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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Alckmin vai processar Siemens por cartel dos trens



Governador afirmou que se ficar comprovada participação de agentes públicos no esquema eles também sofrerão processo

Por Felipe Frazão
Veja.com


Cartel agiu em licitações da CPTM e do Metrô de São Paulo e do DF
(Alexandre Tokitaka)

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou nesta tarde que vai processar a empresa alemã Siemens pela formação de cartel na licitação para disputar concorrências do Metrô e da CPTM no estado.

O esquema de acordo entre empresas teria lesado os cofres públicos, ao causar um superfaturamento das licitações. "Ela [Siemens] vai indenizar centavo por centavo", afirmou o governador.

O anúncio ocorre um dia depois de a Justiça Federal ter autorizado o acesso formal do governo à investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do Ministério da Justiça, sobre a delação da própria Siemens do esquema.

Alckmin disse que somente a Siemens será acionada para indenizar os cofres públicos, porque ela foi "ré confessa". O valor pedido ainda será avaliado.

A Procuradoria-Geral do Estado vai entrar com ação civil de reparação na Justiça Estadual. "A Siemens foi chamada por duas vezes e não quis colaborar", disse Alckmin.

O governador afirmou que se ficar comprovada participação de agentes públicos eles também sofreram processo. A Corregedoria estadual já iniciou uma apuração interna.

A mesma medida será tomada contra demais empresas que tenham provado seu envolvimento no esquema, afirmou Alckmin.

No anúncio, Alckmin também alertou outros governadores e o governo federal para que investiguem ocorrências semelhantes em suas licitações.

Segundo ele, recentemente, o governo federal assinou contrato para a compra de trens para os metrôs de Porto Alegre e de Belo Horizonte em concorrências nas quais participou apenas um consórcio, ora comandado pela Alstom, ora pela CAF – ambas empresas suspeitas de formarem cartéis.

13 de agosto de 2013

Nesta quarta, haverá petistas, Passe Livre, black blocs e Mídia Ninja nas ruas de SP. Lula deu o comando: Alexandre Padilha precisava entrar no jogo



Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Apedeuta da Silva esteve num encontro do PT do Interior (de São Paulo), que ocorreu na sexta e no sábado passados, em Bauru.

Foi o lançamento não oficial da candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo do Estado de São Paulo.

Regozijando-se com as denúncias sobre a formação de cartel, exultante mesmo, feliz a mais não poder, Lula — este monumento à ética da política pátria — comemorou com Padilha: “Você entrou no jogo!”.

Ora, isso remete ao começo de tudo, não é mesmo?

Vamos lembrar um tantinho.

As primeiras manifestações violentas, cujo pretexto era o reajuste da passagem de ônibus, se deram em São Paulo, reunindo meia dúzia de gatos-pingados.

Os protestos sempre foram caracterizados por uma incrível truculência e por provocações deliberadas dirigidas contra os policiais militantes, em particular contra a tropa de choque.

Agora sabemos de tudo.

Os black blocs já estavam lá.

A tal Mídia Ninja, do grupo petista Fora do Eixo, já estava lá.

A baderna, o quebra-quebra, a busca de confronto com a PM, todos esses atos eram deliberados.


O resto é história, que já contei aqui muitas vezes. O que interessa é deixar isto registrado: o intuito era mesmo provocar a bagunça em São Paulo, de olho já nas eleições.

O tiro acabou saindo pela culatra — e, sobre isso também escrevi dezenas de textos.

A desordem não se instalou por aqui, e o governador Geraldo Alckmin acabou com a imagem menos arranhada do que a da própria presidente Dilma Rousseff.

Urgia fazer alguma coisa.

E, tchan, tchan, tchan!!!

Eis que surgem os vazamentos da investigação dita “sigilosa” que se dá no Cade sobre a formação der cartel, com base num acordo de leniência firmado pela Siemens com o órgão federal e com o Ministério Público.

Como deixam claros os documentos, as suspeitas não recaem apenas sobre São Paulo, não.

Mas, por alguma razão, os ditos “executivos” parecem ter se esmerado em fornecer e-mails que comprometem só o estado.

Pois é!

A Siemens, não obstante, é a maior fornecedora da área de energia para o governo federal.

Mas esse não é eixo deste texto (há outros posts a respeito).

Lula sempre oportuno
Lula, como sempre, diz coisas oportunas. Era preciso pôr Alexandre Padilha no jogo, certo?

Lá no governo federal, ninguém se conforma com o fato de que um aliado importante, como Sérgio Cabral, teve a reputação calcinada pelos protestos.

Em São Paulo, não se deu o mesmo. Então os companheiros decidiram que era chegada a hora de promover o baguncismo por aqui também.

Assim, o Passe Livre — um dos aliados barulhentos do PT nas eleições de 2010 e 2012 — decidiu marcar uma manifestação de protesto para esta quarta-feira.

O PT, claro, aderiu.

Trata-se, de fato, de uma parceria.

E, podem esperar, em casos assim, aparecem os black blocs e seus porta-vozes oficiosos: a Mídia Ninja, aquela gente que pertence ao tal “Fora do Eixo”, de Pablo Capilé.

Mais uma vez, a tática será a mesma: tentar promover o caos na cidade com o objetivo de atingir a reputação do governo do estado.
Afinal, como disse Lula, Alexandre Padilha precisava “entrar no jogo”.
13/08/2013

Charge





Amarildo

Procuradoria suspeita de ação do cartel de trens em licitações federais



Karen Kahn, do Ministério Público Federal, afirmou que há indícios de acordos ilícitos entre empresas em contratos da CBTU ou em processos licitatórios que contaram com verbas da União

Bruno Ribeiro, Fausto Macedo e Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo

O Ministério Público Federal (MPF) vê indícios de que o suposto esquema de cartel nas obras do Metrô de São Paulo tenha atuado também em licitações federais envolvendo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

A afirmação foi feita nesta segunda-feira, 12, pela procuradora da República em São Paulo Karen Louise Jeanette Kahn, responsável pela investigação do caso na área federal.

Algumas da principais empresas investigadas no caso mantêm e mantiveram contratos com a estatal federal, vinculada ao Ministério das Cidades, desde 1998 até agora. “Há vários contratos (federais) também. Há possíveis outros cartéis em âmbito federal. Aqui estamos falando, via de regra, em cartéis estaduais com efeito na esfera federal, crime de evasão. Envolve recursos da União”, disse Karen.

Em seguida, questionada especificamente sobre a CBTU, ela disse: “A CBTU tem alguns possíveis envolvimentos. Isso depende da análise das provas. A gente tem a suspeita”.
12 de agosto de 2013

A Siemens é uma das principais fornecedoras da Eletrobras; o que diz o “acordo de leniência” a respeito? Coisa para o jornalismo investigativo, não apenas “vazativo”


Por Reinaldo Azevedo

Ou bem o acordo de leniência firmando pela Siemens com o Cade e o Ministério Público Federal vem a público, ou, não se duvide, estamos diante de uma operação típica, sim, de estados policiais.

O MP diz agora que há a suspeita de que o cartel das empresas liderado pela Siemens operou em todo o Brasil.

É mesmo, é? Lembrei num texto desta madrugada que a política de “compliance” da gigante alemã, como reza a nota da própria empresa no Brasil, é de alcance mundial. Isso quer dizer que práticas heterodoxas se espalham mundo e Brasil afora. Vai ver os petistas resistiram, né? Ora, ora, ora…

Eu não faço jornalismo investigativo. Investigo só ideias e advérbios de modo. Mas lembro aos coleguinhas que, com justiça, se orgulham de seu trabalho escarafunchador: as compras para o sistema Eletrobras têm tudo para ser o calcanhar de Aquiles federal.

A Siemens é uma das maiores fornecedoras do sistema. A Alstom é outra. Com quem trabalham Furnas, Eletronorte etc.? O acordo de leniência feito se refere também aos contratos com essas empresas? Também eles foram recolhidos?

