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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Trump declara emergência nacional para financiar muro na fronteira com o México

'Todo mundo sabe que muros funcionam', disse o presidente. Na noite de quinta, o Congresso aprovou o orçamento do governo do país sem os fundos necessários para a barreira de concreto que ele quer construir.

Por G1

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala nesta sexta-feira (15) sobre construção de muro na fronteira com o México
Foto: Carlos Barria/ Reuters


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (15) emergência nacional para financiar o muro na fronteira com o México. Na prática, a declaração dá a Trump a permissão para usar fundos federais sem aprovação do Congresso.


Trump fez o anúncio a jornalistas no jardim da Casa Branca. Sua secretária de comunicação, Sarah Sanders, tuitou a foto do momento em que o presidente assinou a declaração, no Salão Oval.

President @realDonaldTrump signs the Declaration for a National Emergency to address the national security and humanitarian crisis at the Southern Border. pic.twitter.com/0bUhudtwvSFebruary 15, 2019

Na noite de quinta, o Congresso dos EUA aprovou um projeto de lei de orçamentos que, se ratificado por Trump, evita uma nova paralisação parcial do governo. O presidente queria incluir US$ 5,7 bilhões para a construção do muro fronteiriço na lei, mas os democratas, que têm maioria na Câmara dos Deputados, se recusaram, fazendo o mandatário optar pela declaração de emergência.

"Todo mundo sabe que muros funcionam", afirmou Trump, que justificou a medida dizendo que há "tremendas" quantidades de drogas entrando nos EUA pela fronteira com o México. Ele também levou familiares de pessoas que foram mortas por imigrantes para a plateia de seu discurso.


Trump apontou que muros que já existem em locais como El Paso, no Texas, funcionam, mas que criminosos acabam dando a volta nesses muros, por isso é necessário fazer uma barreira maior.

Ele também falou que gostaria de ver "uma grande reforma da imigração, não apenas um muro".

  Mapa mostra onde passaria o muro na fronteira de EUA e México — Foto: G1
Mapa mostra onde passaria o muro na fronteira de EUA e México Foto: G1


A líder da oposição e presidente da Câmara, Nancy Pelosi, já antes de Trump concretizar a medida, negou que haja uma emergência na fronteira sul dos EUA e afirmou que tomará medidas judiciais para reverter a decisão de Trump.

Enquanto Trump ainda respondia a perguntas de jornalistas no jardim da Casa Branca, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, afirmou que vai recorrer à Justiça. "Declarar emergência nacional sem uma causa legítima criará uma crise constitucional", disse em comunicado. "Não vamos tolerar esse abuso de poder e vamos combatê-lo com todas as medidas legais a nossa disposição".

No final de seu discurso, o presidente disse já saber que provavelmente o tema será disputado na Justiça, indo parar na Corte Suprema, onde espera ganhar.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, disse que apoiará a emergência de Trump. No início deste mês ele alertou Trump dizendo que declarar uma emergência poderia dividir os republicanos do Senado, noticiou o "Washington Post".


15/02/2019

Em reunião, Onyx diz a Bebianno que ele fica no cargo


Ministro da Secretaria-Geral da Presidência é personagem de crise envolvendo Jair Bolsonaro e estava ameaçado de demissão
Jussara Soares
O Globo


Um dia após a posse, o presidente Jair Bolsonaro participou da cerimônia de transmissão de cargo dos ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral)
Foto: Pablo Jacob / O Globo

BRASÍLIA — O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno , permanecerá no cargo. A decisão foi comunicada a ele nesta sexta-feira, durante reunião a portas fechadas no Palácio do Planalto com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz. A informação foi confirmada ao GLOBO por fontes do Palácio.

Alvo de uma crise amplificada pela filho do presidente, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC), Bebianno recebeu o apoio de ministros palacianos, militares do governo e parlamentares, incluindo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Eles consideraram que o envolvimento familiar do governo grave e atuaram para segurar Bebianno no cargo e, consequentemente, evitar a imagem de que o rumo do Palácio é ditado pelos filhos do presidente. O trio que possuim cargos eletivo é apontado como um gerador de crise para Bolsonaro.

Bebianno recebeu o apoio dos colegas do Palácio e foi aconselhado, nesta sexta-feira, a se recolher nos próximos dias e evitar declarações à imprensa. O grupo que atuou para contornar o entrevero avalia que a apresentação do texto da reforma da Previdência ajudará a tirar os holofotes da crise.

O secretário-geral da Presidência esperava ser recebido pelo presidente, de quem foi coordenador da campanha. Por ora, não há previsão de que o encontro acontecerá.

Envolto numa crise provocada pelo filho do presidente, Carlos Bolsonaro, que trabalha pela demissão do desafeto no governo, o ministro passou os últimos dias tentando se segurar no cargo. Bebianno enfrenta um processo de desgaste provocado por denúncias envolvendo irregularidades na sua gestão à frente do caixa eleitoral do PSL, partido dele e de Bolsonaro. Segundo reportagem da "Folha de S.Paulo", durante as eleições, então coordenador da campanha de Bolsonaro, Bebianno liberou R$ 400 mil do fundo partidário a uma candidata que teve apenas 274 votos. A suspeita é de que ela tenha sido usada como laranja pela legenda do presidente da República.
 
Para afastar os rumores de que estaria fragilizado no cargo, o ministro disse ao GLOBO, na terça-feira, que mantinha contato frequente com o presidente, por WhatsApp. Filho mais próximo do presidente, o vereador carioca Carlos postou nas redes sociais, na quarta-feira, um áudio do presidente para tentar desmentir o ministro da Secretaria-Geral.

