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quinta-feira, 20 de outubro de 2011




Lula foi chefe de governo e de um bando

Em janeiro, só deixou de chefiar o governo
Foi Lula quem propôs a Dilma Rousseff a permanência de Orlando Silva e Wagner Rossi, a nomeação de Antonio Palocci, a recondução de Alfredo Nascimento e a anexação do Ministério do Turismo ao latifúndio de José Sarney, um Homem Incomum.


Dilma conhecia todos muito bem.

(“Melhor que eu”, disse Lula mais de uma vez).

Apesar disso, ou por isso mesmo, a sucessora convocou os cinco prontuários para o primeiro escalão.

Proposta de chefe é ordem.

Quando se descobriu que o estuprador de contas bancárias também é traficante de influência, o ex-presidente baixou em Brasília para assumir o comando da contra-ofensiva dos pecadores. Como a mão estendida a Palocci acabou num abraço de afogado, foi para o exterior ganhar dinheiro com o ofício que inaugurou: é o único palestrante do mundo que cobra 100 mil dólares para repetir durante 40 minutos o que sempre disse de graça.

Escaldado pelo fiasco, o protetor de bandidos de estimação passou a agir sem dar as caras na cena do crime.

Se dependesse dele, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais ainda estariam infiltrados na Esplanada dos Ministérios.


Nesta terça-feira, numa conversa por telefone com Orlando Silva, Lula disse ao ministro pilhado em flagrante que os quatro despejados continuariam no emprego se tivessem seguido à risca as prescrições da Teoria do Casco Duro.

E recomendou ao companheiro que resista no cargo ao aluvião de provas e evidências.

O Código Penal, normas éticas, valores morais, o sentimento da honra, pudores, vergonha ─ nada disso tem importância para o inventor do Brasil Maravilha.

Lula só consegue enxergar duas espécies de viventes: os integrantes da seita que conduz e o resto.

Os primeiros são absolvidos liminarmente de todos os crimes que cometem e das abjeções que protagonizam. Os outros são inimigos ─ e como tal devem ser tratados.

O informante do Caso Watergate que ficou famoso como Deep Throat avisou que a dupla de repórteres do Washington Post chegaria à verdade caso seguisse o dinheiro.



Para chegar-se à fonte da impunidade que afronta o Brasil decente, basta seguir os afilhados em apuros.

Todos levam ao mesmo padrinho.

Durante oito anos, Lula acumulou a chefia do governo e a chefia de um bando. Em janeiro, só deixou de chefiar o governo.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Governo socorre ministro em perigo com a tese do doutor em bandalheiras sem castigo

  Direto ao Ponto


Único doutor do mundo que não sabe escrever e jamais leu um livro, Lula é também o primeiro da história que só apresentou a tese de doutorado depois de já ter virado doutor.

A Teoria do Casco Duro, concebida para provar a inexistência da figura do suspeito, foi apresentada em 20 de setembro, quando o ex-presidente recebeu na Universidade Federal da Bahia o quinto diploma do gênero.

Depois de examinar a onda de despejos no ministério de Dilma Rousseff, o cérebro baldio concluiu que Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais só perderam o emprego por ignorarem que não há suspeitos no Brasil Maravilha registrado em cartório.

Existem apenas culpados e inocentes.

Culpados são os outros.

Os companheiros são inocentes até a condenação em última instância.

Dependendo da patente, nem depois disso são culpados.


Segundo a tese do doutor em bandalheiras sem castigo, “um político tem que ter casco duro”, sobretudo quando enfiado até o pescoço em ladroagens de grosso calibre.

“Se o político tremer cada vez que alguém disser uma coisa errada sobre ele e não enfrentar a briga para dizer que está certo, acaba saindo mesmo”.

Nessa linha de raciocínio, os quatro despejados voltaram à planície por insuficiência de cinismo.

Deveriam ter persistido na pose de vítima, nas juras de inocência e nas acusações ao acusador.

