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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O escândalo cada vez mais perto de Eduardo Campos



 
Por Reinaldo Azevedo

Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, vai depor na CPI mista na próxima quarta, dia 10. Ele tem muitas coisas a explicar, entre elas o fato de que morava num apartamento avaliado em R$ 7,5 milhões, que pertencia a um offshore que, nitidamente, tem um laranja no Brasil (leia post). Mas há muito mais.

Segundo depoimento prestado por Cerveró à Justiça Federal do Paraná, informa o Estadão, foi Paulo Roberto Costa quem indicou os membros da comissão de licitação da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, uma das obras com evidências escancaradas de superfaturamento. Não custa lembrar que, entre os beneficiários de propina, o engenheiro inclui justamente Eduardo Campos, que era, então, governador de Pernambuco.

A refinaria de Abreu e Lima, construída pela Petrobras, talvez seja um emblema da falta de limites da turma. Orçada inicialmente em US$ 2,5 bilhões, ela já custou, até agora, US$ 18 bilhões. Estima-se que o esquema a que pertenciam Costa e o doleiro Alberto Youssef tenha desviado, só nesse empreendimento, algo em torno de R$ 400 milhões.

Há mais: segundo informa O Globo, “Costa concedeu vantagens financeiras, dilatou prazos e suprimiu compromissos assumidos por Pernambuco num acordo firmado diretamente com Campos”. Documentos obtidos pelo jornal revelam que Costa e Campos “assinaram um termo de adiantamento de tarifas da Petrobras ao Porto de Suape por conta do futuro uso do porto no transporte de produtos da refinaria Abreu e Lima, cuja inauguração está prevista para novembro”.

O jornal revela que “o termo foi assinado pelos dois em 18 de agosto de 2008 e cita repasses de R$ 475,7 milhões da estatal ao governo pernambucano. Pernambuco descumpriu um termo de compromisso assinado no ano anterior, o que levou a um aditivo validado por Costa e Campos. A transação começou a ser investigada pela Controladoria-Geral da União em junho deste ano. Até agora, a estatal já repassou R$ 783 milhões a título de antecipação de tarifas.”

É impressionante como a Petrobras atuava — e talvez atue, vai saber — como se fosse mesmo um governo independente. A cada dia, fica mais claro por que o tal engenheiro preso havia arrolado Eduardo Campos como uma testemunha de defesa.

Para encerrar, é bom não quer esquecer: à Polícia Federal e ao Ministério Público, Costa afirmou que esteve várias vezes com Lula, dando a entender que o ex-presidente da República sempre soube o que se passava por lá.

08/09/2014



Marina muda o tom e agora diz que não haveria delação premiada sem fundamento



Por Reinaldo Azevedo

Como todos sabemos, a revista VEJA desta semana traz parte do que Paulo Roberto Costa confessou à Polícia Federal e ao Ministério Público sobre a quadrilha que operava na Petrobras. Ele já gravou 42 horas de depoimento. Nesta segunda, Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, mudou um pouco o tom de sua fala. Ela estava sendo bastante rebarbativa a respeito do assunto, até porque um dos acusados é justamente Eduardo Campos, antigo cabeça de chapa do PSB, morto num acidente aéreo no dia 13 de agosto.

Durante visita a uma creche, em São Paulo, afirmou Marina, segundo informa a Folha: “Quem manteve toda essa quadrilha que está acabando com a Petrobras é o atual governo, que, conivente, deixou que todo esse desmando acontecesse em uma das empresas mais importantes do país”. Marina, no entanto, aliviou um pouco a barra para a presidente Dilma Rousseff: “A presidente [Dilma] tem responsabilidades políticas. Eu não seria leviana em dizer que ela tem responsabilidade direta pessoalmente”.

Marina, que vinha afirmando que, por enquanto, só havia “ilações”, mudou o tom e afirmou sobre as denúncias: “É uma delação premiada. Com certeza o Ministério Público não iria premiar aquilo que não tenha base de realidade”.

Só para lembrar: segundo Paulo Roberto Costa, a lista dos que teriam recebido propina do Petrolão inclui, entre outros, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB).

O engenheiro acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: estão no rol o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados João Pizzolatti (PP-SC) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), além de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

08/09/2014

Vem aí mais lama para cima do governo Dilma Roussef, PT



No comentário a seguir, o editor pergunta o seguinte:

- Pessoas como Dilma Roussef, ex-ministra de Minas e Energias e ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, ou o industrial Jorge Gerdau, conselheiro da Petrobrás, nunca perceberam a bandalheira dos R$ 3,4 bilhões de propinas transmitidos pelo ex-diretor Paulo Costa para políticos das base aliada dos governos do PT, Lula e Dilma?


. Não dá para aceitar.


. Foram 7 anos de roubalheira: 5 no governo Lula e 2 no governo Dilma.


. Dilma Roussef foi superiora hierárquica de Paulo Costa durante 5 anos, inclusive no período da escandalosa compra da refinaria Pasadena.


. É sobre isto que trata o comentário a seguir, intitulado Vem aí mais lama para cima do governo Dilma Roussef, PT.






8 de setembro de 2014

Mensalão da Petrobras pode ter desviado R$ 3,4 bilhões para o PT da Dilma comprar apoio político e enriquecer companheiros



Por O EDITOR

Valor Econômico
 

 A área de Abastecimento da Petrobras investiu R$ 112,39 bilhões entre maio de 2004 e abril de 2012, período em que foi gerida por Paulo Roberto Costa, acusado de participar de um esquema de corrupção na estatal. Do total desembolsado nesses oito anos, R$ 108,13 bilhões foram gastos no país e R$ 4,26 bilhões no exterior - já incluídos os aportes referentes à aquisição da refinaria norte-americana de Pasadena. O levantamento foi realizado pelo Valor com base nos balanços divulgados pela Petrobras e publicado ontem no Valor Pro, serviço em tempo real do Valor.