Os vagabundos a soldo de estatais sugerem que estou a dizer que nada de errado houve em São Paulo.

Uma pinoia!

Quero conhecer, e isso é hoje imperioso se não se quer usar o estado democrático e de direito para fraudar o direito e a democracia, os termos do acordo de leniência e saber quais contratos da Siemens no Brasil foram, afinal de contas, alvo de investigação.

A quanto remonta a negociação de órgãos vinculados ao governo federal com a Siemens e outras gigantes do setor? Creio que o sistema de “compliance” da multinacional, de alcance mundial, supõe a sua subordinação às leis do país e à necessária transparência, não ao projeto de poder e à agenda eleitoral de um partido político.

Eis um bom trabalho para o jornalismo investigativo. Afinal, o que se chama “investigação”, até agora, é só fruto dos vazamentos industriados promovido pelo “CadeLeaks”, que obedecem a um mal disfarçado cronograma eleitoral — o que, obviamente, não escapou à moral e aos olhos sempre atentos de Luiz Inácio Lula da Silva (já falo a respeito em outro post). Urge saber em que termos se celebrou o tal acordo.

A Siemens já emitiu uma nota sobre as investigações. É pouco. A essa altura, é evidente que o caso se transformou num instrumento de luta política. Não basta dizer que está colaborando com as investigações. Apontem uma boa razão para que o suposto cartel tenha agido só em São Paulo e Brasília.

Um novo caso Delta?

Não sei, não…

Há um cheiro de novo Caso Delta no ar.

A que me refiro?

Quando estourou o escândalo envolvendo Carlinhos Cachoeira, que liquidou, e por justos motivos, com a carreira do então senador Demóstenes Torres, o PT logo se apresou em criar uma narrativa que atingiria algumas figuras da oposição e a própria imprensa. Armou-se uma CPI.

Passado algum tempinho, eis que se descobriu que Cachoeira tinha duas faces: uma era a do explorador de jogos ilegais — o bicheiro eletrônico —, a outra era a de testa de ferro da Delta no Centro-Oeste.

E a Delta, ora vejam, era a empreiteira que mantinha os maiores contratos com o governo federal e seus aliados.

O escândalo, preparado para promover uma razia nos partidos de oposição e na imprensa, estourou no quintal do PT e do PMDB, na sua versão cabralina. A CPI que prometia dar à luz uma montanha nem mesmo pariu ratos. Preferiu escondê-los e protegê-los.

A pauta da hora é esta: qual é valor dos contratos que a Siemens — e as outras gigantes acusadas de formação de cartel em São Paulo — mantém com o governo federal, em especial com a Eletrobras, e o que o acordo de leniência diz a respeito?

Os chamados ex-executivos que “colaboram” com a investigação foram convidados a apresentar documentos também sobre esses contratos, ou o Cade e o Ministério Público só se interessaram por contratos com São Paulo e com o Distrito Federal?

As democracias fazem valer a lei doa a quem doer.

Os bolivarianos fazem valer a lei apenas para os “inimigos”.

13/08/2013

PT e PSDB acenam com guerra de CPIs no Congresso


Tucano defende investigação sobre Petrobras; petistas avaliam se pedirão apuração sobre cartel

Chico de Gois e Isabel Braga
O GLOBO

Senadores tucanos Aloizio Nunes Ferreira e Álvaro Dias protocolaram requerimento para ouvir João Augusto Henriques sobre denúncia de repasses da Petrobras ao PMDB
Ailton de Freitas / O Globo

BRASÍLIA – A revelação do lobista e ex-funcionário da Petrobras João Augusto Henriques de que havia um esquema de corrupção na estatal, que beneficiava o PMDB e ajudou, com caixa dois, a campanha da presidente Dilma Rousseff, provocou um bate-boca entre integrantes de PSDB e PT, nesta segunda-feira, no plenário do Senado. Enquanto tucanos falam em criar a CPI da Petrobras e convocar o denunciante, petistas agem da mesma forma, mas com outro alvo: as denúncias de que empresas formaram um cartel em São Paulo, sob administrações tucanas, para atuar no metrô e na empresa de trens urbanos do estado.

No entanto, a decisão desta segunda-feira do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), de instalar duas novas CPIs tornou mais difícil a criação da CPI da Petrobras, que já tem requerimento na Casa com as assinaturas necessárias. Uma suposta comissão do caso Siemens, que nem pedido tem, é ainda mais remota.

No Senado, os tucanos Álvaro Dias (PR) e Aloysio Nunes Ferreira (SP), líder da bancada, protocolaram, na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle, um requerimento de convocação de Henriques, para que ele explique as acusações veiculadas pela revista “Época” desta semana. Da tribuna, Dias acusou a Petrobras de agir politicamente e de apresentar sucessivos prejuízos, e vinculou as novas denúncias ao mensalão:

— Se essas denúncias forem confirmadas, o mensalão está mais presente do que nunca na administração federal, como consequência deste sistema promíscuo instalado em Brasília há 12 anos, com o objetivo de cooptar forças políticas. Trata-se de um sistema que instala um balcão de negócios para lotear cargos públicos e se torna a matriz de governos incompetentes, abertos à corrupção — disse Dias, lembrando que em 2009 o PSDB propôs uma CPI para apurar denúncias de irregularidades na Petrobras, abafada pelo governo.

Bancada do PT se reúne nesta terça-feira

As afirmações do tucano irritaram o senador Humberto Costa (PT-PE), que pediu um aparte. Ele disse que o PSDB deveria se preocupar também em esclarecer as acusações de que a Siemens e outras empresas teriam feito um cartel para ganhar licitações em São Paulo, pagando propinas a servidores estaduais. Nesta terça-feira, a bancada do PT se reunirá para avaliar se propõe uma CPI da Siemens.

— Queria recomendar a Vossa Excelência, já que exerce com tanta correção o papel como senador, que estenda essa convocação, por exemplo, ao senhor Adilson Primo, que foi presidente da Siemens do Brasil durante muitos anos e sabe de muitas coisas sobre esse escândalo que, supostamente, envolveria cinco grandes empresas multinacionais, agentes públicos de São Paulo ou mesmo integrantes do governo de São Paulo. Poder-se-ia trazer a Bombardier. Poder-se-ia convocar o Cade para aqui vir falar sobre esse episódio. Digo isso por entender que, quando queremos colocar um país a limpo, é necessário que se coloque como um todo.

Na Câmara, o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL) conversou com Henrique Alves sobre a CPI da Petrobras. Apresentado em 16 de maio pelo deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), e com o apoio de 52 peemedebistas, a CPI já encontrava um caminho difícil, porque havia outras 15 na fila de espera. Na Câmara, só podem funcionar cinco CPIs ao mesmo tempo; duas já estão em funcionamento, e Alves instalou mais duas nesta segunda-feira (Ecad e trabalho infantil).

Há, porém, uma alternativa regimental para a CPI da Petrobras: aprovar em comissões e no plenário um projeto de resolução para furar a fila.

— A fila pode ser furada (com projeto de resolução), se houver interesse político — disse Quintela.

Segundo a denúncia de João Henriques à “Época”, o esquema de propina na diretoria internacional da Petrobras atendia aos interesses dos peemedebistas de Minas. Quintão, que teve a ideia da CPI da Petrobras em maio, estaria agora constrangido. Procurado, não retornou ao GLOBO. Por meio de sua assessoria disse que mantém o apoio à CPI.

12/08/13 

Preparem-se: as mentiras deles estão só começando.




Uma das marcas desta década de petismo à frente do governo federal é sem dúvida a institucionalização da mentira como instrumento do embate político.


São tantas, que é até difícil lembrar de todas:


 “Gente, é só uma mentirinha de nada.”

