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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O JIHAD TRANSNACIONAL E SUA AÇÃO NA SÍRIA



Sábado, 11.02., o chefe da al-Qaeda, Ayman al Zawahiri, postou na Internet um videoclip de oito minutos intitulado
“Avante Leões da Síria!” no qual expressava o apoio moral e logístico da organização terrorista jihadista ao levante popular na Síria e instava os islâmicos (não necessariamente todos os muçulmanos) da Turquia, do Iraque, do Líbano, e da Jordânia, para que ajudassem os rebeldes sírios na sua luta contra a ditadura de Bashar al-Assad em Damasco.
POR FRANCISCO VIANNA

(da mídia externa sobre a inteligência no Oriente Médio)

Tal manifestação praticamente coincide com a citação, feita dias antes num relatório da McClatchy, por funcionários da inteligência americana, cujos nomes não foram citados, que disseram ter o núcleo jihadista iraquiano, da rede global jihadista, perpetrado dois ataques contra instalações da inteligência síria em Damasco, ao passo que o Vice-Ministro do Interior iraquiano, Adnan al-Assadi, disse numa recente entrevista concedida à Agência France Press (AFP), que jihadistas iraquianos estavam a movimentar combatentes e armas para dentro da vizinha Síria.

Parece que se confirma o objetivo da Al Qaeda, no longo prazo, de expulsar governos árabes para facilitar o retorno de um califado transnacional, uma tática que tem envolvido principalmente ações terroristas que visam causar intervenção americana na região.

Ou seja, o afastamento dos americanos do Oriente Médio, parece contrariar os desejos da al Qaeda que esperam que tais intervenções incitem levantes populares que, em última análise, derrubariam regimes árabes, abrindo caminho para os jihadistas eventualmente assumirem o poder.
Todavia, os esforços da rede jihadista global têm sido infrutíferos e ela permanece como uma força marginal no mundo árabe.

Ao se dirigir ao povo sírio, a al Qaeda espera se por ao lado dos levantes árabes ocorridos no ano passado, nos quais não tem tomado parte quase nenhuma e, pelo jeito, ambiciona pegar o bonde andando.

Os regimes regionais têm se posto na defensiva, em função do aumento do islamismo político radical, da crescente desilusão do povo e da radicalização da dicotomia sectária sunita-xiita, embora a intervenção militar estrangeira tenha sido solicitada para realmente impedi-los, como foi visto na Líbia.

A crescente incerteza na região e o enfraquecimento gradual desses regimes dão aos jihadistas uma oportunidade de reafirmar sua relevância.

As declarações de Al-Zawahiri no vídeo e em entrevistas, entretanto, representam uma continuação da incapacidade da liderança central em fazer não mais do que publicar afirmações gravadas em fita a partir de seus esconderijos no Paquistão, muito menos engajado na planejada estratégia do que os jihadistas gostariam.
OS JIHADISTAS E AS AGITAÇÕES POPULARES NO ORIENTE MÉDIO

A agenda transnacional extremista da al Qaeda tem sempre se limitado a apelar às massas árabes.

Os levantes populares nos países árabes e a subida ao poder, via eleições, de políticos islâmicos no Egito e na Tunísia têm evidenciado a irrelevância dos jihadistas para as sociedades dentro do mundo muçulmano.

Os jihadistas têm fracassado em depor um governo estabelecido em qualquer lugar do mundo muçulmano, mesmo no Afeganistão, onde o aumento de poder do Talibã em meados da década de 1990 provocou um vácuo de poder.

Reconhecendo suas limitações, os jihadistas têm focado em perpetrar ataques tencionados a criar crises nos países alvos e nos que mantêm com eles relações externas – como no caso do Paquistão com o Iêmen.

A esperança jihadista repousa na criação de suficiente desordem que eventualmente possa habilitá-los a tomada do poder.
Tal abordagem tem se demonstrado difícil de ocorrer porque os governos árabes (apesar de sua fraqueza) têm se mostrado elasticamente adaptativos e a fragmentação social não tem funcionado em prol dos jihadistas.

Ou seja, a Lei Sharia, que os islâmicos fundamentalistas querem impor a todo o custo ao mundo muçulmano, na verdade, não é aceita pela grande maioria de seus membros, políticos e devotos.

Uma segunda opção tem sido a tentativa de tirar vantagem dos vácuos de poder criados por outras forças, ou seja, a de pegar o bonde andando de revoltas populares.

O Iraque representa uma destas oportunidades, tal como ocorreu quando as forças americanas tentaram derrubar a ditadura do Partido Baath de 2003, permitindo, então, a emergência do núcleo mais ativo da al Qaeda na época.
A maioria de xiitas no Iraque representava um obstáculo intransponível para os jihadistas mesmo antes dos jihadistas terem alienado seus aliados sunitas iraquianos ao ponto de fazê-los passar para o lado dos americanos, o que levou a uma degradação da rede jihadista no Iraque.

Contrastadamente, a Líbia pós-Gadhafi, com a proliferação de milícias – algumas da quais têm jihadistas de ambas as seitas – poderá se tornar um lugar mais amigável para a al Qaeda e seus jihadistas.

Mas, mesmo na Líbia, se tiver que seguir a militância islâmica radical, a geografia muito provavelmente evitaria que o grupo se espalhasse muito além das áreas de fronteira.

Entretanto, dada a localização estratégica da Síria nas encruzilhadas de tantas rotas de importância geopolítica capital, a destruição do estado sírio poderá facilmente resultar num conflito regional, provavelmente bélico.

A maioria da parte interessada, que se opõe à intervenção militar estrangeira na Síria, o é por essa mesma razão.

Muitos estados estão de olho no objetivo estratégico de enfraquecer geopoliticamente o Irã pela deposição do regime alawita na Síria, mas mesmo tal perspectiva pode não ser suficiente para contrabalançar os custos potenciais. 

 
   AS EXPECTATIVAS JIHADISTAS NA SÍRIA

Com ou sem intervenção estrangeira, os jihadistas na região têm amplo espaço de manobra na Síria. A presença jihadista regional mais significativa reside através da fronteira da Síria com o Iraque.

Tais forças beneficiadas pela decisão de Damasco de apoiar os insurgentes sunitas de 2003 a 2007. A consolidação do poder xiita no Iraque enfraqueceu acentuadamente tais forças. Agora, que a Síria está se desembaraçando e a resistência armada ao regime esta se formando, o fluxo jihadista está mudando de direção e agora entra na Síria a partir do Iraque.

A al Qaeda no Iraque procura canalizar a opressão sunita nas mãos dos xiitas, mas por ora o grupo está procurando ajudar os sunitas sírios a conseguir chegar ao poder por si mesmos à custa dos alawitas apoiados pelo Irã.

As forças jihadistas situadas a notável distância da Síria estão provavelmente tentando explorar a impopularidade do regime alawita entre os sunitas como um meio de conseguir uma posição consolidada na Síria.

O nível de sectarismo entre os rebeldes sírios trabalha a favor dos jihadistas. Assim como as forças tribais sunitas do Iraque, islâmicos radicais e membros do Partido Baath cooperam com os jihadistas contra as tropas americanas e as novas forças de segurança, dominadas pelos xiitas do país, têm muitos elementos dentro da população sunita da Síria que poderão querer se alinha com os jihadistas em função das restrições que enfrentam no combate aos bem aramados militares sírios dominados pelos alawitas.

