Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Fugindo da cadeia



 

 Por Merval Pereira
O Globo

É meio vergonhoso para o PT, há dez anos no poder, que a situação desumana de nosso sistema penitenciário vire tema de debate só agora que líderes petistas estão sendo condenados a penas que implicam necessariamente regime fechado.

Chega a ser patético que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no final das contas responsável pelo monitoramento das condições em que as penas são cumpridas, diga em público que preferiria morrer caso fosse condenado a muitos anos de prisão. Dois anos no cargo, e o ministro só se mobiliza para pôr a situação das prisões brasileiras em discussão no momento em que companheiros seus de partido são condenados a sentir na própria pele as situações degradantes a que presos comuns estão expostos há muitos e muitos anos, os dez últimos sob o comando do PT.

Também o ministro revisor Ricardo Lewandowski apressou-se a anunciar que muito provavelmente o ex-presidente do PT José Genoino vai cumprir sua pena em prisão domiciliar porque não há vagas nos estabelecimentos penais apropriados para reclusões em regime semiaberto. Para culminar, vem Dias Toffoli defender que as condenações restritivas da liberdade sejam trocadas por penas alternativas e multas em dinheiro. Tudo parece compor um quadro conspiratório para tentar evitar que os condenados pelo mensalão acabem indo para a cadeia, última barreira a ser superada para que a impunidade que vigora para crimes cometidos por poderosos e ricos deixe de ser a regra.

Dias Toffolli, para justificar sua tentativa de tirar da cadeia os petistas condenados, defendeu a tese de que eram meros assaltantes dos cofres públicos, sem objetivos políticos: “Os réus cometeram desvios com intuito financeiro, não atentaram contra a democracia, que é mais sólida que tudo isso! Era o vil metal. Que se pague com o vil metal.”

Luiz Fux chegou a lembrar que apenas o Congresso pode mudar o Código Penal, que no momento estipula penas restritivas de liberdade para o tipo de crime que está sendo julgado. Gilmar Mendes, que, quando foi presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), comandou mutirão nacional para regularizar a situação de condenados em situação irregular nas cadeias depois de cumpridas as penas, lamentou que o ministro da Justiça tivesse falado só agora, “já que esse tema é conhecido desde sempre e é muito sério”. Ele não esqueceu a culpa da própria Justiça, que “não consegue julgar no tempo adequado estas questões”, mas ressaltou que “há uma grande responsabilidade de todos os governos se aí não há recursos para fazer presídios”.

O decano do Supremo, Celso de Mello, foi objetivo sobre “a grande a responsabilidade do Ministério da Justiça”, lembrando que um dos órgãos mais expressivos na estrutura penitenciária é o Departamento Penitenciário Nacional, ao qual cabe acompanhar as normas de execução penal em todo o território nacional, fiscalizar periodicamente o sistema prisional.

“O que temos visto no sistema prisional brasileiro é um depósito de presos, pessoas abandonadas à própria sorte por irresponsabilidade do poder público. É importante que o ministro tenha feito essa observação de maneira muito cândida, mas é preciso que o poder público exerça a parte executiva, sob pena de se frustrar a finalidade para a qual a pena foi concebida”, ressaltou Celso de Mello.

Para o decano da Corte, a prática da lei de execução penal “tornou-se um exercício irresponsável de ficção jurídica, uma vez que o Estado mantém-se desinteressado desta fase delicadíssima de implantação das sanções penais proclamadas pelo Poder Judiciário”.

E lembrou que um artigo da lei de execução penal determina que a pena deve ser cumprida em um local com dormitório, aparelho sanitário e lavatório, salubridade do ambiente, área mínima de seis metros quadrados. E o que se tem em realidade é um “inferno carcerário”.

Querer evitar a prisão de políticos poderosos e banqueiros pretextando a péssima situação de nosso sistema carcerário é debochar da opinião pública, menosprezar os que já estão vivendo essa situação degradante e não encarar um problema gravíssimo que exige política de governo em vez de uma esdrúxula campanha.

O Foucault mal lido de Dias Toffoli era só pretexto para protestar contra a eventual prisão de José Dirceu





Por Reinaldo Azevedo

Constrangedor, para dizer pouco, o desempenho ontem do ministro José Antonio Dias Toffoli, que, do nada e sem que houvesse ambiente para tanto, decidiu fazer um verdadeiro repto contra as penas restritivas de liberdade. Segundo ele, deveriam ser substituídas por penas pecuniárias porque, afinal, “o pedagógico é recuperar o dinheiro desviado”. Quando engatou seu discurso, tentava explicar por que votava com o revisor — Ricardo Lewandowski, que sempre opta por penas mais leves —, mas se alinha com o relator, Joaquim Barbosa, na imposição de multas mais pesadas. Usou a justificativa do voto para fazer um candente discurso contra as prisões — para ele, uma triste herança medieval. Não deixa de fazer sentido… Na Grécia e na Roma antigas, em vez das prisões, tinha-se, na melhor das opções, o degredo e, na mais corriqueira, a morte. Valia até para filósofos… Imaginem se não valeria para mensaleiros. Nesse sentido, pois, a “triste herança medieval” não deixou de ser uma espécie de afirmação humanista, não é mesmo?

Toffoli foi constrangedor, mas foi também patético. Sua invectiva contra a prisão — ecoando, diga-se, editorial recente da Folha; já chego lá — vem a público no momento em que o tribunal aplicou uma pena ao trio do ouro do petismo (José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino) que rende cadeia. Os dois primeiros, tudo o mais constante, terão de cumprir parte dela em regime fechado. E então os petistas se lembraram, liderados por José Eduardo Cardozo, que as prisões brasileiras são masmorras — talvez à altura, vai-se saber, dos adversários do petismo, mas pouco aptas para receber a nobreza companheira. É asqueroso!

O ministro, como não poderia deixar de ser, citou a fala do dia anterior de Cardozo, que disse que preferiria se matar a cumprir uma pena longa num presídio brasileiro — como se esse setor não estivesse sob sua responsabilidade. Vejam no post abaixo a distância que há entre o que prega aquele valente e o que ele efetivamente faz. Foi, na prática, desmoralizado por três companheiros de tribunal: Gilmar Mendes, Celso de Mello e Luiz Fux. Os dois primeiros lembraram as responsabilidades do governo federal pela situação dos presídios. O terceiro teve de trazer à memória de Toffoli que, no estado de direito, ministros do Supremo impõem penas segundo o que prescreve a lei. Coisinhas como peculato, corrupção ativa, corrupção ativa, gestão fraudulenta, evasão de divisas etc. rendem mesmo cadeia no Código Penal. Por mais criativo que seja o juiz, ele não pode impor uma pena que o legislador — deputados e senadores — não prescreveu no código legal.

