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sexta-feira, 14 de junho de 2013

O Medo de chamar Corrupto de Ladrão






Fôlego do governo brasileiro está acabando, diz FT


Jornal britânico argumenta que deterioração fiscal está minando a capacidade do Brasil de promover
estímulos ao crescimento

veja.com

Dilma Rousseff: 300 bilhões em estímulos sem crescimento do PIB (Ueslei Marcelino/Reuters)

O fôlego financeiro do governo brasileiro para tentar acelerar a economia está cada vez menor. O alerta foi feito pelo jornal britânico Financial Times em reportagem nesta sexta-feira.

Ao citar o novo programa de estímulo à compra de eletrodomésticos anunciado esta semana pela presidente Dilma Rousseff, a reportagem diz que as opções da equipe econômica estão diminuindo diante de contas públicas que mostram deterioração.

"Anunciado com alarde pela presidente Dilma Rousseff, o programa 'Minha Casa Melhor' é visto pelos economistas como mais um estímulo fiscal em uma economia em dificuldades.

A preocupação é que a iniciativa ocorre depois de dois anos e 300 bilhões de reais em programas fiscais que falharam consistentemente em tentar reavivar o crescimento", diz a reportagem.

"Isso tem feito alguns economistas se perguntarem quantos programas desse tipo o Brasil pode pagar antes que se esgotem as opções."

Segundo o FT, iniciativas do governo "estão comendo o superávit primário, geram preocupação dos economistas e contribuíram para a Standard & Poor's piorar a perspectiva da nota brasileira para negativa".

A reportagem cita especialmente o efeito sobre o superávit primário, cuja meta é equivalente a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Ao lembrar que o governo realizou "manobras contábeis" para melhorar o resultado das contas públicas, o jornal cita que o superávit primário real do ano passado foi de 2,4% do PIB e deverá cair para 1,5% do PIB este ano. "

Com uma eleição presidencial no próximo ano, o governo deve gastar mais, o que poderia reduzir o esforço fiscal ainda mais, para 0,9% em 2014", diz o texto.

Analistas ouvidos pelo diário alertam que, no caso brasileiro, superávits primários inferiores a 1,5% do PIB têm como efeito o aumento da dívida líquida do setor público.

A reportagem diz ainda que "há rumores de que a presidente Dilma Rousseff anunciará nesta sexta-feira medidas fiscais".


(Com Estadão Conteúdo)

Passe livre, fascismo e oportunismo político



Sobre o tal “Movimento Passe Livre”, vale destacar dezesseis pontos:

Por Marco Antonio Villa

1. não é o que pode ser chamado de movimento social, sociologicamente falando;

2. é um ajuntamento de pequenos grupos ultra-esquerdistas sem qualquer importância política;

3. tem uma prática típica de grupos fascistas, são eleitoralmente inexpressivos;

4. como a eterna crítica ao capitalismo – que vive uma “crise terminal”, falam isso desde o final do século XIX – não se materializa na “revolução”, necessitam construir um móvel de luta para não perder o apoio das “suas bases”;

5. o desemprego e a crise econômica – presentes na Europa – aqui são irrelevantes, portanto a “mobilização” tem de buscar outro móvel de luta;

6. a passagem de ônibus virou um eficaz instrumento para as lideranças desses grupelhos dar satisfação às suas inquietas “bases”, cansadas de ouvir discursos revolucionários, negadores da democracia (chamada depreciativamente de “burguesa”), sem que tivessem o que chamam de prática revolucionária;

7. para estes grupelhos, o vandalismo é um excelente instrumento de propaganda. Eles se alimentam do saque, da violência e da destruição do patrimônio público e privado;

8. o poder público não sabe agir dentro da lei para conter os fascistas. Ou se omite, ou age como eles (ou da forma como eles querem);

9. agir com energia, dentro dos limites legais, é a forma correta de conter os fascistas;

10. e o óbvio: é nestes momentos que as lideranças políticas são testadas.

11. É evidente a tentativa de emparedar o governador do estado. O prefeito – sempre omisso – não está na linha de fogo;

12. Não há qualquer relação destas manifestações com aquelas dos anos 1960, 1970 (quando vivíamos no regime militar), das Diretas ou do impeachment do Collor (1992). Hoje vivemos em um regime de amplas liberdades;

13. A liberdade de manifestação é garantida pela Constituição, assim como a de ir e vir. Os fascistas são contra as duas. Tem ódio da Constituição, que para eles é “burguesa” e liberdade de ir e vir é contra o “Estado socialista” que eles defendem (Coréia do Norte, Cuba , etc);

14. Se tivessem sincero desejo de se manifestar, não faltam praças em SP;

15. O “movimento” está desesperadamente procurando um cadáver;

16. E como bem disse um comentário, este movimento não vale vinte centavos.

13/06/2013

Ópera de um vintém

Não se fazem mais revoluções como antigamente

Como escreveu no Facebook uma velha amiga jornalista, agora se luta por 10 centavos no preço da passagem de ônibus.

Os sonhadores de 68, além de se transformarem em personagens de filme de Bertolucci, não queriam menos do que tudo: virar aquela sociedade de cabeça para baixo para criar outra no lugar.

É bem verdade que não deu certo, e pouco coisa restou dos sonhos de então. Mas a estética das manifestações dos estudantes franceses foi tombada pelo intangível patrimônio histórico da memória como marca registrada do espírito de uma época.

As sucessivas e intrincadas “primaveras” do mundo árabe, que fizeram os nossos explicadores derramarem rios de tinta para tentar chegar às raízes, mais a tomada das praças dos países europeus em crise e os “occupy” nos EUA contra os excessos dos malabarismos financeiros de Wall Street, devem ter despertado o espírito revolucionário adormecido de alguns dos nossos jovens rebeldes sem causa.

De repente, uma causa: um aumento de 20 centavos no preço das passagens de ônibus, tão rotineiro e previsível como o sol depois da chuva , serviu como pretexto para levar à rua um pouco de fogo, pedras e sangue, sacrificando a livre movimentação de pessoas, com alguns arroubos de selvageria e vandalismo contra o patrimônio público e privado.

