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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ouvir Valério? Não. Aprovado convite para ouvir FHC e Gurgel



Comissão mista barrou convocação de Adams, Gleisi e Rosemary


Por Ricardo Noblat 
Fernanda Krakovics
e Is
abel Braga
O Globo

Em ação articulada, a base aliada conseguiu adiar nesta quarta-feira a votação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, para convocar o publicitário Marcos Valério para prestar esclarecimentos sobre as acusações feitas, em depoimento à PGR, de que o ex-presidente Lula deu aval para o esquema de desvio de recursos públicos para financiar o PT e comprar apoio no Congresso.

Mais tarde, na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, parlamentares da base também evitaram a convocação dos ministros da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, além do convite à ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, derrotando requerimentos apresentados pela oposição.

Ao mesmo tempo, conseguiram aprovar convite para ouvir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

- Se eles querem guerra, vão ter! É a primeira vez que participo desta comissão e gostei - afirmou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), autor do requerimento de convite relativo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em seu requerimento, Tatto usou como argumento para chamar o ex-presidente tucano para esclarecer dúvidas em relação à chamada Lista de Furnas. Segundo o líder petista, a lista traz nomes de pessoas ligadas ao governo tucano que teriam recebido recursos ilegais.

- É o esquema de financiamento de campanha do PSDB. Recursos para a campanha presidencial do Fernando Henrique em 1998. Sempre dizem que a lista é falsa, mas um perito analisou recentemente e disse que é verdadeira. Essa comissão serve para pensar para o futuro. Nada melhor do que convidar o presidente para explicar os fatos, a influência do ex-presidente sobre Furnas e Eletrobrás, como se deu essa relação e evitar que isso volte a acontecer no Brasil - justificou Tatto.

Como são convites e não convocações, nem Fernando Henrique, nem Gurgel precisam comparecer. No caso de Gurgel, o autor foi o presidente da Comissão de Mista de Inteligência, Fernando Collor (PTB-AL), que tentou a convocação na CPI do Cachoeira e não conseguiu. Collor defendeu o convite argumentando que Gurgel poderá explicar melhor à comissão como é a interação entre o Ministério Público e a Policia Federal e citou operações recentes como a Vegas e Monte Carlo.
12.12.2012


Vejam quem está de novo na área! O ex-jornalista Franklin Martins! E ele só pensa naquilo: regular a mídia…





Por Reinaldo Azevedo

Quando ainda jornalista, Franklin Martins era um entusiasta da tese de que o mensalão nunca existiu.

Quando a sua luta com os fatos ficou escancarada, foi demitido da Globo.

Depois de uma passagem pela Band, encontrou o seu lugar: ministro da Comunicação Social de Lula.

Não se duvide de que foi eficiente para fazer aquilo que fez.

Centralizava a assessoria de imprensa, a rede oficial de notícias (Agência Brasil e LulaNews) e, sobretudo, a publicidade oficial, inclusive a das estatais.

É no seu mandarinato que ganha impulso essa modalidade exótica de subimprensa: sites, blogs e veículos financiados com dinheiro público para difamar os “inimigos do regime”.

Ele saiu, mas a prática continuou.

A linguagem ficou ainda mais violenta.

As baixarias se exacerbaram.

Franklin fazia a “luta” parecer um embate ideológico.

Sem a sua orientação, é lama pura.

Franklin voltou à cena, informa o Painel, da Folha. Os amigos de Lula o querem como porta-voz do ex. Mas ele esteve também com Dilma. O homem promete lutar no Congresso para aprovar o seu marco regulatório para a mídia. Será que Dilma não está mais convencida de que basta o controle remoto?

Pois é…

Franklin volta, ainda que informalmente?

Quem sabe seja didático em certos casos.

Havia gente por aí que parecia convencida de que existe diálogo entre a corda e o pescoço.

Eu acho que não há. Leiam as notas do Painel.
O especialista

Preocupados com o abalo na imagem de Luiz Inácio Lula da Silva em razão do Rosegate e do novo depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público, envolvendo o ex-presidente no mensalão e em outras acusações, amigos de Lula o aconselharam a contratar o ex-ministro Franklin Martins como seu porta-voz.

A avaliação de petistas é que os atuais assessores de Lula não têm experiência em comunicação e que ele precisa fazer uma declaração mais alentada sobre as acusações.

Na área
Franklin Martins se reuniu no Planalto com Dilma Rousseff há uma semana. Ele disse que irá trabalhar para aprovar o marco regulatório da imprensa no Congresso. Petistas voltaram levantar a bandeira de regulação da mídia após o julgamento do mensalão no STF.

12/12/2012


PF investiga Rose e irmãos Vieira por suspeita de lavagem


Investigação
Bens adquiridos por meio de corrupção teriam sido ocultados pela quadrilha
PF afirma que Paulo Vieira colocou bens em nome de familiares e funcionários
(Raylton Alves/Banco de imagens ANA)

A Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar por lavagem de dinheiro a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary de Noronha, e outras pessoas investigadas pela Operação Porto Seguro – que desarticulou um esquema de compra de pareceres técnicos de órgãos públicos para beneficiar empresas.

A PF suspeita que bens adquiridos de forma ilícita, a partir de atos de corrupção, teriam sido ocultados ou dissimulados pela organização integrada por Rose e Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) apontado como chefe do grupo.

Em ofício enviado à Justiça Federal, o delegado Ricardo Hiroshi, que preside o inquérito da Porto Seguro, pediu e obteve autorização para abrir uma apuração específica sobre lavagem de dinheiro.

Rose já foi indiciada por outros quatro crimes: corrupção passiva, tráfico de influência, falsidade ideológica e formação de quadrilha.

A PF enquadrou Paulo Vieira nos crimes de corrupção ativa, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e formação de quadrilha.

Laranjas – Nos relatórios da operação, os investigadores anotaram que Vieira registrou carros e imóveis em nome de parentes e funcionários.

Rosemary usava um Mitsubishi Pajero TR4 que pertencia à suposta quadrilha. Hoje, o veículo é avaliado em 55 000 reias. Vieira também seria o dono de um apartamento em Brasília registrado no nome de seu irmão Marcelo e de outro, em Ubatuba (SP), no nome de sua mulher.

