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quarta-feira, 16 de junho de 2010

A verdadeira segurança da pátria


A verdadeira segurança da pátria


Por Fahed Daher
Fonte: Pravda.ru

Costuma-se dizer que cada povo tem o governo que merece.


Mentira.


Cada governo tem nas mãos o povo que lhe interessa, pelas ações de honestidade ou desonestidade, subornos ou equilíbrio de comportamentos, com programas e filosofias humanistas ou com interesses de domínio e uso fruto das delicias dos cargos que dominam.

Daí uma nação será forte e equilibrada por seu povo bem conduzido ou será um antro de ladrões, um covil, que se consumirá a si própria pela gula desmedida.




“Os povos sem honra costumam perder a liberdade e a independência mais cedo ou mais tarde”.

Isto por sua vez corresponde a uma justiça mais elevada, pois gerações de vagabundos, sem honra, não merecem a liberdade. 


Aquele que se faz escravo covarde, sem coragem e dignidade para ser membro útil da comunidade não ter sentimento de honra, este cairá muito rapidamente no desprezo geral.”


“Quando um povo luta por sua existência na questão de ser ou não ser, há de ter o bom senso de criar organismos e conceituações de justiça, que não sejam somente a justiça de códigos adaptados a interesses particulares, mas, justiça no largo sentido de equilibrar as ações, protegendo os justos e condenando os faltosos, em quaisquer níveis de poder ou dinheiro.” Filosofia “Alemã.

Arnold Toymbee, um dos maiores pesquisadores da história da humanidade, escreve:-“ De vinte e uma notáveis civilizações, dezenove pereceram, não por conquistas vindas de fora, mas pela decadência interna.”.

Outro historiador, Dr. J.D.Unwin, da Universidade de Cambridge, dedicado a fazer estudos de dezoito civilizações, abrangendo o período de quatro mil anos concluiu que uma sociedade ou escolhe a promiscuidade e se arruína ou escolhe a disciplina e a energia criadora.


No contesto geral dos progressos da solidificação do desenvolvimento de civilização, e conseqüente felicidade de um povo, não se conta somente o desenvolvimento econômico e financeiro, apresentados pelas estatísticas dos espertos em fatores econômicos, cujos desenvolvimentos podem ser resultados das explorações dos recursos naturais perecíveis, sem o acompanhamento do nivelamento da distribuição das riquezas e aprimoramento sócio cultural da população.

Desenvolvimento que solidifica a dignidade das pessoas, a distribuição honesta e equilibrada da justiça.

A fortuna de um povo começa com a sorte de encontrar um líder ou um grupo de liderança honrado que, com a característica de convencer, consegue induzir seus liderados, por atitudes de dignidade, fazer com que cada um se sinta responsável pelo bem de todos.

Pois não existe comunidade que permaneça integra ou mesmo integrada sem a grandiosidade moral, dos seus líderes, com o pulso da autoridade de respeito de disciplina. Quando enérgico, com alto senso de humanismo.

Uma história da velha Grécia conta que certa vez um mestre propôs aos discípulos pintarem a figura de um animal com os traços que descreveu.

Ao verificar s trabalhos de cada um apresentava, chamou a atenção que não havia semelhança ou identificação entre um desenho e outro.

A conclusão era não ter havido um modelo.



Na política, na formação de um povo e a sua condução, não é suficiente que se escrevam leis, constituições e normativas, se os dirigentes, as lideranças políticas e governamentais não servirem de modelos honestos de comportamento.

Pior.

Quando os modelos se tornam viciosos e depravados indicando ao povo que o caminho do sucesso é a desonestidade.

Costuma-se dizer que cada povo tem o governo que merece.

Mentira. Cada governo tem nas mãos o povo que lhe interessa, pelas ações de honestidade ou desonestidade, subornos ou equilíbrio de comportamentos, com programas e filosofias humanistas ou com interesses de domínio e uso fruto das delicias dos cargos que dominam.

Daí uma nação será forte e equilibrada por seu povo bem conduzido ou será um antro de ladrões, um covil, que se consumirá a si própria pela gula desmedida.


Soc. Brasileira de Médicos Escritores- Vice presidente no Paraná.

Centro de Letras do Paraná.// Academia de Letras de Londrina.

Academia de Letras Centro Norte do Paraná


06/16/2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

Tuminha sinaliza que vai usar sua capacidade de policial para dar o troco aos responsáveis por sua degola...




A prevista detonação do Secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior - publicada no Diário Oficial de hoje - tem tudo para custar muito caro para o chefão Lula da Silva e seus companheiros mais próximos - de negócios e governo. Tuminha sinalizou ontem que não vai perdoar os responsáveis por sua exoneração e vai dar o troco:

“Tenho defeitos, mas não sou ladrão. Não sou bandido. Eu vou provar que sou inocente. Isso é uma aberração jurídica, uma orquestração criminosa, uma violência política. Eu não vou dar pista para eles. Eu vou me defender. Vou mostrar tudo com transparência. Eu sou policial. As pessoas têm que saber o que está nesse inquérito”.
Tuma Júnior alega que sua saída do governo foi provocada por inimigos de seu pai, o senador Romeu Tuma (PTB-SP), candidato à reeleição em São Paulo.

Tuminha reclamou ao jornal O Globo que se sente traído por gente "covarde" do governo, que não teve "coragem" de agir em sua defesa. O ex-secretário justificou que nada contra ele foi provado, por isso decidira continuar no cargo:

“Nenhuma das pessoas com quem eu mantive contato, quer sejam meus superiores, quer sejam meus subordinados, disse que eu não era inocente, que cometi crime, que cometi irregularidade. Se meus superiores dizem isso e afirmam que não houve quebra de confiança, eu não poderia me curvar a uma injustiça”.

Relevantes serviços

Mais curiosa foi a nota do Ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, justificando que Tuminha foi demitido para que pudesse preparar melhor a defesa.

O ministro só não lamentou a saída de Tuminha, mas ressaltou "os relevantes trabalhos prestados" por ele no cargo.

A chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Justiça, Izaura Miranda, assume interinamente a função que era de Tuminha.

Fala o que deseja, quando deseja, onde deseja, como se pairasse acima do bem e do mal.



Inteligência aloprada


Os índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não refletem apenas sua empatia popular.

São também fruto da capacidade que demonstrou, como governante, de preservar as conquistas de seu antecessor e avançar no crescimento econômico e na distribuição de renda, por meio de medidas como a elevação do salário mínimo, o aumento do crédito e a ampliação do programa Bolsa Família.


Bem sucedido no plano interno, Lula também fez fama no palco global. Tornou-se uma espécie de "popstar" da política emergente, o "cara" com quem chefes de Estado de variadas procedências querem aparecer na fotografia.


Tudo isso, como se sabe, confere ao presidente um papel relevante na disputa eleitoral -que ele tem exercido, aliás, com mais desenvoltura do que o recomendável.



Fala o que deseja, quando deseja, onde deseja, como se pairasse acima do bem e do mal.

Multado cinco vezes por ferir as regras eleitorais, chegou ao cúmulo de tratar juízes de maneira jocosa, em sintomático menosprezo ao Poder Judiciário.


No domingo passado, durante o lançamento da dupla Dilma Rousseff e Michel Temer, Lula não ofendeu a lei, mas a realidade.


Ao afirmar que seus oponentes "inventam" dossiês e fazem "jogo rasteiro", o presidente, sem cerimônia, inverteu os fatos e usou seu peso político para, mais uma vez, acobertar correligionários.


Até aqui, vieram dos bastidores petistas as evidências sobre montagens de dossiês para atingir rivais.



Além da investida contra o candidato José Serra e membros de sua família, a "equipe de inteligência" de Dilma levantou dados fiscais e financeiros sigilosos do tucano Eduardo Jorge, conforme a Folha revelou no último sábado.


Repete-se o que ocorreu na campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista -quando petistas tentaram forjar um dossiê contra o rival do PSDB.


Naquela ocasião foi o próprio Lula quem escolheu o termo que acabou por batizar os afoitos companheiros.


Ficaram conhecidos como "aloprados" -expressão que, pelo visto, não perdeu a validade quatro anos depois.

ARTIGO NO WALL STREET JOURNAL ARRASA COM A POLÍTICA EXTERNA DE LULA E O ACUSA DE “DANÇAR COM OS DÉSPOTAS”.



