoridade cada vez mais desgastada, que é o que costuma acontecer nessas circunstâncias, mas sobretudo para poupar a presidente Dilma Rousseff de novas atribulações no campo minado da corrupção - bem agora que o Esporte ganhou uma projeção sem precedentes, com os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 no País e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, dois anos depois.

Em fevereiro último uma série de reportagens deste jornal revelou que o Segundo Tempo era uma mina de ouro para o PC do B, graças justamente aos convênios da pasta com entidades ligadas à sigla, realizados sem licitação. Somente em 2010 o aparelhado Ministério desembolsou R$ 30 milhões em transferências - em mais de um sentido - do gênero.

Ao que tudo indica, o contubérnio começou com o antecessor de Orlando Silva, Agnelo Queiroz, que se elegeu governador do Distrito Federal (DF) depois de trocar o PC do B pelo PT.

Comissões de 20% que teriam sido pagas ao partido da foice podem ter somado ao longo da era Lula cerca de R$ 40 milhões.

Mas os "comunistas" não guardavam tudo para si. Teriam ajudado a cobrir gastos da campanha do presidente, em 2006, diz o policial militar (PM) e ex-militante do PC do B João Dias Ferreira.

Em abril do ano passado, ele foi preso na Operação Shaolin, da Polícia Civil do DF, por suspeita de participação no desvio de R$ 1,99 milhão repassado pelo Ministério dos Esportes, mediante dois convênios, à Associação João Dias de Kung Fu.

Ferreira é o principal acusador de Orlando Silva. O ministro alega que o PM se voltou contra ele porque o Ministério pediu ao Tribunal de Contas da União que investigasse os convênios com as suas ONGs e as obrigasse a devolver ao erário R$ 3,16 milhões.

Pode ser.

Mas pode ser também porque o ministro e o partido, diferentemente do que lhe teriam prometido, o deixaram entregue à própria sorte nas investigações da Shaolin.

Não foi a primeira vez, nem será a última, que a vingança acaba expondo os podres do governo e da política.

À Veja, Ferreira confirmou que o Segundo Tempo servia para favorecer correligionários e irrigar as finanças do PC do B - mas a denúncia bombástica foi outra.

Um comparsa do policial, o motorista Célio Soares Pereira, contou ter recolhido dinheiro de quatro entidades ditas sem fins lucrativos que recebiam verba do programa e que o entregou ao ministro Orlando Silva dentro da garagem do Ministério, numa caixa de papelão. "Eram maços de notas de 50 e 100 reais."
Para embolso pessoal ou caixa 2 de partidos, desvios de recursos de convênios entre a administração pública e ONGs de fachada - não raro constituídas para esse fim, instaladas em endereços fictícios, em nome de laranjas - são talvez o maior dos ralos por onde escorre dinheiro do contribuinte.

Como notou ontem no Estado o colunista José Roberto de Toledo, em 2010 o governo destinou R$ 5,4 bilhões a 100 mil ONGs, ante R$ 1,9 bilhão em 2004.

Esses gastos têm crescido mais do que as transferências para Estados e municípios. Ironicamente, de início se esperava que a participação dessas entidades, além de engajar a sociedade na implementação de políticas públicas, ajudaria a combater o burocratismo, o desperdício - e a corrupção.

A leniência do governo Lula com a bandalheira transformou uma colaboração em princípio saudável numa gazua.
Mesmo assim, até agora ninguém tinha acusado um ministro de receber dinheiro vivo de um convênio de promoção social.
18 de outubro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ministro propôs acordo para me calar, diz policial


Ao Estado, João Dias Ferreira contradiz a versão de Orlando Silva sobre o encontro entre os dois


Leandro Colon
O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA. Em entrevista exclusiva ao Estado nesta segunda-feira, 17, o policial militar João Dias Ferreira contradiz a versão do ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), sobre o encontro entre os dois.

Ferreira afirma que Orlando propôs, pessoalmente numa reunião em março de 2008 na sede do ministério, um acordo para que o esquema de corrupção na pasta envolvendo o Programa Segundo Tempo não fosse denunciado.

