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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Barroso, aquela fitinha no braço, a democracia e o discurso fora do lugar. Ou: O mensalão é culpa deles, ministro, não nossa!


O ministro Roberto Barroso, do STF, aposta contra o pântano ou a favor dele?
Por Reinaldo Azevedo

Há lateralidades em situações e personagens que insistem em nos dizer alguma coisa. Lembro-me de um texto divertido de Gore Vidal em que ele encana com a peruca torta de um adversário de debate.

O ministro Roberto Barroso, do STF, não usa peruca, mas ele tem uma fitinha no pulso, que parece, à distância, meio esgarçada. Não sei se é do Senhor do Bonfim ou de algum orientalismo qualquer. Mas esta lá. Quando ele gesticula, ela aparece. Um senhor na sua posição e na sua faixa etária usar um adorno como aquele sempre significa alguma coisa. Tendo a achar que está a nos dizer que é um homem, sei lá, de pensamentos singulares, o que explica, por exemplo, ter entre seus artistas prediletos Taiguara.

Ou ainda: nele, a razão do juiz se deixa enternecer por alguma forma de crença — mas não uma crença convencional.

Ou ainda: erudito e popular se encontram, ali na fronteira em que se salta de Beethoven para Ana Carolina. Se aquela fitinha não quisesse dizer nada, não estaria ali como um “punctum” na tela — ficaria escondida sob o punho da camisa.

Que significa alguma coisa, isso significa. E uma das nossas tarefas é interpretar signos.

A fitinha é um emblema, parece-me, de uma certa heterodoxia analítica que, tudo indica, não é estranha à sua obra. Só li um livro seu. Mas achei lá um monte de pensamentos com fitinhas, de leituras da Constituição com fitinhas, de interpretação com fitinhas.

Não foi diferente nesta quarta-feira. Ao rejeitar os embargos de declaração interpostos pela defesa de José Genoino, afirmou:

“Pessoalmente, lamento condenar um homem que participou da resistência à ditadura (…). Lamento condenar alguém que participou da reconstrução democrática do país.

Lamento, sobretudo, condenar um homem que, segundo todas as fontes confiáveis, leva uma vida modesta e que jamais lucrou financeiramente com a politica”.


Ai, ai… Não posso cortar a fitinha do braço do ministro, mas posso lançar fora a que enfeita esse seu pensamento torto. Não sei se ele pretende fazer também esse desagravo a José Dirceu, o chefe da quadrilha, mas acho que não.

Ocorre-me perguntar a que José Genoino ele se referia: àquele que foi deputado federal ou àquele que participou, ou quase, da guerrilha do Araguaia. O deputado ajudou a construir a democracia como outros quaisquer — inclusive Delfim Netto, que assinou o AI-5, hoje um lulista entusiasmado.

Se, no entanto, falava do guerrilheiro, aí aguardo um livro da excelência demonstrando como a luta armada e as ações terroristas ajudaram a construir o estado de direito no Brasil. Ajudaram?

Alguém me evidencie, por favor, pela via dos fatos, não com fitinhas de pensamento alternativo no braço, como foi que aquele PCdoB, a VAR-Palmares (de Dilma) ou a ALN, para citar as organizações extremistas mais conhecidas, colaboraram com o regime democrático.

Quero saber que herança deixaram na legislação que orienta o estado de direito. Com assalto a bancos? Com o confronto na selva? Com o assassinato de 122 inocentes? Como?

É claro que eu sou um filho da mãe sem fitinha; é claro que eu sou um reaça desprezível; é claro que etc, etc, etc. Mas me digam onde estão os fatos, e eu já me darei por satisfeito.

Construíram a democracia os que tiveram a clareza de organizar a resistência pacifica e de criar instituições, excelência! Os extremistas só criaram dificuldades adicionais. Nem toda vítima deixa um legado benigno.

Há outro enfeite muito especioso nesse pensamento. E daí que Genoino seja um homem pobre e jamais tenha enriquecido na política?

Foi para espalhar a sua honestidade pessoal e fazer dela um norte conceitual da política que referendou aqueles empréstimos mandraques intermediados por Marcos Valério, cuja fonte era, como restou provado, dinheiro público?

De novo lá vou eu recomendar, agora a Barroso, que leia “Sussurros”, de Orlando Figes, sobre a vida cotidiana sob o tacão de Stálin. Para si, como consumidor, o tirano sempre quis muito pouco.

A sua concupiscência era de outra natureza.

Por baixo dessa fitinha, há uma outra, ainda mais escondida: cometer crimes em benefício de um partido e de um projeto de poder é mais desculpável, ou menos condenável, do que em benefício pessoal? Numa linguagem mais crua: quem rouba para enriquecer é menos moral do que quem rouba em nome de uma causa?

Ainda era pouco
A ladainha sobre Genoino preparava um discurso mais genérico — o que é sempre desaconselhável num juiz, a menos que esteja tratando de questões doutrinárias — sobre o sistema político brasileiro, que, segundo ele, induz o crime.

Acusou parlamentares de transformar o Congresso num balcão de negócios.

“Essa é a dura realidade: um modelo político em que o interesse público frequentemente precisa ser comprado“, afirmou. “Se não se alterarem, essa logica da compra e venda irá continuar. Como água torrencial que corre, a corrupção encontrará seus caminhos”, metaforizou o fã de Taiguara.

Esse é um discurso que fica bem em outro palácio da Praça dos Três Poderes: o do Congresso. Ministros estão no da Justiça para fazer valer as leis e a doutrina, não para ser os Catões de plantão do processo político.

