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sábado, 11 de dezembro de 2010

Novas cédulas do real começam a circular segunda-feira

Com o real valorizado a falsificação da nossa moeda despertou o interesse de falsários internacionais.
Por isso o Banco Central resolveu modificar a nossa moeda, acrescentando itens de seguranças inovadores de padrão universal.

A Casa da Moeda investiu, para tanto, em tecnologia e equipamentos. Os deficientes visuais terão mais facilidades em reconhecer os valores das cédulas pelos tamanhos diferenciados e por um relevo especial aprimorado. As primeras a serem lançadas serão as notas de R$ 100,00 e R$ 50,00

Divulgação


A frente da cédula está visualmente mais limpa, mantida a efígie da República. Ganhou do lado direito, uma faixa com o valor da nota escrito e, do lado esquerdo, um grafismo com figuras do habitat de cada animal - a nota de R$ 100, por exemplo, que tem uma garoupa no verso, ganhou na frente figuras que remetem ao mar.

A nova família das cédulas do real será lançada na próxima segunda-feira, dia 13, inicialmente, apenas as notas de R$ 50 e R$ 100 chegarão aos bancos. Mesmo com a entrada em vigor das cédulas novas, as atuais continuam em circulação e serão gradativamente retiradas do mercado, conforme o desgaste natural das cédulas.

Para os demais valores, a previsão do BC é lançar as novas cédulas de R$ 10 e R$ 20 em 2011. Em 2012, será a vez das notas de R$ 2 e R$ 5. A principal novidade da nova família de cédulas do real são os tamanhos diferentes, que variarão conforme o valor de face da nota. O objetivo é reduzir o risco de falsificação, nos casos em que cédulas de menor valor são "lavadas" em processos químicos e reimpressas com valor maior.

Essa medida já é usada na Europa, onde a cédula do euro tem tamanho crescente, conforme o valor. No Brasil, essa característica será igual, com células maiores para valores maiores.

A nova família do real, no entanto, manterá as cores e os temas das notas atuais. Também serão mantidos os animais impressos no verso, como a onça pintada na nota de R$ 50 e a garoupa na cédula de R$ 100.
Divulgação


No verso, as figuras de animais foram modificadas e estão agora na horizontal. A nota de R$ 50, por exemplo, traz a mesma figura da onça pintada, agora deitada sobre uma pedra.
As novas notas têm impressão superior e elementos de segurança - como a marca d'água-- foram redesenhados de forma a facilitar a identificação pela população e dificultar a falsificação.

Nas notas de R$ 50 e R$ 100 foi incluída uma faixa holográfica com desenhos personalizados por valor, o que, de acordo com o BC, é um dos mais sofisticados elementos anti-falsificação existentes.

O projeto das novas cédulas vem sendo desenvolvido desde 2003 pelo Banco Central e pela Casa da Moeda do Brasil. As notas atenderão ainda a uma demanda dos deficientes visuais, já que poderão ser identificadas por seus tamanhos diferentes e terão marcas táteis em relevo aprimoradas em relação às já existentes.

A Casa da Moeda modernizou seu parque fabril para poder produzir as novas moedas. Com isso, de acordo com o Banco Central, o órgão tem tecnologia para imprimir hoje qualquer moeda existente no mundo, incluindo o dólar e o euro.

Agora só falta ganhar algumas dessas novas cédulas.
Divulgação

As novas notas mantiveram as mesmas cores das antigas e os mesmos animais. Os tamanhos serão diferentes, a de R$ 2 é a menor, a de R$ 5 um pouco maior, e assim sucessivamente.

Frase da semana


“O presidente Lula falhou na promoção de reformas para abolir a cultura política de corrupção, clientelismo e espoliação”.

Clifford Sobel, embaixador americano

Falta de respeito


Falta de respeito

"Beijódromo" é um estímulo à transformação da universidade em espaço lúdico-erótico onde um governo de vigaristas possa obter ganhos publicitários junto à população estudantil.

Por Olavo de Carvalho

Por que devemos consentir em continuar chamando de "Sua Excelência, o Senhor Ministro da Educação" um semianalfabeto que não sabe sequer soletrar a palavra "cabeçalho"?

Por que devemos continuar adornando com o título de "Sua Excelência, o Senhor Ministro da Defesa" um civil bocó que se fantasia de general sem nem saber que com isso comete ilegalidade?

Por que devemos honrar sob a denominação de "Sua Excelência, o Senhor Ministro da Cultura" um pateta sem cultura nenhuma? Por que devemos curvar-nos ante a magnificência presidencial de um pervertido que se gaba de ter tentado estuprar um companheiro de cela e diz sentir nostalgia do tempo em que os meninos do Nordeste tinham – se é que tinham – relações sexuais com cabritas e jumentas?

Essas criaturas, é certo, têm o direito legal a formas de tratamento que as elevam acima do comum dos mortais, mas até quando nossos nervos suportarão o exercício supremamente antinatural e doentio de fingir respeito a pessoas que não merecem respeito nenhum, que só emporcalham com suas presenças grotescas os cargos que ocupam?

Respeito, afinal de contas, é noção hierárquica: sem o senso da distinção entre o melhor e o pior, o alto e o baixo, o excelso e o vulgar, não há respeito possível.


Nietzsche já observava: Quem não sabe desprezar não sabe respeitar.

Se um sujeito que só merece desprezo aparece envergando um uniforme, ostentando um título, exibindo um crachá que o diz merecedor de respeito, estamos obviamente sofrendo uma agressão psicológica, um ataque de estimulação contraditória, ou dissonância cognitiva, que esfrangalha o cérebro mais vigoroso e reduz ao estado de cãezinhos de Pavlov as mentes mais lúcidas e equilibradas.

Um povo submetido a esse regime perde todo senso de gradação valorativa, todo discernimento moral.
Prolongado o tratamento para além de um certo ponto, a sociedade entra num estado de desmoralização completa, de apatia, de indiferentismo, onde só os mais cínicos e desavergonhados podem sobreviver e prosperar.

Mas não é só nas pessoas que o encarnam que o presente governo é uma usina de estimulações desmoralizantes.