Por Reinaldo Azevedo

Mary Anastasia O’Grady, uma das mais respeitadas articulistas do Wall Street Journal, escreveu um dos mais duros artigos já publicados na imprensa americana sobre a política externa brasileira. Título: “A dança de Lula com os déspotas”.


O’ Grady não deixa pedra sobre pedra da política externa brasileira e acusa Lula de ter desperdiçado a chance de o Brasil ocupar um lugar com o qual sempre sonhou justamente quando estava prestes a alcançá-lo: “President Lula da Silva is snatching defeat from the jaws of victory”.

Segundo o O’Grady, a política externa brasileira tem sido usada por Lula como fator de ajuste para contentar as alas radicais do PT. Trata-se de um escudo para acomodar essas correntes, que, não obstante, são mantidas longe da economia. E vai ao ponto: o Brasil não está pronto para ser um protagonista na política internacional.

A articulista classifica Amorim de “antiamericano e anticapitalista”.

Huuummm, boa parte do que vai abaixo, como vocês verão, não nos é estranho. Segundo O’ Grady, para satisfazer as esquerdas, Lula agrediu gravemente a reputação do Brasil ao se colocar ao lado de alguns dos mais notórios violadores dos direitos humanos no mundo.


O fato é o seguinte:
a ficha definitivamente caiu.


Segue uma tradução que fiz, adaptando algumas expressões a que recorre a articulista a seu sentido em nossa língua e em nossa cultura. Com mais tempo, dá para melhorar muito. Mas acho que está eficiente.
*
Desde que fomos expulsos do Éden, o Brasil sonha tornar-se um país sério e um protagonista no cenário mundial. Agora, quando este sonho eterno estava se tornando uma realidade, Lula consegue fazer de uma vitória uma derrota ["is snatching defeat from the jaws of victory].

O Brasil pode estar ganhando algum respeito no front da economia e da política monetária, mas, quando se trata da liderança geopolítica, o presidente está fazendo um esforço adicional para preservar a imagem de um país ressentido, um cachorrinho ranheta do Terceiro Mundo [Third-World ankle-biter].

O mais recente exemplo de como o Brasil ainda não está pronto para figurar no horário nobre dos círculos internacionais se deu na semana passada, quando votou contra as sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU.

A Turquia foi a única parceira do Brasil neste constrangedor exercício.

Mas a Turquia pode ao menos usar como desculpa suas raízes muçulmanas. Lula está levando a reputação do Brasil para o brejo [no Brasil, a gente diz assim; Mary prefere "areia"] só para a sua satisfação política pessoal.

O Brasil defendeu seu voto argumentando que “as sanções muito provavelmente levarão sofrimento ao povo do Irã e conduzirão o processo às mãos daqueles que, dos dois lados [da disputa], não querem que o diálogo prevaleça.

É um argumento sem nada dentro. As sanções não têm como alvo os civis, mas as ambições nucleares do Irã e seu programa de mísseis.

Quanto ao diálogo, é óbvio que, agora, o presidente Mahmoud Ahmadinejad precisa é de um pouco menos de conversa.

Se o Brasil considerou seu voto uma posição de princípio em defesa do que considera justo, é certo que mudou depressa. Depois de ter feito estardalhaço com as sanções, rapidamente anunciou que vai honrá-las. Isso sugere que pode ter avaliado a possibilidade de sair aos poucos de sua política externa lunática.

O Partido dos Trabalhadores de Lula é de esquerda, mas NÃO se deve confundi-lo [Lula] com um aplicado bolchevique.



Ele é simplesmente um político esperto, que veio do povo ["das ruas", no texto de Mary] e ama o poder e o luxo [ela escolhe a metáfora "limousines"; no Brasil, só usadas pelas noivas...].

Como primeiro presidente brasileiro do Partido dos Trabalhadores, ele teve de equilibrar as coisas úteis que aprendeu sobre os mercados e as restrições monetárias com a ideologia de sua base de apoio.

Sua resposta para esse dilema tem sido usar a Ministério das Relações Exteriores — onde uma burocracia geneticamente tendente à esquerda é conduzida por Celso Amorim, um intelectual notoriamente antiamericano e anticapitalista — para lustrar suas credenciais esquerdistas.

Essa amizade com os “não-alinhados” tem servido de justificativa para manter os ideólogos coletivistas fora da economia.

Mas a reputação do Brasil como um líder das economias emergentes sofreu enormemente. Para satisfazer a esquerda, Lula tem sido chamado a defender e exaltar os seus [da esquerda] heróis, que são alguns dos mais notórios violadores dos direitos humanos do planeta.

Uma análise de seus dois mandatos revela uma tendência para defender déspotas e desprezar democratas.

O repressivo governo do Irã é apenas o caso mais recente.

Há também o apoio incondicional de Lula à ditadura de Cuba e à Venezuela de Hugo Chávez.

Em fevereiro, Cuba permitiu que o dissidente político Orlando Zapata morresse de fome, na mesma semana em que Lula chegou à ilha de escravos para puxar o saco dos irmãos Castro.

Quando indagado pela imprensa sobre Zapata, Lula desqualificou sua morte como mais uma das muitas greves de fome que o mundo ignorou.

Ele certamente nunca ouviu falar do militante irlandês Bobby Sands.

Lula também ficou ao lado de Hugo Chávez quando este destruiu as instituições democráticas em seu país e colaborou com o tráfico de drogas das Farc.

Um Brasil maduro teria usado sua influência para fazer recuar o terrorismo de estado. Porém, na política de custo-benefício de Lula, as vítimas das Farc não contam.

Honduras não teve melhor sorte na era Lula.

O Brasil passou boa parte do ano passado tentando forçar aquele país a reempossar o deposto presidente Manuel Zelaua, apear de ele ter sido removido do poder pelos civis por ter violado a Constituição.

As ações brasileiras, incluindo o abrigo a Zelaya na embaixada brasileira por meses, criou imensas dificuldades econômicas para os hondurenhos.

Na semana passada, Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, conclamou à volta de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA), observando que o país realizou eleições e voltou à normalidade.

O Brasil objetou. “A volta de Honduras à OEA tem de estar ligada a questões como democratização e restabelecimento de direitos fundamentais”, disse Antonio de Aguiar Patriota, braço-direito do ministro das Relações Exteriores.

Uma questão ao Brasil: estaria ele se referindo a Cuba?

O Brasil vai realizar eleições presidenciais em outubro, e, apesar da popularidade com que Lula vai deixar o poder, não é garantido que a candidata do Partido dos Trabalhadores vá sucedê-lo.

Então Lula está oferecendo sangue [red meat] à base partidária ao pegar na mão de Arhmadinejad e votar contra o Tio Sam.


Vai funcionar?

Em grande parte vai depender se os que o vêem como aquele que levou o Brasil a desperdiçar uma grande chance estarão em maior número do que os que apóiam a sua dança com os déspotas.

Como advertiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a política de Lula leva o Brasil a ficar mudando de lado, mas não está claro se os brasileiros estão de acordo.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A periculosidade do inexistente - Olavo de Carvalho

Por Olavo de Carvalho
MSM

Seguir ao mesmo tempo duas ou mais linhas de ação contraditórias, confundindo a platéia e premoldando todas as opiniões em disputa nos debates públicos, é, pelo menos desde a Revolução Francesa, um dos preceitos estratégicos fundamentais e incontornáveis da esquerda mundial.

Sob o comando da organização marxista ironicamente denominada Free Press, e fortemente nutrido com subsídios de George Soros, o recém-fundado site www.StopBigMedia.com professa destruir as grandes empresas de jornalismo e substituí-las por uma "mídia democrática" governamental baseada na "diversidade" e empenhada em "dar voz às minorias".

Já ouvimos ameaça semelhante no Brasil, com a diferença de que veio diretamente do governo. Nos EUA é preciso agir com mais cautela: a Free Press não é uma agência oficial, apenas tem boas amizades nos altos círculos do governo Obama.

A pergunta que os observadores atentos farão à primeira vista é: Por que haveria o presidente americano de querer a extinção das instituições que o colocaram no poder, que defendem de unhas e dentes cada uma das suas políticas e que atacam com ferocidade inaudita quem quer que ouse investigar a sua vida pregressa e as suas inumeráveis alianças comprometedoras?