Para complicar ainda mais as coisas, o aparato da inteligência síria de há muito cultiva seus laços com os jihadistas para isolar Damasco de ataques jihadistas e usar jihadistas em ‘guerras por procuração’ com os vizinhos da Síria.

Na medida em que o estado sírio mergulha mais e mais nessa sopa de conflitos internos políticos e sectários e o aparato de inteligência de Bashar al-Assad se atola num pântano de distrações domésticas, os elementos jihadistas que têm estado na folha de pagamento da inteligência síria podem se voltar contra seus antigos contratantes seguindo a linha dos acontecimentos que ocorreram no Paquistão e no Iêmen.

Além do mais, os jihadistas que estão baseados no Iraque e os que de há muito trabalham com o regime sírio, com os vizinhos Jordânia e Líbano abrigando forças jihadistas, também enxergam essas oportunidade no levante sírio.

A Arábia Saudita também tem militantes sunitas enraivecidos com a morte de sunitas pelas mãos do que eles chamam de "infiel" regime alawita.

Exatamente como os sauditas redirecionaram seus próprios jihadistas para combater no Iraque ao invés da Arábia Saudita, Riad poderá encorajar militantes jihadistas não vinculados ao estado para combater na Síria.

Uma recente ‘fatah’ lançada por um número de proeminentes religiosos escolásticos sunitas (incluindo alguns proeminentes sauditas) proibiu seus membros nas forças de segurança da Síria a ajudar os alawitas em seu nome.

As partes interessadas da região relutam em considerar a intervenção militar estrangeira, deixando a opção de apóio secreto sob a forma de suprimentos e de armas aos rebeldes sírios.

Os jihadistas esperam poder fazer uso de tal apoio secreto enquanto eles se metem Síria adentro. Mesmo se as armas não estiverem nos planos dos jihadistas, o crescente aumento no fluxo de armas e o treinamento dentro da Síria cria uma oportunidade adicional para os jihadistas construírem este apoio ao oferecer mais experiência de combate de resistência para uma resistência armada ainda desorganizada.

Mas, apesar de nem os oponentes domésticos do regime sírio nem as partes interessadas internacionais terem interesse em ver o colapso da Síria transformado num conflito sectário, os jihadistas querem exatamente que isto aconteça.

Como no Iraque, foi visível o uso de bombas contra os alawitas e outros grupos não-sunitas, incluindo alvos iranianos e do Hezbollah. Isto poderá ser estendido com ataques ao Líbano numa tentativa de estabelecer um conflito sectário regional.
Os jihadistas poderão bem ter sucesso em provocar um conflito regional sectário que envolveria diversos atores vinculados a estados ou não, os quais assistiriam o Irã e a Arábia Saudita metidos numa intensa ‘guerra por procuração’.

O envolvimento do Ocidente ou de Israel em tal conflito agradaria ainda mais os jihadistas.


Portanto, é do interesse dos jihadistas sabotar uma situação negociada na Síria. Embora ainda não esteja claro de quem foi o responsável pelos seis ataques suicidas contra a inteligência síria (23/12/2011 e 6/1/2012), tais ataque serviram aos propósitos dos jihadistas para forçar o regime de Damasco a uma derrocada mesmo mais dura frente aos seus oponentes (tanto armados como desarmados).

Como os rebeldes e seus apoiadores respondem na mesma moeda, os jihadistas podem assim instigar um ciclo de violência que leve a um ambiente intensamente polarizado.

Os resultados líquidos de tal processo poderão ser o da destruição do estado sírio e a da emergência de facções armadas múltiplas, incluindo os jihadistas.
O colapso do estado Sírio por sua vez permitiria que os jihadistas dispusessem de uma ampla arena para operar, que se estenderia do Líbano ao Iraque e os colocaria muito próximo da Jordânia, de Israel e dos territórios palestinos – o melhor teatro de operações que um jihadista poderia desejar. Entretanto, a natureza de suas capacidades, as quais determinarão a extensão do dano que poderão causar no Levante e áreas adjacentes, permanece obscura.

É de todo o modo inevitável que os jihadistas floresçam na Síria e usem-na como uma plataforma de lançamento para solapar a segurança regional.

O estado sírio está ainda seguro demais, e as forças insurgentes permanecem divididas e não parecem capazes de avanços sérios contra o regime de Bashar al-Assad.

O RISCO DE UMA GUERRA ECTÁRIA REGIONAL

O levante sírio acontece numa hora de tensões geopolíticas e sectárias aumentadas na região, onde o Irã e seus aliados árabes amplamente de xiitas buscam criar caminhos internos para os países de maioria sunita.

Para Teerã e seu principal grupo não-estado procurador, o Hezbollah xiita do sul do Líbano, a sobrevivência do regime alawita na Síria, que sempre deveu sua sobrevivência ao Irã, é crítica.

Teerã e Hezbollah têm ambos uma presença militar na Síria, a qual dá assistência à Damasco em seus esforços para conter a insurgência. Isto é uma das principais causas de preocupação das partes interessadas internacionais, especialmente a Arábia Saudita. Riad é a parte regional mais entusiasta em ver uma mudança de regime na Síria para conter a ameaça do imperialismo islamofascista do Irã.

Por sua vez, o governo atual do Iraque, alinhado com Teerã, recebe um forte incentive para certificar que os jihadistas no Iraque são sejam capazes de se recolocarem a favor da Síria.
Bagdá sabe muito bem que um colapso do regime sírio levaria à ressurreição da resistência sunita contra os xiitas, a última coisa que os xiitas iraquianos querem que aconteça. Estados Unidos e Turquia querem assegurar que a al Qaeda não seja capaz de seqüestrar a insurgência síria.

Mas, nem Washington nem Ancara têm as ferramentas que garantam que os jihadistas não consigam fazê-lo através das fronteiras da Síria com o Iraque, com a Jordânia e com o Líbano.

Os sauditas concordam com este ponto de vista, mas, graças ao fato de estarem de algum modo isolados, não se importam que haja suficiente caos capaz de derrubar o regime sírio, o mais íntimo aliado do Irã.

A casa real da Jordânia já está profundamente temerosa de uma queda da Síria ao mesmo tempo em que enfrenta crescente agitação social doméstica, e tem um forte interesse em assegurar que militantes islâmicos em seu solo não o usem para entrar no conflito sírio.
Enquanto isso, o Líbano poderá mergulhar numa refrega sectária, especialmente no caso da capacidade do estado sírio de manter o controle lá se eroda, os sauditas vêem nisso uma oportunidade e os iranianos sentem suas posições se tornando vulneráveis.
Neste exato momento, as muitas movimentações das partes nesta dinâmica interação geopolítica determinarão a extensão de até aonde a Síria e suas cercanias se tornarão um centro de atividades dos jihadistas.

Um potencial colapso do estado sírio aumenta enormemente o risco de uma guerra sectária regional da qual a Qaeda poderia se beneficiar enormemente.

O desafio daqueles que buscam uma mudança de regime na Síria é, pois, livrar o país da influência iraniana, de um lado, sem, por outro lado, abrir as portas ao jihadismo transnacional.

