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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Destemperança verborrágica de Lula confirma o delicado momento enfrentado pelo PT

Fim de linha

Por admin
Ucho.info

Não faz muito tempo, logo no começo do período eleitoral, o abusado Luiz Inácio da Silva disse que, se preciso fosse, morderia a canela dos adversários para fazer do “lulodependente” Fernando Haddad o próximo prefeito da capital paulista.

É óbvio que Lula não chegará às vais de fato, mas no sentido figurado esse ataque ganhou força nos últimos dias.

No último sábado (29), durante comício na Zona Lesta da cidade de São Paulo, Lula, ao lado de um inerte Haddad, disse que o tucano José Serra deveria se aposentar e não concorrer à prefeitura paulistana.

“Serra está usando São Paulo como cabide de emprego. Ele devia requerer a aposentadoria, não a Prefeitura”.

Responsável pelo período mais corrupto da história nacional, Lula não tem moral para atacar qualquer um, sob pena de aumentar ainda mais o descrédito que ora o emoldura. Apenas a sua claque, sempre disposta a ser enganada, é capaz de acreditar em palavras tão falaciosas.

Lula apela à ousadia ao falar em “cabide emprego”, pois é sabido que o governo do PT aparelhou a máquina federal de forma escandalosa, a ponto de um candidato oposicionista, se eleito presidente, precisar de pelo menos dois anos para promover uma assepsia e mandar de volta para casa a horda de apaniguados do PT palaciano.

Mas a insensatez de Lula, que sempre aflora de forma violenta no período eleitoral, foi maior na última sexta-feira (28), quando o ex-metalúrgico esteve em Campinas, no interior de São Paulo, para reforçar a campanha do companheiro Mário Pochmann, candidato do PT à prefeitura local.

Sobre um carro de som que foi transformado em palanque, Lula voltou a atacar o PSDB e disparou: “Essa cidade que sempre votou contra tucano, sabe que tucano é um bicho político predador”.
Como sempre destaca o ucho.info, política não é uma reunião de inocentes e bondosos monges tibetanos, mas se predadores implacáveis existem nesse meio, o topo da cadeia é dominado por petista.

O abuso de Lula é tamanho, que tal declaração se deu no vácuo do julgamento do Mensalão do PT (Ação Penal 470), cujas condenações já começam a preocupar os réus e a movimentar o mundo jurídico.

Ou seja, o Supremo Tribunal Federal tem provado seguidas vezes que o PT é o mais predador dos animais políticos do País, pois desviou dinheiro público para financiar o maior escândalo de corrupção que se tem notícia no Brasil.

Entre o teatro que Lula faz sobre os palanques, diante de câmeras e microfones, e a realidade que tem vivido na intimidade há uma enorme e conceitual distância.

De acordo com o que apurou o ucho.info, o ex-presidente, quando está entre familiares e poucos amigos, tem se queixado, com o direito a choramingo, do caminho pelo qual enveredou o julgamento no Supremo.

Até a primeira condenação ser confirmada. Lula ainda acreditava que a quadrilha do mensalão poderia sair ilesa.

Se ele próprio não se cuidar, evitando declarações desconexas com a realidade, poderá acabar no banco dos réus, pois por dever de ofício o Ministério Público Federal investigará as denúncias feitas por Marcos Valério.
01/10/2012


Supremo começa nesta semana a definir futuro de Dirceu



Tarja - Julgamento do Mensalão
Justiça
Corte vai encerrar nesta segunda capítulo que trata da venda de apoio político ao PT. Sessão deve confirmar condenação de Pedro Henry e Emerson Palmieri

Gabriel Castro

Ministro Ayres Brito do Supremo Tribunal Federal (STF) durante sessão do julgamento do mensalão, em 27/09/2012 - STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve concluir nesta segunda-feira a análise de mais um trecho do processo do mensalão: o que trata da venda de apoio político por parlamentares do PP, PTB, PMDB e do antigo PL, hoje PR, durante o primeiro mandado do governo Lula. Ao longo da semana, os ministros darão início às decisões sobre José Dirceu, apontado pelo Ministério Público como chefe da quadrilha, José Genoino e Delúbio Soares.

A corte já condenou por corrupção passiva o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e os ex-deputados Bispo Rodrigues (ex-PL), Roberto Jefferson (PTB), Romeu Queiroz (PTB), José Borba (PMDB) e Pedro Corrêa (PP). Se mantiver a tendência das sessões iniciais, os ministros também devem confirmar as condenações do deputado Pedro Henry (PP-MT) e de Emerson Palmieri, ex-tesoureiro do PTB.

Os réus ainda podem ser condenados por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, o que aumentaria as penas a cumprir.

O primeiro a votar nesta segunda-feira deve ser o ministro Dias Toffoli, que não concluiu a apresentação de seu voto na quinta-feira. Depois dele, usarão a palavra os ministros Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto. Concluída essa fase do processo, o STF passará a analisar as acusações de corrupção ativa - entre os réus deste trecho da acusação estão Dirceu, Genoino e Delúbio.
01/10/2012

Relator do mensalão condena 12 réus por corrupção no Congresso



Joaquim Barbosa considerou culpados políticos ligados ao PL, PP, PMDB e PTB, além de donos de uma corretora

                                                                        REDAÇÃO ÉPOCA
Joaquim Barbosa diz que o ex-deputado do PTB usou mecanismos de lavagem oferecidos pelo núcleo político do mensalão (Foto:  Fellipe Sampaio/SCO/STF)

O
ministro Joaquim Barbosa, relator do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), votou pela condenção do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB). Atual presidente do PTB, ele foi o responsável por denunciar o esquema de compra de votos no Congresso em 2005. Além dele, outros 11 réus foram condenados hoje. Eles são ligados ao PP, PTB, PMDB, PL (atual PR) e à corretora Bônus Banval. 


O ministro concluiu hoje o voto que começou a ler na última segunda-feira (17), sobre o item da denúncia do Ministério Público que trata da corrupção da base aliada do governo Lula no Congresso.

Barbosa falou sobre a tese de alguns dos advogados da defesa, de que o dinheiro recebido por parlamentares foi usado para caixa dois, e não para compra de apoio. Para o ministro, mesmo assim, está configurada a corrupção passiva.

Barbosa defendeu a tese de que houve, de fato, a compra de votos, porque os repasses de recursos foram feitos, por meio das empresas de Marcos Valério, antes de votações importantes no Congresso.
“O que houve foi a compra de parlamentares para consolidar a base de apoio ao governo." 


O relator disse que “os parlamentares acusados [nesse item] utilizaram de seus cargos para solicitar vantagem indevida aos réus ligados ao PT, e utilizaram essa vantagem em diversas finalidades".
 

Durante o voto, o ministro chegou a citar um depoimento da presidente Dilma Rousseff, tomado em 2009, quando ela era ministra-chefe da Casa Civil, sobre rapidez na aprovação do marco regulatório do setor energético. "Disse que se surpreende, vendo com os olhos de hoje, a rapidez da aprovação desse projeto.”


