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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Tesoureiro do PT operava propina da Petrobras, diz Costa


A divisão do dinheiro arrecadado nas diretorias da Petrobras era repassada ao PT, PMDB e PP. O PT, no entanto, sempre levava mais


Rodrigo Rangel e Hugo Marques, de Brasília
Veja.com

CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014
(Ueslei Marcelino/Reuters)


No depoimento que prestou nesta quarta-feira à Justiça, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deu o nome dos operadores dos partidos que recebiam e administravam o dinheiro desviado da estatal. Ele afirma que a propina do PT era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que tratava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. O operador da propina que cabia ao PMDB era o lobista Fernando Soares, também conhecido como Fernando Baiano. “Dentro do PT a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele. Do PMDB, da Diretoria Internacional (comandada por Nestor Cerveró), o nome que fazia essa articulação toda chama Fernando Soares.”


O esquema operando em 2014 - A pedido do Ministério Público, Paulo Roberto deu explicações sobre uma planilha apreendida pela Polícia Federal em que aparecia uma lista de empreiteiras que, por meio dele, ajudariam nas eleições. Ele diz que a planilha se referia, especificamente, a empresas que poderiam fazer doações para a campanha de um candidato ao governo do Rio de Janeiro nas eleições deste ano. O nome do candidato não foi citado.


“Teve um candidato ao governo do Rio de Janeiro que me procurou, eu já tinha saído da Petrobras. Foi no início de 2014 e o objetivo era que eu preparasse pra ele um programa de governo na área de energia e infraestrutura de um modo geral. Participei de umas três reuniões com esse candidato e foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir com a campanha que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura de modo geral. Listou uma série de empresas. Algumas que eu tinha contato e outras, não. Hope RH não conheço. Mendes Júnior conheço, UTC conheço, Constran nunca tive contato, Engevix conheço, IESA conheço e Toyo Setal conheço. Foi solicitado que houvesse a possibilidade de essas empresas participarem da campanha (...) Era uma candidatura para o Rio de Janeiro.”


Transpetro - O ex-diretor afirma que o esquema também funcionava em pelo menos uma das subsidiárias da Petrobras, a Transpetro, cujo presidente, Sergio Machado, é indicado do PMDB. Paulo Roberto diz ter recebido das mãos do próprio Sergio Machado 500 mil reais, a título de propina pela contratação de navios – ele diz que recebeu porque se tratava de um negócio que precisava também do aval de sua diretoria. Sergio Machado presidente a Transpetro até hoje. “A Transpetro tem alguns casos de repasse para políticos (...) Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi, se eu não me engano, 500.000 reais. (Quem pagou) foi o presidente da Transpetro, Sergio Machado (...) Foi devido à contratação de alguns navios e essa contratação depois tinha que passar pela Diretoria de Abastecimento (...) Esse valor me foi entregue diretamente por ele (Sérgio Machado) no apartamento dele, no Rio de Janeiro.”


Rateio da propina - Costa também afirmou que a maior parte da propina cobrada na Diretoria de Abastecimento era dividida entre o PP e o PT. Ela afirma que dos 3% pagos pelas grandes empreiteiras por contratos fechadas com a Diretoria de Abastecimento, 1% ia para o PP e 2% iam para o PT. O ex-diretor revelou que a parcela que cabia ao caixa petista era administrada pela Diretoria de Serviços, encarregada de organizar as principais licitações da Petrobras, e comandada por Renato Duque, indicado do PT, que tinha como padrinho o mensaleiro José Dirceu.


“Dos contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender o PT através da diretoria de serviço. Outras diretorias, como Gás e Energia e como Exploração e Produção, também eram (do) PT. Então se tinha PT na Exploração e Produção, PT na Diretoria de Gás e Energia e PT na área de Serviços. O comentário que pautava lá dentro da companhia é que nesse caso os 3% ficavam diretamente para o PT. O que rezava dentro da companhia é que esse valor seria integral para o PT. A Diretoria Internacional tinha indicação do PMDB. Então tinha recursos que eram repassados para o PMDB na diretoria Internacional.”


Cartel de empreiteiras - O ex-diretor informou ainda que a organização criminosa que operava na estatal era muito mais sofisticada do que parecia. Segundo ele, havia um cartel de grandes empreiteiras que escolhia as obras, decidia quem as executaria e fixava os preços. Era como se a companhia tivesse uma administração paraestatal.


Costa listou oito empreiteiras envolvidas no cartel: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Iesa, Engevix, Mendes Junior e UTC – e os nomes de seus interlocutores em cada uma delas. As empreiteiras superfaturavam os custos e repassavam até 3% do valor dos contratos para os “agentes políticos”. No caso da diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa,o dinheiro desviado era dividido entre o PT, o PMDB e o PP. “Na realidade o que acontecia dentro da Petrobras, principalmente a partir de 2006 para frente, era um processo de cartelização", afirmou.


“Ficou claro para mim esse, entre aspas, acordo prévio entre as companhias em relação às obras. Existia claramente e isso me foi dito pelas empresas que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Por exemplo, usina hidrelétrica de tal lugar, neste momento qual empresa está mais disponível para fazer? E essa cartelização obviamente resulta num delta preço (diferença de preço) excedente", prosseguiu. “Na área de petróleo e gás, essas empresas, normalmente, entre os custos indiretos e seu lucro, o chamado BDI, elas normalmente colocam algo entre 10 e 20%. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era 15%? Então se colocava em média 3% a mais. E esses 3% eram alocados para agentes políticos. Em média, 3% de ajuste político.”


Esquema financiou 'várias' campanhas em 2010 - Segundo Paulo Roberto, as “empresas do cartel” tinham pleno conhecimento de que a propina servia para abastecer políticos e campanhas eleitorais. O ex-diretor da Petrobras afirmou que, nas eleições de 2010, o esquema financiou “várias” campanhas. Por impedimento legal, o ex-diretor não pode revelar quais.


A propina do PP - Indicado pelo PP para a diretoria de Abastecimento, Paulo Roberto ficou milionário. Em apenas uma de suas contas no exterior foram encontrados 26 milhões de dólares. Ele e o doleiro Alberto Youssef ficavam com um pedaço da cota de propina destina ao partido. “Do 1% que era para o PP, em média, obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais um pouco menos, 60% iam para o partido, 20% era para despesas, nota fiscal, envio, etc., e os 20% restantes eram repassados 70% pra mim e 30% para Janene ou Alberto Youssef (...)

Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa ou no shopping, ou no escritório depois que eu abri a companhia minha de consultoria (...)

Normalmente (quem entregava era) ou Alberto Youssef ou Janene.”


09.10.2014


Reynaldo-BH: O PT está desesperado por ter percebido como será o segundo turno






Nunca se viu tamanho desespero como o que demonstrado neste segundo turno por parte do PT.


REYNALDO ROCHA


Para além das notícias diárias do desastre a que estamos submetidos – previsões de crescimento pífio, saída de capitais e ânimo dos investidores quando se configura a derrota de Dilma – outras surgem.

A delação de Paulinho de Lula nominando o PT como beneficiário dos desvios da Petrobras, citando José Eduardo Dutra, aliados do mesmo naipe (como PMDB e PP) e dinheiro vivo dos assessores de campanha de Fernando Pimentel num avião de uma empresa de capital social de R$ 2.000,00 ─ nada disso é novidade.

É a prática do PT.

Só agora Lula e afilhados (postes e oportunistas) perceberam que o efeito teflon chegou ao fim. As denúncias passaram a ser ouvidas e analisadas por todos. A cantilena do “não sabia” desapareceu. Continua existindo no discurso oficial.

A perda de apoio de TODOS os partidos (incluído o PSOL, que subiu no muro!) envolvidos na disputa do primeiro turno fez o PT descobrir que o feudo que montou precisa ser irrigado com dinheiro de mensalões e petrolões. Some-se a isto o apoio de parte do PMDB (Jarbas Vasconcelos à frente) e de campeões de votos como Pedro Taques (PDT) e Paulo Hartung (PMDB).