Uma fatia de 3% referente à suposta comissão cobrada sobre esse valor chega, portanto, à cifra de R$ 3,37 bilhões. Segundo declaração de Costa à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF), esse seria o percentual da propina paga a políticos por empreiteiras e empresas sobre os valores dos contratos firmados com a Petrobras. O ex-diretor concordou em ser o delator de um esquema de corrupção que existiria na petrolífera, em troca do benefício da colaboração premiada - instituto da lei penal que prevê a redução da pena ou até mesmo o perdão judicial a réus que colaborem de modo determinante para o deslinde de uma investigação criminal.


Os aportes na área de Abastecimento, que reúne as refinarias da estatal, representam 27,8% dos investimentos totais de R$ 403 bilhões feitos pela Petrobras nesses oito anos, ficando atrás apenas dos desembolsos na área de exploração e produção de petróleo. O cálculo leva em conta apenas os investimentos e não inclui serviços de outra natureza contratados na gestão de Costa, preso preventivamente e réu em processos criminais por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e ainda por integrar organização criminosa com vista à aquisição de contratos milionários junto ao governo federal, relatam os autos em trâmite na Justiça Federal de Curitiba e a acusação formal do MPF.


O Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça deverá buscar a repatriação de US$ 28 milhões enviados do Brasil à Suíça. Segundo Ministério Público suíço, foram identificadas contas bancárias de empresas e familiares de Costa que movimentaram os recursos, dos quais US$ 23 milhões seriam diretamente controlados pelo ex-diretor, aponta a investigação.

A descoberta do dinheiro motivou a segunda prisão preventiva do ex-diretor da Petrobras, cumprida em 11 de junho por haver "risco iminente de fuga", segundo a Justiça.


Depois de formalizada pela força-tarefa do MPF em Curitiba, a colaboração premiada será dividida. Parte ficará na esfera do juízo federal de primeira instância. Já a peça envolvendo políticos e servidores com prerrogativa de foro ou função será remetida ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Caberá a ele encaminhar parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a delação proposta pela defesa de Costa

Janot deve se reunir hoje sua equipe para discutir o caso. Caberá a ele decidir se há provas suficientes para abrir inquérito e investigar cada um dos mencionados na delação de Costa.

8 de setembro de 2014

Petrolão – A lista de Paulo Roberto: esquema corrupto lotado na Petrobras distribuiu propina durante os governos Lula e Dilma; compra de Pasadena foi fraudulenta; Lula sabia de tudo. Eduardo Campos era um dos beneficiários. E Dilma? Pois é…





Por Reinaldo Azevedo


Paulo Roberto conta como funcionava o propinoduto que atuava na Petrobras e dá os nomes

Entre 2004 e 2012, Paulo Roberto Costa foi diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras. Ocupou, portanto, esse cargo, em sete dos oito anos do governo Lula e em quase dois do governo Dilma. Ao longo desse tempo, comandou o que pode ser chamado de “Petrolão” — ou o mensalão da Petrobras. As empreiteiras que faziam negócio com a estatal pagavam propina ao esquema e o dinheiro era repassado a políticos. A quais? Paulo Roberto já entregou à Polícia Federal e ao Ministério Público, num acordo de delação premiada, os nomes de três governadores, de um ministro de estado, de um ex-ministro, de seis senadores, de 25 deputados e de um secretário de finanças de um partido. Segundo o engenheiro, Lula sempre soube de tudo. E, até onde se pode perceber por seu depoimento, talvez a presidente Dilma — que era a chefona da área de energia do governo Lula e presidente do Conselho da Petrobras — não vivesse na ignorância. Paulo Roberto diz que a compra da refinaria de Pasadena foi, sim, fraudulenta e serviu para alimentar o esquema.

Paulo Roberto começou a prestar seu depoimento no dia 29 de agosto. Já gravou 42 horas de conversa. E, tudo indica, está apenas no começo. O Ministério Público Federal e o STF acompanham a operação, já que a denúncia envolve uma penca de autoridades com direito a foro especial. O esquema que ele denuncia é gigantesco. Ainda voltaremos muitas vezes a esse tema. Mas notem como é ridícula toda aquela conversa sobre financiamento público de campanha. Ainda que isso existisse, o mecanismo não serviria para impedir que máquinas criminosas se instalassem em estatais. Se o Brasil quer acabar com boa parte da roubalheira, deve começar privatizando as empresas públicas. Quais? Todas!

VEJA teve acesso a parte do depoimento de Paulo Roberto e traz reportagens exclusivas na edição desta semana, com a lista dos nomes citados por Paulo Roberto. Entre eles, estão cabeças coroadas da política brasileira, como o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB). Paulo Roberto acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: estão em sua lista os presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados João Pizzolatti (PT-SC) e Candido Vaccarezza (PT-SP), que já havia aparecido como um dos políticos envolvidos com o doleiro Alberto Youssef, que era quem viabilizava as operações de distribuição de dinheiro. Mas há muitos outros, como vocês poderão constatar nas reportagens de VEJA, como Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades, do PP da Bahia.



O esquema começou no governo dele, que, segundo Paulo Roberto, sabia de tudo…



…e continuou no governo dela. Será que não sabia? O engenheiro está magoado com a presidente…

Lula e Dilma não quiseram se pronunciar a respeito. Os demais negam envolvimento com Paulo Roberto. Alves, o presidente da Câmara, chega a dizer ao repudiar a acusação: “A Petrobras é petista”. Que o PT estivesse no centro do esquema, isso parece inegável. Um dos nomes da lista feita pelo engenheiro é João Vaccari Neto, o homem que cuida do dinheiro do PT. É secretário de Finanças do partido. Ele é, vejam a ironia da coisa, o substituto de Delúbio Soares. Não é a primeira vez que seu nome frequenta o rol de envolvidos em escândalos.

