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quarta-feira, 27 de julho de 2011

O mercado e o povão




O "PIB potencial" está aí, vivinho da silva, a lembrar que somos um país condenado pelos nossos governantes a crescer pouco

Apesar de todas as promessas e ilusões em contrário

POR ALON FEUERWERKE
Correio Braziliense

Como o Brasil vai sair da encalacrada simultânea de uma inflação no limite máximo com um dólar no limite mínimo? O governo parece ter optado pela saída mais confortável. Juro alto e real forte, o suficiente para funcionar como âncora anti-inflacionária.

As importações seguram a onda dos preços, mesmo ao custo do crescimento, especialmente o industrial.


Na sua coluna de ontem no Valor Econômico, o ex-ministro Delfim Netto afirmou que o crescimento vistoso de 2010 não passou de um artefato estatístico. O objetivo do articulista foi contrapor aos que pedem mais aperto monetário, e aqui ele está alinhado com a presidente da República, com a Fazenda e com o Banco Central.


Segundo Delfim, o crescimento brasileiro real, depurado das excepcionalidades, vem patinando em torno de 4% ao longo destes anos todos.

E é verdade.


Curioso apenas que o discurso sirva para um público, o mercado, mas não para outro, o povão.


Para o mercado afirma-se que o Brasil cresce pouco, e por isso não seria prudente apertar ainda mais a política monetária. Para o povão vende-se a ideia de que o Brasil arrancou definitivamente para adiante.

O antecessor de Dilma, por exemplo, repisou estes dias a fantasia de que o governo dele derrubou a tese do PIB potencial de 3%, tese segundo a qual a economia brasileira não poderia expandir a uma taxa superior sem produzir inflação excessiva.


Mas se sua ex-excelência olhar os números verá que o tal PIB potencial continua forte e saudável.

Depois do "artefato estatístico", a crer nas palavras de Delfim, voltamos à mediocridade.

Crescimento abaixo de 4%, mas agora com inflação acima de 6%.


Na prática, o governo ajustou para dois pontos acima de 4,5% a meta de inflação, sem admitir oficialmente. Na real, a meta agora é 6,5%.

Uma mediocridade, portanto, além de tudo perigosa. Mas que serve ao governo para refutar pressões ortodoxas.


Caberia talvez aqui algumas perguntas.

E o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)?

Por que não acelerou o crescimento?

É uma dúvida razoável.

Dirá o governo que estamos crescendo bem mais do que o mundo desenvolvido.

Verdade.

Mas uma verdade conveniente.

Pois nossa expansão é bem menor que a dos demais emergentes.

Essa é outra verdade.


Trata-se de um truque habitual.


Conforme o caso comparamo-nos a quem mais convém.

Que tal se nos comparássemos, por exemplo, aos europeus e americanos não só no crescimento, mas também na educação, na saúde, na infraestrutura e na segurança pública?


Mas nosso desafio maior não é decifrar as polêmicas e as malandragens políticas, é crescer e criar empregos.

Há as estatísticas fantasiosas, segundo as quais vai tudo bem.

Aliás, o Brasil talvez seja o único país em que os índices de emprego e crescimento dançam independentemente.



O país pode estar melhor ou pior, mas os números de emprego saem sempre bons do forno oficial.

Curioso.


Na vida que vale escasseia o emprego de boa qualidade e o desemprego entre os jovens permanece motivo de forte preocupação.

Especialmente por causa da estagnação industrial.

Essa filha indesejada do casamento incestuoso do juro alto com o dólar fraco.

Mas que ajuda os governos quando a temperatura stou em chodos preços ameaça ficar alta demais.

E que se lasque o futuro do país.


Leia mais.


27/07/2011

Jorge Gerdau Johannpeter: a desindustrialização “já está acontecendo” no Brasil.




Gerdau, desde maio, trabalha no Planalto na presidência da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade

Ana Flor
Folha

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, convidado pela presidente Dilma Rousseff para ajudar a melhorar a gestão do Executivo, mostrou ontem preocupação com os rumos da política econômica do governo.

Em uma crítica à política cambial, ele afirmou que a desindustrialização “já está acontecendo” no Brasil.
Além disso, defendeu o fim dos impostos cumulativos e disse que a busca de capital estrangeiro – com juros altos – “precisa ter limites”.

“As políticas financeiras e econômicas vão ter que obedecer uma discussão de vontade política [de] que país nós queremos”, disse ele.

“Porque se é só pela visão financeira, do fluxo de capitais, nós poderíamos deixar como está, porque a situação é cômoda a curto prazo. Mas em uma visão estratégica de longo prazo eu diria que é preciso ter políticas de desenvolvimento industrial, ter emprego de qualidade, não depender apenas de commodities e do minério”,
afirmou.


Do modo que vai, nós estamos prejudicando o desenvolvimento industrial”, disse o empresário ao final da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão.

Um bandido chamado Anders Behring Breivik.


Ou:
viva o Cristianismo e abaixo o multiculturalismo!


Hora de falar sobre Anders Behring Breivik, o tal norueguês que assumiu a autoria dos atentados terroristas em seu país.




Quem ou o que é ele mesmo?

Extremista de direita, antimarxista, antimulticulturalista, xenófobo, antiislâmico, cristão fundamentalista, reacionário? Alertado por um amigo, li trechos daquela maçaroca que traz os princípios da sua, digamos assim, “luta”.

O Brasil é lembrado.

Segundo diz o rapaz, a “mistura de raças” responde pelas dificuldades que o país enfrenta, inclusive a desigualdade social. As convicções de Anders podem até ter sido de direita um dia; hoje, ele é um sociopata, que defende o terrorismo como instrumento de conscientização das massas.

O arquivo está aí. Os leitores sabem muito bem o tratamento que defendo para os terroristas — identifiquem-se eles como “fundamentalistas cristãos” ou “fundamentalistas islâmicos”.

