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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Charges...

Unidas como nunca antes na história deste país
 
  
  

Estudante provoca em Lula encanto auditivo e visual

Fotos: Lula Marques/Folha

Estudante provoca em Lula encanto auditivo e visual
por Josias de Souza
Bianca Silva Santana, 16, é aluna de uma escola técnica federal do Espírito Santo. Frequenta o curso de ferrovias.

Dona de palavra fácil, foi escalada para falar em nome dos colegas na solenidade em que Lula inaugurou 78 novas escolas.

Em discurso de timbre elogiativo, Bianca discorreu sobre a importância do ensino técnico.

A moça ateou em Lula encantamento instantâneo.

Além do deleite auditivo, Bianca proporcionou ao presidente enlevo oftalmológico. No caminho para o púlpito, Lula, por assim dizer, escoltou-a com os olhos.

Captada pelas lentes sempre alertas do repórter Lula Marques, a cena pode ser observada na sequência de imagens sobrepostas lá no alto.

Abaixo, em outra série de fotos de Lula Marques, fica evidente que nem toda a cerimônia das escolas seduziu Lula.

Em certos instantes, o presidente olhou para o teto, coçou a testa, abriu os braços em desaprovação. A coisa toda durou enfadonhas duas horas e meia.

Afora a delonga, Lula abespinhou-se com uma atribuição que lhe fora reservada pelo cerimonial da Presidência.

Escalaram-no para entregar mais de uma centena de placas de vidro alusivas à abertura de escolas técnicas.

Como se fosse pouco, os agraciados por vezes pareceram dar mais atenção a Dilma Rousseff do que a Lula. Foi como se farejassem a perspectiva do poder novo.

- Em tempo: Antes de discursar na cerimônia oficial, Bianca concedera entrevista ao blog do Planalto.
Assista aqui.

Venezuela: ex-ministros pedem renúncia de Chávez



01 de Fevereiro de 2010

CARACAS (AFP) - Vários ex-ministros do presidente venezuelano Hugo Chávez pediram sua renúncia considendo que, após 11 anos no cargo, Chávez "não tem legitimidade nem capacidade de governar", segundo um comunicado publicado nesta segunda-feira pela imprensa local.

"Presidente Chávez, nós que fizemos da defesa da Constituição nossa luta (...) para evitar maiores males e desgraças ao país, como estão ocorrendo, exigimos formalmente sua renúncia", pede o documento, assinado pelo grupo Polo Constitucional.

Entre as assinaturas estão a do ex-ministro de Relações Exteriores, Luis Alfonso Dávila, do ex-ministro de Defesa, Raúl Isaías Baduel, de um dos principais redatores da Constituição, Herman Escarrá e dos ex-comandantes que acompanharam Chávez na tentativa de golpe de Estado em 1992, Yoel Acosta e Jesús Urdaneta, entre outros.

Segundo o texto, o presidente deve deixar o poder devido a "seu projeto absolutista e totalitário", "pela falta de prestação de contas", "pela linguagem imprópria" empregada que "despe sua alma intolerante, mesquinha, cheia de ódio e de ressentimento".

Os responsáveis pela carta dizem que a Venezuela vive com falta de água, energia elétrica, sofre com altos índices de insegurança e com uma "escandalosa corrupção", que "agregam elementos para a desqualificação de Chávez como governante".

O Polo Constitucional reivindica ainda o direito dos venezuelanos "à propriedade privada", à "educação plural" e ao "pluralismo político" e critica que o Exército e outras instituições estejam "distorcidas pela penetração de elementos estranhos", em uma clara alusão a Cuba.

Além disso, considera que o atual Executivo peca por uma "centralização irresponsável que coloca seus caprichos na frente das necessidades do Estado".

Nesses dias, Chávez insistiu em que as manifestações registradas na Venezuela contra ele pretendem desestabilizar seu governo e têm "o mesmo formato" que o golpe de Estado de abril de 2002, quando foi retirado do poder durante dois dias.

"Há grupos que estão chamando os militares ativos, incitando-os (à rebelião). Recomendo que não o façam porque juro que minha resposta será forte", advertiu Chávez. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Charges...

 

  

  

DILMA SÓ VENCE NO NORDESTE

Vocês podem ter acesso ao relatório completo da pesquisa CNT/Sensus. Quando se observa aq distribuição dos votos, constata-se que, segundo essa pesquisa ao menos, Serra bate Dilma em todas as regiões do país, exceto no Nordeste. No Sudeste, a diferença é grande.

