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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dilma Rousseff é Dilma Rousseff, a insustentável.


Celso Arnaldo:

‘A Dilma do debate é Weslian Roriz depois do treinamento intensivo com os capitães Nascimento do PT’


Atendendo ao clamor dos comentaritas, Celso Arnaldo está de volta ─ e em grande estilo. O texto do grande caçador de cretinices captura alguns dos piores momentos de Dilma Rousseff. E garante aos amigos da coluna um grande fim de feriadão. Confira:

A Dilma Rousseff do debate da Band é Weslian Roriz depois de treinamento intensivo pelos capitães Nascimento do BOPE (Batalhão de Operações Políticas Especiais) do PT.

Dilma entrou na arena com a sanha de um recruta que, após um período de privação extrema e humilhação cênica, se torna capaz de morder uma galinha na jugular para saciar a sede com seu sangue ainda quente.

Tudo ensaiado, é claro – e muito mal ensaiado.

Serra errou ao considerar essa Dilma como a Dilma de verdade.

A Dilma de verdade, longe das palavras de ordem dos capitães marqueteiros, a Dilma que governaria o Brasil como o maior embuste da história, é a que aparece em três momentos deste início da campanha do segundo turno – interposta pessoa de Lula, como Weslian Roriz o é de Joaquim, com a mesma má-fé da indicação e a mesma agônica falta de formação e informação da criatura ungida.

Uma candidata na contramão de um mundo que busca a sustentabilidade como o Santo Graal dos tempos modernos: ela é absolutamente insustentável.

O segundo turno de Dilma Roriz ou Weslian Rousseff começou por onde deveria terminar – a Baixada. Território livre de Cabral Filho e “Lindinberg” Faria. Na primeira entrevista, ela reforçou seu principal compromisso como presidente:

“Nós colocamos como prioridade uma questão que é muito importante, que é a vida concreta das pessoas”.



Weslian Rousseff é fã das prioridades importantes, mas nesta ela caprichou: a concretude da vida.

O cimento social.


Numa segunda etapa, talvez no PAC 3, a vida abstrata.

Os irmãos Campos, criadores do movimento concretista no Brasil, seriam seus ministros siameses da Economia – se ela já tivesse ouvido falar nos irmãos Campos.

E se Haroldo, que apoiou Lula em 1994 com o poema “Por um Brasil Cidadão”, já não estivesse bem distante da “vida concreta” deste mundo.


No dia seguinte, Weslian Rousseff veio visitar a Bienal de São Paulo – dizem que a primeira coisa que disse ao curador Agnaldo Farias é que estranhou não ter havido Bienal no ano passado, mas isso não está confirmado.

O fato é que ela, patronesse das artes, veio à mostra sobretudo para incrementar sua pinacoteca digital — os assessores não se cansaram de fotografar obras e instalações com seus celulares.

Mas Bienal é cultura.

E cultura, seu nome é Dilma Rousseff.

Em fase de valorização da vida, está prenhe de propostas:

“A primeira proposta é a proposta…”

Poderia parar aí. Não há tautologia mais perfeita. Todas as propostas de Weslian Rousseff, para qualquer área, são propostas – ou começam por “uma questão que é uma questão muito importante”.

E, mesmo que se desgrudem da base, evoluem em círculos, como um cão tentando morder o rabo. Mais uma chance:

“…é a proposta de assegurá e dá sustentação pras bibliotecas, uma em cada município, isso é crucial pro Brasil”

Weslian Rousseff é assim – sem rodeios, sem firulas, sem cálculos complicados: uma biblioteca por município, seja São Paulo ou Borá, com 795 habitantes. Mas, espere — não é uma biblioteca qualquer:
“E aí, numa visão de biblioteca, não a biblioteca clássica, né, que ela fica parada e as pessoas vão atrás dela, mas uma biblioteca que leve e desperte o interesse pela leitura e pelo acesso aos livros e as outras formas culturais”



Por aí se vê o poder dos livros: mesmo as bibliotecas clássicas, que teoricamente ficam paradas, são tão dinâmicas que as pessoas são obrigadas a ir atrás delas.

