
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Integra da nota de Lina Vieira sobre as demissões na Receita
A ex-secretária de Receita Lina Vieira divulgou nota na noite desta terça-feira na qual chama a exoneração de dirigentes da Receita Federal de "perigoso recuo".
Leia a íntegra da nota:
"Nota à imprensa
As duas demissões e os doze pedidos de exonerações dos servidores que integraram a minha equipe, durante o período em que estive à frente da Receita Federal do Brasil, representam um perigoso recuo no processo de fortalecimento das Instituições de Estado do Brasil.
As instituições de Estado --como é caso da Receita Federal-- somente poderão exercer o seu papel constitucional, se compostas por servidores que primem pela ética no serviço público, imunes a influências políticas de partidos ou de governos. Os governos passam, o Estado fica e, com ele, os servidores públicos.
Esses colegas são pessoas sérias, de competência inquestionável, cujo único pecado foi o compromisso com um projeto de uma Receita Federal independente e focada nos grandes contribuintes.
Natal (RN), 25 de agosto de 2009.
Lina Vieira"
É a lama...é a lama...
Onde anda aquela gente que, antes da Era Lula, vivia de caneta na mão para não perder nenhum abaixo-assinado?
O silêncio que endossa é tão vergonhoso quanto o grito de apoio
O apresentador do sarau na sala da residência carioca de Gilberto Gil, então compondo e cantando no cargo de ministro da Cultura, foi o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto. “A política é um terreno pantanoso, a ética é de conveniência”, começou. “Se o fim é nobre, os fins justificam os meios”. Ligeira pausa e a ressalva que ilumina o porão:
“O que eu acho inaceitável é roubar. Mentir é do jogo político. Não é roubo”.
O convidado de honra sentiu-se em casa. Naquele agosto de 2006, em campanha pela reeleição, Lula era ainda assombrado por reaparições do fantasma do mensalão, que havia mais de um ano vagava pela Praça dos Três Poderes.
A fala de Barretão avisou que estava entre amigos. Estava entre comparsas, corrigiu o ator Paulo Betti, encarregado de saudar o presidente em nome dos artistas que se acham intelectuais e dos intelectuais que se acham artistas.
“Não vamos ser hipócritas: política se faz com mãos sujas”, abriu o jogo Paulo Betti.
Foi a senha para a estreia do músico Wagner Tiso, sempre o segundo em qualquer parceria, como coadjuvante especializado em comédias de maus costumes. “Não estou preocupado com a ética do PT”, solfejou. “Acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país”.
Tradução da partitura: para o compositor que se esvaía em lágrimas com clubes da esquina ou corações de estudantes, a bandalheira institucionalizada é uma forma de arte política.
Capturados por jornalistas, o argumento, o roteiro e as falas de cada participante do espetáculo do cinismo chegaram aos brasileiros decentes. A reação aconselhou o elenco a agir com cautela. Se possível, sem palavras. A mudança de tática, ocorrida há três anos, explica o sumiço dos artistas e intelectuais neste inverno da infâmia. Os que absolveram ostensivamente os mensaleiros agora absolvem por omissão a bandidagem federal.
Onde anda aquela gente que, antes da Era Lula, vivia de caneta na mão para não perder nenhum abaixo-assinado?
O Congresso está sob o comando de uma quadrilha monitorada pelo Executivo.
Nada têm a dizer atores e músicos que protestavam contra os maus modos do guarda de trânsito. Um juiz subordinado a José Sarney ressuscita a censura à imprensa. Permanecem calados escritores e catedráticos que se manifestavam até contra a impontualidade do entregador de pizza. Há sete meses são ouvidos os estrondos dos escândalos. Há sete meses nenhum deles dá um pio.
No fim de julho, no meio da guerra suja promovida para manter Sarney longe do cadafalso, a turma perdeu uma boa chance de começar o resgate da honra em frangalhos. Para assinar o projeto que institui o vale-cultura, Lula marcou um encontro com a sucursal paulista dos operários da arte. Coerentemente, a delegação carioca presente à reunião no teatro foi liderada por Luiz Carlos Barreto. O apresentador do sarau na casa de Gil é o produtor do longa-metragem Lula, o filho do Brasil. Mas o chefe não ouviu nenhuma cobrança. Até cobrou mais ação da platéia no meio de outro show.