Réus do PTB
Ontem, Barbosa já havia considerado Jefferson culpado por corrupção passiva. Na sessão desta quinta-feira (20), o relator afirmou que ele "utilizou mecanismos de lavagem oferecidos pelos núcleos publicitário e financeiro do esquema". 
Em nome do PTB, Jefferson recebeu R$ 4 milhões em espécie em duas parcelas do grupo do publicitário Marcos Valério. Para o ministro, receber o dinheiro dessa maneira mostra a tentativa de ocultar a origem dos recursos.
Do partido, também foram condenados o ex-deputado Romeu Queiroz e o ex-primeiro-secretário Emerson Palmieri. Este último foi considerado culpado de uma acusação de corrupção passiva, e absolvido de outra. Foi condenado por uma lavagem de dinheiro, e absolvido de outra.


Réu do PMDB
O ex-deputado do PMDB José Borba foi condenado por dois crimes. Segundo o Ministério Público (MP), ele recebeu recursos do PT em troca de apoio ao governo Lula. Para Barbosa, o ex-deputado é culpado por corrupção passiva, por ter recebido recursos antes da votação da reforma tributária no Congresso. 

A denúncia do MP diz que Borba sacou R$ 200 mil em uma agência do Banco Rural. No ato, ele chegou a se identificar com a carteira parlamentar. O ministro disse ainda que há provas de que Borba tenha cometido lavagem de dinheiro. "[Ele] tinha conhecimento da origem ilícita do dinheiro, tendo em vista a própria sistemática do repasse."


Réus do PP
Os réus ligados ao PP, o ex-deputado e ex-presidente do partido Pedro Corrêa, o deputado Pedro Henry e João Cláudio Genú, ex-assessor de José Janene, morto em 2010, foram condenados pelo relator por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ministro disse que partido recebeu R$ 4,1 milhões do grupo de Valério. 
Para o relator, o crime de lavagem ficou comprovado, já que os beneficários dos pagamentos de Valério indicavam terceiros para receber os valores. O objetivo era ocultar a origem e a movimentação do dinheiro. "Ninguém precisava se apresentar, o dinheiro era entregue em casa."


Réus do PL
Do PL, foram condenados os ex-deputados Valdemar Costa Neto e Bispo Rodrigues, além do ex-tesoureiro do partido Jacinto Lamas. Segundo o ministro, a fidelidade do PL na época não estava assegurada ao PT. O ministro ressaltou a coincidência de datas - os repasses feitos pelas empresas de Marcos Valério aos parlamentares do PL correspondiam a datas de votações importantes na Câmara dos Deputados, como a reforma da Previdência. Valdemar Costa Neto recebeu recursos de origem criminosa por dois anos, somando mais de R$ 10 milhões, e o Bispo Rodrigues, R$ 400 mil. Os três foram condenados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Costa Neto e Lamas também foram considerados culpados por formação de quadrilha.

 

Réus da Bônus Banval
Os sócios da corretora Bônus Banval, Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg, foram condenados pelo relator pela prática de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Segundo o ministro, a empresa era usada pelo grupo de Marcos Valério para pulverizar dinheiro a parlamentares, ocultando sua origem antes dos repasses. 


21/09/2012


domingo, 30 de setembro de 2012

Lula oscila da patrulha à picaretagem ideológica







Só há uma coisa pior do que a patrulha ideológica. É a picaretagem ideológica.

Versátil, Lula consegue envergar os dois figurinos. Em setembro de 2010, num comício em Joinville (SC), disse que o DEM deveria ser “extirpado” da política brasileira.

Há nove dias, num palanque de Salvador (BA) desancou ACM Neto, candidato a prefeito e líder do DEM na Câmara. De repente…

Velho amigo de Lula, o petista Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo (SP) e candidato à reeleicão, compôs uma coligação de 17 partidos. Entre eles –surpresa (!)— o DEM.

Na noite deste sábado (22), Lula escalou o palanque de Marinho. Ao discursar –espanto (!!)— defendeu a presença dos ‘demos’ na caravana do cupincha. Rogou à militância que não hostilize os neoaliados:

“O prefeito tem que fazer as alianças necessárias para que ele possa ter um conjunto de partidos políticos, um conjunto de candidatos a vereadores que possam garantir a vitória”, ensinou.

“Por isso quero agradecer aos partidos que estão apoiando o Marinho, independentemente da divergência no âmbito estadual e federal.

[…] Quem está apoiando o Marinho é aliado e quem não está é adversário.”

Aos amigos tudo, inclusive o apoio do DEM. Ou o suporte do ex-adversário Paulo Maluf, hoje um feliz aliado do petista Fernando Haddad em São Paulo. Aos inimigos, a ira.

Na pajelança de São Bernardo –esputefação (!!!)— Lula açulou a plateia de militantes: “Nós temos que tirar a faixa daqueles que não estão apoiando o Marinho.”

Retorne-se, por oportuno, ao início: numa época em que a presidência de Lula provou que esquerda e direita significam qualquer coisa, a patrulha ideológica é muito ruim. Mas a picaretagem ideológica é bem pior.
23/09/2012

A implosão do Mito Lula terá resultado imediato?




Por Jorge Serrão


O mito Luiz Inácio Lula da Silva vive um momento terrível de desconstrução. Nunca antes na história deste país um ídolo político foi tão atacado como chefe de uma quadrilha prestes a ser condenada, com seus principais operadores já pressentindo o amargo desgosto do cárcere. O nível altíssimo de angústia e tensão, fatalmente, afeta seu humor, estado de espírito e, por consequência, a saúde – que inspira cuidados. Pior que isto só o estrago da imagem santificada por anos de marketagem.

O jogo de poder é cruel para gente como $talinácio. Nos esquemas de colonização globalitários, ao qual o Brasil é historicamente submetido, o suposto rei que perde o poder também fica, automaticamente, sem a majestade. Lula tornou-se mais um objeto descartável pela oligarquia financeira transnacional que controla os negócios mundiais – do capitalismo ou do capimunismo. Tornou-se cabra marcado para cair no ostracismo da História. A dúvida é se tal estrago será imediato ou apenas no longo prazo.

Enquanto servia diretamente como fantoche aos esquenas, globalitários foi poupado de todos os (poucos) ataques que sofreu. Agora, sem a caneta do Diário Oficial da União, é como uma fada que teve roubada a varinha de condão. A capacidade de mistificar foi radicalmente diminuída. Assim, o mítico herói tupiniquim começa a ser submetido a um processo de desconstrução da imagem que pode lhe ser fatal. Nem Getúlio Vargas tomou tanta pancada quanto Lula deve tomar.

Por ironia do destino, Lula sentiu que não é imune ao poder de destruição de um câncer. A Justiça divina o poupou. Mas, a partir de agora, o então poderoso chefão dos petistas também constata que não é mais imune ao rigor seletivo da Justiça dos homens. Como não tem mais o escudo do foro privilegiado do cargo de Presidente da República – agora sendo apenas um cidadão como outro qualquer – responde por tudo em que for denunciado na justiça comum – a mesma que costuma ser muito injusta com a maioria dos reles mortais.

O momento de terror vivido por Lula tem seu ponto evidente no julgamento do mensalão – que ele fez de tudo, nos bastidores, para tentar protelar. Agora, o recado dado por Marcos Valério – que o confirma como verdadeiro chefe dos “mensaleiros” – transforma um líder político bionicamente fabricado pelos esquemas globalitários em um mero chefete de uma quadrilha que vem assaltando o Brasil.