Aliás, os leitores conhecem o que penso sobre qualquer pensamento que flerte com o terrorismo como instrumento de luta política. Recentemente, quem transformou essa tese num norte conceitual foi o filósofo marxista esloveno Slavoj Zizek, que é tratado como uma pessoa séria por boa parte da esquerda e da imprensa brasileiras.

Numa coletânea de textos de Robespierre, intitulada, muito apropriadamente, “Virtude e Terror”, Zizek faz a defesa aberta do terrorismo.

O trabalho mereceu no Brasil uma resenha elogiosa do uspiano Vladimir Safatle. Interpretando e explicando o pensamento de Zizek, escreveu o professor:
“a partir da Revolução Francesa, sobe à cena do político uma subjetividade ‘inumana’ por recusar toda e qualquer figura normativa e pedagógica do homem, por recusar de maneira ‘terrorista’ os hábitos e costumes, por não se reconhecer mais em natureza e em determinação substancial alguma.”

Entenderam?

Zizek, Safatle e Breivik — os dois primeiros como pensadores de extrema esquerda e o último como um ativista de extrema direita — nutrem simpatias por uma política que recusa certas balizas normativas.

Tanto é assim que Safatle, estimulado pelo mestre, enxergou uma necessidade no mundo moderno: “Construir estruturas institucionais universalizantes capazes de dar conta de exigências de reconhecimento de sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa”.

Ora, dêem-me exemplos de “seres não-substanciais”, que se manifestam como “potência disruptiva e negativa”…

Huuummm…

A Al Qaeda?

O Hamas (em relação a Israel ao menos)?

As Farc?

As milícias chavistas?


Ocorre que um delinqüente como Anders Behring Breivik, brincando de Hitler norueguês, também entende que existe uma nova “subjetividade”, que se expressa de modo não-subordinado aos limites dado pelo humanismo, com intuito de romper a ordem e criar um novo movimento…

Qual é o lugar adequado para um vagabundo dessa espécie e seus eventuais seguidores ou líderes?

A cadeia.

Ele mata mais de 70 pessoas para combater o marxismo?

Querem melhor propaganda do marxismo do que isso?

Não há nada que um Hobsbawm consiga fazer em favor de uma teoria moribunda, no que concerne ao proselitismo, que dezenas de cadáveres não façam com mais eficiência.

Ele mata mais de 70 pessoas contra a expansão do Islã na Europa?

Querem melhor propaganda do islamismo extremista do que dezenas de corpos de jovens alvejados, sem qualquer chance de defesa, em nome do combate ao islamismo?

Se alguém escolhe o caminho da morte e do massacre para combater uma religião, reforça o horizonte escatológico dessa crença.

Ele mata mais de 70 pessoas contra o multiculturalismo?

Querem melhor propaganda do multiculturalismo do que essa manifestação irracional de intolerância, como se o mundo se dividisse entre multiculturalistas, que aceitam a diversidade, e seus oponentes, que a repudiam?

Até onde se sabe, a violência autóctone é uma das flores do mal do… multiculturalismo, hoje certamente mais defendido por Ahmadinejad do que por democratas de direita ou de esquerda da Europa.

Anders Behring Breivik é um criminoso, e não há um só conservador, respeitado entre conservadores, que se atreva a defendê-lo.

Mas há, não obstante, esquerdistas respeitados por seus pares que defendem, por exemplo, os traficantes comuno-fascistas das Farc, cujos métodos não se distinguem dos daquele vagabundo.

Os bobões diriam: “Veja o Reinaldo tentando demonstrar que todas as correntes têm seus extremistas incômodos”.

Uma ova!

A clivagem, nesse caso, não obedece à conhecida nomenclatura “direita-esquerda”; Breivik não é um direitista incômodo.

De jeito nenhum!

A divisão que interessa nesse caso se dá entre os que admitem o terrorismo como expressão da luta política e os que não admitem, pouco importa o conteúdo de sua proposição.

O intelectual marxista e petista Octavio Ianni, por exemplo, escreveu, pouco antes de morrer, um texto em que afirmava o caráter revolucionário da… Al Qaeda!


Eu sou cristão e não reconheço Breivik como um “fundamentalista” dessa crença porque não há princípio a ser evocado que justifique a morte; aliás, o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo; hoje em dia, praticamente só cristãos morrem em razão de sua fé — morrem, não matam.

Eu sou um antimulticulturalista convicto porque acredito nos valores universais da democracia ocidental, que reconhecem no indivíduo, e em suas escolhas, a matriz da liberdade; Breivik, um fascista, sonha com uma identidade coletiva. Ele não combate o multiculturalismo coisa nenhuma! Ele combate é a liberdade.


Eu sou um crítico do extremismo islâmico e cobro, então, do Islã não-extremista uma clara mensagem de combate ao que seria o desvio da fé. Onde está a mensagem de repúdio ao ódio e de aceitação das outras crenças?


Qualquer um que recorra à morte de inocentes ou à imposição de um ponto de vista por intermédio da violência para impor a sua vontade e para anunciar o seu horizonte utópico é um ser desprezível, que tem de ser afastado do convívio social, pouco importa se professa convicções de direita ou de esquerda, cristãs ou muçulmanas, multiculturalistas ou não, ecológicas ou não (já que existe o terrorismo verde).

Numa democracia, o flerte com a ilegalidade, ainda que em nome da justiça, só produz mais injustiças. Digam-me um só esquerdista que abraçaria essa minha divisa.

Por que não?

Afinal, o que há de errado com ela?

Defende a democracia e a lei.

É que democracia e leis não são valores de… esquerda!