Com Dilma Rousseff ao lado, Lula definiu-se generosamente como “pouco letrado”. Aplausos. Embora não tenha visto sequer uma vírgula desenhada pelo crítico literário Antônio Candido, risonho na platéia, definiu-o como “o melhor intelectual brasileiro”. Aplausos intensos. E avisou que o projeto só será aprovado sem demora se os parlamentares forem devidamente pressionados. Ovação.
“A aprovação depende de vocês irem lá, porque, se a televisão for contra, não aprova”, ensinou o professor de Congresso. “Portanto, depende de fazer um jogo de forças entre os que acham que é preciso inovar e os que acham que já está bom”. Que tal perguntar a Lula se aquele abraço em Palmeiras dos Índios era mesmo necessário? Por que não aproveitar a viagem a Brasília para um ato de protesto contra a decomposição moral do Senado, o assassinato da ética e a revogação do Código Penal? Essas coisas podem esperar, respondeu a mudez coletiva.
Não há diferenças relevantes o sarau no Rio e o encontro em São Paulo.
Os que seguem contemplando calados o avanço dos fora-da-lei são tão velhacos quanto os que absolveram ostensivamente o bando do mensalão.
A cumplicidade ativa não é mais grave que a omissão que endossa.
O apoio explícito e o silêncio que consente são igualmente vergonhosos.
"Não nos foi dado o direito de investigação necessária. Quando não fazemos investigação, quem perde é a sociedade."
CAROL PIRES - Agencia Estado
Ao pedir hoje a renúncia do senador José Sarney (PMDB-AP) do cargo de presidente do Senado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), para simbolizar sua atitude, mostrou, em plenário, um cartão vermelho, numa referência ao procedimento utilizado por juízes de futebol para expulsar um jogador de campo.
"No meu entender, o arquivamento das ações no Conselho de Ética não resolveu a crise. Para voltarmos à normalidade no Senado, o melhor caminho é que José Sarney renuncie ao cargo (de presidente)", disse.
Ele explicou que o cartão vermelho a Sarney foi dado por ele para que a população entendesse o simbolismo de seu pedido.
Senadores irão contestar no STF fim de ações contra Sarney
"Nosso último recurso é o Poder Judiciário. Como nós não confiamos no Conselho de Ética, porque foi criado para blindar o presidente José Sarney, vamos pedir ao Supremo que garanta a investigação", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), após reunião em que os parlamentares decidiram entrar com o mandado de segurança no STF.
"Não nos foi dado o direito de investigação necessária. Quando não fazemos investigação, quem perde é a sociedade."
Oposição decidiu se retirar do Conselho de Ética do Senado em protesto contra José Sarney (PMDB-AP).
O DEM e o PSDB retiraram seus cinco representantes do colegiado, que é composto por 15 senadores.
Os partidos ainda vão apresentar uma proposta de reformulação do Conselho de Ética.
O texto prevê que cada partido possa indicar um membro para o colegiado.
Atualmente, as vagas são divididas de acordo com os tamanhos das bancadas - o que permite que grandes legendas indiquem a maioria dos integrantes.
"A solução é renunciar.
Ir lá para fazer palhaçada, eu não me disponho a isso. Só voltaremos para o novo Conselho, porque este está viciado", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
O líder do DEM, José Agripino (RN), destaca que a medida tem como objetivo pressionar o Senado a discutir a reformulação do colegiado. "É uma atitude de responsabilidade", afirmou.
A proposta de reformulação ainda busca que apenas senadores titulares dos mandatos integrem o conselho, com prioridade para os líderes partidários ou parlamentares indicados por eles.Além disso, os integrantes do conselho não poderão responder a processos na Justiça por crimes como improbidade administrativa e irregularidades investigadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
"O projeto tem um compromisso fundamental, defender a ética.
Extinguir o conselho é abrir mão de uma prerrogativa que é do Legislativo", completou Agripino Maia.
Lula é a anta do Brasil
União não ficará com 71% do dinheiro do pré-sal
Depois, corrigiu-se e disse que 71% correspondem às áreas restantes a serem licitadas.
- Quando a gente manda uma carta para a imprensa que a gente diz uma coisa que é publicada de forma não verdadeira, muitas vezes a imprensa coloca embaixo 'erramos'.