O filho do presidente, que não tem função formal no governo, postou a gravação no começo da tarde, enquanto o pai voava de São Paulo a Brasília, para mostrar a seus seguidores que o ministro teria mentido, ao dizer que teria conversado com Bolsonaro. Anda na quarta, o próprio Bolsonaro replicou a mensagem do filho, que chamava Bebianno de mentiroso.

O presidente concedeu uma entrevista em que também acusou o ministro de faltar com a verdade. Bolsonaro anunciou que pediu a Sergio Moro a entrada da Polícia Federal no caso e chegou a dizer que se o ministro estiver envolvido no uso de candidatos do PSL como laranjas na campanha eleitoral de 2018, ele deverá sair do governo.

- Se tiver envolvido (Bebianno), logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens.

A decisão do presidente da República de defenestrar um de seus principais ministros, com gabinete no próprio Palácio do Planalto, desagradou a ala do governo mais conservadora, que preferia discutir desavenças internamente. O fato de Bolsonaro ter chamado o ministro de mentiroso e sinalizado sua possível exoneração na TV, sem sequer ter tratado com o auxiliar do caso, também mostrou aos aliados que o presidente não teria reservas em abandonar companheiros, caso se sinta ameaçado.

Recebida por Bolsonaro nesta sexta-feira, a deputada Joice Hasselmann disse ontem que a crise envolvendo o ministro e o filho do presidente deixou "todo mundo dentro de uma saia muito justa".

- É preciso que se decida por alguma coisa, seja para um lado, para o outro. O que não dá é para ficar nessa instabilidade, respirando esse ar que é tão denso, tão pesado, que parece que você consegue cortar o ar com a tesoura - afirmou Joice.
'Não sou moleque'

Nesta quinta-feira, porém, depois de ser chamado de mentiroso pelo próprio presidente, Bebianno deu uma entrevista à revista Crusoé em que transmitiu recados diretos ao presidente. Além de dizer que Carlos Bolsonaro “não é nada no governo” e indiretamente chamá-lo de “moleque”, Bebianno fez questão de dizer ao presidente que não era um ministro qualquer.

“Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo. Ele foi um mero candidato. Ele não participou de Executiva, ele não tinha mando no partido. Ele não tem responsabilidade nenhuma”, disse Bebianno.

O ministro passou a quinta-feira recluso em seu flat num hotel a menos de 500 metros do Palácio da Alvorada, mas não foi convocado por Bolsonaro para ter uma conversa e acabar com a crise. Coube ao ministro da Casa Civil e aos ministros militares o papel de mediação na crise.

O ministro, depois de conquistar apoio político no Congresso, inclusive com declarações em sua defesa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, segue no cargo, mas os desgastes na relação com Bolsonaro permanecem, avaliavam ontem auxiliares palacianos.



15/02/2019 


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Bolsonaro tem alta e deixa hospital com destino a Brasília



Após 17 dias de internação, presidente foi liberado para deixar o hospital; não há agenda oficial nesta quarta

Daniel Weterman
O Estado de S.Paulo


O presidente Jair Bolsonaro caminha em corredor do Hospital Albert Einstein, após ter alta Foto: Divulgação/Presidência

SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro teve alta no início da tarde desta quarta-feira, 13. Após 17 dias de internação, Bolsonaro acordou bem nesta quarta-feira, 13, se alimentou e, após bateria de exames com resultados positivos, foi liberado para deixar o hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Ele se dirigiu, em comboio presidencial, para o aeroporto de Congonhas, de onde vai para Brasília. Espera-se que até 14h30 ele pouse na base aérea da capital federal com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e integrantes de sua equipe.

O quadro pulmonar do presidente estava normalizado e a função intestinal restabelecida, de acordo com boletim médico divulgado após a saída dele do hospital. Não há registro de compromissos oficiais para a tarde de quarta, informou o porta-voz da Presidência, o general Rêgo Barros. De acordo com a equipe médica, o presidente deixou o hospital sem dor e sem febre.

Na quinta da semana passada, exames constataram pneumonia, mas houve evolução boa do quadro de sáude do presidente com uso de antibióticos. A equipe médica já havia informado de que ele teria alta nesta quarta.

Bolsonaro já está liberado para falar, como fez na terça ao receber três ministros, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e um secretário paulista.

João Doria e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmaram que Bolsonaro deve finalizar o texto da reforma da Previdência com a equipe econômica ainda nesta semana, assim que retornar a Brasília.
 


 13 Fevereiro 2019


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Jornalista Ricardo Boechat morre em acidente de helicóptero em SP


Aeronave caiu sobre caminhão na rodovia Anhanguera e deixou dois mortos e um ferido
O Globo
O jornalista Ricardo Boechat, na TV Band, onde apresentava telejornal
Foto: Divulgação/Band


SÃO PAULO - O jornalista Ricardo Boeacht, de 66 anos, morreu em um acidente de helicóptero no início da tarde desta segunda-feira em São Paulo. A aeronave caiu sobre um caminhão no kk 22 da Rodovia Anhanguera, próximo ao Rodoanel Mário Covas.

Além de Boechat, outra pessoa que estava no helicóptero morreu, segundo o Corpo de Bombeiros. Até as 13h45, sua identidade não tinha sido confirmada. O motorista do caminhão ficou ferido e foi socorrido.

Segundo informações da Band, onde Boechat trabalhava atualmente, o jornalista voltava de Campinas, no interior de São Paulo, onde deu uma palestra.

