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terça-feira, 16 de março de 2010

Arruda é cassado


O Tribunal Regional Eleitoral do DF acaba de cassar o mandato de governador de José Roberto Arruda.

Por 4 votos a 3, os juízes concluíram que o governador cometeu infidelidade partidária ao deixar o DEM para não ser expulso do partido.
Por Lauro Jardim
20:36

sábado, 13 de março de 2010

As cadeias estão à espera dos arrudas protegidos pelo rei




Há três meses, os milicianos do PT endossam sem retoques todas as acusações que atingem José Roberto Arruda e, desde a véspera do Carnaval, festejam a merecida transferência para a cadeia do governador do Distrito Federal.

Nenhum companheiro ressalva que o chefe da Turma do Panetone “ainda não foi condenado em última instância”.
Nenhum enxergou “manobras partidárias” no “mensalão do DEM”. Nenhum debitou na conta de “perseguições políticas” as descobertas da Polícia Federal.


Como determina a novilíngua lulista, tais expressões são reservadas a bandalheiras produzidas por filiados ao PT ou parceiros incorporados à base alugada.

Se envolve bandidos de estimação, qualquer pontapé no Código Penal ganha imediatamente o selo de ”trama forjada para prejudicar Dilma Rousseff”.

A frase significa apenas que os acusados não têm nada de consistente a dizer em sua defesa. Compreensivelmente, tem sido declamada pelo bando que desviou milhões de reais da Bancoop.

Formuladas pelo promotor José Carlos Blat e divulgadas por VEJA, as denúncias foram reduzidas a ”perseguição política” e “manobra partidária” por João Vaccari, ex-presidente da entidade e hoje tesoureiro do PT nacional.

A entrevista concedida ao Estadão pelo sucessor de Delúbio Soares confirma que um dos efeitos perversos da
Era da Impunidade é o desembaraço com que gente com contas a acertar na Justiça procura passar de acusado a acusador.

Grosseiro na forma e fraudulento no conteúdo, o falatório debocha do Ministério Público, zomba das centenas de cooperados iludidos e tenta confundir o noticiário da imprensa com mentiras de ruborizar uma Dilma Rousseff. Vaccari garante, por exemplo, que as acusações de Blat não se refletiram em decisões judiciais. Falso. Mais de 70 juízes já se pronunciaram sobre o caso. Todos entenderam que a entidade pecou.
Enfiado até o pescoço nas operações suspeitíssimas, o Alto Companheiro também sustenta que todas as ações da diretoria foram autorizadas pelos cooperados em assembléias exemplarmente democráticas.

Falso.

Os dirigentes sempre se valeram de critérios arbitrários para decidir se alguém poderia ou não participar das reuniões.

Tudo somado, está claro que a população carcerária requer a urgente incorporação dos arrudas governistas.

A prisão do governador foi um sinal animador.

A solidão do preso, uma ilha perdida no oceano de corruptos à solta, pode comprovar que só vai para a cadeia gente que, além de filmada enquanto rouba, dispensa cautelas para tentar subornar testemunhas inconvenientes.

Arruda foi preso por excesso de atrevimento, não por falta de provas. Essas andam sobrando para meliantes de todas as tendências partidárias. Como sobra dinheiro para construir presídios, tampouco faltarão celas.

O que não pode faltar é coragem para prender também os amigos do rei.
12 de março de 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Os colegas de Arruda deveriam estar numa cela. Estão no palanque.

A prisão de Arruda melhorou o Carnaval que seria perfeito com os mensaleiros na cela ao lado

A agenda do homem público José Roberto Arruda foi atropelada pelo prontuário do delinquente José Roberto Arruda.

Governador do Distrito Federal desde 2006, já deveria estar no Rio nesta sexta-feira, pronto para brilhar na Marquês de
Sapucaí. 

Criminoso irrecuperável desde o berçário,  cancelou passagens aéreas e reservas no hotel para hospedar-se involuntariamente na Polícia Federal. Em vez de desfrutar das noites cariocas, vai  pensar na vida durante as madrugadas na cadeia.