Mutatis mutandis, por que teria a esquerda brasileira desejado demolir os templos onde seus próprios ídolos são cultuados com tanta devoção e onde seus inimigos são queimados vivos em emocionantes autos-da-fé montados contra "a extrema direita", "o fundamentalismo religioso", "o fascismo", "o racismo" e não sei mais quantas criaturas do demo, entre as quais este humilde colunista?

A resposta é simples: seguir ao mesmo tempo duas ou mais linhas de ação contraditórias, confundindo a platéia e premoldando todas as opiniões em disputa nos debates públicos, é, pelo menos desde a Revolução Francesa, um dos preceitos estratégicos fundamentais e incontornáveis da esquerda mundial.

Os salões elegantes do século XVIII eram ao mesmo tempo o viveiro onde as idéias revolucionárias germinavam entre o beautiful people e o exemplo de vida opulenta e fútil das classes dominantes, apontado às massas pelos agitadores de rua como prova da urgente necessidade de um morticínio redentor.

Com a mídia, e não é de hoje, acontece a mesma coisa: é preciso ao mesmo tempo dominá-la desde dentro, fazendo dela um instrumento pretensamente neutro e insuspeito para dar apoio a causas esquerdistas selecionadas nos momentos decisivos, e denunciá-la desde fora como "arma ideológica da classe dominante".

Diante desse espetáculo, queda inerme e atônita a mente linear e rotineira do cidadão comum, que só entende a luta política como confronto explícito de ideologias prontas - ou, o que é ainda pior, imagina que os movimentos ideológicos desapareceram do cenário histórico tão logo os perfis deles se confundem um pouco ante o seu olhar turvo e rombudo de boi no pasto.

Por meio desse artifício, é possível operar de maneira brutalmente rápida, eficaz e quase imperceptível um giro completo no leque das opções políticas, levando precisamente àquele estado de coisas que temos hoje no Brasil: a parte mais branda da esquerda torna-se a única direita possível e, enquanto disputa cargos amigavelmente com os velhos companheiros de ideologia aos quais prestou esse gentil serviço, está madura para ser denunciada por eles mesmos como conservadora, reacionária e ultradireitista, amargando em silêncio a queixa de ingratidão que, se expressa em voz alta, denunciaria o esquema todo.

A ambigüidade premeditada da situação traduz-se em declarações dúbias e paradoxais que proclamam ao mesmo tempo a inexistência e a periculosidade do inimigo: de um lado, o sr. Presidente da República celebra a completa exclusão de candidatos de direita no próximo pleito; de outro, seu partido promete fazer das tripas coração para esmagar a direita nas urnas.


Artigos - Movimento Revolucionário

 14 Junho 2010

Romeu Tuma Júnior, secretário nacional de Justiça, é exonerado do cargo após denúncias de ligação com máfia chinesa


Romeu Tuma Júnior, secretário nacional de Justiça, é exonerado do cargo após denúncias de ligação com máfia chinesa


Por Jailton de Carvalho


UBERLÂNDIA - O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, foi exonerado do cargo na manhã desta segunda-feira, mais de um mês após a publicação das denúncias de envolvimento com a máfia chinesa.

Em reunião no domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Siva e o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, chegaram à conclusão que não existe mais clima para o retorno do secretário, que entrou de férias no dia 13 maio, ao governo. O pedido de exoneração já foi encaminhado à Casa Civil.
Tuma Júnior é acusado de envolvimento com o chinês Li Kwok Kwen, o Paulo Li, preso por contrabando e outros crimes em São Paulo. Aqui.

A entrevista de Dilma Rousseff estampada por Veja na sua última edição é um exemplo de anti-jornalismo. Uma vergonha jornalística, uma propaganda política disfarçada.


Por Nivaldo Cordeiro 

Dilma não é apenas o continuísmo, é o mergulho do Brasil na associação com os revolucionários, os ditadores, os Estados delinqüentes, os narcotraficantes travestidos de estadistas na Venezuela, Equador e Bolívia. Veja omitiu-se vergonhosamente sobre o assunto.

A entrevista de Dilma Rousseff estampada por Veja na sua última edição é um exemplo de anti-jornalismo. O que poderia ser a oportunidade para aquele veículo de comunicação mostrar as entranhas da candidata do PT tornou-se um exercício de levantamento de bolas para ela cortar, em favor de sua campanha.

Uma vergonha jornalística, uma propaganda política disfarçada. Quero sublinhar aqui alguns trechos, pois as páginas amarelas de Veja serviram mais para ocultar do que para revelar o essencial da candidata.

A primeira pergunta de Veja foi menos uma interrogação do que uma afirmação:

"A senhora tem uma vantagem clara sobre o candidato Lula na eleição de 2002. Ninguém fala agora de um "Risco Dilma". Por quê?"


Ora, o certo teria sido colocar que não apenas a candidata, mas toda a política do Brasil de Lula, tem colocado o Brasil em graves riscos geopolíticos, bem como internos também.

Nada foi perguntado sobre o papel do PT no Foro de São Paulo, a interferência no governo de Honduras, o obtuso voto na ONU a favor da bomba atômica do Irã, a leniência do governo Lula com a Bolívia (ver o excelente artigo de Sérgio Fausto no Estadão de hoje sobre a expansão acentuada de produção de cocaína para o mercado brasileiro na Bolívia), o que quer dizer, com as FARC, a hostilidade para com a Colômbia, o alinhamento com a China (lembrar de que Lula reconheceu a China como economia de mercado, a piada do milênio).

O risco do Brasil jamais foi tão grande, mas para os próprios brasileiros, não para os investidores internacionais. A eleição da candidata não é apenas o continuísmo, é o mergulho do Brasil na associação com os revolucionários, os ditadores, os Estados delinqüentes, os narcotraficantes travestidos de estadistas na Venezuela, Equador e Bolívia.

Veja omitiu-se vergonhosamente sobre o assunto, permitindo à candidata dar declarações soporíferas e mentirosas, enganando os leitores (eleitores).

As perguntas seguintes giraram em torno dos alicerces da política econômica, obviamente aproveitadas para mais uma rodada de tranqüilizantes soporíferos. Nenhuma pergunta sobre o gritante desequilíbrio de nossa balança comercial, o sintoma mais evidente de que algo de muito errado está acontecendo na economia brasileira.

Nada sobre o abandono do mercado norte-americano, deprimindo as exportações. E qual é esse erro? O imenso gasto público, puxado pela expansão do funcionalismo e dos clientes da Previdência Social, os portadores de bolsa-ditadura e bolsa-esmola. Calar sobre isso é deixar a candidata fazer proselitismo solto, como se tudo estivesse em ótimas condições. Uma grande mentira jornalística.

A pergunta específica sobre a política de juros serviu para mais propaganda do governo Lula, perdendo-se a oportunidade de apontar o íntimo conluio entre o PT e os banqueiros e os rentistas, em prejuízo dos brasileiros.

Toda gente sabe que os pagadores do mensalão foram os banqueiros, mas a imprensa, conivente e omissa, não diz uma palavra sobre o assunto. Enquanto o mundo inteiro pratica juros negativos ou ligeiramente positivos, o Brasil tem a espantosa cifra de dois dígitos, agravando a despesa pública de forma cavalar e desnecessária, em detrimento da produção. Bem sabemos que alguém paga a conta da milionária campanha governista.

A pior pergunta, todavia, veio na parte final: "A sua opção pela luta armada na juventude vai ser um assunto da campanha eleitoral. As pessoas querem saber se a senhora deu tiros, explodiu bombas ou seqüestrou".

Além de negar que tenha tido responsabilidade direta nas atrocidades cometidas pela esquerda que pegou em armas, a candidata ainda mentiu miseravelmente ao dizer que "O objetivo prioritário era nos livrar da ditadura, e lutamos embalados por um sentimento de justiça, de querer melhorar a vida dos brasileiros".

O repórter da Veja ignorou a fato histórico de que a guerrilha comunista queria implantar aqui a ditadura do proletariado e que o movimento militar aconteceu exatamente para evitar que isso acontecesse. Tudo ao contrário das declarações da candidata.

Dilma Rousseff jamais lutou pela democracia e pela justiça, mas sim, pela ditadura nos moldes de Cuba e da China (e da antiga URSS, que mandava então fundos milionários para fazer a revolução armada entre nós).