E seguiu com seu cenário apocalíptico: “Loteamento de cargos públicos drenarem recursos para eleições; emendas orçamentárias que beneficiam empresas de fachada que repassam verba para o bolso ou partido; licitações superfaturadas, subfaturas ou cartelizadas; venda de penduricalhos em medidas provisórias para atender a interesses que não se saem bem no debate público”.
Parece duro e preciso, mas também vejo aí uma generalização perigosa que, como numa peça de Gil Vicente, confunde “Todo Mundo” com “Ninguém”. Se o sistema é corrupto e corrompe, os corruptores e os corrompidos são mais vítimas passivas de algo muito maior do que suas respectivas vontades do que protagonistas da lambança.

Barroso já havia me incomodado outro dia, quando misturou os crimes do mensalão com o sujeito que leva seu cachorro para a praia.

O PT chegou ao poder com a maior base de apoio que teve um governo em períodos democráticos. Não corrompeu porque precisasse. Corrompeu porque aquela engenharia era parte de um projeto de poder.

Essas considerações de Barroso buscam eliminar as particularidades do mensalão. Não se tratou apenas de drenar recursos públicos para bolsos privados — e não que isso já não seja extremamente grave. Tratou-se de uma tentativa de golpear as instituições. Não sei por quê, ou sei, mas entendo esse discurso como uma defesa nem tão velada do financiamento púbico de campanha — que, ele sim, teria o condão de jogar o processo político brasileiro na clandestinidade.

O ministro foi além: “Precisamos não de uma agenda política, mas de uma agenda patriótica para desfazer essa armadilha histórica que nos manterá atrasado, girando em círculos, incapazes de dar um salto moral para fora do pântano”.
Bem, mudar o sistema político, como disse, é coisa de que se deve cuidar em outro palácio. Já esse negócio de “agenda patriótica” para “sair do pântano” é conversa de guru ou de ideólogo. Não fomos nós que fizemos o mensalão, não, ministro! Foram eles! Evoque as leis, a jurisprudência e os princípios para se ocupar dos casos que estão no tribunal. Pensamentos heterodoxos, com fitinhas, terão de esperar a aposentadoria. “Agenda patriótica” é coisa de palanque.

Encerro

Lembro que Barroso teve uma chance formidável de dar uma pequena contribuição para criar esse país mais moral, mas fez justamente o contrário. Com o seu voto — puxando o cordão, diga-se —, o Supremo decidiu que cabia à Câmara e ao Senado dar a última palavra sobre o mandato de parlamentares condenados em processos criminais.

O ministro lamentou ainda o arrefecimento dos movimentos de rua e afirmou que os políticos já não estão mais atentos às demandas populares: “Pior que tudo: o povo saiu da rua e já não se fala mais em mudanças”.

Não dá! É fitinha demais de heterodoxia numa discurso só.

Que conversa é essa?

Algumas reivindicações eram boas; outras, nem tanto, e havia (e há) as francamente estúpidas. “Povo na rua” não é uma categoria de pensamento, um bem em si mesmo — como evidenciaram os vários fascismos ao longo da história.

É claro que a fitinha no braço do ministro não me incomoda e é questão de gosto — como a música de Taiguara. Mas esse discurso cheio de penduricalhos heterodoxos nem melhora a Justiça nem melhora a política. Vira só um desabafo fora do lugar.

De todo modo, o homem se conhece mais pela obra do que pelo palavrório.

O debate sobre os embargos infringentes está chegando.

E aí saberemos se o ministro aposta contra o pântano ou a favor dele.

29/08/2013


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Mais médicos cubanos: o negócio bilionário é ainda pior


São R$ 350 milhões por semestre! Tudo diretamente para o bolso dos ditadores cubanos – e uma comissão milionária para a organização chefiada por um dentista de extrema confiança do regime.


Por Gravatai Merengue




de bobo, só a cara e o jeito de andar

Escrevi aqui (quem ainda não leu, peço que preste atenção nesse arrazoado, está bem completo e fundamentado) sobre o fato da importação de médicos cubanos não ser relacionada a ideologias ou à saúde pública, mas sim um repasse bilionário (pois é, bilionário) à ditadura castrista.
Mas a exportação de vítimas do regime é ainda pior.
O chefão da OPAS (que intermedeia a relação entre governo do Brasil e ditadura cubana) é um dentista (sim, dentista) cubano da mais alta confiança da ditadura. Ocupou vários cargos subordinados aos Castro.

O próprio site da organização traz uma minibiografia do chefe:
“Dr. Joaquin Molina iniciou sua carreira em 1977 como dentista e, posteriormente, como Gerente de Cidade, na província de Las Tunas, em Cuba. Em 1981 foi nomeado professor no Instituto Superior de Ciências Médicas de Havana entre 1984 e 1989, trabalhando para o Ministério da Saúde Pública de Cuba como um oficial da Estomatologia Nacional, atuando mais tarde como coordenador de Cooperação Técnica Internacional.” (grifos nossos)
E pelo simples fato de fazer esse meio-de-campo, a OPAS ganhará quase VINTE E CINCO MILHÕES DE REAIS. Isso mesmo. E apenas pelo contrato de SEIS MESES. São 5% do total de MEIO BILHÃO – também para esse único semestre.
Considerando que os médicos ficam com apenas 30% do valor total a eles direcionado (e isso quando muito, pois em outros países não ficam nem com 10%), a ditadura levará, apenas nesse primeiro semestre, R$ 350 milhões.
Assim, cabe corrigir a conta do outro post. São na verdade MAIS DE DOIS BILHÕES DE REAIS no total de três anos. Tudo para a ditadura cubana.
Muitos ainda parecem não entender a empolgação de alguns partidos com esse negócio bilionário. Vale lembrar que no ano que vem há eleições.
Desnecessário desenhar.

                 28 de agosto de 2013



Otan acusa Assad por massacre e diz que ataque não pode ficar sem resposta



  Secretário-geral da aliança atlântica diz que regime sírio será 'responsabilizado'


O Estado de S. Paulo

BRUXELAS - O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse nesta quarta-feira que informações de fontes variadas apontam para as forças do presidente Bashar Assad como responsáveis pelo uso de armas químicas na Síria.