Alem do mensalão – e diretamente relacionado com tal escândalo que caiu na boca do povão, graças à exposição midiática do julgamento no Supremno Tribunal Federal -, Lula agora vira alvo de pequenos ataques que podem ser fatais. É o caso da “maldição dos velhinhos endividados”.

Lula é alvo direto de um processo por improbidade administrativa. Motivo: o Ministério Público Federal o acusa de um prejuízo de R$ 10 milhões aos cofres públicos, por buscar autopromoção, fazer publicidade pessoal e favorecer o Banco BMG, ao enviar a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social uma cartinha por ele assinada com informações sobre o programa de crédito consignado do governo federal – que se transformou em um inferno de dívidas para os idosos e seus familiares.

Uma ação de improbidade sobre o envio das cartas aos idosos tem conteúdo semelhante a um inquérito sigiloso em tramitação no Supremo Tribunal Federal. O caso foi aberto a partir da denúncia principal do mensalão. O inquérito apura “fatos relacionados às irregularidades no convênio firmado entre o Banco BMG e o INSS/Dataprev para a operacionalização de crédito consignado a beneficiários e pensionistas”. Por mera coincidência, dirigentes do BMG aparecem como réus no processo do mensalão.

Se o caso for denunciado pelo procurador-geral da República – que até agora se omite sobre um assunto de tamanha gravidade política e econômica -, e Lula acabar condenado terá de se aposentar politicamente. A pena fatal para ele é a perda dos direitos políticos por até dez anos – prevista na Lei de Improbidade Administrativa. Para um político, tal penalidade é muito pior que vários anos de prisão (que geralmente ajudam a transformar o condenado em coitadinho, contribuindo para a construção do mito político).

Sorte que Lula – ao contrário do velhinhos que ajudou a se endividarem - já é um aposentado de primeira linha. O chefão do PT não precisa pedir empréstimo consignado para sobreviver. Lula vive como rei graças à tríplice-aposentadoria. Recebe aposentadoria por invalidez do INSS, ganha outra aposentadoriado governo como anistiado político (por 11 dias que o amigo Romeu Tuma manteve o sindicalista com codinome “Boi” na cadeia, durante as famosas greves do ABC), além de mais uma aposentadoria a que tem direito como ex-Presidente da República.

O tríplice-aposentado Lula sabe que a coisa está preta. E não é só por causa do Joaquim Barbosa – que ele nomeou para o STF apenas para fazer média com a “comunidade negra”. O jogo político empretejou para Lula, simplesmente, porque é fatal para quem não dita mais as regras do poder. O Cabo da faxina de um quartel tem mais poder que um ex-Presidente da República.

Lula ainda posa de herói entre os ignorantes beneficiados por seus clientelistas esquemas de bolsas de compensação de renda. Ou entre aqueles que foram levados a acreditar no milagre do operário que chegou ao topo da fábrica Brasil. Para o segmento esclarecido de brasileiros, Lula é mais nada. Sobrevive da autoidolatria. Se perdê-la, já era. E os novos ataques que sofrerá vão se intensificar.

O vácuo de poder está se abrindo. Se Lula for obrigado, por qualquer motivo, a sair de cena, a autofagia do PT vai se tornar evidente. A disputa interna pelo poder no partido – para gerir a aparelhagem pública de que a petralhada se apossou – tende a provocar grandes baixas. Quem assumirá a hegemonia numa fase Pós-Lula?

Por tanto desgaste à vista, só uma providencial morte súbita poderá preservar o que ainda resta da imagem política de Lula. Os diamantes são eternos. Os políticos, não! Pelo menos o grande líder ainda tem uma esperança. Como tem acontecido até agora, nada deve colar nele. Até quando isso vai durar talvez só Deus saiba... O vácuo de poder está se abrindo e vai se concretizar...

Talvez por isso Lula até alimente uma certeza meio fantasiosa e bem típica de um mito providencialmente fabricado pela maquiavelagem de um pseudo-gênio Golbery do Couto e Silva. No juízo final, Lula deve acreditar que vai mesmo para o Céu... Pode ser... Afinal, não dizem que o Diabo odeia concorrentes de peso em seus domínios infernais...


19 de setembro de 2012


Eu vi nascer o Mensalão




Por Sebastião Nery
Tribuna da Imprensa


Tarde de sábado do começo de 2003 no restaurante Piantella, o melhor de Brasília. Lula havia ganho as eleições presidenciais de 2002 contra José Serra e estava em Porto Alegre, com José Dirceu e a cúpula do PT, discutindo com o PT gaúcho a formação do novo governo.

Como fazíamos quase todas as tardes de sextas e sábados, um grupo de jornalistas almoçávamos a um canto, conversando sobre política e o pais. De repente, entram nervosos, aflitos, os deputados Moreira Franco, Gedel Vieira Lima, Henrique Alves, da direção nacional do PMDB, e começam a discutir baixinho, quase cochichando. Em poucos instantes, chega o deputado Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Nem almoçaram. Beberam pouca coisa, deram telefonemas, saíram rápido.

Nada falaram. Acontecera alguma coisa grave. Deviam voltar logo.

Só um voltou e contou a bomba política do fim de semana. Antes de viajar para o Rio Grande do Sul, Lula encarregara José Dirceu, coordenador da equipe de transição e já convidado para Chefe da Casa Civil, de negociar com o PMDB o apoio a seu governo, em troca dos ministérios de Minas e Energia, Justiça e Previdência, que seriam entregues a senadores e deputados indicados pelo partido.

Lula já havia dito ao PT que eles não podiam esquecer a lição da derrubada de Collor pelo impeachment, que o senador Amir Lando, do PMDB de Rondonia, relator da CPI de PC Farias, havia definido como uma “quartelada parlamentar”. No Brasil, para governar era preciso ter sempre maioria no Congresso. O PT tinha que fazer as concessões necessárias.



O primeiro a ser chamado foi o PMDB, o maior partido da Câmara e do Senado. Lula mandou José Dirceu acertar com o PMDB. Combinaram os três ministérios e ficaram todos felizes. Em Porto Alegre, na primeira noite, Lula encontrou a gula voraz do PT gaúcho, que exigia os ministérios de Minas e Energia, da Justiça e da Previdência. Lula cedeu. Chamou Dirceu e deu ordem para desmanchar o acordo com o PMDB.

Dirceu perguntou como iriam conseguir maioria no Congresso.

- Compra os pequenos partidos, disse Lula a Dirceu. – Fica mais barato.

Dilma virou ministra de Minas e Energia, Tarso Genro da Justiça e Olivio Dutra das Cidades. E assim nasceu o Mensalão.



O advogado do ex-deputado Roberto Jefferson, o brilhante Luiz Francisco Correa Barboza, disse ao Globo:

-“Não só Lula sabia do Mensalão como ordenou toda essa lambança. Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora”.

No dia 12 de agosto de 2005, em um pronunciamento, pela TV, a todo o povo brasileiro, Lula pediu “desculpas pelo escândalo”.

Lula é um “cappo”. Os companheiros do partido e governo no banco dos réus e ele, só ele, de fora. Logo ele que é o grande réu, “o réu”.