Eu poderia aqui fazer uma ironia nem muito sofisticada e lembrar que Toffoli talvez ignore tal fundamento porque levou pau no concurso para juiz. Mas não acho, é evidente, que sua manifestação nasça da ignorância. Ao contrário: ele sabia bem o que estava fazendo. Até porque seu discurso foi eminentemente político — embora, com efeito, tenha esbarrado também na imperícia ao lidar com as palavras e com o pensamento.

Michel Foucault

Falando quase aos berros, coma a voz esganiçada, Toffoli evocou Torquemada para se referir a julgamentos supostamente discricionários e chegou a citar o nome — mas não o texto — de Michel Foucault. Referia-se, creio, ao livro “Vigiar e Punir”, que não deve ter lido. Ou não tentaria, como diria o ministro Marco Aurélio, aplicá-lo à espécie.

O livro de Foucault tenta estabelecer a gênese e a motivação das prisões modernas e as considera formas exemplares de controle social e de contenção da rebeldia, da contestação etc. Trata-se de uma das gigantescas tolices que produziu, embora seja ainda hoje considerada uma espécie de minibíblia em alguns cursos de ciências sociais. Lendo o que vai lá, a gente entende por que este senhor era um dos grandes entusiastas do aiatolá Khomeini e por que detectava pulsões e pulsações verdadeiramente eróticas — e não estou brincando — na revolução islâmica do Irã, que deu naquela maravilha. Não é realmente fantástico que o homem que enxergava, com olhar extremamente crítico, formas de controle social nas prisões, nas clínicas e até nos hospitais tenha sido seduzido por um tirano psicopata? Não quando se é Foucault…

Pior, no entanto, do que ter escrito tudo aquilo é ver aquela obra citada como esforço para manter fora da cadeia os mensaleiros petistas. No autor francês, afinal de contas, está sempre presente a ideia de que os “internados”, os “apartados” da sociedade, são, de alguma maneira, pessoas incômodas à ordem. Quanto Toffoli ler o livro, vai entender o que estou falando. Seria, no entanto, esse o caso se Dirceu, de Genoino, de Delúbio, dos banqueiros, da turma toda? Ao contrário: eles são o esbablishment; eles são o poder; eles representam a ordem vigente — como, diga-se, Toffoli a representa também, ou não seria ministro do Supremo.

Crimes de sangue

O ministro defendeu ontem com todas as letras que as cadeias sejam reservadas àqueles que cometem crimes de sangue e que representam perigo — físico — para a sociedade. E chegou a indagar que ameaça poderia encarnar a banqueira Kátia Rabello, “uma bailarina”. É claro que estava falando, no fim das contas, de Dirceu e companhia. Assim, entende-se que os criminosos do colarinho branco jamais seriam encarcerados — afinal, a maioria não costuma andar armada, não costuma matar ninguém, não costuma ameaçar terceiros. Ao contrário até: a sua profissão lhes impõe um temperamento bastante brando, amigável. A maioria até tem a ambição de conhecer vinhos, charutos, essas coisas…

Trata-se de uma defesa que traz um traço odiento e odioso de classe. Os crimes financeiros costumam ser cometidos por pessoas que já atingiram certa posição social. Requerem expertise e conhecimento das altas esferas. Não! Estes estariam sempre longe da cadeia. Já os crimes de sangue, que se misturam à criminalidade das ruas e, por óbvio, atingem com mais frequência os mais pobres, bem…, esses levariam à pena de prisão. Foi o que defendeu a Folha, reitero, em um infelicíssimo editorial recente.

Toffoli estava, é evidente, preocupado com seus amigos do PT, mas se esforçou para dar alcance teórico àquilo que seria uma tese, que mal conseguiu esconder suas motivações originais. Até porque ele não foi nada sutil. No meio do discurso, engrolou uma exaltação a “Luiz Inácio Lula da Silva” e fez questão de negar que o mensalão representasse, como considera a maioria dos ministros, uma tentativa de golpe contra a democracia. Não para ele! A motivação, escandiu as sílabas, foi “pe-cu-ni-á-ri-a”. É mesmo? Para quem? Certamente não para Dirceu, a quem ele absolveu.

Idiossincrasias?
Toffoli não estava mesmo num dia feliz. Ao exaltar a beleza do colegiado no Supremo — sei… —, afirmou uma batatada. Disse que cada ministro julgava segundo as suas “idiossincrasias”. HEEEIIINNN? Tolo, sempre pensei que os senhores magistrados julgassem segundo o entendimento que têm das leis. A idiossincrasia é outra coisa. Trata-se de um traço particular, pessoal, vizinho à esquisitice e à mania — tudo aquilo, enfim, de que um juiz deve antes se guardar. Por mais que seja um árbitro dos fatos, das circunstâncias e das leis, tem de buscar, ao contrário do que diz o ministro, o dado objetivo, livrando-se, pois, das tais “idiossincrasias”.

“Ah, mas você já elogiou Toffoli aqui…” Claro que já! E agora crítico. Já aconteceu com praticamente todos os ministros — já aplaudi até voto de Lewandowski. Não faço, como diria este, “crítica ad hominem”. Quando acho que um ministro acerta, aplaudo; quando acho que erra ou que atua contra a honorabilidade do tribunal, vaio. É, entendo, o que deve fazer toda gente: dizer “sim” ao que aprova e “não” ao que reprova.

Toffoli vinha se comportando com razoável discrição no tribunal, embora não estivesse a surpreender ninguém. Ontem, no entanto, parece que foi levado a rasgar a fantasia e a se mostrar por inteiro.