As bibliotecas de Dilma são muito melhores: vão fazer por ela mesma o que nenhuma outra biblioteca até hoje conseguiu – despertar seu interesse pela leitura.


Da cultura à saúde, Weslian Rousseff está se apetrechando para fazer um governo inesquecível.

Depois da Bienal, foi visitar a maternidade Amparo Maternal, em São Paulo, onde se surpreendeu com a natureza do trabalho: ali, gestantes dão à luz, inclusive adolescentes.
Além de ser um subsídio importante para a sua Rede Cegonha, essa visita naturalmente neutraliza a sórdida campanha dos que acusam Dilma Rousseff, não a atual candidata, mas sua homônima, a ministra da Casa Civil, em entrevista à Folha em 2007, de defender o aborto.

“É o grande trabalho de afirmação da vida. Porque eles recebem de todas as idades, eu vi aqui inclusive uma menina de 13 anos, algumas de 14, outras de 15, outras mais velhas, que estão em gestação e que precisam de apoio.

Prá podê o quê?

Pra podê enfrentá esse processo, que é um processo complicado, a gravidez, e uma situação, né, de…em alguns casos, eu diria, de solidão, outros porque a família não aceita e aí a moça é obrigada a escondê, ou a menina é obrigada a escondê o parto, o parto não, a gestação, a própria gravidez”.


Aos 62 anos, Weslian Rousseff descobriu a gravidez na adolescência – e está impressionada.

Não tem muita noção do que poderá vir a fazer como presidente para minorar esse drama, mas já está tentando aprender a diferença entre parto e gestação, gestação e gravidez…

Epa! gestação e gravidez são a mesma coisa – daí não ser necessário à menina esconder a gestação e a própria gravidez.

Um caso, particularmente, a impressionou:

“Em outros casos você tem por exemplo pessoas que foram tiradas da rua, tão grávidas, uma moça tirada da rua, que veio pra cá pra podê tê condições de não tê a criança em situação, inclusive ela não se alimenta. Ela é de uma magreza assim muito grande”


Emocionada, Weslian Rousseff homenageia o deputado federal mais votado de sua coligação, Sua Excelência Tiririca – relatando o caso da gestante magrinha como se Tiririca o tivesse contado.

Ela se entusiasma:

“Então há um trabalho aqui que eu acho que é um trabalho a favor de fato da gestação, da vida. E tem uma preparação que eu achei muito importante, que eles fazens (sic), né, as irmãs, as chamadas dolas (sic), que são voluntárias, que não é só em termos de assistência médica, mas é sobretudo de assistência e de reforço psicológico e de sustentação dessas meninas, pra elas poderem sabê que é algo importante da vida, que é algo importante que elas vão tê de tê clareza que elas têm como, é, garanti que essas crianças sejam cuidadas, sejam tratadas”.


Dilma gostou das “dolas” – talvez gostasse mais das doulas, acompanhantes de parto que fazem um trabalho admirável, sobretudo quando em caráter voluntário, como no Amparo Maternal.

Agora, gerar uma criança na barriga e ainda “tê de tê clareza” sobre o que está acontecendo é uma carga muito pesada para uma adolescente grávida.


Refaço a afirmação inicial:

Dilma Rousseff é Dilma Rousseff, a insustentável.

Nada se compara a ela – nem Weslian Roriz em estado bruto.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dilma Rousseff no debate da Band fracassou espetacularmente


Atacar primeiro não é para amadores



Tomar a iniciativa e partir para o ataque num debate eleitoral não é para amadores, ensinou outra vez o duelo transmitido pela Band.

Candidata de primeira viagem, espantosamente desarticulada, desprovida de raciocínio ágil, sem vestígios de carisma, Dilma Rousseff desencadeou a ofensiva já na primeira pergunta a José Serra.

Levou o troco mas foi em frente.

Nas duas horas seguintes, sempre na fronteira do chilique, a veia da pálpebra esquerda latejante de cólera, sobrancelhas em arco de normalista contrariada, tentou combater simultaneamente o português, a lógica e os fatos — além do adversário experiente e tranquilo.