Dirceu cada vez mais convencido da própria inocência, Palocci repelindo “com veemência” as acusações de ter quebrado o sigilo de um caseiro, a gritaria acusando Alckmin de tramar a privatização das estatais (antes fosse verdade…), a Dilma gerentona sacada da cartola de Lula…

Exemplos não faltam.

Apoiado na subserviência de grande parte da imprensa nacional, sempre pronta a repercutir qualquer invenção saída da cabeça dos petistas (com medo de ser acusada de fazer parte do malfadado PIG), e numa minuciosamente orquestrada rede de difamação virtual, financiada com banners de estatais e maximizada por meio de anúncios pagos nas redes sociais, o PT construiu uma eficientíssima máquina de moer reputações, que usa com total desenvoltura contra qualquer um que se coloque em seu caminho.

Essa estrutura serve, também, para dar eco às ações dos vários braços petistas na dita “sociedade civil” (MST, CUT, UNE…), dando sempre ares de convulsão social a qualquer baderna causada por uma dezena de pelegos cuidadosamente colocados em locais estratégicos a fim de tumultuar as gestões que não são subservientes ao petismo.

Recentemente, a engrenagem da falsa propaganda petista entrou em ação novamente e o vereador tucano Andrea Matarazzo foi tratado como o pior dos corruptos por gente que ainda hoje se dirige a José Dirceu como “guerreiro do povo brasileiro”.

Indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva, Matarazzo deve, nos próximos dias, ter sua reputação restaurada quando o Ministério Público determinar o arquivamento do inquérito que o investigou.

Segundo apurado pelo IG, fontes do MP disseram que o inquérito não tem sustentação jurídica, mas isso – claro! – não importa aos detratores da moral alheia.

O estrago político já foi feito e restabelecer a verdade é sempre mais complicado (e não se poderá contar com a retratação da canalha que concorreu para caluniar e difamar, logicamente).

Outro alvo do PT (já há alguns anos) é o governador de São Paulo Geraldo Alckmin. O PT não se conforma de até hoje ter sido repelido pelos paulistas, sempre que tentou tomar o governo estadual.

Planeja uma nova e virulenta investida em 2014, quando contará com as máquinas federal e municipal para apoiá-lo na empreitada. Mas isso não basta: é preciso atacar o adversário político ao ponto de transformá-lo em inimigo.

O PT não tolera o embate democrático, pois não consegue conceber uma realidade em que não seja onipotente. Por isso precisa “extirpar” quem lhe é oposição – como Lula anunciou no passado, referindo-se ao DEM. Vejam um trecho da coluna Painel, da Folha de São Paulo de ontem:
O PT decidiu replicar com Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo o cerco que Sérgio Cabral (PMDB) enfrenta no Rio. O partido atua na organização de protestos marcados para esta semana e a próxima, que farão menção à investigação de cartel em governos tucanos. Dirigentes da CUT vão engrossar ato do Movimento Passe Livre na quarta-feira. No dia 28, na marcha pela reforma urbana, movimentos de moradia também ligados ao PT vão à rua pedir CPI sobre o caso Siemens.

Temos, pois, uma central sindical servindo de esbirro para o petismo. A intenção não poderia ser mais clara: desestabilizar um forte adversário às vésperas de um ano eleitoral que desde já se anuncia um dos mais duros desde a redemocratização.
Apesar de conhecida, essa estratégia, por ser corriqueira, acaba passando batida pelo cidadão comum, que apenas verá no Jornal Nacional, antes da novela, alguns segundos de frases prontas citando lugares-comuns como “protestos contra corrupção” e “mobilização da sociedade”.

Mais uma vez estará completa a estratégia: um braço petista na sociedade civil é usado para tumultuar o ambiente e criar um fato político apenas para que a rede de propagação de mentiras, organizada com apoio da imprensa e dos blogprog, possa repercutir a – como é mesmo que eles falam? – “indignação das massas”.
O exemplo mais recente da desenvoltura com que atua a máquina petista de moer reputações é a denúncia de que o senador Aécio Neves estaria respondendo na justiça pelo desvio de 4,3 bilhões de reais em recursos da saúde, quando foi governador de Minas Gerais.

É mentira! Não houve desvio algum. Nem um mísero centavo de dinheiro público saiu da esfera pública e deixou de ser investido em benefício de Minas.
O que existe é uma ação judicial na qual se questiona se o investimento de 4,3 bilhões feito pelo então governador Aécio Neves em saneamento básico pode ou não ser considerado como recurso aplicado na saúde pública.

Repito: nenhum valor foi “desviado”, como tenta fazer crer a rede de mentiras construída pelo PT na imprensa escrita e na internet.
Na verdade, o único “crime” aparentemente cometido por Aécio foi investir em prevenção, coisa que todo gestor público deveria fazer. Afinal sabe-se que cada dólar investido em saneamento básico representa uma economia de cinco dólares em gastos com saúde pública (como pode ser confirmado aqui).
Assim, tem-se apenas mais um episódio no qual o PT torturou os fatos a fim de atacar um adversário direto por meio da propagação de mentiras. Aécio não é réu por desvio de dinheiro público, mas isso não interessa ao petismo.

Também não interessa saber que o mineiro atuou diligentemente na prevenção dos problemas de saúde pública, investindo em saneamento básico (coisa que até o governo Lula fez!).

Não! Nada disso importa, pois a máquina de falsa propaganda do PT não se importa com fatos, mas com maneiras de conseguir atacar seus oponentes. Pouco importa se a verdade for uma baixa colateral nessa guerra suja.
Como mencionado alhures, 2014 vai se desenhando como um ano onde os embates eleitorais serão mais cruentos do que nunca. O petismo, como é da natureza dele, terá na rede de propagação de mentiras um dos pilares de todas as suas campanhas.

É preciso estar sempre vigilantes a fim de “combater o bom combate”, como ensinou São Paulo, o apóstolo: não permitir que eles repitam suas mentiras tantas vezes, a ponto de se tornarem verdade aos olhos da sociedade.

A verdade objetiva dos fatos continua sendo o melhor escudo contra quem faz da leviandade sua principal arma de ação política.
                         13.08.2013

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Mensalão – Na quarta, ministros do STF decidem se abrem uma vereda para o estado de direito ou se investem na bagunça e no desrespeito à lei. Entenda o que está em jogo





O mensalão reúne alguns ineditismos.

É o maior e mais grave escândalo de corrupção da história do país e ensejou, por isso mesmo, o maior julgamento jamais realizado no Supremo, em processo de extensão também inédita.



Por Reinaldo Azevedo

E, não poderia ser diferente, fermentou um caldo de chicanas como nunca antes na história dos tribunais.

Na quarta-feira, se cumprida a agenda, saberemos se o triunfo objetivo da lei repudia as manobras diversionistas, de sorte que o país reconheça em sua corte suprema o ancoradouro seguro de uma sociedade de direito ou se, ao contrário, os chicaneiros engolfam o tribunal na pantomima da insegurança jurídica, da idiossincrasia e do triunfo da lei do mais forte.

Uma alternativa abre ao menos uma vereda para uma nação respeitável; a outra mantém o país na espiral negativa em que já se encontra. Os 11 do Supremo escolherão uma coisa ou outra.

Por quê?

Na quarta, cumprida a agenda, os ministros decidirão se são ou não cabíveis os chamados embargos infringentes — aquele recurso que prevê um novo julgamento caso, numa condenação, haja pelo menos quatro votos divergentes.

Admitida essa possibilidade, é grande a chance de que condenados como José Dirceu e João Paulo Cunha tenham revistas suas respectivas penas, livrando-se da cadeia. Diga-se desde já: o STF não tem de encarcerar ninguém só para dar o exemplo. O que se espera, marque-se de novo, é que cumpra a lei.
Foi aqui Foi este blog que aventou pela primeira vez não uma hipótese, uma tese ou uma causa; foi este blog que primeiro se lembrou de ler a Lei 8.038, que dispõe sobre processos penais em tribunais superiores. O texto foi publicado, atenção!, no dia 13 de agosto do ano passado. Completa um ano amanhã (clique aqui para ler a íntegra).