Foto: Leandro Moraes / UOL

Causa nobre: passe livre, catracas abertas, transporte mais barato para o povo.

Mais barato ou - por que não ?- de graça.

A grande utopia da humanidade continua sendo o almoço grátis.

Supostamente o maior prejudicado pelo aumento, ou por outra, o que seria o maior beneficiário da reivindicação, ficou à margem dos protestos: o povo, que não foi ouvido nem cheirado por quem resolveu agir e depredar em seu nome.

Não só não foi ouvido nem consultado, como acabou sendo a maior vítima dos transtornos provocados pelos tumultos.

Política pura, e das menores. Os idealizadores e autores dos “protestos”, pequenos grupos, ONGs e partidos minúsculos de extrema-esquerda, muito mais do que o objetivo de facilitar a vida das pessoas que andam de ônibus, têm o claro objetivo de dificultar a vida dos governantes a quem se opõem, em suas peculiares visões do que sejam direita ou esquerda.

Não faltou quem protestasse contra quem chamou os vândalos de vândalos, em contraposição ao adjetivo de “ativistas”, usado para qualificar os manifestantes turcos.

No seu incurável reducionismo intelectual, acreditam ser possível comparar um movimento nascido das profundezas da alma turca, contra o crescente autoritarismo do governo Erdogan e o processo de islamização de uma sociedade tradicionalmente secularizada, com um movimento de banal agit-prop de fins eleitorais.

Até a qualidade dos sonhos e das primaveras já foi melhor.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”.
É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.
E.mail: svaia@uol.com.br


14 de junho de 2013

Vagabundos roubam quase três horas do meu dia. Estão com a vida ganha! Ou: Mal-estar da civilização é uma pinoia!



É impressionante!

Por Reinaldo Azevedo

O debate de que participei no Rio (ver nota anterior) começou às 15h30 e terminou pouco depois das 17h.

O avião pousou em Congonhas às 19h20. Com folga, poderia estar em casa às 20h. Acabo de chegar: 22h45.

Os delinquentes roubaram duas horas e meia do meu dia — e, certamente, do de milhões de outros paulistanos.

Na madrugada, volto ao assunto. Andei acompanhando a coisa pelo celular.

Boa parte da imprensa aplaude surdamente — às vezes, nem tão surdamente — gente que sai por aí incendiando e depredando. Há jornalistas feridos.

É claro que é lamentável e é claro que eventuais excessos têm sempre de ser coibidos. Comprovados, têm de ser punidos.

Mas policial não é obrigado a saber quem é quem não é jornalista. No meio de um confronto, também não me parece prudente enfiar a câmera na cara de um soldado.

Há cretinismos de todos os tipos. Já se especula até sobre, sei lá, um certo mal-estar da civilização, que também empurraria os delinquentes para as ruas.

Mal-estar de quê?

Por quê? O caso é bem outro. Na madrugada, volto ao assunto.

O nome do atual mal-estar no Brasil é impunidade e estímulo permanente ao desrespeito à lei. Ou não ouvimos um ministro de Estado, Gilberto Carvalho, a dizer que a presidente Dilma Rousseff dera uma ordem para que não se cumprisse determinação da Justiça?

Ah, sim: a predição daquele tal promotor do Ministério Público Estadual de São Paulo se cumpriu, não é? Não foi ele quem disse que, sem baixar os preços, o “protagonismo voltaria para os manifestantes”? Ele chama o que aconteceu de protagonismo.

Os incendiários não estão só nas ruas. Também os há nos gabinetes. José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, sabe disso. Ele ofereceu “ajuda” ao governo de São Paulo…

Ajuda, é?

De José Eduardo Cardozo?

Então tá.


…estão na rua só pra te ver!!!

”Ah, Reinaldo, ele está em viagem!” Desde quando isso impede uma declaração? Os petistas estão doidos para jogar a batata quente no colo de Geraldo Alckmin. Tanto é assim que José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, já se ofereceu até para… fazer campanha eleitoral antecipada!!!
13/06/2013

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Por que a Polícia Militar não foi instruída para evitar o parto de outro dia de cão?







Por Augusto Nunes

A Polícia Militar nem precisa mobilizar a área de inteligência para saber onde e quando vão começar o desmonte da ordem pública, a propagação de congestionamentos inverossímeis, a revogação do direito de ir de milhões de brasileiros e a erupção de selvagerias que transformam em terra sem lei a maior metrópole da América Latina.




O próprio Movimento Passe Livre cuida de divulgar o dia, a hora e o local da próxima manifestação convocada pelos pastores da violência.

Agentes infiltrados e sherloques fantasiados de rebeldes são coisa de antigamente.

Foram aposentados por um punhado de páginas na internet.

Se é assim, por que nesta quinta-feira a PM não ocupou as imediações do Teatro Municipal antes das 5 da tarde, hora marcada para o início da sequência de absurdos disfarçados de atos de protesto contra o aumento nas tarifas de transporte urbano?

Por que a PM, em vez de interromper a gestação, preferiu agir depois de concluídos os trabalhos de parto de outro dia de cão?




Pela quarta vez neste começo de junho, o Estado de Direito amargou uma derrota humilhante.

Não pelo poderio dos atacantes adversários, mas pela tibieza vergonhosa dos que se comprometeram a defender a normalidade democrática.


13/06/2013

A VERDADE SOBRE JOSÉ DIRCEU


TODAS AS CARAS DE DIRCEU
Veja

Na mais completa e surpreendente biografia do petista, as aventuras, traições, amores e tramoias do líder estudantil bonitão e mulherengo que virou o segundo homem mais poderoso da República — e que agora se encontra a caminho da prisão.

