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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Datafolha 1: Dilma cai e vai a 34%; diferença para Aécio no 2º turno é de apenas 8 pontos — era de 27 há quatro meses; petista é a mais rejeitada. E esses ainda não são os números piores


Por Reinaldo Azevedo

A Folha de S.Paulo publica nesta sexta pesquisa Datafolha sobre intenção de voto para presidente da República. Fica difícil escolher que número é o pior para a presidente Dilma Rousseff (PT), mas, parece-me, como vocês verão, que o mais dramático nem está no mais óbvio. Já chego lá. Vamos ao que é mais vistoso: em relação à pesquisa anterior do instituto, de 7 e 8 de maio, Dilma caiu três pontos: de 37% para 34%; o tucano Aécio Neves oscilou de 20% para 19%, e Eduardo Campos caiu de 11% para 7% — o que é também um péssimo resultado. Vejam a arte da Folha (todos os infográficos foram publicados pelo jornal).
Datafolha 06.06.2014 1 geral

Alguém poderia dizer que a boa notícia para Dilma é que, há um mês, os dois principais candidatos de oposição, somados, tinham 31 pontos e, agora, têm 26. Mas eu lhes proponho uma outra leitura: em fevereiro, Dilma tinha 44% das intenções de voto, e Aécio e Campos somavam 25 — uma diferença de 19 pontos. Quatro meses depois, eles têm 26, mas Dilma está com 34 — uma diferença de 8 pontos. Os dois candidatos de oposição, é verdade, avançaram pouco, mas a presidente despencou.

Segundo turno

A outra má notícia para Dilma, péssima mesmo, está nos números do segundo turno. Há quatro meses, ela venceria Aécio por 54% a 27%, o dobro dos votos. Nesta pesquisa Datafolha, a presidente aparece com 46%, e o tucano, com 38% — a diferença diminuiu espantosos 19 pontos e é, agora, de apenas 8. Ele avançou 11, e ela caiu 8.
Datafolha 06.06.2014 2 segundo turno

Pessimismo
Cresceu o pessimismo com a economia, informa a pesquisa. Apenas 26% dizem que a situação econômica do país vai melhorar. Para 36%, vai piorar, e 32% dizem que ficará na mesma. Nada menos de 64% acham que a inflação vai aumentar, e só 7% acreditam na queda; outros 21% avaliam que ficará como está. Se 18% anteveem que o desemprego vai cair, 48% pensam que vai subir, e só 28% creem na estabilidade dos números.
Datafolha 06.06.2014 4 expectativas

Rejeição
Outra notícia ruim. Caiu a rejeição a Aécio e Campos em relação à pesquisa anterior: o tucano tinha 31%, e o peessebista, 33%. Ambos aparecem agora com 29%. Dilma se manteve nos 35% e é agora a candidata mais rejeitada.
Datafolha 06.06.2014 rejeição

A colheita de números negativos ainda não terminou. Em fevereiro, 21% achavam o governo Dilma ruim ou péssimo; agora, são 28%; os que o consideram ótimo ou bom caíram de 37% para 33%, e os que o veem como regular passaram de 41% para 38%.
Mudança Entendo, no entanto, que o pior número para Dilma é aquele ao qual a imprensa tenderá a dar menos visibilidade. Vejam o quadro abaixo.
Datafolha 06.06.2014 5 Mudanças

Nada menos de 74% dos que responderam à pesquisa esperam que as ações do próximo governo sejam diferentes das que aí estão, e só 21% querem mais do mesmo. Quando indagados sobre quem poderia, então, operar essas mudanças, o nome mais lembrado ainda é o de Lula, com 35%, mas quem aparece em seguida, com 21%, é o tucano Aécio Neves. Dilma está apenas em terceiro, com 16%. Vale dizer: as pessoas querem outro rumo para o país e não acham que a atual presidente seja capaz de liderar a transformação.
Alguma boa notícia pra ela? Umazinha. Dizem que votariam num candidato apoiado por Lula 36% dos que responderam à pesquisa, mesmo índice dos que o rejeitariam por isso — e 24% afirmam que poderiam votar. Não endossariam um nome com apoio de FHC 57% dos entrevistados, contra 12% que fariam essa escolha — 24% poderiam votar. Na pesquisa, o segundo eleitor mais influente é Joaquim Barbosa: 26% escolheriam um nome que contasse com o seu apoio, mesmo índice dos que considerariam essa possibilidade. Mas 36% rejeitariam um postulante que ele indicasse.
Que conclusões tirar dessa pesquisa?

Muito objetivamente, vamos lá:
1: Dilma não vence mais no primeiro turno. Ela teria hoje 34% dos votos, e seus adversários, considerados os demais nomes, somam 35%.
2: A diferença no segundo turno se estreita dramaticamente.

3: O eleitorado quer mudanças, e Dilma não é vista como a pessoa capaz de operá-las.
Esta sexta-feira será tensa no PT, e as viúvas de Lula voltarão a se assanhar.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Marqueteiro do PT leva mau diagnóstico a Dilma e Lula; presidente diz não saber razões de crescimento pífio do país; cresce o descontentamento




Por Reinaldo Azevedo

As coisas não andam bem para o lado de Dilma Rousseff (foto). Como vocês leram ontem aqui, uma pesquisa do Pew Research Center captou uma enorme insatisfação dos brasileiros com o governo. E em todos os setores relevantes. O Planalto vive um momento de notável desorientação. A alguns dias da Copa do Mundo, a presidente deveria estar lá nas nuvens. E, no entanto, ela não pode nem mesmo fazer um discurso no jogo inaugural. Ou levará uma vaia como nunca antes na história “destepaiz”.

Não se dará nem mesmo um encontro com os jogadores da Seleção Brasileira. Não é o caso de a rapaziada se tornar sócia do mau humor que Dilma desperta em crescentes parcelas da população.

Segundo a coluna Painel, da Folha, os dados de que dispõe o marqueteiro João Santana não são muito diferentes. Informa o jornal: “O publicitário traçou um cenário sombrio na reunião da campanha de Dilma Rousseff à reeleição, anteontem, no Palácio da Alvorada. Diante de Lula e da presidente, ele apresentou pesquisas mostrando que caiu a confiança do eleitor na capacidade do governo para promover mudanças. Até quem melhorou de vida nos últimos anos desconfia que sua renda pode parar de aumentar. A análise preocupou os petistas e deve exigir uma guinada na estratégia eleitoral”.

Pois é… Esse certo desalento se segue à campanha terrorista que o PT levou para a televisão, com aquele alerta sobre os “fantasmas do passado”. Comentei aqui, vocês devem se lembrar, que o partido já não tinha mais futuro a oferecer ao eleitorado e se limitava a seu trabalho deletério de sempre, que é destruir o passado alheio. Cansei, no entanto, de ler colunetas de supostos bastidores da política afirmando que a peça publicitária tinha sido um sucesso…

Nesta terça, já como parte do esforço concentrado de declarar que tudo está pronto para a Copa do Mundo — o que também não é verdade —, Dilma concedeu uma entrevista a jornalistas estrangeiros. Eles quiseram saber por que, afinal, o Brasil está crescendo tão pouco. E Dilma, vejam vocês!, foi de uma sinceridade estonteante. Disse um sonoro “não sei”. Se ela não sabe agora, como saberá depois? Que amanhãs vai oferecer ao eleitor? A que promessas apelará?

