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terça-feira, 17 de julho de 2012

Uhu! Rosane Collor é a Carminha!






Buemba! Buemba!
Macaco Simão Urgente!
O esculhambador-geral da República!

Maldição do Collor: fui tomar banho de sal grosso e escorreguei no box!

Rarará!

E o grande babado:
a pensão da Rosane Collor!

POR JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO


Socuerro! Me mate um bode!

Rosane Collor, a Paquita do Agreste, no Cansástico!

A Volta dos Vodu de Mello!

E quando ex-mulher dá entrevista é porque a pensão tá ruim!

Ela só não revelou o que o Brasil todo queria saber: se o Collor tem o saco roxo mesmo, como ele dizia!

Se eu fosse a Renata Ceribelli, ia direto ao assunto: "O seu marido tinha aquilo roxo?".

Rarará!

E a grande e única revelação bombástica: o valor da pensão dela e das amigas!

"Acho pouco R$ 18 mil, minhas amigas ganham R$ 40 mil!"

Tadinha!

Ela deve sofrer bullying das amigas.

E como disse um cara no Twitter: "Se a sra. Collor queria reclamar da pensão, ela devia ter ido no 'Programa do Ratinho', não no 'Fantástico'"!

Rarará!

E um amigo meu: "Pensão ruim? Então troca comigo, que eu sou professor em Minas Gerais".

Rarará!

Merece pensão quem votou no Collor!

Aí, sim!

Eu acho que ela quer metade de Alagoas!

E sabe aquele Chanel falso rosa que ela usava?

Foi pago com a poupança do meu pai que o marido dela confiscou!

E não é Casa da Dinda, é Casa da Doida!

E o Collor era macumbeiro?

Então ele caçava marajá, galinha preta e boi no pasto.

Rarará!

E o Collor já tinha a cara e a respiração do Darth Vader!

E tão dizendo que a Rosane Collor é a Carminha! 
A Carminha do Collor!

Carminha de carma?!

Rarará!

Depois da entrevista fui tomar um banho de sal grosso! E me sequei com toalha branca. E quase escorreguei no box.

Maldição do Collor: fui tomar banho de sal grosso e escorreguei no box!

Rarará!

É mole? É mole, mas sobe!

E isto é um clássico: amor começa em motel e termina em pensão.

E uma amiga minha tem um ex-marido tão feio, mas tão feio, que ela não recebe pensão, ela recebe indenização.

É isso!

A Rosane Collor quer indenização!

Por ter ficado tão pouco tempo como primeira-dama.

Rarará!

E diz que ela é que fez magia negra pra casar com o Collor!

Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!


Delúbio diz ter agido sozinho e nega mensalão



Ex-tesoureiro atribui repasses a dívida eleitoral e chama de ‘falácia’ a compra de apoio político




Vannildo Mendes
O Estado de S. Paulo

Em memorial sucinto enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares assumiu sozinho a responsabilidade pela distribuição de recursos ilegais a políticos e partidos da base aliada do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas negou que os pagamentos tivessem relação com o "falacioso mensalão" e alegou ser inocente das acusações de corrupção ativa e formação de quadrilha.

Ed Ferrreira/AE
O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, assumiu que distribuiu recursos ilegais a políticos

A estratégia de colocar a conta do mensalão nos ombros de Delúbio para livrar os demais réus foi combinada pelo "núcleo central da quadrilha", definição usada pela Procuradoria-Geral da República na denúncia entregue ao STF em 2007, como antecipou o Estado em 2 de julho.
O acerto teria sido articulado entre o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), apontado como "chefe da organização criminosa", o ex-presidente do PT José Genoino e o próprio Delúbio.

Segundo o ex-tesoureiro, as acusações "não se sustentam".

"Os repasses de valores (…) tiveram como única finalidade o pagamento de despesas decorrentes de campanhas eleitorais, tanto dos diretórios estaduais do PT, quanto dos partidos que integravam a chamada base aliada", afirma Delúbio.


"Restou comprovado que o dinheiro utilizado para pagamento de dívidas de campanha foi obtido por meio de empréstimos, junto ao Banco Rural e ao banco BMG", insistiu, embora a CPI dos Correios, em 2005, tenha afirmado que o dinheiro teve origem em repasses irregulares do governo para empresas do empresário Marcos Valério e, de lá, para o caixa do PT.

Ao contrário do que afirma o Ministério Público, Delúbio nega a existência de corrupção no esquema.

"Os elementos probatórios colhidos na presente ação penal revelam com clareza que não houve transferência de dinheiro para compra de votos no Congresso", disse ele.

"É fundamental destacar que as principais reformas votadas no período questionado só foram aprovadas com votos da oposição."

O julgamento do mensalão começa no dia 2 e Delúbio, um dos 38 réus, pode pegar até 12 anos de prisão, além de ficar inelegível por até 15 anos.

O ex-tesoureiro se mostra confiante em ser absolvido de acusações como a de corrupção.


"Como restou demonstrado na defesa, inclusive por gráficos, não há nenhuma relação entre o repasse do dinheiro e o apoio ao governo, o que desnatura o falacioso mensalão", disse.

"Não há, aliás, nenhum pagamento mensal, como também se demonstrou."

Campanha.
Da mesma forma, conforme ele, não há relação entre apoio dos partidos da base com o dinheiro dos empréstimos.

Delúbio dá uma explicação duvidosa:
"Ao longo do período em que foram feitos os repasses, a taxa de apoio ao governo diminuiu, o que mostra a absoluta improcedência da acusação de corrupção".


Todo o dinheiro que circulou entre partidos e candidatos de 2002 a 2004, segundo ele "está inequivocamente relacionado a despesas de campanha".

Ele negou que o PT seja uma quadrilha, razão pela qual também acredita que será absolvido da segunda acusação.

Ele explicou que, ao participar da fundação do partido, associou-se "com muitas outras pessoas com o fim de propugnar por um projeto político e implantá-lo por meio do exercício do poder obtido pela via democrática, mas em relação a uma associação para a prática de crimes não há uma única prova produzida nesse sentido", destacou.

Com 35 linhas, datado de 28 de junho, o memorial é assinado pelos advogados Arnaldo Malheiros Filho e Celso Sanchez Vilardi.


16 de julho de 2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Juiz anula coligação do PSD de Kassab com o PT em Belo Horizonte


 
Liminar também suspende o lançamento de uma única candidata a vereadora do partido na cidade

João Domingos
O Estado de S. Paulo

BELO HORIZONTE - O juiz diretor do Foro Eleitoral de Belo Horizonte, Rogério Alves Coutinho, anulou a intervenção do prefeito Gilberto Kassab, também presidente nacional do PSD, na Comissão Provisória do partido em Belo Horizonte.

O magistrado determinou também a suspensão da decisão da comissão interventora de fechar uma coligação com o PT para a disputa à Prefeitura.

O pedido de liminar em ação cautelar foi feito pelo secretário de Gestão Metropolitana de Minas Gerais, Alexandre Silveira, entre outros.

A liminar também suspende o lançamento de uma única candidata a vereadora do partido em Belo Horizonte.

A decisão do juiz restabelece o que foi decidido na Convenção Municipal do PSD, realizada no dia 23 de junho passado, na qual ficou decidido que o partido iria se coligar com o PSB do prefeito Márcio Lacerda.
A intervenção feita por Kassab em Belo Horizonte foi contestada por lideranças do PSD, como a senadora Kátia Abreu (TO), vice-presidente do partido.

16 de julho de 2012


De mal a pior



Por Villa

A cada semana os sinais são mais preocupantes.

O governo não tem a mínima ideia do que fazer.

E a oposição?

Bem, a oposição deve estar em férias.

E férias ultra prolongadas.


No mínimo desde outubro de 2010.

Segue trecho da matéria do "Valor":


Analistas preveem que PIB crescerá menos de 2% em 2012, mostra Focus

Por Ana Conceição
Valor

SÃO PAULO - Analistas do mercado financeiro reduziram, pela décima semana consecutiva, suas estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2012, de acordo com o boletim Focus, divulgado hoje pelo Banco Central.

A mediana das projeções apuradas pela autoridade monetária junto a cerca de cem instituições financeiras caiu de 2,01% para 1,90%.

A queda ocorre depois que o BC divulgou seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), na quinta-feira passada.

Criado para antecipar a tendência do PIB, o indicador recuou 0,02% em maio, ante abril, feitos os ajustes sazonais.

No boletim Focus, os analistas também mostraram que esperam um PIB menor em 2013.

A mediana das estimativas recuou de 4,20% para 4,10%.
 16/07/2012


O casal Collor não conhecia os poderes da magia vermelha





Rosane e a magia vermelha

gmfiuza

Geral 


Rosane Collor reapareceu em grande estilo. Em nome de Jesus, foi ao “Fantástico” pedir o aumento da pensão que Fernando lhe paga.
A ex-primeira-dama está indignada.

