Por Reinaldo Azevedo
Escrevi ontem o primeiro capítulo da
série “Por que eu digo ‘não’”, com o subtítulo “A rebelião das massas.
Ou: Dilma fala, mas o quebra-pau nas ruas continua”.
Vamos à segunda
parte, que começa com uma reiteração. Embora eu já tenha deixado isto
claro inúmeras vezes, a questão insiste em aparecer nos comentários. Os
que estranham a minha falta de entusiasmo com o movimento que está nas
ruas ou jamais entenderam o que eu penso ou não compreendem o que veem.
Não
endosso e jamais endossarei o clamor por democracia direta ou pela
instituição no país de mecanismos que a tanto conduzam se aprovados. Se e
quando tal pleito sair vitorioso, estaremos todos à mercê da ditadura
de minorias organizadas.
E as manifestações a que assisto, com
seu declarado ódio ou fastio às instituições, abrem uma vereda que nos
conduz à terra do “quem grita mais chora menos”, destruindo, em vez de
aprimorar, os mecanismos de representação. Isso se choca frontalmente
com o que entendo por uma democracia organizada.
Atenção!
Parte
substancial das dificuldades por que passa o país deriva do fato de que o
governo está, sim, loteado entre partidos políticos, mas também está
loteado, a seu modo, entre movimentos militantes. E o alarido tende a
ampliar esse militantismo.
Não será com o meu assentimento.
Tratarei desse aspecto com mais vagar no terceiro texto. O transe por
que passa o país nasce, sem dúvida, de problemas reais, mas a sua
potencialização é artificial. Entendo que, longe de ser uma explosão
espontânea de indignação e cidadania, trata-se, na sua fase inicial, de
um fenômeno razoavelmente manejado de controle da opinião pública. Eu
explico.
Vi na TV
algumas senhoras e senhores já maduros, um tantinho acima do tom, a
bradar: “Não esperava que fosse ver essa geração na rua! O país acordou e
está reagindo!”.
Epa! O Brasil não é o Egito, a Tunísia ou o Iêmen! Não
é nem mesmo a Turquia, que não vive um regime democrático na acepção
plena do termo.
Ainda que venha sendo permanentemente agredida, ainda
que viva sob permanente ataque especulativo, estamos numa democracia de
direito.
O tom emprestado à cobertura das manifestações, apontei
aqui desde os primeiros dias, buscava mimetizar o apelo épico que a Al
Jazeera, a emissora da ditadura do Catar, emprestava à mal chamada
“Primavera Árabe”.
As coberturas ao vivo no Brasil percorreram
todos os adjetivos e exclamações do ridículo, da mistificação e da
discurseira laudatória. Vocês sabem o que penso sobre o PT há muitos
anos. Sabem, igualmente, o que penso sobre Dilma Rousseff, mas ela não é
Hosni Mubarak ou Muamar Kadafi.
Se desafiar o estado de direito
numa ditadura pode até resultar em democracia (não aconteceu em nenhum
país árabe ainda), o desafio ao estado de direito numa democracia acena
para a ditadura. É uma questão óbvia.
Legalidade desafiada e Fux
“Mas a legalidade está sendo desafiada,
Reinaldo?” Ora, as manifestações falam por si, seja pela degeneração em
vandalismo, seja pela permanente agressão ao direito constitucional de
ir e vir. Pior: o clima das ruas começa a contaminar o juízo de quem
deveria ter juízo e de quem é, a rigor, o próprio juízo.
No dia 19, o
ministro Luiz Fux, do STF, concedeu uma liminar aos “companheiros” do
Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, ligado à
CUT, derrubando outra liminar que havia sido concedida pelo Tribunal de
Justiça de Minas, que havia proibido manifestação que impedisse o
trânsito de pessoas e veículos.