Falando depois de uma reunião de embaixadores da Otan em Bruxelas, Rasmussen disse que qualquer uso de tais armas é "inaceitável e não pode ficar sem resposta", embora não tenha sugerido qualquer resposta.

"Essa é uma clara violação das normas e práticas internacionais de longa data. Os responsáveis devem ser responsabilizados", disse ele em comunicado.

Rasmussen disse que a aliança militar manteria a situação na Síria sob "atenta análise". / REUTERS



28 de agosto de 2013



Padilha tenta inventar a tese da xenofobia e do racismo para esconder o óbvio: ele toca um programa que escraviza sem preconceitos: brancos, negros, mestiços, homens, mulheres…




Uma coisa é a gente não gostar do governo, ser crítico, achar que é incompetente.

Outra, diferente, é ter de sentir vergonha do que vê, ouve e sabe.

Por Reinaldo Azevedo

Na segunda-feira, profissionais de saúde participaram de um protesto em frente à Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE), onde alguns médicos estrangeiros, que vieram para o programa aloprado de Dilma Rousseff e Alexandre Padilha, participavam de uma solenidade.

A assessoria do Ministério da Saúde diz que, durante o ato, o secretário de Gestão Estratégica e Participativa da pasta, Luiz Odorico Monteiro de Andrade, levou um tapa.

Se aconteceu assim, não pode acontecer mais.

É inaceitável.

A reação do governo federal, no entanto, por intermédio do ministro-candidato Alexandre Padilha e do próprio Andrade é absurda.

Não tendo como justificar o regime de contratação dos cubanos, os petistas tiveram uma ideia.

Reproduzo a fala do ministro ao comentar o episódio:

“Lamento veementemente a postura de alguns profissionais, porque eu acho que é um grupo isolado, de ter atitudes truculentas. Incitam o preconceito, a xenofobia. Participaram de um verdadeiro corredor polonês da xenofobia, atacando médicos que vieram de outros países para atender a nossa população apenas naqueles municípios onde nenhum profissional quis ir atender a nossa população”.
Há, nessa fala, uma impressionante soma de tudo o que não presta. Se há coisa de que os brasileiros não podem ser acusados, convenham, é de xenofobia.

Ao contrário.

No geral, há uma cultura de tolerância com os estrangeiros e, a depender do caso, até de deslumbramento.

Quem alimenta certo lastro de rancor contra um povo em particular — o americano — é o governo petista.

Como esquecer aquela fala gloriosa de Luiz Inácio Apedeuta da Silva, segundo quem a crise internacional tinha sido criada por “gente loura e de olho azul”?

E a acusação de racismo, de onde vem?

Alguns dos médicos e médicas que chegaram ao Brasil, especialmente os vindos de Cuba, são negros. No protesto no Ceará, os manifestantes acusavam o Ministério da Saúde de explorar trabalho escravo. Andrade, o auxiliar de Padilha, deve ter ficado com o juízo meio perturbado. Afirmou:

“O que a gente presenciou foi um ato de truculência, violência, xenofobia, racismo e preconceito. Os médicos brasileiros presentes no ato agrediram verbalmente os médicos cubanos, chamando-os de escravos, de incompetentes e mandando eles voltarem para suas senzalas. Quando os médicos saíram, eu fui agredido com murros, empurrões, tapas, e um ovo acertou a minha camisa.”

Comento

Um tapa ou um monte deles, qualquer coisa é inaceitável!

Mas a acusação de “racismo” — porque alguns médicos são negros, e os brasileiros acusam a existência de trabalho escravo — é de uma má-fé que impressiona.

Obviamente, os que se manifestam não estão se referindo nem à origem (não é xenofobia) nem à cor da pele dos profissionais.

Estão é protestando contra o regime de trabalho acordado entre os governos do Brasil e o de Cuba.

Eles estão reagindo ao fato de que o nosso país pagará R$ 10 mil mensais por profissional, mas este verá apenas uma pequena parte desse dinheiro — algo em torno de 20%.

A situação é de tal sorte surrealista que as autoridades brasileiras nem mesmo sabem quanto a tirania comunista repassará aos médicos. Isso é lá com ela.

Ora, parece evidente que profissionais bem remunerados tendem a trabalhar mais satisfeitos. Até com os cubanos deve ser assim.

Cabe a pergunta: só haverá negros entre os 4 mil cubanos?

Segundo o censo de 2002, assim se distribuía a população da ilha: 7.271.926 brancos (65,05%), 1.126.894 negros (10,08%) e 2.778.923 mulatos (24,86%).

Ou por outra: em termos percentuais, há mais negros e mestiços somados no Brasil do que em Cuba.

Quando os médicos brasileiros gritaram “escravos!” e os convidaram a voltar às suas respectivas senzalas — na hipótese de que tenha acontecido assim mesmo —, era o regime de trabalho que estava sendo atacado.

Escravo, branco ou negro, “Isauro” ou não, é todo aquele que não tem liberdade de ir e vir; que não é dono do seu próprio trabalho (porque o estado dele se apropriou); que é obrigado a servir a um senhor, caso contrário, virá a punição.

E não é rigorosamente essa a situação dos médicos cubanos que vieram ao Brasil, qualquer que seja a cor de sua pele?

De resto, constato: se os 4 mil médicos forem um espelho da população de Cuba, haverá mais brancos entre eles do que negros.

Caso se verifique o contrário, então será preciso examinar a hipótese de racismo, sim, mas em Cuba.

Não, senhor ministro!

Não, senhor secretário!

As excelências estão apertando o botão do racismo porque sabem que o programa em curso fere diversas leis do nosso país.

Então cumpre evocar essa farsa na aposta de que os absurdos nele contidos se percam num debate lateral.

Escravos, sim!

São escravos porque não são donos do seu trabalho, porque não são donos do seu corpo, porque não são donos de sua própria consciência.

