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sábado, 12 de junho de 2010

Três homens e alguns segredos

Três homens e alguns segredos

O empresário investigado por tentar vender ao governo cafezinho a 352 reais a xícara tem uma equipe cuidando das finanças do comitê da campanha presidencial do PT

Daniel Pereira e Alexandre Oltramari
Reprodução/AE
Benedito de Oliveira: ele alugou a casa, pagou a viagem de marqueteiros e indicou os funcionários que cuidam do dinheiro

Três homens que aparecem nesta reportagem têm muito em comum. Os três frequentaram o comitê eleitoral do PT, em Brasília. Os três têm ligações com uma empresa de eventos, a Dialog, que faturou dezenas de milhões em negócios com o governo federal. Os três não falam, nunca deram entrevistas e se esquivam de explicar o que realmente fazem – ou faziam – na campanha petista. As digitais do trio – o empresário Benedito de Oliveira Neto, o contador Luiz Carlos Ferreira e o ex-funcionário público Jorge Luiz Siqueira – apareceram no bojo do escândalo que foi a tentativa de montar um grupo de policiais e arapongas para espionar adversários e aliados incômodos. O elo mais forte entre esses três senhores é o dinheiro. Há duas semanas, em entrevista a VEJA, o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa revelou que o serviço de espionagem custaria 1,6 milhão de reais.

Quem pagaria?

Benedito de Oliveira.

Como?

Em dinheiro vivo.
Por que Benedito?

O enredo que responde a essa pergunta parece levar à repetição de uma história tão ou mais antiga do que as eleições: amigo de mandatário é beneficiado materialmente com contratos milionários feitos sem licitação ou ao arrepio delas e, mais tarde, devolve a gentileza custeando despesas do seu antigo benfeitor.

O Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam dezenas de negócios da Dialog, empresa de Benedito de Oliveira, com o governo, cujos termos e irregularidades ilustram com nomes e números o milenar enredo narrado acima.

Criada em 2004, a Dialog saiu da irrelevância para o domínio quase hegemônico da prestação de serviços e realização de eventos para ministérios e outros órgãos públicos. Não se sabe a razão, mas no ano passado o Ministério da Pesca propôs usar 72% de tudo o que gastou em 2009 em um único contrato com a Dialog.

Seriam entregues a Benedito 94 milhões de reais para... criar uma frota pesqueira?

Montar fazendas de camarão no Nordeste?

Ensinar a pescar?

Não. Nada disso.

O Ministério da Pesca queria destinar 94 milhões à Dialog para ela fornecer, entre outras coisas, cafezinho a funcionários e visitantes.

Cada xicrinha custaria aos pagadores de impostos do Brasil a fortuna de 352,22 reais.

Atenção: o Ministério da Pesca se dispôs a pagar ao empresário 352,22 reais por 50 mililitros de café na xícara, usando para isso o dinheiro dos impostos subtraídos dos brasileiros honestos que acordam cedo e vão trabalhar.

Com o valor que Benedito receberia por uma única xicrinha, qualquer dona de casa do Brasil compraria 40 quilos de café torrado e moído (9 reais o quilo) e serviria 4 000 chávenas de café forte.

Em outras palavras, uma família brasileira de quatro pessoas, cada uma tomando três xícaras de café por dia, levaria onze meses para gastar o mesmo que o empresário receberia do Ministério da Pesca por uma mísera xicrinha de 50 mililitros.

Seria o cafezinho mais caro da história do planeta se o Tribunal de Contas da União não tivesse percebido a tramoia e suspendido o processo de contratação da Dialog.
Benedito foi "convidado" para acompanhar o encontro com arapongas pelo amigo Luiz Lanzetta, dono de uma empresa contratada pelo PT para assessorar a campanha presidencial e que se demitiu na semana passada.

O empresário alugou a casa onde funcionava o comitê liderado por Lanzetta. Tudo o que se referia à administração estava sob a responsabilidade de certo Jorge Luiz Siqueira, que, até o ano passado, era coordenador de serviços e logística do Ministério da Agricultura.

Pois bem, milhões de reais em contratos justamente de serviços e logística obtidos pela Dialog junto ao Ministério da Agricultura estão agora sob investigação da Controladoria-Geral da União.

O ninho dos espiões tinha outro personagem da órbita de Benedito. Ele se chama Luiz Carlos Ferreira, consultor da Dialog, que na Casa do Lago Sul cuidava dos pagamentos em dinheiro vivo feitos a pedido da Lanza, a empresa de Lanzetta.
Os três sombrios personagens desta reportagem devem se encontrar de novo, sob trovões, raios e chuva, em comissão investigadora do Congresso que, na semana passada, aprovou a convocação de Jorge Hage, ministro da Controladoria-Geral da União.

Hage tem informações sobre os contratos fechados pela Dialog com ministérios, órgãos reguladores e a Presidência, incluindo o do cafezinho mais caro do mundo.

A meta é verificar se há alguma relação entre o dinheiro do empresário e o dinheiro da campanha presidencial petista. Os americanos Ben Self e Scott Goodstein, especialistas em internet a serviço do PT que vieram ao Brasil às expensas de Benedito de Oliveira Neto, foram convidados a depor pela comissão.

Diz o deputado Gustavo Fruet, do PSDB do Paraná: "Uma empresa que ganhou milhões em contratos com o governo nos últimos anos e se envolve na campanha da candidata desse mesmo governo é suspeita por definição".
Sergio Dutti
O CONTADOR
Luiz Carlos Ferreira, ex-funcionário
de Benedito, é o encarregado de todos
os pagamentos da casa onde funciona
a comunicação da campanha
de Dilma Rousseff

Sergio Dutti
AMIZADE
O comitê era gerenciado por pessoas indicadas pelo empresário

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A verdade sobre a democracia

A verdade sobre a democracia

Artigo de Tom Capri

A DEMOCRACIA é isso:  sinônimo de autoritarismo, de cerceamento de todos os tipos de liberdade, é violência contra o ser humano, é violação dos mais sagrados direitos humanos.
Comentário de Rivadávia Rosa sobre o artigo
de Tom Capri