E não! Não vou me intimidar com o lixo intelectual e moral dos cretinos segundo os quais um Breivik, com a sua violência, encarnaria a verdadeira face da direita; já as Farc e seus métodos seriam apenas a falsa face da esquerda. Assim, idealmente, a direita encarnaria o mal, como prova… Churchill, e a esquerda, o bem, como prova… Stálin.


Que aquele canalha e seus eventuais apoiadores apodreçam na cadeia!

E, já que estamos aqui, vamos lá: viva o cristianismo, abaixo o multiculturalismo, vivam as liberdades individuais!

PS - E já que cumpre dizer tudo, espero que Anders não fuja da cadeia e não peça refúgio no Brasil, certo? Ou o PT só aceita homicidas “de esquerda”?

26/07/2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Demissão de Pagot marca tentativa de mudar de assunto



“Operação Salva Pagot”

e
“Operação Salva Dilma”


Como vocês já devem ter lido, Luiz Antonio Pagot está mesmo fora do Denit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Agora é oficial.

Ele pediu o cancelamento das férias e avisou numa carta que está deixando o cargo.


Torna-se o 17º defenestrado do Ministério dos Transportes desde que uma reportagem de VEJA denunciou os esquemas criminosos vigentes na pasta. Hideraldo Caron, ligado ao PT, e Pagot, próximo do PR, resistiram muito.

E só um acordo os tirou de seus respectivos cargos.

Explico-me.

Nem Caron nem Pagot aceitavam o ônus da “moralização” ou da “faxina”, conforme foi chamada a operação deflagrada por Dilma.

Ponham tudo na balança, e vocês constatarão que se tenta transformar as demissões em uma forma de punição — e, obviamente, elas não têm esse caráter.

Ao dispensar essas pessoas de seus respectivos cargos, o governo apenas está dizendo que elas não reúnem condições de levar adiante a tarefa de lidar com dinheiro público. As irregularidades precisam ser apuradas, e os responsáveis, punidos.
Pagot só aceitou ir pra casa porque se fez um acordo:

o governo vai até o limite do possível para tentar impedir qualquer punição, e o ex-diretor fica de bico fechado; não diz uma vírgula sobre o que sabe.

Aquelas ameaças que fez antes surtiram efeito.

Tanto é assim que ele continuou no cargo até hoje.

Caron também saiu sob proteção — não se esqueçam de que o petista Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, colocou-o como um homem de sua estima.

O governo gostaria que a demissão de Pagot fosse o começo do fim da operação limpa-corrupto. Percebeu que esse negócio dá muito trabalho e que, como diria Lula, prejudica a base de apoio no Congresso.

A ordem agora é atuar para pôr uma pedra sobre essa história, já que Dilma teria tomado todas as providências cabíveis, como se os malfeitos fossem uma agressão pessoal à presidente, não ao país.

Assim, a demissão é parte da “Operação Salva Pagot” e da “Operação Salva Dilma”.
Ele ameaçava falar justamente sobre o financiamento da campanha eleitoral do PT em 2010.

Agora, todos resolveram se entender em silêncio.

Ah, sim: por enquanto, José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, não vê motivos para a PF abrir um inquérito…
25/07/2011

Mistura de raças do Brasil é catastrófica, escreveu atirador da Noruega

Texto publicado na internet liga mistura de raças a desigualdade social.

Brasil seria exemplo de 'alto nível de corrupção e falta de produtividade'.



Do G1

São Paulo


Reprodução da capa do documento
(Foto: Reuters)


A política de estabelecer uma mistura de raças europeias, asiáticas e africanas em países como o Brasil se provou “catastrófica” e resultou em altos níveis de corrupção, baixa produtividade e conflitos entre as diferentes culturas.

A teoria sobre o país está numa das páginas do manifesto atribuído a Andrew Behring Breivik, o norueguês de 32 anos que assumiu a autoria dos atentados que mataram ao menos 76 pessoas em Oslo, na última sexta (22).

Para o autor do documento, que tem ligações com a extrema-direita norueguesa, o “Brasil vem se estabelecendo como o segundo país do mundo com o menor nível de igualdade social". O texto não cita qual seria o primeiro.

“Os resultados são evidentes e se manifestam num alto nível de corrupção, falta de produtividade e um eterno conflito entre várias ‘culturas’ competindo, enquanto a miríade de ‘sub-tribos’ criadas (preto, mulato, mestiço, branco) paralisa qualquer esperança de sequer alcançar o mesmo nível de produtividade e igualdade de, por exemplo, Escandinávia, Alemanha, Coreia do Sul e Japão”, diz o texto do terrorista de extrema-direita na página 1.153.

Observando a falta de igualdade social no Brasil e a média de produtividade do brasileiro, continua o texto, “é evidente que uma abordagem similar na Europa seria devastadora e um atraso para as nações (...)”.

Anders Behring Breivik, à esquerda, é transportado em carro da polícia nesta segunda-feira (25) em Oslo, capital da Noruega (Foto: Reuters)Anders Behring Breivik, à esquerda, é transportado em carro da polícia nesta segunda-feira (25) em Oslo, capital da Noruega

(Foto: Reuters)
Intitulado “A European Delaration of Independence - 2083" (Uma declaração de Independência Europeia - 2083), o manifesto, que leva a assinatura "Andrew Berwick" na capa, foi publicado na internet apenas horas antes do massacre no país.

Com várias referências históricas, o manifesto inclui numerosos detalhes da personalidade do agressor, seu modus operandi para fabricar bombas e seu treinamento de tiro, além de um minucioso diário dos três meses que precederam o ataque.

As afirmações que relacionam raça e produtividades estão no trecho em que o autor trata das “razões por trás da oposição conservador à mistura de raças e adoção de não-europeus”. Em outro trecho, na página 1.161, o texto volta a citar o Brasil como exemplo de desigualdade social.

