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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Em meio a impasse sobre ajuda humanitária na Venezuela, Maduro e Guaidó disputam apoio de militares




Juan Guaidó dá ultimato a militares venezuelanos, enquanto Nicolás Maduro elogia Força Armada para manter o apoio do alto comando.

Por G1

Combinação de fotos mostra Juan Guaidó e Nicolás Maduro — Foto: Yuri Cortez/ AFP

Combinação de fotos mostra Juan Guaidó e Nicolás Maduro
Foto: Yuri Cortez/ AFP

O apoio dos militares está em disputa pelos dois polos do impasse político na Venezuela. O presidente Nicolás Maduro publicou vídeo nas redes sociais para demonstrar respaldo à Força Armada Nacional Bolivariana. Do outro lado, Juan Guaidó, que tenta se impor como presidente interino venezuelano, deu ultimato aos combatentes para que passassem a apoiar a entrada da ajuda humanitária retida nas fronteiras do país.



Os carregamentos de comida, remédios e itens de higiene deveriam chegar neste sábado (23) à Venezuela, conforme Guaidó anunciou. O regime de Maduro, no entanto, rejeita a ajuda por considerá-la um pretexto para invasão militar ao país.


Pessoas impedidas de cruzar a fronteira e adentrar a Venezuela falam com militares venezuelanos em Pacaraima (RR) — Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Pessoas impedidas de cruzar a fronteira e adentrar a Venezuela falam com militares venezuelanos em Pacaraima (RR)
Foto: Ricardo Moraes/Reuters


Maduro fechou a fronteira com o Brasil – um dos postos de coleta das cargas – na noite de quinta-feira. A oposição acusa os apoiadores de Maduro de serem responsáveis por duas mortes no lado venezuelano da fronteira nesta sexta-feira (22).


Tanto Maduro quanto Guaidó pedem apoio aos militares. O líder chavista tem o alto comando da Força Armada a seu favor. Porém, a oposição conta com respaldo dos Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, exigiu que os militares permitissem a entrada da ajuda humanitária ou iriam "perder tudo".


Com a aproximação da data marcada para a chegada dos carregamentos, Maduro e Guaidó voltaram a pressionar os militares. Veja o que cada um escreveu nesta sexta-feira (22):

Guaidó: 'Decidam de que lado estão'


Líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, faz discurso em Caracas na segunda-feira (18)  — Foto: Manaure Quintero/ Reuters
Líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, faz discurso em Caracas na segunda-feira (18)
Foto: Manaure Quintero/ Reuters


Juan Guaidó exigiu aos militares, pelo Twitter, a captura dos responsáveis pelas duas mortes que ele diz terem ocorrido próximo à fronteira com o Brasil. "Ou vocês capturam e entregam os responsáveis pela repressão e assassinato dos irmãos em Kumarakapay que respaldam a ajuda humanitária, ou vocês serão os responsáveis", escreveu.


O líder da oposição ao chavismo também deu um ultimato: "Decidam de que lado estão nesta hora definitiva".


"A todos os militares: entre hoje e amanhã, vocês definirão como querem ser lembrados. Já sabemos que estão com o povo, [mas] vocês não deixaram isso muito claro. Amanhã poderão demonstrar", tuitou Guaidó.


Decidan de qué lado están en esta hora definitiva.

A todos los militares: entre hoy y mañana ustedes definirán cómo quieren ser recordados. Ya sabemos que están con el pueblo, ustedes nos lo han dejado muy claro. Mañana podrán demostrarlo. — February 22, 2019


Maduro: 'Vamos ao combate pela paz'

Nicolás Maduro é visto ao lado de sua vice-presidente, Delcy Rodriguez, e do ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, durante a cerimônia de encerramento de exercícios militares em Caracas, na sexta-feira (15) — Foto: HO / Venezuelan Presidency / AFP
Nicolás Maduro é visto ao lado de sua vice-presidente, Delcy Rodriguez, e do ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, durante a cerimônia de encerramento de exercícios militares em Caracas, na sexta-feira (15)
Foto: HO / Venezuelan Presidency / AFP


Também pelo Twitter, Nicolás Maduro reafirmou o respaldo à Força Armada Nacional Bolivariana. Ele publicou um vídeo que mostra as reuniões que teve com as lideranças militares, além de imagens de operações e treinamentos – inclusive com armas.


O vídeo tem um áudio do chavista em que ele diz que a Força Armada "é garantia de paz e convivência para todos os cidadãos de nosso país".


"Vamos ao combate pela paz da pátria", disse Maduro, no vídeo.


Na postagem, Maduro também disse que a Força Armada está "mobilizada em todo território nacional para garantir a paz e a defesa integral do país". "Máxima moral, máxima coesão e máxima ação. Venceremos!", escreveu.

22/02/2019

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Maduro diz que fechará fronteira da Venezuela com o Brasil nesta quinta


Líder chavista disse que passagem entre os países fica 'fechada total e absolutamente até novo aviso'.