Contou que tem amigas divorciadas recebendo R$ 40 mil de pensão, e nenhuma delas é ex-mulher de senador ou de ex-presidente da República. Rosane está sobrevivendo com míseros R$ 18 mil que Collor lhe dá.
Esse flagrante de desigualdade social há de comover o Brasil.

E vem revelar a penúria dos herdeiros do esquema PC, provando que a gangue da Casa da Dinda era um grupo colegial perto dos profissionais de hoje.


Paulo César Farias extorquia empresários para reforçar o caixa presidencial e usava a LBA para empregar aliados.

Santa inocência.
Esse prontuário hoje não derrubaria nem o topete da presidente.


Carlinhos Cachoeira, o PC do século 21, mandava no Dnit – um dos órgãos mais ricos do governo federal. Dnit cujo diretor atendia a um emissário do PT para coletar verbas para a campanha de Dilma Rousseff.

Cachoeira era sócio clandestino da empreiteira que dominava o PAC, principal programa de obras do governo popular. Enquanto repassava dinheiro a empresas fantasmas do bicheiro, a empreiteira Delta recebia imunidade do governo Dilma – cometendo superfaturamentos em série sem ser afastada do PAC.

Diante de um esquema desses, PC e Collor ficariam assistindo de calças curtas e chupando pirulito.

Chega a dar pena de Rosane e seu marido trancados no porão fazendo magia negra contra os inimigos, vendo-se que hoje basta a presidente demitir meia-dúzia de aloprados para enfeitiçar toda uma nação (ou uns 80% dela).

O casal Collor não conhecia os poderes da magia vermelha.

Cachoeira é defendido pelo ex-ministro da Justiça de Lula e a CPI dá vida mansa à Delta e aos seus padrinhos federais.
Profissionalismo é isso aí.

Daqui a dez anos, nenhuma herdeira do esquema vai precisar mendigar aumento de pensão em público.

 16/07/2012

Edir Macedo, racismo e misoginia: cadê os ministros da Igualdade Racial e das Mulheres?



Nunca subestimem o empresário Edir Macedo, dono da Rede Record e da Igreja Universal do Reino de Deus

Ele sempre pode se superar

Este homem de Deus já pisoteou o Eclesiastes para defender o aborto em livro e vídeo.

Numa “aula” ministrada a seus colaboradores, diz como convencer as pessoas a doar dinheiro para a sua igreja: se preciso, jogue-se a Bíblia no chão, ensina, e se demonstre valentia até contra Deus!

Deixou-se ainda filmar com um chicote na mão, expulsando o demônio do corpo de um gay. Os “progressistas” ficaram calados porque o empresário é hoje um dos principais aliados do lulo-petismo.

A Record é apontada por patriotas como José Dirceu como um exemplo de isenção no jornalismo.

Alguns dos grandes difamadores de lideranças da oposição, de ministros do Supremo e da própria imprensa são contratados da empresa comandada por este gigante moral.

Ele é o patrão.
Muito bem! Na sexta-feira, Macedo publicou num site ligado à sua igreja um texto intitulado “Homem de Deus quanto à idade e à raça”.

Trata-se de mais uma peça grotesca produzida por este teólogo de meia-pataca.

Misoginia — repúdio às mulheres — e evidente discriminação racial se juntam num texto asqueroso.

Até agora, não vi nenhuma reação da Secretaria das Mulheres, comandada por Eleonora Menicucci, parceira de Macedo na defesa intransigente do aborto. Até agora, não vi nenhuma reação da Secretaria da Igualdade Racial, que, não obstante, foi torrar a paciência de Alexandre Pires —  um negro! — por suposto racismo num vídeo que é apenas galhofeiro.
Leiam trechos do texto de Macedo (em vermelho). Volto depois.
O rapaz que deseja fazer a Obra de Deus não deve se casar com uma moça que tenha idade superior à dele, salvo algumas exceções, como por exemplo aquele que é suficientemente maduro e experiente na vida para não se deixar influenciar por ela. Mesmo assim, a diferença não deve ultrapassar dois anos.

Muitas pessoas não gostam quando fazemos estas colocações; entretanto, temos visto que quando a mulher tem idade superior à do seu marido, ela, que por natureza já tem o instinto de ser ‘mandona”, acaba por se colocar no lugar da mãe do marido.

E o pior não é isto. A mulher normalmente envelhece mais cedo que o homem, e quando ela chega à meia-idade, o marido, por sua vez, está maduro mas não tão envelhecido quanto ela. E a experiência tem mostrado que é muito mais difícil, mas não impossível, manter a fidelidade conjugal.

Para evitar este ou outros transtornos, oriundos da diferença de idade (a do marido inferior à da esposa), é preferível que não haja qualquer compromisso de casamento.
(…)


Quanto à raça

Não haveria nenhum problema para o homem de Deus se casar com uma mulher de raça diferente da dele, não fossem os problemas da discriminação que seus filhos poderão enfrentar nas sociedades racistas deste mundo louco.

É preciso que ambos estejam conscientes quanto aos riscos de traumas ou complexos que as crianças poderão absorver durante os períodos escolares, e, a partir daí, carregarem-nos por toda a vida.

Infelizmente, os pais não terão como evitar que aconteçam rejeições ou críticas por parte dos coleguinhas nas escolas nos países onde eles poderão estar pregando o Evangelho.

O homem de Deus precisa estar sempre preparado para servir a Deus onde quer que Ele assim determine, e, assim, nem sempre estará em um país onde não haja esse tipo de situação. Portanto, é necessário que o casal examine também esta questão, antes de qualquer compromisso mais sério.


(…)
Procuramos alertar sobre esta situação não porque a Igreja Universal do Reino de Deus tenha qualquer objeção quanto ao casamento envolvendo mistura de raça ou cor. Não, muito pelo contrário!

Temos vários homens de Deus casados com mulheres de raças diferentes. Não teríamos absolutamente nada a comentar a este respeito, mas temos visto este tipo de problema acontecendo com as crianças dentro das nossas igrejas, em outros países.
Procuramos, portanto, trazer à baila esta situação a fim de evitarmos transtornos no futuro do homem de Deus e na obra que está reservada para ele.


Voltei
Nem vou entrar no mérito sobre o casamento com mulheres mais velhas. A recomendação de Macedo a seus pastores é de tal sorte cretina que não comporta considerações. O que é espantoso é, sim, o juízo que ele faz do sexo feminino.

A mulher é uma espécie de agente desestabilizador do homem, sempre pronto a influenciá-lo de modo nefasto. Afinal, diz o sábio, a mulher, “por natureza, já tem o instinto de ser mandona”. Se mais velha, acaba virando “mãe do marido”. O “bispo”, então, decide ser o coautor de um novo Levítico, criando leis: a diferença deve ser de, no máximo, dois anos… Por que dois? Vai ver o Altíssimo revelou essa verdade a este grande profeta!
Note-se ainda que Macedo não aposta na fidelidade ao casamento. Se a mulher é mais velha, diz ele, fica difícil não trair. Esse homem que converte almas parece acreditar que há forças superiores às quais mesmo os convertidos não conseguem resistir. E dá um conselho: “é preferível que não haja qualquer compromisso de casamento”.

Discriminação racial
Macedo é um revolucionário também da biologia. Descobriu a existência de novas “raças”, além da humana. Gostaria de saber quais são. Segundo o Censo do IBGE de 2010, os brancos são 47,73% do país; 7,61% são negros; os pardos formam o segundo maior grupo: 43,13%. Vale dizer: quase a metade do Brasil é formada por mestiços, fruto do que o Macedo chamaria de mistura de “raças diferentes”.

É um acinte e um despropósito que o líder de uma igreja, concessionário de uma rede de televisão, se manifeste nesses termos — especialmente quando se sabe que muitos de seus pastores são… mestiços!
Mas este grande homem de Deus, vocês sabem, é uma alma caridosa. Naquele vídeo nojento em que defende o aborto, ele tenta nos convencer de que só o faz por amor à humanidade e até em defesa do próprio feto assassinado.

Segundo ele, melhor esse destino do que uma criança solta por aí… Entenderam? Em defesa, então, da vítima, por que não matá-la? Age do mesmo modo quando recomenda o não casamento de pessoas de “raças ou cores diferentes”. Seria para o bem das criancinhas…
Espantosamente, ele aponta a existência de discriminação racial dentro da sua própria igreja: “(…) temos visto este tipo de problema acontecendo com as crianças dentro das nossas igrejas, em outros países”. Que coisa! O homem que aparece de chicotinho na mão enfrentando ninguém menos do que o demônio deixa claro que não pretende combater o racismo nem dentro dos templos de sua igreja. Ao contrário: já que o racismo existe, melhor se adaptar a ele e evitar a mistura. Tudo para proteger as criancinhas…
É isso aí… A título de registro, deixo aqui alguns vídeos sobre a trajetória deste homem santo e suas afinidades eletivas. Volto depois dos filmes para encerrar.
Aqui, na posse da “mandona” Dilma Rousseff, com  direito a conversa ao pé do ouvido e mão no ombro:

Macedo, de chicote na mão, expulsa demônio do corpo de um gay:

Macedo defende que se expulse o feto do corpo da mãe:




Encerro
Eis aí… Edir Macedo é hoje a mais cara joia do “progressismo” dos companheiros. Os petistas o consideram um verdadeiro exemplo a ser seguido. Pouco mais de um ano depois daquela conversa ao pé do ouvido com Dilma, o senador Marcelo Crivella, sobrinho do “bispo”, levou o Ministério da Pesca.