15/11/2012



Charge

https://mail-attachment.googleusercontent.com/attachment/u/0/?ui=2&ik=4ef2d7894c&view=att&th=13b004c304cc6cd8&attid=0.1&disp=inline&safe=1&zw&saduie=AG9B_P8dD-8IMGSXBnb_fTv7nBFe&sadet=1352945030714&sads=Ck_P5QBRBM2WrDNcGS1yOjyFSmg

república de bananas
sponholz


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O que aproxima o atual ministro da Justiça do último ditador de 64


Comentário

Blog do Noblat

Foi preciso que o Supremo Tribunal Federal condenasse três ilustres nomes do PT, réus do caso do mensalão (Dirceu, Genoino e Delúbio) para que o ministro da Justiça José Eduardo Cardoso descobrisse finalmente o estado deplorável das penitenciárias do país. Deplorável ou animal ao pé da letra.

Tudo muda entre nós para que no essencial pouco mude.

Um dia depois de Dirceu e Delúbio terem sido condenados à cadeia, proclamou o ministro da Justiça:

- Se fosse para passar muitos anos na prisão, em alguns dos nossos presídios, eu preferiria morrer.
 
Figueiredo, o último general-presidente da ditadura de 64

Nos anos 80 do século passado, ao lhe perguntarem o que achava do valor do salário mínimo, o último general-presidente da ditatura militar de 64, João Batista de Oliveira Figueiredo, respondeu de bate-pronto:

- Se eu ganhasse salário mínimo daria um tiro no coco.

Outra frase inesquecível marcou o governo Figueiredo:

- Prefiro cheiro de cavalo a cheiro de povo.

Figueiredo e José Eduardo Cardoso viram na morte a saída mais rápida e e talvez indolor para fugir de problemas que caberiam a eles ajudar a resolver.
Que falta de imaginação!

E de coragem!

14 de novembro de 2012

A bala disparada pelo último porquinho de Dilma acertou o pé do ministro da Justiça e matou a candidatura a uma vaga no STF







O companheiro José Eduardo Cardozo mirava no Supremo Tribunal Federal ao acionar, nesta terça-feira, a espingarda que só dispara cretinices: “Se fosse para cumprir muitos anos em alguma prisão nossa, eu preferiria morrer”, comunicou ao país.

Com uma única frase, baleou os dois pés.

Além de confirmar que não merece continuar no cargo que ocupa desde janeiro de 2011, o ministro da Justiça desqualificou-se de vez para continuar sonhando com uma toga do STF.


Segundo o art. 1 ° do Decreto 6.061 de 15 de março de 2007, as atribuições do Ministério da Justiça incluem o “planejamento, coordenação e administração da política penitenciária nacional”.

Ao confessar que prefere a morte a uma temporada nos presídios que governa há dois anos (e o PT há dez), José Eduardo Cardozo conferiu a ele próprio e a seu partido um vistoso atestado de incompetência ─ assinado por José Eduardo Cardozo.

Deveria ter assinado no minuto seguinte o pedido de demissão.


A frase também proíbe Dilma Rousseff de indicar para uma vaga no STF o porquinho que sobrou da trinca completada por José Eduardo Dutra (que não voltou da viagem) e Antonio Palocci (abatido depois de comprovado que não tem cura).

Não pode ser juiz quem acha que condenar um culpado à prisão equivale a entregar-lhe um vale-suicídio.


No Supremo, Cardozo ampliaria, e tornaria ainda mais radical, a bancada dos ministros da defesa por enquanto restrita a Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.


Em março de 2010, ao anunciar que desistira de disputar a reeleição, o então deputado federal do PT paulista culpou o sistema editorial: “Já me submeti a situações constrangedoras, mas cheguei ao meu limite”, discursou.

Nesta semana, Cardozo ultrapassou o limite da tolerância do Brasil sensato.

Não seria má ideia culpar o sistema penitenciário e voltar para casa.


14/11/2012

Reynaldo-BH: A absurda aula de Direito Penal ministrada pelo ministro reprovado em dois concursos para a magistratura




    

POR REYNALDO ROCHA

Dias Toffoli pede que os seus pares reflitam sobre a imensa asneira que, quase de modo histérico, formulou em defesa dos condenados do mensalão!

Este absurdo aconteceu nesta quarta-feira. O despautério foi transmitido ao vivo.

Dias Toffoli resolveu dar uma lição de Direito Penal a mestres. Talvez seja recalque por ter sido duas vezes reprovado em concurso para a magistratura.

Citou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva com insuspeito orgulho. Levantou questões em que cita, com alguma ironia, autor que se opunha a Marx. E ressaltou: “Não era de esquerda!’ Quem politiza o quê?”

E inverteu a lógica dos próprios argumentos.

Cita a banqueira (“uma bailarina”) condenada, defendendo-a com a seguinte argumentação: “Que tipo de violência ─ real ─ ela pode cometer?” Entendendo-se “real” como crimes de sangue, presumo.

O que defende Tofoli?

Não condenar à cadeia criminosa que não tenham matado, chegando a citar exemplos de crimes de homicídios com apenações menores.


E argumenta com uma suposta “posição de vanguarda”.

Qual vanguarda, reprovado candidato a juiz que virou ministro?

Desde BECCARIA, o seu título definitivo ─ “Dos delitos e das penas” ─ é considerado avanço filosófico e humanístico incomparável.

Até então as penas eram baseadas em uma retribuição, ou vingança, a um mal praticado.

Assim, o que valia era a intensidade da pena frente à agressão.

Não se tratava da recuperação ou reabilitação do ser humano.

E muito menos do EXEMPLO que nasce da condenação, para que OUTROS não sejam incentivados a delinquir.

A simples reparação financeira é suficiente para impedir a ação delituosa?

Seria este o risco que Dias Toffoli apregoa?

Roubemos; se pegos, devolvamos.

E se formos espertos, apliquemos o produto do roubo auferindo ─ na pior das hipóteses, a da condenação ─ os juros do tempo em que o dinheiro público serviu de repasto a um grupo ou indivíduo.

Ou seja, a posição “vanguardista” de Toffoli é anterior a 1764!
Crime de sangue?

Paga-se com cadeia.

Crimes não violentos (fisicamente), paga-se como a devolução do roubo.

Seria o caso de perguntar; em crimes de lesão corporal, defenderá Toffoli umas boas chibatadas como reprimenda?

Nada quanto ao exemplo social, ao caráter múltiplo da pena.

Toffoli cumpriu a imposição partidária de tentar, mais uma vez, defender seus patrões. Com argumentos sem nenhuma consistência. E fez um discurso que nem mesmo os partidários do PT (ou ao menos, os dirigentes) tiveram coragem de fazer.