O mais massacrado dos operários, nos momentos mais terríveis da Revolução Industrial, tinha de seu — cabe visitar o velho Marx — o trabalho.

Essa é, afinal de contas, a constatação original, primeira, a gênese mesmo, que vai resultar na proposta da revolução comunista.

Esse operário era, então, segundo a teoria, obrigado a vender essa força de trabalho por um valor inferior ao que ela rendia — não é isso? —, e o patrão se apropriava desse excedente.

Marx pôs seus furúnculos no traseiro para pensar e teve uma ideia: chega de transferir esse excedente para o patrão!

Ele tem de ficar com os próprios trabalhadores.

E isso só será possível, definiu, com a socialização dos meios de produção.

Não confunda!

Abolir também a propriedade privada das cuecas não é ideia de Marx, mas de Pablo Capilé, um pensador que veio algum tempo depois…

Cuba é marxista!

Vejam lá no que deu.

Aprendemos que o socialismo é a pior distância entre o capitalismo e o escravismo. O “patrão” dos médicos cubanos não está se apropriando do seu sobretrabalho, mas de seu trabalho inteiro — e do dono desse trabalho também.

Em troca, os médicos receberão não mais do que uma ração, que ainda é superior àquela que se fornece aos que ficam em Cuba.

Ser escalado para esses convênios, ainda que obrigados a deixar na ilha suas respectivas famílias, ainda é melhor do que lá permanecer.

Preconceito uma ova!

Xenofobia uma ova!


Os médicos cubanos — os que não forem agentes do regime, porque os há aos montes , infiltrados no grupo, a exemplo do que se viu na Venezuela — não podem falar eles próprios porque, se o fizerem, sabem qual é seu destino.

Serão imediatamente mandados de volta a Cuba. Como já alertou o buliçoso Luís Inácio Adams, será inútil pedir asilo.

Os asquerosos
O subjornalismo da boca do caixa, financiado por estatais e por gestões petistas, mobilizou a sua tropa nas redes sociais para tentar popularizar a acusação de racismo e xenofobia, como se os médicos brasileiros estivessem contra a presença de colegas estrangeiros e, muito particularmente, de negros.

É uma gente asquerosa!

Esses agora supostos defensores de negros cubanos são os mesmos que apontam o dedo contra Joaquim Barbosa, ligando a cor de sua pele a seu temperamento ou a seu voto no julgamento do mensalão; são os mesmos que lhe cobram gratidão a Lula por ter sido “generoso” e lhe ter dado uma chance.
Não é jornalismo, não é política, não é debate de ideias.

É uma variante da formação de quadrilha.

28/08/2013

Na luz, as sombras

 

Que há um heroi nessa história, não há dúvida: o diplomata Eduardo Saboia honrou as melhores tradições do Itamaraty e da política externa brasileira ao retirar o senador boliviano Roger Pinto, asilado político, do insalubre confinamento a que tinha sido relegado pelo nosso Governo por 455 dias

Coluna Carlos Brickmann

Que o Governo brasileiro agiu como comparsa das autoridades bolivianas que perseguiam o asilado político, também não há dúvida: as ordens para que a vítima não pudesse sequer tomar banho de sol partiram de dirigentes brasileiros, não dos bolivianos.

Tirando essas duas constatações, só há dúvidas. A história de que o principal adversário político do presidente Evo Morales saiu da Embaixada brasileira em La Paz na companhia de um diplomata e dois fuzileiros navais, rodou 1.600 km e chegou a Corumbá, MS, sem ser incomodado, não se sustenta.

Imaginemos a cena: um diplomata determina a dois fuzileiros navais que o acompanhem numa viagem ao Brasil e os dois sequer comunicam a saída a seus chefes.

Os carros são parados em vários postos rodoviários bolivianos e ninguém reconhece o passageiro, um político famoso, que vivia aparecendo na TV e nos jornais; e ninguém acha estranho que dois carros com chapa diplomática transportem fuzileiros navais.

Passam a fronteira numa boa, sem identificação. E só em Corumbá, depois que telefonam às autoridades, é que o Governo descobre que fugiram.

Saboia diz que o Governo boliviano já havia indicado que não se oporia a uma fuga desse tipo.

Pelo jeito, quem se opunha era Dilma. Ou não.

Nas sombras, a luz

Saboia é herdeiro da boa imagem do Itamaraty em Direitos Humanos. Na Alemanha nazista, dois funcionários diplomáticos brasileiros, Aracy, O Anjo de Hamburgo, e seu marido, o cônsul (e grande escritor) Guimarães Rosa desobedeceram às ordens do Governo brasileiro e deram vistos a judeus perseguidos pelos nazistas.

Na mesma época, o Governo brasileiro prendia e entregava à Alemanha a esposa do líder comunista Luiz Carlos Prestes, Olga Benário. Lá foi fuzilada.

Nas sombras, as sombras
O chanceler Antônio Patriota levou a culpa sabe-se lá do que, e foi punido com a perda do cargo e a nomeação para a ONU, em Nova York. Ou seja, não houve punição: ganhou um belo posto e só perdeu o cargo que jamais ocupou.

Os sombrios

Hoje, começa nas redes sociais ampla campanha de difamação do senador Roger Pinto. Ele cometeu o crime máximo: opôs-se a um Governo bolivariano.

...sin perder la ternura
Noticia do bem-informado e respeitado jornalista Jorge Moreno, em sua coluna Nhenhenhém (http://oglobo.globo.com/pais/moreno/), dia 24: "O caso do aposentado do Senado que exige que o plano de saúde pague sua cirurgia de colocação de prótese peniana pode se transformar num dos maiores escândalos do Congresso Nacional.

O dito-cujo tem a lista de todos os senadores, incluindo ex-presidentes do Senado, que tiveram o procedimento pago com dinheiro público".

Hay que endurecerse...