Em 3 de janeiro de 2003 um mineiro nascido em Passa Quatro, ex-líder estudantil e ex-militante de esquerda perseguido pela ditadura militar se tornava o segundo homem mais importante da República. José Dirceu de Oliveira e Silva havia sido nomeado ministro-chefe da Casa Civil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o operário que chegou ao Palácio do Planalto. Juntos, esses dois homens de biografia extraordinária prometiam mudar o Brasil. O primeiro ato que Dirceu assinou no cargo foi bem menos grandioso, mas revelador de seu caráter. Era uma portaria que mudava a ordem de entrada dos ministros nas solenidades do palácio. Historicamente, depois do presidente da República, vinha o titular do Ministério da Justiça, por ter sido a primeira pasta a ser criada. Dirceu transferiu a prerrogativa para si: quem apareceria caminhando logo atrás do presidente seria ele, o chefe da Casa Civil — que, a partir de então, teria também a primazia no uso de carros oficiais e de aviões da Força Aérea Brasileira.

De autoria do jornalista Otávio Cabral, editor de VEJA, Dirceu—A Biografia (Record; 364 páginas; 39,90 reais, ou 27 reais na versão digital) conta esta e outras tantas histórias definidoras da personalidade do biografado, o que faz do livro um daqueles difíceis de largar. Ao terminá-lo o leitor se pergunta como não adivinhou antes o desfecho. Está lá — revelado na forma de decisões imperiais, arroubos de grandeza e também viagens em jatinhos e noitadas com belas mulheres — o imenso apreço de Dirceu pelo poder e tudo o que dele decorre. Também estão no livro a ojeriza do petista pela imprensa que não se verga à sua vontade e o embrião do herói sem causa em que se transformaria o líder estudantil mulherengo e bonitão o “Ronnie Von das massas”, como era chamado na década de 60. As revelações do autor e a sagacidade com que observa detalhes da conduta e do passado do agora mensaleiro condenado antecipam o que hoje parece evidente: o norte moral de José Dirceu sempre foi regido por outra bússola.

Para escrever a mais completa e surpreendente biografia de um dos mais complexos e enigmáticos personagens da história recente do Brasil, Cabral analisou 15000 páginas de documentos garimpados no acervo de nove arquivos. Entrevistou 63 pessoas, anônimas e públicas, cuja confiança conquistou ao longo dos treze anos em que atua como repórter de política — primeiro pela Folha de S.Paulo e, desde 2004, em VEJA.

O livro começa em Passa Quatro — onde o indisciplinado filho do dono de uma gráfica, terror da vizinhança e contumaz torturador de gatos diz à mãe, Olga, o que ele repetiria pela vida afora: “Um dia serei presidente da República”. Narra sua mudança para São Paulo e os primeiros envolvimentos com a política e as mulheres, duas paixões que o dominariam ora como obsessão, ora como problema. As últimas, se não chegaram a ser a sua ruína, ficaram peno disso. À conhecida história da Maçã Dourada, a bela agente do Dops infiltrada que seduziu o jovem cabeludo e quase encerrou sua carreira de líder estudantil Cabral acrescenta outras, como a da estonteante dançarina chinesa que, nos anos 60, fez o então caipira recém-chegado de Minas Gerais perder a cabeça—além de uma boquinha na TV Tupi como roteirista e ator.

Se as mulheres mudaram o destino de Dirceu, ele se vingou do destino sendo cruel com aquelas que o amaram—e não foram poucas. Três dos seus quatro casamentos terminaram com uma traição (da parte dele). Dois de seus quatro filhos foram concebidos fora das cobertas conjugais. E, sobre o período em que, se sabia, ele havia levado uma vida dupla escondendo da primeira mulher, Clara Becker, sua identidade de foragido da ditadura militar, Cabral acrescenta uma informação estarrecedora. Dirceu, naquela época, não levava uma vida dupla, mas tripla. Além do nome real, que não podia ser revelado, e do disfarce de pacato comerciante do Paraná, ele mantinha outra mulher e outra identidade em São Paulo, para onde viajava com frequência a pretexto de comprar roupas para a sua loja, a Magazine do Homem.

Dirceu não traz apenas revelações surpreendentes, mas graves também. Entre os documentos inéditos obtidos pelo autor está o que aponta que, em 1968 partiu do então líder estudantil José Dirceu de Oliveira e Silva a ordem para sequestrar e manter em cárcere privado — com as mãos algemadas, presas ao cano de uma pia e submetido a “inquéritos” intermitentes — o estudante João Parisi . Integrante do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), Parisi foi descoberto por militantes do movimento estudantil quando tentava se passar por um deles, em meio à batalha da Rua Maria Antônia, que opôs estudantes da Mackenzie aos de filosofia da USP. Igualmente inédito e importante é o depoimento de uma testemunha que aponta a participação de Dirceu no assassinato de um sargento da Polícia Militar em São Paulo, em 1972. O crime ocorreu em uma das ocasiões em que ele voltou do exílio de Cuba juntamente com outros integrantes do Molipo, o grupo terrorista que mais tarde seria dizimado pela repressão.

O capítulo em que Cabral relata a ascensão de Dirceu na política coincide com a guinada do PT para o pragmatismo, a ávida adesão da sigla ao fisiologismo e o começo do deslumbramento geral. É quando a fumaça dos charutos cubanos começa a exalar das altas rodas do petismo e as festas do partido, antes animadas a cachaça, passam a contar com a alegre presença das “meninas” de Jeany Mary Comer, a cafetina da República. Dirceu bem que desconfia que não vai dar certo. Ao tomar conhecimento de que o seu protegido Silvio Pereira havia contratado quinze garotas de Mary Corner para comemorar com catorze amigos seu aniversário na suíte presidencial de um hotel de Brasília, Dirceu esbraveja: “Sacanagem a gente faz sozinho ou num grupo pequeno. Vocês estão deslumbrados com o poder, vão acabar se f...” . Tendo moldado o PT à sua imagem e semelhança, Dirceu começava a achar feia a imagem no espelho.