Essa gente era militante do comunismo internacional, então em forte expansão.

Todos têm as mãos sujas do sangue dos brasileiros inocentes que mataram.

14 Junho 2010

Lula prejudica reputação do Brasil

Lula prejudica reputação do Brasil
Por Mary Anastasia O'Grady
Valor Econômico

O Brasil pode estar ganhando respeito no front econômico, mas quanto à liderança geopolítica, Lula acaba preservando imagem de país ressentido e com complexo de Terceiro Mundo

Provavelmente não demorou muito depois que fomos expulsos do Jardim do Éden para o Brasil começar a sonhar em se tornar um país sério e um protagonista no cenário mundial. Agora, justo quando parecia que o eterno sonho brasileiro iria se tornar realidade, o presidente Luiz Inácio Lula DA Silva está botando tudo a perder.

O Brasil pode estar ganhando algum respeito no front econômico e monetário, mas quando se trata de liderança geopolítica, Lula está fazendo horas extras para preservar a imagem que o país tem de ressentido e sofrer de complexo de Terceiro Mundo.

O exemplo mais recente de como o Brasil ainda não está pronto para ter um lugar de destaque nos círculos internacionais, foi dado na semana passada quando ele votou contra as sanções ao Iraque no Conselho de Segurança DA Organização das Nações Unidas (ONU).

A Turquia foi a única parceira do Brasil nesse exercício embaraçoso. Mas a Turquia pelo menos pode culpar a complexidade de suas raízes muçulmanas. Lula está prejudicando a reputação do Brasil em Nome de sua própria gratificação política.

O Brasil defendeu sua posição na ONU alegando que "as sanções muito provavelmente levarão sofrimento à população do Irã e favorecerão aqueles, nos dois lados, que não querem que o diálogo prevaleça". Não há nada nessa declaração. As sanções não são direcionadas para a população civil, e sim para as ambições nucleares e de proliferação de mísseis do Irã. Quanto ao "diálogo", deveria ser óbvio a esta altura que é preciso um pouco menos de conversa com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Se o Brasil considerava seu voto uma posição de princípios em defesa DA justiça, ele logo desistiu disto. Após protestar contra as sanções, ele rapidamente anunciou que vai honrá-Las. Isso sugere que o país pode estar tendo um certo reconhecimento DA diminuição dos retornos de suas políticas externas lunáticas.

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula é de extrema esquerda, mas ninguém deveria confundí-lo com um bolchevique determinado. Ele é apenas um político esperto que saiu das ruas e adora o poder e as limusines.

Como o primeiro presidente brasileiro eleito pelo PT, ele vem tendo que contrabalançar as coisas úteis que aprendeu sobre OS mercados e as limitações monetárias com a ideologia de suas bases.

Sua resposta a esse dilema tem sido usar seu Ministério das Relações Exteriores ? Onde uma burocracia de inclinações esquerdistas é comandada por um intelectual notoriamente antiamericano e anticapitalista, Celso Amorim ? Para polir suas credenciais esquerdistas. Com sua amizade com OS "não-alinhados" proporcionando um escudo, ele vem conseguindo manter OS ideólogos coletivistas fora DA economia.

Mas a reputação do Brasil de líder entre as economias emergentes vem sofrendo muito. Para satisfazer a esquerda, Lula vem sendo solicitado a defender e elevar seus heróis, que são alguns dos maiores violadores dos direitos humanos do planeta.

Uma análise de seus dois mandatos presidenciais revela uma tendência de defender déspotas e desrespeitar democratas. O repressivo governo iraniano é apenas o exemplo mais recente. Há também o apoio incondicional de Lula à ditadura de Cuba e ao presidente da Venezuela Hugo Chávez.

Em fevereiro, Cuba deixou o dissidente político Orlando Zapata morrer por causa de uma greve de fome, na mesma semana em que Lula chegou à ilha para se confraternizar com OS irmãos Castro. Ao ser perguntado pela imprensa sobre Zapata, Lula comparou sua morte a mais uma entre as muitas pessoas que fizeram greve de fome na história e que o mundo ignorou. Ele obviamente nunca ouviu falar do militante irlandês Bobby Sands.

Lula também mantém-se fiel a Chávez, depois dele ter destruído as instituições democráticas de seu país e colaborado com as Forças Armadas Revolucionárias DA Colômbia (FARC), que atuam no tráfico de drogas. Um Brasil adulto teria usado sua influência para liderar um esforço contra esse terrorismo patrocinado pelo Estado. Mas sob a análise dos custos e benefícios políticos de Lula, as vítimas DA violência das FARC não têm importância.

Os hondurenhos não se saíram melhores durante a viagem de Lula pelo poder. O Brasil passou boa parte do ano passado tentando forçar Honduras a reempossar o presidente Manuel Zelaya, mesmo tendo ele sido destituído pelo governo civil por violar a constituição.

As medidas brasileiras, inclusive abrigar Zelaya na embaixada brasileira por meses, criaram um sofrimento econômico imenso para os hondurenhos.

Na semana passada, a secretária de Estado Americana Hillary Clinton pediu a Volta de Honduras para a Organização dos Estados Americanos (OEA), observando que o país realizou eleições e voltou à normalidade. O Brasil foi contra.

"O retorno de Honduras à OEA deve ser atrelada e meios específicos que garantam a redemocratização e o estabelecimento de direitos fundamentais", disse o vice-ministro das Relações Exteriores do Brasil Antonio de Aguiar Patriota. Uma observação ao Brasil: Está se referindo a Cuba?

O Brasil realiza eleições presidenciais em outubro e embora Lula esteja saindo com elevados níveis de popularidade, isso não é garantia de sucesso para a candidata do PT. Portanto, ele agora está agradando sua base partidária dando as mãos a Ahmadinejad e votando contra o Tio Sam.

Será que isso vai funcionar? Muita coisa vai depender se o número de brasileiros que acham que ele está prejudicando a emergente relevância do Brasil vai superar o número daqueles que apoiam a dança de Lula com os déspotas.

Conforme alertou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a política de Lula está fazendo o Brasil "mudar de lado", mas não está nem um pouco claro se os brasileiros concordam com isso.

14/06/2010

domingo, 13 de junho de 2010

Lula desconfia de Obama em Natal e confia no presidente americano em Maceió


Por Augusto Nunes

Num único dia, duas versões do presidente Lula foram apresentadas a diferentes Estados nordestinos. Com o olhar de quem acabou de ver a noiva com outro, exibiu-se no Rio Grande do Norte o missionário pacifista que só não provou que os aiatolás atômicos são gente boa por ter sido atraiçoado por Barack Obama. Com o olhar de quem chegou do almoço, exibiu-se em Alagoas o estadista que nem precisou estudar para virar doutor em tudo e, depois de ouvir do intérprete que Barack Obama dissera que era ele o Cara, nomeou-se consultor-geral do mundo.


“Fiz tudo o que ele pediu, mas o Obama não cumpriu a palavra”, repetiu em Natal a voz de quem consola a viúva no velório. “Não é porque o Obama disse que eu sou o cara que vou achar que já fizemos tudo o que precisa ser feito neste país”, repetiu em Maceió a voz de quem, ao acordar, cumprimenta-se por ter nascido. Somadas, as performances da quarta-feira informam que Lula agora tem um Obama para cada plateia.

Talvez esteja convencido de que uma metamorfose ambulante pode tudo. Pode muita coisa. Pode até promover a amigo de infância o inimigo que vivia acusando de corrupto, como reafirmou a segunda aparição em Alagoas ao lado de Fernando Collor. Mas não pode avisar de manhã que perdeu a confiança em Obama e afirmar à tarde que confia em Obama. Discursos excludentes frequentemente convivem na mesma cabeça. Mas não saem juntos.

A carta assinada por Obama, segundo o destinatário, prova que não se deve acreditar em coisas que o remetente escreve. Se é assim, não faz sentido acreditar em coisas que um intérprete diz que o presidente americano quis dizer, como ocorreu na reunião do clube dos cucarachas em Trinidad-Tobago. Obama não fala português. Quem transformou em Cara o que chegou aos ouvidos de Lula como maimém e maigai foi o intérprete Sérgio Ferreira.