Não surpreende. Na essência.

Surpreende na coragem. De se expor na inteireza da pequenez.

E na certeza de que o “fantasma” do STF aceita ser um arremedo de ministro por muitos anos.

Faz todo o sentido a defesa histérica (e histórica pelos piores motivos) de Dias Tofoli UM DIA após a declaração estapafúrdia do ministro da Justiça, que isenta o principal responsável pela degradação do sistema prisional brasileiro: ele próprio.

Tentaram tudo. Postergar. Defender o indefensável. Buscar a prescrição. Interromper o julgamento. Absolver. Com a condenação dos quadrilheiros, agora ataca-se as condições carcerárias no Brasil. Tudo de forma orquestrada.

Que seja somente um réquiem.

14/11/2012

PT lança manifesto em defesa dos réus do mensalão e pede julgamento do PSDB




No documento, partido condena o que chama de 'politização' do julgamento pelo STF

Notícia
Vera Rosa
O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A Executiva Nacional do PT vai divulgar nesta quarta-feira, 14, em São Paulo, um manifesto em solidariedade aos réus do mensalão, condenando o que chama de "politização" do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O documento afirma que houve forte pressão da mídia para influenciar o veredicto, questiona a "coincidência" do julgamento com o calendário eleitoral e vê interpretação equivocada da "teoria do domínio do fato", que dispensa atos de ofício como prova.

No manifesto, a cúpula petista estranha o fato de a denúncia contra o PT ter sido julgada antes do mensalão tucano, com origem em Minas Gerais. O partido vai além e diz esperar que o PSDB tenha o tratamento que o PT não teve por parte do Supremo.

O texto foi escrito pelo presidente do PT, deputado Rui Falcão, e deveria ter sido divulgado no dia 1.º deste mês, em reunião da Executiva Nacional. A pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, o PT resolveu aguardar a fixação das penas dos réus para se pronunciar.

Dirigentes do PT chegaram a defender, naquela ocasião, que não se divulgasse mais qualquer manifesto, sob a alegação de que o fato poderia provocar uma "pauta negativa" para o partido, que comemorava a vitória na eleição para a Prefeitura de São Paulo. Falcão, no entanto, mostrou incômodo com a interpretação de que o PT, em nome do pragmatismo, não estava sendo solidário com seus réus.

Na última segunda-feira, o Supremo impôs ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu uma pena de 10 anos e dez meses de cadeia, além de multa de R$ 676 mil. Para o Supremo, Dirceu era o chefe do mensalão e comandou uma "quadrilha", que tinha como objetivo comprar apoio político ao governo Lula. A pena do ex-chefe da Casa Civil - que presidiu o PT de 1995 a 2002 - deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, por no mínimo um ano e nove meses. O ex-presidente do PT, José Genoino, recebeu pena de 6 anos e 11 meses de prisão e multa de R$ 468 mil. Genoino poderá cumpri-la em regime semiaberto, no qual é obrigado a dormir na prisão. Delúbio Soares de Castro, ex-tesoureiro do partido, foi condenado a 8 anos e 11 meses, além de multa de R$ 325 mil. O deputado João Paulo Cunha (PT), ex-presidente da Câmara, também foi condenado por crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro e teve de renunciar à disputa pela Prefeitura de Osasco. Mesmo assim, o PT ganhou a eleição na cidade. Os advogados dos réus vão recorrer das sentenças.

14 de novembro de 2012

Acabou! Cliente de Bastos é condenado à mesma pena de Kátia Rabello: 16 anos e oito meses


‘Não houve o bilhão com que o senhor procurador nos assustou, foram 93 milhões e não foram transações ilegais’, diz Bastos

Por Reinaldo Azevedo

José Roberto Salgado foi condenado a quatro anos e sete meses por evasão de divisas pelos ministros Joaquim Barbosa, Luis Fux, Carmen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto.

Ao todo, Salgado, o cliente de Bastos, foi condenado a 16 anos e oito meses, a mesma pena de Kátia Rabello.
14/11/2012


O Estado brasileiro se defende



Editorial O Globo

Imagine-se que nos Estados Unidos, diante da manutenção do controle da Câmara dos Representantes pelos republicanos, alguém na Casa Branca, assessor próximo ao presidente reeleito, preocupado com a “governabilidade”, montasse um esquema de compra de votos de deputados do partido adversário e, para agravar o crime, com dinheiro público desviado.

A justificativa seria a imperiosa necessidade de, antes de 31 de dezembro, chegar-se a um acordo com os republicanos para evitar que o país caia no “abismo fiscal”, um conjunto de cortes de despesas e aumento de impostos a serem executados na virada do ano.

Seria um escândalo maior que Watergate. Mas não ocorreria, e por uma razão: as instituições americanas desestimulam que sequer se planeje golpes como este. Num país em que homem público vai para a cadeia, há maior cuidado no manejo do patrimônio da sociedade, no sentido amplo do termo.

Pois a condenação do núcleo político da “organização criminosa” do mensalão pelo STF, com José Dirceu e Delúbio Soares cumprindo parte da pena em regime fechado, e José Genoíno em sistema semiaberto, coloca institucionalmente o Brasil nesta direção.

Ao rechaçar a tentativa golpista de subjugação de parte do Legislativo a um projeto de poder partidário, por meio de um esquema de corrupção, a Corte, em nome do Estado brasileiro, aproximou o país das democracias mais sólidas do mundo.

Para que existisse o mensalão, uma conspiração de grandes dimensões contra a democracia representativa, somaram-se dois ingredientes: o sentimento geral de impunidade e um projeto ideológico destilado por representantes da parcela autoritária da esquerda brasileira, guiada pelo famigerado princípio dos “fins que justificam os meios”.

São aqueles que lutaram no fim da década de 60/início dos 70 para substituir uma ditadura por outra que, ao chegarem ao poder pelo voto, como deve ser, imaginaram o Estado brasileiro fraco diante de um governo de alta popularidade. Enganaram-se.

Há vários desdobramentos da lição que vem sendo dada pelo STF. Um deles ocorre dentro do PT.

Certa militância, por óbvio, não digere a atuação da Corte como de fato guardiã da Constituição, independentemente do dono da caneta que no Planalto assinou a indicação de cada um dos 11 ministros.