Fracassou espetacularmente.



Abalroada por contragolpes sucessivos, levada às cordas por alusões ao bando de Erenice Guerra e ao descompromisso com a coerência, Dilma evocou duas vezes uma mesa atulhada de árabes e judeus, conjugou a cada dois minutos o verbo tergiversar, embaralhou temas distintos ao perguntar ou responder, frequentemente não conseguiu dizer coisa com coisa e, depois de 120 minutos de agressividade e grosserias, queixou-se do baixo nível da campanha.

Não aprendeu a atacar nem sabe defender-se.

Nitidamente superior em todos os quesitos, nem por isso Serra foi brilhante.

Pode melhorar muito.

Pode ser bem mais contundente.

Aparentemente, ele preferiu usar o primeiro duelo como laboratório para aperfeiçoar a estratégia e a tática que adotará nos próximos.

Além de confirmar que Dilma é a adversária que todo candidato pede a Deus, o debate na Band mostrou que o eleitorado terá de escolher entre um administrador competente e uma gerente debutante.

Os confrontos seguintes consolidarão a certeza de que disputam o segundo turno um político com currículo respeitável e uma novata que oculta a folha corrida.

Cumpre a Serra deixar claro que, entre os dois candidatos à Presidência da República, só um pode garantir que não vai desonrar o cargo.


Direto ao Ponto

11/10/2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A cobertura do debate comprova que os jornalistas se negam a enxergar a fraude sem precedentes


Celso Arnaldo desmonta a farsa:

a cobertura do debate comprova que os jornalistas se negam a enxergar a fraude sem precedentes


A cobertura do debate no UOL consolidou a certeza de que a grande mídia desistiu solenemente de destrinchar — se é que um dia se dedicou a isso — o conteúdo pastoso e espantoso da fala de Dilma, limitando-se a comentar sua postura e sua desenvoltura, que aparentemente, e apenas aparentemente, tiveram um leve upgrade, desde o assustador debate da Band, pela influência de seus múltiplos marqueteiros.

Apesar do treinamento intensivo, confrontada com qualquer questão nacional Dilma ainda soa, no conjunto da obra, como uma fraude sem precedentes na história das candidaturas presidenciais. Mas, segundo os analistas, teria aprendido a fazer isso olhando para a câmara certa e com menos tartamudeios.

Ok, deixou de ser uma tragédia (Band) para ser apenas um desastre (UOL).

Nenhuma palavra sobre o conteúdo de suas falas.

O fato é que Dilma continua, com sua sintaxe monstruosa, mentindo, tergiversando, embromando, empulhando, adulterando dados, conceitos, propostas, análises – diante da mais absoluta inação dos jornalões.
Pegue-se apenas a resposta de Dilma à pergunta de um internauta sobre a questão do aborto (bloco 4 do debate do UOL, está no portal UOL).

O tema não está no topo das prioridades de um novo governo, mas é assunto delicado, que, quando trazido à baila, exige de um candidato à Presidência da República uma formação técnica e humanista razoável para não parecer fariseu, demagógico ou defender o indefensável e o inviável.

Qual foi a resposta de Dilma no debate da UOL?

Claro: uma sandice curetada por um desconhecimento visceral do tema. Não por arranhar valores morais, não por afrontar dogmas religiosos. Mas porque, ao fim da resposta, é virtualmente impossível saber que contribuição ela tem a oferecer à problemática do aborto como política de governo – tenho para mim que ela não tem a menor noção sobre o que dizer ou propor sobre o aborto, apenas embaralha fragmentos de um fraseado que um dos marqueteiros lhe passou.

O que disse sobre o aborto a mãe cuidadora em cujas mãos Lula quer depositar o país – com Michel Temer, e seu ginecológico PMDB, de plantão na neonatologia pronto para embalar o seu?

“Eu não acredito que tenha uma mulher que seja favorável ao aborto”, começa o tatibitate de Dilma no UOL.


