Por Reinaldo Azevedo
O
texto abaixo está na VEJA.com, com informações das agências
France-Presse e EFE. Nesta noite ou nesta madrugada, voltarei ao
assunto. Publiquei na manhã desta quinta um post sobre o que chamo desde
abril do ano passado de “Inverno Árabe”, referindo-me à expansão de
várias modalidades de fundamentalismo, sob o manto de uma dita
“primavera”.
Não caiam
na conversa de que tudo isso foi motivado por um “filme”, sobre os quais
se têm informações obscuras. Os israelenses e os judeus, claro!, são
apontados como os suspeitos de sempre. O filme é mero pretexto. Não por
acaso, as “revoltas” tiveram início num… 11 de setembro, dia em que o
embaixador americano na Líbia foi assassinado.
Ao apoiar a “Primavera Árabe”, os EUA abriram a Caixa de Pandora. Como no mito, só a esperança ficou presa ao fundo.
No Cairo,
os protestos foram promovidos pelo segundo dia seguido. Uma manifestação
diante da embaixada dos Estados Unidos resultou em confronto entre
policiais e manifestantes. A população respondeu às tentativas das
forças de segurança de dispersar o grupo atirando pedras, garrafas e
coquetéis molotov contra os oficiais. Dados das autoridades locais
apontam que pelo menos 13 pessoas ficaram feridas.
O
presidente do Egito, Mohammed Mursi, disse nesta quinta-feira que
condena qualquer difamação ao profeta Maomé, mas assegurou que fará o
necessário para garantir a segurança das embaixadas e dos turistas
estrangeiros em seu país, afirmando também que o povo egípcio é
“civilizado e rejeita tais atos ilícitos”.
Mursi disse que, em conversa por telefone com o presidente dos
Estados Unidos, Barack Obama, pediu o fim deste tipo de comportamento
ofensivo ao Isão. Segundo ele, o mandatário americano assegurou que as
ações são obra de uma “minoria” que não representa a nação.
Iêmen
Em Sanaa, centenas de
manifestantes revoltados com a representação de Maomé como um
aproveitador mulherengo que abusava de crianças e incitava matanças no
filmeInnocence of Muslims (A Inocência dos Muçulmanos)
conseguiram entrar na embaixada americana, mas foram dispersados pela
polícia, que fez disparos para o alto e lançou jatos d’água para afastar
o grupo. Fontes apontam que os invasores gritavam palavras em defesa de
Maomé e tinham como objetivo atear fogo em alguns automóveis
estacionados no local. Uma testemunha citada pelo The New York Times disse que a bandeira americana foi queimada, sendo substituída pela iemenita. O número de pessoas feridas não foi revelado.
O
porta-voz da representação diplomática do Iêmen em Washington, Mohammed
Albasha, disse que seu governo condena o ataque e que irá “honrar as
obrigações internacionais para assegurar a segurança dos diplomatas”.
Irã
Em Teerã, quase 500 pessoas participaram de um protesto perto
da embaixada da Suíça – que representa os interesses dos Estados Unidos
no Irã – contra o filme. Mais de 200 policiais e bombeiros conseguiram
impedir a aproximação dos manifestantes da sede diplomática. Os
funcionários diplomáticos foram retirados do local por precaução. Os
manifestantes gritavam frases como “Morte aos Estados Unidos” e “Morte a
Israel”.
Iraque
No Iraque, centenas de simpatizantes do radical xiita Moqtada al-Sadr, que comanda uma milícia que combate a presença americana no país, protestaram na cidade de Najaf, a cerca de
150 quilômetros da capital Bagdá. Assim como em Teerã, eles gritavam
frase de ódio contra o filme, os Estados Unidos e Israel. Najaf, uma das
principais localidades sagradas dos xiitas, abriga o mausoléu de Ali,
figura central desta corrente religiosa.
Em razão dos protestos, Obama já havia declarado, na quarta-feira, que os Estados Unidos irão elevar imediatamente a segurança de seus diplomatas em todo o mundo.
“Eu ordenei à minha administração que forneça todos os recursos
necessários para apoiar a segurança de nossos funcionários na Líbia, e
para aumentar a segurança de nossos postos diplomáticos em todo o
planeta.” Outros postos diplomáticos ao redor do mundo declararam alerta
recentemente, como Armênia, Burundi, Kuwait, Filipinas, Sudão, Tunísia e
Zâmbia.
YouTube
O governo da Indonésia, país de maior população muçulmana do planeta, solicitou nesta quinta-feira ao site YouTube o
bloqueio do filme que provocou manifestações de violência contra
americanos no mundo muçulmano.
“Este filme é, sem dúvida alguma, um
insulto para uma religião e provocou indignação entre os muçulmanos da
Indonésia”, disse o porta-voz do ministério da Informação e
Comunicações, Gatot Dewa Broto.
O governo do Paquistão bloqueou o acesso
ao site ontem para evitar uma onda de protestos no país onde uma grande
porcentagem da população segue a religião de uma forma extremista.
O filme
Innocence of Muslims, segundo as primeiras informações,
teria sido produzido no sul da Califórnia – financiado com doações de
judeus – por uma americano de origem israelense, identificado pelo Wall Street Journal como
Sam Bacile. A obra provocou manifestações de repúdio em vários países
após representar o profeta Maomé como um trapaceiro sem caráter e com
fortes instintos sexuais. Para o islamismo, qualquer frepresentação do
profeta Maomé é considerada uma forma de pecado, passível de altas
punições dependendo do país onde a religião é praticada.
As revoltas tiveram início no Egito e
na Líbia, onde o diplomata Christopher Stevens e dos outros três
americanos morreram em um ataque ao consulado do país na cidade de
Bengasi.
O governo líbio reconheceu que perdeu o controle da situação.
Segundo o vice-ministro do Interior, Wanis al Sharf, as forças de
segurança líbias foram incapazes de interromper os manifestantes que
atacaram o consulado.
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