Para os brasileiros honestos, a prisão de um corrupto da classe executiva é mais animadora que qualquer samba-enredo. Pelo menos não serão afrontados pelo sorriso do bandido no camarote, pago com dinheiro público, assistindo à passagem da Beija-Flor, que escolheu o 50° aniversário de Brasília como tema do enredo para que o governo pilantra pagasse a conta da festa.

É cedo, contudo, para festejar  o fim da impunidade dos meliantes da primeira classe.

O primeiro pedido de habeas corpus foi rejeitado pelo ministro Marco Aurélio de Mello. Mas outros virão. E mesmo o mais delirante dos otimistas sabe que Arruda estará em liberdade antes da Sexta-Feira Santa.

Em países civilizados, o chefe da Turma do Panetone aprenderia o que acontece a quem rouba com a desfaçatez, a gula, e o cinismo documentados pelos vídeos inverossímeis.

Se fosse julgado por um tribunal americano, por exemplo, Arruda só voltaria a brincar no Carnaval num clube da terceira idade. Como isto aqui é o Brasil, expressões como “direito à ampla defesa” e “devido processo legal” prevalecem sobre o dever de impedir que criminosos exerçam o direito de ir e vir para dedicar-se à obstrução da Justiça, ao sumiço de provas e à intimidação de testemunhas.

É o que Arruda vinha fazendo desde a divulgação das gravações cafajestes ─ e voltará a fazer depois da escala na cadeia, só que menos ostensivamente.

Foi preso não por corrupção, mas por ansiedade.

Deveria ter esperado que os vídeos caíssem no buraco negro da desmemória brasileira para tentar subornar uma testemunha.

Mesmo para os padrões do Judiciário, foi demais.


Ironicamente, a primeira prisão de um governador corrupto, ao escancarar a solidão de Arruda na paisagem absurdamente despovoada de colegas de profissão, transformou-se numa prova contundente de que o Brasil não prende ladrões com bons advogados e amigos influentes.

Larápios infestam os três Poderes, a procissão de escândalos não para, falta espaço aos jornais para tantos patifes.

Mas só Arruda está na gaiola.

“A prisão do Arruda deve ser servir de exemplo”, disse Lula nesta sexta-feira.

“É um absurdo a gente constatar que, em pleno século 21, isso ainda acontece no Brasil”.

O Padroeiro dos Pecadores Companheiros tem tanto compromisso com a seriedade quanto um vadio profissional com o trabalho. Não lhe basta afrontar o país que presta com a absolvição liminar dos cafajestes amigos, com a mão estendida a José Sarney, com o tratamento de comparsas dispensado aos mensaleiros.

A declaração desta sexta-feira não rima com as anteriores.

“As imagens não falam por si”, resolveu Lula depois de confrontado com gatunos enfiando montes de cédulas nos bolsos, nas meias e na cueca.

Como não conseguiu livrar do camburão outro patife de estimação, o presidente faz de conta que a corrupção no Brasil foi inaugurada por Arruda.

Os cofres públicos nunca foram assaltados com tanta cupidez quanto nos últimos sete anos. Lula não conseguiu enxergar nenhum ladrão. Acaba de ver o primeiro.

Parece ficção.

Uma peça de ficção tão obscena quanto a reação da companheirada que topa qualquer safadeza porque os fins justificam os meios.

 ”Não vai falar do Arruda?”, excitam-se as patrulhas petistas, como se homens de bem pudessem ser indulgentes com um fora-da-lei só por não estar homiziado no  PT.

Como são assim, os patrulheiros precisam acreditar que todos sejam. Aqui se disse do governador do DF. desde o primeiro vídeo, o que se diz agora: merece cadeia.

O rebanho dos devotos de Lula dividem o mundo em branco e preto.

Quem apoia o chefe está certo, mesmo que seja um Sarney.

Quem não apoia está, além de errado, vinculado a todos os não-companheiros.

Fanáticos não conseguem admitir a existência de gente simplesmente honesta, pronta para exigir a punição de quem não é ─ pouco importa o nome do bandido, pouco importa a filiação partidária.

Sem Arruda na rua, o Carnaval ficou mais animado.