Em vez de ajudar a remover as pendências que afligem o continente americano, o deslumbrado incapaz de enxergar-se com alguma ironia passou a envolver o Brasil em crises distantes ─ sempre do lado errado. Para vergonha dos brasileiros sensatos, a mistura de soberba e ignorância já se fantasiou de Pacificador do Oriente Médio e de Domador de Aiatolás. A reação do esperto que virou otário informa que o fracasso da missão no Irã não encerrou o carnaval temporão. Vem mais por aí.

Na sessão do Conselho de Segurança da ONU, 12 países aprovaram a quarta rodade de sanções e o Líbano se absteve. Só o embaixador da Turquia, parceira do fiasco, juntou-se ao Brasil. Lula afirma de meia em meia hora que os 5% que desaprovam seu governo em pesquisas amigas não querem dizer nada. Só importam os 80% que, conforme os sensus da vida, acham que, se melhorar, estraga. Nesta semana, decidiu que na ONU são outros 500 (ou outros 51). Os 80% de aprovação obtidos pela ideia de enquadrar o Irã não querem dizer nada. Importante foi o voto da Turquia: significa que 6% do total acharam a proposta ruim ou péssima. Para autoritários vocacionais, minoria a favor é maioria.

Porque só ouve o que dizem os áulicos, os oportunistas e os esquerdistas psicóticos, Lula imagina que tem chances de virar secretário-geral da ONU e ganhar o prêmio Nobel da Paz. Por falta de coragem, os mercadantes não se atrevem a lembrar-lhe que a entidade jamais será comandada por alguém incapaz de falar corretamente qualquer idioma. Por falta de juízo, os dirceus não lhe contam que um comparsa dos pastores da violência jamais será promovido a campeão da paz.

Lula trata a pontapés a democracia hondurenha, afaga a ditadura cubana, aproxima-se de Hugo Chávez, hostiliza Alvaro Uribe, irrita-se com o acordo militar entre Colômbia e os EUA, hospeda em Brasília um embaixador das FARC, isola-se da comunidade mundial para servir ao Irã, ignora o contencioso do continente americano para colecionar trapalhadas em lugares que conhece de vista. A insatisfação crescente de antigos admiradores estrangeiros confirma que ninguém erra tanto impunemente.

O palanqueiro sem freios nem pudores gabou-se com tamanha insistência da construção do Brasil Grande que acabou acreditando na proeza imaginária. Hoje, acredita que o mundo é um grande Brasil. Logo saberá que não é.
10 de junho de 2010

sábado, 12 de junho de 2010

SERRA VAI AO PONTO: A DEFESA DA DEMOCRACIA, DO ESTADO DE DIREITO, DA LIBERDADE DE IMPRENSA E CONTRA O ESTADO APARELHADO E POLICIAL



Por Reinaldo Azevedo

O PSDB lançou oficialmente a candidatura de José Serra à Presidência da República, na convenção realizada em Salvador. Serra fez um
discurso bastante crítico ao governo Lula, especialmente nos temas que dizem respeito à democracia e ao estado de direito.

Discursos dessa natureza são pensados com alguma antecedência, e o do candidato tucano foi escrito certamente antes de saber a manchete da Folha neste sábado: ela deixa claro que o dossiê armado pela canalha dos novos aloprados atingia também Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB.

E, como de hábito, recorrendo a ilegalidades e à máquina do estado, tornada máquina policial, para transformar inocentes em culpados, tentando fazer com que o jogo político seja decidido nas esferas do submundo.

Abaixo, uma seleção dos temas abordados por Serra, com trechos do discurso:

DEMOCRACIA

Acredito na democracia, e isso não é uma crença de ocasião. Muitos políticos ou partidos que se apresentam como democratas desdenham a democracia nas suas ações diárias. Mas, ao contrário de adversários políticos, para mim, o compromisso com a democracia não é tático, não é instrumental. É um valor permanente. Inegociável.


ESTADO DE DIREITO

Não é com o menosprezo ao Estado de Direito e às liberdades que vamos obter mais justiça social duradoura. Não há justiça sem democracia, assim como não há democracia sem justiça.



LIBERDADE DE IMPRENSA

Acredito na liberdade de imprensa, que não deve ser intimidada, pressionada pelo governo, ou patrulhada por partidos e movimentos organizados que só representam a si próprios, financiados pelo aparelho estatal. Não aceito patrulha de idéias - nem azul nem vermelha. A sociedade é multicolorida, multifacetada, plural. E assim deve ser.


ORGANIZAÇÕES PELEGAS

Acredito na liberdade de organização social, que trabalhadores e setores da sociedade se agrupem para defender interesses legítimos, não para que suas entidades sirvam como correia de transmissão de esquemas de Poder. Organizações pelegas e sustentadas com dinheiro público devem ser vistas como de fato são: anomalias.


UM PAÍS SEM LUIZ 14

Acredito que o Estado deve subordinar-se à sociedade, e não ao governante da hora, ou a um partido. O tempo dos chefes de governo que acreditavam personificar o Estado ficou pra trás há mais de 300 anos. Luis 14 achava que o estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para “Luíses” assim.



INTIMIDAÇÃO DA OPOSIÇÃO

Acredito que a oposição deve ser considerada como competidora, adversária, e não como inimiga da pátria. E, num regime democrático, jamais deve ser intimidada e sofrer tentativa de aniquilação pelo uso maciço do aparelho e das finanças do Estado.


PATRIOTISMO DEMOCRÁTICO

Acredito que a disputa partidária e eleitoral não deve sobrepor-se aos interesses do Brasil e dos brasileiros. Somos irmãos na pátria e, juntos, temos obrigação de construir um País melhor. Eu sempre agi assim. Sempre acreditei no patriotismo democrático e adotei a colaboração de quem tinha o que somar, independente da carteirinha partidária.


O BRASIL E OS DITADORES

Acredito nos direitos humanos, dentro do Brasil e no mundo. Não devemos elogiar continuamente ditadores em todos os cantos do planeta só porque são aliados eventuais do partido de governo. Não concordo com a repressão violenta das idéias, a tortura, o encarceramento por ideologia, o esmagamento de quem pensa diferente.


CONGRESSO NACIONAL

Acredito no Congresso Nacional como a principal arena do debate e do entendimento político, da negociação responsável sobre as novas leis, e não como arena de mensalões, compra de votos e de silêncios.


JUSTIÇA

Acredito no valor da Justiça independente, que obedece, mas não faz, às leis e é guardiã do nosso Estado de Direito. E prezo as instituições que controlam o Poder Executivo, como os Tribunais de Contas e o Ministério Público, que nunca vão ser aprimoradas por ataques sistemáticos de governos que, na verdade, não querem ser controlados.


CORRUPÇÃO

Acredito que são os homens que corrompem o poder e não o poder aos homens. Quem justifica deslizes morais dizendo que está fazendo o mesmo que outros fizeram, ou que foi levado a isso pelas circunstâncias, deve merecer o repúdio da sociedade. São os neo-corruptos.

“NÃO TENHO PADRINHOS”

Não tenho esquemas, não tenho máquinas oficiais, não tenho patotas corporativas, não tenho padrinhos, não tenho esquadrões de militantes pagos com dinheiro público. Tenho apenas a minha história de vida, minha biografia e minhas idéias. E o apoio de vocês que me conhecem e compartilham minhas crenças.


A ORIGEM POBRE E O USO POLÍTICO DESSA CONDIÇÃO


Venho de uma família pobre. Vim de baixo. Sempre falei pouco disso, e nunca com o objetivo de legitimar meus atos ou de inflar o mérito eventual dos meus progressos pessoais ou de minhas ações como político. Eu sou o que sou. Sem disfarces e sem truques. Tenho uma cara só e uma só biografia. E é assim que eu sou, é assim que eu vou me expor ao Brasil.


“GANHEI DINHEIRO VENDENDO LARANJA E DANDO AULA DE MATEMÁTICA”

Ainda criança, na minha vizinhança, vi gente morrer sem assistência médica, vi brasileiros com deficiência jogados ao Deus dará. Passei a andar sozinho de bonde e de ônibus lotados, como sardinha em lata, desde oito ou nove anos de idade. Ganhei dinheiro, quando criança, vendendo laranja. Quando jovem, dando aula de matemática. Eu sei onde o calo aperta. Eu sei como é a vida real das famílias pobres deste país, pois sou filho de uma delas.