Impondo a sodomia como o mais sacrossanto e incriticável dos atos, as invasões de terras como modalidade superior de justiça fundiária, o abortismo como dever de caridade cristã, a distribuição de pornografia às crianças como alta obrigação pedagógica, Suas Excrescências estão fazendo o que podem para sufocar, na alma do povo brasileiro, toda capacidade de distinguir entre o bem e o mal e até a vontade de perceber essa distinção.

Nunca, na história de país nenhum, se viu uma degradação moral tão rápida, tão geral e avassaladora.


Os crimes mais hediondos, as traições mais flagrantes, os escândalos mais intoleráveis são aceitos por toda parte não só com indiferença, mas com um risinho de cumplicidade cínica que, nesse ambiente, vale como prova de realismo e maturidade.

Em cima de tudo, posam as personalidades mais feias e disformes, ante as quais mesmo homens sem interesses obscuros em jogo se sentem obrigados a debulhar-se em louvores e rapapés.

Num panorama tão abjeto, destacam-se quase como um ato de heroísmo as manifestações de desrespeito ostensivo com que os estudantes da Universidade de Brasília saudaram, na inauguração do "beijódromo", o presidente da República, seu ministro da Incultura e o reitor José Geraldo Souza Júnior.

Que é um "beijódromo", afinal?

Idéia suína concebida na década de 60 por Darci Ribeiro, um dos intelectuais mais festeiros e irresponsáveis que já nasceram neste País, então deslumbrado com a doutrina marcusiana da gandaia geral como arma da revolução comunista, o "beijódromo" é um estímulo à transformação da universidade em espaço lúdico-erótico onde um governo de vigaristas possa obter ganhos publicitários explorando calhordamente os instintos lúbricos da população estudantil, assim desviada dos deveres mais óbvios que tem para consigo mesma e para com o País.

Meu caro amigo Reinaldo Azevedo assim resumiu o caso: "Um estado totalitário reprime o tesão. Um estado demagogo o estatiza."

Peço vênia para discordar. Excetuados os países islâmicos, só alguns regimes autoritários, de natureza transitória, ousaram impor a repressão sexual.

A exploração estatal do erotismo é característica inconfundível dos regimes totalitários e revolucionários.


Quem tenha dúvida fará bem em percorrer as 650 páginas do estudo magistral de E. Michael Jones, Libido Dominandi: Sexual Liberation and Political Control (St. Augustine’s Press, 2000).

O "beijódromo" é a cristalização mais patente de um totalitarismo em gestação.

Os gritos e insultos com que Lula foi recebido por estudantes que querem algo mais que pão, circo e orgasmo refletem um fundo de sanidade que ainda resta na alma popular: nem todos os cérebros, neste País, estão perfeitamente adestrados na arte de bajular o que não presta.
Esse protesto impremeditado, espontâneo, sem cor ideológica definida, traz a todos os brasileiros a mais urgente das mensagens: no estado de degradação pomposa a que chegamos, só uma vigorosa falta de respeito pode nos salvar.

Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O menino que queria ser padre, quem diria, virou sacristão de missa negra.



O menino que queria ser padre converteu-se ao PT e virou sacristão de missa negra

Poucas ramificações da nação dos ressentidos são tão detestáveis quanto a tribo dos ex-radicais convertidos ao polo oposto. Há o ex-stalinista que exige a forca para todos os comunistas, o ex-padre que sonha com a incineração de todas as igrejas, o ex-fumante que não admite menos que a prisão perpétua para todos os tabagistas, o ex-alcoólatra que discursa em praça pública contra a presença de licor em bombom ─ e há o ex-seminarista que faz questão de cometer todos os pecados, do pecadilho da futrica aos sete pecados capitais.

É o caso de Gilberto Carvalho.

Nascido em Londrina em janeiro de 1951, casado pela segunda vez, pai de cinco filhos, o secretário de Lula e futuro secretário-geral da Presidência da República saiu ao encontro de Deus aos 12 anos, quando se internou no seminário da Ordem dos Palotinos.

Achou que estava no caminho certo aos 13, ao rezar pela derrubada do governo João Goulart na Marcha da Família com Deus pela Liberdade e ver suas preces prontamente atendidas pelos generais de 1964.

A procura incluiu dois anos de reclusão voluntária (trajando batina de noviço), uma temporada num seminário em Curitiba e estudos de teologia.

Terminou em 1978, quando conheceu Lula, deu por encontrado o seu senhor, abdicou dos valores cristãos, converteu-se à seita do PT e passou a colecionar motivos para ser reprovado no Dia do Juízo Final.

Os mais recentes estão na entrevista publicada pelo Estadão deste 4 de dezembro, que começa com o elogio da vassalagem.

“Ele é duro, muito duro”,
disse com voz de coroinha culpado ao comentar o convívio com Lula.

Às vezes fico com pena dos ministros que recebem certos telefonemas dele. Fico com pena de mim mesmo. Acho que fui o cara que mais apanhou nestes oito anos aqui”.

Pelo tom animado, Gilberto Carvalho acha que o suplício purifica, sobretudo quando infligido pessoalmente pelo salvador da pátria.

De Lula ele sempre aceita tudo, do pito de sinhozinho à bronca de botequim. Sempre cumpriu com dedicação de jesuíta e discrição de comparsa todas as missões que lhe foram confiadas. No fim da entrevista, por exemplo, atendeu a outra encomenda do chefe que não esquece as duas derrotas no primeiro turno: ressuscitar uma das várias infâmias forjadas para vingar-se do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A chance para a execução do serviço sujo apareceu quando a conversa estacionou no escândalo do mensalão. “Lula quer fazer, fora da Presidência, uma análise detalhada do que foi, de fato, aquele processo”, fantasiou.

“Quando fala em farsa do mensalão é porque está convencido de que nunca foi dado dinheiro para alguém votar com o governo”, preparou-se para o golpe baixo a mão miúda de avarento: “Lula sempre disse: ‘Quem comprou voto foi Fernando Henrique na reeleição’”.

A resposta de FHC, publicada nesta quarta-feira pelo Estadão e reproduzida pela seção Feira Livre, desmonta a farsa mais uma vez. Mas o texto é sublinhado pela elegância que um Gilberto Carvalho não merece. Fernando Henrique dispensou-se de escancarar ao menos um dos muitos itens sombrios do alentado prontuário. Poderia ter lembrado, por exemplo, que o entrevistado se tornou, em janeiro de 2001, secretário de Governo do prefeito de Santo André, e estava no cargo quando Celso Daniel foi assassinado um ano depois.