Título, então, do artigo: “Mensalão – Tio Rei leu a lei e dá fé: ‘Não! Decisão do Supremo não pode ser reexaminada, não! Não cabe embargo infringente. Ou me digam onde isso está escrito! Vamos debater!”.
Pois é. Com efeito, o Artigo 333 do Regimento Interno do Supremo, como se lê abaixo (em vermelho) prevê os embargos infringentes: “Art. 333. Cabem embargos infringentes à decisão não unânime do Plenário ou da Turma: (…) Parágrafo único. O cabimento dos embargos, em decisão do Plenário, depende da existência, no mínimo, de quatro votos divergentes, salvo nos casos de julgamento criminal em sessão secreta.”
Ocorre que a Lei 8.038, que é de 1990, simplesmente ignora essa possibilidade. Escrevi, então, há um ano (em azul): A Lei 8.038 (…) não trata de “embargos infringentes” — vale dizer: da possibilidade de haver um reexame da decisão da maioria. Essa lei é de 1990. Na prática, (…) ela revogou o Artigo 333. Os advogados de defesa até podem vir com essa história. Suponho que os ministros do Supremo, responsáveis que são, dirão o óbvio: um artigo de um regimento interno, mesmo do Supremo, não pode mais do que a lei.
Há mais: até a Constituição de 1988, o Regimento Interno do Supremo era recepcionado pela Carta com a força de lei. A partir do novo texto, não mais.

E o próprio tribunal, na prática, já reconheceu que é assim, como demonstrou num artigo, naquele mesmo dia 13, o procurador de Justiça do Rio Grande do Sul Lênio Luiz Strek.

Se argumento faltasse à evidência de que não cabe embargo infringente, Strek apresentou o definitivo: o Regimento Interno do Supremo admitia também esse tipo de recurso em caso de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).

Mas aí veio uma lei, a 9.868, que é de 1999, e não abrigou tal instrumento. O que fez o Supremo? Declarou o óbvio: o trecho de seu regimento que previa, então, o embargo infringente para ADI havia perdido validade.
Ora, minhas caras, meus caros, os ministros que eventualmente sustentarem que cabem, sim, embargos infringentes em ações penais terão de responder: por que a aprovação da Lei 9.868 tornou sem efeito um artigo do regimento, mas a da Lei 9.038 não provocaria o mesmo efeito?
Subjornalismo estatal-petista

Os sites e blogs que se dedicam com fúria ao subjornalismo a serviço do PT, financiados por Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e outras estatais, chamam isto que estou a escrever de “pressão da mídia”. Uma ova! Em primeiro lugar, porque não sou “a” mídia; sou apenas o Reinaldo. Em segundo lugar, mas ainda mais importante, porque se trata de cumprir ou de não cumprir a lei. Não é nada além disso. O tribunal estará, aí sim, funcionando como corte de exceção caso aceite os embargos.
No dia 24 do mês passado, a ex-ministra do Supremo Ellen Gracie escreveu o seguinte no jornal O Globo: “(…) a lei nº 8.038/1990 deu nova configuração ao processamento das causas de competência originária dos tribunais superiores. Quem consultar o Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal encontrará, de fato, entre os artigos 230 e 246 a normativa que regia o processamento da Ação Penal Originária.

Ela, porém, foi substituída por lei posterior que sobre a matéria dispôs integralmente. Essa lei nova, a de nº 8.038/1990, não previu recorribilidade às decisões de única instância dos tribunais superiores, em matéria penal. E, não o tendo feito, a disposição regimental constante do art. 333, I, cai por terra, revogada nos termos do § 1º, do art. 2º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro:

A lei posterior revoga a anterior (…) quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. Nem nas hipóteses de condenação pelos Tribunais Regionais Federais e pelos Tribunais de Justiça, nas ações penais originárias, cabem embargos infringentes, pois esse tipo de recurso só é oponível a acórdão proferido em apelação ou em recurso em sentido estrito. Foi o que ficou magistralmente estabelecido pelo ministro Celso de Mello no julgamento do HC 72.465, em 5/9/95.”


João Paulo Cunha

Muito bem! Na quarta, está previsto que o Supremo julgue recurso interposto pela defesa de Delúbio Soares, que se antecipou aos demais condenados e já entrou com o embargo infringente. Se considerado admissível no seu caso, admissível será no de 10 outros: José Dirceu, João Paulo Cunha, João Cláudio Genu, Breno Fischberg, José Genoino, Marcos Valério, Kátia Rabello, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e José Roberto Salgado.
Para João Paulo Cunha e José Dirceu, um novo julgamento pode significar a diferença entre ir e não ir para a cadeia. O embargo infringente, se aceito, implica a escolha de um novo relator e de um novo revisor.

Também a Procuradoria-Geral da República tem de se posicionar de novo. Cinco ministros absolveram Cunha da acusação de lavagem de dinheiro: Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello. Desses, quatro ainda se encontram no tribunal (Peluzo se aposentou).

Condenaram o deputado por esse crime seis ministros: Ayres Britto, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Joaquim Barbosa, Luiz Fux e Carmen Lúcia — cinco continuam na casa (Britto deixou o tribunal).

Assim, num eventual novo julgamento, o placar contra o deputado é de cinco a quatro. Em lugar de Peluso, entrou Teori Zavascki.

Se ele repetir o voto do antecessor, haverá um cinco a cinco, e caberá a Luís Roberto Barroso a decisão. Britto, que o antecedeu na cadeira, condenou João Paulo. O que faria o novo ministro?

Cunha foi condenado a três anos de cadeia por corrupção passiva, a três anos e quatro meses por peculato e a três anos por lavagem de dinheiro — nove anos e quatro meses no total. Se, num eventual novo julgamento, fosse inocentado desse último crime, não cumpriria um só dia dos seis anos e quatro meses restantes em regime fechado — vale dizer: não iria para a cadeia.

José Dirceu
Vamos ver o caso de Dirceu. Ele foi condenado a sete anos e 11 meses de reclusão por corrupção ativa.

Só três o inocentaram. Mas recebeu quatro absolvições para o crime de formação de quadrilha (3 anos de cadeia): Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Rosa Weber e Carmen Lúcia.

Todos continuam no tribunal, e Dirceu, pois, mantém esses votos. Condenaram o chefão por esse crime os seguintes ministros: Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Ayres Britto. Dos seis, cinco ainda são ministros. O placar, pois, contra Dirceu está agora em cinco a quatro.
Para ser absolvido, ele precisa do voto dos dois novos: de Teori Zavascki, que substituiu Peluzo (que não votou no caso Dirceu porque já havia deixado o STF) e de Barroso, que substituiu Britto — que votou pela condenação. Chegamos ao busílis.

Zavascki e Barroso

É nesse ponto que devemos voltar ao recente julgamento do senador Ivo Cassol (PP-RO), que foi absolvido justamente do crime de formação de quadrilha.

Zavascki e Barroso se alinharam com a tese que Rosa Weber e Dias Toffoli defenderam no julgamento dos mensaleiros e entenderam que a formação eventual de um grupo para a prática de determinado crime não configura a formação de quadrilha.

Havendo novo julgamento, se os dois se juntarem àqueles quatro também no caso de Dirceu, ele se livra dessa condenação, e sua pena se reduz a sete anos e 11 meses e pode ser cumprida em regime semiaberto. Como praticamente não há instituição no Brasil para esse regime, Dirceu ficaria solto.

Caminhando para o encerramento

No caso de serem admitidos os embargos infringentes, Zavascki e Barroso repetiriam o voto que deram para Cassol? Como saber?

