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terça-feira, 2 de agosto de 2011

O QUE UMA SOCIEDADE ESPERA DO SEU PRESIDENTE



Por Geraldo Almendra

A cumplicidade ou a omissão diante da corrupção do poder praticada pelos canalhas esclarecidos que montaram seus barracos da imoralidade na administração pública tem sido uma característica marcante de postura dos presidentes da República depois da devolução do poder aos civis.

Ninguém que tem a honestidade como valor fundamental de sua vida elege um presidente para manter ou transformar o país em um Paraíso de Patifes.

As posturas e as faltas de posturas dos presidentes da Fraude da Abertura Democrática contribuíram definitivamente para degeneração moral do poder público.

Um verdadeiro presidente tem que ter os mais rigorosos atributos da dignidade e da transparência dos atos do poder público, não aceitando exercer o seu cargo com os instrumentos da manipulação da miséria educacional e cultural que produz os ignorantes que se tornam objetos humanos úteis para a prática de estelionatos eleitorais em um ambiente de prostituição da política no jogo sujo do poder pelo poder.

Um presidente eleito para defender os interesses do submundo comuno sindical e de oligarquias ou burguesias corruptas, assim como dos praticantes do ilícito como valor fundamental não passa de um delinquente que foi colocado no poder por um estelionato eleitoral fundamentado na corrupção e pela ignorância das massas, vítimas da falência educacional e cultural.

Colocar um presidente despreparado no poder é o mesmo que responsabilizar um imbecil pela vida dos cidadãos, isto é, alguém que nunca saberá avaliar corretamente o seu papel se colocando no lado da mentira, da hipocrisia, da demagogia e do lado dos que fazem do poder público um covil de bandidos.

Os presidentes civis têm sistematicamente contrariado a famosa colocação de um dos mais notáveis homens públicos dos EUA, Abrahan Lincoln: "Você pode enganar algumas pessoas todo o tempo. Você pode também enganar todas as pessoas algum tempo. Mas você não pode enganar todas as pessoas todo o tempo".

Já se passaram vinte e seis anos do fim do Regime Militar e durante todo esse tempo a sociedade vem sendo vergonhosamente enganada pela classe de políticos profissionais e amadores que, com raras exceções, trabalham, não para a grandeza do país, mas, principalmente, para o fortalecimento de oligarquias ou burguesias que têm na prática do ilícito e no engodo do cidadão comum – os eleitores de seus representantes espúrios –, o caminho preferencial para seu fortalecimento político-prostituído.

Ou seja, estamos acompanhando que a maioria da sociedade está sendo enganada pela prática da degeneração moral das relações público-privadas há mais de vinte e seis anos.

Talvez o fato mais grave desse processo esteja sendo o silêncio de “caras de paisagem” ou a omissão das casernas, que nunca poderiam ter se posicionado como cumplices na colocação do destino do país ao sabor do crime organizado da política, aceitando com uma covarde resignação a subordinação aos canalhas da corrupção e da prevaricação, tudo como se a Constituição não colocasse sobre seus ombros a responsabilidade maior de defender o país de sua autodestruição pela necrose de um poder público sendo transformado em um covil de bandidos.

O processo social-patológico de desordem Jurídica que estamos presenciando exigiria por si só a retomada das rédeas do país com uma intervenção civil-militar para destituir um Parlamento transformado em um balcão de negociações espúrias colocando outro no seu lugar através de eleições gerais, em que qualquer FICHA SUJA tenha vetada sua candidatura.

Depois seria feito uma verdadeira limpeza nos outros poderes por tribunais especiais e não essa palhaçada de hipocrisia de limpeza protagonizada pela presidente Dilma.

Um presidente eleito, mesmo que seu mandato seja obtido por uma base partidária, no momento em que assume o seu posto, deve ficar do lado da lei e da ordem em um patamar de responsabilidades acima dos interesses menores ou inconfessáveis daqueles que lutaram pela sua eleição com as “melhores” das desonestas intenções.

Um presidente não pode ser eleito para viabilizar a continuidade da transformação do poder público em um covil de bandidos e sim para desmantelar as estruturas públicas apodrecidas pela corrupção.

A superposição de tapetes, a cada desgoverno, para esconder a corrupção está levando o país para sua autodestruição.

As formas de hipocrisias que caracterizaram os dois mandatos do desgoverno Lula estão se mostrando mais sofisticadas e mais graves no desgoverno Dilma, seja pelo elevado estado de falência moral da Justiça e das Forças Armadas, seja pela sua postura mais hipócrita ainda, ao solicitar para bandidos ou protetores de bandido que investiguem outros bandidos, mesmo que a sociedade saiba que no desgoverno anterior a atual presidente era a grande controladora da gestão pública e sabe exatamente quem são e onde estão os bandidos.

O que fica claro é que a presidente Dilma está preservando o castelo de cartas da corrupção estruturado no desgoverno anterior para viabilizar a volta do seu padrinho ao poder diante de uma sociedade absurdamente covarde e omissa, muito especialmente os milhares de esclarecidos canalhas que encontraram nas relações públicas e privadas degeneradas os caminhos do status social e da “segurança” financeira e empresarial, tudo sendo fundamentado na corrupção do poder público, na sonegação e no enriquecimento ilícito.

Se a sociedade dos patriotas mortos não sair da letargia da omissão e da covardia não será mais possível limpar o poder público pelo caminho da negociação e da paz social.

A alternativa que sobra é conhecida e a covardia da não violência corretiva pode se transformar em um genocídio.

02/agosto/2011

Fechando a torneira






Por Olavo de Carvalho
Artigos - Terrorismo


Breivik esteve várias vezes na Belorússia, aí recebendo treinamento terrorista da seção local da FSB.

A facilidade com que o comentário político se deleita em miudezas, deixando de lado o essencial, impõe a quem compreende a gravidade do fenômeno a obrigação de avisar ao distinto público que aquilo que hoje lhe vendem como jornalismo é na verdade um produto novo e distinto, com finalidade inversa à daquilo que uma geração atrás se consumia sob essa denominação.

A palavra "notícia" vem do verbo "notar", que quer dizer captar, apreender, perceber.

Quando as notícias que você recebe de vários canais vêm com conteúdo uniforme e num tom acachapantemente idêntico, é claro que elas não expressam a percepção humana, variada e individualizada por natureza, e sim um trabalho de engenharia, um molde prévio imposto aos fatos, não para refleti-los e sim para substituí-los.

O caso dos atentados em Oslo é exemplar, sob esse aspecto.

Informações flagrantemente erradas disseminaram-se pelo mundo em poucos minutos, num tom de certezas universalmente reconhecidas, ao passo que seus desmentidos só vieram aparecendo aos poucos, um aqui, outro ali, sem força de rechaçar a massa homogênea de falsidades que, como a "bolha assassina" do famoso thriller, já havia engolido multidões inteiras.
Atentados terroristas, convém repetir, nunca são a finalidade de si mesmos.

Estão sempre inseridos em alguma estratégia geral que, por meios políticos e midiáticos incruentos, prepara o seu advento e colhe (ou produz) os seus resultados.

A destruição física deve ser precedida e seguida de empreendimentos de demolição moral ou chantagem política que transfigurem a mera carnificina em vantagem política concreta.

Só para dar dois exemplos clássicos, o 11 de setembro apoiou-se numa década inteira de propaganda anti-americana crescente e em seguida conseguiu inverter a impressão inicial de horror ao terrorismo, transformando-a numa onda mundial de ódio aos EUA ; na Espanha, menos de 24 horas depois do atentado de 2004 já estava nas ruas uma gigantesca manifestação popular, não contra os terroristas, mas contra... o governo conservador do primeiro-ministro Aznar.

Mas nem precisaríamos ir tão longe: no Brasil, entre 1964 e 1988, cada bomba, cada roubo de armas, cada sequestro foi seguido de intensa propaganda baseada no slogan de que a culpa desses crimes não era de seus autores, e sim do governo que combatiam.

A lenda dos "jovens idealistas em luta contra a tirania" veio a render seus frutos com o retorno maciço dos comunistas ao país e sua irresistível ascensão ao poder.

Cito os meus artigos anteriores para enfatizar a continuidade das análises que venho fazendo, capítulos aliás de um estudo de muitos anos sobre o fenômeno da mentalidade revolucionária.