A prevalecer a liminar de Fux, qualquer
grupo pode, a qualquer hora, interromper o trânsito onde bem entender,
sem prévio aviso, sem nada. Basta ir lá e pronto! O ministro só faz uma
ressalva: não pode haver violência.
Nesse caso, então, a Polícia Militar
pode intervir. Pergunto: forçar as pessoas, porque é disto que se
trata, a participar de um ato com o qual eventualmente não concordem ou
impedi-las de transitar livremente constitui ou não violência? Para Fux,
não! A íntegra de sua liminar está aqui.
A Constituição não contém fundamentos que se negam mutuamente.
Pergunto: o que Fux fez do direito de ir e vir? “Mas como as pessoas
poderão protestar?” Há praças para isso. Pode-se combinar previamente
com o poder público um itinerário para evitar o caos na cidade. Que
nada!
Fux evoca o testemunho da imprensa de que as manifestações são
pacíficas e concede uma liminar que não lhes impõe nenhum limite, a não
ser este: só não pode depredar. Em que país do mundo é assim?
Em nenhum!
É mais uma jabuticaba de Banânia.
Atenção!
A
prevalecer o texto de Fux, manifestantes podem impedir o trânsito que
conduz a estádios ou a megaeventos, que envolvam milhares de pessoas.
Se, por exemplo, no próximo Rock in Rio, um grupo de fanáticos da MPB —
ou mesmo do verdadeiro rock (será que fui muito sutil?) — decidir que é o
caso de obstruir a passagem da turma, a polícia poderá no máximo
observar.
Se não houver quebra-quebra, tudo bem! Vênia máxima, não se
trata de uma liminar, mas de um engajamento — aliás, o texto do ministro
chega a ter certo tom condoreiro.
Há mais: juízes estão mandando soltar
os vândalos que estão botando pra quebrar Brasil afora, promovem
arruaça, depredam, desaparecem, a polícia os encontra e são
imediatamente postos na rua.
Causas reais, tensão artificial
Saúde, educação, infraestrutura… Nada
disso anda bem. Há roubalheira no país. Os corruptos estão soltos por
aí. O Congresso há muito é mero caudatário do Executivo, reunindo
algumas figuras pouco recomendáveis. É claro que há motivos em penca
para protestar. As causas são verdadeiras.
Mas a tensão a que
chegou o país é matéria de engenharia de opinião pública — e, como tal,
embute um discurso político que tem de ser destrinchado.
E eu não me furtarei a fazê-lo, ainda que tomando algumas porradas aqui e ali. Estou acostumado.

Tudo
começou com um pleito absurdo de grupelhos de extrema esquerda em São
Paulo, aliados históricos do PT: querem o tal “passe livre” e passaram a
ser tratados como gente séria, de respeito, que tem algo a dizer. Na
quinta, dia 13, manifestantes, que já vinham fazendo protestos
notavelmente violentos, desrespeitaram um acordo feito com a tropa de
choque em São Paulo e avançaram a linha do combinado.
A PM reagiu. Essas
coisas nunca são bonitas. Decretou-se, o que é uma mentira escandalosa,
que os policiais é que haviam dado início ao conflito. Cenas de
exageros da polícia — e tudo indica que aconteceram — passaram a ser
exibidas insistentemente nas TVs.
Os grupos organizados nas redes
sociais se encarregaram de espalhá-las. Os vândalos e aqueles que usaram
a sua mão de obra passaram a ser tratados como os utopistas de um novo
mundo.
Quando a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, atendendo
ao clamor, especialmente da imprensa, combinou com o Passe Livre que não
haveria tropa de choque na rua, balas de borracha, bombas de gás, nada
disso, e que a cidade inteira era um território livre para a
manifestação, os protestos se tornaram nacionais pra valer.
As
Policias Militares de todos os estados passaram a ser tratadas como as
forças de Muamar Kadafi ou de Mubarak. Deu-se de barato que estavam
proibidas de intervir. As escandalosamente reiteradas cenas de barbárie
nas ruas passaram a ser chamadas por aquilo que não eram: EXCEÇÃO!