Ocorre, meus caros, que o risco de desmoralização do Supremo não está apenas na possibilidade de redução das penas dos mensaleiros — no caso de Dirceu e João Paulo, pode ser a diferença entre ir ou não para a cadeia.
O que já se afigura intolerável é estender o julgamento por tempo indefinido. No mês de junho, o escândalo do mensalão completou 8 anos! E que se note: ninguém está a pedir que se ignore a lei em nome da celeridade.

O que se está a pedir é que se cumpra a lei: a Lei 8.038. Se não for o Supremo a declarar a sua validade, será quem? Zavascki e Barroso, em suma, vão escolher um caminho. No caso da perda automática de mandato de parlamentares condenados em última instância, deram votos desanimadores.

Juntaram-se ao grupo que abre as portas para que alguém seja deputado ou senador de dia e presidiário à noite. Alegaram amor ao texto constitucional. Já provei que não é bem assim.

Espera-se que, desta feita, demonstrem apego à letra da Lei 8.038, que pode mais do que um Regimento Interno e tem o óbvio poder de tornar sem efeito os seus dispositivos.

Que Brasil eles escolherão?
12/08/2013


Pablo Capilé e a verdade sobre sua política de não pagar cachês


1. Quem sou
Meu nome é Márvio dos Anjos. Sou hoje mais conhecido como jornalista (com passagens por TV Globo, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil); hoje diretor editorial do jornal Destak e colunista do GloboEsporte.com.

Mas já fui muito atuante como cantor e compositor das bandas Glamourama (2002/03) e Cabaret (2004-último show em 2010).

O Cabaret hoje se encontra desativado, sem shows na agenda, e com um disco gravado em 2009, mas ainda inédito. Entre 2003 e 2009, toquei em 10 capitais do país, participei de programas de TV (Programa do Jô, Código MTV) e participei de muitos festivais independentes: Mada (Natal), Calango (Cuiabá), Mundo (João Pessoa), Se Rasgum no Rock (Belém), Panela Rock (Fortaleza), Ruído (Rio), Grito Rock (Rio), Vaca Amarela (Goiânia).

Nunca tive um produtor, ou agente. Nunca fui organizador de festival. Tanto Glamourama quanto Cabaret foram produzidos por mim mesmo até a minha desistência diante das portas que se fechavam no circuito, à medida em que comecei a criticar as mudanças de rumo, que considero até hoje de má-fé.

Não sou filiado a partido algum.

É com base nessas experiências que analiso Pablo Capilé e o Fora do Eixo.

Sou crítico de primeira hora, desde 2008, quando percebi as mudanças de rumo que aconteciam em tudo que eles contaminavam com uma política perversa de apropriações de capital cultural e de dinheiro público.

2. A verdade sobre Pablo Capilé e a política de não pagar cachês

Em 9 de agosto deste ano, Pablo Capilé, bombardeado por denúncias desde a aparição do Mídia Ninja no Roda Viva, mudou sua opinião em relação ao não pagamento de cachês. Disse ao UOL que defende a remuneração de artistas. (Leia aqui)

Só se mudou de ideia. Porque no exato momento em que os festivais da Abrafin ganharam dinheiro da Petrobras (o 1o. edital é de 2007, o festival dele passa a ser beneficiado em 2008), ele passou a defender que os artistas mais novos e menos conhecidos - que tocavam por apenas 20 minutos nos festivais - não ganhassem passagem nem cachê.

(A Abrafin é a Associação Brasileira de Festivais Independentes, criada em 2005 para negociar fomentos em bloco)

Capilé dizia da forma mais absolutamente cínica possível, e não apenas em uma entrevista, que artista iniciante não deveria cobrar cachê.

Era uma política institucional do Fora do Eixo e seus festivais rezavam por essa cartilha.

Aliás, sobre pagar cachês, o texto do 1o. edital da Petrobras para Festivais (2007) era bem claro no que tange o seu 11o. pré-requisito:

"Todos os artistas devem ser remunerados."

Veja neste vídeo de 2008 como carismático Pablo Capilé se outorga o juízo, com direito a slogan, de delimitar em que circunstâncias um artista é artista para aquele "momento".


      

Esse vídeo é de 2008, quando o orçamento do Festival Calango, apoiado pela Petrobras e outras fontes, JÁ ERA de R$ 600 mil.

Nesse mesmo ano, numa palestra do Abril Pro Rock (que tinha orçamento de R$ 1 milhão, engordado pela Petrobras), eu testemunhei Capilé dizer a mesma coisa: foi no auditório da Livraria Cultura. Eu cobria os shows para a Folha de S. Paulo.

Não acreditei quando ouvi. Fui interpelá-lo depois. Disse-lhe que ele era criminoso em dizer isso num momento em que o dinheiro da Petrobras começava a fluir. Para ele, o importante era ver a cena crescer e depois quem sabe repartir.

Não foi uma politica momentânea. Dois anos depois, a opinião dele não mudava. Pablo, já com a maioria na Abrafin, deu estas declarações ao zine "O Inimigo", se autodenominando sem qualquer pudor:

"(...) [é preciso] entender os festivais mais como mostra do que como plano de sustentabilidade financeira. Eu sou dentro da ABRAFIN um defensor de que não se deveria pagar cachê as bandas. Festival é uma mostra." (extraído do blog de Rogério Skylab)

3. Por que o argumento de que o cachê inviabiliza o festival é uma falácia?

a.Quem capta para qualquer evento cultural sabe que o cachê e as passagens são parte dos encargos: senão você está repassando o prejuízo para o artista e, em vez de contribuir para quem realmente move a cultura, você está apenas se aproveitando da ânsia de visibilidade que normalmente o artista novo tem. E aquele edital deixava bem claro que o artista tinha que ser remunerado.

b. Para balizar o que seria um cachê, a tabela da Ordem dos Músicos já seria uma excelente referência. Se o show não chegasse a uma hora, que se pagasse uma parcela disso. Os festivais, porém, optaram por uma sub-remuneração: o piso em alguns desses festivais variava de R$ 500 a R$ 1.000 POR BANDA, e não por integrante. Sei porque me foi oferecido por um desses festivais e eu recusei: não fazia sentido, após 3 anos de atuação em festivais, sair do Rio para o Nordeste nesses termos e tocar por menos de meia hora.

c. Os festivais apostavam no gigantismo para se cobrir de números de powerpoint, e esse modelo tinha que ser revisto para ser sustentável. De que adiantava ter 50 bandas, se a maioria delas faria shows de 20 minutos? Seria mais interessante ter menos bandas, avaliadas por uma curadoria competente, até para ter sentido o esforço de pagar-lhes as passagens e o cachê.

d. Se fosse para manter os números, o mais correto seria valorizar os artistas da vizinhança, os quais não precisariam de hospedagem nem de passagens, mas que ainda assim teriam que ser remunerados de alguma forma. Só que, para fins de criar a rede, era importante se aproveitar do voluntarismo típico de bandas jovens de rock, que topavam arcar com o prejuízo em seus inícios.

Era preciso juntar dezenas de bandas, de forma que elas ficassem o mais anônimas possível. As que agregavam valor (brasileiros mais estabelecidos e gringos de qualquer nível) recebiam cachê e não precisavam se horizontalizar.