Para que o caro leitor não tenha o trabalho de pesquisar, eis os presidentes do Senado do ano 2000 até hoje: Jáder Barbalho, Édison Lobão, Ramez Tebet, José Sarney, Tião Viana, Garibaldi Alves Filho e Renan Calheiros.

Saúde - e educação

Protestar contra a importação de médicos estrangeiros sem que façam o exame de revalidação do diploma é uma coisa; insultar os estrangeiros que vieram a convite do Governo brasileiro é outra, e grave. Contestar quem os convidou é um direito; mas receber os convidados com cortesia é obrigação. A grosseria dos médicos brasileiros em Fortaleza tira toda a razão que possivelmente tenham.

Risco


Há tantas acusações conturbando o ambiente que os médicos cubanos ainda vão ser denunciados por formação de padilha.

Inzoneiro

É fácil entender a crise brasileira. Basta lembrar que:

1 - O Governo petista de São Paulo, a maior cidade do país, quer dar prioridade ao transporte público e dificultar o uso de automóveis. O Governo petista do Brasil reduz impostos para venda de automóveis e segura o preço da gasolina.

2 - Como a frota de automóveis particulares cresceu, beneficiada pelos incentivos e pela estabilidade do preço dos combustíveis, a Petrobras importa petróleo e gasolina, pagando mais caro do que cobra quando vende. Não está sobrando muito para sua prioridade declarada, a exploração do petróleo do pré-sal.

3 - O Brasil exporta minério de ferro e importa trilhos.

4 - A primeira linha de Metrô de Salvador está sendo construída há 13 anos. Ainda não foi concluída.

Mas existem equipamentos comprados há vários anos, já armazenados, já pagos e já inutilizados por falta de uso. E não é só lá, não.

Passeando de moto

O grande filme sobre o uso de motos Harley-Davidson para espairecer é Easy Rider, com Peter Fonda e Dennis Hopper.

Em português, o título é Sem Destino.

Molina, o resgate




Antonio Patriota já sabia, pelo menos desde 20 de junho, que Dilma desautorizava qualquer operação que colocasse em risco a vida do senador Roger Pinto Molina


Neste dia, o chanceler assegurou em audiência pública no Senado: “Dilma manifestou pessoalmente às autoridades bolivianas” que não seria flexível em relação “às garantias que preservassem a integridade física do senador numa eventual saída da embaixada”.

“Ou seja”, continuou o então ministro, “não será admitida qualquer meia-solução para a saída do senador”. Foi justamente o que aconteceu.

Resgate 2


Os mais próximos a Patriota têm absoluta certeza de que o ex-ministro não sabia da operação de ‘resgate’.

Resgate 3

Um mês antes da ida de Patriota ao Senado, Ricardo Ferraço, presidente da Comissão de Relações Exteriores, havia convidado Marcel Biato, então embaixador do Brasil em La Paz, para explicar a situação de Molina.

Biato nem sequer respondeu ao convite de Ferraço.

Resgate 4

Causou indignação no Itamaraty a escolha de um funcionário da Receita Federal e da CGU – Dionísio Carvalhedo Barbosa – para presidir a comissão de sindicância que vai apurar o ‘resgate’ do senador.

Resgate 5

Procurado pela coluna, o padre Alejandro, responsável pela mediação com os imigrantes bolivianos em SP – da Missão Paz – não quis se pronunciar sobre Molina.

Talvez pela mesma razão que os representantes do Centro Cultural Kantuta tampouco quiseram fazê-lo: medo de falar publicamente sobre Evo Morales.

Resgate 6

Enquanto a política não se resolve, a Bolívia está em alta no audiovisual brasileiro. A TV Globo fez seleção de figurantes bolivianos para a novela Amor à Vida, na Praça Kantuta, bairro do Pari.

Resgate 7

Já sábado foi dia de mutirão na comunidade. Motivo? Acerto de documentos bolivianos, feito por comitiva que chegou ao País semana passada. Erros de nomes e datas em papéis de legalização foram corrigidos no Brás.
28.agosto.2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Expert em DOI-Codi, mas ignorante em VAR, submissa à vanguarda do atraso, Dilma faz comparação absurda para desautorizar seu embaixador-herói



A presidente Dilma Rousseff rebateu nesta terça-feira afirmação do diplomata Eduardo Saboia de que ele se sentiu na embaixada brasileira em La Paz com um "carcereiro do DOI-Codi", ao manter preso o senador Molina.

. O senador Aécio Neves classificou as declarações de Dilma como "deploráveis" e "indignas".

. O que disse Dilma:

- O governo age para proteger a vida. Nós não estamos em situação de exceção, não há nenhuma similaridade. Eu estive no DOI-Codi, eu sei o que é o DOI-Codi. É tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira lá em La Paz como é distante o céu do inferno. Literalmente isso.

. Refém política dos setores duros do PT e do bolivariano Evo Morales, Dilma tenta crucificar o seu embaixador, em vez de condecorá-lo como herói.
A fala, em entrevista coletiva após cerimônia solene no Senado, é a primeira declaração pública de Dilma após o episódio que resultou na demissão do ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores), na noite de ontem.

"O senador estava havia 452 dias sem tomar sol, sem receber visitas. Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi [centro de repressão do Exército durante a ditadura]. O asilado típico fica na residência [do embaixador], mas ele estava confinado numa sala de telex, vigiado 24 horas por fuzileiros navais", disse o diplomata.