Nunca
antes na história do mundo se viu uma exceção se repetir tantas vezes.
Ora, em movimentos dessa natureza, é sempre uma minoria que parte para o
ataque. A questão é saber qual era a sua conexão com a maioria ou com
os organizadores do evento.
O MPL, por exemplo, jamais condenou o
vandalismo. Nunca! Numa entrevista coletiva, seus líderes disseram-se
contrários apenas à hostilidade dos manifestantes aos jornalistas — e,
claro, criticaram a polícia.

Insisto
neste aspecto: a Polícia Militar é sempre a primeira força de contenção
quando explodem conflitos de grandes proporções. Demonizada, satanizada
nas ruas, tratada como bando de aloprados, vista como aglomerado de
brucutus, qual seria a consequência?
Some-se a isso uma reivindicação da
imprensa que foi plenamente atendida: as cidades como territórios
livres — das cidades, logo se chegou às estradas. Todos os acessos a São
Paulo — ou saídas, se quiserem — chegaram a ser bloqueados.
O aeroporto
de Cumbica, uma área de segurança, ficou isolado. Se os patriotas
decidirem fazer isso durante a Copa do Mundo, Luiz Fux chamará de
“democracia”…
Mas lá
estavam os engenheiros de opinião pública a decretar: trata-se de uma
manifestação pacífica, infiltrada por alguns baderneiros. Não! Quebrar
banco, invadir loja, depredar a Assembleia Legislativa, ah, isso não
podia. Mas tomar as estradas, isolar o aeroporto, impor às pessoas uma
rotina de guerra, ah, isso tudo bem!
Com isso Fux, por exemplo,
concorda. Com isso, as TVs concordam. Chamam de “manifestação pacífica”.
As causas são reais? São! A “crise da democracia” é artificial. E eu lhes apresento uma espécie de “prova pela ausência”.

Cadê os policiais feridos?
Quantos policiais feridos vocês viram na
televisão ou nos jornais? Um só! Aquele que quase foi linchado em São
Paulo, no dia 11, se não me engano. Só na Assembleia Legislativa do Rio,
20 se machucaram.
Não obstante, imagens de jornalistas atingidos por
balas de borracha — podemos debater se elas devem ou não ser usadas —
passaram a ser exibidas ou como evidência da truculência da polícia ou,
sei lá, do martírio dos profissionais de imprensa.
As edições têm
privilegiado especialmente os atos violentos dos PMs. Não por acaso, na
pesquisa encomendada pela TV Globo ao Ibope, levada ao ar ontem no
Fantástico, 57% dos que participaram das passeatas consideram que a
polícia agiu com muita violência.
Pois é… Em, sei lá, 95% das vezes, os
policiais reprimiram vândalos. Há casos de gente atingida por gás de
pimenta, por exemplo, que não estava quebrando nada? Há! Exibi-los à
exaustão converte a exceção em regra. Assim como a rotina das
depredações era, absurdamente, chamada de exceção.
O
Fantástico ontem, diga-se, entrevistou o policial Nilmar Avelino, do
Rio, aquele que levou uma pedrada na cabeça e ficou estirado no chão,
atacado por aquilo que parecia ser um bando de urubus. Muito bem.
Seguiu-se o seguinte diálogo:
Fantástico: Você não tem mágoa de quem te fez levar esses dez pontos na cabeça?
Nilmar: Por que teria? De
repente, ele não sabe nem o que fez. Sempre vai haver os mais
exaltados. Mas acho que as pessoas ali estão reivindicando é um país
melhor. Quem não sonha? Eu sonho com um país melhor.
Pergunta
óbvia: o policial poderia ter dado uma resposta diferente dessa? Vamos
imaginar que dissesse que tem mágoa, sim. Vamos supor que dissesse que,
na próxima, se perceber que vai apanhar, vai é bater primeiro. Teria ido
ao ar? Se fosse, o coitado, que já estava de volta ao serviço, seria
afastado.