Cadê a Secretaria das Mulheres?


Cadê a Secretaria da Igualdade Racial?
16/07/2012

Cachoeira pode salvar o Brasil



Carlinhos Cachoeira perdeu a vontade de viver

Está extremamente deprimido, muito chateado mesmo

Quem deu essa notícia triste foi a noiva do "empresário da contravenção", Andressa Cachoeira


POR GUILHERME FIUZA
REVISTA ÉPOCA


A mesma que dois meses atrás dava risadas, dizendo que seu amado conquistara muita gente por ser "uma pessoa encantadora".

Na época, a musa dos caça-níqueis fazia planos para o casamento assim que Cachoeira saísse da prisão. Hoje o casal não parece mais tão feliz.

O que mudou, afinal?

Aparentemente, nada. Carlinhos continua preso, Andressa continua linda, e o patrimônio milionário dos Cachoeiras, construído com o suor dos políticos comprados, continua intacto no laranjal da família.

O que estará azedando esse conto de fadas do Cerrado?

Ao que tudo indica, a culpa é da CPI.


Quando todos os holofotes estavam apontados para a Comissão que investiga as obras completas do bicheiro, olhando para o escândalo, os clientes de Cachoeira tremiam em seus gabinetes.

O risco a seus mandatos e pescoços recomendava um olhar carinhoso para com Carlinhos, garantindo-lhe tratamento republicano com a grife de Márcio Thomaz Bastos, o padroeiro das causas malcheirosas.

Era um tempo de otimismo, com governantes e parlamentares suando frio, e a sensação de que a qualquer momento um habeas corpus mágico do doutor Márcio acabaria com aquele constrangimento todo.

Como chegou a ponderar Andressa, "ninguém está livre de ser preso" - ou seja, era um mero incidente a superar, para o bem de todos (os sócios).


Mas algo deu errado.

O Brasil, entediado, mudou de novela. Preferiu os pilantras de Avenida Brasil e os charlatões da Rio+20. Abandonada pelo público, a CPI ficou à vontade para embromar sem culpa.

Aliviou o ex-dono da Delta, barrou sua convocação tranquilamente, enquanto a plateia assistia ao teatro da salvação do planeta no Rio de Janeiro.

Os depoimentos de Fernando Cavendish e Luiz Antonio Pagot (ex-diretor do Dnit) ficaram para depois das férias, depois das Olimpíadas, depois do início da campanha eleitoral - enfim, ficaram para depois.

É como se o desfile da Mangueira fosse marcado para Quarta-Feira de Cinzas.

Carlinhos não merecia isso.

Com a queda vertiginosa da CPI no ibope, seus companheiros no Congresso e nos palácios descobriram que a farra pode sair mais barata do que parecia. Se o Brasil não está nem aí, eles também não estão.

Cachoeira começou a entender que pode mofar onde está.

Daqui a pouco o comando da República popular desloca Thomaz Bastos para refrescar outro aloprado, e a jovem Andressa perceberá que ninguém está livre de continuar preso.


A essa altura, talvez nem a Playboy a queira mais.


Como rei morto é rei posto, Adriano Aprígio, o ex-cunhado de Carlinhos e um de seus principais testas de ferro, já caiu também.

Foram descobertos e-mails enviados de sua casa à procuradora Léa Batista de Oliveira, uma das denunciantes do bicheiro, em tom não muito educado: "Sua vadia, ainda vamos te pegar. Cuidado, você e sua família correm perigo".

A prisão de Aprígio, um dos guardiões do patrimônio dos Cachoeiras, fez Carlinhos passar mal na cadeia, como revelou sua noiva, consternada: "Ele desmaiou.


O diretor pegou, levou ele para a sala do diretor. Ele passou muito mal, muito mal mesmo". É comovente ver um homem que tanto fez por tanta gente sofrendo assim, sozinho, com as notícias terríveis que recebe na cadeia.
Neste momento de dor, vai aqui um conselho ao torturado réu: nobre empresário da contravenção, pare de esperar pela providência dos falsos companheiros.

Acabe você mesmo com a solidão.

Agora.


Faça como Roberto Jefferson: aperte o botão vermelho. Conte quem no governo federal mandava proteger a Delta e aprovar todos os acréscimos de contrato que a construtora espetava no PAC.

Explique resumidamente como esse dinheiro saía do governo e voltava para as campanhas dos políticos aliados ao governo, passando por suas empresas de fachada.


Acorde, senhor Cachoeira.

Seus amigos palacianos vão esquecê-lo nesse cubículo.

Seus esquemas serão refeitos com outro despachante mais esperto.

Entregue esses parasitas com crachás de revolucionários.

O Brasil lhe será eternamente grato.



Julho 16, 2012




Dever cumprido



Por Olavo de Carvalho
Artigos - Direito

Em nota divulgada no seu site, o deputado Jean Wyllys reconhece que este jornal eletrônico publicou o seu desmentido, e anuncia que vai processar somente aquelas pessoas ou grupos que continuem a espalhar pela internet, sem esse desmentido, os dois e-mails falsos enviados em seu nome por meio de um provedor checo.

Já é alguma coisa. Mas não é tudo.

As palavras do deputado deixam a impressão de que o Mídia Sem Máscara simplesmente recebeu um desmentido e o publicou.

Na verdade, não recebemos desmentido nenhum, nem qualquer pedido de que o publicássemos.

Qualquer pessoa que veja falsas mensagens publicadas em seu nome num jornal eletrônico ou impresso tem como reação lógica, espontânea e quase obrigatória solicitar aos redatores a retificação do erro, exercendo nisso, sem mais delongas, o direito de resposta que a lei lhe assegura.

O Sr. Wyllys, surpreendentemente, não fez nada disso.

Manteve-se em completo silêncio, apenas colocando na sua própria página do Twitter uma brevíssima notificação do ocorrido, da qual não recebemos nem cópia, e que só chegou ao nosso conhecimento por amabilidade de um leitor.


Imediatamente tomamos, por nossa própria e exclusiva iniciativa, as providências necessárias para localizar a fonte dos e-mails falsos.

Tão logo identificamos essa fonte, denunciamos a fraude, sem que nenhuma solicitação nesse sentido nos chegasse da parte do Sr. Wyllys ou de seus assessores.


Se não fosse a intervenção daquele leitor gentil, teríamos permanecido no erro e estaríamos agora entre os ameaçados de ação judicial.

Não entendemos por que o Sr. Wyllys se omitiu de exercer o seu direito de resposta, nem por que agora ele deixa de reconhecer explicitamente que, até o momento, a única iniciativa concreta para restabelecer os fatos e defender a sua reputação partiu deste jornal – não dele próprio, nem de seus assessores.

Se não fosse pela nossa investigação, o desmentido do Sr. Wyllys ainda estaria pairando no ar como uma simples asserção sem provas.

Uma coisa é esbravejar que teve seu nome usado indevidamente: foi o que fez o Sr. Wyllys.

Outra coisa é prová-lo – e disto nos incumbimos nós.

Não estamos pedindo que ele nos agradeça pelo simples fato de colocarmos nossa obrigação jornalística acima de eventuais desacordos ou desavenças que possamos ter com ele.

Mas o fato é que até agora, neste episódio, fizemos mais pela boa imagem do Sr. Wyllys do que ele mesmo fez.
 16 Julho 2012

O sobrenome do chanceler que vive de joelhos é mais que uma contradição


É um insulto aos patriotas de verdade


Por Augusto Nunes

Sequestrado pelas Farc em 13 de outubro de 1998, Elkin Rivas sobrevive há quase 100 mil horas ao mais brutal dos cativeiros.
Ele tinha 22 anos e era tenente da polícia colombiana quando foi capturado sem ter cometido qualquer crime e sentenciado, sem julgamento formal, a um tipo de horror que não tem prazo para terminar.

Aos 34, não sabe quando ─ ou se ─ retomará a vida interrompida.

Enquadrado na categoria dos “reféns políticos”, Elkin é um dos 13 remanescentes do grupo cuja soltura as Farc condicionam desde 2006 ao indulto de 500 narcoterroristas capturados pelo governo e condenados pela Justiça.


A interrogação sugerida no segundo parágrafo do post de 9 de agosto de 2010, reproduzido integralmente na seção O País quer Saber, foi desfeita à bala pouco mais de um ano depois.

Em 26 de novembro de 2011, em meio a uma tentativa de resgate empreendida por soldados do exército, a tropa narcoterrorista cumpriu a lei da selva: antes de fugir, matou os quatro reféns que mantinha acorrentados. Um era civil. Entre os três militares estava o tenente Elkin Rivas, executado com três tiros na cabeça.