Veja os números no cenário mais provável:

Candidato
Norte/CO
Nordeste
Sudeste
Sul
Serra
43,4%
34,6%
40,7%
49,5%
Dilma
25,5%
40,2%
23,4%
27,7%
Marina
11,6%
06,1%
11,2%
08,6%
Bco/nulo
07,9%
07,5%
14,3%
14,1%
NS/NR
11,6%
11,6%
10,4%
04,1%
Exceção feita ao Nordeste, Dilma não vai bem em todas as regiões.

O Sudeste é especialmente complicado porque é a região com o maior número de eleitores.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Com cara de fim de feira

O PAC é a maior das mentiras de Dilma ─ e a maior das tapeações de Lula.

Terminado o primeiro mandato, o presidente Lula inaugurou a reconstrução do Brasil Antigo ─ retoques, adereços embelezadores e demais complementos seriam providenciados até dezembro de 2010.
No meio do segundo, inaugurou a exploração do pré-sal e declarou inaugurado o Brasil do Futuro.

Só ficou faltando a transposição das águas do Rio São Francisco, problema liquidado no ano passado: durante a visita a canteiros de obras imaginários, o cara inaugurou a ideia de deixar para os próximos presidentes o cumprimento da promessa de D. Pedro II.
Tudo resolvido, avisou que no último ano da Era Lula o Brasil voaria nas asas do PAC rumo ao clube das potências.

É verdade que dois terços das obras (federais, estaduais e municipais) prometidas em 2007 nunca saíram do papel.

Também é verdade que o dinheiro supostamente liberado nunca chega ao destino. Mas a campanha eleitoral começou, e agora as coisas andariam.

Embora o país continue o mesmo, é compreensível que milhões de brasileiros tenham virado o ano à espera do mais espetacular cortejo de inaugurações desde 1500.

Continuam esperando, avisa o balanço de janeiro ─ reduzido a 15 dias porque nos restantes Lula e o isopor estavam na praia.
O mês começou com a inauguração da pedra fundamental de uma refinaria da Petrobras no Maranhão. Pedras fundamentais sempre foram lançadas, nunca inauguradas ─ e sem tambores nem clarins.

Inaugurar pedra fundamental é como inaugurar planta de prédio. Neste janeiro, o governo institucionalizou a inauguração do nada.

O mês que começou bisonho não vai terminar melhor. Na segunda-feira, a comitiva presidencial passou por por São Paulo e inaugurou outro PAC, seguiu para o Rio e inaugurou uma creche.

Coisa rotineira em qualquer lugarejo, inauguração de creche dura menos de meia hora, tempo suficiente para o descerramento da placa, meia dúzia de palavras do prefeito e o agradecimento de um o parente do homenageado.
Nesta semana, pela primeira vez a inauguração de uma creche foi estrelada pelo presidente da República e transformada pelos oradores em marca de estadista.

O prefeito Eduardo Paes decidiu no meio do falatório que Sérgio Cabral é o maior governador da história do Rio. Cabral decidiu que Mãe do PAC é pouco, e promoveu Dilma Rousseff a Rainha do PAC.

Os três repetiram que nunca houve um presidente como Lula, que achou os elogios muito merecidos e prometeu voltar assim que pudesse.
Para inaugurar uma creche, para inaugurar uma pedra fundamental ou para inaugurar o lançamento de outro PAC. Só em janeiro lançou o da Copa, o da Olimpíada e, há dias, o PAC das Enchentes.

Generoso, quer permitir que o prefeito Gilberto Kassab faça em São Paulo o que o governo federal não faz no resto do Brasil, sobretudo em Santa Catarina.

O que há com Lula que anda prometendo agora um PAC 2 sem conseguir inaugurar nada comparável à grandeza do maior dos governantes desde Tomé de Sousa?
Não é possível que todas as hidrelétricas do PAC tenham sido paralisadas por bagres sabotadores do Rio Madeira.

Nem que todas as rodovias em construção no papelório na bolsa de Dilma Rousseff estejam sob o domínio das pererecas terroristas do Rio Grande do Sul.

Alguma obra de bom tamanho deve estar pronta para o comício de praxe. Vale qualquer hospital que tenha escapado da lupa do Tribunal de Contas. Vale até cadeia de segurança máxima prometida em 2003.