Ela normalmente diz, quando aborda o assunto, que nenhuma mulher “quer” fazer aborto. “Ser favorável” dá no mesmo. Na verdade, a imensa maioria das mulheres que fazem aborto desejam fazer aborto: por uma série de razões, são favoráveis a ele – ou não infringiriam a lei para fazê-lo. O que Dilma tenta dizer, em sua falência semântica, é que nenhuma mulher “gosta” de fazer aborto. E isso é óbvio.

Leia mais aqui.

Direto ao Ponto

20/08/2010

sábado, 7 de agosto de 2010

Dilma não sabe nada de coisa alguma


Celso Arnaldo:
‘Cada frase de Dilma no debate valeria uma internação no Sanatório’

São-paulino de brigar em botequim e único jornalista brasileiro especializado em dilmês, Celso Arnaldo teve de multiplicar-se, nesta quinta-feira, para ver o jogo sem ignorar o debate.

O que viu e ouviu bastou para outra tomografia da mente inquietante da mais bisonha candidata da história do Brasil.

Confira:

Ontem à noite tive de fazer uma Escolha de Sofia entre dois desastres anunciados: a eliminação de Dilma e a eliminação do São Paulo.

Como são-paulino histórico, optei por esta – pelo menos fui recompensado com um time bem articulado, que soube responder aos ataques do Inter e esteve muito próximo da vitória consagradora.

Num momento de bola parada, zapeei para a Band. Vi uma jogadora de várzea tentando fazer duas embaixadinhas seguidas – perdeu a bola na primeira, bisonhamente:

– O Samu, que transporta crianças…

Perdão? O Samu, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, um dos raros serviços públicos de saúde com padrão de excelência, pelo menos em São Paulo, vai se tornar pediátrico no governo de Dilma?

Claro que não. Dilma não sabe o que é Samu — embora viesse incluindo esse programa como uma de suas falsas metas para a saúde.

Dilma não sabe nada de coisa alguma.

No intervalo, retornei ao debate, justo quando Dilma tentava, agonicamente, explicar sua política para a inclusão social de deficientes – que ela chamou de “excepcionais”, um termo em desuso. A resposta foi tão deficiente que valeria sua exclusão automática do debate e da cena política brasileira.

Nem precisei ver o resto, continuei sofrendo com meu São Paulo. Mas aposto minha carreira profissional como cada uma de suas frases no debate de ontem valeria uma internação no Sanatório. E, cada uma, um milhão de votos a menos do Brasil que pensa.

Nesta manhã, ouvi umas cinco ou seis pessoas de minhas relações, que não leem a coluna de Augusto Nunes e nem acreditavam em mim, dizendo-se chocadas com o desempenho de Dilma. Alguma surpresa para nós? Esperávamos algo melhor da mais estapafúrdia, ofensiva e despreparada candidatura da história da República?

No fundo, sim. Despreparo, normalmente, é um estado temporário de ignorância. Qualquer pessoa na posse de faculdades intelectuais medianas pode se preparar em qualquer assunto que desconheça, com treinamento, leitura, estudo, afinco.

Não Dilma. Ela é impreparável. Ter sido jogada ao primeiro debate nesse estado rudimentar de pensamento sobre virtualmente qualquer tema não foi falha de seu staff de campanha.

A falha é estrutural – é do cérebro de Dilma, um dos órgãos com menor eficiência e apetrechamento da máquina estatal brasileira em todos os tempos.

Do pouco que vi ontem e li hoje, o desempenho de Dilma no primeiro debate foi mais desastroso do que até os dilmólogos esperavam.

Tão estarrecedor que até seus assessores mais próximos, os xiitas da campanha, devem ter entrado em desespero — porque há pelo menos mais quatro debates pela frente.

Bem, isso pode até ser verdade, mas não em público. Os construtores da fraude se apressaram em mandar estampar hoje cedo como manchete principal do site oficial:

– Dilma estreia com vitória

Trecho do texto triunfal:

“Confiança, conhecimento e sinceridade na transformação do país. Foi o que Dilma Rousseff demonstrou no debate entre os candidatos na Rede Bandeirantes, na noite de quinta-feira. Dilma respondeu com elegância e profundidade às perguntas dos adversários e dos jornalistas da Band, mostrando que conhece a realidade do país e é a mais preparada para fazer o Brasil continuar avançando”.