Ora, no caso norueguês a única campanha de propaganda que se observou foi voltada contra o próprio terrorista, mas associando-o a evidentes bodes expiatórios, os sionistas e os cristãos conservadores.

A regra áurea, na análise de atentados terroristas, é: veja contra quem vai a campanha que se segue, e entenda que a autoria do crime vem necessariamente da direção oposta.

O próprio Anders Behring Breivik deu-nos uma indicação preciosa ao declarar, no seu Manifesto, que não era um cristão, mas apenas um darwiniano persuadido de que a civilização cristã Ocidental era evolutivamente superior às outras.

Isso não apenas desmentia a versão oficial da "grande mídia", mas alinhava decididamente Breivik no padrão ideológico da Nouvelle Droite Francesa, materialista e evolucionista, chefiada por Alain de Benoist.

E outra coisa que os iluminados comentaristas políticos não sabem é que a Nouvelle Droite é uma aliada incondicional... do "projeto Eurasiano" de Alexandre Duguin e Vladimir Putin!

Baseado nessa informação, anunciei no meu programa True Outspeak, de 27 de julho último, que, por trás de todas tentativas perversas de inculpar sionistas e cristãos, a verdade não tardaria em aparecer ostentando na testa um rótulo de três letras: K,G,B, ou, em versão modificada pela enésima vez, F,S,B.

Não tardou nem 48 horas: sexta-feira, 29, recebi da minha amiga romena Anca Cernea esta notícia da agência russa RiaNovosti: Breivik esteve várias vezes na Belorússia, aí recebendo treinamento terrorista da seção local da FSB.

É verdade que aí ele teve também contato com um "extremista de direita", Viacheslav Datsik, mas Datsik, preso na Noruega por contrabando de armas, acabou confessando que trabalhava para a FSB.

Para tornar as coisas ainda mais claras, Breivik, no seu Manifesto  declara que o alvo ideal de sua luta seria substituir a estrutura política europeia, que ele qualifica de "disfuncional", por um modelo de democracia autoritária "similar à da Rússia" (sic).

E, de quebra, faz os maiores louvores a Vladimir Putin.
Completando o quadro, o interesse russo em desestabilizar o governo norueguês é o mais óbvio possível: a Noruega é o único concorrente da Rússia no fornecimento de gás ao continente europeu - quer dizer, o único obstáculo que se opõe ao sonho de Vladimir Putin, de um dia colocar a Europa de joelhos mediante a simples ameaça de fechar a torneira.



 02 Agosto 2011

O ERRO FATAL DA POLÍTICA CAMBIAL DO GOVERNO DILMA!




Por Affonso Celso Pastore
Estado de São Paulo

1. O governo resolveu taxar as posições vendidas de câmbio. Há alguns meses o governo tentou conter o aumento da posição vendida de câmbio com um recolhimento compulsório, mas o real continuou se valorizando. Antes disso já havia elevado o IOF sobre ingressos em renda fixa, sem conter a valorização.

Ainda quando no início do ano o real estava um pouco acima de R$ 1,60, estendeu a incidência do IOF para ingressos de curto prazo, mas teve a surpresa de ver o real quebrar a barreira de R$ 1,60, valorizando-se ainda mais.


2. No Brasil os juros são extremamente elevados, o que atrai capitais que ajudam a valorizar o real. Mas isso não é tudo. Em um momento de lucidez o ministro da fazenda reconheceu que a causa mais importante da valorização do real é o enfraquecimento do dólar nos últimos anos intensificando-se a partir do afrouxamento da politica monetária dos EUA, (QE2).

A partir de 2010, o dólar vem se depreciando com relação a praticamente todas as moedas, inclusive o real. Por exemplo, há fortes valorizações: do peso chileno; do dólar australiano e do dólar canadense, moedas de países com taxas de juros muito mais baixas do que o Brasil.


3. O mais grave é que não há perspectivas de que esse quadro se altere em um futuro próximo, porque a depreciação do dólar é um dos caminhos para minimizar as consequências da crise de 2008 sobre a economia americana.

Por vários anos, antes de 2008, ocorreu a ilusão de que havia uma simbiose entre Estados Unidos e China, que o professor Niall Ferguson jocosamente batizou de Chimerica, segundo a qual os Estados Unidos poderiam permanentemente continuar consumindo acima de seus próprios meios, estimulado por taxas de juros baixas sem que a inflação fosse um problema, porque a China exportava deflação para os Estados Unidos, e ao mesmo tempo financiava seus déficits em contas correntes com compras de títulos do tesouro.


4. A combinação desse erro de política econômica, com a ausência de supervisão bancária levou à crise de 2008, da qual Wall Street foi rapidamente salva pela pronta ação do governo e do Federal Reserve. Mas deixou sem solução à vista o mercado imobiliário, e nem criou condições para um crescimento acelerado do consumo das famílias.

A opção inicial foi pela política fiscal expansionista com a realização de déficits públicos enormes, mas isso gera o aumento acelerado da dívida pública.


5. A perspectiva óbvia, em um caso como este, é a continuidade de pressões para a valorização de todas as moedas com relação ao dólar, inclusive o real. É esta a força predominante por trás da valorização do real.

O Brasil pode colocar band-aids no câmbio, mas isso não cura uma hemorragia. Nesta situação, tudo o que puder ser feito para reduzir a taxa de juros no Brasil ajuda a minorar o problema, embora não o solucione completamente.


6. Há uma única combinação de instrumentos de política econômica que teria uma eficácia muito maior neste caso, que é uma política fiscal suficientemente contracionista, fazendo com que ocorra uma contração forte da demanda agregada, permitindo trabalhar com juros reais mais baixos.

O país ganharia no controle da inflação, e reduziria o estímulo ao ingresso de capitais derivado dos juros domésticos muito elevados.


7. Mas o governo prefere os band-aids, porque politicamente é muito mais atraente conseguir notoriedade combatendo supostos especuladores no mercado futuro de câmbio, do que tomando medidas que reduzam os gastos públicos contraindo a demanda agregada.

A novidade agora é que o grau de irritação do governo contra essa valorização cresceu, abrindo as portas para intervenções muito mais pesadas. Nas operações de mercado futuro não predominam os especuladores, e sim os que realizam operações de hedge, que devem ser preservadas, porque esta é a forma como empresas se defendem de riscos.


8. Ao entrar para a "guerra cambial" com armas com um elevado poder de destruição que afetam operações de hedge relevantes para a economia, mas com pouco poder de reduzir a apreciação cambial, o governo se arrisca a iniciar uma nova guerra.

Nesta, ele tende a elevar exageradamente os riscos e a reduzir a previsibilidade das variáveis essenciais para a tomada de decisões econômicas.

Deveria fazer um esforço para agir com grande racionalidade no campo econômico, mas aparentemente tem mais dividendos políticos no curto prazo se atirar contra supostos especuladores sem, contudo, resolver o problema.


Novas exonerações nos Transportes


A faxina determinada pela presidente Dilma Rousseff continua no Ministério dos Transportes


Por Rosana de Cassia
Jornal da Tarde

O Diário Oficial da União traz, nesta terça-feira, 2, cinco exonerações, e oficializa as demissões “a pedido” do diretor-executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), José Henrique Coelho Sadok de Sá, e do diretor de Infraestrutura Ferroviária do Dnit, Geraldo Lourenço de Souza Neto.

As novas exonerações do Dnit são as seguintes:

Hebert Drummond, do cargo de diretor de Infraestrutura Aquaviária; Nadja Tereza Monteiro de Oliveira, da coordenação-geral de cadastro e licitações; Jeanine Santana Ferrari, do cargo de Coordenador de Licitações de Obras e Serviços de Engenharia e Nei Japur, da Coordenação de Administração Patrimonial.

Foi exonerado também Amaury Ferreira Pires Neto, do cargo de diretor do Departamento do Fundo da Marinha Mercante da Secretaria de Fomento para Ações de Transportes do Ministério dos Transportes.

A “faxina” foi determinada pela presidente, depois das denúncias de superfaturamento de obras e cobrança de propina no Ministério que é comandado pelo PR.