O ministro diz ter se encontrado com Ferreira apenas uma vez, entre 2004 e 2005, para discutir convênios das entidades dirigidas pelo policial com o ministério
.


Dida Sampaio / AE
O policial militar João Dias Ferreira

Ferreira deu detalhes do encontro que diz ter tido com o ministro do Esporte em março de 2008. "O acordo era para que eles tomassem providências internas, limpassem meu nome e eu não denunciaria ao Ministério Público", afirmou.

"O encontro foi na sala de reunião dele, no sétimo andar do ministério", disse.

Neste encontro, o policial disse que negociou com o ministro a produção de um documento falso para selar o acordo, já que o ministério cobrava cerca de R$ 3 milhões de suas entidades. "Nessa reunião com o Orlando, eles falaram em produzir um documento sem data. Ele foi pré produzido e consagrado. A reunião foi em março , mas eles colocaram um documento com data de dezembro de 2007 dizendo que eu encerrava o convênio. É um documento fraudado", disse.


Duas semanas depois do encontro com Orlando, já em abril, uma nova reunião foi feita no ministério, desta vez sem a presença do ministro.

Essa conversa, segundo o policial, ocorreu numa sexta à noite, e contou com dirigentes da pasta aliados do ministro. Ele diz ter gravado este encontro.

O ministro afirmou no sábado ter encontrado o policial uma só vez entre 2004 e 2005, quando era secretário-executivo da pasta na gestão de Agnelo Queiroz à frente do ministério. "Foi a única vez que encontrei essa pessoa", disse o ministro, em entrevista no México.

Segundo o policial, esse encontro mencionado por Orlando jamais ocorreu.

"Essa reunião que ele diz ter feito comigo nunca aconteceu. Não existe essa reunião. O ministro faltou com a verdade", disse Ferreira.

"O ministro esteve comigo uma vez, em março de 2008, para fazer um acordo com o pessoal dele para eu não denunciar o esquema", disse.


Leia trechos da entrevista que será publicada nesta terça-feira na versão impressa de O Estado:

O ministro Orlando Silva diz que se encontrou só uma vez com você, entre 2004 e 2005, na gestão do ex-ministro Agnelo Queiroz. É verdade?
Essa reunião que ele admite nunca aconteceu. Não existe essa reunião. O ministro faltou com a verdade. Ele esteve comigo uma vez para fazer um acordo com o pessoal dele para eu não denunciar o esquema.

Quando foi essa reunião?

Em março de 2008, estava toda a cúpula. Foi no ministério, no sétimo andar, na sala de reuniões do Orlando

Por que houve essa reunião?


Eles já tinham proposto um acordo e eu disse que só admitia na presença do Orlando para ele homologar. E eu disse na reunião que descobri todas as manobras, a ligação dos fornecedores. Eles começaram a dizer que estávamos irregular a partir do momento que a gente não pagou os 20% iniciais e não admitiu os fornecedores que eles indicaram. Fomos rebeldes.


E o que disse o ministro?


O Orlando disse para eu ficar tranquilo, que tudo seria resolvido, que não faria escândalo. Eu disse, que se isso não fosse feito, eu tomaria todas as providências e denunciaria o esquema. O esquema é padrão, um protocolo, como vocês do Estado mostraram em fevereiro. E apontei, na reunião, cinco funcionários responsáveis pelas fraudes.

E qual o teor do acordo?


O acordo era que eles tomassem providências internas, limpassem meu nome e eu não denunciaria ao Ministério Público. Nessa reunião com o Orlando, eles falaram em produzir um documento sem data. Ele foi pré-produzido e consagrado. A reunião foi março, mas eles colocaram um documento com data de dezembro de 2007 dizendo que eu encerrava o convênio. É um documento fraudado. Eu disse que não concordaria e iria denunciar.
Me acharam com cara de mané.

Esse acordo foi feito na presença do ministro?

Sim. Mas logo em seguida, eles, em vez de resolver o problema, fraudaram um documento dizendo que eu devia dinheiro e jogaram nas minhas costas.

