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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Economista afirma que envelhecimento da população afeta crise na Europa



Turbulências em países europeus alertam para nova crise econômica no continente, ao mesmo tempo em que a Ásia sinaliza para o deslocamento gradativo do poderio econômico.

O economista Aod Cunha foi um dos primeiros brasileiros a prever a dimensão que este abalo poderia tomar e ressalta que a melhor forma de entender a crise é analisá-la em seu conjunto, e não a situação isolada de cada país.

Segundo o ex-secretário da Fazenda, o agravamento ganhou corpo, porque o endividamente não pôde ser superado apenas com a retomada do crescimento.

Além disso, ele avalia que a taxa de crescimento tem sido significativamente mais baixa que em anos anteriores, ou seja, o mundo passa por um momento de envelhecimento das populações e aumento da massa de aposentados.

- Acho que ainda haverá vários episódios desses, com o agravamento da situação.

O Brasil e o mundo vão ter que enfrentar e se prepararem para momentos difíceis. Não tenho uma visão muito otimista, principalmente para a Europa - projeta Aod Cunha.

A preocupação é se haverá reflexo no Brasil.

- A economia brasileira hoje está muito melhor preparada do que antes, mas não ficará imune se houver agravamento da crise - afirma.

Por outro lado, a Ásia pode ter, no futuro, um bônus demográfico, já que transita pelo viés oposto.


13/07/2011



A desinformação da desinformação


O esvaziamento semântico de um termo científico importante contribuiu para aumentar consideravelmente a eficácia e o poder da autêntica desinformação, transformando a opinião pública num bloco maciço de resistência à verdade

Por Olavo de Carvalho
Artigos - Desinformação

Quando o sentido das palavras se degrada, a realidade a que elas apontavam se torna invisível e em seu lugar entra algum estereótipo desprovido de substância, pura moeda de troco no comércio diário de bobagens, irrelevâncias e chavões.

A palavra "desinformação", cunhada pelo Estado-Maior alemão na I Guerra Mundial, surgiu como um termo técnico, designando as operações complexas - quase uma ciência exata -- com que um serviço de inteligência buscava orientar e determinar, à distância, as decisões estratégicas e táticas de um governo adversário, assim levado a trabalhar pela sua própria destruição.
Depois passou a designar meras campanhas de propaganda, destinadas a iludir, não os centros decisórios, mas o pobre eleitorado, o inerme zé-povinho, consumidor de flatulências dispendiosas e não raro letais.


Hoje em dia serve para rotular qualquer afirmação que se deseje desmoralizar como inexata ou mentirosa. De instrumento de descrição científica, o termo rebaixou-se à categoria de insulto vulgar.

Na mesma medida, as autênticas operações de desinformação, que entre os anos 50-60 chegaram a ser bem conhecidas e debatidas na mídia popular, desapareceram do horizonte de consciência do cidadão médio, e qualquer referência a elas é hoje instantaneamente rebatida com outro chavão cretino: "teoria da conspiração".

Com toda a evidência, o esvaziamento semântico de um termo científico importante contribuiu para aumentar consideravelmente a eficácia e o poder da autêntica desinformação, transformando a opinião pública num bloco maciço de resistência à verdade e facilitando a montagem de operações de ludíbrio geral que quatro ou cinco décadas atrás não enganariam a ninguém.
Se o adágio esotérico de que o segredo se protege a si mesmo nem sempre é confiável, é fato que hoje toda operação de desinformação está bem protegida sob camadas e camadas de "desinformação", no sentido popular do termo.

Somado ao fenômeno paralelo da concentração dos meios de comunicação nas mãos de um reduzido número de mega-empresas, que torna o jornalismo mundial um primor de uniformidade servil, o sumiço da noção científica de desinformação mostra que nunca foi tão fácil manter populações inteiras na mais completa ignorância dos fatos essenciais, se não para sempre, ao menos pelo tempo necessário para que os planos criminosos mais mirabolantes e inverossímeis se realizem sem ter de enfrentar grandes obstáculos.

A facilidade com que um bandidinho chinfrim chegou à presidência dos EUA com documentos falsos, apostando na obstinada recusa popular de investigar sua vida, é apenas o indício mais patético de quanto a espécie humana, nas últimas décadas, se tornou vulnerável à mentira e ao engodo.
Curiosamente, mas não por coincidência, o fenômeno de embotamento semântico a que me refiro surgiu, ele mesmo, de uma operação de desinformação criada por um serviço secreto para ludibriar, não um governo adversário, mas o seu próprio governo.

Quando nos anos 80 o desertor da KGB, Anatolyi Golytsin, revelou ao governo dos EUA o megaprojeto estratégico com que a KGB planejava consolidar seu poder e ampliar seu raio de ação em escala mundial por meio de um engodo denominado "perestroika", as implicações dessa informação eram óbvias e escandalosas: ela provava que os serviços de inteligência do Ocidente estavam enganados em praticamente tudo e que, movendo-se no escuro como cabras-cegas, vinham servindo de instrumentos inconscientes para a realização do mais ambicioso plano estratégico comunista de todos os tempos.

Os fatos acabaram demonstrando que Golytsin estava certo em praticamente tudo (a própria CIA reconhece que 96 por cento de suas previsões se realizaram), mas, na época, só uns poucos cérebros privilegiados, entre eles o do genial James Jesus Angleton, foram lúcidos o bastante para entender a importância salvadora da mensagem.

A maioria reagiu na base do orgulho ferido, matando o carteiro. Angleton acabou demitido, sob pretextos diversos.

J. Edgar Hoover, o todo-poderoso diretor do FBI, chamou Golytsin de "vigarista" e simplesmente rompeu as relações entre seu departamento e a CIA, instalando um desastroso bloqueio de informações no coração mesmo do sistema americano de segurança.

O partido dos ressentidos, vitorioso na guerra contra Golytsin, agiu exatamente como a raposa na fábula das uvas.

Para camuflar o vexame sofrido na competição com a KGB e exorcizar o temor de um corte geral de verbas e cabeças, passou a rebaixar a importância das operações de desinformação, rotulando-as de "mera propaganda".


Como parte da mesma reação, entrou a alardear triunfalmente a invulnerabilidade e onissapiência da espionagem por satélite, como se satélites pudessem ler intenções políticas nas cabeças dos dirigentes da KGB.

Essa série de episódios deprimentes é narrada com detalhes no livro de Edward J. Epstein, Deception: The Invisible War between the KGB and the CIA (New York, Simon & Schuster, 1989).