Local do acidente

Helicóptero caiu no Rodoanel, em São Paulo

Boechat começou a carreira na década de 1970 no jornal Diário de Notícias, onde trabalhou com o colunista Ibrahim Sued e deu início a uma longa trajetória na área que o consagrou no jornalismo impresso: as colunas de notas. Nos anos 1980, foi para O GLOBO e assumiu a coluna Swann.

Foram duas passagens no jornal: na segunda, que se estendeu até 2001, foi durante anos o titular de uma coluna que levava seu nome.

Os furos jornalísticos renderam a Boechat três prêmios Esso, então a premiação mais importante da profissão.

O jornalista também passou pelo Jornal do Brasil e pelos jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Dia”. E teve uma breve passagem como secretário de Comunicação Social do governo do Rio, na gestão de Moreira Franco, em 1987.

Na televisão, foi comentarista da TV Globo e do SBT e, há mais de dez anos, ancorava o Jornal da Band. Já nos anos 2000, ampliou o leque de atuação e tornou-se um sucesso também no rádio: de segunda a sexta, apresentava um programa matinal na Rádio BandNews FM. Também mantinha uma coluna na revista IstoÉ.

Filho de diplomata, Boechat nasceu em Buenos Aires, em 13 de julho de 1952. Casado com Veruska Seibel, o jornalista deixa seis filhos.



11/02/2019

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

URGENTE: LULA É CONDENADO A 12 ANOS E 11 MESES NO CASO DO SÍTIO DE ATIBAIA

Resultado de imagem para LULA É CONDENADO A 12 ANOS E 11 MESES

  O Antagonista

A juíza Gabriela Hardt acaba de condenar Lula a 12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio de Atibaia, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O petista foi sentenciado por, segundo a juíza, receber R$ 1 milhão em propinas referentes às reformas do imóvel, que está em nome de Fernando Bittar.

Segundo a sentença, as obras foram custeadas pelas empreiteiras OAS, Odebrecht e Schahin.

Como se trata de primeira instância, cabem recursos ao TRF-4 e a instâncias superiores. Mas vale lembrar que, quando recorreu ao TRF-4 no caso do triplex, a defesa de Lula ainda conseguiu aumentar sua pena.

CLIQUE AQUI PARA LER A ÍNTEGRA da sentença da juíza federal de Curitiba, com 360 páginas.


 06.02.19

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Previdência: alternativa do governo é idade mínima de 65 anos para homens e 63 para mulheres


Para quem já está no mercado de trabalho, a ideia seria aproveitar o sistema de pontos. Com isso, a fase de transição duraria até 19 anos.


Geralda Doca
O Globo

Governo confirmou que existe mais de uma versão para reforma da Previdência
Foto: Arquivo


BRASÍLIA - A proposta de reforma da Previdência que iguala a idade mínima de aposentadoria de homens e mulheres em 65 anos não é a única que a equipe econômica tem na manga. Interlocutores do governo afirmam que também existe a possibilidade de uma idade mínima de 65 anos para homens e 63 anos para mulheres , o que seria uma forma de contemplar os anseios da ala política do governo, que acha difícil passar no Congresso a ideia de igualar os sexos.


A minuta que está circulando desde segunda-feira fixa a idade mínima de 65 anos para novos entrantes no mercado de trabalho. Para quem já está nele, a ideia seria aproveitar o sistema de contagem de pontos que já existe e está em 86/96 (soma de idade e tempo de contribuição). Essa fórmula começaria a subir de forma progressiva a partir de janeiro de 2020. O texto prevê o acréscimo de um ponto a cada ano, até atingir 105 pontos para homens e mulheres. Com isso, a fase de transição duraria até 19 anos para as mulheres (em 2038) e nove anos para os homens (em 2028).

Mas para aumentar o efeito da reforma, no entanto, o texto alternativo encurta essa transição. Um dos caminhos é aumentar o somatório 86/96 em um ponto por ano até atingir 100/106. Dessa forma, a transição duraria 10 anos para os homens e 14 anos para as mulheres.

A proposta alternativa também fixa em 60 anos a idade para que as pessoas em condições de miserabilidade possam ter direito a uma renda de R$ 500. Na minuta divulgada na segunda, a idade para ter acesso ao benefício é de 55 anos. No entanto, parte da área econômica avaliam que esta idade é baixa e a medida pode elevar as despesas do governo.

05/02/2019


sábado, 2 de fevereiro de 2019

Davi Alcolumbre é eleito presidente do Senado

Após sessão tumultuada em que o favorito Renan Calheiros deixou disputa, Alcolumbre saiu vencedor com 42 votos


Amanda Almeida, André de Souza,
Eduardo Bresciani e Jussara Soares
O Globo
O senador Davi Alcolumbre, durante a votação no Senado
Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
 
BRASÍLIA — Após uma sessão tumultuada, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi eleito presidente do Senado neste sábado. Ele obteve 42 votos. Para sair vencedor já no primeiro turno era preciso conseguir o apoio de no mínimo 41 dos 81 senadores.

O principal adversário de Alcolumbre na disputa era o senador Renan Calheiros, que tentava chegar à presidência do Senado pela quinta vez. Mas Renan atacou Alcolumbre, criticou o processo de votação e anunciou a retirada de sua candidatura, deixando o caminho livre para o adversário.

Além de Alcolumbre, também foram candidatos Esperidião Amin (PP-SC), com 13 votos, Angelo Coronel (PSD-BA), com 8, Reguffe (sem partido-DF), com 6 , e Fernando Collor (PROS-AL), com 3. Renan ainda recebeu 5 votos. Quatro senadores, incluindo Renan, não votaram. Foram necessárias duas votações neste sábado para escolher o novo presidente. A primeira foi anulada porque havia 82 votos, quando há apenas 81 senadores.