            14 de fevereiro de 2012

Vejam, abaixo, vídeo em que Ideli Salvatti aparece como vivandeira, estimulando a mobilização de policiais militares. E aí, Dilma, não vai ficar “horrorizada”?




Todos sabemos, e já o provei com imagens e banda sonora, que Jaques Wagner (PT), governador da Bahia, era um notório insuflador de greves de policias militares no seu estado.

Afinal, um adversário seu estava no poder, certo?


Peço que vocês vejam este vídeo de janeiro de 2009.

Embora eu não precisasse dizer o nome da estrela — não há diferença de voz nem de cabelo —, cumpro o dever jornalístico: trata-se da então senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que disputaria o governo de Santa Catarina no ano seguinte, sendo derrotada.

Como prêmio, levou o Ministério da Piaba (também conhecido como “da Pesca”).

Depois assumiu o das Relações Institucionais, em lugar de Luiz Sérgio, que ficou com a piaba…


Vejam. Depois explico tudinho.  

                      

O busílis é o seguinte: em dezembro de 2008, um movimento de PMs e bombeiros tomou conta dos quartéis de Santa Catarina, acusando o governo de não cumprir uma lei que dizia respeito à organização da Segurança Pública — a 254. Nem vou entrar nesse mérito agora. O fato é que, à mobilização, seguiram-se processos administrativos, punições etc. Todo mundo acabou anistiado em 2011.
É disso que fala Ideli em 2009 a lideranças de policiais militares ligadas à Anaspra (Associação Nacional de Entidades Representativas de Praças Militares Estaduais). À esquerda do vídeo, vocês vêem ninguém menos do que Marco Prisco, o líder da greve na Bahia. Ora, em 2009, Ideli estava à vontade para se comportar como vivandeira porque o governador do Estado era Luiz Henrique (PMDB), hoje senador. Embora formalmente integre um partido da base, ele pertence ao grupo dos peemedebistas independentes.

Notem como a fabulosa promete que vai mobilizar o Ministério da Justiça — cujo titular era o ínclito Tarso Genro, que hoje enfrenta a mobilização da PM gaúcha.

Chamo a atenção de vocês para a fala de Ideli a partir dos 42 segundos.

Ela relata que o “Cel Eliésio” — refere-se ao então comandante-geral da PM em Santa Catarina, Eliésio Rodrigues — havia concedido uma entrevista à CBN.

Transcrevo suas palavra
s:

“Estava o coronel Eliésio dando entrevista e falando, falando, falando… Eu até comentei, fiquei positivamente impressionada porque o Mário Motta [jornalista que fazia a entrevista] foi muito pra cima dele, cobrando: ‘Muito bem, tem hierarquia, tem disciplina, mas como é que reivindica sem afrontar… Como é que pede? Se não cumpre a lei, reclama como? Coloca como? Ele se espremeu bastante. Mas o ideal seria alguém de vocês estar lá falando, né? Não apenas o jornalista estar fazendo as cobranças (…).

Repararam, né?

Ideli trata o coronel com certo menoscabo—- “falando, falando, falando” — e acha divertido ver o comandante da PM sendo apertado pelo jornalista.

Mas Ideli quer é que os próprios militares cheguem à imprensa. Para ela, valores como disciplina e hierarquia podem ficar em segundo plano diante de “reivindicações”. Ela avança.
“Eu acho muito importante a gente colocar, ter alguns eventos que possa (sic) permitir que a posição de vocês também venha a público, que eles não fiquem falando sozinhos. Acho que vocês estão corretíssimos de fazer movimentos buscando apoio popular, fazer abaixo-assinados”

Ideli não está contente, como se vê. Ela quer mobilização popular. E lembra a vantagem de que gozam profissionais da saúde, da educação e da segurança no que respeita a mobilizações:

“E nós, né?, temos esta vantagem. Quer dizer, estes três setores estão, segurança e educação ainda mais do que a saúde, a gente está muito espalhado. A gente tem como fazer isso em vários locais ao mesmo tempo, em vários municípios. Então eu acho muito importante vocês estarem dando conta mesmo desta coisa aí de puxar a opinião pública a favor de vocês.”

Encerro


Este é o PT. Dois anos depois, a presidente Dilma Rousseff, que fez Ideli sua ministra, viria a se dizer “horrorizada” com os eventos da Bahia.

Diante da crise, a hoje ministra sumiu do mapa, não quis dar as caras, desapareceu.

O negócio dela, agora, são as “relações institucionais”, né?

Das não-institucionais, como insuflar os quartéis, ela cuidava quando senadora e pré-candidata do PT ao governo do Estado.

Aí dizem algumas almas simples: “Acho que você é muito severo com o PT”.

Não!

Sou apenas justo.

Até porque a severidade supõe uma aposta na mudança de conduta daquele que é alvo da reprimenda.

E tentar corrigir um petista não é uma tarefa fácil nem difícil.

É apenas uma tarefa inútil.
 14/02/2012

Marcos Valério é condenado a 9 anos de prisão por sonegação






O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e seus ex-sócios na agência de publicidade SMPB, envolvidos no escândalo do mensalão do PT, foram condenados pela Justiça Federal em Belo Horizonte a mais nove anos de prisão pela prática de crimes financeiros

PAULO PEIXOTO

DE BELO HORIZONTE

Em sentença proferida no último dia 7, e divulgada nesta terça-feira (14), o juiz substituto da 11ª Vara Federal, Henrique Gouveia da Cunha, condenou Valério, Cristiano Paz e Ramon Cardoso pela prática dos crimes de sonegação fiscal, cujo montante somaria R$ 90 milhões, e falsificação de documentos públicos, como notas fiscais. Eles vão poder recorrer em liberdade.

A decisão da Justiça é mais um desdobramento do caso do mensalão em vários outros processos.

Em outubro do ano passado, Valério e Paz foram condenados a seis anos de prisão por prestar informações falsas ao Banco Central.


Segundo o Ministério Público Federal, logo após ter vindo à tona o escândalo do mensalão, em junho de 2005, a SMPB, empresa que supostamente era usada no esquema de repasse de dinheiros ao PT e a políticos ligados ao governo, sofreu fiscalização da Receita Federal que apurou uma série de ilegalidades fiscais.

As irregularidades denunciadas foram nos anos de 2003 e 2004, quando já estaria em ação o esquema financeiro que favoreceu o PT.

"Outra fraude detectada pela Receita Federal diz respeito à movimentação bancária efetuada pela empresa junto a diversos bancos: vultosos recursos entraram e saíram de suas contas, a maioria deles lançados a título de empréstimos para o Partido dos Trabalhadores, mas com registros incorretos na contabilidade original da SMPB", afirma o Ministério Público em nota na qual divulgou a condenação.

OUTRO LADO

A defesa dos acusados, segundo a Procuradoria, alegou não ter havido crime de sonegação, porque eles retificaram o imposto de renda da SMPB antes da fiscalização da Receita.

Ainda de acordo com a Procuradoria, o juiz entendeu que a retificação não eliminava os crimes.

14/02/2012

Charge


Apoio à escola?

Só às de samba.