Ficaria muito melhor se a população carcerária fosse engrossada também pelos 40 companheiros da organização criminosa sofisticada chefiada por José Dirceu.

Se fossem eternizadas em vídeo, as cenas que exibem pais-da-pátria carregando malas da grife Marcos Valério, líderes da base alugada dividindo o produto do roubo, quantias astronômicas pousando em bancos na Suíca e outros lances pornográficos lembrariam, comparadas à chanchada da Turma do Panetone, um épico hollyoodiano.

Enquanto o escândalo do mensalão se arrasta no Supremo Tribunal Federal, os quadrilheiros desmascarados em 2005 saboreiam a liberdade imerecida.

Alguns estão de volta à direção do PT e cuidam da campanha de Dilma Rousseff.

São aplaudidos pelas mesmas matilhas que pedem a forca para o governador que, perto da turma do mensalão, fica com cara de punguista aprendiz.

Os colegas de Arruda deveriam estar numa cela.

Estão no palanque.

12 de fevereiro de 2010

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O governador do DEM amplia a bancada suprapartidária da bandidagem com imunidade



30 de novembro de 2009


A volta de José Roberto Arruda ao noticiário político-policial era tão previsível quanto a mudança das estações, a descoberta de outra mentira de Dilma Rousseff, a nomeação de mais parentes por José Sarney ou o assassinato do plural num improviso de Lula. Questão de tempo, sabia quem acompanha mesmo de longe a biografia que começou a ficar com cara de prontuário quando Arruda se diplomou no curso de bandidagem com imunidade do professor Joaquim Roriz.

O parlamentar tucano que, em 2001, renunciou ao mandato e à liderança da bancada do governo depois de enredar-se na violação do painel eletrônico foi a continuação do pecador-aprendiz adestrado por Roriz. O governador corrupto que finge enxergar uma distribuição de panetones onde se vê a distribuição de propinas é a continuação do senador que, uma semana depois de jurar inocência “pela vida dos filhos”, confessou-se culpado “por pensar nos filhos”.

O Arruda governador é a mesma entidade em nova embalagem, confeccionada por designers do DEM com o capricho reclamado pelo único candidato que o partido emplacou nas disputas estaduais de 2006. A diferença é que o canastrão desta vez entrou em cena como protagonista. Ele nasceu para decepcionar como coadjuvante.

Não vai falar nada do Arruda, nada sobre teu amigo do DEM?, cobraram em coléricas mensagens ao colunista, sitiado no interiorzão pelas carências da internet, devotos de Lula que convivem aos beijos e abraços com mensaleiros, sanguessugas, aloprados, punguistas de gravata, assaltantes vocacionais, sarneys, collors, renans e demais subespécies da grande tribo dos delinquentes federais. Também o comportamento da seita é previsível. Mas sempre útil: o brilho do olhar fanático ilumina pedagogicamente cabeças perturbadas.

As patrulhas companheiras dividem o Brasil em dois países. Um abriga os que estão com o governo e, portanto, com o povo, com a pátria e com a razão. O outro está infestado de reacionários golpistas, exploradores dos pobres e inimigos da nação. Rebanhos condicionados para seguir o sinuelo sem balidos de dúvida afundarão na perplexidade se admitirem a existência de milhões de brasileiros simplesmente democratas, providos de independência intelectual, prontos para raciocinar com autonomia de voo, dispostos a ver as coisas como as coisas são e exaustos da impunidade institucionalizada.

Esses exigem a punição de todos os corruptos, seja qual for o partido a que pertencem. E tratam com o mesmo desprezo indignado a turma de José Roberto Arruda, o bando do mensalão ou o PCC. Obediente ao que Lula ensinou, a companheirada acha que não há crime, nem haverá criminosos a punir, se o camburão estaciona diante da casa de algum companheiro. Fiel a princípios morais e códigos legais, o Brasil que presta acha que quem protege criminosos é cúmplice, que bandidos e comparsas merecem cadeia.

Se Arruda e parceiros pagarem pelos pecados cometidos, essa porção do país aguardará com mais confiança na Justiça, por exemplo, o desfecho do processo protagonizado pela quadrilha dos 40.