O ilustrado Tom, dá o tom e fala A verdade sobre a democracia e de forma séria não só com profunda convicção, mas também de forma apologética.
Se entendi direito os ‘males do mundo’ são atribuídos a “democracia capitalista”. A origem da democracia é da Grécia antiga, logo a culpa é dos gregos. Esses gregos ...
Tem sentido Karl Marx – atribui os ‘males do mundo’ ao capitalismo, o que trocando ‘seis por meia dúzia’ dá no mesmo.
Nesses tempos heróicos gestados pela novilingüística, com a deturpação da linguagem, a tendência é procurarmos bodes, o velho e conhecido ‘bode expiatório’ e aí justificar a destruição de tudo ‘o que está aí’.
Porém demonizar a democracia, que foi muito bem percebida pela mística, mas realista IRACEMA, não me parece um bem, sobretudo para a humanidade.
Nessa batalha semântica iniciada com inteligência pelo bom Tom, é conveniente fazer alguns ajustes.
O debate não obstante – certa desilusão ‘democrática’ – demonstra a vigência justamente do princípio democrático, pelo menos diante do convite expresso pela palavra “participe”.
Assim, primeiramente cito e endosso:
“Como não gostaria de ser escravo, também não gostaria de ser amo. É essa a minha idéia de liberdade. Tudo o que diferir disso, na medida em que diferir, não será democracia.” Abraham Lincoln

A democracia como foi bem dito remonta à antiga Grécia, porém o Estado democrático ideal foi idealizado por Espinosa (nome de batismo – Bento dada pelos pais portugueses, judeus sefardista – Miguel e Hana Débora, instalados em Amsterdam, Baruch, na sinagoga e Benedictus aos 24 anos, 1632-1677) – cujos fundamentos foi a liberdade da palavra, expresso na síntese – cada um pense o que quiser e diga o que pensa (Benedictus Spinoza. In A Theologico-political Treatise and a Political Treatise – R.H.M. Elwes, Benedict de Spinoza: A theologico political treatise and and A Political Treatise, Nova York: Dover Publications, 1951), seguido pela separação prática do Estado e da Religião e por um contrato social promotor do bem-estar do cidadão e a harmonia do governo.
Um século depois tivemos a Declaração de Independência dos Estados Unidos e a primeira Emenda da Constituição Americana.
Porém, o marco da democracia moderna foi ditado pelos movimentos revolucionários - a Revolução Inglesa (duas fases - de 1625 e de 1689), a Revolução Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789).
Falava-se nos velhos tempos: ‘Como poderia a monarquia ser coisa perfeita, se lhe é lícito fazer tudo o que deseja sem o dever de prestar contas?’
Também dizia-se do governo democrático: ‘Não há coisa ... mais estulta e mais insolente que uma multidão incapaz’, arrematando – ‘como pode governar bem aquele que não recebeu instrução nem conheceu nada de bom e de conveniente e que desequilibra os negócios públicos intrometendo-se sem discernimento, semelhante a uma manada?’
Pero, nos tempos modernos – certa governança pública pratica o que tem de pior tinha a monarquia e o que tem de mais maléfico a democracia.
Seria Vox populi vox Dei - a voz do povo, a voz de Deus? Ou os maus costumes políticos que abundam ...
A DEMOCRACIA – especial, relativa, pura, democracia direta, democracia indireta, democracia semidireta; ou, democracia não representativa – direta – e a democracia representativa — indireta ou semidireta podem ser um jogo de palavras, sobretudo quando instrumentalizada pelos ditadores para evitar e degradar o sistema político que exige eleições livres, parlamento livre, imprensa livre, respeito pelos direitos humanos, Estado de Direito ...
A DEMOCRACIA – não obstante ser um conceito universal – para algumas sociedades – atrasadas e autoritárias – democracia é somente um processo eleitoral; nos países mais avançados – eleição é o começo da democracia.
No Brasil a democracia representativa consagrada pela Constituição de 1988, não foi aceita pelas hostes petistas, quando de sua promulgação.
Os fundamentos ‘democráticos’: soberania popular, como fonte de todo o poder legítimo, que se traduz através da vontade geral (a volonté générale anotada por Rousseau do in Contrato Social); o sufrágio universal, com pluralidade de candidatos e partidos; a observância constitucional do princípio da separação dos poderes (cheeks and balances);  igualdade de todos perante a lei; a representação como base das instituições políticas; a limitação de prerrogativas dos governantes; o Estado de direito, com a prática e proteção das liberdades públicas por parte do Estado e da ordem jurídica, abrangendo todas as manifestações de pensamento livre: liberdade de pensamento, de opinião e de expressão, de reunião, de associação e de culto religioso; a temporariedade dos mandatos eletivos;  a tolerância e proteção das minorias políticas, étnicas, sociais,  com direitos e possibilidades de representação, representam seus pilares.
a soberania popular é exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto, secreto e obrigatório, com valor igual para todos.
OS VALORES CAPITALISTAS – pluralidade, democracia representativa, tolerância, respeito à diversidade e ao direito natural de cada pessoa construir seu projeto de vida – são os responsáveis pela verdadeira revolução não na economia, mas também na educação, ciência e tecnologia.
Porém, a origem e exercício da autoridade – com votos sem restrições constitucionais conduzem ao despotismo da maioria; as restrições sem votos ainda pior, quando há o apoio da força (militar e/ou violência das massas) – que levam ao despotismo das oligarquias, inclusive lulo-petistas burguesas.
Agora vamos aos conceitos e suas aberrações/adulterações onde desponta impoluta a mendacidade crônica da esquerda, com objetivo de estabelecer uma democracia hegemônica.
Em contraste com a democracia, a política dos partidos marxistas-leninistas e outros variantes, induzem as pessoas a suspeitarem da democracia e culpá-la por todos os males que ela não consegue impedir; leva os governantes a considerar o Estado como de sua ‘propriedade’, não dos governados; e a dizer-lhes que só há um meio de melhorar as coisas, o da completa conquista do poder. Ignoram com isso que a democracia só é importante porque controla e equilibra o poder. Tal conduta tem como único resultado realizar a obra dos inimigos da sociedade democrática.
 Certo esquerdismo entende que a democracia é um regime de direita inventado pelas elites burguesas para enganar o povo e, ainda considera que só os ignorantes e analfabetos possuem sabedoria, apostando no apedeutismo. Assim, quanto mais miserável, mais sabedoria; quanto mais simplismo, mais objetividade...
Essa mendacidade patológica do esquerdismo chega ao extremo de afirmar que “mentir em prol da verdade”, dizia BERTOLD Brecht, é dever fundamental do militante comunista.
Depois da falência múltipla dos órgãos e instituições dos regimes totalitários que dominaram o século XX – o nazismo (Queda de Hitler - 1945) e o comunismo (Derrubada do Muro de Berlim -1989) – a democracia é o único regime político admitido universalmente, pela e enquanto prevalente a idéia democrática.
Por isso e justamente por isso é que a democracia vem sendo usada, abusada e corrompida em detrimento da própria prevalência da idéia democrática, estratégia muito utilizada pelos Estados abusivos (estados abusivos, roque states) – por violar os espaços dos direitos humanos e internacional (Cuba, Coréia do Norte, Irã, Venezuela); outros Estados falidos (estados falidos, failed states) e por não assegurarem sequer a ordem interna; e ainda por Estados podres – dominados pela corrupção.
Assim surgem as dissimulações, falsificações, democracias fingidas e autênticas.
A característica da democracia fingida não é opor-se à democracia, mas ao contrário, disfarçar-se de democracia.
A democracia autêntica – é o regime dotado de elementos essenciais: eleição popular dos governantes, em eleições livres e honestas, em que o Poder Executivo assim eleito deve ser controlado mediante o funcionamento independente dos outros poderes que integram o equilíbrio republicano – o Poder Legislativo e o Poder Judiciário.
O funcionamento da democracia apresenta numerosas imperfeições e por ser concepção humana e não divina não pode evitar as imperfeições, chegando-se até o democratismo que é a tendência não de respaldar a democracia como forma de governo, mas democratizar tudo que há no interior da democracia, chegando-se ao ponto de refutá-la por via do absurdo.
Aí entram as aberrações sociopatológicas, que não são meras exceções:
A oclocracia - que ARISTÓTELES – descreve como uma forma de governo em que a demagogia conduz a uma degeneração da democracia (ainda do grego - ochlokratía - oclo – óchlos = multidão, turba; kratía = governo (“governo em que prepondera a plebe, a multidão ou em que o poder é por ele exercido” – AURÉLIO).
A kakistocracia – do grego κακιστος (kakistos), pior, superlativo de κακος (kakos), ruim + -κρατια (-kratia) poder, governo; governo sob controle dos piores ou menos qualificados cidadãos.