O partido deve fazer a análise correta do que acontece neste julgamento, para não assumir uma postura arrogante, aventureira, de investir contra o Poder Judiciário e, por consequência, o estado de direito.

A presidente, por sua vez, indica compreender o sentido do julgamento. Semana passada, na Conferência Internacional Anticorrupção, Dilma Rousseff destacou que hoje, no Brasil, “prevenção e combate à corrupção são práticas de Estado”.

Não há interferência política — como no caso do STF e o mensalão. Deveria ser ouvida pelo partido que representa no comando do Executivo.

Dias Toffoli perdeu qualquer noção de limite. Faz um candente discurso contra a pena de prisão dos réus. E fala bobagem aos borbotões





O ministro Dias Toffoli perdeu completamente o senso de limite


Por Reinaldo Azevedo

Fez há pouco um discurso, aos berros, contra a aplicação da pena de prisão aos réus. Rasgou a fantasia. Sobrou tempo até para cantar as glórias de “Luiz Inácio Lula da Silva”. Ainda voltarei a sua fala.

Registro, neste primeiro post, a minha estupefação. Toffoli, e nem poderia ser diferente, começou a sua intervenção citando a fala de ontem de José Eduardo Cardozo, que criticou a situação das prisões. Serviu de pretexto para defender a sua tese: cadeia só para crimes de sangue. E citou como exemplo de pena imprópria a condenação à reclusão da banqueira Kátia Rabello — “uma bailarina”.

No fim das contas, Toffoli estava inconformado, isto sim, com as penas de prisão aplicadas a José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

Ah, sim! O ministro citou Michel Foucault. Ou não leu o que citou ou não entendeu o que leu. Fica para depois.

14/11/2012

Fora do eixo



À parte a gratuidade do gesto, a retirada do ministro Ricardo Lewandowski do plenário ao início da sessão de ontem representou o ápice de um equívoco cometido pelo revisor ao longo de todo o julgamento do processo do mensalão: o de acreditar que seu papel era equivalente ao do relator Joaquim Barbosa

Por Dora Kramer
O Estado de S.Paulo
Notícia

A rigor, a única prerrogativa especial do revisor depois de iniciado o processo de votação é a de se manifestar logo após o relator, antes dos demais ministros.
O condutor da ação penal é o relator, a quem coube durante os últimos sete anos toda a instrução do processo. É o autor original da narrativa e, nessa condição, figura como protagonista. Não da decisão, colegiada, mas dos procedimentos.

Por isso mesmo não fez sentido o arroubo do ministro Ricardo Lewandowski contra a decisão do relator de definir as penas do núcleo político antes dos réus do núcleo financeiro.

Tanto os papéis de revisor e relator não têm o mesmo peso que se fosse Barbosa a ter se retirado, o julgamento não poderia prosseguir, mas, na ausência de Lewandowski, foram decididas normalmente as penas de José Dirceu e José Genoino que haviam sido absolvidos pelo revisor.

Lewandowski não conseguiu explicar por que ficou tão aborrecido.

Não tinha seu voto preparado?

Se não, deveria, pois os outros colegas todos tinham.


O advogado de José Dirceu não estava presente? Nessa fase o defensor não interfere, até mesmo porque não há nada a ser defendido depois de definida a condenação e antes da apresentação dos embargos.

Joaquim Barbosa "surpreendeu" a Corte? Não foi esse o entendimento do colegiado que não acompanhou o revisor na manifestação de sobressalto.

De surpreendente mesmo só a intempestividade do revisor que, nas primeiras semanas de julgamento, por duas ou três vezes indicou que poderia se retirar e numa delas afirmou não saber se teria "condições" de prosseguir até o fim, mas depois mudou de posição até para não arcar com o ônus de atrasar os trabalhos.
Ontem cumpriu a ameaça, que não teve finalidade substantiva. Uma atitude difícil de ser compreendida, a não ser como manifestação de contrariedade em relação ao conteúdo rigoroso das decisões da maioria do Supremo.

Com todo o respeito que merece o revisor na adoção de sua ótica dos fatos, o ato de protesto em pleno tribunal não falou bem a respeito da objetividade jurídica que o ministro Ricardo Lewandoswki reivindicou para todos seus votos ao longo do julgamento.

Dia seguinte.
Nada de novo nas penas impostas aos réus do núcleo político. Tudo o que o Supremo tinha a dizer sobre as ilicitudes cometidas por José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino, foi dito nos últimos três meses.

De onde não resta ao PT quase nada a acrescentar, além das reclamações regulamentares. Prevalece no partido a tendência de não dar murro em ponta de faca.

Troco.
Há algo de inadequado no andamento dos trabalhos da República quando um ministro do Supremo Tribunal Federal formaliza convite à presidente da República para a cerimônia de sua posse na presidência da Corte e isso ainda vira fato.

Chefes de Poderes comparecem tradicional e mutuamente às respectivas investiduras nas chefias do Executivo, Legislativo e Judiciário. É a regra. Exceção é a simples cogitação da ausência por motivo de força menor: retaliar o relator do processo do mensalão.
Embora pareça reverente, o gesto de Joaquim Barbosa corrobora a suposição de que Dilma Rousseff pudesse concretizar a descortesia.

No quesito manejo de popularidade, o Palácio do Planalto encontrou em Barbosa um concorrente à altura.
13 de novembro de 2012

MPF investiga se BMG doa R$ 300 mil por mês ao PT, e processos em segredo assustam petralhas




Alerta Total
Por Jorge Serrão

Exclusivo - O Ministério Público Federal investiga se é a real o informe de que o Banco BMG faz doações mensais de R$ 300 mil reais ao Partido dos Trabalhadores.
A instituição, que chegou a ser citada no processo do Mensalão, também é apontada como financiadora das viagens para palestras promovidas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O banco mineiro – que cobra um dos juros mais altos do mercado - seria um dos patrocinadores do Instituto Lula.


A Polícia Federal já investigou as operações de lavagem de dinheiro do mensalão envolvendo o BMG. Investigações também do Banco Central, da CPI dos Correios e da Procuradoria-Geral da República identificaram irregularidades nos empréstimos feitos pelo BMG ao Partido dos Trabalhadores, via esquema de Marcos Valério.

Laudo da PF confirmou: “Restou comprovado que os empréstimos concedidos ao PT e às empresas de Valério foram aprovados pela diretoria sem observância de normas do Banco Central nem tampouco das normas internas do banco”.