Eu estava vendo, ali na internet, do Aloizio Mercadante, esse bichinho (internet) que escraviza o ser humano, que houve uma má compreensão, ou talvez uma má colocação minha na inauguração da pedra fundamental (da UFABC) sobre a questão do pré-sal.
E eu queria dizer o seguinte: se eu falei isso mesmo, não erramos, eu errei - disse Lula, segundo o G1 , sugerindo aos jornalistas que não incluíssem a informação na seção de erros dos jornais. - Não é que o governo vá ficar com 71% do pré-sal.
Eu quis dizer que 29% já foram licitados nas regras antigas. Então, o que vai entrar na nova regulamentação são 71%.

Lula ainda continuou fazendo referências a Mercadante - que, na semana passada, colocou mensagem no microblog Twitter dizendo que renunciaria à liderança do PT no Senado em caráter irrevogável, e voltou atrás após conversar com Lula. Mercadante acompanhou Lula no evento.
- Apenas para consertar aí, vocês que vão rapidinho ali na internet, naquele tal de Twitter, e colocam as mensagens, por favor, coloque esse mensagem rapidinho.
Aloizio já pode colocar no dele já.
Oposição deve abandonar Conselho de Ética, diz presidente do PSDB
e não deseja continuar.
Saída coletiva seria protesto contra arquivamento do caso Sarney.
Eduardo Bresciani
Do G1
O abandono seria um protesto ao arquivamento de 11 ações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na semana passada.
“Eu não fico lá. Vou defender que o partido saia porque o Conselho está descaracterizado e não cumpre o seu papel”, disse Guerra.
Ele discutirá o tema com os líderes Arthur Virgílio (PSDB-AM) e José Agripino (DEM-RN) antes de formalizar a decisão. Guerra admitiu que a ação é um “mero protesto”, visto que o trabalho do Conselho no caso Sarney já foi realizado. O presidente tucano, no entanto, pediu mais calma na discussão sobre a possível extinção do Conselho.
Guerra defendeu ainda que a oposição organize uma estratégia para a crise.
Ele enfatizou que o arquivamento das ações contra Sarney não resolve a situação porque não houve mudança na estrutura da Casa.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
" O governo está contrariado porque a ex-secretária teve atuação independente e não se submeteu a pressões "

Crise na Receita
PT chama pedido de demissão de dirigentes da Receita de ato político.
Para oposição, é reação a tentativa de ingerência
Bernardo Mello Franco
Parlamentares da oposição disseram nesta segunda-feira que a saída de 12 integrantes da cúpula da Receita Federal é uma reação a tentativas de ingerência política no órgão. Eles acusaram o governo de ter aumentado a pressão sobre a Receita ao exonerar dois servidores ligados à ex-secretária Lina Vieira. Já o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), negou interferências e classificou a demissão coletiva de ato político.
O motim foi elogiado pelo líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO). Para ele, a carta de demissão demonstra insatisfação generalizada com o governo nos escalões inferiores do órgão:
" O governo está contrariado porque a ex-secretária teve atuação independente e não se submeteu a pressões "- São servidores de carreira que exigem independência e não aceitam a submissão que tentam impor. É um gesto que deve ser aplaudido, porque a grande maioria costuma se calar para não perder o cargo.
Na avaliação do deputado, o governo teria feito uma caça às bruxas contra os ex-assessores de Lina, que acusou a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de pedir pressa na fiscalização de empresas da família Sarney:
- É uma clara retaliação. O governo está contrariado porque a ex-secretária teve atuação independente e não se submeteu a pressões.
Vaccarezza critica demissionários
O líder da minoria no Congresso, deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), afirmou que a debandada enfraquece o novo secretário, Otacílio Cartaxo:
" Se o governo quisesse interferir politicamente na Receita, não teria esperado sete anos e meio para começar a fazê-lo "
- Fica mais clara a instabilidade emocional do governo com a queda na arrecadação. Explica a ação desesperada no Congresso para tentar ressuscitar a CPMF com a criação da CSS.
Vaccarezza falou duro contra os demissionários:
- Se as pessoas querem sair, que saiam. Ninguém é insubstituível.