Assim, a democracia corrompida – qualquer que seja o governo, mesmo despótico diz que é democrático. Os líderes autoritários pretendem que seu regime seja especial cuja democracia é erigida a uma democracia superior as ‘outras’.

Lênin (Wladmir Illich Ulianov - 1870-1924) - arquiteto da construção dos fundamentos do regime totalitário que governou a então URSS durante mais de sessenta anos, proclama:
“A democracia proletária é um milhão de vezes mais democrática que qualquer democracia burguesa; o governo soviético é um milhão de vezes mais democrático que as repúblicas burguesas”.(“La democracia proletaria es un millón de veces más democrática que cualquier democracia burguesa; el gobierno soviético es un millón de veces más democrático que la más democrática de las repúblicas burguesas.”)
Nesse esteira da pureza democrática, especialmente dos devotos da ditadura, digo, democracia e direitos humanos de Cuba e da Venezuela, com alguns surtos desde, o mais ético do mundo ao excesso de democracia:
“Sou um democrata puro e absoluto. Porém sou o único: não tenho com quem falar.” Vladimir Putin, ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia.

Cuba da familiocracia-comandante-general Fidel e Raúl Castro, não fica por menos:
"Se acusa a nuestro país de falta de democracia, pero en actos como éstos nos damos cuenta de que somos los más democráticos del mundo, pues tenemos dos presidentes: a Fidel y a Chávez", afirmou o vicepresidente cubano Carlos Lage em Caracas, na VI reunión de la Comisión Mixta Cuba-Venezuela realizada em 2005.
Todos certamente devotos e turbinados pela verdadeira democracia  (wahre Demokratie - in A Crítica da Teoria do Estado de Hegel - Kritik der Hegelschen Staatslehre - também conhecida como o "Manuscrito de 1843" ou o "Manuscrito de Kreuznach", publicada pela primeira vez em 1927, por Riazanov, na Rússia; em 1928, lançada na Alemanha, por Landshut e Mayer) – em que  o verdadeiro profeta do apocalipse Karl Marx  proclama – em contraposição à democracia política (a nossa atual) – que seria atingida – depois de abolido o Estado (o comunismo em sua projeção histórico-política pela supressão das classes e da propriedade privada levaria não só a extinção do Estado, mas também ao desaparecimento do Direito e, todos viveríamos no paraíso, sem nenhuma preocupação, nem com trabalho: “… na sociedade comunista, em que cada um não está em um círculo exclusivo de atividade, mas pode se aperfeiçoar em qualquer ramo, a sociedade regula a produção geral e assim me dá a possibilidade de fazer isto hoje, aquilo amanhã, de caçar pela manhã, pescar à tarde, cuidar do rebanho no fim do dia,   inclusive criticar a alimentação, sem no entanto me tornar caçador, pescador, pastor ou crítico, apenas seguindo meu prazer” ( Karl Marx - In “A ideologia Alemã – 1.ª parte) muito embora sua praxis tenha se revelado na maior tragédia provocada pela ação (des) humana no século passado.
O certo, queiramos ou não, o regime democrático é único que permite a convivência pacífica e civilizada de tendências, opiniões, idéias opostas, sem nos matarmos uns aos outros, por divergência ideológica.
Isso, porém, não quer dizer que seja a verdade das absoluta das estruturas (e instituições) humanas e políticas – mas é efetivamente uma convenção que funciona melhor; ou na percepção de KARL R. POPPER é o único caminho para qualquer reforma, já que permite a reforma sem violência (in A sociedade aberta e seus inimigos).

No mais, a cidadania deve se manter alerta a tais condutas – ou seja – a VIOLAÇÕES DAS REGRAS DO JOGO DEMOCRÁTICO – ESSÊNCIA DA TRADIÇÃO DEMOCRÁTICA, mediante condenação moral diante de ações que possam  contaminar a democracia e os fundamentos da ORGANIZAÇÃO INSTITUCIONAL REPUBLICANA E DEMOCRÁTICA.

Abs RR

quinta-feira, 10 de junho de 2010

TSE aprova e ficha limpa já vale para as eleições 2010



Por seis votos a um, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na noite desta quinta-feira que a Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos condenados por órgãos colegiados da Justiça, terá validade a partir das eleições de outubro deste ano.


 O tribunal respondeu a uma consulta do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). O relator do caso, ministro Hamilton Carvalhido, afirmou:

“A lei foi publicada antes das convenções, por isso não prejudica a eleição vindoura”.

Carvalhido ressalvou, porém, que o candidato condenado por órgão colegiado poderá entrar com recurso para suspender a condenação e, assim, se candidatar.

Essa possibilidade está prevista na lei.

Além do relator, também votaram pela validade da ficha limpa em 2010 os ministros: Aldir Passarinho Junior, Arnaldo Versiani, Cármen Lúcia, Marcelo Ribeiro e Ricardo Lewandowski (presidente do TSE).

O único voto contrário foi do ministro Marco Aurélio Mello.

Quanta arrogância pode carregar uma única besta?

Quanta arrogância pode carregar uma única besta?