“NÃO CAI DE PÁRA-QUEDAS”

Não comecei ontem e não caí de pára-quedas. Apresentei-me ao povo brasileiro, fui votado, exerci cargos, me submeti ao julgamento da população, fui aprovado e votado de novo. Assim foi em cada degrau, em cada etapa da minha vida. Isso demonstra meu respeito pela vontade popular. 80 milhões de votos ao longo da vida pública - 80 milhões de vezes brasileiros me disseram sim, siga em frente que nós te apoiamos.


SEGURANÇA PÚBLICA E TRÁFICO

A maioria dos brasileiros quer Segurança para suas famílias, quer que o governo federal assuma de vez, na prática, a coordenação efetiva dos esforços nessa área, ou o Brasil não terá como ganhar a guerra contra o crime. Eu também quero isso. A maioria dos brasileiros quer se ver livre do tráfico de drogas, que fomenta o crime, destrói o futuro de jovens e de suas famílias. Quer a recuperação dos dependentes químicos. Eu também quero.


MEIO AMBIENTE

A maioria dos brasileiros quer um meio ambiente saudável, cada vez mais limpo, onde o ar que respiramos e a beleza de nossas terras e florestas sejam protegidos. Eu também quero.


TRÊS RECORDES

Temos de afastar-nos de três recordes internacionais que em nada nos ajudam a satisfazer nossas necessidades e preencher nossas esperanças: o Brasil hoje tem uma taxa de investimento governamental das menores do mundo, a maior taxa de juros reais do mundo e a maior carga tributária de todo o mundo em desenvolvimento.


COMPROMISSO NA ECONOMIA

Na economia, meu compromisso é fazer o Brasil crescer mais e mais rapidamente. Vamos abrir um grande canteiro de obras pelo Brasil inteiro, como fizemos em São Paulo. Estradas, portos, aeroportos, trens urbanos, metrôs, as mais variadas carências na infra-estrutura serão enfrentadas sem os empecilhos das ideologias que nos impedem de dotar o Brasil das do capital social básico necessário. É a falta de infra-estrutura que cria gargalos para o crescimento futuro e ameaça acelerar a inflação no presente.


COMPROMISSO NA EDUCAÇÃO E NO BOLSA FAMÍLIA

Não vou exaurir aqui as propostas para as diferentes áreas. Já as tenho feito pelo Brasil afora. Mas faço questão de explicitar três compromissos com a Educação. O primeiro é dar prioridade à qualidade do ensino, que exige reforçar o aprendizado na sala de aula, começando por colocar dois professores por sala da primeira série do Ensino Fundamental.

O segundo, é criar mais de 1 milhão de novas vagas em novas escolas técnicas, com cursos de um ano e meio de duração, de nível médio, por todo o Brasil.

O terceiro é multiplicar os cursos de qualificação, mais curtos, para trabalhadores desempregados. Vejam o que fizemos em São Paulo. Vamos fazer muito mais em todos os estados do Brasil.

E reforçaremos o Bolsa Família, dando uma ajuda de custo para os jovens cujas famílias dependem desse programa, para que possam se manter enquanto fazem os cursos profissionalizantes.


COMPROMISSO NA SAÚDE

Dou outro exemplo de projeto, para a Saúde: vamos ter, ao final de dois anos, em todos os Estados, 150 AMEs, Ambulatórios Médicos de Especialidades, policlínicas com capacidade realizar 27 milhões de consultas e fazer 63 milhões de exames por ano.


OTIMISMO

Nunca estive tão seguro a respeito do quê e de como fazer para que o nosso Brasil vença seus problemas. Sei o que fazer para que o nosso Brasil aumente a prosperidade econômica dos brasileiros de forma sustentada. E, importante, para que se obtenha mais progresso social para todos os que trabalham, para os desamparados e para que o nosso País assegure oportunidades aos nossos jovens.


sábado, 12 de junho de 2010

Uma derrota desnecessária do Brasil


Com a aprovação, pelo Conselho de Segurança da ONU, de novas e mais duras sanções ao Irã, completa-se uma das mais desastrosas ações da política externa brasileira, na linha do antiamericanismo militante comandada pelo Itamaraty do B.

A votação foi 12 a 2, com uma abstenção. Votaram a favor os cinco membros permanentes do Conselho, inclusive Rússia e China, tradicionais aliados do Irã.

Votaram contra Brasil e Turquia, que insistem no acordo sobre o programa nuclear iraniano fechado em maio, em Teerã. Sobrou, para o Brasil, uma derrota amarga.

O governo brasileiro apostou numa aproximação com Teerã que abrisse caminho para negociações e dividisse o Conselho de Segurança na votação das sanções. O que não aconteceu.

O país ficou lamentavelmente isolado numa questão chave para a comunidade internacional. Esta arcou, a despeito dos esforços de Brasil e Turquia, com a responsabilidade de tentar frear o acesso a armas nucleares de um país liderado por uma fanática ditadura religiosa, que tem entre seus clientes habituais movimentos terroristas como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, no Líbano.

Pior para o Brasil, pois a Turquia demonstrou ter ao menos uma estratégia: sua aproximação com o Irã, em oposição frontal aos EUA e à União Europeia, diminui a resistência a Ancara no mundo árabe, aparando arestas que vêm do tempo do Império Otomano.

Não que os árabes morram de amores pelo Irã (Pérsia).

Mas quem é inimigo de meus inimigos…

As novas sanções autorizam qualquer país a inspecionar cargas que entrem e saiam do Irã; ampliam o embargo militar a novos tipos de armas convencionais e mísseis; tornam mais restrito o acesso do Irã à tecnologia nuclear; acrescentam mais instituições financeiras à lista negra; e pedem vigilância em negócios com qualquer organização ligada à Guarda Revolucionária, o mais importante pilar do regime.

O Irã reagiu de modo esperado, dizendo que continuará com suas operações para enriquecimento de urânio e ameaçando rever suas relações, que já não são boas, com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A decisão do Conselho de Segurança aumenta a pressão diplomática da comunidade internacional sobre o país, mas este tem sido criativo para driblar as sanções. Sua companhia estatal de navegação, por exemplo, usa o expediente de trocar nomes, bandeiras e operadores de seus mais de 100 navios para escapar às inspeções, segundo o “New York Times”.

Neste ano eleitoral, aguça-se a postura antiamericana do governo Lula, presente também na birra contra a volta de Honduras à OEA, outra parada perdida pelo governo brasileiro ao apoiar o presidente deposto, Manuel Zelaya, da cota de Hugo Chávez.

Honduras já elegeu um novo presidente e a OEA, por proposta dos EUA, criará uma comissão para estudar o reingresso do país.

Ao comentar a vitória na ONU, a secretária de Estado, Hillary Clinton, deixou aberta uma fresta para Brasil e Turquia prosseguirem as gestões diplomáticas, agora para Teerã abrir seu programa nuclear à inspeção, o que permitiria levantar as sanções – uma saída honrosa.

Mas, a julgar pelas primeiras declarações do presidente Lula, de que as sanções foram “um erro” da ONU, é pouco provável que ele leve o Brasil a se reabilitar na linha sugerida por Hillary. O Planalto, pelo jeito, insistirá no erro. Que, entre outros efeitos, coloca o país mais distante do assento de titular no CS.
10 de junho de 2010

Roteiro adaptado - Dora Kramer


Por Dora Kramer

Ao presidente Luiz Inácio da Silva já não basta infringir a lei de maneira explícita nem debochar dos tribunais de forma desabrida. Para tentar ganhar a eleição não hesita e agora simplesmente inventa que é um exemplar cumpridor da lei cercado por adversários infratores.

É bem verdade que o presidente nestes dois mandatos nunca deu um só exemplo de bom comportamento no campo da moral e da ética. Sempre que teve uma chance firmou ao lado do mau combate.

Defendeu o uso do caixa 2, amenizou responsabilidades de todos os notórios em revista, deu cheque branco a quem não deveria, beijou a mão de quem não merecia, afagou quem teve o mandato interrompido condenado por toda a sociedade, contemporiza com todos os ditadores do planeta, seguramente nunca antes neste País um presidente da República cometeu tantas e tão reiteradas infrações à legislação eleitoral.

