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domingo, 17 de junho de 2012

Rio + 20%



Por Guilherme Fiuza

Enquanto o circo da sustentabilidade vende aos inocentes seus kits verdes de esperança, os não-inocentes garantem seu futuro sustentável em Brasília.

No momento crucial da CPI do Cachoeira, quando o suspeito número um do Brasil, Fernando Cavendish, deveria ser convocado a depor, a nação estava distraída com o carnaval fora de época da Rio + 20.

Resultado: o dono da Delta, pivô do que promete ser o maior escândalo de corrupção da história da República (em cifras e em alcance político), não precisou interromper seu descanso em Paris para se explicar aos brasileiros.

A não-convocação de Cavendish pela CPI, sem um mísero cara-pintada na rua para incomodar a Tropa do Cheque no Congresso, quer dizer o seguinte: o Brasil está se lixando para o seu futuro.

Pergunta aos foliões da Rio + 20: como planejar a sustentabilidade num país onde o orçamento da infra-estrutura é dominado por bandidos?

O esquema Delta-Cachoeira fez a festa no topo do Estado brasileiro, comandando o PAC com obras superfaturadas. Cavendish fez um caixa que lhe permitia, segundo ele mesmo, comprar um parlamentar por 30 milhões de reais. O Brasil ecológico e sustentável permitiu que os bandoleiros da CPI protegessem esse cidadão.

O Brasil ético está, como diria Paulo Francis, tecnicamente morto.


Fica combinado assim: vamos brincar de salvar o planeta com relatórios poéticos e tratados sobre o sexo dos anjos. Enquanto isso, a quadrilha do Cachoeira cuida da sua reciclagem – evitando a extinção da espécie e do esquema.

Que venha a Rio + 20%, onde os felizes herdeiros da operação Delta darão workshops sobre a sustentabilidade do golpe.



15/06/2012

terça-feira, 12 de abril de 2011

A xepa do Bono

O encontro mais enigmático do século

Época

O cantor Bono Vox (que já ficou sem Vox, de tanto discursar) encontrou-se com o ministro Guido Mantega.
 

É o encontro mais enigmático do século.

Depois de tirar fotos com Dilma e com Lula, cumprindo o circuito do marketing populista, o líder do U2 foi ao encontro do ministro da Fazenda.

Mantega, como se sabe, encontra-se em plena frigideira. Na condição de homem-forte da economia, o ministro sempre foi fraco.

Passou os oito anos de Lula vendo o Banco Central governar, e fazendo oposição “desenvolvimentista” a ele.


Mantido no governo Dilma a pedido do ex-presidente – fiel amigo dos amigos –, Mantega está caindo de maduro.

Foi engolido pela sombra de Palocci, o homem-forte de fato.


O mercado anda zombando do ministro da Fazenda. Fez picadinho de suas medidas contra a queda do dólar e a expansão inflacionária do crédito.

E eis que, já dourado pela fritura, Mantega recebe a visita ilustre do astro pop.

O que Bono foi fazer lá?

Sua assessoria disse que ele foi conhecer os programas brasileiros de combate à pobreza.

Terá errado de porta?

Não apareceu ninguém para avisar ao cantor irlandês que a política de desenvolvimento social não mora no Ministério da Fazenda?

Não era o caso de avisar. Bono não tinha nada para falar com Mantega, mas foi lá assim mesmo. Qual era a grande causa do roqueiro desta vez?

Era uma causa nobre: atender ao singelo pedido de Dilma e Lula para que desse uma forcinha ao seu ministro agonizante. Um gesto humanitário.

É emocionante acompanhar a garra de um astro do showbis em defesa de um espécime ameaçado de extinção em Brasília.

Bono Vox terá a eterna gratidão da população de parentes, amigos e partidários de Guido Mantega pela luta por seu cargo.

Uma mão lava a outra.

Lula empresta a Bono um pouco do seu fetiche terceiro-mundista (tirando Kadafi e Ahmadinejad da foto), e Bono ajuda Lula a arrecadar fundos para o nascente instituto do filho do Brasil.

 É bom negócio para todos. De quebra, com um pouco de sorte, ainda salvam o emprego de um pobre ministro

12/04/2011

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

As mulheres de Dilma



Quem já teve uma Erenice a tiracolo, cuidando de todas as unhas encravadas, como diria o nosso Delúbio, deve sentir uma fossa danada na hora de montar um ministério.

Como se sabe, é a vez das mulheres.

O Brasil tem uma presidenta, e teria em Erenice uma superministra, com seu instinto maternal capaz de empregar a família inteira no governo.


Mas não há de ser nada. Dilma tem outras companheiras na manga. Uma delas, diretora da PTbras, ou melhor, Petrobras, vem com tudo.


Maria das Graças Foster é cotada para assumir a Casa Civil, depois que Erenice foi abortada. Mas de aborto não se fala mais. E se a eleição de Dilma já gerou um êxtase feminista, uma Maria das Graças no poder renderá no mínimo uma nova safra de artigos poéticos de Leonardo Boff sobre a revolução uterina.


Substituir um mito como Erenice Guerra não é fácil. Mas a candidata tem lá suas credenciais.


Já se sabe, por exemplo, que o marido de Maria das Graças
ganhou algumas dezenas de contratos com a Petrobras depois que ela virou diretora da estatal. Quase a metade sem licitação.

Como se vê, ninguém é insubstituível. Nem Erenice.


Segundo os dilmólogos, Maria das Graças está bem cotada porque tem um perfil e uma linha de ação muito parecidos com o da presidente eleita. Era exatamente o que se dizia de Erenice. Faz todo o sentido.

E não venha a imprensa golpista com nova onda de denúncias, porque não adianta. Se derrubarem essa, eles arranjam outra. O tal “perfil”, pelo visto, é a especialidade da casa.


Viva o governo das mulheres.


E já que é para acabar com o preconceito, arranjem aí uma boquinha para a madame Roriz, grande destaque da eleição ao lado do Tiririca.


Ela não é nenhuma Erenice, mas já é uma Weslian – o que não é pouco.

15/11/2010