“O Brasil tem uma posição neutra sobre as Farc”,
recitou Marco Aurélio Garcia desde o começo do governo Lula, para camuflar as relações de cumplicidade entre o Planalto e a organização narcoterrorista.

Em 2010, orientados pelo Assessor Especial para Assuntos Internacionais, o presidente Lula e Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, não se comoveram com o martírio imposto aos sequestrados por companheiros colombianos.


Em 2011, também monitorados pelo conselheiro Garcia, Dilma Rousseff e o atual chanceler Antonio Patriota não disseram uma única palavra sobre o desfecho do drama.

O silêncio da dupla reafirmou a opção obscena por um tipo de neutralidade que iguala um governo constitucional e um bando de assassinos, o certo e o errado, a claridade e a treva.

E mostrou que era Garcia o chanceler de fato.


Era e é, berra o desembaraço com que vem agindo o professor de complicações cucarachas desde o impeachment sofrido pelo companheiro Fernando Lugo.

Inconformado com a perda do reprodutor de batina, decidiu no mesmo minuto que Hugo Chávez e seus estafetas bolivarianos tinham razão: houve “um golpe” contra a democracia.

A descoberta do primeiro golpe da História que obedeceu ao que manda a Constituição do país foi a senha para a sequência de pontapés na verdade e na soberania do Paraguai.

Ninguém, não custa registrar, deve espantar-se com o que diz a boca à espera de um dentista: Garcia acha que a solução para o futuro do subcontinente está num passado que não deu certo.

Espantoso é o silêncio dos embaixadores ainda na ativa ou aposentados.

Espantoso é o servilismo dos chefes do Itamaraty escalados para a execução da política externa da cafajestagem formulada por essa velharia perdida nos escombros do Muro de Berlim.


A vassalagem de Celso Amorim garantiu-lhe o emprego e a estima de todos os liberticidas amigos de Lula.


A sabujice de Antonio Patriota ratifica a fama de melhor aluno de Amorim.

A ausência de luz própria identifica um integrante da tribo que consulta o chefe até para escolher o prato no restaurante.

A expressão assustadiça rima com quem vive de joelhos.


E está sempre pronto para defender o indefensável, como atestou a tentativa de justificar no Senado mais um papelão internacional do Brasil.

“A suspensão do Paraguai do Mercosul e da Unasul enviou um sinal claro ao governo recém-instalado em Assunção e mostrou que a região não tolera desvios que comprometam a plena vigência da democracia no continente”, declamou Patriota.

Ele considerou o reconhecimento do novo governo paraguaio por dezenas de países tão irrelevante quanto o relatório de Jose Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, que voltou de uma visita ao Paraguai sem ter enxergado qualquer ilegalidade no afastamento de Lugo.

“É uma opinião pessoal”, desdenhou. “A questão paraguaia precisa ser discutida por todos os membros da OEA. Nosso compromisso com a democracia é inegociável”.

As eleições presidenciais marcadas para daqui a nove meses podem normalizar as coisas, concedeu o representante do governo que exigiu a devolução a Cuba da carteirinha de sócio da OEA.

Por que o Paraguai só será redimido pela aparição das urnas que sumiram há mais de 50 anos da ilha-fazenda dos Irmãos Castro?

“Nenhuma democracia é perfeita”,
balbuciou. A ditadura comunista, portanto, é uma democracia imperfeita.

E os países governados por tiranetes amigos só precisam de ajustes, informou a continuação do palavrório: “Todos nós estamos aqui lutando para aperfeiçoar nossa democracia e pode haver aspectos em uma democracia e outra que nos pareçam aprimoráveis”.

A plateia indignada com o espetáculo do autoritarismo encenado na Venezuela, na Argentina ou na Bolívia só precisa ter paciência com o bolívar-de-hospício, a viúva-de-tango e o lhama-de-franja. Os três são “aprimoráveis”.

Antes de janeiro de 2003, as diretrizes da política externa se subordinavam aos interesses do país ─ e o cargo de ministro das Relações Exteriores decididamente não era para qualquer um.

Hoje, a diplomacia brasileira revogou a altivez para atender aos interesses de um partido, aos caprichos do Planalto e às vontades de vizinhos vigaristas.

No Brasil de Lula e Dilma, até um Celso Amorim pode virar ministro.

Até um Antonio Patriota.


O sobrenome do chanceler é mais que uma contradição.

É uma afronta à história do Itamaraty.

E é um insulto aos patriotas de verdade.


16/07/2012

Esta terra ainda vai cumprir seu ideal: ainda vai se tornar um imenso Butão!






Por Reinaldo Azevedo


Estou de volta. Com saudade de vocês e, como sempre, disposto ao debate. Ainda não terminei o livro, mas consegui avançar bastante. Bem, vamos a um daqueles textos longos, né?, que é para deixar claro que nada mudou, hehe.
*


Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff ficou a um passo de propor ao Butão uma aliança estratégica para fazer do tal Índice de Felicidade o verdadeiro medidor da fortuna dos países.

Há menos de dois meses, o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmava que o Brasil cresceria 4% — no começo do ano, falava-se em 4,7%, 4,5%.

Tudo indica que ficará aí em torno de 2%; é consenso que será menos do que os 2,7% do ano passado.

Num discurso para a juventude, a governanta não hesitou: esse negócio de PIB é muito relativo, entenderam? O importante é cuidar das pessoas.

Ah, bom!!!

Tudo como no Butão, aquele reino famoso por ter criado o tal “Índice de Felicidade”, que andou seduzindo alguns trouxas dispostos a aderir a qualquer orientalismo exótico.

Vocês sabem: ainda hoje, há ocidentais que vão aprender meditação da Índia, enquanto os indianos vão mesmo é estudar economia em Harvard…


O Butão, se querem saber, é uma bela cerda, mas, se os butaneses estão felizes, eu também estou. Se eles têm motivos para isso, podemos viver em gozo permanente.

O Índice de Desenvolvimento Humano (o IDH) deles é de 0,619 — o nosso, 0,718.

A mortalidade infantil naquele paraíso é de 45 por mil nascimentos; por aqui, 15,6.

A taxa de alfabetização por lá é de 47%; no Bananão, se ignorarmos os analfabetos funcionais, chega a 90,4%.

Como dizem os cantores de axé e do breganejo, “quem tá feliz tira o pé do chãããooo!!!”

Antes que continue, uma observação à margem: não acho que caberia a Mantega fazer previsões pessimistas e deixar cabisbaixos os tais agentes econômicos.
Mas também não precisaria ter se comportado como animador de auditório. Não podendo falar a verdade, resta o caminho do prudente silêncio.

Há gente o bastante no governo para fazer proselitismo político. Pois bem! Ninguém tem dúvida de que acabou a fase da bonança para o Brasil, que havia pegado carona no crescimento da economia mundial. Reportagem de capa da VEJA desta semana, de Giuliano Guandalini, sintetiza o diagnóstico (em azul):


A economia brasileira é um para­doxo. O governo abre a mão e despeja recursos e incentivos em massa na eco­nomia, os juros nunca foram tão bai­xos, e o desemprego permanece em pa­tamares mínimos. Tem-se aqui a com­binação perfeita para injetar ânimo e insuflar o consumo e os investimentos.

Mas o PIB não dá sinais de reação.

Por quê?

Uma primeira explicação estaria nos efeitos da crise do euro e do pálido crescimento dos países ricos.

Mas só isso não explica a desaceleração. So­frendo as mesmas pressões externas negativas, as economias de Chile, Peru e Colômbia têm projeção de crescimento de 5% para este ano.

O Brasil perdeu o gás por motivos mais profundos. Há dez anos o governo não faz nenhuma reforma significativa com impacto positivo no principal indutor da riqueza: a produtividade.

A melhora na infraestrutura foi medíocre durante todo esse período, fazer negócios continua a ser um pesadelo burocrático e tributário, e a qualidade da mão de obra evoluiu, mas pouco.

O crescimento econômico, enquanto durou, foi resultado de políticas de crédito barato que não podem ser mantidas indefinidamente e do empuxo das reformas feitas na década anterior.

Tudo isso, claro, impulsionado pela valorização dos principais itens da exportação — a produção agrícola e os minérios.

A balança comercial favorável trouxe bilhões de dólares e alimentou a expansão do crédito. Agora, sem o vento externo a favor, os antigos gargalos voltaram a estrangular o PIB”.

Questão política
Dada essa realidade, o normal seria que houvesse um intenso debate no país, a mobilizar as lideranças da oposição (quais, santo Deus!?), os sindicatos, os ditos movimentos sociais, os líderes empresariais…

Mas quê!!!

O que se ouve é um silêncio constrangedor — quando não se tem uma espécie de chacrinha adesista. Há comerciais de bancos, por exemplo, que não se distinguem da voz do oficialismo.