Por Saramar
“Cara de palhaço,
pinta de palhaço,
foi este o meu amargo fim.
(...)
Estavas roxa por um ‘trouxa’
"pra" fazer cartaz.
Na tua lista de golpista,
tem um bobo a mais..
Quando a chanchada, deu em nada
Eu até chorei...”

Luiz Reis-Haroldo Barbosa

Luiz Inácio da Silva que, aparentemente, acredita mesmo ser “o cara”, arrebanhou o governante sírio para sua patuscada iraniana, na tentativa de ser imortalizado como o grande salvador do mundo.


O resultado, previsível, poderia ter transformado os dois “líderes” em piada planetária, se o assunto não fosse tão sério e perigoso. Como todos já sabiam, o mundo ignorou totalmente o tal acordo assinado pelo ditador iraniano e seus aliados que tentaram se dar bem na história.


A ONU, cumprindo o seu papel, impôs novas sanções ao Irã, por considerar o acordo como mais uma farsa justamente para postergar a adoção destas sanções. Só o Luiz Inácio e seu ministro Celso Amorim não sabem disso.


Por falar em Luiz Inácio, este, mesmo doidinho para integrar o núcleo fixo do Conselho de Segurança da ONU, sem alternativa para se defender do desastre que foi o tal acordo, tratou de desmerecer o Conselho, taxando de autoritário e ultrapassado.


Já o Celso Amorim, na tentativa de salvar a própria pele, afirmou que os integrantes do Conselho foram coagidos a votar a favor das sanções. Ele deve entender de coação, uma vez que, tendo sido um importante membro da Casa de Rio Branco, trocou sua carreira e sua credibilidade pelo cargo que atualmente exerce, qual seja o de apoiar todas as sandices do seu “comandante-em-chefe”, como se viu no caso de Honduras.


Pois é. Luiz Inácio, ao invés de ficar por aqui, usufruindo dos salamaleques dos seus aduladores (pagos com dinheiro público, é bom lembrar) e cuidando de eleger sua medíocre candidata, foi posar de estadista em emaranhados que sua tosca visão de mundo jamais lhe permitiu sequer vislumbrar.
 

Deu no que deu: ele, o suposto “cara” e o governante turco deram com os burros n’água e saíram do imbróglio que criaram como os mais novos otários do planeta.

Diante de cada confronto espontâneo ou fabricado, a reação pró-islâmica e anti-israelense da classe jornalística mundial é sempre imediata, unilateral e sem o mais mínimo exame crítico.

Israel ante o poder global

Por Olavo de Carvalho
MSM

Se Israel tivesse a seu lado o esquema globalista, teria também a mídia internacional, mas esta é de fato o seu principal e mais odiento inimigo.

Longe de ser instrumento de um projeto mundial de poder, Israel é hoje quase uma nação pária, como Honduras, a Colômbia, Uganda ou o Estado americano do Arizona.

O episódio do navio turco em Israel resume-se em dois termos:
=-factóide" e "guerra assimétrica".

Seria a marinha turca tão despreparada, tão ingênua, tão pueril ao ponto de ignorar que nenhum governo do mundo jamais deixaria um navio estrangeiro desembarcar toneladas de caixas numa zona em conflito sem examiná-las primeiro?

Sobretudo depois que os mediadores israelenses foram recebidos a socos e pontapés, por que deveria o governo de Tel-Aviv aceitar a priori a hipótese de que o conteúdo das caixas fosse algo de tão inocente quanto bolinhos de bacalhau ou picolés de abóbora?

É com base nesta hipótese maluca, teatral, fingida até o último limite de desespero, que a tal "opinião pública mundial" se desfaz em lágrimas de cólera contra a ação israelense.

O significado do caso vai, no entanto, muito além do de mais uma encenação patética de autovitimização palestina.

Muitos estudiosos do poder global, inclusive alguns bem honestos, asseguram que o establishment bancário europeu e anglo-americano tem no Estado de Israel um dos seus principais instrumentos de ação imperialista para a conquista do poder sobre todo o orbe planetário.

A hipótese parece razoável à primeira vista, tendo-se em conta a elevada presença de judeus nos altos círculos do globalismo, mas ela recebe um desmentido cabal e flagrante quando se observa a atuação da mídia internacional nos vários conflitos que envolvem Israel.

Afinal, um bilionário ter nascido judeu não faz dele automaticamente um patriota israelense ou um amigo dos demais judeus, como o sujeito ter nascido americano não faz dele um discípulo fiel dos Founding Fathers.

A mídia é o instrumento supremo de ação das elites globalistas sobre a opinião pública. Daniel Estulin demonstrou, em "A Verdadeira História do Grupo Bilderberg", que hoje em dia a grande mídia da Europa e dos EUA está concentrada nas mãos de uns poucos grupos globalistas.

Se Israel estivesse a serviço desses grupos, o que veríamos nos jornais e canais de TV seria a defesa incondicional dos interesses israelenses mesmo quando fossem injustos e prejudiciais ao resto do mundo.

Na realidade, o que se vê é precisamente o contrário: façam os judeus o que fizerem, eles são sempre os errados, os malvados, os imperialistas, os agressores.

A guerra de ocupação cultural muçulmana no Ocidente, em contrapartida, é invariavelmente pintada com as cores mais inocentes e comovedoras, como se a imposição arrogante da shariah e do poder islâmico na França, na Alemanha ou na Inglaterra fosse apenas uma questão de proteger imigrantes desamparados e inermes.

Diante de cada confronto espontâneo ou fabricado, a reação pró-islâmica e anti-israelense da classe jornalística mundial é sempre imediata, unilateral e sem o mais mínimo exame crítico.

A duplicidade de critérios com que aí são julgados os contendores mostra que a cobertura desses episódios, em praticamente todos os países e idiomas, já foi muito além do mero viés jornalístico e se transformou numa arma de guerra assimétrica.

Ela tem a constância automática da obediência a um programa de ação previamente decidido. E quem o decidiu, senão os que têm os meios de fazê-lo, os donos da geringonça midiática?

Se Israel tivesse a seu lado o esquema globalista, teria também a mídia internacional, mas esta é de fato o seu principal e mais odiento inimigo.

Longe de ser instrumento de um projeto mundial de poder, Israel é hoje quase uma nação pária, como Honduras, a Colômbia, Uganda ou o Estado americano do Arizona, carregando, como eles, a culpa de tomar decisões independentes em favor de seu povo em vez de auto-sacrificar-se masoquisticamente no altar da Nova Ordem Mundial, como o fazem as nações européias.

08 Junho 2010
Artigos - Globalismo

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O nosso Ahmadinejad



É um dos dias mais tristes na história da diplomacia brasileira. O nosso país acaba de votar contra o mundo livre e a favor de uma tirania fundamentalista em busca de uma bomba atômica, com claros objetivos bélicos contra a democracia. Na foto, o nosso Ahmadinejad.