“(...) Um país que tem culturas que competem entre si vai acabar se dividindo internamente ou, a longo prazo, vai terminar como um lugar permanentemente disfuncional como o Brasil e outros países semelhantes”, diz.

“Quando você acrescenta o Islã a esta mistura, o pior cenário muda de um país disfuncional para o fracasso total; a sharia [lei islâmica] e disputa entre povos”.


Acidente em Goiânia

Há pelo menos 12 referências aos termos “Brasil” ou “brasileiro” no documento, nem todas com o mesmo teor. No trecho em que trata sobre a fabricação de bombas, o autor cita o acidente radioativo com o césio 137 em Goiânia, que deixou centenas de mortos em 1987. “Seja extremamente cuidadoso quando lidar com material radiológico”, alerta na página 1.060.

Na página 1.287, o texto cita o Brasil em meio a países que se tornaram independentes com “golpes de estado sanguinários”. “Em 1889, o Brasil se tornou uma república via um golpe de estado sanguinário.”

Em outra menção, o país está numa lista de nações que sofreram intervenções dos Estados Unidos.

A anotação cita o ano de 1964 ao lado de “Acesso do comunismo a recursos e trabalhadores pobres”.




25/07/2011

Charge

vai faltar sabão e DETERgente!

www.sponholz.arq.br

sábado, 23 de julho de 2011

Sistema político e/ou econômico perfeito








20 de julho de 2011





20 de julho de 2011

RESUMINDO:


Não há nem pode haver um sistema político e/ou econômico perfeito, enquanto instituições humanas.

O pensamento crítico é necessário, mas não podemos condenar um sistema que sabidamente, que mesmo com suas mazelas é o
maior agente revolucionário da História – gerado e gerador pela revolução produtiva e tecnológica – triplicou a expectativa de vida entre 1700 – 2000; e efetivamente reduziu a pobreza nos países capitalistas.


Rivadávia Rosa

sexta-feira, 22 de julho de 2011

É uma evolução realmente fantástica!


Garotinho dá uma pausa nas pancadas diárias em Cabral e mostra o inacreditável enriquecimento da família Picciani, que é de fazer inveja até ao consultor Palocci.


Com a derrocada do governador Sergio Cabral (aquele que precisou mandar fazer um Código de Conduta Ética para saber o que é certo ou errado), o ex-governador Anthony Garotinho está fazendo a festa. Todo santo dia, em seu blog, ele publica alguma denúncia contra o atual governador, que curiosamente Garotinho até ajudou a eleger, no primeiro mandato, em 2006.
Garotinho conseguiu montar um impressionante arquivo de denúncias contra Cabral, o que nem foi difícil, já que praticamente desde o início do mandato do atual governador já começavam a circular pesadas acusações. Esta semana, porém, o blog deu uma pausa no bombardeio a Cabral e voltou os canhões em direção à surpreendente família de do ex-deputado Jorge Picciani, ex-presidente da Assembléia (Alerj) e atualmente presidente estadual do PMDB.
O blog do Garotinho, ilustrado com gráficos e fotografias, mostra que Picciani, quando começou a carreira política. morava no subúrbio de Ricardo de Albuquerque e usava um fusquinha para ir aos comícios. Bem, vamos logo transcrever as denúncias, porque vale a pena conferir a que ponto chegou a política no segundo mais importante estado do país, na era da dupla Cabral-Picciani.
“Era um sujeito humilde que dizia que queria lutar por uma vida melhor para os seus concidadãos. Mas vejam as voltas que a vida dá. Foi na política que descobriu que tinha uma vocação ainda maior para os negócios. Continuou lutando por uma vida melhor, mas só que para a sua família. Em poucos anos como poderão ver abaixo, se transformou no Rei do Gado, com uma evolução patrimonial excepcional. Um faro e uma sorte nos negócios de deixar Eike Batista com inveja.
Para que ninguém tenha dúvidas,  todos os documentos relativos à evolução patrimonial da família Picciani são oficiais. Vamos então começar pelo patriarca da família Picciani, o ex-deputado Jorge Picciani. Notem que no ano de 2000, sua declaração de renda(bens) era de R$ 1.345.777,57. Em 2011, ele alcança sozinho R$ 27.367.931,08. É uma evolução realmente fantástica!
Além de muito competente para aumentar o patrimônio, o ex-deputado Picciani também é muito esperto. Atualizou o capital social de sua empresa de pecuária Agrobilara, somente agora, em 11 de abril de 2011, apesar de ter incorporado a empresa Agrovaz, desde fevereiro de 2009. Mas se tivesse feito a atualização antes, sua declaração ao TRE, no ano passado, não seria de um patrimônio de R$ 11 milhões, mas sim de R$ 27 milhões. Poderia parecer ao eleitor que ficou rico demais, depressa demais.
Mas Picciani não é um fenômeno sozinho, é um excelente pai que ensinou ao filho Leonardo Picciani os segredos de fazer bons negócios e também lhe passou a mesma sorte.
Leonardo Picciani (atual secretário estadual de Habitação, licenciado) seguiu os passos do pai entrando para a política, se elegendo deputado federal, mas acabou descobrindo sua vocação familiar para fazer negócios. Em 2000 declarou no Imposto de Renda R$ 365.624,60, e agora, com o aumento de participação na Agrobilara, seu patrimônio deu um salto para R$ 9.885.603,00, como podem conferir no gráfico abaixo.
Ele é secretário de Habitação de Sérgio Cabral.

Se construísse casas para o povo na mesma velocidade que aumenta o seu patrimônio não haveria um sem teto no Rio de Janeiro. 

Leia mais.


22 de julho de 2011


Charge



cagot-se


Presidente Dilma enfim descobre que pode se descolar de Lula para disputar o segundo mandato em 2014.