O descontentamento com o governo se estende às mais diversas áreas, segundo aponta o Pew Research Center, em quadro publicado pelo Estadão. Vejam:

É até possível que os candidatos de oposição ainda não sejam beneficiários desse descontentamento, até porque não são onipresentes na televisão como a presidente, seja na sua forma, digamos, “soberana”, seja por intermédio da propaganda institucional propriamente ou das estatais — sempre atreladas, ainda que de forma oblíqua, aos propósitos “reeleitoreiros” da presidente. Ainda que Dilma venha a ter um latifúndio no horário eleitoral gratuito, e a oposição, apenas um terreninho, o início da campanha dará mais visibilidade aos opositores do PT do que a que eles têm hoje.

Pesquisas e especulação
A situação da presidente é tão ruim que a Comissão de Valores Mobiliários decidiu investigar se não está havendo uma especulação viciosa no mercado financeiro envolvendo pesquisas. Ou por outra: o boato — ou eventual informação privilegiada — sobre a queda de Dilma deixa os investidores animados.

Aqui cumpre fazer uma observação: a CVM pode fazer o que quiser, mas não vai conseguir impedir que entes privados contratem pesquisas para se orientar. Não há lei que possa impedi-los. Os levantamentos para divulgação pública têm de ser registrados no TSE, mas não os encomendados por empresas ou partidos, desde que apenas para seu consumo. Voltemos lá ao início: aqueles que João Santana levou ao Palácio da Alvorada para orientar a campanha tinham, por acaso, registro? De resto, se o tal “mercado” está apostando contra Dilma, certamente não será por causa das virtudes da mandatária, não é mesmo?

A verdade é que há uma notável convergência em favor da mudança. Resta torcer para que não vença a conspiração reacionária do atraso.

04/06/2014




As razões do desânimo




Por Merval Pereira

O Globo

Aprofundo aqui o comentário que fiz ontem em vídeo para O Globo a Mais. Dois estudos divulgados ontem revelam com detalhes as razões da insatisfação generalizada que pesquisas eleitorais já haviam ressaltado: o Pew Research Center, um dos mais importantes dos Estados Unidos, indica que 85% apontam a alta da inflação como a razão da insatisfação registrada na pesquisa.

Dois terços dos entrevistados consideram a situação econômica ruim, em contraste com 59% que a consideravam boa no ano passado.

A corrupção no meio político, a Segurança e a Saúde são as maiores preocupações depois da inflação, segundo o Pew Research Center. Já a Pnad Contínua do IBGE mostra que a taxa de desemprego subiu para 7,1% no primeiro trimestre deste ano, mas revela situações graves em regiões do país como o Nordeste, onde o desemprego chega a 20% na faixa de 18 a 24 anos.

A taxa de desemprego entre os menos instruídos está em dois dígitos, enquanto entre os mais instruídos, com curso superior, ela fica em 4%, menor, pois, que o índice nacional.

A deterioração dos índices favoráveis ao governo impressionou os organizadores da pesquisa, que a realizam desde 2010, quando 50% dos pesquisados disseram-se insatisfeitos com o governo, em contraponto com o número atual de 72% de insatisfeitos.

O nível de frustração dos brasileiros em relação à direção do país, a economia e seus líderes só tem paralelo em países que passaram por convulsões sociais, como o Egito, disse a analista brasileira Juliana Horowitz, uma das responsáveis pela pesquisa.
Para piorar a situação do governo, a melhor avaliação que a presidente Dilma consegue é na economia, onde 63% desaprovam sua gestão. Os outros setores da administração têm índices ainda piores: Saúde e combate à criminalidade, por exemplo, têm 85% de desaprovação; e combate à corrupção, 86%.

Já a pesquisa Pnad Contínua do IBGE mostra que as regiões em que a presidente Dilma tem o maior apoio são as que têm piores níveis de desemprego. A Região Sul, que tem sido hostil aos candidatos petistas nas últimas eleições, tem o menor nível de desocupação, de apenas 4,3%, taxa que vai a 2,4% na faixa daqueles que têm ensino superior.

No Nordeste, ao contrário, o desemprego ficou em 9,3%, acima da média nacional. A principal diferença entre a Pnad Contínua e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) é a abrangência. Enquanto a PME acompanha o mercado de trabalho nas seis maiores regiões metropolitanas brasileiras, a Pnad Contínua tem dados de 3.464 municípios.

Mesmo o governo afirmando que a queda em relação ao último trimestre do ano passado não é um dado correto, pois não se comparam períodos do ano diferentes, outros dados confirmam a piora do mercado de trabalho. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril mostram que a indústria de transformação, em vez de contratar, como é característica do mês, cortou milhares de empregos.

O mês de abril teve também o pior índice de criação de empregos desde 1999, com uma queda de 46% em relação ao mesmo período do ano passado. O número de pessoas ocupadas com carteira assinada é inferior em 600 mil ao resultado do último trimestre de 2013.

São números que, reforçados por férias coletivas e cortes localizados de empregos devido ao crescimento pífio previsto para este ano — cerca de 1%, segundo a maioria das estimativas — e aos muitos feriados por causa da Copa do Mundo, indicam problemas à frente para a candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff no talvez único ponto forte de seu governo: a criação de vagas de trabalho.
04.06.2014


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Mudança de regime por decreto


Editorial


O Estado de S.Paulo

A presidente Dilma Rousseff quer modificar o sistema brasileiro de governo. Desistiu da Assembleia Constituinte para a reforma política - ideia nascida de supetão ante as manifestações de junho passado e que felizmente nem chegou a sair do casulo - e agora tenta por decreto mudar a ordem constitucional. O Decreto 8.243, de 23 de maio de 2014, que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), é um conjunto de barbaridades jurídicas, ainda que possa soar, numa leitura desatenta, como uma resposta aos difusos anseios das ruas. Na realidade é o mais puro oportunismo, aproveitando os ventos do momento para impor velhas pretensões do PT, sempre rejeitadas pela Nação, a respeito do que membros desse partido entendem que deva ser uma democracia.

A fórmula não é muito original. O decreto cria um sistema para que a "sociedade civil" participe diretamente em "todos os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta", e também nas agências reguladoras, através de conselhos, comissões, conferências, ouvidorias, mesas de diálogo, etc. Tudo isso tem, segundo o decreto, o objetivo de "consolidar a participação social como método de governo". Ora, a participação social numa democracia representativa se dá através dos seus representantes no Congresso, legitimamente eleitos. O que se vê é que a companheira Dilma não concorda com o sistema representativo brasileiro, definido pela Assembleia Constituinte de 1988, e quer, por decreto, instituir outra fonte de poder: a "participação direta".

Não se trata de um ato ingênuo, como se a Presidência da República tivesse descoberto uma nova forma de fazer democracia, mais aberta e menos "burocrática". O Decreto 8.243, apesar das suas palavras de efeito, tem - isso sim - um efeito profundamente antidemocrático. Ele fere o princípio básico da igualdade democrática ("uma pessoa, um voto") ao propiciar que alguns determinados cidadãos, aqueles que são politicamente alinhados a uma ideia, sejam mais ouvidos.

A participação em movimentos sociais, em si legítima, não pode significar um aumento do poder político institucional, que é o que em outras palavras estabelece o tal decreto. Institucionaliza-se assim a desigualdade, especialmente quando o Partido (leia-se, o Governo) subvenciona e controla esses "movimentos sociais".