  BLOG DO ORLANDO TAMBOSI

14 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Doutor em história




 Sanatório Geral
                                      Por Augusto Nunes

“O grande erro da esquerda autoritária com a qual o PT rompeu foi imaginar que não precisava de ninguém pra mudar o mundo”.

Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e candidato a prefeito de São Paulo, ensinando que a União Soviética acabou por não ter feito um acordo com os Estados Unidos e que os comunistas do século passado só não chegaram ao poder por falta de bases alugadas e gilbertos kassabs. 


13/02/2012

De mãos dadas





As diferenças que separam petistas e tucanos são cada vez menores e isso empobrece o debate político

Por Ricardo Balthazar Folha de São Paulo


SÃO PAULO - Marta Suplicy estrilou na semana passada, inconformada com o avançado namoro de seus companheiros petistas com Gilberto Kassab.

Ela se disse assustada com a possibilidade de "acordar de mãos dadas" com o antigo adversário e ameaça ficar fora do palanque de Fernando Haddad se ele preferir dar o braço ao prefeito.

Um dia depois, Kassab foi à festa de aniversário do PT e roubou a cena: ganhou lugar de honra no palco, mandou beijinho e piscou o olho para a presidente Dilma Rousseff.

Quando a plateia começou a vaiar e a cúpula do partido tentou conter o protesto, Dilma ajudou a puxar os aplausos para o novo companheiro.


Faz tempo que os petistas abandonaram o pudor na escolha dos aliados. Basta ver com quem Marta anda para lembrar disso.

Seu suplente no Senado é o vereador Antônio Carlos Rodrigues, do PR, chefe do bloco conservador que passou a dar as cartas na Câmara Municipal depois que Marta e o PT saíram da prefeitura.


Na mesma semana em que Dilma celebrou em público sua amizade com Kassab, o governo entregou ao setor privado a administração de três dos maiores aeroportos do país, levando petistas e tucanos a se engalfinhar num debate infantil sobre os modelos de privatização que adotaram nos últimos anos.


Assim como na negociação das alianças do PT, a briga tem pouco a ver com ideologia.

Os dois lados desperdiçam energia com questões semânticas, como a diferença entre concessões e privatizações, e evitam reconhecer o óbvio. Nenhum deles é contra nada.

Trata-se só de decidir quem privatiza com mais gosto.

As diferenças que separam petistas e tucanos são cada vez menores e isso empobrece o debate político.
Todo mundo pensa parecido, e estão todos sempre dispostos a abandonar suas convicções se for necessário para vencer a próxima eleição.

A campanha eleitoral deste ano oferecerá mais uma oportunidade para observar esse fenômeno. 


 

Poder, sexo e corrupção - Parte 1




As revelações explosivas da advogada que a máfia infiltrou no governo


Por Rodrigo Rangel e Hugo Marques
Com reportagem de Gustavo Ribeiro
de Maceió

REVISTA VEJA

A moça esguia de cabelos pretos levemente desgrenhados, com uma maquiagem quase imperceptível e vestida discretamente não chega a chamar a atenção da vizinhança elegante dos Jardins, em São Paulo, onde ela trabalha

A advogada Christiane Araújo de Oliveira não é uma celebridade nem uma fugitiva, mas encarna simultaneamente as duas personagens desde que se descobriu que sua vida passada tem um lado obscuro.

Em Brasília, ela foi protagonista de um tipo de enredo clássico, secular.

A jovem discreta, religiosa e especialmente bela seduziu políticos e encantou o coração de altos figurões da República que retribuíram seus favores ajudando uma organização criminosa que desviou mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos.

Sabe-se, agora, que ela usava seus dotes, sua simpatia e a intimidade que construiu com os poderosos para servir a um grupo de corruptos que conseguiu se instalar no seio do poder petista
.


É esse passado recente que a jovem advogada quer esquecer.

Foi sobre isso que Christiane contou detalhes a órgãos de investigação, mostrando como lobbies políticos prosperam graças à força de um pouco de charme e seus corolários mais picantes.


VEJA teve acesso ao teor dos dois depoimentos que Christiane prestou, no fim de 2010, a investigadores do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

Ambos foram gravados em vídeo, outro em áudio.

Christiane dá detalhes de como usou de sua intimidade com homens fortes do governo federal para traficar interesses de um grupo de corruptos de Brasília e de seu antigo chefe Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal.

Ela também conta como, numa via de mão dupla, essas figuras da corte federal exploraram o canal aberto com Durval, homem-bomba que a qualquer tempo poderia, como fez, implodir o governo de José Roberto Arruda, até então do opositor DEM, e facilitar a conquista da administração local pelo PT e a desmoralização do partido adversário em nível nacional.

Dos relatos de Christiane, cronologicamente contextualizados, saltam dois personagens de proa do governo de Lula: José Antonio Dias Toffoli - ex-advogado do PT que se tornou advogado-geral da União e depois ministro do Supremo Tribunal Federal pelas mãos do ex-presidente - e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula e hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Expoentes da nata do primeiro escalão e petistas fervorosos, Toffoli e Carvalho têm também em comum a formação religiosa.

Toffoli mantém uma relação estável há anos, é católico e irmão de um padre.

Carvalho é casado e foi seminarista.


A jovem Christiane e suas artes não combinam com o perfil público de nenhum deles.

Nascida em uma família humilde de Alagoas, Christiane, que é evangélica, se mudou para Brasília há pouco mais de dez anos com o objetivo de se formar em direito.

O pai, Elói, é um pastor a quem os crédulos atribuem o dom de curar e ver o futuro.

Ele se intitula "profeta", e os políticos formam sua clientela predileta.

Foi através de um deles que Christiane conseguiu emprego no Congresso Nacional.


Sentiu-se à vontade no ambiente e, em pouco tempo, contava com uma enorme rede de amizades.
 

Em 2007, aceitou o convite para trabalhar no governo do Distrito Federal com um certo Durval Barbosa, o delegado aposentado e corrupto contumaz que ficaria famoso, pouco depois, ao dar publicidade às cenas degradantes que levaram à cadeia o governador Arruda e à lona seus asseclas.

Sob as ordens de Durval, Christiane se transformou numa ferramenta a serviço da máfia brasiliense.
Durval viu nela uma rara oportunidade de estender suas falcatruas para o nível federal.

Os relatos de Christiane são o testemunho desse salto.

Ela contou aos promotores e policiais que mantinha encontros secretos com Toffoli. Christiane afirma que, em um dos encontros, levou a Toffoli gravações do acervo de Durval Barbosa.

A amostra, que Durval queria fazer chegar ao governo do PT, era uma forma de demonstrar seu potencial de deflagrar um escândalo capaz de varrer a oposição nas eleições de 2010.

Há três semanas, VEJA publicou entrevista com Durval em que ele próprio disse ter enviado as gravações a Toffoli.

O ministro negou a VEJA ter recebido a encomenda.

Em seus depoimentos às autoridades, Christiane reafirma ter feito a entrega do material a Toffoli. Ela pode estar mentindo? Talvez.

Toffoli pode ter recebido o pacote e o jogado fora sem se interessar pelo seu conteúdo. Talvez. Mas o que se sabe com certeza é que o objetivo de Durval foi atingido.