O livro de Cabral desnuda a simbiótica e tensa relação entre José Dirceu e Luiz Inácio Lula da Silva, fenômeno crucial para a compreensão do PT e da forma como o partido conquistou o poder no Brasil. Lula, estrela emergente do sindicalismo, e Dirceu, ex-perseguido político recém-saído das trevas da clandestinidade não mais se largaram. Mas a convivência entre os dois titãs do PT nunca foi um passeio no campo — e incluiu até chantagem. Dirceu e Lula caminharam lado a lado por 33 anos sem tirar a mão do coldre. Um jamais confiou inteiramente no outro, mas a relação de mútua destruição assegurada e mútuo sucesso bastante provável amalgamou a dupla. Nesse arranjo, cabia a Lula brilhar no palanque, enquanto Dirceu fazia o serviço pesado — e sujo quando preciso. A divisão de trabalho é ilustrada pela história que o deputado Chico Alencar contou ao autor atribuindo-a a Lula em 1997: “Cansei de rodar minha bolsinha esfarrapada por aí. Para ganhar a eleição, vou precisar de aliança e grana. Dei todo o poder para o Zé Dirceu arrumar isso. Falei: Zé, articula e faz. Pode até contratar o Duda Mendonça. Não quero saber como você fez, só quero que a gente ganhe a Presidência’”. A vitória veio duas eleições depois e, durante os dois anos que se seguiram a ela, Dirceu “fez” à vontade, como atestou o Supremo Tribunal Federal. Lula foi alertado por pelo menos três pessoas dos métodos adotados por seu número 2 (o livro de Cabral acrescenta um quarto peso pesado à lista). Diante do que lhe relataram seus interlocutores, o ex-presidente comportou-se conforme antecipara ao deputado Alencar: oficialmente, nunca soube de nada.

Nas páginas de Dirceu, não se verá em nenhum momento o personagem defendendo a fé comunista, discutindo O Capital (que não leu) ou debruçando-se sobre questões da República. Dirceu não perde tempo com ideologias. Trama, conspira, dissimula, confronta. “Faltam a José Dirceu alguns dotes intelectuais”, observou em carta a uma amiga a militante Iara Iavelberg, primeiro grande amor do petista.

O livro termina com a condenação do ex-ministro no julgamento do mensalão e suas preparações para ir para a cadeia. Dirceu está então com 67 anos. Foi sentenciado a dez anos de prisão e ficará inelegível até 2031, quando terá completado 85 anos. Parece irrecorrivelmente perdido o projeto de poder pessoal, a única causa pela qual genuinamente lutou. Dirceu é uma reportagem magistral sobre a vida de um anti-herói sem escrúpulos que, como tantos outros na história política, escondeu a ambição atrás de um falso ideal.
10/06/2013

Charge




“A velha no castelo”, análise do ITV


Não se admite que, sob o manto das boas intenções, Dilma faça o diabo apenas de olho na sua reeleição


Análise do Instituto Teotônio Vilela


Dilma Rousseff acha que tudo de ruim que está acontecendo no país é fruto da imaginação alheia ou, pior ainda, de torcida contrária.

É possível que a vida palaciana e o ar de Brasília estejam lhe afetando seriamente a percepção da realidade. Viver encastelada dá nisso.

A presidente aproveitou solenidade destinada a anunciar um programa que incentiva o consumo num momento em que as lojas já não dão conta de suprir as encomendas – e, com isso, incha ainda mais o balão da inflação – para criticar os críticos de seu governo.

Comparou-os ao Velho do Restelo, personagem de Camões em “Os Lusíadas”.

Segundo ela, seriam eles incorrigíveis pessimistas que enxergam o que ninguém mais vê: um país próspero, estável, equilibrado e sem qualquer entrave ao desenvolvimento e ao aumento de bem-estar de sua população.

Provavelmente, gente que não deve estar assistindo a propaganda do governo nos rádios e nas TVs…

Estes velhos de literatura também devem ser, quem sabe, gente que não consegue comprar tomate na feira porque seu preço mais que dobrou nos últimos meses.

Gente que teve que tirar o filho da escola porque a mensalidade subiu quase 50% nos últimos quatro anos.

Gente que vê sua poupança para a aposentadoria minguar à medida que a desconfiança dos investidores em relação à solidez do país cresce e derruba os rendimentos.

Aparentemente sem antes ter besuntado a face com óleo de peroba, Dilma afirmou: “A situação real em que o Brasil vive é de inflação sob controle, contas públicas sob controle”.
Em que castelo a nossa presidente vive?

Deve ser o mesmo habitado por Guido Mantega, aquele que fica perguntando “onde está a crise?” por aí…

Dilma disse também que “não há a menor hipótese” que o governo dela “não tenha uma política de controle e combate à inflação”.

Pode até ser que a presidente tenha alguma iniciativa para segurar os preços, mas o problema é que ela simplesmente não funciona.

Basta perguntar para o nosso Banco Central por que ele está tendo que arrochar os juros brasileiros na contramão de todo o resto do mundo.

A verdade é que não há rumo nem lógica alguma nas ações da gestão de Dilma.

No mesmo momento em que seu ministro da Fazenda diagnostica – enfim! – que o problema do país é investimento de menos e consumo demais, a presidente decide conceder subsídio para compra de eletrodomésticos e mobília.

Na mesma hora em que investidores e agências de classificação apontam temor com o crescente descontrole das contas públicas, a chefe da nação determina que o Tesouro emita mais títulos e aumente ainda mais sua dívida para que mutuários possam jogar fora o seu fogão, um item presente em 98,5% dos lares brasileiros, e comprem um sofá novo.

Só neste ano, o Tesouro já foi autorizado a emitir mais R$ 45 bilhões em dívida nova em operações sempre escamoteadas pelo governo petista de forma a não aparecerem nos indicadores de endividamento público.

No entanto, a dívida bruta brasileira caminha para superar neste ano 60% do PIB, ultrapassando a marca dos demais Brics e os limites de prudência.

A presidente e seus auxiliares parecem dar de ombros a tudo isso.

A linha de crédito anunciada ontem pelo governo custará R$ 18,7 bilhões, mas nenhuma autoridade federal sabe exatamente de onde o dinheiro virá.