O propósito do livro foi responder à pergunta: os EUA ainda são vulneráveis a uma macro-operação de desinformação montada pela KGB?
 

A resposta de Epstein - vinte e dois anos atrás! - foi: Sim.
Hoje, a KGB tem mais poder do que nunca, não só na Rússia mas no mundo inteiro, através de uma rede de empresas-laranja e quadrilhas mafiosas controladas diretamente do Kremlin, atuando no Ocidente e em toda parte sob uma variedade inabarcável de denominações e falsas identidades, enquanto a posição internacional e a capacidade defensiva dos EUA se debilitam a olhos vistos.

Tal como Golytsin previu, a "perestroika" não mudou a estrutura de poder na Rússia, mas a salvou e fortaleceu, usando inclusive, como um de seus instrumentos, os próprios serviços de inteligência da nação adversária.

Cada jornalista, cada professor, cada pretenso "especialista em política internacional" que continue usando o termo "desinformação" no seu sentido vulgarizado e encobrindo sob o rótulo de "teoria da conspiração" as operações reais de desinformação, é apenas, sabendo-o ou não, um agente a serviço da imbecilização universal, condição sine qua non do sucesso dos maus no mundo.

12 Julho 2011

Memória Implicante: ascensão e queda de Alfredo Nascimento

A República no espeto

Por que a prática de fatiar o governo em troca de apoio político perdura até hoje e como acabar com ela antes que a corrupção acabe com o Brasil

Por Otávio Cabral

Revista Veja

Dois meses antes da eleição de 2010, o então candidato a vice da petista Dilma Rousseff, Michel Temer (PMDB), reuniu senadores e ministros em torno de uma mesa em Brasília.

Antes de o jantar ser servido, pediu a palavra e anunciou em tom solene:

"Estamos aqui partilhando este pão, assim como partilhamos este governo e estaremos no futuro partilhando o governo com a presidente Dilma".

Se não brilhou pelo conteúdo cívico, a fala de Temer ao menos teve o mérito da sinceridade.

Ao usar três vezes o verbo partilhar, o hoje vice-presidente da República estava apenas lembrando a futura presidente de que o Brasil é mais ou menos como o porco no rolete que ele saboreou na semana passada numa quermesse de Brasília, ao lado de ministros e parlamentares:

uma peça gorda com orçamento farto, cujos pedaços são distribuídos aos partidos na mesma proporção do apoio que eles oferecem ao governo.

Assim se faz no Brasil há anos, assim se segue fazendo.

Mas até quando e a que preço?




O governo Dilma Rousseff conta com a maior base de apoio no Congresso desde a redemocratização. A aliança reúne 17 partidos e quase 80% dos deputados e dos senadores.. Dividem o mesmo balcão ruralistas e ambientalistas, patrões e sindicalistas, comunistas e evangélicos.

Para manter essa base unida - e saciada –, o governo paga caro, como demonstrou o último escândalo envolvendo o PR.

O partido que indicou Alfredo Nascimento para o Ministério dos Transportes é “dono” da pasta desde o primeiro dia do governo Lula. E, graças a uma excrescência da máquina governista brasileira, tem as garras profundamente fincadas nela.


Há no atual governo mais de 25000 cargos de confiança, que independem de concursos públicos e podem ser preenchidos livremente por indicação política.

Nos Estados Unidos, cargos semelhantes não chegam a 5000.

Na França, são 1000.

Na Inglaterra, em torno de 100.

Como os demais partidos agenciados com gordas "fatias" do orçamento, o PR faz o uso que bem entende das nomeações que lhe cabem.

Assim, os critérios adotados pelas siglas, não necessariamente técnicos e quase sempre políticos, redundam em dois tipos de contratação: a que prima pela ineficiência técnica e a que se destaca pelo talento em comandar negociatas e cobrar propinas destinadas a irrigar o caixa dois de seus partidos.
Trata-se de um aparelhamento que foge de qualquer controle.



Alfredo Nascimento e quatro assessores caíram na semana passada?

Não importa.


O PR indicará o próximo ministro e manterá centenas de funcionários que sabem de cor a receita da corrupção e ineficiência que empesteia o transporte brasileiro desde o início da era Lula.

"O governo Dilma vive em um cenário econômico favorável, tem uma oposição que coopera, mas esse sistema de loteamento provoca crises permanentes.

É um erro que não se corrige",
avalia o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília.


Fatiar o governo e distribuir os nacos em troca de apoio político é no Brasil um hábito tão tradicional quanto a feijoada aos sábados.

Antes do regime militar, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek nomeavam políticos aliados, mas isso não era a única forma de construir maiorias. Na ditadura, nomeações de prefeitos e governadores eram uma maneira de saciar os caciques políticos locais.

Mas foi com a chegada de José Sarney à Presidência que cargos e verbas se tornaram os ingredientes principais da receita do relacionamento entre os partidos e o Legislativo.

Para abrir o apetite dos dissidentes da ditadura que aderiram ao seu governo, Sarney distribuiu cargos nas antigas estatais e nos ministérios.

Antonio Carlos Magalhães, chefe do PFL baiano, tornou-se o babalorixá do Ministério das Comunicações e serviu concessões de rádio e TV à vontade a parlamentares que votavam com o governo.

Sarney e ACM levaram os métodos da política do Maranhão e da Bahia para Brasília. Dessa forma, o clientelismo virou o prato feito da política brasileira. Fernando Collor, mais por autos suficiência do que por convicção, não cedeu tanto ao fisiologismo, o que ironicamente contribuiu para a sua rápida combustão.

Itamar Franco retomou o costume aos poucos. Fernando Henrique Cardoso deu espaços preciosos do governo a grandes partidos, como PMDB e PFL, mas não negociou no varejo.




Foi com Lula que a prática do clientelismo atingiu o paroxismo.

O antecessor de Dilma iniciou o governo distribuindo cargos para amigos sindicalistas e petistas derrotados.

Para conter as grandes crises, como a do mensalão, não hesitou em retalhar o governo de forma que, juntadas, as partes loteadas formassem a maior base de apoio do Brasil democrático.

Essa base ajudou a eleger Dilma presidente.


Ao assumir, Dilma deu sinais de que mudaria a receita indigesta herdada do antecessor.
Congelou o pagamento de emendas e cozinhou em fogo brando as nomeações.

Mas bastou a primeira engasgada no Congresso para que voltasse à antiga dieta política.

Como num regime severo, não é suficiente cortar um excesso aqui e ali.

