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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Rivais de Sarney negociam desarquivamento de ação

Joedson Alves/Folha

Articulação envolve lideranças do PSDB, do DEM e do PT
Focam no caso da contratação de um namorado da neta

Com um par de manobras, o suplente de suplente Paulo Duque retirou José Sarney da grelha do Conselho de (a)Ética do Senado.

Na quarta (5), Duque mandou ao arquivo quatro das 11 ações protocoladas contra Sarney. Na sexta (7), engavetou as outras sete.

Decididos a devolver Sarney ao espeto, lideranças do PSDB e do DEM abriram uma negociação com Aloizio Mercadante, o líder do PT.

Juntos, tucanos e ‘demos’ dispõe dos cinco votos necessários para recorrer contra as decisões de Paulo Duque (PMDB-RJ).

De posse dos recursos, Duque é obrigado a submeter os arquivamentos a uma votação no conselho. Porém...

Porém, para que as ações sejam reabertas são necessários oito votos. Placar que a oposição só atingirá se contar com o reforço dos três votos petistas no conselho.

Em reuniões reservadas e em contatos telefônicos, Aloizio Mercadante mostra-se disposto a ajudar. Age movido pela vontade da maioria de sua bancada.

A despeito da adesão de Lula ao “fica Sarney”, pelo menos sete senadores do PT advogam a tese do afastamento de Sarney. Uma licença, não a renúncia.

Na última quarta (5), antes da reunião em que Duque anunciou o engavetamento das primeiras quatro ações, Mercadante reuniu-se com um par de ‘demos’.

Foram ao gabinete do líder do PT Demóstenes Torres (GO) e José Agripino Maia (RN), líder do DEM.

Nessa conversa, Mercadante reiterou o que dissera em outra reunião que ocorrera na véspera, no gabinete do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

O líder do PT disse que não está de acordo com o arquivamento linear de todas as denúncias que assediam Sarney.

Afirmou que tampouco concorda com a reabertura de todas as representações. Comprometeu-se com a análise criteriosa, caso a caso.

Depois, em diálogos privados que manteve com outros grão-petistas, Mercadante mostrou-se disposto a ressuscitar apenas uma das ações.

Refere-se à nomeação, por meio de ato secreto, do namorado de uma neta de Sarney. Coisa documentada em grampos realizados pela Polícia Federal.

As escutas registram uma triangulação de conversas das quais participaram José Sarney e o filho Fernando Sarney.

A voz do presidente do Senado soa nítida no grampo. Concorda com o pedido de contratação do namorado da neta, que já se encontrava com Agaciel Maia.

Oito dias depois do último diálogo, o namorado da neta foi pendurado, secretamente, na folha de pagamento do Senado.

No discurso de autodefesa que pronunciou na tribuna, Sarney não teve como negar o fato. Limitou-se a realçar dois detalhes:

1. A divulgação do som dos grampos, colhidos numa operação policial chamada Boi Barrica, fora ilegal.

2. Não há nos diálogos menção a ato secreto. Com isso, tenta acomodar o malfeito na conta do ex-diretor-geral do Senado.

Em conversa telefônica que manteve com o tucano Sérgio Guerra, na manhã de sexta (7), Mercadante reiterou o descompromisso com o arquivamento em bloco.

Nos próximos dias, tucanos e ‘demos’ vão a Mercadante para cobrar a entrega da mercadoria: três votos petistas no Conselho de (a)Ética.

Resta agora saber se o petismo terá peito para desagradar Lula e para comprar briga com Renan Calheiros (AL), o líder do PMDB.

Renan acomodara Paulo Duque, um soldado de sua milícia parlamentar, na presidência do conselho para evitar dissabores a Sarney.

Duque não se afastou do script um milímetro. Os recursos da oposição já eram esperados. O que Renan não admite é a “traição” do PT.

Supondo-se que Mercadante leve às últimas conseqüências a aliança tática com a oposição, Sarney será apartado da cadeira de presidente na marra.

Desengavetando-se uma ação, o mandachuva do Senado terá dez dias para apresentar defesa. E Duque será compelido a indicar um relator para o processo.

A escolha do relator marca a abertura oficial da ação. E uma resolução do Senado, que leva o número 20, estabelece o seguinte:

Quando o senador alvo de investigação é membro da Mesa diretora, impõe-se o seu afastamento do cargo até que o caso seja julgado em termos definitivos.

Embora tenha preparado recursos contra os 11 arquivamentos, a oposição dá-se por satisfeita com a reabertura solitária do caso do namorado da neta.

Basta um processo para que o objetivo da bancada anti-Sarney se concretize: o afastamento temporário do presidente.

Dá-se de barato no Senado que, uma vez retirado da cadeira, Sarney não volta.

Com isso, imaginam todos, o Senado passaria a respirar novos ares.

Será?

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