Se as oposições — mais raquíticas do que nunca, é verdade — estão mudas, aquelas outras vozes da sociedade foram cooptadas pelo capilé oficial: numa ponta, compra-se a adesão com o Bolsa Família; na outra, com o Bolsa BNDES; durante um bom período, houve também o Bolsa Juros.

O Butão de dimensões continentais ficou feliz enquanto durou a farra e enquanto o país era a Blanche Dubois da economia — vivendo da boa vontade de estranhos. Na hora de viver segundo os próprios méritos, a receita desandou. E notem: o silêncio não se resume à economia.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concedeu uma entrevista a André Petry, nas Páginas Amarelas da VEJA desta semana. Destaco alguns trechos (em azul):


(…)
O BNDES pega dinheiro do Tesouro e empresta a empresas com juros subsidiados. Quem paga o subsídio? Nós, os contribuintes.

(…) O Brasil hoje é o país da Bolsa Família e da Bolsa Empresa, o que resultou na felicidade geral. Daí o apoio ao governo.


(…) A classe média ficou de fora. Mas, com  a prosperidade das bolsas, as pessoas perderam a motivação para debater. Não há mais debate. O debate político-partidário perdeu sua centralidade. (…) O debate se deslocou para a mídia. É por isso que o governo acusa a mídia de ser oposição. Porque é a única instituição que fala, e o povo ouve.


(…)
[Os partidos] precisam tomar posição diante dos fatos correntes. Como têm medo de assumir posições, os partidos não falam nada. Legalização das drogas? Silêncio. Aborto? Silêncio. Relação do Estado com a religião? Silêncio. Qual é a melhor maneira de resolver a questão do transporte? Silêncio.

São questões do cotidiano. Questões que levariam a população a se identificar com os partidos. A própria sociedade civil, antes vibrante e ativa, se encolheu. Sempre digo: se você não politiza, não acontece nada.
(…)


Voltei
Concordo com FHC, é evidente. Até porque expressei esse mesmo ponto de vista — EMBORA, MUITO PROVAVELMENTE, ESTIVESSE COM A CABEÇA VOLTADA PARA O OUTRO LADO (já explico o que quero dizer) — num longo artigo publicado na VEJA, na última edição de 2010. Transcrevo trechos para que comparem (também em azul):

(…)
Temos já um Brasil de adultos contribuintes, com uma classe média que trabalha e estuda, que dá duro, que pretende subir na vida, que paga impostos escorchantes, diretos e indiretos, a um estado insaciável e ineficiente.

Milhões de brasileiros serão mais autônomos, mais senhores de si e menos suscetíveis a respostas simples e erradas para problemas difíceis quando souberem que são eles a pagar a conta da vanglória dos governos.

É inútil às oposições disputar a paternidade do maná estatal que ceva megacurrais eleitorais. Os órfãos da política, hoje em dia, não são os que recebem os benefícios — e nem entro no mérito, não agora, se acertados ou não -—, mas os que financiam a operação.

Entre esses, encontram-se milhões de trabalhadores, todos pagadores de impostos, muitos deles também pobres!
Esse Brasil profundo também tem valores — e valores se transformam em política. O que pensa esse outro país? O debate sobre a descriminação do aborto, que marcou a reta final da disputa de 2010, alarmou a direção do PT e certa imprensa “progressista”.

Descobriu-se, o que não deixou menos espantados setores da oposição, que amplas parcelas da sociedade brasileira, a provável maioria, cultivam valores que, mundo afora, são chamados “conservadores”, embora essas convicções, por aqui, não encontrem eco na política institucional — quando muito, oportunistas caricatos os vocalizam, prestando um desserviço ao conservadorismo.
Terão as oposições a coragem de defender seu próprio legado, de apelar ao cidadão que financia a farra do estado e de falar ao Brasil que desafia os manuais da “sociologia progressista”?

Terão as oposições a clareza de deixar para seus adversários o discurso  do “redistributivismo”, enquanto elas se ocupam das virtudes do “produtivismo”?

Terão as oposições a ousadia de não disputar com os seus adversários as glórias do mudancismo, preferindo falar aos que querem conservar conquistas da civilização?

Lembro, a título de provocação, que o apoio maciço à ocupação do Complexo do Alemão pelas Forças Armadas demonstrou que quem tem medo de ordem é certo tipo de intelectual; povo gosta de soldado fazendo valer a lei.

Ora, não pode haver equilíbrio democrático onde não há polaridade de idéias. Apontem-me uma só democracia moderna que não conte com um partido conservador forte, e eu me desminto.


(…)
Quais setores da sociedade as oposições pretendem ter como interlocutores? Continuarão órfãos de representação milhões de eleitores que não se reconhecem na ladainha pastosa do  “progressismo”?

As oposições têm de perder o receio de falar abertamente ao povo que trabalha e estuda. Que estuda e trabalha. Em vez de tentar dividir os louros da caridade, tem de ser porta-voz do progresso.


(…)
Esse comportamento vexado, assustadiço, gerou outro fenômeno. Os setores da imprensa que não abrem mão de fazer o seu trabalho — e um deles é a crítica ao poder, a qualquer um — são, então, identificados pelos petistas como “o verdadeiro partido” a ser combatido e como o “real inimigo”.

Por isso, os poderosos da hora se esforçam para criar mecanismos de censura e se declaram em guerra contra o que chamam “mídia”.
(…)


Retomando
É bem possível, meus caros, que eu e Fernando Henrique Cardoso tenhamos opiniões distintas sobre aquele elenco de temas. Ele integra o que muitos gostam de chamar “campo progressista”, e eu não.

Mas, neste momento, interessa menos o conteúdo do que a postura. A verdade lastimável é que não se ouve a voz da oposição nem na economia nem nas questões que dizem respeito a valores, que são fundamentais para determinar as escolhas políticas.

Ao contrário: vive-se sob a égide da patrulha e do medo.

Querem um exemplo?

Em janeiro deste ano, Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, foi encarregado de escrever um balanço sobre o primeiro ano de governo Dilma (leia post a respeito).

Mandou ver: classificou-o de “medíocre, amorfo e insípido”.

Os adjetivos foram vetados por Sérgio Guerra, presidente do partido, e pela ala mineira. Goldman fez a lista de insucessos do governo, chamando-os de “constrangedora sucessão de fracassos”.

De jeito nenhum!

Depois de submetido à linguagem tucanamente correta, o texto identificou apenas “sérios problemas em diversas áreas”.

Entenderam?

Ainda como membro do Conselho Político do PSDB — instância que nunca chegou a existir de fato —, José Serra, agora candidato à Prefeitura de São Paulo, antecipou com impressionante precisão alguns dos problemas que o país está enfrentando.

Os artigos, publicados na imprensa, estão reunidos em seu site. Os tucanos leram? Parece que estavam pisando os astros distraídos — ou desastrados, como diria um cantor…

Começando a aterrissar
Não existe uma política que seja a negação da… política. Ela só se faz de modo ativo, com os agentes apresentando-se para o debate.

A única voz de “oposição” que se ouve é aquela que os petistas fazem nos estados e cidades a governos rivais — especialmente quando tucanos. Tome-se o caso da greve que paralisou 56 das 58 universidades federais.

Se não espero que tucanos se comportem como os urubus petistas ao menor sinal de problema da USP, a sua inação, nesse caso, chega a ser escandalosa.

Não que eu, pessoalmente, endosse greves de servidores; todos sabem o que penso a respeito, pouco importa quem seja o governo de turno.

O busílis é outro:

— como se deu a expansão dessas instituições de ensino?

— qual é a real situação da infraestrutura dessas entidades?

— em que condições acadêmicas operam essas universidades?


Houve uma ou outra manifestação, mas coisa pequena, sem relevância, muito abaixo da gravidade do problema.

E olhem que o principal arquiteto desse modelo, Fernando Haddad, é o candidato ungido por Lula à Prefeitura de São Paulo, que os petistas passaram a considerar “estratégica”.

O ponto é o seguinte, meus caros: seria ruim ter um governo falando sozinho ainda que ele soubesse para onde vai; não sabendo, aí a coisa já é mesmo temerária.

A pior coisa que pode acontecer ao país é o que eu chamo de “naturalização das escolhas políticas”, como se elas fossem soluções ditadas pela lógica do processo, que não comportassem alternativas.

Ora, se não comportam, com que cara a oposição se apresenta em 2014 para tentar tomar o cetro das mãos de Dilma?

Ainda que faça um governo medíocre, as únicas forças que Dilma tem a temer, dada a toada, são mesmo Lula e o PT…



16.07.2012

domingo, 15 de julho de 2012

Rosane Collor revela que ex-presidente fazia rituais de magia negra na Casa da Dinda


Fernando Collor e Rosane ficaram casados por 22 anos.

Há sete anos se separaram.

Agora brigam na Justiça em um processo litigioso.



Vinte anos depois do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo, a ex-mulher dele decide abrir o jogo sobre esse período conturbado da história do Brasil. Rosane Collor diz que o ex-marido mentiu sobre as relações dele com Paulo Cesar Farias, o PC Farias, figura que comandava um esquema de corrupção dentro do governo.