As denúncias afastaram o então ministro, Alfredo Nascimento, que nesta terça-feira retorna ao Senado onde deve fazer um pronunciamento para responder as acusações.
02 de agosto de 2011


Nas contas dos ladrões federais, 1 milhão de dólares já parece dinheiro de troco

Direto ao Ponto


Nos anos 80, a capa dos sonhos de todos os diretores e editores de VEJA seria magnificamente singela. Para o resumo da ópera, bastaria uma pilha de cédulas verdes com o rosto de Benjamin Franklin sublinhando a chamada feita de cinco palavras e um algarismo:
COMO GANHAR 1 MILHÃO DE DÓLARES

Valorizada por acrobacias gráficas ou manuscrita por Lula com uma Bic, a chamada para a reportagem de capa pareceria igualmente irresistível até aos olhos dos bebês de colo e dos napoleões-de-hospício.

Nas bancas ou nas portas dos assinantes, cada exemplar seria disputado a socos e pontapés por gente disposta a tudo para conhecer a fórmula que ensinava a ficar milionário ─ em moeda americana ─ sem precisar assaltar um banco, dar um golpe na praça ou ganhar na loteria.

Passados menos de 30 anos, essa capa talvez fizesse menos estardalhaço que um comício do PCdoB.

No Brasil deste começo de século, conseguir 1 milhão de dólares parece menos complicado que subir o Corcovado de trenzinho.

Nada a ver com a crise econômica dos Estados Unidos, nem com o risco de calote, muito menos com a enganosa musculatura do real.

O que transformou essa quantia em dinheiro de troco foi o tsunami de bandalheiras que devasta o Brasil.

As cifras astronômicas movimentadas pelas quadrilhas especializadas no assalto aos cofres públicos informam que juntar 1 milhão de dólares é coisa de gatuno aprendiz.

Ladrão federal que se preza fatura mais que isso com qualquer negociata de baixo calibre.

As organizações criminosas da classe executiva não se contentam com pouco.

Cresceram em tamanho, sofisticação, safadeza e atrevimento.

As contas agora são feitas em bilhões.


Os bandos envolvidos na roubalheira incomparável agrupam ministros de Estado e funcionários do segundo escalão, figurões de estatais e “laranjas” obscuros, jornalistas iniciantes ou em fim de carreira, donos de partidos, senadores e prefeitos, deputados e vereadores, empresas portentosas e consultorias de fachada.

Mobilizam, além dos chefes, as mulheres, os filhos, parentes próximos ou distantes, amigos ou agregados.

Há centenas, milhares de larápios em ação.

Há bilhões de sobra à espera dos delinquentes.

Na edição da semana passada, VEJA divulgou os espantosos resultados da maior auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União no sistema de compras do governo federal.

Depois de esquadrinhar 142.000 contratos celebrados na Era Lula, envolvendo gastos superiores a R$ 100 bilhões, o TCU encontrou mais de 80 mil irregularidades.

As somas surrupiadas ultrapassam R$ 10 bilhões.


Tudo é superlativo no Brasil Maravilha registrado no cartório.

Sobretudo a ladroagem institucionalizada, adverte o conjunto de informações perturbadoras divulgadas neste fim de semana.


As obras em andamento sob a supervisão do Dnit, segundo o Estadão, sofreram acréscimos de preços que chegam a R$ 2,2 bilhões.

Demitido pelas patifarias que andou cometendo no Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá, irmão do líder do governo no Senado, garantiu a VEJA que os casos de corrupção na sigla envolvem o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

A revista IstoÉ revelou que em 2010, em troca de doações ao PP, três grandes empreiteiras embolsaram R$ 2,7 bilhões liberados ilegalmente pelo Ministério das Cidades.

A Folha conferiu tonalidades ainda mais escuras ao aluvião de más notícias com a descoberta de que a Procuradoria-Geral da Justiça Militar investiga a participação de generais do Exército em convênios fraudulentos celebrados com o Departamento de Infraestrutura de Transportes.

O Dnit, de novo, agora ameaçando arrastar para o pântano oficiais de alta patente.

Decididamente, as coisas foram longe demais.

Cadê a indignação dos brasileiros que pagam todas as contas e bancam todos os prejuízos?, perguntou na semana passada a Carta ao Leitor.

“Só a mobilização forte e permanente da sociedade”
, alertou o editorial de VEJA, “obrigará a Justiça e os políticos a tomar medidas sumárias para limpar a administração pública dos ladrões, colocá-los na cadeia ─ sim, na cadeia ─ e fazê-los devolver as quantias roubadas ao Erário”.

A entrada do Exército no noticiário político-policial era o sinal vermelho que faltava.

Ou o Brasil reencontra a capacidade de indignar-se ─ e reage imediatamente ─ ou nunca passará de um arremedo de nação.

01/08/2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

EUA - Câmara aprova pacote anticalote; metade dos democratas vota contra proposta apoiada por Obama!



  Ou:
“Quanto mais os reis deliram, mais os gregos apanham”



Pronto!

A Câmara dos Deputados, liderada pela maioria republicana, aprovou o plano para elevar o teto da dívida e evitar a moratória americana, cujo prazo limite é amanhã.

O plano foi aprovado por 269 votos contra 161.

E algo muito interessante se deu: o acordo anunciado pelo próprio Obama teve mais votos contrários do seu próprio partido — 95 votaram contra e 95 a favor — do que dos republicanos: 173 a favor e 66 contra.


Isso nos diz algumas coisas.

Leiam o post anterior sobre a negociação. Como a imprensa ocidental toda, inclusive boa parte da nossa, está pautada, vamos ser genéricos, pelos “liberais” do New York Times, então seria de se acreditar que aquela gente do Tea Party é mesmo muito malvada, direitista e racista. Seriam extremistas que não gostam de preto, de pobre e de benefícios sociais.

Só estariam interessados em ajudar os ricos. Lula já definiu como é essa gente de olho azul, né?

A turma quer é derrotar Barack Obama, certo?

Por isso o homem não teve dúvida: sacou o seu celular e resolveu travar a batalha pelo Twitter. Ai, ai…

Um bom exemplo da natureza da crise poderia ser esta frase do deputado Joseph Crowley, um democrata: “A questão é quantos votos os republicanos podem garantir. Eles são a maioria na Câmara, e é responsabilidade deles gerar votos para aprovar um projeto que eles criaram”.

Viram como o Tea Party sozinho não consegue servir o chá da insensatez???


A midiática Nancy Pelosi também não se mostrou nada encantada.

Ora, vejam lá.

Quem foi mais irresponsável?

Os democratas ou os republicanos?


Eu não sei se vocês notam, mas o problema fundamental, meu caros, está na falta de liderança de Barack Obama. É aí que reside a questão. Sim, caso a Câmara e o Senado se dispusessem a fazer tudo o que ele quer, as coisas estariam resolvidas. Mas, para tanto, uma condição necessária, ainda que não suficiente, seria ter a maioria nas duas Casas — e ele não tem. As últimas eleições legislativas o derrotaram na Câmara e quase provocam a catástrofe completa: a derrota no Senado. Atenção! Chamei essa maioria de “condição necessária, mas não suficiente”. Nos EUA, ela não garante automaticamente os votos, não. Como Obama não tem estatais para distribuir cargos, e o poder não se organiza na base do toma-lá-dá-cá, não basta o chefe do Executivo querer. É por isso que não surge um PMDB ou um PR na América, entenderam?

Para que partidos dessa natureza pudesse prosperar por lá, a democracia americana teria de regredir muito, o estado se expandir demais, o país ficar coalhado de estatais para abrigar larápios, e o fisiologismo se espalhar como praga. Aí um tolo dirá: “Ah, mas, ao menos, no Brasil não há crise como aquela…” É verdade! Vai ver é o PMDB que impede, não é mesmo? Jesus!

Estou chamando atenção para o fato de que também os democratas resistem a acordos, e sua linguagem não é nem mais nem menos “populista” (como os nossos esquerdistas e os liberais americanos chamam o Tea Party) do que a dos ditos “radicais de direita”. Estes maximizam, no limite do temerário, a necessidade de cortar gastos; os “progressistas” decidiram que a culpa recai nas costas daqueles que chamam “ricos”, de quem esperam mais impostos.

Se as posições se extremam, alguém tem de aparecer para negociar. A pessoa com a responsabilidade institucional se chama Barack Obama. Mas, há dois dias, a com a crise comendo solta, ele se dedicava a seu tuitaço e a satanizar a turma “de Washington” — ou seja, os políticos.