O petista disse que a ex-secretária não conseguiu sustentar as acusações contra Dilma no depoimento à Comissão de Constituição de Justiça do Senado .
Ele sustenta que Lina mentiu ao acusar a ministra de pedir pressa na investigação, em encontro que Dilma diz não ter ocorrido:
- Não há e não houve qualquer ingerência indevida no órgão. Se o governo quisesse interferir politicamente na Receita, não teria esperado sete anos e meio para começar a fazê-lo. Aqui.
Protesto
Mais de 10 funcionários da Receita Federal colocaram os cargos à disposição nesta segunda-feira em protesto às exonerações de dois assessores ligados à ex-secretária Lina Vieira. Entre os funcionários estão cinco superintendentes regionais, coordenadores, além do subsecretário de Fiscalização, Henrique Jorge Freitas da Silva.
Hoje, o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, exonerou os assessores Alberto Amadei Neto e Iraneth Maria Dias Weiler. As exonerações foram publicadas nesta segunda-feira pelo 'Diário Oficial' da União.
Amadei Neto era assessor de Lina e Iraneth, chefe de gabinete da ex-secretária. A Folha apurou que Lina Vieira foi demitida no dia 9 de julho, entre outros motivos, por não ter atendido a uma série de pedidos políticos. Cartaxo assumiu seu lugar.
Leia abaixo a íntegra da carta enviada pelos demissionários a Cartaxo:
"Senhor secretário:
Tendo em vista os últimos acontecimentos relacionados com a alta administração da RFB, --a começar pela forma como ocorreu a exoneração da ex-secretária Lina Maria Vieira, passando pelos depoimentos realizados no Congresso Nacional, e as recentes notícias veiculadas pela mídia nacional, denotando a clara e evidente intenção do Ministério da Fazenda de afastar outros administradores do comando da Receita Federal,-- e considerando que essas medidas revelam, sem dúvida, uma clara ruptura com a orientação e as diretrizes que pautavam a gestão anterior, nós, subsecretário de Fiscalização, superintendentes e coordenadores abaixo relacionados, declaramo-nos impossibilitados de continuar participando da atual administração da RFB.
Em que pese V. Sª ter cumprido um papel importante na administração anterior, os referidos fatos revelam uma ruptura no modelo de gestão, tanto no estilo de administrar, quanto no projeto de atuação do órgão, que nos motivou a compor a equipe da RFB.
Somos servidores públicos de Estado e pautamos nossa vida funcional pelos princípios da ética, da impessoalidade, da legalidade e da moralidade. O que nos trouxe para a administração da RFB foi a crença na possibilidade de construção de uma instituição mais republicana, com autonomia técnica e imune às ingerências e pressões de ordem política ou econômica. Nesse sentido, seria desnecessário destacar o nosso desapego a cargos comissionados, pois o nosso compromisso se prende a projetos que privilegiem o interesse público.
Compreendemos que a administração comandada por V. Sª pode e deve assessorar-se de quadros que tenham o perfil técnico e administrativo mais adequado às novas diretrizes que serão implementadas, e a nossa decisão deve ser compreendida como uma contribuição para facilitar a composição de sua equipe, considerando esse perfil.
Reafirmamos, ainda, o nosso compromisso com a instituição, com a Justiça Fiscal e com a sociedade brasileira, e esperamos que a nova gestão:
- mantenha e aprofunde a política de fiscalização que vem sendo implementada com foco nos grandes contribuintes;
- preserve a autonomia técnica da RFB na solução de consultas e de divergências de interpretação;
- não tolere qualquer tipo de ingerência política no órgão;
- apoie as propostas de revisão e alteração de atos normativos e infra-legais que visam promover maior racionalidade administrativa, mediante a descentralização do processo decisório e o resgate da autoridade dos auditores-fiscais, entre os quais destacam-se: (a) revisão de competências na aduana; (b) edição de novo decreto para regulamentar os procedimentos fiscais e a requisição de movimentação financeira; (c) revisão das competências decisórias constantes do Regimento Interno; (d) revisão ou revogação de outros atos normativos (tais como a IN que disciplina a consulta fiscal e a revogação da portaria da "mordaça");
- dê continuidade ao processo de unificação efetiva dos fiscos fazendário e previdenciário;
- dê continuidade às ações de fortalecimento da cooperação e integração dos fiscos;
- dê continuidade às ações de fortalecimento da Aduana;
- dê respaldo às Superintendências para manter os projetos de mudança em andamento; e
- administre a RFB de forma participativa e descentralizada.