A manada que antes trotava junta está agora, já, procurando culpados. O líder maior já está em campanha. Lula tomou uma surra de rabo de tatu! E diz que a culpa é dos “cumpanheiros” que recebem sem trabalhar e mesmo assim não conseguiram sucesso em Pernambuco, no Rio e, principalmente, em São Paulo. O que aconteceu em Minas é reversível. E já na primeira semana depois da eleição do parceiro de Newton Cardoso soubemos do dinheiro vivo (remember Roseana Sarney) em aviões de personagens ligados à seita.

Pouco me importam pesquisas. Aprendi. Mesmo que Aécio apareça com 110%. Falo do que vejo e ouço nas redes sociais, nas ruas, no trabalho, nas esquinas e de gente desiludida com o “lado de lá”, como sempre quis o PT nesta divisão odiosa do Brasil entre “nós e eles”.

Teremos ao menos três debates. Dilma insistirá no discurso da mentira, atribuindo a Aécio o que nunca afirmou. Mas agora sem qualquer credibilidade. sem convencer os que até recentemente pareciam acreditar no que nós sempre ignoramos.

Dilma terá de defender o desastre e assegurar que a MUDANÇA exigida só poderá ocorrer pela continuidade. Missão impossível. Contar com Lula é expor-se a outras surras históricas.

Aécio já demonstrou que sabe o que fazer e como fazer. Nas redes sociais, lê-se o que denunciamos. E ri-se do que eles dizem.

O desespero é o prenúncio da derrota?

Não.

É a certeza dela.

09/10/2014




quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Depoimento de Paulo Roberto atinge o coração do PT e a campanha de Dilma em 2010. Ou: A depender das urnas, titular do próximo quadriênio não chega ao fim


Por Reinaldo Azevedo

O PT está numa enrascada. O pior é que, a depender do resultado das urnas, o Brasil também. Vamos ver, como diria o poeta Horácio — na bela ode em que homenageia a sua Leuconoe — , que destino os deuses nos reservam. Conforme for, a pessoa que encabeçar o próximo quadriênio não chegará ao fim do mandato, que pode ser abreviado ou pela Justiça ou por um processo de impeachment. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, prestou seu primeiro depoimento à Justiça depois do acordo de delação premiada. Ele sabe que, caso comece a dizer sandices e invencionices, o pacto é desfeito, e ele arca não só com o peso inicial dos delitos cometidos como com sanções novas. Assim, deve-se, quando menos, prestar atenção ao que diz.

Segundo informa a Folha (ver post anterior), ele afirmou com todas as letras que o esquema corrupto que ele operava na Petrobras para políticos recebia 3% do valor líquido do contrato com a estatal. O dinheiro era dividido entre ele próprio e três partidos: PT, PMDB e PP. Segundo a PF, a quadrilha chegou a movimentar R$ 10 bilhões na estatal. Sim, dez BILHÕES! Teriam atuado no esquema Sérgio Machado, presidente da Transpetro — de quem Paulo Roberto admite ter levado uma propina de R$ 500 mil —, Nestor Cerveró, Jorge Zelada e o petista Renato Duque, todos ex-diretores da estatal.

Mas não só. José Eduardo Dutra, atual diretor Corporativo e de Serviços, também seria ligado ao grupo. Pois é… Dutra foi um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010. Pertencia ao trio que Dilma apelidou de “Os Três Porquinhos”. Os outros “porquinhos” eram José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, e Antonio Palocci, que, segundo Paulo Roberto, pediu R$ 2 milhões ao esquema em 2010 para pagar contas da campanha de Dilma.

Nestor Cerveró, um dos acusados por ele, é o homem que organizou a operação de compra da refinaria de Pasadena, que, segundo o TCU, deu um prejuízo à empresa de US$ 792 milhões. Na delação premiada, Paulo Roberto já confessou que levou propina também nessa operação. Dilma, à época, era presidente do Conselho e alegou não saber de nada. Logo depois, Cerveró deixou o cargo, mas a já presidente Dilma o nomeou para ser diretor financeiro da BR Distribuidora. Renato Duque sempre foi considerado o homem do PT na Petrobras e ocupou a poderosa Diretoria de Serviços entre 2003 e 2012. Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional, foi indicação do PMDB.

Até onde vai Paulo Roberto Costa? Insisto: ele conhece os termos de uma delação premiada. Se falsear ou se tentar induzir a Justiça a erro, em vez da liberdade possível, ficará mofando na cadeia por muitos anos. Todos têm direito de se defender e certamente o farão. O fato é que Paulo Roberto Costa está dizendo que a campanha eleitoral do PP, do PMDB e do PT — inclusive da então candidata Dilma Rousseff — foi em parte financiada com dinheiro sujo, roubado da Petrobras.

E agora? Se Paulo Roberto Costa estiver certo, a Papuda será pequena para abrigar tantos figurões.

08/10/2014

Esquema irrigou campanhas do PT, PMDB e PP, diz Ex-diretor da Petrobras


Por Márcio Cesar Carvalho e
Samantha Lima
Folha


Em seu primeiro depoimento à Justiça após ter feito um acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que o esquema de corrupção na estatal irrigou campanhas de três partidos nas eleições de 2010: PT, PMDB e PP, segundo apurou a Folha. Naquele ano, foram disputadas eleições para presidente, governadores e deputados. Deflagrada em março pela Polícia Federal, a Operação Lava Jato descobriu um esquema de desvio de dinheiro da Petrobras que envolveu Costa, doleiros e fornecedores da estatal. Segundo a PF, uma “organização criminosa” atuava dentro da empresa. O esquema teria movimentado R$ 10 bilhões.

No depoimento, ele disse que o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ligado ao PMDB, também teria participado das irregularidades. Paulo Roberto disse ter recebido R$ 500 mil do presidente da Transpetro. O ex-diretor da estatal também citou José Eduardo Dutra, atual diretor da Petrobras e ex-presidente da BR Distribuidora, como participante dos esquemas do grupo. Dutra também presidiu o PT. Segundo Paulo Roberto, três ex-diretores da Petrobras fizeram parte do esquema: Nestor Cerveró, Jorge Zelada e Renato Duque. No depoimento, ele reconheceu ter recebido dinheiro da Odebrecht, citou o nome do executivo Márcio Farias como sendo seu contato, mas não citou valores, segundo informou o advogado Haroldo Nater, que defende Leonardo Meirelles, apontado como laranja do doleiro Alberto Youssef no laboratório Labogen, usado para lavar dinheiro.

Segundo a Folha apurou, Paulo Roberto disse que a propina correspondia a 3% do valor líquidos de contratos da Petrobras, que eram divididos entre ele e partidos políticos. Afirmou também que o CNCC, consórcio Camargo Corrêa pagou propina para ganhar obras da Petrobras, segundo seu advogado, Antonio Augusto Figueiredo Basto. Basto disse que políticos lideravam o esquema, e não o doleiro Alberto Yousseff, como acusa a Polícia Federal. Costa foi levado nesta quarta-feira do Rio, onde está em prisão domiciliar, para Curitiba (PR), em um voo comercial da Azul, com escolta da Polícia Federal.

Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, diz que não pode considerar qualquer declaração despida de provas e que ainda não sabe do que se tratam as declarações de Paulo Roberto Costa. O Consórcio CNCC comunicou, por meio de nota, que não teve acesso ao depoimento e que repudia qualquer acusação de atuação irregular.A Folha não conseguiu contato com os demais citados.
(…)

Pesquisa do Instituto Paraná aponta Aécio na frente de Dilma: 54% a 46% dos votos válidos; nesta quinta, tem Ibope e Datafolha


 Pesquisa - segundo turno (Foto: Época)

Por Reinaldo Azevedo

Pois é… Segundo pesquisa do Instituto Paraná, se a eleição fosse hoje, o tucano Aécio Neves teria 49% das intenções de voto, e a petista Dilma Rousseff, 41%. Em votos válidos, o embate estaria 54% a 46%. Na pesquisa espontânea, o candidato do PSDB marca 45% contra 39% de sua oponente. O levantamento foi encomendado pela revista Época. Entre segunda e esta quarta, o instituto entrevistou 2.080 eleitores em 152 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 01065/2014.

