O empresário brasileiro Eike Batista, que chegou a ser a oitava pessoa mais rica do mundo, “acordou de um sonho” depois que as suas ações perderam US$ 15 bilhões em valor de mercado em menos de seis meses, opina a agência Bloomberg, em uma longa reportagem publicada em seu site.
Na avaliação da agência, Eike Batista cresceu vendendo não apenas a sua empresa, mas “vendendo o Brasil”. Ele convenceu investidores de que o País estava prosperando e de que suas empresas iriam surfar na onda de crescimento da economia nacional. Com isso, o preço das ações em poder do empresário aumentou triplicou de 2009 para 2010, como relatou a revista Forbes à época.
Agora, no entanto, o valor de mercado das companhias fundadas por Eike, da mesma forma que disparou quando a economia brasileira bombava, agora vem caindo neste momento em que o ritmo de crescimento diminui.
O Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo, caiu 23% desde o fim de 2010 e a OGX, de Eike, está entre as companhias que mais recuaram.
“O que está acontecendo com Eike é, infelizmente, um reflexo do que está ocorrendo com o país com um todo”, disse à Bloomberg o economista Simon Nocera, da empresa americana Lumen Advisors LLC.
Vale notar que a Bloomberg chama de “perda” a queda no preço das ações em posse de uma pessoa. Na verdade, o uso desse termo nesse tipo de contexto é controverso.
O próprio Eike rebateu as notícias de que ele teria perdido patrimônio. Em seu perfil no Twitter, disse que, como ele não vendeu nenhuma ação, não perdeu nada.13 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
‘Bloomberg’: Eike Batista ‘acorda de um sonho’ ao perder US$ 15 bi
“The Economist”: após “boom”, crédito vira motivo de preocupação no Brasil
O governo brasileiro continua estimulando empréstimos apesar do aumento recente da inadimplência e do nível de endividamento das famílias
A revista britânica “The Economist” publicou uma reportagem sobre o mercado de crédito no Brasil, em um momento em que o governo continua estimulando empréstimos apesar do aumento recente da inadimplência e do nível de endividamento das famílias.
Para a publicação, o crédito no Brasil parece estar menos “efervescente” e mais “assustador”. No entanto, o semanário avalia que “ainda” não há motivo para pânico.
É verdade que o crédito equivalia a cerca de um quarto do PIB (produto interno bruto) do País em 2003 e atualmente já responde por metade da economia. No entanto, os empréstimos imobiliários, de longo prazo, correspondem a apenas 5% do PIB. Esse tipo de concessão quadruplicou desde 2005, mas partindo de uma base muito baixa.
A revista ouviu um consultor da Capital Economics sobre o assunto. Ele calcula que seria necessário que todos os tomadores de empréstimo imobiliário dessem calote para que o chamado capital Tier 1 dos bancos caísse para um nível abaixo de 6%, o mínimo estipulado no acordo de Basileia 3.
O capital Tier 1 se refere à proporção de ações e lucros retidos de um banco em relação ao total de ativos. Em outras palavras, é a proporção de capital considerado de alta qualidade que uma instituição financeira deve ter. Trata-se de um indicador da solidez de um banco.
Basileia 3 é o nome dado a um acordo internacional assinado em 2010 com o objetivo de tornar mais rígida a regulação.
Foi uma reação à crise financeira de 2008.
No total, 27 países participam do comitê de Basileia, nome da cidade suíça onde o acordo é fechado.
Ainda, o baixo desemprego e a ainda crescente renda da população são mais dois argumentos apresentados pela Economist para sustentar a tese de que não há motivo para pânico.
A preocupação da revista é de que o crédito não continuará crescendo no mesmo ritmo verificado nos últimos anos porque as famílias já estão endividadas e porque os bancos, com o aumento da inadimplência, ficarão mais seletivos.
Pelo fato de a expansão dos empréstimos ter sido um dos motores do crescimento do PIB em anos anteriores, o semanário acredita que a freada no crédito será agora um dos dos motivos da desaceleração econômica.
“Como nem os emprestadores nem os mutuários estão propensos a aumentar muito a concessão ou tomada de crédito, o maior efeito da longa farra de crédito que durou uma década será uma ressaca na economia real”.
Outra possível consequência, na opinião da Economist, será o aumento da participação dos bancos públicos no mercado de crédito, uma vez que o governo determinou que essas instituições facilitassem as concessões de empréstimos.13 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Jean Wyllys ameaça e Olavo de Carvalho responde
12 Julho 2012
De: Jean Wyllys de Matos Santos dep.jeanwyllys@camara.gov.br
Data: 11 de julho de 2012 23:30
Assunto: Olavo de Carvalho, retrate-se ou serás processado!
Para: olavo@olavodecarvalho.org
Sr. Olavo de Carvalho,
Vieram-me informações que vossa senhoria e o Deputado Estadual Flávio Bolsonaro, no programa True Outspeak de hoje, 12/07/2012, fizeram várias insinuações homofóbicas, caluniosas, difamatórias e injuriosas contra minha pessoa.
Pelo visto o Sr. não sabe o que é uma democracia, tendo em vista que sua pretensão é criar um Estado Fascista, pois buscas tolher toda e qualquer direito adquirido pelo povo LGBTS, que, através da minha legislatura, conseguiram o direito fundamental ao casamento e à adoção de crianças.
Durante o referido programa, ambos, além de todos os ataques homofóbicos, induziram o público a acreditar que sou o defensor da legalização da pedofilia - o que é totalmente mentiroso de sua parte. Defendo, sim, o direito de qualquer pessoa poder dispor do seu corpo da forma que bem entender - inclusive as crianças, pois estas têm as mesmas necessidades que os adultos e não são propriedades de ninguém. Suas declarações criminosas contra mim não ficarão impunes.
O Sr. e aquele deputado homofóbico utilizaram tal espaço para denegrir a imagem de um parlamentar que se destacou até hoje na luta pelos Direitos Humanos. O Código Penal pune, com rigor, todas estas condutas apresentada pelos senhores no programa, mesmo que tenha sido gravado nos Estados Unidos.
DOS CRIMES CONTRA A HONRA
Calúnia Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. § 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. § 2º - É punível a calúnia contra os mortos. Exceção da verdade § 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo: I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. Difamação Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena - detenção, de trê ;s meses a um ano, e multa. Exceção da verdade Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. Injúria Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. § 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria. § 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. § 3o Se a injúria consiste na util ização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997) Disposições comuns Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido: I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; II - contra funcionário público, em razão de suas funções; III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria. IV – contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. (Incluíd o pela Lei nº 10.741, de 2003) Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro.