Medida vem em meio a pressão para que ele permita a entrada de ajuda humanitária.
Por G1

Nicolás Maduro anuncia que vai fechar fronteira terrestre entre Brasil e Venezuela — Foto: Reprodução/VTV
Nicolás Maduro anuncia que vai fechar fronteira terrestre entre Brasil e Venezuela
Foto: Reprodução/VTV



Nicolás Maduro disse nesta quinta-feira (21) que a Venezuela irá fechar sua fronteira com Brasil esta noite, a partir das 20h, pela hora local, 21h em Brasília.
"A partir das 20h de hoje, quinta-feira, 21 de fevereiro, fica fechada total e absolutamente até novo aviso, a fronteira com o Brasil", afirmou o líder chavista em fala exibida no canal estatal VTV. "Vale mais prevenir do que lamentar."

O anúncio acontece em meio à pressão para que ele permita a entrada de ajuda humanitária oferecida pelos EUA e por países vizinhos após pedido do auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó. Maduro vê a oferta de ajuda humanitária como uma interferência externa na política do país.

Ele também está estudando o fechamento da fronteira venezuelana com a Colômbia. Guaidó iniciou nesta quinta a viagem de 800 km à fronteira da Colômbia, onde vai pressionar para a entrada de ajuda humanitária.
Caminhões chegam com ajuda humanitária perto de Tienditas, na fronteira entre Venezuela e Colômbia, neste domingo (17). — Foto: Carlos Eduardo Ramirez/Reuters
Caminhões chegam com ajuda humanitária perto de Tienditas, na fronteira entre Venezuela e Colômbia, neste domingo (17).  Foto: Carlos Eduardo Ramirez/Reuters

'Venezuela Aid Live'

No próximo sábado será realizado um "grande show" no lado colombiano da fronteira, chamado "Venezuela Aid Live", que foi anunciado no dia 14 de fevereiro pelo empresário britânico Richard Branson, fundador do Grupo Virgin.

Na cidade colombiana estão armazenadas toneladas de ajuda humanitária que esperam para serem enviadas à Venezuela. O país há quase cinco anos sofre de escassez de remédios, enquanto os alimentos só podem ser adquiridos a preços que a maioria dos venezuelanos não pode pagar.

Reconhecido por dezenas de países como o chefe de Estado legítimo da Venezuela, Guaidó disse que seu movimento pretende recolher a ajuda por terra e mar no sábado para aliviar a escassez generalizada de alimentos e remédios. Ele fez campanha para que os venezuelanos se voluntariassem para trabalhar na distribuição da ajuda.

Ainda não está claro como Guaidó planeja receber a ajuda. Integrantes da oposição sugeriram a formação de correntes humanas através da fronteira colombiana para passar pacotes de pessoa a pessoa e frotas de barcos provenientes das Antilhas Holandesas.
  Líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, faz discurso em Caracas na segunda-feira (18)  — Foto: Manaure Quintero/ Reuters
Líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, faz discurso em Caracas na segunda-feira (18)
Foto: Manaure Quintero/ Reuters

Envolvimento do Brasil

O governo brasileiro mobilizou uma força-tarefa de ministérios para enviar alimentos e medicamentos "ao povo da Venezuela”, que estão sendo levados até as cidades de Boa Vista e Pacaraima, ambas em Roraima, e seriam buscados por caminhões venezuelanos, conduzidos por cidadãos do país vizinho. Os próprios venezuelanos teriam de cruzar a fronteira com os produtos. A operação acontece em parceria com os EUA.
Pence na Colômbia

Nesta quinta, o governo americano anunciou ainda que o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, viajará para a Colômbia na segunda-feira (25) para reforçar o apoio do governo de Donald Trump a Guaidó, em sua disputa de poder com Maduro.

"O vice-presidente declarará claramente que chegou a hora de Nicolás Maduro se afastar", afirma a assessoria de Pence em um comunicado. O texto afirma ainda que o vice-presidente participará da Colômbia em uma reunião do Grupo de Lima, criado em 2017 para promover uma saída para a crise venezuelana.

21 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Governo oficializa exoneração de Bebianno e alega 'foro íntimo'

O ministro da Secretaria-Geral da Presidencia, Gustavo Bebianno, durante entrevista
Foto: Daniel Marenco/Agência O Globo/05-02-2019