As festas de inauguração de miudezas e fantasias vão engrossando a suspeita de que o PAC é a maior das mentiras de Dilma ─ e a maior das tapeações de Lula. Este começam a deixar este fim de governo com cara de fim de feira.
27 de janeiro de 2010

Como montar uma pesquisa fajuta para desempacar a Dilma.

Na pesquisa da Vox do Lula, o segundo turno já está decidido.
É ou não é uma piada fazer uma pesquisa com quatro candidatos e medir apenas um cenário?

Dá para entender a demora da Band para publicar a pesquisa da Vox Populi que a imprensa nacional simplesmente desconheceu. Deve ser vergonha na cara. Um resto que ainda resta. No site do Tribunal Superior Eleitoral está o registro da pesquisa. Uma amostra realizada em 122 municípios e aí está o escândalo. Os municípios foram escolhidos a dedo, meticulosamente, dentro de redutos eleitorais de partidos da base eleitoral de Lula.

Atenção! Denúncia 1!
Dos 122 municípios que compõem a amostra da Vox Populi, apenas 27 têm prefeituras oposicionistas, do PSDB, DEM ou PPS. Apenas 22%. A oposição elegeu 27% dos prefeitos, quase 25% mais!

Atenção! Denúncia 2!
Em 45 municípios, ou 37%, além das prefeituras serem governistas, não houve um só candidato da oposição. Em um terço da amostra não houve oposição nas últimas eleições municipais. Atenção!

Denúncia 3!
As cidades escolhidas pela Vox Populi que têm prefeitos oposicionistas tiveram férrea disputa eleitoral ou são pequenas e inexpressivas cidades. É uma vergonha estatística.

Observem, por exemplo, a amostra do Rio de Janeiro, onde a Vox Populi conseguiu que Dilma Rousseff ultrapassasse José Serra.


As cidades escolhidas foram Campos (PMDB), Nilópolis (PP, sem oposição em 2008), Niterói (PDT), Nova Iguaçú (PT, sem oposição nas eleições de 2008), Paraíba do Sul (PMDB), Rio de Janeiro (PMDB), São João do Meriti (PR, sem oposição em 2008) e, finalmente, um município oposicionista: Resende, onde o DEM venceu uma eleição dificílima, com placar embolado. Não há município governado por tucano na amostra da pesquisa e não surpreende que Dilma esteja à frente.

No Rio Grande do Sul,
dos oito municípios, apenas um é governado pelo PSDB e em três deles não houve candidato a prefeito fora da base do governo. Seria necessário fazer um cruzamento, agora, com as obras do PAC e com aquele programa de Lula, denominado Territórios da Cidadania.

Em São Paulo, a manipulação é flagrante.
A amostra tem cinco municípios, totalizando 573 mil eleitores, que são dirigidos por tucanos. Já o número de eleitores em três municípios petistas da amostra é de 1 milhão e 400 mil eleitores, incluindo Guarulhos e São Bernardo do Campo. Existem outros indícios de falcatrua das grossas.

Em Santa Catarina, montaram uma amostra de cinco municípios, apenas um tucano, onde a eleição foi acirradíssima. Em três municípios não houve oposição aos partidos da base de Lula em 2008. E o mais escandaloso: trocaram a capital Florianópolis por São José, do PSB, onde a filha do Lula é secretária de Ação Social e está entupindo a cidade de verbas federais.

O Coturno Noturno fez a sua parte. Que os comentaristas e oposicionistas façam a sua.
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Não dá para deixar de comentar a Bahia. A amostra é imensa e tiram dali a representatividade do Nordeste. Por acaso, são 13 cidades no estado do Jaques Wagner. Em 9 delas não houve candidato de oposição em 2008. Sabem quantos municípios governados pelo DEM na amostra? Nenhum! Isto na terra do ACM! O mais engraçado é que escolheram um município, cujo nome é Boa Nova, onde o nome do prefeito é Toinho da Dilma. Nada mais simbólico para emoldurar esta pesquisa da Vox Populi.
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E o que dizer do Ceará? Naquele estado, o PSDB fez 30% das prefeituras. Sabe quantas cidades tucanas estão na amostra da Vox Populi? Zero! Das 5 cidades, 2 são do PT e 1 do PCdoB. Melhor do que isso, só patinha de caranguejo.
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Em Minas Gerais, então, a Vox Populi chutou o balde.
São 13 municípios na amostra, sendo que apenas dois são do DEM. Sabem quantos eleitores os municípios demos de Antonio Dias e Antônio Prado de Minas têm? Menos de 10 mil! Sabem quantos municípios não tiveram concorrência do PSDB, DEM e PPS em 2008, na amostra mineira? Cinco! E sabe quantos municípios governados pelo PSDB do governador Aécio Neves estão na amostra? Nenhum! Aliás, um! Juiz de Fora, com 370 mil eleitores, onde o PSDB elegeu o prefeito com 51% contra 48% do PT.
Melhor que isso só uma vaca desatolada!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Obama tenta recuperar a sintonia com a opinião pública e promete criar empregos. Sobre conquistas, ele não tinha muito que falar