Portanto, filósofo-criminoso, espero que você, no próximo programa, se retrate, pois, caso contrário, acionarei meus advogados contra ambos, para que tal ofensa seja reparada através do recebimento de danos morais e da sua condenação na esfera criminal.
Exijo, para tal, o DOBRO do tempo destinado a falar de minha orientação sexual e meus projetos, para esta retratação, com pedido de desculpas e correção da informação, pois não sou defensor da pedofilia - aliás, sou um paladino no combate a este mal.
Meus votos de elevada estima e consideração.
Atenciosamente,
Deputado Federal Jean Wyllys.
Resposta de Olavo de Carvalho
Prezado senhor,
Como o senhor deve ter percebido, a informação a que o senhor se refere foi fornecida pelo próprio Deputado Flávio Bolsonaro no programa True Outspeak de 11 de julho de 2012. Não vendo, naquele momento, motivo para duvidar do entrevistado, limitei-me a repeti-la. É a ele, portanto, e não a mim, que o senhor deve enviar sua reclamação antes de tudo.
Em todo caso, como é da minha obrigação jornalística, vou tentar conversar novamente com o sr. Bolsonaro, para ver se ele confirma ou desmente o que disse. Caso a informação seja realmente infundada, como o senhor alega, não terei a menor hesitação em pedir desculpas por havê-la divulgado, pois, como o senhor pode confirmar pelas palavras de apresentação repetidas em cada programa, a última coisa que desejo fazer ali é cometer injustiça contra quem quer que seja.
Qualquer que seja o caso, o senhor poderia me esclarecer qual a diferença, se existe, entre a liberação da pedofilia e a "liberdade de a criança dispor do seu próprio corpo", que o senhor defende? Tem o senhor a certeza sincera de que essa medida não incluirá, logicamente e necessariamente, a liberação da "pedofilia consentida"? Por exemplo, na perspectiva que o senhor defende, deve haver liberdade para que um marmanjo de 17 anos e 11 meses, legalmente menor de idade, tenha relações com um menino de cinco, seis ou sete anos, caso este o deseje ou consinta? Por favor, seja honesto: não tergiverse, responda "sim" ou "não".
Caso o senhor não consiga demonstrar logicamente que a sua proposta protege as crianças contra um caso desse tipo, ou que tais casos não constituem "pedofilia consentida", não haverá nenhum erro em considerá-lo um apologista da pedofilia ao menos consentida. O senhor pode me explicar a diferença, se é que alguma existe? Se quiser espaço para isso no meu programa, está à sua disposição, reservado o meu direito de comentar as suas declarações em seguida. Não sei se o senhor será louco de expor-se a semelhante vexame, mas, se quer mesmo, não vou contrariá-lo.
Aproveito a ocasião para desafiá-lo a mostrar uma linha da minha autoria, uma só, que advogue a implantação de alguma lei ou instituição fascista no Brasil. Caso o senhor não consiga fazê-lo, como de fato não o conseguirá, serei eu que tomarei a iniciativa de lhe exigir desculpas que, caso negadas, resultarão numa ação judicial contra a sua pessoa.
Também não é demais informar, caso o senhor não saiba, que um sistema fascista, caracterizado pela partilha do poder entre um partido dominante e uns quantos grupos econômicos, pela uniformização ideológica da sociedade, pela constante intimidação das oposições e pelo controle estatal da vida privada, já está implantado no Brasil pelo governo que o senhor apóia. O senhor não tem a menor idéia do que é fascismo, e usa o termo a título de mero insulto, como criança que repete a esmo palavras cujo sentido desconhece.
Quanto às demais afirmações que proferi a seu respeito no programa, não retiro nenhuma. O senhor é mesmo muito feio e é pura presunção da sua parte imaginar que alguém possa ter atração, quanto mais "obsessão" pela sua pessoa. Quem provocou essa resposta foi o senhor mesmo, quando, num rompante de pura cafajestada, atribuiu a "homossexualismo enrustido" as críticas que eu fizera à sua resposta ao pastor Silas Malafaia,
Talvez o senhor não seja mesmo apologista da pedofilia, pelo menos forçada. Prometo averiguar. Mas uma coisa tenho, agora mais que nunca, a certeza de que o senhor é: semi-analfabeto. Sua carta prova-o acima de qualquer possibilidade de dúvida.
Em tempo: achei linda a sua expressão "meus advogados". O senhor parece que tem muitos.
Quanto custam aos cofres públicos?
Atenciosamente,
Olavo de Carvalho
Demóstenes Torres reassume cargo de procurador no MP-GO
Corregedoria-Geral do MP vai abrir procedimento disciplinar para investigar falta funcional
BRASÍLIA - Apenas um dia após ser cassado e afastado da vida política até 2027, o ex-senador Demóstenes Torres reassumiu nesta quinta-feira seu cargo de procurador no Ministério Público de Goiás.
Com direito a sala exclusiva, dois assessores e até plaquinha com o nome na porta, instalada no mesmo dia. Mas, trabalho mesmo, só daqui a uma semana. Ele solicitou um abono funcional, um direito dele, para fazer a mudança para Goiânia e, com isso, recomeça no emprego semana que vem. Seu salário será de cerca de R$ 24 mil.
Demóstenes esteve pessoalmente nesta quinta-feira à tarde no prédio do Ministério Público de Goiás, onde protocolou o “comunicado de exercício”, voltando formalmente à instituição, da qual estava licenciado há 13 anos. O ex-senador volta a ocupar as funções de procurador na área criminal da 27ª Procuradoria daquele MP, na mesma área em que atuou no passado. O cargo estava vago há algumas semanas. Seu substituto fora promovido. Os processos que ficarão sobre sua responsabilidade ainda serão distribuídos, para que ele comece a trabalhar.
Os dias que terá para realizar sua mudança são assegurados pela Lei Orgânica do Ministério Público. No MP de Goiás, Demóstenes responderá a procedimento disciplinar para apurar “eventual falta funcional”. A Corregedoria-Geral do MP divulga hoje como se dará esse processo. Em nota de anteontem, a Corregedoria informou que esperaria a publicação da cassação no Senado e a confirmação do retorno de Demóstenes para adotar, de ofício, as providências para instaurar o procedimento.
Ex-colegas ironizam recurso ao STF
Demóstenes foi cassado na quarta-feira com 56 votos a favor da perda do mandato, 19 contrários e cinco abstenções. O clima de constrangimento do Senado, após a cassação, deu lugar à ironia de alguns senadores ao comentar a intenção do goiano de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar recuperar o mandato. Chance zero, diziam os senadores. O ex-senador foi abandonado até por seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, que descartou o recurso ao STF logo após a sessão de cassação.
— Não há o que fazer, o plenário (do Senado) é soberano. O julgamento foi político, mas é um direito do Senado fazê-lo — disse o advogado.