Não conseguiu nem mesmo unir o seu próprio partido.
 

E uma falácia magnífica ganhou corpo: a responsabilidade do impasse seria do “Tea Party”, que compõe uma vistosa minoria, e, secundariamente, dos republicanos moderados, que não estariam sabendo controlar seus radicais.

Muito bem: a esmagadora maioria dos republicanos deu mostras de concordar com uma proposta que já tinha sido anunciada pelo próprio Obama, o que o fez anunciar o acordo. E, então, foram os democratas a fazer bico doce, dividindo-se de modo irresponsável, sem controle, sem liderança.

E é aí que deveria entrar Barack Obama…

Mas ele tarda.


O acordo ficou para ser votado no Senado no último dia. O poeta latino Horácio já sintetizou um momento como esse há alguns séculos:

“Quanto mais os reis deliram, mais os gregos apanham…”

Ok, no fim eles venceram os troianos, mas deu um trabalhão.

01/08/2011

Aguinaldo Silva, o demolidor do politicamente correto na TV


Entrevista

O autor tacha de censura disfarçada a patrulha dos movimentos sociais e garante que em 'Fina Estampa' não haverá beijo gay porque 'o público não aguenta mais viado em novela'

Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro
Aguinaldo Silva, em sua casa: autor de 'Fina Estampa' acredita que há espaço para séries entre as novelas das 21h e das 23 (Lucas Landau)


"Tem um grupo gay da Bahia que diz que eu sou o inimigo número um dos homossexuais. Dizem que nas minhas novelas os homossexuais são estereotipados.

Essas entidades são todas um saco, todas elas tem interesses econômicos, vivem à custa do governo ou daquelas empresas alemães que por má consciência financiam qualquer coisa.

Se você bota hoje em dia uma bandida disfarçada de enfermeira, trinta sindicatos de enfermagem espalhados pelo Brasil te processam.

Aí você tem que se preocupar com a audiência em Rondônia, em Tocantins...

E não dá, porque você ainda tem uma novela para escrever"


A duas semanas da estreia de ‘Fina Estampa’, Aguinaldo Silva recebeu o site de VEJA em sua casa com um aviso: nos próximos meses, ficará em prisão domiciliar. “Quando eu estava escrevendo ‘Duas Caras’, só saí de casa duas vezes em oito meses. Durante o período de uma novela eu fico escravizado, encarcerado na minha própria casa.”

Nessa fase reclusa, em que escreve 35 páginas por dia, Aguinaldo não gosta de dar entrevistas, nem tem paciência para conversar com atores. “Eu não atendo telefonemas de atores. Imagina ter que dar atenção a 60 pessoas do elenco. Isso é tarefa do diretor”, diz.


Aguinaldo fez jus à fama de sua língua ferina. Recriminou Gilberto Braga por reclamar do trabalho de escrever novelas e afirmou que Manoel Carlos não é popular. Nas críticas, sobra para cantoras de MPB e para os telespectadores, de cuja capacidade intelectual duvida: "está cada vez mais bolsa-família".


O dramaturgo sabe que tal qual o tema de central de Fina Estampa, a vida real é regida pelas aparências. Por isso criou esse personagem para si mesmo.

O Aguinaldo Silva polêmico nada mais é do que um grande divulgador de suas novelas. “Um mês antes estrear só se fala em Fina Estampa. Novela precisa de divulgação para as pessoas se interessarem em ver. Então eu uso os meus veículos na internet para divulgar, porque ninguém faz isso melhor do que eu”, gaba-se.

Em meio a sua coleção de arte, com obras do período entre 1870 e 1930, Aguinaldo não esquece, é claro, de “deixar escapar” algumas novidades de Fina Estampa.


Por que existem tão poucos autores de novela?


Não há muitos autores, principalmente nas novelas das nove, por uma simples razão. É muito difícil. Não é fácil escrever 35 páginas por dia. Você não pode acordar e achar que não está inspirado e deixar para amanhã. Tem que escrever todo dia e bem. Senão o público percebe que o capítulo está pior. Tem que ter muita disciplina. Eu acho o Geraldinho Carneiro talentosíssimo, mas outro dia brinquei dizendo que é fácil ser um gênio da literatura como o Geraldo Carneiro, difícil é ser novelista das nove.

Divulgação

Gilberto Braga: por que ele reclama de novela?

Cansa ser autor de novela das nove?

Eu não entendo autores como o Gilberto Braga que reclamam e dizem que não aguentam mais escrever novela. Por que escrevem, então? Já estão cheios de dinheiro. Escrever novela é a melhor coisa da minha vida. É quando mais me divirto. Mas é realmente cansativo. Quando eu estava escrevendo Duas Caras, só saí de casa duas vezes em oito meses. Durante o período de uma novela eu fico escravizado, encarcerado na minha própria casa. Nem jantar fora eu jantava. O máximo que fazia era chamar uns amigos para jantar aqui em casa.

Nesse período sua vida social acaba. Você nem namora?


Há oito anos que eu não durmo com ninguém. Digo, dormir de verdade. Tive uma pessoa por 18 anos e depois outra por sete, mas depois cansei. Gosto de dormir sozinho, atravessado numa cama de casal só para mim. Durante esse tempo todo tive poucos namoricos.


Você se considera o principal novelista da Globo?

Não. Nós, que escrevemos as novelas das nove, nos equiparamos. Mas eu sou o mais agitador e por isso apareço mais. Eu não faço só novela. Ao contrário dos outros, que acham que autor não tem que aparecer, eu acho que tenho que vender o meu peixe e a única maneira de vendê-lo é o expondo na bancada. Neste momento eu sou o autor mais conhecido. Talvez o único que saia na rua e as pessoas reconheçam facilmente porque eu apareço muito. Meus colegas dizem que eu apareço demais.


Mas você é o único novelista da Rede Globo que só escreveu novela das nove. Isso é uma imposição contratual sua?
Essa característica de ser o único autor que só fez novelas das nove eu vou manter a qualquer preço porque possivelmente isso vai entrar para a história da televisão brasileira. Existe um acordo informal entre mim e a Globo: eu digo para eles que só sei escrever novela das nove. Isso mata qualquer proposta diferente. Isso significa que se mandarem fazer novela de outro horário eu vou fazer mal feito. Eu não saberia fazer novela das sete, sinceramente. Para mim esse horário é o mais difícil de todos, porque pega um publico que varia muito, hoje é um amanhã é outro.


Emmanuelle Bernard/Divulgação
A cantora Zélia Duncan: igual a 'Anas Carolinas' e 'Marias Ritas'

Das 12 novelas de maior audiência na tevê, cinco são suas. Existe algum segredo para uma novela alcançar o sucesso?

A coisa mais importante de uma novela é a escalação. Os bastidores de uma novela são complicados. São dezenas de pessoas convivendo muitas horas por dia, durante vários meses e às vezes cria-se um ambiente de hostilidade entre alguns e aquilo se espalha, se transforma num saco de gatos. Um outro momento delicado é a escolha da trilha sonora. As novelas já tiveram grandes trilhas, mas agora ninguém sabe os temas das novelas. Qual é o tema de Insensato Coração? De Vale Tudo, de 1988, você sabe, que é a música do Cazuza. Trilha sonora atrai público e identifica a novela. Qualquer pessoa que escuta “Brasil mostra a tua cara” lembra de Vale Tudo. Eu acho que uma novela com pegada popular como Fina Estampa, tem que ter uma trilha muito popular. Dessa vez eu estou me intrometendo mais nisso. Se eu puder vou ousar e colocar o Zeca Pagodinho para cantar o tema. Ele fez um samba para Griselda que é uma coisa espetacular. É daquele que você ouve e sai cantando na mesma hora e durante seis meses você vai cantar e não vai enjoar. Por isso estou em campanha pelo Zeca Pagodinho. Mas eles insistem muito nas Marias Ritas, Anas Carolinas, Zélias Duncans, e são todas muito iguais. Essa repetição das trilhas afasta público.

O que mais afasta o público das novelas?