"Alguns dos bens apontados não estão registrados em nome do investigado, mas foram reunidos indícios de que poderiam ter sido pagos por ele (ou por sua ordem) ou registrados em nomes de pessoas próximas a ele, por sua determinação", anotaram os policiais.

O delegado responsável pela investigação pediu que a Justiça autorize o uso policial dos carros apreendidos na operação e de um apartamento em São Paulo. Segundo o inquérito, há "claras evidências de que tais bens foram adquiridos como produtos dos crimes praticados e apurados."

O inquérito pede especificamente o sequestro de um flat adquirido por Vieira na Alameda Lorena, nos Jardins, bairro nobre da capital paulista.

E-mails interceptados durante a operação revelam que o apartamento foi comprado em abril de 2010 por 192 000.

Vieira pediu à corretora que a escritura fosse passada em seu nome e que fosse informado no documento o valor de 80 000 reais.

Paulo também registrou um Land Rover, comprado por 300 000 reais, no nome de Patricia Baptistella, diretora da faculdade de sua família.

Um telefonema gravado pela operação indica que Vieira tentava evitar que o acúmulo de bens levantasse suspeitas sobre ele.

A PF apura o enriquecimento ilícito de Vieira e seus irmãos. Um e-mail interceptado em junho revela que Paulo é sócio da P1 Serviços Gerais, que teve um faturamento de 1,1 milhão de reais de agosto de 2011 a maio de 2012.

Defesa
– O advogado Celso Vilardi, que defende Rosemary Noronha, foi enfático: "Não vejo nenhuma base para se cogitar de lavagem de dinheiro no que toca à minha cliente".
Pierpaolo Bottini, que defende Paulo Vieira, informou que vai requisitar judicialmente averiguação das contas do analista do TCU Cyonil Borges e da mulher dele.
(Com Estadão Conteúdo)

Banco do Brasil arrecadava 'pedágio' para o PT, afirma Marcos Valério




Empresário relatou que 2% do valor destinado a agências de publicidade seria direcionado para contas do partido



Felipe Recondo, Alana Rizzo e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza afirmou no depoimento prestado em 24 de setembro à Procuradoria-Geral da República que dirigentes do Banco do Brasil estipularam, a partir de 2003, uma espécie de “pedágio” às agências de publicidade que prestavam serviços para a instituição financeira pública: 2% de todos os contratos eram enviados para o caixa do PT, acusou o homem apontado como o operador do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal.

Em dois anos, os repasses do Banco do Brasil às cinco agências de publicidade com quem mantinha contrato superaram R$ 400 milhões - uma delas era a DNA Propaganda, de Valério.

Ou seja, segundo o empresário disse à Procuradoria-Geral da República em setembro, os desvios que abasteceram o mensalão podem ter sido bem maiores do que os que levaram o Supremo Tribunal Federal a condenar Valério e o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.



Segundo os ministros da Corte, R$ 2,9 milhões foram desviados do contrato da DNA com o Banco do Brasil para o mensalão. Outros R$ 74 milhões foram desviados do contrato da DNA com o Fundo Visanet, do qual a instituição financeira pública fazia parte.

Contexto
. O Estado revelou nesta terça-feira, 11, que, neste mesmo depoimento de três horas e meia, dado à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e à procuradora da República Raquel Branquinho, o empresário mineiro afirmou que dinheiro do esquema que pagou parlamentares do Congresso Nacional entre 2003 e 2005 também serviu para bancar “despesas pessoais” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dinheiro foi depositado, disse Valério, na conta de uma empresa de Freud Godoy, que foi assessor pessoal de Lula.

O empresário mineiro afirmou ainda, entre uma série de novas acusações, que o ex-presidente deu “ok” para os empréstimos com os bancos BMG e Rural que viriam a irrigar o mensalão.

Na ocasião do depoimento, o empresário mineiro, além de fazer novas revelações, afirmou que ainda tinha mais a dizer sobre o caso.

Queria, em troca, proteção e redução da sua pena - ele viria a ser condenado a mais de 40 anos pelo Supremo por sua participação no mensalão; Valério responde ainda a outros processos, como o do mensalão mineiro, no qual políticos são acusados de desviar dinheiro público do governo de Minas Gerais a fim de abastecer, no ano de 1998, a campanha à reeleição do então governador tucano Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB e hoje deputado federal.

Segundo Valério disse no depoimento, o suposto esquema de desvio de dinheiro público que teria de ir para a publicidade foi criado por Pizzolato e Ivan Guimarães, ex-presidente do Banco Popular do Brasil, que integra a estrutura do Banco do Brasil.

O ex-diretor do Banco do Brasil negou nesta terça-feira que tenha cobrado “pedágio” das agências de publicidade. Guimarães não foi localizado pela reportagem.

Participação. No período de operação plena do mensalão, entre 2003 a 2004, quando uma série de parlamentares fez saques das contas das empresas de Valério, o Banco do Brasil pagou, segundo dados CPI dos Correios, pelo menos R$ 434 milhões a agências de publicidade.

Ao longo desse período de dois anos, a agência DNA, uma das empresa de Valério que detinha um dos contratos com o Banco do Brasil, aumentou sua participação nos acordos enquanto o bolo recebido pelas demais agências declinava aos poucos.

Ainda no primeiro ano de governo do ex-presidente Lula, em 2003, a DNA, que já trabalhava com o Banco do Brasil durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, conseguiu renovar o contrato com a instituição financeira pública.

Renovações
. O valor estimado dos gastos anuais de publicidade com a DNA era de R$ 152,8 milhões, segundo informações do Ministério Público Federal. A renovação teria rendido a Pizzolato mais de R$ 300 mil de contrapartida, segundo dados usados pelos ministros do Supremo para condenar o ex-diretor do banco corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato, com pena de 12 anos e sete meses de prisão.

Além da DNA, a licitação 01/2003 originou contratos com a Ogilvy Brasil Comunicação Ltda e a D+Brasil Comunicação Total. Já havia contratos em andamento desde 2002 com as agências Grottera Comunicação e Lowe Lintas Partners , que continuaram a ser prorrogados a partir de 2003, início do governo Lula.

Abrangência. Os contratos firmados em setembro de 2003 entre o Banco do Brasil e as cinco agências alcançavam todo o conglomerado do Banco do Brasil, incluindo empresas ou entidades que fossem criadas e a Fundação Banco do Brasil.

