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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

PT gastou R$ 1,4 bilhão para eleger e reeleger Dilma, diz Palocci em delação

Caixa 2 representa mais do que o dobro do valor declarado ao TSE.

Anexo do acordo teve sigilo retirado por juiz Sérgio Moro

Por Aguirre Talento / Robson Bonin
O Globo

Dilma Rousseff e Antônio Palocci, durante cerimônia no Palácio do Planalto
Gustavo Miranda/Agência O Globo
 

BRASÍLIA — O ex-ministro petista Antonio Palocci afirmou no primeiro anexo de sua delação premiada que as duas últimas campanhas presidenciais do PT para eleger Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, teriam custado juntas R$ 1,4 bilhão, mais do que o dobro dos valores declarados oficialmente à Justiça Eleitoral. Segundo Palocci, as campanhas foram largamente abastecidas com caixa dois. De acordo com o depoimento, os empresários contribuíam esperando benefícios em troca e, mesmo nas doações oficiais, a origem da maior parte do dinheiro vinha de acertos ilícitos de propina.

O anexo se tornou público nesta segunda-feira, após decisão do juiz federal Sérgio Moro, que determinou a juntada do depoimento de Palocci em uma das ações penais em andamento contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual ele é acusado de receber propina da Odebrecht. Palocci atuou nas campanhas petistas como interlocutor do setor empresarial para a arrecadação financeira, por isso seu conhecimento sobre o assunto.

Segundo o ex-ministro, a “ilicitude das campanhas” começava nos “preços elevadíssimos que custam”. “Ninguém dá dinheiro para as campanhas esperando relações triviais com o governo”, afirmou ele, que prossegue: “As prestações regulares registradas no TSE são perfeitas do ponto de vista formal, mas acumulam ilicitudes em quase todos os recursos recebidos”.

Ainda de acordo com a delação, as doações oficiais serviam para quitar saldo de acertos de propinas em obras públicas, como na Petrobras:

“Grandes obras contratadas fora do período eleitoral faziam com que os empresários, no período das eleições, combinassem com os diretores que o compromisso político da obra firmada anteriormente seria quitada com doações oficiais acertadas com os tesoureiros dos partidos, coligações, etc”.

Sobre as duas campanhas de Dilma Rousseff, Palocci afirmou: “Pode citar que as campanhas presidenciais do PT custaram em 2010 e 2014, aproximadamente, 600 e 800 milhões de reais, respectivamente”. Nas prestações de contas oficiais, os valores oficialmente declarados de custo dessas campanhas foram de R$ 153 milhões e R$ 350 milhões, respectivamente.

Palocci afirmou ainda, sem dar detalhes, que havia um largo esquema de venda de medidas provisórias no Congresso Nacional durante os governos petistas, envolvendo tanto o Poder Executivo como o Legislativo:

“A prática de venda de emendas se tornou corriqueira, particularmente na venda de emendas parlamentares para medidas provisórias vindas dos governos, casos em que algumas MPs já contam com algum tipo de vício destinado a atender financiadores específicos e saem do Congresso Nacional com a extensão do benefício ilícito a diversos outros grupos privados”, disse o ex-ministro, que “estima que das mil medidas provisórias editadas nos quatro governos do PT, em pelo menos novecentas houve tradução de emendas exóticas em propina”.

Questionado sobre contas no exterior do PT, Palocci afirmou que nunca abriu nenhuma conta para o partido, mas que “sabe que a agremiação já fez isso sem utilizar o nome do partido e lideranças, pelo menos segundo tem conhecimento o colaborador; que soube que empresários abriam, apenas na confiança, contas em nome próprio e para utilização pelo PT”. O relato é semelhante ao do empresário Joesley Batista, do grupo da JBS, que contou em sua delação ter mantido contas no exterior para depositar periodicamente a propina devida ao partido, que eram esvaziadas na época das eleições.

No início do seu depoimento, Palocci traça um histórico do governo do ex-presidente Lula, e afirma que havia duas correntes políticas em disputa dentro do PT na época, um “programático” e outro “pragmático”. O grupo programático defendia a aprovação de grandes reformas, como a reforma da previdência, a tributária e a do Judiciário. Segundo Palocci, ele e outros nomes faziam parte desse grupo, citando Miro Teixeira, Luiz Gushiken e José Genoíno. O outro grupo visava a aliança com partidos pequenos para formar uma base de apoio ao governo –s eria formado, ainda de acordo com o ex-ministro, por nomes como José Dirceu e Marco Aurélio Garcia, além da participação esporádica de Dilma Rousseff. Pelo relato de Palocci, o grupo pragmático acabou vitorioso, por isso o governo entregou ministérios e cargos em estatais para atrair alianças com outros partidos.

Segundo seu relato, Lula teria lhe chamado para uma conversa no Palácio da Alvorada em fevereiro de 2007, pouco após sua reeleição, queixando-se ter ouvido falar que havia cometimento de crimes nas diretorias da Petrobras ligadas ao PP (Paulo Roberto Costa) e ao PT (Renato Duque). Palocci afirmou em sua delação que respondeu a Lula ter sido ele o responsável pelas nomeações, e que os diretores estariam agindo de acordo com os parâmetros definidos por seus partidos. Disse ainda que Lula buscava testar uma versão de defesa, para demonstrar que não sabia do assunto.