É especialmente perturbadora a revelação feita por Christiane sobre o local onde, segundo ela, se deram os encontros - um apartamento em que Durval armazenava caixas de dinheiro usado para fazer pagamentos a deputados distritais e que serviu de estúdio para vídeos incriminatórios.

Os encontros de Christiane com os poderosos podem também ter sido gravados?

"Essa é uma possibilidade que deve ser considerada", disse a VEJA, sob a condição de anonimato, um dos responsáveis pela apuração.

É apavorante a hipótese de que um ministro do STF esteja refém de chantagens de mafiosos e corruptos.

Christiane tinha acesso livre à Advocacia-Geral da União quando Toffoli comandava o órgão. "Levei uma advogada lá e ganhei apenas uma bolsa Louis Vuitton - mas verdadeira", contou.

Ela disse também ter viajado a bordo de um jato oficial do governo, o que teria sido uma cortesia do atual ministro em sua passagem pela AGU.

As inconfidências de Christiane sobre Gilberto Carvalho não contêm ingredientes picantes, mas são reveladoras de como foi exitoso o plano de Durval de infiltrar sua insinuante parceira entre petistas de alto coturno.

A sucessão de histórias relatadas por ela deixa evidente um padrão, o velho estratagema de atrair, registrar e, depois, tendo em mãos elementos que possam comprometer a autoridade fisgada, apresentar as faturas.

Christiane foi portadora de diversas ofertas de Durval a Gilberto Carvalho - uma delas, relatou a advogada, oferecia facilidades para investir a preço de custo no aquecido mercado imobiliário de Brasília.

Durval era dono de mais de 250 imóveis na capital, boa parte deles comprada com dinheiro surrupiado dos cofres públicos.

O ex-secretário desviou mais de 1 bilhão de reais nas contas do Ministério Público. Ele fazia as ofertas em troca de favores.




VEJA mostrou em março passado que, a mando de Durval, Christiane enviou e-mails ao "Querido Dr. Gilberto" pedindo a ele apoio à recondução do promotor Leonardo Bandarra ao cargo de chefe da promotoria de Brasília, decisão exclusiva do presidente da República.

Gilberto Carvalho rechaça a insinuação de que tenha aceitado quaisquer favores de Christiane ou Durval.

Diz ele: "Eu não estava nesse circuito do submundo. Estou impressionado com a criatividade dessa moça".

O certo é que Lula fez exatamente o que a dupla de corruptos pleiteava.

Bandarra foi reconduzido ao posto.

Semanas depois de confirmada sua volta, Gilberto Carvalho enviou uma mensagem a Christiane.
"Fiquei contente em ver nomeada a pessoa, Dr. Leonardo, que você indicara", escreveu ele.

O retorno de Bandarra interessava a Durval Barbosa, que tinha com o promotor um acordo destinado a livrá-lo das investigações de envolvimento em desvios bilionários dos cofres de Brasília.

O doutor Leonardo Bandarra logo se revelou mais um venal integrante da máfia.

Foi afastado e hoje responde a cinco ações na Justiça.

Uma delas diz respeito a propinas recebidas de Durval.

Christiane relatou aos promotores que o tráfico de influência que praticava funcionava nos dois sentidos.


Ela diz que foi portadora de pedidos de Gilberto Carvalho, então todo-poderoso chefe de gabinete de Lula, para que Durval topasse entregar aos órgãos de investigação os vídeos gravados por ele que revelavam o esquema de corrupção no governo do Distrito Federal - entre os quais a famosa e inesquecível imagem em que o então governador Arruda aparece recebendo propina.

O escândalo derrubou Arruda e deu a vitória ao petista Agnelo Queiroz.
A linda doutora Christiane chegou a ocupar uma função estratégica no comitê central da campanha de Dilma Rousseff.

Foi encarregada da relação com as igrejas evangélicas.

Ela conversava pelo menos duas vezes por semana com Gilberto Carvalho e com outros coordenadores da campanha.

Com Dilma eleita, a advogada foi nomeada para integrar a equipe de transição de governo.

Foi exonerada depois da descoberta de que ela fora processada por participação na máfia dos sanguessugas, que desviava verba do Ministério da Saúde destinada à compra de ambulâncias.


Coube a um compungido Gilberto Carvalho demiti-la. "Sinto muito", disse Carvalho à amiga em lágrimas.

Antes disso, ela já chegara perto do poder.
          continua no post abaixo

Fevereiro 13, 2012


Poder, sexo e corrupção - Parte 2


continuação do post acima


 As revelações explosivas da advogada que a máfia infiltrou no governo

Por Rodrigo Rangel e Hugo Marques
Com reportagem de Gustavo Ribeiro
de Maceió

 
REVISTA VEJA


No auge do escândalo do mensalão, Christiane esteve no Palácio do Planalto ao lado do pai, Elói de Oliveira, fundador da igreja Tabernáculo do Deus Vivo, com sede em Maceió.

O famoso profeta Elói foi ao palácio rezar por Lula e fazer previsões do que esperava o presidente. Desenhou cenários favoráveis.

Desde então voltou outras vezes ao Planalto, sempre na companhia da filha.

 

Em uma dessas visitas, em 2006, cravou que Lula não teria dificuldades em se reeleger.

Também avisou que podia enxergar "uma cratera se abrindo no chão de São Paulo", o que causaria problemas para o governo estadual, do PSDB.

A frase sobre a cratera foi entendida como uma previsão acertada do desabamento do canteiro de obras do metrô paulista, em janeiro de 2007, que deixou sete mortos.

A fama das previsões do "profeta", agora em tratamento médico, fez dele um sucesso entre os políticos.

Quando visitava o Congresso, deputados formavam fila para ser atendidos por ele e ouvir suas profecias. É ao sucesso do pai que Christiane atribuiu sua ascensão, inclusive a financeira.



Habituada a usar roupas, sapatos e bolsas de grife, a menina de infância pobre em Maceió gosta de mostrar que venceu na vida.

No ano passado, depois de VEJA mostrar sua relação promíscua entre o petismo e Durval Barbosa, Christiane foi orientada a sumir de Brasília.

Por uns dias, hospedou-se em uma fazenda nos arredores da capital.

Depois, mudou-se para São Paulo.

Só deu seu novo endereço a parentes e amigos muito próximos.

Seu novo local de trabalho na capital paulista era um segredo guardado a sete chaves.

VEJA localizou Christiane trabalhando no escritório de advocacia Lacaz Martins, nos Jardins. Tentou falar com Christiane Araújo quando ela chegava para o trabalho. Nesse momento a advogada apressou o passo e entrou num Jeep, que pertence a um sócio da banca de advocacia.

Ao procurar por ela no escritório, a reportagem foi informada de que lá não trabalha nenhuma Christiane Araújo de Oliveira.

Ricardo Lacaz Martins, dono do escritório e colega de turma de Toffoli no curso de direito da USP, diz que Christiane foi indicada por um advogado de Brasília e que passou "pelo processo de seleção como qualquer outro de nossos quase 100 advogados", sem que tenha havido nenhuma intervenção política ou de outra ordem na contratação.

"Encontrei-me com Toffoli uma única vez, na festa de vinte anos de nossa formatura", diz o advogado paulista.