ONU aprova sanções contra Irã com oposição de Brasil e Turquia


Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em Washington
EUA temem que Irã esteja desenvolvendo armas nucleares

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou nesta quarta-feira uma quarta rodada de sanções contra o Irã para pressionar o país a interromper seu programa nuclear.

O Brasil e a Turquia, que têm vagas rotativas no Conselho de Segurança, sem direito a veto, votaram contra as sanções. O Líbano, também integrante rotativo, se absteve de votar. Os outros 12 membros do Conselho votaram a favor.

A votação, em Nova York, foi atrasada em mais de uma hora por causa da ausência dos embaixadores do Brasil e da Turquia.

Quando a reunião finalmente começou, a embaixadora brasileira na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, foi a primeira a falar e anunciou o voto contra ao dizer que o Brasil “não vê as sanções como um instrumento eficaz nesse caso”.

A embaixadora brasileira disse que as sanções “provavelmente levarão ao sofrimento do povo iraniano” e que experiências passadas, “notavelmente o caso do Iraque”, mostram que sanções, ameaças e isolamento podem ter consequências trágicas.
Acordo

Viotti voltou a defender o acordo firmado no mês passado pelo Brasil e pela Turquia com governo iraniano, pelo qual o Irã se comprometia a enviar seu urânio com baixo nível de enriquecimento ao território turco e receber em troca material enriquecido o suficiente para uso civil, mas não militar.

"O Brasil vai votar contra a resolução. Ao fazer isso, estamos honrando os propósitos que nos inspiraram nos esforços que resultaram na declaração de Teerã em 17 de maio", disse.

“A adoção de sanções, nessa conjuntura, vai contra os esforços do Brasil e da Turquia para engajar o Irã em uma solução negociada para o seu programa nuclear”, afirmou Viotti.

O acordo firmado com o Irã tinha como base uma proposta apresentada anteriormente pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) mas rejeitada na ocasião pelo governo iraniano.

No entanto, apenas um dia após o anúncio do acordo, os Estados Unidos circularam a nova proposta de resolução no Conselho de Segurança, afirmando que o pacto firmado em Teerã não era satisfatório e que o Irã não se comprometia a interromper seu programa de enriquecimento de urânio.

A representante brasileira criticou a votação das sanções antes de “sentar e conversar sobre a implementação da declaração de Teerã”.

“O Brasil lamenta profundamente que a Declaração Conjunta não tenha recebido o reconhecimento político que merece nem o tempo necessário para dar resultados”, afirmou.
Estados Unidos

Em sua intervenção, após a votação, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, referiu-se ao acordo firmado pelo Brasil e pela Turquia.

“A Turquia e o Brasil trabalharam muito para obter avanços”, afirmou. “Os esforços refletem as boas intenções de seus líderes em abordar as necessidades humanitárias do povo iraniano e ao mesmo tempo construir maior confiança internacional sobre a natureza do programa nuclear do Irã.”

Rice afirmou, porém, que o acordo não responde questões e preocupações "fundamentais" sobre o programa nuclear iraniano e que Irã teve diversas oportunidades de comprovar que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins pacíficos, mas não o fez.


Os Estados Unidos e seus aliados temem que o Irã esteja planejando secretamente desenvolver armas nucleares. Teerã nega essas alegações e diz que seu programa nuclear tem fins civis.

Rice disse que o objetivo dos Estados Unidos com as sanções é persuadir o Irã a interromper seu programa nuclear e a negociar de maneira construtiva com a comunidade internacional.

Os Estados Unidos afirmam que mantêm dois caminhos em relação ao programa nuclear do Irã, de pressão (com as sanções), mas também de disposição para o diálogo.

No entanto, em seu pronunciamento, a representante do Brasil disse que a decisão de impor novas sanções era uma demonstração de que apenas um desses caminhos está aberto.

“Ao adotar as sanções, este Conselho está na realidade optando por um dos dois caminhos que deveriam correr em paralelo – na nossa opinião, o caminho errado”, disse Viotti.
Sanções

A votação da nova resolução ocorreu depois de cinco meses de discussões entre os membros do Conselho de Segurança e sob forte resistência do Brasil, que tem uma vaga rotativa no órgão.

Os Estados Unidos queriam sanções mais duras, mas a resolução final foi um pouco suavizada por pressão da Rússia e da China, dois dos membros permanentes do Conselho, com direito a veto.

Mesmo assim, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, referiu-se às sanções como as “mais significativas” já impostas ao Irã.

As novas sanções ampliam medidas já em vigor, ao proibir a venda de várias categorias de armamento pesado ao Irã, incluindo helicópteros de ataque e mísseis.

Também fica estabelecido que todos os países inspecionem em seus portos e aeroportos cargas suspeitas de conter itens proibidos com destino ou origem no Irã.

As sanções incluem ainda 40 empresas e um alto funcionário ligado ao programa nuclear à lista de pessoas e companhias iranianas sujeitas a restrições de viagens e congelamento de ativos.

Segundo analistas, o fato de Brasil e Turquia terem votado contra as sanções prejudica a imagem de união em torno do tema que os Estados Unidos gostariam de transmitir.

As três rodadas anteriores de sanções não foram suficientes para convencer o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio.


Novo pacote de sanções contra o Irã



Em notas ao café

por JN

Dave Granlund, «Politicalcartoons.com»

Uma resolução que impõe um novo pacote de sanções contra o Irã já está pronta para ser votada pelo Conselho de Segurança da ONU; pela voz do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, a Rússia é um dos países que concorda com as novas sanções — algo contrário ao que se passou até há algumas semanas.

As sanções têm como alvo o programa nuclear iraniano, que países ocidentais acusam de ter fins militares, algo que Teerão continua a negar.

Os diplomatas da ONU esperam que a resolução seja votada nos próximos dias, e apesar dos esforços diplomáticos por parte de Washington não deverá contar com o apoio de todos os membros do Conselho de Segurança, como o Brasil e a Turquia.

Por seu lado, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que seu país irá desistir das negociações sobre seu programa nuclear caso o Conselho de Segurança aprove o novo pacote de sanções contra o seu país.

Durante uma visita a Istambul, na Turquia, para uma reunião regional sobre segurança, o líder iraniano afirmou que a recente proposta de acordo nuclear, mediada pelo Brasil e a Turquia, era uma oportunidade única que não será repetida; para o Sr. Ahmadinejad o acordo de Teerão deu aos EUA e seus aliados uma nova oportunidade que ele espera que usem da melhor forma possível — acordo que os EUA acham que já chegou tarde e ao qual dão pouco crédito até por recentes relatórios da Agência Internacional de Energia Atómica.