O povo não aguenta mais viado em novela. Chega! Tem muito. Tem novela que tem seis viados. As pessoas não aguentam mais isso. E geralmente os gays são todos iguais. São cópias dos héteros, querem casar, ter romance, engravidar e parir um filho nove meses depois. São gays chatos. Outra coisa que está cansando o público é o vilão desenfreado, que faz maldade sem nenhuma justificativa. Faz por fazer. Não é nem psicopata. O bom vilão tem que ser meio canastrão. Tem uma vila que eu adoro, que é a Nazareth Tedesco (personagem de Renata Sorrah em Senhora do Destino), que era engraçadíssima porque tudo que ela fazia dava errado. Eu me inspirei muito no Tom do desenho animado, que tenta há anos tenta matar o Jerry e sempre se dá mal.


Mas em Fina Estampa não vai ter um gay?

Tem um só, que é o Crodoaldo Valério, que quem está fazendo é o Marcelo Serrado. Eu fiz questão que fosse um ator hétero porque eu acho que ele vai me surpreender. Antes da novela estrear, já tem gay entrando no meu portal e escrevendo que não viu e não gostou porque eu criei um homossexual estereotipado. Como eu falei antes, acho ridículo tratar o gay como um personagem padrão. Eles tem seus códigos, seu universo. São pessoas diferentes. A graça desse personagem é que ele tem uma paixão devastadora pela Teresa Cristina (Cristiane Torloni), que o trata miseravelmente mal. Alguns gays têm essa mania de venerar as mulheres que o maltratam. Eu queria mostrar esse tipo de gay. As pessoas vão odiá-lo porque vai fazer mil maldades em nome dela, porque ele adora aquela mulher que é um horror, ela é péssima.


Na sua novela não terá o tão esperado beijo gay?

Eu estou começando a ficar irritado com essa coisa do beijo gay. Acho que tem uma torcida para que não aconteça, para que o assunto continue durando, mas as pessoas não aguentam esse assunto e se depender de mim ele acabou. A novidade é essa: não vai ter beijo gay em Fina Estampa, pode escrever. Não tem lugar no mundo em que os gays sejam mais ousados do que no Brasil. Aqui os gays não respeitam as fronteiras. Eles chegam no hétero e cantam mesmo, e se colar, colou. Porém, existe essa hipocrisia de você não poder mostrar um beijo gay na televisão. Por debaixo do pano vale tudo, mas publicamente é essa coisa hipócrita. A sociedade brasileira é assim e a tevê não quer correr o risco de perder o público.

TV Globo/divulgação
Eduardo e Hugo em Insensato Coração:
TV Globo foi criticada por arrefecer o romance

A TV Globo foi criticada pelo movimento gay por ter arrefecido o romance entre Eduardo e Hugo em Insensato Coração, Milton Gonçalves foi cobrado pelo movimento negro por ter aceitado um papel de vilão. Como você encara a reação desses grupos?


Tem um grupo gay da Bahia que diz que eu sou o inimigo número um dos homossexuais. Dizem que nas minhas novelas os homossexuais são estereotipados. Essas entidades são todas um saco, todas elas tem interesses econômicos, vivem à custa do governo ou daquelas empresas alemães que por má consciência financiam qualquer coisa. Claro que existem negros bandidos como existem brancos bandidos. A cor dos personagens não devia importar para essas entidades. Eles deviam combater as diferenças, mas para eles interessa grifar as diferenças. Se você bota hoje em dia uma bandida disfarçada de enfermeira, trinta sindicatos de enfermagem espalhados pelo Brasil te processam. Aí você tem que se preocupar com a audiência em Rondônia, em Tocantins... E não dá, porque você ainda tem uma novela para escrever.

Como considera que autores e emissora devem reagir a isso?

Você não pode ser suicida. Essas pessoas às vezes conseguem por influência política crucificar você. Elas querem notoriedade, a indignação é real ou elas apenas querem tirar proveito? Então, você tem que saber a hora de parar com as polêmicas. Eu sei que tenho que parar quando as pessoas na rua começam a dar razão ao outro lado.


Isso é um tipo de censura?


Dizem que não existe censura no Brasil, mas nós vivemos em constante ameaça por causa dessa coisa de classificação etária. Essa turma da “não censura” é toda jovem e devia ter a cabeça mais arejada, mas não têm. Eu tive que explodir um bar em 24 horas em Duas Caras, porque se não a novela teria que passar para as onze horas da noite. Às dez da noite o Wolf me ligou dizendo que no dia seguinte tinha que gravar o fim do bar. Eu fiquei desesperado até que eu tive a idéia do atentado. Inventei a personagem do sufocador, que é, na verdade, essa turma da “não censura”.


O que você tem contra o merchandising social?

É mentira dizer que em novela do Aguinaldo Silva não existe merchandising social. Se na minha trama é importante que alguém ande de cadeira de rodas para contar uma história, o personagem vale. Agora se for mostrar um personagem sem perna só para mostrar como é a vida de um cadeirante é forçado. Novela é folhetim, é melodrama, eu faço quando é contextual. Uma vez eu passei na maternidade Leila Diniz às nove da manhã e tinha uma fila enorme de gestantes. 70% eram meninas de 15 anos Na hora eu pensei que tinha que colocar aquilo em uma novela, mas tinha que criar uma trama. Foi aí que eu criei a história da Daiane, em Senhora do Destino. As pessoas adoravam porque era uma historia verdadeira. Eu acho que o merchandising social, como o comercial, tem que ser muito bem inserido na trama senão fica ridículo.


O merchandising comercial atrapalha muito o autor?

Tem um merchandising no primeiro capítulo de Fina Estampa. Não foi escrito para isso, é uma seqüência em que o personagem do Dalton Vigh vai buscar o carro de presente para a filha, o pneu fura e ele conhece a Griselda (Lilia Cabral). Isso era uma ação da novela, que quando os caras de uma montadora descobriram resolveram comprar. Mas nem vai parecer merchandising. É difícil você não deixar passar o ruído do merchandising, às vezes fica feio. Mas eu gosto pelo desafio. E pela grana, é claro. (Risos)

Divulgação/TV Globo 
Salomão Hayala nas duas versões de 'O Astro':
'Quem matou?' virou falta de imaginação'

O que você pessoalmente não gosta em novelas?
Eu odeio o “Quem matou”. Acho falta de imaginação. Quando o autor não tem mais nenhum recurso, usa o “Quem matou”. Eu odeio, mas o público continua embarcando. Ainda funciona. Agora a gente vai ver isso tudo de novo em O Astro. Esse é o “Quem matou” clássico. Tudo que foi feito depois nesse sentido foi pior que o original. Em Vale Tudo foi rápido. Foram apenas duas semanas de suspense. Não foi uma pergunta que se arrastou por seis meses para o público especular. As pessoas não levam mais a sério essa pergunta.

A Globo tirou do
YouTube
cenas de O Astro e Insensato Coração. Até que ponto isso pode de fato atrapalhar a audiência?

Eu, por exemplo, estava assistindo no Youtube porque alguns capítulos estavam terminando muito tarde, depois de meia-noite. Pode ser que atrapalhe. Não sei dizer ao certo. Só sei que eu prefiro que as minhas novelas apareçam no maior número de lugares possível. Acredito na divulgação. Acho que ajuda a audiência. Acho o Youtube uma coisa sensacional. Mas a decisão é da emissora.


A audiência de O Astro depois das 23 horas abre uma janela para uma quarta novela. Existe público para todas?

Acho ótimo esse horário. As grandes novelas das quais se falam até hoje como Gabriela, O Bem Amado e Saramandaia, eram às dez da noite. A Janete era a novelista das oito e o Dias Gomes e outros grandes autores da época eram das dez. O público está ávido por ficção. Ninguém quer ver sobre o peixe azul da Tasmânia nem um especial sobre o matador da Noruega. A maioria das pessoas chega do trabalho cansada, ficou presa no trânsito dentro de um ônibus e aí não quer ver mais realidade. Chega! Quando o cara finalmente chega em casa quer sonhar. A dramaturgia é o que faz as pessoas sonharem, relaxarem e pensarem um pouco também. Porque, afinal, a gente não é tão alienado assim.


A Globo já declarou que o horário das 23h é destinado aos remakes. O que fará se a Globo pedir para reescrever uma trama sua?
Respondo que não. Remake eu não faço. Eu odeio. Eu tenho quinhentas mil historias para contar e não vou ficar reescrevendo o que eu já escrevi. Não faz sentido.


Em que Fina Estampa será semelhante e em que será diferente de suas últimas novelas?