Por escrito, o ministro Dias Toffoli nega todas as acusações feitas pela advogada: "Nunca recebi da Dra. Christiane Araújo fitas gravadas relativas ao escândalo ocorrido no governo do Distrito Federal".

O ministro garante também que nunca frequentou o prédio citado por Christiane como local de encontro entre os dois e que nunca solicitou avião oficial para ela.

Diz, por fim, que quando ocupava o cargo de advogado-geral da União recebeu Christiane uma única vez em seu gabinete, em uma audiência formal.

Informado de que as revelações foram feitas pela própria Christiane em depoimento gravado a autoridades, no bojo de uma investigação oficial, o ministro optou por não comentar.

Os relatos da advogada ao Ministério Público e à polícia foram feitos em ocasiões distintas.

O primeiro deles se deu em l5 de setembro de 2010.

Após seu nome aparecer em outros depoimentos, um deles prestado pelo próprio Durval, Christiane foi chamada ao Ministério Público Federal.

Em princípio, era para falar sobre suas ligações com a máfia.

Não se sabe por que Christiane surpreendeu os policiais e promotores com suas inconfidências espontâneas sem relação direta com o objeto da investigação, citando a toda hora Toffoli e Gilberto Carvalho.


O fato de ela arrolar gente tão importante de livre e espontânea vontade pode ser uma estratégia de defesa antecipada?

Seria se as citações fossem desprovidas de contexto e evidências.

Indagado por VEJA, o procurador encarregado de tomar o depoimento, Ronaldo Meira Albo, confirmou ter ouvido o relato de Christiane, sem entrar em detalhes sobre seu conteúdo.

Disse ele: "Todo o material, inclusive esse depoimento, foi encaminhado à Polícia Federal para ser anexado aos autos da Operação Caixa de Pandora".
O depoimento no Ministério Público Federal foi acompanhado por policiais da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal.

Dias depois, Christiane foi chamada para uma conversa informal, dessa vez na PF, que resultou em seis horas de gravação.

Estranhamente, as assombrosas revelações da advogada nesse novo depoimento, segundo a própria polícia, não fazem parte de nenhuma investigação. 

Por que será?

Fevereiro 13, 2012

O MINISTÉRIO DILMA - Nova ministra da Mulher confessa que já treinou abortos por sucção mesmo não sendo médica.





Por Reinaldo Azevedo

No dia 14 de outubro de 2004, a então apenas professora Eleonora Menicucci, que tomou posse como ministra das Mulheres na semana passada, concedeu uma entrevista a uma interlocutora chamada Joana Maria. O texto está nos arquivos da Universidade Federal de Santa Catarina (a íntegra está aqui). Já fiz uma cópia de segurança porque essas coisas costumam desaparecer quando ganham publicidade. Está certamente entre as coisas mais estarrecedoras que já li. De sorte que encerro assim este primeiro parágrafo: se um torturador vier me dar a mão, eu a recuso, cheio de asco. Se a ministra Eleonora vier me dar a mão, eu me comportarei da mesma maneira, com o estômago igualmente convulso.

Antes que entre propriamente no mérito, algumas considerações. Aqui e ali, tenta-se caracterizar a ministra como uma espécie de defensora apenas intelectual do aborto, apegada à causa no universo conceitual, retórico, de sorte que a sua nomeação não representaria um engajamento da presidente Dilma Rousseff e de governo na causa do aborto. Falso! Falso e na contramão dos fatos. Alguns parlamentares, notadamente da bancada evangélica, fizeram duros discursos contra a ministra e foram caracterizados pela imprensa como uns primitivos ideológicos. Então vamos ver se a ministra está com a civilização…

Abaixo, transcrevo alguns trechos daquela sua entrevista, concedida quando ela já estava com 60 anos. Não se pode dizer que o diabo da imaturidade andava soprando em seus ouvidos. Não! Eleonora confessa na entrevista que não é apenas “abortista” — termo a que os ditos progressistas reagem porque o consideram uma pecha, uma mácula. Ela também é aborteira. Viajou pela sua ONG à Colômbia para aprender a fazer aborto por sucção, o método conhecido como AMIU (Aspiração Manual Intra-Uterina). Deixa claro que o objetivo de seu trabalho é fazer com que as pessoas se “autocapacitem” para o aborto, de sorte que ele possa ser feito por não-médicos. É o caso dela! Atenção! DILMA ROUSSEFF NOMEOU PARA O MINISTÉRIO DAS MULHERES uma senhora que defende que o aborto seja uma prática quase doméstica, sem o concurso dos médicos. Por isso ela própria, uma leiga, foi fazer um “treinamento”. Não! Jamais apertaria a mão de torturadores. E jamais apertaria a mão de dona Eleonora por isto aqui (volto depois)
“ESTIVE TAMBÉM FAZENDO UM TREINAMENTO DE ABORTO NA COLÔMBIA, POR ASPIRAÇÃO”
Eleonora -  Dois anos Aí, em São Paulo, eu integrei um grupo do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. ( ). E, nesse período, estive também pelo Coletivo fazendo um treinamento de aborto na Colômbia.
Joana - Certo.
Eleonora - O Coletivo nós críamos em 95.
Joana - Como é que era esse curso de aborto?
Eleonora - Era nas Clínicas de Aborto. A gente aprendia a fazer aborto.
Joana - Aprendia a fazer aborto?
Eleonora - Com aspiração AMIU.
Joana - Com aquele…
Eleonora - Com a sucção.
Joana - Com a sucção. Imagino.
Eleonora - Que eu chamo de AMIU. Porque a nossa perspectiva no Coletivo, a nossa base…
Joana -  é que as pessoas se auto auto-fizessem!
Eleonora - Autocapacitassem! E que pessoas não médicas podiam…
Joana - Claro!
Eleonora - Lidar com o aborto.
Joana - Claro!.
Eleonora - Então vieram duas feministas que eram clientes, usuárias do Coletivo, as quais fizeram o primeiro auto-exame comigo. Então é uma coisa muito linda.
Joana - Hum.
Eleonora - Muito bonita! Descobrirem o colo do útero e…
Joana - Hum.
Eleonora - Ter uma pessoa que segura na mão.
Joana - Certo.
“NÓS DECIDIMOS, EU E O PARTIDO, QUE EU DEVERIA FAZER UM ABORTO”
Num outro trecho, Eleonora conta como ela e o seu partido, o POC (Partido Operário Comunista), tomaram uma decisão: ela deveria fazer um aborto. Tratava-se apenas de uma questão… política!

Eleonora - Porque a minha avaliação era que eu tinha que fazer
Joana - a luta armada aqui.
Eleonora - a luta armada aqui. E um detalhe importante nessa trajetória é que, seis meses depois de essa minha filha ter nascido, eu fiquei grávida outra vez. Ai junto com a organização nós decidimos, a organização, nós, que eu deveria fazer aborto porque não era possível
Joana - Certo.
Eleonora - Na situação ter mais de uma criança, né? E eu não segurava também. Aí foi o segundo aborto que eu fiz.
“EU TIVE MINHA PRIMEIRA RELAÇÃO COM MULHER. E TRANSAVA COM HOMEM; ESTAVA COM MEU MARIDO”
Falastrona e ególatra, como já apontei aqui, ela faz questão de contar na entrevista que teve a sua primeira relação homossexual quando ainda estava casada. Era o seu mergulho no que ela entende por feminismo.