17 de outubro de 2011

Documentos mostram recuo de Ministério do Esporte após pressão do denunciante




Corrupção


Depois de encaminhar à PM provas de irregularidades em convênios firmados por João Dias, ministério recuou para evitar que esquema fosse delatado
Gabriel Castro
João Dias, soldado da Polícia Militar (Cristiano Mariz )

Quando conversou com VEJA para rebater as acusações de que coordenava um esquema de corrupção no Ministério do Esporte, Orlando Silva negou ter cedido a qualquer pressão de João Dias, policial militar filiado ao PC do B que participou das fraudes e agora denuncia o esquema.

Mas a verdade não é exatamente essa.

Documentos obtidos por VEJA comprovam que, em 2008, o ministério recuou após Dias ter ameaçado delatar os desvios na pasta.

Como é Policial Militar, o integrante do PC do B estava ameaçado por uma sindicância interna da corporação, que apurava irregularidades em convênios que entidades ligadas a ele mantinham com o ministério.

A corporação pediu que a pasta de Orlando Silva desse detalhes sobre as irregularidades. Mas, depois de encaminhar à Polícia Militar documentos mostrando fraudes em convênios operados pelo soldado, a pasta pediu à PM desconsiderasse o material enviado anteriormente.

O que aconteceu nos três dias de intervalo entre uma data e outra?

Dias foi ao ministério pressionar para que a situação fosse revertida. Se o envolvido não tivesse nada que pudesse comprometer a cúpula do Esporte, o mais provável é que as ameaças fossem ignoradas.

Mas o policial militar conseguiu o que queria.


No primeiro documento, elaborado com base em uma sindicância feita em janeiro de 2008, o ministério confirma a existência de irregularidades na Federação Brasiliense de Kung Fu e na Associação João Dias de Kung Fu, ambas controladas pelo integrante do PC do B.

A análise que as entidades não executaram os serviços que deveriam.

Por isso, o policial deveria devolver 2 milhões de reais aos cofres públicos.

As principais irregularidades apontadas foram o uso de notas fiscais inválidas para prestar conta dos serviços, o desenvolvimento de projetos por menos tempo do que o acertado, a falta de apresentação de recibo do pagamento de salários e o não-fornecimento de alimentação aos beneficiados pelos programas esportivos desenvolvidos.

O material foi enviado à Polícia Militar em 2 de abril.



Reprodução

A primeira versão:
ministério lista irregularidades cometidas por entidades ligadas a João Dias. As fraudes, apontadas em janeiro, foram reportadas à Polícia Militar no dia 2 de abril

Curiosamente, cinco dias depois, o ministério volta atrás. Pede que o ofício anterior seja desconsiderado.

O motivo alegado: “As entidades solicitaram a este ministério, nesta data, pedido de prorrogação de prazo”. O resultado é que João Dias continua na Polícia Militar até hoje. O episódio comprova o que diz o militante do PC do B: com receio de que o esquema de desvios de recursos em Organizações Não-Governamentais (ONGs) fosse delatado, o ministério se dobrou às exigências feitas pelo soldado.


Reprodução

Segundo ofício: encaminhado cinco dias depois do primeiro documento, o texto pede que a Polícia Militar desconsidere as acusações. A pressão havia funcionado

O recuo do ministério comprova como a pressão de Dias funcionou.

E só funcionou porque a pasta temia o potencial explosivo das revelações que o militante do PC do B poderia fazer.


Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, o ministro Orlando Silva foi abordado sobre o assunto.

Ele disse que não houve "mudança, flexibilização ou recuo do ministério" nesse episódio.

"Não podemos responder por processos administrativos",
afirmou.

Os jornalistas a serviço do Brasil Maravilha só enxergam bandidos fora do rebanho


 Direto ao Ponto


O esforço empreendido por jornalistas a serviço do Brasil Maravilha para poupar da demissão, desviar da polícia e livrar da Justiça o ainda ministro Orlando Silva confirma que a turma é capaz de vender a alma (e dar a mãe de brinde) em respeito às cláusulas do contrato.