Comandado por Ivan Guimarães, o Banco Popular do Brasil funcionava como uma subsidiária integral, cuja autorização de funcionamento foi publicada em dezembro de 2003. Guimarães também esteve envolvido no episódio da compra do apartamento da ex-mulher de José Dirceu por Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério.


12 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

‘Sou o Garganta Profunda do PT’


Operação Monte Carlo
Carlinhos Cachoeira: ‘Sou o Garganta Profunda do PT’
Ao deixar a prisão, bicheiro disse que revelará tudo o que sabe.

Mais tarde, advogado atribuiu fala ao "calor do momento"



Laryssa Borges, de Brasília
O bicheiro Carlinhos Cachoeira, entre idas e vindas na prisão (Ricardo Rafael/O Popular/ Futura Press)

O contraventor Carlinhos Cachoeira deu a entender nesta terça-feira, ao deixar a prisão, que pretende fazer revelações que podem comprometer o PT.

“Sou o Garganta Profunda do PT”, disse o bicheiro ao ser libertado do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde estava preso desde sábado.

De acordo com o jornal O Popular, Cachoeira prometeu revelar, nesta quarta, tudo o que sabe. Não é a primeira vez que ele faz a ameaça. Até agora, no entanto, o contraventor nada disse.

Procurado pela reportagem do site de VEJA, Nabor Bulhões, advogado de Cachoeira, negou que o cliente esteja disposto a fazer revelações e atribuiu a declaração do bicheiro à “emoção do momento”.

Carlinhos Cachoeira foi libertado depois de ter um habeas corpus concedido pelo desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, na tarde desta terça.

Garganta profunda - O termo utilizado por Cachoeira para insinuar que tem informações desabonadoras sobre o PT remete a um dos maiores escândalos políticos dos Estados Unidos.

Garganta Profunda era o codinome usado por uma fonte que ajudou os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington Post, a revelar o escândalo Watergate nos anos 1970, um esquema de operações ilegais de espionagem contra adversários políticos do então presidente Richard Nixon.

A série de reportagens alimentada pelas informações dele levou à renúncia de Nixon.

A verdadeira identidade do Garganta Profunda permaneceu em segredo até 2005, quando um ex-vice-diretor do FBI, William Mark Felt, admitiu ter sido a fonte de Woodward e Bernstein.


11/12/2012

Para Joaquim Barbosa, Ministério Público deve investigar denúncias de Valério sobre Lula





Presidente do Supremo Tribunal Federal diz que teve 'conhecimento oficioso, não oficial' do teor do depoimento em que empresário acusa ex-presidente de ter usado dinheiro do mensalão para despesas pessoais

Para Barbosa, MP deve investigar denúncias de Valério sobre Lula
Empresário disse que ex-presidente usou dinheiro do mensalão para pagar despesas pessoais

Felipe Recondo
O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, afirmou nesta terça-feira, 11, que o Ministério Público deve investigar as declarações feitas pelo operador do mensalão Marcos Valério que colocariam o ex-presidente Lula no centro do esquema.

Na saída da sessão do Conselho Nacional de Justiça, Barbosa afirmou que teve "conhecimento oficioso, não oficial" do teor do depoimento prestado por Marcos Valério e revelado hoje pelo Estado. E, perguntado se as denúncias devem ser investigadas pelo Ministério Público, foi sucinto: "Creio que sim".

Valério disse que o ex-presidente deu o "ok" para os empréstimos bancários que financiaram o esquema. O encontro teria ocorrido no gabinete presidencial, conforme a versão contada por Valério.

O empresário e operador do mensalão disse também ter repassado dinheiro para que Lula arcasse com despesas pessoais. De acordo com Valério, os recursos foram depositados na conta da empresa de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência Freud Godoy.

No depoimento, Valério classifica Godoy como um "faz-tudo" do ex-presidente Lula.

A existência do depoimento com novas acusações do empresário mineiro foi revelada pelo Estado em 1.º de novembro. Após ser condenado pelo Supremo como o "operador" do mensalão, Valério procurou voluntariamente a Procuradoria-Geral da República.

Queria, em troca do novo depoimento e de mais informações de que ainda afirma dispor , obter proteção e redução de sua pena.

A oitiva ocorreu no dia 24 de setembro em Brasília - começou às 9h30 e terminou três horas e meia depois; 13 páginas foram preenchidas com as declarações do empresário, cujos detalhes eram mantidos em segredo até agora.

O Estado teve acesso à íntegra do depoimento, assinado pelo advogado do empresário, o criminalista Marcelo Leonardo, pela subprocuradora da República Cláudia Sampaio e pela procuradora da República Raquel Branquinho.

11 de dezembro de 2012

Em Paris, Lula diz que ‘não há nenhum comentário’ a fazer

 
Já Paulo Okamoto nega ter ameaçado Marcos Valério de morte


SÃO PAULO - Em Paris, onde participa de evento com a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “não há nenhum comentário” sobre as acusações do publicitário Marcos Valério, de que teria pagado despesas pessoais do petista em 2003.

A informação foi publicada nesta terça-feira pelo jornal “Estado de S. Paulo, que teve acesso a depoimento de Marcos Valério à Procuradoria Geral da República.

Sobre as denúncias de que teria ameaçado Valério de morte, caso denunciasse o esquema do mensalão, o diretor do Instituto Lula, Paulo Okamoto, negou que tenha pressionado o publicitário.

Ele duvidou ainda que Marcos Valério tenha feita tal afirmação em depoimento à PGR.

- Não sei se ele falou isso. Estou fora do Brasil. Eu nunca ameacei ele de morte, ele sabe disso. Eu acho que isso é uma confusão. Ele nunca me emprestou dinheiro, nunca fez nada para mim, não tem por que ameaçá-lo. Eu vou me posicionar quando retornar ao Brasil e ler o depoimento - afirmou Okamoto, que acompanha o ex-presidente Lula em viagem a Paris.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, negou, na manhã desta terça-feira, por meio de sua assessoria de imprensa, que o partido tenha pagado honorários aos advogados do publicitário Marcos Valério.