Jussara Soares e Karla Gamba
O Globo

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, confirmou nesta segunda-feira a demissão do ministro da Secretaria Geral, Gustavo Bebianno . Em um pronunciamento à imprensa, o porta-voz leu uma nota na qual comunicou oficialmente que Bolsonaro decidiu pela exoneração de Bebianno.
Em nome do presidente Jair Bolsonaro, Rêgo Barros agradeceu ao ministro Bebianno:
— O presidente agradece sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso na nova caminhada — afirmou o porta-voz.
Perguntado sobre a razão da demissão, o porta-voz explicou que foi uma questão de "foro íntimo" do presidente.
A demissão ocorre após uma crise ao longo de toda a última semana. O ex-ministro foi chamado de mentiroso pelo vereador Carlos Bolsonaro, na última quarta-feira. No Twitter, o filho mais próximo do presidente disse que Bebianno mentiu ao falar ao GLOBO que havia conversado três vezes com o presidente no dia anterior. A declaração foi dada para negar que ele estava protagonizando a crise. Na ocasião, Bebianno disse que só havia tratado de assuntos institucionais e não sobre uma possível instabilidade no governo.
Carlos chegou a compartilhar um áudio do presidente para Bebianno como forma de comprovar que não o houve uma conversa entre os dois. As mensagens foram posteriormente compartilhadas pelo próprio Bolsonaro.
O processo de desgaste de Bebianno começou com denúncias envolvendo supostas irregularidades na sua gestão à frente do caixa eleitoral do PSL, partido dele e de Bolsonaro, publicadas na "Folha de S. Paulo". Bolsonaro e os filhos, no entanto, acusam o ex-coordenador da campanha de vazar informações para a imprensa.
A "fritura" do ministro ocorria desde a transição, quando o presidente esvaziou a Secretaria-Geral da Presidência para tirar poderes do desafeto do filho. Durante todo o período de mudança de governo, Bebianno evitou declarações à imprensa e se cercou de militares em seu gabinete como modo de se blindar no Planalto.
Bebianno nega as acusações e promete, fora do poder, comprovar com textos e áudios que não mentiu e que não é responsável pelos casos de candidaturas laranjas nos estados. Ele também está disposto a rebater os ataques de Carlos Bolsonaro.
Na semana passada, políticos e militares atuaram para tentar debelar a crise e evitar a demissão. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chegou a ligar para o ministro da Economia, Paulo Guedes, para dizer que a demissão poderia atrapalhar a aprovação da reforma da Previdência.
Na sexta-feira, durante uma reunião no Palácio do Planalto, Onyx disse a Bebianno que ele ficaria no governo, mas foi alertado a permanecer em silêncio.
No fim da tarde do mesmo dia, Bolsonaro e Bebianno se encontraram pessoalmente. O presidente chegou a a oferecer a ele um cargo na diretoria da hidrelétrica de Itapu, mas Bebianno recusou. Após uma conversa ríspida, com ataques de ambos os lados, Bolsonaro saiu decidido a demiti-lo e integrantes do governo vazaram para a imprensa que o ato de exoneração do ministro já havia sido assinado.
Eleitor de Bolsonaro, Bebianno se aproximou como um fã há dois anos. Ele se ofereceu para assumir a defesa do então deputado federal em ações judiciais, entre ele o processo por ofensas à deputada Maria do Rosário (PT-RS). Na ocasião, Bolsonaro disse que a parlamentar não merecia ser estuprada por que era "muito feia".
Outsider na política, foi Bebianno quem articulou a manobra que tirou Bolsonaro do Patriota e viabilizou sua candidatura pelo PSL. O advogado se tornou presidente da legenda, entre janeiro e outubro de 2018, e coordenador da campanha do presidente.
Bebianno acompanhava Bolsonaro pelas viagens no país. No dia que o então candidato foi atacado em um ato em Juiz de Fora (MG), acompanhou a cirurgia dentro da sala, ao lado de Carlos, seu desafeto. O ex-aliado passou 23 fias no hospital com o então candidato, junto com Carlos e a primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Agora, fora do governo, Bebianno diz que voltará a advogar. Segundo o empresário Paulo Marinho, um dos mais próximos aliados do ex-ministro, ele não descarta seguir na política. 
18 de fevereiro de 2019

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Trump declara emergência nacional para financiar muro na fronteira com o México

'Todo mundo sabe que muros funcionam', disse o presidente. Na noite de quinta, o Congresso aprovou o orçamento do governo do país sem os fundos necessários para a barreira de concreto que ele quer construir.

Por G1

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala nesta sexta-feira (15) sobre construção de muro na fronteira com o México
Foto: Carlos Barria/ Reuters


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (15) emergência nacional para financiar o muro na fronteira com o México. Na prática, a declaração dá a Trump a permissão para usar fundos federais sem aprovação do Congresso.


Trump fez o anúncio a jornalistas no jardim da Casa Branca. Sua secretária de comunicação, Sarah Sanders, tuitou a foto do momento em que o presidente assinou a declaração, no Salão Oval.

President @realDonaldTrump signs the Declaration for a National Emergency to address the national security and humanitarian crisis at the Southern Border. pic.twitter.com/0bUhudtwvSFebruary 15, 2019

Na noite de quinta, o Congresso dos EUA aprovou um projeto de lei de orçamentos que, se ratificado por Trump, evita uma nova paralisação parcial do governo. O presidente queria incluir US$ 5,7 bilhões para a construção do muro fronteiriço na lei, mas os democratas, que têm maioria na Câmara dos Deputados, se recusaram, fazendo o mandatário optar pela declaração de emergência.

"Todo mundo sabe que muros funcionam", afirmou Trump, que justificou a medida dizendo que há "tremendas" quantidades de drogas entrando nos EUA pela fronteira com o México. Ele também levou familiares de pessoas que foram mortas por imigrantes para a plateia de seu discurso.


Trump apontou que muros que já existem em locais como El Paso, no Texas, funcionam, mas que criminosos acabam dando a volta nesses muros, por isso é necessário fazer uma barreira maior.

Ele também falou que gostaria de ver "uma grande reforma da imigração, não apenas um muro".