Mas o que o ex-presidente
(que já está em campanha)
pensa disso?


As cartas já estão à mesa para a sucessão de 2014, não há dúvida. Depois de seis meses de constrangimento e submissão, a presidente Dilma Rousseff enfim começa a se descolar de Lula.

A velocidade com que ela está fazendo a limpeza no Ministério dos Transportes indica uma surpreendente mudança de rumo, em comparação ao escândalo de Antonio Palocci, que levou 23 dias para ser defenestrado, por pressão direta de Lula, e só saiu quando ameaça poluir a popularidade do Planalto e do PT.

Essa determinação de chamar a si a responsabilidade pelo gestão já era até esperada, em função da forte personalidade da presidente Dilma Rousseff. E até já estava demorando demais para acontecer isso.
Para quem acredita em coincidência, merece registro o fato de que essa dissimulada e silenciosa declaração de independência de Dilma Rousseff ocorre exatamente quando o ex-presidente inicia sua campanha rumo a 2014, com uma série de visitas a municípios da Bahia, acompanhando do governador Jaques Wagner, do PT.
Se dependesse de Lula, os escândalos no Ministério dos Transportes seriam abafados ao máximo, as demissões já teriam terminado, o próprio Luiz Antonio Pagot seria preservado na diretoria-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) e o PR não estaria efetivamente sentado no banco dos réus.

No entanto, Dilma começa a mostrar um outro estilo, bem mais duro e incisivo, que certamente será muito bem recebido pela opinião pública, que está cansada de tanta corrupção e de tanta impunidade.
Até o momento, Dilma já demitiu 15 servidores, incluindo o inacreditável ministro Alfredo Nascimento, em 19 dias de crise, e não há sinais de que a degola vai parar por aí.

O novo comportamento do Planalto já começa a colher resultados positivos. “O setor privado apoia a presidente e ela tem demonstrado que não contemporiza com esse tipo de irregularidade”, diz o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, ressalvando que o governo ainda precisa dar sinais claros do que pretende com essas mudanças: “A indústria, por exemplo, aguarda há seis meses um projeto consistente para o setor empresarial”.

Se Dilma continuar se descolando de Lula, tocando o governo sozinha, sem tutor, o rompimento será inevitável.

Embora o jornalista Jorge Bastos Moreno, sobre o relacionamento entre os dois, tenha publicado que “o amor verdadeiro é o maior antídoto contra intriga, e onde existe amor, não há desconfiança”, tudo tem limites.
Especialmente quando há possibilidades de os dois quererem disputar o mesmo cargo em 2014.

Há duas semanas, pela primeira vez Dilma Rousseff falou em “segundo mandato” e, novamente por coincidência, Lula também reconheceu que ela tem direito de disputar novamente a presidência. Acontece que os dois pertencem ao mesmo partido e só existirá uma candidatura pelo PT.

Seria uma ilusão julgar que o PT poderia garantir a legenda à atual presidente, se Lula quiser se candidatar, o que é uma hipótese óbvia, pois ele acaba de iniciar a campanha e vai seguir viajando pelo país, conforme até anunciou na semana passada.
Nesse quadro, registre-se que Dilma Rousseff está no momento em total desvantagem, porque a legislação eleitoral até a proíbe de deixar o partido, sob risco de cassação de mandato. Como se sabe, o Supremo já firmou jurisprudência no sentido de que o mandato pertence ao partido e não ao candidato.

Mas tudo na vida tem jeito, especialmente quando pode sobrevir na política o famoso “jeitinho brasileiro”.

Está em curso a chamada reforma política, e já se sabe que uma das medidas em preparação será a criação de uma alternativa para permitir o troca-troca partidário, pelo menos episodicamente.

O vice-presidente Michel Temer, por exemplo, que tem muito prestígio no Congresso, defende uma autorização para a troca de partidos nos seis meses que antecedem cada eleição, como forma de permitir que detentores de mandato insatisfeitos possam se filiar a outra legenda.

A tese tem a simpatia do senador Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano, porém, alerta que esse não pode ser o mote principal da reforma política:

- Iniciar uma reforma política falando de janela para o troca-troca partidário seria um casuísmo desmoralizante.

Mas não sou inflexível – observou Aécio, que também seria beneficiado e poderia até sair candidato pelo próprio PMDB, como já chegou a ser aventado antes da disputa presidencial em 2010.

Se essa hipótese se concretizar, aí teríamos uma eleição verdadeiramente sensacional e eletrizante, disputada entre Lula, Dilma, Serra ou Alckmin, Aécio e outros menos votados, como Ciro Gomes e Anthony Garotinho, que já foram presidenciáveis e continuam sonhando com o Planalto.
Mas só o futuro dirá.

22 de julho de 2011

Charge



o problema é a faxineira

www.sponholz.arq.br

CARTA ABERTA AO EX-PRESIDENTE LULA



DE MOZART HAMILTON BUENO


Brasília, 12 de julho de 2011.

Excelentíssimo Senhor ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com todas as vênias que Vossa Excelência se fez merecedor por ter atingido a primeira Magistratura do país, exerço meu direito de cidadão, não implicando este exercício em afronta, mas crítica de quem já não mais
acredita nos rumos deste país, mercê dos desmandos que de há muito vêm ocorrendo.