É preciso transformar um comportamento – e, no Brasil, isso só acontecerá quando diminuir radicalmente o número de cargos loteáveis, de forma que, nas trocas de governo, não exista a possibilidade de substituir servidores eficientes por apadrinhados políticos cujo trabalho se limita a alimentar a gulodice de seus partidos.


E que fome eles têm.




 11/07/2011

Fusão Pão de Açúcar-Carrefour naufraga





Casino veta união, e, sem acordo entre sócios, BNDES oficializa saída do negócio; Abilio pede suspensão de proposta


Sócio francês do Pão de Açúcar fez estudos que mostram riscos potenciais e perda de valor para acionistas


TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
ANA DANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PARIS

Fracassou a tentativa de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil, que pretendia criar uma supervarejista brasileira de alcance global.

O BNDES retirou oficialmente ontem o apoio pré-aprovado de R$ 4,5 bilhões, inviabilizando a engenharia financeira montada para unir Pão de Açúcar e Carrefour.

O banco alegou falta de entendimento dos sócios Casino e Abilio Diniz, que dividem o comando do Pão de Açúcar.

Em Paris, o conselho do Casino ouviu três consultorias -Santander, Goldman Sachs e Roland Berger- e chegou à conclusão de que não faz sentido comprar o Carrefour brasileiro, que é "caro" e tem problemas gerenciais.

Diante da dupla rejeição, o BTG Pactual -que se juntou a Abilio e assumiu a proposição do negócio- preferiu retirar "temporariamente" o assunto de discussão.

Para o Casino, a fusão esbarra em riscos regulatórios e concorrenciais e não faz sentido nem para a empresa nem para os acionistas.

As razões da recusa, segundo um dos consultores, são:

1) a unidade brasileira do Carrefour tem foco equivocado (privilegia os hipermercados, modelo "fora de moda");

2) houve sobrevalorização (o Carrefour brasileiro é uma "caixa-preta", com contabilidade questionada após fraude de € 500 milhões em 2010);

3) a unidade não conseguirá implementar sinergias (ganhos de eficiência) de R$ 1,8 bilhão anual;

4) há problemas de administração.

Antes da suspensão da proposta, o assunto seria levado para a reunião de 2 de agosto da Wilkes, holding que representa a antiga aliança entre Casino e Abilio no comando da empresa.

Na Wilkes, o Casino prometia barrar o negócio. Como Abilio retirou a proposta, a reunião deve ser cancelada.

SEM BRECHA

Defensor da fusão, Abilio participou da reunião ontem do Casino, mas não votou.

Ao deixar a reunião, o empresário brasileiro insinuou que não houve "brecha" para um acordo amigável e disse que não concordava com os estudos apresentados.

"Não estou de acordo com os estudos que foram feitos aqui pela Roland Berger e outros.

Acho que não representam a realidade.

Mas eu não quero fazer críticas",
disse.

Colaborou VALDO CRUZ, de Brasília,
e LEILA COIMBRA, do Rio

terça-feira, 12 de julho de 2011

“Isso dá cadeia”



Propina e prosperidade trilharam o caminho dos principais personagens envolvidos no escândalo que fulminou a cúpula do Ministério dos Transportes

Por Rodrigo Rangel,
Gustavo Ribeiro
e Hugo Marques

Revista Veja
A presidente Dilma Rousseff aceitou o pedido de demissão de Alfredo Nascimento do cargo de ministro dos Transportes e determinou o afastamento de outros quatro integrantes da cúpula da pasta. Foi uma reação rápida à revelação feita na última edição de VEJA de que o PR – partido comandado por Nascimento – operava dentro do governo uma estrutura de corrupção que cobrava propina de empresas em troca de contratos superfaturados para a construção de rodovias e ferrovias.

A resposta do Palácio do Planalto é uma boa novidade, se comparada à prática dos governos petistas de sempre tentar varrer os escândalos para debaixo do tapete. Essa mudança de atitude, no entanto, está longe de resolver o problema da corrupção nos Transportes. Dilma cortou as cabeças do grupo, mas não impediu que ele continue comandando o ministério.

O ex-ministro Alfredo Nascimento reassumiu a cadeira de senador pelo Amazonas. Como parlamentar e agora presidente de fato do PR, ele está participando ativamente das negociações para a escolha de seu sucessor.

Em que isso vai dar?

A resposta parece óbvia, mas é bom que se ouça o alerta que o ex-ministro fez a seus colegas.


No início de abril, Alfredo Nascimento recebeu em seu gabinete quatro parlamentares para tratar da situação dos funcionários da Rede Ferroviária Federal. Ao fim da agenda oficial, o deputado Júlio Delgado pediu explicações sobre a construção de um trecho de 9 quilômetros da BR-440, que corta Juiz de Fora (MG).

Os dados eram estarrecedores.

Naquele momento, apenas 2,16 quilômetros da estrada haviam sido concluídos, ao custo de 35 milhões de reais. Ou seja: mais de 16 milhões de reais por quilômetro – ou duas vezes e meia a média nacional.

O próprio ministro se espantou:

“Isso dá cadeia!

Vou pedir uma sindicância agora”.

Na frente dos parlamentares, Nascimento ligou para o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, um dos afastados na semana passada, e determinou uma investigação do caso.

E o que o ministério fez?

Nada.

A obra foi paralisada por uma decisão do Tribunal de Contas da União, que detectou irregularidades, como a contratação de empreiteira que não participou da licitação e um gasto “injustificável” de 21 milhões de reais.

“É uma obra desnecessária, com preços astronômicos, incluída no PAC sabe-se lá por quê”, critica Delgado.

A antiga cúpula do Ministério dos Transportes, o PR e o governo sabem perfeitamente a razão.


Conforme revelado por VEJA, obras como essa abasteciam o caixa do PR. Para vencerem a licitação e poderem superfaturar o preço, as empreiteiras pagavam 4% de propina sobre tudo o que recebiam para o Partido da República.

O esquema envolvia tanto dinheiro que, em determinado momento, chegou a causar problemas de administração.

“A gente não sabia mais a quem pagar”, conta um empreiteiro.

A confusão durou até maio deste ano.

“Ligava deputado, senador e funcionário cobrando a mesma coisa”.

O diretor do Dnit recebia “entregas” em um hotel de Brasília.

“O quarto era uma bagunça.

Ele marcava uma reunião lá, a gente chegava, falava sobre a obra, deixava o envelope com o ‘acerto’ em cima da mesa e ia embora como se nada tivesse acontecido.