O grande desafio da democracia - e, ao mesmo tempo, o grande mérito da democracia representativa - é dar voz a todos os cidadãos, com independência da sua atuação e do seu grau de conscientização. Não há cidadãos de primeira e de segunda categoria, discriminação que por decreto a presidente Dilma Rousseff pretende instituir, ao criar canais específicos para que uns sejam mais ouvidos do que outros. Ou ela acha que a maioria dos brasileiros, que trabalha a semana inteira, terá tempo para participar de todas essas audiências, comissões, conselhos e mesas de diálogo?

Ao longo do decreto fica explícito o sofisma que o sustenta: a ideia de que os "movimentos sociais" são a mais pura manifestação da democracia. A História mostra o contrário. Onde não há a institucionalização do poder, há a institucionalização da lei do mais forte. Por isso, o Estado Democrático de Direito significou um enorme passo civilizatório, ao institucionalizar no voto individual e secreto a origem do poder estatal. Quando se criam canais paralelos de poder, não legitimados pelas urnas, inverte-se a lógica do sistema. No mínimo, a companheira Dilma e os seus amigos precisariam para esse novo arranjo de uma nova Constituição, que já não seria democrática. No entanto, tiveram o descaramento de fazê-lo por decreto.

Querem reprisar o engodo totalitário, vendendo um mundo romântico, mas entregando o mais frio e cinzento dos mundos, onde uns poucos pretendem dominar muitos. Em resumo: é mais um ato inconstitucional da presidente Dilma. Que o Congresso esteja atento - não apenas o STF, para declarar a inconstitucionalidade do decreto -, já que a mensagem subliminar em toda essa história é a de que o Poder Legislativo é dispensável.

29 de maio de 2014

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Governo escala 'tropa de choque' para controlar deputados rebeldes na CPI


Apesar da ampla maioria governista, comissão mista terá a presença de deputados considerados rebeldes pelo Palácio do Planalto

Laryssa Borges, de Brasília

 
SAIU DO PAPEL – Deputados e senadores instalam a CPI mista da Petrobras no Congresso
(Pedro França/Ag. Senado)


Com maioria das cadeiras, mas receoso pela presença de deputados rebeldes de sua base, o Palácio do Planalto conseguiu emplacar três "cães de guarda" no comando da CPI mista (com a presença de deputados e senadores) da Petrobras. A exemplo da comissão que investiga a estatal no Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PB) também presidirá a CPI mista, e outros dois governistas fieis, o deputado Marco Maia (PT-RS) e o senado Gim Argelo (PTB-DF), ficarão com a relatoria e a vice-presidência, respectivamente.

A CPI terá ainda a presença de petistas escalados para blindar a investigação, como Sibá Machado (AC) e os ex-ministros Iriny Lopes (ES) e Afonso Florence (BA).

A instalação da CPI mista ocorre após uma intensa disputa judicial e regimental. O governo tentou a todo custo barrar a abertura da comissão por causa da instabilidade de sua base na Câmara. “Hoje, os olhos da nação estão postos sobre esta Casa e sobre esta comissão. Há 45 dias, foi lido requerimento de instalação desta CPI, que só está sendo instalada a partir do esforço hercúleo da oposição”, disse o senador Aécio Neves (PSDB-MG), um dos principais articuladores da instalação da CPI mista.

A avaliação da oposição é que, embora o grupo de investigação seja majoritariamente governista, deputados considerados rebeldes ao Palácio do Planalto, e parlamentares que ainda negociam a formação de palanques estaduais nas eleições de outubro, podem não seguir as orientações do Executivo e provocar desgastes ao governo. Das 32 vagas na CPI mista, os partidos governistas têm 24 cadeiras, contra oito da oposição.

São considerados "titulares-problema" da CPMI os deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG), que recentemente organizou um ato de apoio à candidatura do ex-presidente Lula, além do autointitulado “independente” Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Também há situações como a do pedetista Enio Bacci (PDT-RS), que apresentou candidatura avulsa à presidência da CPMI e cujo partido é rival do PT no seu Estado.

A oposição agora tentará aprovar as convocações do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, além das propostas de quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico. Depois de abandonar a CPI da Petrobras no Senado para pressionar a instalação da comissão mista, a oposição também pretende sugerir a criação de quatro subcomissões para apurar, em eixos separados, irregularidades envolvendo a Petrobras e a SBM offshore, a compra de refinarias, a construção de plataformas incompletas e a aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas.


28/05/2014

No dia em que a herdeira dos gigolôs da bola anunciou a consumação do roubo, o confronto entre o exército da selva e a PM piorou o que já era um programa de índio


Por Augusto Nunes
Foto: Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Até os tufos de grama dos estádios superfaturados sabiam que a Copa do Mundo tem tudo para virar um tremendo programa de índio. Mas nem o mais finório dos cartolas poderia imaginar que, nesta terça-feira, os antigos donos da terra conseguiriam piorar o que já parecia exemplarmente ruim. Como informa o site de VEJA, a proeza foi consumada pelo inverossímil combate travado nas cercanias do Estádio Mané Garrincha por uma tropa de 400 índios e um pelotão formado por 500 integrantes da PM de Brasília.

Segundo os caciques de uma certa Mobilização Nacional Indígena, os combatentes compostos por recrutas originários de 100 tribos distintas pretendiam apenas “entregar uma taça de sangue” a algum figurão do governo federal, num ato de protesto contra mortes de caciques atribuídas a policiais. Os planos mudaram quando os guerreiros que misturavam cocares com tênis ou saiotes típicos com calças jeans toparam com bando de civis que marchavam sobre uma das arenas mais caras do mundo para outra manifestação contra a gastança da Copa.

Para impedir que os inimigos se aproximassem do local onde está em exposição a taça que será entregue ao vencedor do certame, soldados a cavalo e índios pintados com as tintas da guerra protagonizaram a versão brasileiríssima de um espetáculo que só pode ser visto em velhos faroestes ou na Disneyworld. A diferença estava no armamento: as bombas de gás lacrimogêneo e as balas de borracha usadas pela PM eram tão reais quanto os arcos e flechas sobraçados pela infantaria da selva. No Twitter, a página do Conselho Indigenista Missionário garantiu que três índios foram feridos. Uma foto exibida pela PM atesta que pelo menos um fardado foi atingido por uma flechada.

As imagens do conflito, transmitido ao vivo por emissoras de TV e já noticiado com destaque pela imprensa internacional, vão exigir acrobacias retóricas especialmente ousadas dos espertalhões que miraram nas urnas e acertaram o próprio pé. Principal responsável pela transformação do Brasil em província provisória da Fifa, Lula logo estará recitando mais uma vigarice panglossiana. Talvez enxergue no episódio uma prova contundente de que, ao contrário do que ocorreu nos Estados Unidos, aqui os índios são uma espécie em expansão. Talvez prefira jurar que tudo não passou de uma inventiva homenagem a Garrincha, o mais famoso descendente de índios da história do futebol.