A expectativa é de que o dirigente petista pronuncie-se ainda durante a tarde desta terça-feira sobre as acusações feitas por Valério, em depoimento à Procuradoria Geral da República.
11/12/12

DEPOIMENTO DE VALÉRIO AO MP: Lula recebeu grana do mensalão e negociou empréstimos dos bancos ao PT; o então presidente e Palocci cuidaram pessoalmente do dinheiro ilegal recebido da Portugal Telecom; Okamotto o ameaçou de morte. Surgem na história Humberto Costa e Luiz Marinho. E há detalhes novos do caso Celso Daniel




Por Reinaldo Azevedo

Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff traçavam o futuro da humanidade em Paris, depois de ela dar algumas lições a Angela Merkel de como crescer pouco culpando os outros, começavam a vir à luz no Brasil as revelações que Marcos Valério fez ao Ministério Público num depoimento de três horas prestado às procuradoras Cláudia Sampaio e Raquel Branquinho no dia 24 de setembro.

A coisa vai esquentar, e os petistas sabem disso.

Por isso o partido decidiu endurecer a sua retórica contra o Supremo, na esperança de intimidar o tribunal.

Por isso também a escória da Internet que serve à causa, financiada por estatais, chega ao absurdo de incitar atos de violência contra os que considera desafetos.

E quem são os desafetos?

Os que acham que lugar de ladrão de dinheiro público é na cadeia.

Eles estão nervosos.

Temem que a arquitetura do crime desabe sobre suas cabeças.

Do que se trata afinal?

Comecemos por uma curta memória.

A VEJA que chegava aos leitores na manhã do dia 15 de setembro, um sábado, trazia uma reportagem de capa com revelações que Marcos Valério andava fazendo a interlocutores seus.

A questão mais importante: Lula não só sabia de tudo como era o chefe do mensalão.
O post sobre a matéria da VEJA está aqui. Reproduzo (em azul) título e entretítulos para que tenhamos uma síntese do que lá ia:

“REVELADOS SEGREDOS EXPLOSIVOS DE VALÉRIO, QUE TEME SER ASSASSINADO:

1) Mensalão movimentou R$ 350 milhões;

2) Lula, com Dirceu de braço direito, era o chefe;

3) presidente recebia pessoalmente doadores clandestinos;

4) publicitário se encontrou no Palácio com Dirceu e Lula várias vezes;

5) Delúbio, o tesoureiro, dormia com frequência no Alvorada”

– “O CAIXA DO PT FOI DE R$ 350 MILHÕES”;

– LULA ERA O CHEFE DO ESQUEMA, COM JOSÉ DIRCEU;

– VALÉRIO SE ENCONTROU COM LULA NO PALÁCIO DO PLANALTO VÁRIAS VEZES;

– PAULO OKAMOTTO, ESCALADO PARA SILENCIAR VALÉRIO, TERIA AGREDIDO FISICAMENTE A MULHER DO PUBLICITÁRIO;

– O PT PROMETEU A VALÉRIO QUE RETARDARIA AO MÁXIMO O JULGAMENTO NO STF;

– “O DELÚBIO DORMIA NO PALÁCIO DA ALVORADA”;

– EMPRÉSTIMOS DO RURAL FORAM FEITOS COM AVAL DE LULA E DIRCEU


De volta
Muito bem! Os repórteres Felipe Recondo, Alana Rizzo e Fausto Macedo, do Estadão, tiveram acesso ao depoimento prestado por Marcos Valério ao Ministério Público.

As coisas se complicam ainda mais para Lula e Paulo Okamotto e levam para o centro do imbróglio petistas graúdos como o ex-ministro Antônio Palocci e o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho.

Também o caso Celso Daniel ganha detalhes novos. E volta à baila uma personagem conhecida do noticiário: Freud Godoy. Vamos lá.

Síntese do que disse Valério ao Ministério Público

1- O esquema do mensalão pagou as despesas pessoais de Lula em 2003:

2- dinheiro foi depositado na conta de seu carregador de malas, Freud Godoy (aquele do escândalo do aloprados);

3- Lula participou pessoalmente das operações de “empréstimos” dos Bancos Rural e BMG;

4- os “empréstimos foram acertados dentro do Palácio do Planalto;

5- Valério diz que é o PT quem paga seus advogados (R$ 4 milhões);

6- Paulo Okamotto, que hoje preside o Instituto Lula, o ameaçou pessoalmente de morte;

7- Lula e Palocci negociaram com o então presidente da Portugal Telecom a transferência de recursos ilegais para o PT;

8- Luiz Marinho, agora prefeito de São Bernardo, foi quem negociou as facilidades para o BMG nos empréstimos consignados;

9- o pecuarista José Carlos Bumlai arrumou dinheiro para pagar o empresário Ronan Maria Pinto, que chantageava Lula no caso Celso Daniel;

10 – o senador Humberto Costa também recebeu dinheiro do esquema.


Pois é…
Se Valério estiver falando a verdade – e bastariam algumas verdades –, o diabo é bem mais feio do que se pinta no Supremo, como todo mundo já andava desconfiado.

Seguem mais detalhes de seu depoimento.

Os verbos não aparecem no modo da incerteza, mas é preciso que se deixe claro que essas são as acusações feitas por Valério.

Precisam ser investigadas.

Dinheiro para Lula na conta de Freud
Segundo Valério, foram feitos dois repasses a Lula em 2003 para cuidar de suas despesas pessoais – pessoais mesmo, sabem?, “a nível de Lula”, sem qualquer ligação com a política.

Um deles foi no valor de R$ 100 mil.

A grana era depositada na conta de Freud Godoy, que ocupou papel de destaque no escândalo dos aloprados.

A CPI dos Correios encontrou, com efeito, uma transferência de R$ 98.500 de uma das agências de Valério para o Freud do Lula…

Banco Rural, empréstimos e reuniões no Palácio. Com Lula!

As reuniões que decidiram os falsos empréstimos do Rural para o PT foram feitas dentro do Palácio do Planalto, com as presenças de José Dirceu (olhem ele aí, como sempre) e Delúbio Soares.

Aconteceram, segundo o publicitário, numa sala grande, onde se faziam reuniões e, às vezes, algumas refeições. Tudo acordado, o grupo foi até Lula. Informado do combinado, o Apedeuta-chefe disse “ok”.

Houve mais de um encontro.

Numa primeira etapa, houve autorização para R$ 10 milhões; numa segunda, outros R$ 12 milhões.

Dirceu disse, então, a Valério que Delúbio, quando negociava, o fazia em nome dele, Dirceu, e de Lula.