Se agissem assim, o resto do serviço seria feito por jornalistas estatizados, encarregados de desqualificar o autor das denúncias, e pelos chefes da seita ─ começando pelo presidente da República ─ escalados para a evocação do mantra: ninguém é culpado até o engavetamento do derradeiro recurso.
O comportamento de Orlando Silva tem reafirmado que o ainda ministro assimilou a tese do mestre.
Dilma Rousseff também, atesta o falatório da faxineira de araque em visita à África do Sul.

“Nós não só presumimos a inocência do ministro, como ele tem se manifestado com muita indignação sobre as acusações feitas”, disse a presidente em dilmês castiço.

Depois de ressalvar que “o governo vai continuar acompanhando qualquer denúncia que apareça”, estendeu a Orlando Silva o braço solidário: “Aliás, o ministro pediu investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre as acusações feitas a ele, que considera injustas. Além disso, o ministro se dispôs a ir ao Congresso Nacional, se não me engano, nesta terça-feira, para fazer todos os esclarecimentos que os senhores deputados e senadores quiserem a respeito do assunto”.
É esse o ritual recomendado pelo pai da Teoria do Casco Duro.

O culpado nega os fatos, é afagado pelo voto de confiança da chefe, dispõe-se a abrir o sigilo de contas bancárias que não registram a movimentação de caixas de dinheiro vivo, vai ao Congresso para um sarau com parlamentares cúmplices, é acariciado por elogios dos parceiros do primeiro escalão, repete que é vítima de tramas políticas e que vai aguardar o resultado de sindicâncias feitas pelos amigos do Planalto.

O problema é a que a enxurrada de revelações não para, cresce a náusea dos brasileiros informados e o criminoso acaba devolvendo o cargo. É sempre menos doloroso que devolver o produto do roubo.

No caso de Orlando Silva, é improvável que o espetáculo da desfaçatez se arraste por muitos dias.

Há um himalaia de patifarias a contemplar e histórias mal contadas a esclarecer.

O ministro já está submerso no pântano das pilantragens comprovadas e existem pelo menos duas testemunhas prontas para contar o que sabem.

E nem o maior dos governantes desde Tomé de Souza tem poderes para erradicar em definitivo a figura do suspeito, que sobrevive em todos os dicionários acompanhada de definições que até Lula e Dilma conseguem entender.

Suspeito é aquele que inspira suspeitas, desconfiança; de que não se tem certeza; que suscita dúvidas; duvidoso; de cujas boas qualidades se duvida; que parece esconder defeitos ou vícios; que se deve evitar. A soma desses significados desenha o retrato dos orlandos silvas.

Manter alguém assim no ministério é um tapa na cara do país exaurido pela corrupção endêmica.

A Teoria do Casco Duro é apenas um filhote da impunidade institucionalizada.

E a discurseira em torno da sentença transitada em julgado é implodida pelas seguintes observações do comentarista Franz:

“Não se pode exigir do Poder Executivo a aplicação dos mesmos princípios que regem o Poder Judiciário. Aos gerentes da coisa pública não cabe ‘presumir inocência’, e sim agir e reagir em nome do interesse imediato do estado, diante da constatação e evidência dos fatos. Se cometerem erros, o Judiciário tratará de corrigi-los. Segundo a lei, ministros são demissíveis em qualquer circunstância, mesmo sem prévio processo administrativo. Confrontada com indícios, a presidente pode e deve agir, como faz um dirigente de qualquer empresa privada. Quando a presidente afirma que presume a inocência do ministro, fala como magistrada do Judiciário que não é”.

Franz oferece uma explicação para o palavrório da presidente.

Pode ser uma maneira disfarçada de estar varrendo a sujeira para debaixo do tapete simulando a prática de um ato nobre“.

É isso.


18/10/2011


COMENTÁRIO
E em última análise, penso eu, bem lá no fundo, "além das vistas", o que dá sustentação a esse governo que já deveria ter sido impichado é o poder de chantagem do pinguço.

O sonho democrático foi sequestrado e não estamos dispostos a resgatá-lo, para preservar a vida da vítima.

Mas falta pouco para o convencimento geral de que o jeito é partir para o racha.

Por Ari