— A esta altura do campeonato, água-benta e presunção, cada um toma na quantidade que quiser — reagiu o líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA).
Na quarta-feira à noite, Demóstenes escreveu no Twitter: “Vou recuperar no STF o mandato que o povo de Goiás me concedeu. Os motivos são suficientes: fui cassado sem provas, sem direito a ampla defesa e sem ter quebra de decoro.”
Os argumentos de Demóstenes são refutados pelos senadores e pelo advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, para quem essa é uma questão interna da Casa. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que, se o STF tomar decisão favorável ao ex-senador, será uma interferência de um Poder em outro. O que ele não acha que acontecerá.
— Esse é o jus esperneandi (direito de espernear) — disse o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR).
— Que bom que ele tem esperança — ironizou Gim Argello (PTB-DF).
Presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) afirmou que o processo por quebra de decoro obedeceu ao regimento e à Constituição, mas que Demóstenes tem direito de tentar anulá-lo.
Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), Demóstenes não tem a menor chance de recuperar o mandato:
— Como já dizia Tancredo Neves, a política ilude mais que o amor.12/07/12
O movimento popular pela impunidade dos mensaleiros festeja a aparição do primeiro batalhão de combatentes imaginários

Por Augusto Nunes
Fundado por José Dirceu durante o congresso de uma certa União da Juventude Socialista, o Movimento Popular pela Impunidade dos Companheiros Pecadores demorou exatamente um mês para festejar a aparição do primeiro batalhão de voluntários.
Formada por combatentes recrutados na Central Única dos Trabalhadores, dispostos a tudo para livrar da cadeia o bando do mensalão, a tropa é comandada pelo bancário Vagner Freitas, novo presidente da CUT, que melhorou o humor do guerrilheiro de festim com a entrevista concedida à Folha de S. Paulo.
“Todos sabem que esse julgamento é uma batalha política”, ensinou José Dirceu em 9 de junho. “O julgamento não pode ser político”, concordou Vagner Freitas em 9 de julho. “Essa batalha deve ser travada nas ruas também, com a mobilização das forças progressistas e dos movimentos populares, porque senão a gente só vai ouvir uma voz, a voz pedindo a condenação, mesmo sem provas”, ensinou Dirceu em 9 de junho.
“Se o julgamento não for técnico, nós questionaremos, iremos para a rua, porque a CUT não vai ficar olhando”, concordou Freitas em 9 de julho, falando em nome das forças progressistas e movimentos populares.
Por enquanto, o batalhão só existe na cabeça de Freitas ─ e é provável que nunca saia de lá. Sem as duplas sertanejas, o oceano de tubaína e sanduíches de mortadela em quantidade suficiente para alimentar um Sudão, manifestações convocadas pela CUT juntam menos gente que quermesse de vilarejo.
No dia 29 de junho, por exemplo, a entidade tentou vitaminar a candidatura de Fernando Haddad com um ato de protesto contra as carências do transporte público em São Paulo. Atenderam à convocação pouco mais de 2 mil militantes.
“Se eu ficar dez minutos batendo lata no Viaduto do Chá, reúno cinco mil pessoas”, dizia Jânio Quadros.
A maior metrópole da América Latina tem público para tudo ─ até para malucos espancando bumbos de alumínio.
Mas vai ficando cada vez mais complicado encontrar espectadores para as óperas bufas encenadas por velhacos que, tão dependentes da mesada do governo quanto a pelegagem que desancavam no século passado, não renunciam à pose de fundadores do sindicalismo moderno.
O raquitismo das plateias contrasta com a arrogância da turma no palanque e, sobretudo, escancara o abismo escavado entre o discurso oportunista dos líderes e os reais interesses dos supostos liderados.
Pelo que dizem os dirigentes, os trabalhadores filiados à CUT têm no momento uma só preocupação e um único pleito: insones desde que souberam que o julgamento vai começar em 2 de agosto, sonham acordados com a absolvição dos réus. O resto é o resto.
A paralisação das universidades federais, as greves que se alastram por mais de 20 categorias do funcionalismo público, os solavancos da inflação, o emagrecimento da indústria, o PIB anêmico ─ tudo isso pode esperar.
O que importa é obrigar o STF a inocentar os mensaleiros. Para tanto, é fundamental que o julgamento seja “técnico”. “Minha expectativa é que os ministros do Supremo Tribunal Federal julguem segundo os autos”, declamou nesta terça-feira o inevitável Rui Falcão. “E julgando segundo os autos não há base para condenação”, delirou de novo o presidente do PT.
A versão governista da história, diria Stanislaw Ponte Preta, já descambou para o perigoso terreno da galhofa. Investigações realizadas pela Polícia Federal e por uma CPI ergueram um himalaia de provas. A devastadora denúncia encaminhada ao STF pelo procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza foi encampada pelo Supremo. O processo tem quase 70 mil páginas. Mas a tribo dos cínicos jura que o mensalão não existiu.
“O que houve foi uma tentativa de golpe contra o meu governo, tramada pela oposição com o apoio de setores da mídia”, descobriu Lula quatro anos depois do desbaramento da quadrilha.
“O que houve foi uma tentativa de golpe contra o presidente Lula”, repetiu nesta segunda-feira o eletricitário Artur Henrique, de saída da presidência da CUT.
Ainda indignado com a destituição do companheiro Fernando Lugo, ele lembrou que “esse ataque à democracia pode acontecer no Brasil”.
“Ou não foi isso que tentaram neste país em 2005?, perguntou.
“Ou não tentaram depor e derrubar o presidente Lula com o apoio da imprensa?”
Se acredita nisso, Artur Henrique precisa comunicar urgentemente a Dilma Rousseff que está ameaçada de despejo do gabinete presidencial por um grupo de conspiradores que junta ministros do Supremo, dois procuradores-gerais da República, FHC e, claro, a mídia reacionária.
O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos acha pouco manter delinquentes amigos longe da gaiola.
Também é preciso prender a liberdade de imprensa.
“A mídia tomou partido nesse caso e faz publicidade opressiva”, descobriu o ex-ministro da Justiça que prospera colecionando sentenças injustas.
Essa conversa de vigarista foi longe demais, advertem os brasileiros decentes.
Como em qualquer julgamento, os ministros do STF devem decidir amparados nos autos.
Lá estão as incontáveis provas dos crimes.
Lá está a radiografia da quadrilha composta por figurões federais, parlamentares alugados, ministros bandalhos e empresários canalhas.
Quem sempre sonhou com um julgamento político foi Lula. Nestes seis meses, o principal beneficiário das bandalheiras andou visitando ministros que nomeou para comunicar que perdoar os pecadores companheiros seria uma bem-vinda demonstração de gratidão.