Será a minha volta ao novelão. Fina Estampa será mais parecida com as novelas do meu início de carreira. Será bem folhetim, com melodrama rasgado.


O que você pode adiantar da novela?

Uma lição que eu aprendi com a Janete Clair foi: drama trama você não economiza. Você gasta tudo e depois inventa outras. Em Fina Estampa, a Griselda já fica rica no capitulo 40, depois disso começa uma outra novela. Eu não tenho essa história de ficar enrolando por seis meses e depois sair correndo para resolver tudo. Outra história que acho que vai chamar mais atenção é a da Ester, personagem da Julia Lemmertz. Ela é uma mulher que trabalhou a vida inteira e não teve filhos, até porque o marido (Dan Stulbach) não pode ter filhos. Então ela será uma barriga de aluguel. Mesmo não gerando um filho ela vai hospedar uma criança. Ela vai alimentar, doar todos os seus fluidos, essa criança vai sair dentro dela e ser criada por ela. Então a gente pode dizer essa criança não é filha dela? Isso vai causar uma discussão muito grande numa classe de telespectadores que é cada vez mais forte, as mulheres de 50 anos.

Alex Carvalho/TV Globo 

Lilia Cabral em 'Fina Estampa': sem sutiã

Suas últimas obras incluem na trama uma inversão das relações de poder, com a valorização de personagens que costumam frequentar apenas as tramas paralelas. Isso estará presente em Fina Estampa?

Não sou o Manoel Carlos. Eu sou um autor popular, isso sempre aparecerá em minha obra. A Griselda é uma das mais populares que já escrevi. Nos primeiros capítulos ela aparecerá de macacão. A Lilia Cabral não usa sutiã em cena. Quando ela me disse isso eu adorei. É incrível ver uma atriz do quilate da Lilia se despir de vaidades para fazer um personagem seu.

Manoel Carlos não é um autor popular?

Eu acho que as novelas do Manoel Carlos são sofisticadas demais para o nível do público atual. Houve uma evidente queda do nível intelectual do telespectador, não sei por quê. Talvez por ser hoje em dia tudo muito rápido, por falta de leitura. As novelas dele são muito bem escritas, os diálogos são adoráveis. Dá gosto de você ver, mas o grande público está ficando cada vez mais bolsa família, 50 reais e uma cerveja ali na esquina. E as novelas tem que se adaptar a isso. Descobrir um meio de ser mais popular sem perder qualidade. Ser popular sem ser popularesco é muito difícil. Pode parecer pretensioso, mas o segredo das minhas novelas são que elas parecem populares, mas são sofisticadíssimas.


No dia-a-dia você é uma pessoa popular?

Eu sou uma pessoa normal. Outro dia eu peguei um ônibus. Estava parado no ponto e não passava táxi. Eu dei sinal e o ônibus parou. Quando eu entrei todos os olhares convergiram para o meu relógio (de ouro). Quando eu percebi, eu puxei a cigarra e desci no ponto seguinte antes que acontecesse uma tragédia e arrancassem minha munheca. Eu faço compras, vou ao supermercado, vou à padaria, vou ao açougue. No supermercado aqui do lado, as moças já me conhecem. As empacotadoras sempre me pediam para eu botar uma empacotadora em uma novela. Foi por isso que eu criei a personagem da Marjorie Estiano em Duas Caras. Até hoje quando eu entro lá as mulheres me aplaudem. Não foi uma empacotadora qualquer, foi a Marjorie Estiano.



Em suas experiências com a internet, o que tem aprendido sobre o público?

Aprendi que por trás do anonimato, dos perfis fake, existem pessoas muito inteligentes doidas para se comunicar, interagir na internet. Depois que migrei para a internet passei a prestar mais a atenção na opinião das pessoas, seja dentro ou fora do mundo virtual. Em Senhora do Destino eu estava no supermercado e uma senhora me parou para falar que a Carolina Dieckman estava ficando muito chata. Só falou isso e mais nada. Era uma fase em que a personagem dela estava demorando a aceitar a mãe verdadeira. Eu vim correndo para casa e escrevi o grande encontro das duas. O que a senhora do mercado quis dizer foi que aquela trama estava demorando demais, e estava mesmo, mas eu não tinha percebido. Eu achava que aquela situação dramática poderia durar umas três semanas. Você tem que estar antenado com a opinião das pessoas. A internet faz isso.

O que mais o público quer ver na tevê, além de novelas?

Ainda tem um público muito grande para os seriados. As emissoras brasileiras não vêm fazendo esse tipo de produto, mas devia fazer. É a linguagem do futuro, que vende no mundo inteiro. Se a Globo botasse um seriado entre a novela das nove e a das onze, o público ia ver. Mas seriado não são essas sitcom que as emissoras estão fazendo. Isso é ação entre amigos. Um ator, diretor e roteirista, que são amigos resolvem apresentar um projeto e aí a emissora topa. Mas não é seriado por causa disso. Seriado é Mad Man, Família Soprano, não é essa brincadeirinha que estão fazendo.


Dilma e as sofríveis escolhas


É assustador verificar com o passar dos dias e das noites a nada tranquilizante capacidade de escolha de assessores pela presidente Dilma Rousseff

Por Aloísio de Toledo César

O Estado de S.Paulo

De início, quando era tão somente ministra do governo Lula e teve de se desincompatibilizar para disputar a Presidência da República, ela decidiu deixar em seu lugar uma senhora da qual o País guarda triste lembrança: a demitida ministra Erenice Guerra - e sua suspeitíssima família.

Essa senhora, conhecida por ser "escudeira" e "braço direito" de Dilma, montou no Palácio do Planalto uma central de lobby familiar-partidário que cobrava um "pedágio" de empresários interessados em fazer negócios com o governo.

O próprio filho, que dias antes perambulava pela Esplanada dos Ministérios em cargos comissionados de pouca importância, tornou-se um próspero consultor de negócios, envolvendo, é claro, pessoas interessadas em transações com o governo federal.

Enfim, foi um horror.

A nova ministra teve de ser afastada durante a campanha eleitoral, mas, dada a já conhecida incapacidade brasileira de exprimir indignação, o escândalo acabou relevado e nem teve influência marcante na disputa.

Da envolvida, contudo, era de esperar que tomasse mais cuidado nas escolhas, inclusive nas de pessoas que se encontram mais próximas dela, porque causam a impressão de ali estarem a serviço do ex-presidente, bem como de outros propósitos.

Foi o caso, por exemplo, do ex-ministro Antônio Palocci, de triste memória, que já saíra da prefeitura de Ribeirão Preto com uma avalanche de processos judiciais. Detinha uma biografia ruim, já havia sido afastado do Ministério de Lula com a imagem necrosada, mas, mesmo assim, acabou voltando aos braços de Dilma, como homem forte do seu governo, até que foi obrigado a sair pela porta dos fundos.

Quem não se lembra do ex-presidente Lula tentando defender Palocci e forçar sua permanência no cargo?


Sempre que a gente dá uma cabeçada na vida, e isso acontece com praticamente todos, é importante aproveitar os ensinamentos daí advindos, como forma de evitar novos desacertos.

Mas, pelo jeito, essas lições de nada valeram à presidente Dilma: ao formar o seu Ministério, ela agiu sem critério que preservasse o interesse público e distribuiu cargos a pessoas que não mereceriam recebê-los. Por esse novo deslize acabou sofrendo solavancos, decorrentes de escândalos envolvendo avanço no dinheiro público.



É inacreditável que a presidente não tenha o cuidado de avaliar melhor as pessoas às quais entrega fatias do poder.

É igualmente inacreditável que não se lembre de como ficaram comprometidos recentes protagonistas do mensalão e que a eles tenha entregue cargos de grande importância.

Essas transações, marcadas pela concessão de poder em troca de apoio político, fazem parte do dia a dia da democracia, mas devem efetivar-se com grandeza, com espírito público, jamais como se fosse uma simples operação mercantil.

O filósofo Sócrates, que tanto fustigava os poderes constituídos, costumava provocar os seus alunos - entre eles, Platão - com uma curiosa indagação: será preferível estar no poder ou ter os bolsos cheios de dinheiro?