Às vezes, tinha até uma assessora dele junto”, conta o lobista de uma empreiteira.

Até a semana passada, Alfredo Nascimento usava um apartamento no mesmo hotel.

O chefe de gabinete do ex-ministro Alfredo Nascimento, o auditor Mauro Barbosa, também demitido, tinha menos pudor.

Ele recebia seu “acerto” no próprio ministério.

Revela um empreiteiro: “O combinado era o ‘pagamento’ ser feito até dez dias depois da liberação das faturas.

Uma assessora dele ligava para marcar a audiência.

A gente colocava o dinheiro em um envelope e deixava sobre a mesa de trabalho dele”.


A partir de maio, diante da reclamação de empreiteiros e da suspeita da cúpula do PR de que a propina não estava chegando integralmente aos cofres do partido, Alfredo Nascimento e o deputado Valdemar Costa Neto, respectivamente presidente e presidente de honra do PR, decidiram criar um caixa único e nomear um arrecadador central.

O escolhido para o cargo foi Luiz Tito Barbosa, assessor do gabinete do ministro, também demitido pela presidente Dilma na semana passada.

Discreto e menos conhecido, Tito era mais cauteloso. Orientado pelos colegas sobre a possibilidade de estar sendo monitorado pela polícia, ele não recebia o pagamento nem no ministério nem em hotéis, ao contrário dos outros.

Tito marcava encontros em estacionamentos movimentados, normalmente em shoppings de Brasília. Uma das “entregas” recentes aconteceu nas proximidades da sede do PR.

Observado, ele chegou, parou o carro e abriu o vidro. Um homem se aproximou rápido e entregou-lhe um envelope branco. Dentro, cédulas de 100 reais – todas usadas, sem a cinta que identifica o banco do qual foram sacadas e sem numeração sequencial, conforme combinado entre corrupto e corruptor.

Pelo volume, calcula-se que havia no envelope perto de 300000 reais.


No mundo da corrupção, poder e prosperidade financeira são siameses. Os quatro mandachuvas demitidos do ministério não terão necessidade de recorrer ao seguro-desemprego.

O ministro Alfredo Nascimento, se precisar de uma ajuda, pode pedir ao filho. Desde que o pai assumiu o ministério, Gustavo Morais Pereira, um rapaz de 27 anos, revelou-se um talento empresarial. Em 2005, ele montou uma construtora que tinha capital de 60000 reais.

A pequena empresa virou um grande negócio.

Uma reportagem do jornal O Globo revelou que a construtora tinha, em 2008, um patrimônio de 52 milhões de reais, registrando o impressionante crescimento de 86500%.

O empuxo financeiro foi dado por negócios fechados com uma empresa que tem contratos milionários com o Ministério dos Transportes. O menino-prodígio de Alfredo Nascimento se transformou em um milionário investigado pelo Ministério Público Federal, que viu indícios de que seu patrimônio é incompatível com sua renda. Há outros personagens do escândalo enfrentando as mesmas suspeitas.


Mauro Barbosa, o ex-chefe de gabinete do ministério, que recebia “envelopes” em seu local de trabalho, está construindo uma casa de 1300 metros quadrados no bairro mais caro de Brasília.

Servidor da Controladoria-Geral da União (CGU), o órgão encarregado de fiscalizar as malfeitorias nas repartições públicas, Barbosa mantinha até a semana passada 25 operários em seu canteiro de obras.

Pelas dimensões da propriedade, calcula-se que, por baixo, ele vá investir 4 milhões de reais para concluir sua nova residência. Só o terreno, adquirido em 2009, quando ele já estava no ministério, foi avaliado em mais de 1 milhão. Mauro Barbosa é sobrinho de outro figurão do esquema do PR, José Francisco das Neves, o Juquinha, presidente da Valec, estatal responsável pelas ferrovias, também demitido.

Eis um homem de sucesso.

Filho de um carroceiro, ele prosperou no serviço público.

Engenheiro de formação, hoje é um fazendeiro respeitado em Goiás.

Só nos últimos três anos, Juquinha comprou pelo menos três propriedades no município de Mundo Novo, uma região de pecuária intensiva perto da divisa com Mato Grosso.

As três fazendas são avaliadas em no mínimo 25 milhões de reais. Somam 4500 hectares – uma área equivalente a quase 250 estádios do Maracanã.


Em todos os casos, Juquinha pôs as terras em nome da mulher, Marivone, e dos três filhos. A aquisição mais recente, das fazendas Apoena I e II, se deu em março do ano passado. A maior das propriedades, a Fazenda Esperança, foi comprada em setembro de 2007.

O valor declarado dos imóveis foi de 8 milhões de reais. Corretores consultados pela reportagem garantem que o engenheiro conseguiu uma pechincha: o preço de mercado da fazenda é de pelo menos 19 milhões de reais.

Na escritura, 40% das terras ficaram em nome da mulher de Juquinha e o restante foi dividido entre os três filhos dele, como “antecipação de herança”. Na semana passada, o ex-presidente da Valec era tema das rodas de conversa do município de Nova Crixás.

O bochicho na cidade era descobrir o misterioso comprador da melhor fazenda da região. Os boatos davam conta de que o investidor, que não formalizou o negócio para manter o anonimato, pagou 28 milhões de reais pelas terras – em dinheiro.

E quem poderia ser o milionário?

No cartório da cidade, ninguém sabe.

“Apareceu aqui um advogado para dizer que a fazenda tinha sido vendida, mas até hoje não foi lavrada nenhuma escritura”, conta Natalícia Gonçalves, funcionária do cartório. A empresa que aparece como proprietária da Fazenda Sagarana se recusou a falar do negócio. Funcionário de uma propriedade vizinha, Edmilson dos Santos põe fim ao mistério:

“O dono é o Juquinha, mas tem uns dois meses que ele não aparece por aqui”.

Em tempo: a Ferrovia Norte-Sul, obra-prima dos desvios da Valec, já levou ao ralo da corrupção nada menos que meio bilhão de reais, nas contas dos auditores do Tribunal de Contas da União. É um dos maiores sumidouros de dinheiro público desde o descobrimento do Brasil.


A presidente Dilma nunca foi fã de Alfredo Nascimento e sua turma. Da célebre reunião de 24 de junho, na qual ela falou que o Ministério dos Transportes precisava de babá, Nascimento nem sequer participou.

Ele preferiu prestigiar a festa do boi de Parintins. Com as demissões, ela promete “fechar as torneiras” de desvio de verba pública no ministério e nomear quadros de confiança para chefiá-lo.