- Não é a primeira vez que Dilma Roussef relembra fatos relacionados com as prisões e torturas que sofreu durante a ditadura militar, quando empunhou armas e participou de ações do grupo terrorista VAR-Palmares, inclusive da operação de assalto ao cofre da residência da amante do ex-governador Ademar de Barros. A respeito das atividades que exerceu no grupo terrorista, no entanto, a presidente faz questão de nunca declarar nada e nem comparar sua posição atual de presidente constitucional de um regime republicano e democrático e o ideário que seguia na época, que era justamente a substituição do regime republicano e democrático por um regime ditatorial e comunista.. A reclusão por tempo indeterminado de uma pessoa, mesmo num cubículo de embaixada, é, sim, tão dolorosa quanto foi a prisão de Dilma numa cela do DOI-Codi. A diferença básica é que na embaixada nunca houve tortura física, mas sempre houve tortura psicológica promovida pelos esbirros de Evo Morales e reclusão em regime fechado. Além do mais, nem é disto que se trata, mas do respeito à vida humana, inclusive sua dignidade.


27 de agosto de 2013

Charge






Néo Correia


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

"Demissão de Patriota é uma história mal contada"


Por Ricardo Noblat


Esquisito o episódio da chegada ao Brasil do senador boliviano refugiado há mais de 440 dias em nossa embaixada em La Paz.

E agora da demissão do ministro Antônio Patriota, das Relações Exteriores.

A operação de retirada do senador da Bolívia foi arriscada se ela de fato ocorreu à revelia do governo Evo Morales.

Foram 22 horas dentro do carro principal da embaixada até a chegada em Corumbá. Fuzileiros navais garantiram a segurança do senador durante a viagem.

Em Corumbá, a segurança coube à Polícia Federal, subordinada ao ministro da Justiça.

É possível que fuzileiros e agentes da Polícia Federal tenham sido mobilizados à revelia dos seus chefes - os ministros da Defesa e da Justiça?

É possível que a fuga do senador fosse apenas do conhecimento do encarregado de negócios da embaixada do Brasil na Bolívia?

O posto de embaixador está vago por lá.

E a pergunta mais importante: que ministro teria coragem de se envolver numa operação diplomaticamente tão delicada sem que a presidente Dilma fosse informada?

E desse seu aval?

Dilma nunca gostou de Patriota, nunca se deu bem com ele, sempre o tratou mal, às vezes de forma humilhante.

Era preciso entregar alguma cabeça para acalmar o governo boliviano, aparentemente irritado com o que aconteceu.

Se Evo Morales só ficou sabendo da fuga do senador depois de sua entrada no Brasil, é grave. Deixa-o mal diante dos seus governados.

Se ele sabia da fuga e compactuou com ela, não poderá admitir. Pegaria mal.

A demissão de Patriota desmancha o mal estar sincero ou simulado entre a Bolívia e o Brasil.

Estranho que a crise venha a acabar com a saída apenas de Patriota se outros figurantes dela recebiam ordens dos ministros da Justiça e da Defesa.

Sérgio Guerra decide expulsar Serra do PSDB. Segundo entendo, ele acha que isso ajuda a eleger Aécio presidente, certo?



Por Reinaldo Azevedo

Escrevi no sábado à tarde um texto que tratava de um processo de recuperação da popularidade da presidente Dilma Rousseff — parece-me que está em curso — e das dificuldades e descaminhos enfrentados pelo PSDB. O título é este: “Enquanto Dilma se recupera, o PSDB repete os velhos erros de sempre e continua imbatível na arte de vencer o… PSDB!”. Num dado momento do artigo, escrevo:

“Eles deveriam ter claro que nós todos já sabemos de sobejo uma coisa: eles são excelentes na guerra interna — e o jornalismo se diverte com as redes de intrigas. Eles só não sabem vencer petistas nas disputas federais — não sem a “novidade” do Plano Real ao menos, que foi o grande estrategista tucano em 1994 e 1998.”

Eu ainda não sabia de uma entrevista concedida pelo deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE), ex-presidente do PSDB, que circula por aí. Afirmou o seguinte sobre o tucano José Serra:

“Fui presidente do PSDB por mais de cinco anos, e nunca vi nenhuma dessas lideranças ativas se mobilizar para a realização de prévias. [...] Não há duas candidaturas, mas só uma. Para disputa prévias, um postulante tem de ter o apoio de pelo menos 30% dos filiados. José Serra não tem 3%. […] As coisas vão se resolver naturalmente porque não há massa crítica para o Serra ser candidato, não tem apoio nas bases, nos deputados, vereadores, senadores, nas lideranças. Em todos os Estados do Brasil, não há um agrupamento que defenda a candidatura do Serra. A não ser para alguns amigos dele de São Paulo, que não são tantos.”

Retomo

Evidentemente, não é uma declaração de aliado político, mas de inimigo. É uma declaração de quem quer Serra fora do PSDB. Por qual razão? Ele deve saber. Por que isso seria bom para a eventual candidatura do senador mineiro, isso permanece também um mistério, mas alguma coisa deve explicar.

Setores da imprensa têm algumas dificuldades de lidar com os fatos. Divertem-se, sabe lá por que motivo, com a fala de Guerra, preferindo ignorar os fatos. Expressões do subjornalismo mais rombudo, que pensam com o bolso, entregam-se às baixarias mais espantosas.

Se a minha memória não falha, e não falha, Aécio falava em prévias em 2009 e começo de 2010 — e elas teriam acontecido se ele tivesse mantido a sua pré-candidatura, que, todos sabiam então, não era mesmo para valer.

Mas ele a manteve até pelo menos o horário político do partido, fraternalmente dividido com Serra. Nunca, em nenhum momento, o partido admitiu que o candidato seria Serra. Só aconteceu depois que Aécio desistiu. Da forma como essa desistência foi anunciada então, ficou parecendo que tinha sido expulso da disputa por Serra, o que se sabe falso.

Desta feita, decidiram passar o rolo compressor sobre Serra, que sofreu uma espécie de banimento branco do partido. Não obstante, dizem querer a sua participação. E foi o próprio Aécio, também presidente da legenda (erro grave cometido pela arrogância da turma), quem voltou a acenar com prévias. Serra, ou me provem o contrário, limitou-se aceitar o crivo, perguntando em que condições seriam realizadas.

