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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Lya Luft: Uma educação que nos torna medíocres distraídos





Blog do Ricardo Setti

"Queremos, aceitamos, pão e circo, a Copa, a Olimpíada, a balada, o joguinho, o desconto, o prazo maior para nossas dívidas, o não saber de nada sério: a gente não quer se incomodar. Ou pior: nós temos a sensação de que não adianta mesmo"

(Ilustração: Blog do Torcedor)

MEDÍOCRES DISTRAÍDOS

Por Lya Luft

Leio com tristeza sobre quanto países como Coreia do Sul e outros estimulam o ensino básico, conseguem excelência em professores e escolas, ótimas universidades, num crescimento real, aquele no qual tudo se fundamenta: a educação, a informação, a formação de cada um.

Comparados a isso, parecemos treinar para ser medíocres. Como indivíduos, habitantes deste Brasil, estamos conscientes disso, e queremos — ou vivemos sem saber de quase nada? Não vale, para um povo, a desculpa do menino levado que tem a resposta pronta: “Eu não sabia”", “Não foi por querer”.

Pois, mesmo com a educação — isto é a informação — tão fraquinha e atrasada, temos a imprensa para nos informar. A televisão não traz só telenovelas ou programas de auditório: documentários, reportagens, notícias, nos tornam mais gente: jornais não têm só coluna policial ou fofocas sobre celebridades, mas nos deixam a par e nos integram no que se passa no mundo, no país, na cidade.

Alienação é falta grave: omissão traz burrice, futilidade é um mal. Por omissos votamos errado ou nem votamos, por desinformados não conhecemos os nossos direitos, por fúteis não queremos lucidez, não sabemos da qualidade na escola do filho, da saúde de todo mundo, da segurança em nossas ruas.

O real crescimento do país e o bem da população passam ao largo de nossos interesses. Certa vez escrevi um artigo que deu título a um livro: “Pensar é transgredir”. Inevitavelmente me perguntam: “Transgredir o quê?”. Transgredir a ordem da mediocridade, o deixa pra lá, o nem quero saber nem me conte, que nos dá a ilusão de sermos livres e leves como na beira do mar, pensamento flutuando, isso é que é vida. Será? Penso que não, porque todos, todos sem exceção, somos prejudicados pelo nosso próprio desinteresse.

Nosso país tem tamanhos problemas que não dá para fingir que está tudo bem, que somos os tais, que somos modelo para os bobos europeus e americanos, que aqui está tudo funcionando bem, e que até crescemos. Na realidade, estamos parados, continuamos burros, doentes, desamparados, ou muito menos burros e doentes e desamparados do que poderíamos estar. Já estivemos em situação pior ? Claro que sim.

Já tivemos escravidão, a mortalidade infantil era assustadora, os pobres sem assistência, nas ruas reinava a imundície, não havia atendimento algum aos necessitados (hoje há menos do que deveria, mas existe). Então, de certa forma, muita coisa melhorou. Mas poderíamos estar melhores, só que não parecemos interessados.

Queremos, aceitamos, pão e circo, a Copa, a Olimpíada, a balada, o joguinho, o desconto, o prazo maior para nossas dívidas, o não saber de nada sério: a gente não quer se incomodar. Ou pior: nós temos a sensação de que não adianta mesmo. Mas na verdade temos medo de sair às ruas, nossas casas e edifícios têm porteiro, guarda, alarmes e medo.

Nossas escolas são fraquíssimas, as universidades péssimas, e o propósito parece ser o de que isso ainda piore.

Pois, em lugar de estimularmos os professores e melhorarmos imensamente a qualidade de ensino de nossas crianças, baixamos o nível das universidades, forçando por vários recursos a entrada dos mais despreparados, que naturalmente vão sofrer ao cair na realidade. Mas a esses mais sem base, porque fizeram uma escola péssima ou ruim, dizem que terão tutores no curso superior para poder se equilibrar e participar com todos.

Porque nós não lhes demos condições positivas de fazer uma boa escola, para que pudessem chegar ao ensino superior pela própria capacidade, queremos band-aids ineficientes para fingir que está tudo bem. Não se deve baixar o nível em coisa alguma, mas elevar o nível em tudo.

Todos, de qualquer origem, cor, nível cultural e econômico ou ambiente familiar, têm direito à excelência que não lhes oferecemos, num dos maiores enganos da nossa história.

Não precisamos viver sob o melancólico império da mediocridade que parece fácil e inocente, mas trava nossas capacidades, abafa nossa lucidez, e nos deixa tão agradavelmente distraídos.
07/12/2012

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

JUIZ REVOGA CONSTITUIÇÃO E ESTUPRA O LEGISLATIVO




JUIZ REVOGA CONSTITUIÇÃO E ESTUPRA O LEGISLATIVO



Aconteceu ontem (17/10) algo insólito em São Paulo.