Ao mesmo tempo enviou recados a Moscovo para não se colocarem ao lado dos inimigos do povo iraniano

Stephff

O New York Times publicou um artigo onde descreve os estratagemas utilizados pelo Irã, através da companhia estatal Islamic Republic of Iran Shipping Lines, para contornar as sanções de que é alvo.

A companhia de transporte marítimo criou uma série de empresas de fachada para camuflar a origem dos seus navios e muda frequentemente o nome dos mesmos tornado difícil o trabalho do o Departamento do Tesouro americano em manter uma “lista negra” actualizada.

[A]n examination shows how Iran has used a succession of stratagems — changing not just ships’ flags and names but their owners, operators and managers, too — to stay one step ahead of its pursuers. This cat-and-mouse game offers a case study in the difficulties of enforcing sanctions.

“We are dealing with people who are as smart as we are, and of course they can read our list,” said Stuart A. Levey, the under secretary of the Treasury who oversees the sanctions effort and the blacklist of Irisl and its fleet.

That blacklist simply hasn’t kept up. [...]


Junho 9, 2010

Planilha mostra doações de empresa de fachada da Bancoop ao PT

Por Fernando Mello


Trechos da planilha com as movimentações da Mirante /Mizu listam doações ao PT. (Foto: Reprodução)



REVISTAS ABRIL

Uma planilha que acaba de chegar às mãos da CPI da Bancoop na Assembleia Legislativa de São Paulo traz doações feitas pela empresa Mirante/Mizu Artefatos Ltda ao PT, no valor de 43.200 reais. O Ministerio Público considera que a empresa era de fachada. Em 2002, ano das doações, o TSE não registra nenhuma contribuição oficial feita pela Mirante/Mizu a qualquer campanha ou candidato.


A Mirante/Mizu Artefatos foi registrada em 23 de julho de 2002. Parece ter sido feita sob medida para atender a um único cliente, a Bancoop, à qual fornecia blocos de concreto.

Segundo a planilha, já nos três primeiros meses de funcionamento tinha recebido da cooperativa 900.000 reais.


Quatro dirigentes da Bancoop, incluindo o então presidente Luiz Eduardo Malheiros, faziam parte da diretoria da Mirante/Mizu. Malheiros autorizava os depósitos da Bancoop na conta da fabricante de blocos.

A cooperativa e a empresa tinham conta na mesma agência bancária. Naquele momento, o diretor financeiro da Bancoop era o petista Ricardo Berzoini.


A suspeita do Ministério Público e de integrantes da CPI da Bancoop é de que a cooperativa usava uma rede de empresas contratadas para abastecer o caixa dois do PT na eleição de 2002 e para enriquecimento dos dirigentes da cooperativa.

A Mirante/Mizu seria uma dessas empresas.

Nesta terça-feira, os deputados da CPI da Bancoop votam o pedido de quebra de sigilo de 15 pessoas e empresas. Os deputados querem saber como, apenas nos cinco primeiros meses de vida, a Mizu movimentou mais de 1 milhão de reais recebidos da Bancoop.

Entre as movimentações suspeitas estão os 43.2000 reais de doações ao PT, 162.000 reais em compra de apartamentos da própria Bancoop, 153.000 em divisão de lucros e 27.000 injetados em uma ONG do próprio Malheiros, que morreu em novembro de 2004, em acidente de carro em Petrolina (PE).

Ao Ministério Público, seu irmão, Hélio Malheiros, afirmou que "muitas vezes se via obrigado a entregar valores de grande monta" para o PT.
8 de junho de 2010

O Dossiê da Dilma era contra o Serra. O delegado confirma tudo.

Da Folha de São Paulo:

FOLHA - Gostaria de ouvi-lo sobre a entrevista concedida à revista "Veja"...
 
Onézimo das Graças Sousa
- Foi você que fez uma entrevista com uma pessoa lá da casa? Você viu o que ele falou? Você imagina uma estrutura dessas, uma candidata [importante], talvez a futura presidente do nosso país, monta um escritório onde ocorrem roubos lá dentro. Não pega mal? Quer dizer, eu fui chamado, como policial, para apurar um roubo. E o jornalista [Ribeiro] confirma isso --por sinal foi contratado para fazer isso e não teve competência para fazer. Tanto é, se você olhar na entrevista, são dois tipos de coisas distintas: a primeira eu faço, para seu jornal, sua casa, se você for contratar uma empregada, eu faço: 'Olha, doutor, veja se essa pessoa tem antecedentes'. Isso é uma coisa normal, você faz sem violação a qualquer princípio. Agora, o segundo tópico, que se falou que era para fazer, é que eu não concordei. Aí roubam o meu cartão, dão para a revista e, de repente, põem tudo no meu colo. 

Essa segunda parte incluía investigações sobre o ex-governador Serra?
 
Você há de convir que foi aí que foi o 'xis' da questão. Se você olhar, eu fiz uma carta para a "Veja", em que eu neguei tudo. Eu falo, puxa, 'eu sou advogado, falar que eu trabalhei com o [deputado federal] Marcelo Itagiba, que eu tinha um escritório no Ministério da Saúde', pura mentira, nunca. Se alguém registrar algum recebimento [meu] do Ministério da Saúde eu dou cem vezes mais o valor para uma instituição de caridade. Eu nunca trabalhei no Ministério da Saúde. Falou-se que eu tinha um gabinete no 11º andar. Poxa, então eu vou lá pegar meu dinheiro, eu quero receber. 

O sr. nunca integrou aquele grupo da Anvisa que investigava fraudes em medicamentos?
Nunca, nunca, nunca. O meu contato com Marcelo Itagiba foi quando eu ainda estava na ativa [até ano 1995]. Nunca trabalhei sob comando de Marcelo Itagiba. E aí o cara me põe no Ministério da Saúde. Para você ter uma ideia, eu me aposentei em 1995, já se vão 15 anos. Aí ele vem [a imprensa] e me põe trabalhando com [o delegado da Operação Satiagraha] Protógenes [Queiroz] em 2006? Eu estou aposentado há uns 17 anos. Por isso eu não estou falando. Eu respeito o trabalho de vocês, mas fica uma Torre de Babel. 

Eu gostaria de saber se o sr. confirma o que está na revista "Veja", de que em determinado momento da reunião, foi pedido que o sr. investigasse Serra.
Veja a resposta que ele [Amaury] lhe deu: 'eram dois serviços, um era proteger a casa' --eu fui lá chamado para isso, problema de polícia, roubo-- 'o outro era saber quem eram esses varas do Itagiba'. É esse que eu não aceitei. Está claro aqui na sua reportagem. Como eu não aceitaria investigar qualquer grupo, meu papel não é esse. 