  Mapa mostra onde passaria o muro na fronteira de EUA e México — Foto: G1
Mapa mostra onde passaria o muro na fronteira de EUA e México Foto: G1


A líder da oposição e presidente da Câmara, Nancy Pelosi, já antes de Trump concretizar a medida, negou que haja uma emergência na fronteira sul dos EUA e afirmou que tomará medidas judiciais para reverter a decisão de Trump.

Enquanto Trump ainda respondia a perguntas de jornalistas no jardim da Casa Branca, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, afirmou que vai recorrer à Justiça. "Declarar emergência nacional sem uma causa legítima criará uma crise constitucional", disse em comunicado. "Não vamos tolerar esse abuso de poder e vamos combatê-lo com todas as medidas legais a nossa disposição".

No final de seu discurso, o presidente disse já saber que provavelmente o tema será disputado na Justiça, indo parar na Corte Suprema, onde espera ganhar.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, disse que apoiará a emergência de Trump. No início deste mês ele alertou Trump dizendo que declarar uma emergência poderia dividir os republicanos do Senado, noticiou o "Washington Post".


15/02/2019

Em reunião, Onyx diz a Bebianno que ele fica no cargo


Ministro da Secretaria-Geral da Presidência é personagem de crise envolvendo Jair Bolsonaro e estava ameaçado de demissão
Jussara Soares
O Globo


Um dia após a posse, o presidente Jair Bolsonaro participou da cerimônia de transmissão de cargo dos ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral)
Foto: Pablo Jacob / O Globo

BRASÍLIA — O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno , permanecerá no cargo. A decisão foi comunicada a ele nesta sexta-feira, durante reunião a portas fechadas no Palácio do Planalto com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz. A informação foi confirmada ao GLOBO por fontes do Palácio.

Alvo de uma crise amplificada pela filho do presidente, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC), Bebianno recebeu o apoio de ministros palacianos, militares do governo e parlamentares, incluindo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Eles consideraram que o envolvimento familiar do governo grave e atuaram para segurar Bebianno no cargo e, consequentemente, evitar a imagem de que o rumo do Palácio é ditado pelos filhos do presidente. O trio que possuim cargos eletivo é apontado como um gerador de crise para Bolsonaro.

Bebianno recebeu o apoio dos colegas do Palácio e foi aconselhado, nesta sexta-feira, a se recolher nos próximos dias e evitar declarações à imprensa. O grupo que atuou para contornar o entrevero avalia que a apresentação do texto da reforma da Previdência ajudará a tirar os holofotes da crise.

O secretário-geral da Presidência esperava ser recebido pelo presidente, de quem foi coordenador da campanha. Por ora, não há previsão de que o encontro acontecerá.

Envolto numa crise provocada pelo filho do presidente, Carlos Bolsonaro, que trabalha pela demissão do desafeto no governo, o ministro passou os últimos dias tentando se segurar no cargo. Bebianno enfrenta um processo de desgaste provocado por denúncias envolvendo irregularidades na sua gestão à frente do caixa eleitoral do PSL, partido dele e de Bolsonaro. Segundo reportagem da "Folha de S.Paulo", durante as eleições, então coordenador da campanha de Bolsonaro, Bebianno liberou R$ 400 mil do fundo partidário a uma candidata que teve apenas 274 votos. A suspeita é de que ela tenha sido usada como laranja pela legenda do presidente da República.
 
Para afastar os rumores de que estaria fragilizado no cargo, o ministro disse ao GLOBO, na terça-feira, que mantinha contato frequente com o presidente, por WhatsApp. Filho mais próximo do presidente, o vereador carioca Carlos postou nas redes sociais, na quarta-feira, um áudio do presidente para tentar desmentir o ministro da Secretaria-Geral.

O filho do presidente, que não tem função formal no governo, postou a gravação no começo da tarde, enquanto o pai voava de São Paulo a Brasília, para mostrar a seus seguidores que o ministro teria mentido, ao dizer que teria conversado com Bolsonaro. Anda na quarta, o próprio Bolsonaro replicou a mensagem do filho, que chamava Bebianno de mentiroso.

O presidente concedeu uma entrevista em que também acusou o ministro de faltar com a verdade. Bolsonaro anunciou que pediu a Sergio Moro a entrada da Polícia Federal no caso e chegou a dizer que se o ministro estiver envolvido no uso de candidatos do PSL como laranjas na campanha eleitoral de 2018, ele deverá sair do governo.

- Se tiver envolvido (Bebianno), logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens.

A decisão do presidente da República de defenestrar um de seus principais ministros, com gabinete no próprio Palácio do Planalto, desagradou a ala do governo mais conservadora, que preferia discutir desavenças internamente. O fato de Bolsonaro ter chamado o ministro de mentiroso e sinalizado sua possível exoneração na TV, sem sequer ter tratado com o auxiliar do caso, também mostrou aos aliados que o presidente não teria reservas em abandonar companheiros, caso se sinta ameaçado.

Recebida por Bolsonaro nesta sexta-feira, a deputada Joice Hasselmann disse ontem que a crise envolvendo o ministro e o filho do presidente deixou "todo mundo dentro de uma saia muito justa".