Dirceu, Roberto Jeferson, Genoino, Delúbio, Silvinho, Marcos Valério, Gushiken, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto, Professor Luizinho, a malta toda, como disse o Procurador Geral da República, era uma “organização criminosa”, uma “quadrilha” chefiada pelo Dirceu. Mas sob o comando do chefão, Lula.

Quem tinha de estar no banco da frente era ele, “o réu”.

Desde 2003, todo ano relembro essa historia. Lula começou dizendo que “não sabia de nada”. Depois, passou para : “Fui traído pelas costas”. E, finalmente, a tese oficial dele e do PT : – “O Mensalão foi uma farsa”.

E Lula arranja ajudantes na desfaçatez para agredir o Supremo. Um gaúcho baixotinho, que ninguém sabe quem era e de onde veio e virou presidente da Câmara dos Deputados, esta semana cuspiu no Supremo:

- “O Mensalão é uma falácia”.

Ele não sabe o que é falácia. Mas cadeia ele sabe. Quando for visitar Dirceu, Genoino, Valério, seus companheiros, na cadeia, vai aprender.
Sebastião Nery é Jornalista
sebastiaonery@ig.com.br.

26 de setembro de 2012



Lula está definhando?



Imagem: Abobado

Editorial

O Estado de S.Paulo 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu de ajudar os candidatos do PT em dificuldades no Nordeste e vai priorizar a campanha de Fernando Haddad em São Paulo. Oficialmente, os petistas dizem que não haveria tempo para cumprir toda a agenda prevista.

Mas o que fica claro é que, para Lula, a eleição em diversas capitais nordestinas já está perdida, e agora ele tenta socorrer Haddad, o candidato que ele inventou, como último recurso para salvar sua reputação de kingmaker.

Trata-se de um cenário constrangedor para quem já foi classificado como "deus", pela ministra da Cultura, Marta Suplicy.

Antes do início da atual campanha, a maioria dos petistas estava segura de que, uma vez recuperado do câncer, Lula subiria nos palanques Brasil afora e, com seu toque mágico, transformaria qualquer um em prefeito.

Com essa pretensão, corroborada por astronômicos índices de popularidade, Lula atribuiu-se o direito de impor suas vontades ao PT e aos aliados, incluindo-se aí tirar candidatos do bolso do colete e forjar alianças que superam os limites da decência, como a que resultou no aperto de mão entre o petista e Paulo Maluf e na coligação, em Belo Horizonte, com o notório Newton Cardoso (PMDB).

Diante dos tropeços do lulopetismo, no entanto, até "Newtão" viu-se à vontade para criticar o partido do ex-presidente, em entrevista a O Globo (28/9): "O Lula e o PT perderam o discurso, não têm mais aquela coisa do apelo do partido novo, da ética, da moral. O PT está sendo um parceiro pesado para carregar".

O caso mais emblemático dos problemas do PT é o do Recife, onde o senador Humberto Costa começou a campanha com cerca de 40% das intenções de voto e definhou até os 16%. Costa foi uma imposição de Lula, contrariando o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB – partido da base da presidente Dilma Rousseff.

Como resposta, Campos lançou como candidato Geraldo Júlio, que logo ganhou o apoio de um dos maiores desafetos de Lula, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), cujas desavenças com Campos foram superadas em nome do objetivo comum de derrotar o PT.

Em carta aberta contra Humberto Costa, petistas pernambucanos criticaram a "política do personalismo" e advertiram: "O PT apequena-se perante a sociedade, utilizando práticas que sempre condenou e das quais foi vítima".

A turbulência não se limita ao Nordeste. Há também derrota à vista em Belo Horizonte, onde, segundo aliados peemedebistas, o petista Patrus Ananias – candidato indicado por Dilma e chancelado por Lula – está abandonado e há petistas trabalhando "por debaixo dos panos" em favor da candidatura à reeleição de Marcio Lacerda, do PSB, de olho nas eleições de 2014 para o governo do Estado.

Já em São Paulo, onde Lula pretende centrar seus esforços, a situação é ainda pior. A imposição de Haddad como candidato melindrou Marta Suplicy, que só entrou na campanha porque ganhou um Ministério vistoso no governo federal.

Além disso, a aliança com Maluf causou uma ruidosa crise com a ex-prefeita e aliada Luiza Erundina (PSB). Ambas, Marta e Erundina, têm eleitores cativos na periferia de São Paulo, justamente onde Haddad está penando obter apoio.

O esfarelamento petista nas eleições municipais, resultante da mão pesada de Lula, é o efeito colateral do projeto de salvar a imagem do ex-presidente, ameaçada pelos efeitos históricos do julgamento do mensalão e pelo desmonte paulatino, por parte de Dilma, de seu legado de incompetência administrativa e de corrupção.

Embora empenhada em defender o que chamou de "herança bendita", a presidente mantém distância prudente da refrega eleitoral na qual seu criador está mergulhado e empresta seu peso aos candidatos lulistas de maneira apenas protocolar. Realista, ela acredita que, se Haddad chegar ao segundo turno, já terá sido uma vitória.

"O Lula está definhando", sentenciou Jarbas Vasconcelos. Pode ser um exagero, próprio da retórica de palanque.

Mas parece cada vez mais evidente que, ao contrário do que se gabavam o ex-presidente e seus seguidores, Lula não é onipotente.

Lula, o nosso Maomé frustrado, não reconhece o poder do Supremo, a legitimidade da oposição e a autoridade do povo






Por Reinaldo Azevedo

Luiz Inácio Inconformado da Silva não está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal, embora, a meu juízo, devesse.

Supor que a quadrilha do mensalão tenha se reunido naquela orgia de corruptos ativos e passivos, no embalo de peculatos e gestão fraudulenta, sem a sua anuência vai além da ingenuidade, não é?

Trata-se mesmo de uma forma de cretinice.

A Procuradoria-Geral da República, de todo modo, diz não ter conseguido reunir indícios suficientes para denunciá-lo.

Nas conversas que mantém com interlocutores, reveladas por VEJA, Marcos Valério diz o que a todos parece óbvio: “Lula era o chefe”.

É bem verdade que há outros inquéritos que investigam outras franjas do mensalão — inclusive aquele que diz respeito ao BMG e que corre na Justiça Federal de Minas.

Nunca é tarde para chegar ao Babalorixá de Banânia. Naquele caso, as pegadas de Lula parecem muito claras.


O Apedeuta resiste, para usar palavra de sua predileção sobre si mesmo, a “desencarnar”.
E agora, na sua compreensão sempre perturbada da democracia — espero que aquele rapaz que resenhou meu livro, o tal Bernardo Mello Franco, não se abespinhe por eu estar “atacando” Lula —, resolveu que existe uma contradição inelutável entre o “STF” e o “povo”.

Um estaria de um lado, e o outro, de outro!!!

Na coluna Holofote da VEJA desta semana, lemos a seguinte nota:

“’Eu não vou deixar que o último capítulo de minha biografia seja escrito pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Quem vai escrevê-lo é o povo’.

Foi com essa frase que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou um almoço com um ex-ministro há duas semanas.

Lula não aceita a interpretação corrente de que a condenação dos mensaleiros e o fracasso do PT nas eleições representarão o fim de sua carreira política.