Os diretores do BMG - Ricardo Guimarães, João Batista de Abreu, Márcio Alaôr de Araújo e Flávio Guimarães - são acusados pelo Ministério Público Federal de liberar mais de R$ 43 milhões “mediante empréstimos simulados” ao PT e às empresas de Marcos Valério. Foram cinco operações, entre fevereiro de 2003 e julho de 2004.

O BC considerou que o BMG emprestou o dinheiro ao PT sem analisar o risco de crédito, sem exigir os documentos necessários dos avalistas.

Depois, o BMG concedeu novos empréstimos apenas para que o PT e Valério conseguissem pagar os primeiros empréstimos.

O banco alega que tudo foi feito legalmente, e que não recebeu vantagens do governo na autorização para operar o crédito consignado no INSS.

Agora, será a Justiça quem vai decidir se tudo é justo e perfeito, ou não.


Fora do caso do Mensalão, a Procuradoria também processa por falsidade ideológica os petistas José Genoino e Delúbio Soares, Marcos Valério, sua mulher, Renilda Fernandes de Souza, e seus sócios nas empresas, Ramon Hollerbach Cristiano de Mello Paz e Rogério Tolentino.

Curiosamente, o processo corre em segredo de Justiça, e o resultado pode sair a qualquer momento.


Outro caso apavora PT. O juiz Paulo Cesar Lopes, da 13ª Vara Federal, está prestes a decidir se Lula e seu ex-ministro da Previdência, Amir Lando, terão de ressarcir os cofres públicos pelos R$ R$ 9.526.070,64 gastos com as cartinhas enviadas aos aposentados e pensionistas do INSS, convidando-os a fazer crédito consignado com o banco BMG – citado no processo do Mensalão.

Lula e Lando respondem à Ação Civil Pública 0007807-08.2011.4.01.3400 – na qual são denunciados por crime de improbidade Administrativa e dano ao erário.


Tem mais segredinho. Sem foro privilegiado para prolongar a costumeira impunidade, além deste processo, Lula corre risco de sofrer danos em outra ação parecida.

Tudo vai depender da sede de Justiça do futuro presidente do Supremo Tribunal Federal – que toma posse dia 22 de novembro. Joaquim Barbosa pode retirar o estranho segredo de Justiça sobre o Processo Investigatório 2.474.


Os 77 volumes em sigilo apuram as supostas irregularidades no convênio entre o Banco BMG e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com a participação da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), para a “operacionalização de crédito consignado a beneficiários e pensionistas”. O caso dormita “blindado”, desde 2007, no Supremo.

As relações entre Lula e o BMG são complicadas de explicar. Em 13 agosto de 2004, o presidente Lula assinou o Decreto no 5.180, que abriu a todos os bancos o mercado de crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS.

Cinco dias depois, o BMG pediu oficialmente para entrar nesse lucrativo mercado. Oito dias depois, em tempo recorde, recebeu autorização do INSS. O banco começou a operar antes mesmo de publicada uma Instrução Normativa do INSS sobre o assunto.


A esquisita parceria entre Lula e o BMG ficou mais evidente no dia 29 de setembro de 2004. O presidente Lula enviou 10,6 milhões de cartas a segurados do INSS para “informá-los” sobre a possibilidade de obter esse tipo de empréstimo – já oferecido pela Caixa, mas que naquela época só tinha o BMG como banco privado também oferecendo.

O MPF denunciou que “a finalidade pretendida com o envio das correspondências era promover as autoridades que assinavam a carta e favorecer o banco BMG, única instituição particular apta a operar a nova modalidade de empréstimo”.


O banco só se deu bem. Três meses depois, o BMG a vendeu à Caixa Econômica Federal por R$ 1 bilhão a gorda carteira de crédito consignado.

No ano passado, o BMG lucrou R$ 583 milhões, comprou outro banco e se tornou o 17º do País em ativos totais. Este ano, o BMG se tornou sócio do Itaú Unibanco, cedendo ao maior banco da América Latina 70% de suas operações no mercado consignado.


Piada da arrecadação

Só pode ser classificada como piada a notícia de que o Diretório Nacional do PT se reúne, no início de dezembro, para deliberar sobre a criação de um fundo solidário de apoio aos réus condenados pelo STF.

Os companheiros José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares precisam de ajuda financeira para pagar R$ 1,46 milhão em multas pela condenação no Mensalão.

Militantes e simpatizantes do partido terão de coçar o bolso, já que fundo partidário e a arrecadação regular do partido não podem ser usados para pagar multas que não sejam atribuídas diretamente à legenda.




Cadeia comum

O ministro Joaquim Barbosa advertiu ontem que os 25 condenados no processo não terão direito a cela especial para cumprir pena de regime fechado do Mensalão:

" A prisão especial é só para quem está cumprindo prisão provisória e não definitiva".

Barbosa esclareceu que Código Penal estabelece que os detentores de diploma de curso superior, ministros, governadores, delegados, parlamentares e militares têm direito a serem “recolhidos a quartéis ou a prisão especial, à disposição da autoridade competente, quando sujeitos a prisão antes de condenação definitiva".

Campanha possível

Dirceu tem como destino mais provável um presídio de segurança máxima no interior de São Paulo, Estado onde tem residência atualmente.

Por isso, fica a sugestão do advogado Carlos Alberto Ramos Soares de Queiroz, de São Paulo, para a pena a ser cumprida por José Dirceu:

“Pela Lei da Ficha Limpa, depois de cumprir toda a pena, José Dirceu ainda terá os seus direitos políticos suspensos por mais oito anos. Se começar a cumprir a pena em janeiro do ano que vem, só poderá ser candidato em novembro de 2031. No entanto, a próxima eleição é para prefeito, em 2032. Se você é petista e um dia quiser votar no José Dirceu, fica a dica: comece agora mesmo a campanha Zé Dirceu, Prefeito de Tremembé 2032. Para quem não sabe, é na cidade de Tremembé, próximo a Taubaté, que fica o presídio de segurança, em São Paulo”.