“A presidente vai aproveitar essa janela de oportunidade para pôr a equipe dela nos Transportes”, diz um assessor presidencial. Não será uma missão fácil de ser cumprida.


“Afastado” do cargo no sábado, Luiz Antonio Pagot deu expediente no Dnit na segunda-feira.

Depois, num gesto claro de quem desafia a autoridade da presidente, entrou em férias, assegurando que voltaria – ou que jamais seria demitido.

Ato contínuo, parlamentares do PR avisaram que o partido – que conta com quarenta deputados e sete senadores – não aceitará perder o controle do ministério.

Para convencer o Planalto, espalharam ameaças nos bastidores. Entre elas, a de implicar petistas no esquema de corrupção e até acusar a presidente de ser beneficiária indireta da coleta de propina.

Numa reunião fechada, Pagot chegou a insinuar que o dinheiro coletado também custeou a candidatura de Dilma.

A campanha presidencial estaria, portanto, umbilicalmente ligada ao encarecimento das obras, segundo essa versão.

O Planalto, ao que parece, não está disposto a enfrentar os humores do PR.

Já avisou que negociará com o partido a escolha do novo ministro.

11/07/2011







Petista é responsável por 90% das obras do Dnit, diz afastado



Filiado ao PR e um dos pivôs da crise nos Transportes, Pagot afirma que PT manda tanto no órgão quanto seu partido

Diretor-geral do Dnit foi escalado para defender a sigla, que não quer pagar sozinha pelas acusações de corrupção
POR CATIA SEABRA
FSP DE BRASÍLIA

Depois de perder o comando do Ministério dos Transportes sob acusações de corrupção, o PR manda ao governo seu recado: não quer pagar sozinho pelas denúncias que abalaram a pasta e já faz ameaças a petistas que estão na estrutura do órgão.
Afastado após ser envolvido nas acusações que derrubaram o ex-ministro Alfredo Nascimento, o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, deu prévia ontem de como será seu primeiro depoimento sobre o caso, terça-feira, no Congresso.
"O Dnit é um colegiado.
O Hideraldo manda tanto quanto o Pagot", disse, em referência ao petista Hideraldo Caron, diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, e listando, em seguida, todo o colegiado do órgão.

Caron, filiado ao PT do Rio Grande do Sul desde 1985, é apontado por políticos como uma espécie de "espião" de Dilma Rousseff no Dnit.
Segundo Pagot, ele era responsável por 90% das obras, já que cuidava da diretoria de Infraestrutura do órgão.

"No Dnit só se aprova por unanimidade.

É claro que cada um é responsável por sua área.

A responsabilidade pelas obras é do Hideraldo.

Como ele é diretor de Infraestrutura Rodoviária, é óbvio que tem um volume maior concentrado",
disse Pagot, ressalvando que "não é Hideraldo que toma as decisões".

A pedido do senador Blairo Maggi (PR-MT), seu padrinho político, Pagot dará explicações públicas na Câmara e no Senado.

Ele foi escalado para defender publicamente o PR. Só depois, a sigla pretende encaminhar ao Planalto seus indicados para o ministério.

Além de compartilhar a responsabilidade com o colegiado, Pagot afirma que só executa obras.

"Cumprimos.

Não inventamos orçamento.

O Dnit não faz política pública, é um executor de obras e prestador de serviços em algumas áreas.

É fácil ficar acusando quando não se sabe como as coisas funcionam."


Para integrantes do PR, o recado de Pagot tinha também outro destinatário:
o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo (PT), hoje nas Comunicações.
Segundo senadores do PR, Pagot deve afirmar, em depoimento, que cumpria ordens e citar de onde partiam.

Incomodados, comandantes do PR disseram ainda que a atual ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, mulher de Paulo Bernardo, era quem acompanhava a execução das obras no Paraná.

Em nota, Paulo Bernardo disse que "obras previstas no Orçamento Geral da União passam pelo Planejamento sem que isso implique qualquer envolvimento do titular na execução dos projetos".
.................................

Os petistas não temem só a reação do PR, mas de toda a base à demissão do ex-ministro, apenas cinco dias após o surgimento do escândalo.

Para o PT, um sinal foi emitido pelo PMDB do Senado, que incluiu na pauta de semana que vem um pedido de convocação de Expedito Veloso (PT), ex-diretor do Banco do Brasil envolvido no escândalo dos aloprados.

O ideário do PT, escrito por José Dirceu, o "chefe da quadrilha" do Mensalão.


Sabem quem é o o grande ideólogo do PT?


Um "chefe de quadrilha"


Por O EDITOR
Coturno Noturno

É ele quem organiza o bando, quem dá as estratégias, quem negocia as táticas, quem define as ações e reações.

Agora o salteador dos cofres públicos, organizador de uma"sofisticada organização criminosa", resolveu contrapor Fernando Henrique Cardoso, explicando como funciona o Partido dos Trabalhadores, nos mínimos detalhes.

O "chefe da quadrilha" ataca a oposição, ataca a mídia, não ataca a Justiça, pois ao escrever ainda não sabia que as recomendações finais do Ministério Público seriam de lhe enfiar 111 anos no fundo da cadeia.
Leia aqui o longo artigo de José Dirceu.


12 de julho de 2011

Ao Vivo





crise política


Diretor exonerado do Dnit, Luiz Antônio Pagot, depõe no Senado Federal

Aqui

Acordo feito



A indicação de Paulo Sérgio Passos para assumir em caráter definitivo o Ministério dos Transportes foi acertada em telefonema da presidente Dilma para o senador Blairo Maggi, dando por encerrada a desavença entre o Executivo e o PR, um de seus mais importantes aliados no Congresso

Por Merval Pereira
O Globo

O secretário-executivo do ministério, que era o preferido da presidente, acabou sendo acolhido pelo PR, ao qual é filiado, como sua indicação, e tudo continuará na mesma.

Passos é um técnico, mas está no mesmo lugar desde 2004. Difícil dizer que ele não sabia de nada do que ocorria sob as suas barbas no posto privilegiado que ocupava.

O que parecia um movimento da Presidência da República para limpar a área dos Transportes, dominada pelo PR desde o início do primeiro governo Lula e sempre sob acusações de corrupção, não passará de aparência, com o partido continuando a controlar a área.

