O
miliciano escondido no codinome “Kako Lamim”, que enviou à coluna
inúmeros comentários insultuosos e ameaçadores, foi identificado nesta
terça-feira: trata-se de Clayton Mendonça de Oliveira, gerente de
divisão de Furnas.
Clayton será interpelado judicialmente para confirmar
ou desmentir o que escreveu. A direção de Furnas será convidada a
esclarecer se o funcionário está autorizado a utilizar equipamentos da
empresa para endereçar, durante o horário de expediente, insultos e
ameaças a jornalistas que ousam discordar do governo e do PT.
Nesta quarta, voluntariamente, Clayton (vulgo Kako Lamim)
acrescentou ao prontuário outra anotação: nascido em Passa Quatro, é
parente de José Dirceu. “Meu pai é primo dele, a briga vai ser boa”,
gabou-se o criminoso confesso.
Bazófia, pelo jeito, é marca de família.
Se tropas comandadas pelo guerrilheiro de festim só conseguem matar de
rir, um batalhão de tios e primos do revolucionário de araque é coisa de
picadeiro.
Mas também é caso de polícia, como registra o comentário de
Reynaldo Rocha, abaixo reproduzido. Nosso Reynaldo-BH ─ que, para quem
não sabe, tem uma sólida formação jurídica ─ falou por mim.
(AN)
Clayton Mendonça de Oliveira, parente de José Dirceu, gerente de divisão de Furnas.
Dentro das regras legais ─ que certamente desconhece – será
interpelado por ofensas, calúnias e (se seguiu a cartilha dos
petixiitas) ameaças.
Nada na WEB é oculto. Só os imbecis (mesmo os que
se julgam experts na área) acreditam nisso. Não se trata de vendetta,
mas de reparação.
Que o tal Clayton prefere ignorar (se acreditasse ter
sido ofendido, como parente do chefe da quadrilha) e apelar para um
pretenso anonimato, reduto de covardes.
Seria grave o fato por si.
NENHUM dos comentaristas habituais
desta coluna ameaça oponentes. O que fazemos é desmontar mentiras e
escancarar a mediocridade. Elles (os milicianos) preferem a agressão
vulgar e ameaças explícitas. Sei disso. Já sofri agressões do gênero.
Ainda mais grave é um gerente de divisão de uma empresa estatal
usar IPS e equipamentos (além do horário reservado ao trabalho)
prestar-se a tal aberração.
A direção de Furnas terá de manifestar-se. É
o que esperam ao menos os acionistas minoritários, que não fazem parte
do governo nem admitem que uma estatal seja reduzida a quintal do PT e
apaniguados.
Uma empresa que tem ações em Bolsa, alcançou dimensões
internacionais e atua numa área estratégica para o país não pode tolerar
o uso de ferramentas de trabalho para a consumação de serviço sujo.
Furnas lida com energia. Não com esgoto. Não é propriedade de um
partido. Nem de uma quadrilha. Muito menos de um parente do réu acusado
de chefiar a organização criminosa que administrou o mensalão.
A impunidade incentiva a transformação de postos de emprego em
esconderijos de apreciadores de tocaias. No caso, por envolver um primo
que se orgulha dos laços de sangue, reforça o que sempre se disse de
José Dirceu.
Esse tipo de “ajuda” prestado pelo gerente de divisão de
Furnas ao parente em perigo confirma até onde vai a barbárie ética e
moral, e o menosprezo ao estado de direito. Vale tudo?
Não, Clayton. O vale-tudo começa a ser julgado amanhã. Seu caso pode esperar um pouco mais.
Volto para um último recado: se os ministros do STF cumprirem
seu dever e se quem lidar com o caso de “Kako Lamim” estiver disposto a
mostrar que existem juízes no Brasil, estaremos todos contribuindo para
a preservação dos vínculos familiares.
Os primos Clayton e Dirceu terão
tempo de sobra para conversar no pátio da cadeia.