Eleonora - Aí já nessa época eu radicalizei meu feminismo. Eu comecei a militar.
Joana - Onde?
Eleonora - Em Belo Horizonte, eu comecei a militar neste grupo.
Joana - Neste mesmo grupo?
Eleonora - É
Joana - O que se fazia além de discutir?
Eleonora - Nós discutíamos o corpo.
Joana - Certo.
Eleonora - Discutíamos a sexualidade. Eu tive a minha primeira relação com mulher também.
Joana - Hum.
Eleonora - Quer dizer que foi bastante precoce pra essa E transava com homem.
Joana - Certo.
Eleonora - Pra minha trajetória
Joana - Mesmo porque tu também estavas com o teu marido eu acho, não estavas?
Eleonora
- Sim, sim.
Joana - Estavas. Ah
Eleonora - Mas nós nunca tivemos esse E ele era um cara muito libertário. Nós nunca tivemos essa questão de relação
Joana: Certo.
“SOU MUITO AMIGA DO FREI BETTO. ELE ME PÔS NO CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA DIOCESE DE JOÃO PESSOA”
Ora, qual é o lugar ideal para uma humanista desse quilate trabalhar? Frei Betto — sim, aquele… — deu um jeito de arrumar para ela um emprego na Arquidiocese de João Pessoa:

Eleonora - E aí, no início de 78, eu já tinha me separado do meu ex-marido e resolvo sair de Belo Horizonte. Aí quando eu saio de Belo Horizonte eu busco um lugar bem longe porque eu não queria mais ser referência para a esquerda.
( )
Eleonora - E eu não podia. Então eu procurei isso. Sou muito amiga, por incrível que pareça, a vida inteira, do Frei Betto e pedi a ele pra me encontrar um lugar o mais longe possível de Belo Horizonte. Aí ele falou “Eu tenho dois lugares onde a Diocese é muito aberta: em Vitória, com Dom Luís, ou em João Pessoa, com Dom José Maria Pires. Eu falei: “Eu quero João Pessoa”, quanto mais longe melhor.
( )
Eleonora - É Mas, assim, eu cheguei, eu. Eu tive que construir minha vida.
Joana -  Hum. Foste trabalhar?
Eleonora - No Centro de Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba.
Joana - Tá legal.
Eleonora - E aí eu comecei a trabalhar com as mulheres rurais de Alagamar, que era o que eu queria ( ) Logo depois, retomei um grupo, a minha atividade de grupo de reflexão feminista com algumas mulheres em João Pessoa. A maioria de fora de João Pessoa e duas de dentro Então nós criamos o primeiro grupo feminista lá em João Pessoa. Chamado Maria Mulher.
( )
Eleonora - É. “Quem ama não mata” e “O silêncio é cúmplice da violência”, e aí começamos a nos articular dentro do Nordeste.
Joana - Tá.
Eleonora - Era o SOS Mulher. O SOS Corpo e um grupo de reflexão que tinha em Natal

Joana
: Hum.
Eleonora - De auto-reflexão. E no Maria Mulher, o que é que nós fazíamos? Nós fazíamos auto-exame de colo de útero, auto-exame de mama.
( )
Eleonora - Depois, em 84, eu venho pra São Paulo fazer doutorado em Ciência Política, já articuladíssima…

Joana-  Imagino…
Eleonora - com o feminismo e com linhas de pesquisa bem definidas do ponto de vista feminista.
Joana - Quem é que te orientou em São Paulo?
Eleonora - Em São Paulo, foi a Maria Lúcia Montes, uma antropóloga. Embora, na época, ela fosse da Ciência Política. E, em 84, eu entro para o doutorado com uma tese que era sobre Direitos Reprodutivos e Direitos Sexuais a partir É a construção da cidadania a partir do conhecimento sobre o próprio corpo.
Joana -  Isso por conta do teu trabalho com as mulheres?
Eleonora - Por conta do meu trabalho com as mulheres em uma favela chamada Favela Beira-Rio.
Joana - Certo.
Eleonora - Lá em João Pessoa.
Joana - Hum.
Eleonora -  Que hoje é um bairro. Então nesta época eu fiquei quatro anos em São Paulo fazendo a tese e voltando a João Pessoa. ( ) E aí fui coordenadora do grupo de Mulher e Política da ANPOCS, do GT.
Joana: Hum.
“EU TINHA ATITUDES MASCULINAS ( ) ERA DECIDIDA, DETERMINADA, FORTE, SABIA ATIRAR”
Neste trecho, ela revela como enxergava — enxergará ainda? — os papéis masculino e feminino. Ah, sim: ela sabia “atirar”. Afinal, não se tenta impor uma ditadura comunista no país só com bons sentimentos, não é?

Joana - Já. E com relação às organizações das quais tu participavas?
Eleonora - Ah, primeiro que as mulheres dificilmente chegavam a um cargo de poder

Joana -
Mas tu eras a chefe?
Eleonora - Eu era. Fui uma das poucas. Por quê? Eu me travesti de masculino
Joana - É? Como era?
Eleonora - Eu tinha atitudes masculinas ( ) Era decidida, determinada, forte, sabia atirar

Joana -
Huuunnnn.
Eleonora - Entendeu?
Joana - Entendi.
Eleonora - Sendo que muitas mulheres sabiam isso tudo.
Joana - Certo.
Eleonora - Transava com vários homens.
Joana - Certo.
Eleonora - Essa questão do desejo e do prazer sempre foi uma coisa muito libertária pra mim, e por isso eu fui muito questionada dentro da esquerda.
Joana - É?
Eleonora - É.
Joana - Dentro do mesmo grupo do qual tu eras a líder?
Eleonora - Sim. Porque o próprio Por questões de segurança, eu só poderia ter relação sexual com os companheiros da minha organização.
Joana - Certo.
Eleonora - Num determinado momento, sim, mas na história do movimento estudantil, também já existia isso.
“EU TIVE MUITAS REFLEXÕES COM MINHAS AMIGAS NA CADEIA; UMA DELAS, A DILMA”
Neste outro trecho, a gente fica sabendo que Dilma Rousseff foi sua companheira também nas reflexões sobre o feminismo.