Em seguida, Palocci afirma que “explicitou a Lula que ele sabia muito bem porque houve a indicação pelo PP de um diretor, uma vez que o PP não fez aquilo para desenvolver sua política junto à Petrobras, até porque nunca as teve; que a única política do PP era a de arrecadar dinheiro; que não havia sentido em se acreditar que o PP estaria contribuindo com políticas para a exploração do petróleo; que relembra que, apesar do diálogo, Luiz Inácio Lula da Silva não tomou medidas posteriores para tirar os diretores dos cargos ocupados”.

Ainda falando sobre pragmatismo político, em outro trecho do seu depoimento, Palocci afirma que “os partidos se corrompem quando passam a integrar o governo”. “Quanto maior o tempo de governo, maior é o nível de corrupção; que mesmo após deixarem o governo e passarem a compor oposição, o partidos continuam com práticas corruptas”, declarou em sua delação.

Os outros termos de depoimento da delação de Palocci, assinada com a Polícia Federal e homologada em junho pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, permanecem sob sigilo.

O ex-ministro também deu detalhes sobre pagamentos de propina envolvendo contratos de publicidade da Petrobras. Segundo Palocci, as empresas de marketing e propaganda “destinavam cerca de 3% dos valores dos contratos de publicidade ao PT através dos tesoureiros”. A área era comandada pelo petista Wilson Santarosa. Palocci afirma que “não acreditava que a atuação de Santarosa se dava para ganhos pessoais, e sim para ganhos partidários”.

Diversas das acusações apresentadas por Palocci já eram conhecidas da Lava Jato, mas o ex-ministro apresenta novas informações de bastidores e novos detalhes dos episódios. Neste depoimento, porém, Palocci ainda não apresenta provas e documentos que possam corroborar seu relato.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o PT disse que "não comenta delações mentirosas e negociadas em troca de benefícios penais e financeiros".
 
A defesa do ex-presidente Lula diz que Palocci "mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena - 2/3 com a possibilidade de 'perdão judicial' - e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias".

Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins disse ainda que a conduta do juiz Sergio Moro "reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula".

"Moro juntou ao processo, por iniciativa própria ('de ofício'), depoimento prestado pelo Sr. Antônio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais", escreveu o advogado.


01 de outubro de 2018

CAMPANHAS DE DILMA CUSTARAM R$ 600 MILHÕES E R$ 800 MILHÕES



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As campanhas de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 custaram respectivamente 600 milhões de reais e 800 milhões de reais, de acordo com Antonio Palocci.

A maior parte em dinheiro sujo.
O Antagonista



 01.10.18


PALOCCI DIZ QUE PT ABRIU CONTAS NO EXTERIOR


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O Antagonista
Antonio Palocci disse para a PF que o PT teve contas secretas no exterior, abertas pelo próprio partido ou por empresários.

Essa ORCRIM tem de ser eliminada para sempre.




01.10.18

EXCLUSIVO: PALOCCI DIZ QUE LULA SIMULAVA INDIGNAÇÃO SOBRE CORRUPÇÃO NA PETROBRAS


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Por Claudio Dantas 
O Antagonista

Em sua delação premiada, obtida em primeira mão por O Antagonista, o ex-ministro Antonio Palocci também revela um traço singular da personalidade de Lula.

Segundo ele, o então presidente simulava indignação toda vez que uma denúncia de ilícitos lhe chegava aos ouvidos. Ocorre que era crimes autorizados pelo próprio Lula.

Palocci narra que, em fevereiro de 2007, após a reeleição, Lula o chamou no Palácio do Planalto, em ambiente reservado, para perguntar sobre fatos envolvend Renato Duque e Paulo Roberto Costa.



“Lula indagou ao colaborador se aquilo era verdade, tendo respondido afirmativamente, que então indagou ao colaborador quem era a pessoa responsável pela nomeação dos diretores; que o colaborador afirmou que era o próprio Luiz Inácio Lula da silva.”





 01.10.18

PALOCCI: “ERA COMUM LULA ESBRAVEJAR SOBRE ASSUNTOS ILÍCITOS QUE TINHAM OCORRIDO POR SUA DECISÃO”


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No Anexo 1 da sua delação, Antonio Palocci diz “que era comum Lula, em ambientes restritos, reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão; que a intenção de Lula era clara no sentido de testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa”.



01.10.18

EXCLUSIVO: PALOCCI DIZ QUE PT FICAVA COM 3% DOS CONTRATOS DE PUBLICIDADE DA PETROBRAS



Por Claudio Dantas
O Antagonista

No anexo 1 de sua delação premiada, que O Antagonista obteve em primeira mão, o ex-ministro Antonio Palocci revela o esquema de propinas nos contratos de publicidade da Petrobras.

Segundo ele, as empresas de marketing e propaganda contratadas pela gestão de Wilson Santarosa, “destinavam cerca de 3% dos valores dos contratos de publicidade ao PT através dos tesoureiros”.

Santarosa, que comandava a Gerência Executiva de Comunicação Institucional da estatal, era conhecido líder sindical dos petroleiros do PT de Campinas, ligado a “Lula, Luiz Marinho e Jacob Bittar”.


01.10.18

EXCLUSIVO: O ANEXO 1 DA DELAÇÃO DE PALOCCI


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Por Claudio Dantas
O Antagonista
O Antagonista obteve em primeira mão o conteúdo do anexo 1 da colaboração premiada que Antonio Palocci firmou com a Polícia Federal e que foi homologada pelo desembargador Gebran Neto, do TRF-4.

O Anexo 1 trata do “loteamento de cargos na Petrobras e sua utilização pelo governo federal para prática de crimes”.

O ex-ministro fala da divisão interna no governo entre o seu grupo (mais programático) e o de José Dirceu (mais pragmático). Embora propunham linhas diferentes na relação com os partidos da base, ambos praticaram crimes.