E as práticas descritas por Blairo Maggi na entrevista que concedeu a Jorge Bastos Moreno, no GLOBO de ontem, continuarão acontecendo.
Segundo o senador, que é o padrinho político de
Luiz Antonio Pagot, o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) que deixou o cargo sob suspeita de corrupção
, o que encarece as obras são os aditivos colocados depois que o preço é fechado pelas empreiteiras.

É como se a pessoa comprasse um carro standard e depois quisesse acrescentar um som, ar-condicionado e vidro elétrico. Claro que quando o comprador vai efetuar o pagamento, o preço já não é mais o mesmo, esclareceu Blairo Maggi candidamente, como se precisasse.

Ao explicitar o que todos já desconfiavam — que os preços são inflados durante a construção das obras —, o senador governista está revelando também o perigo de a lei de licitações permitir aumentos ilimitados no preço das obras, como o governo queria no Regime Diferenciado de Contratações.

Pela lei atual, o custo da obra só pode ser aumentado em 25% com aditivos, sendo que se for uma reforma, como é o caso das estradas, por exemplo, o aumento pode chegar a 50%.

A versão corrente no PR é que todos os aditivos foram aprovados pela Casa Civil — onde quem mandava era a própria Dilma Rousseff, na versão eleitoral corresponsável pelo governo Lula — ou pelo Ministério do Planejamento, onde estava o ministro Paulo Bernardo.
A situação no Congresso está de vaca não reconhecer bezerro. O velho dito popular nordestino é sempre invocado quando a crise política, como agora, parece fora de controle.

Aproveitando-se do clima de incertezas na base aliada, onde reina a desconfiança de que a presidente Dilma tende a fritar seus próprios aliados, e a suspeita de que o PT quer usar a crise política para aumentar seu poder no governo, a oposição se move para tentar criar uma CPI sobre a gestão de Alfredo Nascimento à frente do Ministério dos Transportes, acusado de corrupção por um dos mais importantes aliados do governo, o governador do Ceará Cid Gomes, do PSB, que o chamou em comício de "incompetente e desonesto".

Desse mesmo setor, dominado pelo PR desde que se chamava PL, saíram dois réus do mensalão: o deputado Valdemar Costa Neto, secretário-geral do partido, e o primeiro ministro dos Transportes do governo Lula, Anderson Adauto.

Há descontentamentos generalizados na própria base aliada, cada um atirando em uma direção, a começar pelo PR, que tudo indica assinou o armistício com o Executivo, o que não significa paz duradoura.

Houve quem defendesse na bancada que o partido deve deixar de apoiar o governo em protesto contra o tratamento que está sendo dado aos que foram afastados do Ministério dos Transportes, mas essa atitude drástica parece ter sido mais uma dramatização para forçar negociação favorável ao partido.

Há o depoimento hoje em uma comissão do Senado de Luiz Antonio Pagot, que, acusado de práticas ilícitas, ninguém sabia até ontem se estava demitido ou de férias.

O acordo parece indicar que ele deporá no Senado na condição de técnico em férias, e as ameaças veladas de que Pagot poderia abrir o bico não se concretizarão.

Fará um depoimento técnico que não comprometerá ninguém, e a vida continuará.

Mas a sensação de que ninguém está no comando continuará a dominar a cena política. Ontem houve um exemplo claro de como a situação está tensa e sem nenhum parâmetro visível.

A sabatina do novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi boicotada pela oposição sem que os governistas conseguissem juntar suas forças para impedir o adiamento da decisão de confirmá-lo no cargo.

Por uma razão simples: faltaram membros do PT para garantir a maioria do governo. Embora tenha sido a presidente Dilma que o reconduziu ao cargo, para o qual fora indicado pelo presidente Lula, os petistas estão com ódio de Gurgel depois que ele encaminhou o pedido de prisão para os 36 acusados no mensalão, um dia após ter sido confirmado no cargo.
Sentiram-se traídos, especialmente depois que, com seu parecer no caso Palocci, Gurgel ajudara a limpar a imagem do ministro afirmando que toda a sua atuação fora de acordo com a lei.

Os aliados queixam-se de que a presidente Dilma age erraticamente, ao contrário de Lula, que era uma garantia de apoio, mesmo nas situações mais difíceis.

O caso do Ministério dos Transportes é exemplo dessa maneira errática da presidente, que praticamente forçou a demissão de Alfredo Nascimento exonerando toda a cúpula do ministério, e mais adiante, com a crise instalada, passou a mandar sinais de que não desejava brigas com o PR.

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, depois de afirmar que Nascimento não teria condições de participar da escolha do sucessor, deu uma declaração estapafúrdia dizendo que o governo era "solidário" a Nascimento.

Como se ele tivesse saído do ministério por decisão da oposição.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

MPF denuncia Waldomiro Diniz por crimes tributários




O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) denunciou o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz por crimes tributários cometidos entre 1999 e 2000.
O Globo

O dano ao erário, calculado pela Receita Federal, é de R$ 259.348,02 em valores de 2005.

Segundo investigação da Receita, que serviu de base para a denúncia, Waldomiro teria suprimido ou reduzido tributos referentes a rendimentos e depósitos sem origem comprovada em 1999 e 2000.

Ele também teria apresentado uma declaração de isenção falsa à Receita. O caso corre na 12ª Vara Federal de Brasília.

Waldomiro se tornaria conhecido em 2004, quando trabalhou na Casa Civil durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele foi afastado do cargo em fevereiro daquele ano, após a divulgação de vídeo em que aparece negociando propina com o empresário de jogos Carlos Cachoeira.
11/07/2011

Risco de bolha no Brasil já preocupa investidores

Temor de superaquecimento e expansão do crédito aumenta no exterior


Estrangeiros reduzem otimismo com Dilma; analista vê exagero e diz que endividamento não vai mais crescer no país


PATRÍCIA CAMPOS MELLO
FOLHA DE SÃO PAULO

O possível superaquecimento da economia brasileira e a suposta bolha de crédito no país tomaram conta do noticiário internacional e já inquietam investidores estrangeiros. O sentimento em relação ao país está mudando, avaliam analistas.

"A lua de mel dos investidores com o governo Dilma acabou", diz Paulo Vieira da Cunha, economista e sócio da Tandem Global Partners e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central.

"Existia a expectativa de que Dilma acabaria com abusos do fim do governo Lula na política econômica, mas não houve correção."

O jornal britânico "Financial Times" publicou pelo menos 12 reportagens, textos em blog e artigos sobre o perigo da "bolha de crédito" nos últimos dez dias. Um artigo chegava a falar em "crise de subprime" no Brasil.