Paulo Roberto tem noção da gravidade de suas acusações. Tanto é que, quando ainda hesitava em fazer a delação premiada, cravou a frase: “Se eu falar, não vai ter eleição”.

E por que falou? A interlocutores, ele diz que não quer acabar como Marcos Valério, que ficará por muitos anos na cadeia, enquanto os chefões políticos do mensalão já se preparam para viver dias felizes fora do xadrez. O homem também está muito magoado com a presidente Dilma. Até agora, ele não fez nenhuma acusação direta à candidata do PT à reeleição — Lula não escapou —, mas deixa claro que ela foi, sim, politicamente beneficiada pelo propinoduto, que mantinha feliz a base aliada.

Qual vai ser o desdobramento político disso? Vamos ver. Uma coisa é certa: as revelações de Paulo Roberto atingem em cheio as duas candidatas que lideram a disputa pela Presidência da República: Dilma, por razões óbvias, e Marina, por razões menos óbvias, mas ainda assim evidentes. Ela é a atual candidata do PSB à Presidência. Confirmadas as acusações de Paulo Roberto, é de se supor que o esquema ajudou a financiar as ambições políticas de Campos, de que ela se tornou a herdeira.

A situação de Dilma, obviamente, é mais grave: afinal, ela era a czarina do setor energético, ao qual pertence a Petrobras. Presidia também o seu conselho. Deu um empregão para Nestor Cerveró, o homem que ajudou a viabilizar a compra de Pasadena, que Paulo Roberto agora diz ter sido fraudulenta. O chefão das finanças de seu partido é um dos implicados no esquema.

Paulo Roberto ainda está preso. Ele se comprometeu a abrir mão dos bens que acumulou em razão do esquema fraudulento e a pagar uma multa. As pessoas que atuam na investigação têm agora de confrontar suas informações com outras provas colhidas, com o objetivo de verificar se suas informações são procedentes. Se forem e se ele realmente ajudar a desbaratar um esquema de falcatruas bilionárias, pode até ganhar a liberdade.

A República treme.


06/09/2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Dilma é vaiada antes de evento em seu berço político




Presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff é recebida com protestos
na abertura da Expointer em Esteio
(RS)
(Ivan Pacheco/VEJA.com)

Por Maquiavel
Globo.com

 
A presidente-candidata Dilma Rousseff foi recebida sob forte vaia por um grupo de grevistas do Judiciário Federal na manhã desta sexta-feira em Esteio, no Rio Grande do Sul, Estado que é berço político da petista.

Os manifestantes reivindicam reajuste salarial e creditam a Dilma a responsabilidade pelo congelamento de suas remunerações.

"Dilma a culpa é sua. Trabalhador na rua", gritaram.

Os protestos logo foram abafados por militantes pró-Dilma, que imediatamente a aplaudiram.

Ao lado do governador Tarso Genro, Dilma faz uma visita a Expointer, tradicional feira de agronegócio, nesta manhã.

O tucano Aécio Neves também visitará o evento nesta sexta.

Marina Silva esteve na feira na tarde desta quinta-feira.
(Marcela Mattos, de Esteio)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Mercados reagem mal à melhora de petista nas pesquisas porque sabe que Dilma é a ministra da Fazenda de… Dilma!



Por Reinaldo Azevedo


Que coisa, né? Governos existem para quê? Para manter a ordem legal, para adotar medidas corretivas quando está em desequilíbrio na sociedade, para implementar programas que melhorem a vida das pessoas e lhes deem a perspectiva de um futuro melhor. Ocorre que, muitas vezes, o governo, em vez de ser a solução, se torna o problema. E é precisamente isso o que se dá hoje com a presidente Dilma Rousseff. Claramente, existe um governo que atrapalha a sociedade.

Bastou que as pesquisas Datafolha e Ibope tenham elevado um tiquinho a possibilidade de a presidente Dilma ser reeleita, e o mercado despencou, atraído pela queda das estatais. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Petrobras caíram 4,74%; os papeis do Banco do Brasil recuaram 5,34%, e as ações ordinárias da Eletrobras caíram 4,35%. Com isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,68%, para 60.800 pontos.

Lá pelas bandas do site “Muda Mais”, aquele delírio retórico comandado por Franklin Martins, os petistas podem bater no peito e afirmar: “Ah, mas a presidente Dilma não governa para os mercados, e sim para as pessoas.” Como vocês sabem, campanhas eleitorais são capazes de dizer boçalidades como essas.

Ocorre que essa contradição só existe na cabeça de celerados, entendem? Ainda que os mercados possam não ser a medida de todas as coisas e não representem, obviamente, os interesses do conjunto dos brasileiros, é evidente que os resultados desta quinta apontam para perspectivas extremamente negativas caso Dilma seja reeleita.

A presidente já acenou que um eventual novo governo seu trará mudanças, inclusive da equipe. Não há viv’alma que aposte na continuidade de Guido Mantega caso ela ganhe um segundo mandato. Mas a questão posta é a seguinte: adianta? Afinal, quem manda na economia? O consenso é que Dilma Rousseff é a ministra de Dilma Rousseff, e aí está a raiz do problema e da desconfiança.

Se a queda artificial de juros em passado recente não bastasse; se a contabilidade criativa do governo não bastasse; se a política tico-tico-no-fubá das desonerações não bastasse, há o erro brutal, pantagruélico, cometido no setor elétrico. Eis aí: não adianta tentar jogar a barbeiragem no colo do ministro da Fazenda. Ele, de fato, não tem nada com isso. Dilma fez porque quis — ignorando, diga-se, advertências feitas por gente de sua equipe.