A pesquisa avaliou também a rejeição aos candidatos. Dizem que não votariam em Dilma de jeito nenhum 42% dos entrevistados, e 32% afirmam o mesmo sobre Aécio. Não rejeitam nenhum dos dois 16% dos entrevistados. “Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem porque herdou mais votos de Marina Silva. Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão”, afirmou à revista o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas.

Nem foguetório nem cabelos arrancados
É natural que os correligionários de quem está na frente fiquem felizes e que se entristeçam os dos que estão atrás, mas é cedo tanto para o foguetório dos tucanos como para o desespero dos petistas. Se há coisa que essa eleição ensinou é que se deve ver com prudência os números dos institutos de pesquisa. Não estou duvidando de ninguém em particular nem pondo todo mundo sob suspeita. Apenas constato o óbvio: não anda assim tão fácil interpretar os sentimentos dos brasileiros

Que há um clima pró-Aécio no centro-sul do país, especialmente, nas grandes cidades, eis um dado que é da experiência. E os petistas sabem disso. Vejam o que aconteceu em São Paulo, seja no Estado, seja na capital. Pedem-se mudanças abertamente nas ruas. Tanto é assim que a própria presidente-candidata Dilma Rousseff, no primeiro discurso depois do primeiro turno, assegurou que, se reeleita, fará um novo governo, com pessoas e com ideias novas.

O horário eleitoral não começou ainda. Sua importância cresce no segundo turno, porque aí os dois candidatos disputam em igualdade de condições. A lógica indica que isso tende a ser favorável a Aécio. Afinal, na primeira etapa, com quase o triplo de tempo de Aécio, Dilma não conseguiu sair da casa dos 40%, que já eram seus antes do início da propaganda. Mais: os debates na TV também crescem de importância, sem nanicos para tomar o nosso tempo com irrelevâncias.

Novas pesquisas
Nesta quinta, Datafolha e Ibope divulgam suas respectivas pesquisas. Se o tucano aparecer na frente também nesses levantamentos, é claro que aumentará a preocupação petista. Os buchichos que correm por aí dizem que é precisamente o que vai acontecer. Se os números de agora não são necessariamente uma antecipação do que vai acontecer, é claro que eles servem para balizar estratégias de campanha. O que virá? Campanha de esclarecimento? Debate honesto? Ódio, rancor e ressentimento? Há uma boa possibilidade de o eleitor estar com o saco cheio do jogo rasteiro.
08/10/2014


 

PSB define apoio a Aécio e abre caminho para Marina


Maioria dos dirigentes do PSB aprovou o apoio à candidatura do tucano no segundo turno; Marina Silva anunciará sua decisão nesta quinta-feira
Marcela Mattos e Talita Fernandes
Veja.com

Reunião da executiva nacional do PSB, em Brasília
Reunião da Executiva Nacional do PSB, em Brasília: maioria do partido votou pelo apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência
(Sérgio Lima/Folhapress)

A Executiva Nacional do PSB definiu nesta quarta-feira o apoio ao candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, no segundo turno contra Dilma Rousseff (PT). A decisão foi tomada após mais de três horas de reunião na sede do partido, em Brasília.

A posição da cúpula do PSB abre caminho para que a ex-senadora Marina Silva também apoie o tucano. Marina anunciará sua decisão amanhã, após reunião entre os cinco partidos que integraram sua coligação – PSB, PPS, PHS, PPL, PRP – e representantes da Rede Sustentabilidade, legenda que ela tenta criar. Apesar de ter sinalizado favoravelmente ao tucano no discurso pós-urnas, Marina tem ouvido seus aliados da Rede para tentar fechar posição.

Ao fim da reunião, o vice da chapa de Marina e um dos principais articuladores da aliança com Aécio, deputado Beto Albuquerque, comemorou: “Está tudo serenado”, disse. Questionado sobre a posição da ex-senadora, foi pontual: “Ela está com a gente”.

Sem consenso, os integrantes da Executiva fizeram uma votação: 21 integrantes decidiram caminhar ao lado de Aécio Neves, enquanto seis votaram pela liberação do partido – entre eles o presidente da legenda, Roberto Amaral, historicamente alinhado ao ex-presidente Lula. Apenas o senador João Capiberibe, pai do candidato ao governo do Amapá, Camilo Capiberibe, defendeu o apoio à petista Dilma Rousseff.

A direção do PSB aceitou liberar os diretórios estaduais do Amapá e da Paraíba, onde os candidatos da sigla disputam o segundo turno e querem usar a imagem de Dilma Rousseff na campanha.

De acordo com Roberto Amaral, a aliança foi firmada ressalvadas as realidades nos estados. O candidato ao governo da Paraíba, Ricardo Coutinho, quer usar a imagem de Dilma na campanha. “Faço esse anúncio na expectativa de ver amadurecer um novo modelo de política visando o desenvolvimento e o atendimento às apirações legítimas do povo brasileiro. Essa indicação de apoio fica condicionada a uma aliança firmada sob bases programáticas, considerando a urgência de criar ambiente necessário a um novo ciclo de desenvolvimento”, disse o presidente do PSB.

A deputada Luiza Erundina deixou a reunião antes do fim para evitar um encontro com Aécio Neves, que compareceu ao PSB para sacramentar o apoio. Ela diz que não vai seguir a orientação do partido: “Não vou apoiar nem Dilma nem Aécio. Manter apoio a um desses candidatos é reforçar a polarização que nós viemos combatendo”.

Nesta quarta-feira, mais duas legendas também oficializaram a preferência pelo tucano na reta final da eleição: o PSC, do Pastor Everaldo, e o PV, de Eduardo Jorge. Ontem, o PPS adotou posição idêntica.

08.10.2014

Indicado pelo PT usa Correios para pedir votos em MT


Nilton Nascimento, diretor dos Correios em MT, enviou cartas com preço abaixo de custo e entrega relâmpago pedindo votos para Dilma e candidatos da sigla à Câmara dos Deputados

Laryssa Borges, de Brasília
Hotel
ENTREGA EXPRESSA – Nilton Nascimento, diretor dos Correios em Mato Grosso, reúne funcionários para pedir o envio relâmpago de cartas pedindo votos para Dilma e candidatos do PT (VEJA)

Na noite de terça-feira, 23 de setembro, o diretor regional dos Correios de Mato Grosso, Nilton do Nascimento, reuniu a cúpula da empresa e funcionários do setor administrativo a portas fechadas, no Hotel Mato Grosso Palace, em Cuiabá. Horas antes, o espaço havia sido reservado em nome da autarquia para que Nascimento pudesse colocar diante dos seus colegas de trabalho e subordinados o candidato ao governo pelo PT, Lúdio Cabral, e o deputado estadual que tentava novo mandato Ademir Brunetto (PT)). Os dois puderam expor livremente suas propostas e explicar como, segundo eles, os doze anos de governo Lula e Dilma Rousseff (PT) foram bons para a categoria.

Depois daquela reunião, Nilton do Nascimento, filiado PT, decidiu enviar cartas em tempo recorde para eleitores do estado pedindo votos para a dupla petista e para dois outros candidatos: o deputado federal Ságuas Morais (PT) e a presidente-candidata Dilma Rousseff.

Ságuas Moraes faz parte, em Brasília, do que chamado "baixo clero" no Congresso. Deputado de primeiro mandato, é assíduo na Câmara – mais de 95% de presença em sessões deliberativas em 2014 –, mas não tem influência política na bancada e não conseguiu aprovar nenhum projeto de lei durante seu mandato. No último domingo, Ságuas foi reeleito com mais de 97.000 votos. O candidato ao governo, Lúdio Cabral, perdeu no primeiro turno para o governador eleito Pedro Taques (PT). Ademir Brunetto não conseguiu se eleger.