Se os caçadores de votos são forçados a correr atrás do prejuízo, os mais notórios caçadores de dólares já dormem em paz. “O que tinha que ser gasto, roubado, já foi”, informou há poucas horas Joana Havelange. Eis aí o que se pode qualificar de “fonte bem informada”. Mais que integrante do comitê local da Copa, Joana é filha de Ricardo Teixeira, que hoje gasta em Miami o que embolsou enquanto presidiu a CBF, e neta de João Havelange, o ex-chefão da Fifa que transformou a dona do futebol mundial na Casa da Moeda dos Supercartolas. Esses se afastaram da cena do crime antes da chegada do camburão.

Continuam em ação os que, além de muito dinheiro, querem ganhar a eleição. De olho na divisão do produto do roubo, podem perder a chance de escapar. E nunca estiveram tão perto de cair fora do poder.
Foto: Laycer Tomaz/Câmara dos Deputados

28/05/2014


Quem foi que disse que a “nova classe média” não se importa com a qualidade dos serviços?




Por Rodrigo Constantino
 
A “nova classe média” está feliz com esse tratamento?

“Se o João é um cara pobre, está feliz; o João do meio da distribuição também está, talvez nem tanto quanto o primo pobre dele. Agora, o primo rico tem todas as razões para não estar gostando muito da situação. Além de a renda dele não estar crescendo muito, ele está tendo problemas, como ter que dividir aeroporto com quem nunca fez check-in, enfrentar engarrafamento com mais carros nas ruas. Os dados mostram que existe uma transformação profunda, não percebida por quem está em cima.”

Quem disse tal barbaridade acima foi o economista Marcelo Neri, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, em entrevista recente ao GLOBO. O governo Dilma tem endossado este mito, de que os “ricos” estariam incomodados porque houve um grande crescimento no acesso aos mesmos serviços por parte dos mais pobres, aqueles que formam a “nova classe média”. Mas faz algum sentido isso?

Claro que não. Como tudo aquilo que vem do PT, isso não passa de um engodo, de mais uma mentira que procura segregar a população brasileira entre “pobres” e “ricos”, colocando uns contra os outros. Quem foi que disse que a “nova classe média” não se importa com a qualidade dos serviços? Quer dizer então que aqueles milhares nas ruas em junho de 2013 eram todos “ricos”? Conta outra!

Tem sido vergonhosa a postura de Marcelo Neri, ao emprestar seu nome a esse projeto nefasto de poder do PT. O economista deveria lembrar que a ascensão dos mais pobres não precisaria e nem deveria se configurar em um estorvo para os mais ricos ou mesmo para a classe média. Todos os países desenvolvidos do “primeiro mundo” são bem mais ricos do que o Brasil, e nem por isso o acesso dos mais pobres aos mesmos serviços representa um incômodo às elites.

Marcelo Neri já deve ter visitado muitos aeroportos nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Deve ter visto milhares de pessoas circulando por eles, de todas as classes. Nem por isso há a mesma lentidão, precariedade e burocracia dos nossos aeroportos administrados pela estatal Infraero. Dividir os aeroportos com quem tem menos dinheiro não é problema algum; encarar aeroportos sem ar condicionado, banheiro decente e conforto, isso sim, é um problema, tanto para ricos como para pobres.

O mesmo vale para o trânsito. É verdade que houve um crescimento acelerado da frota de automóveis, em boa parte pelos subsídios e estímulos irresponsáveis do próprio governo. Seria natural algum aumento no engarrafamento. Mas não na proporção que vimos. Isso já é culpa da falta de planejamento e investimento do governo.

Em países mais ricos, quase todos possuem carros, mas nem por isso vemos o mesmo trânsito que temos no Brasil. As estradas são muito melhores, o transporte público é decente, e inclusive os mais ricos dividem com os mais pobres o mesmo metrô sem problema algum, pois se trata de um metrô limpo e que funciona direito.

Como fica claro, o problema não está em ricos e pobres dividirem o mesmo ambiente, utilizarem o mesmo serviço; o problema está na qualidade do serviço em si, que costuma ser precária quando se trata de Brasil. Quem foi às ruas protestar pertencia a todas as classes. Ricos e pobres estão cansados da incompetência e corrupção deste governo.

Essa narrativa fantástica produzida por Marcelo Neri não cola, não se sustenta, não encontra respaldo nos fatos. Todos nós queremos um retorno melhor para a quantidade absurda e imoral de impostos que pagamos. E quase todos estamos insatisfeitos, como mostram as pesquisas de opinião, com cerca de 70% demandando mudanças. Será que o Brasil, por acaso, tem 70% de ricos?
28/05/2014

sábado, 24 de maio de 2014

VIOLÊNCIA: A FALÊNCIA DO ESTADO





Maria Lucia Victor Barbosa


Recentes acontecimentos que mostram a violência cada vez mais exacerbada, ameaçadora, aterrorizante merecem algumas reflexões e no meu entender podem ser detectadas quatro fontes da violência: 1º - A criminalidade. 2º - As ações dos chamados movimentos sociais. 3º - Os ataques de membros do PT às autoridades dos Poderes constituídos. 4º - Os comportamentos sociais grupais.

Em todos esses aspectos a marcante falência do Estado que, nunca antes nesse país, fracassou tanto em sua função básica de prover a segurança dos cidadãos. Pode-se até dizer que o poder público petista estimula a violência através dos péssimos exemplos de corrupção dos seus membros, do desdém acentuado pela moralidade, da destruição de valores, do incitamento ao ódio entre negros e brancos, pobres e ricos numa sutil paródia da luta de classes.

1º - A criminalidade, velha conhecida nossa, vem aumentando de forma descontrolada e tem suas causas no tráfico de drogas e de armas; na sempre presente impunidade que repousa na morosidade da Justiça e na incapacidade da apuração dos crimes; nas leis pouco rigorosas e ultrapassadas que não permitem, por exemplo, a prisão de bandidos menores de 18 anos ou permitem a soltura de criminosos de alta periculosidade depois de um breve tempo presos; no sistema prisional que demanda nova sistemática como a dos países desenvolvidos; na falta de presídios, inclusive, os de segurança máxima; no sistemático ataque da mídia chapa branca aos policiais que cumprem seu dever ao controlar a violência; nos atos de delegados que soltam bandidos quando a polícia os prende.

2º - Os chamados movimentos sociais criados pelo PT costumam infernizar a vida da maioria. É o caso dos chamados sem-terra, que arrebanhados nas periferias sem a menor tradição agrícola são cooptados com a promessa de se tornarem proprietários de terras que depois muitos vendem. O MST age invadindo propriedades rurais, matando gado, destruindo sedes de fazendas, impedindo funcionários de ir e vir. Abusos também ocorrem através de grupos indígenas ou quilombolas sob o estimulo e proteção do governo petista.

O MST enfraqueceu na medida em que a farta distribuição de bolsas esmola substituiu o penoso esforço de trabalhar ou acampar em lonas pretas, entretanto, os sem-terra estão sendo substituídos por sua versão urbana, os sem-teto. Aos poucos estes estão mostrando a que vieram e certamente pretendem aumentar invasões a imóveis particulares sob as bênçãos do PT.

3º - Os ataques de militantes petistas ás autoridades e pessoas que não rezam por sua cartilha sempre existiram. Na internet, sob o anonimato de perfis falsos, “talibãs” do PT se destacam pela ausência de raciocínio lógico substituído pela boçalidade, a intimidação, a difamação, a desqualificação dos oponentes tratados com inimigos, a violência moral. Agora se fala num exército eletrônico devidamente treinado para defender a perpetuação do partido no poder através da reeleição de Dilma Rousseff que protagonizou o governo mais incompetente que o país já teve. Como as pesquisas de opinião já não mostram Rousseff como aclamada “gerentona”, Lula, seu criador, deu ordem à militância submissa para fazer o que sempre fizeram: “partir para cima”.