“A explicação do governo sobre o custo do novo programa só aumentou as dúvidas”
, resumiu o Valor Econômico.

Uma parte dos recursos será composta por R$ 8 bilhões em novos créditos concedidos à Caixa Econômica Federal, que, há apenas dois meses, recebera injeção de outros R$ 13 bilhões.

Sabe-se agora que o banco também ficará dispensado de recolher dividendos à União pelos próximos anos, conforme medida provisória publicada ontem à noite.

Com manobras desta natureza, a Caixa já se tornou sócia de frigorífico, fabricante de autopeças, de bens de capital, processador de minério, entre outras empresas privadas, como mostrou ontem O Estado de S.Paulo.


Como um dos principais motores da publicidade oficial, o banco também já é o terceiro maior anunciante do país.

Até onde esta balbúrdia vai?


Como estes montantes não são suficientes para cobrir o valor e as condições camaradas previstas na nova linha de financiamento, uma boa dica é: que tal olhar para o dinheiro dos trabalhadores depositado no FGTS?

É de lá que o governo está tirando recursos utilizados para tocar o Minha Casa Minha Vida, sem que, porém, o Tesouro honre sua parte e ressarça o fundo.

Estima-se que a gatunagem já ultrapasse R$ 4,8 bilhões, e continua subindo.

Ninguém é contra ações que visem melhorar as condições de vida da população brasileira, em especial a mais pobre.

Mas não dá para concordar com iniciativas de governo que busquem, em primeiro lugar, recuperar a popularidade presidencial.

Não se admite que, sob o manto das boas intenções, Dilma faça o diabo apenas de olho na sua reeleição.

Antes de qualquer coisa, a presidente da República deveria reconhecer o momento de dificuldade, que não é exclusivo do Brasil e alastra-se pelo mundo.

Um diagnóstico realista e honesto seria o primeiro passo para superar os obstáculos que dificultam o dia a dia do brasileiro comum, que, ao contrário da presidente, não vive isolado em castelo.
13/ 06/ 2013

Haddad, a voz fina e esganiçada da covardia política




Por Reinaldo Azevedo

O reajuste de ônibus é uma questão municipal, não estadual.

Ao governo do estado, compete manter a segurança pública e tentar coibir os atos terroristas.

O governador Geraldo Alckmin se pronunciou muito duramente ontem contra a violência.

Chamou as coisas pelo nome que elas têm.

E Haddad?

Com a voz distorcida pelo medo, pela covardia política, limitou-se a dizer que cumpriu o seu compromisso de campanha, que era ajustar a tarifa abaixo da inflação.

Parecia pouco se lixar para o rastro de destruição DEIXADO POR ALIADOS SEUS.
Sim, os que promovem o caos em São Paulo – e prometem voltar à carga nesta quinta – contaram com o apoio explícito dos petistas em 2011 e engrossaram a campanha de Haddad em 2012.

São Paulo vítima de uma súcia, e seu prefeito a esganiçar: “Eu cumpri a promessa, eu cumpri a promessa.

Medalha pra mim”.


Supercoxinha!

13/06/2013

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O fascismo nas ruas – O protesto analfabeto de seis deslumbrados em Paris



Por Reinaldo Azevedo

Agora é assim: basta que seis analfabetos universitários — uma categoria que cresceu muito (há números a respeito) na era petista resolvam fazer um protesto contra autoridades brasileiras em Paris e pronto!

Isso vira manchete no Estadão Online.

Se for contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), então, aí é mel na sopa.

Abro o Estadão Online e encontro lá os seguintes título e texto:


Alckmin e PT são alvo de protesto em Paris

“O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o PT foram alvo de um protesto de estudantes brasileiros em Paris. Com cartazes nos quais se lia (sic) frases como “Alckmin, o vândalo é você” e “PT de mãos dadas com o facismo (sic) tucano”, os jovens pediam a libertação dos presos no protesto de terça-feira à noite, entre os quais um jornalista detido entre os manifestantes.
(…)”


Já falo sobre o jornalista”. Mais adiante, a gente lê:

“A manifestação em Paris reuniu menos de dez brasileiros que se concentraram em frente ao Hôtel de Matignon, a sede do primeiro-ministro da França, Jean-Marc Ayrault, com quem Alckmin se encontrou às 18h.”


Menos de dez?
Quanto é menos de dez?
Informo: SEIS!


Já contei aqui que a minha primeira providência quando fui chefe de jornal foi proibir a palavra “esposa”. A segunda foi exigir o uso adequado do “cerca de”. Havia textos que diziam coisas como “cerca de 37 pessoas…” Pois é: “menos de dez” se insere entre as coisas contáveis, não?


Personalizando ou não?

Outra coisa notável no texto e na edição do Estadão é que, no caso do tucano, há a personalização: “Alckmin” foi alvo do protesto. Já Fernando Haddad — que é, afinal, quem reajustou a passagem — é poupado. Nesse caso, o protesto foi contra o… PT!


Quem são os espancadores da língua?

Vejam esta foto.



Informa ainda o texto do Estadão:

“A ideia [do protesto] foi da jornalista Jaqueline Nikiforos, mestranda em Literatura da Sorbonne.

‘Foi em solidariedade às pessoas presas, às manifestações e às reivindicações contra o aumento da tarifa de transporte em São Paulo’, justificou.

‘Nós somos contra todas essas prisões. O esforço de se manifestar dessas pessoas não pode ser reduzido a vandalismo.’
Bia Barbosa, mestranda e jornalista que colabora com o portal de esquerda Carta Maior, também participou da manifestação e protestou contra a prisão do também jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, detido entre os manifestantes. ‘Ele defendeu uma menina e está sendo acusado de formação de quadrilha, para você ter uma ideia’, argumentou. (…)”

Retomo

Ah, bom! A “Carta Maior” é aquele site de esquerda financiado pela Petrobras, onde brilham a sabedoria e a destreza ortográfica e sintática de Emir Sader. Olhando um dos cartazes do protesto, faz sentido…

Quanto à tal Jaqueline Nikiforos… Fiz uma pesquisa rápida e descobri que a moça tinha sido assessora do ex-deputado Raul Marcelo, do PSOL. Seria filiada? Recorri ao site de consulta do TSE e batata! Trata-se de uma militante do PSOL em… Paris! Convenham! Ninguém é de ferro! Socialismo com liberdade é o tipo de casamento só possível às margens do Sena. Duro é encarar esse troço na periferia de Diadema..