Integravam o “grupo de Palocci”, segundo o próprio ex-ministro, o deputado Miro Teixeira (candidato ao Senado), o ex-deputado José Genoíno e o falecido Luiz Gushiken. Já Dirceu contava com o apoio de Marco Aurélio Garcia, também falecido, e às vezes com Dilma Rousseff.

Leiam a íntegra:























01.10.18



 

EXCLUSIVO: A DELAÇÃO DE PALOCCI PARA A PF EM CURITIBA

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Por Claudio Dantas
O Antagonista

O Antagonista obteve em primeira mão os itens do acordo de colaboração premiada que Antonio Palocci firmou com a Polícia Federal em Curitiba.

O ex-ministro de Lula entregou detalhes do esquema de propinas na Sete Brasil, nas obras de Belo Monte, na compra de blocos de exploração na África e na relação entre o grupo Schahin, o PT e o instituto de pesquisas Vox Populi.

Palocci também colaborou nos autos do inquérito aberto para apurar o vazamento da operação contra Lula.











01 de outubro de 2018








Como Lula opera a campanha da cadeia


O ex-presidente transformou a sala-cela em Curitiba no QG da candidatura de Fernando Haddad ao Planalto.

De lá, o petista articula a cooptação de caciques regionais e até entregas de dinheiro por meio de jatinhos

Germano Oliveira
Revista IstoÉ


Preso há seis meses numa sala-cela da PF em Curitiba, o ex-presidente Lula está apenas no início do cumprimento de uma pena de 12 anos e 1 mês de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Teoricamente, o cárcere deveria servir para o réu se regenerar dos crimes cometidos, não voltar a delinqüir e deixar o presídio após o final da pena apto a se reintegrar à sociedade, devidamente recuperado. Mas Lula parece não se emendar. Ao exercer sem qualquer cerimônia ou pudor o papel de coordenador da candidatura do presidenciável Fernando Haddad (PT), o petista transformou a sala-cela num QG da campanha, onde acontecem manobras pouco ortodoxas no vale-tudo para eleger o petista. Sob as barbas das autoridades, Lula vale-se da estrutura carcerária para operar a estratégia eleitoral petista, colocando em prática métodos nada republicanos no esforço para cooptar apoios de partidos como MDB, PR, PP e PDT para o “projeto Haddad”. Conforme apurou ISTOÉ, além de promessas de cargos no futuro governo do PT, Lula articula vantagens financeiras destinadas a irrigar as campanhas dos que se dispõem a serem convertidos a novos aliados. A máquina eleitoral é comandada por meio de bilhetinhos, à la Jânio Quadros, só que de dentro da cadeia, os quais o petista faz chegar às mãos de assessores de altíssima confiança. Integram o time de pombos-correios de Lula o ex-chefe de gabinete Gilberto Carvalho, o advogado Cristiano Zanin, o deputado José Guimarães (PT-CE) e do próprio Haddad, que o tem visitado na condição de advogado. O teor das mensagens é repassado pelos assessores aos políticos aos quais se destinam as determinações.


Nas últimas semanas, o objetivo do ex-presidente tem sido ampliar a vantagem de Haddad no Norte-Nordeste do País. Não à toa, intensificaram-se as mensagens remetidas para caciques da região e velhos parceiros dos tempos da era petista no poder, caso dos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Eunício Oliveira (MDB-CE), Fernando Collor (PTC-AL) e o ex-senador José Sarney (MDB-MA), que até então marchavam ao lado de Henrique Meirelles (PMDB) ou de Ciro Gomes (PDT). Para que mudassem de lado na atual corrida presidencial, robustecendo o palanque de Haddad, Lula prometeu-lhes participação no novo governo e até compensações financeiras. Outro destinatário preferencial dos bilhetinhos de Lula é o também presidiário Valdemar Costa Neto, que por determinação judicial dorme no Presídio da Papuda, em Brasília, mas está autorizado a sair durante o dia para trabalhar. Apesar de não ser mais o presidente do PR, Valdemar ainda manda e desmanda no partido, que desde o governo Lula transformou o Ministério dos Transportes no seu latifúndio, digamos, mais produtivo. O operador financeiro de Valdemar é o ex-ministro Maurício Quintella, atualmente candidato ao Senado pelo PR de Alagoas. Como Lula sabe que o caixa do PR é poderoso, por comandar grandes obras em rodovias no País, o petista tem acionado Valdemar quando precisa fazer chegar recursos às mãos de algum neo-aliado.

O VELHO FISIOLOGISMO
Lula prometeu cargos para raposas do MDB num futuro governo
(Crédito:Fernando Bizerra Jr)


Foi o que aconteceu no Maranhão. Lula havia recebido informações de que a candidatura de Ciro Gomes ganhava corpo no Estado. Afinal, o governador Flávio Dino (PCdoB), apesar de integrar a base aliada do PT, trabalhava com afinco para empinar a candidatura de Ciro. Até que Dino foi procurado pelo deputado José Guimarães, a quem coube repassar-lhe a orientação de Lula: que ele passasse a se dedicar a Haddad. “Dino tem que deixar de apoiar Ciro”, ordenou o petista da cadeia. Não parou por aí. Ao descobrir que um dos motores da candidatura de Ciro no Maranhão era o deputado Weverton Rocha (PDT-MA), candidato ao Senado, Lula, por meio de Gilberto Carvalho, destinou uma importante mensagem a Valdemar Costa Neto. “Faça chegar dinheiro à campanha de Weverton Rocha”. O deputado, conforme informações colhidas por Lula da prisão, precisava de R$ 6 milhões para deslanchar sua campanha. Com o apoio de Quintella, Valdemar deflagrou a operação para o envio do dinheiro ao Maranhão.