Dois dias depois da reunião no hotel em Cuiabá, Nilton Nascimento disparou cartas para funcionários dos Correios pedindo voto para os quatro candidatos – Dilma Rousseff incluída. Na capital, Nascimento utilizou, sem autorização, o banco de dados dos Correios para saber onde cada funcionário atuava e pode enviar – nominalmente – os pedidos de voto. A prática configura violação do Manual de Comercialização dos Correios, que é explícito: “a postagem de impressos e malas diretas de propaganda eleitoral somente será autorizada a candidatos e partidos regularmente registrados na Justiça Eleitoral para o evento”.

Parte das cartas políticas foi entregue no dia seguinte à postagem, em alguns casos mais rápido que o próprio serviço Sedex. Em Mato Grosso, uma carta demora, em média, três dias para ser entregue para chegar ao destinatário – ou até cinco dependendo do município do interior. Mais: cada correspondência foi despachada ao custo de 0,60 centavos – preço menor do que o praticad, conforme a tabela dos Correios, que prevê 1,30 real por unidade. “Uma pessoa comum não conseguiria ter feito aquilo, enviar cartas em tempo recorde e ainda usar o cadastro de funcionários. É um privilegio postar correspondências por menos da metade do preço”, disse ao site de VEJA o presidente do sindicato da categoria, Edmar Leite.
Reprodução

Carta enviada por funcionário dos Correios pedindo votos em Dilma e candidatos do PT em Mato Grosso

Nilton do Nascimento admite ter enviado 670 cartas. Em Cuiabá e Várzea Grande, por exemplo, todos os mais de 500 carteiros receberam o pedido de votos. Em nota, Nascimento negou irregularidades, disse que pagou do próprio bolso o envio das correspondências e afirmou que os pedidos de votos ocorreram “na condição de cidadão”. “Não houve operação especial para a entrega e os objetos seguiram o fluxo postal previsto para esta modalidade de serviço”, disse.

O conjunto de ilegalidades e a suspeita de uso político da máquina federal estão sendo apurados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso após denúncia do Sindicato estadual dos Trabalhadores nas Empresas de Correios, Telégrafos e Serviços Postais.

A denúncia do sindicato é grave, mas não é a primeira vez nestas eleições que os Correios são acusados de uso eleitoral pelo PT. Em Minas Gerais, o PSDB acusa a autarquia de ter confiscado material de campanha do candidato à Presidência, Aécio Neves. O tucano contratou o serviço de mala direta postal domiciliária para a distribuição de 5.634.000 de cartas, mas nem todas as correspondências foram entregues.

08.10.2014

Operador de campanhas petistas estava em avião que transportava dinheiro vivo


Benedito de Oliveira Neto, empresário beneficiado por contratos com o governo federal e financiador do "bunker" onde o comitê da campanha de Dilma Rousseff em 2010 se misturava com um núcleo de espionagem, era um dos ocupantes do avião em que a PF apreendeu 116 000 reais na noite desta terça-feira, em Brasília


Rodrigo Rangel e Daniel Pereira
Veja.com

 
A história se repete: Benedito de Oliveira Neto, empresário envolvido no escândalo de espionagem que atingiu a campanha petista em 2010, estava em aeronave apreendida pela PF com dinheiro vivo (DEDOC/VEJA)

Um conhecido colaborador de campanhas eleitorais petistas estava a bordo do avião no qual a Polícia Federal apreendeu, na noite desta terça-feira, 116 mil reais em dinheiro vivo no aeroporto de Brasília.

A aeronave foi abordada pelos agentes federais logo após pousar, vindo de Belo Horizonte. Uma denúncia anônima levou os policiais a fazerem o flagrante.

Os três ocupantes do avião, um turboélice registrado em nome de uma empresa de participações, foram levados até a Superintendência da PF em Brasília para prestar esclarecimentos.

Entre eles estava Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, empresário de Brasília com negócios no governo federal e que ficou conhecido na campanha eleitoral de 2010 por bancar despesas do comitê eleitoral da então candidata petista Dilma Rousseff.


Bené também patrocinou um grupo que operava na clandestinidade, dentro do comitê de campanha, para produzir dossiês contra o tucano José Serra, então adversário do PT.

Na época, o coordenador da campanha de Dilma Rousseff era o hoje governador eleito de Minas Gerais Fernando Pimentel.

Junto com Bené estava Marcier Trombiere Moreira, funcionário de carreira do Banco do Brasil que ocupa, desde março deste ano, o cargo de assessor especial do ministro das Cidades, Gilberto Occhi. O terceiro ocupante da aeronave foi identificado como Pedro Medeiros.

Amigo de petistas influentes, especialmente de Minas Gerais, Bené era um empresário pouco conhecido de Brasília. No governo do PT, ficou rico: de repente, suas empresas -- a Gráfica Brasil e a Dialog Eventos -- passaram a ganhar fortunas com contratos públicos. Durante os dois mandatos do ex-presidente Lula, as empresas faturaram 214 milhões de reais.

A Dialog chegou a ser proibida de contratar com o governo após a descoberta de uma série de irregularidades. Em muitos órgãos públicos, ela era contratada sem licitação. Auditorias oficiais concluíram que a empresa costumava receber pagamentos por serviços nunca prestados.

A Gráfica Brasil, por sua vez, continuou firme e forte com seus negócios na máquina federal. Já no governo Dilma, recebeu 109,6 milhões.

Na campanha de 2010, Bené atuou com uma espécie de tesoureiro informal da campanha de Dilma. Cuidava das finanças e também da logística da estrutura montada em Brasília para servir à candidatura presidencial petista.

Até estourar o escândalo da espionagem, revelado por VEJA, Bené era o responsável por pagar as despesas de uma casa montada para servir à campanha. Também foi ele quem providenciou outros imóveis utilizados pelo comitê petista -- incluindo a casa onde a então candidata Dilma Rousseff morou, no Lago Sul de Brasília, até ser eleita presidente. Nas eleições deste ano, o empresário voltou à cena, só que mais discretamente. Bené auxiliou a campanha do petista Fernando Pimentel. Sempre nos bastidores. Ele transitava entre Brasília e Belo Horizonte. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a origem dom dinheiro.

08.10.2014

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Nas últimas pesquisas, Ibope errou dois terços dos resultados no Brasil




Maior instituto de pesquisas do país também errou o resultado para presidente                            

O Tempo


Os últimos levantamento do Ibope, maior instituto de pesquisas do país, divulgadas antes do primeiro turno nos 26 Estados e no Distrito Federal divergiram da apuração, fora da margem de erro, em 17 unidades da Federação, ou 66,66%. De acordo com levantamento do OLHO NELES, o instituto só conseguiu prever corretamente o resultado das eleições para governador em dez casos. Além disso, o Ibope também errou o resultado para presidente da República, fora da margem de erro.

Em relação à disputa entre Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), o Ibope apontava, no dia 4/10, que a presidente teria 46% dos votos válidos, enquanto Aécio Neves teria 27% e Marina Silva teria 24%. Com a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, Dilma estaria entre 44% e 48%; Aécio estaria entre 25% e 29%; Marina, entre 26% e 22%.

No dia seguinte, no entanto, os eleitores deram à presidente 41,59% os votos válidos, enquanto Aécio Neves somou 33,55% e Marina Silva ficou com 21,32%.

Em Minas Gerais, o instituto apontava que Fernando Pimentel teria 61% dos votos válidos, contra 31% de Pimenta da Veiga. O resultado foi mesmo a vitória do petista, mas ele registrou 52,98%, contra 41,89% do tucano.

O Ibope também registrou números fora da margem de erro nos seguintes Estados: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

O instituto acertou, com oscilações dentro da margem de erro, os resultados nas seguintes unidades da Federação: Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.