Mas o rebanho alugado não é mais desprezível que os jornalistas chapa-branca que não se filiam formalmente ao PT para, invocando a independência inexistente, prestar serviços ao chefe da seita e a seus comparsas com a sabujice incomparável do escravo por opção.

Como acreditar no que diz um bandido?, andam balindo os cronistas da potência imaginária, ecoando a pergunta soprada pelo turista surpreendido pela má notícia durante o passeio em Guadalajara.

Num trecho do texto reproduzido na seção Feira Livre, o jornalista Juca Kfouri liquida a conversa fiada com três interrogações:

“E quem poderia contar as sujeiras promovidas no Ministério do Esporte se não um ex-militante do PCdoB, dono de ONG parceira?

O cardeal de Brasília?

O presidente da OAB?”


Promotores e juízes de Roma e Nova York acreditaram no que disse o mafioso Tommaso Buscetta, preso no Brasil em 1983 e extraditado para a Itália (e depois para os Estados Unidos), sobre as ramificações siciliana e americana da organização criminosa.

Fizeram muito bem: era tudo verdade ─ e todos os chefões denunciados pela ovelha desgarrada acabaram na cadeia.

No fim de 2009, em troca dos benefícios da delação premiada, o vigarista Durval Barbosa entregou à Polícia Federal a coleção de vídeos que mostram em ação a quadrilha liderada por José Roberto Arruda.

O governador do Distrito Federal teve de deixar o emprego.

O bando só não está na gaiola porque isto aqui é o Brasil.


Como Arruda era do DEM, e os jornalistas federais só enxergam corruptos fora do rebanho, nenhum deles duvidou da veracidade das cenas registradas por Barbosa, que também é um caso de polícia.

Assim deve ser com o escândalo denunciado por João Dias Ferreira.

A folha corrida do acusador não invalida as provas que está disposto a apresentar ─ e que exigem aos berros a imediata punição do acusado.

17/10/2011

A centralização do escândalo

Novo escândalo envolvendo verbas federais, agora para o esporte.

Quero chamar a atenção para um aspecto menos visível nesses reiterados casos de corrupção que diz respeito mesmo à organização do estado brasileiro – ou à sua desorganização.
 

Por joseserra

Reparem que o imbróglio envolve recursos federais alocados pelo próprio ministério para pequenos projetos locais, municipais ou inframunicipais.


Um programa como esse “Segundo Tempo” deveria, obviamente, ser de caráter municipal ou, no máximo, estadual.

Bastaria o governo federal entregar os recursos para as outras esferas de governo e, naturalmente, estabelecer algum tipo de controle sobre sua aplicação.

Poderia até fixar uma certa contrapartida dos estados e municípios – governadores e prefeitos aceitariam fazê-lo, com grande facilidade.

Isso não evitaria, por si, desvios e propinas, mas os dificultaria, sem dúvida, em razão de um cruzamento de controles feitos por esferas distintas. Haveria, ao menos, mais fiscalização e, estou certo, mais eficiência.

A descentralização saiu de moda no Brasil. Historicamente, a ela sempre tenderam a resistir os parlamentares federais, pois a centralização lhes permite atuar como facilitadores da liberação de recursos para programas que são do interesse da população.

Mesmo os parlamentares sérios, que não estão em busca de propinas, acabam condescendendo com esse modelo.

Nos anos oitenta, surgiram forças políticas que fizeram da descentralização uma bandeira e uma prática, a exemplo de Franco Montoro e José Richa, quando governaram, respectivamente, São Paulo e Paraná e, depois, na Constituinte.

Foi essa tradição que Fernando Henrique seguiu na Presidência da República. Nos bons tempos, essa chegou a ser uma bandeira do PSDB.

Mas a gestão federal petista fez tudo ao contrário: recentralizou ao máximo as ações apoiadas pelo governo federal, na ânsia de manipular e obter faturamento político-eleitoral.

Mais ainda: a centralização facilita o loteamento da administração federal, pois fortalece, abre ou cria novas áreas de domínio para oferecer aos parceiros nas lambanças.

Ou por outra: o governo acaba se tornando uma central de corrupção.
17/10/2011