Rosane conta mais: confirma que para se defender de inimigos políticos, o então presidente Collor participava de sessões de magia negra nos porões da Casa da Dinda, a residência oficial do casal em Brasília.
A reportagem é de Renata Ceribelli.

Fantástico: Você tem saudade do poder?

Rosane: O poder é efêmero, o poder um dia acaba.

Em 1990, quando Fernando e Rosane Collor de Mello se tornaram o presidente e a primeira-dama mais jovens do Brasil, ele com 40 anos e ela com 26, ninguém poderia imaginar essa cena: a Rosane, que chamava atenção pelas roupas caras e extravagantes, passando sempre a imagem de mulher poderosa, hoje se senta com a Bíblia entre as mãos em cultos evangélicos para pedir ajuda e dar testemunhos como esse:

Rosane: E olha que eu tive muitos momentos em que eu disse: Jesus, me leva, aqui nessa terra eu não quero ficar mais.

Fernando Collor e Rosane ficaram casados por 22 anos. Há sete anos se separaram. Agora brigam na Justiça em um processo litigioso.

Nesta entrevista, Rosane fala pela primeira vez sobre o que viu e viveu na presidência do ex-marido, hoje senador. São revelações inéditas, que confirmam boa parte do que Pedro Collor, irmão já falecido do ex-presidente, disse há 20 anos, detonando o processo de impeachment, o afastamento de Fernando Collor do poder.

A versão de Rosane estará também num livro que ela escreve com o jornalista Fábio Fabretti.

“Eu me considero um arquivo vivo. E eu digo em todas as entrevistas, e inclusive já disse na Justiça, que se algo acontecer na minha vida, o responsável maior será Fernando Collor de Mello”, diz ela.

Rosane conta que chegou a ser ameaçada ao decidir ir à casa de uma pastora chamada Maria Cecília, da Igreja Resgatando Vidas para Deus. Cecília era amiga do casal Collor, e antes de se converter à Igreja, se dedicava ao que Rosane chama de magia negra. Nesse encontro, a pastora distribuiu uma gravação em que revelava trabalhos de magia feitos por encomenda do presidente na casa da Dinda, a mansão da família Collor em Brasília. Revelações que Rosane confirmará nessa entrevista.

Rosane: Eu recebi um telefonema dizendo que eu não fosse a esse evento porque, se eu fosse, eu iria, mas eu não voltaria. E eu repreendi, disse que não tinha medo.

Fantástico: E você acha que foi ele? Ou foi ele que te ameaçou?

Rosane: Foi ele que ameaçou.


Fantástico: Ele te ligou e pessoalmente te disse isso?


Rosane: Um telefonema anônimo. Eu não sei se era ele que estava no telefone. Eu sei que eram pessoas que falavam dizendo que ele tinha mandado ligar, dizendo que eu não fosse praquele culto, porque se eu fosse eu não voltaria.

Para entender as acusações de Rosane Collor de Mello contra o ex-marido, é preciso relembrar um dos momentos mais dramáticos da história do país.

O ano é 1989. O Brasil está eufórico por votar para Presidente da República depois de 29 anos sem eleições diretas.

Fernando Collor se lança candidato como o defensor dos humildes, o caçador de marajás, como eram conhecidos os funcionários públicos que recebiam supersalários.

Collor: Vamos fazer do nosso voto a nossa arma, para retirar do Palácio do Planalto os maiores marajás desse país!

A estratégia funcionou. Collor venceu com 35 milhões de votos. Lula ficou em segundo, com 31 milhões.

O novo presidente assumiu em 15 de março de 1990. Pouco tempo depois da posse, começaram a circular as primeiras denúncias de corrupção envolvendo o nome do tesoureiro da campanha, Paulo César Farias. PC, como ficou conhecido, era acusado de pedir dinheiro a empresários em troca de privilégios no governo.

“Toda e qualquer denúncia tem que ser exemplarmente apurada”, declarou Collor, em 1991.

Em maio de 1992, estoura a bomba: em entrevista à revista Veja, o próprio irmão do presidente, Pedro Collor, afirma que PC Farias era testa-de-ferro de Fernando Collor. O presidente, segundo as declarações do irmão, sabia das atividades criminosas de seu ex-tesoureiro.

Dez meses depois, Pedro vai além. Em entrevista ao Jornal do Brasil, diz que Collor e Rosane faziam o que ele, Pedro, chamou de rituais de magia negra. E na própria casa da Dinda, que era a mansão da família Collor, em Brasília.

Hoje, Rosane conta detalhes sobre esses rituais. E relata como foi o encontro com Maria Cecília, no dia em que teria sido ameaçada por telefone.

Rosane: Já faz bastante tempo que ela aceitou Jesus, ela hoje é pastora, e ela estava fazendo lançamento de um CD, onde ela contava todas as experiências.

Fantástico: Inclusive os rituais de magia negra que aconteciam.
Rosane: Inclusive os rituais de magia negra que eles faziam, mas não com a minha participação, porque algumas coisas eu participei, mas a grande maioria eu não aceitava participar.

Nesse CD a que Rosane se refere, Maria Cecília relata duas fases desse trabalho com Fernando Collor. Uma para ele chegar à Presidência: “Foi um trabalho muito sério. Foi um trabalho imundo, podre, nojento, para que se colocasse ali, na presidência da República, aquele homem para administrar o Brasil.”

Outra, com ele já presidente, nos porões da casa da Dinda. Nesse trecho, Maria Cecília fala dela mesma como se falasse de outra pessoa: “E ela teve que ir para Brasília, improvisar na Casa da Dinda, um lugar que fosse para o atendimento do marido e da esposa que estavam na presidência da República. E ela deu continuidade àquele trabalho por um longo tempo.”

Depois, Cecília confirmaria numa entrevista à revista Época a realização desses rituais.
Fantástico: Nesse livro, você vai contar justamente sobre esses rituais que ele não gostaria que fossem contados.

Rosane: Com certeza.
Fantástico: Que rituais são esses?

Rosane: Trabalhos em cemitérios, trabalhos muito fortes.
Fantástico: E com animais?

Rosane: Com animais era matança mesmo. Galinha, boi, vaca, animais que são sacrificados.
Uma imagem mostra a proximidade de Maria Cecília com Fernando Collor: em 1991, ela sobe a rampa ao lado do presidente, e trocando sorrisos. A cor branca do terno teria sido uma orientação de Cecília.

Também por orientação dela, segundo Rosane, Collor fazia rituais com a intenção de se proteger de inimigos políticos. Tentando fazer com que fossem atingidos pelo mal que desejassem contra ele:

Rosane: O Fernando fez ritual de ficar isolado, na Casa da Dinda ele ficou, tem um porão e ele ficou durante três dias isolado, como se fosse se consagrando.

Fantástico: Com animal morto?


Rosane: Mas não no mesmo local. Dormindo numa esteira, ficando ali vestido com roupa branca.

Fantástico: E ele fazia isso pedindo o que?


Rosane: Porque ele acreditava que pessoas que desejavam mal pra ele, fazendo isso, o mal que as pessoas mandavam pra ele, voltava.


Fantástico: Durante quanto tempo vocês fizeram esse tipo de ritual?
Rosane: Quando eu conheci o Fernando ele já frequentava esses ambientes. Enquanto a gente esteve casado, ele praticava.

Rosane afirma acreditar que esses rituais deram origem ao que ela chama de "Maldição do Collor", e que ela e Maria Cecília só escaparam por terem aceitado Jesus.

Eu e a Cecília somos duas pessoas que estamos vivas. Eu não acredito em coincidência, eu acredito em ‘jesuscidência’. E somos duas pessoas que estamos vivas por ter aceitado Jesus.

Fantástico: O que você chama de "Maldição do Collor"?

Rosane: De as pessoas que tentaram prejudicá-lo. Vários exemplos morreram de morte estranha. Eu acredito na maldição, de aquilo que quando você deseja o mal para alguém, isso pode acontecer.

Fantástico: Quantas pessoas morreram de maneira estranha? A mulher do PC Farias.

Rosane: É que é uma pessoa que não tinha muito carinho pelo Fernando. Ela não gostava do Fernando. Agora jamais vou afirmar que o Fernando fez algum trabalho para que ela fosse morta.

Pedro Collor morreria em 1994, vítima de um câncer no cérebro. Dois anos antes, as denúncias feitas por ele na revista Veja provocaram a criação de uma CPI, e Collor tentou uma cartada: ele pediu o apoio popular:

“Saiam no próximo domingo de casa com alguma peça de roupa com as cores da nossa bandeira! Que exponham nas janelas! Que exponham nas suas janelas toalhas, panos, o que tiver nas cores da nossa bandeira. Porque assim, no próximo domingo, nós estaremos mostrando onde está a verdadeira maioria”, afirmou Collor na época.