Os sinais emitidos pela Bolsa indicam, no caso de vitória de Dilma, um futuro com confiança menor e investimentos menores. Isso tudo num cenário que, mesmo sem agravamento de problemas, já prevê um 2015 com crescimento de 1,1%, taxa de juros em 11,75% e inflação em 6,29%.

Nesta quarta, só para arrematar, Lula ameaçou: ele quer voltar em 2018. Se o eleitor não tiver, que Deus tenha piedade de nós.
04/09/2014

Na paisagem eleitoral, falta o porta-voz dos indignados com os fora da lei no poder



Por Augusto Nunes

Dilma Rousseff perde o sono em dia de pesquisa e perde o controle dos nervosos em noite de debate. É compreensível que se apavore ao imaginar-se conversando com um jornalista independente. Ao escapar do encontro com o excelente William Waack, a fugitiva do Jornal da Globo poupou o cérebro baldio do colapso que seria inevitavelmente consumado pelas perguntas que aguardavam a entrevistada. Confiram:

1. Os últimos índices oficiais de crescimento indicam que o país entrou em recessão técnica. A senhora ainda insiste em culpar a crise internacional, mesmo diante do fato de que muitos países comparáveis ao nosso estão crescendo mais?

2. A senhora continuará a represar os preços da gasolina e do diesel artificialmente para segurar a inflação, com prejuízo para a Petrobras?

3. A forma como é feita a contabilidade dos gastos públicos no Brasil, no seu governo, tem sido criticada por economistas, dentro e fora do país, e apontada como fator de quebra de confiança. Como a senhora responde a isso?

4. A senhora prometeu investir R$ 34 bilhões em saneamento básico e abastecimento de água até o fim do mandato. No fim do ano passado, tinha investido menos da metade, segundo o Ministério das Cidades. O que deu errado?

5. Em 2002, o então candidato Lula prometeu erradicar o analfabetismo, mas não conseguiu. Em 2010, foi a vez da senhora, em campanha, fazer a mesma promessa. Mas foi durante o seu mandato que o índice aumentou pela primeira vez, depois de quinze anos. Por quê?

6. A senhora considera correto dar dentes postiços para uma cidadã pobre, um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do seu programa eleitoral de televisão?

O que há com Aécio Neves que até agora não formulou nenhuma dessas perguntas ─ claras, concisas e contundentes ─ em debates na TV ou no horário eleitoral? O que espera o terceiro colocado nas pesquisas (e em quda) para acrescentar à sequência de interrogações dezenas de outras amparadas no colosso de casos de polícia protagonizados pelo governo em decomposição? Por que não força a candidata à reeleição a afundar agarrada a respostas bisonhas e álibis mambembes? Para continuar sonhando com o segundo turno, Aécio deve gastar muito mais chumbo com a presidente sem rumo do que com Marina. É Dilma a concorrente a ser batida.

A onda cavalgada por Marina parece exibir força e fôlego suficientes para alcançar a praia do Planalto. É na onda antipetista, de dimensões igualmente impressionantes, que Aécio Neves talvez consiga surfar. Aí reside a chance derradeira. O PT está cada vez mais grisalho e enrugado. Sumiu o Lula que instalava postes em qualquer gabinete. Quase todos os companheiros candidatos a governador estão mal no retrato. Alguns resfolegam na zona do rebaixamento. Em São Paulo, por exemplo, Alexandre Padilha, produzido e dirigido pelo chefe supremo, nem chegou aos dois dígitos.

Até agora, os milhões de indignados com os fora da lei no poder não têm porta-voz na temporada de caça ao voto. Nenhum candidato à Presidência ou a governos estaduais traduz o que vai pela mente e pela alma dos humilhados e ofendidos por 12 anos de corrupção, descaramento, cinismo, inépcia, parcerias obscenas, cafajestagem, arrogância, agressões à liberdade e ao Estado Democrático de Direito, fora o resto.

Na paisagem eleitoral, falta o candidato da indignação. Talvez haja tempo para que Aécio Neves se transforme no que desde sempre deveria ter sido e não foi.
03/09/2014


terça-feira, 2 de setembro de 2014

‘Sabemos o que é Dilma e o que Aécio é. Marina Silva é o quê?’



Augusto Nunes
O que é Marina Silva?
Sabemos o que é Dilma Rousseff, o poste búlgaro.
E Aécio, o hesitante que se esqueceu das montanhas de Minas.

Mas e Marina?

Quem é?

Uma política profissional que nasceu no partido que aproveitou o discurso da falsa ética para ser pior que qualquer outro.

Foi vereadora, deputada, senadora e ministra do PT. O mesmo PT dos ladrões presos, do líder ignorante e da presidente que não consegue ser inteligível.

Confortavelmente instalada nas salas do poder, usufruindo das benesses, deixando-se ser usada pelo desastre sociológico com nome de molusco, Marina cresceu e se transformou em uma sólida alternativa de poder nestas eleições em que até recentemente estava relegada ao segundo plano.

Se tínhamos Dilma a “muié do homi”, hoje temos a “viúva do outro”.

Agora sabemos que, após ser senadora e surpresa da últimas eleições, usou este capital político para faturar como palestrante mais de R$ 1,6 milhão de reais (média de R$ 41 mil/mês). Há algo de errado nisto? Não. Paga quem quer ouvir.

O que é profundamente hipócrita é Marina se apresentar como símbolo do “novo”, como detentora dos direitos autorais de uma “nova política” sem sequer indenizar Fernando Collor, inventor dessa derivação que parece prescindir de partidos ou da própria democracia.

Desonestidade intelectual e esperteza política indecente. Embora ainda longe do banditismo do PT, indica uma tendência preocupante.

A falsificação do que é diminui – e muito – o que Marina poderia ser. Mas nunca foi ou será.