Advogado
Valério diz que é o PT que paga seus advogados. Esse depoimento, não custa lembrar, foi acompanhado por um deles, Marcelo Leonardo, que o defendeu no processo do mensalão no Supremo.

Leonardo assina a transcrição escrita da fala de Valério.

O partido já teria desembolsado até agora R$ 4 milhões nessa operação.

Ameaça de morte

VEJA já havia revelado que o interlocutor de Lula junto a Valério era Paulo Okamotto, aquele que, certa feita, afirmou ter pagado do próprio bolso um suposto empréstimo feito pelo chefe.

É uma alma generosa.

Okamotto é hoje presidente do Instituto Lula.

Segundo Valério, o petista lhe disse essas duas frases sem ambiguidades: “Tem gente no PT que acha que a gente deveria matar você” e “Você se comporta ou morre”.

Uma das reuniões em que se tratou desse assunto teria sido feita na casa de uma mulher chamada Adriana Cedrola, diretora de uma empresa de Okamotto.

Lula, Palocci e a Portugal Telecom

Lembram-se daquela ida de Marcos Valério a Portugal?

Pois é…

Já se sabe que foi àquele país em busca de dinheiro para alimentar o esquema.

Segundo Valério, Lula negociou pessoalmente a dinheirama ilegal com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom.

O ex-presidente e o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, combinaram que uma fornecedora da Portugal Telecom de Macau enviaria os recursos.

Eles chegaram ao PT por intermédio de outras agências de publicidade.

A essa altura, pode ter muito publicitário nervoso por aí, além de Valério.

Luiz Marinho e o BMG
Luiz Marinho, então chefão da CUT, intermediou as facilidades criadas para o banco BMG na concessão de empréstimos consignados.

Durante 90 dias, foi o único banco privado a operar na modalidade.

Em pouco tempo, o banco fez 1,4 milhão de operações, no valor total de R$ 3 bilhões.

Virou líder nessa modalidade e teve a carteira comprada, depois, pela Caixa Econômica Federal.

Segundo o STF, também seus empréstimos ao partido eram fraudulentos.

O caso está da Justiça Federal de Minas, e Lula ainda pode ser convocado a depor.

Se há lambança que traz ato de ofício assinadinho, é essa!

O caso Celso Daniel

Valério afirma que o empresário Ronan Maria Pinto cobrava R$ 6 milhões para não implicar Lula e Gilberto Carvalho no caso do assassinato do prefeito Celso Daniel.

Numa primeira reunião com Silvio Pereira, o publicitário disse que não se meteria no assunto.

Mesmo assim, fez-se uma segunda, no hotel Pullman, com as presenças de Valério, Ronan, Pereira e Breno Altman.

Não prosperou.

Quem acabou conseguindo o dinheiro foi o pecuarista José Carlos Bumlai, único brasileiro que podia entrar no Palácio quando quisesse e na hora que quisesse.

Bumlai teria acertado um empréstimo com o banco Schahin.

Humberto Costa
Valério diz que o esquema transferiu R$ 512.337,00 para a conta da campanha de Humberto Costa ao governo de Pernambuco, em 2002.

O dinheiro foi repassado para tesoureira de Costa, Eristela Feitoza, que coordenou a campanha do petista também neste ano.

Concluindo
Pois é…

Está tudo lá com o Ministério Público.

Okamotto não quis comentar.

Os demais negam envolvimento por meio de seus advogados ou diretamente.

A questão agora é apurar e cobrar mais detalhes.

É evidente que é o caso de considerar a hipótese de incluir Valério no programa de proteção a testemunhas desde que apresente informações consistentes.

Ao país, ele vale muito mais vivo do que morto.

Mas há certamente os que o prefeririam morto.

E esses, por óbvio, não pensam no país.

Tentam promover uma guerra suja de propaganda para livrar a própria pele.

11/12/2012

 

Lula teve despesas pagas pelo mensalão, diz Valério

Segundo jornal, empresário disse ao MP que fez depósitos para empresa do ex-assessor da Presidência, Freud Godoy.

Lula teria avalizado empréstimos do PT

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO - Lula e Valério: as revelações seriam uma tentativa de “golpe das elites” com a participação dos ministros do Supremo
Lula e Valério: novas revelações complicam ainda mais o ex-presidente
(Juliana Knobbel/Frame/Folhapress e Cristiano Mariz)

O empresário Marcos Valério, o operador financeiro do mensalão, afirmou em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República em 24 de setembro que dinheiro do esquema foi utilizado em 2003 para pagar despesas pessoais do então presidente Lula.

A revelação aparece em reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O depoimento foi dado após Valério ter sido condenado a mais de 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o jornal, Valério disse que os valores foram depositados na conta da empresa do ex-assessor da Presidência, Freud Godoy, conhecido como o "faz-tudo" de Lula na época – e ligado ao escândalo dos aloprados.

O empresário declarou ainda que o ex-presidente deu "ok" para o PT tomar empréstimos com os bancos BMG e Rural para pagar deputados da base aliada.

O aval teria sido dado em um reunião no Palácio do Planalto, que teve a presença do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, ambos também condenados pelo STF.

Na ocasião, Dirceu teria dito que Delúbio negociava em seu nome e no de Lula – o ex-ministro teria autorizado inicialmente pegar um empréstimo de 10 milhões de reais e, depois, mais 12 milhões.

Além disso, conforme a reportagem do jornal, Marcos Valério também afirma no depoimento que Lula e o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negociaram com a Portugal Telecom no Palácio do Planalto o repasse de 7 milhões de reais para o PT – dinheiro que, segundo Valério, foi recebido por suas empresas de publicidade.

Ele afirma ainda no relato ao Ministério Público que Paulo Okamotto, atual diretor do Instituto Lula e amigo próximo do ex-presidente, o ameaçou de morte pouco depois do escândalo do mensalão ter sido revelado pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, em 2005.

Segundo Valério, Okamotto o procurou por ordem de Lula.

Segredos
– Com a certeza de que iria para a cadeia, o empresário mineiro começou a revelar os segredos do mensalão em meados de setembro, como revelou VEJA.

Em troca de seu silêncio, Valério disse que recebeu garantias do PT de que sua punição seria amena.