O líder foi prontamente atendido por fundamentalistas com traços de psicopata como o petista Sérvolo de Oliveira, que na Internet e sob o codinome de Sérvolo Aimoré-Botocudo de Oliveira propõe que o ministro Joaquim Barbosa deva “morrer de câncer ou com um tiro na cabeça”. Antonio Granado, fiel seguidor de Lula, vai pelo mesmo caminho e pede a morte de Joaquim Barbosa, pois este “não seria um ser humano, mas uma aberração pavorosa, um monstro”. Rodrigo Grassi, outro petista, prefere atacar ministro Joaquim Barbosa na rua com insultos ou dentro do Congresso como fez com o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB). Indiferente ou satisfeito o PT não se pronuncia e outros “talibãs” devem estar prontos para “partir para cima”.

4º - Os comportamentos sociais grupais que funcionam como multidões atestam de modo mais do que evidente a falência do Estado. Perigosas e descontroladas as multidões mostram sua face mais terrível no furor pirotécnico, quando ônibus são queimados ou nas chacinas e linchamentos como o da inocente Fabiane Maria de Jesus, confundida com uma bruxa inventada na Internet. Cansada de confiar no poder público, atestando a falência das instituições, revoltada com a impunidade dos criminosos das quais é frequente vítima, a população parte para fazer justiça com as próprias mãos. Estamos ingressando no “estado de natureza” de que falava Hobbes onde “a vida é breve, solitária e grosseira” e o “homem é lobo do homem”. Sem dúvida, é de dar medo essa herança maldita do PT.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

mlucia@sercomtel.com.br

www.maluvibar.blogspot.com.br


18/05/2014


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Petista se reuniu com criminosos do PCC: não podemos perder a capacidade de indignação!



Por Rodrigo Constantino


Deputado estadual pelo PT, Luiz Moura. Fonte: Folha

Eis o que mais me assusta no Brasil de hoje: a banalização do crime, a sensação de que qualquer absurdo é “normal”, a negligência, o silêncio dos bons, o derrotismo e o fatalismo daqueles que já jogaram a toalha e acham que não há mais saída alguma, solução alguma para o país. Se perdermos a capacidade de indignação, por conta do excesso de notícias assustadoras, muitas ligadas ao poder, muitas ligadas ao PT, então estaremos, de fato, perdidos!

Tudo isso veio à mente quando li a revoltante, escabrosa, inacreditável notícia de que um deputado petista participou de uma reunião recentemente em que estavam presentes ao menos 13 (que número sugestivo!) integrantes da facção criminosa PCC (cujo elo com o PT não é suspeita nova). Diz a reportagem:

Entre eles estava um dos criminosos acusados de participar do furto do Banco Central, no Ceará, em 2005, quando foram levados R$ 164,8 milhões, além de um procurado da Justiça por roubos a bancos.

A reunião ocorreu na sede da Transcooper, zona leste na capital, em que, em tese, estariam sendo discutido temas de interesse dos cooperados.

Porém, segundo investigação da Polícia Civil, desses suspeitos de ligação com PCC, 11 não tinham ônibus ou qualquer ligação com a cooperativa que justificasse a presença deles ao local.

A operação policial na sede dessa cooperativa foi revelada na tarde de quarta-feira (15) durante entrevista do subsecretário de Comunicação do governo Alckmin, Márcio Aith, ao programa de José Luiz Datena, na TV Band.


É tudo impressionante demais. O que o PT tem a dizer? Onde está seu presidente, Rui Falcão, para demonstrar indignação em nome do partido? O que a presidente Dilma vai falar sobre o assunto? E o ex-presidente Lula? Deem uma olhada no perfil do homem:

O deputado foi eleito pelo PT em 2010 com mais de 100 mil votos. No início da década de 1990, ele foi preso e condenado por assalto a mão armada no Paraná.

Chegou a ficar preso por um ano e meio, mas conseguiu fugir. Ele ficou foragido por cerca de dez anos.

As condenações de Moura no Paraná foram reveladas pelo jornal “O Estado de S. Paulo” no ano passado.

Em 2006, o deputado conseguiu da Justiça sua reabilitação (quando suas dívidas com a lei passavam a ser consideradas quitadas) e, no mesmo ano, filiou-se ao PT.

De assaltante de supermercados, Moura conseguiu construir um patrimônio de R$ 5 milhões, segundo declarou à Justiça Eleitoral em 2010.

Entre os bens mais valiosos estavam uma empresa de ônibus e postos de gasolina.

Já em 2012, ao disputar à Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, Moura declarou ter bens em torno de R$ 1 milhão.


O PT cada vez mais sai das páginas de política e entra nas páginas de polícia.

É um partido que começou com presos políticos, e vai terminar com políticos presos.

Se, claro, os brasileiros não perderem a capacidade de indignação e de separar o certo do errado, algo que vem sendo minado há anos pelas esquerdas em geral e o próprio PT em particular.

Indignai-vos, brasileiros!


23/05/2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

POR QUE AÉCIO PODE GANHAR ESTA ELEIÇÃO: leitura do mapa eleitoral de 2010 mostra que as coisas mudaram, para MUITO melhor, favorecendo o candidato tucano em 2014





                                 Por Ricardo Setti



Aécio é celebrado por partidários ao ser eleito presidente do PSDB, a 18 de maio do ano passado: quadro em 2014, com ele no páreo, é muito diferente do que Serra protagonizou em 2010 — e é melhor (Foto: Gazeta do Povo)

A presidente Dilma venceu o tucano José Serra no segundo turno das eleições de 2010 por 12 milhões de votos — em percentual, ela teve 56,05% dos votos válidos, Serra, 43,95%.
Este texto pretende mostrar, com FATOS e NÚMEROS, como é perfeitamente possível que o candidato tucano em 2014, Aécio Neves, apresente um resultado muito diferente — podendo vencer as eleições.

Não estou levando em conta pesquisas de intenção de voto (em que Aécio vem subindo, bem como o outro candidato de oposição, Eduardo Campos, do PSB, ao passo que Dilma cai).

E, por ora, vamos SUPOR que Eduardo Campos, menos conhecido, com menos estrutura, menos apoios e menos bases estaduais do que as de Aécio, não consiga chegar ao segundo turno.
É claro que poderemos ter uma disputa Dilma x Eduardo Campos, ou, quem sabe — em política quase nada é impossível  — até uma disputa Eduardo x Aécio.

O cenário deste texto, portanto, refere-se exclusivamente a uma disputa entre Dilma e Aécio.

Vou de início considerar o perfil muito diferente dos candidatos tucanos em 2010 e em 2014 e, principalmente, as alianças partidárias que Serra NÃO conseguiu estabelecer em Estados vitais e que, com Aécio, vêm sendo formadas ou estão se esboçando.

Depois disso, tratarei dos resultados eleitorais do segundo turno de 2010 e tentarei mostrar como eles poderão mudar, dramaticamente, neste ano — mudar para melhor para o PSDB.

E este post vai apresentar NÚMEROS. Vamos precisar somar para chegar à conclusão que apresento no segundo parágrafo acima.