Marina é somente uma cópia de Lula sem a mitomania e a menos valia do senhor dos postes apagados e fios desencapados.

Marina é uma Dilma que consegue não falar nada, mas alguma lógica, sem espancar a língua pátria ou defender bandido de peito aberto.

Marina preferiu o caminho mais fácil: copiar tudo que o PT prometia e jamais cumpriu. Em nome do mesmo messianismo que o filho do barril encarnou. Até porque estudou e parece não ter azia ao ler jornal, Marina serve para demonstrar quão insignificante Lula foi e Dilma é.

Para ser presidente e recuperar este país é preciso mais. Muito mais.

Adhemar de Barros tinha orgulho em ser identificado com o “rouba mas faz”!.

Marina parece confortável com “ o não rouba e não faz”. Não roubar é obedecer à lei e evitar a cadeia! Não é privilégio de ninguém. E fazer algo que prometeu, o mínimo que se espera de quem prometeu.

A questão central é que Marina promete nuvens. E estas mudam com os ventos. E a culpa sempre será do vento. Nunca do piloto.

E assim somos impedidos de ao menos cobrar o que Marina prometeu e se comprometeu.

Até aqui ela não se comprometeu com nada. O nada é incobrável.

01/09/2014

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O raquitismo da economia é o legado dos farsantes que se afogaram na marolinha


Haja cinismo





Por Augusto Nunes
“Forçada a enfrentar a crise, Dilma imita Lula e a procissão de bravatas recomeça”, resumiu o título do post publicado em março de 2012. O texto tratou de mais um surto de soberba da doutora em nada que se imagina especialista em tudo: caprichando na pose de quem concluiu aquele curso de doutorado na Unicamp que nem começou, Dilma Rousseff resolveu dar conselhos a países europeus castigados pela crise de dimensões planetárias.

Conseguiu apenas ampliar o acervo de cretinices acumulado desde 2008, quando Lula abriu o cortejo de falácias, fantasias, mentiras e falatórios sem pé nem cabeça produzidos pelos fundadores da Era da Mediocridade.

Nesta quinta-feira, o país (ainda) conduzido por farsantes soube que encalhou no atoleiro. Depois de encolher 0,2% no primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto diminuiu mais 0,6% de abril a junho. Confrontados com a esqualidez do pibinho, os tripulantes da nau dos insensatos trataram de caçar justificativas para o fiasco histórico. Dilma desconfiou que não bastaria dar outro pito no vilão de sempre — a crise internacional que seu padrinho jurou ter derrotado. E então incluiu entre os culpados pela “recessão técnica”a Copa dos 7 a 1.

“Por causa da Copa do Mundo, tivemos a maior quantidade de feriados na história do Brasil, nos últimos anos, nesse trimestre”, fantasiou a presidente que, convencida de que a vadiagem coletiva melhora o trânsito, decretou a maior quantidade da história do Brasil. A Copa das Copas começou a semana na relação das proezas federais que aceleraram o crescimento econômico. Terminou-a acusada pela presidente de ter acentuado o raquitismo do pibinho. Haja cinismo.

A explicação é tão veraz quanto o palavrório costurado por Lula em 27 de março de 2008, quando a crise nascida nos Estados Unidos já contaminara vários países. “Um dia acordei invocado e liguei para o Bush”, gabou-se o então presidente. “Eu disse: ‘Bush, meu filho, resolve o problema da crise, porque não vou deixar que ela atravesse o Atlântico’”. Como Lula só fala português, Bush decerto não entendeu o que ordenara o colega monoglota. E a crise navegou sem sobressaltos até desembarcar nas praias do Brasil.

O presidente invocado voltou ao tema só depois de seis meses ─ para comunicar que livrara o país do perigo. “Que crise? Pergunte ao Bush”, recomendou em 17 de setembro. “O Brasil vive um momento mágico”, emendou no dia 21. No dia 22, pareceu mais cauteloso: “Até agora, graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico”, ressalvou. Uma semana depois, a ficha enfim começou a cair. “O Brasil, se tiver que passar por um aperto, será muito pequeno”, disse em 29 de setembro.

A rendição pareceu iminente no dia 30: “A crise é tão séria e profunda que nem sabemos o tamanho. Talvez seja a maior na História mundial”. Em 4 de outubro, o otimista delirante voltou ao palco para erguer com poucas palavras o monumento à megalomania: “Lá nos Estados Unidos, a crise é um tsunami. Aqui, se chegar, vai ser uma marolinha, que não dá nem para esquiar”. No dia 8, conseguiu finalmente enxergar o tamanho do buraco.

A anemia dos índices registrados de lá para cá mostrou o que acontece a um país governado por quem se nega a ver as coisas como as coisas são, e enfrenta com bazófias e bravatas complicações econômicas de dimensões globais. Essa espécie de monstro é impiedosa com populistas falastrões. Mas o bando de reincidentes não tem cura: três anos depois, a estratégia inaugurada pelo Exterminador do Plural começou a ser reprisada em dilmês. Se Lula acordava invocado com George Bush, Dilma passou a perder a paciência com uma entidade que batizou de “tsunami monetário”.

Em março de 2012, numa discurseira de espantar napoleão de hospício, a presidente atribuiu a paternidade da criatura a “países desenvolvidos que não usam políticas fiscais de ampliação da capacidade de investimento para retomar e sair da crise que estão metidos e que usam, então, despejam, literalmente, despejam quatro trilhões e setecentos bilhões de dólares no mundo ao ampliar de forma muito… é importante que a gente perceba isso, muito adversa, perversa para o resto dos países, principalmente aqueles em crescimento”.