Há pouco mais de um mês, a denúncia do Ministério Público aceita pela juíza Ana Lúcia Xavier Goldman acusou o ex-seminarista de ter integrado a quadrilha que, acampada na prefeitura, tungou dos cofres públicos pelo menos R$ 5,3 milhões. “Gilberto Carvalho concorreu de qualquer maneira para a prática dos atos de improbidade administrativa na medida em que transportava o dinheiro (propina) arrecadado em Santo André para o Partido dos Trabalhadores”, diz a denúncia, que o acusa de repassar o dinheiro a José Dirceu, então presidente do PT.

O secretário do presidente divide o banco dos réus com Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de mandante do assassinato de Celso Daniel, o ex-secretário de Transportes Klinger Luiz de Oliveira Souza e o empresário Ronan Maria Pinto.

”O valor arrecadado era encaminhado por Ronan ao requerido Sérgio e chegava, em parte, nas mãos de Gilberto Carvalho, que se incumbia de transportar os valores para o Partido dos Trabalhadores”, sustenta a denúncia.

“A responsabilidade de Klinger e Gilberto Carvalho decorre da sua participação efetiva na quadrilha e na destinação final dos recursos.”

Somada às gravações das conversas em que os quadrilheiros procuram impedir o esclarecimento do assassinato de Celso Daniel, a denúncia confirma a real vocação de Gilberto Carvalho.

O menino que queria ser padre, quem diria, virou sacristão de missa negra.


 Direto ao Ponto


08/12/2010

Deve ser mesmo comovente imaginar que, em menos de um mês, não haverá mais plateias simpáticas como essa para ajudá-lo a acreditar no que ele quiser.





Destaque:Em 2003, recém-empossado, Lula recebeu no Palácio da Alvorada a visita dos humoristas do Casseta & planeta, para uma sessão do primeiro filme do grupo. Bussunda, que era fã de Lula, se fixou numa cena: o presidente estava numa cadeira de rodas, por causa de uma torção no pé.

Enquanto era empurrado pelos corredores palacianos, um ministro caminhava a seu lado segurando um cinzeiro, para que o chefe batesse a cinza do charuto que fumava.
Por Guilherme Fiúza
 Revista Época

É claro que isso não ia acabar bem.

Um presidente da República que vê seu cargo, acima de tudo, como fator de ascensão social está condenado à frustração.


O elevador que o levou ao topo um dia desce - e esse dia está chegando.

Luiz Inácio da Silva terá de se acostumar a parar de chamar seus interlocutores de "meu filho", entre outros tratamentos irritadiços.

Enquanto manda e desmanda no ministério da sucessora - seu último ato senhorial -, o ex-operário não disfarça a agonia de sua volta à planície.

Perguntado se estava no Maranhão para retribuir o apoio da oligarquia Sarney Lula respondeu que o repórter tinha de "se tratar". De acordo com o presidente, a pergunta demonstrava falta de evolução da imprensa, e em particular daquele repórter:

"Você não evoluiu nada. É uma doença.


O repórter repreendido por Lula não deve se abater. De fato, é difícil evoluir tão rápido, a ponto de compreender todos os avanços proporcionados ao país pela família Sarney. A resistência a essa modernização vertiginosa foi resumida por Roseana, a governadora dos novos tempos: "É preconceito contra a mulher".

Também deve ser preconceito contra a mulher a reação de alguns ao projeto de compra do AeroDilma.

O avião de meio bilhão de reais, que deverá substituir o AeroLula, é fundamental, segundo o presidente, para que o Brasil não se humilhe nas viagens oficiais.

Tem toda razão. Chega de humilhação. Já basta o que os líderes do governo popular gastam de sola de sapato por aí, em anos e anos de comícios nos fins de mundo brasileiros.

Uma vez eleitos, o mínimo a que têm direito é um salão de baile a 10.000 metros de altura - sem escalas enfadonhas.


Da altitude do poder, é possível esculhambar repórteres que fazem perguntas indesejáveis. Também é possível reescrever a história.

No discurso de despedida do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - criado em 2003, e que se tornou muito importante por institucionalizar o bate-papo presidencial em horário de expediente -, Lula se emocionou.

Disse que foi vítima de uma tentativa de golpe em 2005 (o ano do mensalão) e agradeceu aos conselheiros que permaneceram a seu lado naquele momento difícil.

Deve ser mesmo comovente imaginar que, em menos de um mês, não haverá mais plateias simpáticas como essa para ajudá-lo a acreditar no que ele quiser.

Da altitude do poder, é possível esculhambar repórteres que fazem perguntas indesejáveis

Em 2003, recém-empossado, Lula recebeu no Palácio da Alvorada a visita dos humoristas do Casseta & planeta, para uma sessão do primeiro filme do grupo. Bussunda, que era fã de Lula, se fixou numa cena: o presidente estava numa cadeira de rodas, por causa de uma torção no pé.

Enquanto era empurrado pelos corredores palacianos, um ministro caminhava a seu lado segurando um cinzeiro, para que o chefe batesse a cinza do charuto que fumava.

O humorista achou que havia algo errado com a conquista do palácio pelo povo.

Pareceu-lhe que o povo era quem tinha sido conquistado pelo palácio.


Lula foi conquistado pelo poder. E este lhe foi mesmo cativante. Foram oito anos vendo o Banco Central governar, surfando na conjuntura econômica generosa e distribuindo bolsas, repetindo bordões fáceis como PAC e pré-sal, engordando o mito do filho do Brasil.

Nem convencer o povo de que Dilma é Lula deu trabalho - e aí, realmente, não se pode querer outra vida. Este 1º de janeiro vai ser mesmo difícil para o operário que chegou lá, e enfrentará seu maior desafio: sair de lá.

Essa outra vida promete ser estranha.

Certas delícias vão desaparecer, como ignorar por oito anos a segurança pública e poder declarar, diante da ofensiva da polícia carioca contra o tráfico, que "ocupamos o Morro do Alemão".
Mas nem tudo está perdido.

Talvez a máquina de arrecadação do PT lhe consiga alguém para segurar seu cinzeiro.