Assim, inicialmente entendo oportuno esclarecer a Vossa Excelência que:

1. Nunca participei de qualquer movimento ou partido político;


2. Nunca fui guerrilheiro;;

3. Nunca participei de assalto a banco, nem de seqüestros.

4. Nunca participei de qualquer ação terrorista assim como nunca ceifei vidas por razões ideológicas ou qualquer outra;

5. Nunca estive exilado em Cuba, na Rússia ou em qualquer outro país, em razão do que nunca recebi dinheiro alienígena nem aprendi a nefasta arte das guerrilhas urbana e rural;

6. Nunca recebi dinheiro desonesto, seja no bolso, na cueca, na meia, na mala preta ou mesmo em conta corrente, assim como nunca fiz remessa de qualquer numerário para o exterior;

7. Também nunca participei de “mensalão” “mensalinho”; ou qualquer outra modalidade de corrupção;

8. Nunca fui funcionário fantasma assim como nunca usufruí das benesses do nepotismo, direta ou
indiretamente;

9. Infelizmente, nunca fui craque em qualquer esporte, razão pela qual nunca percebi salários milionários;

10. Não sou beneficiário de programas do governo denominados bolsa estudo, bolsa alimentação, bolsa transporte, bolsa bujão de gás, bolsa sem-terra, bolsa sem-teto, como também nunca me beneficiei do sistema de cotas para negros, índios, afro-descentes, quilombolas e outros tantos que andam por aí;

11. Também não integro qualquer ONG nem o MST.

Apenas e modestamente, dediquei ao todo, quarenta e quatro anos ao serviço público do meu estado
natal, Minas Gerais e ao Estado de Rondônia, em razão do que percebo hoje aposentadoria que me garante
sustento.

Então, não falo por mim, mas por milhões de brasileiros deserdados, esquecidos e maltratados pelo Estado.


Ao meu Estado de origem, Minas Gerais, e à Pátria, nada devo, exceto os quatro primeiros anos de estudo
(antigo grupo escolar), pois os demais –ginasial, colegial, dois cursos superiores e vários de aperfeiçoamentos foram conquistados a duras penas e ás minhas próprias expensas.

Hoje se tem notícia de que Vossa Excelência enviou ao Congresso Nacional projeto de lei que premia os
ex-campeões de futebol, (tidos como herois), com determinada quantia e ainda estende esse benefício aos seus descendentes.

Muito justo...

Pena que, após, serão agraciados com o nosso dinheiro, os campeões de todas as outras modalidades
de esportes, os artistas, cineastas e muitos outros campeões, pretéritos e vindouros, ainda que sob
imposição de mais sacrifício à população mediante a elevação dos impostos já escorchantes e a volta
de outros para satisfazer a insaciável fome do erário.

Os jogadores de futebol, Senhor ex- Presidente, não são herois brasileiros.

Herois de fato foram os vultos que fundaram a nacionalidade, como Joaquim José da Silva Xavier, por antonomásia “Tiradentes; os Inconfidentes Mineiros, os Bandeirantes, o Patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva, os Imperadores Pedro I e Pedro II, Luiz Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), Tamandaré, Ozório, Deodoro e Floriano, Benjamin Constant, Ana Néri, os que lutaram na Guerra do Paraguai, os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira que tudo deram de si na II Guerra Mundial e ainda, os que, sem heroísmo bélico, honraram e engrandeceram a Pátria, como Rio Branco, Santos Dumont, Vital Brazil, Carlos Gomes, Villa Lobos, Rui Barbosa, Carlos Chagas e muitíssimos outros nas áreas da ciência, da tecnologia, das letras, da música, do direito e da política.

Estes sim alicerçaram as bases e os rumos do Brasil.

Herois da nacionalidade, Senhor ex-presidente, embora no anonimato, são os professores de
todos os níveis, que alavancam o progresso deste país; heróis são os militares das Forças Armadas, sempre prontos ao serviço da Pátria; heróis são os policiais militares que enfrentam diuturnamente os bandidos e ainda as famigeradas comissões de direitos humanos, assim como heróis são os bombeiros militares, verdadeiros anjos da guarda da população.

Herois são os médicos, para-médicos e funcionários da saúde que labutam sem recursos, sem equipamentos e sem medicamentos nos prontos socorros improvisados e nos sujos e peçonhentos hospitais públicos, sem a contrapartida de um salário justo e digno.

Herois, enfim, são os milhões de brasileiros anônimos, pacatos, cumpridores dos deveres e pontuais pagadores de impostos absurdos, que não recebem do governo a constitucional contra partida do estudo, da alimentação, da moradia, da saúde, da segurança e do transporte.

Vossa Excelência, retirante nordestino de origem pobre, talvez não saiba, pela aversão aos bancos escolares e aos livros – como reiteradamente proclamado em suas falas - que há professores
neste país que percebem menos de um salário mínimo; que há escolas de taipa, de lona e sem carteiras e alunos sem qualquer material escolar, desnutridos e completamente desassistidos.

Vossa Excelência talvez não saiba que há professoras do primeiro grau que caminham léguas para lecionar e percebem metade do salário mínimo sem qualquer outro tipo de ajuda, enquanto outras navegam corajosamente pelos rios e igarapés da Amazônia para o sacerdotal sacrifício de alfabetizar crianças ribeirinhas.

Vossa Excelência talvez não tenha conhecimento de que o sistema bancário brasileiro cobra, com a conivência e sob a proteção do Estado, mais de 450% de juros ao ano e retribui nas aplicações dos seus correntistas 12% em igual período;

Vossa Excelência talvez não tenha conhecimento do estado precário das rodovias federais e estaduais,
dos desvios de verbas e da corrupção que se agiganta nos três níveis da administração pública, muito embora tivesse o dever de tudo saber enquanto Presidente da República. E mais, de determinar
apurações e punir exemplarmente os ratos que infestam a administração pública.

Vossa Excelência teve conhecimento de que os gastos do seu governo com os cartões corporativos superaram o orçamento de muitos órgãos da administração?

Vossa Excelência teve conhecimento das infindáveis “marucutaias” havidas em seu governo, sem que nada se fizesse para estancá-las?

Certamente que não, como negado reiteradamente durante todos os oito anos de governo.

Cidadão do mundo, viajante contumaz, turista reconhecido, passou mais tempo no interior do “aero lula” e em terras estrangeiras do que aqui no nosso Brasil.