Renan era o favorito, mas viu sua candidatura ser ameaçada pelas articulações em torno do nome de Alcolumbre, apoiado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, desafeto do senador alagoano. Logo após a vitória, Onyx comemorou em uma rede social.

Outros três postulantes ao cargo que se opunham a Renan — Simone Tebet (MDB-MS), Alvaro Dias (Podemos-PR) e Major Olímpio (PSL-SP) — já tinham desistido de concorrer, favorecendo Alcolumbre. O objetivo foi reduzir o número de candidaturas de oposição a Renan para concentrar os votos contrários num nome que fosse capaz de derrotá-lo.
 
O processo de escolha do novo presidente do Senado começou na sexta-feira. Com Davi Alcolumbre (DEM-AP) à frente da sessão, o plenário decidiu, por 50 votos a dois, que, embora o regimento interno determine o voto secreto para a eleição do presidente do Senado, a eleição seria aberta.

A decisão foi questionada por Renan e aliados. Eles argumentaram que Alcolumbre, também candidato, não poderia conduzir o processo eleitoral. Sem acordo, a sessão foi suspensa e remarcada para às 11h deste sábado.

O MDB e o Solidariedade recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a votação aberta. Na madrugada, o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli suspendeu a sessão e determinou a votação aberta. Neste sábado, vários senadores criticaram Toffoli, mas a decisão foi respeitada e o pleito foi secreto. Vários deles, porém, revelaram seu voto.

Neste sábado, durante a segunda votação, ao retirar sua candidatura, Renan disse que o processo em curso no Senado é antidemocrático. Ele também mencionou o voto do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que, na segunda votação, anunciou apoio a Alcolumbre. Na primeira, ele tinha ficado em silêncio.

— Flávio Boslonaro, diferentemente da votação anterior, abriu o voto. Abriu o voto. Abriu o voto. Abriu o voto. Este processo não é democrático — disse Renan, sendo vaiado.

 — Para demonstrar que esse processo não é democrático, eu queria lhe dizer que o Davi (Alcolumbre) não é Davi. O Davi é o Golias. Ele é o novo presidente do Senado e eu retiro a minha candidatura, porque não vou me submeter a isso — acrescentou, sendo aplaudido.

Depois, Renan ainda afirmou:

— Eles querem ganhar de todo o jeito. Isso não pode acontecer. Eu não sou um Jean Wyllys (deputado que renunciou ao mandato após receber ameaças). Eu não vou renunciar meu mandato. Eu vou ficar aqui no Senado Federal. Mas o Brasil é testemunha do que desde ontem está acontecendo no Senado.


02/02/2019

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Notícias falsas atrapalham buscas, alerta Corpo de Bombeiros de Minas

IstoÉ

Em entrevista coletiva sobre a atualização das buscas e atividades em Brumadinho, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais alertou para os problemas decorrentes da disseminação de notícias falsas, conhecidas também como fake news, sobre a tragédia e a atuação das autoridades na região. Mensagens vêm sendo divulgadas em redes sociais apontando um conjunto de fatos e problemas que não condizem com a realidade, segundo o porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara.


“O serviço das forças de segurança tem sido bastante prejudicado com fake news, notícias falsas.

Toda a veiculação desse tipo de notícia, quando é falsa, ela prejudica, e muito, e atrasa o importante trabalho que a gente está fazendo em relação à recuperação desses corpos”, destacou o porta-voz em entrevistas a jornalistas.

O tenente do CBMG citou como exemplo conteúdos indicando a existência de sobreviventes que estariam em algum lugar da região. Quando são acionados por questionamentos ou pistas desse tipo, continuou, os bombeiros têm de ir atrás e conferir se no determinado local sugerido haveria ou não alguma pessoa que resistiu à tragédia.

Outro caso foi a divulgação de notícias segundos as quais os militares nas buscas estariam “intoxicados com a lama”. Aihara registrou que o Corpo de Bombeiros se baseia em laudos atestando o caráter não tóxico da lama, mas que ainda assim há procedimentos para evitar eventuais doenças nos oficiais.

“Como nossos militares ficam durante longos períodos expostos a essa água, a gente ministra um antibiótico, principalmente para prevenir o contágio de leptospirose, mas específico para a atuação de bombeiro. A população em geral não precisa se preocupar com isso. Esse antibiótico só deve ser administrado na população em geral se ela apresentar sintomas”, explicou.

Além disso, o porta-voz informou que estão sendo coletadas amostras de lama em diversos pontos da região para análises próprias, de modo a confirmar se há ou não riscos a quem está trabalhando na área.


30/01/19


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Chevron compra refinaria de Pasadena da Petrobras, dizem fontes


Processo de venda da unidade, cuja aquisição teria causado prejuízo bilionário para a estatal brasileira, foi iniciado em fevereiro de 2018

Reuters
A refinaria de Pasadena, no Texas: compra pela Chevron
Foto: Divulgação


HOUSTON - A Chevron aceitou comprar a refinaria de petróleo de Pasadena da Petrobras, no Texas, unidade com espaço para lidar com o fluxo de "shale oil" (petróleo de xisto) de suas operações no Oeste do estado americano, disseram à agência Reuters duas fontes familiarizadas com as negociações nesta segunda-feira.

A companhia americana deve divulgar o acordo para adquirir a refinaria com capacidade para 112 mil barris por dia (bpd), em Pasadena, neste trimestre, disseram as fontes. 

O processo de venda da refinaria de Pasadena — cuja compra pela Petrobras teria causado prejuízo para a estatal de mais de meio bilhão de dólares, segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) — foi iniciado em fevereiro do ano passado.