- É preciso que se decida por alguma coisa, seja para um lado, para o outro. O que não dá é para ficar nessa instabilidade, respirando esse ar que é tão denso, tão pesado, que parece que você consegue cortar o ar com a tesoura - afirmou Joice.
'Não sou moleque'

Nesta quinta-feira, porém, depois de ser chamado de mentiroso pelo próprio presidente, Bebianno deu uma entrevista à revista Crusoé em que transmitiu recados diretos ao presidente. Além de dizer que Carlos Bolsonaro “não é nada no governo” e indiretamente chamá-lo de “moleque”, Bebianno fez questão de dizer ao presidente que não era um ministro qualquer.

“Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo. Ele foi um mero candidato. Ele não participou de Executiva, ele não tinha mando no partido. Ele não tem responsabilidade nenhuma”, disse Bebianno.

O ministro passou a quinta-feira recluso em seu flat num hotel a menos de 500 metros do Palácio da Alvorada, mas não foi convocado por Bolsonaro para ter uma conversa e acabar com a crise. Coube ao ministro da Casa Civil e aos ministros militares o papel de mediação na crise.

O ministro, depois de conquistar apoio político no Congresso, inclusive com declarações em sua defesa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, segue no cargo, mas os desgastes na relação com Bolsonaro permanecem, avaliavam ontem auxiliares palacianos.



15/02/2019 


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Bolsonaro tem alta e deixa hospital com destino a Brasília



Após 17 dias de internação, presidente foi liberado para deixar o hospital; não há agenda oficial nesta quarta

Daniel Weterman
O Estado de S.Paulo


O presidente Jair Bolsonaro caminha em corredor do Hospital Albert Einstein, após ter alta Foto: Divulgação/Presidência

SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro teve alta no início da tarde desta quarta-feira, 13. Após 17 dias de internação, Bolsonaro acordou bem nesta quarta-feira, 13, se alimentou e, após bateria de exames com resultados positivos, foi liberado para deixar o hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Ele se dirigiu, em comboio presidencial, para o aeroporto de Congonhas, de onde vai para Brasília. Espera-se que até 14h30 ele pouse na base aérea da capital federal com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e integrantes de sua equipe.

O quadro pulmonar do presidente estava normalizado e a função intestinal restabelecida, de acordo com boletim médico divulgado após a saída dele do hospital. Não há registro de compromissos oficiais para a tarde de quarta, informou o porta-voz da Presidência, o general Rêgo Barros. De acordo com a equipe médica, o presidente deixou o hospital sem dor e sem febre.

Na quinta da semana passada, exames constataram pneumonia, mas houve evolução boa do quadro de sáude do presidente com uso de antibióticos. A equipe médica já havia informado de que ele teria alta nesta quarta.

Bolsonaro já está liberado para falar, como fez na terça ao receber três ministros, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e um secretário paulista.

João Doria e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmaram que Bolsonaro deve finalizar o texto da reforma da Previdência com a equipe econômica ainda nesta semana, assim que retornar a Brasília.
 


 13 Fevereiro 2019


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Jornalista Ricardo Boechat morre em acidente de helicóptero em SP


Aeronave caiu sobre caminhão na rodovia Anhanguera e deixou dois mortos e um ferido
O Globo
O jornalista Ricardo Boechat, na TV Band, onde apresentava telejornal
Foto: Divulgação/Band


SÃO PAULO - O jornalista Ricardo Boeacht, de 66 anos, morreu em um acidente de helicóptero no início da tarde desta segunda-feira em São Paulo. A aeronave caiu sobre um caminhão no kk 22 da Rodovia Anhanguera, próximo ao Rodoanel Mário Covas.

Além de Boechat, outra pessoa que estava no helicóptero morreu, segundo o Corpo de Bombeiros. Até as 13h45, sua identidade não tinha sido confirmada. O motorista do caminhão ficou ferido e foi socorrido.

Segundo informações da Band, onde Boechat trabalhava atualmente, o jornalista voltava de Campinas, no interior de São Paulo, onde deu uma palestra.

Local do acidente

Helicóptero caiu no Rodoanel, em São Paulo

Boechat começou a carreira na década de 1970 no jornal Diário de Notícias, onde trabalhou com o colunista Ibrahim Sued e deu início a uma longa trajetória na área que o consagrou no jornalismo impresso: as colunas de notas. Nos anos 1980, foi para O GLOBO e assumiu a coluna Swann.

Foram duas passagens no jornal: na segunda, que se estendeu até 2001, foi durante anos o titular de uma coluna que levava seu nome.

Os furos jornalísticos renderam a Boechat três prêmios Esso, então a premiação mais importante da profissão.

O jornalista também passou pelo Jornal do Brasil e pelos jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Dia”. E teve uma breve passagem como secretário de Comunicação Social do governo do Rio, na gestão de Moreira Franco, em 1987.

Na televisão, foi comentarista da TV Globo e do SBT e, há mais de dez anos, ancorava o Jornal da Band. Já nos anos 2000, ampliou o leque de atuação e tornou-se um sucesso também no rádio: de segunda a sexta, apresentava um programa matinal na Rádio BandNews FM. Também mantinha uma coluna na revista IstoÉ.

Filho de diplomata, Boechat nasceu em Buenos Aires, em 13 de julho de 1952. Casado com Veruska Seibel, o jornalista deixa seis filhos.