Só soube agora que acrobacias malandras inverteram o sentido das palavras.
Se inocentar os réus, o STF terá feito um julgamento técnico. Se optar pela condenação, terá promovido um julgamento político.
O acervo de espantos da Era Lula inclui um presidente que não sabe escrever e nunca leu um livro, uma presidente incapaz de dizer coisa com coisa, um senador que revogou o irrevogável, um ministro da Fazenda especializado no estupro de sigilo bancário e em assessorias de araque, um trem-bala que só apita no PAC, um ministro da Indústria que quebrou uma fábrica de tubaína com dois ou três conselhos, um ministro da Pesca que não sabe colocar minhoca em anzol, um ministro da Educação que acha certo falar errado, um advogado que virou ministro do STF depois de reprovado em dois concursos para o ingresso na magistratura e, entre tantas outras esquisitices, a única central sindical do mundo que se proclama única embora existam mais cinco.
Se tiver algum juízo, a CUT esquecerá a ideia de ampliar a coleção de assombros com o o primeiro movimento da história assumidamente a favor dos corruptos.
Qualquer entidade pode discordar de uma decisão do STF.
Nenhuma pode negar-se a respeitá-la, sob pena de virar um caso de polícia intolerável.
Se for consumada a afronta inverossímil, a confederação sindical subordinada ao PT se transformará numa organização fora da lei em guerra contra o Estado de Direito.
Nada que uma boa cadeia não resolva.
11/07/2012
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Em vez de motores, Lula usou ‘velas’para fazer reformas, diz FHC
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pode ser um sociólogo presidente, ou presidente sociólogo – em qualquer um dos casos, razão pela qual recebeu da Biblioteca do Congresso americano uma das premiações mais importantes das ciências humanas, o prêmio Kluge, concedido a intelectuais pelo conjunto de sua obra
Fernando Henrique Cardoso recebe premiação nos EUA por sua obra acadêmica
Nesta terça-feira, ele indicou que continua afiado nas ferramentas da sua "dupla carreira", ao conversar com jornalistas que lhe entrevistaram em uma imponente sala coberta de painéis de madeira, em um dos edifícios do complexo em Washington.
Político, alfinetou o seu sucessor imediato, Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que seu rival usou "velas" em vez de "motores" para tocar reformas de base – o que na sua opinião, teria contribuído para o processo de desindustrialização que o país está enfrentando hoje.
"De fato, por causa da taxa de câmbio e da produtividade, alguns setores da economia brasileira estão perdendo competitividade. Mas essa perda não é no chão da fábrica, é global. É no custo da energia, na má infraestrutura, no peso dos impostos", afirmou FHC.
"Isso só se resolve com muitas reformas que foram paralisadas. O governo Lula paralisou as reformas. O vento soprou a favor, e ele em vez de usar motor, usou vela. Velejou bem, mas não aperfeiçoou os motores. Agora precisa voltar a mexer nessas questões, para fazer frente a uma tendência real de desindustrialização."Retrospecto
Comparando a condução da economia de um país à tarefa da navegação, FHC avaliou que o Brasil tem uma "ilha à vista", da qual precisa começar a desviar já.
"A ilha qual é? Os superávits comerciais são decrescentes, porque o preço das matérias-primas voltou a cair. A exportação das manufaturas não se expandiu por causa do câmbio e da produtividade", disse.
"O protecionismo não resolve. É bom ter um pouco de história econômica. Eu entendo que num caso ou noutro se atue em termos de erguer barreiras alfandegárias, mas como regra, olhando historicamente, isso vai fazer com que haja uma perda de produtividade."
Passando seu governo em retrospecto, o ex-presidente se queixou por ser taxado de "neoliberal" e criticado por políticas que foram continuadas nos governos posteriores. Disse que fez uma administração favorável a uma maior competição na economia brasileira.
"Os governos sempre bancam a economia. O problema é a medida. No caso do Brasil o governo às vezes até força e cria campeões", disse FHC, citando como exemplo os empréstimos subsidiados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
"O subsídio do BNDES no último ano foi de US$ 20 bilhões (R$ 40 bilhões), mais que as bolsas. A quem foi dado esse dinheiro? A dez, doze grupos. Qual foi o critério? Não foi debatido. Isso excede, ao meu ver, o que o governo tem que fazer."
FHC disse que esta posição não significa uma oposição à mão nada invisível do BNDES.
Reconhecimento
O prêmio Kluge, de US$ 1 milhão, é concedido a intelectuais das áreas de ciências sociais e humanas, que não são cobertas pelo Nobel, e pretende ser um equivalente à premiação do comitê de Oslo.
A honraria começou a ser dada em 2003, mas não sai todo ano. O ex-presidente brasileiro é o oitavo intelectual e o primeiro latino-americano a recebê-lo.
Ao justificar a sua decisão, os organizadores do prêmio disseram que FHC combina "o estudo profundo com respeito pela evidência empírica".
Sua obra principal é o trabalho pioneiro escrito nos anos 1960 com o colega chileno Enzo Faletto, Dependência e Desenvolvimento, que discutia a posição dos países periféricos em relação às economias ricas.
Para os organizadores do prêmio, a teoria de FHC ajudou a mostrar que os países periféricos "podem fazer escolhas inteligentes e estratégicas" para promover modernização e desenvolvimento, mesmo estando em desvantagens em relação às nações industrializadas.
Na prática, afirmou FHC, as políticas do seu governo integraram o Brasil no sistema capitalista internacional de forma a "assentar as bases para a ascensão (do país) à proeminência mundial".
Agradecendo o prêmio, FHC disse que o prêmio "não se deve só a mim", mas a este avanço do Brasil. "Passamos a ser uma fonte de interesse global e portanto alguém que escreve sobre o Brasil e é brasileiro se qualifica para receber esse prêmio", disse.
O ex-ocupante do Planalto disse que "não são os presidentes" os responsáveis pela continuidade no avanço de uma sociedade como o Brasil.
"É o povo, é o processo democrático, é a sociedade brasileira que está evoluindo. Não foi um presidente que fez a democracia ou a Constituição. Foram as lutas, as Diretas Já, as greves, a briga na Constituinte, o sentimento de que era necessário crescer", disse.
"O presidente está lá. Às vezes ele atrapalha, às vezes ele acelera (o avanço). Eu acho que eu acelerei."
Burrice americana
Tudo aquilo que no Ocidente se vendeu, se louvou e se criticou sob o nome de “anticomunismo” nunca passou da resposta fraca e tardia de vítimas atônitas a uma estratégia abrangente e de longo prazo, cujo alcance mal chegavam a vislumbrar
Se há uma coisa óbvia, é que a narrativa predominante na mídia, no show business e nos meios intelectuais, quando não determina desde já o curso dos acontecimentos políticos, terminará por determiná-lo mais dia menos dia.