E não há de faltar convite para um passeio no AeroDilma.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fundador do WikiLeaks se entrega e é preso em Londres

Julian Assange é procurado por estupro na Suécia
Reuters
Estadão

Assange nega as acusações de estupro feitas pela Justiça sueca.

LONDRES - O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, foi preso nesta terça-feira, 7, informou a polícia metropolitana de Londres. A detenção foi realizada com base em uma ordem de prisão emitida na Suécia, onde o australiano é acusado de estupro.
Um representante legal de Assange havia dito na segunda-feira que ele e seu cliente estavam em negociações para que ele se apresentasse à polícia britânica. O australiano se entregou acompanhado de Mark Stephens e Jennifer Robinson, seus advogados britânicos. Sua rendição foi feita sem alarde para evitar a aglomeração de repórteres na delegacia. Seu paradeiro não havia sido divulgado anteriormente.

Um vídeo de Assange será divulgado ainda nesta terça, embora não haja detalhes sobre seu conteúdo. Segundo o comunicado da Polícia Metropolitana, Assange deve comparecer ao tribunal de magistrados de Westminster ainda nesta terça-feira. Há fotógrafos e jornalistas posicionados perto do local.

Em um artigo publicado no jornal The Australian antes de sua prisão, Assange critica a forma como os EUA têm lidado com os vazamentos. No texto, ele diz que os americanos julgam os documentos de formas contraditórias, alegando que eles colocam vidas em perigo, mas que ao mesmo tempo eles não são significativos.

O australiano, de 39 anos, cujo site recentemente causou constrangimento aos EUA por divulgar mais de 250 mil documentos diplomáticos sigilosos, nega as acusações de crime sexual. Os crimes pelos quais ele é acusado teriam sido cometidos em agosto deste ano, em Estocolmo e Enkoping, 80 quilômetros a noroeste da capital sueca.

Promotores suecos abriram, suspenderam, e depois reabriram a investigação sobre as alegações. O crime de que ele está sendo acusado é o menos grave de três categorias de estupro. A pena máxima prevista é de quatro anos na prisão.

Se um juiz aprovar, sua extradição será autorizada e não irá violar seus direitos. Então, o juiz ordenará a extradição do fundador do WikiLeaks, apesar de ele ainda poder recorrer contra a decisão em instâncias mais elevadas.

O advogado sueco de Assange disse que seu cliente lutaria contra a extradição e que acredita que as potências estrangeiras estão influenciando a Suécia.
07 de dezembro de 2010


Charges

Alunos da UnB vaiam Lula e o chamam de “demagogo” na inauguração do… beijódromo!!!

Ou: estatizando o tesão!


Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida.

Por Simone Iglesias
Folha Online
A inauguração do Memorial Darcy Ribeiro, batizado de “beijódromo”, foi marcada por manifestação dos alunos contra o reitor da UnB (Universidade de Brasília), José Geraldo Sousa Júnior e contra a obra.

O presidente Lula também foi alvo dos manifestantes.

Enquanto discursava, o reitor foi vaiado e teve que ouvir gritos dos manifestantes, que são estudantes da universidade.

“UnB sucateada”, “chega de mentira” e “fora repressão”
foram algumas das expressões gritadas em coro pelos alunos.

Quando foi discursar, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, pediu um acordo com os manifestantes, que parassem de gritar em respeito a Lula e Mujica.

“A hora é de saudar o mestre Darcy Ribeiro”, afirmou Ferreira, que desistiu de discursar por causa do calor. Disse que publicará seu discurso no site do Ministério da Cultura. Os manifestantes ensaiaram vaiar o ministro e não suspenderam a manifestação.

O beijódromo custou cerca de R$ 8,5 milhões e ficou pronto em poucos meses. Por conta da rapidez das obras, os alunos criticavam o fato de a Casa do Estudante não ter ficado pronta como foi prometido pela reitoria. A cerimônia foi realizada ao lado do memorial e a cobertura montada pela organização do evento era de plástico transparente, o que deixava vazar o sol para os convidados.
DEMAGOGO
Ao começar a discursar, Lula também foi alvo dos manifestantes. Enquanto falava da biografia de Darcy Ribeiro, os alunos gritavam “demagogo”.

O presidente pareceu irritado e o volume do microfone foi aumentado, abafando a voz dos manifestantes que foram barrados pela segurança e ficaram do lado de fora das grades que separavam o palco e convidados dos alunos da universidade.

“Ô Lula, deixa a galera entrar”, gritaram, durante boa parte do discurso presidencial.
Comento
Você não entendeu direito, leitor amigo?

Eu tento explicar o que tem explicação.

O “Beijódromo” é um centro de vivência que também abriga o museu Darcy Ribeiro, primeiro reitor da UnB, que tinha, entre seus delírios tidos como poéticos, a criação de um troço assim…

E aconteceu, como se vê

. Ao custo de R$ 8,5 milhões.

Quase R$ 9 milhões para os estudantes poderem dar um ralo, como se precisassem desse tipo de estímulo, não é mesmo?

Um estado totalitário reprime o tesão.

Um estado demagogo o estatiza.

Não é o fim da linha porque Tiririca está errado, e pior sempre pode ficar.

Havia, não sei há ainda, uma turma na UnB que sempre achava um pretexto para ficar pelada.

Se o beijódromo era uma ousadia na década de 60, qual será a transgressão possível no segundo decênio do século 21?

Já sei!

A heterossexualidade monogâmica, hehe…

Dá pra levar a sério?

Pobre UnB! A universidade viveu o seu auge sob o comando de José Carlos de Almeida Azevedo, que morreu, aos 78 anos, no dia 23 de fevereiro deste ano.

Ocupou o cargo de 1976 a 1985. Era mestre em física, engenharia e arquitetura naval, e engenharia nuclear pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Ex-oficial da Marinha, era visto como o “interventor” da ditadura na Universidade.

Na gestão Azevedo, criaram-se muitos cursos de graduação e pós-graduação, construíram-se bibliotecas, contrataram-se professores de renome internacional, e a Editora da UnB se tornou uma referência na publicação de livros acadêmicos.