O interlocutor ficou em dúvida se ele pretende voltar às urnas em 2014 ou se liderará uma campanha para tentar reverter a condenação dos mensaleiros.”



Voltei


As dúvidas desse interlocutor não fazem sentido político e jurídico.

Comecemos por este último: a decisão do STF é irrecorrível.

Os “embargos infringentes” estão mais para “embargos auriculares”, que se fazem só nas orelhas do interlocutor.

A maioria dos réus, até agora, está condenada por placar expressivo.

Há casos de 11 a zero, 10 a zero (depois da saída de Cezar Peluzo), 10 a 1, 9 a 2…

O que Lula pretende fazer?

Mandar os bate-paus do petismo cercar o Supremo de tacape na mão?

É retórica balofa para realidade frouxa, oca.


No que concerne à política, qual a saída?

Dar um pé em Dilma e tomar o lugar dela como candidata natural à reeleição?

No petismo, atenção!, há entusiastas de sua candidatura ao governo de São Paulo.

É… Talvez pudesse tentar.

Não custa lembrar que este senhor perdeu todas as disputas se considerarmos só o eleitorado do Estado.

Se dependesse só de São Paulo, ele e Dilma nunca teriam sido eleitos presidentes da República.

Luiz Inácio Faroleiro da Silva pode correr esse risco?

Muitos ficarão francamente melados de emoção.

Se der certo, bem…

Se não der, será um enterro político sem glórias.


O desempenho vexaminoso do PT nas capitais — e tudo indica que o resultado será muito ruim nacionalmente — demonstra que seus poderes mágicos eram frutos da mística e da mistificação.

Não!

O eleitorado não faz o que Lula manda.

E ponto!

Se Fernando Haddad passar para o segundo turno em São Paulo, o projeto do chefão manco do PT ganha sobrevida porque é bem provável que Russomanno não tenha fôlego para a segunda rodada.

Se não passar, os tais coelhos que ele prometeu assar quando se tornasse ex-presidente o aguardam…


Lula está desesperado.

Ontem, os petistas fizeram dois comícios na Zona Leste da cidade. O Apedeuta, que disputou uma vez o governo de São Paulo e cinco vezes a Presidência — tendo sido eleito, então, depois de quatro derrotas para cargos executivos —, recomendou, com a grosseria que lhe é peculiar, que José Serra se aposentasse…

Sabem o que é fabuloso?

No próximo dia 27, o petista completará 67 anos.

É apenas três anos mais novo do que o tucano — diferença que, convenham, a partir, sei lá, dos 20, já não faz mais…
diferença!


Dia desses, afirmou que, caso Dilma não queira se candidatar à reeleição (era um convite…), ele aceitaria a parada. Se isso viesse a acontecer, estaria com 69 anos…


Não pensem que Lula está brincando quando recomenda que o adversário se aposente!

Ele fala a sério.

E agora começo a ligar os pontos, leitor: o homem que não reconhece a autoridade do Supremo e pensa em apelar ao “povo” para contraditar o tribunal é o mesmo que não reconhece a legitimidade do adversário e da oposição.

Quando sugere a aposentadoria de Serra, está deixando claro que não quer vencer o seu opositor, mas eliminá-lo do jogo político.


Esse demiurgo inescrupuloso pode avançar também para a delinquência política pura e simples.

Referindo-se a Marta Suplicy, que estava presente ao comício, afirmou que “não deixaram Marta se reeleger” por ela “se meter a fazer coisas para os pobres”.


“Não deixaram”???

Quem “não deixaram”, cara-pálida?

Em 2004, Serra foi eleito contra Marta pelo povo.

Em 2008, Kassab foi eleito prefeito contra Marta pelo povo!


Entendi: o Babalorixá de Banânia não reconhece o poder do Supremo, não reconhece a legitimidade da oposição e não reconhece nem mesmo a autoridade do povo se este não votar em quem ele manda.

Entendo seu nervosismo: o PT perdeu a eleição para o governo de São Paulo duas vezes (2006 e 2010) e a para a Prefeitura duas vezes (2004 e 2008) com ele na Presidência da República, tentando dar ordens aos paulistas e paulistanos.


Lula não se conforma de não ser o nosso Maomé, ainda que certa imprensa faça esforço para isso.

É que eu não sou um exímio desenhista, viu, Mello Franco?

Se fosse, agora faria uma charge de Lula pendurado na brocha do próprio rancor.




30/09/2012

"O novíssimo truque de Lula"



Não se deve levar a sério o que Lula diz


Fala pelos cotovelos, não raro pelos calcanhares, a exemplo da exortação para que militantes arrancassem materiais de adversários das ruas de São Bernardo

Por Mary Zaidan
Blog do Noblat


E não tem qualquer apreço pela coerência entre o que disse ontem, o que diz hoje e o que dirá amanhã.

Muito menos pela verdade.

Sobre o mensalão, navegou entre o traído que de nada sabia ao humilde que pede desculpas à nação pelo escândalo que pegou de calças curtas os seus mais caros auxiliares.

Daí, migrou para a fantasiosa versão do caixa 2, expressa em entrevista mais fantasiosa ainda, transmitida pelo Fantástico, da TV Globo, em julho de 2005, dois dias depois de ser gravada em Paris.

A esse enredo, Lula e sua turma penduraram adereços. A ênfase de que culpados seriam punidos "doa em quem doer" ecoou no vazio.

A fala dura do ex-presidente do PT e hoje governador gaúcho Tarso Genro preconizando a refundação do partido deu lugar à de um Ricardo Berzoini (PT-SP): "A prioridade é reeleger o presidente Lula. Depois veremos isso (a apuração) com calma. E essa história do mensalão é uma ficção."

E por aí foi.

Mensalão virou algo que nunca existiu, com Lula assegurando que como ex se dedicaria integralmente a provar que tudo não passara de farsa, coisa da direita para derrubar o primeiro presidente operário.

Algo, aliás, que a dócil oposição nem mesmo cogitou.

Se o transmudar dos fatos já era de admirável desfaçatez, o que se vê agora bate todos os recordes dessa categoria.

Antes de o julgamento começar, Lula mexeu vários pauzinhos ou toras inteiras. Tentou em vão convencer ministros pelo adiamento, manobra que veio à tona quando Gilmar Mendes denunciou a tentativa de coação.

Instigou seu partido a conclamar o povo a ir às ruas, tarefa cumprida, pateticamente, pelo deputado Rui Falcão.

Julgamento em curso, constrangeu aliados para que assinassem nota de apoio a ele, contestada no seio dos mesmos partidos que a subscreveram.
Do cineasta Luiz Carlos Barreto, amigo do réu José Dirceu, obteve carta aberta com 264 assinaturas da elite intelectual. Barreto batizou o documento como "filosófico-doutrinário".

Seja lá o que isso quer dizer, não é nada filosófico, ou muito menos doutrinário, alertar o país para a presunção da inocência, como se a Suprema Corte não fosse capaz de enxergá-la.

Agora, com condenações se acumulando e a proximidade da análise dos crimes do núcleo petista, Lula já antecipou seu novíssimo truque: o julgamento só está acontecendo porque ele, Lula, combateu como ninguém a corrupção.

"Se juntarem todos os presidentes da história do Brasil, vocês vão ver que eles não criaram instituições para combater a corrupção como nós criamos em oito anos.