Que venham os tucanalhas

Comentário oportuno de Mtnos Kalil, do Instituto Mãos Limpas, em São Paulo, sobre a condenação ao time de José Dirceu:

" Me permita o lembrete ético costumeiro: aguardaremos o julgamento do PSDB, para assim tornar o combate à corrupção desideologizado. Se o STF e o MPF não tiverem o mesmo desempenho em relação à corrupção do PSDB, ficarão desmoralizados. Como não vão querer isso, imagino eu, que logo chegará a vez do PSDB. Ou estou enganado? A lei não é igual para todos os corruptos? Dizem que os corruptos do PT são mais corruptos que os corruptos do PSDB. Mas isso seria suficiente para justificar a ideologização do combate à corrupção? Foi demonstrado (em números) que o PT é mais corrupto do que o PSDB?"

Mtnos tem razão: a hora dos tucanalhas está próxima, e o STF pode ter ainda mair rigor com eles que com a petralhada – inclusive contando com o apoio da grande maioria petista para isto, mobilizada até por José Dirceu...

Aliás, quem ainda não conhece, vale a pena visitar e se registrar no site: www.maoslimpasbrasil.com.br

Político trabalhando

Piadinha sem graça que circula na internet:

Um Político está tranquilamente tomando sol na praia, quando uma bela senhora, estilo Luiza Bunet, se aproxima e pergunta:

- Deputado, o que faz por aqui?

O parlamentar, querendo mostrar que bons políticos sempre têm uma veia poética, responde, com ar conquistador:

- Roubando raios de sol...

A gata-senhora, sorrindo docemente, emenda:

- Vocês, políticos, sempre trabalhando muito....

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

14 de novembro de 2012

Amanhã vai ser outro dia



Por Carlos Brickmann


Dois políticos poderosos, José Dirceu e José Genoíno; uma banqueira; especialistas em obtenção e distribuição de verbas; pessoas importantes, enfim, foram condenadas por crimes diversos e várias delas, se tudo correr normalmente, irão para a cadeia.

Isso não é comum no Brasil.

Mas também não é importante, em si: importante é descobrir o que isso representará na vida política brasileira.

Houve outros eventos marcantes no passado. O presidente Collor sofreu impeachment, por exemplo (e está hoje no Senado, fazendo parte da base parlamentar do Governo Federal).

O próprio José Dirceu teve o mandato parlamentar cassado (e continuou influindo nos rumos do Governo Federal).

Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson deixaram a Câmara, mas continuam presidindo seus partidos e discutindo cargos no Governo Federal (e em outros ─ como o Governo paulista).

Muitos perderam batalhas mas continuam na guerra.

E na guerra continuarão, a menos que haja mudanças importantes.

O custo das campanhas é exorbitante (e financiamento público é balela: na Alemanha isso existe, a Polícia de lá funciona, e o primeiro-ministro Helmut Kohl caiu por captar dinheiro privado).

A criação de partidos de aluguel é livre. E não se pode paralisar nossa corte constitucional, o Supremo, para que julgue casos de ladroeira. Como isso não pode acontecer, não acontecerá – e a tendência será deixar pra lá.

Ou mudamos rápido ou fica tudo como estava. Mas, se for para ficar como estava, qual a consequência, qual a importância do julgamento do Mensalão?

Giramundo

O PT nasceu dizendo que era diferente dos outros partidos. Hoje luta para provar que é igual.

Ele é o bom

Há alguns meses, a Polícia Federal interceptou, no Interior paulista, uma mensagem do PCC, sigla do crime organizado no Estado, em que se fazia referência a uma ofensiva geral contra policiais. A mensagem foi encaminhada ao delegado-geral da Policia paulista, que a retransmitiu ao secretário da Segurança, Antônio Ferreira Pinto.

O secretário respondeu agressivamente: surpreendia-se ao notar que um policial acreditava nesse tipo de boatos, espalhados por criminosos interessados em demonstrar um poder que não tinham. Para ele, o PCC tem hoje não mais de 30 integrantes, todos devidamente presos. Pois é: os boatos eram verdadeiros. E o poder que os bandidos não tinham está demonstrado. Um dia, ainda bem, vão perder a batalha.

Mas por que se permitiu que batalha houvesse?


Prisão sem grades

Uma dúvida: por que a prisão tem muros altos, grossos, portas de ferro, grades nas janelas? Não, não é para que os criminosos condenados não saiam: deve ser por outro motivo.

Porque os criminosos condenados saem com os tais indultos de Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Natal, Ano Novo, de sabe-se lá que outros dias.

A PM paulista listou 116 criminosos, integrantes do PCC, atuando livremente só na Zona Leste da capital.

Todos estiveram presos, mas foram libertados nas tais datas especiais e não voltaram à cadeia. Segundo a PM, há no grupo pessoas especializadas em tráfico, assaltos, assassínios e sequestros.

E todos se dedicam hoje a aterrorizar a cidade e matar policiais.

14/11/2012

Silvio Mota, ex-integrante da ALN: ‘O mensalão foi uma burrice’


Por Augusto Nunes

PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA DE VEJA

                             HUGO MARQUES


O juiz aposentado Silvio Mota foi um dos comandantes do grupo tático armado da Ação Libertadora Nacional (ALN) e integrou as fileiras do Movimento de Libertação Popular (Molipo) – duas organizações guerrilheiras comunistas que atuaram durante a ditadura militar. O magistrado, que conheceu o ex-ministro José Dirceu em 1969, quando ambos faziam treinamento militar em Cuba, hoje dirige a Casa de Amizade Brasil-Cuba e coordena a Comissão em Defesa da Memória, Verdade e Justiça do Ceará. Na entrevista, ele fala das lembranças que guardou dessa relação, que durou até 1974. Depois disso, cada um seguiu seu caminho. Dirceu voltou ao Brasil e passou a viver escondido no interior do Paraná. Silvio ficou em Cuba até a anistia.


Como o senhor vê a condenação do ex-ministro José Dirceu?

Fico triste. Eu queria que o Dirceu fosse absolvido. Ele já pagou. Com todo o aperreio que passou, acho que já pagou.

O senhor concorda com a tese dos condenados de que o julgamento é político?

Não vou discutir temas jurídicos com o Supremo. O diabo é que não dá nem para discutir, pois a tese deles é a mesma que serviu para condenar o Fujimori (Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru, condenado a 25 anos de prisão por chefiar paramilitares que mataram 25 pessoas).

Como era o companheiro de militância José Dirceu?

O Dirceu era preguiçoso e egoísta.
E continua sendo preguiçoso e egoísta.

Por quê?