Por fim, sr. secretário, queremos ressaltar que é por lealdade à instituição a que servimos que tomamos esta difícil decisão. Não podemos permanecer administradores, detentores de cargos de confiança, quando sabemos que hoje é diverso o contexto político-institucional que nos motivou a assumirmos os postos de gerência em nossa Casa, e que não mais subsiste, de parte a parte, a necessária sintonia que justificaria a nossa permanência na gestão.
Atenciosamente,
Altamir Dias de Souza Superintendente da RFB na 4ª Região Fiscal
Dão Real Pereira dos Santos Superintendente da RFB na 10ª Região Fiscal
Eugênio Celso Gonçalves Superintendente da RFB na 6ª Região Fiscal
Fátima Maria Gondim Bezerra Farias Coordenadora-Geral da COCIF
Frederico Augusto Gomes de Alencar Coordenador-Geral da COCAJ
Henrique Jorge Freitas da Silva Subsecretário de Fiscalização
José Carlos Sabino Alves Superintendente-Adjunto da RFB na 7ª Região Fiscal
Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega Superintendente da RFB na 3ª Região Fiscal
Luiz Sérgio Fonseca Soares Superintendente da RFB na 8ª Região Fiscal
Luiz Tadeu Matosinho Machado Coordenador-Geral da COSIT
Marcelo Lettieri Siqueira Coordenador-Geral da COGET
Rogério Geremia Coodenador-Geral da COFIS
Sarney ignora crise e discute com Suplicy por interrompê-lo
GABRIELA GUERREIRO
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), trocou farpas nesta segunda-feira com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) no plenário da Casa, depois que o petista lhe cobrou explicações sobre a crise política que atinge a instituição.
Sarney discursou no plenário do Senado por mais de meia hora sobre o escritor Euclides da Cunha sem mencionar a crise, mas foi obrigado a falar sobre as denúncias ao ser questionado pelo petista sobre sua declaração de que não pode ser responsabilizado pelas denúncias que atingem a Casa.
"Quando Vossa Excelência observou que não cometeu qualquer falta, que não sente culpa de coisa alguma, ora presidente Sarney. Há ocasiões que, se erros cometemos, é importante reconhecermos.
Se Vossa Excelência não se deu conta que alguns procedimentos não foram adequados, seria importante ouvir seus companheiros no Senado sobre algumas coisas que muitos de nós não consideramos o mais adequado e gostaríamos de transmitir isso a Vossa Excelência.
O reconhecimento dos próprios erros também é importante", afirmou.
.
O petista mencionou o fato de Sarney ter afirmado, na semana passada, que não se sente responsável por nenhuma das 11 acusações que resultaram em processos arquivados pelo Conselho de Ética do Senado --todas denúncias e representações contra o peemedebista.
da Folha Online
domingo, 23 de agosto de 2009
Tempos de retrocesso e de vexame.
Lula e seus aliados transformam a política em acobertamento mútuo e camaradagem sem nenhum escrúpulo
Provoca alguma tristeza, e alguns sorrisos, o drama pessoal do líder petista no Senado, Aloizio Mercadante, que anunciou em plenário sua disposição de continuar no cargo, apesar da demissão "irrevogável" veiculada na véspera.
A respeito de seu choroso depoimento no Senado, afirmando que continuaria a ser líder da bancada petista, mais vale o silêncio do que qualquer comentário crítico.
Não cabe, aqui, julgar dilemas individuais de quem quer que seja. O que importa notar, entretanto, é o vazio partidário e político que se abriu no país, conforme se consolidou o poder de Lula na Presidência e os acordos que possibilitaram seu exercício.
Mais do que cogitar acerca do caráter pessoal dos participantes da comédia, seria importante refletir sobre as condições práticas do que, a torto e a direito, chama-se a "governabilidade".
Será de fato necessário preservar uma suposta ordem nos negócios de Estado ao preço do pleno desprezo pela ética básica dos cidadãos?