Lula vivia recomendando aos americanos que se mirassem no exemplo do Brasil. Dilma se promoveu a conselheira da Europa. “Eu acho que uma coisa importante é que os países desenvolvidos não só façam políticas expansionistas monetárias, mas façam políticas de expansão do investimento”, ensinou em 5 de março de 2012. Concluiu a lição no dia seguinte: “Somos uma economia soberana. Tomaremos todas as medidas para nos proteger”.

Quatro anos depois de reduzido por Lula a marolinha, o tsunami foi desafiado por Dilma a duelar com o Brasil Maravilha. “Nós estamos 100% preparados, 200% preparados, 300% preparados para enfrentar a crise”, avisou. Como o padrinho em 2008, a afilhada despejou outro balaio de medidas de estímulo ao consumo.Ficou mais fácil comprar automóveis, os congestionamentos de trânsito ficaram maiores nos dois anos seguintes. E o governo acabou obrigado a decretar durante a Copa os feriados que, segundo a presidente, acentuaram o raquitismo do pibinho.

Lula jurava que o país do carnaval foi o último a entrar na crise e o primeiro a sair. Dilma vinha repetindo de meia em meia hora que o resto do mundo inveja o colosso tropical. Conversa de 171, prova o infográfico no blog Impávido Colosso. Pouquíssimas nações fazem companhia ao Brasil no pântano do crescimento zero. A saúde da economia nativa não será restabelecida tão cedo. E pode piorar até o fim do ano.

Já na eleição de outubro, contudo, deverão ser extirpados os tumores lulopetistas, em expansão há quase 12 anos. Se continuassem sem controle por mais quatro, o Brasil democrático deixaria de existir.


31/08/2014

domingo, 31 de agosto de 2014

A ganância dos ungidos abnegados. Ou: Marina, a milionária


Quem não estaria rindo assim com tanto dinheiro?
 



Por Rodrigo Constantino

Confesso ao leitor: não sou uma pessoa incrível. Ao menos não quando sou obrigado a me comparar com seres fantásticos que habitam nossa esquerda política. Sou acusado – com razão – de ser um liberal e, portanto, um ser individualista e até, cruzes!, ganancioso. Mea culpa. Penso no meu bem-estar e no de minha família antes de pensar na situação do pobre garoto acriano que desconheço, quiçá no menino miserável indiano ou nas baleias em risco de extinção.

Sim, é verdade que luto com afinco para tentar melhorar o Brasil, que me esforço para apresentar uma alternativa liberal, uma agenda de reformas que, estou certo, ajudariam milhões de brasileiros. Esse blog, com vários textos diários, inclusive nos fins de semana, prova isso. Mas não tenho a pretensão de “salvar o mundo” ou de criar “um mundo melhor”, daqueles totalmente revolucionados em que a maldade, o preconceito e a pobreza não mais existem, um mundo igualitário como o paraíso socialista. Tenho metas mais modestas.

E Deus sabe que, apesar de minha ganância por querer melhorar também a minha vida e a de minha família, já aceitei fazer inúmeras palestras gratuitas Brasil afora. A causa liberal foi, nesses vários casos, colocada acima dos meus próprios interesses imediatos ou pecuniários. A troca do carro pode esperar. Aquela viagem prometida fica para depois. Há muito em jogo. O futuro de minha filha corre perigo em um país cuja democracia está ameaçada. E por aí vai minha racionalização.

Fiz todo esse arrazoado para chegar à notícia que estampa a capa da Folha hoje: Marina ganhou R$ 1,6 milhão com palestras em três anos. O mistério está desfeito. Ninguém sabia como ela se sustentava direito. Está explicado, ainda que parcialmente, pois os nomes das empresas e o cachê por palestra não foram relevados. Podemos inferir que cobra mais de R$ 20 mil por palestra, pois foram 72 no total, segundo a reportagem:

Em pouco mais de três anos, Marina diz que assinou 65 contratos e fez 72 palestras remuneradas. Ela se recusa a identificar os nomes das empresas e das entidades que pagaram para ouvi-la, alegando que os contratos têm cláusulas de confidencialidade.

No ano passado, a própria Marina pediu a entidades que a tinham contratado para não divulgar seu cachê, como a Folha informou em outubro.

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, que também cobram por palestras desde que deixaram o cargo, mantêm igualmente em segredo os valores que recebem e a identidade dos clientes.

O faturamento bruto da empresa de Marina lhe rendeu, em média, R$ 41 mil mensais. O valor é mais que o dobro dos R$ 16,5 mil que ela recebia como senadora no fim de seu mandato, em 2010.


Diante dos valores cobrados por Lula, que chegam às centenas de milhares por uma mísera palestra, até que Marina é mais comedida. Talvez porque ela ainda não foi presidente. Mas é realmente impressionante como a esquerda ungida e abnegada, que só pensa nos pobres e em salvar o mundo, do café da manhã à hora de dormir, fatura alto.

Alguém mais cético poderia até suspeitar de… ganância! Mas não é nada disso. É que até um revolucionário altruísta precisa sobreviver, como outro especialista em palestras justificou. Falo de Pimentel, candidato ao governo de Minas Gerais pelo PT, que arrecadou R$ 2 milhões em “palestras” que ninguém viu. Ei, quem luta tanto pelos mais pobres tem direito a um pouco de conforto, não é mesmo?

Marina, associada pelo eleitor aos mais pobres, ainda que financiada pela bilionária herdeira do Itaú e o bilionário dono da Natura, também precisava se sustentar nesse período longe do governo. Sim, é verdade que seu marido ganhava bem no governo petista do Acre. Mas ela é uma mulher moderna e independente, e tem direito à sua própria remuneração. Pouco mais de R$ 40 mil mensais, porque ninguém é de ferro, e todos temos obrigações no cotidiano.