Na sexta-feira, o jornal dizia que a economia brasileira "é como bicicleta: funciona enquanto continuar andando". "Mas agora [a bicicleta] está bamba", advertia.

A revista britânica "The Economist" disse que o Brasil está entre os sete países com maior risco de superaquecimento, junto a Argentina, Hong Kong, Índia, Indonésia, Turquia e Vietnã.

E a nova diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, alertou para riscos de superaquecimento e inflação nos país emergentes.
Um administrador de hedge fund diz que os estrangeiros estão comprando a história de bolha de crédito e reduzindo a exposição ao Brasil.

Um sintoma seria a queda de ações de bancos brasileiros.

Após a crise de 2008, o Brasil se tornou um "superqueridinho" dos investidores por sua recuperação rápida. Naquela época, lembra o administrador, ninguém fazia muitas contas para por o dinheiro no país.

A virada, o fenômeno de "vender Brasil", começou no início do ano e se reforça agora. Não há sinais de consenso entre os bancos em dizer que os papéis do país estão baratos e é hora de voltar a recompor sua exposição.

Muitos estrangeiros querem ver resultados concretos do combate à inflação e saber até onde vão a inadimplência e a responsabilidade fiscal para investir no Brasil.


EXAGERO



Outros analistas apontam visões equivocadas nas reportagens e relatórios sobre o mercado de crédito no país.

"Os estrangeiros muitas vezes não têm ideia de que crédito ao consumidor no Brasil cobra juros médios de 46% ao ano. O consumidor brasileiro está chegando no teto de seu endividamento", diz Tony Volpon, chefe de pesquisas de emergentes da Nomura Securities.

O crédito no Brasil cresce muito rápido, o que preocupa economistas -como proporção do PIB era 24,7% em janeiro de 2005 e chegou a 46,6% em abril deste ano.

Mesmo assim, em comparação com outros países, o índice é muito baixo. Na China e na África do Sul, o crédito doméstico ao setor privado ultrapassa 120% do PIB.

domingo, 10 de julho de 2011

A glória de Obama



Mais dia, menos dia, sua única saída será provavelmente a renúncia, seguida de uma longa viagem pelo Quênia, onde merecerá ser recebido como um herói popular: o bandidinho chinfrim que, com uma lorota boba, ludibriou e expôs ao ridículo o Estado mais poderoso do planeta.
Por Olavo de Carvalho
Internacional - Estados Unidos
MSM



Exatamente como os pomposos negadores da existência do Foro de São Paulo acabaram se revelando uns pobres coitados, indignos de seus salários e de qualquer atenção pública, o mesmo destino aguarda, inelutavelmente, aqueles que hoje se recusam a enxergar a grotesca fraude documental com que um candidato inelegível usurpou a presidência dos Estados Unidos.

Pouca diferença há, nesse particular, entre quem faça piada dos birthers, fingindo uma certeza que não tem, e quem prefira a incerteza das meias-palavras, como se fugir à escolha entre a verdade e a mentira fosse prova de meritória imparcialidade.

Ocupando espaço na mídia ou pontificando do alto das cátedras, ambos esses tipos são fanfarrões desprezíveis, sem entendimento nem cultura, vivendo somente de poses e trejeitos, sem a mais mínima condição de compreender a matéria que são pagos para comentar e ensinar.


Não posso dizer o mesmo daqueles que, nos EUA, encobrem propositadamente os fatos, pois esses têm interesse político ou financeiro na manutenção do engodo.

Mas seus imitadores brasileiros nada ganham com a mentira exceto a proteção temporária contra um ou outro risinho malicioso, sem suspeitar que este recairá sobre eles mais tarde, inflado em gargalhadas sarcásticas, quando a palhaçada a que serviram com abjeta e gratuita solicitude estourar no ar como uma bolha de sabão.


Nunca a diferença entre quem busca a verdade e quem se acomoda às verossimilhanças convenientes foi tão patente quanto neste caso.

Se a resistência dos fingidores é vasta, maciça, obstinada e cínica como jamais se viu, as provas contra Obama, por seu lado, são certas e irrefutáveis.

A certidão de nascimento que ele mandou publicar, alardeando que com isso tapava a boca de seus acusadores, é falsa como uma nota de 32 dólares.

Não tapou boca nenhuma.

Ao contrário, deixou boquiabertos dezenas de técnicos que a examinaram, incrédulos ante a grosseria da forjicação, tosca como cola em prova escolar.


Pior: mesmo que conseguisse impingi-la como autêntica a uma plateia de sonsos, Obama estaria depondo contra si mesmo, ao confessar-se filho de um estrangeiro, após ter aprovado a decisão unânime do Senado segundo a qual um candidato presidencial, para ser elegível, tem de ser filho de pai e mãe nascidos nos EUA.

Contra o poder do óbvio, Barack Obama tem apelado às forças de uma popularidade declinante e à lealdade de uma tropa de choque que vai esgotando rapidamente seu arsenal de desconversas e de histrionismos.

Mas há um elemento extra em favor dele.

Embora a Constituição dos EUA seja clara em reservar a presidência aos "natural born citizen", o fato é que nunca se criou nenhum mecanismo legal ou administrativo para verificar se um candidato cumpre ou não esse requisito.

Não se criou porque não pareceu necessário.


A Constituição americana, como dizia John Adams, foi feita só para homens dotados de séria consciência moral e religiosa, e não pode funcionar para outro tipo de pessoas.

Os Founding Fathers simplesmente não podiam prever que algum dia um filho de estrangeiro seria cara-de-pau o bastante para se apresentar como candidato presidencial fingindo ignorar que é inelegível e apostando na possibilidade de que ninguém percebesse esse detalhe.

Muito menos poderiam conceber que esse personagem teria o cinismo de usar documentos forjados e encomendar a um hábil ghost writer toda uma autobiografia fictícia para posar, ao mesmo tempo, de vítima do sistema, de alma santa e de grande escritor.


Foi nessa brecha que Barack Hussein Obama introduziu sua irrisória pessoinha, aproveitando-se também da chantagem psicológica que carimbava como racista quem quer que se recusasse a votar num candidato nominalmente "negro" (ainda que biologicamente tão branco quanto negro).

Se não foi o maior blefe da história humana, foi pelo menos o maior da história eleitoral americana.


Como todo blefe, esse também depende da inibição de suas vítimas em denunciá-lo. Aí o medo de ser chamado de racista concorre, em poder paralisante, com a vergonha de reconhecer-se otário e o temor de admitir a vulnerabilidade do sistema político americano ante a investida de um simples vigarista audacioso.