Avião com R$ 6 milhões a bordo caiu em Boa Viagem (CE). Mas os recursos chegaram no destino: a campanha de Weverton Rocha, PDT

Conforme apurou ISTOÉ, um avião experimental Cirrus, da Vokan Seguros, a serviço da empreiteira CLC (Construtora Luiz Carlos), foi quem cuidou do transporte do dinheiro do Ceará com destino a São Luis. A CLC faz um trecho da BR-222, na região de Sobral (CE), uma obra do Ministério dos Transportes. No trajeto, percorrido no dia 14 de setembro, uma quase-tragédia: o avião acabou caindo com o dinheiro a bordo na cidade de Boa Viagem. Os recursos eram escoltados por um policial. Com o acidente, outros agentes foram ao local imaginando que a aeronave pudesse transportar drogas. Coube ao policial a bordo do Cirrus a tarefa de tranquilizar os colegas, dizendo-lhes que não se preocupassem com a ocorrência, pois ninguém havia ficado ferido. O dinheiro, contudo, chegou ao destinatário final, cumprindo os desígnios de Lula: a campanha do pedetista Weverton – convertido a empedernido cabo eleitoral de Haddad.

Mas ainda havia uma ponta solta no novelo da costura feita por Lula no Maranhão. Era preciso atrair para seu arco de alianças o ex-senador José Sarney e sua filha Roseana, candidata do MDB ao governo do Estado contra Flávio Dino. A família Sarney vinha trabalhando pela eleição do presidenciável do partido, Henrique Meirelles, mas a conduta mudou quando Sarney recebeu o recado de Lula, transmitido por meio de Gilberto Carvalho: “Quero a família Sarney na campanha do Haddad”, determinou Lula da cadeia. Os Sarneys fecharam também com Lula. Resultado: Haddad cresceu no Maranhão de 4% para 36% e Ciro estagnou nos 13%.


Em contrapartida, o cacique maranhense conta com a ajuda de eventual governo petista para sacramentar um negócio que envolve a TV Mirante, pertencente à família. Sarney deseja vender a emissora para o grupo Integração, de Minas Gerais.
Lula montou uma estratégia para beneficiar Haddad também em Alagoas. Para isso, contou com os préstimos do senador Renan Calheiros (MDB-AL). Em mensagens transmitidas por Gilberto Carvalho a Renan, candidato à reeleição, Lula pediu para que o senador convencesse o também senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) a desistir da disputa ao governo de Alagoas contra Renan Filho (MDB), candidato à reeleição. Àquela altura, Renanzinho ostentava 46% das intenções de voto e Collor 22%. Os dois rumavam para o segundo turno. A idéia acalentada por Lula era que Renanzinho fosse eleito no primeiro turno, reservando o segundo turno para se dedicar de corpo e alma a Haddad. Em troca, o filho de Renan se comprometeria a aumentar as verbas da mídia do governo dos atuais R$ 300 mil por mês para R$ 800 mil mensais para a TV de Collor em Maceió. O acerto, pelo visto, foi bem azeitado. Collor renunciou, Renanzinho saltou para 65% e deve ser reeleito na primeira etapa das eleições alagoanas.

Quem sabe, faz a hora. Agora, o PT espera que Renan Filho cristianize Meirelles em favor de Haddad. Há, no Estado, quem diga que isso já aconteceu. Na última semana, Haddad subiu de 2% para 28% em Alagoas. Avalista do acerto, Renan sonha em voltar a comandar o Senado, a partir de 2019, com o apoio de Lula.

FANTOCHE
Haddad, ao lado de Manuela D`Ávila, faz campanha pelo país, mas quem dá as cartas é Lula
(Crédito:Mauro Pimentel)


No mapa eleitoral que estende sobre a solitária mesinha de sua cela na PF, Lula vislumbra que Haddad reúne chance de se eleger presidente se obtiver uma ampla vantagem no Nordeste, onde detém o apoio de quase 35% do colégio eleitoral brasileiro (mais de 50 milhões de eleitores). Foi graças à expressiva votação no Norte/Nordeste que Dilma Rousseff conseguiu superar Aécio Neves (PSDB) na disputadíssima corrida eleitoral de 2014. Lula espera repetir a dose. Desde que ativou o QG eleitoral na cadeia, há um mês, os resultados já se fizeram sentir. Haddad ascendeu nas pesquisas de intenção de voto de 4% para 22%, índices impulsionados pelo duplo twist carpado empreendido pelo petista na região, onde atingiu 34% – o dobro de Jair Bolsonaro. O avanço vermelho no Nordeste, operado por Lula da cadeia, acabou por minar a candidatura de Ciro Gomes. O pedetista chegou a ter mais de 20% na região, com tendência de alta, mas recuou.