Empenhou-se para que aqui se realize a Copa do Mundo, obrigando a Federação, os Estados e Municípios a gastos astronômicos em detrimento das mais urgentes e comezinhas necessidades do povo.

Alheio à realidade nacional e movido pelo populismo, Vossa Excelência idealizou, materializou e enviou ao Congresso Nacional projeto de lei que assegura pensão aos ex-campeões mundiais de futebol.

Muito bem...

Mas, e aos ex-campões da educação, hoje aposentados com salário de fome e maltratados pelo desdém da União, dos Estados, Municípios e INSS?

E aos ex-campeões da medicina que dedicaram suas vidas à salvação de outras vidas?

E aos ex-campeões da ciência, que dedicaram noites e noites indormidas para a melhoria da saúde pública e prevenção às doenças?

E aos ex-campeões da segurança pública, que enfrentaram diuturnamente a guerra ao crime?

E aos milhares de crianças e adolescentes moradores de rua e já escravos das drogas, que estatísticas já apontam em número de um milhão?

E aos atuais milhões de campeões anônimos que labutam diuturnamente para a melhoria das finanças,
do progresso e da riqueza nacional?

Desses, Vossa Excelência não se lembrou, como não se lembrou dos atletas cubanos que lhe pediram asilo político. Entretanto dispensou especial atenção aos invasores de terras, às ONGs suspeitas, aos “cesares battistis” e aos falsos estadistas desta banda das Américas.

Por todos os títulos a iniciativa de Vossa Excelência é lamentável, antipática e discriminatória.

Como cidadão inconformado com tantos desmandos e tanta corrupção, alio-me ao pensamento de um dos maiores craques do nosso futebol, Tostão, cujo civismo o levou a repudiar essa demagógica iniciativa,
porque cortesia feita com o chapéu alheio, ou seja, com o dinheiro do povo.

Só me resta esperar que Deus ilumine nossa presidente para que ela erradique de vez a corrupção
neste país e que o Congresso Nacional, saindo da letargia e da genuflexão ante o Poder Executivo,
ponha-se de pé e rejeite tão absurda proposta.

Atenciosamente,


Petralha do Dnit liberou R$ 30 milhões para prefeito aliado construir casas


O petralha Hideraldo Caron, diretor de Infraestrutura do Dnit, aprovou assinatura de contrato com Prefeitura de Canoas, comandada por Jairo Jorge (PT), apesar de 2 pareceres da Advocacia-Geral da União terem alertado sobre manobras para liberar verba.

Na imagem, terreno próximo à BR-448 onde estão sendo feitos loteamentos para a construção de casas na cidade gaúcha

Leandro Colon
O Estado de S.Paulo

Contrariando dois pareceres da Advocacia-Geral da União (AGU), o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Hideraldo Caron, orientou a aprovação de um contrato de R$ 30 milhões com a prefeitura de Canoas (RS), comandada pelo prefeito Jairo Jorge, do PT. O convênio foi assinado em janeiro de 2010 e até agora não saiu do papel.

O dinheiro do contrato, celebrado em 2010 pelo prazo de dois anos, não é para melhoria de estradas. É destinado à construção de 599 unidades habitacionais para 2 mil sem-terra que ocupam a chamada "Vila do Dique", um terreno próximo à construção da BR-448, obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que liga Porto Alegre a outras cidades gaúchas. Dos R$ 30 milhões previstos, R$ 28 milhões são do Dnit.

Hideraldo Caron é filiado ao diretório petista no Rio Grande do Sul e participou pessoalmente das negociações em Canoas, tendo inclusive comparecido à cidade gaúcha para assinar os documentos. O petista deve perder o cargo, sobretudo por pressão do PR, que teve vários apadrinhados políticos afastados na esteira da crise nos Transportes.

Um ano e meio depois da assinatura do contrato, o projeto de construção das casas não andou. Com apenas mais seis meses de vigência, provavelmente terá de ser prorrogado.

O Estado teve acesso aos pareceres jurídicos dos procuradores da AGU sobre o convênio com a prefeitura de Canoas. Eles trabalham dentro do Dnit para dar orientação jurídica ao órgão. Em pelo menos duas oportunidades, apontaram falhas no contrato, incluindo manobras para liberar o dinheiro.

Mesmo assim, a diretoria do órgão vinculado ao Ministério dos Transportes aprovou o repasse com base em relatório da Diretoria de Infraestrutura, de número 23/2010, dirigida por Caron. O contrato foi assinado por ele e pelo diretor-geral, Luiz Antônio Pagot, este último afastado do cargo após as denúncias de corrupção no órgão.

O Dnit alega que contou com o aval do Ministério do Planejamento para assumir a despesa. A pasta, na ocasião, era comandada pelo também petista Paulo Bernardo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Lula capricha na pose de inocente enquanto trata de afastar-se do local do crime


Desde a descoberta da quadrilha em ação no Ministério dos Transportes, o ex-presidente Lula imita o punguista que capricha na pose de inocente enquanto se afasta da vítima para descer do ônibus no primeiro ponto.

A expressão de culpado sem culpa não convence nem passageiros que estão cochilando.

Até um bebê de colo sabe que a parceria com o PR é mais uma das incontáveis obras repulsivas que compõem a verdadeira herança maldita.

Foi Lula quem doou a Valdemar Costa Neto, ainda em 2002, o Ministério dos Transportes.

Na infame reunião sigilosa que deu origem ao esquema do mensalão, o candidato ganhou o vice José Alencar em troca dos direitos de exploração da usina de contratos superfaturados e negociatas multimilionárias.

Foi Lula quem descobriu, em 2004, que Alfredo Nascimento era o homem certo para o comando do território sem lei.