11/02/2019

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

URGENTE: LULA É CONDENADO A 12 ANOS E 11 MESES NO CASO DO SÍTIO DE ATIBAIA

Resultado de imagem para LULA É CONDENADO A 12 ANOS E 11 MESES

  O Antagonista

A juíza Gabriela Hardt acaba de condenar Lula a 12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio de Atibaia, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O petista foi sentenciado por, segundo a juíza, receber R$ 1 milhão em propinas referentes às reformas do imóvel, que está em nome de Fernando Bittar.

Segundo a sentença, as obras foram custeadas pelas empreiteiras OAS, Odebrecht e Schahin.

Como se trata de primeira instância, cabem recursos ao TRF-4 e a instâncias superiores. Mas vale lembrar que, quando recorreu ao TRF-4 no caso do triplex, a defesa de Lula ainda conseguiu aumentar sua pena.

CLIQUE AQUI PARA LER A ÍNTEGRA da sentença da juíza federal de Curitiba, com 360 páginas.


 06.02.19

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Previdência: alternativa do governo é idade mínima de 65 anos para homens e 63 para mulheres


Para quem já está no mercado de trabalho, a ideia seria aproveitar o sistema de pontos. Com isso, a fase de transição duraria até 19 anos.


Geralda Doca
O Globo

Governo confirmou que existe mais de uma versão para reforma da Previdência
Foto: Arquivo


BRASÍLIA - A proposta de reforma da Previdência que iguala a idade mínima de aposentadoria de homens e mulheres em 65 anos não é a única que a equipe econômica tem na manga. Interlocutores do governo afirmam que também existe a possibilidade de uma idade mínima de 65 anos para homens e 63 anos para mulheres , o que seria uma forma de contemplar os anseios da ala política do governo, que acha difícil passar no Congresso a ideia de igualar os sexos.


A minuta que está circulando desde segunda-feira fixa a idade mínima de 65 anos para novos entrantes no mercado de trabalho. Para quem já está nele, a ideia seria aproveitar o sistema de contagem de pontos que já existe e está em 86/96 (soma de idade e tempo de contribuição). Essa fórmula começaria a subir de forma progressiva a partir de janeiro de 2020. O texto prevê o acréscimo de um ponto a cada ano, até atingir 105 pontos para homens e mulheres. Com isso, a fase de transição duraria até 19 anos para as mulheres (em 2038) e nove anos para os homens (em 2028).

Mas para aumentar o efeito da reforma, no entanto, o texto alternativo encurta essa transição. Um dos caminhos é aumentar o somatório 86/96 em um ponto por ano até atingir 100/106. Dessa forma, a transição duraria 10 anos para os homens e 14 anos para as mulheres.

A proposta alternativa também fixa em 60 anos a idade para que as pessoas em condições de miserabilidade possam ter direito a uma renda de R$ 500. Na minuta divulgada na segunda, a idade para ter acesso ao benefício é de 55 anos. No entanto, parte da área econômica avaliam que esta idade é baixa e a medida pode elevar as despesas do governo.

05/02/2019


sábado, 2 de fevereiro de 2019

Davi Alcolumbre é eleito presidente do Senado

Após sessão tumultuada em que o favorito Renan Calheiros deixou disputa, Alcolumbre saiu vencedor com 42 votos


Amanda Almeida, André de Souza,
Eduardo Bresciani e Jussara Soares
O Globo
O senador Davi Alcolumbre, durante a votação no Senado
Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
 
BRASÍLIA — Após uma sessão tumultuada, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi eleito presidente do Senado neste sábado. Ele obteve 42 votos. Para sair vencedor já no primeiro turno era preciso conseguir o apoio de no mínimo 41 dos 81 senadores.

O principal adversário de Alcolumbre na disputa era o senador Renan Calheiros, que tentava chegar à presidência do Senado pela quinta vez. Mas Renan atacou Alcolumbre, criticou o processo de votação e anunciou a retirada de sua candidatura, deixando o caminho livre para o adversário.

Além de Alcolumbre, também foram candidatos Esperidião Amin (PP-SC), com 13 votos, Angelo Coronel (PSD-BA), com 8, Reguffe (sem partido-DF), com 6 , e Fernando Collor (PROS-AL), com 3. Renan ainda recebeu 5 votos. Quatro senadores, incluindo Renan, não votaram. Foram necessárias duas votações neste sábado para escolher o novo presidente. A primeira foi anulada porque havia 82 votos, quando há apenas 81 senadores.

Renan era o favorito, mas viu sua candidatura ser ameaçada pelas articulações em torno do nome de Alcolumbre, apoiado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, desafeto do senador alagoano. Logo após a vitória, Onyx comemorou em uma rede social.

Outros três postulantes ao cargo que se opunham a Renan — Simone Tebet (MDB-MS), Alvaro Dias (Podemos-PR) e Major Olímpio (PSL-SP) — já tinham desistido de concorrer, favorecendo Alcolumbre. O objetivo foi reduzir o número de candidaturas de oposição a Renan para concentrar os votos contrários num nome que fosse capaz de derrotá-lo.
 