Dois dias depois da conclamação, em vez de usar verde a amarelo, milhares de jovens que ficariam conhecidos como caras pintadas vão para as ruas vestindo preto. E pedem o afastamento do presidente.

Em junho, Collor tinha feito um pronunciamento em rede nacional negando que mantivesse contato com PC Farias.

“Há cerca de dois anos não encontro o senhor Paulo César Farias nem falo com ele. Mente quem afirma o contrário”, disse.

Hoje, Rosane, pela primeira vez, desmente o ex-marido. E diz que, por isso, Collor tem medo do livro que ela está escrevendo:

Fantástico: Quem você acha que está temendo hoje pelo lançamento do seu livro?

Rosane: Eu prefiro acreditar que tem pessoas que estão receosas.


Fantástico: Quem?
Rosane: O próprio Fernando, né? Porque eu acredito que eu vou contar coisas que ele não gostaria de ser contada.

Fantástico: Por exemplo?
Rosane: Vou dar um exemplo forte. O PC continuava, ele tomava café da manhã na Casa da Dinda, e ele disse que não, e acontecia. Uma vez por semana, ele tomava café da manhã na Casa da Dinda com Fernando, Presidente da República. Agora, depois que começaram a sair as notícias ruins, aí ele nunca mais foi tomar café na nossa casa. Até porque o PC era tesoureiro do Fernando da época da campanha. Ele quem fez a arrecadação, isso todo mundo sabe.
Fantástico: E depois, qual era a relação do Fernando Collor com PC Farias?

Rosane: De amizade, eles eram amigos.
Fantástico: E no governo?
Rosane: Eu tenho certeza absoluta que o PC teve influência no governo. Tanto que ele tinha irmão que foi ser da Saúde.

Fantástico: Mas o Fernando Collor negou essa informação na época, dizendo que ele não tinha contato com o PC Farias. Por que ele negou?

Rosane: Não sei por que ele negou.

Fantástico: Você perguntou pra ele?
Rosane: Perguntei, ele disse que preferia que fosse assim.

Fantástico: Quem tinha mais influência sobre Collor de Mello. Rosane ou PC?
Rosane: Nossa, eu acredito que o PC Farias.


Rosane lembra que em 1993, quando foi decretada a prisão de PC Farias, a mulher dele, Elma, saiu em defesa do marido: “O Paulo César não agiu sozinho, ele teve alguém que mandou. O chefe maior foi quem mandou ele fazer isso.”

Fantástico: E o chefe era o Fernando Collor?

Rosane: Eu acredito que, quando ela falou nessa entrevista, eu acredito que ela tenha falado do Fernando.
Rosane revela que, quando foi presidente da Legião Brasileira de Assistência (LBA), teve problemas com PC Farias.

Rosane: Uma certa manhã, nós estávamos tomando café da manhã na Casa da Dinda, eu era presidente da LBA de fato, e no café da manhã eu fui conversar com o Fernando e o PC estava lá, e eu disse que eu não gostaria que o PC viesse interferir na LBA.

Fantástico: Que tipo de interferência ele queria fazer?

Rosane: Colocando muitas pessoas pra trabalhar em cargos importantes.


Fantástico: Pessoas dele?
Rosane: Pessoas ligadas a ele. Eu disse que eu não ia permitir.

Fantástico: Isso coincidiu com a primeira crise do casal, em 1991?


Rosane: Exatamente. Foi aí a grande crise que nós tivemos no casamento.

Fernando Collor não se preocupou em esconder que, durante o período de crise no casamento, andava sem a aliança.

Rosane revela agora como o presidente e a primeira-dama mais jovens da história eram assediados nos salões da política.

Fantástico: Vocês eram um casal jovem, bonito. Tinha muito assédio?

Rosane: Com certeza. Eu acredito que de ambas as partes.

Fantástico: Muita mulher dando em cima do Fernando Collor?
Rosane: Muitas mulheres.

Fantástico: Muito homens dando em cima?
Rosane: Com certeza. Isso é natural. Até pelo fato de a primeira-dama ser jovem, até pelo fato do presidente ser jovem, ter 40 anos de idade.

Fantástico: Você, como primeira-dama, foi assediada?

Rosane: É normal. As pessoas olham, se encantam.

Fantástico: Foi cantada?
Rosane: Não sei se cantada, mas palavras mais gentis.

Fantástico: Presentes?


Rosane: É, ganhei. Presente de joias, e eu entregava pra ele. Pra saber o que eu fazia.

Fantástico: Homens te mandando joias de presente?

Rosane: É, de presente. Dava presente. Dizia: era presente pra primeira dama. Normal.

Mais tarde, a própria Rosane foi afastada da presidência da LBA, sob acusações de desvio de verbas.

Rosane: Em relação a isso eu não faço mais nenhum comentário, porque o Supremo Tribunal Federal me deu ganho de causa por unanimidade.
PC Farias foi preso em 1993, e em 1996, quando estava em liberdade condicional, foi encontrado morto em Maceió. A polícia concluiu que PC foi morto pela namorada, que se suicidou em seguida, mas o crime nunca foi completamente desvendado.

Fantástico: Onde você e o Collor estavam quando o PC Farias morreu?
Rosane: Nós estávamos no Taiti.

Fantástico: Como que vocês receberam essa notícia?

Rosane: Ele ficou preocupado. Agradeceu por não estar lá, porque poderia passar na cabeça das pessoas que ele poderia estar envolvido.

Fantástico: Você achou?

Rosane: Não, em nenhum momento. Como acredito que ele não está envolvido na morte do PC.

O momento decisivo da carreira política de Fernando Collor de Mello aconteceu no dia 24 de agosto de 1992. A CPI encarregada de investigar as denúncias contra o presidente concluiu: “Os documentos apresentados hoje pela Comissão Parlamentar de inquérito apontam as ligações do presidente Collor e de sua família com o chamado esquema PC”, disse o noticiário.

Os documentos registram uma reforma de US$ 2,5 milhões na Casa da Dinda, a mansão da família Collor, em Brasília; a compra de um carro Fiat Elba; e despesas pessoais, tudo pago por cheques de fantasmas, ou seja, de pessoas fictícias, inventadas, o que caracteriza crime contra a probidade na administração, um crime de responsabilidade, cuja pena é a perda do cargo. A votação do relatório pelo plenário da Câmara aconteceu no dia 29 de setembro de 1992.

Fantástico: O momento do impeachment. O momento da votação. Onde você estava?

Rosane: Nossa, foi muito tenso. Eu ia ficar com ele, eu queria assistir lá na presidência, no Planalto. Mas ele falou que não queria. Que ele queria assistir sozinho. E cada minuto, cada voto que era dado, ele ligava pra mim. Aí no momento que ele viu que não tinha mais jeito, que realmente o impeachment ia acontecer, ele realmente ficou desesperado.

Fantástico: Quando vocês se encontraram depois disso, o que ele te falou?

Rosane: Só nos abraçamos. Quando ele chegou em casa, nos abraçamos, eu tentei acalmá-lo, tranquilizá-lo e dizer: vai passar, eu estou aqui contigo, eu vou estar sempre do teu lado.

Em entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto, no Fantástico, Fernando Collor admitiu que pensou no pior, no suicídio.

Rosane lembra que nesse momento ficou apavorada.

Rosane: Eu procurei tirar as armas que tinham dentro de casa, eu tirei. Até por precaução, porque num momento de desespero a pessoa pode fazer. Então eu tentei. Durante muito tempo. Eu comecei a ter problema de insônia, porque eu já não conseguia dormir. Eu ficava angustiada, achando que ele era capaz de fazer alguma coisa. Então qualquer movimento dele, nos primeiros dias, se ele levantasse da cama, eu tava com o sono tão leve, era uma coisa impressionante, era tão leve meu sono que ele levantava e eu já acordava. Podia ser o que fosse, eu acho que nem dormia.
Fantástico: Ele ia pro banheiro...

Rosane: Ele ia pro banheiro, eu já acordava e corria atrás dele. Ele dizia: "calma, Quinha, eu estou no banheiro". Eu achava que, não sei, que ele pudesse cometer, porque foi tudo muito rápido, foi uma coisa muito rápida...

Fantástico: Cometer suicídio?


Rosane: Eu achei que ele pudesse cometer.

Aprovado na Câmara, o pedido de impeachment seguiu para o Senado já no dia seguinte, sendo também aprovado e dando início ao julgamento de Collor, que deveria estar concluído em até 180 dias. Até lá, Collor ficaria afastado da presidência temporariamente, sendo substituído pelo vice Itamar Franco, o que, seguindo os trâmites oficiais, só aconteceu em 2 de outubro de 1992. Foi o dia em que Collor desceu a rampa do Palácio do Planalto pela última vez.

Rosane: Então, naquele momento, quando ele assinou, ele estava muito triste, ele estava muito abatido, ele estava muito magro. Estava depressivo, já não conseguia se alimentar direito. E naquele momento, quando ele assinou e nós fomos descer a rampa e ele quis, sabe, tipo, quis baixar a cabeça, eu segurei na mão dele, e disse: vamos, levanta a cabeça, vamos em frente que a gente vai conseguir.