Ficou tão satisfeito com a performance do ministro meliante que o reinstalou no cargo no segundo mandato e exigiu de Dilma Rousseff que ali o mantivesse.

Só agora, muitos dias depois de desbaratado o bando, o animador de auditório criou coragem para murmurar platitudes sobre mais um escândalo.

Primeiro, balbuciou que a sucessora está agindo direito e mudou de assunto. 

Nesta quinta-feira, subiu o tom de voz dois ou três decibéis para fazer de conta que não tem nada com isso.

““Se as pessoas agirem com honestidade e com decência, todo mundo poderá ser absolvido”, recitou o Padroeiro dos Companheiros Pecadores.

“Se cometeram erros, as pessoas devem ser punidas. Isso vale para a presidente Dilma, valia para mim e vale para qualquer um”.


O cinismo que jorra do palavrório é tão nauseante quanto previsível.

Haja estômago para suportar um Lula discorrendo sobre honestidade e decência sem temer que um raio bíblico lhe caia sobre a cabeça.

Mas nada tem de surpreendente ouvi-lo qualificar de “erros” os assaltos aos cofres públicos que se repetem em ritmo de Fórmula-1 há oito anos e meio, com as bênçãos do Planalto, e não têm data para terminar.

Caso use as palavras certas ─ ladroagem, corrupção, roubalheira, fora o resto ─, Lula terá de admitir que nunca antes neste país um presidente da República juntou tantos bandidos no mesmo governo.

O Ministério dos Transportes é só mais um entre quase 40.


O PR é apenas uma ramificação da imensa quadrilha federal.

21/07/2011

A cruz e a espada



Por Dora Kramer
O Estado de S.Paulo

A corrupção, os desvios de conduta e a impunidade grassam; não só no ministério dos Transportes nem exclusivamente no PR.
A degeneração gradativa dos costumes políticos deturpou o conceito de coalizão e transformou a governabilidade em sinônimo de licenciosidade.

Para o partido pilar do poder - no caso presente, o PT - o vale-tudo se justifica pela necessidade levar adiante "o projeto".

Para os aliados, é a sistemática pela qual se assegura a sustentação no Congresso.

Um não vive sem o outro e ambos, ao longo do tempo, à medida que se aprofundam as deformações, acabam criando uma armadilha para o governo: de condutor do processo, transforma-se ao mesmo tempo em refém e avalista de malfeitorias em série.

Com o escândalo de propinas e superfaturamento de obras no Ministério dos Transportes, a presidente Dilma Rousseff tomou atitudes interpretadas como mostra de que pretende se libertar da arapuca.
Demitiu até agora 16 ocupantes de postos-chave naquele feudo entregue ao PR, onde foi posto um petista na diretoria de Infraestrutura Rodoviária supostamente para servir de "olheiro" do Palácio do Planalto.

Dizem que deve sair também. Não se sabe se porque não "olhou" como deveria ou por uma questão de isonomia punitiva, a fim de satisfazer o PR.

A questão é relevante: se a esperada demissão de Hideraldo Caron for devida à conclusão de que compactuou, a notícia é boa, sinal de uma mudança de padrão. Se for apenas para dar uma satisfação ao PR, trata-se de mera simulação temporária.

Seja como for, a presidente Dilma Rousseff tomou um caminho - ou foi forçada a isso pelas circunstâncias - sem volta: ou dá continuidade ao desmonte da armadilha, ou logo retorna à velha rotina, deixando claro que a ideia não é dar um salto de qualidade na democracia representativa do Brasil, mas só administrar a crise da vez.

Na primeira hipótese a presidente terá de fazer muito mais que um punhado de demissões.



Terá de enfrentar a pressão forte da base aliada e até mesmo se confrontar com seu criador Luiz Inácio da Silva, a quem os partidos consorciados não demora acorrerão em busca de socorro.

Dilma precisará fazer do rigor um método permanente no qual a mesma regra valha para todos, sem exceção dos companheiros de partido, e pelo qual haja garantias de com funcionamento dos mecanismos de controle.

Isso requer estreita vigilância sobre a biografia dos indicados para os cargos na administração federal e constante fiscalização sobre as respectivas atuações: do ponto de vista ético e de eficácia administrativa.

Uma tarefa que não se leva a bom termo sem o rompimento da lógica dos "feudos". Não basta entregar determinada pasta a um partido e deixá-lo responsável pelos bônus e pelos ônus. É necessário zelar pelo bom andamento dos trabalhos.

Tampouco se configura uma atuação em linha reta recorrer ao estratagema de esvaziar essa ou aquela pasta transferindo atribuições a ministros "de confiança".

Criam-se, com isso, dois tipos de distorções: o desequilíbrio funcional, como se viu com a sobrecarregada Casa Civil sob Antonio Palocci, e a divisão entre ministros probos e outros nem tanto. A rigor, confiáveis devem ser todos aqueles a quem são delegadas prerrogativas de manejar o patrimônio público.

A dúvida agora é esta: o que pretende de fato a presidente Dilma Rousseff?

Mudar o padrão de relacionamento ou dar uma maquiada na situação?


Iniciar um processo de mudança nos procedimentos de modo a que a coalizão se paute pela execução de um programa de governo ou contemporizar para não pôr em risco o projeto de poder?


Fácil não é.

Requer prática, habilidade, ousadia, respeito pela política maiúscula, compreensão de que do jeito que está não dá para continuar por muito tempo e, sobretudo, firmeza e maturidade para refazer os termos do pacto da governabilidade privilegiando as cláusulas de atendimento do interesse público.

Custaria muitas lágrimas, toneladas de suor e talvez algum sangue.

Mas, se o serviço for bem feito, a sociedade saberá reconhecer e os partidos obrigados a se enquadrar a tempos de métodos menos espúrios.

21 de julho de 2011