Aí começou a fase da “democratização” da universidade, entenderam? Em 1985, Cristovam Buarque foi eleito para o cargo. É o senador que quer incluir na Constituição a garantia da felicidade. Hoje, ela é dirigida por José Geraldo Souza Júnior, grande expoente do “direito achado na rua”. Ele entrou na Universidade quando Azevedo estava deixando a reitoria. A coisa tem seu simbolismo.


É improvável que se faça um prédio em homenagem a Azevedo. Caso acontecesse, não poderia ser um beijódromo, mas um centro de pesquisa, coisa impensável para uma universidade…
06/12/2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

"Verdadeira enganação"

Juíza: Operação no Alemão é "verdadeira enganação"

Ana Cláudia Barros - Terra magazine

"Uma verdadeira enganação". Esta foi a definição encontrada pela secretária do Conselho Executivo da Associação de Juízes para a Democracia (AJD), Kenarik Boujikian Felippe, para a resposta das forças de segurança à onda de violência no Rio de Janeiro. A magistrada, que é titular da 16ª Vara Criminal de São Paulo, considera equivocada a maneira como o tráfico de drogas está sendo combatido. Para ela, só a base da pirâmide está sendo atingida.


"O que se vê é a prisão dos pequenos. Para se ter um efeito real, é preciso combater os que estão lá em cima. Os de baixo são substituíveis", afirma, destacando que "a ponta de cima" é o empresário que ganha muito dinheiro com o tráfico. "Esse é intocável".


A juíza condena ainda os casos de violação de direitos humanos que começam a vir à tona após as ocupações, sobretudo, do Complexo do Alemão, e o tratamento que parte da imprensa tem dado às operações policiais. Os dois assuntos foram alvos de críticas da AJD, que, no início da semana, divulgou nota repudiando "a naturalização da violência ilegítima como forma de contenção ou extermínio da população indesejada e também com a abordagem dada aos acontecimentos por parcela dos meios de comunicação de massa que, por vezes, desconsidera a complexidade do problema social, como também se mostra distanciada dos valores próprios de uma ordem legal-constitucional".


- O papel da imprensa é trazer dados, informações para que as pessoas reflitam. Se você não mostra os fatos sob o ângulo da violação - que, infelizmente, está acontecendo -, se você vende uma imagem de que aquilo é uma solução, faz um desserviço.


Confira a entrevista clicando
aqui.

Dezembro 03, 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O acordo, a ocupação pacífica do Complexo do Alemão e o futuro

O acordo, a ocupação pacífica do Complexo do Alemão e o futuro
Por Reinaldo Azevedo

Como vocês estão cansados de saber a esta altura, a polícia entrou no Complexo do Alemão praticamente sem resistência.

Bandido é bandido, mas não é burro. Resistir ao aparato que reúne PM (Bope), PF e Forças Armadas seria suicídio coletivo.

Muita droga foi apreendida. Não se sabe ao certo o número de presos até agora, mas não são muitos. Também é pequena a apreensão de armas, dado o arsenal já exibido pelos bandidos.

A ocupação não rende um filme de ação, algo como Tropa de Elite 3. Acabou sendo chocha. Melhor assim em certo sentido. Do contrário, haveria muitas mortes: de bandidos, de militares e também de moradores.

Depois de cantar o Hino Nacional, o Hino da Proclamação da República, o Hino à Bandeira e o Hino da Independência, a gente pode começar a pensar.

Esse desdobramento não é acidental. Desde o cerco ao complexo, as forças de segurança negociam com a bandidagem. O, como é mesmo?, “mediador social” (ou coisa assim) José Júnior, da ONG AfroReggae, foi uma das pessoas que fizeram o meio-de-campo.

A “ocupação” só foi decidida depois de um acordo.

Ficou estabelecido que as forças de segurança “invadiriam” a área sem resistência.

Os bandidos ofereceram a passividade, e o Estado lhes deu o direito de tentar fugir.
A região é gigantesca. Bem poucos trazem estampado no corpo a marca “sou bandido”, a exemplo de um tal Leandro Sedano, 20 anos. Ele mandou tatuar três vezes o nome de “Fernandinho Bera Mar” (sic) nos braços; numa das mãos, um folha de maconha; nas costas, a expressão “eu cheiro”.

Ou seja: Leandro é um Zé Mané. O tráfico não confiaria a ele um papelote de cocaína para vender - ele cheiraria o pó…


A polícia não tem o retrato de todos os traficantes, e ninguém pode ser preso se estiver em casa, assistindo ao confronto Corinthians X Fluminense…

É claro que era preciso ocupar o Complexo do Alemão — aliás, é preciso levar Estado a todas as favelas do Rio.

No que concerne à entrada no morro propriamente, o certo é isso que se vem fazendo agora, não o que se vinha fazendo antes.

Essa política é, sim, desdobramento da anterior (aquela que não prendia ninguém), mas pelo avesso.

As conseqüências negativas da escolha anterior forçaram a ação de emergência — embora esperada há pelo menos 20 anos pelos trabalhadores, que são reféns do narcotráfico, e pelo conjunto dos cariocas, que não suportavam mais ter sua rotina abalada pelos traficantes.
Pensando a coisa toda só por suas conseqüências, talvez se possa dizer que há males que vêm para bem — se vierem. O que quero dizer?


Feita a ocupação, é preciso fazer o trabalho de investigação para prender os traficantes, O QUE NÃO FOI FEITO ATÉ AGORA NAS 13 FAVELAS PACIFICADAS.

Em 11 delas, o tráfico opera normalmente. Mudou a logística, mudou o comportamento dos traficantes, direitos mínimos são garantidos pela Polícia, mas o comércio do bagulho segue normalmente.

Soldados do tráfico, tornados desnecessários nas favelas aonde chegaram as UPPs, haviam se deslocado para as favelas nas quais a polícia ainda não está presente.

Pedem que, nos meus textos, eu dê tempo ao tempo.

Ora, claro que sim!

Só estou chamando a atenção para uma evidência: caso se repita no Alemão o que aconteceu nas 13 favelas já “pacificadas”, o tráfico será “civilizado”, e quase ninguém será preso, com uma apreensão de armas pequena, dado o arsenal da bandidagem.
E a isso não se pode chamar exatamente “combater” o tráfico.

Fala-se na apreensão de até 20 toneladas de maconha só no Alemão!