Comecemos por rápidas considerações sobre diferenças de perfil entre os dois candidatos.

Dilma e Serra se cumprimentam antes do último debate da campanha passada, a 30 de setembro de 2010: o adversário da presidente este ano tem perfil bem diferente (Foto: Bruno Domingos/Reuters)

Dilma e Serra se cumprimentam antes do último debate da campanha passada, a 30 de setembro de 2010: o adversário da presidente este ano tem perfil bem diferente (Foto: Bruno Domingos/Reuters)
Serra, sem dúvida um notável administrador público, é um político individualista e criador de arestas; Aécio é agregador por natureza, circula em diferentes áreas, costura alianças com facilidade. Serra tem 72 anos de idade; Aécio, 54. Nem os mais ferrenhos admiradores de Serra consideram-no carismático; Aécio tem esse dom difícil de definir. Serra consegue se desentender e afastar correligionários; Aécio transita bem até com adversários. Serra já perdeu 2 eleições para prefeito e 2 para presidente; Aécio ganhou todas as 3 últimas eleições majoritárias que disputou.
Posso estar redondamente enganado, mas parece-me que Aécio terá um índice de rejeição muito inferior ao que Serra alcançou nas eleições presidenciais que travou. Posso também estar redondamente enganado, mas penso que Aécio tem potencial para obter votos onde Serra não conseguiria.

Agora, vamos analisar a situação em vários Estados que definiram a eleição de 2010 em favor do lulopetismo — e nos quais a situação, neste 2014, tem tudo para ser bem diferente.
Iniciemos por MINAS GERAIS, o Estado que Aécio governou por 8 anos e que atualmente representa no Senado. Em Minas, Dilma massacrou José Serra no segundo turno, com 1,8 milhão de votos a mais.

Pimenta da Veiga (centro) com o ex-governador Antonio Anastasia (esq.) e Aécio: quer que o tucano ganhe em seu Estado, Minas, por 3,5 milhões de votos. Serra perdeu por 1,8 milhão em 2010 (Foto: otempo.com.br)
MINEIROS — Pimenta da Veiga (centro) com o ex-governador Antonio Anastasia (esq.) e Aécio: o candidato ao governo quer que o tucano ganhe em seu Estado, Minas, por 3,5 milhões de votos. Serra perdeu por 1,8 milhão em 2010 (Foto: otempo.com.br)
Com Aécio, que deixou o governo de Minas em 2010 com mais de 80% de popularidade após dois mandatos e se elegeu com votação recorde para o Senado, alguém duvida de que a história será outra?

Até o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), poderá apoiar Aécio, que o tucano ajudou a eleger duas vezes, mesmo tendo o líder de seu partido, Eduardo Campos, como aspirante ao Planalto. O candidato a governador pelo PSDB, Pimenta da Veiga, quer que a aliança de 16 partidos que o apóia — e a Aécio — faça com que o tucano vença Dilma por 3,5 milhões de votos.
Mas vamos supor que a diferença seja menor, seja de 3 milhões de votos. Só aí, levando em conta o 1,8 milhão que Dilma colocou sobre Serra, estará 4,8 milhões de votos menor a vantagem de 12 milhões que a presidente obteve sobre o rival tucano nas eleições passadas.

Sigamos agora para SÃO PAULO, o maior colégio eleitoral do país, com perto de 32 milhões de eleitores (quase 23% do total brasileiro, pouco acima de 141 milhões).

Em São Paulo, terra natal e base política de Serra, ele, naturalmente, venceu em 2010, fazendo 1,9 milhão de votos de vantagem sobre Dilma. Na verdade, foi pouco — poderia ser mais. O governador Geraldo Alckmin, em 2006, disparou no primeiro turno 4 milhões de votos à frente do adversário petista — e ele era ninguém menos do que o próprio Lula, o “Deus” da ministra Marta Suplicy.

Alckmin e Lula durante um dos debates da campanha de 2010: o tucano bateu o "Deus" de Marta Suplicy, no primeiro turno, por 4 milhões de votos em São Paulo. Se Aécio consegue repetir a proeza... (Foto: Jonne Roriz/Agência Estado)
Lula com Alckmin durante um dos debates da campanha de 2006: o tucano bateu o “Deus” de Marta Suplicy, no primeiro turno, por 4 milhões de votos em São Paulo. Se Aécio repetir a proeza no segundo turno deste ano… (Foto: Jonne Roriz/Agência Estado)
Admitamos, então, que, tendo um candidato de Minas e um vice de São Paulo, como se cogita, Aécio cresça em relação ao que obteve Serra. Em vez de 1,9 milhão de votos à frente, que tenha apenas 500 mil votos adicionais em relação a Serra em 2010, e feche o Estado com 2,4 milhões à frente da presidente Dilma.

Guardemos esse número: meio milhão de votos mais do que obteve Serra.

Vamos em frente. Agora, é a vez da BAHIA, quarto maior colégio do país, com mais de 10 milhões de eleitores. Ali, sem ter palanque nem apoio significativo, Serra viu-se esmagado por Dilma em 2010: perdeu por 2,8 milhões de votos!

Agora, a coisa mudou. Dilma não terá um palanque extraordinário no Estado — o candidato do PT, Rui Costa, deputado federal e ex-chefe da Casa Civil do governador Jaques Wagner, não provocou até agora um levante das massas em favor da bandeira vermelha do PT.

E terá pela frente uma chapa duríssima, que Aécio conseguiu montar aglutinando inimigos históricos irreconciliáveis, desta vez juntos para derrotar o PT no Estado e em nível nacional: o duas vezes ex-governador Paulo Souto (DEM), candidato ao Palácio de Ondina, o ex-deputado e ex-vice-presidente do Banco do Brasil Geddel Vieira Lima (PMDB), aspirante ao Senado, e o ex-deputado Joacy Góes, ex-diretor do jornal Tribuna da Bahia, candidato a vice-governador pelo PSDB.

A chapa tem ainda o apoio decidido do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), um dos dois prefeitos mais bem avaliados do Brasil.
Não é impossível que não apenas Aécio não seja derrotado na Bahia por margem considerável, mas que vença. De todo modo, os 2,8 milhões de votos a mais para Dilma de 2010 vão desabar.
Outro Estado em que as coisas mudaram radicalmente em relação a 2010 é PERNAMBUCO. O massacre ocorrido em Minas e na Bahia, proporcionalmente, se manteve em Pernambuco, onde Dilma saiu-se no segundo turno com 2,3 milhões de votos sobre Serra.
Agora o bicho vai pegar: o próprio Estado de Pernambuco tem candidato a presidente, com o ex-governador Eduardo Campos (PSB), eleito duas vezes por grande maioria e sempre bem avaliado nas pesquisas de opinião pública, e que tirou facilmente da Prefeitura do Recife o petista João da Costa Bezerra nas eleições de 2012 em prol do candidato de seu partido, Geraldo Júlio.

Souto (com o microfone), com Aécio (esq.), ACM Neto e Geddel: palanque forte do tucano na Bahia (Foto: ascom/democratas)
O ex-governador Paulo Souto (com o microfone), com Aécio (esq.), o prefeito ACM Neto e Geddel: palanque forte do tucano na Bahia (Foto: ascom/democratas)
Parece não haver dúvida de que Dilma será pulverizada por Campos em seu Estado natal, onde o eleitorado próprio do PSDB e do DEM poderá eliminar diferenças entre Aécio e a candidata do PT na disputa pelo posto de segundo mais votado.