O porta-voz da Chevron, Braden Reddall, não quis comentar o assunto. A Petrobras afirmou que qualquer informação sobre um acordo será divulgada ao mercado.

Se conseguir concretizar a venda da refinaria de Pasadena, a Petrobras encerrará mais um polêmico projeto envolvendo irregularidades investigadas pela Operação Lava-Jato. A companhia comprou em 2006 uma participação de 50% na refinaria por US$ 360 milhões. Na época esse valor já tinha sido questionado por ser bem inferiorao valor pago, um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira: US$ 42,5 milhões.

Os gastos com a refinaria aumentariam anos depois quando a Petrobras se se desentendeu com a sua sócia no negócio, a Astra Oil, e uma decisão judicial a obrigou a comprar a participação da empresa belga. A compra de Pasadena acabou custando em um valor total de US$ 1,18 bilhão à Petrobras.
 
O negócio foi alvo da Operação Lava-Jato, entre outros motivos, porque a compra foi realizada quando a ex-presidente da República, Dilma Rousseff, era presidente do conselho da Petrobras. Ela atribuiu o aval do colegiado ao negócio a informações falhas apresentadas pelo então diretor internacional da estatal, Nestor Cerveró, um dos primeiros executivos da estatal presos na investigação.

A refinaria de Pasadena é antiga e tem capacidade para processar 100 mil barris diários de petróleo e capacidade de armazenamento de 5,1 milhões de barris de petróleo e derivados. O ativo inclui ainda terminal marítimo e logística, os estoques existentes além de um terreno localizado no canal marítimo de acesso a Houston. Na época de sua compra a Petrobras alegava que a refinaria seria um primeiro passo para a entrada da estatal no refino nos Estados Unidos.
(Colaborou Ramona Ordoñez)



28/01/2019

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Barragem da Vale se rompe em Brumadinho (MG)


Ainda não há informações sobre vítimas.
Estrutura armazenava rejeitos de minério de ferro e rompeu na altura do quilômetro 50 da MG040

Por Da redação

Rompimento de barragem da Vale em Brumadinho (MG)
(Foto/Reprodução)


Uma barragem da mineradora Vale se rompeu no início da tarde desta sexta-feira, 25, em Brumadinho, cidade de cerca de 40.000 habitantes na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o Corpo de Bombeiros, o rompimento ocorreu na região do córrego do Feijão, na altura do quilômetro 50 da Rodovia MG 040. Ainda não há informações sobre vítimas.


A mineradora divulgou uma nota informando sobre o rompimento da barragem, que ficava na Mina Feijão e armazenava rejeitos de minério de ferro. Segundo a empresa, “as primeiras informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco”. “Havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas”, informou a Vale, que acionou seu “Plano de Atendimento a Emergências para Barragens”.

Por meio de um comunicado no Facebook, a prefeitura de Brumadinho orientou a população a manter distância do leito do rio Paraopeba. Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, a tendência é que os rejeitos fluam para o Paraopeba, um dos principais afluentes do rio São Francisco.

O governo de Minas Gerais enviou uma força-tarefa ao local do rompimento da barragem, onde os bombeiros e a Defesa Civil já atuavam com cinco helicópteros. Segundo a gestão do governador Romeu Zema (Novo), foi criado um gabinete estratégico de crise para acompanhar as ações. Os secretários do Meio Ambiente, Germano Vieira, e de Impacto Social, Elizabeth Jucá, foram enviados ao local.

Todo o aparato do Governo de Minas foi enviado para prestar os primeiros socorros às vitimas e o suporte necessário para os moradores da região. Nossa atenção neste momento está direcionada para socorrer as pessoas atingidas. https://t.co/IwbbWGBg4Y

— Romeu Zema (@RomeuZema) January 25, 2019
Por meio de sua conta no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro lamentou o desastre e anunciou que os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o secretário nacional de Defesa Civil vão até a região. Em pronunciamento no Palácio do Planalto por volta das 16h desta sexta, o porta-voz do governo, general Otávio Santana do Rêgo Barros, disse que Bolsonaro pretende ir a Brumadinho às 8h deste sábado, 26.

Ainda conforme Rêgo Barros, foram instalados gabinetes de crise no Planalto e no Ministério do Meio Ambiente. Além das pastas de Salles, Canuto e Albuquerque, o ministério da Defesa também integrará as ações do governo na cidade mineira.


Nossa maior preocupação neste momento é atender eventuais vítimas desta grave tragédia.

— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro)
January 25, 2019

Um dos maiores museus de arte contemporânea do Brasil, o Inhotim, que fica em Brumadinho, foi evacuado por segurança. O instituto, que guarda uma acervo milionário, só voltará a receber visitas depois que se conhecer a extensão do vazamento de rejeitos.



Veja abaixo a nota da Vale

Vale informa sobre rompimento de barragem em Brumadinho, Minas Gerais

A Vale informa que, no início desta tarde, ocorreu o rompimento da Barragem 1 da Mina Feijão, em Brumadinho (MG). A companhia lamenta profundamente o acidente e está empenhando todos os esforços no socorro e apoio aos atingidos.

Havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas. Parte da comunidade da Vila Ferteco também foi atingida.

O resgate e os atendimentos aos feridos estão sendo realizados no local pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil. Ainda não há confirmação sobre a causa do acidente.

A prioridade máxima da empresa, neste momento, é apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados, próprios e terceiros, e das comunidades locais.

A Vale continuará fornecendo informações assim que confirmadas.