Nos EUA, há pelo menos três décadas essa narrativa reproduz ponto por ponto, sem citar a fonte nem, é claro, imitar-lhe o estilo, o discurso da propaganda anti-americana posta em circulação desde o fim da II Guerra pelo governo da URSS.
Não há acusação, não há mito depreciativo, não há estereótipo difamatório comprovadamente comunista que não tenha sido absorvido pelas grandes agências formadoras de opinião na América e repassado à população como autêntico produto made in USA, dado do senso comum ou crença espontânea das pessoas de bem.
Dos episódios McCarthy, Alger Hiss e Rosenberg em diante, não houve mentira soviética que não fosse alegremente subscrita pelo establishment, só para acabar sendo desmentida por provas documentais irrefutáveis trinta ou quarenta anos depois, tarde demais para que seus efeitos políticos pudessem ser revertidos (v. Ronald Radosh, The Rosenberg File, 1997; E. Stanton Evans, Blacklisted by History, 2007; Christina Shelton, Alger Hiss: Why He Chose Treason, 2012).
Como a matéria-prima desses engodos aparece sempre remodelada em linguagem local e adaptada aos sentimentos usuais do público americano, ninguém ou quase ninguém se lembra de rastrear-lhe a origem. Quem o fizesse teria de acabar concordando com aquilo que disse Malachi Martin: que ao longo do último século só houve uma força agente no cenário internacional – a URSS.
Os personagens em torno não tiveram iniciativa própria: limitaram-se a adaptar-se, às pressas e desastradamente, a situações criadas pelos diretores de cena soviéticos, cujos cálculos antecipavam suas reações e tiravam proveito delas.
Tudo aquilo que no Ocidente se vendeu, se louvou e se criticou sob o nome de “anticomunismo” nunca passou da resposta fraca e tardia de vítimas atônitas a uma estratégia abrangente e de longo prazo, cujo alcance mal chegavam a vislumbrar.
Poucas coisas ilustram a noção de “resposta passiva” tão claramente quanto a política americana de “contenção”, que pretendeu traçar limites à expansão do Império soviético, política que na época a caipirice ocidental enalteceu como um primor de genialidade estratégica e a hipocrisia comunista, mal contendo o riso, condenou como o suprassumo da intrusão imperial ianque.
Tudo o que ela conseguiu fazer foi limitar a ação do próprio Ocidente, enquanto a URSS espalhava livremente seus tentáculos pela Ásia, pela África, pela America Latina e, é claro, pelas altas esferas intelectuais e midiáticas dos EUA.
Mas talvez a obra-prima da impotência patética tenha sido a insistência dos governos ocidentais na falsa esperteza de jogar contra a URSS os “anticomunistas de esquerda”.
Faziam isso na alegada esperança de dividir as hostes comunistas, quando na verdade tudo o que aqueles esquerdistas democráticos propunham já estava antecipadamente integrado nos planos soviéticos para a grande farsa da “queda da URSS”, que em menos de uma década viria a transfigurar a morte aparente do movimento comunista numa ressurreição triunfal e numa sucessão de vitórias espetaculares (v. Jean-François Revel, La Grande Parade: Essai sur la Survie de l’Utopie Socialiste, 2000), aí incluída, logo depois, a eleição de um de seus mais fiéis servidores para a presidência dos EUA.
Até os mais legítimos conservadores insistem em enxergar as transformações esquerdizantes da sociedade e da política americanas como resultados de processos autóctones, da ação dos seus execrados liberals, sem querer admitir que estes últimos nunca, nunca tiveram a iniciativa intelectual desses processos, limitando-se a ecoar e repassar, na linguagem tradicional da democracia, os slogans e chavões da propaganda comunista internacional.
Hipnotizada por uma espécie de patriotismo cognitivo, a nata do conservadorismo americano imagina residir no seu país a fonte criadora de tudo o que de bom e de mau acontece no mundo, e assim acaba por lançar sobre os genuínos autores do enredo um manto de invisibilidade protetora.
Obsessivamente empenhados, sobretudo, em escapar à pecha de “teóricos da conspiração”, aqueles devotos guardiões do americanismo apegam-se às explicações que pareçam mais verossímeis ao público geral, isto é, precisamente aos menos qualificados para opinar em matérias tão complexas e labirínticas.
Por medo de tornar-se objeto de riso dos ignorantes, rebaixam-se propositadamente ao nível da estupidez mediana, sacrificando sua inteligência num ritual de autocastração ante o altar das aparências respeitáveis.
Querem outro exemplo? Depoimentos e mais depoimentos, documentos e mais documentos comprovam que o radicalismo muçulmano não brotou espontaneamente da sociedade islâmica, da cultura islâmica, mas foi criado pelos serviços de inteligência soviéticos e é ainda alimentado e monitorado por agentes russos (leiam Ion Mihai Pacepa e Claire Berlinski ).
Apesar disso, o governo americano continua tratando Vladimir Putin como parceiro confiabilíssimo, enquanto os intelectuais conservadores produzem toneladas de retórica piedosamente cristã para lançar a culpa do terrorismo em tradições corânicas de quatorze séculos, ajudando a ação da KGB-FSB a recobrir-se da camuflagem islâmica que, precisamente, estava nos seus planos desde o início.11 Julho 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Copom corta juros para 8% ao ano e renova mínima histórica
Este foi o oitavo corte consecutivo nos juros básicos da economia brasileira.
Com decisão, rendimento da poupança também tem nova queda.
PARA A FIFA, SOMOS TODOS CORRUPTOS
Por Jamil Chade
Estadão
Eu, você, minha avó e mesmo um recem formado cheio de sonhos ainda
Para a Fifa, não há diferença
Somos todos corruptos e equivalentes a “Teixeiras” e “Havelanges”.
Hoje, o Tribunal da cidade suíça de Zug publicou seu processo contra os cartolas brasileiros.
R$ 45 milhões em subornos passaram por suas contas em oito anos.
Mas o que mais surpreende no documento não são os valores ou a constatação da obviedade da corrupção que envolvia Havelange em seu reinado.
Em um dos trechos, o tribunal relata como os advogados da Fifa tentavam convencer os juizes em uma audiência de que não viam problemas com a atitude de Teixeira e Havelange e alegavam que a proposta da Justiça de que os cartolas devolvessem US$ 2,5 milhões para os cofres da organização seria impossível de ser implementada.
Entre os vários motivos para não pedir o dinheiro de volta, os advogados da Fifa apresentaram um argumento surpreendente: o de que a “maioria da população” de países da América do Sul e África tem nos subornos e propinas parte de sua renda “normal”
Cito o trecho completo do argumento dos advogados da Fifa para não ficar dúvida: “Os representantes legais da Fifa são da opinião ainda de que implementar a devolução do dinheiro seria quase impossivel.