Analfabetismo


Vejam a foto. Uma das moças segura um cartaz que diz: “PT de mãos dadas com o facismo tucano”.

Sim, “fascismo” está escrito sem “s”. Alguém diria: “Pô, Reinaldo, é que eles já estão confundindo a sua língua de origem com a do país estrangeiro”.

Bem, só para lembrar, também o idioma de Voltaire inclui o “s” em “fascisme”. É claro que ainda não existia tal vocábulo no tempo de Voltaire, mas estupidez já havia… Sim, resta a hipótese do analfabetismo nos dois idiomas — além do analfabetismo político.


É impressionante que a selvageria a que se assistiu nas ruas de São Paulo seja chamada de direito de manifestação pela elite deslumbrada que estuda em Paris.


É impressionante que essa elite deslumbrada não saiba escrever “fascismo”, embora o pratique com grande destreza.


É impressionante que uma manifestação de seis — SEIS — militantes políticos ganhe destaque na imprensa brasileira.

Eis o estado geral das artes.

12/06/2013

terça-feira, 11 de junho de 2013

Charge





Qual dragão vencerá??


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Roberto Gurgel acionará Palácio do Planalto para obter sindicância sobre malfeitorias de Rose, a amante de Lula




O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo acionou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para ter acesso às sindicâncias do governo federal sobre os desvios da servidora Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete do escritório paulistano da Presidência da República



Ao lado de 23 acusados, ela foi denunciada à Justiça em dezembro por formação de quadrilha, corrupção passiva, tráfico de influência e falsidade ideológica, após ser flagrada pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal.

O MPF requisitou à presidente Dilma Rousseff e à Controladoria-Geral da União (CGU), em ofício de 22 de maio, cópia de todos as apurações e procedimentos administrativos abertos contra Rose, como ela é conhecida, no governo.

A correspondência foi encaminhada antes para a Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiada por Gurgel.

Esta é a segunda vez que o MPF tenta obter cópia da sindicância que o governo federal criou para apurar a atuação de Rose. Em abril, reportagem de VEJA revelou que Rosemary tinha benefícios pessoais e era tratada como rainha em viagens internacionais, conforme investigação realizada na Casa Civil.

Com base na reportagem, o MPF enviou à chefia de gabinete da Presidência uma primeira requisição de acesso à investigação. A Casa Civil, porém, negou os documentos ao MPF.

O órgão respondeu, em maio, que a chefia de gabinete de Dilma não teve acesso à sindicância da Casa Civil e apontou erro do MPF ao alegar que tal ofício, por ser direcionado à Presidência, deveria ter sido submetido à PGR antes - como o MPF fez agora.

A negativa veio logo depois de VEJA revelar que a Secretaria-Geral da Presidência abriu uma sindicância paralela à da Casa Civil sobre Rose.

A servidora agora é alvo de um inquérito civil público que apura sua responsabilidade na esfera cível, além da denúncia criminal.

Segundo o MPF, o acesso aos processos administrativos "pode contribuir com as investigações e ajudar a elucidar algumas questões".

O procurador da República José Roberto Pimenta Oliveira quer o acesso "mais célere possível" aos autos. Ele também pediu que Dilma indique, se houver, a existência de documentos sigilosos.

Em outro ofício, enviado ao ministro da CGU, Jorge Hage Sobrinho, o procurador pediu a "remessa integral" ao MPF dos documentos que tratam de processos administrativos contra Rose no órgão.

Oliveira também solicitou uma síntese das principais informações, como a "situação atual" e quem são os "servidores públicos investigados".

O procurador não estipulou prazo para resposta.
10 de junho de 2013

O enigma das elites




POR J. R. GUZZO
VEJA

A elite brasileira é acusada todo santo dia pelo ex-presidente Lula de ser a inimiga número 1 do Brasil ─ uma espécie de mistura da saúva com as dez pragas do Egito, e culpada direta por tudo o que já aconteceu, acontece e vai acontecer de ruim neste país. É possível até que tenha razão, pois se há alguma coisa acima de qualquer discussão é a inépcia, a ignorância e a devastadora compulsão por ganhar dinheiro do Erário que inspiram há 500 anos, inclusive os últimos dez e meio, a conduta de quem manda no país, dentro e fora do governo.

O diabo do problema é que jamais se soube exatamente quem é a elite que faz a desgraça do Brasil. Seria indispensável saber: sabendo-se quem é a elite, ela poderia ser eliminada, como a febre amarela, e tudo estaria resolvido. Mas continuamos não sabendo, porque Lula e o PT não contam. Falam do pecado, mas não falam dos pecadores; até hoje o ex-presidente conseguiu a mágica de fazer discursos cada vez mais enfurecidos contra a elite, sem jamais citar, uma vez que fosse, o nome, sobrenome, endereço e CPF de um único de seus integrantes em carne e osso. Aí fica difícil.

Mas a vida é assim mesmo, rica em perguntas e pobre em respostas; a única saída é partir atrás delas. Na tarefa de descobrir quem é a elite brasileira, seria razoável começar por uma indagação que permite a utilização de números: as elites seriam, como Lula e o PT frequentemente dão a entender, os que votam contra eles nas eleições? Não pode ser. Na última vez em que foi possível medir isso com precisão, no segundo turno das eleições presidenciais de 2010, cerca de 80 milhões de brasileiros não quiseram votar na candidata de Lula, Dilma Rousseff: num eleitorado total pouco abaixo dos 136 milhões de pessoas, menos de 56 milhões votaram nela. É gente que não acaba mais.