Sim, Capilé apenas fazia o branding do Fora do Eixo, travestindo-o de política cultural coletivista e hoje, em última instância, de movimento social. O Fora do Eixo é tão movimento social quanto o TelexFree.
4. Mais sobre o projeto de aniquilação do novo artista em nome do branding

Por isso, faz total sentido comparar o relato de Beatriz Seigner, primeira denunciante contra o Fora do Eixo, com o de Rafael Vilela, um dos primeiros membros-defensores do Fora do Eixo:

Beatriz diz:

O susto veio (..) porque o Pablo Capilé dizia que não deveria haver curadoria dos filmes a serem exibidos neste circuito de cineclubes, que se a Xuxa liberasse os filmes dela, eles seguramente fariam campanha para estes filmes serem consumidos pois dariam mais visibilidade ao Fora do Eixo, e trariam mais pessoas para ‘curtir’ as fotos e a rede deles – pessoas estas que ele contabilizaria, para seus patrocinadores tanto no âmbito público, quanto privado. “Olha só quantas pessoas fizemos sair de suas casas”. E que ele era contra pagar cachês aos artistas, pois se pagasse valorizaria a atividade dos mesmos e incentivaria a pessoa ‘lá na ponta’ da rede, como eles dizem, a serem artistas e não ‘DUTO’ como ele precisava. Eu perguntei o que ele queria dizer com “duto”, ele falou sem a menor cerimônia: “duto, os canos por onde passam o esgoto”.

Rafael, em defesa do FdE, descreve seu trabalho:

Nesse bolo todo assumimos um processo radical de autoria coletiva das imagens, por entender que não é impossivel, no processo criativo da fotografia e do jornalismo, entender qualquer atividade como ação individual. Quando estamos documentando qualquer pauta, chegamos com um ponto de vista que é fruto de nosso contexto (...). A empatia com os fotografados, suas histórias e suas vidas é sempre um encontro de dois mundos, dois grandes indivíduos em diálogo, cada retrato tem 50% do fotógrafo e 50% do fotografado. Ainda, a edição, escolha do material final e difusão envolvem dezenas de outras pessoas. (...) Como, então, imaginar uma fotografia, fruto do nosso encontro com o mundo, pertencente a uma pessoa só, sozinha? Quando nada é de ninguém, tudo é de todos e a gente voa.
Acho que Rafael nunca imaginou que, para o mesmo Pablo Capilé que vê valor num filme da Xuxa, eventuais exposições de Bob Wolfenson, Sebastião Salgado e Evandro Teixeira nas casas Fora do Eixo JAMAIS seriam tratadas como a Casa Fora do Eixo o ensinou a tratar a própria produção.

Rafael é apenas mais um cavalo no qual o Fora do Eixo monta - exatamente como era o Macaco Bong na música.

5. O case Macaco Bong
 
O trio Macaco Bong, com Kayapy à frente

O Macaco Bong, banda de Cuiabá, era o conceito ideal de artista para Pablo Capilé, como pudemos ver no vídeo postado acima. Repare que há um claro discurso entre o artista "preguiçoso" e o artista atuante, que tem algo a trocar além de sua arte.

Como se no Brasil não houvesse um número imenso de artistas que trabalham em outras ocupações para pagar suas contas, Capilé vendeu a ideia de que todo artista que não trabalhasse 100% na rede que ele conduzia estava em casa esperando o convite para se tornar milionário. Muita gente comprou esse discurso.

O Macaco Bong era o ideal. Uma entrega total ao conceito de rede. Davam 100% do cachê ao FdE, moravam na Casa Fora do Eixo de SP, faziam direção de palco e pilotavam mesa de som nos festivais em que iam também para tocar. Eram o cavalo Sansão da "Revolução dos Bichos", de George Orwell, que dizia "Trabalharei ainda mais" em nome da ordem mantida pelos porcos-chefes. E ganhava em cards.

Quando eu comecei a criticar publicamente o Fora do Eixo, Bruno Kayapy, guitarrista e principal figura da banda, me deixou claro que eu era o inimigo. "Ou tá com nóis ou não tá, a parada é assim, mano, e se não estiver, acabou, é guerra", me disse ele quando tocamos no Festival Mundo, de João Pessoa, em 20 de outubro de 2008.

Mas o tempo passa e as circunstâncias mudam.
Leia o que Kayapi disse aos repórteres Amauri Stambowski e Mateus Potumati, da revista Soma, em abril deste ano:

Você passou por problemas de saúde sérios nos últimos anos. Como isso se refletiu na banda?

Em 2009 eu tive um distúrbio intestinal e surgiu um tumor. Tive que ficar seis meses sem tocar, um bom tempo internado. De certa forma virou um tabu, porque naquela altura, se saísse uma noticia dessas, seria muito perigoso para a imagem institucional do projeto. Eu estava altamente magoado por ninguém ter ido me visitar no hospital e se eu falasse naquela pegada de rancor poderia acabar prejudicando até mesmo o processo de mudança do Macaco Bong. Eu também era muito novo, não cuidava da minha saúde direito, a gente fumava muito, bebia muita Coca­Cola, não bebia água direito, era muito louco. O bagulho era assim: se o trago do cigarro tava bom, não dava dor no estômago, ok, era hora de sentar e trampar. Quando batia aquela larica, cada um ia lá, pegava um copo de Coca-Cola e acendia outro Marlboro e voltava a trampar. Quando batia aquela mega fome desgraçada, a gente ia na esquina comer, fumando um cigarro, comia uns salgados e voltava fumando outro cigarro. Só dá para fazer isso enquanto se é jovem. Porém hoje eu tenho uma rotina mais saudável, minha qualidade de sono é melhor, tive que educar radicalmente minha alimentação após a retirada do tumor. Felizmente deu tudo certo, sem riscos, sem sequelas. (íntegra aqui)

Na mão do Fora do Eixo de Pablo Capilé, a arte perde seu valor subjetivo e vale apenas por sua utilidade. Doente, Kayapy, o músico da banda mais importante do cenário que ele vislumbrara, não merecia nem uma visita.

EM TEMPO

No último domingo, (11 de agosto de 2013), Bruno Kayapy decidiu deixar claro em sua página no Facebook, a quem interessar possa, que sua banda não tem mais qualquer laço com o Fora do Eixo.

Num próximo artigo, falaremos mais das políticas culturais perversas e parasitárias de Pablo Capilé e o Fora do Eixo.



12.8.2013

O ET de Varginha certamente duvida da existência de um país governado por Dilma




Por Augusto Nunes

“Um país vira uma grande nação, porque uma coisa é um grande país, outra coisa é uma grande nação”,
começa a aula de 55 segundos, em dilmês acadêmico, ministrada pela presidente da República no campus avançado da Universidade Federal de Alfenas.

Faz sentido.

Entre outros, o Dicionário Escolar da Academia Brasileira de Letras ensina que, embora possam ser usados como sinônimos, os dois termos têm significados diferentes.

Nação é uma comunidade cujos membros possuem identidade étnica, cultural, linguística e histórica que habita um território.

País é o território em que vive um povo independente, com fronteiras definidas, cultura própria e organização política e social.

O que não faz sentido é que vem a seguir. “Uma grande nação é grande porque suas… sua população é grande“, comunica Dilma Rousseff.

(Não necessariamente. Os dinamarqueses, por exemplo, não são tantos quanto os brasileiros. Mas formam uma grande nação).

“E… nós só podemos ser de fato um país desenvolvido, não é se o nosso PIB crescer – é também –, não é só se nós descober… descobrirmos mais riquezas, é também, mas é, sobretudo, se nós mudarmos radicalmente a qualidade da educação prestada às crianças e aos jovens deste país”, desembesta e muda espetacularmente de rumo.

“E também aos adultos, porque também adulto não pode pará de estudá, não”.

Não pode mesmo, confirmam os casos de Lula e Dilma.

Na mesma quarta-feira em que ministrou a aula de geopolítica, a presidente informou que acredita na existência do ET de Varginha, por quem tem muito respeito.

Sumido desde 1996, quando teria aparecido pela primeira e última vez na cidade do sul de Minas, não se sabe se o misterioso extraterrestre continua por lá.

Em caso positivo, o ET de Varginha provavelmente duvida da existência de um país governado por Dilma Rousseff.

08/08/2013

Judiciário pode autorizar CPI na Petrobras


 Por O EDITOR

A Petrobras sempre foi motivo de orgulho para os brasileiros e tem tudo para continuar a sê-lo. Principalmente quando se vir novamente livre das ervas daninhas que lhe sugam a energia e canibalizam a empresa.