Pior do que ver Dilma debatendo é olhar na cara dos filhos depois de escrever isso.

06/08/2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dilma acabou poupada do naufrágio numa noite em que foi mais Dilma que nunca

Dilma acabou poupada do naufrágio numa noite em que foi mais Dilma que nunca

No primeiro bloco do debate, Dilma Rousseff não conseguiu completar uma única resposta no prazo combinado nem formular uma só frase sem espancar a gramática.

Talvez por falta do que dizer, o desrespeito ao tempo diminuiu nos quatro blocos restantes.

Em contrapartida, aumentou extraordinariamente o desrespeito ao português, associado à sequência impiedosa de atentados à lógica, à inteligência e à verdade.

Na noite da estreia , a debatedora Dilma Rousseff foi o que tem sido Dilma Rousseff em comícios, entrevistas ou recados pelo twitter: um barco à deriva na iminência do naufrágio.

A performance confirmou que uma esquadra de sumidades que agrupa marqueteiros, consultores políticos, figurinistas, fonoaudiólogos, cabeleireiros, dermatologistas e outras modernidades pode até traçar a rota certa, mas não consegue levar a algum porto seguro embarcações irremediavelmente avariadas.

Entre o “sem sombra de dúvidas” que abre a frase e a sílaba parada no ar que a encerra sem conseguir completá-la há um deserto onde só florescem sopas de letras insossas — “isso é muito importante”, “eu considero isso fundamental” — e rapapés ao amo e senhor.

Não é possível reescrever um discurso sobre o nada. Em política não existem milagres.

Sem nada a perder, veterano de muitas derrotas, Plínio de Arruda Sampaio foi dispensado pela extensa milhagem eleitoral da apresentação de sintomas de nervosismo ─ e de ideias plausíveis.

Órfã do PT e pouco à vontade na nova família ideológica igualmente em busca de identidade, Marina Silva tornou-se mais confusa.

Bastou a José Serra um desempenho sofrível para ser melhor que os outros.

Surpreendentemente tenso no início do debate, não demorou a recuperar a serenidade.

Mas faltou o ânimo combatente sem o qual nenhuma performance será brilhante.

Serra deveria ter encurtado a procissão de estatísticas, buscado o confronto com Dilma mais energicamente e com mais frequência.

Claramente superior à adversária, passou ao largo de temas que teriam dilatado a diferença.

Permanentemente à beira do colapso verbal, Dilma esqueceu frases que tentou decorar, consultou papeis de 20 em 20 segundos, estacionou em vírgulas à procura da palavra que, repentinamente, sumira dali.

Poderia ter afundado na mudez se instada a discorrer sobre as ligações incestuosas com as Farc, o casamento indecoroso com o Irã, os escorregões na mitomania, a parceria obscena com corruptos juramentados, o convívio promíscuo com a esquerda psicótica, a cumplicidade bandida com os mensaleiros, a usina de dossiês cafajestes, a opção preferencial pela mentira.

Fora o resto.

Talvez não se deva esperar muito de um debate emparedado por regras e ritos que imploram pela aposentadoria.

Quem ligou a TV no meio de algum bloco pode ter chegado ao intervalo sem descobrir que assistia a um debate.

É preciso modernizar a fórmula ─ e, para tanto, é preciso remover com urgência o bolor e as teias de aranha que se acumulam na legislação eleitoral.

O eleitorado merece o direito de acompanhar um duelo real entre os principais concorrentes.

Os poucos momentos que lembraram algo parecido com um debate, de todo modo, permitiram vislumbrar o que acontecerá quando Serra e Dilma travarem um duelo genuíno, com tempo suficiente para réplicas e tréplicas, livres de tantas amarras que proíbem o bom combate.

A amostra desta quinta-feira confirmou que Dilma não escapará do nocaute.

Basta que o oponente esteja disposto a desfechar o golpe que encerra a luta.

06/08/2010