Eleonora - E, depois, imediatamente eu quis ter outro filho
Joana - Hum.
Eleonora - E muito no sentido de pra provar para os torturadores, mesmo que fosse simbolicamente, que o que eles tinham feito comigo não tinha me tirado a possibilidade de reproduzir e de ter uma escolha sobre meu próprio corpo
Joana - Hum.
Eleonora - Então eu tive mais um filho e logo que ele nasceu também de cesária eu me laqueei.
Joana - Certo.
Eleonora - Então Eu tinha , Eu fui presa com 24 para 25 mais ou menos.
Joana - Nossa Senhora!.
Eleonora -.E sai com 30.
Joana - Certo.
Eleonora - Assim, da história toda e com 30 para 31, tive o meu segundo filho e fiz a laqueadura de trompas
( )
Joana -  E então, tu saíste da cadeia em 74.
Eleonora - Certo.
Joana - Tu tiveste algum contato com o feminismo dentro da cadeia, com leituras feministas.
Eleonora - Não.
Joana - Ou depois?
Eleonora - Não, não. Ao longo da cadeia eu tive Durante a cadeia? Eu tive muitas reflexões com as minhas companheiras de cadeia
Joana - Tá.
Eleonora - Uma delas é a Dilma Roussef.
( )
Joana - Fizeram uma espécie de grupo de consciência?
Eleonora - Grupo de reflexão lá dentro.
Joana - Grupo de reflexão.
( )
Eleonora - Porque eu já saí É.. Eu já saí em 74, eu saí em outubro.
Joana - Certo.
Eleonora - No dia 12, Dia da Criança, eu saí já bem claro que eu era feminista.
Joana - Certo.
Eleonora - E, logo que eu saí da cadeia, eu em Belo Horizonte, fui procurar um grupo de mulheres.
Joana - Esses grupos de consciência?
Eleonora - É, só que era um grupo de lésbicas.
Joana - Certo.
Eleonora - E eu não sabia. Era um grupo de pessoas amigas minhas.
( )
Eleonora - Porque eu voltei a estudar!
Joana - Ah, legal!
Eleonora - Eu parei de estudar em 68.
Joana - Huuummm.
Eleonora - Eu parei no quarto ano de Medicina e no quarto de Ciências Sociais.
Joana - Foste concluir?
Eleonora - Fui, aí eu voltei pra concluir.
Joana - Certo.
Eleonora -  Na UFMG, e optei por acabar Sociologia.
“SOU AVÓ DE UMA CRIANÇA NASCIDA POR INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL NA MÃE LÉSBICA; E TAMBÉM SOU AVÓ DO ABORTO”
Finalmente, destaco outro momento de grande indignidade na fala desta senhora. Ao se dizer avó de um neto gerado por inseminação numa filha lésbica e também “avó do aborto”, não só expõe a sua vida privada e a de seus familiares como, é inescapável constatar, demonstra não saber a exata diferença entre a vida e a morte. Leiam. Volto para encerrar.

Eleonora - E eu digo que a questão feminista é tão dentro de mim, e a questão dos Direitos Reprodutivos também, que eu sou avó de uma criança que foi gerada por inseminação artificial na mãe lésbica.
Joana - Hum, hum.
Eleonora - Então eu digo que sou avó da inseminação artificial.
Joana: (risos)
Eleonora - Alta tecnologia reprodutiva. E aí eu queria colocar a importância dessa discussão que o feminismo coloca no sentido do acesso às tecnologias reprodutivas.
Joana - Certo.
Eleonora - Entendeu? E eu diria: “Eu fiz dois abortos e também digo que sou avó do aborto também porque por mim já passou.
Joana - Sim.
Eleonora - Também já passou nesse sentido. E diria que eu sou uma mulher muito feliz e muito realizada. E eu pauto em duas questões: na minha militância política e no feminismo.


Encerro
É isso aí. Ao nomeá-la ministra, Dilma escolheu sua trajetória, suas idéias, suas práticas. Peço a vocês que comentem com a fleuma necessária. É preciso que se evidencie, com a devida serenidade, que uma aborteira informal e confessa não pode ter lugar na Esplanada dos Ministérios. A sua entrevista como um todo evidencia um pensamento torto. É inconcebível que esta senhora seja considerada uma articuladora de políticas públicas depois da confissão que fez. Até porque, se estivesse no Brasil, não na Colômbia, seu lugar seria a cadeia — em pleno regime democrático, sim, senhores!

É o fundo do poço.
13/02/2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Tributo a Whitney Houston








Charges









sábado, 11 de fevereiro de 2012

Pai pastor facilitou contatos de advogada



Submundo

Pai pastor facilitou contatos de advogada

Elói Ferreira ganhou fama como pregador e se aproximou de poderosos em Brasília - uma conexão que depois seria útil aos interesses da filha
Veja

Gabriel Castro e Gustavo Ribeiro
Elói de Araújo: fama de profeta e proximidade com políticos
       Elói de Araújo: fama de profeta e proximidade com políticos
                                             (Reprodução)

A advogada Christiane Araújo de Oliveira, protagonista da capa da nova edição de VEJA, teve acesso ao mundo dos poderosos por intermédio de seu pai, o pastor Elói de Oliveira. Líder do Tabernáculo do Deus Vivo, em Maceió, ele ganhou fama de profeta e hoje leva suas pregações em igrejas de todo o país - o cachê não sai por menos de 2 mil reais.
Em Brasília, Elói de Oliveira costuma pregar em um templo da Igreja Evangélica Bíblica da Graça. O pastor responsável pelo local, André Salles, ajudou Elói a se aproximar do atual secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Na mesma época, o pregador alagoano conheceu Durval Barbosa, o operador do chamado Mensalão do DEM em Brasília. Os poderes do pregador atraíram políticos de várias matizes. Entre eles o ex-presidente Fernando Collor, o ex-ministro Adir Jatene, o governador de Alagoas, Teotônio Vilela e a ex-ministra Marina Silva.
O pastor tem enfrentado percalços recentemente. Nos últimos dois anos, problemas de fígado o afastaram do altar.

Antes disso, havia sofrido uma misteriosa paralisia da qual se livrou repentinamente. Os fiéis, que no passado lotavam o templo, agora somam cerca de 60 em cada culto.

A decadência, porém, teria outra explicação: fanáticos próximos ao pastor dizem que ele perdeu parte de seus poderes depois de cair em pecado, ao cometer adultério. Ele chegou a ficar separado da mulher, Maria de Fátima, por alguns meses.

A esposa, aliás, coordena um grupo de oração às quartas-feiras em casa - um sobrado discreto. Já a sede da igreja fica em um bairro pobre de Maceió. O terreno foi doado nos anos 1990 por intermédio de um deputado estadual.
Enquanto o pai galgava degraus, Christiane não conseguia a aprovação no vestibular para odontologia em Maceió.

Por intermédio de uma pastora amiga da família, ela decidiu ir para Brasília. Ingressou em um curso particular de direito. Passou a morar em uma quitinete e, para pagar as contas, arranjou um emprego.

Foi quando o pai resolveu usar sua influência para ajudar Christiane. Ela ganhou um cargo no gabinete do deputado João Caldas. Ele garante que, enquanto esteve lá, ela teve um comportamento adequado.
Encarregado pelo pai de aproximar pastores evangélicos da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, Christiane acabou conseguindo um cargo na equipe da petista. Mas não durou muito: perdeu o posto quando veio à tona seu envolvimento com outra máfia, a das sanguessugas.
Tramas - Na capital federal, Christiane se aproximou de Durval Barbosa, com quem, em 2007, passou a trabalhar no governo do Distrito Federal. Tempos depois, ela se envolveria com o então chefe da Advocacia-Geral da União, Antonio Dias Toffoli.

E tentou usar sua proximidade com o atual ministro do Supremo Tribunal Federal para influenciar as investigações que derrubariam o então governador José Roberto Arruda. A queda era do interesse de Durval.
A advogada também usou o contato com o ministro Gilberto Carvalho para defender que o então procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, fosse reconduzido ao cargo.

Bandarra, descobriu-se depois, era um integrante da máfia que tomara conta do governo local.