ACRE

1/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Tião Viana (PT) 50%
Tião Bocalom (DEM) 24%
Márcio Bittar (PSDB) 24%


RESULTADO: ERROU

Tião Viana 49,73%
Márcio Bittar 30,10%
Bocalom 19,61%


ALAGOAS

2/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Renan Filho 54%
Benedito de Lira (PP) 37%


RESULTADO: ERROU

Renan Filho 52,16%
Benedito de Lira 33,91%


AMAPÁ

(Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Waldez Góes (PDT) 45%
Camilo Capiberibe (PSB) 23%
Lucas Barreto (PSD) 17%


RESULTADO: ERROU

Waldez Góes 42,18%
Camilo Cabiperibe 27,53%


AMAZONAS

2/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Eduardo Braga (PMDB) 51%
José Melo (PROS) 35%


RESULTADO: ERROU

Eduardo Braga 43,19%
José Melo 43,04%


BAHIA

4/10  (Ibope, margem de erro: 2 pontos)
Paulo Souto (DEM) 46%
Rui Costa (PT) 46%


RESULTADO: ERROU

Rui Costa 54,53%
Paulo Souto 37,39%


CEARÁ

4/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Eunício Oliveira (PMDB) 50%
Camilo Santana (PT) 44%
Ailton Lopes (PSOL) 3%
Eliane Novais (PSB) 3%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO
Camilo Santana 47,81%
Eunício Oliveira 46,81%



DISTRITO FEDERAL

4/10 (Ibope, margem de erro: 2 pontos)
Rodrigo Rollemberg (PSB) 45%
Jofran Frejat (PR) 29%
Agnelo Queiroz (PT) 22%
Luiz Pitiman (PSDB) 4%
Toninho (PSOL) 2%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO

Rodrigo Rollemberg: 45,23%
Joran Frejat 27,97%
Agnelo Queiroz 20,07%


ESPÍRITO SANTO

3/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Paulo Hartung (PMDB) 52%
Renato Casagrande (PSB) 37%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO

Paulo Hartung 53,44%
Casagrande 39,34%


GOIÁS

3/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Marconi Perillo (PSDB) 47%
Iris Rezende (PMDB) 30%
Vanderlan Cardoso (PSB) 15%
Antonio Gomide (PT) 7%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO

Marconi Perillo 45,86%
Iris Rezende 28,40%
Vanderlan Cardoso 14,98%


MARANHÃO

1/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Flavio Dino (PCdoB) 59%
Lobão Filho (PMDB) 38%


RESULTADO: ERROU

Flávio Dino 63,52%
Lobão Filho 33,69%


MATO GROSSO

2/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Pedro Taques (PDT) 55%
Lúdio Cabral (PT) 34%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO

Pedro Taques 57,25%
Lúdio Cabral 32,45%


MINAS GERAIS
4/10 (Ibope, margem de erro: 2 pontos)
Fernando Pimentel (PT) 61%
Pimenta da Veiga (PSDB) 31%


RESULTADO: ERROU
Fernando Pimentel 52,98%
Pimenta da Veiga 41,89%


MATO GROSSO DO SUL
4/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Delcídio Amaral (PT) 44%
Reinaldo Azambuja (PSDB) 38%
Nelsinho Trad (PMDB) 15%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO
Delcídio Amaral 42,92%
Reinaldo Azambuja 39,09%
Nelsinho Trad 16,42%


PARÁ

3/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Helder Barbalho (PMDB) 48%
Simão Jatene (PSDB) 46%
Zé Carlos (PV) 2%
Marco Carreira (PSOL) 2%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO

Helder Barbalho 49,88%
Simão Jatene 48,48%


PARAÍBA

4/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Cássio Cunha Lima (PSDB) 47%
Ricardo (PSB) 47%
Vital (PMDB) 4%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO

Cássio Cunha Lima 47,44%
Ricardo Coutinho 46,05%
Vital 5,22%


PERNAMBUCO

4/10 (Ibope, margem de erro: 2 pontos)
Paulo Câmara (PSB) 57%
Armando Monteiro (PTB) 41%


RESULTADO: ERROU

Paulo Câmara 68,08%
Armando Monteiro 31,07%


PIAUÍ

2/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Wellington Dias (PT) 57%
Zé Filho (PMDB) 31%


RESULTADO: ERROU

Wellington Dias 63,08%
Zé Filho 33,25%


PARANÁ

4/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Beto Richa (PSDB) 52%
Roberto Requião (PMDB) 34%


RESULTADO: ERROU

Beto Richa 55,67%
Roberto Requião 27,56%


RIO DE JANEIRO

4/10 (Ibope, margem de erro: 2 pontos)
Luiz Fernando Pezão (PMDB) 37%
Anthony Garotinho (PR) 27%
Marcelo Crivella (PRB) 20%


RESULTADO: ERROU

Luiz Fernando Pezão 40,57%
Marcelo Crivella 20,26%
Anthony Garotinho 19,73%


RIO GRANDE DO NORTE

3/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Henrique Alves (PMDB) 50%
Robinson Faria (PSD) 42%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO

Henrique Alves 47,34%
Robinson Faria 42,04%


RONDÔNIA

3/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Confucio Moura (PMDB) 43%
Expedito Junior (PSDB) 35%


RESULTADO: ERROU

Confucio Moura 35,86%
Expedido Junior 35,42%


RORAIMA

29/9 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Chico Rodrigues (PSB) 42%
Suely Campos (PP) 34%


RESULTADO: ERROU

Suely Campos 41,48%
Chico Rodrigues 37,62%


RIO GRANDE DO SUL

3/10 (Ibope, margem de erro: 2 pontos)
Tarso Genro (PT) – 40%
Ana Amélia Lemos (PP) – 31%
José Ivo Sartori (PMDB) – 23%


RESULTADO: ERROU

José Ivo Sartori 40,40%
Tarso Genro 32,57%
Ana Amelia Lemos 21,79%


SANTA CATARINA

3/10 (Ibope, margem de erro: 2 pontos)
Raimundo Colombo (PSD) 57%
Paulo Bauer (PSDB) 22%


RESULTADO: ERROU

Raimundo Colombo 51,86%
Paulo bauer 29,90%


SERGIPE
3/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Jackson Barreto (PMDB) 55%
Eduardo Amorin (PSC) 42%
Sônia Meire (PSOL) 1%


RESULTADO: ACERTOU NA MARGEM DE ERRO
Jackson Barreto 53,52%
Eduardo Amorim 41,37%


SÃO PAULO
4/10 (Ibope, margem de erro: 2 pontos)
Geraldo Alckmin 57%
Skaf (PMDB) 24%
Padilha (PT) 14%


RESULTADO: ERROU
Geraldo Alckmin 57,31%
Skaf 21,53%
Padilha 18,22%

TOCANTINS
4/10 (Ibope, margem de erro: 3 pontos)
Marcelo Miranda (PMDB) 59%
Sandoval Cardoso (SD) 37%


RESULTADO: ERROU
Marcelo Miranda 51,30%
Sandoval Cardoso 44,72%

06/10/14 

 

Como é? Então os institutos de pesquisa acertam quando acertam e acertam também quando erram? A justificativa não é séria!





Por Reinaldo Azevedo


Acompanhei atentamente as explicações dos institutos de pesquisa para os erros de percepção sobre a vontade do eleitorado e, confesso, não entendi nada. A conversa de que as pessoas decidiram mudar de ideia na última hora, com o devido respeito, é história da Carochinha. Como assim?

Então estamos com alguns problemas — e é a lógica elementar que tem de nos socorrer. É preciso mudar o intervalo de confiança e a margem de erro. Aí alguém diria: “Não, Reinaldo, para a hora do registro, margem e intervalo são aqueles; a gente não tem como avaliar o imponderável”.

Bem, então os institutos estão no melhor dos mundos, não é mesmo? Quando acertam, é sinal de que o eleitor decidiu não mudar de ideia. Quando erram, também acertam porque, afinal, não podem se responsabilizar pela instabilidade dos votantes.