Valdemar teria oferecido R$ 2,4 milhões para que candidatos a deputado pelo PR apoiem Haddad

O esforço de Lula no sentido de solapar, da sala-cela em Curitiba, candidaturas adversárias de seu poste ousou beliscar o ninho tucano no Piauí. Lá, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, que apoiava oficialmente a candidatura do tucano Geraldo Alckmin, virou casaca depois de receber um bilhete de Lula levado pelo deputado José Guimarães. “Ciro Nogueira tem que trocar Alckmin por Haddad”, determinou Lula. A intervenção do petista fez com que Haddad subisse de 6% para 38% no Piauí e Alckmin estacionasse no Estado. Até o Ceará, dominado pelo ex-governador Ciro Gomes, sentiu a mão pesada de Lula. O emissário também neste caso foi José Guimarães, um de seus maiores interlocutores no Nordeste. Por meio do aliado, Lula mandou um recado furioso ao governador Camilo Santana (PT), que fez coligação com o PDT no Estado. Camilo pedia votos também para Ciro no Ceará. Lula determinou, então, que se bandeasse para Haddad. Paralelamente, articulou com o senador Eunício Oliveira (MDB-CE), seu desembarque da candidatura de Meirelles, em prol do candidato do PT ao Planalto. Não para a surpresa de quem lê, a estratégia montada por Lula no Estado também envolve muito dinheiro – e , nesses casos, quem se apresenta para jogo é Valdemar Costa Neto. Para fazer Haddad decolar no Ceará, Valdemar estaria oferecendo R$ 2,4 milhões, recurso do fundo partidário do PR, para cada candidato da legenda a deputado federal. No meio penitenciário, policiais costumam dizer que os presos, por não trabalharem, utilizam o tempo ocioso para arquitetar novos crimes. Costumam repetir a velha máxima: “mente vazia, oficina do diabo”. E é o que parece que Lula está fazendo na cadeia: articulando estratégias suspeitas de novos ilícitos eleitorais. Para dizer o mínimo.

28/09/18


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

IstoÉ/Sensus: Bolsonaro lidera com 30,6%, Haddad tem 24,5%, Ciro, 7,7% e Alckmin, 5,6%


Pesquisa ISTOÉ/Sensus revela a consolidação do cenário de polarização na eleição presidencial entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

No segundo turno, a disputa está totalmente em aberto, com o candidato do PSL à frente do petista na margem de erro


Rudolfo Lago
Revista IstoÉ


No dia 7 de outubro, as urnas eletrônicas serão o retrato de como a sociedade brasileira avalia os últimos 16 anos do País. Na hora de fazer esse tira-teima, os brasileiros resolveram transformar a disputa em um plebiscito entre os dois extremos. É o que mostra claramente a pesquisa Sensus que ISTOÉ publica com exclusividade nesta edição. “A polarização entre PSDB e PT repetida nas últimas eleições do país deu lugar a uma polarização PT versus anti-PT. Os eleitores dividem-se entre os que apoiam essa era e os que não apoiam”, analisa o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes. “O eleitor vota pragmaticamente, com a prevalência das preocupações e demandas por bens e serviços sociais em contrapartida às variáveis de cunho ético. Há uma oposição do projeto liberal e das políticas sociais, como se fossem excludentes”, observa.


QUASE LÁ

Internado no hospital desde que foi vítima de um atentado, Bolsonaro já traça estratégias para o 2º turno das eleições


HADDAD É LULA

Sob as bênçãos do ex-presidente preso, Haddad está muito próximo de carimbar o passaporte para a segunda fase das eleições (Crédito:Nelson Almeida)


De acordo com o levantamento, Jair Bolsonaro, do PSL, lidera as intenções de voto com 30,6% no quadro estimulado (quando os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor). Fernando Haddad, do PT, tem 24,5%. Ciro Gomes, do PDT, 7,7%. Geraldo Alckmin, do PSDB, 5,6%. Marina Silva, da Rede, que durante bom tempo figurou em segundo nas pesquisas, no levantamento ISTOÉ/Sensus aparece apenas com 2,7%, seguida de João Amoedo, do Novo (1,9%); Alvaro Dias, do Podemos (1,7%) e Henrique Meirelles, do MDB (1,6%). Ou seja, a eleição polarizou de fato entre Bolsonaro e Haddad. Somente uma reviravolta improvável será capaz de tirar os dois do segundo turno. “O quadro do primeiro turno está definido”, afirma Guedes. “O que acontecerá no segundo turno dependerá agora do desempenho de cada candidato, seus partidos, seus programas e militantes no segundo turno”.


ÚLTIMOS SUSPIROS

Ciro ainda tenta mostrar ao eleitor que pode ser capaz de quebrar a polarização dos extremos
(Crédito:Nelson Almeida)


Nas simulações de segundo turno, permanece quadro de divisão do País, com empate entre os candidatos. De acordo com a pesquisa ISTOÉ/ Sensus, Bolsonaro teria 37,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 36,3% de Fernando Haddad. Nas simulações contra os demais candidatos, os percentuais aumentam, reforçando a ideia de que o embate se dá mesmo entre os dois. Bolsonaro teria 35,1% contra 33,5% de Ciro Gomes. Contra Alckmin, seria 38% versus 26,4%, em favor de Bolsonaro. Na disputa contra Marina, 37,4% a 26,5%, também pró-candidato do PSL. Já Haddad venceria Ciro por 29,8% contra 25,6% e prevaleceria também sobre Alckmin (35,1% a 22,3%). Contra Marina, Haddad teria 37,3% e ela 17,5%.



No quadro que mostra as intenções de voto espontâneas dos eleitores (quando o eleitor indica seu voto de memória, sem a lista dos candidatos), Bolsonaro ostenta 28% e Haddad 21,8%. Ou seja, não há grande diferença. “Quando o espontâneo cola no estimulado, isso significa cristalização das eleições”, afirma Guedes. Os eleitores, assim, já definiram suas escolhas. Somados, Bolsonaro e Haddad totalizam 51,5% das intenções de voto. Com 21,6% de brancos, nulos e ausência de respostas, os demais onze candidatos disputam 23,3% do voto do eleitorado. Portanto, só uma hecatombe alteraria o resultado do primeiro turno.