Ao ponto de ser multado cinco vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral. Colegiado este que não nutre especial gosto por punições rigorosas a autoridades de altíssima patente. Tanto é que deixou que o presidente Lula pintasse e bordasse bastante antes de começar a puni-lo.

Assim mesmo foi preciso que Lula praticamente implorasse pelas multas, solapando a autoridade da Justiça com suas zombarias de auditório.

É certo que todos já estamos bastante acostumados com a ausência de modos da parte do presidente, fato visto como positivo por gente que acha que quanto mais sem educação o jeito, quanto mais chulas as expressões, quanto maior o menosprezo às normas de civilidade para alcançar os objetivos pretendidos, tanto mais parecido com o “povo brasileiro” o presidente será.

Qual o ganho que isso rende mesmo à sociedade, qual o avanço concreto que isso traz ao Brasil não ficou esclarecido até hoje. Popularidade? Sim, serve a Lula, ao PT, ao PMDB e aos tantos partidos penduricalhos para ganhar eleição.

Mas o que a nação perde em termos de valores tendo a impostura como prática de um presidente da República não interessa como tema de discussão. Em país democrático com instituições e sociedade saudáveis é uma distorção.

É como se o que se vê e o que acontece não valesse nada, tudo perdesse o efeito só porque o presidente diz ao contrário.

Note-se a declaração de ontem por inteiro: “Cabe ao presidente da República ser o exemplo no cumprimento das leis. Agora, é importante que a gente fique atento (sic), porque estou cheio de adversários que, com a preocupação de querer me enfrentar na campanha, começam a querer ganhar o jogo no tapetão, e este país vai exercitar a democracia até o fim.”

E acrescentou: “Acho que todos nós temos que cumprir a lei, todos nós temos um ritual de campanha permitido e proibido pela legislação. Acho que ninguém quer transgredir a lei. Se houver excesso, claro que cada um de nós tem que ser punido, mas tenho ouvido gente falando demais, fazendo insinuações demais e interpretações demais.”

Começando pelo fim: 1. Ninguém fala mais que o próprio presidente Lula. 2. Se as “insinuações” são os avisos da Justiça e do Ministério Público sobre possíveis consequências futuras dos ilícitos cometidos agora, o presidente já parece orientado por advogados a tentar amenizar os seus efeitos.

3. Não é verdade que a transgressão tenha sido involuntária. Foi proposital como demonstram as repetidas reincidências. 4. Não há ameaças à democracia. 5. O fato de os adversários recorrerem à Justiça é instrumento de defesa e não recurso para “ganhar no tapetão”. Inclusive porque ação judicial em si não rende voto.

A menos que Lula esteja preparando o terreno para se fazer de vítima caso a Justiça Eleitoral venha a tomar atitude mais rigorosa em relação à candidatura de Dilma Rousseff. Caso isso aconteça será para a oposição o pior dos mundos.

Mas que fique bem claro: terá sido em função do golpe baixo de primeiro antecipar a campanha e depois imaginar que a Justiça Eleitoral aceitaria o fato consumado na marra, pois não teria coragem de enfrentar a popularidade de Lula para fazer cumprir lei.

Ave, Lula


Ave, Lula

A maior virtude da democracia não é a de nos conceder a faculdade de optar pela escolha certa, mas sim a de nos garantir o permanente direito de poder corrigir a escolha errada.


Felizmente, 3 de outubro de 2010 nos espera.


José Danon
O Estado de S.Paulo

Para a maioria dos brasileiros, já tão acostumados à demagogia tradicional do discurso de seus políticos, não desperta surpresa o exótico comportamento de Lula em suas frequentes e folclóricas manifestações públicas em exibição nos cenários nacional e internacional.

Mas no exterior esse tipo de atitude não contribui favoravelmente para melhorar a imagem de seriedade e estabilidade político-institucional que o Brasil pretende cultivar. O mundo não vê grande diferença entre as excentricidades de um Lula ? que se propõe a resolver, munido somente de charme tupiniquim, impasses diplomáticos internacionais históricos e milenares de grande complexidade ? ou de um folclórico Idi Amin Dada de triste memória, que afirmava, para o entretenimento de sua plateia global, ser capaz de se comunicar verbalmente com crocodilos.

No caso de Idi Amin, o artifício de se mostrar propositalmente extravagante se justificava em razão de que suas esquisitices faziam parte de um estratagema publicitário que lhe permitia alcançar a visibilidade desejada. No caso de Lula, além do visível objetivo de promoção pessoal, esse comportamento não tem nenhum outro sentido prático, ao contrário. Sua atuação tem contribuído para a desconstrução dos esforços diplomáticos de pacífica e progressista convivência que historicamente orientam nossas relações exteriores. Um sintético retrospecto das recentes peripécias da diplomacia deste governo faz crer que nossa política externa, outrora objetiva e responsável, se encontra hoje em mãos de condutores de maturidade política e de eficácia igualmente questionáveis.

Com Honduras, tivemos o fiasco diplomático resultante da desastrada intervenção brasileira, apoiando e dando abrigo em nossa embaixada a um presidente que pretendia se eternizar no poder e, ao final, foi devidamente substituído por um sucessor democraticamente eleito.

Com a Itália, um inexplicável esforço para dar guarida a um ex-guerrilheiro condenado por diversos assassinatos pela Justiça de seu país, criando um impasse diplomático absolutamente desnecessário com um importante e tradicional aliado comercial e político.

Com a Venezuela, o inexplicável apoio pessoal de Lula ao déspota Hugo Chávez, que ampara guerrilheiros, censura a imprensa e prende opositores políticos, e que Lula, curiosamente, defende como exemplo de liderança democrática (certamente aferido por sua visão pessoal ? e esperamos que intransferível ? do que seja democracia).

Em Cuba, seu apoio incondicional ao ditador Fidel Castro, no poder, de fato, há 51 anos. Recentemente, por ocasião da morte de Orlando Zapata, prisioneiro político em greve de fome nos calabouços cubanos, Lula logrou a façanha de proferir uma das declarações mais infelizes e polêmicas já protagonizadas por um presidente brasileiro no exterior, culpando a vítima por sua própria morte, ao "deixar-se morrer". Sua bizarra declaração foi unânime e globalmente criticada, até por seus aliados políticos.

Lula foi também o mentor do perdão de dívidas de outros países com o Brasil, ignorando carências internas gritantes. São cenas cotidianas o nosso sistema viário abandonado, hospitais inoperantes, escolas desamparadas, prisões comandadas por prisioneiros, barracos de papelão servindo de moradia a trabalhadores que pagam os impostos que vão financiar metrôs e armamentos na Venezuela, hotéis em Cuba, casas de alvenaria na Bolívia e empregos no Paraguai, no Equador, em Moçambique, na Nigéria, em Cabo Verde, na Nicarágua e no Gabão. O total das dívidas perdoadas desses países foi de R$ 1,62 bilhão, quantia suficiente para atender ao reajuste dos aposentados, que o governo afirma não ter recursos para honrar. Está também doando como ajuda à Grécia mais de R$ 567 milhões, além de emprestar R$ 17 bilhões ao FMI sem haver sido convidado a fazê-lo.

Conta-se que os Césares de Roma traziam a seu lado nas bigas, ao desfilarem em seu triunfante retorno das batalhas, uma pessoa que teria a única função de sussurrar repetidamente em seus ouvidos: "Lembra-te de que és mortal, ó César." Como contrapartida ao clamor da multidão que poderia levá-los a olvidar-se de sua condição humana e acreditar-se divinos, esse chamado tinha o objetivo de reconduzi-los à realidade, lembrá-los de sua própria finitude, restabelecendo assim a normalidade das coisas.

Talvez nos falte alguém que ao lado desse homem visivelmente deslumbrado pelo poder, seduzido pelo afago dos indefectíveis aduladores e de questionável preparo para o exercício de uma função tão complexa, repita ao seu ouvido, de tempos em tempos: "Meu senhor, o senhor é só presidente. Lembre-se de que seu cargo é temporário, ó Lula."

Um presidente que descumpre as leis que não lhe agradam e debocha das sanções que lhe são aplicadas está desprestigiando os fundamentos em que se baseia o sistema democrático, nossa única garantia real de liberdade. Deve-se questionar se quem dá tão pouco valor às regras institucionais que regem a democracia poderá merecer representá-la. Em breve saberemos se a "herança maldita" é a que foi recebida por este governo ou a que será deixada por ele.