Sintam orgulho porque se tem uma coisa que fizemos, foi criar instrumentos para combater a corrupção."

Mais desfaçatez, impossível.

* Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais “O Globo” e “O Estado de S. Paulo”, em Brasília. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência Lu Fernandes Comunicação e Imprensa


30 de setembro de 2012

Joaquim Barbosa autoriza abertura de novo inquérito sobre mensalão; desta vez, podem se complicar Fernando Pimentel, Benedita da Silva e Vicentinho…



Imagem: 247
Se “eles” lá, vocês sabem quem, já andavam meio chateados com Joaquim Barbosa e com o STF, agora há o risco de que comecem a babar de ódio

  Por Reinaldo Azevedo


O ministro autorizou a abertura de um novo inquérito para investigar a segunda fase do mensalão. E, desta feita, ele mexe com um homem importante do governo Dilma Rousseff: o ministro Fernando Pimentel — aquele, sabem?, que era “consultor” e que também havia contratado aquela primeira equipe dedicada a montar o falso dossiê contra o tucano José Serra, em 2010.

Um petista moderno, como sabemos…

Além de Pimentel, também aparecem no rolo Benedita da Silva e o deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP).

Lula vai dizer que se trata de mais uma conspiração contra as forças populares…

Leiam trecho de reportagem de Flávio Ferreira, na Folha:


O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito para investigar repasses feitos pelo esquema para pessoas ligadas ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e a outros políticos petistas. O novo inquérito, a ser instaurado na Justiça Federal em Belo Horizonte, também vai investigar repasses a pessoas que trabalharam com os deputados Benedita da Silva (PT-RJ) e Vicentinho (PT-SP), além de dezenas de outras pessoas e empresas que receberam dinheiro do esquema.

Essas pessoas não são parte do processo que está em julgamento no Supremo desde o início de agosto, porque os repasses só foram descobertos pela Polícia Federal quando a ação principal já estava em andamento no STF. A nova fase do caso foi inaugurada há pouco mais de um mês, após pedido da Procuradoria-Geral da República para que fossem aprofundadas as investigações sobre o destino do dinheiro distribuído pelo PT com a colaboração do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

O requerimento cita nominalmente Pimentel, um dos principais auxiliares da presidente Dilma Rousseff, Benedita e Vicentinho, dizendo que, como eles têm foro privilegiado, a investigação deverá voltar ao Supremo “caso surjam indícios concretos de que os valores arrecadados” destinavam-se aos três. (…) Seguindo o caminho do dinheiro distribuído pelo empresário, a polícia chegou a Rodrigo Barroso Fernandes, em Belo Horizonte. Na época do repasse, em 2004, ele era coordenador financeiro do comitê da campanha de Fernando Pimentel à Prefeitura de Belo Horizonte, diz a PF.
(…)
As investigações também apontaram repasses para Carlos Roberto de Macedo Chaves, que teria feito dois saques no valor de R$ 50 mil em agosto e setembro de 2003. Ele disse à PF que trabalhou como contador da campanha de Benedita em 2002. De acordo com a polícia, a origem desse dinheiro foi o fundo Visanet, controlado pelo Banco do Brasil e por outras instituições financeiras.
(…)
Em relação a Vicentinho, a PF descobriu que o produtor audiovisual Nélio José Batista Costa recebeu R$ 17 mil da empresa Estratégia Marketing, de Valério, em agosto de 2004, “devido aos serviços prestados durante a campanha eleitoral do candidato Vicentinho para a Prefeitura de São Bernardo do Campo”.
(…)

30/09/2012


Ao discriminar Serra, Lula fere o Estatuto do Idoso que ele mesmo promulgou



Lula: 'Serra devia requerer a aposentadoria, não a prefeitura'


Por O EDITOR
CoroneLeaks


Em 1 de outubro de 2003, Lula sancionava o Estatuto do Idoso. Vejam o que diz o artigo 100:

Art. 100. Constitui crime punível com reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa:
I – obstar o acesso de alguém a qualquer cargo público por motivo de idade;

Ontem, de forma criminosa, Lula afirmou que José Serra está velho para ser prefeito de São Paulo. O fez em cima de um palanque, em público, diante de centenas de pessoas, muitas delas idosas. Desdenhou, humilhou, menosprezou e discriminou um cidadão brasileiro.

Mostrou mais uma vez que é um covarde da pior espécie, um imbecil em estado latente, um ser humano desprezível.


José Serra tem 70 anos, apenas três anos a mais do que Lula.

A mesma idade de Marta Suplicy, outra desavergonhada, que foi excluída da eleição porque São Paulo precisava do "novo", mas que estava ali, ao seu lado no palanque, pois recebeu um ministério de presente para dar apoio aquele que a desdenhou.


Lula fere a Constituição de forma sistemática. Nunca houve na história deste país um presidente que desrespeitasse tanto as leis. Aliás, no caso de dois candidatos terminarem empatados na primeira colocação, o eleito será o mais velho, segundo a legislação eleitoral.

Os paulistanos devem mostrar a Lula que ele não pode tudo.

A começar pelos idosos, vítimas, na pessoa de José Serra, de uma das campanhas mais preconceituosas e mais sujas movidas por esta quadrilha de mensaleiros que tomou o Brasil de assalto.

Não votar em Lula e sua camarilha é um ato de respeito humano.

Também.

30 de setembro de 2012

O fundo do poço de Lula e de Delfim Netto. Ou: Petistas recorrem até a signatário do AI-5 e último dignitário da ditadura para ameaçar a imprensa



Que coisa!

Eles pertencem a gerações distintas.

Um já foi o antípoda do outro.

Um já achou, com sua compulsão para a simplificação tosca, que o outro era o representante de tudo o que existia de ruim no país.

O outro já considerou que um era uma espécie de representante das hordas bárbaras
.

Por Reinaldo Azevedo

Hoje — e já há bastante tempo — estão juntos, do mesmo lado. Refiro-me a Luiz Inácio Lula da Silva e a Delfim Netto.

Quando Tancredo Neves estava prestes a vencer a disputa no Colégio Eleitoral, chegou a afirmar que o líder da oposição a seu governo seria Delfim. Afinal, ele era o último, vá lá, intelectual do antigo regime.

Quis o destino — e isto fala muito tanto de Delfim como de Lula — que os dois estejam irmanados, agora, numa campanha contra um dos fundamentos do regime democrático.

Faz sentido: cada um a seu modo, ambos são admiradores de regimes de força.

O signatário alegre e saltitante do AI-5 escreveu ontem um artigo na Folha em que, sem meias palavras, faz ameaças à imprensa. E expõe o motivo: a suposta tentativa de destruir a imagem de Lula.

Resta-me o quê? Responder ao artigo de Delfim parágrafo a parágrafo, evocando alguns fatos.