Mas o pedido da equipe da campanha falava no nome do ex-governador?
Veja só: eu te pergunto... Eu confesso a você, passei 30 anos, eu sou um policial, eu não vou pegar uma revista, um jornal, amanhã, e tentar escrever um artigo no seu lugar. Será um fiasco. Eu sou policial. E o que aconteceu foi um jornalista tentando ser policial. Agora, ele, sabedor que eu [supostamente] trabalhei com o Itagiba, que era do PSDB, por que ele me chamou? Era um atestado de burrice, me desculpe. A não ser que você queira dormir com um inimigo. 

O sr. é amigo de Itagiba?
Eu o respeito como um colega, trabalhamos na mesma instituição. E ponto final. Agora, veja, ele disse que eu trabalhei com Itagiba, e me chama, me põe dentro do comitê da candidata, que seria o lado contrário de Itagiba? Ele que me levou lá para dentro, então será que ele aprontou isso por incompetência? 

Também disseram que o sr. teria dito que tem conhecimento de que Itagiba estava produzindo dossiês sobre o PMDB. Isso procede?
Negativo. Isso era a segunda parte do serviço, como ele afirmou para você. Eram dois serviços. Um era proteger a casa, isso faço para você, para quem quiser. E o outro era saber quem eram esses caras do Itagiba. Sua reportagem é claríssima. E foi o tópico com o qual eu não concordei. Agora, você acha, segundo falam na imprensa, um contrato de R$ 2 milhões, eu precisando trabalhar, eu iria levar isso para a "Veja"? Olha que papel idiota que eu iria fazer. Estou falando com você porque achei suas perguntas inteligentes, só faltou você explorar mais um pouquinho, 'se você sabia que o homem era do Itagiba, por que foi falar com ele?' 

Pelo que entendi, eles alegam que quem apresentou o sr. foi outra pessoa.
Negativo. Eles queriam que eu fosse à casa. E, graças a Deus, eu não sou burro, nunca pisei um pé lá e não sei onde é. Aí eles marcaram no restaurante. 

À "Veja" o sr. falou em 'coisas pessoais' do ex-governador [Serra]. Ocorreu essa expressão, 'coisas pessoais do ex-governador'?
Veja bem, a partir do momento em que alguém me procura e fala assim, 'doutor, eu quero saber tudo do jornalista 'xis'', eu tenho bola de cristal, eu sou [a vidente] Mãe Diná? Eu não sou Mãe Diná. Não precisa explicitar, né? 

Então o sr. confirma que eles queriam saber tudo de José Serra?
Exatamente. Então, para eu saber tudo de você, você sabe qual seria o método. Eu não trabalho com esse tipo de coisa. 

Mas, no pedido específico, eles não falaram 'tudo sobre Itagiba', eles falaram 'tudo sobre Serra'?
Exato. Acho que a entrevista, nesse ponto, bate. Outra coisa: a imprensa põe que eu sou dono de empresa. Eu queria que você ressalvasse bem: eu sou um advogado. E advogado não pode falar o que o cliente lhe confidencia. Agora, roubaram o meu cartão e foi parar no colo [do jornalista de "Veja"] com tudo, né? Preste atenção a esse tópico, porque isso é importante. 

E o sr. chegou a ver esse cartão?
Foi quando eu fui falar com o jornalista, o jornalista tinha o cartão na mão. Perguntei: 'Onde o sr. conseguiu isso?'. [Ele respondeu]: 'Dentro da casa do PT'. Então o jornalista tem alguém lá dentro. 

O que o motivou a dar essa segunda entrevista. Porque no primeiro contato, na primeira publicação, não há exatamente aquelas palavras. O que o motivou...
Veja só. Você viu a carta que mandei para a "Veja", falando do meu papel de advogado? Ora, a partir do momento em que o cliente repassou à "Veja" --o sr. Amaury repassou à "Veja" também, depois que viu a bomba na mão, ele sentou com o jornalista e conversou-- a partir do momento em que o cliente senta e abre o jogo, não fui eu que abri.

Então eu me senti na obrigação, também, de esclarecer os fatos. Você viu que são dois momentos. O primeiro momento, o advogado não fala. Agora, se você vem em busca do meu serviço, depois vai na imprensa e põe manchete, 'não, eu procurei o advogado tal' e diz isso e isso, não fui que quebrei. 

O sr. tem uma empresa de investigação?
Sou advogado, não tenho [empresa], nunca trabalhei para o Ministério da Saúde. Uma coisa que sei fazer, graças a Deus, é investigar. Investigar eu sei. Trinta anos fazendo isso. Trabalhando contra narcoterrorismo, que é a minha especialidade. Agora, ele mesmo ressaltou, que lá na casa estavam roubando. Eu fui atrás de um ladrão. [...] Primeira pergunta que se faz, quando alguém rouba a sua casa, é quem entrou na sua casa, quem são seus empregados. Eles sequer tinham uma relação nominal de quem estava lá dentro. Quer dizer, é uma casa da Mãe Joana, me desculpe. Agora, como é que se monta uma estrutura para uma candidata e não se preocupa sequer com quem está entrando na casa. Tanto é que a "Veja" pôs [alguém] lá dentro, sentado na mesa. 

Há o boato de que alguém teria gravado a reunião. O sr. gravou esse encontro?
Isso é matéria de defesa minha. Ele [Amaury] disse que vai me processar. Eu vou esperar o processo dele. Você não pode gravar conversas de terceiros, mas sua, você pode. 

Isso é pacífico que pode, há jurisprudência no Supremo. Mas o sr. realmente registrou a conversa?
Eu prefiro não declinar. Agora, se ele vai me processar... Mas pelo menos ele não negou a reunião, pois eles me chamaram, queriam que eu fosse à casa e eu não fui.

Comissão vota ‘inquirição’ de personagens do dossiê

PSDB quer ouvir também americanos que assessoram PT

Por Josias de Souza

Sérgio Lima/Folha

Casa que abriga núcleo de comunicação do comitê de Dilma

Foi marcada para a tarde desta quarta (9) uma sessão da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso.


Na pauta, a votação de um requerimento que sugere a audição de dois personagens envolvidos na polêmica do dossiê.


São eles: o policial Onézimo Sousa, aposentado da Polícia Federal; e o ex-sargento do serviço secreto da Aeronáutica Idalberto Matias, conhecido como Dadá.


Os dois participaram, em 20 de abril, da reunião na qual se discutiu a constituição de um grupo para espionar o presidenciável tucano José Serra.


São signatários do requerimento os deputados tucanos Gustavo Fruet (PR) e Emanuel Fernandes (SP).