Digamos, então, que os 2,3 milhões de votos caiam para 300 mil em favor de Dilma. São 2 milhões de votos menos naquela vantagem apontada lá em cima, de 12 milhões.
A esta altura, já estamos EMPATADOS, teoricamente, em relação a 2010. Os 12 milhões de votos a mais de Dilma sobre Serra terão desaparecido.

Para não tornar este post interminável, vamos, então, examinar só mais três Estados nos quais Dilma fez a festa sobre Serra em 2010, mas que desta vez exibirão um panorama muito distinto: Ceará, Maranhão e Amazonas.

No CEARÁ, outra derrota impiedosa de Serra em 2010: ficou 2,3 milhões de votos para trás. Naquele ano, Serra se via praticamente sozinho no palanque — estavam com Dilma os irmãos Gomes, Cid, o governador, e o ex-ministro Ciro, que já foram tucanos, o PT local, que é forte, o PCdoB, que não é nanico, e o PMDB, sempre numeroso. Dilma ainda recebeu o reforço da presença constante de Lula na campanha. O único e relutante suporte de Serra no Ceará foi o então senador Tasso Jereissati, que não conseguiu se reeleger.

Desta vez, a ampla coligação que elegeu Dilma está problemática. O PMDB do senador Eunício Oliveira — líder disparado nas pesquisas de intenção de voto, com mais de 40% das preferências — deixou o governo de Cid Gomes (PROS), tem o apoio do PROS nacional e complica a vida dos irmãos Gomes. O PT está dividido entre apoiar o candidato dos Gomes – os quais ainda não se decidiram por um nome — ou lançar a ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins.
O três vezes ex-governador Tasso Jereissati decidiu voltar à política e Aécio está tentando costurar uma aliança com Eunício.

Tudo indica que dá para esquecer os 2,3 milhões de votos a mais de Dilma em 2010.

Até no MARANHÃO, onde parece que nada muda nunca, há novidades. O favorito disparado para vencer as eleições, até o momento, fincado em radical oposição ao domínio da família Sarney no Estado, é o ex-deputado Flávio Dino (PCdoB), também ex-presidente da Embratur, que ofereceu palanque a… Aécio Neves e, posteriormente, a Eduardo Campos. E não fará campanha pela candidata do PT, pelo contrário.
Apesar da aliança histórica do PCdoB com o PT, o PT local, pressionado por Dilma, apoia os Sarney, cujo candidato a governador é o senador suplente do próprio pai Lobão Filho (PMDB), que jamais disputou uma eleição antes e tornou-se candidato há algumas semanas substituindo um secretário de Estado inexpressivo.

Alguma coisa estranha anda acontecendo por lá, porque a governadora Roseana Sarney (PMDB), com quem Dilma contava para, se reconduzida ao Planalto, manter a folgada maioria que tem no Senado, desistiu de disputar o cargo e vai continuar no Palácio dos Leões até o dia 1º de janeiro de 2015.

Parece-me, portanto, que será um otimismo deslavado considerar que, tendo um candidato forte a governador fazendo campanha contra, Dilma repita em 2014 os 1,688 milhão de votos que, em 2010, livrou sobre Serra no Estado com quase todos os piores indicadores sociais do país.

Arthur Virgílio, prefeito de Manaus e o mais popular do país: este ano, o presidenciável tucano terá palanque forte no Amazonas, onde Serra levou de 9 a 1 de Dilma (Foto: psdb.org)
Arthur Virgílio, prefeito de Manaus (PSDB) e o mais popular do país: este ano, o presidenciável tucano terá palanque forte no Amazonas, onde Serra levou de 9 a 1 de Dilma (Foto: psdb.org)
Finalmente, o AMAZONAS. O eleitorado é relativamente pequeno, próximo a 2 milhões de votos, mas o que aconteceu ali em 2010 é altamente expressivo. No primeiro turno, Dilma teve 90% dos votos válidos! Nove em cada dez! Foi, proporcionalmente, a mais severa derrota de Serra no país — e terminou, no segundo turno, com a presidente quase 1 milhão de votos na frente — 866 mil, para sermos mais exatos.
Serra estava solitário, isolado, sem nada e sem ninguém. Agora, Aécio Neves terá no palanque o prefeito mais bem avaliado do Brasil, o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB), valendo sempre lembrar que Manaus e região detêm 60% do eleitorado amazonense.

No terceiro maior colégio eleitoral do país, o Rio de Janeiro, não se pode dizer que Dilma repetirá, na certa, a vitória por 1,7 milhão de votos a mais que Serra na disputa com Aécio.

A perspectiva de ter uma surpresa como a ex-presidente do Supremo Ellen Gracie como candidata ao governo, o apoio do PMDB e sua forte capilaridade no interior, e de figuras como Cesar Maia (ele próprio candidato a governador pelo DEM) e de Fernando Gabeira podem diminuir consideravelmente a diferença, sem contar que Aécio, criado no Rio de Janeiro por ser filho de deputado na época em que a Câmara ainda não fora transferida para Brasília, tem fortes conexões cariocas e fluminenses.

Não menciono outros Estados porque, longe de ser problemas para o PSDB e aliados, são terra fértil para eles: os tucanos venceram as eleições de 2006 e de 2010 no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, e tendem a voltar ganhar em todo o Sul, com seu enorme contingente de 21 milhões de eleitores. José Serra venceu Dilma nos dois Mato Grosso e em Goiás em 2010, grande cinturão do agronegócio, que anda furioso com o governo petista.

Feitas as contas, vê-se que a leitura do cenário de 2010, com os atores e as mudanças de 2014, tornam perfeitamente possível uma vitória tucana no dia 26 de outubro próximo — data da realização do segundo turno das eleições para presidente e governador.

                               19/05/2014

Quem pariu a Copa que a embale


Lula quis fazer uma borboleta e produziu um morcego
 

Por Percival Puggina

A potência emergente foi tomada de assalto pelo crime organizado, tanto nos últimos andares do poder, no grande mundo, quanto no submundo.


De vez em quando me vem à lembrança a figura do Lula oferecendo o Brasil para sediar a Copa de 2014 com aquele ar de Moisés malandro levando o povo à terra prometida. Entre os anos de 2003 e 2007, o governo brasileiro suou o topete para alcançar o espetacular objetivo. Sempre fui contra.


Antes da Copa da África do Sul, a propósito do "Let it be! (Pois que seja!)" com que o bispo Desmond Tutu respondeu aos jornalistas que lhe perguntaram se os estádios sul-africanos não se transformariam em elefantes brancos, eu escrevi: "A FIFA impõe aos países eleitos para acolher seu empreendimento exigências que só se cumprem despejando bilhões de dólares nos seus cofres, nas betoneiras das construtoras e nos altos fornos das siderúrgicas. Se fosse bom negócio, não faltariam empreendedores interessados em bancar a festa porque sobra no mundo dinheiro com tesão para o crescei e multiplicai-vos".
Contudo, os delírios de grandeza e a notória imprudência do líder máximo do petismo nacional mobilizaram a opinião pública que aceitou a Copa como um dos símbolos símbolos do Brasil potência emergente.