Nenhum país do mundo, por mais poderoso que seja, tem uma elite com 80 milhões de indivíduos. Fica então eliminada, logo de cara, a hipótese de os inimigos da pátria serem os brasileiros que não votam no PT. As elites seriam os ricos, talvez? De novo, não faz sentido: os ricos do Brasil não têm o menor motivo para se queixar de Lula, dos seus oito anos de governo ou da atuação de sua sucessora. Ao contrário, nunca ganharam tanto dinheiro como nos últimos dez anos, segundo diz o próprio Lula. Ninguém foi expropriado sequer em 1 centavo, ou perdeu patrimônio, ou ficou mais pobre em consequência de qualquer ato direto do governo.

Os empresários vivem encantados, na vida real, com o petismo; um dos seus maiores orgulhos é serem “chamados a Brasília” ou alcançarem a graça máxima de uma convocação da presidente em pessoa. No puro campo dos números, também aqui, não dá para entender como os ricos possam ser a elite tão amaldiçoada por Lula e seus devotos. De 2003 para cá, o número de milionários brasileiros (gente que tem pelo menos 2 milhões de reais, além do valor de sua residência) só aumentou. Na verdade, segundo estimativas do consórcio Merrill Lynch Capgemini, apoiado pelo Royal Bank of Canada e tido como o grande perito mundial na área, essa gente vem crescendo cada vez mais rápido.

Pelos seus cálculos, surgem dezenove novos milionários por dia no Brasil, o que dá quase um por hora, ou cerca de 7 000 por ano; em 2011, o último período medido, o Brasil foi o país que teve o maior crescimento de HNWIs ─ no dialeto dos pesquisadores, “High Net Worth Individuais”, ou “milionários”. O resultado é que há hoje no Brasil 170 000 HNWIs ­─ os 156 000 que havia no levantamento de 2011 mais os 14 000 que vieram se somar a eles, dentro da tal conta dos dezenove milionários a mais por dia. Não dá para entender bem essa história. O número de milionários brasileiros, após dez anos de governo popular, não deveria estar diminuindo, em vez de aumentar? Deveria, mas não foi o que aconteceu.

A sempre citada frota de helicópteros de São Paulo, com 420 aparelhos, é a segunda maior do mundo; no Brasil já são quase 2000, alugados por até 3 000 reais a hora. Os 800 000 brasileiros, ou pouco mais, que estiveram em Nova York no ano passado foram os turistas estrangeiros que mais gastaram ali: quase 2 bilhões de dólares. Na soma total de visitantes, só ficaram abaixo de canadenses e ingleses ─ e seu número, hoje, é dez vezes maior do que era dez anos atrás, início da era Lula. O eixo formado pela Avenida Europa, em São Paulo, é um feirão de carros Maserati, Lamborghini, Ferrari, Aston Martin, Rolls-Royce, Bentley, e por aí afora. Então não podem ser os ricos os cidadãos que formam a elite brasileira ─ se fossem, estariam sendo combatidos dia e noite, em vez de viverem nesse clima de refrigério, luz e paz.

Um outro complicador são as ligações de Lula com a nossa vasta armada de HNWIs, como diriam os rapazes da Merrill Lynch. É um mistério. Como ele consegue, ao mesmo tempo, ser o generalíssimo da guerra contra as elites e ter tantos amigos do peito entre os mais óbvios arquiduques dessa mesmíssima elite? Ou será que bilionários e outros potentados deixam de ser da elite e recebem automaticamente uma carteirinha de “homem do povo” quando viram amigos do ex-presidente? Para ficar num exemplo bem fácil de entender, veja-se o caso do ex-governador de Mato Grosso Blairo Maggi, uma das estrelas do círculo de amizades políticas de Lula.

O homem é o maior produtor individual de soja do mundo, e a extensão das suas terras o qualifica como o suprassumo do “latifundiário” brasileiro. É detentor, também, do título de “Motosserra de Ouro”, dado anos atrás pelo Greenpeace ─ grupo extremista e frequentemente estúpido, mas que ainda faz a cabeça de muita gente boa pelo mundo afora.É claro que não há nada de errado com Blairo: junto com seu pai, André, fundador da empresa hoje chamada Amaggi, é um dos heróis do progresso do Brasil Central e da transformação do país em potência agrícola mundial. Mas, se Blairo Maggi não é elite em estado puro, o que seria? Um pilar das massas trabalhadoras do Brasil?

Lula anda de mãos dadas com Marcelo Odebrecht, presidente de uma das maiores empreiteiras de obras do Brasil e do vasto complexo industrial que crescerem torno dela. Ainda há pouco foi fotografado em companhia do inevitável Eike Batista, cuja fortuna acaba de desabar para meros 10 bilhões de dólares, numa visita a um desses seus empreendimentos que nunca decolam; foi seu advogado, logo em seguida, para conseguir-lhe um ajutório do governo. É um fato inseparável de sua biografia, desde o ano passado, o beija-mão que fez a Paulo Maluf, hoje um aliado político com direito a pedir cargos no governo ─ assim como Maggi, que ainda recentemente foi cotado para ser nada menos, que o ministro da Agricultura de Dilma. Dize-me com quem andas e eu te direi quem andas e te direi quem és, ensina o provérbio. Talvez não dê, só por aí, para saber quem é realmente Lula. Mas, com certeza, está bem claro com quem ele anda.

As classes que Lula e o PT descrevem a “elite brasileira” não são suas amigas só de conversa ─ estão sempre prontas para abrir o bolso e encher de dinheiro a companheirada. Nas últimas eleições presidenciais, presentearam a candidata oficial Dilma Rousseff quase 160 milhões de reais ─ mais do que deram a todos os outros candidatos somados. Há de tudo nesses amigos dos amigos: empreiteiros de obras, é claro, banqueiros de primeira, frigoríficos empenhados até a alma no BNDES, siderúrgicas, fábricas de tecidos, indústrias metalúrgicas, mineradoras. É o que a imprensa gosta de chamar de “pesos-pesados do PIB”.