ESFORÇO FINAL

O tucano Geraldo Alckmin ainda aposta numa virada na reta final da campanha
(Crédito: Bruno Rocha/Fotoarena/Agência O Globo)


Para consolidar esse quadro, a pesquisa revela ainda 80,4% do eleitorado já decidiu o candidato da sua preferência. O Sensus ouviu 2 mil eleitores em 136 municípios de 24 estados das cinco regiões do país entre os dias 21 e 24 de setembro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de confiança da pesquisa é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-02407/2018.


Outro aspecto importante revelado pelo levantamento ISTOÉ/Sensus é que o voto útil tornou-se, de fato, uma ferramenta considerada por boa parte dos eleitores. Normalmente, numa eleição de dois turnos, o eleitor vota primeiro naquele candidato de sua preferência, exercendo a escolha no que lhe parece menos pior apenas no segundo turno. A pesquisa indica que tal situação já pode acontecer no domingo 7. Um percentual de 35,8% dos entrevistados afirma considerar o voto útil no primeiro turno. Destes, 23,1% já afirmam que assim farão. E 12,7% admitem votar em um candidato que não seja da sua preferência para evitar que outro candidato seja eleito. Os dois candidatos que lideram a pesquisa apresentam rejeição acima de 40%. Fica claro, de novo, o caráter plebiscitário da disputa. O eleitor votará pensando menos no que almeja e mais do que não deseja para os próximos quatro anos.


SINA

Marina Silva repete o desempenho de eleições anteriores: boa de largada, mas ruim de chegada
(Crédito:Diego Herculano)



Ricardo Guedes observa quais são as motivações principais que movem cada um dos grupos que se polarizam. “Bolsonaro significa o voto de risco em um novo país mais liberal”, afirma. Ou seja: boa parte de seus eleitores considera o risco que representam suas posições mais radicais em nome desse projeto. “Haddad é a lembrança da bonança independentemente dos problemas causados”, completa o diretor do Instituto Sensus.


Assim, no imaginário dos eleitores petistas, os tempos de ascensão social e maior bem estar são capazes de superar as denúncias, a crise e o desgoverno de Dilma Rousseff e a prisão do ex-presidente Lula, o que ainda soa inacreditável. Por isso, fica a pergunta que estampa a abertura da matéria: vamos mesmo por esse caminho? Pela pesquisa ISTOÉ/Sensus, sim. Enquanto Haddad e Bolsonaro já traçam estratégias para o embate final, os demais candidatos, num derradeiro esforço para empreender uma virada improvável, trabalharão para se apresentarem como opções à polarização. Na última semana, reforçarão o discurso do equilíbrio e da racionalidade, na tentativa de incutir na cabeça do eleitor o perigo que poderá representar a definição pelos extremos, mantendo o Brasil na ebulição em que se encontra, com todos os prejuízos acarretados à estabilidade política e econômica do País. Que a racionalidade e o bom senso predominem no domingo.


27/09/18



quarta-feira, 26 de setembro de 2018

BOLSONARO 31% X 20% HADDAD (CRUSOÉ)


Jair Bolsonaro tem 31% na pesquisa da Crusoé, feita pelo Instituto Paraná.
O Antagonista
Fernando Haddad está 11 pontos atrás, com 20%.

O resto é o resto, como mostraram todas as pesquisas das últimas semanas.

44% X 39% NO SEGUNDO TURNO


No segundo turno, Jair Bolsonaro está 5 pontos à frente de Fernando Haddad, segundo a pesquisa da Crusoé.


Ele tem 44,3% dos votos contra 39,4% do petista.



   26.09.18


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Alckmin elogia carta de FH, mas refuta união de centro agora: 'Não vou procurar candidatos'


Tucano afirmou que reflexão proposta por Fernando Henrique foi direcionada aos eleitores

Por Cristiane Jungblut
O Globo

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, durante entrevista
Márcia Foletto / Agência O Globo


BRASÍLIA - Apesar de elogiar a “reflexão” proposta pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em carta divulgada nesta quinta-feira – quando propôs a união das forças de centro em torno da candidatura mais viável para deter a “marcha da insensatez” –, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, refutou a ideia de uma união de candidaturas neste momento da campanha. Segundo Alckmin, a carta de FH teria o objetivo de alertar os eleitores sobre o risco de polarização entre projetos radicais materializados na candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).


Sobre sua condição desfavorável nas pesquisas, Alckmin (o tucano está em quarto na disputa, com 9% dos votos no último Datafolha) argumentou que, em eleições passadas, a reta final da disputa registrou uma mudança no comportamento do eleitorado, o que pode lhe favorecer. O tucano defendeu a união dos partidos em torno de sua candidatura, mas disse que a carta de FH foi apenas “uma reflexão sobre o momento político”.

– A carta é uma boa reflexão. Para isso tem campanha eleitoral, para a gente dialogar, refletir sobre o que é melhor para o Brasil. Concordo plenamente com a carta. Ela não é pessoal, é uma reflexão sobre o momento político, dizendo que os extremismos não vão ajudar o Brasil a sair da crise. Não vou procurar candidatos, porque a ideia é uma reflexão junto ao eleitorado – disse o tucano.

OUTRA ELEIÇÃO

Apesar de rejeitar uma aliança no primeiro turno, Alckmin deixou claro que o segundo turno “é outra eleição” e qualquer negociação de apoio poderá vir a ocorrer em virtude da “situação delicada” que atravessa o país.