Eles justificam isso, inter alia, com o argumento de que uma queixa da Fifa na América do Sul ou África dificilmente seria aplicada, já que pagamentos de subornos pertencem ao salário recorrente da maioria da população”.
Ou seja, Teixeira não devolveria o dinheiro porque, em nossa suposta “cultura”, todos temos parte da renda completada por subornos.
Não vamos confundir as coisas.
A corrupção existe e é endêmica em nossa região e no Brasil, assim como na África.
Mas também existe na civilizada Suíça, na gigante Siemens da Alemanha ou nos EUA.
O que une a muitos hoje em nossa região não é o fato de que recebemos um pedaço de nosso salário em forma de subornos, como insinua a Fifa.
O que nos une é hoje a indignação diante dessa realidade e o fato de estarmos exaustos de ver dinheiro público enriquecendo certas pessoas.
Querer agora justificar a dificuldade em receber o dinheiro de volta alegando que somos todos assim não é apenas surpreendente como argumento legal, mas uma ousadia que o tribunal simplesmente não aceitou e chegou a ironizar.
A entidade sempre soube da corrupção e mesmo Joseph Blatter era o braço direito de Havelange. E a única atitude que tomou foi a de abafar os casos cada vez que surgiam.
Quando Jerome Valcke sugeriu que o Brasil recebesse um “chute no traseiro” pelos atrasos na Copa, ele tinha razão no conteúdo, mas não nas palavras usadas.
Um vice-presidente do COI chegou a me dizer que a Fifa havia sido “racista” ao fazer o comentário do “chute no traseiro”, adotando um ar de superioridade.
Na época, achei que ele exagerava e que não havia lugar para racismo escancarado assim.
Mas lendo agora o comentário dos advogados diante de um tribunal, começo a pensar que ele poderia ter razão.11.julho.2012
Bolívia: A república da cocaína
Um relatório policial revela o encontro de um traficante brasileiro com o número 2 do governo boliviano
Duda Teixeira
O presidente da Bolívia, Evo Morales, orgulha-se de ser um incentivador das plantações de coca, a matéria-prima de mais da metade da cocaína e do crack consumidos no Brasil, sob o argumento de que as folhas servem para produzir chás e remédios tradicionais.
Apenas um terço da coca plantada em seu país, contudo, atende a essa demanda inofensiva, segundo estimativa das Nações Unidas.
O restante abastece o narcotráfico e, como consequência, contribui para corroer a vida de quase 1 milhão de brasileiros e de suas famílias.
Agora, surgem evidências de que a cumplicidade do governo boliviano com o narcotráfico vai além da simples defesa dos cocaleros, os plantadores de coca.
VEJA teve acesso a relatórios produzidos por uma unidade de inteligência da polícia boliviana que revelam, entre outros fatos, uma conexão direta entre o homem de confiança de Evo Morales, o ministro da Presidência Juan Ramón Quintana, e um traficante brasileiro que atualmente cumpre pena na penitenciária de segurança máxima em Catanduvas, no Paraná.
Um dos documentos, intitulado Apreensão de Fugitivo Internacional e assinado com o codinome Carlos, descreve como os agentes bolivianos identificaram a casa do brasileiro Maximiliano Dorado Munhoz Filho, em 2010.
Max, como é chamado, e sua gangue possuíam fazendas em Guajará-Mirim e em outras oito cidades de Rondônia, onde recolhiam a droga arremessada por aviões bolivianos.
Por mês, o bando de Max interceptava 500 quilos de cocaína, que depois eram levados para São Paulo e Rio de Janeiro.
O traficante fugira da cadeia de Urso Branco, em Rondônia, em 2001, e suspeitava-se que estivesse escondido na Bolívia.
De fato, ele mantinha um imóvel na Rua Chiribital, esquina com Pachiuba, em um bairro nobre de Santa Cruz de la Sierra.
No dia 18 de novembro de 2010, às 2 da tarde, os policiais que vigiavam o imóvel presenciaram uma cena bombástica.
Quintana, hoje o segundo homem mais poderoso da República, apareceu na companhia de Jéssica Jordan, de 28 anos, famosa no país por ter sido eleita miss Bolívia apenas quatro anos antes.
Ambos tinham, então, cargos de confiança em órgãos estatais. Quintana era diretor da Agência para o Desenvolvimento das Macrorregiões e Zonas Fronteiriças. Jéssica, cinco meses antes, fora indicada pelo vice-presidente Álvaro García Linera para o posto de diretora regional de Desenvolvimento no estado de Beni, departamento que faz fronteira com Rondônia e por onde entra no Brasil boa parte da droga boliviana.
Quintana e Jéssica entraram na casa de Max de mãos vazias e saíram de lá vinte minutos depois com duas maletas 007. Não se sabe o que havia nelas.
Dois meses depois do encontro com os integrantes do governo de Morales, Max foi detido em uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira com alguns membros escolhidos a dedo no serviço de inteligência boliviano e levado ao Brasil.
Quintana, por sua vez, foi nomeado por Evo Morales no ano seguinte para comandar a Pasta da Presidência, o equivalente à Casa Civil brasileira, posto que ele já havia ocupado entre 2006 e 2009.
O relatório do agente Carlos sobre o encontro entre os membros do governo e o traficante brasileiro faz parte de uma série de documentos vazados para a imprensa boliviana e americana por um político do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales.
Para o autor do vazamento, o governo não cumpriu a promessa de melhorar a vida dos pobres e indígenas da Bolívia. Evo Morales venceu duas eleições presidenciais propagando-se como um candidato defensor dos índios. A maioria deles, porém, está insatisfeita.
Desde que Morales tomou posse, houve um aumento de 22% na área de cultivo de coca no país.
Enquanto a Colômbia, que nos anos 80 cultivava e refinava 90% da cocaína consumida no mundo, combateu os cartéis e reduziu a produção, a Bolívia e o Peru viram sua participação nesse mercado crescer.
Hoje, respondem por metade das drogas derivadas das folhas de coca. Fábricas de cocaína, que até então não existiam na Bolívia, começaram a aparecer às centenas. Cartéis colombianos, mexicanos e o PCC brasileiro operam no país. Ao verem o crescimento do crime organizado e as portas da política fechadas para seus representantes, indígenas e sindicalistas passaram a criticar abertamente Morales.
No mês passado, policiais entraram em greve por melhores salários. Há duas semanas, uma nova marcha de indíos chegou a La Paz para impedir a construção de uma estrada em um parque ecológico indígena, o Isiboro Sécure.