É um troço fabuloso!

Dado o andar anterior da carruagem, toda essa mercadoria logo seria posta para circular, financiando esse ramo da economia que, estima-se, emprega 16 mil pessoas só no Rio de Janeiro.


Como se nota, estavam certos todos aqueles que se perguntavam indignados:

“Mas por que a polícia e as Forças Armadas não sobem os morros e tomam as fortalezas do tráfico?”

Pois é…

Por quê?

Que bom que o tenham feito agora!

Os próximos dias e meses dirão até onde se preparou um espetáculo para turistas — como turística era a política anterior.

Sem investigação, prisões em massa e o devido processo legal, nada feito!


28/11/2010

RECIBO DO FRACASSO

RECIBO DO FRACASSO

Por Maria Lucia Victor Barbosa

O Rio de Janeiro é o cartão postal do Brasil, sonho de turistas estrangeiros. E não faltam belezas naturais em todo Estado do Rio.


No entanto, o que se vê nestes tristes dias é a explosão descomunal de um processo de violência vinculada ao narcotráfico, se bem que tiroteios, assaltos, assassinatos faz tempo atemorizam a população carioca.

Segundo consta, começou com Leonel Brizola o que hoje é o Estado paralelo do crime. Para se eleger, Brizola fez acordo com bicheiros e a polícia não podia subir os morros para não incomodá-los.

Dos bicheiros aos narcotraficantes foi tramado o enredo tenebroso que se alastrou pelo tempo sustentado pela corrupção das autoridades, pela impunidade, pela indiferença social.


Se esse câncer social não é de agora, é preciso lembrar que Lula da Silva iniciou seu primeiro mandato prometendo que tudo iria mudar.

Foram prometidos doze presídios de segurança máxima, mas só um foi construído em Cantanduvas – PR.

Uma ideia megalomaníaca acenava com a regularização de todas as favelas do Brasil e, claro, nada foi feito nesse sentido.

Alçado ao posto de redentor dos pobres, pela propaganda e pelo culto da personalidade, Lula da Silva vive se gabando que praticamente acabou com miséria no País.

Mas, se o Brasil é um paraíso sem pobreza e desemprego, o que leva jovens favelados a se unirem aos narcotraficantes como única opção para uma breve e bestial vida?

Na verdade, a explosão do terrorismo nunca antes vista no Rio de Janeiro e nesse país é o recibo do fracasso dos governos Federal e Estadual na área da Segurança Pública.

E quando os criminosos continuam a por fogo em ônibus e outros veículos, mesmo diante de todo aparato policial e do apoio das FFAA, o recado está dado para as autoridades: vocês não valem nada, somos nós que mandamos.

Dirá o governador Sérgio Cabral, eleito com espetacular votação, que as Unidades de Polícia Preventiva asseguraram a paz em algumas favelas cariocas e, que por isso, bandidos de lá fugiram para por fogo nas ruas.

De fato, não deixa de ser interessante a presença da policia junto à população, mas as UPPs, que valeram votos para a candidata do presidente, não são suficientes.

Há que ter no governo um sistema de inteligência capaz de rastrear com antecedência as manobras dos traficantes e das milícias, prisões sem trégua para retirar os marginais do meio social, juízes que não soltem os bandidos facilmente, ação constante de confisco de armas e drogas, uma polícia bem paga e bem armada que não dê trégua aos criminosos.

No tocante à remuneração dos policiais, o estabelecimento de um piso salarial nacional, projeto que tramita no Congresso, já foi detonado por Lula da Silva.

Ele quer mesmo o trem-bala, desperdício não menos faraônico do que seria a construção de uma ONG em forma de pirâmide, que serviria unicamente para cultuar o presidente da República e facilitar seus negócios.

Sobre a ação da Polícia Militar e Civil, especialmente do Bope, é justo louvar a coragem e o heroísmo dos policiais que arriscam suas vidas numa guerra sem fim. E se a magnitude da violência ultrapassou a violência cotidiana e demandou o apoio das FFAA, esse apoio devia ser habitual para que não se chegasse ao que se presencia agora.

Portanto, apesar dos discursos e poses de autoridades federais e estaduais para TVs é lógico afirmar que governos fracassaram redondamente quanto à Segurança da população.

Relembre-se que, se o problema é mais acentuado no Rio, existe em todo país.

Não basta, então, dizer que os acontecimentos derivam da fuga de bandidos das favelas por causa das UPPs.

O problema é muito mais profundo e estrutural.

Seria também necessário maior controle das fronteiras por onde entram drogas e armas, especialmente na Tríplice Fronteira e nas fronteiras com a Colômbia e a Bolívia.

No tocante às sanguinárias Farc, é conhecido seu intercâmbio com traficantes brasileiros, mas, lamentavelmente, o presidente Lula da Silva recusou o pedido do então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, para classificar as Farc como terroristas.

Além disso, existe liderança das Farc morando no Brasil com o privilégio de ter sua mulher nomeada para cargo governamental.

Sem falar que altas autoridades do governo Lula, que continuarão no governo Rousseff, frequentam o Foro de São Paulo onde se reúnem as esquerdas latino-americanas, incluindo, as Farc, das quais são muito amigas.

Resumindo, o espetáculo da guerra do tráfico no Rio de Janeiro é o retrato do final de oito anos do governo Lula que passa recibo do fracasso na Segurança Pública.

É também um dos aspectos da herança maldita que Dilma Rousseff vai receber.


Outras maldições continuarão na Saúde, na Educação, na infraestrutura, na gastança, na dívida pública, no descontrole da inflação que o reconduzido ministro Mantega quer camuflar.

O povo quis.

O povo terá.


Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com
27/11/2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

PARAÍSO IMAGINÁRIO



  PARAÍSO IMAGINÁRIO

J. R. GUZZO
REVISTA VEJA - DE 24/11/2010

De todos os presidentes que o Brasil já experimentou em seus 121 anos de República, provavelmente nenhum teve tanto sucesso em criar um mundo imaginário como Luiz Inácio Lula da Silva. às vésperas de passar o cargo para a sua sucessora, Lula dá a impressão, pelo menos quando fala em público, de acreditar cada vez mais num Brasil que inventou na sua própria cabeça - um Brasil curiosamente parecido com o paraíso terrestre que se pode ver todos os dias na televisão, nos anúncios da Petrobrás, do Banco do Brasil e de outros agentes da propaganda oficial.