Muita pompa, pouca substância
Em seu balanço anual, Obama tenta recuperar a sintonia com
a opinião pública e promete criar empregos. Sobre conquistas,
ele não tinha muito que falar

Diogo Schelp
Tim Sloan/Reuters
SURPRESA, SURPRESA
Obama em seu discurso no Congresso:
"O que frustra o povo americano é que em Washington
todo dia é dia de eleição"

Notável por sua capacidade oratória, o presidente americano Barack Obama falou bonito, como sempre, em seu discurso sobre o Estado da União, na semana passada.

Em matéria de substância, foi uma espécie de discurso bufê: um prato cheio de conteúdos diferentes.

Para a plateia mais à esquerda, prometeu levar adiante a reforma do sistema de saúde e acenou com mudanças na política de não permitir o homossexualismo publicamente assumido nas Forças Armadas.

Para a direita, falou em congelamento de gastos.

Para todos, focou na preocupação número 1 dos americanos: empregos, empregos e mais empregos. Agradar a todo mundo é, obviamente, impossível.

Mas o déficit de realizações de Obama está virando um problema sério. No Estado da União, que marca o início de um novo ano legislativo, o presidente americano é recebido no Congresso pelos parlamentares, membros do gabinete e juízes da Suprema Corte, em uma cerimônia pomposa em que todos pulam da cadeira em excessiva quantidade de vezes para celebrar o ri-tual democrático e aplaudir o grande chefe.

No discurso, espera-se que o presidente faça um balanço do mandato e aponte as políticas a ser adotadas dali para a frente. O da semana passada marcou um ano de gestão Obama.

Nesse período, ele fez uma espécie de manobra Lula em proporções gigantescas – não mexeu no fundamental, a defesa e o pacote para enfrentar a crise econômica, mantidos essencialmente como eram no governo Bush – e apostou no social.

Promoveu incansavelmente a criação do sistema universal de saúde e usou centenas de bilhões de dólares dos contribuintes para reenergizar a economia.

Houve sinais positivos, dos quais o mais animador foi o resultado do último trimestre de 2009, com crescimento econômico de 5,7%.

Mas os especialistas se indagavam se o crescimento seria sustentável (ah, quando falavam essas coisas do Brasil...) e os não especialistas só tinham uma pergunta: cadê os empregos?  Aqui.

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União para o crime - MST e PT


União para o crime
Bens da Cutrale encontrados em assentamentos do MST levam a polícia a indiciar sete integrantes do bando por furto, formação de quadrilha, porte ilegal de arma e invasão de propriedade
Por Vinícius Segalla
e Fernando Cavalcanti
Gatunos: Parte do material encontrado com os sem-terra:
o rifle é de uso exclusivo das Forças Armadas

O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) chocou o país entre setembro e outubro do ano passado ao destruir 12 000 laranjeiras de uma das fazendas da Cutrale, na região de Bauru, no interior paulista.

Na semana passada, a polícia do estado começou a punir os sem-terra que vandalizaram a propriedade da líder mundial na produção de suco de laranja e uma das maiores exportadoras brasileiras.

A Justiça emitiu vinte ordens de prisão contra os maus elementos que compõem a cabeça do bando local. Ao cumprir os mandados em um assentamento do MST, a polícia encontrou um vídeo estarrecedor na casa do chefão Miguel Serpa. Gravado momentos antes da invasão, ele mostra Serpa incitando seus comparsas.



"Viemos aqui para, no mínimo, dar prejuízo", disse ele. Em outro vídeo, a mulher de Serpa, a vereadora petista Rose MST, e o ex-prefeito da cidade de Iaras, Edilson Xavier, também do PT, dizem aos militantes sem-terra o que eles devem fazer para devastar as lavouras e danificar equipamentos.