O projeto, que liga "dois povoados sem povo", segundo os bolivianos, visa a abrir uma nova fronteira para a plantação de coca, pois a produtividade na região vizinha do Chapare, o principal reduto de Morales e onde 90% das folhas viram droga, está em queda.
Quintana — olha ele aí de novo — não se cansa de atacar os índios contrários à estrada, ao mesmo tempo em que defende os cocaleros.
Ex-militar, ex-araponga que recebeu treinamento americano e ex-assessor do ministro da Defesa do presidente Hugo Banzer (1997-2001), Quintana também é o autor de algumas das declarações mais antiamericanas do governo Morales.
Atribui-se a ele a ideia, acatada por Morales, de expulsar do país os agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), o órgão americano de combate ao narcotráfico que pagava a gasolina e parte do salário dos policiais bolivianos do setor de entorpecentes.
Não é de estranhar que essa medida tenha saído da cabeça do homem que divide com o vice-presidente Álvaro García Linera a tarefa de administrar as relações do governo boliviano com o presidente venezuelano Hugo Chávez.Enrique Castro-Mendivil/ Reuters
Decepção - protesto em La Paz contra a estrada conhecida como “transcocalera”, há duas semanas
Os relatórios que revelam os laços comprometedores do governo boliviano com traficantes foram feitos por agentes simpáticos a Morales, estupefatos com a incapacidade do presidente de perceber a podridão à sua volta.
"Os esforços que faz nosso amigo irmão Evo para erradicar a corrupção caem em um saco furado, e isso pode ser usado pela oposição para manchar a sua honra", elucubra um policial de codinome Confucio.
Um dos documentos revela que Raúl García, pai do vice-presidente Linera, era viciado em cocaína e teria influenciado na escolha do diretor da alfândega do aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, por onde sai boa parte da droga com destino ao Brasil.
"Alguns narcotraficantes colombianos que asseguram ter dado um apartamento em Santa Cruz ao pai do vice-presidente em troca de proteção para que saiam alguns aviões de Santa Cruz dizem ter provas disso", afirma-se em um dos relatórios confidenciais.
Raúl García morreu de infarto no ano passado.
"A crescente atuação dos narcotraficantes brasileiros na Bolívia foi facilitada por inúmeros fatores, entre os quais a possibilidade de negociar com membros do governo", diz Douglas Farah, especialista americano em tráfico de armas e drogas que está analisando todos os documentos confidenciais vazados pelo político do MAS.
Não há dados, até o momento, que ajudem a esclarecer se Evo Morales está apenas mal-acompanhado ou se tem participação direta nos negócios de seu governo com o narcotráfico.
No mínimo, ele finge não haver nada de errado.
Nenhuma investigação foi aberta depois que a oposição levou ao governo os documentos comprometedores.
Em vez disso, tenta-se punir os mensageiros.
O senador Roger Pinto, por exemplo, que em março de 2011 teve a ousadia de levar ao Palácio Quemado uma cópia do relatório sobre o encontro de Quintana e Max, entre outros papéis com denúncias, foi acusado de corrupção por Morales e acabou recebendo asilo político na Embaixada do Brasil em La Paz, há um mês.
Até sexta-feira passada, ele não havia recebido salvo-conduto do governo boliviano para embarcar em um avião com destino ao Brasil.
Senado dá um bom exemplo e cassa Demóstenes; que os ministros do STF sigam o exemplo e não empurrem o país para a lama
O Senado cassou o mandato de Demóstenes Torres por um placar bastante eloquente: 56 votos a 19, com 5 abstençõesPor Reinaldo Azevedo
Um único senador, que já estava de licença, não votou.
Ninguém faltou à sessão.
Está proibido de se candidatar a cargo eletivo por oito anos a partir do fim do seu mandato, que expiraria em 2018 — foi reeleito em 2010.
A punição se estende até 2026, e ele só poderá se apresentar ao eleitorado, mantido o atual calendário, em 2028, já que não há eleições em 2027.
Na prática, foi banido das urnas por 16 anos.
Termina de modo melancólico — e emblemático — a carreira política de um homem que parecia talhado para tarefas até maiores do que as compreendidas num mandato parlamentar.
Havia, no entanto, dois Demóstenes no Senado: Dr. Jekyll costumava abraçar as boas causas, afinadas com o estado democrático e de direito e se mostrava implacável com os desmandos da República, com os arroubos autoritários do Executivo e com as agressões aos direitos individuais.
Era, por isso, admirado por muitos, inclusive por alguns adversários ideológicos, que reconheciam nele as virtudes da coerência e da firmeza.
Mas ninguém sabia da existência de Mr. Hyde, aquele que trocava telefonemas frequentes com o contraventor Carlinhos Cachoeira e que atuava como uma espécie de despachante dos interesses de um grupo que se esgueirava nas sombras, do qual fazia parte.
Ainda que não tivesse sido cassado por seus pares, Demóstenes sabia que já tinha sido cassado por juízes bem mais severos: o seu eleitorado, que jamais o perdoaria ou perdoará.
Quando recuperar seus direitos políticos, José Dirceu vai se apresentar aos petistas e se elegerá deputado.
Eles se orgulham das porcarias que seu líder faz.
Os eleitores do senador que teve o mandato cassado nesta quarta são, na esmagadora maioria, pessoas honradas.
Não reconhecem naquele senhor das gravações o seu representante.
Esse é o aspecto que chamei “emblemático” do caso Demóstenes.
É claro que as esquerdas e os petistas procuraram inflar as suas lambanças;
é evidente que o fato de ele ser considerado um político conservador, “de direita”, pesou no processo de satanização;
é inquestionável que a patrulha ideológica colaborou para fazer do agora ex-senador o inimigo público número um do país.
Mas atenção!
Nada disso tira o peso daquilo que ele efetivamente fez.
Não foram os seus adversários que o impeliram ou o convidaram a se comportar como mero esbirro de um esquema que, tudo indica, frauda licitações, compra o mandato e o voto de políticos, torna irrelevantes os instrumentos de controle do uso do dinheiro público.
E aqui começo a tratar da segunda parte do título deste post, aquela que remete ao STF.
Vamos ver.
Não se iludam. Demóstenes Torres não era o único braço de um esquema a atuar no Senado ou, se quiserem, no Parlamento.
Seu caso provoca especial constrangimento porque parte das atividades de Cachoeira é clandestina.
Há outros que se comportam como despachantes de interesses privados no Legislativo, no Executivo e, infelizmente, também no Judiciário.
É certo que o nome do grande esquema, de que o contraventor é mera expressão local, é Delta.
Refaço aqui algumas perguntas: quem é, por exemplo, o Cachoeira do Rio?
Vale indagar: quem é o despachante de Fernando Cavendish nesse estado?
Quem é o Cachoeira do governo federal, o maior cliente da empreiteira?