A ser assim, vou montar um instituto, ora essa!, e vou começar a fazer pesquisas sem ouvir ninguém. Quando disseram, por exemplo, que haveria o risco de Dilma vencer no primeiro turno — e todo mundo lembra disso —, euzinho escrevi aqui no blog, disse no programa “Os Pingos no Is”, na Jovem Pan, e afirmei na TV da VEJA que isso não iria acontecer. Os institutos até que me ajudaram. Nas três últimas eleições, eles sempre tinham previsto mais votos ao PT do que o partido depois obteria e menos votos aos tucanos. Tive a certeza de que não seria diferente desta vez. Eu só não antevi que o vexame fosse ser tão grande.

Querem exemplos? Amigos gaúchos me dizem desde o início da campanha que José Sartori venceria a eleição. Ele ainda tinha 5% dos votos segundo os levantamentos. Se vai vencer, não sei. Mas ele chegou em primeiro lugar — e com uma baita distância. O jornalista Clayton Ubinha, produtor de “Os Pingos nos Is”, viajou à Bahia ainda antes do início oficial da campanha e disse na volta: “O Rui Costa vai ganhar… Andei por lá…” Não era torcida, só registro. Manguei dele. Pois é… Ele também apostou que Aécio estaria no segundo turno quando os institutos davam ao tucano 14%… Então vamos criar o Vox Ubinha! Serei o investidor capitalista. Vamos cobrar muito caro!

Eu não estou dizendo, obviamente, que institutos devam endossar a percepção das pessoas. Mas me parece que eles têm de ser proibidos de errar mais do que a… percepção das pessoas, não é mesmo? Antes de a censura disfarçada de lei eleitoral encher o saco da Jovem Pan, a rádio sempre acertava o resultado de boca de urna simplesmente ouvindo o povo na rua. Agora não pode mais. É preciso, dizem, ter ciência. Um erro com ciência passa a ter aparência de seriedade, né? Vira coisa respeitosa! Ok apelar à ciência, mas não para ter o monopólio do erro.

Sim, o debate da TV Globo, no caso da eleição presidencial, visto por milhões de pessoas, pode ter feito diferença. Mas os institutos foram às ruas depois dele, ora essa! Aliás, uma nota a respeito: quando afirmei aqui que o tucano Aécio Neves tinha tido, de longe, o melhor desempenho no embate entre os três principais candidatos, fui acusado por idiotas disfarçados de jornalistas de estar expressando o meu gosto pessoal. Como todo mundo, faço, sim, as minhas escolhas, mas, neste trabalho, não confundo análise com torcida. O resultado das urnas está aí. E os idiotas, como sempre, fingem que não disseram idiotices,

Eu não estou demonizando os institutos nem sugerindo que devam ser censurados. Eu prefiro é que eles assumam o erro, que admitam que, desta feita, não entenderam o que estava em curso e que prometam submeter seus métodos a um teste de estresse. Bater no peito e cantar as vitórias quando acertam e atribuir a responsabilidade ao eleitor quando erram não é coisa de gente séria. Imaginem se um médico justificasse a morte de paciente afirmando que seu diagnóstico e o remédio recomendados estavam certos, mas o ex-vivente é que estava com a doença errada.

Institutos de pesquisa não podem dar desculpas mais esfarrapadas do que a de alguns políticos.

07/10/2014


Marina já decidiu: vai apoiar Aécio; família de Eduardo Campos faz o mesmo movimento. É a frente contra os “fantasmas do presente”




Por Reinaldo Azevedo

Nesta segunda, Antônio Campos — irmão de Eduardo Campos, filiado ao PSB e primeiro membro da família do então presidenciável do partido a declarar apoio a Marina Silva depois da tragédia — anunciou no Facebook seu apoio à candidatura do tucano Aécio Neves à Presidência. Deixou claro que era uma posição pessoal — como fez, de resto, quando ungiu Marina à condição de sucessora do irmão na chapa. Mas parece evidente que, dada a forma como os Campos têm se comportado depois da morte do líder político, atrás do apoio de Antônio, virão o de Renata, a viúva do ex-governador, e o dos filhos, que se transformaram em personagens políticos importantes em Pernambuco. Se alguém tiver alguma dúvida, basta ver a razia que o clã promoveu nas ambições petistas no Estado.

Pernambuco se mostrou um prodígio de alinhamento com a memória de Eduardo Campos. Paulo Câmara, dias antes do acidente que matou o candidato do PSB à Presidência, amargava 13% nas intenções de voto para o governo do Estado. Com o apoio do PT, Armando Monteiro (PTB), indicavam as pesquisas, seria eleito no primeiro turno. O petista João Paulo mantinha liderança folgada para o Senado. Um pouco mais de um mês e meio depois, Câmara bateu Monteiro no primeiro turno por impressionantes 68,08% a 31,07%, e João Paulo foi derrotado por Fernando Bezerra na disputa pelo Senado por 64,34% a 34,8%. Marina, uma estranha no ninho até a morte de Campos, bateu Dilma no Estado 48,05% a 44,22%.

A adesão da família Campos certamente facilitará a decisão já tomada de Marina de apoiar Aécio. Ela vai, sim, apresentar, uma agenda mínima ao tucano, que contempla o fim da reeleição, um compromisso com a educação integral e a adoção de medidas em favor da sustentabilidade — nada que seja estranho ao conjunto de valores que ele tem expressado em sua campanha. De qualquer modo, a decisão da Rede já está praticamente tomada, e quem a sintetiza, em conversa com a Folha, é João Paulo Capobianco, um dos coordenadores do futuro partido de Marina e de sua campanha: “A avaliação é que não dá para ter mais quatro anos desse governo. Isso é ponto pacífico. O nosso compromisso é com o movimento de mudança”.

Marina preferiria que o movimento fosse feito em conjunto com o PSB, hoje presidido por Roberto Amaral, um lulista fanático. O coração de Amaral bate por Dilma Rousseff, mas ele tentará arrancar do partido uma posição de neutralidade — e olhem que Márcio França, seu correligionário, é o vice-governador eleito de São Paulo, na chapa encabeçada por um tucano. Como os petistas são quem são, emissários do partido têm tentado se aproximar de Marina, mas o esforço, consta, será inútil.

Pessoas que conhecem a líder da Rede afirmam que ela realmente não esperava que o PT a atacasse com tanta violência; achava que a campanha seria dura, sim, mas não desleal. Parte de seu abatimento, que ficou muito evidente nas duas semanas que antecederam a disputa, se deveu à brutalidade da investida. Ela contava com oposição firme a algumas de suas propostas, mas não esperava que tentassem desconstruir a sua imagem e a sua biografia. Talvez ela desconhecesse a alma profunda do partido no qual ficou tanto tempo.

Marina e os Campos juntos, formam, sim, um apoio importante à candidatura de Aécio Neves, que terá de enfrentar uma pauleira. Nesta segunda, o tucano já respondeu à investida da adversária, Dilma Rousseff, segundo quem o país não pode andar para trás, rumo aos “fantasmas do passado”.

O presidenciável do PSDB devolveu: o problema dos brasileiros, hoje, são os fantasmas do presente.


07/10/2014


Alívio e esperança


Editorial do Estadão

O ESTADO DE S.PAULO

Aécio Neves e a mulher Letícia em Belo Horizonte, neste domingo (5) (Foto: AP Photo/Marcos Fernandes-Coligacao Muda Brasil)

"Ufa!" A exclamação do leitor, estampada no Fórum dos Leitores na edição de ontem do Estado, resume o sentimento de alívio com que a maioria dos brasileiros conheceu o resultado da votação de domingo, que, ao colocar no segundo turno do pleito presidencial um candidato de oposição com reais possibilidades de ser eleito no próximo dia 26, demonstra que foi dado o primeiro passo para dar um fim à nefasta sequência de governos lulopetistas.