Neste fim de semana, a revista Época revelou, com riqueza de detalhes, como interesses político-partidários se incrustaram na estatal para drenar recursos.

Era algo de que há muito já se falava, mas que ainda não fora conhecido com tanta minúcia.

A reportagem fornece um roteiro incontestável a ser investigado.
 
O cerne dos desvios era (ou ainda é) a diretoria internacional da Petrobras. De lá, transformada em feudo do PMDB, saía (ou ainda sai) grosso dinheiro para campanhas políticas e para bolsos aliados, segundo a revista.

Uma das fontes do dinheiro sujo são as vendas de ativos da estatal no exterior.

Em março, a Época já havia tratado de uma delas: a estranhíssima operação de alienação de uma refinaria na Argentina para um empresário ligado a Cristina Kirchner.

Sabe-se agora que, da transação, fechada em maio de 2010, saíram pelo menos US$ 10 milhões para cofres partidários.
 
Segundo a revista, os peemedebistas não foram os únicos beneficiários. A campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010 também teria recebido R$ 8 milhões.

E contratos fechados pela Petrobras ao redor do mundo com empresas privadas brasileiras teriam, ainda, ajudado estas a irrigar campanhas eleitorais aliadas.
 
O descalabro relatado pela revista obriga a uma investigação de como age a área internacional da Petrobras. Para começar, a empresa tem em marcha um programa de “desinvestimentos” que envolve a venda de US$ 10 bilhões em ativos situados no exterior.

Pelo que Época divulgou, destas operações pode vir muita grana para o PT e seus aliados, por meio de “pedágios” arrecadados. Hoje, a estatal está presente 17 países, mas já esteve em muitos outros.

Nos últimos seis meses, encerrou negócios que mantinha em outras seis nações. Só a venda de ativos que detinha na África contribuiu com R$ 1,906 bilhão para o resultado que a Petrobras obteve no segundo trimestre, divulgado na última sexta-feira.
 
Embora tenha apresentado lucro surpreendente no período, o resultado ainda representa queda de 19% quando comparado ao obtido no primeiro trimestre.

Sem uma manobra contábil (legal pelos padrões vigentes no país), a Petrobras poderia ter tido novo prejuízo, repetindo o feito de um ano atrás – ainda que em proporções, felizmente, menores.
 
Os negócios suspeitos mantidos pela Petrobras no exterior, bem como as temerárias gestões que levaram nossa maior empresa a claudicar, são motivo de interesse e investigação do Congresso.

Só o governo, claro, não concorda em ver escrutinadas as operações de sua galinha dos ovos de ouro negro.
 
Já há um pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com apoio suficiente para sua aprovação: tem 199 assinaturas, 28 a mais que o mínimo necessário.

Para não gramar na fila de CPIs à espera no Congresso, uma alternativa para viabilizá-la é recorrer ao Judiciário, como adiantam alguns jornais hoje.
 
O mais importante é passar a limpo as atividades da Petrobras nos últimos anos, em especial quando esteve sob o comando de José Sergio Gabrielli, para quem um negócio tão ruinoso como a compra da refinaria de Pasadena – pela qual a empresa brasileira pagou 27 vezes mais que uma concorrente pagara meses antes – foi “normal”.
 

Revoltas seletivas


Por Ricardo Constantino
Veja.com

Concordo que no Brasil é impossível acompanhar de perto todos os escândalos que vêm à tona, quanto mais mostrar indignação ou se organizar para protestar contra eles. Ninguém faria outra coisa da vida!

Dito isso, chama a atenção certa seletividade na revolta demonstrada, ao menos naquelas mais organizadas em atos públicos.

Por exemplo: o estranho sumiço de Amarildo, o pedreiro da Rocinha. É claro que as autoridades devem explicações, e é claro que a população tem todo direito de cobrar investigações e levantar suspeitas que envolvem a própria força policial da UPP.

Mas e o caso da estudante de engenharia, Patrícia Amieiro, cujo desaparecimento suspeito já completou cinco anos?

Somente amigos e familiares insistiram em mais investigação e eventual condenação dos policiais supostamente envolvidos. A mobilização popular faz seleção por classe? A revolta é diferente quando some um pedreiro na favela ou uma estudante de engenharia de classe média?

Outro caso que vem à mente é a ocupação da Câmara dos Vereadores no Rio, em protesto contra a CPI dos Ônibus. Os manifestantes acusam de marmelada a coisa toda, e querem impedir que tudo termine em pizza.

Objetivo louvável, ainda que seus métodos nem tanto (não devemos aplaudir quem acha que pode governar no grito e com ameaça de violência; se as instituições são falhas, lutemos para melhorá-las dentro da democracia).

Mas cabe perguntar: ninguém vai falar nada sobre a Delta, aquela construtora envolvida até o pescoço em escândalos do governo federal e suas obras? A construtora do PAC, carro-chefe do governo Dilma, não merece um protesto organizado, uma manifestação popular, uma ocupação?

Perto dos desvios da Delta, a máfia dos ônibus é “fichinha”. Claro que isso não quer dizer que as empresas de ônibus devem ser deixadas de lado; é apenas uma questão de prioridades. Tento, aqui, compreender melhor os critérios usados para o grau de revolta e mobilização popular.

O escândalo do metrô paulista foi capaz de mobilizar bastante gente, e vimos vários artigos cobrando mais investigação ou até fazendo acusações precipitadas e levianas. Sim, o caso deve ser investigado, e os culpados punidos. Mas, novamente, meu interesse é pelo critério de seleção de escândalos para a demonstração de revolta.

A Petrobras, maior estatal do país, vive envolta em escândalos de corrupção. Tivemos o estranhíssimo caso da refinaria na Califórnia, que custou centenas de milhões de dólares aos “contribuintes”, e agora mesmo tivemos nova denúncia de favorecimento do PMDB e PT em compras internacionais.

Nem uma única demonstração de revolta por parte daqueles que se mostraram tão indignados com a corrupção no metrô paulista. Por que?

Por fim, há um nome que anda completamente sumido da agenda de protestos desses guardiões da ética: Rose. Trata-se de Rosemary Noronha, aquela que era unha e carne com o ex-presidente Lula.

Ninguém mais fala do escândalo que tinha tudo para abalar a República. Rose desapareceu, escafedeu-se, sumiu! E, no entanto, nenhum desses revoltosos contra a corrupção menciona seu nome. Por que?

Em tempo: não é curioso que os mesmos que silenciam sobre alguns casos e vociferam tanto sobre outros, são os mesmos que acusam a imprensa de “golpista” e parcial?

12/08/2013

Alô, Ministério Público! Fora do Eixo anuncia criança nascida em uma das casas como “construção/experimentação” coletiva; entidade paga a pensão de crianças abandonadas por pais que decidiram viver na comunidade. Com dinheiro da Petrobras e da Lei Rouanet!




Por Reinaldo Azevedo

Fiquei sabendo que a turma do Fora do Eixo está brava comigo. Que pena! Se forem os chefões, não ligo. Se for a mão de obra similar à escravidão que se explora por lá, pior para os… próprios escravos.

A VEJA desta semana traz uma reportagem de Helena Borges sobre a turma. A coisa me parece bem mais grave do que se supunha. Reproduzo um trecho estarrecedor. Volto em seguida.

(…)
Alguns dos moradores [das casas Fora do Eixo] deixaram seus filhos para viver na comunidade. Nesses casos, é o Fora do Eixo que paga a pensão das crianças. No ano passado, nasceu o primeiro bebê que, segundo o Facebook do grupo, será criado coletivamente. “Benjamin Guarani-Kaiowá”, anunciou alegremente o FdE em um post, “tem mãe e pai biológicos, mas será criado por uma enorme rede, veloz e nômade. Nasceu on-line com registro midialivrista e será uma construção/experimentação dos novos bandos urbanos”. Se a turma de Capilé soa assim meio fora do eixo, seu líder não rasga dinheiro — pelo menos não o de verdade.