Em 29 de dezembro, o Senado se reúne sob o comando do então presidente do Supremo Tribunal Federal, Sidney Sanches, para julgar se Fernando Collor era mesmo culpado pelo crime de responsabilidade, apontado pela Câmara. Se condenado, Collor continuaria afastado, não voltaria à presidência e ficaria inelegível por oito anos. Para escapar dessa punição e garantir seus direitos políticos, ele tenta uma manobra de última hora: renuncia à presidência. Mas a tentativa não dá certo. Resultado: Fernando Collor é finalmente condenado.

Na esfera criminal, dois anos depois, Collor enfrentou no STF a acusação de corrupção passiva. Alegou que as despesas apontadas pela Câmara foram pagas com sobras do dinheiro da campanha de 1989 e com um suposto empréstimo feito no Uruguai. Collor alegou também desconhecer que suas contas eram pagas por meio de cheques de fantasmas. Para condená-lo por corrupção passiva, era necessário que a procuradoria provasse que Collor recebeu dinheiro em troca de favores e serviços prestados a corruptores. Mas, no entendimento do STF, a procuradoria não conseguiu nenhum documento que provasse isso de forma inequívoca. Por essa razão, por cinco votos a três, o Supremo absolveu Collor da acusação de corrupção passiva.

Hoje, Rosane faz uma avaliação sobre o passado.

Fantástico: Você tava preparada pra tanto poder?

Rosane: Ah, não, de jeito nenhum, acho que a gente não tava preparado.

Fantástico: Você se deslumbrou?

Rosane: Eu acho que todo mundo se deslumbra. Eu acho que chega o momento que a gente vê. Eu chegava e estava ao lado da princesa Diana. Eu estava jantando com a princesa Diana.
Collor voltou à política em 2002 e perdeu a eleição para o governo de Alagoas. Em 2006, foi eleito senador pelo mesmo estado. A separação de Rosane e Fernando Collor tinha ocorrido um ano antes, em 2005:

Fantástico: Essa casa onde você vive é de quem?

Rosane: Essa casa, hoje ela está, ele colocou porque ele tem um débito comigo na pensão alimentícia.

Segundo Rosane, a dívida de Collor é de R$ 950 mil. Ela briga na Justiça para ter acesso à parte dos bens que o ex-marido acumulou na vida pública. Os dois eram casados em regime de separação de bens. Quando casou, Rosane tinha 19 anos.

Fantástico: Vocês se casaram em que regime?

Rosane: Antes, em separação de bens total. Eu não sabia, eu achava que tinha sido parcial. Eu achava que aquilo que ele tinha antes era dele. E aquilo que a gente construísse seria nosso. Mas infelizmente, pela minha imaturidade, eu assinei um documento que eu não sabia o que estava fazendo.

Fantástico: Você pode dizer de quanto é sua pensão hoje?

Rosane: É de R$ 18 mil reais. É a pensão que eu recebo.

Fantástico: E você acha pouco?


Rosane: Pela vida que ele tem, sim. Eu vejo amigas minhas que se separaram. Agora há pouco tempo eu tenho um caso de uma amiga minha que se separou, o marido não é ex-presidente, não é senador da República, e tem uma pensão de quase R$ 40 mil.
Fantástico: E você, o que sente por ele?


Rosane: É aquilo que eu digo: o Fernando foi o grande amor da minha vida, mas também foi minha grande decepção.

Réus no mensalão se livram de ações de improbidade


Lentidão da Justiça
e erros grosseiros atrasam outros processos contra acusados

EX-MINISTRO do governo Lula, José Dirceu foi excluído de um dos processos
Marcelo Piu/05-08-2011


BRASÍLIA - Prestes a ir a julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), os réus do mensalão conseguiram se livrar, até agora, de condenações em outras frentes de investigação abertas pelo Ministério Público Federal (MPF).

Processos que tramitam na primeira instância da Justiça Federal com base na Lei de Improbidade Administrativa estão emperrados e não há, a médio prazo, perspectiva de julgamento.

As ações geraram pilhas de papéis espalhados por diferentes varas e recheados de erros de instrução jurídica, o que vem favorecendo a defesa dos acusados.

No caso do STF, os ministros começam a julgar o caso em 2 de agosto, com perspectiva de veredicto no mês seguinte.

Os quatro integrantes do chamado núcleo central do esquema — José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil no governo Lula; José Genoino, ex-presidente do PT; Delúbio Soares, ex-tesoureiro; e Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do partido — e o operador do mensalão, Marcos Valério de Souza, são acusados de improbidade administrativa em cinco processos na Justiça Federal de Brasília.

Nesses processos de origem cível, as sanções por atos de improbidade podem ser a suspensão dos direitos políticos por até dez anos e o ressarcimento dos danos causados ao patrimônio público. No caso do STF, a ação penal prevê pena de prisão.

Por diferentes razões, que vão além da estratégia dos advogados ou das provas colhidas nos autos, os réus estão longe de uma condenação.

Uma das ações está parada porque o MPF incluiu erroneamente um homônimo de um dos acusados de improbidade.

Em vez de Lúcio Bolonha Funaro, a pessoa incluída, citada e depois excluída do processo foi Lúcio Funaro. A Justiça ainda não localizou o verdadeiro acusado. A busca é feita desde 2009.

Tramitação de processos é lenta

Outro processo, em tramitação na 6 Vara Federal de Brasília, ficou sem qualquer movimentação de 18 de maio de 2011 a 25 de maio deste ano.

Antes, em setembro de 2010, a Corregedoria do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1 Região já havia determinado o “cumprimento dos prazos processuais”.

“A ação foi proposta em 2007 e, a despeito de sua notória relevância para o interesse público, ainda não se chegou sequer à fase de recebimento de denúncia”, manifestou-se nos autos o procurador da República Paulo Roberto Galvão de Carvalho. “A ação no STF já está em fase de julgamento, não havendo justificativa para a delonga deste processo”, sustentou o procurador.

Dirceu, Genoino, Delúbio, Sílvio e Marcos Valério foram excluídos de um dos processos porque o juiz federal responsável, Alaôr Piacini, entendeu que eles já são réus em ações semelhantes.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou essa decisão, em maio deste ano, e apontou “erro grosseiro” no recurso proposto pelo MPF.
Como a decisão não foi de mérito, o processo deve continuar a tramitar. Por enquanto, está parado na Coordenação de Recursos do TRF.

Outros dois processos sob a responsabilidade de Piacini estão suspensos desde 2009. O magistrado entendeu que os autos devem ser conectados, por se tratar de uma mesma acusação e ter réus em comum, os que formam o núcleo central do esquema.
— Vou dar celeridade nos processos quando os autos retornarem. Mas, se houver absolvição no STF, na ação penal, não há razão para punir na cível, embora as esferas sejam independentes — diz Piacini.

A estratégia do MPF foi propor cinco ações de improbidade com a repetição das acusações para os integrantes do núcleo central e a individualização da denúncia por partido. Supostos beneficiários do repasse de dinheiro para a compra de voto no Congresso e do apoio ao governo respondem a ações distintas, conforme a sigla: PT, PP, PR (antigo PL), PTB e PMDB.

Coordenador da área cível da Procuradoria da República do Distrito Federal, o procurador Carlos Henrique Martins defende a estratégia de pulverizar ações. Sustenta que réus excluídos poderão ser reintegrados ao processo na análise do mérito e diz que casos como o do homônimo “podem ocorrer”.

Além dos cinco réus, respondem às mesmas acusações de improbidade administrativa 32 pessoas, entre integrantes dos núcleos político, operacional e financeiro do esquema.

A grande maioria enfrentará também o julgamento no STF a partir do dia 2 de agosto.

Uma das exceções é Sílvio Pereira, excluído da ação penal num acordo para cumprimento de pena alternativa.

Ele continua réu em quatro das cinco ações que tramitam na Justiça Federal. O ex-deputado federal José Janene (PP-PR), falecido em 2010, ainda figura como réu em uma das ações de improbidade. O MPF quer a intimação do espólio do ex-deputado como substituto na ação.

Único réu do mensalão a disputar uma eleição este ano, o deputado federal João Paulo Cunha, candidato do PT à prefeitura de Osasco (SP), responde a duas ações de improbidade.

Numa, arrolou como testemunhas de defesa o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), atual ministro dos Esportes, e Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional. Eles deveriam ter comparecido à Justiça em setembro de 2011, o que não ocorreu. Oitivas de testemunhas por carta precatória atrasam o andamento do processo.

João Paulo e Marcos Valério são réus em dois processos em Brasília. Em Minas, Valério é réu em mais seis processos, ainda sem sentenças.

Uma condenação por improbidade em segunda instância deixa inelegível o acusado, prevê a Lei da Ficha Limpa.

As ações referentes aos réus do mensalão apuram vantagens indevidas em função dos cargos públicos, inclusive com suspeita de enriquecimento ilícito.