É como se o presidente assistisse àquilo tudo, na sua poltrona do Palácio do Planalto, e acreditasse, realmente, que está olhando para um documentário com a imagem de fatos reais; casais felizes correndo com os filhos em gramados impecáveis, operários entusiasmados, transbordando de alegria em uniformes cortados sob medida e sem a mínima mancha de graxa, rostos de todas as raças com sorrisos luminosos nos lábios, máquinas de última geração, plataformas de petróleo em mar de almirante, fábricas do terceiro milênio, usinas espetaculares, todo um mundo de eficiência, operosidade e riqueza

Texto completo. O que mais? Mais tudo aquilo que bons diretores de filmes comerciais conseguem enfiar num anúncio de TV quando são encarregados de inventar uma vida ideal - seja para exibir a família em estado de adoração diante da margarina que vai consumir no café da manhã, seja para mostrar o cidadão comum sendo recebido numa agência bancária como um príncipe da Casa Real da Inglaterra.
Este é, hoje, o Brasil do presidente Lula - e o melhor, para ele, é a quantidade de gente que acredita a mesma coisa, ou algo parecido. Se o homem diz que o país vive uma época de ouro ("estamos num momento mágico", informa ele), e tanta gente concorda, ou tão pouca gente se dá ao trabalho de discordar, por que não continuar com a mesma procissão? É exatamente o que Lula vem fazendo. Na verdade, em vez de apenas continuar, vai aumentando o conto. "Temos indicadores sociais dos países desenvolvidos", disse ele tempos atrás - um fenômeno, realmente, em matéria de invenção direta na veia, quando se considera que o Brasil não tem simplesmente nenhum indicador comparável aos do Primeiro Mundo, um só que seja, em àreas fundamentais como educação, saúde, esgotos, transporte coletivo, criminalidade, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e por aí afora. Não tem competência, sequer, para montar um exame de escola como o Enem - mas Lula está convencido, e convenceu o público em geral, de que isso que se vê aí é o Brasil-potência. Da mesma forma, em sua última viagem à África, falou, ao passar por Moçambique , no prodigioso sucesso da política brasileira de ajuda aos países pobres. Justamente em Moçambique - onde o seu governo prometeu, num acordo assinado em 2003, doar aos moçambicanos uma fábrica de remédios que até hoje, sete anos depois, ainda não conseguiu produzir uma única pastilha contra tosse. Julga-se capaz, em encontros como o que acaba de ser feito pelo G-20 em Seul, de intimidar as grandes potências; voltou de lá, mais uma vez, sem que sua presença tivesse alterado coisa alguma.
Lula sempre conseguiu tirar mais benefícios dos seus defeitos do que de suas qualidades; na construção dessas fantasias todas sobre o Brasil Grande, tem se mostrado capaz, também de construir fantasias sobre si mesmo e colocar-se sempre no papel de herói que "este país" nunca teve. Sua mais recente realização no gênero é dizer que foi "o primeiro presidente que teve coragem" de comprar um Airbus de última geração para a Presidência da República. Assim fica tudo muito fácil; se a compra do Aerolula é um ato de bravura, então não há nada que possa estar errado com o seu governo em geral e, menos ainda, com ele em particular. Nem o exame do Enem. Quando o desastre aconteceu, Lula disse que a prova tinha sido um "sucesso total e absoluto" e, como sempre, veio com suas ameaças sobre "gente interessada" no fracasso da sua política educacional. Quando, logo em seguida, achou que perdia mais do que ganhava ao sustentar um disparate desse tamanho, saltou fora de sua convicção sobre o "sucesso total e absoluto" e passou a dizer que o exame poderia ser refeito quantas vezes fosse necessário. E dai? A vida é essa. Como o burrinho pedrês de Guimarães Rosa, Lula nunca entra em lugar de onde não possa sair; seja lá o que diga ou o que faça, sempre resolve seu problema, se alguma coisa der errado, desdizendo o que disse ou desfazendo o que fez. É o mundo da imaginação.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A história contada às avessas

A história contada às avessas


Por Olavo de Carvalho
MSM


Desentortando a versão apresentada pelo jornal O Globo sobre a tentativa de assassinato do Papa João Paulo II, Olavo de Carvalho esclarece fatos a respeito do episódio e da infiltração comunista na Igreja Católica nas últimas décadas.

Se você lê com a dose esperada de ingenuidade as declarações de Mehmet Ali Agca na versão que O Globo publicou no último dia 11, fica com a nítida impressão de que descobriu finalmente a verdade sobre o atentado que quase matou o Papa João Paulo II em 13 de maio de 1981.

Quem encomendou o crime, diz Agca, não foi a KGB, mas o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Agostino Casaroli.

O jornal carioca descreve Agca como "membro de um grupo de extrema-direita" e Casaroli como "uma das figuras centrais do esforço do Vaticano para defender a Igreja nas nações do bloco soviético."

A conclusão, implícita mas nem por isso menos eloquente, só pode ser uma: a maldita direita católica tramou o assassinato para frustrar a abertura diplomática do Vaticano para com o governo soviético.


Se ainda restasse um pingo de consciência jornalística no Globo, uma breve pesquisa teria bastado para informar ao autor da matéria que:

1) O cardeal Casaroli pode ter escrito no seu livro de memórias umas coisinhas quanto ao sofrimento dos cristãos na URSS, mas, no campo da ação prática, muito mais decisivo para
o conhecimento das intenções humanas do que meras palavras, foi ele próprio o grande articulador da "abertura para o Leste", um dos maiores responsáveis pelo ingresso em massa de comunistas no clero e, last but not least, o cérebro por trás da grande operação de engenharia política destinada a esvaziar a Igreja da sua missão espiritual tradicional e transformá-la numa agência da Nova Ordem Mundial.

Nos escalões superiores da hierarquia vaticana, ele era o protetor por excelência da Companhia de Jesus, criadora da "Teologia da Libertação" e quartel-general dos comunistas infiltrados na Igreja.

De todos os altos dignitários da Igreja Católica na época, nenhum teve mais contatos com os governos comunistas do que ele.