Voltei
Por onde a gente começa? A última vez em que crianças foram tratadas como “construção/experimentação” foi, não há por que não lembrar, no regime nazista. “Gente”, como se sabe, não é brinquedo e não pode ser submetida a esses, como posso chamar?, testes. Aliás, já há aí material suficiente para que o Ministério Público se interesse pelas “casas” de Capilé, tanto o setor do MP empenhado no combate ao trabalho escravo como aquele que zela pelos direitos dos infantes. Lembro que a proteção à criança, no Brasil, como está claro no ECA, transcende a vontade dos país. Se há notícia de maus-tratos físicos ou psicológicos, o estado tem o dever de intervir.

Segundo entendi, o pobre Benjamin Guarani-Kaiowá está sendo educado pelo estado paralelo inventado por Capilé — o homem que pega a grana em reais da Petrobras ou de governos e “paga” seus escravos com uma moeda própria, os “cubo cards”. Quando chegar a hora de o pai ou a mãe ir à reunião da escola, o “coletivo” é que vai comparecer? Tadinho do Guarani-Kaiowá… Os outros meninos têm de, simbolicamente, matar um só pai, ele terá de enfrentar um coletivo; os outros têm só uma Jocasta… Este terá todas!

É um escândalo que essa gente aloprada possa fazer e escrever essa barbaridade. Até porque, como é sabido, uma “construção/experimentação” pode dar certo ou errado, não é mesmo?

Enquanto o chefe da seita se regozija com sua “construção/experimentação”, outras crianças estão crescendo longe de seus respectivos pais, que decidiram largar tudo para se internar no “mosteiro” de Capilé. Generoso, ele, por intermédio das casas Fora do Eixo, paga a pensão da garotada. Benjamin Guarani-Kaiowá, assim, tem um monte de pais; os outros não têm pai nenhum!

Não custa lembrar que a Petrobras e a Lei Rouanet respondem por parte do dinheiro dessa gente. Empresas públicas e privadas que financiam Capilé e sua turma se tornam moralmente responsáveis por seus métodos.


12/08/2013

Dilma supera Lula nas despesas com propaganda; juntos, gastaram R$ 16 bi




Média anual é 23% maior com atual presidente, que vai tentar reeleição em 2014; montante desembolsado daria para pagar quase duas obras de transposição do São Francisco

Fernando Gallo
O Estado de S. Paulo

Os gastos com propaganda do governo federal nos dois primeiros anos da gestão de Dilma Rousseff, incluindo estatais, é 23% maior, na média, do que nos oito anos de mandato de seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente também vem gastando mais - cerca de 15% -, na média, na comparação com o segundo mandato de Lula.


Ao todo, em dez anos de governo petista foram desembolsados, incluindo todos os órgãos da administração, cerca de R$ 16 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, segundo levantamento inédito do Estado.

A quantia é quase igual aos R$ 15,8 bilhões que o governo pretende investir no programa Mais Médicos até 2014. Com o valor também seria possível fazer quase duas obras de transposição do Rio São Francisco, atualmente orçada em R$ 8,2 bilhões.

Em mobilidade urbana, seria possível construir entre 25 km e 30 km de metrô em São Paulo - um terço da atual malha - ou então colocar de pé, na capital paulista, cinco monotrilhos iguais ao que ligará o Jabaquara ao Morumbi, na zona sul, passando pelo aeroporto de Congonhas.

O dinheiro gasto pelo governo com publicidade poderia também manter congelada em R$ 3 a tarifa de ônibus na cidade de São Paulo durante 50 anos.

Ainda para efeito de comparação, o valor é duas vezes superior aos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que Dilma anunciou para a capital paulista há dez dias, e que servirá para construir 127 km de corredores de ônibus, recuperar os mananciais das represas Billings e Guarapiranga, drenar vários córregos da capital e construir moradias para 20 mil famílias.

Os dados sobre os gastos com publicidade foram solicitados, via Lei de Acesso à Informação, a cada um dos órgãos que a Secretaria de Comunicação Social (Secom) informou ter assinado algum contrato publicitário desde 2003. Os dados foram computados com base na resposta fornecida por eles - o governo federal afirmou que não dispõe dessas informações de maneira centralizada.

Ao comentar os resultados do levantamento, o governo ressaltou que as despesas da administração direta - ministérios e Presidência - têm o objetivo de "levar à população, em todo o território nacional, informações de utilidade pública para assegurar seu acesso aos serviços a que tem direito e prestar contas sobre a utilização dos recursos orçamentários".

No caso dos gastos da administração indireta, como as estatais, o governo argumentou que se trata de empresas que, apesar de públicas, concorrem no mercado, portanto precisam ter a imagem bem trabalhada.

Atualmente Dilma enfrenta problemas de popularidade, que já bateu recordes, mas, depois das manifestações de junho, enfrentou uma forte queda. No fim de semana, o Datafolha divulgou nova pesquisa que mostra uma pequena recuperação da aprovação do governo.

Médias comparadas. Nos dois primeiros anos de mandato da presidente Dilma, o governo federal gastou R$ 3,56 bilhões, média de R$ 1,78 bilhão por ano.

Nos oito anos de Lula, o governo desembolsou R$ 11,52 bilhões, média de R$ 1,44 bilhão. No primeiro mandato, a média foi de R$ 1,32 bilhão. No segundo, de R$ 1,55 bilhão - sempre lembrando que se trata de valores atualizados pela inflação.

O dado global de gastos com propaganda, de R$ 16 bilhões, pode ser, na verdade, ainda bem maior. Isso porque o Banco do Brasil se recusou a informar os seus gastos com publicidade entre 2003 e 2009.

Só há dados disponíveis de 2010 a 2012. Por essa razão, a fim de evitar distorções, os dados referentes ao banco só foram incluídos no valor global, ou seja, nos R$ 16 bilhões, mas descartados na comparação entre os anos.

Apenas para se ter uma ideia, entre 2010 e 2012, o Banco do Brasil gastou, também em valores corrigidos pela inflação, R$ 962,3 milhões com publicidade, média anual de R$ 320,7 milhões. É, no período, o segundo órgão que mais gastou, atrás da Caixa Econômica Federal.

Banco do Brasil à parte, a Caixa Econômica, a Petrobrás e os Correios, somados, representam 51,12% de tudo o que o governo destinou a ações publicitárias nos dez anos de gestão petista.

Por causa do peso dessas três gigantes, a administração indireta - que engloba autarquias, fundações, sociedades de economia mista, empresas públicas e agências reguladoras - concentrou 69,4% dos gastos do governo com publicidade.

Três companhias energéticas que integram a administração indireta - Alagoas, Piauí e Rondônia - não responderam ao questionamento do Estado.

Na administração direta, apenas o Ministério do Trabalho e Emprego não enviou seus dados de despesas com publicidade.

A Secom, que formula a estratégia de comunicação da Presidência, é o órgão mais gastador da administração direta, tendo sido responsável pelo desembolso de R$ 1,68 bilhão no período de dez anos. Ela é seguida pelos ministérios da Saúde, das Cidades e da Educação.

Tanto no caso da administração direta quanto da indireta, houve aumento dos gastos publicitários de 2003 para 2012. No primeiro caso, saltou de R$ 255 milhões para R$ 626 milhões, aumento de 146%. No segundo, de R$ 775 milhões para R$ 1,15 bilhão, crescimento de 48%.

Também nos dois casos, o pico de gastos ocorreu em 2009. A Secom e os ministérios gastaram R$ 752 milhões, e a administração indireta, R$ 1,22 bilhão. Era o terceiro ano do segundo ano de mandato de Lula.
11 de agosto de 2013