 25 jan 2019

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Lula recebeu dinheiro em espécie de propina da Odebrecht, diz Palocci em delação


Informações estão na 1ª delação fechada pelo ex-ministro de Lula e Dilma.

Termo de colaboração de 13 de abril de 2018 foi anexado nesta quinta-feira (17) ao inquérito.

Por José Vianna, Aline Pavaneli e Ederson Hising, RPC Curitiba e G1 PR

Em delação, Palocci diz que Lula recebeu dinheiro em espécie de propina da Odebrecht — Foto: Reprodução/JN
Em delação, Palocci diz que Lula recebeu dinheiro em espécie de propina da Odebrecht
Foto: Reprodução/JN

O ex-ministro Antonio Palocci, delator da Operação Lava Jato, relatou entregas de dinheiro em espécie, de propina paga pela Odebrecht, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com Palocci, Lula lhe pedia que não comentasse com ninguém a respeito do assunto.

As informações estão em um termo da primeira delação fechada por Palocci com a Polícia Federal de Curitiba. O depoimento foi prestado em 13 de abril de 2018, e a delação foi homologada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) em junho do ano passado. Nesta quinta-feira (17), o depoimento foi anexado ao inquérito da PF sobre a Usina de Belo Monte, que tramita em sigilo.

Um trecho da delação diz: "[Palocci] Também se recorda que, dos recursos em espécie recebidos da ODEBRECHT e retirados por Branislav Kontic, levou em oportunidades diversas cerca de trinta, quarenta, cinqüenta e oitenta mil reais em espécie para o próprio Lula".

O ex-ministro afirmou ter entregue R$ 50 mil ao ex-presidente, dentro de uma caixa de celular, no Terminal da Aeronáutica em Brasília (DF), durante a campanha de 2010. Um ex-motorista de Palocci chamado Claudio Souza Gouveia, ouvido pela PF em agosto do ano passado, diz ter testemunhado o encontro.

Outro trecho da delação de Palocci diz: "Em São Paulo, recorda-se de episódio de quando levou dinheiro em espécie a Lula dentro de caixa de whisky até o Aeroporto de Congonhas, sendo que no caminho até o local recebeu constantes chamadas telefônicas de Lula cobrando a entrega".

De acordo com Palocci, essa cobrança do ex-presidente a caminho do aeroporto foi presenciada por outro motorista, chamado Carlos Pocente, que inclusive brincou perguntando se toda aquela cobrança de Lula era apenas pela garrafa de uísque. Pocente também foi ouvido pela PF.

Em resposta, Palocci disse que "era óbvio que a insistência de Lula não era por bebida, e sim pelo dinheiro; que o motorista afirmou ao colaborador que estava brincando e que sabia que se tratava de dinheiro em espécie".

O G1 procurou a defesa do ex-presidente Lula e aguarda um posicionamento. Em outras ocasiões, a defesa de Lula disse que o ex-presidente nunca cometeu atos ilícitos. O G1 também tenta contato com as defesas de Branislav Kontic e com a empreiteira Odebrecht.

O que disseram os motoristas à PF

Os ex-motoristas com o ex-ministro Palocci também foram ouvidos pela PF como testemunhas, em agosto do ano passado, no inquérito sobre a Usina de Belo Monte.

Claudio Souza Gouveia disse no depoimento prestado à PF que por diversas vezes levou Palocci até o Terminal da Aeronáutica em Brasília para levar a Lula presentes e outros objetos.

Gouveia recordou que, entre os presentes, estavam caixas de uísque, celulares e canetas. Elas eram entregues por Palocci, que voltava minutos depois ao carro. O motorista, no entanto, declarou que nunca soube as caixas continham efetivamente os produtos.

Ele também disse ter visto o ex-ministro carregando grandes quantidades de dinheiro em espécie. Em algumas oportunidades, Palocci teria dito se tratar de documentos, mas fazia um gesto com os dedos que indicavam ser dinheiro.

De acordo com Gouveia, o ex-ministro tinha pressa ao fazer esses deslocamentos.

Já o motorista Carlos Alberto Pocente afirmou se recordar de um episódio, entre aqueles que envolviam dinheiro, no qual Palocci estava com muita pressa para levar uma caixa de uísque até Lula, no Aeroporto de Congonhas.



18/01/2019

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Bolsonaro assina decreto que facilita posse de armas


Texto estabelece situações em que está presente a 'efetiva necessidade' de possuir arma em casa. Decreto ainda estende de 5 para 10 anos a validade do registro da posse.
Por Guilherme Mazui e Luiz Felipe Barbiéri, G1 — Brasília
O presidente Jair Bolsonaro durante assinatura do decreto que flexibiliza posse de armas
Foto: Reprodução/NBR


O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta terça-feira (15), em cerimônia no Palácio do Planalto, um decreto que facilita a posse de armas de fogo.
O direito à posse é a autorização para manter uma arma de fogo em casa ou no local de trabalho (desde que o dono da arma seja o responsável legal pelo estabelecimento). Para andar com a arma na rua, é preciso ter direito ao porte, cujas regras são mais rigorosas e não foram tratadas no decreto.
O texto do decreto permite aos cidadãos residentes em área urbana ou rural manter arma de fogo em casa, desde que cumpridos os requisitos de "efetiva necessidade", a serem examinados pela Polícia Federal (veja regras mais abaixo),
Cumpridos os requisitos, o cidadão poderá ter até quatro armas, limite que pode ser ultrapassado em casos específicos.
O decreto também prevê que o prazo de validade do registro da arma, hoje de cinco anos, passará para dez anos.
“Todo e qualquer cidadão e cidadã, em qualquer lugar do país, por conta desse dispositivo, tem o direito de ir até uma delegacia de Polícia Federal, levar os seus documentos, pedir autorização, adquirir a arma e poder ter a respectiva posse“, declarou o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
A Polícia Federal decidirá se autoriza ou não a concessão da posse. Não terá direito à posse:
  • quem tiver vínculo comprovado com organizações criminosas;
  • mentir na declaração de efetiva necessidade;
  • agir como 'pessoa interposta' de alguém que não preenche os requisitos para ter posse.
Além disso, o decreto mantém a proibição de posse de armas de uso exclusivo das Forças Armadas e instituições de segurança pública.