A soma da votação dos dois principais candidatos de oposição, Aécio Neves e Marina Silva - mais de 57 milhões (56,8%) - contra os 43,2 milhões (41,6%) obtidos por Dilma Rousseff, mostra sem a menor sombra de dúvida que o povo brasileiro considera esgotado o prazo de validade da permanência do PT no poder.


A tarefa de concretizar o sentimento de verdadeira mudança manifestado nas urnas é agora a responsabilidade maior dos dois grupos políticos que, reunidos em torno de Aécio Neves e de Marina Silva, foram os indutores de um resultado adverso ao lulopetismo na primeira fase da votação presidencial.

É do entendimento democrático entre essas duas forças, colocando o interesse nacional acima das conveniências partidárias ou pessoais, que depende em boa parte a oportunidade que deve ser oferecida ao povo brasileiro de promover a grande mudança a que tanto aspira. E tudo indica que esse entendimento pode estar a caminho.


E mesmo na indesejável possibilidade de que as forças políticas que apoiam Aécio e Marina não se mantenham íntegras para marcharem unidas no segundo turno, nada impede que o sentimento oposicionista simbolizado pelo claro desejo nacional de mudança prevaleça nas urnas do dia 26.

Afinal, as lideranças político-partidárias influenciam, mas não dominam, o arbítrio do eleitor. E isso ficou muito claro no último mês da campanha do primeiro turno, quando a maioria do eleitorado oscilou entre os nomes de Aécio e de Marina, mas jamais teve abalada a sua determinação de votar contra o PT.


A votação de Dilma Rousseff no primeiro turno ficou abaixo do indicado pelas pesquisas - inclusive a de boca de urna -, mas foi notável a vigorosa recuperação de Aécio Neves, que até poucos dias antes amargava o terceiro lugar, com índice de intenção de voto abaixo dos 20%.

Numa extraordinária demonstração de força de vontade e competência política, quando as circunstâncias lhe pareciam adversas, o ex-governador mineiro foi à luta com determinação redobrada e, passo a passo, recuperou com sobras o eleitorado que estava perdendo para a candidata do PSB.

Acabou obtendo nas urnas quase 35 milhões de votos (33,5%), logrando reduzir para apenas 8 pontos porcentuais uma vantagem de Dilma que chegara a cerca de 25 nas pesquisas de opinião.


Por outro lado, a reversão da trajetória ascendente que Marina Silva vinha cumprindo até o início de setembro foi o resultado, em parte, dos ataques contundentes que sofreu por parte de Dilma Rousseff e do PT, muitas vezes mentirosos e indignos, mas, sobretudo, da falta de quadros e de estrutura partidária de sua base de apoio.


Agora, a disputa começa em outros termos. Dilma Rousseff já não contará com a enorme vantagem de tempo na propaganda dita gratuita no rádio e na televisão. O tempo será agora dividido igualmente entre os dois candidatos. Dez minutos diários para cada um que o PT, por sua vez, dividirá entre a tentativa de, a qualquer preço, demolir a reputação de Aécio Neves e a manipulação de imagens, dados e estatísticas para escamotear o fato de que os quatro anos de mandato de Dilma Rousseff têm sido um retumbante fracasso, sob qualquer ponto de vista.


A Aécio Neves caberá demonstrar, com seu programa de governo e o apoio de uma equipe idônea e comprovadamente competente, que os tucanos e seus aliados estão prontos para resgatar o Brasil de uma sequência de maus governos. Prontos para resgatar o Brasil do populismo irresponsável que ameaça a todos, especialmente os pobres, com recessão econômica e inflação.

E prontos para resgatar a moralidade na administração da coisa pública, que foi levada ao fundo do poço pela corrupção que contamina o aparelho estatal.

07.10.2014

Pobre jornalismo brasileiro. Precisou um jornalista espanhol para dizer com precisão e leveza o que levou Aécio à vitória



 

Por O EDITOR
Blog do Coronel 


Em artigo publicado no El País, mais importante jornal espanhol, intitulado " O segredo da virada de Aécio Neves", Juan Arias escreve o que os jornalistas brasileiros sabem, mas têm medo de escrever, patrulhados pela esquerda nojenta que domina as redações. Leia abaixo.


Aécio Neves não só foi a surpresa final deste primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras como também sua vitória, maior do que a prevista em todas as pesquisas, deve-se a ele pessoalmente. Tratou-se quase de um fenômeno em termos de psicologia: sua capacidade de reação frente a uma derrota anunciada e de alguma forma já aceita até por seu partido.

Neves cresceu em vez de se apequenar quando o terremoto Marina Silva o esmagou de tal forma que ele foi inclusive aconselhado a desistir. Arregaçou as mangas e anunciou que seria o vencedor capaz de disputar um segundo turno contra a Presidenta candidata Dilma Rousseff, que era tudo o que o partido dela, o PT, não desejava.

Sua posição de terceiro na disputa, um candidato em quem ninguém apostava diante da força da ecologista Silva, o levou a reagir inclusive nos debates, que acabou vencendo.
Não sei se conscientemente ou não, o que garantiu a vitória a Neves foi o fato de ter aparecido em todas as suas manifestações exteriores, entrevistas e debates, como o mais brasileiro de todos os candidatos.

Revelou isso de modo cristalino em sua despedida de um minuto e 40 segundos no último e mais importante dos debates televisivos, o da TV Globo, com 50 milhões de telespectadores.

Apesar de aparecer naquele momento como derrotado em todas as pesquisas, Aécio, ao contrário das suas duas adversárias principais, Rousseff e Silva, dirigiu-se à audiência com coração brasileiro, exalando confiança, ou seja, sem dureza, sem agressividade, agradecendo o carinho recebido em suas peregrinações pelo país, revelando sua vontade de prosseguir na disputa, e com a certeza da vitória.

Apresentou-se como candidato de todos os brasileiros, aos quais ofereceu certezas e capacidade de Governo, assim como a segurança de que possuía a receita para levantar o país da sua atual frustração.

Emocionou-se e apelou à esperança hasteando a bandeira da mudança que a rua pedia. Foi naquela hora o único que acabou sendo aplaudido pela plateia presente.

Ex-senador e ex-governador do segundo Estado mais populoso do país, Minas Gerais, revelou em suas discussões com a candidata que liderava as pesquisas, Rousseff, sua capacidade dialética e uma forma firme, mas ao mesmo tempo brasileira, ou seja, não raivosa, de enfrentar suas adversárias políticas.

Aécio sempre foi criticado, quando na oposição, por não saber bater de frente com o governo. Atribuíam isso a esse espírito mineiro, mais propenso ao diálogo e aos acordos do que à guerra. Com esse espírito desarmado, enfrentou uma campanha levada a cabo sob o signo dos golpes baixos, sem se deter nem mesmo diante da mentira e das desqualificações pessoais.

Neves nunca caiu nessa armadilha e prosseguiu firme em seu esquema, convencido de que, apesar de ter sido quase selada sua derrota, ele continuava acreditando com fé firme em dar a volta por cima.Os votos reais, contrariamente ao que as pesquisas anunciavam até os levantamentos de boca de urna, o colocam a seis pontos da Dilma, muito pouco quando se pensa em como ele estava ao iniciar a aventura.

Dilma, que conseguiu menos votos do que na primeira vez em que foi escolhida, em 2010, agora enfrentará Neves, que aparece como surpresa ganhadora e que poderia contar a seu favor com até 60% dos votos da perdedora Marina.

Ele, que já foi surfista, lançou o slogan de que a “onda da razão” havia se erguido no mar da campanha, contra a onda do sentimento. Seu êxito consistiu em saber, com teimosia, querer ganhar.

Também contribuiu para isso sua campanha propositiva e de esperança, as duas fibras do atual coração brasileiro: o afeto e ausência do medo e o sentimento dos brasileiros que, em junho de 2013, haviam começado a usar a razão para exigir um Brasil melhor, que é o que prometeu criar o candidato mineiro, prudente e ao mesmo tempo tenaz.