Já sabendo que isso não se confirmaria no Supremo – que o condenou a mais de 40 anos por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro – e, afirmando temer por sua vida, ele declarou a interlocutores que Lula "comandava tudo" e era "o chefe" do esquema.
Pouco depois, o operador financeiro do mensalão enviou, por meio de seus advogados, um fax ao STF declarando que estava disposto a contar tudo o que sabe.

No início de novembro, nova reportagem de VEJA mostrou que o empresário depôs à Procuradoria-Geral da República na tentativa de obter um acordo de delação premiada – um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios.

Pela primeira vez, ele informou ter detalhes sobre outro caso escabroso envolvendo o PT: o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.
Valério disse que Lula e seu braço-direito, o atual secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime de Santo André, em especial o empresário Ronan Maria Pinto, apontado pelo Ministério Público como integrante de um esquema de cobrança de propina na prefeitura. Procurado por petistas para pagar o dinheiro da chantagem, Marcos Valério contou que recusou: "Nisso aí, eu não me meto", disse.

Segundo ele, quem acertou a questão foi um amigo de Lula, utilizando-se de um banco não citado no esquema do mensalão. Trata-se do pecuarista José Carlos Bumlai, que teria acertado um empréstimo com o banco Schahin.

Procurados por O Estado de S. Paulo, os advogados de José Dirceu e Antônio Palocci negaram a existência das reuniões no Planalto. Freud Godoy não se manifestou.

Em viagem à França, onde acompanha a presidente Dilma Rousseff, Lula evitou falar com a imprensa e, segundo o jornal, não foi encontrado para comentar as acusações.

Valério diz que pagou despesas pessoais de Lula, segundo jornal




FOLHA DE SÃO PAULO

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse, em depoimento prestado em 24 de setembro à Procuradoria-Geral da República, que o esquema do mensalão ajudou a bancar despesas pessoais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003. A informação é da edição desta terça-feira do jornal "O Estado de S. Paulo".

Segundo a reportagem, os recursos foram depositados na conta da empresa do ex-assessor da Presidência Freud Godoy.

Valério teria afirmado ainda que o ex-presidente deu "ok", em reunião no Planalto com a presença do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, para os empréstimos que serviriam de pagamentos a deputados da base aliada.

AMEAÇAS

No fim de setembro, o Supremo Tribunal Federal recebeu um fax, assinado pela defesa do empresário Marcos Valério, pedindo para ser ouvido e relatando correr risco de vida.

Ao receber o recado, o presidente da corte, ministro Carlos Ayres Britto, determinou sigilo e encaminhou o documento ao relator do caso, Joaquim Barbosa.

O STF confirmou ter recebido a mensagem, mas não divulgou o conteúdo, quem assinou, nem mesmo em que data a mensagem chegou.

Segundo a Folha apurou na ocasião, o texto do fax era curto, não contendo mais do que um parágrafo. Nele, o advogado de Valério sugeriria a possibilidade de uma delação premiada, mecanismo jurídico no qual alguém que é investigado pode se beneficiar colaborando com a Justiça.

DEPOIMENTO
Reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" do início de novembro já havia informado que Marcos Valério havia prestado depoimento ao Ministério Público Federal no fim de setembro e citado o ex-presidente Lula e o ex-ministro Antonio Palocci.

O depoimento feito por Valério foi mantido sob sigilo. Segundo o jornal, o empresário mencionou outras remessas de recursos para o exterior, além das que foram feitas para o publicitário Duda Mendonça, que trabalhou na campanha de Lula em 2002 e foi absolvido pelo Supremo no processo do mensalão.

Ainda segundo a reportagem, Valério afirmou que poderá dar mais informações sobre suas acusações se for incluído no programa de proteção à testemunha. O empresário alega ter sido ameaçado de morte.

Valério foi condenado no STF por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro. Suas penas do julgamento do mensalão somadas passam de 40 anos. Como a soma supera oito anos, o empresário deve cumprir parte da pena em regime fechado.

CASO CELSO DANIEL

Reportagem da revista "Veja" do início de novembro informa que Marcos Valério revelou em depoimento ao Ministério Público Federal ter detalhes envolvendo o PT no assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.

Segundo a reportagem, Valério disse que o ex-presidente Lula e o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime de Santo André.

Ronan Maria Pinto, que é apontado pelo Ministério Público como integrante de um esquema de cobrança de propina na prefeitura, seria um dos suspeitos de chantagear Lula e Carvalho.

A revista diz que Valério foi procurado por petistas para pagar o dinheiro da chantagem, mas que ele teria se recusado. Segundo ele, quem teria ficado com a missão seria um amigo pessoal de Lula, que utilizou um banco não citado no mensalão.

11.12. 2012
 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

E agora, Marco Maia? Os companheiros vão cercar o Supremo?


O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-SP) (Foto: Marcelo Mora/G1)
 
Por Reinaldo Azevedo

Marco Maia (PT-RS), na reta final de seu mandato como presidente da Casa, decidiu ver crise institucional onde não existe e, repetindo procedimento padrão dos petistas, achou que poderia intimidar o Supremo.

Anteviu que, se o tribunal decidisse contra a sua pretensão – segundo ele, mandatos só podem ser cassados pelas respectivas casas do Congresso –, haveria um choque de Poderes ou algo assim.

Pois é…

Então ele terá agora um choque.

E como vai administrar?

Pedirá a seus partidários que cerquem o Supremo?

Maia se esqueceu de que os Poderes, numa República, são independentes e harmônicos, mas quem tem a última palavra em matéria constitucional é o Supremo, não a Câmara dos deputados.

E era disto que se cuidava e se cuida: de interpretar a Constituição.

Sim, a Carta carrega ambiguidades no que diz respeito à cassação de mandatos, mas também apontava, como destaquei aqui, a solução.

E agora?

De que modo Maia pretende descumprir uma decisão do Supremo?
10/12/2012


Antes de ir para prisão, Dirceu não consegue mobilizar o PT



Por Jean-Philip Struck

VEJA.com

Atos em São Paulo e Curitiba foram marcados pela ausência de petistas de peso; ex-ministro pretende realizar encontros em outras duas cidade
Dirceu com seu filho durante ato contra a decisão do STF, em Curitiba
(Walter Alves/AGP/Folhapress)

Condenado a mais de dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por formação de quadrilha e corrupção ativa, o ex-ministro José Dirceu já conhece seu destino – e não se conforma. Antes de começar a cumprir sua pena, que deve ser iniciada em regime fechado, o petista tenta há semanas organizar eventos com militantes do partido em sua defesa.