Ele segue em vermelho; eu em azul.
Lula
O título é esse mesmo, leitor, composto dessas quatro letras, como se qualquer outra palavra diminuísse a importância da personagem. Devemos tomá-las por quatro outras: DEUS! 
Desde a Constituição de 1988, as instituições vêm se fortalecendo e o poder incumbente tem, com maior ou menor disposição, obedecido aos objetivos nela implícitos: primeiro, a construção de uma República onde todos, inclusive ele, são sujeitos à mesma lei sob o controle do Supremo Tribunal Federal; segundo, a construção de uma sociedade democrática com eleições livres e à prova de fraudes; terceiro, a construção de uma sociedade em que a igualdade de oportunidades deve ser crescente, por meio de um acesso universal e não oneroso de todo cidadão à educação e à saúde, independentemente de sua origem, cor, credo ou renda.
Muito bem! Já que Delfim começa pelas questões, digamos, de fundo, cumpre-me fazer o mesmo. Em primeiro lugar, lembro que aquele que já foi o czar da economia o foi num tempo em que se podia agir assim sem muita dificuldade. Com o AI-5 na mão e algumas ideias na cabeça, exerceu seu ofício sem ter de enfrentar a democracia que agora ele exalta. Uma exaltação certamente tardia, já que esteve entre aqueles que lutaram bravamente contra as eleições diretas para a Presidência da República e que depois se juntaram a Paulo Maluf no Colégio Eleitoral. Tivesse vencido o seu candidato, talvez não tivéssemos a Constituinte, não é?
Mas isso ainda não diz tudo. Lembro que o Plano Real, que refundou as bases da economia brasileira, foi implementado sob as mais severas críticas de… Delfim Netto! Todas as suas antevisões, então, sobre o futuro do plano e seus desdobramentos falharam de forma cabal. Em São Paulo, juntou-se a Paulo Maluf e com ele seguiu até quando vislumbrou naquele que já foi chamado pelo petismo de “pessoa nefasta” algum futuro. Aí se bandeou para o PMDB. Ressentido porque a geração do Real não lhe deu a menor bola — não o quis nem mesmo como oráculo —, aproximou-se de Lula e passou a ser um de seus conselheiros tão logo o Apedeuta chegou ao poder. É até possível que tenha colaborado para evitar que o petismo dos dois primeiros anos fizesse alguma bobagem — e, por isso, por que não?, podemos lhe dar algum crédito. Mas vir, agora, ameaçar a imprensa? Ora, feche a sua boca, meu senhor, que demonstra estar ainda torta pelo uso do cachimbo em outra era.
Vivemos um momento em que se acirram as legítimas disputas para estabelecer a distribuição do poder entre as várias organizações partidárias e que é propício aos excessos verbais, às promessas irresponsáveis e à agressão selvagem.
Afrouxam-se e liquefazem-se os compromissos com a moralidade pública, revelados no universo da “mídia”. Esta também, legitimamente, assume o partido que melhor reflete sua “visão do mundo”.

Huuummm… Baixou um Conselheiro Acácio no velho Delfim! Política é assim mesmo, né? Acirram-se as disputas etc e tal. Em seguida, é visível, ele trata com um certo nojinho a política — daí que tenha vivido de modo muito confortável sob o AI-5. Quando ao “afrouxamento e liquefação dos compromissos com a moralidade”, dizer o quê? Quem segurou a vela para Maluf até outro dia sabe muito bem do que fala.
Quanto ao mais, meu senhor, as lambanças noticiadas estão no UNIVERSO DOS FATOS, NÃO NO UNIVERSO DA MÍDIA. Mas eu entendo: os autoritários de hoje e de ontem, os admiradores da ditadura de hoje e de ontem, os que odeiam o regime de liberdades hoje e ontem, essa  gente tende a achar que o mal está na imprensa que noticia, não nos fatos noticiados. Daí que a ditadura militar, de que Delfim foi o último dignitário, tenha recorrido à censura. Daí que os petistas, no poder, tenham tentando implementar métodos de censura — e vão tentar de novo, já anunciou aquele deputado cujo assessor usava a cueca como casa de câmbio: José Guimarães.
A situação é, agora, mais crítica porque a campanha eleitoral se processa ao mesmo tempo em que o Supremo Tribunal Federal julga um intrincado processo que envolve o PT e, em breve, vai fazê-lo em outro, da mesma natureza, que envolve o PSDB.
É próprio de alguém que ainda não entendeu como a democracia funciona sugerir que a Justiça tem de se deixar levar pelo calendário eleitoral. Não tem! Pouco importa o partido que esteja em questão.
O que alguma mídia parece ignorar é que o uso abusivo do seu poder é corrosivo e ameaçador à necessária e fundamental liberdade de opinião assegurada no artigo 220 da Constituição, onde se afirma que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”.
De que “alguma mídia” fala este senhor? Por que não dá nome aos bois? Mais: por que não aponta em que caso a imprensa fez “uso abusivo do seu poder”? Eis aí Delfim Netto, um sobrevivente da ditadura, recorrendo ao que ele chama “mídia” para ameaçar a… própria mídia! Como não lembrar que este senhor é colunista da “Carta Capital”, aquela revista que só existe porque existem o estado e as estatais? O que macula — não chega a ameaçar — a democracia é a existência de veículos que são, direta ou indiretamente, financiados pelo dinheiro público para satanizar os adversários do governo e a própria imprensa livre.
Primeiro, porque o parágrafo 5º do mesmo dispositivo previne que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. E, segundo, porque no art. 224 a Constituição fecha o ciclo: “Para os efeitos do disposto nesse capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei”. Dois dispositivos suficientemente vagos que podem acabar criando problemas muito delicados no futuro.
Huuummm… Delfim é um tolo ao supor que tolos são os outros. Aí onde parece haver uma advertência de boa-fé à imprensa, alertando-a para os “dispositivos suficientemente vagos que podem acabar criando problemas muito delicados no futuro”, há, na verdade, uma ameaça nada velada. O signatário do AI-5 deve andar meio encantado com a Beiçuda de Buenos Aires, esperando, como esperam alguns de seus amigos na Carta Capital e coisas ainda piores, que Dilma imponha no Brasil algo como a “ley de medios” chavista.
No que me diz respeito, agradeço o conselho de Delfim, mas repudio. Ele que continue lá a puxar o saco de Lula. Já cheguei a achá-lo até divertido, mas jamais o tomaria como um guia em questões que dizem respeito à liberdade de expressão. Isso é coisa séria demais para ser deixada sob os cuidados de sua pena. Eu sempre o tive como um doutor em ditadura — um doutor inteligente —, mas jamais como um doutor em democracia.
Um exemplo daquele abuso é a procura maliciosa de alguns deles de, no calor da disputa eleitoral, tentar destruir, com aleivosias genéricas, a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ignorando o grande avanço social e econômico por ele produzido com a inserção social, o fortalecimento das instituições, a redução das desigualdades e a superação dos constrangimentos externos que sempre prejudicaram o nosso desenvolvimento.
Maliciosa é a ameaça desse leão desdentado. “Aleivosias genéricas” são aqueles que Delfim vivia e vive fazendo de seus adversários intelectuais, em conversinhas ao pé do ouvido. Ainda que todas as questões que ele evoca fossem mesmo conquistas do governo Lula — como se não tivesse havido antes um Plano Real, AO QUAL DELFIM NETTO SE OPÔS, REITERO!!! —, o ex-presidente deveria, por isso, ser poupado dos fatos e de sua biografia. Não é um dos réus do mensalão petista, mas e se fosse? A democracia correria riscos por isso?
Segundo Delfim, como os dispositivos da Constituição são vagos, qualquer coisa pode acontecer. Tudo dependeria, a gente fica sabendo, de como Lula será tratado pela imprensa. Se ela for boazinha e comportada e tratá-la como DEUS, então tudo bem! Se não for, aí a coisa pode ficar feia. Vale dizer: para o signatário do AI-5 e hoje dignitário desta particular ditadura petista, quem garante a imprensa livre não é a Constituição, mas os humores de Lula — que, como se nota, resiste em admitir a decadência mais do que o próprio Delfim Netto.
Despeço-me de Delfim com uma citação a que volta e meia recorro porque o Brasil me obriga. O jovem poeta português Antero de Quental (1842-1891), expressão do movimento realista, passou uma descompostura no velho poeta Antônio Feliciano de Castilho (1800-1875), um vulto do romantismo. Escreveu assim — e é o que digo a Delfim, o amante de ditaduras:
“Levanto-me quando os cabelos brancos de V. Exa. passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas coisas que saem dele, confesso, não me merecem nem admiração nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V.Exa. precisa menos cinquenta anos de idade, ou então mais cinquenta de reflexão. É por estes motivos todos que lamento do fundo da alma não me poder confessar, como desejava, de V.Exa. nem admirador nem respeitador”.
A única coisa que não bate aí são os cabelos brancos. Delfim os mantém mais negros do que os de Iracema, que já eram mais negros do que as asas da graúna… Mas as ideias que vão debaixo dele continuam a não merecer nem estima nem consideração…
27/09/2012