É evidente que se trata de uma forma nada sutil de sugerir que
aos policiais cabe a grandeza do perdão, como se estivessem lá para
aquilo mesmo. E não estão. Policial militar não recebe para levar
pedrada e apanhar de vagabundo. E não conservar mágoa não é uma
superioridade moral obrigatória.
NOTA À MARGEM: nenhum jornalista foi
convidado a perdoar policial. Corolário: um bandido até pode merecer
perdão; um PM não.
Pesquisa desmente farsa do pacifismo. Ou: A grande irresponsabilidade
Faustão, ontem, num discurso em favor da
ocupação das ruas, transformando programa de auditório em comício, disse
que os eventos desmentem essa história de que o brasileiro é um povo
pacífico e coisa e tal. É verdade! Mas não da maneira como sugere.
A
pesquisa encomendada pela Globo revela que 5% dos entrevistados acham
que depredações são sempre justificadas. Outros 28% acham que elas se
justificam em alguns casos. Para 66%, nunca se justificam, e 1% não
soube responder.
Minoria???
Em relação aos 66%, sim. Mas atenção! UM TERÇO DAS PESSOAS QUE PARTICIPAM DOS PROTESTOS JUSTIFICA AS DEPREDAÇÕES.
Digamos que tenham comparecido, num número talvez subestimado, 400 mil
pessoas no megaevento do Rio. Digamos que a amostragem do Ibope esteja
certa e que a pesquisa reproduza a média das opiniões. Naquele dia,
pelos menos 132 mil pessoas flertavam com a possibilidade de partir para
o pau: 20 mil delas aceitariam isso em qualquer caso; 112 mil, só em
alguns…
Destaco
essa questão para dar relevo à grande irresponsabilidade que é demonizar
as Polícias Militares numa situação como essa. O que querem no lugar?
Se não forem eles, será quem intervir se as coisas fugirem do controle?
É
UM ABSURDO QUE 33% DE MANIFESTANTES ADMITAM A POSSIBILIDADE DA
DEPREDAÇÃO.
Quando o ministro Luiz Fux concede uma liminar que torna o
Brasil inteiro território livre para manifestações, está flertando com o
perigo — alheio, claro!, não com o seu próprio.
Inventar
uma “Primavera Árabe” num país democrático é um despropósito.
Transformar as Polícias Militares em exércitos treinados para reprimir o
seu próprio povo — como se dizia das forças que sustentavam aquelas
tiranias — é igualmente falso.
Flertar com manifestações de descrédito
às instituições é um risco. A propósito: esse tal Passe Livre tem como
lema “a vida sem catraca”.
Totalitários que são, querem ser a catraca da
vida de milhões de brasileiros. Preço que cobram: o seu direito de ir e
vir. Mas por que chegamos aqui?

Ataque às instituições e canais obstruídos
Há muito tempo já, mas há dez anos de
forma sistemática, as instituições têm sido alvos de ataques
especulativos. Escrevi, sem qualquer hipérbole, milhares de textos
apontando as muitas vezes em que o petismo, mesmo o que está no poder,
que integra o estado, dá de ombros para as leis.
Existem, estão aí, mas
quem se importa? A presidente Dilma Rousseff atribuiu justamente a
Gilberto Carvalho a tarefa de estabelecer a tal “interlocução com
movimentos sociais”, atrelando-os ao Planalto.
“O que há de mal nisso,
Reinaldo? Você é mesmo um reacionário!” Não há mal nenhum desde que o
governo — ou, de forma ainda mais profunda, o estado — não se torne o
principal promotor da desordem no país.