Não bastasse um filhote do Sarney ter exigido na Justiça a censura do Estadão – que denunciava suas corrupções - a Polícia Federal apreendeu, no bairro Cambuci, por determinação da Justiça Eleitoral, cerca de um milhão de panfletos que pregam voto contra o PT devido à posição favorável à descriminalização do aborto.

Os impressos continham um manifesto, o “Apelo a Todos os Brasileiros”, elaborado pela Comissão de Defesa da Vida da Regional Sul I, da CNBB.

Dilma Rousseff considerou crime eleitoral a distribuição dos panfletos assinados por uma diocese, recomendando voto contra o PT.

"É crime eleitoral.

Eu acho que tem uma central de boatos fazendo ofensivas contra a minha candidatura. Que são nitidamente ilegais e merecem ser investigados
".

Afirmou ainda que a ação beneficia José Serra, mas evitou ligá-lo diretamente à confecção dos panfletos.
"Não é do meu feitio sair acusando sem ter investigação. Sabemos a quem beneficia: ao meu adversário. Se foi ele ou não, resta ser provado."

Antes mesmo de ser eleita, a moça está mostrando ao que vem. Isso sem falar que não tem noção nenhuma do que seja direito, noção das mais úteis em um candidato à Presidência da República.



Desde quando desrecomendar – ou recomendar – um candidato constitui crime eleitoral?

Admitamos, para efeitos de argumentação, que Serra estivesse ligado à produção dos impressos.

Desde quando um candidato não pode recomendar a não votar em seu adversário?

Isto é o que tem feito Lula todos os dias e neste caso, evidentemente, Dona Dilma não fala em crime eleitoral.

Pelo que se depreende das declarações da candidata, só o PT tem o direito de desrecomendar o adversário.

A oposição não tem direito algum a fazer oposição.


Stalin não faria melhor.

É o bracinho nazista do Dr. Strangelove que o PT porta e não consegue controlar.

Longe de mim defender Serra ou a Igreja Católica. 

Considero inclusive que os religiosos não têm razão alguma para meter-se em questões de Estado.

Mas jamais me ocorreria negar-lhes o direito a manifestar sua opinião.


Sempre fui a favor do aborto.

Mas se alguém é contra, que se manifeste.

Toda vez que alguém cita a ex-terrorista como defensora do aborto, ela fala em calúnias e central de boatos.

Ora, não se trata de calúnia nem de boatos.

Os vídeos que têm sido divulgados nas Internet e jornais a mostram defendendo a descriminalização do aborto em alto em bom som. Isso há apenas três anos.

Dona Dilma, em busca do voto religioso, evita tocar no assunto. Nem confirma o que disse, nem desmente e nem ao menos declara que mudou de idéia.

A liminar para a apreensão dos panfletos, atendendo a representação do PT, foi concedida pelo ministro do TSE Henrique Neves, que revogou o direito à livre expressão conferido pela Constituição.

Está ocorrendo no Brasil um estupro contínuo do Legislativo pelo Judiciário. Os legisladores fazem leis e os juízes as revogam. Ora, não é função de juiz revogar leis. A função de um juiz é julgar se os fatos estão de acordo com as leis.

Espanta ver a facilidade como um juizeco qualquer neste país revoga de uma penada a Constituição e estupra o Legislativo. Isso sem falar na asnice atroz dos petistas.

Ao pedirem a proibição do manifesto, deram ao mesmo uma divulgação que jamais teria se não fosse proibido.

Tanto na imprensa como na Internet.

Pelo jeito, estes neoluditas ainda não perceberam que, em dias de Internet, toda censura é inviável.
COMENTO:  tomo a liberdade de complementar o raciocínio do Janer Cristaldo, indagando se a candidata petista também entende como 'crime eleitoral' o uso que alguns "intelectuais" estão fazendo de computadores das universidades federais (material público cuja utilização gera despesas públicas)  para difundir mensagens contra o candidato do PSDB, bem como "o blog do ... CPERS, aparelhado pelo PT e pelo PSOL e mantido com receita anual de R$ 50milhões arrecadados dos professores públicos estaduais, [é] usado de modo ilegal para defender a candidatura da ex-ministra Dilma Roussef"; como foi  noticiado pelo jornalista Políbio Braga; ou mesmo a propaganda feita pela CUT, condenada  pelo TSE, conforme  noticia do blog de Ricardo Noblet.