Thomas Sowell diz que não compreende por que é ganância querer preservar o próprio dinheiro, mas não é ganância desejar avançar sobre o dinheiro dos outros, como propõem todos os políticos de esquerda. Sowell pode ser muito inteligente, mas não entendeu o mundo direito. Ganância não tem nada a ver com o acúmulo desenfreado de riqueza; mas sim com a postura ideológica.

Se o sujeito cobra milhares de reais só para uma rápida palestra, se faz consultorias milionárias, se importa tecido do Egito ou demanda jatinho particular para sua locomoção, como faz Lula, mas preserva um discurso em prol dos pobres, pregando mais estado que, por ironia, vai ter de cobrar mais impostos que punem os pobres, ele é um ungido abnegado.

Agora, se o sujeito faz palestras gratuitas, fica na fila para pegar um voo na classe econômica e mantém seu carro ano 2007 com mais de 80 mil quilômetros rodados, mas adota um discurso liberal que prega menos concentração de poder no estado, então claro que ele é um ganancioso egoísta, lacaio do capital, que só pensa em ficar rico. Entendeu, Sowell?


31/08/2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Justiça obriga BNDES a divulgar empréstimos




Por Reinaldo Azevedo

Por Maíra Magro


A Justiça Federal em Brasília condenou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a divulgar, em seu site, informações detalhadas sobre todos os empréstimos a entidades ou empresas públicas e privadas, relativas aos últimos dez anos e daqui pra frente.

A decisão inclui qualquer apoio a programas, projetos, obras e serviços com aporte de recursos públicos, e engloba também a subsidiária BNDESPar, braço de investimentos em participações do banco. O BNDES afirmou que recorrerá da sentença.
Segundo a juíza Adverci Rates Mendes de Abreu, da 20ª Vara do Distrito Federal, o banco está sujeito à Lei de Acesso a Informações Públicas e os contratos da instituição, por envolverem recursos públicos, não são protegidos pelo sigilo fiscal ou bancário.
Apesar de ser uma empresa pública federal, que recebe aportes bilionários do Tesouro Nacional, o BNDES é considerado uma “caixa preta” até mesmo pelos órgãos de controle. O banco não divulga informações sobre financiamentos a empresas privadas com a justificativa de que estão protegidas por sigilo bancário. A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou no processo como assistente do banco para reforçar o pedido de manutenção do sigilo.
Se a sentença prevalecer, o BNDES fica obrigado a divulgar o valor dos empréstimos, destinatários, modalidade de apoio e sua justificativa, além de detalhes como forma e condição de captação dos recursos, critérios para definir onde o dinheiro é investido, risco, prazos, taxas de juros, garantias e o retorno obtido.
“Em que pese sua natureza jurídica de direito privado, [o BNDES] é empresa pública federal e está sujeito ao regime jurídico administrativo e às regras de direito público, dentre as quais a Lei de Acesso à Informação”, afirma a juíza, acrescentando que as entidades privadas que contratarem com o banco estão sujeitas às mesmas exigências. De acordo com ela, a divulgação não contraria o sigilo bancário das companhias: “Ao contratar com o poder público, tais empresas se sujeitam às regras de direito público, e, portanto, à lei da transparência”.
A decisão foi tomada na análise de uma ação civil pública apresentada pela Procuradoria da República no Distrito Federal. Para o Ministério Público Federal (MPF), quando se fala em dinheiro público, o sigilo bancário não se aplica. “Se fosse um banco privado, as informações não teriam relevância para o cidadão. Mas no caso do BNDES é importante saber como o dinheiro público está sendo tratado”, disse ao Valor a procuradora da República Luciana Loureiro Oliveira, ao entrar com a ação.
O processo foi motivado por um inquérito aberto pelo MPF em 2011, diante da notícia de que o BNDES faria um aporte de até R$ 4,5 bilhões na fusão entre o grupo Pão de Açúcar e as operações brasileiras da rede francesa Carrefour. O negócio acabou não se concretizando, mas gerou protesto contra o uso de dinheiro do contribuinte para financiar grandes grupos.
Segundo a procuradora, o banco se negou a fornecer os dados solicitados pelo MPF para investigar, na época, se haveria interesse público na operação. Agora, o BNDES também foi condenado a repassar ao MPF todas as informações requisitadas sobre apoio ou financiamento a entidades públicas e privadas, independentemente de ordem judicial.
O BNDES enfrenta outras ações semelhantes na Justiça. Em fevereiro, o presidente eleito do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, concedeu liminar à “Folha de S. Paulo” garantindo o acesso a relatórios de análise do banco para concessão de empréstimos e financiamentos superiores a R$ 100 milhões. O caso ainda será julgado pelo plenário da Corte.
Procurado pelo Valor, o BNDES afirmou que “fornece o máximo de informações possíveis” sobre suas operações, “resguardadas apenas aquelas para as quais existam restrições legais que impeçam sua divulgação ou quando estejam relacionadas a questões de caráter comercial e concorrencial que possam prejudicar o BNDES ou seus clientes.








sábado, 16 de agosto de 2014

De Lula para Dilma, em 13 de junho de 2014: ‘Eles não sabem que nós seremos capazes de fazê, democraticamente, pra fazê com que você seja a nossa presidenta por mais quatro anos neste país’


Direto ao Ponto
Por Augusto Nunes




O animador de auditórios amestrados vai despejando frases sem pé nem cabeça enquanto zanza pelo palco até estacionar a centímetros de Dilma Rousseff. Interrompe com uma pausa ligeiríssima a discurseira incompreensível e então solta o recado:

“Eles não sabem que nós seremos capazes de fazê, democraticamente, pra fazê com que você seja nossa presidenta por mais quatro anos neste país”.

Fazer coisas que, se a Justiça cumprisse o seu dever, aumentariam a bancada do PT em assembleias na Papuda, teria berrado alguém na plateia se o Brasil decente enviasse representantes a lugares frequentados por gente de altíssima periculosidade.