O que não se sabe, o que somente o tempo dirá, é se o truque foi montado no intuito de manter a população no engano até o fim do mandato presidencial, conservando no cargo um inimigo ali posto com a finalidade consciente de demolir o poder nacional, ou se ao contrário foi concebido precisamente para ser denunciado a meio-caminho, lançando o país numa crise constitucional em pleno tempo de guerra. Provavelmente ambas as alternativas foram pensadas - e, se é para danar os EUA, qualquer das duas serve igualmente bem.

Mas, a esta altura, os fatos já não podem ser negados. Quanto mais o homem se remexe, mais se enrosca na rede de provas que o acusam. Judicialmente, não tem escapatória. Mais dia, menos dia, sua única saída será provavelmente a renúncia, seguida de uma longa viagem pelo Quênia, onde merecerá ser recebido como um herói popular: o bandidinho chinfrim que, com uma lorota boba, ludibriou e expôs ao ridículo o Estado mais poderoso do planeta.

Bem medidas as proporções, é feito mais notável, pela originalidade e audácia, do que qualquer vitória eleitoral legítima.

Se houvesse um Prêmio Nobel de Caradurismo, Obama levaria os de 2008, 2009, 2010 e 2011, todos de uma vez.
Essa glória ninguém lhe tira.
04 Julho 2011

Segundo round


Estão separados, como esta coluna antecipou há semanas, o governador Sérgio Cabral e sua mulher, Adriana Ancelmo, que fica no apartamento do casal no Leblon com os filhos, enquanto ele passa a residir no Palácio das Laranjeiras.

Ela também quer ver de longe o empreiteiro Fernando Cavendish, que acha que teve participação nos motivos que levaram à separação.

Agora, vai começar o segundo round: Adriana está contratando advogados e quer sua parte.

Ela conhece, à propósito, todas as contas do governador carioca.

Valdemar, o deputado que sabe demais

Da costura para a chapa Lula-Alencar ao poder nos Transportes, uma atuação polivalente

Fernando Gallo /SÃO PAULO
O Estado de S.Paulo

Valdemar Costa Neto sabe de muita coisa e comanda 65 deputados e 6 senadores no Congresso.

Valdemar Costa Neto é o número 1 do PR, partido envolvido em acusações de pagamento de propina no Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit).

Pablo Valadares/AE - 18.12.2007
Valdemar comanda 65 deputados e seis senadores

O ministro Alfredo Nascimento caiu, mas os Transportes continuarão nas mãos do PR. Porque Valdemar Costa Neto, o Boy, sabe de muita coisa e comanda 6 senadores e 65 deputados - os 41 eleitos pelo PR mais 24 de um bloco de partidos nanicos.

Boy foi apelido que Valdemar ganhou na infância, dado pelo pai, Waldemar Costa Filho, quatro vezes prefeito de Mogi das Cruzes, cidade da Grande São Paulo com pouco menos de 400 mil habitantes.

"Boy" era pra ser algo como "Júnior", mas calhou com o estilo de vida de Valdemar Costa Neto na juventude e nunca mais saiu da boca dos mogianos.

Foi na juventude que conheceu o hoje senador Aécio Neves por meio de um amigo mineiro comum que morava em Mogi.

Tornaram-se companheiros de jornada.

No governo José Sarney, Aécio alocaria Boy em uma diretoria do Porto de Santos. Era uma das cotas que couberam ao mineiro no latifúndio chamado governo federal caído no colo de Sarney quando da morte do avô de Aécio, Tancredo Neves.

Era o primeiro cargo público que Valdemar ocupava fora de Mogi - ficaria no posto de 1985 a 1990.

Antes disso, Boy presidira, na segunda gestão de seu pai na prefeitura de sua cidade, uma autarquia chamada Companhia de Desenvolvimento de Mogi, então criada para comandar a construção da Rodovia Mogi-Bertioga.

A estrada foi feita em parceria com o governo do Estado na gestão Laudo Natel, e depois na de Paulo Maluf, de quem Waldemar pai era amigo e de quem viria a ser secretário.

Waldemar pai dizia o que pensava e não levava desaforo para casa.

Queria ficar marcado como um grande tocador de obras. Construiu a Mogi-Bertioga e a Mogi-Dutra em um tempo em que não havia fiscalização de nenhuma sorte. Há quem não entenda com que dinheiro a prefeitura fez obras de tamanho porte.

Conta-se em Mogi, sede da transportadora Julio Simões, que foi Waldemar Costa Filho, o pai, quem emprestou dinheiro para o empresário Julio Simões comprar seu primeiro caminhão. Valdemar Neto, o Boy, também ajudou a transportadora a resolver problemas logísticos quando dirigia o porto.
Em 1990, Valdemar decidiu concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados e se elegeu pelo PL, então uma legenda pequena, da qual logo viria a ser o número 2.

Não teve espaço no governo Fernando Collor, mas teria entrada com Itamar Franco. Foi Valdemar o responsável por ter levado a modelo Lilian Ramos ao encontro de Itamar, no Sambódromo do Rio, causando um dos maiores constrangimentos da República brasileira.

Inimigo

De Itamar conseguiu o controle da Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos. Lá, chocou-se com o ministro Sérgio Motta no início do governo FHC. Serjão tirou o indicado de Valdemar do cargo e arrumou um inimigo. O Boy seria opositor do governo nos dois mandatos de Fernando Henrique.
Nesse tempo, Valdemar se aproximou de José Dirceu, seu colega na Câmara. Com ele, costurou a indicação de José Alencar, que tinha acabado de atrair para o PL, como vice de Lula em 2002.

Pela parceria, Valdemar Costa Neto, o Boy, seria recompensado com o Ministério dos Transportes, que comandaria durante boa parte dos governos Lula, assim como o Dnit.

Luiz Antonio Pagot, chefe afastado do Dnit, foi uma indicação do senador Blairo Maggi (PR-MT), referendada por Valdemar.

O Boy, por sua vez, levou dois mogianos de sua confiança para o Dnit. Um deles, Frederico Augusto Dias, não aparece no organograma do órgão, mas trata de licitações e convênios em um gabinete vizinho ao do diretor-geral do Dnit.

Valdemar, sabe-se, renunciou ao mandato em 2005 para preservar seus direitos políticos.

Era acusado de receber mesada para votar projetos de interesse do governo.

Sabe de muita coisa.

E comanda 65 deputados e 6 senadores.