– (A carta) Ajuda porque temos uma eleição em dois turnos. O segundo turno é uma nova eleição. Pelas circunstâncias desta eleição, se foi para uma situação bastante delicada. O candidato Bolsonaro não tem a menor condição, numa situação dessas que estamos vivendo. Os últimos 15 dias são decisivos. E, no finalzinho, é que tiveram as grandes viradas. Então, estamos animados, estamos no bloco de 9% e 10%, e podemos crescer. Em São Paulo, a gente já percebe isso – disse Alckmin.

O tucano sabe que os adversários já rejeitaram a proposta de união das forças de centro elaborada pelo ex-presidente. Em entrevista de quase 30 minutos à "Rádio Jornal", de Pernambuco, Alckmin partiu para o ataque a Bolsonaro e, em tom irônico, disse que os desentendimentos entre o adversário e seu economista, Paulo Guedes, sobre a recriação da CPMF, mostram que o "Posto Ipiranga já pegou fogo".

– Como é que pode ter condição de governar alguém que diz o seguinte: eu não entendo nada de nada e quem vai mandar é o Paulo Guedes, ele é o Posto Ipiranga? Bom, já pegou fogo o Posto Ipiranga. Porque o Paulo Guedes diz que vai ter alíquota única de Imposto de Renda. E, bom, você (com isso) vai ferrar a classe média. Se a alíquota é única, quem paga menos vai pagar mais. Pela classe média. E a CPMF pega os pobres – disse Alckmin.

Na sequência, o tucano usou Bolsonaro para atacar o PT. Em sua avaliação, o ex-capitão do Exército só cresceu no imaginário popular por causa do ambiente de conflagração política criado pelos governos petistas.

– O Bolsonaro é muito culpa do PT. O Bolsonaro elege o PT, é o passaporte para o PT voltar. Quando você radicaliza de um lado, você cria radical do outro. Mas não é solução para o Brasil, o Brasil perde – disse.

Nesta sexta-feira, Alckmin passa por Recife (PE) e deve ir a Salvador, na Bahia. No sábado, retoma a agenda em São Paulo, o foco de sua campanha a partir de agora, onde pretende tentar recuperar o eleitorado perdido para Bolsonaro nas pesquisas.

– A eleição está aberta. Não vou perder. Vou ganhar falando a verdade.

21/09/2018


Um país na margem de erro


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"Brasileiro confia tanto em pesquisa que nem dá para entender por que ainda tem eleição.

Votar pra quê?

Chega de intermediários.
GUILHERME FIUZA
GAZETA DO POVO


Há mais de ano o Brasil sabe que Lula está no segundo turno. Como ele sabe? As pesquisas disseram. E não disseram uma vez, nem duas. Gritaram, reiteraram, vaticinaram sempre que o noticiário policial dava uma trégua ao ex-presidente.

O segundo turno de Lula hoje é o do carcereiro que toma conta dele à noite, mas não tem problema. Ele envia um representante, com procuração e tudo, para tomar conta do que é dele. O triplex do Guarujá, o sítio de Atibaia, a cobertura de São Bernardo e a fortuna incomensurável para pagar advogados milionários por anos a fio não são de Lula. O que é dele, e ninguém tasca, é o lugar cativo no pódio dos institutos de pesquisa.

A estratégia de trazer o comandante do maior assalto da história para o centro da eleição que deveria ser o seu funeral político não é um incidente. Como já escrito – mas não custa repetir ao eleitorado distraído – é uma estratégia. E uma estratégia tosca.

O Brasil viu – mas para variar não enxergou – a construção dessa lenda surrealista: Lula, o PT e sua quadrilha representam, na sucessão de 2018, “a salvação progressista contra o autoritarismo”. Contando ninguém acredita.

Uma imensa maioria de formadores de opinião e personagens influentes da elite branca (aquela mesma do refrão petista) vive de lamber esse herói bandido, fingindo defender o povo – esse mesmo povo roubado até as calças pelo meliante idolatrado por eles. Ou melhor: idolatrado de mentira, porque a única idolatria dessa elite afetada e gulosa é por grana, poder e aquele verniz revolucionário que rende até umas almas carentes em mesa de bar.

Então, aí está: a estratégia funcionou e os cafetões da ética imaginária conseguiram – milagre – chegar às portas da eleição defendendo sem um pingo de inibição o PT, exatamente o maior estuprador da ética que a história já conheceu.

Pode ser doloroso, mas é preciso constatar: a possível presença do PT no segundo turno será a canalhice brasileira saindo do armário. Sem meios tons.

Se o Brasil estivesse levando uma vida saudável, estaria agora dando continuidade à exumação da Era PT – e tomando as devidas providências para jamais errar de novo tão gravemente. Mas a margem de erro por aqui é um latifúndio – o país mora no erro, e eventualmente passa férias fora dele, como um marginal.

Tradução: o insistente culto ao fantasma petista fermentou as assombrações antipetistas – e o Brasil deixou de se olhar no espelho para ficar perseguindo morto-vivo com crucifixo na mão.

Fora desse fetiche mórbido, dessa tara masturbatória pelo falso dilema esquerda x direita, a reconstrução do Brasil parou. A saída quase heroica da recessão, com redução dos juros e da inflação, reforma trabalhista e recuperação da Petrobras – nada disso existe no planeta eleitoral de 2018.

Quem vai tocar isso adiante? Quem vai segurar o leme da economia com a perícia de Ilan Goldfajn, o presidente do Banco Central que nos salvou do populismo monetário de Dilma e seus aloprados?