Passados dois meses, anotações nos prontuários companheiros confirmam que o coração do poder está infestado de incapazes capazes de tudo. Estuprar a CPI da Petrobras, por exemplo. Ou violar a internet para infiltrar infâmias em perfis de jornalistas que não se curvam ao governo. Ou forçar também o Tribunal de Contas da União a inocentar culpados. Ou chantagear diretores de bancos que distribuem relatórios que contam aos clientes a verdade sobre a política econômica conduzida por nulidades sem rumo nem juízo. Ou pinçar no vasto estoque de bandalheiras qualquer coisa que sirva para deixar claro que, numa temporada eleitoral, só é proibido perder.

Em nações civilizadas, pecados bem mais leves que esses dão cadeia. No Brasil do lulopetismo, os fora da lei impunes seguem em liberdade. E vão passar pelo menos mais dois meses fazendo o diabo.


15/08/2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência da República, ex-governador de Pernambuco e ex-ministro, está morto.



Infográfico: trajetória de Eduardo Campos (Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo/Arquivo)
Eduardo Campos era idealista, agradável, grande contador de histórias, e até se divertia fazendo política, embora a levasse a sério.

Fará falta.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Bomba! Reunião para criar farsa da CPI ocorreu no gabinete da presidente da Petrobras!


Graça Foster e Dilma: “cumpanheiras” unidas contra os interesses do povo brasileiro e de todos os acionistas da Petrobras


Por Rodrigo Constantino
Graça Foster e Dilma: “cumpanheiras” unidas contra os interesses do povo brasileiro e de todos os acionistas da Petrobras

Novas denúncias escandalosas continuam sendo reveladas sobre o caso da farsa da CPI da Petrobras. Desta vez, o Estadão afirma que o vídeo a que Veja teve acesso teria sido gravado em sala de reunião que integra o gabinete da presidente da estatal:

A reunião em que se tramou a fraude nos depoimentos à CPI da Petrobras no Senado - cuja gravação foi revelada por VEJA nesta semana - ocorreu no gabinete da presidente da companhia, Graça Foster, em Brasília, informa o jornal O Estado de S. Paulo. A sala de reuniões integra o gabinete e o acesso é restrito a servidores da alta cúpula da estatal. O espaço é usado por Graça para receber autoridades e fazer reuniões com assessores. O gabinete da presidente ocupa todo o segundo andar do prédio da Petrobras na capital federal. Reportagem de VEJA revela que governistas engendraram esquema para treinar os principais depoentes à comissão de inquérito, repassando a eles previamente as perguntas que seriam feitas pelos senadores e indicando as respostas que deveriam ser dadas.

Participaram do encontro o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e Leonan Calderaro Filho, chefe do departamento jurídico do escritório da Petrobras em Brasília. O objetivo do encontro era tramar a fraude no Congresso. Barrocas revela no vídeo que um gabarito foi distribuído aos depoentes mais importantes para que não entrassem em contradição. Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais, Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado, e Carlos Hetzel, secretário parlamentar do PT na Casa, são citados como autores das perguntas que acabariam sendo apresentadas ao ex-diretor Nestor Cerveró, apontado como o autor do “parecer falho” que levou a estatal do petróleo a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio que impôs prejuízo de pelo menos 792 milhões de dólares à empresa. Segundo conta Barrocas, Delcídio Amaral (PT-MS), ex-presidente da CPI dos Correios, encarregou-se da aproximação com Cerveró. Relator da comissão, José Pimentel (PT-CE), a quem respondem Marcos Rogério e Carlos Hetzel, formulou 138 das 157 perguntas feitas a Cerveró na CPI e cuidou para que o gabarito chegasse ao ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Procurada, a estatal não respondeu ontem aos questionamentos do jornal a respeito do uso do gabinete da presidente Graça Foster. Pessoas que convivem com os dois disseram à reportagem que Barrocas é fiel a Graça e não toma decisões mais complexas envolvendo a Petrobras sem o aval da chefe.

Atenção! Sei que os brasileiros estamos anestesiados com tanto escândalo, e que o PT conseguiu banalizar a corrupção, as práticas anti-republicanas, tudo! Mas não podemos ignorar a imensa gravidade disso tudo. Em qualquer país minimamente sério, que não seja uma República das Bananas, um escândalo desses derrubaria a presidente da estatal e teria sérias consequências para todos os envolvidos.

O que essa gente fez foi tramar um golpe contra a democracia. Uma CPI é uma prerrogativa de estado para salvaguardar os direitos do cidadão de investigar indícios de corrupção e desvios. Montar uma farsa, um teatro com cartas marcadas na própria sala de reunião da presidência da Petrobras, com políticos ligados ao governo, é simplesmente absurdo!

Proponho uma reflexão rápida ao leitor: o que seria do Brasil sem o trabalho investigativo dos poucos veículos de imprensa independentes que sobraram? Respondo: já seríamos uma Venezuela, objetivo do PT que só não se realiza porque ainda temos algumas instituições sólidas – entre elas parte da imprensa, que faz seu trabalho direito.

Não por outro motivo esses veículos independentes são tão atacados e odiados pelos petistas e blogueiros a soldo do partido. Por isso falam tanto em “democratização dos meios de comunicação”, eufemismo para controle da imprensa. Por isso a Veja é xingada diariamente nas redes sociais por aqueles que sonham em um dia transformar o Brasil em uma grande Cuba.

A imprensa fez seu papel. O escândalo está aí, com áudio e vídeo para comprovar a gravidade da coisa. Resta aos representantes eleitos pelo povo tomar uma atitude firme contra esse abuso de poder. Não podemos tolerar mais tanto escárnio com nossa democracia!

05/08/2014