Mas não era para valer. Imediatamente teve início o trabalho de linchamento na imprensa, especialmente nas áreas sensíveis a esse tipo de abordagem e que se prestam a esse tipo de serviço. O ápice, parece-me, é essa entrevista de Sérgio Guerra. Peguem a trajetória de Serra no PSDB e vejam se um neotucano como Guerra tem autoridade política (ou qualquer outra) para falar assim. Justo ele, não é?

Em 2010, em Pernambuco, sua turma não fez campanha para Serra no estado, e ele próprio apoiou, na prática, a candidatura de Eduardo Campos ao governo (era egresso do PSB), sabotando Jarbas Vasconcelos. Fez isso estando na presidência do partido. E ele sabe que isso é verdade.

Começo a encerrar
Parece claro que este grande pensador da política quer Serra fora do PSDB — quem sabe candidato por outro partido. Se o PSDB for derrotado, sempre restará a possibilidade de dizer que foi porque o paulista dividiu a oposição.

Assim seria se assim fosse: segundo o Datafolha, com apenas quatro candidatos (Dilma, Marina, Aécio e Campos), o tucano obtém 13% dos votos. Fica em terceiro. Até agora, Serra não precisa sair candidato para que o resultado nas urnas seja constrangedor.

Em qualquer lugar do mundo, líderes políticos procuram somar forças para vencer as eleições. No Brasil, uma oposição já matusquela prefere dividir. O que foi mesmo que escrevi na sexta? Ah, lembrei:

“Os tucanos deveriam ter claro que nós todos já sabemos de sobejo uma coisa: eles são excelentes na guerra interna — e o jornalismo se diverte com as redes de intrigas. Eles só não sabem vencer petistas nas disputas federais — não sem a ‘novidade’ do Plano Real ao menos, que foi o grande estrategista do PSDB em 1994 e 1998.”

Todo poder a Sérgio Guerra! Ele tem a força!

Parabéns, deputado! A presidente reeleita Dilma Rousseff o saúda!

26/08/2013

A coragem de Eduardo Saboia salvou a honra do país





Eduardo Saboia

POR CELSO ARNALDO ARAÚJO

Ressalvadas as devidas proporções geopolíticas, a operação que culminou com a libertação do senador Roger Pinto Molina de seu intolerável cativeiro de 455 dias num cubículo da Embaixada do Brasil na Bolívia tem notáveis semelhanças com a história real que inspirou Argo ─ Oscar 2013 de melhor filme.

Com o jovem ministro-conselheiro Eduardo Saboia no papel do agente de inteligência interpretado por Ben Affleck, que comandou o resgate de seis americanos escondidos na Embaixada canadense em Teerã, em 1979.

Evo Morales como o desprezível lhama-aiatolá que assinou a sentença de morte do perseguido político. E os homúnculos que hoje comandam o Itamaraty no figurino dos beleguins iranianos feitos de pateta na fuga.


O “rigoroso inquérito” anunciado pelo atual ministro das Relações Exteriores, bravata em diplomatiquês de boteco de Brasília, contrasta com a entrevista serena, em português de gente decente, do ministro Saboia ao Fantástico ─ que, a começar pela presidente Dilma, sempre se jactando de seu inventário de lutas pelas melhores causas, deveria ser exibida repetidamente, como lição de casa, aos altos funcionários públicos que se dizem servidores da pátria e dos grandes propósitos humanos.

Eduardo Saboia arriscou sua vida numa perigosíssima jornada por terra até Corumbá; sua carreira, que provavelmente será ceifada depois do episódio; e a própria família, que ficou em La Paz, a metros do malandro que se faz de chola ─ para solucionar, radicalmente, um impasse interminável que o governo brasileiro não dava a menor mostra de querer resolver. Escoltou o senador Roger ao Brasil, para o asilo a que tem direito.

Disse o diplomata, ao chegar a Brasília:

─ Eu escolhi a porta estreita e lutei o bom combate. Eu não me omiti. Eu optei pela vida e salvei a honra do meu país, que eu defendo sempre.

Mais:

─ Eu escolhi a vida. Eu escolhi proteger uma pessoa, um perseguido político, como a presidente Dilma foi perseguida.

É bastante duvidoso que Dilma avalize com esse mesmo sentido o resgate cinematográfico engendrado pelo ministro Saboia. Não é sua especialidade colocar em prática o que diz que pensa, em termos de valores humanos superiores. O mais provável é que Patriota faça sua cabeça, culminando com a punição de Saboia por alta traição.

No fim de semana, de qualquer forma, Dilma estava muito ocupada lendo a nota de pesar que o pessoal da Secretaria de Comunicação preparou para ela lamentar a morte, quase simultânea, de dois campeões de 58, De Sordi e Gylmar. Uma maria-mole para quem adivinhar a abertura da nota. Na mosca:

─ O futebol brasileiro está de luto.

O Ministério das Relações Exteriores também. Ou nós com relação a eles.



26/08/2013



Graças à altivez do diplomata Eduardo Saboia, o senador boliviano escapou do cerco armado por Evo Morales e Patriota





Por Augusto Nunes

Se conseguisse manter na vertical a espinha dorsal, o chanceler Antonio Patriota estaria celebrando desde sábado, a exemplo dos democratas do mundo inteiro, a chegada ao Brasil de um perseguido político asilado há 15 meses numa representação do Itamaraty — e impedido de dali sair pela arrogância de um tirano de ópera-bufa.

Como vive de joelhos, Patriota determinou a divulgação da seguinte nota sobre a libertação do senador boliviano Roger Pinto Molina:

O Ministério das Relações Exteriores foi informado, no dia 24 de agosto, do ingresso em território brasileiro, na mesma data, do Senador boliviano Roger Pinto Molina, asilado há mais de um ano na Embaixada em La Paz. O Ministério está reunindo elementos acerca das circunstâncias em que se verificou a saída do Senador boliviano da Embaixada brasileira e de sua entrada em território nacional. O Encarregado de Negócios do Brasil em La Paz, Ministro Eduardo Saboia, está sendo chamado a Brasília para esclarecimentos. O Ministério das Relações Exteriores abrirá inquérito e tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis.