Há chances reais de aprovação. A oposicionista tem maioria sobre o governo na comissão: quatro votos a dois.


O comando da comissão é tucano: na presidência, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Na vice, Emanuel, um dos autores do requerimento.


Na bancada, mais dois oposicionistas: Fruet, o segundo autor da peça; e José Agripino Maia (DEM-RN).


Pelo governo, apenas dois votos: o do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).


A comissão não tem poderes para convocar Onézimo e Dadá. Vai apenas “convidar” a dupla a prestar esclarecimentos. O convite pode ser aceito ou não.


“Nosso objetivo é dar transparência a esse caso, jogar luz sobre ele. Até para impor um freio a esse tipo de operação, que vem se repetindo a cada eleição”,
diz Fruet.


Noutra frente, o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) protocolou na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara mais três requerimentos.


Num, sugere a convocação do ministro Jorge Hage (Controladoria-Geral da União). Nos outros, propõe que sejam ouvidos dois cidadãos americanos.


São eles: Scott Goodstein e Ben Self. Atuaram no comitê eleitoral do presidente dos EUA, Barack Obama.


Vieram ao Brasil para auxiliar na montagem da campanha de internet da presidenciável petista Dilma Rousseff.


E daí?

Quem bancou a vinda da dupla a Brasília foi o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono da Dialog Comunicação.


A empresa de Benedito tornou-se, sob Lula, uma portentosa prestadora de serviços do governo. Beliscou contratos superiores a R$ 40 milhões.


Deseja-se esclarecer em que condições Benedito se tornou um financiador de despesas da campanha de Dilma. Faz doações oficiais ou repassa verbas por baixo da mesa?


Benedito tornou-se um freqüentador assíduo da casa onde funciona o braço de comunicação da campanha de Dilma, no Lago Sul, bairro chique de Brasília (foto lá no alto).


Partiu dele, aliás, a sugestão de aluguel do imóvel. Custa R$ 18 mil por mês. O empresário está vinculado também ao caso do dossiê.


Participou, junto com o jornalista Luiz Lanzetta, da reunião com o Onézimo, o policial federal de pijama; e Dadá, o ex-agente secreto da Aeronáutica.


Na versão de Onézimo, seria Benedito o provedor das despesas do grupo de espionagem que seria constituído para espionar Serra. Coisa de R$ 1,6 milhão.


Na contraversão de Lanzetta, que pediu desligamento do comitê de Dilma depois que o caso foi às manchetes, deu-se coisa diversa.


O jornalista sustenta que foi Onézimo quem o chamou para a fatídica reunião. Para quê? Para propor um trabalho de contra-espionagem.


O deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), delegado licenciado da PF, estaria montando dossiês contra políticos aliados do governo. Algo que Itagiba nega.


E por que o tucano Macris deseja ouvir também o ministro Jorge Hage? Porque a Controladoria-Geral da União investiga os contratos da Dialog com o governo.


Há suspeitas de fraudes em licitações. Também o TCU perscruta as relações da Dialog com o Estado. A depender do PSDB, a apuração será aprofundada.


Nesta quarta (9), o partido protocolará no TCU um pedido para que sejam investigados todos os contratos firmados pela empresa de Benedito com o governo Lula.


De resto, o partido de Serra preparava na noite passada um pedido de investigação que será protocolado na Procuradoria-Geral da União.

domingo, 6 de junho de 2010

O Lanzetta da “Laranza” - Diogo Mainardi



sábado, 1 de maio de 2010

Por Diogo Mainardi

“Luiz Lanzetta comanda a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff, mas nenhum dos assessores de imprensa de Dilma Rousseff é comandado por Luiz Lanzetta. De fato, ele só contratou quem o PT mandou contratar”

O PT contratou Luiz Lanzetta para comandar a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff. Isso mesmo: Luiz Lanzetta. Ninguém sabe quem ele é. Ninguém sabe por que ele foi contratado. Está na hora de tentar saber.

Luiz Lanzetta comanda a assessoria de imprensa de Dilma Rousseff, mas nenhum dos assessores de imprensa de Dilma Rousseff é comandado por Luiz Lanzetta. De fato, ele só contratou quem o PT mandou contratar. De Helena Chagas, apadrinhada por Franklin Martins, a Oswaldo Buarim, que pertence à quota da própria Dilma Rousseff.

Luiz Lanzetta simplesmente assinou seus contratos de trabalho e passou a pagar seus salários. A empresa usada por ele para contratar e para pagar os assessores de imprensa do PT chama-se Lanza. No meio jornalístico brasiliense, ela já ganhou o apelido de “Laranza”.
Em 2002, Marcos Valério pagou um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha presidencial de Lula. Agora, em 2010, Luiz Lanzetta paga um monte de profissionais escolhidos pelo PT para cuidar da campanha de Dilma Rousseff.

De lá para cá, tudo melhorou. O tesoureiro do PT, em 2002, era Delúbio Soares.

O tesoureiro do PT, em 2010, é o homem da Bancoop.

Ufa.

Luiz Lanzetta tem um jornalzinho e um site na internet: brasiliaconfidencial.inf.br. Nas páginas do site, o nome de seu autor é mantido em segredo. A rigor, o site inteiro é mantido em segredo, considerando que praticamente ninguém o conhece.

Mas seus artigos costumam ser reproduzidos por blogueiros pagos pelo lulismo.
coordenadores da campanha de Dilma

Uma de suas manchetes:

“Pesquisa aponta disparada de Dilma”.

Outra manchete:

“Tropa tucana agride professores”.

Outra manchete:

“Serra comanda baixaria na internet”.

A campanha de Dilma Rousseff está ruindo. Fernando Pimentel, seu coordenador, é conhecido por suas patetices.

Quando era terrorista, ele tentou sequestrar um diplomata americano cinco vezes, e fracassou em todas elas.

Mesmo baleado pelas costas, o diplomata americano conseguiu fugir.

Na sede da campanha, dois assessores de imprensa pagos por Luiz Lanzetta já pegaram dengue: Helena Chagas e Giles Azevedo.

No Rio de Janeiro, um apaniguado da Petrobras, Wagner Tiso, tentou organizar um encontro de artistas com Dilma Rousseff. Só compareceram oito deles, e o de maior prestígio era o cartunista Aroeira.

Lula, alarmado com o desempenho de sua candidata, ordenou que Dilma Rousseff tomasse umas aulas para aprender a falar em público.

Sua professora, Olga Curado, treinou também Roger Abdelmassih, aquele médico acusado de ter estuprado dezenas de pacientes.

Quem contratou a professora de Dilma Rousseff foi Luiz Lanzetta.

Quem pagou a conta foi o homem da Bancoop.