É evidente que a pergunta tinha o sentido de provocação filosófica, mas, nos dias de hoje, se bem observamos a República brasileira, seremos compelidos a concluir que boa parte dos governantes oscila entre as duas coisas, ou seja, quer o poder, mas quer também os bolsos cheios de dinheiro.
De início, salta aos olhos que a República, que deveria ser de todos, em verdade parece ser mais de alguns estrategicamente colocados em postos-chave, onde sobra dinheiro.

O administrador público é guindado ao cargo para cuidar de uma coisa que não lhe pertence. Daí a necessidade de ser extremamente escrupuloso e, no mínimo, honesto.

Infelizmente, verifica-se que interesses individuais vêm prevalecendo sobre interesses públicos e a administração se processa em muitos casos como se os bens de todos pertencessem aos próprios administradores.

Os exemplo de escândalos na Petrobrás e nos Ministérios, com demissões e episódios escabrosos que todo dia se renovam, propagam a fragilidade institucional.

Nada pior para conduzir um país ao descrédito do que a sucessão de escândalos, como no presente, principalmente quando não são acompanhados da necessária e desejável punição dos culpados.

Realmente, o que cada um de nós pode fazer contra essa repetição de escândalos?

Neste momento, em que até a União Nacional dos Estudantes (UNE) se mostra obediente e submissa ao governo federal, a troco de dinheiro, não se pode esperar nem mesmo aquele entusiasmo que levava o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, a infernizar o sossego dos governantes.

Jornais estrangeiros têm comentado com perplexidade a apatia brasileira diante dos escândalos, pondo em dúvida a nossa capacidade de indignação.
 

Cada vez que alguém deixa de exercer o direito de berrar, de espernear, de mostrar o seu inconformismo contra esses escândalos, tal conduta equivale a ignorar, a desprezar a existência desse direito.

O mais desanimador é que o sofrível nível cultural médio da população brasileira engole esses escândalos como se fossem coisas corriqueiras na vida de um país democrático, quando, em verdade, representam antes a negação da democracia.
 

O resultado das urnas, infelizmente, mostra que o que influi da hora de votar, predominantemente, é o dinheiro fartamente distribuído pelos que estão à cata de votos.

Bolsa-Escola, Bolsa-Família têm esse lado trágico.
DESEMBARGADOR APOSENTADO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO, JORNALISTA E ADVOGADO

30 de julho de 2011

Charges


a pura apura




o "cara" ensina Obama
www.sponholz.arq.br

Estudo sobre o PAC diz que Dilma está com as "mãos amarradas"


Maior parte dos investimentos até julho deste ano cobriu contratos do governo Lula


Os números do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) mostram que, até o momento, a presidente Dilma Rousseff não conseguiu entregar o que vendeu na campanha: uma forte puxada nos investimentos.

E, a julgar pelo momento político e econômico, não será possível transformar o quadro tão cedo.

É o que mostra análise elaborada pelo economista Felipe Salto e pelo cientista político Rafael Cortez, da consultoria Tendências.

Com base em informações colhidas no Siga Brasil, o estudo revela que até o dia 27 de julho o governo pagou R$ 13,5 bilhões em despesas do PAC.
Desses, R$ 11,3 bilhões, ou 83,7%, eram gastos contratados no governo Lula.
São dados diferentes dos apresentados no balanço oficial do PAC, mas que mostram a mesma situação. Pelos dados oficiais, foram desembolsados R$ 10,3 bilhões, dos quais R$ 8,1 bilhões, ou 78,6%, são restos a pagar de Lula.

A diferença ocorre porque os dados do governo não consideram os gastos com o programa Minha Casa Minha Vida, que estão no estudo da Tendências.

O balanço oficial traz mais uma evidência da dificuldade de investir. Os R$ 10,3 bilhões gastos de janeiro a julho deste ano representam uma queda de 1,9% em comparação com o desembolsado em igual período de 2010. Felipe Salto analisou a situação.

- Os números mostram que ela [Dilma] tem as mãos amarradas.

Se ela praticamente só paga restos de exercícios anteriores, quer dizer que os gastos do PAC até agora tiveram pouca influência de programas novos adotados por iniciativa da presidente.


O governo vê como positivo o desempenho do PAC, apesar de haver realizado investimentos praticamente no mesmo nível do ano passado.

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, frisou que 2010 foi "o melhor ano do PAC", por isso manter o ritmo já é considerado um bom desempenho. Aqui.
01/08/2011

domingo, 31 de julho de 2011

“Só tem bandido na Conab”

NA VEJA DESTA SEMANA

Irmão de líder do governo no Senado cai atirando:

“Só tem bandido na Conab”.

Escândalo bate à porta de Michel Temer!


Luiz Inácio Apedeuta da Silva já se mobilizou para que tenha fim o esforço moralizador do governo. Ele quer que fique tudo como está, com cada corrupto em seu lugar, garantindo o equilíbrio do conjunto.

Gilberto Carvalho, seu espião no Planalto, secretário-geral da Presidência, mandou um recado à base aliada: “Não haverá caça às bruxas”.

Queria dizer com isso que, agora, vai ficar tudo bem, que o preço da governabilidade é a eterna impunidade.

Esse é um raciocínio que, incrivelmente, começa a fazer frutos no Brasil.

Um colunista da Folha Online até lançou uma questão que há de excitar a curiosidade acadêmica: Obama só estaria enfrentando dificuldades por falta de um PMDB…

Então vamos falar um pouquinho sobre o… PMDB!

Há um mês, vocês se lembram, VEJA trouxe à luz as lambanças no Ministério dos Transportes. Até agora, já houve 22 demissões, incluindo o ministro, Alfredo Nascimento, do PR.

Na semana passada, a revista informou que Oscar Jucá, então diretor financeiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), órgão do Ministério da Agricultura, havia autorizado o pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa-fantasma que tinha como sócios um pedreiro e um vendedor de carros.

Oscar, que é irmão de um Jucá mais famoso, o Romero — líder do governo no Senado (PMDB-RR) —, foi demitido por Wagner Rossi, ministro da Agricultura.

Rossi é considerado um dos homens fortes do vice-presidente Michel Temer.

O caso esquentou. Romero pegou o telefone e ligou para o vice-presidente:

“Se você execrar o meu irmão, eu vou de foder”.


O interlocutor respondeu que sua própria manutenção como líder do governo estava condicionada à demissão do irmão. Os dois negam que a conversa tenha tido esse tom. Bem, o fato é que Oscar deixou o posto, mas decidiu botar a boca no trombone em entrevista à VEJA desta semana.

Segundo o ex-diretor, existe uma verdadeira máfia tomando conta da Conab, e PMDB e PTB dividem os frutos da roubalheira.
A estatal estaria, por exemplo, protelando o pagamento de uma dívida de R$ 14,9 milhões à empresa Caramuru Alimentos porque se está negociando um, atenção!, pagamento maior: R$ 20 milhões. Os R$ 5,1 milhões a mais iriam para o bolso da cúpula do Ministério.

Outra lambança: em janeiro deste ano, um terreno pertencente à empresa foi vendido por R$ 8 milhões, um quarto do valor de mercado.

O comprador é um amigo do senador Gim Argello (PTB-DF).


Oscar é taxativo: “A Conab é pior do que o Dnit”. Segundo ele, o esquema envolve o próprio ministro da Agricultura; o presidente da estatal, Evangevaldo Moreira dos Santos, e o procurador-geral, Rômulo Sulz Gonsalves Júnior, ambos do PTB.

Leia íntegra da reportagem na revista desta semana. Seguem trechos da entrevista de Oscar Jucá à VEJA.

Volto em seguida:

(…)

O senhor está insinuando que o ministro da Agricultura está envolvido com irregularidades?
Tenho convicção disso, mas não tenho como provar. O ministro e’ um homem do Michel Temer. Faz o que o Temer manda. Mostrou que é poderoso. Deve proporcionar ao vice-presidente muita coisa boa, que eu com certeza não proporcionaria.

É fato que seu irmão reagiu às acusações feitas contra o senhor ameaçando o vice-presidente da República?

Meu irmão deu um recado duro, muito firme ao vice-presidente Temer: não permitiria que eu fosse execrado publicamente. Todo o meio político sabe dos detalhes dessa conversa.

(…)

E o terceiro encontro?


O ministro me chamou outra vez ao gabinete dias depois. Dessa vez mais calmo, sugeriu que eu pensasse na possibilidade de mudar de cargo e disse num tom de voz enigmático: “Fica tranqüilo que você vai participar de tudo”.