Mas o que Dirceu não esperava era que seu prestígio estivesse tão baixo dentro da legenda onde construiu sua trajetória política e onde alcançou posto de líder influente.

Os três primeiros atos organizados até agora foram esvaziados e não produziram nenhum barulho.

O golpe de misericórdia veio na reunião do Diretório Nacional do PT na última sexta-feira, em Brasília.

Representando Dirceu, Serge Goulart, da tendência radical O Trabalho, apresentou uma moção sugerindo que o partido fosse às ruas para promover atos contra o STF e que não reconhecesse o julgamento do mensalão, segundo informou o jornal O Globo.

Porém, a proposta nem chegou a ser votada. A direção do PT não ousou dar início a um confronto com o órgão que encabeça um dos poderes da República - e também não quis submeter os mensaleiros a mais uma derrota pública.

Após o encontro, o partido divulgou uma nota, mas nenhuma linha fazia referência ao mensalão.

Os apoiadores de Dirceu tentaram reunir militantes em atos em São Paulo, Osasco (SP) e Curitiba.

Na próxima semana, deverão ser feitas novas tentativas em Guarulhos (SP) e Porto Alegre (a menos que a decisão do diretório nacional enterre de vez os planos de Dirceu).

Em Osasco, o anfitrião do encontro realizado em uma escola foi outro condenado no mensalão, o deputado João Paulo Cunha.

Ao grupo, também juntou-se o ex-presidente do PT José Genoino. Na plateia, entretanto, os políticos mais ilustres eram vereadores e prefeitos de pequenos municípios paulistas, como Bofete e Jaboticabal, além de representantes de partidos nanicos como o PSDC e PTN.

O presidente do PT, Rui Falcão, e os deputados Jilmar Tatto (PT-SP), líder do PT na Câmara, e Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo, que haviam sido inicialmente anunciados como participantes do evento, não foram. Ao explicar as ausências, os organizadores culparam o “trânsito de São Paulo".

O ex-chefe do PT e ex-homem forte do governo Lula, acostumado a agendas requisitadas e à tribuna da Câmara dos Deputados, teve dificuldade para reunir 150 pessoas em Curitiba, a maioria estudantes no último dia 3.

O organizador foi o deputado federal Zeca Dirceu (PT), seu filho. No Paraná, o partido conta com quadros nacionais, como o casal de ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e o deputado federal Dr. Rosinha.

Mas apenas o secretário nacional de comunicação do PT, o paranaense André Vargas, compareceu.

Em São Paulo, um novo encontro reuniu Dirceu e Genoino na sede do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, no dia 24.

A única cara conhecida na plateia era o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), e o encontro foi preenchido por militantes do Fórum do Diálogo Petista, criado por filiados de correntes consideradas radicais do PT.

No discurso, Dirceu repetiu a ladainha de que sua condenação foi um golpe da elite e da imprensa, falou em “martírio” e chegou a afirmar que só não foi “fuzilado porque num Estado democrático de Direito não há pena de morte”.

Suplicy afirma que participou do encontro esvaziado para ouvir Dirceu. “Eu conheço os três (Dirceu, Genoino e João Paulo Cunha) há 32 anos. Fui lá para ouvir, refletir. Fui para isso. Acho que é uma questão dolorosa. Sobre ausências eu prefiro só responder por mim. Cada um é cada um”, disse Suplicy.

São essas correntes petistas que têm pressionado o partido para que a direção nacional seja mais enérgica ao defender os réus. Dirigente da tendência O Trabalho, Markus Sokol disse em novembro que existe “insatisfação na base do partido” com a forma com que o partido tem lidado com o resultado do julgamento - tímida, na sua opinião.

“Se ficar sem resposta, outras organizações que incomodam a elite dominante não poderão se sentir garantidas”, disse o dirigente.

“Falta solidariedade no nosso partido. É na hora ruim que se conhece o companheiro. Eles [Dirceu, Genoino e Cunha] merecem mais do nosso carinho”, afirmou em Osasco o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), um dos petista que saiu em defesa do ex-ministro publicamente. A desculpa de petistas para não comparecer tem sido de que os atos não são eventos oficiais do partido e não contam com a chancela dos diretórios locais.

O PT fará de tudo para minimizar os danos do julgamento do mensalão. Tentará reescrever a história, afirmando que não se valeu de métodos criminosos para assegurar o poder.

Mas, no momento ao menos, não existe apoio irrestrito aos condenados pelo STF.

Se isso representará a derrocada definitiva de José Dirceu, uma das figuras mais poderosas do PT - e também do país, no início da década passada - é uma história a se acompanhar de perto.
09/12/2012

De fachada, literalmente




Por Lauro Jardim
Radar Online

Paulo Vieira era tão próximo de Rose Noronha que ele próprio foi o advogado do divórcio entre ela e o ex-marido, João Cláudio, em abril de 2010. O irmão de Paulo, Marcelo, foi testemunha. O divórcio foi registrado em Cruzeiro (SP), sabe-se lá porque.

A própria escritura diz que todos estavam “de passagem pela cidade”. Segundo o documento, o casal já estava separado de fato havia cinco anos.

Na partilha de bens, três imóveis: dois apartamentos – um em Santos e outro no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo — ficaram para ele. Outro, uma cobertura na Bela Vista, região da Avenida Paulista, ficou para Rose.

A propósito da cidade, as investigações da PF indicam também que parte do dinheiro movimentado pela quadrilha passava pelas contas da P1 Serviços Gerais, sediada em Cruzeiro.

Por ali, passaram pelo menos 140 000 reais em depósitos do advogado Marco Martorelli, contratado por Gilberto Miranda para ajudá-lo a transformar a ilha de Bagres, em Santos, em terminal portuário.




a sede da empresa

É literalmente uma empresa de fachada. No local, há apenas uma casa demolida, em que só resta a parede da frente.
9 de dezembro de 2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Ungido por Chávez, Maduro tem apoio restrito mesmo em seu partido


Ex-motorista de ônibus, o atual vice-presidente da Venezuela adotou sem restrições o discurso bolivariano e já incitou militares paraguaios a um levante.