Charges










"A hora da saideira"



Na semana passada, li um artigo do professor Marco Antonio Villa, que não conheço pessoalmente, mostrando, em última análise, como a era Lula está passando, ou até já passou quase inteiramente, o que talvez venha a ser sublinhado pelos resultados das eleições


Por João Ubaldo Ribeiro

Achei-o muito oportuno e necessário, porque mostra algo que muita gente, inclusive os políticos não comprometidos diretamente com o ex-presidente, já está observando há algum tempo, mas ainda não juntou todos os indícios, nem traçou o panorama completo.

O PT que nós conhecíamos, de princípios bem definidos e inabaláveis e de uma postura ética quase santimonial, constituindo uma identidade clara, acabou de desaparecer depois da primeira posse do ex-presidente.

Hoje sua identidade é a mesma de qualquer dos outros partidos brasileiros, todos peças da mesma máquina pervertida, sem perfil ideológico ou programático, declamando objetivos vagos e fáceis, tais como “vamos cuidar da população carente”, “investiremos em saneamento básico e saúde”, “levaremos educação a todos os brasileiros” e outras banalidades genéricas, com as quais todo mundo concorda sem nem pensar.

No terreno prático, a luta não é pelo bem público, nem para efetivamente mudar coisa alguma, mas para chegar ao poder pelo poder, não importando se com isso se incorre em traição a ideais antes apregoados com fervor e se celebram acordos interesseiros e indecentes.

A famosa governabilidade levou o PT, capitaneado por seu líder, a alianças, acordos e práticas veementemente condenadas e denunciadas por ele, antes de chegar ao poder.

O “todo mundo faz” passou a ser explicação e justificativa para atos ilegítimos, ilegais ou indecorosos.

O presidente, à testa de uma votação consagradora, não trouxe consigo a vontade de verdadeiramente realizar as reformas de que todos sabemos que o Brasil precisa — e o PT ostentava saber mais do que ninguém.

No entanto, cadê reforma tributária, reforma política, reforma administrativa, cadê as antigas reformas de base, enfim?

O ex-presidente não foi levado ao poder por uma revolução, mas num contexto democrático e teria de vencer sérios obstáculos para a consecução dessas reformas.

Mas tais obstáculos sempre existem para quem pretende mudanças e, afinal, foi para isso que muitos de seus eleitores votaram nele.

O resultado logo se fez ver.

Extinguiu-se a chama inovadora do PT, sobrou o lulismo.


Mas que é o lulismo?

A que corpo de ideias aderem aqueles que abraçam o lulismo?

Que valores prezam, que pretendem para o país, que programa ou filosofia de governo abraçam, que bandeiras desfraldam além do Bolsa Família (de cujo crescimento em número de beneficiados os governantes petistas se gabam, quando o lógico seria que se envergonhassem, pois esse número devia diminuir e não aumentar, se bolsa família realmente resolvesse alguma coisa) e de outras ações pontuais e quase de improviso?
É forçoso concluir que o lulismo não tem conteúdo, não é nada além do permanente empenho em manter o ex-presidente numa posição de poder e influência.

O lulismo é Lula, o que ele fizer, o que quiser, o que preferir.


Isso não se sustenta, a não ser num regime totalitário ou de culto à personalidade semirreligioso.

No momento em que o ex-presidente não for mais percebido como detentor de uma boa chave para posições de prestígio, seu abandono será crescente, pois nem mesmo implica renegar princípios ou ideais.

Ele agora é político de um partido como qualquer outro e, se deixou alguma marca na vida política brasileira, esta terá sido, essencialmente, a tal “visão pragmática”, que na verdade consiste em fazer praticamente qualquer negócio para se sustentar no poder e que ele levou a extremos, principalmente considerando as longínquas raízes éticas do PT.

Para não falar nas consequências do mensalão, cujo desenrolar ainda pode revelar muitas surpresas.

O lulismo, não o hoje desfigurado petismo, tem reagido, é natural.

Os muitos que ainda se beneficiam dele obviamente não querem abdicar do que conquistaram. Mas encontram dificuldades em admitir que sua motivação é essa, fica meio chato.

E não vêm obtendo muito êxito em seus esforços, porque apoiar o lulismo significa não apoiar nada, a não ser o próprio Lula e seu projeto pessoal de continuar mandando e, juntamente com seu círculo de acólitos, fazendo o que estiver de acordo com esse projeto.

Chegam mesmo à esquisita alegação de que há um golpe em andamento, como se alguém estivesse sugerindo a deposição da presidente Dilma.

Que golpe?

Um processo legítimo, conduzido dentro dos limites institucionais?

Então foi golpe o impeachment de Collor e haverá golpe sempre que um governante for legitimamente cassado?

Os alarmes de golpe, parecendo tirados de um jornal de trinta ou quarenta anos atrás, são um pseudoargumento patético e até suspeito, mesmo porque o ex-presidente não está ocupando nenhum cargo público.

É triste sair do poder, como se infere da resistência renhida, obstinada e muitas vezes melancólica que seus ocupantes opõem a deixar de exercê-lo.

O poder político não é conferido por resultados de pesquisas de popularidade; deve-se, em nosso caso presente, aos resultados de eleições.

O lulismo talvez acredite possuir alguma substância, mas os acontecimentos terminarão por evidenciar o oposto dessa presunção voluntarista.

Trata-se apenas de um homem — e de um homem cujas prioridades parecem encerrar-se nele mesmo. Mas sua saída de cena não deverá ser levada a cabo com resignação.

Ele insistirá e talvez ainda o vejamos perder outra eleição em São Paulo. Não a do Haddad, que aparentemente já perdeu.

Mas a dele mesmo, depois que o mundo der mais algumas voltas e ele quiser iniciar uma jornada de volta ao topo, com esse fito candidatando-se à prefeitura de São Paulo.