Ele fazia tudo pela metade. Na hora do treinamento, do trabalho, de repente tinha uma dor nas costas. O homem faltava e, quando a gente ia ver, estava assistindo a filmes. Olha os projetos que ele tinha!

E o egoísmo?

O Dirceu se preocupava apenas com seus projetos pessoais. Sempre notamos isso. Ele era uma pessoa famosa, fazia amizades, as pessoas o procuravam. Era amigo de gente influente em Cuba, o que lhe garantia alguns privilégios.

O ex-ministro chegou a combater a ditadura militar?

Eu acho quase impossível. Por que diabos o pessoal iria botar o Dirceu para combater? Seria um estorvo. A única coisa relacionada à atividade de guerrilha urbana que consta que ele teria feito, salvo engano, foram “levantamentos em São Paulo”. A gente fazia muita loucura. Mas mandar um cara como o Dirceu reconhecer o terreno seria um absurdo.

O senhor esteve sempre ao lado de José Dirceu em Cuba?

Eu cheguei dias depois dele, em 1969. Houve uma época em que eu o via diariamente. Depois, comecei a trabalhar nas brigadas de construção industrial, mas ele não estava lá. Imagine o Dirceu trabalhando numa brigada de construção industrial…

Vocês moravam no mesmo acampamento?

Sim. Ele era boa-praça, a gente conversava. Só tem esse problema, como já disse: é preguiçoso e egoísta, e acabou se lascando por causa disso. O Dirceu, no entanto, é inegavelmente uma liderança do PT. Isso ele é, sempre foi. O papel dele na história do Brasil é enorme. Ele é o homem que liderou o movimento estudantil. Tem carisma, habilidade. Mas o mensalão foi uma burrice.

19/10/2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A ideologia de Obama



Por Rodrigo Constantino
O Globo

Será que um marido em busca de uma “transformação
fundamental” de sua esposa lhe tem amor sincero?


Parece estranho alguém que ama tentar mudar a essência do ser amado.

Mas esta tem sido justamente a promessa de Obama: “transformar fundamentalmente” a América.

A imprensa pinta um Obama pragmático e moderado, enquanto os republicanos são atacados de forma caricatural, como um bando de ultraconservadores reacionários. Obama estaria acima das ideologias, enquanto os republicanos seriam dogmáticos. Será que esta imagem corresponde à realidade?

Se o marxismo foi sempre uma desgraça em seus resultados, parece inegável seu sucesso na propaganda. Em parte, isso se deve ao verniz científico que esta religião secular conseguiu criar. Os marxistas não eram crentes, mas donos da razão. Aquilo não era uma profecia calcada na fé, e sim uma certeza científica.

Os “progressistas” são os herdeiros intelectuais desta farsa. Escondem sua ideologia sob o manto da ciência — pseudociência, na verdade.

Em cada frase proferida por Obama e seus acólitos, há a crença de que o Estado é a grande locomotiva do progresso.

Os empresários são tratados com desconfiança, o mercado é perigoso e aumentar impostos é sempre desejável. Obama chegou a afirmar que defenderia impostos maiores sobre ganhos de capital, mesmo sabendo que isso não levaria a uma arrecadação maior. Era uma questão de “justiça” para ele.

Suas medidas na área econômica têm se mostrado ineficientes, com resultado medíocre. Não importa: a esquerda sempre pode argumentar que sem elas a coisa estaria ainda pior.

Culpam o antecessor, que deixou uma “herança maldita”. Reagan também assumiu uma economia em frangalhos, mas conseguiu resultados bem melhores. Ele acreditava no mercado, não na clarividência estatal.

Obama é elogiado pela coragem de seus gastos bilionários para estimular a economia, além do resgate das montadoras.

Não é fácil entender que coragem é essa em torrar o dinheiro dos pagadores de impostos ou salvar empresas ineficientes, favorecendo os ricos de Wall Street e os sindicalistas, enquanto o déficit fiscal explode.

O futuro foi hipotecado para não haver sofrimento hoje. Isso é um ato de coragem?

Com retórica de luta de classes, Obama expandiu o assistencialismo, e nunca houve tanto americano dependendo de esmolas estatais. A meritocracia cedeu espaço para o coletivismo. O sonho americano parece cada vez mais distante.

Outro grande troféu de Obama foi seu programa de saúde, o Obamacare. Trata-se de uma espécie de SUS americano. Ninguém quer debater sobre seus resultados práticos. Basta o monopólio dos fins nobres: só um insensível pode ser contra este programa.

Será? Os esquerdistas nunca pensam nas consequências não intencionais de suas medidas. Mas elas existem, e temos vários exemplos. O próprio SUS...

Quando se trata do clima, Obama novamente demonstra sua ideologia: abraçou com vontade o alarmismo. Antes, o ecoterrorismo era feito em nome do “aquecimento global”, e agora se fala em “mudanças climáticas”, termo mais vago. A seita verde busca uma capa científica, mas há vários furos nas previsões catastróficas de seus profetas.

Mas a solução para o problema está dada: mais poder e recursos concentrados no Estado!

Pouco importa se, na prática, esta mentalidade pariu fracassos gritantes como o da Solyndra, empresa que recebeu milhões do governo Obama e foi à falência. Vale mais a retórica messiânica.

Obama se colocou como um deus capaz de “salvar o planeta”. Mas são os outros que acabam acusados de arrogantes!

Nas liberdades civis, quando Bush aprovou o Patriot Act foi um escândalo, mas quando Obama expandiu seus poderes arbitrários, constrangedor silêncio. Vários outros exemplos ilustram o claro viés ideológico de Obama e da imprensa.

Não há nada errado, a princípio, em ter uma ideologia. Todos têm uma (algumas mais embasadas que outras). O problema é a desonestidade de se vender como moderado e pragmático (o pragmatismo é uma ideologia!), quando se carrega uma profunda crença ideológica escondida.

Obama não é, definitivamente, um moderado; ele tem uma visão de mundo para a América, e ela difere bastante daquela dos “pais fundadores”, que criou a nação mais próspera e livre do mundo. Seus principais gurus eram todos esquerdistas radicais.

Ele adoraria ver seu país cada vez mais parecido com a França “progressista”, cujo presidente socialista acaba de aprovar imposto de 75% para os mais ricos. Resta só alguém avisar a Obama que este modelo de bem-estar social está totalmente falido...

Rodrigo Constantino é economista