O que prevê o decreto

Pelas novas regras, ficam estabelecidos os seguintes critérios para que o cidadão comprove "efetiva necessidade" de possuir arma em casa:
  • Ser agente público (ativo ou inativo) de categorias como: agentes de segurança, funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), agentes penintenciários, funcionários do sistema socioeducativo e trabalhadores de polícia administrativa;
  • Ser militar (ativo ou inativo)
  • Residir em área rural;
  • Residir em área urbana de estados com índices anuais de mais de dez homicídios por cem mil habitantes, segundo dados de 2016 apresentados no Atlas da Violência 2018 (todos os estados e o Distrito Federal se encaixam nesse critério).
  • Ser dono ou responsável legal de estabelecimentos comerciais ou industriais;
  • Ser colecionador, atirador e caçador, devidamente registrados no Comando do Exército.
Além disso, as pessoas que quiserem ter arma em casa precisarão obedecer a seguinte exigência:
  • Comprovar existência de cofre ou local seguro para armazenamento, em casas nas quais morem crianças, adolescentes ou pessoa com deficiência mental;

Exigências

O novo decreto mantém inalteradas exigências que já vigoravam sobre posse de armas, como:
  • Obrigatoriedade de cursos para manejar a arma;
  • Ter ao menos 25 anos;
  • Ter ocupação lícita;
  • Não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal;
  • Não ter antecedentes criminais nas justiças Federal, Estadual (incluindo juizados), Militar e Eleitoral;
Bolsonaro assina decreto que facilita a posse de armas
Bolsonaro assina decreto que facilita a posse de armas

Bolsonaro

O texto assinado por Bolsonaro modifica um decreto de 2004, que regulamenta o Estatuto do Desarmamento. O Estatuto dispõe sobre regras para posse e porte de arma no país.
"Como o povo soberanamente decidiu por ocasião do referendo de 2005, para lhes garantir esse legítimo direito à defesa, eu, como presidente, vou usar esta arma", disse Bolsonaro, mostrando uma caneta antes de assinar o decreto.
No discurso, o presidente afirmou que o decreto restabelece um direito definido no referendo.
"Infelizmente o governo, à época, buscou maneiras em decretos e portarias para negar esse direito", disse Bolsonaro. "O povo decidiu por comprar armas e munições e nós não podemos negar o que o povo quis nesse momento", declarou.
Segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em 31 de dezembro, 61% dos entrevistados consideram que a posse de armas de fogo deve ser proibida por representar ameaça à vida de outras pessoas.
No discurso na solenidade de assinatura do decreto, Bolsonaro criticou a maneira como a lei até então em vigor exigia comprovação da "efetiva necessidade" de ter uma arma em casa. Segundo ele, essa regra "beirava a subjetividade".
O novo texto mantém a exigência da efetiva necessidade, mas estabelece as situações concretas em que se verificam a "efetiva necessidade".
Além disso, a Polícia Federal, ao analisar a solicitação, vai presumir que os dados fornecidos pelo cidadão para comprovar a "efetiva necessidade" são verdadeiros.
Com isso, segundo o ministro Onyx Lorenzoni, a "verdade" estará com o cidadão quando ele fizer o pedido. "Basta uma declaração do cidadão e esta declaração será tomada como verdade”, afirmou.
Na cerimônia, Bolsonaro afirmou que, mediante convênios, a PF poderá fazer parceria com polícias locais para analisar os pedidos de posse de armas.

Válido em todo o país

Em entrevista à GloboNews após a assinatura do decreto, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o governo usou como base para estabelecer critérios do decreto os dados sobre homicídios relativos a 2016, a fim de não deixar nenhum estado de fora da abrangência das novas regras.
"É para valer para o país inteiro. Quando nós estávamos fazendo o estudo, isso de alguma forma vazou. E havia uma preocupação de que algum estado brasileiro – São Paulo principalmente, Santa Catarina é outro estado – pudessem estar abaixo desse critério. Então, nós tomamos as medidas de fazer o congelamento nos dados de 2016, expressos no Atlas de 2018, exatamente para que nenhum cidadão, conforme foi o desejo expresso pela sociedade brasileira em 2005, querendo exercer o direito, exercer", disse o ministro.

Histórico

O decreto foi a principal medida adotada por Bolsonaro desde a posse como presidente da República. Até então, o governo havia anunciado revisões em contratos, liberações de recursos e exonerações e nomeações de funcionários.
Considerado uma promessa de campanha do presidente, o decreto estava em discussão desde os primeiros dias do governo. O texto passou pelo Ministério da Justiça, comandado por Sérgio Moro.
Ao jornal "O Globo", o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, afirmou que a Constituição não impede mudanças nas regras da posse de armas.
Em dezembro, antes de assumir a Presidência, Bolsonaro escreveu em uma rede social que pretendia garantir por meio de decreto a posse de armas de fogo a cidadãos sem antecedentes criminais.
O presidente é crítico do Estatuto do Desarmamento, que, segundo ele, impõe regras muito rígidas para a posse de arma. Durante sua carreira política, Bolsonaro defendeu reformular a legislação a fim de facilitar o uso de armas pelos cidadãos.