Serpa já respondia a uma ação civil pública por desvio de recursos obtidos com a venda de madeira do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Calcula-se que a operação tenha lesado os cofres públicos em 4 milhões de reais. Ele, sua mulher e o ex-prefeito estão entre os presos.

Luis Cardoso/Ag. Bom Dia/AE
Na cadeia
O ex-prefeito de Iaras Edilson Xavier, do PT, ensinou os sem-terra a vandalizar a fazenda  da Cutrale. Tudo foi registrado num vídeo

No mesmo assentamento, a polícia paulista deparou com toneladas de adubo, defensivos agrícolas, combustíveis, além de ferramentas, máquinas, motores e mudas de laranjeira – tudo roubado da fazenda da Cutrale.

Parte desse material, identificada com números de série, foi facilmente reconhecida por funcionários da empresa.

Nas casas dos sem-terra foram recuperados até bens pessoais dos empregados da fazenda, como computadores.

"Há evidências de que um dos objetivos da invasão era o furto",
relata o responsável pela investigação, o delegado Benedito Valencise, um dos mais experientes do estado de São Paulo.

Os sem-terra escondiam ainda dois revólveres, quatro espingardas e munição.

Uma das espingardas, uma Winchester calibre 44, é de uso exclusivo das Forças Armadas.

O resultado das buscas levou a polícia a indiciar os presos por formação de quadrilha, furto, porte ilegal de arma e invasão de propriedade privada.

O delegado Valencise agora procura outros bens que desapareceram da fazenda, como eletrodomésticos, móveis e roupas que pertenciam aos empregados da Cutrale.


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Charges...




Dá até medo...

A foto original do Eduardo Knapp, sobre a qual desenhei a Dilma e o Temer desta charge, é carregada de uma simbologia sinistra que me dá até medo.


Bandoleiro de Caracas


Según el Presidente Chávez el pajarito de Twitter es una amenaza para la revolución, por eso lo amenaza.

Entrevista com Karl Marx

Entrevista com Karl Marx
 
POR MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

Finalmente ele aceitou meu convite para uma entrevista. Eu mal podia acreditar. Estaria frente a frente com o homem que teve o mérito de desvendar aspectos novos da sociedade, apesar da inexatidão científica de suas profecias ou da dose de utopia e de messianismo contidos em sua obra.

Mas seja lá como for, o monumental pensamento de Karl Marx havia povoado minha juventude com sonhos revolucionários de um romantismo inigualável, e não há dúvida que, ao explicar as mudanças através do conflito entre classes, ele muito contribuiu para a compreensão sociológica dos processos sociais.

Assim sendo, meu coração batia de ansiedade enquanto me dirigia para o lugar do encontro.
 
Ele determinara que o local seria num dos mais belos shoppings centers de São Paulo, o Higienópolis, verdadeiro templo do consumo desvairado.

Como desobedecer-lhe? 

Para completar tamanha excentricidade,  exigira ser entrevistado enquanto tomássemos lanche no McDonald’s, o que estranhei bastante.

Aliás, fiquei imaginando o que diria se nos visse o filósofo e baderneiro francês José Bové, produtor de queijos de cabra que estudou em Harvard, e que nas horas vagas faz protestos contra os Estados Unidos, homem cuja birra aos lanches do McDonald’s acabou por conduzi-lo ao estrelato, especialmente no recente encontro anti-Davos, palco petista de Porto Alegre onde, ao que parece, foram proibidos hambúrgueres e servido todo dia um prato de salada russa.

Não apurei se o cardápio continha ou não produtos transgênicos.
Pois é, se Marx queria ir ao símbolo diabólico da globalização, quem era eu para contrariar sua vontade. 

Então, na hora  aprazada, postei-me na entrada da maldita lanchonete em meio a uma democrática e pequena multidão de anônimos comilões de sanduíches, formada por jovens da periferia e de pessoas da classe média que se distinguem ainda, como se sabe, pelo terrível vício de ingerir coca-cola, outro endemoninhado produto que mantém a pobreza mundial açucarada e alienada  aos apelos gastronômicos do imperialismo.
Depois de quarenta minutos de atraso que me angustiaram por uma eternidade, ele surgiu como o russo Anienkof o descrevera no passado.