Se algo ele fez em favor dos católicos perseguidos, muito mais fez para submeter a Igreja Católica ao jogo comunista.

2) Embora Mehmet Ali Agca tivesse realmente participado de uma organização de extrema-direita, os "Lobos Cinzentos", nos meses que precederam o crime ele esteve em intenso contato, não com a KGB diretamente, mas com o serviço secreto da Bulgária comunista.

Contratar assassinos que serviram ao outro lado é prática quase obrigatória de organizações desse tipo, quando desejam matar um personagem famoso.

O envolvimento búlgaro no atentado foi abundantemente provado pela repórter Claire Sterling no livro The Time of the Assassins (Henry Holt & Co., 1983), e uma negativa genérica de participação "da KGB" sem qualquer menção à Bulgária, é com toda evidência mera desconversa.

3) O estado de guerra entre Casaroli e João Paulo 2º, durante todo o reinado deste último, é fato universalmente conhecido, e nessa guerra a "maldita direita" era representada pelo Papa, não pelo cardeal, que o grande conhecedor de intrigas vaticanas, Malachi Martin, no roman à clef que publicou sob o título Windswept House ("A Casa Batida pelo Vento") retrata - sob o nome de Cosimo Maestroianni - como um ateu puro e simples.

Mesmo admitindo-se que a denúncia de Mehmet Ali Agca contra o ex-secretário de Estado seja verdadeira, coisa que não tenho a menor condição de afirmar ou negar, resta o fato de que o crime foi cometido a favor dos interesses comunistas e não contra eles.

Com ou sem Casaroli, a mão assassina atacou pelo lado esquerdo.

Mais uma vez O Globo brinda seus leitores com uma história contada às avessas.


22 Novembro 2010
 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Charge

eu não sou cachorrr, porquinho nãoo!!!!

Sponholz


O CAPITÓLIO MAIS LONGE DA ESQUERDA SUL-AMERICANA


O CapitÓlio mAIS lONGE da ESQUERDA SUL-AMERICANA

Os republicanos têm posições mais duras quanto aos países sul-americanos governados pela esquerda antiamericanista


Por FRANCISCO VIANNA,
com base no noticiario internacional.

Com a vitória significativa dos Republicanos nas eleições legislativas intermediárias do início desse mês e mesmo antes de assumir o controle e a direção da Câmara dos Representantes (espécie de ‘deputados federais’) do Congresso Americano (Capitólio) e de suas comissões mais importantes, a oposição a Obama começa a ensaiar a exigência de uma política externa mais contundente com os governos de esquerda da América latina, principalmente os que têm adotado uma conduta antiamericanista, a ser posta em prática a partir de janeiro próximo.

É o que se infere das declarações da Representante Republicana Ileana Ros-Lehtinen, que em janeiro próximo deverá presidir a Comissão de Relações Exteriores do Congresso em substituição a atual Democrata Howard Berman.

Segundo ela, “é necessário reformular a política externa para a região e enfrentar eficazmente os governos de esquerda hostis aos EUA, como o da Venezuela, do Equador, da Bolívia, de Cuba e da Nicarágua".
Ao que parece, o endurecimento das relações com tais países poderá ser apenas o início da reviravolta estratégica dos legisladores americanos.

A conduta de países como a Argentina, o Brasil, o Uruguai, e o Paraguai irá determinar também o endurecimento ou o favorecimento das novas políticas externas norte-americanas, principalmente pela maneira como se envolverem em eventual apoio aos países ostensivamente antiamericanos.

Esperam-se, sem dúvida, maiores dificuldades de “sintonia” entre o Congresso dos EUA e os países latino-americanos que cerrarem fileiras com aqueles países.

Os congressistas parecem ter perdido a paciência com Venezuela, Cuba e Bolívia, principalmente, e poderão engrossar esse ‘bloco’ com os governos de esquerda que se mostrarem inamistosos com relação a Washington e poderão desatar consequências ruins na área militar e comercial.

Os cientistas políticos de plantão já consideram provável que o Congresso americano adote legislações restritivas ao comércio internacional daqueles países, que poderão ser estendidas aos demais que os vierem a apoiar, como é o caso do Brasil e de outros governados pela esquerda no cone sul.

Fora dessa possível “lista negra”, estão: Chile, Honduras e Colômbia, que deverão, por isso mesmo, merecer uma atenção especial dos legisladores de Washington.

Brasília e Buenos Aires, certamente, sofrerão com tais mudanças no Congresso Americano, a não ser que adotem posturas favoráveis e amistosas que os congressistas esperam deva existir de parte a parte.
“Não se trata de se ‘alinharem’ ou não com Washington, mas se não houver reciprocidade, esses países não poderão contar com a ajuda norte-americana para nada”, declarou um alto funcionário da ‘House’ (Câmara dos Representantes do Capitólio.

As mudanças previstas só começarão no início do próximo ano, mas o tom já começou a mudar no fim da última semana, quando Ros-Lehtinen atacou a política de Obama – ou a falta de uma política – para a região, e conclamou seus colegas congressistas a adotarem posições ‘mais rígidas’ para os países hostis e ‘mais vantajosas’ para os amigáveis.

"É preciso ser duro com quem – como Hugo Chávez – manipula o sistema democrático de seu país para servir a seus propósitos autocráticos.

Na verdade, Chávez não tem sido o único", disse a Representante Republicana, numa referencia indireta à Bolívia, Equador, Nicarágua, e Cuba.

“Atitudes de governos de esquerda com relação ao Irã, por exemplo, são irresponsáveis e inaceitáveis e esses governos não devem esperar qualquer favorecimento por parte dos EUA e sim, inversamente, medidas que poderão até limitar as importações americanas de seus produtos”, acrescentou.

Já o especialista em relações internacionais, Steve Clemons, da New America Foundation, relativiza o impacto regional desta nova realidade parlamentar americana dizendo que é o Departamento de Estado que executa a política externa.

"A chave das relações bilaterais está no Poder Executivo, e não no Congresso", disse Clemons, embora admitindo que, de fato, poderá haver uma "pressão" considerável sobre a Casa Branca por parte do Capitólio.

Una pressão que pode custar caro aos países que se mostrarem hostis aos EUA. 


Saudações,

Francisco Vianna

21 de novembro de 2010