07.10.2014

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Marina dá sinais de que pode apoiar Aécio, que acena para uma união; Dilma insiste no discurso do medo e já ensaia uma fala terrorista. Ou: Disputa do dia 26 será, sim, entre progressistas e reacionários



 

Por Reinaldo Azevedo

Os respectivos pronunciamentos feitos pelos três principais candidatos à Presidência da República refletem o que foi a campanha até aqui e os lances, vá lá, até certo ponto dramáticos destes últimos dois meses, mormente depois da queda do avião que conduzia Eduardo Campos, no dia 13 de agosto. Começo por aquele ao qual se deve dar mais atenção no momento. Marina Silva, candidata derrotada do PSB, leve como há muito tempo não se via, sorridente, com ar pacificado, acenou com o apoio ao tucano Aécio Neves. Reproduzo trecho de sua fala:

“Sabemos que o Brasil sinalizou que não concorda com o que está aí, e sabemos que uma boa parte do Brasil, desde 2010, vem dando sustentação a uma mudança que seja qualificada. A postura que eu tive quando não foi aceito registro da Rede pode ser uma tendência. Eu assumi um compromisso com a mudança indo apoiar o Eduardo Campos (…) O Brasil sinalizou que não concorda com esse projeto, que quer uma mudança qualificada, temos uma clareza do que representamos. Nós vamos fazer essa discussão, os partidos individualmente, e depois vamos dialogar, mas, estatisticamente, a sociedade mostra isso, não há de tergiversar com o sentimento de 60% dos eleitores”.

Ora, as palavras fazem sentido, não é mesmo? Marina, assim, deixa claro, com todas as letras, que tanto Aécio Neves, do PSDB, como ela própria representam a mudança. É cedo para dizer se ela vai dar um apoio formal ao candidato tucano, mas a sua fala parece apontar para isso. E que fique claro: na nova ou na antiga políticas, um apoio no segundo turno não implica, necessariamente, se comprometer com o futuro governo. Aliás, o primeiro turno de uma eleição pede o voto da convicção; o segundo, o da possibilidade. De resto, Marina não deve ignorar que a sua meteórica ascensão, logo depois de se fazer candidata, se deu com os votos daqueles que estavam interessados em apear o PT no poder. Parte deles voltou ou migrou para Aécio. Mas um mesmo sentimento une os dois eleitorados.

Aécio também fez um aceno à união, embora não tenha se referido diretamente a Marina Silva — e nem seria o caso. Disse: “A minha primeira constatação é que este sentimento de mudança amplamente presente no Brasil foi vitorioso no primeiro turno. Os candidatos de oposição somados foram vitoriosos, tiveram a maioria dos votos. E é isso que nós temos que buscar agora no segundo turno. Eu me sinto extremamente honrado em ser o representante desse sentimento nessas três semanas que nos separam da eleição”, afirmou.

O tucano mandou a mensagem também a Pernambuco, que votou esmagadoramente com Marina e elegeu um senador do PSB: “A ele [Eduardo Campos], aos seus ideais e aos seus sonhos também, a minha reverência. E nós saberemos transformá-los em realidade. Portanto, é hora de unirmos as forças. A minha candidatura não é mais a candidatura de um partido político ou de um conjunto de alianças. É um sentimento mais puro de todos os brasileiros que ainda têm capacidade de se indignar, mas principalmente a capacidade de sonhar”.

Aécio sabia bem, enquanto falava, que, mesmo no PSDB, ele chegou a ser, num dado momento, um dos poucos que ainda acreditavam. Não tergiversou em nenhum momento, não fraquejou, não desanimou. Enfrentou, sim, Marina Silva — afinal, havia uma única vaga em disputa no segundo turno, mas foi um confronto leal.

Dilma Rousseff, a presidente-candidata do PT, certamente surpresa — com o seu desempenho bem abaixo do que indicavam as pesquisas, e com o de Aécio bem acima —, foi a que transmitiu mais tensão no discurso, no tom e na aparência. Mesmo no que deveria ser uma fala de agradecimento, percebeu-se, mais uma vez, a pregação do medo. Disse: “O povo brasileiro não quer de volta o que nós podemos chamar de fantasmas do passado, que quebraram esse país três vezes, com juros que chegaram a 45%, desemprego massivo, arrocho salarial e jamais promoveram, quando tiveram a oportunidade, políticas de inclusão social e redução da desigualdade”.

Bem, o Brasil não quebrou três vezes; o aumento real de salário mínimo foi maior nos governos FHC do que no da própria Dilma, e o controle da inflação significou, com o Plano Real, uma das medidas mais efetivas em favor da inclusão social de que se têm notícia. Mas não me estenderei sobre isso agora. O que foi verdadeiramente notável no discurso da presidente foi a promessa de que ela fará um governo diferente. Insistiu muito que será uma gestão nova, com ideias novas e pessoas novas. Chegou a afirmar que entendeu o recado das urnas. Ou por outra: Dilma prometeu que, se reeleita, não dará continuidade ao governo… Dilma!

Já deu para sentir o que vem por aí. Aécio, com o possível apoio de Marina, tentará fazer uma disputa sobre o futuro do país, e Dilma insistirá em travar uma batalha de versões sobre o passado. O eleitor terá de optar entre os discursos progressista e reacionário.

06/10/2014

domingo, 5 de outubro de 2014

Aécio arranca e deixa 2º turno sem favorito


Votação do tucano, muito maior do que os institutos de pesquisa apontavam, sinaliza que o país deverá ter o segundo turno mais acirrado da história
Veja.com
A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição e o candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves - Edison Vara/Sergio Moraes/Reuters

Numa eleição marcada por uma reviravolta por semana, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, termina o primeiro turno com uma votação surpreendente. A partir desta segunda-feira, o tucano segue na disputa contra a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) numa eleição sem favoritos. Com mais de 90% das urnas apuradas, a petista tem 41% dos votos válidos e o tucano, 34%. Marina Silva tem 21%.

O resultado confirmou o enfraquecimento da candidatura de Marina Silva (PSB), que entrou na campanha como um furacão, mas sai dela com capital eleitoral similar ao que amealhou em 2010, quando marcou 19% nas urnas, ou quase 20 milhões de votos.

Ainda assim, o apoio da ex-senadora no segundo turno deve ser um fator decisivo no desfecho da disputa. Alvo da máquina de propaganda petista, que trabalhou à exaustão para desconstruir sua imagem, Marina é cortejada pelo PSDB. Já neste domingo, tucanos iniciaram conversas com dirigentes de sua campanha. Mas há obstáculos para que uma aliança se consolide. Marina pode se ver tentada a repetir a estratégia de 2010, quando se manteve neutra no segundo turno — e assim preservar seu discurso contra a “velha política”, tendo em vista a formação de seu partido, a Rede Sustentabilidade, que já reúne todos os requisitos formais para ser registrado.

Do lado do PSB, uma ala ligada ao PT, capitaneada pelo presidente interino da sigla, Roberto Amaral, pode também tentar barrar um acordo entre as duas candidaturas de oposição. Os tucanos, entretanto, apostam na memória da boa relação que Aécio tinha com o ex-governador Eduardo Campos, morto numa tragédia área em agosto. A viúva de Campos, Renata, deve ser uma interlocutora importante para que haja uma amarração. Há também alinhamento entre tucanos e pessebistas em Estados como São Paulo e Paraná.

Outros fatores podem influenciar na disputa: o apoio dos governadores eleitos, que disponibilizarão palanques vitoriosos na corrida local; a reação do mercado financeiro e a artilharia da máquina da propaganda petista – a repetição do terrorismo eleitoral que deu certo contra Marina espalhando boatos, por exemplo, sobre o fim do Bolsa Família se o PT perder a eleição.

O segundo turno ocorrerá no próximo dia 26 – até lá, Dilma e Aécio terão doze programas eleitorais na televisão com duração idêntica de dez minutos cada.

05.10.2014