Sua cabeça parecia a de um leão de basta cabeleira grisalha, as mãos cobertas de pelos, as maneiras desajeitadas, todavia orgulhosas, arrogantes e autoritárias, que sem dúvida ficaram como legado para muitos dos seus seguidores.

Todo esse aspecto conferia com o que eu esperava ver, menos o traje.

Em vez da roupa desalinhada e preta, Marx vestia uma camiseta branca “dry fit” e ostentava calça jeans de griffe.

Nos pés, botas, à moda Bush e Fox.
No que chegou me ordenou com sua voz metálica e vibrante, feita para emitir juízos radicais sobre os homens e as coisas, para pronunciar palavras imperativas:

“A senhora me pega um big mac com fritas e uma coca de 500 ml que na seca não vou falar nada”

Obediente fui até a fila adquirir o lanche, enquanto o majestoso Karl Marx se aboletava numa mesinha da praça de alimentação, acomodando suas sacolas de compras na cadeira vaga.

Tudo nos conformes, eu com meu queijo quarteirão e meu guaraná bem brasileiro, desferi a primeira pergunta com voz trêmula:
ML: Aonde e em que ano o senhor nasceu?

Marx: Em Tréves, em 1818.
ML: Gostaria de falar sobre seus pais?
Marx: Preferia não falar. Meu pai era um advogado judeu convertido ao luteranismo, que queria que eu seguisse a carreira jurídica para a qual não tinha vocação. Ele implicava com meu gosto pela poesia. Dizia que não queria me ver transformado num poetinha qualquer.

Minha mãe vivia me dizendo que em vez de ficar escrevendo o Capital eu devia conseguir algum para mim. Ambos me aborreciam com seus sermões sobre minha vida boêmia em Bonn, quando eu, ainda jovem, gastava um dinheirão e tomava pileques homéricos. Achava-os muito burgueses. Hoje entendo que as mães têm sempre razão.
ML: O senhor teve um grande amigo, Engels.
Marx: De fato, Engels muito me ajudou. Fez vários artigos que eu assinava quando escrevia no New York Daily Tribune, escreveu obras comigo, me auxiliou financeiramente inúmeras vezes. Um amigão sem o qual teria morrido de fome com  minha família, e que andei depois escorraçando, mas no final nos entendemos apesar dele ter ficado muito magoado. 
ML: E sua esposa?
Marx: Chamava-se Jenny von Westphalen e era de família nobre. Uma santa. Suportou nossa vida miserável, porque eu não trabalhava, sem se queixar. Dois dos nossos filhos e uma filha morreram porque eu não tinha recursos para tratá-los, e a Jenny agüentou firme.
ML: Mas esse devotamento de Jenny não o impediu de ter uma filha com a governanta Helena.
Marx: Prefiro não falar sobre o assunto.

ML: Então me fale sobre suas idéias. Resuma seu pensamento sobre religião.
Marx: a religião é o ópio do povo e eu sou ateu.
ML: O senhor dizia que a colonização dos países do Terceiro Mundo era a condição fundamental para a criação do capitalismo de onde sairia um proletariado revolucionário, continua achando isso?
Marx: Como sabe a professora, a teoria na prática é outra. Assim, deu tudo errado. Previ o capitalismo plenamente desenvolvido para a Alemanha e a Inglaterra, o socialismo saiu na Rússia e aí, danou-se. Quanto ao capitalismo dos “boas vidas” é um arremedo, seu projeto de socialismo possui teor medieval, não têm propostas concretas e suas revoluções só servem para que tiranetes se locupletem no poder.

Estou desencantado.

Para culminar, o capitalismo vive superando suas crises e tornou-se algo diferente daquele do meu tempo.  Chamam a isso de neoliberalismo.

Vejo marxistas triviais, repetindo palavras de ordem. Eles não conhecem minhas obras e assim sua ideologia é indigente. Aliás, sempre disse para Engels que eu não sou marxista.

Para piorar, os chamados marxistas são intelectuais burgueses, que aqui em São Paulo comem no Fazano. Já o proletariado não quer saber de mim, mas de melhorar de vida, como aliás aconteceu.
ML: O senhor é contra a globalização?
Marx: Como poderia ser se escrevi no final do “Manifesto do Partido Comunista : “Proletários de todo o mundo, uni-vos”?
ML: Bem, agradecendo a honra desta entrevista, gostaria que deixasse suas palavras finais para a esquerda global.
Marx: Jamais a ignorância serviu a alguém.