Será que, em nome de uma candidatura artificial e estranha às instâncias partidárias -a da ministra Dilma Rousseff-, cumpre defender não os interesses de um partido aliado, mas esta ou aquela personalidade sob o foco das investigações?
No fundo, reedita-se hoje um comportamento político que, há quase sete décadas, foi definido pelo sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda no seu clássico "Raízes do Brasil". Lula e seus "companheiros", Lula e seus aliados, seus acólitos, ou seja lá que nome tenham: tudo corresponde exatamente ao perfil do "homem cordial", traçado por Sérgio Buarque.
Princípios, valores, códigos e programas não importam nesse modo de viver a política.
O "cordial", no caso, não se refere às características próprias de amabilidade e simpatia que um político possa ter -sobram a Lula, faltam a Dilma Rousseff, pouco importa.
Trata-se, sobretudo, do predomínio do favorecimento pessoal sobre o cálculo e a racionalidade de Estado.
Lula, Sarney, Mercadante e tantos outros abdicaram de valores e princípios. A política se transforma em acobertamento mútuo e camaradagem sem escrúpulo.
Naufragam nesse processo tanto o PT -antigo arauto da renovação social e ética no país- como o PMDB, valioso instrumento, se é que alguém se lembra, da luta contra a ditadura.
O que resta de toda a farsa?
Talvez a atitude de alguns políticos que abandonam o partido; talvez as reações de uma aturdida opinião pública, que acompanha cada lance de desmoralização institucional e de vergonha pessoal vivida durante o governo Lula.
Tempos cordiais.
Tempos de retrocesso e de vexame.
Ele é um senador do Lula e por Lula.
Por Reinaldo Azevedo
O senador Aloizio Mercadante, com o seu verbo frouxo, diz que ficou na liderança do PT porque Lula o considera “imprescindível”. Creio que sim.
É “imprescindível” para Lula haver alguém como Mercadante, que consegue até mesmo tornar o “irrevogável” revogável se Lula pedir ou mandar. É disso mesmo que precisa o presidente; tais pessoas, para ele, são “imprescindíveis”. Dispensáveis são aquelas que resistiriam, em nome de princípios, a uma coisa ou outra. É por isso que escrevi que, no PT, Lula é a instância superior, e todo o resto é inferior.
Em seu Twitter, Mercadante — que, definitivamente, perdeu o senso de ridículo — diz ter errado ao chamar de “irrevogável” a sua decisão de renunciar à liderança. Sem dúvida! O único que pode decidir o que é e o que não é “irrevogável” para Mercadante, mesmo em questões de consciência, é seu chefe político.
Isso quer dizer que Mercadante é e não é senador por São Paulo. Ele é um senador do Lula e por Lula. Se o outro mandar, pode votar contra os interesses do Estado.
PT em crise debate ética e pragmatismo às vésperas das eleições internas
PMDB pede mais por aliança
De acordo com reportagem de Gerson Camarotti e Adriana Vasconcelos, o presidente foi cobrado por caciques peemedebistas para que marque para os próximos dias uma reunião de emergência com o PMDB.
Em tom de ameaça, integrantes do partido avisaram que, se não houver um enquadramento do PT nos estados, a legenda pode abandonar a pré-candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civi, Dilma Rousseff.
Mesmo com sérios problemas de imagem, o PMDB continua cobiçado tanto por Lula, como pelo PSDB. A reportagem mostra, no entanto, que diferentemente do Planalto, os tucanos já trabalham para ficar com setores do partido e, assim, evitar o desgaste público de uma aliança.
Lula tenta adiar ao máximo as negociações
Ainda de acordo com a reportagem, ao perceber o tom de ameaça do PMDB, o presidente Lula tenta empurrar a negociação com a barriga para pagar um preço mais baixo pela aliança. Segundo assessores palacianos, ele faz uma aposta de risco: vai esperar até o próximo ano para bater o martelo com o aliado. Lula aposta na consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff ao Planalto, o que obrigaria o PMDB a entrar na aliança em qualquer condição.
Mas se a Dilma estiver fraca nas pesquisas, Lula já tem a convicção de que o PMDB não irá para o palanque, mesmo com um acordo prévio. Ou seja, não adianta agora pagar um preço ainda mais caro.