Íntegra do decreto

Leia abaixo a íntegra do decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro.
DECRETO Nº , DE DE DE 2019
Altera o Decreto nº 5.123, de 1º de julho de 2004, que regulamenta a Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, que dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, sobre o Sistema Nacional de Armas - SINARM e define crimes.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003,
DECRETA:
Art. 1º O Decreto nº 5.123, de 1º de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações:
“Art. 12. ...........................................................
..........................................................
VIII - na hipótese de residência habitada também por criança, adolescente ou pessoa com deficiência mental, apresentar declaração de que a sua residência possui cofre ou local seguro com tranca para armazenamento.
§ 1º Presume-se a veracidade dos fatos e das circunstâncias afirmadas na declaração de efetiva necessidade a que se refere o inciso I do caput, a qual será examinada pela Polícia Federal nos termos deste artigo.
..............................................................
§ 7º Para a aquisição de armas de fogo de uso permitido, considera-se presente a efetiva necessidade nas seguintes hipóteses:
I - agentes públicos, inclusive os inativos:
a) da área de segurança pública;
b) integrantes das carreiras da Agência Brasileira de Inteligência;
c) da administração penitenciária;
d) do sistema socioeducativo, desde que lotados nas unidades de internação a que se refere o inciso VI do caput do art. 112 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; e
e) envolvidos no exercício de atividades de poder de polícia administrativa ou de correição em caráter permanente;
II - militares ativos e inativos;
III - residentes em área rural;
IV - residentes em áreas urbanas com elevados índices de violência, assim consideradas aquelas localizadas em unidades federativas com índices anuais de mais de dez homicídios por cem mil habitantes, no ano de 2016, conforme os dados do Atlas da Violência 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública;
V - titulares ou responsáveis legais de estabelecimentos comerciais ou industriais; e
VI - colecionadores, atiradores e caçadores, devidamente registrados no Comando do Exército.
§ 8º O disposto no § 7º se aplica para a aquisição de até quatro armas de fogo de uso permitido e não exclui a caracterização da efetiva necessidade se presentes outros fatos e circunstâncias que a justifiquem, inclusive para a aquisição de armas de fogo de uso permitido em quantidade superior a esse limite, conforme legislação vigente.
§ 9º Constituem razões para o indeferimento do pedido ou para o cancelamento do registro:
I - a ausência dos requisitos a que se referem os incisos I a VII do caput; e
II - quando houver comprovação de que o requerente:
a) prestou a declaração de efetiva necessidade com afirmações falsas;
b) mantém vínculo com grupos criminosos; e
c) age como pessoa interposta de quem não preenche os requisitos a que se referem os incisos I a VII do caput.
§ 10. A inobservância do disposto no inciso VIII do caput sujeitará o interessado à pena prevista no art. 13 da Lei nº 10.826, de 2003.” (NR)
“Art. 15. ...............................................................
Parágrafo único. Os dados de que tratam o inciso I e a alínea “b” do inciso II do caput serão substituídos pelo número de matrícula funcional, na hipótese em que o cadastro no SIGMA ou no SINARM estiver relacionado com armas de fogo pertencentes a integrantes da Agência Brasileira de Inteligência.” (NR)
“Art. 16. .............................................................
.............................................................
§ 2º Os requisitos de que tratam os incisos IV, V, VI e VII do caput do art. 12 deverão ser comprovados, periodicamente, a cada dez anos, junto à Polícia Federal, para fins de renovação do Certificado de Registro.
...............................................................” (NR)
“Art. 18. .............................................................
.............................................................
§ 3º Os requisitos de que tratam os incisos IV, V, VI e VII do caput do art. 12 deverão ser comprovados, periodicamente, a cada dez anos, junto ao Comando do Exército, para fins de renovação do Certificado de Registro.
...........................................................
§ 5º Os dados de que tratam o inciso I e a alínea “b” do inciso II do § 2º serão substituídos pelo número de matrícula funcional, na hipótese em que o cadastro no SIGMA ou no SINARM estiver relacionado com armas de fogo pertencentes a integrantes da Agência Brasileira de Inteligência.” (NR)
“Art. 30. .............................................................
.............................................................
§ 4o As entidades de tiro desportivo e as empresas de instrução de tiro poderão fornecer a seus associados e clientes, desde que obtida autorização específica e obedecidas as condições e requisitos estabelecidos em ato do Comando do Exército, munição recarregada para uso exclusivo nas dependências da instituição em provas, cursos e treinamento.” (NR)
“Art. 67-C. Quaisquer cadastros constantes do SIGMA ou do SINARM, na hipótese em que estiverem relacionados com integrantes da Agência Brasileira de Inteligência, deverão possuir exclusivamente o número de matrícula funcional como dado de qualificação pessoal, incluídos os relativos à aquisição e à venda de armamento e à comunicação de extravio, furto ou roubo de arma de fogo ou seus documentos.” (NR)
Art. 2º Os Certificados de Registro de Arma de Fogo expedidos antes da data de publicação deste Decreto ficam automaticamente renovados pelo prazo a que se refere o § 2º do art. 16 do Decreto nº 5.123, de 2004.
Art. 3º Para fins do disposto no inciso V do caput do art. 6º da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, consideram-se agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência os servidores e os empregados públicos vinculados àquela Agência.
Art. 4º Fica revogado o § 2º-A do art. 16 do Decreto nº 5.123, de 2004.
Art. 5º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.


Brasília, de de 2019; 198º da Independência e 131º da República.

15/01/2019