E me diga a senhora, aqui servem cerveja Kaiser?


Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, escritora e professora universitária.

'A Genealogia da Moral' - Friedrich Nietzsche

A Auto-Destruição da Justiça

À medida que aumenta o poderio de uma sociedade, assim esta dá menos importância às faltas dos seus membros, porque já lhes não parecem perigosas nem subversivas; o malfeitor já não está reduzido ao estado de guerra, não pode nele cevar-se a cólera geral; mais ainda: defendem-no contra essa cólera.

O aplacar a cólera dos prejudicados, o localizar o caso para evitar distúrbios, e procurar equivalências para harmonizar tudo (compositio) e principalmente o considerar toda a infração como expiável e isolar portanto o ulterior desenvolvimento do direito penal.

À medida, pois, que aumenta numa sociedade o poder e a consciência individual, vai-se suavizando o direito penal, e, pelo contrário, enquanto se manifesta uma fraqueza ou um grande perigo, reaparecem a seguir os mais rigorosos castigos.

Isto é, o credor humanizou-se conforme se foi enriquecendo; como que no fim, a sua riqueza mede-se pelo número de prejuízos que pode suportar.

E até se concebe uma sociedade com tal consciência do seu poderio, que se permite o luxo de deixar impunes os que a ofendem.

«Que me importam a mim esses parasitas?

Que vivam e que prosperem; eu sou forte bastante para me inquietar por causa deles...»

A justiça, pois, que começou a dizer: «tudo pode ser pago e deve ser pago» é a mesma que, por fim, fecha os olhos e não cobra as suas dívidas e se destrói a si mesma como todas as coisas boas deste mundo.

Esta autodestruição da justiça, chama-se graça e é privilégio dos mais poderosos, dos que estão para além da justiça.

Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral'

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

CUT converte o Fórum Social em fórum sócio-figadal

“Barrar a volta do neoliberalismo” no Brasil.

Reunidos no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, representantes dos autodenominados movimentos sociais fizeram uma assembléia em Porto Alegre.

Lançaram um calendário de mobilização eleitoral. Agendaram reunião para 31 de maio. E adotaram um lema:

“Barrar a volta do neoliberalismo” no Brasil.

Leia-se: levantar barricadas para deter o presidenciável oposicionista José Serra (PSDB).

A coisa toda foi conduzida pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), braço sindical do PT.

A fila de oradores estava apinhada de gente do PCdoB, sócio minoritário do consórcio governista que dá suporte congressual a Lula.

Aprovou-se por aclamação um documento de conteúdo curioso.
Chama de tentativa de golpe a mobilização da oposição contra o governo em 2005.

Foi o ano do mensalão. Para o observador comum, um escândalo.

Para os movimentos sociais, mera tentativa de golpe.

Coisa equiparável, anota o documento aprovado nesta sexta, ao que se passou na Venezuela de 2002 e na Honduras de 2009.

O texto não diz, mas decerto a “sóciotontos” de Porto Alegre devem incluir no rol dos golpistas o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza.

É ele o signatário da denúncia que, recebida pelo STF, levou ao banco de réus os 40 da “quadrilha” mensaleira.

Indagado acerca da instrumentalização política do Fórum Social, o companheiro Antônio Carlos Spis, da Federação Única dos Petroleiros, deu de ombros:
“Acho que temos que ter lado”. Que lado? “Estamos do lado do trabalhador, do movimento social, dos estudantes”.

A turma está fechada com a candidatura oficial de Dilma Rousseff, mas Spis simula distanciamento: “Não estamos preocupados com candidatura”.

Como assim? “Estamos preocupados com o possível avanço do neoliberalismo nessas eleições".

Disse que os movimentos sociais vão sugerir um "projeto nacional e popular" que nenhum candidato deve encampar.
"Duvido que qualquer candidato aceite nossa pauta. O primeiro ponto é o seguinte: implementação da reforma agrária já...”

“...Queremos democratizar os meios de comunicação, quebrar a espinha dorsal da Globo, da Bandeirantes, do SBT. Essas coisas não vão acontecer. O pessoal tem receio".

Curioso que, governados pelo fígado e hipnotizados por abobrinhas ideológicas, os movimentos sociais não queiram se ocupar das coisas que, por sensatas e realistas, ainda podem acontecer.