O processo de escolha do novo presidente do Senado começou na sexta-feira. Com Davi Alcolumbre (DEM-AP) à frente da sessão, o plenário decidiu, por 50 votos a dois, que, embora o regimento interno determine o voto secreto para a eleição do presidente do Senado, a eleição seria aberta.

A decisão foi questionada por Renan e aliados. Eles argumentaram que Alcolumbre, também candidato, não poderia conduzir o processo eleitoral. Sem acordo, a sessão foi suspensa e remarcada para às 11h deste sábado.

O MDB e o Solidariedade recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a votação aberta. Na madrugada, o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli suspendeu a sessão e determinou a votação aberta. Neste sábado, vários senadores criticaram Toffoli, mas a decisão foi respeitada e o pleito foi secreto. Vários deles, porém, revelaram seu voto.

Neste sábado, durante a segunda votação, ao retirar sua candidatura, Renan disse que o processo em curso no Senado é antidemocrático. Ele também mencionou o voto do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que, na segunda votação, anunciou apoio a Alcolumbre. Na primeira, ele tinha ficado em silêncio.

— Flávio Boslonaro, diferentemente da votação anterior, abriu o voto. Abriu o voto. Abriu o voto. Abriu o voto. Este processo não é democrático — disse Renan, sendo vaiado.

 — Para demonstrar que esse processo não é democrático, eu queria lhe dizer que o Davi (Alcolumbre) não é Davi. O Davi é o Golias. Ele é o novo presidente do Senado e eu retiro a minha candidatura, porque não vou me submeter a isso — acrescentou, sendo aplaudido.

Depois, Renan ainda afirmou:

— Eles querem ganhar de todo o jeito. Isso não pode acontecer. Eu não sou um Jean Wyllys (deputado que renunciou ao mandato após receber ameaças). Eu não vou renunciar meu mandato. Eu vou ficar aqui no Senado Federal. Mas o Brasil é testemunha do que desde ontem está acontecendo no Senado.


02/02/2019

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Notícias falsas atrapalham buscas, alerta Corpo de Bombeiros de Minas

IstoÉ

Em entrevista coletiva sobre a atualização das buscas e atividades em Brumadinho, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais alertou para os problemas decorrentes da disseminação de notícias falsas, conhecidas também como fake news, sobre a tragédia e a atuação das autoridades na região. Mensagens vêm sendo divulgadas em redes sociais apontando um conjunto de fatos e problemas que não condizem com a realidade, segundo o porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara.


“O serviço das forças de segurança tem sido bastante prejudicado com fake news, notícias falsas.

Toda a veiculação desse tipo de notícia, quando é falsa, ela prejudica, e muito, e atrasa o importante trabalho que a gente está fazendo em relação à recuperação desses corpos”, destacou o porta-voz em entrevistas a jornalistas.

O tenente do CBMG citou como exemplo conteúdos indicando a existência de sobreviventes que estariam em algum lugar da região. Quando são acionados por questionamentos ou pistas desse tipo, continuou, os bombeiros têm de ir atrás e conferir se no determinado local sugerido haveria ou não alguma pessoa que resistiu à tragédia.

Outro caso foi a divulgação de notícias segundos as quais os militares nas buscas estariam “intoxicados com a lama”. Aihara registrou que o Corpo de Bombeiros se baseia em laudos atestando o caráter não tóxico da lama, mas que ainda assim há procedimentos para evitar eventuais doenças nos oficiais.

“Como nossos militares ficam durante longos períodos expostos a essa água, a gente ministra um antibiótico, principalmente para prevenir o contágio de leptospirose, mas específico para a atuação de bombeiro. A população em geral não precisa se preocupar com isso. Esse antibiótico só deve ser administrado na população em geral se ela apresentar sintomas”, explicou.

Além disso, o porta-voz informou que estão sendo coletadas amostras de lama em diversos pontos da região para análises próprias, de modo a confirmar se há ou não riscos a quem está trabalhando na área.


30/01/19


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Chevron compra refinaria de Pasadena da Petrobras, dizem fontes


Processo de venda da unidade, cuja aquisição teria causado prejuízo bilionário para a estatal brasileira, foi iniciado em fevereiro de 2018

Reuters
A refinaria de Pasadena, no Texas: compra pela Chevron
Foto: Divulgação


HOUSTON - A Chevron aceitou comprar a refinaria de petróleo de Pasadena da Petrobras, no Texas, unidade com espaço para lidar com o fluxo de "shale oil" (petróleo de xisto) de suas operações no Oeste do estado americano, disseram à agência Reuters duas fontes familiarizadas com as negociações nesta segunda-feira.

A companhia americana deve divulgar o acordo para adquirir a refinaria com capacidade para 112 mil barris por dia (bpd), em Pasadena, neste trimestre, disseram as fontes. 

O processo de venda da refinaria de Pasadena — cuja compra pela Petrobras teria causado prejuízo para a estatal de mais de meio bilhão de dólares, segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) — foi iniciado em fevereiro do ano passado.

O porta-voz da Chevron, Braden Reddall, não quis comentar o assunto. A Petrobras afirmou que qualquer informação sobre um acordo será divulgada ao mercado.

