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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Lewandowski vota pela absolvição de dois diretores do Rural do crime de gestão fraudulenta




Por Reinaldo Azevedo

Ricardo Lewandowski votou a favor da absolvição de Ayanna Tenório, ex-diretora do Banco Rural, do crime de gestão fraudulenta. Absolveu também Vinicius Samarane, que ainda trabalha no banco. Era o esperado. O ministro havia vazado seu voto para o Estadão… Como só ele conhecia o conteúdo e como a informação está hoje no jornal, adivinhem quem contou…

Ayanna foi vice-presidente do Banco Rural de 12 de abril de 2004 a 31 de março de 2006, comandando a área de “compliance”, tecnologia e RH. Samarane era seu subordinado. Vamos ver. O que é “compliance”? É justamente a área responsável pelo cumprimento das normas internas estabelecidas pelo próprio banco e pelo cumprimento da legislação que regula a atividade. É a turma responsável pelo combate à lavagem de dinheiro.

Lewandowski comprou a versão da defesa, no caso de Ayanna (feita por Cláudio Mariz de Oliveira), admitindo que ela veio da área não-financeira e que não entendia nada da área.

Pois é. Não entendia, mas estava justamente na área mais sensível do banco. Mesmo com essa essa ignorância, chancelou a terceira rolagem do empréstimo à empresa Graffiti, no valor de R$ 10 milhões, e a quarta rolagem à empresa SMP&B, de R$ 19 milhões. As duas pertenciam a Marcos Valério.

A argumentação do ministro segue um caminho interessante.

Ao inocentar Samarane, diz que ele não endossou nenhuma rolagem de empréstimo e que não pertencia à área de “compliance”.

Muito bem: Ayanna, não obstante, endossou e pertencia e foi absolvida mesmo assim.
05/09/2012


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Relator condena os quatro do Banco Rural por gestão fraudulenta




Por Reinaldo Azevedo


O relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, condenou Kátia Rabello, dona do Banco Rural, e três diretores da instituição por gestão fraudulenta: o ex-vice-presidente João Roberto Salgado, o vice-presidente Vinícius Samarane e a ex-vice-presidente Ayanna Tenório. A pena para esse crime é de 3 a 12 anos de prisão.

Segundo o ministro, eles participaram de ações para simular empréstimos inexistentes ao PT e às empresas de Marcos Valério e assinaram documentos para endossar as fraudes, como a renovação dos supostos empréstimos, a despeito do mau comportamento do devedor, que não arcava com suas obrigações.

Barbosa desqualificou um laudo apresentado pela defesa assegurando que as operações realmente existiram: “Tais acusados procuram distorcer o sentido e o alcance dos laudos da Polícia Federal. Diante dessa manobra defensiva, o laudo foi realizado a pedido da defesa após a contabilidade de Valério e do Rural ter sido fraudada e alterada. Tal fato, essa operação ilícita, foi verificada por outros laudos da Polícia Federal”.

Depois do intervalo, será a vez do revisor, Ricardo Lewandowski.

Para os petistas, é essencial assegurar que os empréstimos realmente existiram porque isso daria origem legal a pelo menos uma parte do dinheiro do mensalão — já que outra, a que teve origem no Banco do Brasil, foi considerada ilegal por unanimidade.

03/09/2012