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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Mudança nos emergentes



 


Por Míriam Leitão
O Globo

O FMI confirmou que o mundo está mais difícil para os emergentes. China, Índia, Rússia e Brasil tiveram previsões revistas para baixo. Todos foram afetados pela perspectiva de mudança da política monetária americana, mas também carregam problemas internos.

Ao contrário do que acontece desde o início da crise, em 2008, o mundo crescerá menos pelo desempenho mais fraco das economias em desenvolvimento.

O FMI avalia que os velhos riscos para a economia mundial permanecem, como a recessão na Europa e o aperto fiscal nos Estados Unidos, mas novos problemas apareceram. Por isso, reduziu a previsão do PIB mundial de 3,3%, feita em abril, para 3,1%, agora.

Os emergentes estão sentindo os efeitos da possibilidade de fim dos estímulos americanos. Isso provoca fuga de capitais, queda da bolsa e das principais commodities, desvalorização da moeda e dos títulos dos governos. Internamente, também passam por problemas específicos.

No caso do Brasil, a falta de investimento. Na China, o baixo retorno de investimentos feitos; na Índia, incerteza administrativa.

Todos os quatro países que fazem parte do grupo dos Brics estão com um cenário pior à frente. Rússia e Brasil devem crescer apenas 2,5% este ano — abaixo da média mundial —, enquanto a Índia deve ter alta de 5,6%, e a China, 7,8%.

Quando se olha para esses quatro, é preciso ter em mente uma coisa: apesar de estarem entre as 10 maiores economias do mundo, eles ainda possuem PIB per capita muito baixo. Por isso, precisam crescer mais intensamente que os ricos.

Para a Europa, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, em entrevista postada no site do Fundo, acha que existem “sinais de esperança”, mas ele faz uma distinção entre os países centrais, que estão fazendo reformas, e a periferia, que continua em crise.

Disse que os Estados Unidos tiveram que mudar sua política monetária a curto prazo, isso é fundamentalmente uma boa notícia, porque é sinal de que eles estão fortes. O efeito colateral será atrair mais capital para lá e menos para os países emergentes, o que levará à alta do dólar.

A China tem o segundo maior PIB mundial, atrás apenas dos EUA. Mas em PIB per capita cai para 122º lugar. O Brasil é a sétima maior economia, mas cai para 106º no mesmo conceito. A Rússia cai de oitavo para 76º, enquanto a Índia vai de décimo para 166º.

Esse indicador mostra que mesmo que eles conseguissem atingir 100% de igualdade social — dividissem a riqueza em partes iguais para toda a população —, estariam distantes do padrão de vida dos países desenvolvidos. Ou seja, não basta diminuir a desigualdade, é preciso crescer.

Olhando para a América Latina, a consultoria Capital Economics avalia que a região perdeu na última década uma enorme possibilidade de alavancar o futuro. A alta dos preços das commodities não foi utilizada para aumentar os investimentos, mas sim o consumo.

Isso aconteceu de forma mais intensa no Brasil. Primeiro, não conseguimos aumentar a nossa taxa de poupança, e, segundo, não usamos o déficit em conta corrente para financiar a importação de máquinas e equipamentos.

“Desde 2009, o Brasil foi o que mais viveu esse boom consumista, com crescimento da importação de bens de consumo num ritmo duas vezes maior que o de bens de capital”, disse a consultoria.

O que se viu a partir de 2004 foi uma alta generalizada dos preços das matérias-primas, puxada pelo crescimento maior da economia chinesa. O Brasil ganhou principalmente com o minério de ferro e a soja. Mesmo depois de 2008, os preços continuaram em alta porque os americanos inundaram o mercado de dólares, que foram parar nas bolsas de commodities.

Agora, a China dá sinais de perda de potência, e os dólares começam a retornar para os EUA. Tudo indica tempos mais duros pela frente.
10.07.2013


1 comentários:

Berto pernambuco disse...

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