“A nota de hoje do Ministério das Relações Exteriores reflete a crise moral por que passa a diplomacia brasileira”, retrucou o advogado Fernando Tibúrcio, que defende o parlamentar cassado e caçado por Evo Morales.

“Ao invés de proteger e prestigiar um funcionário que deveria ser visto como exemplo, alguém que corajosamente tomou a única medida cabível numa situação de emergência, o Itamaraty optou por jogar Eduardo Saboia aos leões.

Pior, inviabilizou a sua volta à Bolívia, por razões óbvias de segurança”.

Tibúrcio constatou que, na ânsia de bajular o lhama-de-franja, o chanceler “não foi capaz nem mesmo de lembrar que a esposa do Ministro Conselheiro Eduardo Saboia, funcionária do Consulado-Geral em Santa Cruz de la Sierra, e os filhos do casal, permanecem na Bolívia”.

A nota oficial abjeta confirma que, se dependesse do ministro, a clausura de Pinto Molina se estenderia por muitos meses, ou anos.

A sorte do senador é que ainda há no Itamaraty homens que honram o legado da instituição, cultivam valores morais e não desengavetam os direitos humanos apenas quando lhes convém.

“Se tudo deu certo, se uma grave questão humanitária foi resolvida, foi graças aos funcionários da embaixada”, afirma Tibúrcio. Graças sobretudo à bravura e à altivez de Eduardo Saboia.

Segundo o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores e um dos participantes do resgate de Pinto Molina, a vítima de Evo Morales viajou de La Paz para o Brasil acompanhado por Eduardo Saboia e escoltado por fuzileiros navais que integram o esquema de segurança da embaixada.

(Nessa espécie de missão no exterior, militares se subordinam não ao Ministério da Defesa, mas ao chefe da representação diplomática).

Na viagem de 22 horas até Corumbá, a 1.600 km de distância, os dois carros com placas consulares que transportaram o grupo passaram por cinco postos policiais antes de alcançar a fronteira da Bolívia com Mato Grosso do Sul.

Já em território brasileiro, Saboia telefonou para Ferraço. “Ele me disse que não tinha como levar o senador até Brasília”, relata o parlamentar capixaba. “Tentei falar com o presidente Renan Calheiros e com outras autoridades, sem sucesso. Então consegui um avião e fui buscá-lo e levá-lo para Brasília”.

Ferraço confirmou que Sabóia se vinha mostrando crescentemente preocupado com a situação de Pinto Molina: “Ele me disse que advertiu o Itamaraty, porque a situação logo ficaria inadministrável. Molina estava com depressão, sua saúde estava se deteriorando”.

Inconformado com o teatro do absurdo, Saboia avisou que, se aparecesse alguma oportunidade, ele próprio trataria de resolver o impasse. “Não sei se o governo acreditou”, diz Ferraço.

Não acreditou, grita a reação repulsiva dos condutores da política externa da cafajestagem.

Também surpreendido com a viagem rumo à liberdade do senador que ousou enfrentá-lo, Evo Morales determinou ao Ministério das Relações Exteriores que rebaixasse Pinto Molina a “fugitivo da Justiça”.

Se pudesse, o chanceler de Dilma Rousseff já teria deportado o perseguido. Agora é tarde: por enquanto alojado na casa de Ferraço, Roger Pinto Molina é um asilado político que o governo está obrigado a proteger.

Os democratas venceram mais uma. E terminaram o fim de semana estimulados pela reafirmação de que um Eduardo Paes Saboia vale mais que milhares de antonios patriotas.

26/08/2013

domingo, 25 de agosto de 2013

Avião negreiro


ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP BRASÍLIA

Ninguém pode ser contra um programa que leva médicos, mesmo estrangeiros, até populações que não têm médicos.

Mas o meio jurídico está em polvorosa com a vinda de 4.000 cubanos em condições esquisitas e sujeitas a uma enxurrada de processos na Justiça.

A terceirização no serviço público está na berlinda, e a vinda dos médicos cubanos é vista como terceirização estatal --e com triangulação. O governo brasileiro paga à Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), que repassa o dinheiro ao governo de Cuba, que distribui entre os médicos como bem lhe dá na veneta.

Os R$ 10 mil de brasileiros, portugueses e argentinos não valem para os que vierem da ilha de Fidel e Raúl Castro.

Seguida a média dos médicos cubanos em outros países, eles só embolsarão de 25% a 40% a que teriam direito, ou de R$ 2.500 a R$ 4.000. O resto vai para os cofres de Havana.

Pode um médico ganhar R$ 10 mil, e um outro, só R$ 2.500, pelo mesmo trabalho, as mesmas horas e o mesmo contratante?

Há controvérsias legais. E há gritante injustiça moral, com o agravante de que os demais podem trazer as famílias, mas os cubanos, não. Para mantê-los sob as rédeas do regime?

E se dez, cem ou mil médicos cubanos pedirem asilo? O Brasil vai devolvê-los rapidinho para Havana num avião venezuelano, como fez com os dois boxeadores? Olha o escândalo!

O Planalto e o Ministério da Saúde alegam que os cubanos só vão prestar serviço e que Cuba mantém esse programa com dezenas de países, mas e daí?

É na base de "todo mundo faz"?

Trocar gente por petróleo combina com a Venezuela, não com o Brasil. Seria classificado como exploração de mão de obra.

Tente você contratar alguém em troca de moradia, alimentação e, em alguns casos, transporte, mas sem pagar salário direto e nem ao menos saber quanto a pessoa vai receber no fim do mês.

No mínimo, desabaria uma denúncia de trabalho escravo nas suas costas.
agosto 25, 2013