O senhor entendeu isso de que maneira?

Receber dinheiro por fora.

Propina?


É, para eu ficar quieto. E eu não topei. Dias depois, quando vocês publicaram a matéria, o Milton Ortolan (secretário executivo do Ministério da Agricultura) ligou e disse que a minha situação era insustentável, que era para eu pedir demissão: “Oscar, fica tranqüilo porque nós vamos tentar compensar a sua perda salarial em outro lugar”. Eu não aceitei e decidi sair. Ali só tem bandido, e não vou trabalhar com bandidos.

Voltei

Sim, meus caros, é isto mesmo: o irmão do líder do governo no Senado acusa o ministro da Agricultura de lhe ter oferecido propina para que se calasse sobre as lambanças numa empresa pública.

E eles são todos do mesmo partido, o PMDB — aquele que faria falta a Barack Obama…



Mas Gilberto Carvalho já anunciou: “Nada de caça ás bruxas!”


O lulo-petismo quer as bruxas soltas para tomar conta do governo, desde que o PT esteja no comando. Por isso Lula voltou a reclamar da imprensa.

É verdade, né?

Com a VEJA fazendo essas coisas, não há corrupto que governe em paz, pô!
30/07/2011


EU NÃO AGUENTO MAIS!



EU NÃO AGUENTO MAIS!


"Só existem dois grupos em verdadeira luta no Brasil: os que estão roubando e os que querem roubar."
Ex-deputado Tenório Cavalcanti


Por Waldo Luís Viana*

Durante quase dez anos, na tribuna livre da Internet, contrariando até um pouco a minha modesta natureza, procurei escrever sobre temas políticos, aproveitando-me, inclusive, de 2002 para cá, do rico manancial como paradigma crítico do que foi, tem sido e será o governo do PT.


Quem me acompanha até – e com paciência, o que muito agradeço – sabe que procurei trazer aos leitores aspectos um pouco desconcertantes da realidade que vivíamos, dado o meu temperamento telúrico de poeta, que vibra antes de tudo com o coração, dentro do espírito do homem cordial, descrito por Sérgio Buarque de Hollanda em seu já clássico “Raízes do Brasil”.

Eis que, embora tenha dado adeus às armas, tenho visto um panorama tão adverso e promíscuo, que ouso agora responder à pergunta que tanto me fazem e que adiava, como ardil, em responder: ó poeta, o que vai ser de nós?

Não há esmero em ver de nós a imagem no espelho – diria eu, entre atônito e aflito. Não há setor da Nação (danada, mesmo!) que não se aperceba do lado oculto, do sistema perverso engendrado pelo PT para governar.

Fez-se do Brasil a imagem e semelhança do partidinho – e como dói!

Esqueceu-se, em primeiríssimo lugar, do que é certo ou errado. Os barbichas de língua presa instituíram, a muque, o dualismo entre o “adequado e inadequado”. O trato da coisa pública, que deveria ser “res sacra”, não passa mais pelo crivo da exação, da coragem e do comportamento probo, considerados excrecências diante dos objetivos a atingir. É o mesmo e surrado “os fins justificam os meios”, transformado em política pública como em qualquer regime dito socialista de Estado.

Onde não há Deus, forma-se uma nomenclatura, preocupada com a história tão somente, como deus imanentista e de latrina, entronizando-se um chefe de Estado que deve ser venerado pelo povo como ícone religioso. O perigo desse herói, de pés de barro, é morrer de cirrose ou de câncer...

O segundo ponto é esquecer os indivíduos, enquanto tais, para entronizar a velha visão marxista de homem social, que em nossa bagunça tropical não é “social”, mas eleitoral. Transfere-se para um grupo ou classe agregados um conjunto de migalhas e atenções, antes desavindas, para apenas retirar delas a continuidade do poder.

Não há diferença daquela prática política e fisiológica do passado, em que o coronel fascista fornecia dentaduras, bicas d’água, óculos e um par de sapatos em troca de votos, porque hoje a 

indecência é tecnológica e feita por cartão magnético.
Desprezados os indivíduos, sobrevem o terceiro ponto, que rebrilha aos olhos como bofetada: para que a sociedade seja equiparada ao soba analfabeto, cachaceiro e ignorante, é preciso que se ponha de lado a cultura do passado.

Nada de Machado de Assis, Rui Barbosa, Euclides da Cunha e Monteiro Lobato, mas a mais rastaquera substituição cultural de tudo o que nos é mais caro e custou a construir: um fácies de nacionalidade, uma singularidade que foi atraiçoada como “nunca neste país”.

O que Lula provocou em oito anos de governo não conseguiremos reconstituir em vinte, ou seja, retomar a nossa estima como Nação maior, mesmo sem prêmio Nobel (vejam só!), mas com uma proposta digna de educação, segurança e saúde de massas!

A substituição cultural de laboratório que se procedeu para que esse senhor se tornasse gênio da raça, nós todos estamos vendo, cumprindo notar – na hora do espanto – que a sua sucessora tem todos os seus defeitos, mas nenhuma de suas apoucadas qualidades...


O quarto momento, mais insidioso e visceral, é outra tentativa de laboratório de contrariar o epigrafado deste artigo: reunir a esquerda, abjeta, mentirosa e faminta que chegou ao poder, à direita oligárquica que só quer manter privilégios, os postos de erva daninha obtidos à custa da mais sofisticada exploração do Estado, que precisa estar enfeixado em suas mãos, como sublime constelação público-privada.

No Brasil, não existe mais o conflito entre os que estão roubando e os que querem roubar: finalmente, após um pouco mais de cem anos de República, os grupos afoitos se reuniram e estão se entendendo.

Todas as nossas instituições, contaminadas e aparelhadas, estão enfeitiçadas pelo mesmo micróbio, pérfido e matreiro.

A corrupção hoje é política de Estado e mãe pressurosa dos Três Poderes. Nada escapa, amigo leitor, ao seu olhar atento. Ela é a devassidão onipotente e onipresente do deus materialista que se entronizou em nossa máquina pública.

Se temos a corrupção como política de Estado, então nada pode escapar a seus encantos, inclusive porque ela expulsou, lá por cima, o certo e o errado – recordam-se? Um bandido de paletó e gravata apanhado gera pane universal, porque foi um “cochilo do sistema”. É ele, o sistema que se sente ultrajado, não a Pátria, jamais a “res sacra”...

Sabemos que o país caminha para uma crise cambial e para a insolvência a passos largos. Sabemos que, depois de todo o período Vargas, de industrialização, temos agora o histórico período petista, de “desindustrialização”.

O país financia-se por juros altos e obscenos, oferecidos aos rentistas externos em bandeja de prata e estiola o seu comércio exterior e obriga a indústria a padrões de prevenção, isto é, aumento pavoroso de preços, perdas homéricas de competitividade com o exterior e uma inflação embutida e preventiva, que logo ficará exposta em toda sua nudez.

Finalmente, contudo, a arvora de decisões petista teria de expandir, em si mesma, todo o seu resplendor: a mentalidade maior, do dolo federal teria de ocorrer nas demais instâncias, estadual e municipal.

Além da cornucópia de impostos para sustentar toda a farra, porque o brasileiro não se importa em sangrar, as classes dominantes (as “zelites”) permitem que o quadro dantesco se repita ao nível municipal: temos as máfias de transportes, de lixo e do saneamento, compondo o regime de superfaturamento necessário às próximas eleições, construído diligentemente, no contexto maior, pelas empreiteiras e bancos.

Agora, desesperados, dirão vocês: qual é a solução? Responderia, eu, da mesma forma humilde com que brindei meus leitores na Internet por quase dez anos, nada! Tudo continuará como está, dependendo do sistema que aí se instaurou.

O comissariado fascista-marxista-comunista que nos domina comprou todo mundo e tudo permanecerá como está! É bom para os donos do poder e seus vassalos e vassalinhos.

No entanto, creiam, tais mecanismos, com a velocidade da História criam pelo caminho uma entropia e os tecidos vão paulatinamente se necrosando. Por isso, estou tranquilo.

Trancado em casa, espero a morte desse “regime” que tem dentro dele – está claríssimo – todos os germens históricos da própria destruição!

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*Waldo Luís Viana é escritor, economista e gosta de fazer versos.
Teresópolis, 28 de julho de 2011