Ninguém, nessa turma, faz mais bonito que as empreiteiras, que dependem do Tesouro Nacional como nós dependemos do ar. Foram as maiores doadoras privadas às eleições municipais do ano passado: torraram ali quase 200 milhões de reais, e o PT foi o partido que mais recebeu. Ficou com cerca de 30% da bolada distribuída pelas quatro maiores empreiteiras do país, e junto com seu grande sócio da “base aliada”, o PMDB, raspou metade do dinheiro colocado nesse tacho. Todo mundo sabe quem são: Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa. Mas esses nomes não resolvem o enigma que continua a ocultar a identidade dos membros da elite. Com certeza, nenhum dos quatro citados acima pertence a ela, já que dão tanto dinheiro assim ao ex-presidente, seu partido e seus candidatos. Devem ser, ao contrário, a vanguarda classes populares.

Restariam como membros da elite, enfim, os “inconformados” com o fato de que “um operário chegou à Presidência” ou que a “classe melhorou de vida. Mais uma vez, não dá para levar a sério. Por que raios essa gente toda está inconformada, se não perdeu nada com isso? Qual diferença prática lhes fez a eleição de presidente de origem operária, ou por que sofreriam vendo um trabalhador viajar de avião? Num país com 190 milhões de habitantes, é óbvio há muita gente que detesta o ex-presidente, ou simplesmente não gosta dele. E daí? Que lei os obriga a gostar? Acontece com qualquer grande nome da política, em qualquer lugar do mundo. Ainda outro dia, milhares de pessoas foram às ruas de de Londres para festejar alegremente a morte da ex-líder britânica Margaret Thatcher – que já não estava mais no governo havia 23 anos. É a vida.

Por que Lula e seus crentes não se conformam com isso e param de encher a paciência dos de outros com sua choradeira sem fim? O resumo dessa ópera é uma palavra só: hipocrisia. Lula bate tanto assim na “elite” para esconder o fato de que ele é hoje, na vida real, o rei da elite brasileira. O ex-presidente diz o tempo todo que saiu do povo. De fato, saiu – mas depois que saiu não voltou nunca mais. Falemos sério: ninguém consegue viver todos os dias como rico, viajar como rico, tratar-se em hospital de rico, ganhar como rico (200 000 reais por palestra, e já houve pagamentos maiores), comer e beber como rico, hospedar-se em hotel de rico e, com tudo isso, querer que os outros acreditem que não é rico.

Lula exige jato particular para ir às suas conferências e Johnnie Walker Rótulo Azul no cardápio de bordo. Quando tem problemas de saúde, interna-se no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, um dos mais caros do mundo. Sempre chega ali de helicóptero. Vive cercado por um regimento de seguranças que só o típico magnata brasileiro costuma ter. O ex-presidente sempre comenta que só falam dessas coisas porque “não admitem” que um “operário” possa desfrutar delas. Mas onde está o operário nisso tudo? É como se o banqueiro Amador Aguiar, que foi operário numa gráfica do interior de São Paulo e ali perdeu, exatamente como Lula, um dos dedos num acidente com a máquina que operava, continuasse dizendo, sentado na cadeira de presidente do Bradesco, que era um trabalhador manual.

Lula não trabalha, não no sentido que a palavra “trabalho” tem para o brasileiro comum, desde os 29 anos de idade, quando virou dirigente sindical e ganhou o direito legal de não comparecer mais ao serviço. Está a caminho de completar 68 e, depois que passou a fazer política em tempo integral, nunca mais tomou um ônibus, fez uma fila ou ficou sem dinheiro no fim do mês. Melhor para ele, é claro. Mas a vida que leva é um igualzinha à de qualquer cidadão da elite. O centro da questão está aí, e só aí. Todo o resto é puro conto do vigário.

08/06/2013

Alckmin seria reeleito no 1º turno, aponta Datafolha, e bate Lula em São Paulo por 42% a 26%; desta vez, a Madame Mim da Filosofia ateia fogo às vestes


Segurem a Marilena Chaui, que ela vai ter um troço.

Corre o risco de atear fogo à próprias vestes.

Ou, pior, vai se meter com aqueles bandoleiros do dito Movimento Passe Livre e sair por aí pondo fogo da cidade.
Por Reinaldo Azevedo

Por quê?

Segundo pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira pela Folha, o governador Geraldo Alckmin (SP) seria reeleito governador de São Paulo e bateria o próprio Luz Inácio Lula da Silva por larga margem: 42% a 26%.

Quando aparecem outros nomes do petismo, Alckmin se elege no primeiro turno, oscilando de 50% a 52%. Depois do Babalorixá, o petista mais bem colocado é Aloizio Mercadante (11%), atual ministro da Educação, que já disse que não disputará.

José Eduardo Cardozo, titular da Justiça, o preferido da presidente na disputa estadual (deve querer se livrar dele), mas rechaçado pelo Apedeuta, aparece com 5%; Alexandre Padilha, ministro da Saúde, tem apenhas 3%.


É claro que ainda falta muito tempo para a eleição, mas o resultado em São Paulo não é nada animador para os petistas.

Quem aparece em segundo lugar na disputa é o neopeemedebista e ex-socilista (!?) Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Seus percentuais variam de 13% a 16%, reflexo certamente do evidente uso que ele faz da máquina da entidade para se promover.

Nunca se viu nada igual em matéria de personalismo e de uso da federação para o marketing pessoal.

Quem também aparece à frente dos petistas é o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que não esconde a disposição de se candidatar: ele teria, se a eleição fosse hoje, entre 6% e 9%.


Aprovam a administração Alckmin 52% dos paulistas; consideram-na ruim ou péssima apenas 15%; 31% dizem que é regular. São números bastante apreciáveis.

A aprovação no interior (60%) é bem maior do que na capital (42%). A campanha está longe, mas o resultado vai provocar desconforto no PT. Afinal, o esforço do partido para tentar desconstituir a imagem de Alckmin tem sido gigantesco. E, como vimos na entrevista de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, vale tudo.


É hoje que Dona Doida sai pelas ruas gritando contra as “elites reacionárias” de São Paulo…


10/06/2013