Se conseguir concretizar a venda da refinaria de Pasadena, a Petrobras encerrará mais um polêmico projeto envolvendo irregularidades investigadas pela Operação Lava-Jato. A companhia comprou em 2006 uma participação de 50% na refinaria por US$ 360 milhões. Na época esse valor já tinha sido questionado por ser bem inferiorao valor pago, um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira: US$ 42,5 milhões.

Os gastos com a refinaria aumentariam anos depois quando a Petrobras se se desentendeu com a sua sócia no negócio, a Astra Oil, e uma decisão judicial a obrigou a comprar a participação da empresa belga. A compra de Pasadena acabou custando em um valor total de US$ 1,18 bilhão à Petrobras.
 
O negócio foi alvo da Operação Lava-Jato, entre outros motivos, porque a compra foi realizada quando a ex-presidente da República, Dilma Rousseff, era presidente do conselho da Petrobras. Ela atribuiu o aval do colegiado ao negócio a informações falhas apresentadas pelo então diretor internacional da estatal, Nestor Cerveró, um dos primeiros executivos da estatal presos na investigação.

A refinaria de Pasadena é antiga e tem capacidade para processar 100 mil barris diários de petróleo e capacidade de armazenamento de 5,1 milhões de barris de petróleo e derivados. O ativo inclui ainda terminal marítimo e logística, os estoques existentes além de um terreno localizado no canal marítimo de acesso a Houston. Na época de sua compra a Petrobras alegava que a refinaria seria um primeiro passo para a entrada da estatal no refino nos Estados Unidos.
(Colaborou Ramona Ordoñez)



28/01/2019

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Barragem da Vale se rompe em Brumadinho (MG)


Ainda não há informações sobre vítimas.
Estrutura armazenava rejeitos de minério de ferro e rompeu na altura do quilômetro 50 da MG040

Por Da redação

Rompimento de barragem da Vale em Brumadinho (MG)
(Foto/Reprodução)


Uma barragem da mineradora Vale se rompeu no início da tarde desta sexta-feira, 25, em Brumadinho, cidade de cerca de 40.000 habitantes na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o Corpo de Bombeiros, o rompimento ocorreu na região do córrego do Feijão, na altura do quilômetro 50 da Rodovia MG 040. Ainda não há informações sobre vítimas.


A mineradora divulgou uma nota informando sobre o rompimento da barragem, que ficava na Mina Feijão e armazenava rejeitos de minério de ferro. Segundo a empresa, “as primeiras informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco”. “Havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas”, informou a Vale, que acionou seu “Plano de Atendimento a Emergências para Barragens”.

Por meio de um comunicado no Facebook, a prefeitura de Brumadinho orientou a população a manter distância do leito do rio Paraopeba. Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, a tendência é que os rejeitos fluam para o Paraopeba, um dos principais afluentes do rio São Francisco.

O governo de Minas Gerais enviou uma força-tarefa ao local do rompimento da barragem, onde os bombeiros e a Defesa Civil já atuavam com cinco helicópteros. Segundo a gestão do governador Romeu Zema (Novo), foi criado um gabinete estratégico de crise para acompanhar as ações. Os secretários do Meio Ambiente, Germano Vieira, e de Impacto Social, Elizabeth Jucá, foram enviados ao local.

Todo o aparato do Governo de Minas foi enviado para prestar os primeiros socorros às vitimas e o suporte necessário para os moradores da região. Nossa atenção neste momento está direcionada para socorrer as pessoas atingidas. https://t.co/IwbbWGBg4Y

— Romeu Zema (@RomeuZema) January 25, 2019
Por meio de sua conta no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro lamentou o desastre e anunciou que os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o secretário nacional de Defesa Civil vão até a região. Em pronunciamento no Palácio do Planalto por volta das 16h desta sexta, o porta-voz do governo, general Otávio Santana do Rêgo Barros, disse que Bolsonaro pretende ir a Brumadinho às 8h deste sábado, 26.

Ainda conforme Rêgo Barros, foram instalados gabinetes de crise no Planalto e no Ministério do Meio Ambiente. Além das pastas de Salles, Canuto e Albuquerque, o ministério da Defesa também integrará as ações do governo na cidade mineira.


Nossa maior preocupação neste momento é atender eventuais vítimas desta grave tragédia.

— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro)
January 25, 2019

Um dos maiores museus de arte contemporânea do Brasil, o Inhotim, que fica em Brumadinho, foi evacuado por segurança. O instituto, que guarda uma acervo milionário, só voltará a receber visitas depois que se conhecer a extensão do vazamento de rejeitos.



Veja abaixo a nota da Vale

Vale informa sobre rompimento de barragem em Brumadinho, Minas Gerais

A Vale informa que, no início desta tarde, ocorreu o rompimento da Barragem 1 da Mina Feijão, em Brumadinho (MG). A companhia lamenta profundamente o acidente e está empenhando todos os esforços no socorro e apoio aos atingidos.

Havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas. Parte da comunidade da Vila Ferteco também foi atingida.

O resgate e os atendimentos aos feridos estão sendo realizados no local pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil. Ainda não há confirmação sobre a causa do acidente.

A prioridade máxima da empresa, neste momento, é apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados, próprios e terceiros, e das comunidades locais.

A Vale continuará fornecendo informações assim que confirmadas.

 25 jan 2019