Mas é tido como um moderado
Nicolás Maduro, vice-presidente da Venezuela
(Enrique Marcarian/Reuters)

Apontado pelo ditador da Venezuela, Hugo Chávez, como seu possível sucessor, o ministro das Relações Exteriores e vice-presidente venezuelano Nicolás Maduros Moros, 50 anos, é considerado um moderado.

Mas entenda-se: moderado para um chavista. Como chanceler, ele adotou ao pé da letra o discurso anti-imperialista do caudilho e agiu para expandir o raio de ação do bolivarianismo.

Em julho, por exemplo, Maduro foi flagrado em conversa com militares paraguaios em meio à crise que resultou na perda de mandato do presidente Fernando Lugo.

O encontro serviu para incitar os oficiais a resistir ao impeachment que estava em curso – um processo realizado de pleno acordo com a Constituição paraguaia.


Oposição ao golpe - Ex-motorista de ônibus em Caracas e líder sindical com formação em Cuba, Maduro já contrariou a vontade de seu atual padrinho. No início dos anos 1990, o atual vice venezuelano se opôs à tentativa de golpe liderada por Chávez contra o então presidente Carlos Andrés Pérez.

Mais tarde, após unir-se ao Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), criado por Chávez, Maduro contrariou novamente as pretensões do ditador: fez parte do grupo que defendia a abstenção da organização nas eleições presidenciais de 1998. Foi voto vencido.

Mas, considerado um “homem de partido”, Maduro aceitou a derrota e passou a trabalhar pela eleição de Chávez. E, de acordo com o jornal venezuelano El Universal, ganhou sua total confiança – e a presidência do então partido chavista, o Movimento da V Repúlica (MVR), hoje incorporado ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Ascensão foi rápida - A partir de então, sua ascensão foi rápida: tornou-se chefe do MVR no Congresso, presidente da Comissão de Cidadania da Assembleia Nacional Constituinte e, em 2005, foi nomeado presidente da Assembleia Nacional.

No ano seguinte, foi nomeado chanceler, com a missão de tornar o serviço exterior mais comprometido com o chavismo. Em outubro passado, logo após a terceira reeleição de Chávez, o caudilho apontou Maduro como vice-presidente, sem tirá-lo do Ministério das Relações Exteriores.

Na Venezuela, é o chefe de estado quem aponta o vice. O artigo 233 da Constituição indica que, em caso de falta absoluta do presidente eleito antes de tomar posse ou nos quatro primeiros anos de seu mandato, deve ser realizada uma nova eleição, direta e secreta, dentro de 30 dias.

“Minha opinião firme, plena como a lua cheia, irrevogável e absoluta, é que, nesse cenário que obrigaria a convocar eleições presidenciais, vocês elejam Nicolás Maduro como presidente”, disse Chávez neste sábado, ao anunciar na TV o retorno de seu câncer.


Chavismo em crise - A vontade do ditador, porém, não parece ser algo tão simples de concretizar. A vitória do caudilho foi apertada no último pleito.

E o fato de Chávez ter sempre trabalhado mais para se perpetuar no poder do que para construir um sucessor pode cobrar seu preço.


"Todos os potenciais sucessores de Chávez são pessoas que costumam polarizar, que possuem uma personalidade de confronto", disse Michael Shifter, presidente de uma organização de estudos interamericanos com sede em Washington, em entrevista à rede CNN no início deste ano.

"Eles são leais a Chávez, mas não têm a mesma capacidade de se conectar com a maioria dos venezuelanos".


As pesquisas indicaram ainda que, embora Chávez tenha forte apoio de seus partidários, outros nomes não gozam do mesmo prestígio.

Uma pesquisa feita em fevereiro pela empresa Datanálisis mostrou Maduro com o apoio de apenas 9,8% dos militantes do PSUV, indicou neste domingo a rede CNN.
09.12.2012

PF indicia Rose por formação de quadrilha em esquema de venda de parecer



Rose Noronha já havia sido indiciada por tráfico de influência e corrupção passiva




Segundo a ‘Veja’, Rose (de chapéu) com Dirceu e a namorada na Bahia.
Foto: Edson Ruiz / Estadão Conteúdo

Decisão é tomada após análise de documentos apreendidos no escritório da Presidência em SP durante Operação Porto Seguro; também alvo, diretor da Antaq pede demissão

Fausto Macedo
O Estado de S.Paulo

A Polícia Federal decidiu indiciar Rosemary Noronha também pela suspeita do crime de formação de quadrilha.

A ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, nomeada para o cargo ainda no governo Luiz Inácio Lula da Silva, já era investigada por tráfico de influência, falsidade ideológica e corrupção passiva.

Segundo a Operação Porto Seguro, da PF, ela integrava um esquema de venda de pareceres técnicos de órgãos públicos para empresas privadas.

O delegado federal Ricardo Hiroshi decidiu incluir o nome de Rose na lista de suspeitos de formação de quadrilha após analisar a documentação apreendida no escritório da Presidência em São Paulo no dia em que a operação foi deflagrada, há duas semanas.

E-mails da ex-assessora também ajudaram os investigadores a firmar convicção de que ela mantinha "uma relação estável" com outros integrantes do grupo, comandado, segundo a Polícia Federal, pelo ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Vieira.
Nesta semana, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, esteve no Congresso para dar explicações sobre a operação. Afirmou aos parlamentares que não havia "uma quadrilha instalada no seio da Presidência", justamente pelo fato de Rose não ter sido acusada de integrar o núcleo central do grupo suspeito.

Demissão. Suspeito de ter beneficiado a empresa Tecondi, reconhecendo a ela o direito de explorar um terminal de contêineres no Porto de Santos, o diretor-presidente da Agência de Transportes Aquaviários (Antaq), Tiago Pereira Lima, pediu demissão ontem.

Ele também foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de integrar a quadrilha de venda de pareceres de órgãos públicos a empresas privadas.

Lima encaminhou sua carta ao Planalto pedindo seu afastamento, mas ela foi direcionada à Secretaria dos Portos.

Com a publicação da regulamentação do setor portuário, a Antaq passa a ser vinculada ao ministro Leônidas Cristino, que acolheu imediatamente o pedido de demissão.

O ex-diretor da Antaq tem ligações com Paulo Vieira, apontado como chefe do grupo suspeito.

/ COLABOROU TÂNIA MONTEIRO


8.12.2012