Ora, em
que resultou e tem resultado a “interlocução” de Carvalho? O MST invade e
depreda fazendas quando lhe dá na telha. Mas, é claro!, trata-se de um
dos “interlocutores” de Carvalho. Meio Mato Grosso do Sul está
conflagrado por causa da questão indígena, e essa é uma crise que eu
ousaria dizer fabricada na Secretaria-Geral da Presidência.
Nestes dez
anos, com ênfase no governo Lula, nada ficou imune à depredação e ao
vandalismo moral: Legislativo, Judiciário, imprensa… A oposição foi
impiedosamente desqualificada, desmoralizada — e se deixou, é bem
verdade, desqualificar e desmoralizar.
Notem que
há um estranho casamento de agendas na praça: a extrema esquerda está
lá, sim. Foi ela, diga-se, que abriu a primeira janela — e os petistas
incitaram o baguncismo em São Paulo.
Mas há também os que não suportam
mais a rotina de incompetências e desmandos e que repudiam o petismo.
Mas nem por isso se sentem representados pela oposição. E nem poderiam.
Ao longo dos anos, ela se mostrou um tanto frouxa, incapaz de articular
um discurso que reunisse valores alternativos aos triunfantes.
Resultado: há, sim, milhões de pessoas que, embora repudiem a visão de
mundo petista, não têm onde ancorar as suas frustrações.

Gilberto
Carvalho tem razão ao dizer que há um certo moralismo nas ruas. É
verdade! E ele se dirige contra o governo do PT, que resolveu declarar
imoral a própria moral, não é mesmo?
Assim, descontentamentos ficaram
represados: nem havia como expressá-los por intermédio da capilaridade
governista — já que os movimentos sociais estavam e estão todos
cooptados, comprados pelo petismo com seus “bolsismo” e medidas de
reparação disso e daquilo — nem por intermédio da oposição, que seria o
canal natural por onde deveria escoar as contraditas ao discurso do
poder.
Um bom exemplo é a UNE. Há milhares de estudantes na rua que
jamais sentiram a presença dos pelegos em seu cotidiano.
Por que
digo que os problemas são reais, mas a tensão é matéria de engenharia?
Porque parte deles, que assumiu a forma da urgência, é crônica. Alguns
se tornaram mais agudos, é claro!, à medida que as políticas de inserção
social dos últimos 20 anos — e elas existem — aumentaram o número de
usuários de aparelhos do sistema público, escandalosamente ineficientes.
E, então, chegamos a um busílis importante, que ficará para o terceiro
capítulo desses textos, que são independentes entre si, mas conectados: a
coloração que estão assumindo os justos protestos nos leva à solução ou
pode criar novas e graves problemas?
Direi, então, no texto de amanhã
por que há o risco imenso de incidirmos na segunda hipótese. Por que a
educação é sofrível? Por que a saúde é uma lástima? Por que a segurança é
precária? Por que a infraestrutura está em pandarecos? Não é por causa
dos estádios da Copa nem é por falta de dinheiro (acreditem!).
O caminho
que se abre pela frente — e torço muito para estar errado — caminho não
é.
Há um risco razoável de que esse militantismo sem alvo, ou de muitos
alvos, crie novos e severos embaraços, maiores do que aqueles que já
estão aí.
De resto, meus caros, por melhores que fossem ou que sejam os
propósitos, nunca vi nada de bom sair do desrespeito sistemático às leis
e da agressão permanente a direitos fundamentais.
Eu quero
de volta o meu direito de ir e vir e de planejar o meu dia sem ter de
consultar a agenda de manifestações do MPL ou sei lá quem.
Eu não posso
aceitar que cada grupo organizado, por mais justo que seja, se assenhore
das garantias constitucionais, apesar da liminar do ministro Luiz Fux —
que jamais terá problemas para ir e vir. Se for o caso, reivindico,
então, o meu direito de minoria.
Os liberais que podem estar vendo no
que está em curso uma nova aurora podem acordar abraçados a um Tirano de
Siracusa, só que sem o amor pela sabedoria.
Texto originalmente publicado às 7h02