A maior parte do povo brasileiro, do mesmo modo como espera o último dia de qualquer prazo para fazer o que deve, esperou o último ano anterior ao evento para perceber o descompasso entre o oneroso Brasil da FIFA, para inglês ver, e o carente Brasil dos brasileiros. E aí, alguns pularam, irresponsavelmente, do oito para os oitocentos: "Não vai ter Copa!". Como não vai ter Copa? Vai ter, sim, e não serão alguns milhares de meliantes presunçosos que vão impedir a realização do evento. A estas alturas, com o pouco de vergonha que nos reste na cara, faremos a Copa.


O que me traz novamente ao tema é o fato de que Lula quis fazer uma borboleta e produziu um morcego. Os espaços que nestes dias a mídia do resto do mundo dedica ao Brasil, em vez de exibir as maravilhas nacionais como sonhava o Lula, estão tomados por severas admoestações aos viajantes sobre os riscos de vir ao nosso país. Nosso cotidiano, descobrem, é assustador. A potência emergente foi tomada de assalto pelo crime organizado, tanto nos últimos andares do poder, no grande mundo, quanto no submundo. (Não por acaso, A Tomada do Brasil é o título do meu próximo livro). Basta-nos assistir os noticiosos do horário noturno para nos depararmos com cenas que ora lembram ocorrências de países em guerra, ora nos nivelam com as mais atrasadas republiquetas da África Subsaariana.

Se Lula, se Dilma, se o petismo dominante pretenderam transformar a Copa numa excelente oportunidade para o marketing pessoal, político e - até mesmo - nacional, seus burros empacaram dentro d'água. Foi mal, para dizer como a gurizada destes tempos. A atualidade brasileira, a violência e a insegurança de nossas ruas fazem lembrar o que Eça de Queirós escreveu numa crônica de 1871 quando se falava, em Lisboa, sobre os turistas que viriam à terrinha com a construção de uma ferrovia ligando Portugal à Espanha. Escreveu então o mestre lusitano: "A companhia dos caminhos de ferro, com intenções amáveis e civilizadoras, nos coloca em embaraços terríveis: nós não estamos em condições de receber visitas".
Não estamos, mesmo. Mas agora, quem pariu a Copa que a embale. Que apresente e justifique ao mundo, aos nossos visitantes, o Brasil real, a insegurança das nossas ruas, a violência do cotidiano nacional, nossa incapacidade de cumprir prazos, a limitação monoglota de nossos aeroportos, hotéis, restaurantes e taxis e as muitas tentativas de passar-lhes a perna a que estarão sujeitos. É o lamentável Brasil de 2014.

www.puggina.org
16 Maio 2014

É o fim da picada! Deputado estadual do PT, um ex-presidiário e aliado do secretário de transportes de Haddad, participou em março de reunião com membros do PCC que, segundo a Polícia, planejavam ataques a ônibus



Atenção, leitores!

A história que vem agora é do balacobaco!

Por Reinaldo Azevedo


No primeiro dia da greve dos motoristas de ônibus em São Paulo, na terça, eu tinha recebido uma informação certa, mas não consegui a prova, de que, no dia 17 de março, no auge dos incêndios a ônibus em São Paulo, a 6ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro havia estourado uma reunião na sede da Cooperativa Transcooper, em Itaquera, na Zona Leste, em que membros do PCC planejavam as ações criminosas. Sabem quem estava presente ao encontro? Ninguém menos do que o deputado estadual petista Luiz Moura (PT-SP), que estaria lá na condição de “convidado”.

É este senhor aqui.





Luiz Moura, deputado estadual do PT: presente a uma estranha reunião

Muito bem! Ontem, critiquei duramente no blog o secretário de Transportes da cidade, Jilmar Tatto. Em vez de tentar articular uma resposta para o caos da cidade, ele concedeu uma entrevista atacando a PM, acusando-a de fazer corpo mole, como se policiais militares pudessem sair por aí conduzindo ônibus. Eu tinha, sim, a informação certa sobre a participação do tal deputado naquela reunião da bandidagem, mas não a prova. Mesmo assim, não os deixei na mão. Publiquei, então, o que segue em azul:

“ (…) Terei eu de lembrar que Jilmar Tatto tem dois aliados importantes que são, digamos assim, ligados à área de transporte? Um é o deputado estadual Luiz Moura, um ex-presidiário que não cumpriu os 12 anos a que estava condenado porque se tornou um fugitivo. Hoje, é deputado petista. Outro é Senival Moura, vereador, também do partido, irmão de Luiz.
O agora deputado estadual se fez líder dos perueiros, uma área que a família Tatto conhece muito bem.”


E lembrei, então, trecho de uma reportagem da VEJA publicada em 2006, a saber (em azul):
Há três semanas, a polícia prendeu Luiz Carlos Efigênio Pacheco, presidente da Cooper Pam, uma das principais cooperativas de perueiros da capital paulista, suspeita de ligação com a organização criminosa. Conhecido como “Pandora”, o perueiro é acusado de ter financiado, com dinheiro de lotações, uma tentativa frustrada de resgate de preso de uma cadeia de Santo André (região do ABC paulista), em março passado. Detido, ele negou pertencer ao crime organizado, mas admitiu a infiltração do PCC no setor perueiro e disse que foi por ordem de Jilmar Tatto, ex-secretário de Transportes da prefeita Marta Suplicy, que sua cooperativa incorporou integrantes da organização criminosa.



Rasgando o verbo

A informação que eu tinha estava certa. Em entrevista ao programa do apresentador José Luiz Datena, da Band, Márcio Airth, secretário de comunicação do governo de São Paulo, rasgou o verbo.

A operação aconteceu mesmo!


A reunião da bandidagem, de fato, estava em curso, e o objetivo era planejar novas ações contra ônibus na cidade. Um dos “convidados” para o evento era o deputado estadual petista Luiz Moura, ex-presidiário (condenado a 12 anos) e ex-fugitivo, que se reinventou como líder dos perueiros, que foi como conheceu Jilmar Tatto, ligado ao setor.


Aith foi adiante e afirmou que, em março, no curso da investigação dos ataques, a polícia solicitou diretamente a Tatto a relação de empresas que atuam no setor de transportes público. “Ele [Tatto] é o primeiro a dizer que a polícia é truculenta e se excede, mas, quando interessa a ele barrar uma investigação, como de fato ele barrou, ao não responder o delegado, ele fica quieto. A polícia poderia investigar muito mais se o deputado Jilmar Tatto tivesse feito o trabalho dele, respondido ao ofício e chamado a atenção do colega deputado dele para que não comparecesse a locais que não são recomendáveis a qualquer pessoa pública”.

Nas moscas, né?

Tatto falou no mesmo programa e disse que nunca soube da reunião. Pois é… Soube, sim, né, secretário? O senhor sabe que sim! A informação lhe foi passada pela própria polícia. O secretário não revelou por que não passou a lista que a Polícia lhe pediu. Limitou-se a dizer: “Eu falo por mim”. E desconversou: “Não me parece adequado, num momento desses, tentar imputar a mim qualquer atitude, ação de atrapalhar investigação. Ao contrário, estou inteiramente à disposição”.

Então tá. Entre os convocados para aquela reunião a que compareceu o deputado estadual petista estava, ora vejam, Carlos Roberto Maia, vulgo Carlinhos Alfaiate, ladrão de bancos então foragido. Ontem, a imprensa não conseguiu achar Luiz Moura.

Tudo gente fina!



22/05/2014