A resposta contém o disparate: um desses aloprados (que tinha o leme nas mãos na hora do naufrágio), o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa foi expulso da campanha de Haddad, o gato (ligação clandestina no poste) – banido por outro náufrago ainda mais aloprado que ele, o economista Marcio Pochmann. Ou seja: a possível reencarnação petista no Planalto está nas mãos dessa militância pré-histórica que se fantasia de autoridade acadêmica para perpetrar panfletos que fariam Nicolás Maduro dizer “menos, companheiro”.

Adivinhe se esse tema aparece na campanha presidencial?

Adivinhou, seu danado. O Brasil está lá, boiando na margem de erro, lendo pesquisa e brincando de jogar pôquer com o 7 de outubro. Nem sabe quem é o economista do Haddad. Ou melhor: nem sabe quem é o Haddad – porque aquele ministro da Educação tricampeão de fraudes no Enem, que não sabia nem aplicar uma prova e mandava escrever “nós pega o peixe”, sumiu de cena. Não existe mais também o prefeito escorraçado ainda no primeiro turno por inépcia.

Esse Haddad aí é outro: é o super-homem das pesquisas, que voa por cima de todo mundo com a criptonita do Lula e faz a imprensa companheira lutar por uma foto dele com a camisa aberta e a grife do presidiário explodindo no peitoral.

Vai nessa, Brasil. As pesquisas colecionam erros clamorosos em todas as eleições, mas dessa vez talvez até acertem, porque num país exilado na margem de erro qualquer chute é gol – mesmo no campeonato dos detentos."


setembro 21, 2018


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Ibope: Em São Paulo, Bolsonaro se isola com 30% das intenções de voto

 
Veja números da corrida presidencial em São Paulo nas eleições 2018

Daniel Bramatti
O Estado de S.Paulo


Pesquisa Ibope/Estado/TV Globo feita apenas com eleitores paulistas e divulgada nesta quarta-feira, 19, mostra que o candidato do PSL à Presidência nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, se isolou na liderança da corrida presidencial em São Paulo, com 30% das intenções de voto, tendo crescido sete pontos porcentuais em relação ao levantamento anterior, divulgado no dia 10. O petista Fernando Haddad subiu seis pontos e, com 13%, ficou com a mesma taxa do tucano Geraldo Alckmin, que caiu cinco pontos.

Os 13 candidatos à Presidência da República.
Foto: Infográfico

Ciro Gomes (PDT) oscilou para baixo, de 11% para 8%, assim como Marina Silva (Rede), de 8% para 6%.

Os movimentos de ascensão de Bolsonaro e Haddad, e de enfraquecimento dos adversários, já haviam sido captados pela pesquisa nacional do Ibope, divulgada na terça-feira, 18.

No levantamento anterior em São Paulo, Bolsonaro e Alckmin estavam empatados tecnicamente, quase no limite da margem de erro (23% a 18%), que é de três pontos porcentuais. Agora, o candidato do PSL abriu 17 pontos de vantagem sobre o tucano.


Haddad e Ciro também estão empatados no limite da margem – o petista pode ter 10%, no mínimo, e o pedetista, 11%, no máximo. Mas a linha de tendência favorece Haddad, que quase dobrou sua taxa de intenção de votos em pouco mais de uma semana.

A pesquisa foi realizada entre os dias 16 a 18 de setembro. Foram entrevistados 1512 votantes. A margem de erro máxima de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro. O registro no Tribunal Superior Eleitoral foi feito sob o protocolo BR‐01526/2018.



19 Setembro 2018


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

CNT/MDA: Bolsonaro tem 28%, duas vezes e intenção de voto em Haddad e Ciro



Veja.com

O candidato do PSL Jair Bolsonaro lidera a corrida eleitoral para a Presidência da República, com 28% das intenções de voto, segundo pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira. Ele é seguido por Fernando Haddad (PT), com 17,6%, e Ciro Gomes (PDT), com 10,8%.


O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, está em quarto lugar, com 6,1%, seguido por Marina Silva (4,1%), da Rede, João Amôedo (2,8%), do Novo, Alvaro Dias (1,9%), do Podemos, e Henrique Meirelles (1,7%), do MDB. Os demais candidatos não atingiram 1% das intenções de voto. Outros 13,4% disseram que votariam branco ou nulo e 12,3% afirmaram ainda estarem indecisos.

Esta é a primeira pesquisa CNT/MDA desde a substituição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquadrado na Lei da Ficha Limpa, por Haddad. Também é o primeiro levantamento do instituto após o ataque a faca contra Bolsonaro em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

A última pesquisa CNT/MDA foi divulgada em 20 de agosto. Na ocasião, Lula liderava com 37,3% das intenções de voto; Bolsonaro estava em segundo, com 18,8%. Os resultados, porém, não podem ser comparados com o levantamento divulgado hoje. Isso porque, no mês passado, o instituto não considerou o cenário com o nome de Haddad.

A pesquisa, registrada no TSE como BR-04362/2018, foi realizada entre os dias 12 e 15 de setembro. Foram feitas 2.002 entrevistas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Segundo turno

O instituto também mostra que Bolsonaro só perderia uma disputa de segundo turno para Ciro Gomes, que somou 37,8% contra 36,1% do presidenciável do PSL.

O capitão venceria Fernando Haddad (39% contra 35,7%); Henrique Meirelles (38,6% contra 25,7%); Geraldo Alckmin (38,2% contra 27,7%) e Marina Silva (39,4% contra 28,2%). O pedetista também levaria a melhor sobre todos os outros concorrentes.


17.09.2018