Tudo indica que nem Polícia Federal nem CPI fornecerão essas respostas.
Nesse particular aspecto, Demóstenes é um bom bode expiatório: era um político de perfil conservador, defendia em seus discursos valores afinados com a austeridade (que agora são tachados de “falso moralismo”) e perdeu sua base social, uma vez que seus eleitores não moverão uma palha para defendê-lo.
E o STF com isso?
No começo de agosto, tem início o julgamento do mensalão — que é criminal, não político, como o do Senado, que avaliou se Demóstenes quebrou ou não o decoro.
Seria interessante indagar ao senador Humberto Costa (PT-PE), relator implacável do caso Demóstenes no Conselho de Ética do Senado, que destino ele espera para seus pares petistas no Supremo.
Não perderei um dos mindinhos se apostar que ele os considera a todos inocentes, puros como as flores.
Aquela que foi a mais grave ameaça institucional aos fundamentos da República — a compra de partidos políticos e de parlamentares, acenando para a tentativa de criar um Congresso paralelo — certamente parecerá coisa de pouca importância ao duríssimo Costa, convicto, a exemplo da esmagadora maioria dos petistas, de que os adversários são sempre criminosos, mesmo quando inocentes, mas que os aliados são sempre inocentes, mesmo quando criminosos.
Reparem, senhoras ministras e senhores ministros do Supremo: Demóstenes Torres foi cassado — e responderá por seus atos também na esfera criminal —, e ninguém sai por aí a alardear uma tramoia política para desestabilizar um ativo parlamentar da oposição.
Porque a suposição seria mesmo descabida, e ninguém, entre os antigos admiradores do trabalho do então senador, tem essa cara de pau.
Os defensores dos mensaleiros, no entanto, na política e também na imprensa, não se vexam de afirmar que o julgamento do Supremo representará o confronto entre as forças reformistas — os petistas — e os conservadores.
Um articulista como Janio de Freitas, por exemplo, da Folha, escolheu essa vereda.
Não, não! As convicções de Demóstenes — aquelas que ele alardeava ao menos — não foram cassadas; tampouco foram julgadas. Nem faria sentido!
Em nove anos e meio de mandato, ele defendeu, reitero, os fundamentos do estado democrático e os direitos individuais.
Não caiu por isso.
Da mesma sorte, O SUPREMO NÃO VAI JULGAR O DISCURSO OFICIAL DO PT, O SEU PROPALADO AMOR PELA JUSTIÇA SOCIAL E SUAS PREOCUPAÇÕES COM A REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES — sempre destacando que há muito de mistificação e picaretagem nessa conversa.
Não será, em suma, isto a que chamam “progressismo” que estará em julgamento.
É claro que alguns vigaristas votaram em favor da cassação de Demóstenes também como vingança.
Em si, isso não tem grande importância.
O que interessa é o fato de a instituição ter deixado claro que certos comportamentos, se descobertos, são inaceitáveis.
Temos é de cobrar sempre mais transparência do Poder Público e exigir que as evidências de falcatruas sejam investigadas.
Cumpre listar no caderninho da rede mundial de computadores os políticos que estão tentando impedir que a Delta seja investigada.
O caso de Raul Filho (PT), prefeito de Palmas, é por demais eloquente.
O acordo, conforme revelam as fitas, foi feito com Cachoeira, mas a empreiteira é que foi beneficiada por contratos sem licitação.
A cassação de Demóstenes é positiva, ainda que insuficiente.
Cumpriu-se um dever, mas, como se vê e como Palmas evidencia, ainda não se cumpriu a tarefa.
Como instituição, o Senado sai engrandecido desse embate. Em agosto, será a vez de o Supremo dizer que Brasil espera nossos filhos e nossos netos.
Vamos saber, em suma, se as instituições que acabaram com a carreira política de Demóstenes Torres seguirão na trilha do bem ou serão expostas à sanha e aos métodos de José Dirceu.
Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Ayres Britto, Cezar Peluso, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia, Dias Toffoli (???), Luiz Fux e Rosa Weber vão dizer se os crimes dos petistas são crimes ou são virtudes.
O Senado que há se aproximou um pouco mais de um bom Brasil a haver.
O STF vai decidir se o empurra ou não para a lama.1/07/2012
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Sucessor de Demóstenes é empresário novato na política
Wilder Morais tem 44 anos e nunca ocupou um cargo eletivo.
Ele ficou famoso por ter "perdido" a mulher para o contraventor Carlinhos Cachoeira
Gabriel CastroWilder Morais, secretário de Infraestrutura de Goiás, é o suplente de Demóstenes Torres e também ex-marido da mulher da Cachoeira (Divulgação)
O mais novo ocupante do Senado Federal é Wilder Morais, de 44 anos. Filiado ao DEM, o empresário assume a cadeira de Demóstenes Torres (sem partido-GO), que teve o mandato cassado nesta quarta-feira.
Para assumir o posto no Senado, o sucessor de Demóstenes deixará a Secretaria de Infraestrutura de Goiás - o primeiro cargo público que ocupou. Wilder não é político de profissão: fez carreira como empresário.
O novo parlamentar nasceu em uma família pobre da cidade goiana de Taquaral. Mudou-se para Goiânia em 1984. Na cidade, formou-se em engenharia na Universidade Católica de Goiás. Antes do escândalo Cachoeira, ele tratava Demóstenes como "o melhor senador do Brasil".
Wilder declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de 14,4 milhões de reais. Ele é dono do grupo Orca, que atua na área da construção civil e possui contratos até na Índia. O suplente de Demóstenes gosta de mencionar sua origem humilde para se encaixar no estereótipo de self-made man.
Apesar de dever seu ingresso na política a Demóstenes, Wilder ao menos pode dizer que não é amigo de Carlinhos Cachoeira: o contraventor "roubou" a mulher do novo senador, Andressa. Em mais uma das incríveis coincidências do caso, a atual esposa de Cachoeira foi casada com o suplente de Demóstenes.
Nada mudou na Casa do Espanto
Direto ao PontoPor Augusto NunesO Senado acaba de cassar o mandato e suspender os direitos políticos de Demóstenes Torres. Ele mereceu.
A decisão foi formalizada pelo presidente José Sarney. Isso ninguém merece,
A folha corrida do suplente informa que a bancada da delinquência, amplamente majoritária, não diminuiu de tamanho.
A instalação de um militante do PCC na cela desocupada pela saída de um companheiro de quadrilha não melhora a cadeia.
Nada mudou na Casa do Espanto.
11/07/2012
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Wilder Morais, secretário de Infraestrutura de Goiás, é o suplente de Demóstenes Torres e também ex-marido da mulher da Cachoeira (Divulgação) 