Afortunadamente, no bojo da própria arquitetura concepcional, formal e dinâmica da ideia de democracia reside, assim como um antídoto guardado no estojo do veneno, o elemento de correção das possíveis ameaças à sua viabilidade: a obrigatoriedade intransigente e inegociável da reavaliação periódica de sua evolução.

A alternância no poder não pretende ser o elixir de mirabolantes propriedades para a cura de todos os nossos males, mas o nutriente que nos permite sobreviver para que possamos ter a liberdade de errar quantas vezes forem necessárias.

Vale lembrar que a maior virtude da democracia não é a de nos conceder a faculdade de optar pela escolha certa, mas sim a de nos garantir o permanente direito de poder corrigir a escolha errada.

Felizmente, 3 de outubro de 2010 nos espera.

ECONOMISTA

11 de junho de 2010

Que espécie de gente serão esses 5% que não acham o governo Lula nem ótimo nem bom?

Esses estranhos 5%

Que espécie de gente serão esses 5% que não acham o governo Lula nem ótimo nem bom?

O repórter que propôs investigá-los (no sentido de pesquisar,conhecer,tentar entender, como ele bem explicou), pode encontrar algumas boas pistas aqui.Eles podem ser:

1) Pessoas que acreditam que a democracia não é apenas o governo das maiorias, mas também e principalmente o que não discrimina as minorias e as respeita, garantindo seus direitos constitucionais de manifestação e expressão.

2) Pessoas que não concordam que a atual política externa seja responsável, altiva e independente, mesmo que os outros 95% achem isso.Elas têm todo o direito de achar que é uma política aventureira,irresponsavelmente jactanciosa, longe das tradições da diplomacia brasileira, e afastada de seus valores básicos, que sempre foram os de não apoiar regimes de exceção, autoritários e ditatoriais.

3) Pessoas que acreditam que o atual ciclo de crescimento do País não começou com um estalar de dedos de um ser divino e providencial,mas é resultado de um processo que teve início em governos que se dedicaram a implantar os fundamentos de um crescimento sustentado, fundamentos esses que foram incontestavelmente assimilados, respeitados e mantidos, apesar das promessas - ou ameaças -em contrário.

4) Pessoas que acreditam que a ética e a honradez na política são valores que não podem ser desprezados.

5) Pessoas que sabem reconhecer que a divergência de idéias faz parte do processo democrático e são contrárias a qualquer tipo de controle da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão.

6) Pessoas que acreditam que a melhora dos índices sociais,a melhor distribuição de renda, o acesso de todos a uma educação de qualidade, não precisa ser feita através da instituição de um tipo reverso de discriminação social e racial, que institua o rancor e o ódio entre pessoas,grupos étnicos e classes sociais,separando em vez de unir a Nação.

7) Pessoas que acreditam que todos são iguais perante a lei e que ninguém está acima dela, e que, portanto, ninguém pode transgredi-la impunemente.

8) Pessoas que acreditam que debochar das instituições é um mau exemplo e uma agressão à democracia, principalmente quando parte de quem é responsável pela salvaguarda dessas instituições.

9) Pessoas que acreditam que a popularidade do presidente da República é um indicador inequívoco de apoio popular, mas que não acreditam que isso seja uma franquia para ultrapassar os limites da lei.Um presidente não pode tudo, ao contrário do que achava Richard Nixon.

10) Pessoas que acreditam que o presidente da República é um magistrado, e como tal deve comportar-se durante todo o tempo de seu mandato, inclusive durante uma campanha eleitoral.

São valores mais ou menos básicos, simples e fundamentais, mas possivelmente tão exóticos, nos dias de hoje, que só seja possível encontrá-los entre esses estranhos 5% de brasileiros.Pode até ser que não sejam pessoas “em fase de desespero diante das últimas pesquisas da campanha eleitoral”, mas gente tão normal e digna quanto os outros 95%.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”.

É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez..
 

EQUIPE DE INTELIGÊNCIA DA PRÉ-CAMPANHA DE DILMA INVESTIGOU VICE-PRESIDENTE DO PSDB INFORMAÇÕES SÓ ESTÃO DISPONÍVEIS NA RECEITA FEDERAL "É UM ABSURDO", AFIRMA EDUARDO JORGE

Dossiê traz dados sigilosos da Receita contra tucano


EQUIPE DE INTELIGÊNCIA DA PRÉ-CAMPANHA DE DILMA INVESTIGOU VICE-PRESIDENTE DO PSDB INFORMAÇÕES SÓ ESTÃO DISPONÍVEIS NA RECEITA FEDERAL "É UM ABSURDO", AFIRMA EDUARDO JORGE


LEONARDO SOUZA

DE BRASÍLIA

A "equipe de inteligência" da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência levantou e investigou dados fiscais e financeiros sigilosos do vice-presidente-executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira.
O grupo obteve documentos de uma série de três depósitos na conta de EJ no valor de R$ 3,9 milhões, além de outras informações de seu Imposto de Renda.

Os papéis integram um dossiê elaborado por um time de espionagem que começava a ser montado com o aval de uma ala da pré-campanha de Dilma.

A equipe reuniu três conjuntos de documentos. Dois tinham dados, respectivamente, sobre um aliado de José Serra (PSDB) investigado pela CPI do Banestado (2003-2004) e de negócios atribuídos à filha do tucano.

Agora, a Folha teve acesso às informações da terceira pilha de papéis, com dados fiscais e financeiros confidenciais de EJ disponíveis somente nos sistemas da Receita Federal e no computador pessoal em que ele preencheu sua declaração de IR.
Como a "Veja" revelou no mês passado, o esquema foi desfeito após o vazamento da movimentação do grupo.

EJ foi homem-forte no governo Fernando Henrique Cardoso, no cargo de secretário-geral da Presidência.

A espionagem é recente, já que um dos depósitos na conta de EJ foi feito neste ano. Os outros dois, também de R$ 1,3 milhão cada um, ocorreram em 2007 e 2009.

Procurado pela Folha, EJ confirmou as informações e afirmou que só poderiam ter sido obtidas por meio da quebra de seu sigilo fiscal. "É um completo absurdo essas informações terem chegado até eles. Demonstra a repetição do método do PT", disse.

Em tese, uma quebra de sigilo pode envolver vários crimes. Se feita por um servidor público e repassada a informação para pessoas fora de sua competência, ele pode responder por violação do sigilo funcional. A pena varia de multa a detenção.

A Folha confirmou com duas pessoas ligadas à equipe de espionagem que os documentos seriam usados para atacar o grupo de Serra.
EJ diz que os depósitos em sua conta, no Banco do Brasil, decorrem da venda de imóveis do espólio de seu sogro (uma chácara e uma loja no município de Maricá, RJ).

Ele contou que se tornou o inventariante de todo o espólio após a morte de sua sogra, quatro anos atrás. "Está tudo devidamente documentado no inventário", disse, repassando os dados do processo.

ORIGEM DO DOSSIÊ

Segundo a Folha apurou, a investigação da equipe da pré-campanha petista tem origem no desdobramento de um procedimento administrativo aberto pelo Ministério Público Federal.

No começo de 2009, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) enviou uma comunicação para a Procuradoria da República no DF, alertando para a insuficiência na renda declarada do tucano para justificar o depósito de R$ 1,3 milhão em sua conta em julho de 2007.

No ano passado, o jornal "Correio Braziliense" publicou parte do trabalho da Procuradoria da República.

Ao tomar conhecimento da investigação, EJ prestou esclarecimentos ao Ministério Público, mas os procuradores entenderam que deveriam continuar apurando.

O vice-presidente do PSDB, então, entrou com um mandado de segurança no Tribunal Regional Federal da 1ª Região e conseguiu trancar a investigação. No pedido à Justiça, o próprio EJ forneceu dados do caso, mas falando somente sobre sua movimentação financeira até 2007.

A partir do mandado de segurança, a equipe de espionagem começou a rastrear as movimentações financeiras de EJ, tendo obtido documentos que não constam do trabalho do Ministério Público, como cópias das declarações de IR do tucano e dados de depósitos de 2009 e 2010.